Mostrar mensagens com a etiqueta António Carvalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Carvalho. Mostrar todas as mensagens

4 de janeiro de 2021

A vez de António Carvalho numa Efapel renovada

© João Fonseca Photographer
Nos últimos anos, a Efapel primou por manter uma espinha dorsal, fazendo poucas contratações, ainda que algumas a mexer com a liderança, como foi o caso de Sérgio Paulinho, ou o regresso de Joni Brandão. Porém, este ciclista saiu novamente e não foi o único. Foi uma autêntica revolução o que se assistiu para 2021, só ficando dois ciclistas, que haviam chegado no ano passado. O que é que isto significa? Chegou a vez de António Carvalho ter a oportunidade por que tanto ambicionava.

Já no ano passado se tinha assistido a duas saídas de ciclistas que foram importantes na Efapel, casos de Henrique Casimiro e Bruno Silva. Em 2021 é o quebrar total com o passado, vendo sair, por exemplo, Rafael Silva que tinha sete anos de casa! Sérgio Paulinho também rumou a outras paragens, tendo adiado a sua retirada por um ano. Vai para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto Rafael ruma ao Feirense*.

Começa, por assim dizer, uma nova era na formação de Rúben Pereira, que não terá ficado nada satisfeito por ver como a Efapel falhar na Volta a Portugal. Porém, foi também nessa corrida que António Carvalho demonstrou que talvez mereça mais do que papel de gregário.

Ganhou uma etapa e não fosse o ter de ajudar um Joni Brandão que não esteve ao nível esperado, principalmente na Senhora da Graça, e talvez Carvalho tivesse feito mais na geral (foi sexto classificado, a 1:52 do vencedor, Amaro Antunes). Pelo menos, ficou essa dúvida. E se Carvalho tivesse tido autorização para fazer a sua corrida?

Em 2021 o ciclista vai poder responder a essa questão. Já na W52-FC Porto dava conta de como um dia queria ser ele o líder. Contudo, foi tendo oportunidades noutras corridas, tendo conquistado vitórias, a verdade é que Carvalho não conseguiu ser a escolha número um na corrida que mais queria.

Mudou-se para a Efapel com esse objectivo, mas era expectável que seria difícil ultrapassar Brandão na hierarquia. Para 2021 não há dúvidas. A Efapel já anunciou que o seu líder é António Carvalho. Aos 31 anos chegou o momento ambicionado.

É um ciclista lutador e quando define um objectivo, estando motivado, é um corredor para estar na luta por triunfos. Apesar de na W52-FC Porto praticamente todos terem as suas oportunidades, Carvalho há muito que começou a querer mais. Começou a querer o lugar que agora ocupa na Efapel.

E vai ter de mostrar serviço numa equipa que tem sido a que mais vezes tem feito frente à rival azul e branca, mas que na Volta a Portugal acaba por perder. Mas que ajuda terá Carvalho?

A outra permanência é Luís Mendonça. Outro ciclista que não vira a cara a um desafio e que será líder em determinadas provas. É isso que quer, contudo, não tem qualquer problema em vestir a camisola de gregário quando a isso é chamado. No entanto, não é ciclista para a alta montanha.

Onde encaixará Frederico Figueiredo?

A Efapel foi buscar Frederico Figueiredo, que quando finalmente foi líder indiscutível na equipa de Tavira, venceu pela primeira vez como atleta de elite (etapa e geral no Troféu Joaquim Agostinho) e foi terceiro na Volta a Portugal, sendo o único a obrigar Amaro Antunes a ter bastante atenção. Isto numa perspectiva de uma equipa rival, já que Amaro teve no companheiro Gustavo Veloso quem mais o ameaçou.

Não deixa de ser estranho vê Figueiredo regressar a uma posição de segundo plano. É uma excelente contratação na perspectiva de estar ao lado de António Carvalho, mas depois da Volta a Portugal que realizou, esperava-se que regressasse em 2021 com ambição renovada para tentar subir mais uns patamares. É certo que terá as suas oportunidades, mas, como já foi dito, a Efapel deixou bem claro quem é o líder para esta época.

Na Volta, Figueiredo poderá assim ser o braço-direito de António Carvalho, numa Efapel que foi ainda buscar Rafael Reis. Tem sido uma carreira de altos e baixos para este atleta, que aos 28 anos recebe um voto de confiança importante de uma das equipas mais fortes em Portugal. Este contra-relogista por excelência sabe que também chegou a um momento decisivo na sua carreira.

Muita juventude e alguma experiência

As restantes contratações ficam marcadas pela juventude e a aposta na experiência de um ciclista que passou pelo World Tour. A Efapel garantiu Fábio Costa (campeão nacional de sub-23, 21 anos), André Domingues (19) e Fábio Fernandes, este último oriundo das escolas da equipa. Somou várias vitórias como júnior, sendo inclusivamente bicampeão nacional de contra-relógio. Dará os primeiros passos como sub-23... na elite.

Alexander Evtushenko (27 anos) é um russo com currículo em pista, mas que na estrada ainda não atingiu um nível muito elevado. Passou pela Lokosphinx e Gazprom-RusVelo, duas equipas que têm, de quando em vez lançado alguns russos, no ciclismo. Na época passada competiu por uma formação turca, a Spor Toto Cycling Team.

Não é um total desconhecido em Portugal, pois já participou em algumas corridas nacionais e a sua contratação passa por colocá-lo como um dos homens de trabalho. Ainda assim, fica sempre a curiosidade para ver o que este russo poderá fazer, já que as apostas recentes em ciclistas deste país por equipas portuguesas, nem sempre têm sido ganhas, excepção feita a Alexander Grigorev (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel).

O mesmo papel de trabalho deverá ser entregue ao uruguaio Mauricio Moreira (25), enquanto de Javier Moreno (36) espera-se que seja a voz da experiência. Alguém com capacidade de leitura de corrida e que possa ajudar nas decisões em momentos mais críticos.

Estamos a falar de um ciclista que esteve cinco anos na Movistar e um na então Bahrain-Merida, ou seja, com muita experiência ao mais alto nível. Esteve em sete Vueltas, dois Giros e um Tour. Também conquistou vitórias em provas como a Volta às Astúrias, Aragão e Castela e Leão, ainda que todas por equipas do segundo escalão.

Em 2020, depois de duas temporadas na Delko Marseille Provence, Moreno optou pelo BTT, regressando agora à estrada em Portugal. E nem é inédito a Efapel contratar ciclistas com este tipo de experiência. Além de Sérgio Paulinho, em 2018 David Arroyo regressou ao pelotão nacional depois de algumas épocas na alta roda mundial. E sem esquecer que em 2020 Tiago Machado também representou esta formação, ainda que, num ano com tão poucas corridas, não deixou a sua marca.

Com tantas novas caras, é difícil perspectivar o que esperar da Efapel para esta época, que, como tem sido o objectivo, precisa de ter um grupo muito forte para medir forças com a W52-FC Porto.

Equipa Efapel para 2021

Permanências: António Carvalho e Luís Mendonça.

Reforços: Alexander Evtushenko (Spor Toto Cycling Team), André Domingues (Kelly-Simoldes-UDO), Fábio Costa (Kelly-Simoldes-UDO), Fábio Fernandes (escola Efapel), Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), Javier Moreno (competiu em 2020 em BTT), Mauricio Moreira (Vigo-Rías Baixas), Rafael Reis (Feirense).

* Correcção: Rafael Silva não vai para a LA Alumínios-LA Sport, mas sim para o Feirense.

»»Joni Brandão na W52-FC Porto é o passo certo?««

»»O calendário que mais se quer que se concretize««

4 de outubro de 2020

Amaro Antunes mais perto da vitória, mas ainda há uma ameaça

© João Fonseca Photographer
O contra-relógio vai mesmo decidir tudo. Nenhum dos candidatos quis aproveitar a Arrábida para, pelo menos, encurtar distâncias. Amaro Antunes está bem encaminhado para conquistar a Volta a Portugal, mas será que um certo ciclista vai deixar? Frederico Figueiredo vai tentar, mas o especialista e maior ameaça até é Gustavo Veloso, colega de Amaro na W52-FC Porto. Estando cada um por si, o espanhol não vai "levantar o pé".

1:13 separa Gustavo de Amaro, com Frederico Figueiredo a 13 segundos. O problema para o líder da Atum General-Tavira- Maria Nova Hotel é que o contra-relógio é o seu calcanhar de Aquiles. Por mais que vá tentar, manter o lugar no pódio será um objectivo. Amaro Antunes também está longe de ser forte nesta especialidade, o que faz com que a sua maior preocupação seja quem está a mais de um minuto.

Para Veloso, a estrada decidirá o mais forte. No prólogo, que venceu, deixou Amaro Antunes a 32 segundos em apenas sete quilómetros. Em Lisboa, esta segunda-feira, serão 17,7 quilómetros, em terreno plano e com empedrado. Veloso, além de ser melhor contra-relogista, está num terreno que o beneficia.

É quase um déjà vu. Em 2016, também Veloso tentou tirar a camisola amarela ao colega Rui Vinhas. Não conseguiu. Anda desde esse ano à procura da terceira vitória na Volta e aos 40 de idade não está longe. Porém, apesar do prólogo não ter sido o melhor para Amaro, as circunstâncias são outras neste último dia. Certamente que, como aconteceu com Vinhas, a motivação de Amaro estará em alta. Já foi segundo em 2017, agora pode vencer uma corrida que, mesmo quando foi para a CCC durante dois anos, nunca escondeu que queria ganhar.

Numa Volta a Portugal que se resumiu muito à etapa da Senhora da Graça, a W52-FC Porto fez o que tem feito há oito anos. Domina e até tem novamente dois ciclistas que podem ganhar.

© João Fonseca Photographer
A Efapel abdicou de um ataque de Joni Brandão na Arrábida, que provavelmente pouco resultado teria, para levar António Carvalho a uma vitória de etapa que merecia. O ciclista apresentou-se forte desde o início da corrida, mas acabou a sacrificar-se por Brandão. A Efapel perdeu a Volta na Senhora da Graça e ainda não foi desta que conseguiu contrariar a W52-FC Porto, mas Carvalho, um antigo ciclista da equipa do Sobrado, foi a Setúbal conquistar a etapa, ele que em 2019 havia vencido na Senhora da Graça. 
Não se pode dizer que serve de compensação para a equipa, mas sim de prémio para o ciclista.

Entre a Ribeira das Naus e a Praça do Comércio, a Volta chegará ao fim, com pouco para contar, mas ainda com Veloso a querer reescrever uma história que Amaro espera estar perto de ter um final feliz e assim levar a taça novamente para o Algarve, tal como João Rodrigues em 2019.

De salientar que na última etapa em linha (Loures-Setúbal, 161 quilómetros), Luís Gomes foi para a fuga, somando mais do que os pontos que precisava para garantir a camisola vermelha. Só um o separava de Daniel McLay (Arkéa Samsic), mas o britânico já estava satisfeito com as duas vitórias de etapa. Para a Kelly-Simoldes-UDO é mais um objectivo alcançado, depois do mesmo ciclista ter ganho a tirada que terminou no Alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tinha garantida a camisola da montanha, numa conquista muito importante para um jovem de apenas 23 anos.

Classificações completas, via FirstCycling.




12 de novembro de 2019

Trio de luxo para colocar bem alta a expectativa da Efapel

(Fotografias: © Podium/Paulo Maria - António Carvalho;
© João Fonseca Photographer - Luís Mendonça e Tiago Machado)
 
Se há equipa que apostou muito nos reforços foi a Efapel. A precisar de um bloco mais forte para ajudar Joni Brandão e assim enfrentar uma W52-FC Porto que faz do colectivo a sua arma para ajudar um líder que, quando chega o momento, faz a diferença, a equipa não se poupou em seduzir nomes de peso. Brandão soube fazer essa diferença de líder na Efapel na Volta a Portugal em 2019 (e não só), mas em 2020 o responsável Rúben Pereira quer garantir que a seu lado estejam alguns dos melhores ciclistas do pelotão nacional e aumentar o poderio do colectivo. Era algo essencial. E nada melhor do que ir tirar uma das figuras da equipa rival e juntar um dos mais corredores mais combativos e outro com experiência World Tour, que neste aspecto fará companhia a Sérgio Paulinho.

António Carvalho (30, W52-FC Porto), Luís Mendonça (33, Rádio Popular-Boavista) e Tiago Machado (34m Sporting-Tavira) formam um trio de luxo que se funcionar bem ao serviço de Joni Brandão, então a Efapel poderá tornar-se numa ameaça ainda maior ao domínio da W52-FC Porto. Mas há ainda mais um nome a ter em conta. Tiago Antunes (22) pode ser jovem e vai dar o salto para o profissionalismo, mas chega à Efapel depois de ano e meio na SEG  Racing Academy, uma das mais importantes estruturas de formação no ciclismo. É um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal.

O director desportivo Rúben Pereira tem agora à sua disposição uma equipa mais forte, mas tem também o desafio de lidar com egos de corredores ambiciosos, mas que têm provas dadas que ao trabalharem para o colectivo, são elementos de enorme valor. No entanto, também procuram resultados pessoais.

Quando se fala de gregários por excelência, Tiago Machado foi um durante os nove anos que passou no estrangeiro, ainda que nunca tenha desperdiçado uma oportunidade para se mostrar quando lhe era dada liberdade. Regressou a Portugal para assumir um papel de liderança no Sporting-Tavira que tinha perdido aquele que agora será seu companheiro, Joni Brandão. Contudo, a "transformação" não decorreu como o esperado, um pouco à imagem do que aconteceu com Sérgio Paulinho, quando o ciclista voltou ao seu país em 2017, depois de uma carreira exemplar no World Tour como gregário.

Paulinho é um homem de trabalho por excelência e a Efapel beneficia mais ao explorar essa sua vertente, mesmo aos 39 anos. Machado também o é, tendo ainda aquela vertente atacante que poderá a qualquer momento resultar numa vitória. E vencer está sempre nos horizontes de Luís Mendonça. Rafael Silva tem sido a opção principal para os sprints, mas terá agora concorrência. Porém, o ciclista que este ano alcançou três vitórias, somando ainda vários segundos lugares na Rádio Popular-Boavista, tem trabalhado na evolução nas subidas e o segundo lugar na Clássicas Aldeias do Xisto foi a prova que pode pensar em vários tipos de terrenos e não apenas nas corridas mais típicas para sprinters, que em Portugal escasseiam.

No entanto, os objectivos pessoais de Mendonça não chocarão com os de Brandão - o ciclista que ganhou nas Aldeias do Xisto -, o que significa que quando chegar a Volta a Portugal, o primeiro terá as suas oportunidades, mas irá depois trabalhar para o líder. Sabe fazê-lo bem, que o diga Vicente García de Mateos, quando ambos se cruzaram na Aviludo-Louletano.

Já António Carvalho tem sido importantíssimo nas conquistas recentes na Volta da W52-FC Porto. No entanto, nunca escondeu que um dia gostaria de ter a sua oportunidade. Na equipa do Sobrado era difícil, na Efapel poderá quanto muito ocupar o segundo lugar na hierarquia. Será um ciclista que precisará de objectivos pessoais. Venceu por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias e este ano conseguiu finalmente a sua etapa na Volta a Portugal e logo na mítica Senhora da Graça. Alguma corrida irá ter Carvalho como o líder da Efapel, mas em condições normais, a Volta será para trabalhar.

Rúben Pereira terá de fazer algo idêntico ao que Nuno Ribeiro faz na W52-FC Porto. Com tanto ciclista com potencial para ganhar, todos têm de ter o seu espaço para lutar por vitórias, para que quando chegar o momento de ser gregário, a motivação esteja sempre em alta.

Não há dúvidas quem será o número um da Efapel, equipa que faz desde já um discurso a pensar em ganhar a Volta a Portugal com Joni Brandão, ainda que até lá haverá muito para lutar. Mas com a época das equipas nacionais a ser muito pensada na chamada "grandíssima", não surpreende que ainda em 2019 se fale em ganhar a edição da Volta de 2020, depois de mais um segundo lugar de Brandão. Perder no contra-relógio para João Rodrigues foi difícil de digerir, mas também motivou ainda mais um ciclista que aos 29 anos (fará 30 a 20 de Novembro), depois de três segundos lugares, acredita mais do que nunca que é possível subir o degrau que lhe falta no pódio.

Chegarão ainda o espanhol Gerard Armillas (24 anos), um rolador por excelência, e o colombiano de 22 anos Nicolás Saenz, que estava sem equipa desde o final da Manzana Postobón. É um trepador, portanto, mais um ciclista que tem tudo para entrar no bloco de apoio a Joni Brandão. O português Diogo Almeida vai dar o salto da equipa de júniores da estrutura da Efapel, para evoluir junto às principais figuras.

Muitas saídas

Com 11 ciclistas para 2020, a Efapel optou por mudar quase todo o plantel, mostrando que é também uma nova era, após a saída do director Américo Silva, a meio da temporada. Só permaneceram quatro: José Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho e o irmão Pedro. A maior surpresa talvez seja a saída de Henrique Casimiro, que tem vindo a ser um dos destaque da equipa. Há quatro anos que faz top dez na Volta, esta época ganhou o Troféu Joaquim Agostinho e foi o melhor apoio que Joni Brandão teve nas etapas de montanha da Volta a Portugal. As forças faltaram na etapa da Senhora da Graça, mas toda a restante corrida foi de elevado nível.

Bruno Silva foi também um dos homens de confiança nas três temporadas que esteve de amarelo. Em 2020 representará a LA Alumínios-LA Sport. O espanhol Marcos Jurado foi um lutador e deu algumas alegrias à Efapel nos dois últimos anos, enquanto o uruguaio Fabricio Ferrari e o búlgaro Nikolay Mihaylov não corresponderam totalmente às expectativas na época que estiveram de amarelo. Antonio Angulo dá o salto para a Fundação Euskadi, que na próxima temporada será Profissional Continental.

O investimento da Efapel é grande para tentar terminar de vez com o jejum na Volta a Portugal. David Blanco ganhou em 2012, mas desde então que a actual W52-FC Porto não dá hipótese. Brandão, Carvalho e Mendonça, por exemplo, têm contratos até 2021 numa tentativa de dar outra estabilidade aos ciclistas, num país onde o mais normal são vínculos anuais. A expectativa será muito alta.

Equipa para 2020:  Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho, Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista), António Carvalho (W52-FC Porto), Tiago Machado (Sporting-Tavira), Gerard Armillas (Team Compak), Tiago Antunes (SEG Academy), Nicolás Saenz (Team AV Villas), Diogo Almeida (júnior da Efapel). 

»»Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas««

»»Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente««

10 de agosto de 2019

Final de Volta a Portugal mais emocionante é impossível

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A etapa da Senhora de Graça foi rainha e foi mesmo decisiva para esta Volta a Portugal. Foi decisiva para tornar esta uma das edições mais emocionantes, mais espectaculares e de nervos à flor da pele. Este domingo vai ser mesmo assim: de nervos. Dois ciclistas partem em igualdade de tempo. Um deles é há muito visto como um dos portugueses com mais potencial para vencer a Volta. O outro confirmou há um ano o seu potencial e em 2019 "explodiu", tornando-se num dos mais recentes valores do ciclismo nacional. Agora já não interessa quem tem a equipa mais forte, já não interessa o que aconteceu de bom e de mau na última semana e meia. Agora Joni Brandão e João Rodrigues têm 19,5 quilómetros para disputar uma camisola amarela que há muito não estava tão indefinida na derradeira etapa. Gustavo Veloso perdeu contacto, mas para um excelente contra-relogista como o espanhol, 40 segundos não é missão impossível.

E como é no contra-relógio que todos já estão a pensar, então fale-se dele. 30 anos depois o Porto recebe o final da Volta. O director da corrida Joaquim Gomes, venceu nesse 1989. A derradeira tirada liga Gaia ao Porto num percurso que não se adapta ao contra-relogista que gosta mais de rolar. Tem subidas que vão quebrar o ritmo e tem descidas em que haverá de ponderar entre o risco para não perder tempo e o cuidado para evitar algum dissabor.

É um contra-relógio que agrada a Joni Brandão, 29 anos - já duas vezes segundo na Volta -, que tanto tem trabalhado esta especialidade e até ganhou a crono-escalada do Grande Prémio Jornal de Notícias. Mas também João Rodrigues adapta-se bem ao percurso. Há um ano, numa conversa com o ciclista, o algarvio explicou ao Volta ao Ciclismo como estava a tentar evoluir no esforço individual. Pouco depois demonstrou como todo o trabalho estava a dar frutos quando foi segundo no contra-relógio final da Volta a Portugal em Fafe.

Em 2019, esse treino pode ter um outro resultado bem mais importante e o ciclista, que aos 24 anos está cada vez mais completo, já teve um marcante: a primeira vitória como profissional de João Rodrigues foi no contra-relógio da Volta ao Alentejo, corrida que acabaria por conquistar.

Partir em igualdade para a última etapa é inédito, segundo a organização da Volta a Portugal, tal como será uma estreia se um destes ciclistas ganhar, a não ser que Veloso (39 anos) consiga um contra-relógio de luxo para alcançar uma terceira vitória que já não se acreditava que viria a lutar. Para quem ficou de fora dos eleitos da W52-FC Porto e foi chamado após a exclusão de Raúl Alarcón devido a lesão, foi uma prestação de nível do veterano corredor. Tem estado em quebra desde a queda de Bragança, mas continua na luta.

Ao contrário de Vicente García de Mateos, outro bom contra-relogista e que terminou no pódio nas duas últimas edições da Volta a Portugal. Desta feita, não a vai concluir. Uma indisposição obrigou o espanhol da Aviludo-Louletano a abandonar na etapa deste sábado. Os companheiros Oscar Hernandez e André Evangelista seguiram o exemplo.

Aliás, a nona tirada teve nove abandonos, a maioria devido a uma queda na descida após passar pelo Viso, uma segunda categoria que antecedeu as três de primeira, em 133,5 quilómetros muito intensos. Uma das vítimas foi Unai Cuadrado (Fundação Euskadi), líder da juventude. Emanuel Duarte saltou do terceiro lugar nesta classificação para o primeiro, para vestir novamente a camisola branca. Tem 56 segundos de vantagem sobre outro basco, Urko Berrade (Euskadi-Murias), para tentar segurar o que pode ser uma enorme vitória para a LA Alumínios-LA Sport, equipa Continental sub-25 e 100% portuguesa.

W52-FC Porto ao ataque e duas classificações fechadas


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Como já se esperava, a W52-FC Porto esteve ao ataque. O objectivo era rapidamente começar a eliminar os ciclistas da Efapel. E quando começaram as primeiras categorias do Alto da Barra e do Barreiro, os homens de amarelo pagaram o preço de ter de trabalhar na primeira fase da corrida, pois não podiam dar liberdade a António Carvalho, que entrou na fuga. O momento importante foi quando Edgar Pinto saiu do grupo e levou com consigo Henrique Casimiro. Acabariam apanhados, mas o corredor que tanto ajudou Brandão nesta Volta ficou desgastado e quebrou na Senhora da Graça.

Joni Brandão ficou sozinho, mas até quase que chegou. Gustavo Veloso não teve pernas para acompanhar o camisola amarela e só João Rodrigues não largou a roda do líder da Efapel e da Volta. O ciclista da W52-FC Portou contra-atacou nos metros finais para eliminar o segundo que o separava de Brandão e quase apanhava o companheiro António Carvalho, o vencedor do dia.

E são quatro etapas para a equipa azul e branca: Samuel Caldeira (prólogo), Daniel Mestre (quarta), João Rodrigues (quinta, chegada à Torre) e agora Carvalho na Senhora da Graça. A W52-FC Porto também tem garantida a camisola verde dos pontos. Daniel Mestre só tem de cumprir o contra-relógio. Tem uma costela partida após a queda em Bragança e está a realizar feito um grande esforço para continuar em prova e assim subir ao pódio na Avenida dos Aliados.

Luís Gomes também já assegurou o seu lugar no pódio final ao ser o rei da montanha. O ciclista da Rádio Popular-Boavista não teve para brincadeiras e começou a somar pontos na primeira subida de quarta categoria, logo a abrir a etapa. Antes da Senhora da Graça já tinha fechado as contas. A equipa trabalhou muito este sábado e até Joni Brandão tentou que o pudesse ajudar à falta de companheiros da Efapel. Chegou ao ponto de ir buscar água para entregar aos ciclistas da Rádio Popular-Boavista. O esforço dos corredores de José Santos não rendeu uma terceira vitória de etapa, mas ajudou a manter a liderança na classificação colectiva. Tem 2:51 minutos sobre a W52-FC Porto.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Horários do contra-relógio

Domingo cai o pano numa Volta a Portugal que se esperava que, perante o difícil e montanhoso percurso e a boa forma de Joni Brandão, pudesse significar mais emoção e uma ameaça ao domínio da W52-FC Porto. Estamos a ter tudo isso e até se pode dizer que a corrida está a superar expectativas. 

James Fourie (ProTouch) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 14:57. Na luta pela juventude, Urko Berrade partirá às 16:22 e Emanuel Duarte às 16:23. O top dez vai para a estrada às 16:32 com Henrique Casimiro. Na discussão pela camisola amarela, Gustavo Veloso arranca às 16:46, João Rodrigues às 16:48 e Joni Brandão às 16:50.

»»W52-FC Porto ao ataque, Efapel à defesa e a Rádio Popular-Boavista a intrometer-se««

»»Um segundo chegou para Joni Brandão colocar a W52-FC Porto numa posição pouco habitual««

11 de dezembro de 2018

O passo seguinte. W52-FC Porto confirmada no segundo escalão

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A espera terminou. A UCI anunciou hoje as licenças para os dois primeiros escalões. A W52-FC Porto vai subir a Profissional Continental em 2019, abrindo-se as portas para outro tipo de corridas, com a perspectiva de um convite para uma grande volta a ser agora algo possível de ambicionar. Mas antes que tal possa acontecer, a equipa terá de mostrar a sua capacidade para defrontar outro tipo de pelotão, sendo que já ficou bem claro que a aposta nas corridas nacionais, principalmente na Volta a Portugal, continuará a estar no topo das prioridades. A hegemonia por cá, é para manter.

Desde 2008 que Portugal não tinha uma equipa no segundo escalão, então com o Benfica a estar a este nível, no seu então curto regresso ao ciclismo. Há dois anos que Nuno Ribeiro queria ver a W52-FC Porto dar o passo seguinte, depois de se afirmar como não só a melhor equipa no país, mas como aquela que domina quase a seu gosto, com destaque para a Volta, na qual soma seis vitórias consecutivas (nem sempre com o mesmo nome).

Foi feito um trabalho de reforço da estrutura, tanto a nível logístico, como na garantia que chegaria a este ponto com ciclistas capazes de disputar as corridas que lhes esperam, com Raúl Alarcón a ser o líder, depois de duas Voltas conquistadas em 2017 e 2018. Corredores como António Carvalho, Rui Vinhas (vencedor da Volta em 2016), Ricardo Mestre (ganhou em 2011 pelo Tavira) e Samuel Caldeira tornaram-se na espinha dorsal da equipa, sem esquecer que houve outro ciclista a vencer duas Voltas com a equipa, o veterano Gustavo Veloso. A caminho dos 39 anos, continua a ser o capitão na equipa. José Ferreira, Angel Sanchez Rebollido e César Fonte também prosseguem.

Depois há um jovem como João Rodrigues, que já é uma certeza, a quem se vai juntar Francisco Campos e Jorge Magalhães, dois sub-23 de talento, que se afirmaram no Miranda-Mortágua. Perante as maiores exigências, não só do nível das corridas, mas do número de provas que irão realizar, o plantel teve de ser reforçado e há que salientar que as contratações são, até ao momento, todas portuguesas.

Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) trazem experiência e muita qualidade, enquanto da Caja Rural regressam "a casa" Rafael Reis e Joaquim Silva. São dois ciclistas que o director desportivo bem conhece e sabe como tirar partido do melhor de ambos. Ter uma equipa portuguesa no segundo escalão, com tantos ciclistas do país a formarem a estrutura, ajuda a valorizar ainda mais a modalidade em Portugal e é de elogiar.

Perante a hegemonia da W52-FC Porto, este parecia ser o passo seguinte mais do que lógico. Foi preciso aumentar o orçamento e para tal, era essencial ter os patrocinadores de acordo com o investimento que seria feito. Em Espanha, a equipa já tinha dado bem conta de si, como por exemplo no ano passado, com Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid. Amaro Antunes também esteve a bom nível, mas o algarvio seguiu entretanto outro caminho, que o levará ao World Tour em 2019. Espera-se que tenha sido um aperitivo para o que aí vem.

Chegou o momento de ver esta poderosa W52-FC Porto mostrar-se mais no estrangeiro, ficando-se agora à espera de conhecer o calendário. E claro, quanto melhor forem as exibições, mais aumenta a probabilidade de convites para corridas cada vez mais importantes. Está lançado o repto a um grupo de ciclistas experiente, com jovens com total capacidade para rapidamente se tornarem também eles em elementos muito importantes. .

A espera terminou e a W52-FC Porto é Profissional Continental. Que esta possa ser uma aposta com continuidade e não efémera e que mais lhe possam seguir o exemplo, com a Efapel a ponderar fazê-lo em 2020. Esta subida é também uma demonstração do crescimento do ciclismo nacional, depois de anos negros de uma intensa crise, que tanto prejudicou a modalidade.

As outras novidades: super estrela do ciclocrosse vê equipa também subir de escalão

Além da W52-FC Porto, vão estrear-se como Profissionais Continentais a dinamarquesa Riwal Readynez e a belga Corendon-Circus, que conta com a super estrela do ciclocrosse, Mathieu van der Poel, o grande rival de Wout van Aert. O holandês, de 23 anos, já fala em fazer as clássicas do pavé, sonhando em marcar presença no Paris-Roubaix. Van der Poel tem contrato até 2023!

No World Tour não há novidades. A BMC sai, mas a CCC tomou conta da estrutura e contará com Amaro Antunes. De salientar apenas as mudanças de nome da Quick-Step Floors, que passará a ser a Deceunink-QuickStep, enquanto a Lotto-Jumbo ia ser apenas Jumbo, mas foi hoje anunciada a chegada de mais um patrocinador e será então a Jumbo-Visma.

Aqui fica a lista completa das licenças.

World Tour (18 equipas)

  • AG2R La Mondiale (Fra)
  • Astana (Caz)
  • Bahrain-Merida (Bar)
  • Bora-Hansgrohe (Ale)
  • CCC Team  - de Amaro Antunes (Pol)
  • Deceuninck-Quick-Step (Bel)
  • Dimension Data (AFS)
  • EF Education First-Drapac p/b Cannondale (EUA)
  • Groupama-FDJ (Fra)
  • Jumbo-Visma (Hol)
  • Katusha-Alpecin - de José Gonçalves e Ruben Guerreiro (Sui)
  • Lotto Soudal (Bel)
  • Mitchelton-Scott (Aus)
  • Movistar - de Nelson Oliveira (Esp)
  • Sky (GB)
  • Sunweb (Ale)
  • Trek-Segafredo (EUA)
  • UAE Team Emirates - de Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (EAU)


Profissional Continental (25)

  • Androni Giocattoli-Sidermec (Ita)
  • Arkea-Samsic (Fra)
  • Bardiani CSF (Ita)
  • Burgos BH - de Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico (Esp)
  • Caja Rural-Seguros RGA - de Domingos Gonçalves (Esp)
  • Cofidis, Solutions Credits (Fra)
  • Corendon-Circus (Bel)
  • Delko Marseille Provence (Fra)
  • Direct Energie (Fra)
  • Euskadi Basque Country-Murias (Esp)
  • Gazprom-Rusvelo (Rus)
  • Hagens Berman Axeon - de João Almeida e André Carvalho (EUA)
  • Israel Cycling Academy (Isr)
  • Manzana Postobón (Col)
  • Nippo-Vini Fantini-Faizanè (Ita)
  • Novo Nordisk (EUA)
  • Rally UHC Cycling (EUA)
  • Riwal Readynez (Din)
  • Roompot-Charles (Hol)
  • Sport Vlaanderen-Baloise (Bel)
  • Tharcor (Wilier Triestina-Selle Italia em 2018) (Ita)
  • Vital Concept-B&B Hotels (Fra)
  • W52-FC Porto (Por)
  • Wallonie-Brussels (Bel)
  • Wanty-Gobert (Bel)

3 de junho de 2018

E no final ganhou a W52-FC Porto

Equipa em acção no contra-relógio colectivo, na sexta-feira
(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel fez uma corrida que não irá esquecer. O Sporting-Tavira viu o seu líder Joni Brandão demonstrar que está cada vez mais preparado para discutir a Volta a Portugal e os problemas de saúde de há um ano fazem definitivamente parte do passado. Porém, no final, ganhou a W52-FC Porto. A equipa de Nuno Ribeiro tem estado em crescendo e se César Fonte tem-se destacado um pouco mais, agora junta-se António Carvalho, que no Grande Prémio Jornal de Notícias fez um feito histórico que fica na família. O ciclista tem sido perseguido por alguns azares, mas bem disse que confiava que a sorte mudaria e aí está um António Carvalho que, perante a lesão de Raúl Alarcón, vai assumindo um papel de maior protagonismo rumo à Volta a Portugal.

O Grande Prémio Jornal de Notícias foi uma corrida muito disputada. Trocas de líderes todos os dias, com a Efapel endiabrada. Rafael Silva e Daniel Mestre ganharam duas etapas cada um, das sete da corrida (uma teve dois sectores, um de manhã e outro à tarde). Mestre entrou no último dia a sonhar com algo mais, com Joni Brandão então de amarelo. Se estas duas equipas saem desta competição com razões para estarem satisfeitas (o Sporting-Tavira venceu uma etapa com Alexander Grigoryev e o contra-relógio colectivo), a verdade é que a grande mensagem vem da W52-FC Porto.

Em 2017, Amaro Antunes contribuiu para um arranque de ano fortíssimo, com destaque para a vitória no Alto do Malhão, na Volta ao Algarve. A senda vitoriosa continuou, com Raúl Alarcón a também ir somando triunfos. Em 2018, a W52-FC Porto tem feito uma época em que os seus ciclistas vão subindo de forma, sem dúvida a pensar em atingir o pico na Volta a Portugal. Não significa que a equipa não tenha lutado por vitórias, que já são seis, além das classificações secundárias. A colectiva, por exemplo, tem sido quase normal conquistá-la.

O reforço César Fonte tem sido o homem que mais se vê na frente das corridas e João Rodrigues reapareceu depois de ter sido um dos ciclistas que esteve mais forte no arranque da temporada. Chegou mesmo a vestir a camisola da montanha na Volta ao Algarve, após a primeira etapa, num momento sempre especial, principalmente sendo algarvio. Alarcón estava a preparar-se para estar novamente em força no périplo por Espanha, mas uma queda atirou-o para fora das corridas, há mais de um mês.

Gustavo Veloso é o eterno líder e até já conta com uma vitória de etapa, na Volta ao Alentejo. Contudo, aos 38 anos, não é surpreendente ver outros ciclistas irem ocupando a sua posição, ainda que não é boa ideia considerar que Veloso já não tem algo de muito bom para dar. Continua a ser respeitado como o número um. Ainda assim, é inevitável olhar cada vez mais para António Carvalho (28 anos).

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Andava muito discreto, com alguns azares a estragarem-lhe corridas, mas, como o próprio admitiu ao Volta ao Ciclismo numa entrevista (pode ler aqui), a preparação para 2018 foi pensada para aparecer melhor mais tarde. Em 2017 foi sexto na Volta a Portugal e talvez não tenha ido mais longe porque, sempre leal à equipa, ficou com Gustavo Veloso quando o espanhol fraquejou na Serra da Estrela. Quando teve ordem para seguir o seu caminho, já Amaro Antunes e Raúl Alarcón estavam na frente, a caminho de decidir a corrida.

Carvalho coloca sempre a equipa em primeiro lugar, mas também não se faz rogado em dizer que se for chamado a uma responsabilidade maior, como tentar ganhar a Volta, está preparado. Senão, pelo menos quer tentar ganhar uma etapa. Antes do grande objectivo do ano, desejava atacar o Grande Prémio Jornal de Notícias. E foi o sucesso total. A W52-FC Porto esteve a ver o que ia acontecendo durante seis dias. Carvalho bem tinha dito que não podiam estar a controlar desde o princípio, pois corriam o risco de pagar caro no final. Houve frieza e paciência. Carvalho foi estando sempre a poucos segundos e nem o contra-relógio o deixou muito longe da frente. É difícil imaginar que há um ano ponderava deixar o ciclismo!

Conhece-se bem a capacidade desta equipa em controlar as competições. Assim o tem feito na Volta a Portugal. No entanto, esta forma de correr durante a última semana é também um reconhecimento que, por exemplo, o Sporting-Tavira está mais forte este ano, pois deixou a formação algarvia estar mais no controlo, a par da Efapel. A W52-FC Porto escolheu esperar pelo momento certo para dar uma machada final. E que machada foi!

Na última etapa, na subida para Santo Adrião, endureceu o ritmo, partiu o pelotão, ficando apenas cerca de 20 ciclistas e depois António Carvalho e César Fonte escaparam, levando com eles Luís Mendonça e Márcio Barbosa da Aviludo-Louletano-Uli e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack). Conquistaram quatro minutos de vantagem e, sem ajuda, o Sporting-Tavira não teve capacidade de perseguição. Com Edgar Pinto - recente vencedor da Volta à Comunidade de Madrid - a ser o mais perigoso na luta pela geral, os dois portistas acabaram por fazer o jogo perfeito. César Fonte ganhou a etapa, Carvalho a corrida.

Foi, então, uma versão um pouco diferente da W52-FC Porto, mas que claramente continua a ter um poderio que não é fácil de contrariar. Não há nenhum equipa em Portugal que tenha tantos ciclistas com capacidade para ganhar. Pode haver um número um, mas não significa que não seja outro a vencer e sempre na formação do Sobrado. E ninguém hesita em trabalhar quando assim é necessário. Mesmo se forem o líder. 

É impossível esquecer como custou a Gustavo Veloso perder a Volta a Portugal para Rui Vinhas, há dois anos. Porém, corrida após corrida, a W52-FC Porto faz do colectivo a sua fortaleza. Como a derrubar, continua a ser a questão que todas as restantes equipas procuram uma resposta.

Ainda assim, a postura do Sporting-Tavira (reforçada com o regresso do melhor Joni Brandão e com o russo Grigoryev a demonstrar muita qualidade), a sede de vitórias da Efapel, a ambição da Aviludo-Louletano-Uli e a renovada motivação de Edgar Pinto que contagia a Vito-Feirense-BlackJack têm tornado esta temporada bem animada. A Rádio Popular-Boavista contratou Daniel Silva, terminada a suspensão por doping do ciclista, mas é Domingos Gonçalves que continua a ser a figura. O gémeo foi sétimo, a 4:53 minutos de Carvalho, e tem sido de uma regularidade tremenda em 2018. Além de Silva, a equipa conta com João Benta, mas será interessante perceber que papel poderá ter Gonçalves na Volta a Portugal, tendo em conta que está a mostrar-se bem em todos os terrenos.

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Para concluir, António Carvalho tornou-se no segundo ciclista a vencer por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias, que teve a sua 28ª edição. Quem foi o outro? Fernando Carvalho, o seu tio! Além desta conquista (Edgar Pinto foi segundo a 53 segundos e Joni Brandão terceiro, a 4:16 minutos) e da etapa de César Fonte, João Rodrigues venceu a classificação da montanha e das metas volantes e a W52-FC Porto foi a melhor colectivamente.

Daniel Mestre quebrou a hegemonia azul e branca ao ficar com a camisola dos pontos. A camisola da juventude nesta corrida é atribuída aos ciclistas sub-23 das equipas de clube. Paulo Silva (Fortunna-Maia) foi o vencedor. De referir ainda, que a Liberty Seguros-Carglass ganhou uma etapa, na terça-feira, por intermédio Rafael Lourenço, que aos 20 anos conquistou a sua primeira vitória a este nível.

Pode ver aqui os resultados completos da última etapa que terminou em Gaia e das várias classificações.


27 de maio de 2018

"Se estiver nas condições do ano passado, acredito que posso vencer uma etapa e até a Volta"

É difícil imaginar que um ciclista que esteve tão bem na Volta a Portugal, no ano passado, tinha pensado várias vezes durante a época em desistir. Aconteceu com António Carvalho, um dos principais corredores portugueses no pelotão nacional e que mostrou que até poderia ter condições para discutir a corrida se assim se tivesse proporcionado. Um ano depois tudo está diferente. O ciclista da W52-FC Porto está feliz e motivado. Nem os consecutivos azares que o têm perseguido em 2018 o desmoralizam. Recusa em assumir-se como líder da equipa na Volta, mas não esconde que está preparado para o fazer se assim se proporcionar. Vencer? Porque não!

Numa altura em que vai arrancar uma fase com algumas das corridas mais importantes para as equipas portuguesas, António Carvalho espera que a sua sorte mude: "É uma questão que tenho abordado com as pessoas que me são mais chegadas e colegas de equipa. Tenho tido muito azar. Já foram mais de dez vezes este ano!" O ciclista de 28 anos brinca dizendo que se tiverem de acontecer azares - e os furos não o largam -, então que seja agora, para que possa chegar à Volta a Portugal sem surpresas que lhe estraguem a prova. Por isso, com tantos azares, a época tem sido discreta, mas a sua voz exalta a confiança de quem reencontrou o prazer de ser ciclista. "Foi o ano que me apliquei mais no Inverno. Por norma deixo-me engordar 12, 14, 16 quilos e este ano só engordei seis quilos", contou ao Volta ao Ciclismo. Outra das razões que o levam a não ter resultados de nota nesta altura da época é porque a preparação foi apontada mais para o que aí vem no calendário.

A questão do peso leva-o a admitir que em 2017 estava a perder a vontade de continuar uma carreira que se augura que venha a contar com muitas grandes vitórias. "Para ser sincero, as coisas não me estavam a correr bem e eu quando algo não me corre bem viro-me muito para o comer. Um dos meus maiores prazeres é cozinhar e principalmente pastelaria. Gosto muito de fazer bolos. Cheguei a um ponto que só me apetecia fazer bolos. Não me apetecia treinar, só me apetecia comer bolos", confessou. Recuperou a forma física a tempo de ser uma importante figura na vitória de Raúl Alarcón, terminando na sexta posição. Até poderia ter sido melhor, mas manteve-se leal a Gustavo Veloso quando este sofreu na Serra da Estrela.

"[A minha mulher] fez-me ver que se me aplicasse poderia andar melhor durante o ano e os resultados poderiam acontecer. Foi logo a partir da Volta que o meu chip mudou"

"Este ano estou bem mais magro do que nos últimos anos. Os watts têm aparecido, sei que tenho treinado bem e que estou numa boa condição física. Chega a hora da verdade e as coisas não têm saído, mas o mais importante é saber que o trabalho está a ser feito, os valores a nível de treino estão lá e sei que mais cedo ou mais tarde vai dar os seus frutos", assegurou. E é mesmo caso para dizer que por trás de um grande homem está uma grande mulher, pois foi a esposa de António Carvalho que o ajudou a "mudar o chip", como explicou: "Fez-me ver as coisas de outra forma, principalmente no ano passado, depois da Volta. Fez-me ver que se me aplicasse poderia andar melhor durante o ano e os resultados poderiam acontecer. Foi logo a partir da Volta que o meu chip mudou. Não me deixei engordar tanto." Carvalho conta como quando vivia com os pais, por cima do supermercado que têm, não resistia quando via a carrinha dos donuts chegar: "Vou ser sincero e isto é muito mau para um atleta, mas chegava a comer seis ou oito donuts ao pequeno-almoço. Sou muito doceiro!" Agora já consegue controlar melhor este seu gosto por doces.

Não hesita em dizer que encontrou a sua motivação e que a mudança psicológica foi importante. "Com o aproximar da Volta não terei de fazer tantos sacrifícios como no ano passado. Agora é encarar o resto da época e vêm aí corridas muito importantes para a equipa e para mim", disse. Uma dessas competições, é o Grande Prémio Jornal de Notícias - que já venceu - e que começa esta segunda-feira em Viseu. "Tenho sempre grande ambição [nesta prova]. Não quer dizer que seja para mim. Temos de ver que tem dois contra-relógios. Irei tentar defender-me. Irá passar um pouco pela táctica da equipa. Não podemos ser aquela W52-FC Porto a levar toda a gente às costas, pois na parte final podemos pagar a factura", referiu.

António Carvalho fará o que o director desportivo, Nuno Ribeiro, lhe pedir, quer seja o líder ou não, mas realça como a corrida também dita as suas condições e como na equipa todos estão dispostos a sacrificar-se pelo colega que esteja em melhores condições para vencer. Será assim no Grande Prémio Jornal de Notícias, já foi assim na Volta a Portugal - com a vitória de Rui Vinhas em 2017 como o melhor exemplo - e poderá ser também na próxima edição da Grandíssima.

Era inevitável perguntar se o ciclista se vê a lutar pela vitória em Agosto. "Se estiver nas condições [físicas] do ano passado, acredito que posso vencer uma etapa e até a Volta, mas depende muito da estratégia", respondeu. Porém, é peremptório em afirmar que não se coloca como líder da equipa que tem dominado a Volta nos últimos anos: "É bom realçar que isto não quer dizer que serei chefe-de-fila ou o quer que seja na Volta a Portugal. No ciclismo todos sabem que existem quatro vencedores da Volta nesta equipa, por isso, não significa que seja chefe-de-fila. Não me quero pôr aqui em bicos de pés. Nem o director, Nuno Ribeiro, me permite, nem os meus colegas merecem isso."

"Ficou-me atravessado! Se tivesse sido tacticamente um Rui Costa - para mim é dos melhores a nível mundial a ler corridas - poderia ter vencido os Nacionais"

Recordando como os adeptos lusos olham para António Carvalho como um potencial vencedor, sabendo-se como por cá se gosta de ver um ciclista português ganhar, o corredor mostrou-se satisfeito como os atletas nacionais são apoiados, dando novamente como exemplo a vitória de Rui Vinhas. "A partir do momento em que vestiu a camisola amarela, o público todo, por ser português, esteve de volta dele e isso é de louvar. Também me lembro no ano em que o Cândido Barbosa pediu aos portugueses para colocarem as bandeiras cá fora. Toda a gente aderiu e acho que os portugueses preferem sempre que ganhe um português, independentemente da equipa. Eu sou apenas mais um português na W52-FC Porto e terei de trabalhar nas alturas que terei de trabalhar. Caso isso não aconteça e se tiver de assumir a equipa, irei assumir", realçou. E acrescentou: "Se chegar à Volta e andar o que andei no ano passado, assino já por baixo e já dava a Volta como realizada." Mas claro que se puder fazer melhor, pelo menos vencendo uma etapa, então ainda melhor.

Não se cansa de repetir o quanto está a desfrutar mais do ciclismo este ano, não perdendo a oportunidade para realçar que na W52-FC Porto o importante é a equipa e que esta saia vitoriosa nas corridas, independentemente do ciclista que vença. Nem ao recordar os momentos difíceis que passou devido ao excesso de peso perde o sorriso ou a confiança. Porém, quando se fala dos Campeonatos Nacionais, há um suspiro mais profundo. "Ficou-me atravessado! Se tivesse sido tacticamente um Rui Costa - para mim é dos melhores a nível mundial a ler corridas - poderia ter vencido os Nacionais", frisou, ao lembrar-se da edição do ano passado, em Gondomar. "Foi das corridas que mais me revoltou. Apesar de ter feito sexto, senti que poderia ter vencido. O Ruben Guerreiro venceu, mas sei que poderia ter estado na discussão."

Elogia de imediato o actual campeão nacional, afirmando que se está perante um dos melhores jovens ciclistas e que já está numa equipa do World Tour, a Trek-Segafredo. Contudo, recorda como quem estivesse a ver na televisão tudo o que aconteceu naquela corrida: "Eu ainda ataquei com o Tiago Machado e com o César Fonte. Tínhamos 3:30 de atraso e conseguimos chegar à frente, quando já era impensável. Mal chegámos à frente da corrida, torna-se a partir e eu fiquei no grupo de trás e eu fui sozinho a recuperar para cinco ciclistas, com quatro deles no World Tour. Ainda consegui chegar à frente, mas já ia vazio." Considera que Ruben Guerreiro "foi felino" pela forma como o atacou e venceu os Nacionais, mas irá para Belmonte com uma enorme vontade de finalmente vestir a camisola de campeão português. "Já fiz segundo, fui batido pelo Manuel Cardoso a 25 metros da meta. Vou sempre com o objectivo tentar vencer. Não me passa pela cabeça ir para os Nacionais para fazer segundo ou terceiro", salientou.

»»Marcos Jurado: "Pensei que ia custar-me mais, mas a verdade é que estou muito, muito bem"««

»»Gonçalo Carvalho: "Temos de ter mais rigor. Temos de mostrar aos nossos patrocinadores que merecemos estar aqui"««