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5 de julho de 2018

Uma segunda linha de muita ambição na Volta a França

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Nem todos vão ao Tour com sonhos de vencer a grande corrida. Pelo menos não para já, com a excepção de Alejandro Valverde (os 38 anos podem não se notar nas vitórias, mas não permitem pensar a longo prazo). O que não vai faltar na corrida são ciclistas ambiciosos e desejosos de ir à procura de outras glórias. Dos mais novos até ao muito experiente há muito por onde escolher entre aqueles que não querem passar despercebidos, quando o terreno começar a subir. A Volta a França começa já neste sábado.

Warren Barguil (26 anos, Fortuneo-Samsic)
O próprio admitiu recentemente que está a realizar uma temporada a roçar o miserável. O francês (na fotografia) foi uma das figuras do Tour no ano passado, com duas vitórias de etapa, a camisola das bolinhas (montanha) e muitas exibições de grande nível. Porém, no melhor pano cai a nódoa e Barguil acabou expulso pela equipa, Sunweb, da Vuelta por ter desrespeitado ordens para ajudar um companheiro. Barguil estava decidido a ser ele a estrela de uma equipa, pelo que quebrou contrato e foi para a Fortuneo-Samsic, do escalão profissional. As poucas vezes que se tem visto o ciclista é quando está a ficar para trás. Ser líder tem muito que se lhe diga e Barguil tem uma responsabilidade acrescida que terá de assumir com bons resultados no Tour se não se quiser tornar num estrela fugaz do ciclismo gaulês.

Alejandro Valverde (38 anos, Movistar)
Há um ano, o espanhol sofreu uma queda no contra-relógio inaugural e chegou-se a temer o pior. Porém, não só a carreira de Valverde não acabou, como o espanhol regressou ao ritmo impressionante de vitórias, ainda mais tendo em conta a idade: sete triunfos, mais a conquista da Volta à Comunidade Valenciana, da Volta a Abu Dhabi, da Catalunha e da Route d'Occitanie. Apesar de na Movistar ter um papel essencial de ser uma voz de comando numa equipa com um Nairo Quintana e um Mikel Landa a apresentarem-se mais como rivais do que com companheiros, perante a forma de Valverde, irá alguém negar-lhe a possibilidade de ir mais além do que estar na ajuda aos dois colegas? Isto se se proporcionar, claro. O próprio não descarta que caso se apresente a oportunidade, então poderá tentar de novo ganhar uma corrida que quis pouco com ele quando se apresentou para lutar pela camisola amarela.

Bob Jungels (25 anos, Quick-Step Floors)
Chegou o momento de começar a provar do que é realmente capaz numa grande volta. Tem evoluído, com a equipa a dar-lhe o espaço para tal. No Giro dominou na juventude, mas aos 25 anos tem de se mostrar entre os "adultos". No que diz respeito a três semanas, Jungels quis pensar em 2018 apenas no Tour, pelo que será interessante de ver como se irá comportar. A Quick-Step Floors quer ver Fernando Gaviria ganhar sprints, o que deixará o luxemburguês com Julian Alaphilippe quando o terreno começar a subir. Jungels quererá desde já procurar uma boa classificação, mas não haverá problema de maior caso acabe antes à procura de uma etapa. Ficaria mesmo bem junto da conquista da Liège-Bastogne-Liège, em Abril

Julian Alaphilippe (26 anos, Quick-Step Floors)
Ainda é difícil ver este talentoso francês como um voltista de elevado nível. Já se sabe como é nas clássicas  - "tirou" a Flèche Wallonne a Valverde - ganha etapas e com um pouco mais de trabalho poderá tornar-se num ciclista para disputar corridas de uma semana. Agora as três?... Terá de ser Alaphilippe a mostrar que tipo de evolução vai procurar. Para este Tour é de esperar um ciclista ao ataque, à procura de etapas. De grandes etapas e bons espectáculos.

Tiesj Benoot (24 anos, Lotto Soudal)
É um daqueles ciclistas que pode ser o que quiser. A épica vitória na Strade Bianche confirmou (finalmente) toda a sua aptidão para certas clássicas. No entanto, também sabe andar muito bem em provas por etapas e há um ano, na estreia numa grande volta e logo no Tour, Benoot foi 20º. Esta será uma Lotto Soudal à caça de etapas, como tem sido habitual. Thomas de Gendt é o crónico candidato a animar os dias de montanha e até procurar lutar por essa classificação. Também Benoot poderá ter esse papel, mas depois do que fez em 2017, espreitar a classificação da juventude não seria de descurar. Talvez ainda não seja nesta Volta a França que se perceba se o belga poderá pensar em desenvolver as suas capacidades de voltista, mas é, para já, um potencial ciclista a procurar um bom lugar.

Primoz Roglic (28 anos, Lotto-Jumbo)
Steven Kruijswijk é o número um. Porém, é impossível afastar a ideia que o holandês deixou escapar a sua grande oportunidade naquele Giro de 2016. É para Roglic que mais se olha. O esloveno deu definitivamente o salto para se tornar num ciclista para as três semanas. O Tour será o seu grande teste, depois de este ano ter ganho a Volta ao País Basco, a Volta à Romandia e ainda foi a casa ganhar a Volta à Eslovénia. Foram as três últimas corridas que fez rumo a França. Roglic não estará preso a trabalho de apoio. Terá liberdade na prova mais desejada por todos. É mesmo caso para dizer que chegou o momento de Roglic.

Bauke Mollema (31 anos, Trek-Segafredo)
Sim, já tem top dez. Sim, já ganhou etapas (no Tour e na Vuelta). Sim, é um ciclista que se espera andar na frente da corrida. Mas não, não se espera que por lá fique até ao fim. Ou o holandês aparece a um nível inesperado, ou a Trek-Segafredo não poderá ambicionar mais do que um top dez e talvez uma etapa. O que não seria nada mau. Mollema não conseguiu tornar-se no líder que queria, apesar de a equipa até já ter apostado nele. Quando em 2017 contratou Alberto Contador, Mollema perdeu de imediato espaço. Já o tem novamente, mas ou faz algo de extraordinário (e surpreendente) ou irá perdê-lo. Talvez até para um ciclista que é mais velho que ele, se os rumores de que Richie Porte poderá estar a caminho da Trek-Segafredo se confirmarem.

Jakob Fuglsang (33 anos, Astana)
Em 2017, este dinamarquês estava com o moral em alta. A equipa prometeu-lhe a liderança do Tour, com Fabio Aru apontado ao Giro. Porém, tudo se desmoronou quando o italiano caiu e falhou a corrida italiana e foi então apontado para França. Fuglsang quis tentar manter-se como líder, mas era óbvio que não o seria, mesmo que tivesse ganho o Critérium du Dauphiné. Com a saída de Aru e sem a entrada de nenhum grande nome, Fuglsang recuperou o estatuto e tem estado em crescendo durante a temporada. Terminou praticamente sempre entre os primeiros, acumulou pódios e procura um bom resultado no Tour, a começar pelo top dez. Uma vitória não é de descartar, até porque esta Astana está com um espírito ganhador em 2018. Mais do que isto, seria uma surpresa. Mas será sempre bem-vinda para animar a corrida!

Lilian Calmejane (25 anos, Direct Energie)
Mesmo já longe do seu melhor, Thomas Voeckler sempre teve capacidade para roubar as atenções. Porém, retirou-se no final do Tour de 2017 e ficou estendida a passadeira para Calmejane começar a conquistar de vez a atenção dos franceses. É um ciclista de enorme potencial e não podemos deixar-nos enganar só porque está numa equipa Profissional Continental e não no World Tour. Se continuar a demonstrar a evolução que tem tido nos últimos dois anos, Calmejane terá à sua espera outros voos. Na edição passada ganhou uma etapa e é candidato a fazer o mesmo nesta. Algo mais... Talvez no futuro próximo, noutra equipa. Por agora, será um bom animador de etapas.

Jesús Herrada (27 anos, Cofidis)
Fez-se ciclistas na Movistar, mas percebeu que para ser algo mais do que um gregário, tinha de procurar outro caminho. A Cofidis acreditou no espanhol e irá dar-lhe a possibilidade de lutar por vitórias neste Tour. A equipa quer regressar aos tempos em que os seus ciclistas atacavam na montanha, animavam etapas e apareciam constantemente na frente. Se houver alguma vitória, ainda melhor. Para alcançar estes objectivos, a Cofidis deixou Nacer Bouhanni em casa, ainda que tenha Christophe Laporte para os sprints. No entanto, a responsabilidade de Herrada é grande. Terá mesmo de se mostrar.

Tejay van Garderen (29 anos, BMC)

Será que assumir um papel de gregário poderá mesmo ser uma ajuda para Van Garderen ainda vir a ser um bom líder? O americano tenta tudo para recuperar a confiança perdida nele, depois de ano após ano não ter confirmado as expectativas, ainda que também tenha sido perseguido por algum azar. Com o futuro da BMC por definir, este ciclista tem de mostrar algo, nem que seja em ser um bom apoio para Richie Porte. Porém, caso haja liberdade, então uma fuga para tentar conquistar uma etapa será algo que não poderá desperdiçar. Van Garderen arrisca-se a ir caindo no esquecimento se não encontrar forma de se mostrar, mesmo que seja como gregário.

Egan Bernal (21 anos, Sky)
É irresistível colocar aqui Bernal. Já se sabe como a Sky quer todos a trabalhar em prol do líder, pelo que Bernal não terá liberdade e irá mesmo estrear-se numa grande volta a trabalhar para Chris Froome. O que é honroso para qualquer jovem ciclista. Mas depois do que fez no seu primeiro ano no World Tour, que culminou com a vitória na Volta à Califórnia, deseja-se ver um pouco daquele colombiano fenomenal e que estará em França para continuar o seu trabalho de sucessor do rei Froome.

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9 de dezembro de 2017

O ano da confirmação de Dumoulin e da mudança de objectivos da Sunweb

(Fotografia: Giro d'Italia)
A Sunweb tornou-se um exemplo de como é possível construir uma equipa e trabalhar numa evolução que a poderá colocar entre as mais fortes no que diz respeito às grandes voltas. Começou por apostar nos sprints, evoluiu para as clássicas e aos poucos foi preparando um jovem Tom Dumoulin para se tornar num voltista. Há dois/três anos pensar-se-ia ser impossível ver esta equipa ganhar uma corrida de três semanas. Para se perceber como de facto é um fenómeno recente basta ver como, no historial da equipa, Marcel Kittel e John Degenkolb detém juntos mais de metade das vitórias. Esta estrutura alemã criou um projecto sólido e com objectivos de tal forma definidos, que não se importou quando Kittel quis sair e também não se preocupou com a mudança de Degenkolb. O primeiro rendeu muitas vitórias de etapas no Tour, o segundo conquistou também dois monumentos. Tom Dumoulin ganhou a Volta a Itália em 2017!

O holandês tinha potencial para lutar por um pódio, mas ganhar acabou por ser uma pequena surpresa. As duas vitórias de etapa na Vuelta em 2015, mais a liderança, só perdida na última etapa de montanha, elevaram, e de que maneira, as expectativas. Excelente contra-relogista, Dumoulin demonstrava que tinha de melhorar na alta montanha. Em 2016 foi mais discreto a nível de geral, mas foi ao Giro ganhar o prólogo e no Tour ganhou duas etapas, uma à custa de Rui Costa. Além de individualmente levantar dúvidas se poderia enfrentar um Nairo Quintana, Alberto Contador ou Chris Froome, havia ainda o pormenor da Sunweb não ter a equipa mais forte para ajudar o seu jovem líder em ascensão.

2017 é o ano em que a mudança da estrutura foi concluída. Agora é lutar pelas grandes voltas. Dumoulin apareceu fantástico no Giro e mesmo perdendo Wilco Kelderman muito cedo, resistiu a todos os ataques quase sozinho e nem uma dor de barriga durante uma etapa o desviou de na última etapa ficar com uma camisola rosa que lhe assentou muito bem. Para a Volta a Itália, esta Sunweb chegou, mas para fazer frente à Sky era claro que não. O holandês não foi ao Tour e optou por saltar a Vuelta e pensar só nos mundiais. E foi a Bergen ser campeão de contra-relógio, batendo Primoz Roglic e Chris Froome. Estão abertas as hostilidades e espera-se que tenha sido o início de uma bonita rivalidade com o britânico. Antes Dumoulin tinha ajudado a Sunweb a conquistar o mesmo título, mas no contra-relógio colectivo. Froome e a Sky foram terceiros.


Ranking: 4º (8033 pontos)
Vitórias: 19 (incluindo duas etapas no Giro e a geral, quatro etapas no Tour e o contra-relógio colectivo nos Mundiais)
Ciclista com mais triunfos: Tom Dumoulin (5, mais o título mundial de contra-relógio individual)

Dumoulin e Froome tem encontro marcado para 2017, falta saber se já no Giro. A Sunweb precisa de garantir que o seu líder tem um apoio mais significativo. Kelderman esteve muito bem na Vuelta (foi quarto) e deverá ter outra oportunidade, até porque é claramente mais um ciclista em crescimento para as grandes voltas, mas não se livrará de ser o braço direito (e provavelmente esquerdo) de Dumoulin. Da Lotto Soudal vem Louis Vervaeke para certamente reforçar o bloco em redor do holandês.

Apesar de não esconder que ganhar o Tour é o maior dos planos, a Sunweb não está a concentrar-se apenas em Dumoulin. A contratação de Michael Matthews foi para garantir um homem para sprints - ainda que dificilmente para bater Kittel ou Gaviria -, para continuar a ter uma forte presença nas clássicas e o australiano já deu um grande bónus à equipa: a camisola verde no Tour. O bom de Matthews é que é um ciclista que não precisa de ter um forte apoio de colegas, sabendo aproveitar bem o que a corrida lhe proporciona. Também ajuda estar altamente motivado - nunca escondeu que a saída da Orica-Scott se deveu à necessidade de ter um novo desafio -, ao contrário do que acontecia com Degenkolb. Após o atropelamento durante o estágio, o alemão nunca mais foi o mesmo, nem mesmo na Trek-Segafredo, para onde foi este ano.

Matthews encontrou na Sunweb o espaço que procurava para assumir-se como candidato em determinadas corridas. Correspondeu com quatro vitórias, duas no Tour, mais a classificação dos pontos e deu indicações que poderá estar só a aquecer, principalmente ao que diz respeito nas clássicas. Nestas competições quer muito mais e melhor do que um quarto lugar na Liège-Bastogne-Liège.

Outro ponto que ficou claro em 2017: na Sunweb não há espaço para o "eu quero assim". Warren Barguil achou que as duas vitórias de etapa e a camisola da montanha no Tour lhe tinham dado estatuto para se sobrepor aos objectivos da equipa. Sem Dumoulin em França, o gaulês teve de facto liberdade para procurar o seu resultado, mas na Vuelta o líder era Kelderman. Barguil poderia lutar novamente etapas, mas tinha de estar ao lado do holandês. Não quis e foi mandado para casa. Por essa altura já se sabia que estava de malas feitas para a Fortuneo-Oscaro, tendo o ciclista preferido quebrar contrato com a Sunweb (que terminava no final de 2018) para ser líder indiscutível na estrutura francesa Profissional Continental. Ainda assim, ser excluído de uma grande volta pela atitude que teve, não lhe ficou nada bem. Mais uma vez, a equipa não se importou de perder um ciclista importante. O conjunto está acima da individualidade.

Para todos os efeitos, Barguil foi também ele um dos ciclistas que ajudou a que a temporada nas grandes voltas da Sunweb fosse muito acima do esperado. Só faltou uma etapa em Espanha à equipa. Agora é ver como irá a formação alemã lidar com um novo estatuto no pelotão. A responsabilidade e exigência será outra. O historial da equipa indica que é tudo tão pensado, que a Sunweb estará preparada para dar uma boa resposta.

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26 de agosto de 2017

Indisciplina e tiques de estrela

(Fotografia: ASO/Bruno Bade)
Há muito que o seu talento é reconhecido. Também há muito que se esperava que finalmente vivesse de acordo com as expectativas criadas quando em 2013 venceu duas etapas na Volta a Espanha, com apenas 21 anos. Um azar aqui, uma queda acolá e Warren Barguil só despontou de vez em 2017. Não o fez por menos. No ano em que Tom Dumoulin venceu o Giro e fez com que a estrutura da Sunweb finalmente começasse a tirar dividendos de anos de trabalho com jovens ciclistas, Barguil chegou ao Tour, venceu duas etapas, foi o rei da montanha e ainda décimo na geral. De corredor que deixava todos cépticos devido a uma curta carreira tão intermitente quanto a resultados, Barguil viu o seu nome aparecer na imprensa, foi destaque na televisão, foi considerado o novo Richard Virenque. A fama chegou e Barguil não demorou a mostrar que tinha gostado do sabor do sucesso. E claro, quer mais.

Ainda com mais um ano de contrato com a Sunweb, Warren Barguil optou por quebrar o vínculo para em 2018 assinar pela Fortuneo-Oscaro, equipa do escalão Profissional Continental. O francês, que completa 26 anos em Outubro, deixou claro que quer ser líder e no Tour. Na Sunweb, esse lugar está destinado a Dumoulin. Porém, o contrato dura 31 de Dezembro de 2017, pelo que Barguil tem de cumpri-lo. Foi chamado à Vuelta e disse logo que não ia para lutar pela geral, mas queria etapas. Wilco Kelderman é o líder e a Sunweb deu ordens que todos os outros ciclistas estejam na protecção ao holandês.

A equipa alemã está cada vez mais próxima do estilo da Sky, não permitindo que haja objectivos pessoais que interfiram com os objectivos pretendidos. Ou seja, não há divisões, todos estão concentrados num só homem. Por isso mesmo deixou sair Marcel Kittel há dois anos e John Degenkolb no final de 2016 porque o plano a médio prazo sempre foi ter um ciclista que lutasse por uma grande volta. Barguil é que não gostou de ter de trabalhar para Kelderman. Queria lutar pelas suas etapas, fazer a sua corrida. Na sexta-feira, quando o seu líder furou, Barguil seguiu caminho e Kelderman perdeu 17 segundos. Segundo relatam alguns media que estão a acompanhar no local a Vuelta, o ciclista terá discutido com os responsáveis da equipa no hotel e a julgar pela decisão, foi grave. Warren Barguil foi excluído pela própria Sunweb da Vuelta. Tendo em conta que mesmo tendo Kelderman como líder, Barguil até era quem estava melhor classificado e aparentava manter o bom momento de forma do Tour, não foi uma decisão feita de ânimo leve.

Em comunicado a equipa começa por escrever "o talentoso ciclista", explicando que este "expressou que não correu de acordo com o objectivo, o que não deixou outra escolha à Sunweb que não esta [exclui-lo]". Lê-se ainda que foi apreciado a forma aberta com que Barguil falou sobre as suas pretensões... É caso para dizer que há que lhe dar crédito por ser frontal e honesto. Mas claro que é difícil esconder que se trata de um caso de indisciplina. Será que a tal teria acontecido se Barguil continuasse na Sunweb em 2018? É algo que não saberemos e fica aberto à especulação.

O francês foi parco em palavras, limitando-se a dizer que foi uma decisão da equipa e que estava desiludido por deixar a Vuelta. Apesar de Kelderman ser o líder, era em Barguil que se centravam as atenções. Por mais que pudesse estar mais forte e por mais que tenha o direito de dar a sua opinião, as melhores equipas de ciclismo destacam-se pelos fortes conjuntos em apoio a um bom líder, seja qual for o objectivo (há excepções, claro, dependendo da corrida e dos ciclistas disponíveis). Barguil é jovem e talvez tenha tido um tique de estrela, isto tendo em conta que só se conhece a versão avançada no comunicado. Tanto poderá ser um alarme para os directores da Fortuneo-Oscaro, como - e certamente que estes responsáveis esperam que seja esta segunda hipótese - pode servir de lição para Barguil: só talento e alguns bons resultados não são suficientes para se comportar como se tivesse acima de todos, ainda não ganhou esse estatuto.

A Sunweb disse que Barguil irá cumprir o calendário que lhe estava destinado depois da Vuelta, mas não seria surpreendente se não se visse mais o francês competir com o equipamento da formação alemã. 2018 será um ano muito importante para a carreira de Barguil, não só pelo risco de ir para uma equipa de escalão inferior, mas também porque depois deste caso na Vuelta, tem mesmo de demonstrar que tem o que é necessário para ser um líder e um líder vencedor de grande corridas.


2 de agosto de 2017

Kristoff será colega de Rui Costa. Barguil quebra contrato com a Sunweb

Kristoff vai deixar a Katusha-Alpecin (Fotografia: Katusha-Alpecin)
Ao segundo dia de mercado aberto começaram a aparecer transferências mais sonantes. Alexander Kristoff era uma das grandes incógnitas e o norueguês escolheu a UAE Team Emirates. Já Warren Barguil confirmou uma das expectativas criadas após a excelente Volta a França. O gaulês quebrou contrato com a Sunweb - terminava no final de 2018 - para ter a oportunidade de ser líder indiscutível. Vai para uma equipa do escalão Profissional Continental, a Fortuneo-Oscaro, mas que quer ficar ao nível de uma Direct Energie. Isto é, ter capacidade de lutar nas principais corridas. Contratando um ciclista como Barguil irão abrir-se as portas a mais competições do calendário World Tour.

Barguil venceu duas etapas e foi o rei da montanha no Tour. Tinha mais um ano de contrato, mas é claro que Tom Dumoulin será o líder da Sunweb, caso opte por ir ao Tour em 2018, como se espera. Aos 25 anos, Barguil confirmou finalmente as expectativas criadas quando em 2013 venceu duas tiradas na Vuelta. Os problemas físicos pareciam persegui-lo desde então. O pior está para trás e Barguil não quer perder mais tempo como segunda figura.

"Vi esta equipa crescer nos últimos anos e como ficou comprovado na última Volta a França, o colectivo é muito sólido e com individualidades para nos levar a situações muito bonitas", referiu Barguil num comunicado. O francês acrescentou o ambiente de família que espera que não se perca apesar da ambição estar a aumentar. A Fortuneo-Oscaro irá perder o argentino Eduardo Sepúlveda, mas ganhou um ciclista que já se tornou num dos mais populares entre os franceses, sendo já visto como o novo Richard Virenque. Além do ganho competitivo, terá também o ganho a nível de marketing.

Quanto a Alexander Kristoff - que chegou a ser dado como potencial reforço da Astana -, a UAE Team Emirates anunciou que chegou a acordo com o norueguês, mas o contrato ainda não foi assinado, estando ainda pendente dos exames físicos. Kristoff venceu no domingo a clássica em Londres, mas falhou nas principais em Abril e também não conseguiu nenhuma etapa no Tour, mal tendo estado na luta na maioria dos sprints. A relação com a Katusha-Alpecin começou a dar mostras de estar a deteriorar-se quando lhe foi dito que tinha de perder peso, com o ciclista a dizer que mantinha o mesmo de sempre. Os resultados importantes tem escasseado e o salário começou a ser demasiado pesado para o que rendia.

Aos 30 anos ninguém quer acreditar que o melhor de Kristoff já passou e por vezes uma mudança de ares só faz bem. A UAE Team Emirates de Rui Costa garante assim aquele que poderá ser o primeiro grande reforço para 2018, estando também a ser ligada à contratação de Fabio Aru e Daniel Martin.

Está também confirmada a mudança de Tony Gallopin da Lotto Soudal para a AG2R, enquanto outro francês, Julian Alaphilippe renovou com a Quick-Step Floors até 2019.

Acompanhe aqui as principais mexidas deste mercado de transferências.

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20 de julho de 2017

Froome não entra em euforias. Diferenças são demasiado curtas para festejar antes do contra-relógio

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Um furo, uma avaria, uma queda (adeptos de Chris Froome batam na madeira!)... Será preciso um azar para tirar a quarta vitória na Volta a França, terceira consecutiva, a Chris Froome. Nunca o britânico chegou à penúltima etapa com uma distância curta, partindo de princípio que esta sexta-feira as diferenças não sofrerão alterações e antecipando o contra-relógio de sábado, em Marselha (a mais pequena foi 2:38 minutos para Nairo Quintana em 2015). Entre o trio da frente, o britânico é o melhor no esforço individual, mas lá está, a diferença é tão curta que basta um azar e tudo pode ficar perdido. É de Rigoberto Uran que vem a maior ameaça e a ver vamos se Romain Bardet não se arrepende da decisão de trabalhar menos o contra-relógio, onde é relativamente fraco. Se houver o tal azar, o francês poderá perder para o colombiano.

Não batam mais na madeira adeptos de Chris Froome! Não se falará mais de azares, mas sim de um Froome que fez o necessário na última alta montanha do Tour para ter praticamente garantido mais uma conquista. Tantas dúvidas houve sobre a sua forma, contudo, o objectivo de chegar melhor à terceira semana melhor do que nos anos anteriores foi cumprido e recompensado. Não foi aquele Chris Froome dominador, mas no Col d'Izoard foi um Froome que bastou para um Bardet curto de forças e um Uran a jogar à defesa. Não é bonito ver um ciclista agir assim, mas há que ter em conta que o colombiano da Cannondale-Drapac nem ao top dez era apontado, pelo que um pódio é simplesmente fenomenal. Sabe a vitória para Uran e para uma equipa que até recentemente estava há dois anos sem vitórias no World Tour e agora venceu uma etapa no Giro, no Tour e prepara-se para estar no pódio, falta saber se em segundo ou terceiro.

Romain Bardet conseguiu bonificar, o que lhe permitiu passar Uran. Estavam ambos a 27 segundos, mas assim sempre são 23 que separam o francês da AG2R de Froome a 29 entre Uran e o líder (perdeu dois segundos no sprint final no Izoard). Os rivais sabem que o Tour está praticamente entregue, mas o britânico também sabe que o ciclismo prega umas partidas de vez em quando e opta por um discurso cauteloso. "Eles ainda têm tudo para correr. Estão muito próximos. O Rigo parece ser a maior ameaça no contra-relógio, mas ainda há dois dias de corrida e tudo pode acontecer. Tenho de fazer tudo para estar a salvo na frente e levar esta camisola até Paris", afirmou Chris Froome, que ficou muito satisfeito com o trabalho da equipa na etapa desta quinta-feira.

Com Fabio Aru em quebra, Mikel Landa subiu à quarta posição, mas o pódio será difícil, já que também não é nada forte no contra-relógio. Ainda tentou ganhar a etapa, mas não conseguiu chegar à frente e foi mesmo apanhado por Froome, Uran e Bardet. O líder da Sky tem sempre o cuidado de ser o mais politicamente correcto possível, fazendo tudo para que o ambiente se mantenha saudável na equipa. Tenta ser um cavalheiro, portanto. Talvez por isso, no final, não chegou agradecer o trabalho do espanhol, disse mesmo que acredita que Landa poderá vencer a Volta a França no futuro. Se se confirmar a transferência para a Movistar, até é bem possível que Landa venha a ser um rival em 2018.

Dia feliz para a Sunweb

É um Tour espectacular para a Sunweb. Aliás, as duas primeiras grandes voltas do ano ficarão para a história da equipa. Venceu o Giro com Tom Dumoulin, tem quatro vitórias de etapas em França, com Warren Barguil a tornar-se no primeiro ciclista a vencer no topo do Izoard. Apesar de ser uma subida mítica, nunca a corrida lá tinha terminado. Barguil fechou com chave de ouro a questão da camisola do rei da montanha. Michael Matthews tem outras duas vitórias e ainda tem mais duas etapas para tentar somar mais alguma enquanto exibe a camisola verde. Brilhante a todos os níveis para uma equipa que até recentemente dependia muito de Marcel Kittel e John Degenkolb para somar triunfos.

Simon Geschke esteve no Giro e está no Tour. O alemão não escondeu a alegria pelo sucesso da Sunweb.


Enquanto uns festejam, outros ficam a pensar como hão-de conseguir finalizar com sucesso todo um enorme trabalho. John Darwin Atapuma parecia estar encaminhado para finalmente conquistar uma etapa numa grande volta, mas voltou a "bater na trave". O triunfo esteve ali tão perto, mas este Barguil escolheu 2017 para confirmar todas as expectativas que se tinham criado sobre ele.

Etapa para a fuga, mas com tensão no pelotão



Três terceiras categorias serão as dificuldades que o mapa mostra, além de mais uma maratona de 200 quilómetros. É um bom dia para quem quiser tentar fazer vingar uma fuga, ainda que homens rápidos como Michael Matthews, John Degenkolb ou Sonny Colbrelli, que passam bem algumas subidas podem ter outras ideias. Não se esperam movimentações dos homens na geral, mas deverá haver um certo nervosismo. Todos quererão estar bem colocados para não ser apanhados em algum corte. Com as diferenças tão pequenas, é proibido errar.

Veja aqui a classificação após a 18ª etapa da Volta a França.


Résumé - Étape 18 - Tour de France 2017 por tourdefrance


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