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29 de dezembro de 2019

Ano terminou com títulos nacionais e Taça de Portugal

Rui "passou" o título de omnium ao irmão Ivo
(© João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com as diferentes vertentes, o ciclismo nunca pára. Este fim-de-semana houve um regresso à pista e no sempre espectacular ciclocrosse, fecharam-se as contas da Taça de Portugal. Um dos destaques vai inevitavelmente para Ivo Oliveira, não apenas por ter conquistado o título nacional de omnium, mas também por ser uma excelente indicação que está a caminho da melhor forma, depois de ter falhado grande parte da temporada devido a uma queda muito grave. Foram seis meses de ausência, tendo regressado à competição em Outubro.

Começando então pela pista. Os títulos nacionais de omnium estiveram em disputa no sábado, no Velódromo de Sangalhos. Rui Oliveira esteve perto de revalidar a distinção, mas o irmão estragou-lhe os planos na última corrida, a por pontos. Rui venceu em scracth, com Ivo a ser terceiro e Rui repetiu a vitória na corrida tempo. Na prova de eliminação Ivo iniciou a recuperação e foi o vencedor. Na decisão, por pontos, Ivo tinha menos quatro que o irmão. Somou 31, contra os 19 de Rui e ficou com a camisola de campeão nacional de uma especialidade que Portugal tem estado a tentar qualificar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

As contas finais foram de 145 pontos para Ivo, 137 para Rui, ambos da UAE Team Emirates, e César Martingil (Sporting-Tavira) fechou o pódio com 123.


(© João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no omnium feminino assistiu-se a mais uma confirmação de como Maria Martins é a grande referência do ciclismo de pista em Portugal. Também ela luta por estar em Tóquio2020 nesta especialidade, mas entretanto juntou mais um título nacional, fechando assim uma temporada incrível. Conquistou medalhas na pista, vitórias na estrada, não surpreendendo que se prepare para mudar de equipa. Esteve dois anos na espanhola Sopela Women's Team e agora vai representar a britânica Drops.

Maria Martins venceu as quatro provas do omnium, terminando com 285 pontos. Ao seu lado no pódio estiveram duas ciclistas da CE Gonçalves/Azeitonense, Liliana Jesus (138 pontos) e Patrícia Rosa (129).

A 18 de Janeiro arranca o ano na pista com o Troféu Internacional Bento Pessoa, a primeira competição da Taça de Portugal.



(© Federação Portuguesa de Ciclismo)
E foi precisamente a Taça de Portugal que ficou entregue no ciclocrosse. O capítulo final realizou-se no Parque Urbano de Paços de Ferreira. Não faltou emoção, com Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano) a vencer a quinta corrida deste calendário, contudo, o quarto lugar de Mário Costa (AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde) foi suficiente para ficar com a Taça. O especialista do XCO fechou assim 2020 com uma conquista no ciclocrosse, somando 225 pontos, contra os 195 de Barbosa e os 170 de Roberto Ferreira (BTT Seia).

Do lado feminino, Ana Santos foi exímia. Fez o pleno em Paços de Ferreira e a sua superioridade voltou a ser bem clara ao deixar a companheira de equipa Joana Monteiro (AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde), a mais de minuto e meio de distância.


(© Federação Portuguesa de Ciclismo)
As contas finais dizem tudo sobre a Taça de Portugal de 2019. Ana Santos totalizou 300 pontos, com Daniel Pereira (Saertex Portugal/Edaetech) - terceira na corrida deste domingo - a ser segunda com 175, seguindo-se Joana Monteiro com 150.

Nos restantes escalões, Pedro Lopes (UD Oliveirense/InOutBuild) venceu em sub-23, Rafaela Ramalho (Maiatos) foi a melhor nesta categoria entre as raparigas. Em juniores, João Cruz (AXPO/FirstBike Team/ Vila do Conde) foi o vencedor, enquanto Tomás Mota (ACD Milharado/DriveonHolidays/Mafra) e Mariana Libano (Maiatos) conquistaram a Taça em cadetes.

Entre os veteranos, Michel Machado (Vasconha BTT Vouzela) foi o mais forte nos masters 30, nos masters 40 ganharam Rogério Matos (Rompe Trilhos/Ajpcar) e Estela Lago (Bike O Facho) e nos masters 50 e 60 venceram António Sousa e Joaquim Pinto (Silva&Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel), respectivamente.

A 12 de Janeiro, Vila Real irá receber o Campeonato Nacional de ciclocrosse.


»»Rui Costa confirmado na Algarvia e há mais novidades««

»»Mais um português a caminho da Hagens Berman Axeon««

3 de novembro de 2019

Mais um pódio e mais uns pontos rumo aos Jogos Olímpicos

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Oliveira, Iúri Leitão e Maria Martins estão numa missão de garantir que nas competições de pista deste final de 2019 Portugal consegue colocar-se cada vez mais numa posição que permita levar pela primeira vez um ciclista tanto na vertente masculina, como na feminina, aos Jogos Olímpicos. Depois da boa prestação nos Europeus, o trio voltou cumprir na Taça do Mundo em Minsk, na Bielorrússia. Nos últimos três dias, o destaque foi para Rui Oliveira que subiu a mais um pódio, com o terceiro lugar no omnium, uma das provas olímpicas que Portugal procura marcar presença em Tóquio2020.

No sábado, o ciclista de Gaia começou com um segundo lugar em scratch, foi o quarto na corrida tempo e sexto em eliminação. Com estes resultados, Rui Oliveira começou a corrida por pontos no segundo lugar da geral. E mais uma vez esteve entre os melhores, ganhando duas voltas ao pelotão, acrescentando 47 pontos ao seu total. Foram 149 ao todo, o que lhe garantiu o bronze, atrás de um tal Elia Viviani! O sprinter italiano, um especialista na pista e campeão olímpico do omnium, somou 154 pontos, sendo batido pelo britânico Matthew Walls (163).

"Queríamos distanciar-nos da Alemanha e do Cazaquistão. Além de conseguirmos esse objectivo, o Rui ainda esteve na discussão da corrida. Foi um excelente desempenho", afirmou um satisfeito seleccionador nacional, Gabriel Mendes. “Comecei bem no scratch e na corrida tempo, o que me deixou sempre perto da frente. A confiança aumentou para a corrida por pontos, onde dei tudo. Este novo formato, com as corridas muito compactadas, com as quatro corridas em pouco mais de duas horas e meia, agradou-me. Sendo um corredor de estrada, penso que acaba por beneficiar-me. Tenho trabalhado muito, nestas últimas semanas e este resultado é o reflexo disso", disse Rui Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Este domingo, Rui Oliveira fez dupla com Iúri Leitão na prova de madison, a outra corrida olímpica que ainda não se perdeu a esperança de ser possível alcançar a qualificação. Os cinco pontos somados valeram o 10º lugar em Minsk e a aproximação à Bielorrússia, Hong Kong e Áustria no apuramento olímpico, ficando a Irlanda e Rússia um pouco mais longe.

O pódio de madison ficou preenchido pelos dinamarqueses Lasse Norman Hansen e Michael Morkov, que conquistaram a medalha de ouro (52 pontos), pelos franceses Bryan Coquard e Benjamin Thomas (44) e pelos espanhóis Albert Torres e Sebastián Mora (41). 

Quanto a Maria Martins, continua a sua missão solitária de chegar a Tóquio para disputar o concurso de omnium. Em Minsk teve um percalço na prova de eliminação, mas a bem conhecida determinação desta ciclista veio ao de cima e saiu da Bielorrússia com razões para sorrir.

Foi oitava no scratch e sexta na corrida tempo. O mau desempenho em eliminação – 23º e penúltimo lugar – fez Maria Martins partir para a corrida por pontos no nono posto. Foi atrás do prejuízo e terminou o omnium com 57 pontos, o que correspondeu ao 11º lugar, ultrapassado assim a China e a Irlanda no ranking para os Jogos Olímpicos e não deixou que nenhum país passasse por Portugal. A medalha de ouro ficou para a americana Jennifer Valente, a prata para a italiana Letizia Paternoster e o bronze para a britânica Laura Kenny.

Recorde do mundo para rival de Ivo Oliveira... duas vezes num dia

Filippo Ganna tem como (mau) hábito ganhar a Ivo Oliveira, ciclista português que está a recuperar forma depois de uma longa paragem, devido a uma grave queda durante um treino. Tem por isso estado ausente das recentes competições na pista e Iúri Leitão tem sido o eleito para marcar presença na perseguição individual, de forma a garantir que Portugal tenha o seu lugar garantido quando chegarem os Mundiais.

Para Iúri Leitão está a ser uma importante oportunidade de ganhar experiência e cumpriu os quatro quilómetros em 4.52.714 minutos, longe do tempo histórico Ganna, o actual grande especialista na vertente. Na qualificação começou por estabelecer uma nova marca mundial com um 4:04.252. Não satisfeito, na final tirou mais de um segundo: 4:02.647.

Não há muito tempo para recuperar para o trio português que no próximo fim-de-semana segue para Glasgow. A cidade escocesa vai receber mais uma Taça do Mundo. Maria Martins e Rui Oliveira vão continuar a sua missão no omnium, enquanto se aguarda para saber se haverá vaga no madison. Portugal é a primeira selecção de reserva, só sendo chamada caso uma das efectivas não se inscreva.

»»Um pouco mais de história agora no feminino e Tóquio2020 está a ficar mais perto««

20 de outubro de 2019

Um pouco mais de história agora no feminino e Tóquio2020 está a ficar mais perto

(Fotografia: © Bettini/UEC)
Tem sido um bom hábito depois de grandes competições de ciclismo de pista falar de como os gémeos Oliveira alcançam medalhas e outros bons resultados e como influenciaram o crescimento desta vertente em Portugal. Desta feita, após os Europeus de Apeldoorn o bom hábito de falar de feitos históricos mantém-se, mas no feminino. Se na estrada Daniela Reis desbravou caminho e tornou-se uma referência ao ser a primeira portuguesa a chegar ao mais alto nível mundial, na pista Maria Martins alcançou uma medalha que a coloca na história como a primeira portuguesa a fazê-lo em elite. Foi um bronze a saber um pouco a ouro para uma jovem ciclista de ambição sem limites. Em 2019, confirmou muito do seu potencial também na estrada, mas esta foi uma forma perfeita de fechar a temporada. "Alguém me belisque! Terceiro lugar na corrida de elite de scratch. Não vou esquecer isto tão cedo!", escreveu no Twitter.

Na Holanda, Maria Martins não se limitou a ser terceira no scratch, prova ganha pela britânica Emily Nelson e com irlandesa Shannon McCurley a ser segunda (pódio na fotografia). Outro dos grandes objectivos nestes Europeus - que se realizaram entre quarta-feira e domingo - passava por reforçar a qualificação para os Jogos Olímpicos na disciplina do omnium. Com apenas 20 anos, Maria Martins já vai demonstrando grande evolução táctica. Marcou as adversárias certas, especialmente na corrida por pontos e tal permitiu Portugal aproximar-se da Irlanda e da Bélgica no ranking, não sendo ultrapassado por nenhum país. Maria Martins foi muito forte na segunda metade do concurso do omnium. Foi oitava em scratch e 14.ª na corrida tempo. Em eliminação caiu duas vezes e ainda assim foi quinta classificada. Na corrida por pontos somou 23 pontos, terminando com 95 no geral. A vencedora, a holandesa Kirsten Wild, terminou com 116 pontos.

Martingil foi oitavo na sua corrida por pontos e Iúri Leitão não terminou no scratch e foi 16º na perseguição individual. A participação do jovem corredor nesta prova foi para garantir a presença portuguesa nos Mundiais, pois se não houvesse um representante nos Europeus, a selecção era excluída nesta disciplina no Campeonato do Mundo. Ivo Oliveira é o grande especialista (vice-campeão mundial e europeu em 2018), mas depois de grande parte do ano a recuperar de uma grave queda - regressou há pouco tempo à competição -, o gaiense ficou de fora das opções do seleccionador Gabriel Mendes e está na China, no Tour de Guangxi, a competir pela sua equipa, UAE Team Emirates, a tentar apurar a forma já a pensar em 2020.


O irmão esteve presente na Holanda e foi quinto na corrida de eliminação. Mas, tal como Maria Martins, Rui Oliveira sabia da importância de estar bem no omnium e no seu caso também no madison. Na primeira disciplina olímpica foi nono, com 84 pontos. Começou com um 11º lugar em scratch, depois um 14º na corrida tempo, sexto na eliminação e na corrida por pontos, entrou numa das movimentações certeiras, que lhe permitiu ganhar uma volta ao grupo principal. O campeão europeu do omnium foi o francês Benjamin Thomas, 173 pontos.

Bom resultado a pensar em Tóquio2020, tal como no madison, objectivo que continua bem vivo depois no 11º lugar. Rui formou dupla com Iúri Leitão e o ponto alcançado num dos sprints foi extremamente valioso. Portugal recuperou 40 pontos à Bielorrússia, que está no lugar à frente do ranking. Aumentou ainda a diferença para os países europeus que perseguem Portugal na qualificação para os Jogos, ganhando 60 pontos à Irlanda e 80 à Rússia.

»»Regresso à pista com os Jogos Olímpicos cada vez mais presentes««

»»Portugal com cinco corridas internacionais e com datas marcadas««

13 de outubro de 2019

Regresso à pista com os Jogos Olímpicos cada vez mais presentes

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Entre quarta-feira e domingo, quatro ciclistas vão à procura de pontos para manter Portugal no rumo certo para a estreia nos Jogos Olímpicos. Nunca o país teve uma presença na vertente de pista e Tóquio poderá ser um momento histórico com o apuramento tanto no masculino, como no feminino. Ainda nada está garantido, pois há muitos pontos em disputa, mas há que tentar já no Campeonato da Europa consolidar as posições que, neste momento, permitem à selecção pensar nos próximos Jogos.

César Martingil (Sporting-Tavira), Iuri Leitão (Sicasal-Constantinos) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foram os eleitos de Gabriel Mendes, a que se junta Maria Martins. A ciclista de apenas 20 anos da Sopela Women’s Team merece ser destacada. 2019 tem sido muito importante na sua carreira, pois não só realizou uma excelente temporada de estrada, com algumas vitórias, como na pista aproveitou as oportunidades que teve para participar em grandes provas e pontuar. O que parecia improvável há um ano, é neste momento um objectivo bem claro: Maria Martins poderá apurar Portugal para os Jogos Olímpicos na prova de omnium.

Nesta competição, tal como no madison masculino, a selecção está entre as apuradas nesta altura da qualificação. E a hipótese do omnium ainda não está afastada. Porém, além dos Europeus desta semana, ainda faltarão os pontos em disputa na Taça do Mundo e no Campeonato do Mundo da temporada 2019/2020. 

Em Apeldoorn, na Holanda, recomeça então a luta por um pouco de história olímpica, numa vertente que tem vindo a crescer nos últimos anos, muito ao ritmo das conquistas dos gémeos Oliveira. Depois de se tornarem referências na pista, na estrada, ambos estrearam-se em 2019 no World Tour na UAE Team Emirates, mas tiveram sorte distintas. Rui realizou uma boa primeira temporada, enquanto Ivo sofreu uma queda grave num treino e esteve longe das corridas durante cerca de seis meses. Só recentemente regressou, somando abandonos nas três clássicas em que participou em Outubro. Não surpreende que seja por isso um dos grandes ausentes nos Europeus de pista. Está longe da sua melhor forma.

César Martingil tem sido um ciclista com chamadas regulares à selecção, pelo que experiência não lhe falta. Quanto a Iúri Leitão, este sub-23 afirmou-se em 2019 como um ciclista com muita apetência para a pista, somando bons resultados, não surpreendendo que esteja cada vez mais a fazer parte das escolhas do seleccionador Gabriel Mendes.

A equipa Portugal não vai apenas participar nas provas dos Europeus em que aposta para a qualificação olímpica. A Federação Portuguesa de Ciclismo anunciou os convocados, mas ainda não é conhecida a distribuição nas corridas (ver no final do texto a agenda).

Numa fase em que a época de estrada já finalizou para muitos ciclistas, apesar de ainda estarem agendadas algumas corridas, como a Volta a Guangxi, na China (que fecha a temporada World Tour, de 17 a 2 de Outubro), a pista ganha novamente destaque, sem esquecer que também vai regressar o ciclocrosse. Fica desde já a informação que em Portugal a primeira corrida desta vertente será a 27 de Outubro, em Melgaço, prova que contará para a Taça de Portugal.

Quanto à pista, o Torneio Internacional Município de Anadia não se realizará em Dezembro como tem sido habitual, mas sim em Fevereiro, entre 7 e 9.

Agenda de Portugal no Campeonato da Europa:

Dia 16
18h25: Scratch Feminino
18h45: Eliminação Masculina

Dia 17
18h30: Scratch Masculino
19h20: Eliminação Feminina

Dia 18
12h30: Qualificação de omnium masculino e feminino
13h30-20h50: Concursos feminino e masculino de omnium

Dia 19
14h40: Qualificação de perseguição individual masculina
18h20: Final de perseguição individual masculina
18h30: Corrida por pontos feminina
19h30: Corrida por pontos masculina

Dia 20
10h10: Qualificação de madison masculino
14h40: Final de madison masculino

Com excepção de domingo, as transmissões no Eurosport 2 começarão às 18 horas. No último dia arrancará às 13:30.


28 de setembro de 2019

Pensou que era uma ideia estúpida. Mas não, foi uma exibição épica!

(Imagem: print screen)
Foi um autêntico show em tons laranja! As holandesas continuam a ser donas e senhoras dos Mundiais na prova em linha de elite. E foi mais uma exibição de nível e daquelas de ficar na história. Dos 149,4 quilómetros entre Bradford e Harrogate, Annemiek van Vleuten fez 100 em solitário. "Durante todo o dia pensei que era super estúpido [o que estava a fazer]!" Não nada foi estúpido e até foi algo épico. Aos 36 anos, Van Vleuten completou assim um currículo que dois títulos mundiais de contra-relógio, dois Giro Rosa e a Volta a Flandres, entre outras grandes vitórias.

São três triunfos consecutivos da Holanda, com Van Vleuten a suceder a Anna van der Breggen e Chantal Blaak. Van der Breggen foi segunda desta feita (tal como no contra-relógio), numa exibição perfeita de toda da selecção laranja, que cedo começou a partir o pelotão, com a tricampeã mundial Marianne Vos a trabalhar muito bem e a ser sexta no final. Na subida a Lofthouse, ao quilómetro 47,8, Van Vleuten atacou. Pode ter pensado que era uma ideia estúpida, muitos terão pensado que era de loucos e se calhar algumas rivais pensaram que eventualmente conseguiriam apanhar a holandesa. Mas há dias assim. Há dias em que uma boa dose de loucura, muita coragem e ainda mais vontade faz toda a diferença.

Van Vleuten terminou com mais de dois minutos de vantagem. A fechar o pódio ficou uma Amanda Spratt que juntou a medalha de bronze à de prata de 2018. Continua a faltar o ouro para esta excelente ciclista australiana, colega de Van Vleuten na Mitchelton-Scott.

Para Van Vleuten é a melhor compensação possível depois de ter sido batida categoricamente no contra-relógio por Chloe Dygert, ficando a 1:52 minutos da americana. Não surpreende, portanto, que o momento em que ficou mais nervosa este sábado foi quando soube do ataque de Dygert, a cerca de 30 quilómetros da meta. "Sei que ela é especial depois do contra-relógio de terça-feira", realçou Van Vleuten. Porém, Dygert perdeu algum fulgor na última volta do circuito e ficou à porta das medalhas, a 3:24 minutos da nova campeã.

Este poderio holandês apaga um pouco a desilusão de ter visto o jovem Nils Eekhoff ser desqualificado na corrida de sub-23. No entanto, a exibição da selecção laranja provocou também desilusão em muitas ciclistas no pelotão feminino. É que o ritmo foi de tal forma intenso e desde muito cedo, que logo na primeira dificuldade, aos 15 quilómetros, houve quem ficasse para trás e de pouco valeu o esforço para tentar regressar ao grupo principal. Inevitavelmente, perdendo tempo tão cedo, o abandono seria inevitável mais cedo ou mais tarde, ainda mais com uma fase final em circuito. Maria Martins foi uma das vítimas deste poderio laranja, naquela que foi a sua estreia em provas de elite em Mundiais.

Elite masculina portuguesa com ambição este domingo

Entre Leeds e Harrogate serão 280 quilómetros para conhecer o novo campeão mundial, ou se Alejandro Valverde faz o bis. Yorkshire tem sido palco de percursos complicados nesta semana de Mundiais, com estradas estreitas e mau tempo, que se deverá sentir este domingo. Portugal partirá com mais do que uma opção para tentar no mínimo o top dez. Mas quando se conta com um campeão do mundo na equipa, há sempre o desejo de mais, se assim a corrida o proporcionar. Rui Costa estará acompanhado por Ruben Guerreiro, Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rui Oliveira. Domingos Gonçalves foi baixa de última hora, alegando motivos pessoais para não ter viajado para Inglaterra.

A corrida começa às 8:40 e terá transmissão no Eurosport 1, esperando-se muito espectáculo dado o leque de ciclistas candidatos: Peter Sagan, Mathieu van der Poel, Philippe Gilbert, Remco Evenepoel, Greg van Avermaet (os oito belga formam uma equipa de luxo), Julian Alaphilippe, Tadej Pogacar, Primoz Roglic (se estiver muito melhor do que no contra-relógio) e porque não olhar para um Pascal Ackermann e Sam Bennett... Alexander Kristoff disse que o percurso afinal não era assim tão duro, pelo que os candidatos são muitos, com as mais diversas características e todos eles apontaram a estar bem em Yorkshire.

Classificações via First Cycling.

»»Eekhoff inconformado com desqualificação. Título mundial foi para Itália««

»»Domingos Gonçalves de fora dos Mundiais««

17 de setembro de 2019

Rui Costa lidera Portugal nos Mundiais mas não será a única aposta

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
A selecção portuguesa vai contar com seis ciclistas na prova de elite, apostando na experiência, mas também haverá espaço para a juventude. E os jovens que vão completar a comitiva nos restantes escalões vão a Yorkshire apresentar-se com argumentos para tentar alcançar um bom resultado nos Mundiais que arrancam este domingo e terminam a 29 de Setembro.

Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) são dois ciclistas com muita experiência em Mundiais e claro que o primeiro conquistou uma das maiores vitórias do ciclismo nacional, ao sagrar-se campeão em 2013. Ambos demonstraram boa forma recentemente. Rui Costa foi sétimo no Grande Prémio de Montreal e Nelson Oliveira realizou uma Vuelta de grande nível no seu habitual trabalho de gregário.

O especialista no contra-relógio, foi ainda o eleito por José Poeira para essa prova, com o campeão nacional, José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a ficar "guardado" para a prova em linha. O seleccionador chamou ainda o irmão gémeo de José, Domingos Gonçalves (Caja Rural). Para fechar, dois dos jovens talentos portugueses: Ruben Guerreiro (25 anos, Katusha-Alpecin) vem de uma Volta a Espanha sensacional, na sua estreia em grandes voltas, enquanto Rui Oliveira (23) tem feito uma primeira epoca no World Tour pela UAE Team Emirates de muita qualidade, estando mais preso ao trabalho de apoio aos líderes.

Este grupo de ciclistas dá a Portugal várias soluções, para um percurso de 285 quilómetros propício a ataques e que será importante ter mais do que um ciclista preparado para tentar estar na frente da corrida nos momentos decisivos. A colocação será chave. "Durante cerca de 100 quilómetros, a partir do quilómetro 60 de prova, os corredores vão andar por estradas muito sinuosas, com subidas íngremes, curvas e viragens muito técnicas. É necessário estar sempre bem colocado, havendo tensão constante, o que vai aumentar o stress competitivo e provocar um desgaste muito grande, antes mesmo do circuito final, essencialmente urbano. Aqui as maiores dificuldades serão técnicas, devido às curvas, viragens e descidas exigentes. Tem também alguns topos. Acabará por ser duro porque os corredores vão ali chegar com quase 200 quilómetros e cada metro que se perca para a roda da frente numa curva ou viragem custa muito a recuperar", afirmou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O seleccionador nacional aposta num top dez na corrida em linha e na prova de esforço individual (54 quilómetros): "É um contra-relógio que abre mais a possibilidade de bons resultados aos corredores possantes que tiveram a vida mais dificultada nos Mundiais de Bergen e de Innsbruck. No entanto, acredito nas capacidades do Nelson Oliveira para nos dar uma alegria. A prova vai obrigar a uma criteriosa escolha dos andamentos a utilizar, porque exige muitas mudanças de ritmo, devido às subidas, mas também às estradas estreitas e sinuosas. O atravessamento de zonas de ventos cruzados é outro factor relevante."

Quanto aos sub-23, as escolhas foram feitas após os testes feitos durante a semana passada no Centro de Alto Rendimento, em Anadia. Os dois jovens da Hagens Berman Axeon, João Almeida e André Carvalho vão estar no contra-relógio (30,3) e na prova em linha (186,9) e estarão acompanhados nesta última por um Emanual Duarte (LA Alumínios-LA Sport) a viver um momento muito especial da sua ainda curta carreira, tendo ganho a classificação da juventude da Volta a Portugal e pouco depois conquistou a Volta a Portugal do Futuro. A equipa fica completa com Miguel Salgueiro, um dos sub-23 que mais se destacou em 2019 entre as equipas de clube, ao serviço da Sicasal-Constantinos, sendo uma presença regular na selecção.

De recordar que João Almeida é o actual campeão nacional das duas vertentes em sub-23 e está a caminho da Deceuninck-QuickStep, por quem assinou para 2020 e 2021, pelo que será um ciclista que irá receber muita atenção por parte das outras selecções.

Os juniores só farão a prova em linha (148,1): André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves) e João Carvalho (Bairrada). No sector feminino, Maria Martins (Sopela Women's Team) foi chamada para a corrida de elite (149,4 quilómetros), pois não há o escalão de sub-23. A ciclista de 20 anos tem feito uma temporada muito positiva, com vitórias e numa das principais corridas do ano, foi sexta classificada na segunda etapa do Madrid Challenge by La Vuelta. O percurso de Yorkshire não é o que melhor encaixa nas suas características, mas Maria Martins faz sempre questão de ser competitiva nas corridas que faz.

Para fechar a comitiva, a júnior Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) irá competir nas duas provas, ou seja, terá pela frente 86 quilómetros na prova em linha e no contra-relógio (13,7) que abrirá a participação portuguesa nos Mundiais.

O calendário de Yorkshire abre no domingo com a estreia do contra-relógio misto e em estilo de estafeta. Ou seja, primeiro partirão os três ciclistas masculinos e depois do segundo cortar a meta, partem as três senhoras. O tempo é tirado quando a segunda passar a meta. Uma novidade que substitui o contra-relógio por equipas.

Aqui ficam os horários das corridas que vão contar com os corredores portugueses, recordando que os Mundiais serão transmitidos pelo Eurosport. O fuso horário é igual ao da Grã-Bretanha.

Dia 23: 10:10 contra-relógio juniores femininas: Harrogate - Harrogate, 13,7 quilómetros

24: 10:10: Contra-relógio sub-23: Ripon - Harrogate, 30,3 quilómetros

25: 13:10 contra-relógio elite masculina: Northallerton - Harrogate, 54 quilómetros

26: 12:10 prova de fundo juniores: Richmond - Harrogate, 148,1 quilómetros

27: 8:40 prova de fundo juniores femininas: Doncaster - Harrogate, 86 quilómetros

14:00 prova de fundo sub-23: Docaster - Harrogate, 186,9 quilómetros

28: 11:40 prova de fundo elite feminina: Bradford - Harrogate, 149,4 quilómetros

29: 8:40 prova de fundo elite masculina: Leeds - Harrogate, 280 quilómetros


6 de agosto de 2019

Calendário limita escolha de ciclistas para os Europeus

Rui Oliveira e César Martingil - na fotografia, primeiro e segundo classificado
na Prova de Abertura Região de Aveiro - foram os eleitos para a elite
A colocação dos Europeus no calendário continua a prejudicar a corrida de elite, com as selecções a terem dificuldades em chamar os melhores ciclistas. Além de ainda não ser uma prova que apele como uns Mundiais, por exemplo, não ajuda realizar-se numa altura em que muitos corredores acabaram o Tour e, ou estão a pensar na Vuelta, ou até já fizeram o Giro e/ou clássicas e querem descansar. Além disso, é uma fase do ano com várias corridas, como a Volta à Polónia e a própria Volta a Portugal. Esta facto não facilitou o trabalho do seleccionador nacional José Poeira, que abdicou do contra-relógio de elite masculino e em Espanha foi-se mais radical: não haverá equipa de elite masculina nem na corrida de fundo, nem no contra-relógio. Para o ano já tudo deverá ser diferente, com os Europeus a realizarem-se após a Vuelta.

"Temos corredores em Portugal que poderiam estar a representar a Selecção, mas estão a competir na Volta a Portugal. Também temos outros em equipas estrangeiras, presos às obrigações profissionais, estágios de altitude ou provas do calendário internacional. Com estas condicionantes, abdicámos de competir no contra-relógio de elite, mas apresentamo-nos com dois corredores de qualidade na prova de fundo", explicou José Poeira, quando foram anunciados os eleitos pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Rui Oliveira (UAE Team Emirates) e César Martingil (Sporting-Tavira) vão ser os representantes em elite, mas Portugal terá ainda ciclistas em sub-23 e juniores, masculinos e femininos. Ao todo serão 17 atletas.

Alkmaar, na Holanda, será o palco das provas que começam amanhã e se disputam até domingo. Todos os escalões volta a estar juntos, depois de no ano passado a elite ter corrido em Glasgow, na Escócia, e os sub-23 e juniores em Brno e Zlin, na República Checa. Será a quarta edição desde que os ciclistas profissionais passaram a poder participar, com Peter Sagan a ter sido o primeiro vencedor, seguindo-se Alexander Kristoff e Matteo Trentin. De ano para ano, o pelotão tem sofrido cada vez mais com a falta de nomes fortes da modalidade e a notícia que a Espanha nem iria participar na elite masculina escancarou ainda mais as dificuldades que este calendário dos Europeus provoca nos seleccionadores, sendo praticamente obrigatória uma mudança para 2020.

"Os ciclistas do nosso país correm a um nível muito alto e as equipas querem guardá-los para o que falta [do calendário]. Há corredores que estão a pensar na Vuelta, outros fizeram o Giro e Tour e querem descansar", explicou ao jornal As Pascual Momparler. O seleccionador espanhol acrescentou que poderia recorrer a corredores de formações do escalão Profissional Continental e Continental, mas também estes estão a competir em corridas importantes para as respectivas equipas, como a Volta a Portugal.

Apesar das dificuldades, ainda há esperança que, dado o percurso ser perfeito para os sprinters, alguns dos melhores do mundo sejam seduzidos a conquistar um título que é sempre prestigiante. Mark Cavendish está já confirmado, não surpreendendo a sua selecção pela equipa da Grã-Bretanha. Ficou de fora do Tour e quer competir, numa altura em que a relação com a Dimension Data já foi bem melhor. Arnaud Démare (Groupama-FDJ) irá liderar a França, depois de ter ficado fora do Tour.

Pascal Ackermann (alemão da Bora-Hansgrohe), Sam Bennett (irlandês da Bora-Hansgrohe), Dylan Groenewegen (holandês da Jumbo-Visma) e os três ciclistas que já conquistaram o título europeu são uma possibilidade, o que definitivamente tornaria a corrida bem mais interessante do que nas duas edições anteriores, depois de uma estreia positiva da prova em Plumelec, França.

Os portugueses

A equipa nacional de sub-23 é de muita qualidade com Francisco Campos e Iuri Leitão a serem os sprinters de serviço. Mas também no feminino neste escalão haverá uma ciclista a ter muito em conta, pois Maria Martins tem realizado um excelente 2019, disputando vários sprints e já com vitórias celebradas, a última no fim-de-semana passado, em Espanha.

Aqui fica o calendário da Selecção Portuguesa e os convocados para cada uma das corridas, com os juniores a entrarem em acção já esta quarta-feira (horas de Portugal Continental e Madeira):

7 de Agosto 
8:00: Contra-relógio Juniores Femininas, 22,4 km - Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ)
10:15: Contra-relógio Juniores Masculinos, 22,4 km – Daniel Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) e Diogo Narciso (Bairrada)

8 de Agosto 
9:45: Contra-relógio Elite Feminina, 22,4 km - Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport)
11:45: Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 22,4 km - Jorge Magalhães (W52-FC Porto)

9 de Agosto 
8:00: Prova de Fundo Juniores Femininas, 69 km - Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ)
11:00: Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 92 km - Maria Martins (Sopela Women’s Team)
15:00: Prova de Fundo Juniores Masculinos, 115 km – César Costa (Vito-Feirense-PNB), Daniel Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact), Diogo Narciso (Bairrada), João Carvalho (Bairrada), João Macedo (Bairrada) e Pedro Silva (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact)

10 de Agosto 
8:00: Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 138 km – André Carvalho (Hagens Berman Axeon), Francisco Campos (W52-FC Porto), Iuri Leitão (Sicasal-Constantinos), Jorge Magalhães (W52-FC Porto), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) e Tiago Antunes (SEG Racing Academy) 
12:00: Prova de Fundo Elite Feminina, 115 km - Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport)

11 de Agosto 
10:30: Prova de Fundo Elite Masculina, 172,6 km - César Martingil (Sporting-Tavira) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates).

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3 de março de 2019

Portugal mantém-se na corrida aos Jogos Olímpicos após Mundiais

(Fotografia: Arquivo Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Oliveira abriu a participação portuguesa nos Mundiais de Pruszków, com uma prometedora exibição no scratch, mas nas disciplinas olímpicas (omnium e madison) os resultados ficaram aquém do desejado. Ainda assim, a Portugal mantém-se nos lugares de apuramento para os Jogos Olímpicos, havendo mais provas para disputar, como os Europeus.

A fechar os Mundiais polacos, os gémeos Oliveira marcaram presença no madison, mas não foi um dia bom para Ivo e Rui. "Foi uma corrida em que as três melhores selecções fizeram uma média dois quilómetros por hora superior ao que aconteceu no anterior Mundial e nas melhores provas da Taça do Mundo. O Ivo e o Rui não entraram bem no ritmo intenso da corrida e isso foi gerando fadiga, que se acumulou e provocou o resultado aquém do que esperávamos. Ainda assim, foi importante terminar a corrida, porque isso permitiu somar pontos para o ranking olímpico. A qualificação mantém-se possível, mas teremos de melhorar no Europeu de elite e na próxima época da Taça do Mundo", salientou o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A dupla terminou na 17ª posição, com 57 pontos negativos, numa prova ganha pelos alemães Roger Kluge e Theo Reinhardt, com uma média fantástica de 59,243 quilómetros por hora.

No sábado foi João Matias quem esteve em pista, no omnium, disciplina composta por quatro provas. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou mal, com um 18º lugar no scratch e 20º na corrida tempo. Matias apareceu bem melhor na eliminação, ficando na 13ª posição. Iniciou a corrida por pontos no 18º lugar da geral. Conseguiu entrar no grupo que ganhou uma volta, pontuou em mais um sprint e assim subiu um lugar, fechando o concurso com 45 pontos.

Apesar dos resultados menos conseguidos nas disciplinas olímpicas, Portugal não foi ultrapassado por nenhuma das selecções rivais na disputa por um lugar em Tóquio.

Maria Martins fez a sua estreia nestas andanças. Depois de estar sempre a melhorar nas Taças do Mundo, a ciclista alcançou um 14º lugar no omnium nestes Mundiais. Foi 10ª no scratch, 17ª na corrida tempo, 13ª na eliminação e após na corrida por pontos conseguiu três pontos que lhe valeram a subida ao 14º posto. Maria Martins mantém-se também ela na luta por um lugar em Tóquio2020.

Nas provas não olímpicas, Rui Oliveira foi quinto no scratch e um inédito título mundial em elite na pista ficou a cerca de 100 metros. O corredor português tentou um ataque a sete voltas do fim e só foi apanhado já com a meta à vista. Ficou no quinto lugar. Já Ivo não conseguiu repetir o lugar na final da perseguição individual de há um ano, quando foi vice-campeão mundial.


14 de fevereiro de 2019

Quatro eleitos à procura de um pouco mais de história

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclismo de pista já não é uma modalidade que passe despercebida em Portugal e com os Mundiais à porta, a expectativa vai aumentando. O trabalho realizado nos últimos anos, com Gabriel Mendes ao leme, tem tornado a vertente cada vez mais procurada por ciclistas e, claro, com os gémeos Oliveira a ser a referência máxima. As principais conquistas são de Ivo e Rui, mas não estão sós nesta transformação da pista. João Matias e, no feminino, Maria Martins, são dois nomes incontornáveis e completam o quarteto eleito para ir aos Campeonatos do Mundo à procura de fazer um pouco mais de história.

Com os resultados a melhorarem praticamente a cada grande competição feita, a selecção nacional apurou-se para os concursos masculino e feminino de omnium e para as provas masculinas de madison, perseguição individual e scratch. Maria Martins estará então no omnium, mas ainda não foi adiantado a distribuição de provas por Ivo, Rui e Matias. Na perseguição individual será uma surpresa não ver Ivo Oliveira a competir, visto que é o vice-campeão mundial.

Os Mundiais vão decorrer em Pruszków, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março. Maria Martins competirá no dia 1: scratch (14:00), corrida tempo (16:10), eliminação (18:30) e corrida por pontos (19:55). No mesmo dia realiza-se a perseguição individual masculina, com as qualificações a arrancarem às 14:45 e finais estão agendadas para as 19:20.

O primeiro ciclista a entrar em acção será no dia 28, às 18:50, no scratch. A 2 de Março assistir-se-á ao ominum masculino, com o alinhamento e horários a serem os mesmos da prova feminina do dia anterior. A despedida será feita no madison, no dia 3, ás 13:55.

Com os resultados já alcançados em vários escalões, incluindo em elite, mais as recentes prestações muito positivas nas Taças do Mundo, é inevitável que as expectativas sejam cada vez mais altas. No entanto, o seleccionador Gabriel Mendes mantém-se focado também noutro objectivo: os Jogos Olímpicos. "O nosso grande foco são as disciplinas olímpicas de omnium e de madison. Tentaremos obter o maior número possível de pontos para o ranking de apuramento para os Jogos Olímpicos e para os rankings individuais", referiu, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os Mundiais têm um grande peso nas qualificações olímpicas, o que, a acontecer em Tóquio2020, será um feito inédito para o desporto português.



27 de janeiro de 2019

Portugal sempre a melhorar e o pódio ficou tão perto

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Está a ser sempre a melhorar. As prestações dos ciclistas portugueses na pista continuam a atingir novos níveis nas Taças do Mundo. O destaque da participação da etapa de Hong Kong vai para o quarto lugar no madison, num resultado que tem tanto de bom, como de um pouco de frustrante, afinal dois pontos apenas separaram João Matias e Rui Oliveira do pódio. Mas também Maria Martins está a aproveitar muito bem as oportunidades que está a ter para competir nestas importantes provas. Foi sexta no omnium. 

Em três participações, Maria Martins passou de um 16º lugar em Londres, para um sexto em Hong Kong, com um 12º pelo meio na Nova Zelândia. Maria Martins começou com um quinto posto no scratch, um sexto na corrida tempo e 11º na eliminação. A derradeira prova, a corrida por pontos, foi disputada a uma média de 48,265 quilómetros/hora. Maria Martins não somou qualquer ponto, mas ainda assim garantiu o melhor resultado de sempre no ciclismo de pista feminino de Portugal, numa Taça do Mundo. Terminou o concurso do omnium com 82 pontos.

A holandesa Kirsten Wild, campeã mundial da disciplina, venceu com 137 pontos, a francesa Laurie Berthon foi segunda, com 114 e a australiana Alexandra Manly fechou o pódio com 112. 

Apesar do próximo objectivo serem os Mundiais de Pruszkow, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março, a qualificação para os Jogos Olímpicos está sempre presente na mente dos ciclistas. Por isso mesmo, o quarto lugar no madison da dupla Matias/Oliveira é ainda mais relevante. Os dois ciclistas realizaram uma excelente prova, tendo estado praticamente toda corrida em lugares de pódio. Só no último sprint a dupla acabou por cair para o quarto posto. A Equipa Portugal não conseguiu pontuar, finalizando a prova com 19 pontos, a apenas dois dos franceses Benjamin Thomas e Florian Maitre.

Os neozelandeses Thomas Sexton e Campbell Stewart foram os vencedores com 33 pontos, seguidos pelos australianos Sam Welsford e Kelland O’Brien, que somaram 29.

No sábado, João Matias havia alcançado outro bom resultado no scratch, um sexto lugar, enquanto na disciplina olímpica do omnium, Rui Oliveira teve um mau dia, ficando apenas no 19º posto.

Foram semanas intensas da selecção de pista, que agora espera por conhecer as quotas para os Mundiais, para assim Gabriel Mendes escolher os ciclistas que irão representar Portugal.

O regresso de David Rosa

Também no BTT Portugal teve um ciclista em acção este fim-de-semana. Foi o final de uma longa paragem para o atleta olímpico David Rosa, que não competia desde Maio do ano passado. Em Lanzarote, foi 17º no sábado, melhorando para 13º no domingo na prova espanhola.

"O David Rosa andou sempre no grupo da frente, em mais uma etapa de velocidade muito elevada para o BTT. Numa etapa mais longa do que a de véspera, as sensações do David já foram melhores, o que nos deixa optimistas para o que ainda falta de competição", afirmou o seleccionador Pedro Vigário, quando ficam a faltar duas etapas da prova.

Na estrada, mas pelas respectivas equipas, Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) e Ivo Oliveira (UAE Team Emirates) estiveram na Cadel Evans Great Ocean Race, na Austrália. O campeão nacional de 2017 foi 15º, com o mesmo tempo do vencedor, o italiano Elia Viviani (Deuceninck-QuickStep). Já Ivo abandonou na sua segunda corrida do World Tour.


5 de janeiro de 2019

Rui Oliveira e Maria Martins conquistam primeiros títulos nacionais de 2019

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ano 2019 de ciclismo arrancou em Portugal, com a pista a fazer novamente as honras. O  velódromo de Anadia foi o palco de uma emocionante prova de omnium masculina. Rui Oliveira e Maria Martins ficaram com os primeiros títulos nacionais em disputa.

Se Maria Martins dominou a prova feminina, já Rui Oliveira e João Matias proporcionaram uma luta bem acesa pela vitória até à última das quatro corridas. Foi o ciclista de Gaia quem começou melhor ao vencer no scratch. Contudo, Matias respondeu ao ser superior na corrida tempo e foi também mais forte na de eliminação, na qual Rui é vice-campeão europeu. Para a decisiva prova, Matias levou dois pontos de vantagem.

Na corrida por pontos Rui acabou por assegurar o título nacional, terminando o omnium com 203 pontos, mais 18 do que João Matias. A seguir ao corredor da Vito-Feirense-PNB ficou o reforço do Sporting-Tavira, César Martingil, com 160 pontos. Para Rui Oliveira foi uma excelente forma de estrear o equipamento da UAE Team Emirates, no início da sua carreira como ciclista do World Tour.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O omnium está integrado nos Jogos Olímpicos e é uma das provas, juntamente com o madison, em que Portugal está a tentar conseguir um inédito apuramento para Tóquio2020.

Quanto à prova feminina, a corredora da Sopela Women's Team demonstrou porque tem sido uma das principais apostas do seleccionador nacional de pista, Gabriel Mendes. Maria Martins venceu as quatro corridas, deixando Soraia Silva (Velo Performance) a 40 pontos. Raquel Rodrigues (ACD Milharado/EC Manuel Martins) fechou o pódio, com 217 pontos negativos. Com o ciclismo de pista feminino ainda a estar numa fase inicial de desenvolvimento, estas foram as únicas três portuguesas a participarem no omnium.

Os próximos títulos nacionais de pista em jogo serão os de scratch, corrida por pontos e perseguição individual, que serão disputados a 2 de Fevereiro.

Classificação masculina (clique na imagem para ampliar):

16 de dezembro de 2018

João Matias com melhor resultado no omnium de Portugal e Maria Martins com estreia positiva

(Fotografia: © António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mais um fim-de-semana de pista, com João Matias em destaque ao obter a melhor classificação da Equipa Portugal no omnium na edição 2018/19 da Taça do Mundo, até ao momento. Em Londres, o ciclista da Vito-Feirense-BlackJack foi 10º classificado, num resultado mais animador, rumo ao objectivo de qualificação para os Jogos Olímpicos. A etapa londrina ficou ainda marcada pela estreia Maria Martins e César Martingil neste tipo de competições, com Tata, como é conhecida, a deixar boas indicações. Já Martingil não foi feliz.

João Matias foi este domingo sétimo em scratch, nono na corrida tempo e 10º em eliminação, chegando no nono lugar à última e decisiva prova do omnium, a corrida por pontos. O ciclista não somou qualquer ponto, cedendo uma posição no derradeiro sprint, terminando assim a competição com 74 pontos.

A vitória foi para o britânico Matthew Walls, com 131 pontos, mais oito do que o mexicano Ignacio Prado. Na terceira posição ficou um nome bem conhecido, um campeão olímpico da especialidade e o corredor mais vitorioso na época de estrada ao serviço da Quick-Step Floors: o italiano Elia Viviani (114).

No sábado, Maria Martins participou pela primeira vez numa Taça do Mundo. Com Portugal a ser o quinto país de reserva no omnium, a chamada surgiu depois de algumas selecções não terem participado. A ciclista portuguesa, da Sopela Women's Team, aproveitou bem a oportunidade. Foi 16º em scratch, 13ª na corrida tempo e oitava em eliminação. Após a corrida por pontos, Maria Martins segurou a 14ª posição, terminado o omnium com 54 pontos.

A holandesa Kirsten Wild mostrou as razões de envergar a camisola de campeã do mundo e bateu toda a concorrência, com 124 pontos. Seguiu-se a americana Jennifer Valente, com 118, e a canadiana Allison Beveridge, com 106.

No madison, a Equipa Portugal não foi feliz. César Martingil fez dupla com Miguel do Rego e ambos acusaram a inexperiência, num pelotão de elevado nível. Ao acumularem duas voltas de atraso, foram obrigados a abandonar a prova.

A vitória foi para os os dinamarqueses Casper von Folsach e Julius Johansen, com 46 pontos, seguidos pelos britânicos Fred Wright e Matthew Walls, com 30. Os espanhóis Albert Torres e Sebastián Mora fecharam o pódio, com 21. Há uma semana, no Troféu Internacional Município de Anadia, a dupla britânica havia ganhou, deixando os rivais da Dinamarca na segunda posição.

A selecção portuguesa irá ter um início de 2019 muito intenso na pista. Irá competir nas etapas da Taça do Mundo da Nova Zelândia (18 a 20 de Janeiro) e de Hong Kong (25 a 27 do mesmo mês), seguindo depois para o Mundial, que vai realizar-se em Pruszkow, Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março.