Mostrar mensagens com a etiqueta Bora-Hansgrohe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bora-Hansgrohe. Mostrar todas as mensagens

5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

»»Principais transferências e calendário nacional de 2020««

7 de dezembro de 2019

Uma Bora-Hansgrohe cada vez mais para todo o terreno

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Seria fácil para a Bora-Hansgrohe tentar ficar à sombra do sucesso de Peter Sagan, concentrar-se em proteger a sua estrela quando as coisas não correm de feição e tirar todos os dividendos possíveis de um dos ciclistas mais populares do pelotão e, a nível de marketing, o mais rentável (Mathieu van der Poel vai ser um forte adversário nesse aspecto e não só). Porém, a equipa alemã tem sabido ir além de Sagan e se já na época passada se tinha visto esse crescimento, em 2019 ficou a confirmação que há várias e boas opções para ganhar e, ainda mais importante, em diferentes terrenos.

Talvez por isso mesmo, desta feita, não se comece por Peter Sagan. Continua a ser a grande estrela, mas não é a grande figura em termos de vitórias. Sam Bennett e Pascal Ackermann dividiram nos sprints as atenções. O irlandês estava simplesmente imparável no início de época, a somar muitos triunfos. O alemão também ia picando o ponto, ainda que em menor ritmo. No entanto, a Bora-Hansgrohe cedo fez saber que Ackermann seria a escolha para o Giro, Sagan iria ao Tour e Bennett teria de aguardar pela Vuelta. Sem surpresa, o irlandês não ficou nada satisfeito, mas a sua reacção foi continuar a ganhar. Ackermann chegou a Itália pressionado com os resultados do companheiro, mas reagiu com duas vitórias de etapa, esteve na luta por mais e ainda ficou com a classificação dos pontos.

Bennett foi à Vuelta, venceu também duas tiradas e terminou 2019 com 13 vitórias e duas classificações por pontos. Ackermann somou também 13 triunfos e três classificações por pontos, incluindo na Volta ao Algarve. Com Sagan intocável, não há espaço para tantos sprinters ambiciosos e Bennett está a caminho da Deceuninck-QuickStep, com Ackermann a ter a seu favor adaptar-se bem a certas clássicas e ser alemão, com a equipa a querer cada vez apostar nos ciclistas da casa. Mas há que reiterar, apesar de ter sido preterido no Giro (onde esteve tão bem em 2018, com três etapas ganhas) e no Tour, Bennett foi um profissional exímio, mantendo-se em excelente nível durante todo o ano. Deverá encaixar na perfeição na Deceuninck-QuickStep.

Mudando a atenção para a luta pelas classificações gerais, Rafal Majka foi sexto no Giro e Vuelta e de quando em vez este polaco mostrou a sua qualidade, mas sem a traduzir em grandes vitórias e para a Bora-Hansgrohe tal vai começar a ser insuficiente perante o que se viu de outros três ciclistas.
Ranking: 2º (14192,86 pontos) 
Vitórias: 47 (incluindo duas etapas no Giro e na Vuelta e uma no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Pascal Ackermann e Sam Bennett (13)
Maximilian Schachmann fez o percurso inverso que vai fazer Bennett e no seu primeiro ano na Bora-Hansgrohe continuou a afirmaçãoque já se esperava. É um ciclista com muito potencial, somando top 15 e 10 nas provas por etapas de uma semana. Infelizmente no Tour caiu no contra-relógio e com uma mão partida foi para casa após a 13ª etapa, mas a Bora-Hansgrohe não tem dúvidas que foi uma contratação acertada e acabará por aparecer bem também nas três semanas.

Felix Grobschartner é o outro ciclista que a equipa está a tentar "formar" para as corridas por etapas. Ganhou a Volta à Turquia, foi quarto na Romandia e somou mais top dez, mas desiludiu um pouco na Vuelta. Tem apenas 25 anos e vai continuar a sua evolução.

Mas o ciclista que já faz a Bora-Hansgrohe não só acreditar, mas em pensar em chegar a um pódio no Tour é Emanuel Buchmann. Muitas vezes mal se dá por ele. Não é de grandes loucuras, calculista nas suas análises às corridas, compete a pensar nas suas capacidade e não no que os rivais podem fazer. O resultado foi o quarto lugar na Volta a França, com o pódio a ficar a apenas 25 segundos. Faltou-lhe uma grande vitória e a etapa na Volta ao País Basco soube a pouco. Nessa corrida, começou a última etapa na liderança, mas das poucas vezes em que se viu este ciclista andar ao ataque, pagou caro o esforço. De 54 segundos de vantagem para Ion Izagirre, acabou com 31 a mais e no terceiro lugar.

Buchmann regressou ao seu estilo mais calculista depois dessa exibição e a Bora-Hansgrohe também percebeu que tinha de controlar melhor o esforço de toda a sua equipa, pois forçou tanto nos primeiros dias, que no último ninguém aguentou o ataque da Astana.

São as pequenas lições que uma equipa que chegou ao World Tour em 2017 com Sagan como praticamente a única aposta, a pensar nas clássicas e sprints, e agora mostrou que já tem os ciclistas que fazem os seus responsáveis dizer cada vez mais que querem transformar a Bora-Hansgrohe na melhor equipa do mundo. Parece querer seguir mais os passos de uma Jumbo-Visma, ou seja, apostar nas várias especialidades e não ser tanto como uma Deceuninck-QuickStep ou uma Ineos que optam mais pelas clássicas e grandes voltas, respectivamente.

Porém, para o futuro próximo, a formação alemã começa a dar sinais que as provas por etapas vão tornar-se cada vez mais um ponto forte. Contratou jovens ciclistas, a maioria do apetência para subir. Lennard Kämna (23 anos) deixa a Sunweb para continuar a sua evolução na Bora-Hansgrohe, sendo um ciclista que vai criando alguma expectativa. Da Katusha-Alpecin chega o italiano Matteo Fabbro (24), enquanto Patrick Gamper (22), Ide Schelling (21) vão estrear-se ao mais alto nível. O estónio Martin Laas (26) é o único a fugir à regra, sendo mais forte no sprint.

E Sagan? Talvez se fale pouco dele porque quatro vitórias no ano diz quase tudo sobre a sua temporada. A fase das clássicas não correu bem e até adiou a anunciada estreia na Liège-Bastogne-Liège por não estar bem fisicamente. Não se encontrou com a melhor forma numa das fases da temporada mais importante, mas foi ao Tour conquistar a sétima camisola verde (além de uma etapa). Um recorde, um objectivo de carreira cumprido que até o vai fazer estrear-se no Giro em 2020, sem claro esquecer o Tour, quando se prepara para celebrar o 30 aniversário (26 de Janeiro).

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto««

7 de outubro de 2019

Sagan dá um conselho a Van der Poel

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Se há alguém que sabe bem o que é chegar ao mais alto nível e ter quase de imediato um forte impacto é Peter Sagan. Quando em 2010 se estreou pela Liquigas-Doimo, o eslovaco rapidamente começou a ganhar nos grandes palcos, não demorando a ser visto como um fenómeno e a tornar-se numa estrela. Sagan também sabe o quanto é difícil continuar a ganhar ao mesmo ritmo e cumprir as elevadas expectativas. Por isso, é a pessoa indicada para aconselhar o mais recente fenómeno do ciclismo mundial, Mathieu van der Poel, que nos Mundiais de Yorkshire mostrou que é humano depois de umas exibições de outro mundo!

O holandês de 24 anos só esta época é que se dedicou mais à vertente de estrada - apesar de ter sido campeão nacional em 2018 - e não demorou a exibir-se a grande nível e a obter vitórias incríveis e inesquecíveis. A da Amstel Gold Race ficará para a história e recentemente na Volta à Grã-Bretanha também deixou o pelotão, nas palavras de Matteo Trentin, a parecer uns ciclistas juniores. Porém, depois de parecer que ia a caminho de mais uma performance para recordar nos Mundiais, conseguindo chegar à frente da corrida e confirmando que tinha mesmo tudo para ganhar, quebrou. E que quebra! Acabou a mais de 10 minutos do vencedor, Mads Pedersen.

Sagan conhece a sensação, tanto a de ser o super favorito, como a de ter uma quebra física depois de muito trabalhar. Tantas vezes foi o eslovaco criticado por gastar demasiada energia, que depois lhe faria falta na luta pela vitória, enquanto os seus rivais aproveitavam o seu trabalho. Para Sagan, talvez Van der Poel estivesse "demasiado motivado" em Yorkshire: "Fez a sua aposta e pagou o preço."

Outra parecença entre ambos é o passado de BTT, com o holandês a ser ainda um dos melhores no ciclocrosse. Sagan avisou como tudo é diferente na estrada e deixou então um conselho a Van der Poel: "Há que aprender a usar a cabeça." Sagan até demorou na sua carreira a seguir esta recomendação! Ao Algemeen Dagblab acrescentou: "Há uma grande diferença entre a estrada e o ciclocrosse e BTT. Nos circuitos vamos a fundo durante uma hora. Na estrada falta experiência [a Van der Poel]."

Peter Sagan disse ainda como "no princípio é tudo mais fácil". Ou seja, ninguém sabe do que um ciclista é capaz. "Ganhar uma vez está bem. Depois tens de conseguir a segunda, terceira, quarta... Então é quando começa a ficar complicado", afirmou.

Mais uma vez, Sagan sabe bem do que fala. Aos 29 anos teve uma temporada abaixo das expectativas, com apenas quatro vitórias, mas juntou a sétima camisola verde (pontos) na Volta a França, assim como a classificação dos pontos na Volta à Suíça. Nos Mundiais chegou a admitir que perdeu uma oportunidade para conquistar o seu quarto título. Sagan falhou o momento que o colocaria na frente da corrida: acompanhar Van der Poel quando o holandês atacou no grupo perseguidor.

Aos 24 anos, Van der Poel (Corendon-Circus) tem muitos triunfos por conquistar, mesmo que continue, por agora, a dividir a sua carreira entre as três vertentes. Aliás, o BTT poderá ser o seu objectivo para Tóquio 2020, enquanto Sagan não deverá repetir a presença na modalidade, depois da experiência nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O eslovaco anunciou que não irá participar no evento teste e considera que o percurso não lhe assenta muito bem, devido às muitas subidas. O ciclista da Bora-Hansgrohe afirmou ainda que não terá tempo para se preparar de forma adequada, pelo que fica aberta a porta para ir à prova de estrada.

Enquanto Sagan decide os objectivos para 2020, certo é que na perspectiva de quem gosta de ciclismo, um dos duelos que mais se espera ver no próximo ano é precisamente o de o eslovaco com Mathieu van der Poel. Os dois em forma poderão tornar as clássicas da Primavera ainda mais interessantes.

»»Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido««

»»Um campeão mundial improvável que comprovou 2019 como o ano da nova geração««

3 de outubro de 2019

Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
O ciclismo vive de patrocínios, uma realidade que dificilmente mudará. Raramente se conhecem números de como a modalidade pode influenciar determinado patrocinador que nela investe, mas a Hansgrohe revelou que esta ligação permitiu que a empresa crescesse 30% mais rápido nos mercados que considera chave.

A Hansgrohe juntou-se à Bora em 2017 quando o projecto deu o salto para o World Tour. Foi necessário um bom investimento, com a ajuda da marca de bicicletas da Specialized para garantir a super estrela de então Peter Sagan. O eslovaco rapidamente colocou todos a falar da Bora-Hanshrohe, equipa tem tem sabido crescer além de Sagan. Em 2019 afirmou-se definitivamente como equipa também para as corridas por etapas, de uma e de três semanas. Além disso teve um Sam Bennett avassalador no sprint, com Pascal Ackermann a confirmar credenciais.

A Bora-Hansgrohe tornou-se numa das principais equipas do pelotão internacional - soma 47 vitórias em 2019. "O ciclismo permitiu-nos conectar de forma mais forte com o consumidor final", afirmou ao site espanhol Expansión Luis Montes de Oca, director de marketing da empresa alemã para a Península Ibérica.

O responsável acrescentou que o ciclismo dá uma visibilidade maior, não ficando tão reduzida "a acções concretas". "De momento é um grande suporte à imagem da marca. No ano passado ampliámos o acordo até 2020 e vamos continuar a relação enquanto pudermos", salientou Luis Montes de Oca.

A Hansgrohe aposta nos produtos para casa-de-banho e cozinha e vai utilizando alguns ciclistas em campanhas de marketing. Montes de Oca referiu como a associação à equipa de ciclismo fez a empresa "crescer 30% mais rápido nos mercados chaves". Diz mesmo que na Alemanha o reconhecimento "triplicou nos últimos 12 meses", ao que deve contribuir os corredores germânicos estarem a começar cada vez mais a destacar-se, casos de Ackermann e Emanuel Buchmann, por exemplo. França e Espanha são outros mercados importantes e o responsável afirmou que a Hansgrohe melhorou depois da crise. "Agora estamos em crescimento" assegura.

7 de setembro de 2019

Dois dias em que falhar poderá ser o adeus à luta pela Volta a Espanha

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Estava tudo a correr tão calmamente, como quase todos assim o desejavam, quando um toque entre ciclistas terminou numa queda colectiva. Não ajudou estar-se no momento em que o sprint estava a ser lançado. A velocidade era grande, o susto foi ainda maior para muitos ciclistas e Luka Mezgec (Mitchelton-Scott) foi para o hospital. Tadej Pogacar foi dos ciclistas a cair completamente desamparado, mas no final da etapa não mostrava grande preocupação com o sangue visível num braço e perna. Alejandro Valverde também não escapou. Alguns dos homens da geral tiveram um final de dia atribulado, algo completamente indesejável quando vêm aí duas etapas de montanha complicadas.

A queda partiu o pelotão - que já não conta com o português Domingos Gonçalves (Caja Rural) -, ficando um grupo reduzido na frente na tirada de 188 quilómetros entre San Vicente de la Barquer e Oviedo. Tosh Van der Sande (Lotto Soudal) tentou surpreender perante a confusão, mas Sam Bennett mostrou ser o sprinter que ainda tem pernas após tanta montanha. Respondeu ao ataque, não se intimidou com a perseguição de Max Richeze (Deceuninck-QuickStep) e quase se pode dizer que o ciclista da Bora-Hansgrohe teve uma vitória fácil, a sua segunda na Vuelta.

Um breve momento para os sprinters aparecerem, pois os próximos dois dias é só montanha. Por isso, é grande a curiosidade para perceber como a queda afectou Pogacar e Valverde. O primeiro disse que "foram só uns cortes", o segundo admitiu ter dores no pulso, mas esperava que não o prejudicasse este domingo e segunda-feira.

Roglic foi dos que não ganhou para o susto. Conseguiu tirar o pé do pedal a tempo de evitar a queda dos ciclistas à sua frente. E não tem dúvidas que são alturas como esta que uma dose de sorte vem a calhar. "Estes finais são sempre muito rápidos e de doidos, por isso precisas de um pouco de sorte", desabafou.

Quanto a Mezgec, o esloveno tem uma fractura na zona da anca, mas não vai precisar de ser operado. Segundo a o médico da Mitchelton-Scott, Matteo Beltemacchi, o ciclista terá de ficar em repouso entre uma a três semanas.

Proibido falhas nas próximas duas etapas

A folga será só terça-feira, com os dois dias que se seguem a poderem definir ainda mais a classificação. Quem percegue Primoz Roglic não pode falhar mais. Miguel Ángel López (Astana), por exemplo, está proibido de falhar como em Los Machucos. As diferenças nada decidem, mas dão conforto a Roglic para poder controlar. Quinta-feira e sábado ainda haverá mais duas oportunidades para tirar a camisola vermelha ao esloveno, mas perante a vantagem do ciclista da Jumbo-Visma, é preciso começar a recuperar terreno, pois Roglic não parece estar a quebrar. Pelo contrário, dá mostras de estar a melhorar.

Recorde-se que Alejandro Valverde (Movistar) está a 2:25 minutos, Pogacar a 3:01, López a 3:18 e Nairo Quintana a 3:33. Segue-se Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) a 6:15, já longe, tal como todos os restantes no top dez. A luta deverá mesmo ser a cinco.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Aqui ficam as duas etapas que se seguem.

15ª etapa: Tineo - Santuario del Acebo (154,5 quilómetros)



Esta etapa tem a particularidade da primeira e última subida serem no mesmo local, mas por lados diferentes. Serão quatro primeiras categorias para enfrentar. Puerto del Acebo: 8,2 quilómetros com 7,1% de pendente média; Puerto del Connio: 11,7 a 6,2%; Puerto del Pozo de las Mujeres Muertas: 11,3 a 6,8%; Puerto del Acebo: 7,9 a 9,7%.

16ª etapa: Pravia - Alto de la Cubilla (144,4 quilómetros)



A tirada de segunda-feira terá a última categoria especial da Volta a Espanha. Estar de vermelho no Alto de la Cubilla poderá ser um passo de gigante rumo à vitória final. Não é das maiores dificuldades da Vuelta, numa perspectiva de ter pendentes muito complicadas. Não chega aos 10% de máxima, mas depois de tantos quilómetros, tantas montanhas, o desgaste é enorme e pode pesar numa subida tão longa como esta. Depois de uns primeiros quilómetros mais planos, são pouco mais de 100 sempre a subir e descer e qualquer uma das subidas a acabar sempre acima dos mil metros de altitude. Puerto de San Lorenzo: 10 quilómetros com 8,5% de pendente média; Alto de Cobertoria, 8,3 a 8,2%; Alto de la Cubilla, 17,8 a 6,2%.




»»A aliança perfeita. Até quando?««

»»Philippe Gilbert mostra como se reage a uma desilusão««

26 de agosto de 2019

Uma Vuelta muito irlandesa

(Fotografia: © BORA - hansgrohe / Bettiniphoto)
A Irlanda nunca esteve tanto no mapa no ciclismo como na era de Stephen Roche e Sean Kelly. Não deixou de ter ciclistas de elevado valor nas gerações que se seguiram, mas a herança deixada por aqueles dois corredores nunca conseguiu ser igualada, pelo que não se estranha que se fale da era dourada da modalidade na Irlanda na década de 80 e início de 90.

Dan Martin ainda alimentou alguma esperança e alcançou grandes vitórias e outros bons resultados (tem dois monumentos e duas etapas no Tour, por exemplo). Contudo, o sobrinho de Roche nunca se aproximou de uma possibilidade de ganhar uma grande volta. Mas Martin fez e faz com que se fale da Irlanda, tendo nos últimos três anos a companhia de um sprinter que despontou tarde, mas que não pára de ganhar: Sam Bennett. Este, juntamente com Nicolas Roche (o apelido não é coincidência, pois é filho de Stephen), faz com que a Irlanda esteja a ser muito falada numa grande volta. Afinal, não é todos os dias que um lidera a Vuelta e o outro ganha a primeira etapa para os sprinters, na sua estreia na corrida espanhola. Irlanda e Colômbia, as duas nações em destaque em três dias de corridas.

Bennett foge aos laços da família Roche, mas tem os genes de um vencedor. Só quem está numa equipa, Bora-Hansgrohe, que tem Peter Sagan e Pascal Ackermann como os outros sprinters é que poderia encontrar tantas dificuldades em estar nas grandes voltas, apesar das 12 vitórias em 2019. Foram sete em 2018 e 10 no ano antes. Até esta afirmação, o melhor que tinha alcançado havia sido cinco triunfos em 2015.

Sam Bennett tem 28 anos. Pode não ter sido um jovem prodígio, como um Fernando Gaviria ou Peter Sagan, por exemplo, mas comprovou ser um sprinter do melhor que o pelotão tem actualmente. Como equipa alemã, a Bora-Hansgrohe quis apostar em Ackermann no Giro, numa escolha que se revelou acertada, apesar de Bennett ser na altura o ciclista que mais ganhava. Sagan não dá espaço a mais sprinters no Tour. Sobrou a Vuelta para Bennett. A sua primeira. Mas sabe-lhe a pouco e percebe-se porquê. Há um ano, na Volta a Itália, ganhou quatro etapas. Na primeira oportunidade que teve em Espanha - na terceira etapa - Bennett abriu a contagem e deixou todos os rivais a vê-lo pelas costas e a alguma distância.

Quase que pareceu fácil! E nem foi a primeira vez que se viu Bennett ganhar assim e até já o fez frente a alguns dos principais nomes do sprint. Porém, é um ciclista em final de contrato e sem o futuro resolvido, o que não deixa de ser uma surpresa. O próprio já assumiu que esperaria ter a sua situação resolvida nesta altura do ano, mas é difícil não ver Bennett encontrar uma equipa que lhe ofereça boas condições para ser o sprinter número um. A Deceuninck-QuickStep foi já dada como possibilidade, com a saída de Elia Viviani para a Cofidis a deixar aberta uma vaga em 2020. Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen (este último também está na Vuelta) são os sprinters em ascensão, mas o director Patrick Lefevere não se importará de contar com alguém com a experiência de Bennett (já esteve nas três grandes e noutras das principais corridas do calendário ao longo da carreira) e até deixou uns elogios ao irlandês há umas semanas.

Bennett está na Vuelta também a pensar no seu futuro. Já Nicolas Roche pensa mais no presente. Aos 35 anos, espera ainda por uma renovação ou uma mudança de equipa. No entanto, Roche só pensa em aproveitar uma inesperada liderança na Vuelta. Vestiu a camisola vermelha por um dia há seis anos. Agora vai para o segundo em 2019 e quer tentar manter o máximo possível, sem prejudicar o seu principal papel: ajudar o líder da Sunweb, Wilco Kelderman.

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Como aconteceu com outros corredores ou até atletas de outras modalidades, ter um apelido de alguém que marcou uma era num país com poucos heróis no ciclismo, não foi fácil para Nicolas. Tem duas vitórias de etapas, precisamente na Vuelta. Passou por equipas como a AG2R, Tinkoff, Sky, BMC, antes de chegar à Sunweb. Porém, destacou-se mais no trabalho de gregário do que como líder. Com a carreira numa recta final, percebe-se como Roche esteja mais concentrado em viver um dia de cada vez, num momento que não sendo único, poderá não repetir-se. Como curiosidade, a família Roche tem mais um ciclista em acção, ainda a tentar singrar. Alexis Roche tem 21 anos e corre na equipa francesa da Côtes d'Armor-Marie Morin-Vé.

O pai, Stephen, venceu um Giro e um Tour em 1987, ano em que foi campeão do mundo. Sean Kelly conquistou uma Vuelta em 1988, tendo um palmarés recheado de clássicas. Houve uma natural rivalidade entre ambos, mas foram dois irlandeses que elevaram a Irlanda a uma referência naquela década de 80 e início de 90. Os tempos são agora outros, mas os irlandeses sempre foram marcando presença no pelotão de uma forma de outra. Se Bennett é a imagem de sucesso no presente, Eddie Dunbar (Ineos) e Ryan Mullen (Trek-Segafredo), por exemplo, são candidatos a sê-lo num futuro próximo (nenhum dos dois está na Vuelta).

Classificações completas, via ProCyclingStats.

4ª etapa: Culera - El Puig (175,5 quilómetros)



Depois de 188 quilómetros entre Ciudad del Juguete e Alicante muito pouco planos, mas ainda assim uma etapa para sprinters, para terça-feira quase se pode dizer que será uma etapa bem mais simples. Quase... porque dificilmente será. Além da terceira categoria de quase seis quilómetros a uma média de 4,5%, as previsões meteorológicas não são as mais simpáticas. Se de facto chover na fase final dos 175,5 quilómetros entre Culera e El Puig, poderá ser um dia de muito nervosismo no pelotão.




»»Eis Nairo Quintana!««

»»Início muito acidentado de Vuelta««

31 de julho de 2019

Quem ganhou mais dinheiro na Volta a França

Bernal e Alaphilippe, dois dos ciclistas em destaque
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Foram distribuídos mais de dois milhões de euros em prémios na Volta a França. Se não se está a correr a pensar que se vai ganhar dinheiro, mas sim uma etapa ou uma camisola, também é verdade que ninguém fica indiferente aos valores, que no final são normalmente divididos por todos os membros de uma a equipa. Sem surpresa, a Ineos foi quem mais amealhou, sendo decisivo o factor camisola amarela. Ou seja, só a conquista de Egan Bernal valeu 500 mil euros. O segundo classificado fica com 200 mil e como foi outro ciclista da equipa, Geraint Thomas, significa que o final do Tour tem um peso enorme do tamanho da bolsa.

Steven Kruijswijk, terceiro, ficou com 100 mil euros, mas a Jumbo-Visma teve mais ciclistas a contribuírem directamente para o mealheiro na Volta a França. Cada vitória de etapa, por exemplo, garantia 11 mil euros. A formação holandesa ganhou quatro. Andar de amarelo, mesmo que não se mantenha a camisola até final, rende 300 euros por dia. Mike Teunissen andou dois dias.

Mas neste aspecto é Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) o rei: 14 dias de líder, ao que se juntou 20 mil euros por ter sido o ciclista mais combativo do Tour. Também ganhou duas etapas. De referir que quem veste a amarela e a ganha no final, recebe 500 euros por cada dia que a envergou, ou seja Bernal, deu mais uma ajuda ao bolo da Ineos.

A nível de etapas ganhas, a Lotto Soudal e a Mitchelton-Scott também somaram quatro cada uma, pelo que ajudou muito à sua "classificação" na tabela financeira. Já a Bora-Hansgrohe teve Peter Sagan a dar 25 mil euros pela conquista da camisola dos pontos, sendo que o eslovaco também venceu uma etapa. Porém, Emanuel Buchamann também contribuiu bastante, pois são dados prémios monetários até aos 20 primeiros da geral e das etapas. O alemão foi muito regular na montanha - tal como Sagan nos sprints - e terminou no quarto lugar.

O vencedor da classificação da montanha também ganha 25 mil euros (Romain Bardet, AG2R), o camisola branca da classificação da juventude 20 mil (mais um cheque para Bernal) e a melhor equipa leva 50 mil euros, prémio que ficou para a Movistar.

Entre os valores atribuídos estão, por exemplo, os 1500 euros para quem ganhou os sprints intermédios, mil para o segundo e 500 para o terceiro. Já nos prémios da montanha, dependeu da categoria. Uma especial rende 800 euros, de primeira categoria 650, segunda 500, terceira 300 e quarta 200. No entanto, há subidas que não podem ser equiparadas a todas as outras. O Tourmalet tinha de ser uma delas, mas também o foi o Col de l'Iseran, neste caso por ser o ponto mais alto do Tour, que é sempre premiado. Ambas as subidas renderam 5000 euros.

Aqui fica a "classificação financeira" nas contas feitas pelo site Cycling Weekly.

Ineos: 779,200 euros
Jumbo-Visma: 203,400
Deceuninck-QuickStep: 89,940
Bora-Hansgrohe: 159,050
Lotto Soudal: 134,760
Movistar: 132,470
Trek-Segafredo: 81,590
Mitchelton-Scott: 76,520
Bahrain-Merida: 71,890
Groupama-FDJ: 60,200
AG2R: 55,140
EF Education First: 41,710
Wanty-Groupe Gobert: 34,940
Sunweb: 31,310
CCC: 27,250
Astana: 24,250
UAE Team Emirates: 22,930
Arkéa Samsic: 22,800
Cofidis: 21,170
Dimension Data: 19,300
Katusha-Alpecin: 18,220

15 de maio de 2019

Sunweb sem Dumoulin e sem soluções

(Fotografia: Giro d'Italia)
Quando em 2017 José Mendes participou na Volta a Itália, um dos pormenores do relato da experiência que ficou na memória, foi a sua menção à meteorologia, que fez o ciclista pensar no que poderia ter de enfrentar. "Colegas que fizeram o Giro falam horrores daquilo", salientou então. Aquele ano acabou por ser algo atípico, pois o bom tempo acompanhou o pelotão o durante as três semanas e José Mendes falou mesmo em "tempo de Verão". Sorte para os que fizeram aquele Giro, ganho por Tom Dumoulin. Esta quarta-feira foi um daqueles dias de Inverno em pleno Maio, com chuva e frio a tornarem os apenas 140 quilómetros da quinta etapa em metros penosos. Ainda assim, nada que se comparasse com a dor que assolou Dumoulin. Não tanto naquele joelho que não o deixou continuar em prova, mas principalmente na alma de um ciclista que se viu derrotado por uma queda.

Foi no meio do temporal que Dumoulin entrou desolado no carro da equipa. O holandês não queria ir para casa e foi por isso que ainda tentou arrancar para a quinta etapa. "Teria sempre perguntado a mim mesmo, agora perguntei e sei a resposta", desabafou, explicando que queria ter a certeza que não aguentava continuar em prova e não ir para casa e achar daqui a dois dias, se o joelho melhorasse, que talvez devesse ter ficado em Itália. A queda na quarta tirada deixou o ciclista com uma ferida no joelho, que entretanto inchou. Fez um raio-X que revelou não ter uma fractura, mas com o Giro102 a já fazer parte do passado, é altura de olhar para o futuro. Dumoulin vai realizar mais exames para ter a certeza da extensão do problema e começar a pensar na Volta a França, que sempre foi o outro objectivo da época.

Dumoulin queria mesmo ficar. Disse que tinha boas pernas, ainda que no contra-relógio inicial não tenha estado ao nível esperado. Porém, tinha tempo para ir melhorando. De manhã fez uns exercícios para testar o joelho e resolveu começar a etapa. 1500 metros depois do arranque (mais os quilómetros neutralizados até ao início oficial) Dumoulin foi ao carro e assumiu que nada havia a fazer. "Vim aqui para uma aventura de três semanas e queria acabá-la. Não queria ir para casa", disse.

Mas foi e a Sunweb está sem soluções para uma grande volta que ambicionava alto. Ficou de tal forma centrada num só homem que acabou por sacrificar todos os restantes ciclistas quando Dumoulin caiu. O holandês estava a 28 segundos de Primoz Roglic (Jumbo-Visma) antes da queda. Robert Power era o corredor seguinte da Sunweb, a 1:13 minutos, com mais dois abaixo dos dois minutos: Jan Bakelants, a 1:41 e Sam Oomen a 1:47. Depois da escolta de honra feita a um ferido Dumoulin, todos os gregários ficaram a mais de cinco minutos.

Fica por perceber como foi possível sacrificar todos, não deixando pelo menos uma opção. A decisão é ainda mais difícil de entender quando um Sam Oomen já demonstrou que pode ser mais do que um homem de trabalho. Aos 23 anos é uma das principais esperanças do ciclismo da Holanda e em 2018 foi essencial no Giro, ajudando Dumoulin na luta por nova vitória. O líder ficou de tal forma agradecido que, mesmo que o seu resultado fosse um segundo lugar, retribuiu a lealdade de Oomen com uma ajuda para que o colega ficasse no top dez. Oomen foi nono.

Louis Vervaeke foi hoje para a frente, numa fuga condenada ao insucesso. Mas a Sunweb tem de fazer algo. Ganhar etapas é o objectivo mais óbvio, pois um top dez será difícil e a escolha de deixar Oomen ao lado de Dumoulin, claudicou também a possibilidade de lutar pela juventude.

No entanto, isto é o Giro. Se há grande corrida de três semanas com reviravoltas é esta, pelo que desistir só quando tem mesmo de ser, como demonstrou Dumoulin.

Ackermann, o senhor do sprint


(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Sam Bennett? Segunda vitória de Pascal Ackermann e o alemão já justificou a chamada da Bora-Hansgrohe em detrimento de um dos ciclistas mais ganhadores em 2019 e que foi uma das figuras do sprint no Giro há um ano. Aquela disputa entre Ackermann e Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) pode muito bem ter sido a primeira de muitas. E que sprint se assistiu!

Estamos perante dois jovens sprinters. Gaviria só tem 24 anos apesar do currículo que já apresenta, enquanto Ackermann tem 25 e está a construir também um bem interessante. E é a sua estreia numa grande volta. O que se passou em Terracina foi pura classe. Gaviria parecia estar a sprintar para mais uma daquelas vitórias em que deixa a concorrência a vê-lo pelas costas e até um pouco ao longe. Mas não. Ackermann é um rival à altura do colombiano.

Quando ambos arrancaram só um ciclista da Groupama-FDJ ia estragando o espectáculo. Estava a lançar Arnaud Démare, que nem estava na sua roda, quando acabou o trabalho e foi para o meio da estrada. Gaviria foi obrigado a desviar-se. Na sua roda ia Ackermann que teve de travar e recomeçar o sprint. O próprio salientou como teve de fazer dois sprints e mesmo assim bateu Gaviria. Nas declarações finais até disse que não podia pedir um melhor lançador, referindo-se como ao ir na roda do colombiano conseguiu fazer um excelente sprint.

Ackermann esclareceu ainda dúvidas se pretenderia ficar até ao fim no Giro que não tem uma última etapa para os sprinters para aliciar passar as duras montanhas que haverá pela frente. É o líder das classificação dos pontos e garantiu que quer ficar com a maglia ciclamino. Soma 121 pontos, Gaviria 93, Démare 86 e Caleb Ewan (Lotto Soudal) 66. Elia Viviani é o grande ausente da lista. O ciclista da Deceuninck-QuickStep sofreu tanto com as condições meteorológicas, que quando chegou a altura de sprintar, nem conseguiu levantar-se da bicicleta. Continua sem vitórias (foi desclassificado na terceira etapa) e ficar com a ciclamino como em 2018, será uma missão muito difícil.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Cassino - San Giovanni Rotondo, 238 quilómetros



Depois de uma etapa mais curta, mas quase tão complicada como as longas tiradas anteriores devido ao mau tempo, eis que o pelotão tem mais um dia extenso pela frente. A maioria dos quilómetros não terão dificuldades de maior, apesar de algum sobe e desce. Porém, a cerca de 30 quilómetros do fim surge a subida de Coppa Casarinelle. Serão 15 quilómetros com pendentes a rondar os 5%. Até à meta haverá uma outra ascensão, curta e não categorizada.

Primoz Roglic continua de rosa, mas sabe que não pode distrair-se em etapas como esta, para garantir que mantém a vantagem já conquistada, pelo menos até ao contra-relógio de domingo, quando até poderá aumentá-la. Agora até perdeu o maior rival com as características mais parecidas com as suas, mas o Giro está apenas a começar.




»»Dumoulin, Roglic, Carapaz e um Landa a ter de pedir desculpa««

»»Dia para limpar a imagem e com a acção a ficar guardada para o fim««

12 de maio de 2019

Aquela vitória que afasta o fantasma Bennett de Ackermann

(Fotografia: Giro d'Italia)
Um sprinter está sempre sob pressão. Um voltista pode não ganhar uma etapa, mas se conquista a geral, está tudo muito bem. Um sprinter se não ganha, então falhou. Porém, Pascal Ackermann chegou ao Giro com uma dose extra de pressão. A escolha da Bora-Hansgrohe pelo alemão em detrimento de um dos homens mais ganhadores do ano foi desportivamente estranha, ainda que clara quando se analisa a opção extra-desportiva. Portanto, na primeira oportunidade conseguir a vitória, dificilmente poderia ter sido um melhor começo e certamente que sai dos seus ombros uns bons quilos de pressão.

Vejamos os números. Ackermann: três vitórias (uma World Tour) e a classificação dos pontos na Volta ao Algarve, antes do Giro. Sam Bennett: seis triunfos (cinco World Tour) e a classificação dos pontos na Volta à Turquia. O irlandês foi uma das figuras da primeira fase da temporada e poder-se-ia pensar que tinha ainda a seu favor a brilhante prestação no Giro de 2018, com três etapas ganhas. Mas não.

Pascal Ackermann teve a oportunidade de evoluir em 2018 um pouco resguardado dos holofotes e até foi o ciclista mais ganhador da Bora-Hansgrohe. No entanto, Bennett afirmou-se como sprinter de classe. Ackermann é alemão, Bennett irlandês. A Bora-Hansgrohe é alemã e tem sido clara a tendência em cada vez mais apostar nos ciclistas do país. A escolha de Ackermann foi anunciada muito cedo na época, para desilusão de Bennett. De nada valeu as vitórias que foi alcançando. Com o Tour a ser de Peter Sagan, seja em que forma esteja, resta ao irlandês a Vuelta e uma possível saída da equipa para ter mais destaque. Está em final de contrato, aos 28 anos.

Ackermann tem 25 e é visto como o futuro da equipa no sprint. Veste a camisola de campeão nacional e ninguém tem dúvidas do seu talento e do seu poderio. No entanto, perante os resultados de Bennett, se as etapas para sprinters na Volta a Itália fossem passando sem que o alemão vencesse, o ambiente poderia tornar-se difícil para o jovem sprinter. Ganhar logo na primeira oportunidade é simplesmente perfeito, ainda que não possa dizer que tem o Giro feito. Já se sabe como é com ciclistas deste nível. Agora tem de ganhar mais!

Além da vitória e do excelente trabalho da Bora-Hansgrohe na preparação do sprint, há que destacar como Ackermann a alcançou naqueles últimos metros. Foi uma demonstração de força, que torna irresistível comparar com alguns dos grandes sprints de um compatriota de Ackermann: Marcel Kittel. No momento em que se afastou do ciclismo, Kittel vê um potencial sucessor na Alemanha, que teve a capacidade para deixar Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep) sem hipótese de vencer.

E há que não esquecer um pequeno Caleb Ewan (Lotto Soudal) que foi terceiro, atrás de um Viviani que escolheu a roda de Gaviria, que não foi a melhor opção. Tanto ele como o colombiano olharam para o lado para ver um autêntico foguete passar por eles. Excelente sprint de Ackermann, que basicamente foi chegar, ver e vencer no Giro.

É a sua primeira grande volta, foi a primeira etapa para o alemão disputar e já tem a vitória. Agora irá falar-se menos de Bennett, o que poderá libertar ainda mais mais um sprinter da nova geração que começa a atingir um potencial prometedor.

Roglic tranquilo

Num dia com uma terceira e uma quarta categoria nos 55 quilómetros finais, dos 205 entre Bolonha e Fucecchio, com algum sobe e desce até então, não era a etapa mais típica para os sprinters, mas as equipas que apostam nesta especialidade cedo mostraram ao que vinham. Agradeceu a Jumbo-Visma que se limitou a proteger o maglia rosa, com Primoz Roglic a manter a liderança. Houve um corte de cinco segundos a partir do 15º classificado e que afectou o esloveno, mas nada de preocupante, pois nenhum dos seus mais directos rivais foi beneficiado.

O destaque da fuga por para Giulio Ciccone que está decidido em lutar pela camisola da montanha. Depois de a vestir no contra-relógio, ao ser o mais rápido a completar a subida final de 2100 metros, o italiano da Trek-Segafredo foi à procura de todos os pontos possíveis, mantendo a camisola azul. Miguel Ángel López (Astana) lidera na juventude, enquanto Ackermann ficou com a maglia cicclamino (dos pontos). Jumbo-Visma é a primeira entre as equipas.

O português Amaro Antunes (CCC) na 87ª posição, no pelotão que ficou a cinco segundos de Ackermann.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

3ª etapa: Vinci - Orbetello, 220 quilómetros


Não sendo um dia completamente plano, é um para os sprinters voltarem a discutir a etapa e disputar a maglia ciclamino (dos pontos). Há uma subida de quarta categoria, que termina a cerca de 40 quilómetros do fim, mas qualquer discussão que não seja com os homens rápidos do pelotão, será uma surpresa, até porque os sprinters sabem que não podem desperdiçar etapas destas, pois não abundam no Giro.





25 de abril de 2019

Fim da época das clássicas para Sagan. Já não vai estrear-se na Liège-Bastogne-Liège

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Era um dos principais pontos de interesse desta época de clássicas. Pela primeira vez, Peter Sagan colocou a Liège-Bastogne-Liège no seu calendário, ficando assim em aberto juntar um terceiro monumento à Volta a Flandres e Paris-Roubaix, já que a Milano-Sanremo teima em "escapar". Mesmo numa forma muito longe do que o eslovaco habituou na sua carreira, o interesse mantinha-se alto, mas ter-se-á de esperar por outra oportunidade. Depois de abandonar a Amstel Gold Race e a Flèche Wallonne, Sagan e a Bora-Hansgrohe optaram por uma fase de repouso e tentar recuperar energias para a Volta a Califórnia.

Peter Sagan alterou um pouco o seu calendário e a sua preparação nesta primeira parte da temporada, um pouco a pensar na Liège-Bastogne-Liège. A mudança no percurso do monumento belga, principalmente nos quilómetros finais, aguçaram a vontade do tricampeão do mundo em estrear-se numa corrida que, até agora, nunca tinha sido opção para este ciclista. No entanto, 2019 está a ser um ano para esquecer para Sagan.

Um quarto lugar na Milano-Sanremo, um quinto no Paris-Roubaix e até o 11º na Volta a Flandres, poderiam ser classificações boas para vários ciclistas. Mas não para Sagan. O ciclista até pode ter o discurso que não foram más prestações. Contudo, o que os números não mostram é que Sagan acabou por nem discutir as vitórias. Principalmente na Milano-Sanremo e no Paris-Roubaix, o eslovaco até fez boas corridas, mas nos momentos cruciais faltaram-lhe as forças. O mesmo aconteceu noutra clássicas e também no Tirreno-Adriatico.

Na semana das Ardenas, Sagan nem era suposto ir à Flèche Wallonne, mas a equipa quis contar com a experiência do ciclista, numa corrida que iria ter o vento como potencial factor de fazer diferenças. Foi Sagan numa versão gregário, mas não foi uma versão muito diferente da de Sagan líder.

O que se passa com Peter Sagan? É a pergunta do momento, com a própria equipa à procura de explicações. Ainda chegou a dizer que Sagan estava a melhorar, mas nas corridas, não se tem visto essa melhoria. A sua capacidade de "explosão" apagou-se em 2019.

Sagan sofreu de problemas de estômago no estágio de altitude que a Bora-Hansgrohe realizou antes do Tirreno-Adriatico. Além de ficar longe dos treinos, o ciclista contou que passou a maioria do tempo no seu quarto. Na prova italiana. Sagan surgiu claramente mais magro, ainda que ficaram dúvidas se a perda de peso poderia também estar relacionada com a preparação para a Liège-Bastogne-Liège.

Para já, não há respostas para o que se passa com um dos melhores ciclistas. Um dos que mais espectáculo dá. Um que se tornou uma referência e imagem da modalidade. Mesmo com Mathieu van der Poel a "roubar" muitas das atenções nestas últimas semanas, a verdade é que o melhor Sagan faz falta.

Agora é esperar pela corrida onde é conhecido pelo "rei da Califórnia", pois tem 16 vitórias de etapa e uma classificação geral. Será de 12 a 18 de Maio, no arranque de uma preparação para o segundo objectivo do ano: a Volta a França e a conquista da sétima camisola verde (dos pontos), que, se conseguir, o tornará no recordista solitário, já que partilha a actual marca com Erik Zabel. Mais tarde, em Setembro, Sagan quer nos Mundiais de Yorkshire recuperar a camisola do arco-íris que está com Alejandro Valverde.

Sagan continuará a ser sempre candidato a vitórias, mas, de momento, predomina a desconfiança da estrela da Bora-Hangrohe. Curiosamente, a equipa até tem mostrado que já não depende tanto do seu número um, estando cada vez mais forte no seu bloco em corridas por etapas, na procura de classificações gerais e claro, tem um Sam Bennett (sprinter) num excelente momento.

Contudo, certamente que são os responsáveis da Bora-Hansgrohe quem mais anseiam por ter Sagan de regresso ao normal, pois é um pouco estranho que em 19 vitórias em 2019, Sagan só tenha contribuído com a conquista da terceira etapa do Tour Down Under, logo em Janeiro.

»»Flèche Wallonne segue guião à risca na confirmação do novo rei do Muro de Huy««

»»Simplesmente fenomenal!"««