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19 de novembro de 2017

Ambição, confiança, desilusão e revelação

Edgar Pinto alcançou bons resultados ao longo do ano, mas faltou uma vitória.
Queda na Volta a Portugal foi uma enorme desilusão para a equipa
na aspiração de lutar pela conquista da prova
Vontade de fazer do projecto LA Alumínios-Metalusa-BlackJack um de sucesso em Portugal não faltou. Ambição muito menos. Apesar de manter um dos patrocinadores de maior tradição no ciclismo nacional, a estrutura assumiu-se como nova. Edgar Pinto regressou depois de dois anos na Skydive Dubai para assumir a liderança de uma formação que queria lutar por todas as corridas e não centrar-se apenas na Volta a Portugal. César Fonte foi outra contratação de relevo, enquanto João Matias acabou por ser uma das figuras. José Augusto Silva foi outro regresso, mas à função de director desportivo e logo na Volta ao Algarve viu Edgar Pinto terminar em 10º lugar.

Sétimo na Volta ao Alentejo, oitavo na Clássica Aldeias do Xisto e mais tarde foi nono no Troféu Joaquim Agostinho. Edgar Pinto não somou vitórias, mas parecia que se apresentaria bem na Volta a Portugal. César Fonte andou sempre próximo a nível de resultados, mas com a diferença de um triunfo na terceira etapa do Grande Prémio Abimota. Entretanto, o espanhol Antonio Angulo tinha sido a figura da Volta à Bairrada. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack poderia não ser a equipa mais forte, mas era claro que poderia ter dois homens na discussão de um bom resultado na Volta a Portugal.

José Agusto Silva cumpriu a promessa de início de temporada de ter os seus ciclistas a lutar por vitórias em todas as corridas, mas no que diz respeito a mediatismo, é inevitável que a Volta a Portugal tenha sempre uma importância maior. Equipa com exibições consistentes durante o ano, na terceira etapa da Volta deu-se a maior das desilusões. Edgar Pinto sofreu uma aparatosa queda já perto da meta em Bragança, na habitual confusão de quando se prepara um chegada a alta velocidade, ou seja, um sprint. Foi transportado para o hospital e a LA viu-se obrigada a repensar a estratégia. César Fonte chegou-se, naturalmente, à frente para assumir a responsabilidade, mas foi João Matias a estrela inesperada.

Ranking nacional: 6º (962 pontos)
Vitórias: 5
Ciclista com mais triunfos: João Matias e António Angulo (dois cada um)

A classificação da montanha era um possível objectivo para César Fonte, contudo, foi o seu colega que acabou por andar de azul durante seis dias. João Matias tinha estado muito bem nos Mundias de pista, procurava a sua primeira vitória como profissional, mas acabou por ser uma revelação: mostrou qualidades de trepador que não se esperava. Foi aguentando a camisola azul numa luta de sacrifício, mas também de quem estava extremamente motivado, até que na etapa da Serra da Estrela não deu mais. Ainda assim, realizou uma grande Volta e foi uma das figuras da corrida. César Fonte terminou na 15ª posição, não conseguindo entrar no desejado top dez. Já Matias ainda não tinha terminado de dar alegrias à equipa. Nos habituais circuitos de final de temporada, ganhou no Bombarral e na Malveira.

A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tinha confiança que poderia competir com as melhores equipas nacionais. Algumas exibições prometeram, mas ficou a faltar uma grande vitória. Em Edgar Pinto terá ficado alguma frustração, ou pelo menos tristeza de ter trabalhado bem durante o ano para depois terminar a época a recuperar de uma queda.

Poder-se-ia dizer que perante as boas performances e depois da desilusão de ficar sem o líder na Volta a Portugal, a LA poderia partir para 2018 com muita vontade de fazer mais e melhor. No entanto, o projecto chegou ao fim. Apenas um ano de vida. Nasce a Vito-Feirense-BlackJack, enquanto a LA Alumínios poderá apostar numa equipa de formação. Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso transitam para a nova estrutura. Joaquim Andrade será o director desportivo.

Perante a evolução demonstrada este ano, há que seguir com alguma atenção o que fará João Matias. Este ciclista, de 26 anos, já passou pela estrutura da então OFM-Quinta da Lixa, mas 2017 poderá ter sido um ano de transição para começar a ter outro protagonismo. Quanto a Edgar Pinto (32), o corredor deixou claro que quer e tem capacidade para alcançar mais do que um quarto lugar na geral e uma etapa na Volta a Portugal (os seus melhores resultados na Grandíssima).

12 de setembro de 2017

A época do ciclismo nacional chegou ao fim... e soube a pouco

A época chegou ao fim no ciclismo nacional. Já! Estamos em Setembro, com um tempo ainda a convidar tantas pedaladas, mas a nível competitivo, na estrada, a temporada chegou ao fim com o Troféu Concelhio de Oliveira de Azeméis e o Memorial Bruno Neves neste último fim-de-semana, duas provas que até já se deveriam ter realizado, mas foram adiadas para esta altura do ano. Fica a faltar o Festival de Pista de Tavira, mas como o nome bem indica, já não se verá os ciclistas na estrada. O início do ano prometeu, com o pelotão nacional a ser dos melhores dos últimos anos. Os directores desportivos partilhavam essa opinião. Melhores ciclistas, mais potencial para espectáculo. Assim foi, mas... soube a pouco.

Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Fábio Silvestre (Sporting-Tavira) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) regressaram ao pelotão nacional, que também voltou a contar 12 anos depois com Sérgio Paulinho (Efapel), medalha de prata em Atenas 2004 e um dos homens de confiança durante muitos anos de Alberto Contador. Este grupo juntou-se a uma W52-FC Porto ainda mais forte com a integração de Amaro Antunes, apesar da perda de Rafael Reis, a um Sporting-Tavira que desta feita começou a tempo e horas a mexer-se no mercado e foi buscar Joni Brandão (ex-Efapel) e Alejandro Marque (ex-LA Alumínios-Antarte). Também houve uma Rádio Popular-Boavista que foi buscar Filipe Cardoso à Efapel e João Benta ao Louletano-Hospital de Loulé, tendo perdido César Fonte para a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Ou seja, muitas mexidas que permitiram equilibrar um pouco melhor as forças no pelotão, com a equipa de Nuno Ribeiro a demonstrar durante a temporada ser ainda claramente superior.

Quanto a competições, o calendário português continua a ter problemas. Falta dinheiro e patrocínios, já se sabe, pelo que organizar corridas não é fácil. Logo no início do ano, por exemplo, foi cancelada a corrida em Vila Nova de Cacela, Algarve, e as duas que agora fecharam a temporada foram adiadas. Houve dúvidas sobre a sua realização, mas acabaram por ir para a estrada. O início do ano até foi algo intenso, mas houve paragens que sempre quebram o ritmo competitivo. As equipas portuguesas tentam gerir os curtos orçamentos para de vez em quando ir a Espanha. A W52-FC Porto até apostou bem forte nestas corridas e com bons resultados, tanto por parte de Amaro Antunes, como de Raúl Alarcón, que venceu a Volta às Astúrias e foi segundo na de Madrid.

No entanto, não é fácil para a maioria das seis formações de elite ir muito lá fora, tentando assim suprimir a falta de corridas por cá. Mas regressando às provas portuguesas. Podem ser poucas, mas há corridas com grande potencial. A Volta ao Algarve já está mais do que confirmada como tal, pertencendo ao segundo escalão mundial, contudo, há que olhar com atenção para as clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto. Percursos muito interessantes, a proporcionar espectáculo, com potencial para chamar ciclistas de outro nível. E claro que há que destacar a vertente visual que o ciclismo tanto ajuda a "vender": que bonitas paisagens! A nossa grande corrida, a Volta a Portugal, acabou por ficar um pouco aquém. A culpa não é da W52-FC Porto dominar, o percurso acabou por criar pouco entusiasmo e isso nota-se nas bermas da estrada despedidas de público, mesmo na Senhora da Graça (que se quer ao fim-de-semana e não a uma terça-feira). Na Torre foi uma desilusão e foi uma etapa para recordar.

Nos 90 anos da Volta, a RTP foi recordando alguns grandes momentos da corrida. Nessas imagens via-se precisamente como as pessoas procuravam todos os cantos, todas as pedras para ver os ciclistas passar na Torre e na Senhora da Graça, por exemplo. Os tempos são outros, é certo. O ciclismo português não tem a fama junto da população de outrora, ainda assim, é triste ver como a Volta a Portugal atrai tão pouco público, tão pouco interesse (excluindo os brindes dos patrocinadores, sempre muito procurados).

Talvez seja por aqui que seja necessário começar. Com a Volta ao Algarve consolidada e com algumas corridas de um dia a irem crescendo aos poucos, é na Volta a Portugal que se quer mais. Para tal é preciso apostar de uma diferente forma, tentar subir novamente o escalão e assim atrair outro tipo de equipas, que não algumas que por cá acabam com um ou dois ciclistas e que nem numa fuga quase tentam entrar. Começar por chamar equipas do nível Profissional Continental seria algo interessante, mas subir de escalão poderá ser essencial. Este ano, só a Israel Cycling Academy cá veio e até venceu a classificação da juventude.

Este ano foi aberto o concurso para a organização das próximas edições da Volta a Portugal, nas linhas definidas pela Federação Portuguesa de Ciclismo, é fácil perceber que é precisamente a subida de nível da corrida que se pretende, mesmo que não de imediato. A Volta é organizada pela Podium, tendo como director o antigo ciclista Joaquim Gomes, e vai continuar a ser até 2025. Foi a única candidatura apresentada.

A Volta teve o seu espectáculo. Disso não há dúvida, mas lá está... soube a pouco. O nosso pelotão foi de qualidade em 2017 e estava preparado para outro desafio mais intenso numa corrida que continua a ser vista como a mais importante para as equipas nacionais. Aqui ainda não falámos do Louletano-Hospital de Loulé, mas apesar de mais discreta nas contratações, a formação apostou na continuidade com Vicente García de Mateos e o espanhol retribui com excelentes resultados, inclusivamente o pódio na Volta a Portugal. A equipa algarvia também foi uma das que mais animou algumas corridas.

Talvez seja querer de mais. Porém, com um pelotão como este gostar-se-ia de ter visto mais corridas e quando foi possível ver uma na televisão (a Volta a Portugal), teria sido excelente se o percurso puxasse um pouco mais pelos ciclistas de qualidade que lá estavam. Das equipas estrangeiras que cá estiveram, alguns dos seus responsáveis não tinham dúvidas que as portuguesas eram de um nível elevado, até colocaram algumas como de nível Profissional Continental e não só a W52-FC Porto.

Quanto ao pós-Volta, não varia mal uma dinamização dos tradicionais circuitos. Marcados por um espírito de descontracção, é uma festa de ciclismo muito particular, mas que em certos sítios parece que vai caindo no esquecimento, até da população local que tem ali uma oportunidade de conviver de uma forma muito próxima com os ciclistas.

Aos poucos o ciclismo português vai renascendo. Não bem das cinzas, mas quase, depois de anos em que o dinheiro escasseou e foi um martírio manter as equipas na estrada. Alguns patrocinadores não perderam a esperança e ainda hoje se vão mantendo, agora com uma projecção outra vez um pouco maior e que merecia ser mais dado os ciclistas que representam as formações nacionais.

O ciclismo português tem qualidade, tem pessoas de muita dedicação e profissionalismo que continuam a dedicar-se seja à elite, seja aos escalões de formação que tantas dificuldades continuam a atravessar, mas resistem. De salientar que os sub-23 competem quase o ano todo com a elite, ajudando a compor o pelotão. E de vez em quando aparecem nas discussão das corridas, que o diga Francisco Campos, do Miranda Mortágua.

O ciclismo português merece mais atenção de todos (media, público...). Os ciclistas que vamos vendo dar o salto para equipas do World Tour, ou para o escalão Profissional Continental começaram por cá, evoluíram cá o suficiente para atrair as atenções de grandes equipas. Portugal não é o World Tour (ainda que temos uma Volta ao Algarve que nos permita viver um pouco esse ambiente), mas se o crescimento continuar em 2018, aos poucos vamos tendo mais e, principalmente melhores corridas. Não é um mar de rosas, mas não é preciso tanto pessimismo. Há muito a corrigir e a melhorar, mas já se vão fazendo coisas bem feitas e é a partir daí que se deve continuar o trabalho. Estaremos aqui para acompanhar, na esperança que para o ano não saiba a pouco!

E como derradeira referência, os dois últimos vencedores do ano foram Domingos Gonçalves, que conquistou o Troféu Concelhio de Oliveira de Azeméis, e Mario González (Sporting-Tavira), vencedor do Memorial Bruno Neves. Tudo acabará a 5 de Outubro, no Festival de Pista de Tavira.


26 de julho de 2017

"É um sonho de criança que estou a cumprir"

Há anos que marcam uma carreira e 2017 certamente que será um que João Matias não irá esquecer. O ciclista soube dar um passo atrás na carreira para conseguir dar dois à frente. Primeiro apareceu em grande na pista, com uma exibição fenomenal nos Mundiais, agora vai estrear-se na Volta a Portugal aos 26 anos. Entusiasmado, motivado e muito feliz. João Matias vive um bom momento na carreira e só pensa em desfrutar de todos os momentos que irá viver na Volta. Se houver uma oportunidade para se mostrar, ainda melhor, se não for possível, quer ser a melhor ajuda para concretizar os objectivos da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e que se centram bastante em ter Edgar Pinto a lutar pela geral.

"É um sonho de criança que estou a cumprir. Para já tem sido fácil [gerir as emoções] e tenho treinado e dormido bem. Não é algo que me tire o sono. Mas se calhar, quando chegar o dia antes [da Volta a Portugal começar]... Mas também não é algo que me assuste muito", salientou João Matias ao Volta ao Ciclismo. Admitiu que é natural que surja alguma ansiedade, mas que não será algo que o irá influenciar negativamente: "O importante é desfrutar da Volta." A família e amigos vão apoiá-lo nesta sua primeira presença na principal competição de ciclismo para o pelotão português, algo que o deixa ainda mais feliz.

Sem que exista já uma táctica delineada, João Matias falou como a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tem "um líder sólido", Edgar Pinto, que este ano regressou a Portugal depois de dois anos na Skydive Dubai. Em primeiro lugar estará sempre o apoio ao líder. "Depois não sei. Gostava de tentar estar na disputa de uma ou outra etapa ao sprint e de tentar estar em alguma fuga", afirmou. Por enquanto ainda espera por saber as suas funções para a Volta a Portugal (de 4 a 15 de Agosto), esperando então ter alguma liberdade, se for possível, em alguma etapa.


"Dei um passo atrás e fui para a Froiz. Acabou por ser um ano positivo e felizmente passei novamente a profissional com a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Estou muito grato pela oportunidade"

Certo é que quando partir em Lisboa, João Matias será um ciclista muito motivado. Recentemente esteve no contra-relógio nos Nacionais e a melhoria foi notória comparativamente com o ano passado. Ainda assim, o prólogo da Volta não é algo que aponte a uma vitória, mas quer começar bem a corrida. "Não levo grande ambição para o prólogo, mas gostava de fazer um bom tempo e tentar estar entre os 15/20 primeiros. Seria um excelente resultado", referiu.

Recuando a esse contra-relógio nos Nacionais, João Matias demonstrou como tem trabalhado intensamente nessa vertente, confessando que cada vez gosta mais dela. "Em 2016 perdi 5:23 para o Nelson Oliveira e este ano fiquei a 1:55 de Domingos Gonçalves [o campeão nacional] e isso dá-me alento para o futuro. Tenho feito contra-relógios desde a Volta ao Algarve e tenho estado a evoluir", contou. A pista tem tido o seu papel nesta evolução. Aliás, uma das razões que levou João Matias a começar o ano muito forte, foi o facto de logo em Dezembro ter-se aplicado no treino de pista.

Este trabalho levou Gabriel Mendes a seleccioná-lo para os Mundiais em Abril. Com os Jogos Olímpicos em mente, um dos objectivos era somar pontos para tentar começar a garantir a presença portuguesa em Tóquio2020, com o top dez nas provas a ser um desejo. Porém, João Matias quase provocou uma explosão de alegria inesperada. Esteve a volta e meia de algo inédito na prova de scratch. Durante algumas voltas esteve isolado na frente e por minutos sonhou-se com a medalha. O "quase" não traz glória, mas aquela exibição do ciclista foi brilhante. Não deu medalhas, mas deu uma certeza que Matias é mais um atleta para se contar para as grandes provas de pista.

"Estamos aqui a falar e fico com pele de galinha só de pensar nisso. São momentos que me deixam muito feliz e é uma modalidade que tenho trabalhado. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack dá-me liberdade para fazer esse trabalho", explicou. E confiança não lhe falta: "Sinceramente, é uma especialidade que acho que com um pouco de treino consigo estar a bater-me com os melhores do mundo." E de facto esteve mesmo!

João Matias recordou o discurso de Gabriel Mendes antes da corrida.  "Ele disse-me: 'Tu estás aqui, estás a representar Portugal, tens a tua oportunidade, tens de fazer o teu melhor. Mas não te esqueças que podes ganhar como os outros.' Disse-me ainda que tinha de estar bem colocado nas últimas voltas e se a corrida parasse, para arrancar, para arriscar. Foi o que fiz." Palavras que não esquece e que considera terem sido as que precisava mesmo de ouvir.

Estar presente nos Jogos Olímpicos seria mais um grande momento para João Matias, mas o ciclista assegurou que está concentrado em tentar ajudar à qualificação de ciclistas portugueses para Tóquio2020. Frisou que ficará feliz se for um dos escolhidos para lá estar, contudo, se não estiver, também não será algo que o irá abater.

João Matias começou a sua carreira profissional na estrutura da OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto, antes de ir até Espanha: "Depois de três anos como profissional e de muitos altos e baixos, dei um passo atrás e fui para a Froiz. Mais vale dar um passo atrás e depois tentar dar dois à frente. Acabou por ser um ano positivo e felizmente passei novamente a profissional com a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Estou muito grato com a oportunidade que me estão a dar."

Agora é o momento de se concentrar na Volta a Portugal, na qual a exposição mediática será muito diferente ao que tem experimentado. No entanto, está preparado para se mostrar ao melhor nível.



26 de junho de 2017

Volta a Portugal: a opinião dos directores desportivos e não só

Conhecido o percurso da Volta a Portugal entrou-se em contagem decrescente para o início da corrida, a 4 de Agosto em Lisboa. A preparação dos ciclistas começou há muito, mas agora será mais específica, a pensar nos pormenores que podem ser decisivos nos 11 dias de competição. O que pensam os directores desportivos das equipas portuguesas da 79ª edição? O Volta ao Ciclismo falou com os seis e ainda com Sérgio Paulinho, ciclista presente na apresentação desta segunda-feira, e também com Joaquim Gomes, o director da Volta a Portugal.

Aqui ficam as declarações em discurso directo:

Américo Silva (Efapel): "É um percurso que não difere muito do da Volta do ano passado. Eventualmente é um pouco mais fácil. A etapa da Serra da Estrela, que é a que faz as grandes diferenças entre os principais favoritos, como era de prever no ano passado não o fez e este ano ao subir só uma vez, a situação irá repetir-se. Mas logicamente subir só uma vez a Serra da Estrela é só por si já um factor de uma Volta a Portugal menos dura, tendo em conta que só temos duas etapas míticas: a Serra da Estrela e a Senhora da Graça. Gosto do percurso para o Sérgio Paulino. A época está a correr-nos bem, muito embora sem demasiada visibilidade, mas penso que estamos num bom caminho para estarmos a disputar a Volta a Portugal com o Sérgio. Até mesmo por isso [apenas uma passagem na Torre] é uma Volta que se adapta às características dele. Estou muito confiante."

José Augusto Silva (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack): "O percurso tem algumas partes que serão mais complicadas para as equipas, mas não tem a chegada mítica ao alto da Serra da Estrela. Depois, a mudança de dia da Senhora da Graça... Acho que a nível de adeptos de ciclismo é um pouco prejudicial. Apesar de ser um mês em que está muita gente de férias, há outros que estão a trabalhar e acho que poderia ter muito mais gente se fosse no fim-de-semana como era até aqui. Fora disso, não é por isso que vai faltar luta e considero que vai haver o suspense normal até ao final da Volta por causa do contra-relógio final. Em princípio até é mais acessível aos que não são contra-relogistas por não ser tão longo, mas acho que vai haver suspense até final. Se calhar a chegada ao alto da Torre seria preferível [para o Edgar Pinto]. Mas haverá outras situações que nos serão favoráveis. Temos de nos adaptar ao percurso."

Jorge Piedade (Louletano-Hospital de Loulé): "O percurso não foge muito aos dos outros anos. Poderá ter uma etapa ou outra mais dura, como a etapa de Fafe, que vai passar o Viso. De resto, penso que as decisões da Volta serão tomadas nos palcos onde todos os anos se fazem: na passagem pela Torre e chegada à Guarda, contra-relógio e na Senhora da Graça. A etapa de Santo Tirso também poderá fazer algumas diferenças. Logicamente que serão os pontos chaves da Volta a Portugal. Penso que as diferenças que seriam ser feitas na Torre ou na chegada à Guarda serão idênticas. A fase da etapa depois da Torre é muito dura, com a chegada de terceira categoria no final e acaba por fazer diferenças como se a chegada fosse na Serra da Estrela. O ano passado provou-se isso."

José Santos (Rádio Popular-Boavista): "Penso que é um percurso que não foge muito ao que é tradição das provas da Podium [organizador da Volta a Portugal]: os contra-relógios, não tem a chegada na Torre... Tem a subida do Viso, uma nova, que pode tornar as coisas mais difíceis. É um percurso que não foge muito ao que tem sido tradição na Volta a Portugal nos últimos anos. Vamos tentar ganhar uma etapa e discutir a geral. Vamos ver com quem. A equipa é muito homogénea e tem três ou quatro ciclistas que podem estar bem: o João Benta, o Domingos Gonçalves, não sei como vai ser o comportamento do Egor Silin. Nunca estarei satisfeito [com o percurso] porque uma prova deste género com dois contra-relógios não se justifica."

Vidal Fitas (Sporting-Tavira): "Os pontos que fazem a diferença são basicamente os mesmos todos os anos: o contra-relógio - mais ou menos plano -, há-de ser a etapa da Serra da Estrela e Senhora da Graça e depois há sempre mais uma ou outra que aparece todos os anos. Este ano, talvez a subida à Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso, mas não acredito que seja significativa para apurar o vencedor da Volta. Não tem muitas novidades ao que o percurso costuma ser. No ano passado a Volta teve um vencedor diferente dos prognósticos porque foi algo proporcionado pelo percurso e este ano poderá acontecer a mesma coisa. Foi uma situação excepcional, que poderá repetir-se. Não conseguimos adivinhar, mas a corrida deverá ser decidida nos pontos habituais. [Não acabar da Torre] no ano passado beneficiava o Alejandro [Marque] e ele ficou no segundo grupo dos seis minutos, o Rinaldo [Nocentini] apanhou 20... A etapa é relativamente igual e ela faz diferença dependendo como a subida é feita e a parte final também é selectiva. Irá depender de como as equipas irão abordar, se atacam ou não. O que é de realçar é essa etapa estar no penúltimo dia da Volta. Independentemente de não terminar lá em cima, já serão dez dias de corrida e torna-se uma etapa complicada. Marcará diferenças de certeza absoluta."

Nuno Ribeiro (W52-FC Porto): "É um bom percurso. Será duro. Poderia ter uma chegada à Torre. Temos uma equipa forte que vai estar na luta e estamos a trabalhar nesse sentido."

Sérgio Paulinho (Efapel): "Gostei do percurso. É idêntico ao que tem sido nos últimos anos, principalmente do ano passado. Vai ser uma Volta muito dura. A única etapa que poderá ser mais tranquila será a que tem chegada a Setúbal (a segunda). A partir daí serão etapas muito exigentes a nível de temperaturas, percurso... Vai ser uma Volta muito, muito exigente. Para mim acho que assenta bem. Não tendo a chegada à Torre acaba por me favorecer um pouco mais e o contra-relógio. Iremos tentar vencer a Volta. Estou a ganhar confiança e a preparação está a correr bastante bem."

Joaquim Gomes (director da Volta a Portugal): "Eu divido esta Volta em três partes. Uma primeira parte vai ter o prólogo em Lisboa, a etapa mais longa que vai recuperar o Alentejo e termina em Castelo Branco com mais de 200 quilómetros, a Beira Alta e Trás-os-Montes, percursos sempre muito agrestes onde vamos ter a chegada a Bragança, a Senhora da Graça surge logo nos primeiros dias e será o primeiro decisivo. Depois há uma sequência de etapas de transição, daquelas que há primeira impressão se pode pensar que não são muito importantes, mas têm um índice de dificuldade tão acima da média, que de um momento para o outro, perante um desfalecimento de um protagonista, podem virar a classificação. Refiro-me na chegada à Viana de Castelo, a Fafe e a etapa rainha da Volta, com chegada à Guarda e passagem na Serra da Estrela, na vertente Sabugueiro-Torre. O final dessa etapa é muito difícil. Se restar força a alguém, temos os 20 quilómetros de Viseu exigentes física e animicamente, porque os segundos serão fundamentais. Acho que juntá-mos os ingredientes que podem fazer desta Volta um grande sucesso. Todos os anos a Volta a Portugal é exigente e o principal apelo que se faz aos ciclistas é a capacidade de recuperação. Só um lote de 15/20 corredores dos 160 têm capacidade para lutar pela discussão da geral. Depois há os que têm capacidade para lutar nos sprints, ou entrar nas fugas. Ou seja, todos terão a sua oportunidade.

Veja aqui as etapas da 79ª edição da Volta a Portugal.

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22 de maio de 2017

Prólogo nocturno para começar um inovador Grande Prémio Jornal de Notícias

Numa altura em que muito se fala em inovar no ciclismo e com a Hammer Series a estar na frente dessas mudanças, sendo uma corrida para se conhecer a melhor equipa e não em prol da glória individual, em Portugal o Grande Prémio Jornal de Notícias traz alterações surpreendentes e que geram muito interesse. E tudo começa esta quarta-feira com um prólogo nocturno por equipas em Viseu. Serão 5,9 quilómetros, com o início marcado para as 21:00.

Mas há mais diferenças. O segundo dia será um mais tradicional, com a ligação de 138,1 quilómetros entre Ovar e Maia a ter uma chegada prevista ao sprint. Já no terceiro dia haverá jornada dupla. Às 9:30 o pelotão partirá da Maia, com a meta instalada no alto de Santa Luzia, Viana do Castelo. Será o momento dos trepadores se mostrarem, mas há que pensar que às 17:00 começará o contra-relógio individual de 6,7 quilómetros entre entre Barcelos e o alto da Fanqueira, com os últimos três a serem sempre a subir. As jornadas duplas não são inéditas, mas são raras. E para terminar, no domingo, os 130 quilómetros em Valongo serão com muito sobe e desce.

O perfil das etapas irá potencialmente beneficiar alguma indefinição quanto ao vencedor. Em 2016, Rafael Reis foi o mais forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. O então ciclista da W52-FC Porto confirmava assim a grande temporada que estava a realizar e que no final lhe valeram o número um do ranking nacional e uma transferência para a formação espanhola Profissional Continental, Caja Rural. Este ano, Rafael Reis não estará presente.

Além das equipas de elite e de clube portuguesas, irão participar na 27ª edição da corrida as espanholas Cortizo e Escribano Sport Team, além da já habitual Team Bolivia, que muito tem andado pelas estradas nacionais e que conta com Nuno Meireles no seu plantel.

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18 de maio de 2017

Equipas portuguesas em Espanha antes do Grande Prémio Jornal de Notícias

Sérgio Paulinho (à esquerda) é uma das principais figuras da Volta a Castela e Leão
Na quarta-feira começa uma das mais importantes competições portuguesas, o Grande Prémio Jornal de Notícias, mas entre sexta-feira e domingo regressam a Espanha para a Volta a Castela e Leão. Só o Louletano-Hospital de Loulé não estará presente, mas desta vez a Efapel irá competir além fronteiras, sendo a formação mais "caseira" em 2017. A W52-FC Porto deu descanso aos seus líderes, mas as restantes equipas levaram algumas das suas principais figuras, procurando um bom resultado numa corrida que contará com a Movistar, do World Tour, e com as Profissionais Continentais Direct Energie, Androni Giocattoli e Caja Rural.

Sérgio Paulinho é um dos principais nomes presentes. A sua vasta experiência ao mais alto nível coloca-o em destaque na Volta a Castela e Leão, agora como líder da Efapel. A cerca de dois meses e meio da Volta a Portugal, Sérgio Paulinho começará a ser seguido com maior atenção, tendo em conta o seu objectivo de vencer a principal competição nacional, depois de anos como gregário de luxo no World Tour. Daniel Mestre, Rafael Silva, Henrique Casimiro, Bruno Silva, Jesus del Pino, Álvaro Trueba e o colombiano Mateo Garcia completam a equipa. "“Esta é uma corrida que normalmente se decide entre os puros trepadores. Nós temos ciclistas que sobem bem, mas não temos puros trepadores. Não temos muita noção daquilo que podemos fazer. De qualquer forma, não deixamos de lado a nossa ambição. Vamos tentar disputar uma etapa. O Rafael [Silva] está a chegar ao seu melhor momento. Também podemos contar com o Daniel [Mestre]. Queremos sempre ser protagonistas", salientou o director desportivo, Américo Silva, citado pela equipa.

A Rádio Popular-Boavista também apresenta uma equipa interessante, liderada pelo russo Egor Silin. Domingos Gonçalves, Filipe Cardoso, Luís Gomes, Xuban Errasquin, Victor Etxebarria, Pablo Guerrero e Daniel Sanchez vão procurar um bom resultado. "Tenho corrido muito, mas vamos planear um descanso depois do JN. Por mim, prefiro correr a ficar em casa a treinar, pois tenho mais vantagens", disse Domingos Gonçalves, numa declaração divulgada no Facebook da equipa. Na página lê-se ainda que os ciclistas não vão encontrar temperaturas simpáticas: "Muito vento e frio, daquele que cura as carnes, era o cenário principal quando chegámos a Aguilar de Campoo, uma pequena vila/aldeia, tornada famosa no ciclismo espanhol, pelo antigo ciclista Alberto Fernandez."

Na lista de inscritos o Sporting-Tavira aparece apenas com sete ciclistas, mas entre eles estão Rinaldo Nocentini - que está a realizar uma excelente temporada -, Joni Brandão, Frederico Figueiredo, Jesus Ezquerra, Mario Gonzalez, Luís Fernandes e David Livramento.

Também a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a W52-FC Porto aparecem em versão reduzida. A primeira irá apresentar-se na Volta a Castela e Leão com Hugo Sancho, César Fonte, João Matias, Antonio Angulo, Samuel Blanco, Luís Afonso e o francês Guillaume de Almeida. Sem os habituais líderes, a W52-FC Porto dará a oportunidade a outros ciclistas de se mostrarem, como é o caso de António Carvalho. O português terá a seu lado Joaquim Silva, Daniel Freitas, João Rodrigues, Ignacio Perez, Angel Rebollido e Jacobo Ucha. A equipa de Nuno Ribeiro esteve recentemente muito bem em Espanha, com Raul Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid.

Haverá outros portugueses em prova além dos que representam as equipas nacionais. Nuno Bico estará ao serviço da Movistar, enquanto Rafael Reis foi chamado pela Caja Rural. Veja aqui a lista de inscritos.

Aqui ficam as etapas:

Aguilar de Campoo - Santibañez de la Peña, 168 quilómetros (sexta-feira)


Velilla del Río Carrión - Sabero-Alto de la Camperona, 166,4 quilómetros (sábado)


14 de maio de 2017

Etapa anulada e a Taça de Portugal fica à espera de conhecer o vencedor

Daniel Mestre estava bem encaminhado para ser o vencedor da Taça de Portugal
(Fotografia: Efapel)
Situação insólita no Grande Prémio do Dão. A segunda e última etapa da corrida que iria definir o vencedor da Taça de Portugal acabou por ser anulada uns quilómetros antes do ciclistas terminarem a tirada, que tinha um circuito final em Viseu. As classificações ficaram suspensas e aguarda-se agora pela decisão da Federação Portuguesa de Ciclismo.

O organismo publicou um comunicado que aqui se transcreve: 

"A segunda etapa do Grande Prémio do Dão foi anulada, devido a problemas após a transição da responsabilidade de policiamento da GNR para a PSP, no circuito urbano de Viseu. 

Aos problemas de segurança decorrentes da obrigatoriedade de transição das responsabilidades de policiamento, juntou-se um engano no percurso, levando os ciclistas a parar antes de cruzarem a meta pela última vez. 

Na sequência destes factos, a organização, em conjunto com o colégio de comissários, decidiu anular a segunda e última etapa da competição. 

A Direcção da Federação Portuguesa de Ciclismo vai aguardar pelo relatório do Presidente do Colégio de Comissários, decidindo posteriormente as medidas a tomar relativamente à homologação dos resultados da corrida, ao desfecho da Taça de Portugal e a outras acções que entenda convenientes e adequadas a este caso e à prevenção de futuras situações semelhantes."

Antes do início da corrida no sábado, Antonio Angulo, espanhol da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, liderava a Taça de Portugal, seguido de perto por Daniel Mestre (Efapel) e Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista). Porém, no contra-relógio de 19,5 quilómetros em Nelas, Mestre foi o segundo mais rápido e Gonçalves o terceiro. Angulo fez apenas o 26º tempo, o que deixou o ciclista da Efapel numa boa posição para tentar conquistar o troféu, ainda que o corredor da Rádio Popular-Boavista a colocar pressão.

Alejandro Marque (Sporting-Tavira) ganhou o contra-relógio, deixando Daniel Mestre a 47 segundos, vantagem que o deixava mais confortável para se sagrar o vencedor do Grande Prémio do Dão.

Nos sub-23, o jovem espanhol da Rádio Popular-Boavista, Xuban Errazquin, foi apenas 20º e com o segundo lugar, Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros/Carglass) estava numa boa posição para lutar pela conquista da Taça de Portugal.

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12 de maio de 2017

Dão recebe fim-de-semana de decisões na Taça de Portugal

Depois de várias semanas com menos competições, o calendário nacional como que entra na fase de preparação para a Volta a Portugal, com as corridas a realizarem-se mais sucessivamente a partir de agora. E para arrancar a fase mais activa do ciclismo nacional teremos a decisão da Taça de Portugal, com o Grande Prémio do Dão este fim-de-semana. Após duas corridas - Volta à Bairrada e Grande Prémio de Mortágua - está tudo em aberto, com Antonio Angulo da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack na liderança, mas seguido de perto por Daniel Mestre (Efapel) e Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista). Nos sub-23 Xuban Errazquin (Rádio Popular-Boavista) está um pouco mais confortável, contudo, não pode facilitar.

O Grande Prémio do Dão arranca este sábado com um contra-relógio individual de 19,5 quilómetros, com partida e chegada em Nelas, a partir das 16:00. No domingo, o pelotão arranca em Penalva do Castelo para os 152,4 quilómetros decisivos, com o vencedor da Taça de Portugal a ser coroado em Viseu. O vencedor da corrida receberá 100 pontos. Angulo tem 23 de vantagem sobre Daniel Mestre e Domingos Gonçalves tem 47 para recuperar. Para a Efapel será a oportunidade de abrir a contagem de vitórias este ano. Depois de nas últimas temporadas ter sido das equipas que mais ganhou, a par da W52-FC Porto, a formação de Américo Silva ainda não encontrou o caminho dos triunfos em 2017.

Este trio é favorito para discutir a Taça de Portugal, mas matematicamente não se pode excluir ainda homens como Samuel Caldeira e Ricardo Mestre (W52-FC Porto) e David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista), que em Mortágua conquistou a sua primeira vitória como profissional. O terreno algo acidentado da etapa de domingo torna algo imprevisível o resultado final. Pode consultar aqui o ranking da Taça de Portugal.

Nos sub-23, os ciclistas da Liberty Seguros/Carglass David Ribeiro e Venceslau Fernandes têm de recuperar 47 e 50 pontos, respectivamente, para bater Errazquin.

A região centro do país irá também receber mais uma competição da Taça de Portugal, mas de Cross Country Olímpico (XCO). Fundão será o palco da corrida de categoria 2 da UCI e que contará com 300 atletas. As provas dos difrentes escalões começam às 9:00 no Parque do Convento, na Serra da Gardunha. A elite arranca às 14:30.

Na Taça do Mundo de Paraciclismo, Luís Costa iniciou esta sexta-feira a competição na classe H5, com as expectativas a serem grandes, depois do segundo lugar em 2016.  Este fim-de-semana, o português compete em Itália e na próxima semana na Bélgica. De recordar que Luís Costa foi oitavo nos últimos Jogos Paralímpicos. No contra-relógio de hoje (24 quilómetros), Luís Costa foi quinto, com mais 2:38 minutos que o homem mais rápido Tim Vries.

Outro português também está em Maniago (Itália), mas a título individual. Carlos Santos foi 19º, registando o pior tempo do contra-relógio da classe C5.

Daniel Reis começa a preparar os Europeus e os Mundiais
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)

Para terminar temos as senhoras, ainda que a corrida seja apenas na terça-feira. A selecção nacional estará no País Basco, para competir na clássica Durango-Durango. Gabriel Mendes convocou Daniela Reis (Lares-Waowdeals), Celina Carpinteiro e Liliana Jesus (5Quintas/Município de Albufeira), a sub-23 de primeiro ano Soraia Silva (Bairrada) e as juniores Maria Martins (Bairrada) e Marta Branco (Maiatos/Reabnorte).

Esta é uma clássica que já conta com grandes nomes como vencedoras - Marianne Vos e Emma Johansson, por exemplo -, tendo um percurso de 113 quilómetros com muito sobe e desce. “É uma corrida importante em termos formativos para as corredoras mais jovens e também será um elemento importante na preparação da Daniela Reis para os objectivos futuros ao serviço da selecção, como é o caso do Europeu e do Mundial”, referiu o seleccionador, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.


23 de abril de 2017

Antonio Angulo vence Volta à Bairrada e assume liderança da Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na estreia de uma corrida por etapas na Taça de Portugal, o mais forte foi o espanhol da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, Antonio Angulo. Depois de Edgar Pinto ter estado bem no arranque da temporada, com bons resultados na Volta ao Algarve e Alentejo e nas clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto, a primeira vitória do projecto liderado por José Augusto Silva chega pelo jovem espanhol. Aliás, um duplo triunfo, já que Angulo venceu a segunda etapa da Volta à Bairrada - 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada e a classificação geral. É também líder da Taça a Portugal, que terá a sua segunda ronda já na terça-feira, com o Grande Prémio de Mortágua.

“A ideia era discutir a Volta à Bairrada com o César Fonte. Mas vi-me na frente numa corrida louca, alcançando uma vitória há muito ambicionada”, admitiu Antonio Angulo, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Jesús Ezquerra tinha vencido a primeira etapa, no sábado, mas o Sporting-Tavira não conseguiu defender a liderança, com os ataques a surgirem muito cedo nos 170,3 quilómetros entre o Luso e a Pampilhosa do Botão. O grupo de 13 ciclistas que se formou na frente conseguiu fazer vingar a fuga. Daniel Mestre (Efapel) e Samuel Caldeira (W52-FC Porto) tinham algum favoritismo para o final. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) foi o primeiro a tentar atacar, mas não conseguiu manter a diferença até à meta. Já Antonio Angulo teve sorte diferente e bateu por pouco Mestre e Caldeira.

Na classificação geral, Angulo deixou Daniel Mestre a oito segundos e Xuban Errazquin a 11. O espanhol da Rádio Popular-Boavista foi o melhor sub-23. Após esta primeira prova, a Taça de Portugal tem Angulo na frente com 100 pontos, mais 13 de Daniel Mestre e 20 que Errazquin.

O Grande Prémio de Mortágua, corrida que este ano aparece mais cedo no calendário, pois era habitual realizar-se no Verão, realiza-se na terça-feira, 25 de Abril. Serão 144 quilómetros algo "acidentados", com partida (12:00) e chegada na Avenida dos Bombeiros Voluntários.


(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O programa da corrida na Bairrada incluiu ainda a primeira etapa da Taça de Portugal de paraciclismo. Participaram 16 ciclistas, com os da classe D (deficientes auditivos, com menor condicionamento físico) a destacarem-se. João Marques (Academia Joaquim Agostinho/UDO) foi o vencedor, seguido por Ricardo Gomes (Moreira Congelados/Feira/Bicicletas Andrade). Nas outras classes, a vitória foi para João Monteiro (Mozinho/MTB/Vale da Aldeia/Martos/Hmed), em C4, Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel), em C5, André Sobreiro, em H4, João Pinto, em H3. Em C1, C2 e C3 estiveram apenas um ciclista por classe: Francisco Martins, João Silva e Bernardo Vieira, respectivamente.


(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Pedro Lopes assume liderança da Taça de Portugal de juniores

O pelotão de juniores está este ano marcado pelo equilíbrio. Em 2016, João Almeida impôs algum domínio, mas com o campeão nacional agora no estrangeiro, as primeiras três competições tiveram outros tantos vencedores. Pedro Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) assumiu a liderança da taça depois de no Troféu José Poeira, que se realizou no concelho de Odemira, ter sido o mais regular, com o terceiro lugar no contra-relógio de sábado e o quarto na prova em linha de domingo. As corridas tiveram como vencedores Fábio Costa (CC Barcelos/AFF/Orbea/Onda) e José Sousa (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

Pedro Lopes lidera a Taça de Portugal com 160 pontos, mais cinco que o Pedro Lopes, mas da Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact e 20 que Fábio Costa (CC Barcelos/AFF/Orbea/Onda) e João Dinis (Rádio Popular-Boavista).


(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Enduro BTT de Braga domina em Vouzela

Deixando a estrada, José Borges e Ana Leite venceram este domingo as corridas de elite da primeira prova da Taça de Portugal de Enduro. Ambos pertencem ao Enduro BTT de Braga. José Borges completou as cinco especiais em 24:34 minutos, menos cinco segundos que Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) e 53 que Gonçalo Gaspar (Penacova DH/UD Lorvanense).

Na corrida feminina, Ana Leite teve a concorrência de uma colega de equipa, mas com o tempo de 32:46, menos 24 segundos que Leandra Gomes, venceu e lidera a Taça de Portugal. Margarida Bandeira (Montanha Clube/Louzanpark) fechou o pódio, a 4:25 minutos da vencedora.

Tiago Ladeira (Casa do Povo de Abrunheira) foi o melhor em juniores e Bernardo Tavares (Maiatos/Reabnorte) venceu na categoria de cadetes. Nas de veteranos, as vitórias foram para ao master 30 Lino Correia (Vasconha BTT Vouzela), ao master 40 Vasco Correia (Penacova DH/UD Lorvanense) e ao master 50 José Salgueiro (MCF/XDream/Município de São Brás).  O Vasconha BTT Vouzela venceu por equipas. 

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11 de abril de 2017

Ivo Oliveira e João Matias em Hong Kong a pensar em Tóquio2020: "Vamos à luta!"

João Matias, o seleccionador Gabriel Mendes e Ivo Oliveira
com ambição de obter top dez nas quatro provas em que
os ciclistas estarão presentes (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)

Portugal está representado nos Mundiais de Pista por dois ciclistas: Ivo Oliveira e João Matias. Ambos apontam a classificações de top 10 e querem começar a preparar uma presença nos Jogos Olímpicos de 2020. A aposta no ciclismo de pista está cada vez mais a dar os seus frutos. Depois do sucesso nas camadas jovens, com os gémeos Oliveira em destaque, há um ano, no Mundial de Elite, a selecção nacional apurou-se para duas provas, por intermédio de Ivo Oliveira, em 2017 irá competir em quatro, com ambição e confiança.

“Pretendemos conseguir um bom nível de pontuação, o que passa por alcançar lugares no top 10, uma meta que considero possível nas quatro disciplinas”, afirmou o seleccionador Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. A procura de pontos será importante para o apuramento para a Taça do Mundo na próxima temporada. No entanto, Gabriel Mendes referiu que há "diferentes patamares de objectivos", o que significa que a presença nestes Mundiais também já se traduz no pensamento para os Jogos Olímpicos, Tóquio2020. “No horizonte de qualificação olímpica, a experiência que vamos adquirir no Campeonato do Mundo é muito importante para o futuro. Podemos mesmo dizer que já faz parte do processo de qualificação. Embora os pontos não contem para o ranking de apuramento, que ainda não está aberto, são fundamentais para conseguirmos outras participações internacionais. E, além disso, a presença em Hong Kong dá-nos mais experiência num patamar elevado de competição”, salientou.

Com medalhas em europeus e mundiais nos escalões jovens, Ivo Oliveira (Axeon Hagens Berman) persegue agora o sucesso na elite. Com apenas 20 anos vai participar nos seus segundos Mundiais no principal escalão. Em 2016 competiu em scratch e na corrida por pontos, mas agora mudou para a perseguição individual e omnium. A primeira disciplina é aquela em que tem obtido excelentes resultados, com medalhas como júnior e sub-23, mas é o omnium o principal destaque para o jovem ciclista. “São duas disciplinas muito importantes, mais o omnium, por ser disciplina olímpica. Quero já começar a fazer pontos para garantir a presença na Taça do Mundo, onde começarei a pensar nos Jogos Olímpicos, um objectivo nada fácil, porque só se apuram oito países da Europa", salientou Ivo Oliveira.

Já João Matias faz a sua estreia nestas andanças ao 25 anos, mas motivação claramente não lhe falta: "É o corolário de todo o trabalho desenvolvido ao longo dos anos, a nível pessoal e da própria selecção. Darei o meu melhor para tentar resultados no top 10. Vamos à luta!” O corredor da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack vai competir em scratch e na corrida por pontos.

Os dois ciclistas prepararam estes Mundiais no Centro de Alto Rendimento de Sangalhos e o primeiro a entrar em acção será João Matias, na quinta-feira (scratch) e no dia seguinte fará a corrida por pontos. Na sexta-feira Ivo Oliveira também entrará em acção na pista de Hong Kong, na perseguição individual, sendo que no sábado competirá no omnium.

De referir ainda que Vicente Garcia de Mateos, espanhol do Louletano-Hospital de Loulé que recentemente venceu a Clássica Aldeias do Xisto, estará também na Ásia a representar a sua selecção.

Os Mundiais de Pista decorrem entre esta quarta-feira e domingo (pode ver aqui o calendário) e algumas corridas serão transmitidas no Eurosport. De recordar que o fuso horário em Hong Kong são mais sete horas do que em Portugal Continental.




30 de março de 2017

Equipas portuguesas mostram-se este fim-de-semana em Espanha

Em Portugal, os mais jovens vão estar por Terras de Santa Maria, mas a elite, ou parte dela, vai até Espanha. Com duas semanas de pausa no calendário para as principais equipas nacionais, algumas optaram por fazer uma viagem até ao país vizinho e aproveitar o Grande Prémio Miguel Indurain e a Vuelta Ciclista a La Rioja, ambas as corridas no norte de Espanha. Mas os atletas de BTT também estarão em acção neste país, enquanto o de BMX vai até à Bélgica.

Começando pela estrada. A Rádio Popular-Boavista volta a apostar forte na participação no Grande Prémio Miguel Indurain. Em 2016, Frederico Oliveira - que este ano está no Sporting-Tavira - terminou na 10ª posição, mas a equipa de José Santos tem agora Egor Silin, que está muito motivado para esta competição, pois há um ano finalizou no sétimo lugar, então ao serviço da Katusha. Além do ciclista russo vão estar nas corridas Filipe Cardoso, Domingos Gonçalves, Luís Gomes, David Rodrigues, Victor Etxeberria, Pablo Guerrero e Daniel Sanchez.

Na prova de 186 quilómetros de homenagem ao cinco vezes vencedor da Volta a França, Miguel Indurain, estarão ainda a W52-FC Porto e o Sporting-Tavira. Gustavo Veloso lidera a equipa do Sobrado, que contará ainda com Raúl Alarcón, Daniel Freitas, António Carvalho, Samuel Caldeira, Joaquim Silva, Angel Rebollido e o vencedor da Volta a Portugal em 2016, Rui Vinhas.

A equipa algarvia de Vidal Fitas também vai apresentar uma equipa forte e a atenção irá centrar-se em Rinaldo Nocentini, que está a realizar um sensacional início de temporada. O italiano terá a seu lado Alejandro Marque e Frederico Oliveira (que estará motivado para repetir o brilharete de há um ano), Jesus Ezquerra, Valter Pereira, Fábio Silvestre, Mario González e Luís Fernandes.

O Grande Prémio Miguel Indurain deverá contar com grandes nomes, como Alejandro Valverde (Movistar), Sergio e Sebastián Henao, Michal Kwiatkowski (os três ciclistas da Sky), Jhonatan Restrepo (colombiano que está a começar a mostrar-se a grande nível na Katusha-Alpecin, que contará ainda com Tiago Machado) e Simon Yates (Orica-Scott). Destaque ainda para o veteraníssimo David Rebellin, que aos 45 anos continua a competir, agora na equipa Continental Kuwait-Cartucho.es.

No domingo, na Vuelta Ciclista a La Rioja, juntam-se ao trio de equipas portuguesas o Louletano-Hospital de Loulé e a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Será mais uma oportunidade para Vicente Garcia de Mateos mostrar o seu bom momento na formação algarvia. David de la Fuente, Raúl Garcia, Hélder Ferreira, Oscar Hernandez, Rui Rodrigues, Nuno Almeida e Filipe Silva completam a equipa.

Já na LA, Edgar Pinto mantém-se como o líder, mas atenção a César Fonte. Luís Afonso, João Matias, Hugo Sancho, Zulmiro Magalhães, Samuel Blanco e Antonio Angulo fecham os eleitos para a corrida de 150,5 quilómetros entre Villamediana de Iregua e Logroño. Apenas estarão presentes duas equipas do World Tour: a Movistar e a Orica-Scott.

Por cá teremos então os sub-23 e os juniores na Volta às Terras de Santa Maria. No sábado, a corrida começa às 12:30 com 108,6 quilómetros, entre a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e a freguesia de Riomeão. Domingo haverá emoção a dobrar. Às 9:30 começa o contra-relógio individual de 7,5 quilómetros, em redor do Europarque e às 15:30 arrancam as 12 voltas ao circuito do Castelo da Feira, no total de 79,2 quilómetros, com a meta a ser antecedida pela rampa de empedrado que liga o centro da cidade ao castelo.

Selecções de BTT e BMX em acção

A 19 de Março a selecção de BTT passou por Espanha para conquistar cinco pódios e agora regressa para a corrida de cross country olímpico (XCO) Superprestígio MTB, em Arguedas, Navarra, no domingo. A representar as cores nacionais estarão: na elite, José Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo Frulac) Araújo/Frulact) e Roberto Ferreira (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão), pelos sub-23 Ana Tomás (BTT Seia), Bruno Nunes (Strix Bike Team) e João Rocha (Rodabike/ACRG/Gondomar), pelos juniores Carlos Salgueiro (Maiatos/Reabnorte), Guilherme Mota(Marrazes/Gui/Breijinho/Bike Zone Leiria), Jéssica Costa (ASC/Focus Team/Vila do Conde) e Marta Branco (Maiatos/Reabnorte), e ainda a cadete Daniela Campos (BTT Loulé/BPI/Elevis).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
No BMX, Bruno Cardoso (na fotografia em cima) fará a estreia na categoria de elite nas duas primeiras provas da Taça da Europa, em Zolder, na Bélgica. Em 2016 foi terceiro na categoria challenge. “O Bruno tem de passar por uma fase de adaptação a pistas e corridas de formato olímpico, até porque é muito jovem e é elite de primeiro ano. Gostava que conseguíssemos passar a qualificação para entrar nas eliminatórias”, afirmou o seleccionador Alexandre Almeida, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.