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3 de agosto de 2019

Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
De um lado temos uma W52-FC Porto sem líder assumido, mas com duas vitórias em quatro etapas e dona da camisola amarela desde o primeiro dia, dividida entre Samuel Caldeira e Gustavo Veloso. Por outro, temos uma Efapel ambiciosa, com o ciclista que ninguém hesita em considerar que chegou à Volta a Portugal em grande forma e como sendo um, senão o, principal candidato à vitória: Joni Brandão. Porém, quatro dias volvidos, está comprovado que pouco importa o que aconteceu até ao arranque da corrida, pois o que interessa agora é que Brandão teve um bom prólogo, mas depois tem sido um dos exemplos de como as coisas podem começar a correr mal. Este domingo há que subir à Torre, numa chegada que estava difícil regressar à Volta. É a etapa que vai começar a colocar todos no seu lugar e vai ser encarada de ânimos bem diferentes pelas duas equipas mais fortes e até mesmo por aquelas que "jogam" por fora.

Brandão teve um prólogo muito positivo, só perdendo para Gustavo Veloso e António Carvalho, da W52-FC Porto, entre os possíveis adversários na luta pela geral. Mas a Volta rapidamente tornou-se complicada. Na primeira etapa caiu juntamente com quase toda a equipa já perto da meta, mas foi salvo pela regra dos três quilómetros, não perdendo tempo. Não houve ferimentos, o que foi o mais importante. No segundo dia, nova queda, mas Brandão não foi afectado e pensava ele que o dia teria corrido bem. Mas não. Antes da partida para a terceira etapa, ficou a conhecer a penalização de que foi alvo por parte dos comissários. O líder da Efapel tinha precisado de receber assistência por problemas mecânicos na bicicleta e chegou mesmo a trocá-la. Num desses momentos, foi considerado que Brandão foi empurrado pelo mecânico. Resultado: 10 segundos de penalização que não caíram nada bem na Efapel.

Brandão foi de poucas palavras quando questionado, sendo difícil esconder o descontentamento. Já o director desportivo Rúben Pereira foi bem directo: "Considero que foi uma medida muito pesada e injusta. Já demonstrámos o nosso desagrado, porque para nós esta foi uma decisão que não foi ponderada. O nosso mecânico teve uma atitude normal. Não houve nenhum impulso nem houve mudança de velocidade no nosso carro. Além disso havia um comissário próximo de nós que de certeza impediria esse tipo de actos. Acredito que se o Colégio de Comissários continuar com este tipo de decisões o pelotão acaba muito reduzido, tendo em conta que 99% das equipas tem o mesmo tipo de procedimento."

Mas para piorar, Joni Brandão perdeu mais seis segundos na chegada a Castelo Branco, já que houve um corte no pelotão. Resultado, num dia perdeu 16 segundos para Veloso e são 23 os que tem para recuperar. Nada de impossível, mas é bem diferente do que ter apenas sete, como era o caso quando na quarta-feira quando cortou a meta em Santo António dos Cavaleiros.

Joni Brandão é o favorito a ganhar na Torre, numa subida que lhe assenta bem, mas irá enfrentar a etapa sabendo que tem de recuperar tempo. Mas este é um ciclista que tem capacidade para recuperar 23 segundos e até ganhar tempo. Contudo, será um dia essencial para que Henrique Casimiro, Sérgio Paulinho e Bruno Silva sejam gregários de luxo. O problema pode mesmo chamar-se W52-FC Porto.

A equipa do director Nuno Ribeiro está habituada a assumir o favoritismo. Este ano vai empurrando-o para Joni Brandão, numa estratégia de tentar aumentar a pressão num rival que está bem claro que a formação azul e branca respeita e muito. No entanto, a W52-FC Porto tem mostrado o seu domínio na Volta. A forma como abordou a fase final da terceira etapa (Santarém - Castelo Branco, 194,1 quilómetros) é mais um exemplo disso mesmo.

Ainda antes de Mestre cortar a meta, Veloso e Caldeira já festejavam efusivamente
(Fotografia:© Podium/Paulo Maria)
Os ciclistas entraram quase todos juntos na recta, quase a preencher toda a frente do pelotão. Por um lado preparavam o sprint de Daniel Mestre, por outro protegiam-se mutuamente, pois Edgar Pinto, João Rodrigues, António Carvalho e, claro, o camisola amarela Gustavo Veloso, vão todos para a Torre como candidatos, num autêntico jogo do adivinha quem é líder! Veloso até deu um exemplo de liderança, assumindo com Samuel Caldeira - o vencedor do prólogo - o lançamento para o sprint vitorioso de Daniel Mestre. Trabalho de equipa perfeito e se se mantiver na montanha, vai ser uma dor de cabeça para os adversários.

A Torre vai também ajudar a perceber quem das outras equipas vai tentar disputar a amarela, ou pelo menos um lugar no pódio.

Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) tem andado discreto, não tentando disputar etapas como nas edições anteriores. Mas tem feito o seu trabalho, pois, é quarto classificado a oito segundos e Mikel Aristi (Euskadi-Murias) e Daniel Mestre, que estão à sua frente, não são adversários para a geral. O espanhol apontou tudo esta época à Volta a Portugal, pelo que a etapa da Torre será um teste muito importante.

O Sporting-Tavira enfrenta também um dia essencial. Não está a ser uma Volta fácil, com Tiago Machado a não ter todos os dias calmos e já perdeu algum tempo (49 segundos). Não é um trepador puro, pelo que a subida a Torre não será uma missão fácil, mas também se sabe como adora um bom desafio. Contudo, é Alejandro Marque que vai tentar garantir de vez o lugar de líder da equipa, pois está a 17 segundos de Veloso - também perdeu seis segundos na terceira etapa - e se conseguir manter-se perto, poderá tornar-se no ciclista a proteger na formação algarvia. Frederico Figueiredo é sempre uma peça essencial na equipa, mas na sexta-feira sofreu duas quedas, pelo que falta saber como estará fisicamente.

Ciclistas como João Benta (Rádio Popular-Boavista) e mesmo Domingos Gonçalves (Caja Rural) vão procurar colocar-se na luta pelo top dez. O ciclista de Barcelos tem estado discreto, mas depois de há um ano ter ficado num nono lugar, que até o surpreendeu um pouco, se Gonçalves estiver bem, não irá recusar a oportunidade de fazer melhor. O senão é a etapa acabar mesmo na Torre, o que não beneficia tanto, ao contrário do que acontece com João Benta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

4ª etapa: Pampilhosa da Serra - Covilhã (Torre), 145 quilómetros



Quatro anos depois, a Torre será palco de uma chegada de etapa e não "apenas" local de passagem. Serão quase 20 quilómetros, com uma pendente média de 6,6% e para aquecer haverá uma segunda categoria praticamente logo a abrir a etapa, duas terceiras e uma quarta. A Torre é de categoria especial, não estivéssemos a falar do ponto mais alto de Portugal Continental: 1993 metros. Depois de um sábado bem quente, as previsões do Instituto Português do Mar e Atmosfera apontam para 16/17 graus de temperatura máxima, com o vento a rondar os 12/13 quilómetros por hora.

O último ciclista a vencer na Torre, em 2015, foi o espanhol Delio Fernández, da então W52-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto. Rui Sousa foi o último português, no ano antes e, aquando da apresentação da Volta a Portugal, recordou ao Volta ao Ciclismo esse momento, que pode ler no link em baixo.


23 de novembro de 2018

Volta a Portugal desiludiu mas a Efapel teve razões para sorrir

A frustração de uma Volta a Portugal abaixo das expectativas não significa que a Efapel tenha realizado uma má temporada. Com as equipas portuguesas a apostarem grande parte da época nessa prova, é natural que a formação de Américo Silva tenha ficado a desejar por mais e melhor. Porém, olhando para tudo que foi alcançado em 2018, a Efapel pode sorrir. Foi a terceira equipa com mais vitórias (a par da Aviludo-Louletano-Uli), com Daniel Mestre a ser a figura de destaque.

Foi o segundo ano em que Sérgio Paulinho assumiu a responsabilidade de liderar a equipa, ainda que tenha sido salientando desde o início da temporada que, desta feita, iria partilhar a esse estatuto com Henrique Casimiro. O que foi mais do que justo pelo que o ciclista havia feito nas duas épocas anteriores. Ambos venceram: terceira etapa do Grande Prémio Abimota e também a terceira tirada no Troféu Joaquim Agostinho, respectivamente. Para Paulinho foi o primeiro triunfo neste seu regresso a Portugal, depois de ser um gregário de luxo no World Tour.

Porém, o grande objectivo ficou longe. Sérgio Paulinho nem no top dez conseguiu terminar este ano na Volta a Portugal e Henrique Casimiro acabou também ele por não se aproximar da luta pelo pódio (foi décimo). A Efapel falhou ainda na vitória de uma etapa. O próprio director desportivo assumiu que a Volta ficou aquém, mas também destacou como a restante temporada foi positiva.

Neste aspecto o nome que sobressai é o de Daniel Mestre, também ele um líder, mas para outro tipo de terrenos. Clássica Aldeias do Xisto - sempre muito relevante visto as Aldeias do Xisto serem um dos patrocinadores da equipa -, duas etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias e ainda foi fechar a época com um triunfo no Circuito de Nafarros. Em três temporadas com a Efapel, Mestre foi dos ciclistas que mais alegrias deu, ainda que nas últimas duas não tenha conseguido ganhar na Volta. E não foi por falta de tentativas. 

Daniel Mestre considerava a Efapel a decisão certa para a sua carreira quando assinou em 2016 e com razão. O seu trabalho e qualidade como ciclista valeram-lhe agora um contrato com a W52-FC Porto, que se prepara para subir de escalão. Uma oportunidade que se percebe que seja difícil dizer que não.


Ranking: 5º (1506 pontos)
Vitórias: 9 (incluindo a Clássica Aldeias do Xisto e três etapas do GP Jornal de Notícias)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (4)


Mais discreto, até pela sua personalidade, a Efapel teve um ciclista que começou devagar, mas quando a época terminou, tinha mostrado ser uma contratação de valor. O espanhol Marcos Jurado sofreu uma gripe que o prejudicou no início da temporada , mas, entre Abril e Maio, começou a atingir um pico de forma e sucederam-se as presenças nas fugas e os bons resultados apareceram, como a vitória na Volta a Albergaria. Já o outro espanhol contratado em 2018, o veterano David Arroyo, teve um regresso ao pelotão português sem muito para recordar.

Há que falar de Bruno Silva. É um daqueles corredores que não sabe fazer as coisas mal. É um gregário que às vezes até pode passar despercebido, mas cumpre muito bem com o que lhe é pedido. Américo Silva não abre mão deste corredor, nem de Rafael Silva, que mereceu mesmo algo pouco visto em Portugal: uma renovação de contrato por dois anos. O sprinter ganhou uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias e ainda a medalha de bronze nos Jogos de Mediterrâneo, com as cores da selecção nacional.

A época foi boa para a equipa, a Volta a Portugal não. E a Efapel quer ganhar e muito a Volta. Lutar por vitórias e até ficar perto de as alcançar na Grandíssima, acabar com um ciclista no top dez sabe a pouco e a equipa está a realizar um forte investimento para 2019 e vai pensando além disso. Já se fala num projecto para subir a Profissional Continental em 2021. Mas primeiro, a Efapel quer ganhar a Volta.

O regresso de Joni Brandão é uma contratação de extrema importância. Depois de dois anos no Sporting-Tavira, o ciclista regressa à casa onde se consolidou como um dos melhores ciclistas portugueses e espera-se que seja novamente o líder na Efapel que Sérgio Paulinho não conseguiu ser. A experiência de Paulinho como gregário poderá vir a ser importante, como braço-direito de Brandão, não esquecendo Henrique Casimiro, que poderá não perder alguma da liberdade que desfrutou este ano. Este será um trio potencialmente forte se se apresentar bem.

Além de Joni Brandão, a Efapel apostou na contratação de ciclistas estrangeiros. Foi buscar o espanhol de 26 anos, Antonio Angulo (Rías Baixas), que em 2017 representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e venceu a Volta à Bairrada. Américo Silva gosta de contar com ciclistas com experiência e com currículo internacional e garantiu dois. O uruguaio Fabricio Ferrari (33 anos) esteve dez épocas na Caja Rural, enquanto o búlgaro Nikolay Mihaylov (30) representou seis anos a polaca CCC Sprandi Polkowice e em 2017 esteve na francesa Delko Marseille Provence KTM. Ambos sabem o que é fazer corridas importantes, de categoria World Tour, são trepadores, pelo que poderão fazer parte do bloco que o director desportivo quer construir em redor de Joni Brandão.

Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Bruno Silva, Rafael Silva, Marcos Jurado e Pedro Paulinho são as permanências, numa Efapel que quer acabar com o longo jejum de vitórias, pois desde que David Blanco ganhou a Volta em 2012, a equipa não mais repteiu o feito. Só com um bloco forte será possível pensar em debater-se com a poderosa W52-FC Porto e é isso que Américo Silva está a tentar construir, agora que "recuperou" Joni Brandão.

Veja aqui todos os resultados da Efapel em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder««

7 de junho de 2018

Ranking nacional com novo líder

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O Grande Prémio Jornal de Notícias proporcionou uma reviravolta no ranking nacional. Luís Mendonça (Aviludo-Louletanto-Uli) era o líder desde que venceu a Volta ao Alentejo, sendo que no mês passado passou a partilhar esse estatuto em parceria com Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista). No entanto, as boas exibições de Daniel Mestre na recente corrida, que decorreu entre o final de Maio e início de Junho, levaram o ciclista da Efapel a ascender ao primeiro lugar, seguido por outro corredor que esteve em destaque na prova, Joni Brandão, do Sporting-Tavira.

Mestre venceu duas etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias e liderou durante um dia, juntando assim estes sucessos ao triunfo na Clássica Aldeias do Xisto, em Março. O ciclista alentejano soma agora 355 pontos, mais três que Joni Brandão. Domingos Gonçalves é agora terceiro (337), seguido por Luís Mendonça (304). O top dez é fechado por Rafael Silva, outro ciclista da Efapel que também triunfou por duas vezes na referida competição.

Com três ciclistas entre os dez melhores - César Fonte, Gustavo Veloso e António Carvalho, o vencedor da prova que terminou em Gaia -, a W52-FC Porto continua a cimentar a sua liderança colectivamente, somando agora 810 pontos, com o Sporting-Tavira a ter 709 e com a Efapel a tentar entrar nesta discussão, tendo agora 625. Ambas ultrapassaram a Aviludo-Louletano-Uli (583).

O melhor sub-23 continua a ser o espanhol Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack), ainda que agora esteja em igualdade pontual - 50 - com Francisco Campos (Miranda-Mortágua)

Este ranking é elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais e é actualizado mensalmente.

Ranking individual

1º Daniel Mestre (Efapel), 355 pontos 
2º Jóni Brandão (Sporting-Tavira), 352 
3º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 337 
4º Luis Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), 304 
5º César Fonte (W52-FC Porto), 271 
6º Oscar Hernandez Martinez (Aviludo-Louletano-Uli), 235 
7º Edgar Pinto (Vito-Feirense-Blackjack), 216 
8º Gustavo Veloso (W52-FC Porto), 193 
9º António Carvalho (W52-FC Porto), 142 
10º Rafael Silva (Efapel), 123 

Ranking colectivo

1ª W52-FC Porto, 810 pontos 
2ª Sporting-Tavira, 709 
3ª Efapel, 625 
4ª Aviludo-Louletano-Uli, 583 
5ª Rádio Popular-Boavista, 485 

Pode ver aqui os principais resultados das equipas portuguesas e o ranking mais pormenorizado.

Nos rankings internacionais...

Chris Froome desalojou Peter Sagan da liderança do ranking mundial depois da vitória na Volta a Itália, somando 4918,43 pontos, contra os 3753 do eslovaco, com Elia Viviani a fechar o pódio (3331). Rui Costa é o melhor português. O ciclista da UAE Team Emirates ocupa a 75ª posição, com 858 pontos. A nível de países é a Itália que lidera (15277,57), à frente da Bélgica (14179,07) e França (11636).

Quanto ao ranking World Tour, Sagan mantém-se firme em primeiro, com 1914 pontos, seguido de Alejandro Valverde (1682) e Simon Yates (1472). Mais uma vez é Rui Costa o melhor português: 54º, com 432 pontos. Sem surpresa a Quick-Step Floors não tem concorrência dada a senda vencedora este ano: 38. Soma 7979 pontos, com a Mitchelton-Scott em segundo (5462,99) e a Bora-Hansgrohe em terceiro (5460).

25 de março de 2018

"Estava com a convicção que era hoje. Disse-lhes que era o meu dia"

O cenário foi bem diferente de há um ano. A Clássica Aldeias do Xisto deslumbrou em 2017 com uma primeira edição de paisagens de uma beleza inesquecível. Os incêndios deram outra cor a uma zona do país tão devastada pelos fogos, mas como o pensamento da organização nunca esteve em esconder a realidade que tem no negro das árvores e nas casas queimadas o constante relembrar de uma tragédia, neste segundo ano de corrida, o pelotão passou por algumas das zonas e aldeias afectadas. A paisagem triste não deixou ninguém indiferente, mas na estrada esteve uma competição com muito em jogo. O espectáculo que desta feita não teve o verde forte das florestas circundantes como pano de fundo, teve muita cor na estrada, numa corrida atacada desde muito cedo e que no final viu a "equipa da casa" vencer. Daniel Mestre deu o primeiro triunfo de 2018 à Efapel, num dia também de festa para a Aviludo-Louletano-Uli, que cumpriu com o objectivo de ficar com o Troféu Liberty Seguros.

Daniel Mestre foi o mais forte na subida terceira categoria que levou à meta os ciclistas na Aldeia das Dez, em Oliveira do Hospital, após 145 quilómetros de prova. Depois de algum azar o ter impedido de estar na luta por etapas na Volta ao Alentejo, este era um triunfo desejado, mas que não desesperava por conseguir. Nem ele, nem a equipa. "A nossa união faz com que não haja pressão nenhuma. Nós tentamos sempre ganhar. Não conseguimos, levantamos a cabeça e voltamos a tentar. Está aqui a prova disso", salientou ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "Eu sei o meu valor, a equipa sabe o meu valor. Não tinha de provar nada a ninguém. É claro que as equipas vivem das vitórias, não escondo isso. Consegui vencer aqui na casa do patrocinador, Aldeias do Xisto, e fico feliz não só por mim, mas também pelos meus colegas que trabalharam ao longo de todas as provas que fizeram até agora."

E numa fuga que contou com quase todos os principais intervenientes do pelotão, Mestre teve ao seu lado Sérgio Paulinho e Bruno Silva. "Estava com a convicção que era hoje. Disse-lhes que era o meu dia", frisou Mestre, pouco depois de ter dito a Paulinho, num sentido cumprimento ao colega: "Bem disse que era hoje."

Foi um final bem ao estilo deste ciclista que no sprint final bateu outros dois nomes de peso do pelotão nacional. Atrás ficou Joni Brandão (Sporting-Tavira) que também tem razões para estar bem satisfeito, já que é o melhor resultado do ciclista deste que regressou à competição, depois de ter falhado a Volta a Portugal devido a problemas de saúde. A compor um pódio de luxo esteve o aniversariante do dia e vencedor da Grandíssima, Raúl Alarcón (W52-FC Porto), que esteve na fuga juntamente com Gustavo Veloso, enquanto Brandão teve a companhia de Frederico Figueiredo.

Contudo, o dia foi quase todo da Efapel, que foi ainda a melhor equipa da clássica. "É lógico que era uma vitória que ambicionávamos. Com o patrocinador Aldeias do Xisto diz-nos muito e não podia ser melhor", afirmou um muito satisfeito Américo Silva. O director desportivo referiu que estavam cientes "do porquê de alguns resultados e de alguns maus desempenhos". "Soubemos esperar e as coisas aconteceram", disse, realçando que o triunfo "é muito bom para o Daniel". "A primeira já está, que é sempre a que custa mais!"

Festa partilhada

A Aviludo-Louletanto-Uli partiu determinada da Aldeia de Álvaro a ficar com o Troféu Liberty Seguros, que há um ano conquistou com Vicente Garcia de Mateos, que também venceu a primeira edição da Clássica Aldeias do Xisto. Agora foi outro espanhol a triunfar. "Objectivo cumprido. A ideia era ganhar o troféu e a equipa trabalhou muito bem. Foi uma corrida muito complicada, pois deixaram-nos fazer o trabalho todo", explicou Óscar Hernández. Acompanhado na fuga por Luís Mendonça, que também tinha a possibilidade de ganhar, David de la Fuente e Luís Fernandes - que ficou com o prémio da montanha -, Hernández teve de estar atento para quando houve o ataque final, cortando a meta na quinta posição. A maior ameaça vinha de Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), que apesar de acabar um lugar acima de Hernández, foi insuficiente para se sagrar vencedor.

Para a equipa algarvia é o fechar de um mês de Março que não irá esquecer. Uma semana depois de conquistar a Volta ao Alentejo com Luís Mendonça, Óscar Hernández ficou com o Troféu Liberty Seguros e a equipa foi ainda melhor desta competição, que englobou além da Clássica Aldeias do Xisto, a Clássica da Arrábida e a Prova de Abertura Região de Aveiro.

Enquanto a Efapel deixou o patrocinador feliz pela vitória na corrida, André Carvalho fez o mesmo ao ser o melhor jovem do troféu. O ciclista da Liberty Seguros-Carglass realçou precisamente esse pormenor: "Era uma prova que era importante para a equipa, visto ser patrocinada pela Liberty Seguros. Foi um dia em que a equipa esteve bastante bem e ajudou-me ao máximo e eu consegui cumprir com as expectativas. Foi uma corrida dura, com constante sobe e desce e o vento complicou, mas o que interessa é que acabou tudo bem." O jovem foi 19º, mas o melhor sub-23 do dia foi o espanhol da Caja Rural Javier Fuentes.

Depois de um Março intenso em corridas pelas estradas nacionais, o regresso do pelotão será entre 12 e 15 de Abril, no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Quanto à Clássica Aldeias do Xisto, ficou a garantia que para o ano há mais.


3 de fevereiro de 2018

Paulinho, Mestre e Américo Silva em uníssono: "A Efapel está mais forte"

Preparou-se a equipa, garantiram-se reforços, definiram-se objectivos. Agora está na altura de passar para a estrada a ambição de uma Efapel muito baseada na experiência, mas com a confiança que esse factor poderá marcar a diferença no momento de discutir vitórias, sempre com a Volta a Portugal em mente, ainda que com metas pensadas para outras corridas. "Nunca prometemos vitórias, mas trabalho e profissionalismo. No entanto, as grandes equipas sobrevivem dos grandes resultados e a Efapel vai estar na discussão das corridas", assegurou Daniel Mestre.

Se Daniel Mestre continua a ser uma das figuras da equipa, principalmente nos sprints, Sérgio Paulinho mantém o papel de maior mediatismo, não se estivesse perante um medalhado olímpico e de um ciclista com mais de uma década de World Tour. Depois de um ano a adaptar-se à função de líder, sentir-se-á o Paulinho mais pressionado a apresentar resultados? "Não!" A resposta dificilmente poderia ter sido dita com maior segurança. "O que posso mostrar este ano? Talvez fazer alguma coisa que não fiz em 2017. Talvez tenha tido um pouco de medo de ser o líder, se calhar tive medo de atacar... Ou seja, quero fazer um 2018 com mais ambição, pôr esse medo de parte e foi isso que me fez continuar mais um ano no ciclismo", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O final de temporada ficou marcado por uma queda no Circuito de Alcobaça e por uma operação a uma hérnia. "Foram quase três meses sem bicicleta. Perdi muito a forma", contou Paulinho. Por isso, disse que entrará mais tranquilo na época, com o plano de recuperar a sua melhor condição física, mas não só a pensar na Volta a Portugal. "Será o objectivo principal, mas durante o ano tentarei estar na discussão noutra fase. Isto é, apontar um primeiro pico para determinada altura, que ainda não está decidido. Tentarei ter dois picos."

"A experiência nunca é de mais. Não está no auge da carreira dele, mas para o ciclismo português [Arroyo] pode ter um papel muito importante"

Sérgio Paulinho (37 anos), referiu ainda como na Efapel não é o líder indiscutível, pois existem outros ciclistas com capacidade para assumir esse papel, inclusivamente no seu terreno. Isso mesmo é confirmado pelo director desportivo, Américo Silva: "[O Henrique Casimiro] pelo que tem vindo a fazer, nestes dois últimos anos na Volta a Portugal, por mérito próprio estará no mesmo patamar que o Sérgio." O responsável realçou ainda a contratação de David Arroyo. "A experiência nunca é de mais. O palmarés dele demonstra a grande qualidade que ele sempre teve. Não está no auge da carreira dele, mas para o ciclismo português pode ter um papel muito importante", frisou.

O espanhol, de 38 anos, tem no seu currículo um pódio no Giro, uma etapa na Vuelta e muitos anos de ciclismo ao mais alto nível, com parte da carreira a ser feita na estrutura da Movistar e nos últimos cinco anos na Caja Rural. Porém, em 2004 passou por Portugal, na então LA Pecol. "Já conhece o nosso ciclismo, através de mim, quando há 14 anos foi segundo na Volta. Conhecemo-nos muito bem", recordou Américo Silva.

Se o rendimento poderá baixar com o passar da idade, o director desportivo acredita que a chave para ver um veterano continuar a ser importante está no incentivo. "Se não diminuir o incentivo, acho que não se nota assim tanto [a idade], tendo em conta a tal experiência que se vai adquirindo. Tenho a esperança que o Arroyo tenha o incentivo que não teve nos últimos anos." Isto significa que o espanhol terá também ele as suas oportunidades.

Inevitavelmente falou-se de Sérgio Paulinho e Américo Silva acredita que o ciclista ainda tem algo para dar. "O Sérgio sofreu aquela transformação [de gregário para líder], que se foi fazendo durante 2017. Quando acabámos a época, principalmente a Volta a Portugal, eu fiquei com a sensação que o Sérgio ainda tinha mais qualquer coisa do que aquilo que deu em 2017. O próprio Sérgio, e não sendo ele um ciclista muito expressivo, também me confessou que ficou com o incentivo e com o moral que este ano pode andar melhor", garantiu.

"Penso que as coisas nesta equipa têm funcionado pelo colectivo e assim irá continuar a ser"

Américo Silva acredita que a Efapel "está eventualmente mais forte na alta montanha", mas acrescentou como conseguiu concretizar um dos seus desejos: "Ter um bloco reforçado para fazer uma trabalho mais específico para o Daniel Mestre chegar em melhores condições ao sprint". Um desses novos homens será Pedro Paulinho, irmão de Sérgio. "É bastante bom para os dois estar aqui. É muito gratificante. Treinamos sempre juntos", contou o mais velho dos Paulinhos.

Porém, Pedro andará mais ao lado de Daniel Mestre, que na última Volta a Portugal não conseguiu por pouco a desejada etapa. Confessou sentir-se triste, mas agora o pensamento está em 2018. "Sou um ciclista que gosta de estar minimamente bem em todas as corridas que faço. É claro que que se gosta de apontar picos de forma. Uma corrida que gosto bastante é o Grande Prémio Jornal de Notícias, onde nos últimos dois anos venci duas etapas. Não escondo que a Volta a Portugal é a corrida que gostamos de estar na máxima força e é para aí que vou apontar mais e tentar este ano uma vitória de etapa", explicou. Além de Arroyo e Pedro Paulinho (ex-Louletano-Hospital de Loulé, 27 anos), chegou também outro espanhol, Marcos Jurado (ex-Burgos-BH, 26). "Temos homens mais fortes", realçou Daniel Mestre.

No entanto, o ciclista de Almodôvar não estará na discussão da Prova de Abertura Região de Aveiro, que marca o arranque do calendário nacional. Serão 155,5 quilómetros entre Oliveira do Bairro e Torreira. Mestre está a recuperar de uma lesão, apontando tentar melhorar a forma na Volta ao Algarve, para atacar a Volta ao Alentejo, a meio de Março.
No dia em que a equipa se apresentou, não ficaram dúvidas que o discurso dos ciclistas é de motivação e principalmente da já conhecida união que marca este grupo. "Penso que as coisas nesta equipa têm funcionado pelo colectivo e assim irá continuar a ser", afirmou Américo Silva.

Equipa: Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Bruno Silva, Rafael Silva, Jesus del Pino, David Aroyo, Marcos Jurado e Pedro Paulinho.



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22 de novembro de 2017

Atenções centradas em Sérgio Paulinho com a equipa a corresponder como um todo

Conseguirá Sérgio Paulinho passar de gregário a líder? Foi a pergunta que se fez durante todo ano. A Efapel recebeu um dos ciclistas mais importantes que Portugal teve no World Tour. Medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Sérgio Paulinho esteve mais de uma década ao lado de algumas das grandes referências da modalidade e tornou-se num dos homens de trabalho mais apreciados no pelotão internacional. E alcançou uns triunfos pessoais memoráveis, como as etapas no Tour (2010) e na Vuelta (2006). De regresso a casa, o ciclista, agora com 37 anos, nunca escondeu que seria um desafio ter um papel diferente.

Agarrou a oportunidade ao lado do director desportivo e amigo Américo Silva e quando chegou o momento de dar a resposta, disse que sim, que pode ser um líder. Porém, não conseguiu o resultado que procurava na Volta a Portugal, mas comprovou que, independentemente da idade, está-se sempre a aprender e a evoluir. Sérgio Paulinho espera que este tenha sido um ano de transição, para em 2018 alcançar o que ambiciona com a Efapel.

A equipa tem sido uma das mais fortes do pelotão nacional, mas ciente que, tal como todas as outras, está na perseguição à W52-FC Porto. Perder Joni Brandão para o Sporting-Tavira foi um rude golpe, contudo, a Efapel respondeu com uma contratação de peso. A responsabilidade era grande, mas tanto o director desportivo, como o ciclista sempre afastaram um aumento de pressão devido ao mediatismo de Sérgio Paulinho e também por a Efapel não ganhar a Volta a Portugal desde 2012, então com o espanhol David Blanco.

Ranking nacional: 3º (1703 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (3)

Com as atenções centradas em Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro quase passou despercebido. Pode ter sido mais discreto, é certo, mas alcançou sempre resultados interessantes e que claramente davam outra opção a Américo Silva. O melhor aconteceu em Espanha, na Volta a Castela e Leão, onde fechou o pódio. Na Volta a Portugal acabou por ser um co-líder. Terminou na oitava posição, uma acima de Paulinho. Para uma Efapel que na Senhora da Graça perdeu a possibilidade de discutir a corrida, foram resultados importantes, ainda que aquém do desejado.

Não foi uma temporada fácil. Só em Maio surgiu a primeira vitória e logo a dobrar, no Grande Prémio Jornal de Notícias. Daniel Mestre tirou um peso dos ombros da equipa. Parecia que o difícil tinha sido conseguir o primeiro triunfo. Jesús de Pino venceu o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela e mais tarde a Volta a Albergaria. Daniel Mestre celebrou no Troféu Joaquim Agostinho, mas a grande vitória do ano chegaria por um ciclista mais improvável. António Barbio já havia demonstrado como é um corredor de confiança no trabalho que faz em prol da equipa. De vez em quando chega aquele momento em que um gregário por excelência tem a sua oportunidade e há que agarrá-la.

Na chegada a Santo Tirso, Del Pino estava na fuga com Barbio, mas o português teve liberdade para tentar a sua sorte. Num daqueles dias que marcam uma carreira, Barbio (23 anos) pedalou como nunca e aguentou o ritmo numa subida à Nossa Senhora da Assunção que poderia traí-lo. Ganhou isolado e deu uma importante vitória a uma Efapel que já tinha visto Daniel Mestre ficar perto. Não houve pódio e muito menos a conquista da corrida, mas Barbio e o top dez de Paulinho e Casimiro fizeram com que o balanço pudesse ser considerado positivo.

Uma palavra para Rafael Silva. Ninguém apontaria nada a um ciclista que leva 14 pontos nas costas e mais três no braço e decidisse abandonar. Rafael Silva continuou, com o apoio de colegas que recusaram deixá-lo para trás. Não foi fácil, mas ainda conseguiu dar uma ajuda mais perto do final da Volta. Em Viseu, na última etapa, só havia sorrisos por ter cortado a meta.

A época da Efapel pode ter-se centrado muito em Sérgio Paulinho, mas acabou por demonstrar que o todo o conjunto tinha valor. Ainda assim, em 2018 será de esperar que na Volta a Portugal do próximo ano possa estar na discussão. Barbio e Álvaro Trueba optaram por outros caminhos - Miranda-Mortágua e Sporting-Tavira -, mas já está garantido mais um ciclista muito experiente, o espanhol David Arroyo (37). De Espanha chega ainda Marcos Jurado (26) que estava na Burgos-BH.



28 de agosto de 2017

Amaro Antunes e Daniel Mestre nos pré-convocados para os Mundiais

Amaro Antunes  venceu uma etapa e foi rei da montanha na Volta a Portugal

Dos nove ciclistas pré-convocados para os Mundiais de Bergen, dois pertencem ao pelotão nacional. Amaro Antunes e Daniel Mestre estão na lista de José Poeira, que terá de deixar três corredores de fora, pois a selecção nacional só poderá levar seis (as equipas com as quotas maiores podem chamar nove). Para o algarvio da W52-FC Porto é desde já o reconhecimento da excelente temporada que está a realizar, que começou na Volta ao Algarve e pode muito bem não ter terminado na Volta a Portugal, caso consiga entrar no lote final. Já Daniel Mestre é também ele premiado. Pode não ter sido uma temporada muito ganhadora, mas o ciclista da Efapel continua corrida após corrida e demonstrar ser o atleta de enorme qualidade tanto na ajuda a um líder, como quando chega ao momento de ele próprio lutar por uma vitória.

Nesta pré-convocatória, o destaque vai ainda para o regresso de Rui Costa. Há um ano, o ciclista da UAE Team Emirates ficou de fora, pois num percurso completamente plano no Qatar, seria uma missão impossível bater os sprinters. Porém, em Bergen (Noruega), apesar de não ser o percurso mais acidentado, uma da subida poderá beneficiar corredores com as características de Rui Costa, que sabem entrar em fugas e aproveitar esse momento de dificuldade para ganhar vantagem. O ano começou de forma muito positiva com vitórias na Argentina e em Abu Dhabi (etapa e geral). No Giro ficou por duas vezes em segundo. Está actualmente na Vuelta, tendo já sofrido uma queda. Campeão do mundo em 2013, em Florença, Rui Costa tem como um dos seus objectivos da época aparecer bem em Bergen.

José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha-Alpecin), José Mendes (Bora-Hansgrohe), Ricardo Vilela (Manzana Postobón), Nelson Oliveira (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), o campeão nacional, estão na lista provisória. Dos seis que forem chamados, dois podem também competir no contra-relógio e nesta vertente, um será certamente Oliveira. Domingos Gonçalves, campeão nacional de contra-relógio, ficou de fora das escolhas.

Nos sub-23 estão pré-convocados André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), Francisco Campos (Miranda-Mortágua), Hugo Nunes (Miranda-Mortágua), Ivo Oliveira (Axeon Hagens Berman), José Neves (Liberty Seguros-Carglass) e Tiago Antunes (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés). Este último este recentemente a bom nível na Volta a França do Futuro. A equipa será composta por quatro ciclistas.

Nos juniores, Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Eng. Birto da Mana), Guilherme Mota (Alcobaça CC-Crédito Agrícola), Pedro José Lopes (Alcobaça CC-Crédito Agrícola), Pedro Miguel Lopes (Seissa-KTM Bikeseven-Matias & Araújo-Frulact) e Pedro Teixeira (Maia) estão na lista, mas só três podem ir a Bergen.

Do lado feminino, a junior Maria Martins - que está a realizar uma excelente época tanto na pista como na estrada - foi pré-convocada pelo seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais realizam-se entre 16 e 24 de Setembro, pelo que não se terá de esperar muito tempo para se conhecer as escolhas finais.


28 de maio de 2017

Efapel acaba com jejum e W52-FC Porto continua a vencer

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Não ganha com um, ganha com outro. A W52-FC Porto continuou a sua senda de vitórias no Grande Prémio Jornal de Notícias, com Raúl Alarcón a ser o homem do momento da equipa. O espanhol vem de uma vitória na geral da Volta às Astúrias e de um segundo lugar em Madrid e agora juntou mais duas etapas e também a geral de uma das corridas mais importantes do calendário nacional. Há um ano tinha sido Rafael Reis a triunfar, tendo a camisola amarela continuado assim na equipa, desde o primeiro dia. Porém, destaque também para a Efapel. A equipa de Américo Silva ainda estava em branco em 2017, mas parece ter reencontrado o caminho das vitórias, com Daniel Mestre a vencer duas etapas, a primeira sempre com um sentimento especial, já que foi em Ovar, terra natal da equipa.

A W52-FC Porto tomou a liderança logo no primeiro dia ao ser a mais forte por apenas um segundo no contra-relógio por equipas. Então foi Amaro Antunes quem vestiu a amarela. Raúl Alarcón herdou-a no dia seguinte e na sexta-feira, com direito a jornada dupla, o espanhol venceu as duas etapas e consolidou a liderança que não mais perderia. João Benta (Rádio Popular-Boavista) terminou a 20 segundos, com Rui Vinhas, colega de Alarcón, a fechar o pódio a 23 segundos. Foi mais um bom resultado para o vencedor da Volta a Portugal de 2016.

“Foi uma corrida fantástica. A chave do triunfo foi a jornada dupla, aquela quem que marquei a diferença para os rivais. Mas sem equipa não teria vencido porque foram os meus companheiros que seguraram a vantagem nas duas etapas seguintes”, explicou Alarcón, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O espanhol conquistou ainda a classificação por pontos, enquanto César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) venceu a da montanha. Por equipas, a W52-FC Porto deixou a Rádio Popular-Boavista e a Efapel a mais de dois minutos. Pode ver aqui as classificações completas.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel acabou por estar também em destaque. A equipa de Ovar tem sido das mais ganhadores nos últimos anos, mas 2017 não estava a ser fácil. Parece que ganhou impulso com os bons resultados no fim-de-semana passado em Espanha e agora conseguiu não uma, mas duas vitórias, ambas por intermédio de Daniel Mestre, que terminou em quarto na geral. “Faço um balanço positivo da minha participação e da participação da equipa nesta corrida. O nosso principal objectivo era ganhar etapas e vencemos duas", salientou Mestre.

Américo Silva não escondeu a felicidade por estar finalmente a ver os seus ciclistas a somarem triunfos. "É a prova que este conjunto fantástico de corredores tem um valor tremendo e que seria apenas uma questão de tempo para que os triunfos aparecessem", afirmou o director desportivo, no comunicado da equipa.

No próximo fim-de-semana há mais ciclismo, com o o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela.

Maaris Meier conquista Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A estoniana da (Maiatos/Reabnorte) venceu a quinta e última etapa da competição, assegurando assim a conquista do troféu. Maaris Meier tinha uma curta vantagem, mas soube impor-se no exigente circuito em Gouveia (71,2 km). Na categoria de elite, Meier totalizou 165 pontos, contra os 112 de Fiona Hunter-Johnston (Fusion Fierlan RT) e os 95 de Irina Coelho.

Em juniores o troféu ficou para Marta Branco (Maiatos/Reabnorte) e em cadetes foi Daniela Campos a vencedora. Já em masters, a mais forte foi Elisete Sousa (5 Quinas/Município de Albufeira).

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21 de maio de 2017

Efapel com dois ciclistas no pódio na Volta a Castela e Leão

O pódio final: Rosón, Hivert e o português Henrique Casimiro
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
Tem competido mais por Portugal este ano, mas a viagem até Espanha da Efapel foi bastante produtiva. A equipa terminou a Volta a Castela e Leão com dois ciclistas no pódio. Henrique Casimiro foi terceiro a 55 segundos do vencedor, o francês Jonathan Hivert, da Direct Energie. Em segundo ficou Jaime Roson, ciclista espanhol da Caja Rural que alcança a mesma posição da Volta à Croácia. Casimiro foi terceiro na etapa rainha de sábado, tirada que acabou por ser decisiva para a classificação final. Já Daniel Mestre conquistou a camisola dos pontos, subindo assim também ao pódio. Porém, a prestação das equipas portuguesas teve ainda mais resultados de nota.

João Rodrigues foi o mais forte na montanha
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
João Rodrigues (W52-FC Porto) venceu a classificação da montanha e a Efapel foi a segunda melhor equipa, a 26 segundos da italiana Androni Giocattoli. No top dez da geral, destaque ainda para a presença de Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:08 minutos de Hivert, António Carvalho e Joaquim Silva, ambos da W52-FC Porto, foram sétimo (a 1:14) e oitavo (a 1:19), respectivamente e o espanhol Jesus del Pino (Efapel) foi nono, a 1:28.

Ao fim de três dias de competição, o director desportivo da Efapel ficou muito satisfeito com a exibição dos seus ciclistas. “A nossa prestação foi extremamente positiva. Viemos com o intuito de lutar pelas vitórias e isso foi uma realidade. Além disso, conseguimos terminar no pódio da geral individual com o Henrique [Casimiro], conquistámos a camisola azul com o Daniel [Mestre] e ainda terminámos em segundo a nível colectivo. Foi uma corrida dura e exigente mas a equipa esteve à altura. Saímos com um conjunto ainda mais preparado e forte”, salientou Américo Silva, num comunicado da equipa.

Daniel Mestre ficou com a camisola dos pontos
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
A última etapa da Volta a Castela e Leão foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, a única equipa do World Tour presente nesta corrida. Nuno Bico foi um dos corredores presentes pela formação espanhola, terminando na 48ª posição da geral, a 5:20 minutos de Hivert. O outro português em prova por uma equipa estrangeira, Rafael Reis (Caja Rural), foi 55º, a 6:34. O ciclista de Palmela foi terceiro na primeira etapa, atrás de Daniel Mestre, ambos batidos pelo russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx).

Das seis equipas de elite portuguesas só o Louletano-Hospital de Loulé não esteve presente, mas todas estarão juntas no Grande Prémio Jornal de Notícias. Uma das principais corridas do calendário nacional realiza-se esta semana entre 24 e 28 de Maio.

Pedro Lopes conquista Taça de Portugal de juniores

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclista da equipa Alcobaça CC/Crédito Agrícola foi sexto classificado no Circuito da Palmeira - Prémio Peixoto Alves, em Braga, mas o resultado foi suficiente para Pedro Lopes conquistar a Taça de Portugal de juniores, somando 250 pontos, mais 39 pontos do que Pedro Teixeira (Maia) e 43 do que Hugo Garcez (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

Afonso Silva venceu a corrida que homenageia o vencedor da Volta a Portugal em 1965. O ciclista do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana deixou Pedro Teixeira a 1:06 minutos.

Nos sub-23, a selecção nacional participou na Ronde de l’Isard, uma das mais prestigiadas provas por etapas deste escalão. Ciclistas como Kenny Elissonde (actualmente na Sky) e Alexandre Geniez (AG2R) ganharam esta corrida. Andrew Talansky e Joe Dombrowski (Cannondale-Drapac), Jonathan Castroviejo (Movistar), Dylan Teuns (BMC), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Lotto-Jumbo e que ganhou a Volta a Califórnia) são nomes que constam da lista de pódios.

Tiago Antunes foi terceiro na última etapa da Ronde de l’Isard, ganha pelo russo Pavel Sivakov (BMC Development Team), que conquistou também a geral. O melhor português foi precisamente Tiago Antunes, com o décimo lugar a 12:10 minutos. Quanto aos restantes representantes lusos, Hugo Nunes foi 26.º, a 26:50; Gonçalo Carvalho, 28.º, a 30:11; Venceslau Fernandes, 34.º, a 34:45; Gaspar Gonçalves, 42.º, a 38:57; André Carvalho, 63.º, a 55:43.

José Borges em acção (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na Taça de Portugal de Enduro, José Borges (Enduro BTT Braga) manteve a invencibilidade, vencendo a segunda prova em Lorvão. O madeirense Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) repetiu o segundo lugar da primeira etapa da competição. Nas senhoras, a estoniana Maaris Meier (Maiatos/Reabnorte) não deu hipóteses à concorrência, batendo Ana Leite (Enduro BTT Braga) por 1:03 minuto, mas o segundo lugar permitiu-lhe manter a liderança da Taça de Portugal.

João Nóbrega (Ciclo Madeira Clube Desportivo) foi o melhor júnior, Duarte Ribeiro (Maiatos/Reabnorte) venceu a corrida de cadetes, Hélder Padilha (Montanha Clube/LouzanPark) impôs-se nos Master 30, e Vasco Correia (Penacova DI/UD Lorvanense) manteve-se invencível nos Master 40.

»»Daniela Reis contente com corrida das suas "tuguinhas"««

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14 de maio de 2017

Etapa anulada e a Taça de Portugal fica à espera de conhecer o vencedor

Daniel Mestre estava bem encaminhado para ser o vencedor da Taça de Portugal
(Fotografia: Efapel)
Situação insólita no Grande Prémio do Dão. A segunda e última etapa da corrida que iria definir o vencedor da Taça de Portugal acabou por ser anulada uns quilómetros antes do ciclistas terminarem a tirada, que tinha um circuito final em Viseu. As classificações ficaram suspensas e aguarda-se agora pela decisão da Federação Portuguesa de Ciclismo.

O organismo publicou um comunicado que aqui se transcreve: 

"A segunda etapa do Grande Prémio do Dão foi anulada, devido a problemas após a transição da responsabilidade de policiamento da GNR para a PSP, no circuito urbano de Viseu. 

Aos problemas de segurança decorrentes da obrigatoriedade de transição das responsabilidades de policiamento, juntou-se um engano no percurso, levando os ciclistas a parar antes de cruzarem a meta pela última vez. 

Na sequência destes factos, a organização, em conjunto com o colégio de comissários, decidiu anular a segunda e última etapa da competição. 

A Direcção da Federação Portuguesa de Ciclismo vai aguardar pelo relatório do Presidente do Colégio de Comissários, decidindo posteriormente as medidas a tomar relativamente à homologação dos resultados da corrida, ao desfecho da Taça de Portugal e a outras acções que entenda convenientes e adequadas a este caso e à prevenção de futuras situações semelhantes."

Antes do início da corrida no sábado, Antonio Angulo, espanhol da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, liderava a Taça de Portugal, seguido de perto por Daniel Mestre (Efapel) e Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista). Porém, no contra-relógio de 19,5 quilómetros em Nelas, Mestre foi o segundo mais rápido e Gonçalves o terceiro. Angulo fez apenas o 26º tempo, o que deixou o ciclista da Efapel numa boa posição para tentar conquistar o troféu, ainda que o corredor da Rádio Popular-Boavista a colocar pressão.

Alejandro Marque (Sporting-Tavira) ganhou o contra-relógio, deixando Daniel Mestre a 47 segundos, vantagem que o deixava mais confortável para se sagrar o vencedor do Grande Prémio do Dão.

Nos sub-23, o jovem espanhol da Rádio Popular-Boavista, Xuban Errazquin, foi apenas 20º e com o segundo lugar, Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros/Carglass) estava numa boa posição para lutar pela conquista da Taça de Portugal.

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»»Antonio Angulo vence Volta à Bairrada e assume liderança da Taça de Portugal««