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14 de janeiro de 2019

Márcio Barbosa e a júnior Ana Santos são os campeões nacionais de ciclocrosse

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Márcio Barbosa tem apostado no ciclocrosse enquanto a época de estrada não começa e está a somar vitórias. Ana Santos é júnior de primeiro ano, mas inscreveu-se na competição de elite e conquistou logo o título nacional. Os dois ciclistas vão ter a oportunidade de vestir as camisolas de campeões já no próximo domingo, na decisão da Taça de Portugal. Os Nacionais de ciclocrosse marcaram o último fim-de-semana em vários países, com destaque para o britânico Tom Pidcock que conquistou a sua primeira vitória em elite. O domínio de Van der Poel mantém-se intacto, enquanto Van Aert não conseguiu regressar à habitual senda de triunfos.

Em Marrazes, Leiria, Márcio Barbosa fez este domingo uma corrida de trás para a frente. Não sendo tão explosivo como os seus adversários, a maioria com o BTT como principal vertente, o ciclista da Aviludo-Louletano terminou com 14 segundos de vantagem sobre Mário Costa (UC Vila do Conde) e 23 sobre Roberto Ferreira (BTT Seia). De referir que o líder da Taça de Portugal, Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) optou por competir no escalão de sub-23, tendo sido segundo classificado, a 16 segundos de Bruno Silva (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto ao escalão feminino, Ana Santos foi a surpresa. A júnior do UC Vila do Conde teve uma performance autoritária na corrida de elite, com a sub-23 Raquel Queirós (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão) a ficar a 1:21 minutos. A campeã de 2018, Sandra dos Santos (CC Pèrigueux/Drodogne), fechou o pódio, a 1:38.

A prova de sub-23 feminina contou apenas com Rafaela Ramalho (Maiatos). Os restantes títulos nacionais das categorias mais jovens ficaram para o júnior Diogo Neves (BTT Loulé/Elevis) e para os cadetes João Cruz (UC Vila do Conde) e Sara Ferreira (Maiatos).

Melgaço irá receber a decisiva prova da Taça de Portugal. Márcio Barbosa e Raquel Queirós venceram a última etapa, em Sesimbra, mas o ciclista da equipa algarvia é quarto na classificação a 64 pontos de Miguel Salgueiro, que tem 38 sobre o adversário mais próximo, Vítor Santos (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão). Raquel Queirós está a 50 de Isabel Caetano, com Marta Branco (Maiatos) a ter 15 pontos a separá-la da líder da competição.

A primeira vitória de elite do prodígio britânico

A expectativa continua a ser enorme sobre Tom Pidcock, que até já tem um título mundial de estrada em contra-relógio como júnior (2017), mas continua a ter no ciclocrosse a sua grande paixão e ainda não se concentrou exclusivamente na vertente de estrada. Aos 19 anos competiu na corrida de elite dos Nacionais e juntou mais uma camisola às muitas que já tem entre títulos nacionais, europeus e mundiais da especialidade. Porém, esta foi a sua primeira vitória como elite. Foi mais um espectáculo ao estilo de Pidcock, que deixou a concorrência distante, com Ben Turner a cortar a meta 1:27 minutos depois. Thomas Mein fechou o pódio a 2:02.

Na Holanda, o homem que tem sido dono e senhor do ciclocrosse esta temporada, somou o quinto título consecutivo. Está a ser quase impossível bater Mathieu van der Poel. O ciclista irá receber muita atenção também na estrada em 2019, pois a sua equipa, a Corendon-Circus, subiu ao escalão Profissional Continental e vai estar em várias das principais clássicas, incluindo o monumento Volta a Flandres.

O seu rival, mas que tem estado muito abaixo do normal devido à rescisão de contrato que ameaçou obrigar Wout van Aert a parar um ano na vertente de estrada, não conseguiu conquistar o título belga. Agora que o seu futuro já está garantido com a Jumbo-Visma, Van Aert encontrou alguma tranquilidade, mas ainda assim foi batido por Toon Aerts, que ganhou com 52 segundos de vantagem.


18 de agosto de 2018

Aviludo-Louletano-Uli reina em Mortágua

Primeiro e segundo para a equipa de Loulé
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Começou bem a temporada, venceu a Volta ao Alentejo, depois acalmou um pouco para preparar o segundo pico de forma para a fase mais importante que agora parece querer prolongar. A Aviludo-Louletano-Uli realizou uma Volta a Portugal memorável e uma semana depois venceu novamente, agora por intermédio de Márcio Barbosa, no Grande Prémio de Mortágua. A terceira prova da Taça de Portugal foi completamente dominada pela equipa algarvia, que colocou dois homens na frente que chegaram com mais de um minutos de vantagem sobre o novo líder da competição: David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista).

A equipa de Jorge Piedade está a realizar uma temporada extremamente positiva. Luís Mendonça venceu a Volta ao Alentejo, enquanto Óscar Hernández conquistou o Troféu Liberty Seguros e uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho. Vicente García de Mateos foi "guardado" para a Volta a Portugal e apesar do desejo de ganhar a corrida, conquistar três etapas, o terceiro lugar e a classificação por pontos foi motivo para uma grande festa.

Márcio Barbosa regressou este ano à elite, depois de uma suspensão e de uma passagem pelo ACDC Trofa. Tem sido um ciclista mais preso ao trabalho de equipa, mas aí está a vitória que certamente desejava. Escapou com Luís Mendonça e venceu uma corrida difícil, com 144 quilómetros e um calor a não facilitar em nada. Cortaram a meta a par e a celebrar mais um dia que marcará a temporada da Aviludo-Louletano-Uli, que não reduziu o ritmo depois da Volta a Portugal. Ganhou ainda por equipas, a classificação da montanha, por Barbosa, e das Metas Volantes, por Mendonça.

André Carvalho e David Rodrigues, os líderes da Taça de Portugal
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Porém, outra equipa que também esteve bem na Volta, a Rádio Popular-Boavista, parece não quer reduzir o igualmente o ritmo nesta recta final de temporada. David Rodrigues - o ciclista que esteve 70 quilómetros em fuga na etapa da Senhora da Graça e foi apanhado a 250 metros da meta - está num bom caminho para conquistar a Taça de Portugal. Foi terceiro em Mortágua, a 1:32 minutos (o único que ficou a menos de dois minutos do duo da frente), mas assumiu a liderança da competição, com 121 pontos. Marcos Jurado (Efapel) é segundo com 93 e o anterior líder, António Barbio, caiu para terceiro, com 92 pontos, depois do 19º posto em Mortágua. Jurado foi 13º.

A correr em casa, o Miranda-Mortágua ficou com a consolação de ter o melhor jovem, por intermédio de Jorge Magalhães, mas continua na luta nos sub-23, apesar da classificação da Taça de Portugal continuar a ser liderada por André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass). Francisco Campos mantém as aspirações do Miranda-Mortágua pelo troféu nesta categoria, somando os mesmo 190 pontos do que o líder, com Hugo Nunes a ter menos 10.

Apesar da vantagem de David Rodrigues ser simpática, tanto a Taça de Portugal de elite como a de sub-23 continuam em aberto com duas corridas por realizar. A primeira será a 16 de Setembro e a última, que encerrará a época, a 6 de Outubro, em Tavira.

Pode ver aqui as classificações completas do Grande Prémio de Mortágua.

A época continua com os habituais circuitos. Este domingo haverá muito ciclismo durante o dia no Bombarral e na segunda-feira é Alcobaça o palco de corridas, que inclui o final da Taça de Portugal Jogos Santa Casa de Paraciclismo (15 horas). Às 17 horas irá para a estrada o pelotão de elite e sub-23.

13 de fevereiro de 2018

"Tinha a esperança de poder andar aqui mais uns anos"

Márcio Barbosa nunca perdeu a esperança que um dia poderia regressar à elite do ciclismo nacional. Era um dos melhores trepadores portugueses e chegou mesmo a ser o rei da montanha da Volta a Portugal. Porém, caiu nas malhas do doping. Foram dois anos de suspensão (entre 2014 e 2016) que descreve como complicados, mas continuou a treinar acreditando que era possível retomar a carreira. No ACDC Trofa demonstrou que ainda tinha muito para dar e garante que hoje é um homem e um ciclista diferente. Diz não ter nada a provar e só quer retribuir a confiança que lhe foi dada na Aviludo-Louletanto-Uli, cumprindo com o que lhe foi pedido: ajudar Vicente Garcia de Mateos e aproveitar alguma liberdade que lhe venha a ser dada nas corridas.

"Certamente que estou diferente. A vida traz-nos muitas experiências e esta foi uma negativa que eu tive e que aprendi [a lição]. Agora há que treinar, lutar e pôr um ponto final nessa situação", afirmou Márcio Barbosa ao Volta ao Ciclismo. Não se alonga no caso que ditou que os seus resultados desde 1 de Agosto de 2012 fossem apagados, o que incluiu a camisola azul que havia conquistado na Volta a Portugal. "Dois anos fora da modalidade, a treinar sem estar a competir não é certamente o mais fácil. São situações complicadas", admitiu. Quer mostrar na estrada o valor que realça continuar a ser-lhe reconhecido: "Eu acho que quem me conhece desde novo sabe das minhas capacidades. Eu conheço as minhas capacidades e acho que não tenho nada a provar."

Para o ciclista de 31 anos "o pior já passou", principalmente desde o momento em que assinou pela equipa algarvia, que viu em Márcio Barbosa um reforço importante para fortalecer o grupo em redor de um Vicente Garcia de Mateos determinado a lutar pela Volta a Portugal, ainda mais depois do pódio de 2017. "Tinha a esperança de poder andar aqui mais uns anos", desabafou, feliz por estar novamente numa equipa profissional.

"Os meus objectivos este ano passam por estar com o Vicente na geral na Volta e aí, talvez, uma etapa ou então estar na luta num Grande Prémio"

Tenta manter-se fiel a um discurso em prol do colectivo e do líder. Porém, Márcio Barbosa sempre foi um ciclista com gosto pelo ataque, por animar corridas e procurar ele próprio um resultado. "Os meus objectivos este ano passam por estar com o Vicente na geral na Volta e aí, talvez, uma etapa ou então estar na luta num Grande Prémio", afirmou. E tentar uma classificação secundária como a da montanha na Volta a Portugal? "Se esse objectivo passar pela equipa e se eu estiver em condições, tentarei." E acrescentou: "Se tiver essas oportunidades, e certamente que as terei, vou tentar estar na luta."

Depois da Prova de Abertura Região de Aveiro, Márcio Barbosa segue para a Volta ao Algarve, garantindo que a equipa preparou-se bem, ainda que considere "uma incógnita" o que se possa fazer. A Fóia e o Malhão parecem estar a pedir uma demonstração do ciclista, ainda mais com a Aviludo-Louletanto-Uli a "jogar" em casa. "Quem sabe...", disse, sorrindo.

Mais palavras para quê... Márcio Barbosa quer é estar em competição e deixa o aviso aos adversários: "Penso que para equipa do Louletano é o ano mais forte em termos de contratações. Temos um misto de atletas, uns que são bons a subir, outros a rolar, temos bons trabalhadores... Acho que este ano vamos fazer coisas bonitas." Disse ainda que, "se não houver azares", a formação de Loulé vai ser competitiva na Volta a Portugal.

Até lá, haverão muitos quilómetros a percorrer e a partir desta quarta-feira é no Algarve, com Márcio Barbosa a ter como companheiros para a corrida Luís Mendonça, Vicente Garcia de Mateos, Luís Fernandes, André Evangelista, Oscar Hernández e Juan Ignacio Perez.