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20 de julho de 2020

Mais corridas agendadas e um regresso ao calendário de estrada

© João Fonseca Photographer
Na estrada não tem sido fácil colocar em prática um calendário, mas a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) continua a trabalhar para que os atletas de todas as vertentes possam competir no que resta de 2020. Esta segunda-feira anunciou datas para BTT, BMX e também para o ciclocrosse, ainda que seja uma modalidade que se vá disputar na recta final do ano. Há novidades e logo na estrada. Regressa o Campeonato Nacional de Rampa e mais duas corridas ficam agendadas, no que a elite diz respeito.

Além dos Nacionais, Troféu Joaquim Agostinho e Volta a Portugal (ainda não está garantida), o Grande Prémio O Jogo e o Grande Prémio Jornal de Notícias vão disputar-se em Outubro, praticamente de forma consecutiva: 10 e 11 e 13 a 18.

No entanto, a grande novidade acaba por ser o regresso do Campeonato Nacional de Rampa. A última vez que se disputou foi em 2016, em Palmela, sendo ganho por José Gonçalves, em elite. Em sub-23 o mais forte foi César Martingil, com um júnior João Almeida a vencer na sua categoria. Ainda se desconhece o local da prova em 2020.

A FPC espera que o calendário nas diferentes vertentes possa ainda crescer, sem esquecer o tempo de pandemia que se vive. "As competições agora calendarizadas têm em conta o actual estado pandémico e as normas estritas que devem ser cumpridas para que decorram com total segurança sanitária. Nesse sentido, deu-se prioridade a corridas individuais, de risco baixo, e criaram-se normas específicas para a organização de eventos de cada uma das vertentes", lê-se no comunicado.

E a pensar em minimizar os riscos, haverá qualificações inter-regionais para diminuir o número de participantes na final. Irá acontecer o mesmo com o Campeonato Nacional de Cross Country Olímpico (XCO).

Entre as novidades está também o Campeonato Nacional de Cross Country Eliminator (XCE), em BTT. Prevê-se ainda a realização de duas etapas da Taça de Portugal de Downhill (DHI) e de três provas pontuáveis para a Taça de Portugal de Enduro. Contudo, ainda aguardam calendarização. A FPC explica que "decorrem negociações com os organizadores para o melhor agendamento dessas corridas".

Estrada

14 de Agosto: Campeonato Nacional de Contrarrelógio: Elite e Sub-23 Masculinos, e Paraciclismo
15 de Agosto: Campeonato Nacional de Fundo: Sub-23 Masculinos
16 de Agosto: Campeonato Nacional de Fundo: Elite Masculinos
5 e 6 de Setembro: Qualificações Inter-Regionais para o Campeonato Nacional de Rampa
13 de Setembro: Campeonato Nacional de Rampa: todas as categorias de Cadetes a Masters
19 e 20 de Setembro: GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho
19 e 20 de Setembro: Campeonato Nacional de Contrarrelógio para camadas jovens, femininas e masters
27 de Setembro a 5 de Outubro: Volta a Portugal
10 e 11 de Outubro: Grande Prémio O Jogo
13 a 18 de Outubro: Grande Prémio Jornal de Notícias

BTT

30 de Agosto: Campeonato Nacional de XCE
12 e 13 de Setembro: Qualificações Inter-Regionais para o Campeonato Nacional XCO
20 de Setembro: Campeonato Nacional de DHI
27 de Setembro: Campeonato Nacional de XCO
11 de Outubro: Campeonato Nacional de XCM
25 de Outubro: Campeonato Nacional de Enduro
29 de Outubro a 1 de Novembro: Taça do Mundo de DHI

BMX

10 de Outubro: 3.ª Prova da Taça de Portugal de BMX Race
17 de Outubro: Campeonato Nacional de BMX Race

Ciclocrosse

1 de Novembro: 1.ª Prova da Taça de Portugal de Ciclocrosse
22 de Novembro: 2.ª Prova da Taça de Portugal de Ciclocrosse
6 de Dezembro: 3.ª Prova da Taça de Portugal de Ciclocrosse

10 de junho de 2019

Ricardo Mestre ganhou corrida em que Joni Brandão lançou aviso à W52-FC Porto

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Fullsport)
No Grande Prémio Jornal de Notícias manda a W52-FC Porto. Quinta vitória consecutiva com quatro ciclistas diferentes. Porém, se Ricardo Mestre e a equipa merecem a maior parte do destaque, é inevitável que se olhe para as tremendas exibições de um Joni Brandão que definitivamente deixou um sério aviso à concorrência: não vai à Volta a Portugal para se limitar a ver os rivais ganharem, quer e tem capacidade para enfrentar o domínio azul e branco.

A corrida, que arrancou na terça-feira, 4 de Junho, e que terminou no feriado desta segunda-feira, teve uma primeira fase em que a W52-FC Porto se impôs. O dia que se revelaria decisivo foi o quarto, neste caso o primeiro sector da terceira etapa (estava dividida em duas, com um contra-relógio por equipas da parte da tarde). Uma fuga fez com que Ricardo Mestre ganhasse 2:05 minutos sobre vários rivais, com destaque para Joni Brandão, o homem que foi a figura das três últimas tiradas. O líder da Efapel venceu-as e a grande recuperação ficou a 36 segundos de valer a geral.

A W52-FC Porto fez uma das coisas que faz melhor quando Mestre vestiu a amarela em Matosinhos, no contra-relógio colectivo, o segundo sector da terceira etapa: controlou. Num excelente trabalho colectivo, a equipa de Nuno Ribeiro não facilitou a vida a Joni Brandão. Mas este ciclista meteu e muito respeito. Está definitivamente de regresso o melhor Joni.

São já seis vitórias em 2019, com Antonio Angulo a ser o único que quebrou esta hegemonia dentro da Efapel. E são seis apenas desde 14 de Abril, quando venceu a terceira etapa do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Este regresso à equipa que o projectou no ciclismo, depois de dois anos menos felizes no Sporting-Tavira e marcados por um problema de saúde, dificilmente poderia estar a correr melhor.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Fullsport)
A forma de Brandão é assustadora, no melhor dos sentidos, ainda mais se tivermos em conta que, supostamente, o pico é para ser atingido na Volta a Portugal, ou seja, de 31 de Julho a 11 de Agosto. "Dei tudo e juntos fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Contudo, saímos contentes desta competição, que não deixou de ser um bom ensaio para a Volta a Portugal. Este é um [Grande] Prémio muito próximo da Volta, pelos dias de prova e o seu grau de exigência. Vamos continuar a trabalhar para estar na discussão em Agosto", afirmou o líder da Efapel.

Brandão fala no plural, destacando o importante trabalho dos seus companheiros. Porém, é aqui que a Efapel ainda não atinge o nível de uma W52-FC Porto com mais opções para controlar corridas ou para as atacar. No entanto, este colectivo escolhido pelo director desportivo Américo Silva revelou ser interessante e estará perto do que será eleito para a Volta, se não for mesmo este: Henrique Casimiro, Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva, Nikolay Mihaylov e Fabricio Ferrari.

Um super Joni Brandão pode criar algumas preocupações, mas será necessário ter companheiros bem perto dele nos momentos mais importantes da Volta a Portugal. A Efapel precisa de um Sérgio Paulinho a ser um gregário de excelência, fazendo uso de toda a sua experiência. Também precisa de um Henrique Casimiro em grande, pois talvez possa estar desiludido por ter perdido o papel de co-líder, mas pode ser um elemento essencial para levar esta equipa a enfrentar olhos nos olhos a W52-FC Porto. E há que não esquecer Bruno Silva. Prima pela discrição, mas é um ciclista fundamental e em quem Américo Silva muito confia.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Fullsport)
O ciclismo não se faz só de individualismos e o colectivo arrisca assumir novamente um papel diferenciador. A prova como Nuno Ribeiro se dá ao luxo de poder ter várias opções de qualidade é que não levou ao Grande Prémio Jornal de Notícias homens que dificilmente falharão a Volta. A começar por Raúl Alarcón, o vencedor das últimas duas edições, o jovem João Rodrigues - essencial na vitória do espanhol há um ano e que esta época conquistou a Volta ao Alentejo - e provavelmente Joaquim Silva, que deu mostras de estar a subir de forma com o 10º na Volta ao Luxemburgo, onde esteve com os dois companheiros referidos, mais César Fonte, Tiago Ferreira e Ángel Sanchez. A corrida luxemburguesa coincidiu com a portuguesa.

Como tem sido habitual e mesmo com a subida de escalão, a Profissional Continental, a mentalidade não mudou na estrutura e todos vão tendo as suas oportunidades de vencer. Foi a vez de Ricardo Mestre que sucedeu no historial da corrida a António Carvalho (dois triunfos) e Rafael Reis, que também estiveram na prova. Raúl Alarcón venceu em 2017. Gustavo Veloso, Samuel Caldeira e Edgar Pinto, este último um dos homens em destaque em 2019 na equipa, completaram a formação do Sobrado no Grande Prémio Jornal de Notícias que venceu colectivamente. Carvalho e Pinto terminaram no top dez.

Se houve algo que esta corrida demonstrou, quando já se está em contagem decrescente para a Volta a Portugal, é que a Efapel está determinada e vai mostrando algumas armas para tentar enfrentar o esperado domínio da W52-FC Porto. Até ao momento, ainda mais nenhuma equipa portuguesa mostrou ter essas condições.

O pódio do Grande Prémio Jornal de Notícias foi fechado por Alejandro Marque (Sporting-Tavira) que ficou a 59 segundos de Mestre, tendo sido um dos ciclistas a tirar partido da fuga daquela terceira etapa. Joni Brandão levou a camisola dos pontos e venceu as metas volantes, com o companheiro Bruno Silva a ganhar mais uma camisola da montanha. A juventude foi para Rafael Lourenço, da UD Oliveirense-InOutBuild, que quase ganhou o primeiro sector da terceira etapa, mas celebrou cedo de mais e Vincente García de Mateos (Aviludo-Louletano) "atirou" a bicicleta para ganhar por muito, muito pouco.

Aqui fica a lista de vencedores das etapas, com o pelotão nacional a regressar à estrada entre 19 e 23 de Junho, no Grande Prémio Abimota.

Prólogo, Monção - Monção (6,2 quilómetros): Rafael Reis (W52-FC Porto). Camisola amarela: Rafael Reis
1ª etapa, Monção - Viana do Castelo (166,1): João Matias (Vito-Feirense-PNB). Camisola amarela: Rafael Reis
2ª etapa, Vianal do Castelo - Ovar (178,4): Leangel Meneses (Kuota-Construcciones Paulino). Camisola amarela: Rafael Reis
3ª etapa - primeiro sector, Vila Nova de Gaia - Vila Nova de Gaia (79,6 quilómetros): Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). Camisola amarela: Vicente García de Mateos
3ª etapa - segundo sector, Matosinhos - Matosinhos (9,2 quilómetros - contra-relógio por equipas): W52-FC Porto. Camisola amarela: Ricardo Mestre 
4ª etapa, Valongo - Valongo (130,6): Joni Brandão (Efapel). Camisola amarela: Ricardo Mestre
5ª etapa, Santo Tirso - Senhora da Assunção (7,1 quilómetros - crono-escalada): Joni Brandão (Efapel).Camisola amarela: Ricardo Mestre
6ª etapa, Porto - Gondomar (187,2): Joni Brandão (Efapel). Camisola amarela: Ricardo Mestre

Pode ver neste link as classificações completas, via Federação Portuguesa de Ciclismo (documento pdf).

Aqui encontra as vitórias das nove equipas do pelotão de elite nacional (inclui as três sub-25 Continentais).

»»"A Torre por si só 'mata' muitos atletas no pensamento"««

»»Percursos exigentes para decidir os campeões nacionais««

3 de junho de 2018

E no final ganhou a W52-FC Porto

Equipa em acção no contra-relógio colectivo, na sexta-feira
(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel fez uma corrida que não irá esquecer. O Sporting-Tavira viu o seu líder Joni Brandão demonstrar que está cada vez mais preparado para discutir a Volta a Portugal e os problemas de saúde de há um ano fazem definitivamente parte do passado. Porém, no final, ganhou a W52-FC Porto. A equipa de Nuno Ribeiro tem estado em crescendo e se César Fonte tem-se destacado um pouco mais, agora junta-se António Carvalho, que no Grande Prémio Jornal de Notícias fez um feito histórico que fica na família. O ciclista tem sido perseguido por alguns azares, mas bem disse que confiava que a sorte mudaria e aí está um António Carvalho que, perante a lesão de Raúl Alarcón, vai assumindo um papel de maior protagonismo rumo à Volta a Portugal.

O Grande Prémio Jornal de Notícias foi uma corrida muito disputada. Trocas de líderes todos os dias, com a Efapel endiabrada. Rafael Silva e Daniel Mestre ganharam duas etapas cada um, das sete da corrida (uma teve dois sectores, um de manhã e outro à tarde). Mestre entrou no último dia a sonhar com algo mais, com Joni Brandão então de amarelo. Se estas duas equipas saem desta competição com razões para estarem satisfeitas (o Sporting-Tavira venceu uma etapa com Alexander Grigoryev e o contra-relógio colectivo), a verdade é que a grande mensagem vem da W52-FC Porto.

Em 2017, Amaro Antunes contribuiu para um arranque de ano fortíssimo, com destaque para a vitória no Alto do Malhão, na Volta ao Algarve. A senda vitoriosa continuou, com Raúl Alarcón a também ir somando triunfos. Em 2018, a W52-FC Porto tem feito uma época em que os seus ciclistas vão subindo de forma, sem dúvida a pensar em atingir o pico na Volta a Portugal. Não significa que a equipa não tenha lutado por vitórias, que já são seis, além das classificações secundárias. A colectiva, por exemplo, tem sido quase normal conquistá-la.

O reforço César Fonte tem sido o homem que mais se vê na frente das corridas e João Rodrigues reapareceu depois de ter sido um dos ciclistas que esteve mais forte no arranque da temporada. Chegou mesmo a vestir a camisola da montanha na Volta ao Algarve, após a primeira etapa, num momento sempre especial, principalmente sendo algarvio. Alarcón estava a preparar-se para estar novamente em força no périplo por Espanha, mas uma queda atirou-o para fora das corridas, há mais de um mês.

Gustavo Veloso é o eterno líder e até já conta com uma vitória de etapa, na Volta ao Alentejo. Contudo, aos 38 anos, não é surpreendente ver outros ciclistas irem ocupando a sua posição, ainda que não é boa ideia considerar que Veloso já não tem algo de muito bom para dar. Continua a ser respeitado como o número um. Ainda assim, é inevitável olhar cada vez mais para António Carvalho (28 anos).

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Andava muito discreto, com alguns azares a estragarem-lhe corridas, mas, como o próprio admitiu ao Volta ao Ciclismo numa entrevista (pode ler aqui), a preparação para 2018 foi pensada para aparecer melhor mais tarde. Em 2017 foi sexto na Volta a Portugal e talvez não tenha ido mais longe porque, sempre leal à equipa, ficou com Gustavo Veloso quando o espanhol fraquejou na Serra da Estrela. Quando teve ordem para seguir o seu caminho, já Amaro Antunes e Raúl Alarcón estavam na frente, a caminho de decidir a corrida.

Carvalho coloca sempre a equipa em primeiro lugar, mas também não se faz rogado em dizer que se for chamado a uma responsabilidade maior, como tentar ganhar a Volta, está preparado. Senão, pelo menos quer tentar ganhar uma etapa. Antes do grande objectivo do ano, desejava atacar o Grande Prémio Jornal de Notícias. E foi o sucesso total. A W52-FC Porto esteve a ver o que ia acontecendo durante seis dias. Carvalho bem tinha dito que não podiam estar a controlar desde o princípio, pois corriam o risco de pagar caro no final. Houve frieza e paciência. Carvalho foi estando sempre a poucos segundos e nem o contra-relógio o deixou muito longe da frente. É difícil imaginar que há um ano ponderava deixar o ciclismo!

Conhece-se bem a capacidade desta equipa em controlar as competições. Assim o tem feito na Volta a Portugal. No entanto, esta forma de correr durante a última semana é também um reconhecimento que, por exemplo, o Sporting-Tavira está mais forte este ano, pois deixou a formação algarvia estar mais no controlo, a par da Efapel. A W52-FC Porto escolheu esperar pelo momento certo para dar uma machada final. E que machada foi!

Na última etapa, na subida para Santo Adrião, endureceu o ritmo, partiu o pelotão, ficando apenas cerca de 20 ciclistas e depois António Carvalho e César Fonte escaparam, levando com eles Luís Mendonça e Márcio Barbosa da Aviludo-Louletano-Uli e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack). Conquistaram quatro minutos de vantagem e, sem ajuda, o Sporting-Tavira não teve capacidade de perseguição. Com Edgar Pinto - recente vencedor da Volta à Comunidade de Madrid - a ser o mais perigoso na luta pela geral, os dois portistas acabaram por fazer o jogo perfeito. César Fonte ganhou a etapa, Carvalho a corrida.

Foi, então, uma versão um pouco diferente da W52-FC Porto, mas que claramente continua a ter um poderio que não é fácil de contrariar. Não há nenhum equipa em Portugal que tenha tantos ciclistas com capacidade para ganhar. Pode haver um número um, mas não significa que não seja outro a vencer e sempre na formação do Sobrado. E ninguém hesita em trabalhar quando assim é necessário. Mesmo se forem o líder. 

É impossível esquecer como custou a Gustavo Veloso perder a Volta a Portugal para Rui Vinhas, há dois anos. Porém, corrida após corrida, a W52-FC Porto faz do colectivo a sua fortaleza. Como a derrubar, continua a ser a questão que todas as restantes equipas procuram uma resposta.

Ainda assim, a postura do Sporting-Tavira (reforçada com o regresso do melhor Joni Brandão e com o russo Grigoryev a demonstrar muita qualidade), a sede de vitórias da Efapel, a ambição da Aviludo-Louletano-Uli e a renovada motivação de Edgar Pinto que contagia a Vito-Feirense-BlackJack têm tornado esta temporada bem animada. A Rádio Popular-Boavista contratou Daniel Silva, terminada a suspensão por doping do ciclista, mas é Domingos Gonçalves que continua a ser a figura. O gémeo foi sétimo, a 4:53 minutos de Carvalho, e tem sido de uma regularidade tremenda em 2018. Além de Silva, a equipa conta com João Benta, mas será interessante perceber que papel poderá ter Gonçalves na Volta a Portugal, tendo em conta que está a mostrar-se bem em todos os terrenos.

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Para concluir, António Carvalho tornou-se no segundo ciclista a vencer por duas vezes o Grande Prémio Jornal de Notícias, que teve a sua 28ª edição. Quem foi o outro? Fernando Carvalho, o seu tio! Além desta conquista (Edgar Pinto foi segundo a 53 segundos e Joni Brandão terceiro, a 4:16 minutos) e da etapa de César Fonte, João Rodrigues venceu a classificação da montanha e das metas volantes e a W52-FC Porto foi a melhor colectivamente.

Daniel Mestre quebrou a hegemonia azul e branca ao ficar com a camisola dos pontos. A camisola da juventude nesta corrida é atribuída aos ciclistas sub-23 das equipas de clube. Paulo Silva (Fortunna-Maia) foi o vencedor. De referir ainda, que a Liberty Seguros-Carglass ganhou uma etapa, na terça-feira, por intermédio Rafael Lourenço, que aos 20 anos conquistou a sua primeira vitória a este nível.

Pode ver aqui os resultados completos da última etapa que terminou em Gaia e das várias classificações.


26 de maio de 2018

Grande Prémio Jornal de Notícias em versão alargada arranca segunda-feira

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É uma das corridas que está sempre entre os principais objectivos das equipas portuguesas. O Grande Prémio Jornal de Notícias vai para a sua 28ª edição (não consecutivas) e este ano cresce nos dias de prova, mas terá etapas mais curtas do que o habitual. A W52-FC Porto tem dominado nos últimos anos esta competição, com três vitórias (a primeira ainda como W52-Quinta da Lixa): António Carvalho, Rafael Reis (actualmente na Caja Rural) e Raúl Alarcón. Em 2013 o vencedor foi César Fonte, que agora também representa a equipa que tem dominado o ciclismo nacional.

Porém, há quem queira dar luta. A Aviludo-Louletano-Uli teve excelente primeira fase da temporada e parte para uma altura em que se entra em contagem decrescente para a Volta a Portugal, com ambição de juntar mais uma grande vitória, depois de ter conquistado a Volta ao Alentejo e o Troféu Liberty Seguros. O Sporting-Tavira não está a realizar uma muito época vitoriosa, mas alguns dos seus ciclistas estão a demonstrar um crescendo de forma, como é o caso de Frederico Figueiredo.

Daniel Mestre tem estado em destaque na Efapel e sabe o que é vencer etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias. Na Rádio Popular-Boavista é Domingos Gonçalves quem tem estado constantemente na luta pelos lugares da frente, com Luís Gomes a ter dado recentemente a última vitória à equipa de José Santos, no Grande Prémio Anicolor. A Vito-Feirense-BlackJack está a realizar uma época de estreia muito positiva, com Edgar Pinto a conquistar há três semanas a Volta à Comunidade de Madrid. A motivação dificilmente poderia ser maior para os ciclistas de Joaquim Andrade.

Quanto às equipas de sub-25 do escalão Continental - Liberty Seguros-Carglass, Miranda-Mortágua e LA Alumínios - partem à procura de uma vitória que vá além da disputa entre os seus jovens ciclistas. Mas claro que conquistar esta classificação será sempre um objectivo.

Quanto ao percurso, serão sete etapas, mais duas do que em 2017, com 823,6 quilómetros à espera do pelotão. Tudo começará em Viseu, na segunda-feira, com Vila Nova de Gaia à espera de consagrar o vencedor no domingo. Pelo meio, o pelotão passará por Viana do Castelo, Monção, Barcelos, Santo Tirso, Valongo, Esposende, Ovar, Porto, isto para referir apenas os locais de partida e chegada.

A primeira etapa começa e acaba em Viseu, na Avenida Europa (126,6 quilómetros), com o arranque marcado para as 14:50 e o final previsto para as 18 horas. No segundo dia, o pelotão vai até ao alto Minho, para 127,5 quilómetros entre Viana do Castelo (14:20) e Monção (17:30). Segue-se uma jornada dupla. Às 8:55 começará, em Monção, a curta viagem de 78 quilómetros até Viana do Castelo (10:50), uma inversão dos locais de partida e chegada do dia anterior. À tarde, a partir das 16 horas, decorre em Barcelos o contra-relógio de 9,5 quilómetros. 

Em dia de feriado, 31 de maio, corre-se a quarta etapa, num percurso de 154,4 quilómetros, com partida às 11:50, em Santo Tirso e com a chegada a Valongo prevista para as 15:40, na segunda passagem pela meta. A quarta tirada será um contra-relógio por equipas de 18,8 quilómetros, em Esposende (15 horas).

Para o fim-de-semana ficam duas exigentes etapas. No sábado, 2 de Junho, esperam os ciclistas 144,9 quilómetros entre Ovar (11:50) e Santo Tirso (15:37). Depois de uma primeira passagem pela meta, o pelotão irá subir até à Nossa Senhora da Assunção, onde no ano passado António Barbio (então na Efapel, representando agora o Miranda-Mortágua) venceu na Volta a Portugal.

Para fechar, o Porto recebe a partida (11:50) da decisão final, enquanto a Avenida D.João II, em Gaia, espera pelo vencedor (16 horas). Os 162,4 quilómetros terão uma subida de primeira categoria, uma de segunda e duas de terceira.

"Sem desprimor para outras provas, esta é uma corrida em que todos querem ganhar devido ao prestígio que confere. Pela forma como estruturámos o percurso, acredito que vai ficar tudo em aberto até ao último dia, fazendo com que seja emocionante seguir todas as etapas", afirmou, aquando da apresentação, o director da corrida. Carlos Pereira justificou ainda as etapas mais curtas como uma forma para que "haja mais competitividade e menos monotonia".



28 de maio de 2017

Efapel acaba com jejum e W52-FC Porto continua a vencer

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Não ganha com um, ganha com outro. A W52-FC Porto continuou a sua senda de vitórias no Grande Prémio Jornal de Notícias, com Raúl Alarcón a ser o homem do momento da equipa. O espanhol vem de uma vitória na geral da Volta às Astúrias e de um segundo lugar em Madrid e agora juntou mais duas etapas e também a geral de uma das corridas mais importantes do calendário nacional. Há um ano tinha sido Rafael Reis a triunfar, tendo a camisola amarela continuado assim na equipa, desde o primeiro dia. Porém, destaque também para a Efapel. A equipa de Américo Silva ainda estava em branco em 2017, mas parece ter reencontrado o caminho das vitórias, com Daniel Mestre a vencer duas etapas, a primeira sempre com um sentimento especial, já que foi em Ovar, terra natal da equipa.

A W52-FC Porto tomou a liderança logo no primeiro dia ao ser a mais forte por apenas um segundo no contra-relógio por equipas. Então foi Amaro Antunes quem vestiu a amarela. Raúl Alarcón herdou-a no dia seguinte e na sexta-feira, com direito a jornada dupla, o espanhol venceu as duas etapas e consolidou a liderança que não mais perderia. João Benta (Rádio Popular-Boavista) terminou a 20 segundos, com Rui Vinhas, colega de Alarcón, a fechar o pódio a 23 segundos. Foi mais um bom resultado para o vencedor da Volta a Portugal de 2016.

“Foi uma corrida fantástica. A chave do triunfo foi a jornada dupla, aquela quem que marquei a diferença para os rivais. Mas sem equipa não teria vencido porque foram os meus companheiros que seguraram a vantagem nas duas etapas seguintes”, explicou Alarcón, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O espanhol conquistou ainda a classificação por pontos, enquanto César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) venceu a da montanha. Por equipas, a W52-FC Porto deixou a Rádio Popular-Boavista e a Efapel a mais de dois minutos. Pode ver aqui as classificações completas.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel acabou por estar também em destaque. A equipa de Ovar tem sido das mais ganhadores nos últimos anos, mas 2017 não estava a ser fácil. Parece que ganhou impulso com os bons resultados no fim-de-semana passado em Espanha e agora conseguiu não uma, mas duas vitórias, ambas por intermédio de Daniel Mestre, que terminou em quarto na geral. “Faço um balanço positivo da minha participação e da participação da equipa nesta corrida. O nosso principal objectivo era ganhar etapas e vencemos duas", salientou Mestre.

Américo Silva não escondeu a felicidade por estar finalmente a ver os seus ciclistas a somarem triunfos. "É a prova que este conjunto fantástico de corredores tem um valor tremendo e que seria apenas uma questão de tempo para que os triunfos aparecessem", afirmou o director desportivo, no comunicado da equipa.

No próximo fim-de-semana há mais ciclismo, com o o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela.

Maaris Meier conquista Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A estoniana da (Maiatos/Reabnorte) venceu a quinta e última etapa da competição, assegurando assim a conquista do troféu. Maaris Meier tinha uma curta vantagem, mas soube impor-se no exigente circuito em Gouveia (71,2 km). Na categoria de elite, Meier totalizou 165 pontos, contra os 112 de Fiona Hunter-Johnston (Fusion Fierlan RT) e os 95 de Irina Coelho.

Em juniores o troféu ficou para Marta Branco (Maiatos/Reabnorte) e em cadetes foi Daniela Campos a vencedora. Já em masters, a mais forte foi Elisete Sousa (5 Quinas/Município de Albufeira).

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22 de maio de 2017

Prólogo nocturno para começar um inovador Grande Prémio Jornal de Notícias

Numa altura em que muito se fala em inovar no ciclismo e com a Hammer Series a estar na frente dessas mudanças, sendo uma corrida para se conhecer a melhor equipa e não em prol da glória individual, em Portugal o Grande Prémio Jornal de Notícias traz alterações surpreendentes e que geram muito interesse. E tudo começa esta quarta-feira com um prólogo nocturno por equipas em Viseu. Serão 5,9 quilómetros, com o início marcado para as 21:00.

Mas há mais diferenças. O segundo dia será um mais tradicional, com a ligação de 138,1 quilómetros entre Ovar e Maia a ter uma chegada prevista ao sprint. Já no terceiro dia haverá jornada dupla. Às 9:30 o pelotão partirá da Maia, com a meta instalada no alto de Santa Luzia, Viana do Castelo. Será o momento dos trepadores se mostrarem, mas há que pensar que às 17:00 começará o contra-relógio individual de 6,7 quilómetros entre entre Barcelos e o alto da Fanqueira, com os últimos três a serem sempre a subir. As jornadas duplas não são inéditas, mas são raras. E para terminar, no domingo, os 130 quilómetros em Valongo serão com muito sobe e desce.

O perfil das etapas irá potencialmente beneficiar alguma indefinição quanto ao vencedor. Em 2016, Rafael Reis foi o mais forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. O então ciclista da W52-FC Porto confirmava assim a grande temporada que estava a realizar e que no final lhe valeram o número um do ranking nacional e uma transferência para a formação espanhola Profissional Continental, Caja Rural. Este ano, Rafael Reis não estará presente.

Além das equipas de elite e de clube portuguesas, irão participar na 27ª edição da corrida as espanholas Cortizo e Escribano Sport Team, além da já habitual Team Bolivia, que muito tem andado pelas estradas nacionais e que conta com Nuno Meireles no seu plantel.

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»»Daniela Reis contente com corrida das suas "tuguinhas"««