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27 de fevereiro de 2021

Novos protagonistas quiseram aparecer mas no final... ganhou quem mais sabe

© Luc Claessen/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
Início da época de clássicas que não desiludiu! O fim-de-semana de abertura deste tipo de corridas, com destaque para as provas de pavé teve uma Omloop Het Nieuwsblad bem animada, com alguns novos protagonistas a quererem entrar na luta com os habituais candidatos nesta fase do ano, mas no final ganhou a equipa que melhor sabe fazê-lo neste terreno.

Ver a Deceuninck-QuickStep correr nas clássicas é arte no ciclismo. Ver a Deceuninck-QuickStep preparar sprints é a perfeição a alta velocidade. A temporada conta com poucas corridas - muitos cancelamentos e adiamentos devido à pandemia -, mas a equipa belga já soma cinco vitórias. E não deu hipóteses na Omloop Het Nieuwsblad. Uma clássica do pavé, uma vitória. Tentou com Julian Alaphilippe, não resultou, o francês trabalhou depois intensamente para um companheiro. Zdenek Stybar caiu, mas estava lá um Davide Ballerini cada vez mais a sair do segundo plano, que na Deceuninck-QuickStep pouco quer dizer. Todos acabam por ter a sua oportunidade.

Aos 26 anos, está há dois na Deceuninck-QuickStep, o que diz ser o cumprir de um sonho. Se já em 2020 tinha demonstrado que poderia começar a entrar nas contas para sprinter de referência, na Omloop Het Nieuwsblad não desperdiçou a oportunidade para ganhar. E tanto o italiano, como toda a equipa quase fizeram parecer fácil ganhar! Toda a concorrência ficou a ver Ballerini de longe enquanto cortava a meta, depois de 200,5 quilómetros da clássica belga.

Mas se a Deceuninck-QuickStep mostrou o esperado, há outros dois destaques menos comuns nestas andanças. A Ineos encontrou um ciclista que poderá fazer o mesmo que Ian Stannard há uns anos. Provavelmente até mais. Thomas Pidcock finalmente optou por se dedicar à estrada (ainda que não vá deixar o ciclocrosse) e a sua chegada à Ineos Grenadiers - esteve em 2018 e 2019 na Team Wiggins - é precisamente para dar outro poderio à equipa britânica nestas corridas.

Porém, Pidcock também é ciclista que se adapta bem às provas por etapas. Aos 21 anos chega ao World Tour com selo de corredor completo, forte também no contra-relógio. Em 2017 foi campeão mundial em juniores na especialidade.

Na Omloop Het Nieuwsblad ficou uma pequena amostra do que o britânico poderá fazer. A forma como recuperou lugar na frente da corrida depois de ter ficado no grupo atrasado, foi um momento de muita classe de Pidcock. Infelizmente uma queda acabaria por estragar-lhe a corrida já nos quilómetros finais.

Se a Ineos Grenadiers não tem muita tradição neste tipo de corrida, a Movistar também não.  Aqui e ali a equipa espanhola já tentou no passado mostrar-se nas clássicas do pavé. Até Alejandro Valverde experimentou recentemente. Porém, tem agora um ciclista de qualidade para este terreno. Ivan Cortina chegou da Bahrain-Mclaren com o plano de se tornar num sério candidato a vitórias no pavé. O 11º lugar do espanhol pode muito bem ser o revelar que está a aquecer para o que aí vem neste calendário específico.

E temos ainda André Carvalho. O único português em prova estreou-se numa prova World Tour. O ciclista da Cofidis tem duas missões nesta altura da época: adaptar-se a uma nova realidade e dar o apoio possível aos líderes, neste caso Christophe Laporte. É isso que Carvalho está a fazer, terminando na 77ª posição, a 3:07 minutos de Ballerini.

A equipa francesa está a dar tempo de corrida ao português de 23 anos. Este domingo estará novamente em acção na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (dorsal 136) e também está na lista para a prova Le Samyn.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Maria Martins começou temporada

Enquanto a campeã mundial Anna van der Breggen (SD Worx) dava um daqueles espectáculos a que já nos habituámos, deixando todas para trás e cortando a meta sozinha, a Omloop Het Nieuwsblad para senhoras tinha uma Maria Martins a arrancar a época da Drops-Le Col s/p Tempur.

A vontade já era muita, depois de um 2020 para esquecer na estrada devido à razão que já se sabe. 2021 também não se apresenta fácil com a pandemia a continuar a limitar a realização de corridas, mas a portuguesa de 21 anos foi à Bélgica sentir o que é competir numa clássica do pavé. A época começou com um 41º lugar, a 7:13 minutos da vencedora, sendo uma experiência que vai ajudar a jovem ciclista a crescer num pelotão feminino cada vez mais competitivo.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Mais portugueses

O trio luso da UAE Team Emirates competiu em França, na Faun-Ardèche, uma corrida mais para trepadores. Por isso mesmo, Rui Costa aproveitou para se mostrar, terminando na 12ª posição, a 46 segundos de David Gaudu.

Atenção a este ciclista francês da Groupama-FDJ. Com Thibaut Pinot a estar numa fase novamente mais complicada, com o Tour a nem aparecer nos seus planos para 2021 - vai ao Giro -, poderá estar a chegar o momento de Gaudu assumir um papel de maior relevância. E vai à Volta à França.

Quanto aos gémeos Oliveira, terminaram juntos: Ivo foi 119º e Rui 120º, ambos a 19:10 minutos de Gaudu.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

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»»Corridas em Portugal só em Abril. Ciclistas desiludidos com adiamentos««

26 de fevereiro de 2021

Novo equipamento e bicicleta no arranque de época de Maria Martins

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Maria Martins vai estar no fim-de-semana de abertura das clássicas! Finalmente chega a fase da temporada sempre tão espectacular, com a Omloop Het Nieuwsblad a dar o mote este sábado, antes de no domingo se disputar a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Esta última é só para os homens, mas a primeira terá prova masculina e feminina. A ciclista portuguesa vai dar as primeiras pedaladas na estrada de 2021 com a sua Drops-Le Col s/b Tempur, mas este fim-de-semana teremos mais lusos em acção. André Carvalho, por exemplo, em ano de estreia no World Tour, estará nas duas clássicas com a Cofidis.

Para a equipa de Maria Martins é o início de uma nova era depois de ter chegado um muito desejado reforço financeiro. A Le Col, marca de equipamentos, respondeu ao apelo de ajudar a equipa britânica a crescer e passou de apenas fornecedora a co-patrocinadora.

© Drops-Le Col s/b Tempur
O momento teve de ser marcado com um novo equipamento, pois claro, e é bem vistoso. Já em 2020 não era um que passasse despercebido, mas para esta época a Le Col 
aproveitou o conhecimento da McLaren no pelotão profissional - na época passada chegou mesmo a ter o seu nome na equipa da Bahrain, mas entretanto abandonou o ciclismo - para criar um equipamento moderno e que faça a sua parte para contribuir para o sucesso das ciclistas. A marca explicou que camisola e calções foram criados com o melhor dos materiais, para permitir a melhor aerodinâmica, além do essencial conforto.

Recorde-se que a Drops quer ascender ao principal escalão e 2021 será um ano importante para alcançar o objectivo já na próxima temporada. A questão financeira parece estar num bom caminho, agora procuram-se bons resultados. Além da Le Col passar a co-patrocinadora, chegou a Tempur (colchões e almofadas), a Ribble fornece as bicicletas, com a Mavic a entrar no ciclismo feminino através desta equipa.

Maria Martins chegou à Drops em 2020 depois de dois anos na Sopela Women's Team, para onde deu o salto depois de representar o Clube de Ciclismo da Bairrada. Com apenas 21 aos, Tata, como é conhecida, já fez história na modalidade em Portugal, ao tornar-se na primeira mulher lusa a apurar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em pista. Nesta vertente já soma medalhas, enquanto procura afirmar-se também na estrada.

Forte no sprint, 2020 foi um ano difícil devido à escassez de corridas. Esta época também não está fácil para o calendário feminino, pelo que há que aproveitar todas as oportunidades que surjam. A Omloop Het Nieuwsblad contará com alguns grandes nomes, como Annemiek van Vleuten (Movistar) e Lizzie Deignan (Trek-Segafredo).

Maria Martins, que terá o dorsal 162, estará acompanhada na sua equipa pela britânica Elizabeth Bennett, a sueca Sara Penton, a alemã Finja Smekal e as holandesas Maike van der Duin e Marjolein van't Geloof.

© Drops-Le Col s/b Tempur
A bicicleta de Tata

A Ribble, marca britânica com mais de 100 anos de história, escolheu os modelos Ribble Endurance SLR e Ultra TT (contra-relógio) para serem utilizados pelas ciclistas da Drops-Le Col s/b Tempur.

Nas fotografias divulgadas pela equipa, será uma bicicleta que não passará despercebida. Afinal, na Drops há o lema de "colour the road" (dar cor à estrada), o que também é bem perceptível pelos equipamentos. Nas imagens é possível ver que além das rodas Mavic, a bicicleta está equipada com o grupo Shimano Ultrega, selim Fizik e pneus Continental.

É esta a nova máquina de Maria Martins, que este ano não terá a companhia na aventura no estrangeiro, ainda que em equipas diferentes, de Daniela Reis. A primeira ciclista portuguesa a ir além fronteiras colocou um ponto final na carreira. Quanto a Tata, depois da Omloop Het Nieuwsblad (124,4 quilómetros entre Gent e Ninove) participará na corrida Le Samyn, na Bélgica, na terça-feira.

A Drops-Le Col s/b Tempur terá como um dos pontos altos da temporada a presença na primeira edição do mítico Paris-Roubaix para senhoras, prova agendada para 11 de Abril.

(Texto continua após o vídeo.)


No masculino...

Relativamente a André Carvalho, o outro português em acção nas clássicas deste fim-de-semana - sem esquecer que João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) estão na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que acaba este sábado -, o ciclista de 23 anos estreou-se na Cofidis na Clássica de Almeria (100º lugar), mas a Omloop Het Nieuwsblad marcará a sua primeira corrida World Tour.

Carvalho, dorsal 84, terá o francês Christophe Laporte como líder, com a Cofidis a chamar ainda Piet Allegaert, Tom Bohli, Jempy Drucker, Emmanuel Morin e Szymon Sajnok. Serão 200,5 quilómetros entre Gent e Ninove.

Para a Kuurne-Bruxelles-Kuurne sai Sjanok e entra Jelle Wallays (Carvalho terá o dorsal 136), com o português a poder fazer o pleno, pois também está na lista da Cofidis para o Le Samyn, na terça-feira.

De referir que este sábado também se realiza em França uma corrida de um dia, a Faun-Ardèche, que contará com o trio luso da UAE Team Emirates: Rui Costa e os gémeos Oliveira. Serão 171,3 quilómetros que começam e acabam em Guilherand-Granges.


1 de janeiro de 2021

2021 não será apenas mais um ano

© João Fonseca Photographer
Aí vem mais uma temporada de ciclismo, com muitas mudanças nas equipas - principalmente quando se fala a nível nacional -, muitas expectativas e... alguma ansiedade. Até aqui, o normal. Mas não se vivem tempos nada normais e dizer que 2021 é "mais um ano", não parece ser o mais correcto. Será um ano muito importante, depois de um 2020 em que o mundo ficou virado do avesso.

Será importante para mostrar que depois de tantas experiências feitas entre Agosto e Novembro na organização de corridas de mãos dadas com regras sanitárias muito apertadas, o ciclismo pode ir para a estrada em segurança em tempo de pandemia. Será também importante noutra perspectiva: para ver a evolução das jovens figuras nacionais que criaram um entusiasmo pela modalidade em Portugal que há algum tempo não se via.

E é inevitável começar por aqui. João Almeida acabou o ano a ser eleito o desportista do ano pelo CNID - Associação dos Jornalistas de Desporto (tal como Maria Martins), depois daquela gloriosa senda cor de rosa na Volta a Itália e de um espectacular quarto lugar final. Tudo na sua primeira grande volta, no seu ano de estreia no World Tour. Já se fala do interesse da UAE Team Emirates, mas é na Deceuninck-QuickStep que o ciclista da Caldas da Rainha vai continuar a mostrar-se.

Almeida já não é apenas mais um nome no pelotão internacional, tal como Ruben Guerreiro. É mais um jovem português em alta. A camisola da montanha e a conquista de uma etapa no Giro confirmaram finalmente a qualidade deste ciclista da EF Pro Cycling (agora EF Education-Nippo). Que as exibições dos dois (e não só) sirvam para elevar novamente o ciclismo português a outro nível. E até o empresário Jorge Mendes não ficou indiferente ao que está a acontecer. Entra no ciclismo, com a Polaris Sports a ficar responsável pela promoção da imagem de ambos e dos gémeos Oliveira.

André Carvalho (Cofidis) é mais um jovem a chegar ao World Tour, enquanto por cá houve uma autêntica dança de ciclistas entre as equipas nacionais, com várias trocas, incluindo de líderes, como Joni Brandão a ir para a W52-FC Porto e Gustavo Veloso a deixar esta equipa para representar a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

E há que não esquecer que Maria Martins está há um ano à espera de se tornar na primeira atleta portuguesa a participar nos Jogos Olímpicos na vertente de ciclismo de pista. 2020 trouxe os primeiros títulos internacionais em elite para o país, com Iúri Leitão e Ivo Oliveira, pelo que é uma modalidade que continua a merecer toda a atenção.

Mas enquanto lá por fora ficou a certeza que é possível realizar-se corridas como a Volta a França em tempo de pandemia, por cá é difícil ter certeza do que seja. Mesmo com a Volta a Portugal a ter recebido nota positiva pela organização, a verdade é que mais nenhuma corrida se realizou a seguir. Antes, só os Nacionais, Troféu Joaquim Agostinho (em versão reduzida) e um contra-relógio que serviu de Prova de Reabertura, proporcionaram momentos de competição aos atletas, após o confinamento. Muito pouco para a elite, já para não falar dos escalões de formação.

Os calendários estão feitos, a aprendizagem do que é preciso para se realizar uma prova em segurança durante a pandemia também está feita. E é por isso que 2021 não pode ser apenas mais um ano. Tem de ser a época em que não se regressará a uma normalidade, todos estão cientes disso, mas que se regressará à competitividade para o bem da modalidade. Para o bem do desporto em geral, pois é uma realizada que não afecta apenas o ciclismo.

As nove equipas Continentais portuguesas tremeram em 2020, mas resistiram. No entanto, o maior desejo neste 1 de Janeiro, é que não se repita os cancelamentos e que haja corridas, pois uma modalidade que depende de patrocinadores, precisa de ter palcos para os mostrar.

Lá fora, houve muitos sobressaltos, é certo. Mas acabar a Volta a Espanha sem casos positivos de covid-19, foi o sinal que, durante aqueles meses de intensa competição, com grandes corridas a sobreporem-se, algumas a terem de reorganizar percursos em cima da hora, muitas restrições, muitas regras sanitárias... todo o esforço foi compensado com a perspectiva que em 2021 é possível ter um calendário mais próximo do habitual (não haverá Tour Down Under, por exemplo, a marcar o arranque da temporada World Tour), sabendo-se que as certezas não existem, mas as incertezas, pelo menos, não são tantas.

Não foram só as equipas portuguesas a tremer. Algumas formações do World Tour tiveram de lutar muito pela sobrevivência, com a CCC a não resistir. No entanto, o principal escalão manterá as 19 equipas, com a entrada da belga Intermarché Wanty Gobert, que ficou com a licença da CCC. Ainda assim, algumas sabem que têm de fazer mais e melhor, pelo que desejam um calendário perto do normal.

Que venha 2021 com muito e bom ciclismo, em Portugal - espera-se que já a 17 de Fevereiro, dia do arranque da Volta ao Algarve -, com os portugueses lá fora e, claro, com os grandes nomes desta espectacular modalidade.

»»Mais pedidos do que vagas para a Volta ao Algarve««

9 de dezembro de 2020

Miguel Salgueiro o melhor português na estreia do Mundial de Ciclismo Electrónico

© Federação Portuguesa de Ciclismo
O ciclismo saiu da estrada para o mundo virtual durante o confinamento, altura em que plataformas como a Zwift ganharam ainda mais utilizadores. Porém, foi a confirmação do que já se estava a verificar em tempos recentes. Em 2019 foi anunciado o primeiro Mundial virtual, apelidado de Electrónico. Mal se sabia o que se viria a viver poucos meses depois e como esta prova acabou por ter outra relevância, quando até já se realizaram uma Volta a Flandres e um Tour. Alguns dos grandes nomes do ciclismo de estrada participaram na corrida que se realizou esta quarta-feira. Entre os portugueses, Miguel Salgueiro mostrou que também nesta vertente podem contar com ele para alcançar bons resultados.

O ciclista da LA Alumínios-LA Sport esteve acompanhado por Jorge Magalhães (W52-FC Porto) e por Maria Martins (Drops), que tiveram como "base" o Centro de Alto Rendimento, em Anadia. O trio representou a selecção portuguesa, com Miguel Salgueiro a terminar na 33ª posição, a 32:33 segundos do vencedor, Jason Osborne. O alemão, de 26 anos, tornou-se assim no primeiro campeão do mundo do ciclismo electrónico, com a sul-africana Ashleigh Moolman Pasio (35) a alcançar o feito entre as mulheres.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A prova feminina foi decidida ao sprint, com a australiana Sarah Gigante a ficar em segundo e com a sueca Cecilia Hansen a fechar o pódio, cortando a meta com apenas um segundo de diferença. Moolman Pasio completou os 50,035 quilómetros em 1:13.27 horas, com Maria Martins a ser 52ª, muito longe da discussão da corrida. A ciclista portuguesa regressou recentemente de férias e acusou a falta de ritmo.

Quanto a Miguel Salgueiro, estrada, BTT, ciclocrosse e até pista são vertentes em que já demonstrou como é competitivo. Agora comprova o seu estatuto de todo-o-terreno numa bicicleta no ciclismo electrónico.

"Foi uma prova muito dura, arrancou logo muito rápida. Tive de fazer vários sprints ao longo da corrida para conseguir manter-me no pelotão, mas este é um tipo de esforço a que me adapto bem. Isto acaba por ser uma corrida de eliminação. Mantive-me no grupo da frente e, na fase final, apesar de já estar muito desgastado, tentei a minha sorte. Foi demasiado cedo. Paguei a falta de experiência, pois nunca tinha competido a este nível, mas fica a aprendizagem para o futuro", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Salgueiro atacou no último quilómetro. Não resultou, mas terminou a prova atrás de corredores como o britânico Tom Pidcock (reforço da Ineos para 2021) e o belga Victor Campenaerts. Mas mais nomes bem conhecidos participaram, como Edvald Boasson Hagen, Michael Valgren, Rigoberto Uran e Domenico Pozzovivo, por exemplo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Jorge Magalhães foi 49º, a 4:02 minutos de Osborne, tendo perdido contacto com o grupo da frente a meio da prova. "Foi quase um sprint na subida, como sou pouco explosivo, acabei por não conseguir passar na frente e depois já não foi possível regressar ao grupo da frente", explicou.

Watopia tornou-se uma popular subida na plataforma Zwift, que foi a parceira do primeiro Mundial de uma vertente que a UCI abraçou. De referir que Osborne foi o mais forte no sprint final, batendo dois dinamarqueses: Anders Foldager (a 1:74 segundos) e Nicklas Pedersen (a 2:09 segundos).

»»Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir««

12 de novembro de 2020

Iuri Leitão é campeão europeu de scratch

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020

Depois da prata, o ouro. Um dia depois de ter conquistado a medalha de prata em eliminação. Iuri Leitão foi campeão europeu de scratch, numa grande corrida do ciclista português. Mas o segundo dia dos Europeus em Plovdiv, na Bulgária, renderam ainda uma medalha de bronze pela inevitável Maria Martins, em eliminação.

"Não vou mentir. Vim para esta corrida com o objetivo de discutir os primeiros lugares, mas sem colocar as expectativas muito elevadas, porque na pista tão depressa se está a lutar pelas medalhas como no décimo lugar. Felizmente venci, mas acho que só comecei a perceber a dimensão do que tinha conseguido quando vesti a camisola de campeão da Europa", admitiu Iuri Leitão, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
O seleccionador nacional, Gabriel Mendes “o orgulho muito grande” no título europeu de Iuri Leitão. "Sabíamos que o nível era muito elevado na prova de scratch e que existia uma probabilidade grande de incerteza quanto ao resultado. Esperávamos movimentações e elas aconteceram. Foi após outros ataques, que não resultaram, que o Iuri se isolou. Fez uma excelente gestão do esforço e uma fantástica leitura de corrida, controlando aqueles que poderiam ser os adversários mais perigosos nos momentos certos para o fazer. Foi uma prestação de excelência. Fez-se história", salientou.

A prova de 15 quilómetros, traduz-se em 60 voltas ao velódromo de Plovdiv. As primeiras vinte foram marcadas por várias tentativas de fuga, às quais o pelotão respondeu de pronto. A única iniciativa que vingou foi precisamente do ciclista português. Leitão atacou a 40 voltas do fim, pedalou em solitário e, a 26 voltas de acabar a prova, consumou a volta de avanço sobre o grupo. "Não estava planeado atacar tão cedo, mas vi uma janela de oportunidade e aproveitei. Depois de alguns ataques, houve um momento de tensão. Achei que era o momento certo para tentar", explicou.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
Depois de ganhar a volta de avanço e de recuperar o fôlego, o português respondeu ao ataque dos adversários. Ninguém conseguiu escapar. Percebendo que não teriam qualquer hipótese de bater o português, os fugitivos abdicaram da iniciativa, mas corredor de Viana do Castelo prosseguiu o esforço para ser o primeiro a cortar a meta, o que nem precisava para vencer. O ucraniano Roman Gladysh ficou com a medalha de prata e o britânico Oliver Wood com o bronze.

Em baixo, as declarações do ciclista depois de vestir a camisola de campeão europeu.

Maria Martins já tem a sua medalha

No primeiro dia dos Europeus, Maria Martins ficou-se pelo 10º lugar na prova de scratch. Agora já tem a sua medalha, uma de bronze em eliminação.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
A primeira portuguesa a apurar-se para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista também já tem a sua medalha nestes Europeus. Na eliminação Maria Martins aplicou uma táctica semelhante à que ontem valera a prata a Iuri Leitão na mesma disciplina, correndo na parte de trás, mas quase sempre por fora do pelotão, com espaço para ir eliminando a concorrência e para ocupar posições mais adiantadas, quando isso se exigia.

A portuguesa ainda sofreu alguns sustos, mas conseguiu não só salvar a eliminação, como teve energia para discutir os lugares do pódio. A italiana Rachele Barbieri sagrou-se campeã da Europa, com a britânica Elinor Barker a ficar com a medalha de prata.

"A condição física não é máxima, mas temos de otimizar o desempenho com os recursos de que dispomos. Considero que a Maria fez uma corrida muito boa, conseguindo movimentos, na parte de trás, que eliminaram adversárias de forma muito competente, e reposicionando-se mais adiante. Está de parabéns pelo resultado e pela performance", referiu Gabriel Mendes.

Recorde-se que Maria Martins sofreu uma queda os Europeus de sub-23, o que a obrigou a parar durante uma semana, prejudicando a sua preparação para o Campeonato da Europa de Elite.

Calendário dos portugueses na sexta-feira

Esta sexta-feira, os gémeos Oliveira vão entrar em acção em Plovdiv, depois de no domingo terem terminado a primeira grande volta das suas carreiras, em Espanha. Agora dedicados a numa vertente na qual somam também eles medalhas desde os anos de formação, vão à procura de mais como atletas de elite elite.

Às 11:35 arranca a qualificação da perseguição individual, que contará com os portugueses Ivo Oliveira e Iuri Leitão. A final será às 16:20. Às 16:35 Maria Martins disputa a corrida por pontos, disciplina em que Rui Oliveira participa às 17:25.

»»Volta a Portugal com impacto mediático de 80,1 milhões de euros««

14 de outubro de 2020

Oito medalhas na melhor prestação da Equipa Portugal nos Europeus de pista

© BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo
Apesar de um discurso cauteloso antes do início dos Europeus de sub-23 e juniores, com o objectivo a passar por alcançar top oito nas provas, o seleccionador nacional de pista saiu de Fiorenzuola d’Arda, Itália muito satisfeito. Gabriel Mendes escolheu três ciclistas que obtiveram oito medalhas, o que se traduz na melhor prestação da Equipa Portugal nesta competição.

Num velódromo ao ar livre, Maria Martins foi a que demonstrou ter a preparação um pouco mais atrasada. Porém, é uma ciclistas sempre determinada em vencer e conquistou duas medalhas para juntar às que já detém. Desta feita, a sub-23 portuguesa ficou com a medalha de prata na prova de eliminação e com a de bronze no scratch. Este ano, Maria Martins assinou pela Drops, mas a pandemia não tem permitido participar em muitas corridas, pelo que aproveitou a pista para se mostrar. Para o ano a sua equipa quer pedir uma licença World Tour.

Ainda nos sub-23, Iúri Leitão foi o único atleta do lado masculino, mas representou muito bem a selecção nacional. É um ciclista que Gabriel Mendes chama regularmente para competir em pista e saiu de Itália com três medalhas, todas de prata: scratch, corrida por pontos e eliminação. Excelente prestação para o jovem de Viana do Castelo, que está a competir em Espanha, pela Super Froiz.

O maior sucesso teve Daniela Campos como autora, na categoria de juniores. A atleta foi campeã da Europa na prova de eliminação (foto em cima). Mas conquistou mais duas medalhas: a de prata na corrida dos pontos e terminou a competição, na terça-feira, com o bronze no omnium. A ciclista da equipa BTT Loulé/Elevis é um dos novos talentos a surgir no ciclismo feminino em Portugal.

Tal como Raquel Queirós, mostra potencial na estrada e no BTT, mas também na pista. Depois de Daniela Reis ter conseguido chegar ao mais alto nível do ciclismo, o país vai tendo mais ciclistas que tentam seguir as suas pisadas, sem esquecer que Maria Martins é já igualmente uma referência apesar de ter apenas 21 anos.

"Foi a nossa melhor prestação de sempre em Campeonatos da Europa de Sub-23 e Juniores. Cumprimos o objectivo de terminar entre os oito melhores todas as provas de resistência e superámos as expectativas em lugares de pódio. Estes resultados acabam por premiar todo o trabalho feito nas condições adversas deste ano atípico", salientou Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

»»Apostar na formação««

7 de julho de 2020

Equipa de Maria Martins pede ajuda para subir ao World Tour

© Drops
Próximo passo da Drops? Subir ao World Tour! É com todas as letras, para que não haja dúvidas, que a equipa britânica anuncia que quer ir mais longe, numa vertente feminina que muito tem lutado para encontrar o seu espaço entre potenciais patrocinadores.

É na Drops que compete Maria Martins, ainda que o tenha feito pouco. Assinou para 2020, este ano tão atípico... Mas a ciclista portuguesa é ambiciosa e a equipa tinha (e tem) boas expectativas para a primeira portuguesa a apurar-se para os Jogos Olímpicos na pista. Nunca é de mais dizê-lo.

Mas é na estrada que a Drops tem alcançado algum destaque desde 2016, principalmente na formação de jovens. Tayler Wiles e Eva Burman, por exemplo, deram o salto, representando agora a Trek-Segafredo e a Boels-Dolmans, respectivamente. "Somos vastamente reconhecidos como um dos programas de desenvolvimento de maior sucesso no desporto, com várias das nossas ciclistas a progredir para equipas de topo mundial", escreveu Bob Varney, um dos responsáveis da Drops.

Depois de 240 dias de corridas, em 20 países diferentes, Varney considera que chegou o momento de ir mais além, mas há que ultrapassar a questão financeira, pois os restantes pontos exigidos pela UCI (administrativo, ético e organizacional) são parecem ser um problema.

Um milhão de euros! É esse o valor necessário para colocar a Drops entre as melhores formações de ciclismo feminino do mundo. Varney não esconde: precisa de ajuda. "O Tom e eu levámos o nosso projecto o mais longe que pudemos. Por isso, agora estamos a oferecer o nome do patrocínio e os direitos de branding para guiar o nosso programa ao próximo nível: UCI World Tour feminino", explicou Varney.

E prosseguiu. "Abraçamos o requerido quanto ao salário mínimo, direitos de maternidade, apoio médico e staff a tempo inteiro e estamos envergonhados por não termos podido providenciar isto até agora." O responsável considera que o ciclismo feminino está perto de "algo muito especial", oferecendo boas oportunidades para quem quiser investir.

Varney deu até o exemplo de como a Boels-Dolmans e a Bigla-Katusha conseguiram novos patrocinadores. Realçou como o mínimo exigido para obter uma licença World Tour é de um milhão de euros por ano, com um contrato por três anos.

No final do texto publicado no site da equipa, ficou então o apelo: "Ajudem-nos a partilhar a nossa história, na esperança que possamos encontrar o nosso parceiro perfeito para continuar esta notável viagem".

E até há um e-mail para quem estiver interessado: sponsorship@dropscycling.com.

Quanto a Maria Martins, ver a sua equipa querer chegar mais alto será, certamente, mais uma motivação para esta jovem ciclista, de tanta ambição. Na quinta-feira celebra 21 anos e recentemente juntou-se a Raquel Queirós numa aventura pela Nacional 2 (link em baixo) e já tem outro em mente.

»»Desafio cumprido na Nacional 2! E já se pensa no próximo««

29 de junho de 2020

Desafio cumprido na Nacional 2! E já se pensa no próximo

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A Estrada Nacional 2 é daquelas que é provável que esteja em muitas bucket list dos amantes das bicicletas. E não só. Ou seja, é uma daquelas coisas que um dia tem de se fazer. Percorrer mais de 700 quilómetros de Chaves a Faro, conhecendo um país de uma forma bem diferente. Entre quarta-feira e domingo, Maria Martins e Raquel Queirós cumpriram este desafio e ao acompanhar nas redes sociais as fotografias que foram partilhando, a vontade é pegar na bicicleta e partir!

São duas das jovens talentosas do ciclismo nacional e que se preparam para deixar desde já a sua marca na história da modalidade. Maria Martins (21 anos) já tem um bilhete garantido para os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para 2021. Será a primeira vez que Portugal estará representado na pista, com Tata, como é conhecida, a ter lugar marcado no omnium.

Raquel Queirós está perto de assegurar o apuramento em BTT, no cross country (XCO), feito que ficou adiado quando as competições foram suspensas. Mas quando forem retomadas, a atleta, de apenas 20 anos, poderá ser também a primeira, no seu caso entre as mulheres, a alcançar a qualificação olímpica nesta especialidade.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Precisamente por haver esta "ligação" aos Jogos, a aventura da semana passada recebeu o nome de "Pela Estrada Nacional 2 Rumo a Tóquio". Foram cinco etapas que receberam muita atenção, desde os clubes de ciclismo às associações regionais da modalidade, passando pelas autarquias e pelo Comité Olímpico de Portugal. Contaram ainda com o apoio da Federação Portuguesa de Ciclismo e com a presença de bastantes pessoas, tanto nas partidas, como nas chegadas. Mas também durante o percurso houve quem se juntasse às ciclistas a pedalar.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
"Estes dias superaram todas as expectativas, nunca pensei que tanta gente aderisse e nos apoiasse durante este desafio. Além disso, as paisagens foram incríveis e aproveitámos para conhecer também um pouco do nosso país, que é tão bonito! Foi muito bom partilhar isto tudo com a Tata, que para mim é um grande exemplo de garra e determinação e uma grande figura do ciclismo feminino", afirmou Raquel Queirós.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Chaves-Castro Daire (134,4 km), Castro Daire-Góis (133,7), Góis-Ponte de Sor (148,5), Ponte de Sor-Aljustrel (182,1) e Aljustrel-Faro, (117,2) foram as cinco etapas. E se um dos objectivos passava por incentivar a utilização da bicicleta, seja como uma forma de fazer desporto, ou para lazer, turismo ou mobilidade no dia-a-dia, na chegada ao Algarve a iniciativa das jovens teve também o seu lado solidário.

Foram entregues bicicletas e capacetes ao Refúgio Aboim Ascensão, para serem usados pelas crianças que ali vivem. "Foi uma forma muito emotiva de acabarmos esta viagem. É uma maneira de ajudarmos quem mais precisa e de o fazermos tentando desenvolver nas crianças a paixão pelo ciclismo", admitiu Raquel Queirós.

Para ambas, percorrer a Estrada Nacional 2 foi também uma forma de ter um desafio numa altura em que não há corridas. Maria Martins não só gostou da aventura, como a recomenda e já está a pensar na próxima. "Em termos físicos é algo que se faz muito bem, desde que haja uma boa gestão/organização e um ritmo controlado. Vimos paisagens incríveis. Foi aquilo de que mais gostei nesta aventura", contou.

E qual é o próximo desafio? "Fazer a nossa costa, que é fantástica."


1 de março de 2020

Para Maria Martins não há impossíveis

© UCI/Federação Portuguesa de Ciclismo
Estávamos no final de 2018 quando aqui, no Volta ao Ciclismo, se tentou perceber um pouco melhor as complicadas contas para que Portugal conseguisse um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista. Então, no masculino, as exibições e a matemática eram animadoras e faziam acreditar que era mesmo possível. No feminino era improvável, mas não impossível. Nesse mês de Dezembro surgiu a oportunidade que Maria Martins e o seleccionador Gabriel Mendes esperavam. A partir de então, a jovem ciclista começou a escrever uma página importante na história e, menos de ano e meio depois, tornou-se na primeira a qualificar-se para uns Jogos Olímpicos nesta modalidade. Infelizmente, no masculino, as contas complicaram-se e apesar de um último esforço nos Mundiais de Berlim, Maria Martins vai sozinha até ao velódromo de Tóquio, para competir no omnium.

Não deixa de ser um resultado que premeia esta aposta no ciclismo de pista. Nos últimos anos vimos os gémeos Oliveira conquistar títulos e outras medalhas nos escalões jovens e também já em elite. Maria Martins tem sido a referência no feminino e esta semana juntou mais uma conquista histórica ao apuramento para os Jogos Olímpicos e à primeira medalha em elite nos Europeus. Conquistou o bronze nos Mundiais, na disciplina de scratch, também a primeira no feminino em elite. De referir que Maria tem apenas 20 anos.

O sonho de estar em Tóquio2020 começou então em Dezembro de 2018. Num rápido enquadramento, as provas na pista estão todas interligadas, ou seja, para se ir a um Mundial é preciso garantir a qualificação através das Taças do Mundo. O ranking para a qualificação olímpica tem em conta todas as provas, mais os Europeus. Ora naquele Dezembro, Maria Martins não tinha acesso directo às Taças do Mundo. Portugal era o quinto país de reserva, isto é, era preciso outras nações abdicarem da sua presença para que a selecção nacional fosse chamada. Para a Taça do Mundo de Londres foi isso que aconteceu.

Maria Martins é uma atleta de enorme ambição e talvez de uma dedicação ainda maior. Tendo em conta que está num país onde o ciclismo feminino continua a ter uma expressão muito reduzida - poucas equipas, poucas corridas - esta corredora tem remado contra essa maré, deixando bem claro que ninguém lhe diga que é impossível. Desde aquela Taça do Mundo em Londres que não restaram dúvidas: Maria Martins ia à luta. Os bons resultados sucederam-se, com a ciclista a aproveitar todas as portas que se foram abrindo para estar presente nas grandes competições. Em poucos meses, o apuramento olímpico passou de improvável a possível e é agora uma realidade.

Pódio de scratch: Jennifer Valente (EUA, prata), Kirsten Wild (Holanda, ouro)
e Maria Martins (Portugal, bronze)
© UCI/Federação Portuguesa de Ciclismo
A viagem até Berlim já foi feita sabendo que podia comprar o bilhete para Tóquio, mas nem por isso Maria Martins relaxou. Aliás, seria estranho se o fizesse. É uma ciclista que quer sempre mais. Depois de conquistada a medalha de bronze no scratch, no dia seguinte chegou a estar numa posição de pódio no omnium, que acabou por lhe escapar por oito pontos (foi quarta). Ainda assim, mais uma excelente indicação agora que se vai começar a olhar para os Jogos Olímpicos. De referir que o omnium é composto por quatro disciplinas: scratch (outra corrida, não a que conquistou o bronze), corrida tempo, eliminação e corrida por pontos.

Agora é esperar por Agosto, com o ciclismo de pista a ter o seu destaque entre os dias 2 e 9 desse mês. Até lá, Maria Martins vai agarrar - como sempre o faz - a oportunidade que lhe foi dada pela equipa britânica Drops, para se mostrar na estrada, depois de dois anos positivos na espanhola Sopela. A menina que começou a somar resultados promissores com as cores do Bairrada, está a caminho do momento por que tantos atletas ambicionam. Afinal, uma presença nos Jogos Olímpicos é sempre marcante e Maria Martins já fez história. Será sempre a primeira portuguesa a ter alcançado o apuramento no ciclismo de pista. Mas vai certamente à luta por mais!

Quanto aos homens, desde os Mundiais de 2019 que o apuramento começou a complicar-se. Os resultados de então ficaram aquém do esperado e, depois, não ajudou os problemas físicos dos gémeos Oliveira. Ivo falhou grande parte da temporada devido a uma grave queda, Rui está neste momento a recuperar de uma clavícula partida. Ainda assim, a selecção nacional lutou até ao fim. João Matias, Iuri Leitão e também César Martingil foram atletas que, durante este longo apuramento, trabalharam muito para alcançar o objectivo, que se sabia ser difícil dada a forte concorrência de outras selecções. Mas a Equipa Portugal nunca baixou os braços.

No lado masculino, o apuramento era apontado tanto ao omnium, como ao madison. Se se conseguisse nesta última disciplina seria perfeito, pois o omnium ficaria garantido. No entanto, apesar do esforço de Ivo Oliveira e Iuri Leitão nos Mundiais, em madison, foi a Irlanda que ficou com a vaga que Portugal procurava. É difícil esconder a sensação de desilusão, depois de tantos sucessos na pista dos portugueses. Após Tóquio será altura de pensar no novo ciclo olímpico rumo a Paris2024 e perceber-se se a aposta na pista é para manter.

Até lá, há que dar os parabéns a Maria Martins, pelo apuramento olímpico e pela medalha nos Mundiais de Berlim. Para esta ciclista não há impossíveis, apenas desafios.

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»»Estou na equipa perfeita para mim««

2 de fevereiro de 2020

João Matias e Maria Martins em destaque nos nacionais de pista

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Os suspeitos do costume dominaram os nacionais de pista. João Matias e Maria Martins amealharam mais uns títulos e olham para a época, que está prestes a começar, com confiança renovada, numa altura em que mudaram de equipa. Também Iúri Leitão aceitou um novo desafio e saiu de Anadia com uma vitória no scratch.

Num ano que pode ser histórico para o ciclismo de pista português, este trio tem sido importante para um inédito apuramento para os Jogos Olímpicos, que parece estar cada vez mais próximo. Neste aspecto não se pode esquecer, claro, os gémeos Oliveira. Rui está a recuperar de uma fractura na clavícula, enquanto Ivo vai começar na terça-feira a sua época de estrada na Volta à Arábia Saudita, mas nem por isso deixou de haver muito espectáculo no Velódromo de Sangalhos, uma prova como esta vertente da modalidade está em crescimento em Portugal.

João Matias tem sido um elemento essencial na selecção e a sua qualidade na pista foi mais uma vez premiada com dois títulos nacionais: corrida por pontos e perseguição individual. Iúri Leitão também já é chamado regularmente pelo seleccionador nacional, Gabriel Mendes, e foi então o mais forte no scratch. O jovem sub-23 vai em 2020 competir por Espanha, ao serviço da equipa Supermercados Froiz. Já Matias reforçou a Aviludo-Louletano, depois de duas boas temporadas na Vito-Feirense-PNB.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Aos 20 anos, Maria Martins continua a sua ascensão. É a referência em Portugal na pista e já vai partilhando com Daniela Reis o destaque na estrada. Tata, como é conhecida, tinha conquistado o título nacional de omnium em Dezembro, e este fim-de-semana subiu ao pódio para celebrar as vitórias na eliminação, scratch e corrida por pontos. Na estrada, depois de dois anos na equipa espanhola Sopela, Maria Martins dá o salto para a britânica Drops. Na pista tem feito exibições fenomenais, aproveitando todas as oportunidades que teve para se colocar numa posição que a poderá levá-la aos Jogos Olímpicos de Tóquio, na disciplina de omnium.

Durante dois dias houve muitas provas e muitos campeões, com a nova geração a mostrar-se:

Juniores
Miguel Batista (Centro Ciclismo de Loulé) scratch
António Morgado (Anipura/GDM/Escola Alexandre Ruas) corrida por pontos
Irís Chagas (NRV- Academia Ciclismo Paredes) scratch
Laura Simão (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) eliminação 
Marta Carvalho (Extremosul/Hotel Alisios/Cenmais) corrida por pontos.
Sérgio Saleiro (C.C.Barcelos/A.F.F/Flynx/H.M.Motor) perseguição
Bairrada venceu na perseguição por equipas, com Tomás Martins, Pedro Crispim, Francisco Baia e Sergio Silva

Cadetes
António Morgado (Anipura-G.D.M-Escola Alexandre Ruas)
Anipura-G.D.M-Escola Alexandre Ruas venceu na perseguição por equipas com o quarteto vencedor composto por António Morgado, Francisco Cordeiro, Gonçalo Tavares e Francisco Curtinhal

Paraciclismo
Telmo Pinão sagrou-se campeão nacional de perseguição individual e de quilómetro em C2. Já Paulo Teixeira (Rodabike/ACRG/Gondomar) venceu ambas as provas em C3, João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets Valvoline) venceu na prova de perseguição individual e do quilómetro em C4. Hélder Maximino (360ºBike Trail/Mundimat/CCA Paio Pires) conquistou as provas em C5.

Em masters
As femininas correram nas disciplinas de scratch e eliminação. Nadia Mendes (C E Gonçalves/Azeitonense) sagrou-se campeã nacional em masters 30, Sónia Santos (Vilanovense/COREVA/DUOREP) venceu em masters 40 e Ana Gaspar (5Quinas/Municipio de Albufeira/CDASJ) foi a melhor em masters 50.

Entre os homens, o master 30 José Leite (C.P.R. A-do-Barbas/AKIplast/PVS), o master 40 Rui Guerreiro (Centro Ciclismo de Loulé) e o master 50 Vitor Lourenço (Viveiros Vítor Lourenço/Sintra C.Ciclismo) venceram as duas corridas, de scratch e de eliminação, na respectiva categoria. Em masters 60, Sílvio Serrenho ganhou em scratch e Jaime Ambrósio (Academia Joaquim Agostinho/CYR/UDO) em eliminação.

Antes do arranque da temporada de estrada a 16 de Fevereiro, com a Prova de Abertura Região de Aveiro, entre 7 e 9 há mais pista para ver, com a Troféu Internacional Município de Anadia, que juntará portugueses com atletas de outros países.


29 de dezembro de 2019

Ano terminou com títulos nacionais e Taça de Portugal

Rui "passou" o título de omnium ao irmão Ivo
(© João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com as diferentes vertentes, o ciclismo nunca pára. Este fim-de-semana houve um regresso à pista e no sempre espectacular ciclocrosse, fecharam-se as contas da Taça de Portugal. Um dos destaques vai inevitavelmente para Ivo Oliveira, não apenas por ter conquistado o título nacional de omnium, mas também por ser uma excelente indicação que está a caminho da melhor forma, depois de ter falhado grande parte da temporada devido a uma queda muito grave. Foram seis meses de ausência, tendo regressado à competição em Outubro.

Começando então pela pista. Os títulos nacionais de omnium estiveram em disputa no sábado, no Velódromo de Sangalhos. Rui Oliveira esteve perto de revalidar a distinção, mas o irmão estragou-lhe os planos na última corrida, a por pontos. Rui venceu em scracth, com Ivo a ser terceiro e Rui repetiu a vitória na corrida tempo. Na prova de eliminação Ivo iniciou a recuperação e foi o vencedor. Na decisão, por pontos, Ivo tinha menos quatro que o irmão. Somou 31, contra os 19 de Rui e ficou com a camisola de campeão nacional de uma especialidade que Portugal tem estado a tentar qualificar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

As contas finais foram de 145 pontos para Ivo, 137 para Rui, ambos da UAE Team Emirates, e César Martingil (Sporting-Tavira) fechou o pódio com 123.


(© João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no omnium feminino assistiu-se a mais uma confirmação de como Maria Martins é a grande referência do ciclismo de pista em Portugal. Também ela luta por estar em Tóquio2020 nesta especialidade, mas entretanto juntou mais um título nacional, fechando assim uma temporada incrível. Conquistou medalhas na pista, vitórias na estrada, não surpreendendo que se prepare para mudar de equipa. Esteve dois anos na espanhola Sopela Women's Team e agora vai representar a britânica Drops.

Maria Martins venceu as quatro provas do omnium, terminando com 285 pontos. Ao seu lado no pódio estiveram duas ciclistas da CE Gonçalves/Azeitonense, Liliana Jesus (138 pontos) e Patrícia Rosa (129).

A 18 de Janeiro arranca o ano na pista com o Troféu Internacional Bento Pessoa, a primeira competição da Taça de Portugal.



(© Federação Portuguesa de Ciclismo)
E foi precisamente a Taça de Portugal que ficou entregue no ciclocrosse. O capítulo final realizou-se no Parque Urbano de Paços de Ferreira. Não faltou emoção, com Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano) a vencer a quinta corrida deste calendário, contudo, o quarto lugar de Mário Costa (AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde) foi suficiente para ficar com a Taça. O especialista do XCO fechou assim 2020 com uma conquista no ciclocrosse, somando 225 pontos, contra os 195 de Barbosa e os 170 de Roberto Ferreira (BTT Seia).

Do lado feminino, Ana Santos foi exímia. Fez o pleno em Paços de Ferreira e a sua superioridade voltou a ser bem clara ao deixar a companheira de equipa Joana Monteiro (AXPO/FirstBike Team/Vila do Conde), a mais de minuto e meio de distância.


(© Federação Portuguesa de Ciclismo)
As contas finais dizem tudo sobre a Taça de Portugal de 2019. Ana Santos totalizou 300 pontos, com Daniel Pereira (Saertex Portugal/Edaetech) - terceira na corrida deste domingo - a ser segunda com 175, seguindo-se Joana Monteiro com 150.

Nos restantes escalões, Pedro Lopes (UD Oliveirense/InOutBuild) venceu em sub-23, Rafaela Ramalho (Maiatos) foi a melhor nesta categoria entre as raparigas. Em juniores, João Cruz (AXPO/FirstBike Team/ Vila do Conde) foi o vencedor, enquanto Tomás Mota (ACD Milharado/DriveonHolidays/Mafra) e Mariana Libano (Maiatos) conquistaram a Taça em cadetes.

Entre os veteranos, Michel Machado (Vasconha BTT Vouzela) foi o mais forte nos masters 30, nos masters 40 ganharam Rogério Matos (Rompe Trilhos/Ajpcar) e Estela Lago (Bike O Facho) e nos masters 50 e 60 venceram António Sousa e Joaquim Pinto (Silva&Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel), respectivamente.

A 12 de Janeiro, Vila Real irá receber o Campeonato Nacional de ciclocrosse.


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