Mostrar mensagens com a etiqueta AG2R. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AG2R. Mostrar todas as mensagens

5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

»»Principais transferências e calendário nacional de 2020««

28 de dezembro de 2019

Como Jorgenson chegou ao World Tour. Inclui muitos e-mails

(Fotografia: © Team AG2R La Mondiale)
Quando muito se quer algo, há que ir à luta e Matteo Jorgenson quis ter a certeza que estava a fazer tudo o que lhe era possível para chegar ao World Tour. Por vezes, os resultados e as qualidades como ciclista podem não ser suficientes para chamar a atenção das grandes equipas, tendo em conta a enorme concorrência de jovens que partilham do mesmo sonho deste americano. Uns recorrem às redes sociais, mas este corredor optou por algo diferente. Na estrada, Jorgenson foi somando boas exibições, enquanto se aplicava nos treinos. Porém, no final de cada dia, sentava-se ao computador e escrevia às equipas de vários escalões a apresentar-se. A persistência deu os seus frutos. Jorgenson estagiou na AG2R na fase final da época de 2019 e prepara-se para vestir o equipamento da Movistar.

"Todos os dias tentava escrever três e-mails após os meus treinos porque estava a tentar muito em promover-me", contou numa entrevista ao VeloNews. Mas Jorgenson não se limitava a fazer fazer copy/paste do texto e enviá-los para as diferentes formações. "O que procura esta equipa num ciclista? Qual é o seu calendário? Demorava uma hora com cada e-mail", referiu. Ou seja, o ciclista tentava mostrar a mais valia que poderia ser se uma equipa fosse mais dedicada às clássicas, por exemplo, ou então apresentava os seus pontos fortes se fosse uma mais virada para as provas por etapas.

Jorgenson tinha então apenas 18 anos (estava-se em 2017), tinha evoluído na Hot Tubes Cycling, mas era nas várias chamadas à selecção dos Estados Unidos e nas viagens que tal lhe permita fazer à Europa, que procurava estabelecer mais contactos. "Tentava construir qualquer tipo de relação que pudesse levar-me à equipa. Falar com essas equipas e dizer-lhes para olharem para mim, fazer com que conhecessem o meu nome, foi incrivelmente positivo", realçou.

No imediato, o resultado da sua incessante procura até deu frutos no seu país. Recebeu um contrato de um ano da Jelly Belly p/b Maxxis, entretanto extinta. Continuou a ser chamado pela selecção, agora como sub-23, e manteve a postura de não desaproveitar qualquer oportunidade de se mostrar na Europa e de estabelecer contactos. A sua persistência seria ainda mais recompensada no ano seguinte. Em 2019 foi contratado pela francesa Chambéry Cyclisme Formation, o que lhe permitiu uma adaptação ainda maior à realidade ciclística que mais procurava integrar. Foi quarto na Ronde de l'Isard, com várias exibições de nota, que comprovaram as suas características de trepador. No Tour de l'Avenir voltou a mostrar-se e esteve perto de ganhar três etapas. Venceu a classificação dos pontos, tendo mostrado outra característica: bom a sprintar em grupos pequenos.

A AG2R chamou-o para estagiar na recta final da temporada. O sonho estava cada vez mais perto e concretizou-se quando a Movistar lhe apresentou uma proposta de contrato para 2020 e 2021. Uma pequena surpresa, pois se há equipa que pouco olha para o mercado americano é a Movistar. É preciso recuar a 1995 para encontrar o último a representar a formação espanhola e mesmo assim Andy Hampsten competiu muito pouco naquela temporada.

Agora com 20 anos, Jorgenson vê-se na posição de dar conselhos a quem, como ele, tanto ambiciona chegar ao mais alto nível. "Quando me pedem um conselho, digo aos miúdos para começar a fazer aqueles contactos na Primavera do segundo, ou mesmo do primeiro ano, como júnior. Tens de o fazer cedo, mesmo que não tenhas resultados. Houve muitos directores que me disseram que 'gostava de te dar um lugar, se tivesse um lugar para dar'", recordou o jovem americano.

Jorgenson será um dos 14 reforços de uma Movistar em fase de profunda mudança. Não é habitual que se façam tantas mexidas de uma vez nesta equipa e haverá várias entradas de ciclistas que não são espanhóis. Os italianos Dario Cataldo e Davide Villella deixaram a Astana, o norueguês Mathias Norsgaard (Riwal Readynez), o alemão Juri Hollman, o britânico Gabriel Cullaigh (Team Wiggins Le Col), o suíço Johan Jacobs (Lottou Soudal sub-23) e os colombianos Einer Augusto Rubio (Vejus Aran) e Juan Diego Alba (Coldeportes Zenu) fazem parte da lista de contratações.

E claro que não poderiam faltar ciclistas da casa. Sebastián Mora chegará da Caja Rural e Sergio Samitier da Euskadi-Murias. Aos 21 anos, Iñigo Elosegui (Lizarte) é um corredor que está a gerar muito interesse em Espanha, mas a estrela da equipa será Enric Mas, que deixou a Deuceninck-QuickStep à procura de uma estrutura que lhe dê ciclistas que trabalhem para o ajudar a ganhar uma grande volta, sempre com os olhos postos na Volta a França.


10 de novembro de 2019

AG2R a precisar de alagar horizontes além do Tour

(Fotografia: Facebook AG2R La Mondiale)
Quando tanto se aposta na época na exibição de um ciclista na Volta a França, há sempre um enorme risco de terminar a temporada com uma desilusão. Assim foi para a AG2R, que está a ver Romain Bardet a fraquejar mais a cada ano que passa, em vez de se afirmar de vez como candidato à vitória no Tour, depois de já ter feito pódio. É esse o objectivo - colocar um francês como vencedor do Tour - em que esta equipa está focada, com tudo o resto a ser visto um pouco como secundário, excepção feita para as provas francesas, que vai disputando e até ganhando, mas são corridas de categorias inferiores. São triunfos que agradam ao patrocinador, mas não compensam o falhanço total de Romain Bardet, cuja conquista da camisola da montanha pouco atenuou não ter lutado pela amarela.

Não foi o único ciclista da AG2R a ficar aquém em 2019, mas sendo ele a figura principal e que em torno se planeia a época, Bardet acaba por ficar muito exposto às críticas e o francês começa a sentir cada vez mais essa pressão da desilusão. Terá inclusivamente pensado em colocar um ponto final na carreira ainda antes dos 30 anos. Bardet vai continuar, mas poderá mudar o planeamento da temporada. Em 2019 chegou a falar da possibilidade de ir ao Giro, mas rapidamente a AG2R anunciou que seria o Tour a corrida que iria concentrar-se, como sempre. O problema deste ciclista tem sido muito o contra-relógio, mas pelo segundo ano consecutivo também claudicou na montanha.

Valeu a atitude de não abandonar e umas prestações mais interessantes na recta final do Tour, garantiram a Bardet a camisola da montanha. Por norma é uma conquista muito importante, mas no caso deste francês e da AG2R, soube a pouco e nem foi vista como uma boa compensação para o Tour falhado de Bardet. É um ciclista a precisar de recuperar mentalmente e de novos objectivos, além do Tour. É por isso que desta feita se fale mais seriamente em ir ao Giro em 2020. Fez bem ao compatriota Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) quando não apostou tudo na Volta a França, talvez faça igualmente bem a Romain Bardet.
Ranking: 14º (6718,4 pontos) 
Vitórias: 14 (incluindo uma etapa na Volta a Itália) 
Ciclista com mais triunfos: Benoit Cosnefroy (5)
Mas a AG2R não ficou apenas desiludida com Bardet. Pierre Latour não continuou a afirmação de 2018, quando venceu a classificação da juventude no Tour. Este ano chegou mesmo a ser excluído da equipa perto do início da Volta a França. Latour "acordou" e começou a melhorar resultados. Até teve liberdade para a Vuelta. Faltou consistência nas exibições na grande volta, mas as boas prestações nas clássicas italianas de final de temporada - foi nono na Lombardia, por exemplo - deixaram indicações que talvez o ciclista esteja a preparar-se para estar muito melhor em 2020. E a AG2R bem agradece, para assim poder ter mais uma arma além de Bardet.

Oliver Naesen, esse sim, recuperou o nível de 2017 nas clássicas, mas faltou a vitória nas corridas de um dia. Foi segundo na Milano-Sanremo e terceiro na Gent-Wevelgem e houve mais top dez. Já a transformação de Tony Gallopin num voltista talvez não seja o melhor dos planos. O francês tinha deixado indicações interessantes há um ano, mas não confirmou essa evolução.

E depois houve Geoffrey Bouchard. Se no Tour a camisola da montanha soube a pouco, na Vuelta soube a muito. Este é um ciclista que até meio de 2018 competia como amador. Estagiou na AG2R e um ano depois foi à Vuelta surpreender todos. Aos 27 anos mostrou ser uma aposta tardia, mas que ainda poderá render bons resultados à equipa, ou tornar-se num gregário importante para Bardet e/ou Latour.

Nans Peters (25) continua a sua afirmação e nada melhor do que ganhar uma etapa no Giro, uma das duas conquistas World Tour da AG2R, com Naesen a vencer uma tirada na Binck Bank Tour. Alexis Vuillermoz, Benoit Cosnefroy, Alexis Gougeard, Alexandre Geniez, Dorian Godon todos contribuíram com vitórias para as 14 de 2019, mas foram muito de "consumo interno" nesse aspecto. São ciclistas de qualidade, fiáveis, ganham e ajudam a ganhar, mas a esta AG2R falta ter um líder que cumpra com as elevadas expectativas.

Na formação francesa a continuidade é importante, pelo que é uma equipa que nunca mexe muita na sua espinha dorsal. Para 2020 vai reforçar o bloco de clássicas com dois ciclistas. Chegará o irmão de Oliver Naesen, Lawrence, da Lotto Soudal, e Andrea Vendrame, da Androni Giocattoli-Sidermec. A equipa dá assim sinais que talvez seja altura de explorar mais a capacidade e qualidade de Naesen, dando-lhe mais apoio e assim conquistar ter mais possibilidade para alcançar mais vitórias importantes, não olhando apenas para Bardet e para o Tour. Oliver Naesen merece essa confiança.

»»Sunweb à deriva sem Dumoulin, mas com afirmação de jovens talentos««

»»CCC quis ano zero ambicioso mas precisa de mais e melhor««

18 de agosto de 2019

Bardet a precisar de uma regeneração ao estilo Pinot

(Fotografia: Facebook AG2R La Mondiale)
O peso da expectativa tem sido algo difícil de lidar para os ciclistas franceses que são vistos como os que finalmente podem quebrar a longa espera para ver um homem da casa ganhar o Tour. Thibaut Pinot quase sucumbiu a essa pressão. Romain Bardet também não está a ter vida fácil. O primeiro teve a oportunidade de se afastar um pouco das elevadas esperanças que nele eram depositadas e que bem lhe fez essa "pausa". Bardet pode estar a precisar de uma solução ao estilo de Pinot para recuperar uma carreira que este ano eclipsou-se de tal forma, que o líder da AG2R optou por não competir mais em 2019 e assim tentar "regenerar-se". Até terá ponderado deixar o ciclismo.

Ainda como jovem, Bardet começou a chamar a atenção em importantes corridas como Ronde de l'Isard e Tour de l'Avenir. Chegou à AG2R em 2012, estreando-se na Volta a França no ano seguinte, época em que conquistou o Tour de l'Ain. Foi 15º, o que seria o seu pior resultado alcançado até 2019, quando o repetiu. Entre as duas edições foi sempre top dez, com um segundo lugar em 2016 e um terceiro em 2017, sempre com Chris Froome como vencedor. No primeiro pódio ficou a 4:05 minutos do vencedor, no segundo a 2:20. As vitórias de etapas chegaram depois, em 2015, 2016 e 2017.

Como trepador é dos melhores da actualidade. Como contra-relogista é demasiado fraco e ano após ano a sua candidatura à vitória no Tour sempre levanta dúvidas devido a este aspecto. Já melhorou, mas não o suficiente. Porém, o problema de Bardet é agora outro. É um ciclista abatido por um Tour em que falhou e no qual nem a conquista da classificação da montanha atenuou essa sensação de objectivo não cumprido. A questão nem se resume ao não ter disputado a vitória, prende-se por ter claudicado no seu terreno às primeiras dificuldades. O elogio que, ainda assim, recebeu foi pela atitude de se manter na corrida e procurar salvar algo para a AG2R que tanto apostou nele. E só nele. Não conseguiu a etapa, mas ser rei da montanha em França é prestigiante. Contudo, soube a pouco a um Bardet que preparou todo o 2019 a pensar no Tour.

Mas a temporada não foi convincente. Houve algumas boas prestações, mas no ano passado, Bardet tinha sido bem mais competitivo, apesar de depois também não ter conseguido entrar na luta pelo Tour. 2019 foi um ano em que Bardet se foi apagando e sofreu um apagão quase total na corrida que mais queria brilhar.

Esperava-se que tentasse "limpar" um pouco a imagem na Vuelta e nos Mundiais, prova que no ano passado esteve tão bem, batido apenas por Alejandro Valverde. Mas tal não vai acontecer. "Tornou-se claro para mim que preciso de regenerar-me física e mentalmente para regressar mais forte na próxima época", referiu Bardet, quando há uns dias anunciou que a sua época tinha chegado ao fim. A equipa apoiou a decisão na esperança que possa salvar um ciclista que aos 28 anos (faz 29 a 9 de Novembro) ainda tem muito para dar, se conseguir ultrapassar esta difícil fase.

No entanto, o L'Equipe escreveu que a desilusão pelo resultado no Tour foi tal - terminou a 30:23 minutos de Egan Bernal (Ineos) -, que terá levado o francês a querer deixar o ciclismo. Seria quando terminasse o contrato com a AG2R, em 2020, mas Bardet estará agora mais concentrado em tentar recuperar a alegria de competir, a vontade e a crença que pode estar no topo.

Pinot pode servir de exemplo. O outro francês que tanta pressão sofre, "refugiou-se" na Volta a Itália em 2017. No Tour acabaria por abandonar. A Groupama-FDJ aceitou que Pinot repeti-se a receita em 2018, até porque haveria mais uma semana para recuperar para o Tour. Uma pneumonia tirou o pódio no Giro e afastou-o da Volta a França. Há males que vêm por bem. Pinot foi à Vuelta ser o ciclista que se sabia que poderia ser. Ganhou duas etapas, foi sexto na geral e, mais importante, ganhou uma nova dose de confiança que transbordou na Volta a França de 2019.

A história é conhecida, com uma lesão a acabar com um Tour fantástico que Pinot irá sempre ficar a pensar que poderia ter sido "o tal". O Tour em que um francês voltaria a ganhar a "sua" corrida, depois de Bernard Hinault em 1985. Thibaut Pinot também foi um jovem talento, também teve de melhorar muito o contra-relógio (e no seu caso as descidas) e também cedeu à pressão de correr em casa. Aos 29 anos atingiu a estabilidade mental necessária para enfrentar tudo e todos.

Bardet precisa dessa "regeneração". Já esta época se falou que poderia ir ao Giro, mas a equipa não demorou a dizer que nem pensar. Como líder francês de uma equipa com patrocinador francês há ainda mais essa pressão. Em oito grandes voltas na carreira, só uma não foi o Tour: fez a Vuelta em 2017.

Novos objectivos, novos ambientes, novos desafios. Talvez seja o que Bardet mais precisa para regressar depois ao Tour como um ciclista capaz de o disputar, esperando-se que assim afaste igualmente o pensamento de terminar demasiado cedo a carreira.

»»As equipas do Tour uma a uma««

»»Doença força fim de carreira, mas ciclista quer dedicar-se à vela e música. Até tem uma banda««

14 de julho de 2019

Ineos mostra ao que vem no passeio de domingo do Tour

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Não houve um aproveitamento do ímpeto da etapa de sábado. Houve apenas um tímido ataque que a Ineos disse bem alto: nem pensar, daqui ninguém sai! Foi um autêntico passeio de domingo para o pelotão, em dia de feriado nacional em França. O 14 de Julho não teve o final feliz que se queria no país, pois foi um sul-africano a vencer e não um ciclista da casa, ainda que fique a alegria de ser um francês que esteja vestido de amarelo. A saga de Julian Alaphilippe continua.

Com oito dias nas pernas e com a folga "adiada" nesta edição para terça-feira, os candidatos optaram por um dia mais calmo, em ritmo de recuperação, pelo que foi permitida uma fuga de 14 ciclistas, a que se juntou mais tarde Marc Soler (Movistar). Rui Costa também foi à procura da frente da corrida, mas demasiado tarde e o português da UAE Team Emirates até acabaria por ser um dos destaques do dia pelo desentendimento com a Deceuninck-QuickStep.

Nicolas Roche (Sunweb), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Oliver Naesen (AG2R) foram alguns dos ciclistas na fuga, em representação de equipas que estão a passar ao lado do Tour até ao momento. Anthony Delaplace (Arkéa Samsic) e Romain Sicard (Total Direct Energie) representavam as aspiração francesa no Dia da Bastilha. Porém, foi Daryl Impey quem alcançou uma "vitória mágica", nas suas palavras. O campeão sul-africano da Mitchelton-Scott conquistou, aos 34 anos, a sua primeira vitória numa grande volta a título individual, sem esquecer que em 2013 tornou-se no primeiro ciclista do continente africano a vestir a camisola amarela no Tour, dois dias depois da equipa ter ganho o contra-relógio colectivo.

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Impey bateu ao sprint Tiesj Benoot (Lotto Soudal), os dois sobreviventes de uma fuga que se foi desfazendo com o aproximar e durante a última subida do dia, que terminava a cerca de 13 quilómetros da meta. Daryl Impey - vencedor do Tour Down Under - não é o primeiro sul-africano a vencer uma etapa no Tour porque Robert Hunter fê-lo em 2007.

O pelotão chegou 16:25 minutos depois! Descansado e em ritmo de passeio. O momento de alguma acção aconteceu na tal última subida de Côte de Saint-Just. 3,6 quilómetros, com 7,2% de pendente média. A etapa de 170,5 quilómetros acabava em Brioude, terra de Romain Bardet. Quase que parecia mal se o corredor da AG2R não se mostrasse. Está com mais de dois minutos de atraso para Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), o líder entre os candidatos, e até tem mesmo de fazer algo para melhorar a sua delicada situação, se quer pelo menos o top dez.

Porém, este domingo, foi mais uma questão de honra para Bardet. Atacou e levou com ele um Richie Porte (Trek-Segafredo) e George Bennett (Jumbo-Visma) mais curiosos para ver o que dava, do que propriamente convictos em ajudar Bardet, também ele não muito crente que a mexida ira ter resultados práticos. Foi então que apareceu a Ineos.

A equipa britânica tem gerado alguma desconfiança. Na etapa de La Planche des Belles Filles ficou com poucos ciclistas na ajuda aos líderes, não tem Chris Froome e Geraint Thomas já caiu duas vezes, ainda que na tirada referida tenha mostrado que poderá mesmo estar em boa forma. Este sábado, mesmo só com quatro corredores na frente, com os restantes já a pensar em poupar força para os outros dias, a Ineos meteu aquele conhecido ritmo, ainda que não fundo (não era necessário tanto), com Michal Kwiatkowski a perseguir o trio e a partir o pelotão. Basicamente quem não está com altas aspirações à geral não se esforçou para seguir o ritmo da Ineos.

Foi uma pequena demonstração daquela forma de controlar o Tour tão típica da antiga Sky, agora com novo nome. Já na edição passada houve momentos em que a equipa não foi tão dominadora como em anos anteriores e em 2019 vê os seus rivais mais confiantes numa possível debilidade dada ausência de Froome, a voz de comando.


Depois de Thomas ter dito presente em La Planche des Belles Filles, a Ineos também tenta passar a mensagem que está preparada para mais uma dose de domínio. Será? A partir da próxima quinta-feira já se perceberá bem como estará esta equipa britânica.

Quanto a Rui Costa, não mediu bem o tempo de saída do pelotão para perseguir a frente da corrida. Nem parece do ciclista, bem conhecido por ser dos melhores a nível táctico. Já era mais de minuto e meio para recuperar, mas o desentendimento com a Deceuninck-QuickStep aconteceu porque tentou escapar quando Julian Alaphilippe, o camisola amarela, tinha parado para urinar e o pelotão estava também por isso num ritmo mais calmo. Caiu mal à equipa belga.

O português não conseguiu chegar à frente, apesar de ter estado com os ciclistas da fuga à vista. Porém, aqueles 25 segundos que faltavam foram intransponíveis. Desistiu da ideia e ao ser apanhado pelo pelotão houve uma troca de palavras com Max Richeze, companheiro de Alaphilippe. Acabou por ser uma etapa frustrante para Rui Costa que terá de procurar outra oportunidade para tentar ganhar um tirada.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

10ª etapa: Saint-Flour - Albi, 217,5 quilómetros



Com o dia de descanso a ser muito bem-vindo, ainda faltam 217,5 quilómetros! Feitas as contas, são 21 etapas, a última de consagração, o que significa que metade do Tour ficará fechado, sem que tenha havido pausas, a não ser que se conte o ritmo de passeio deste domingo!

Com uma quarta categoria e três terceiras e mais algum sobe e desce, a etapa não será fácil para os sprinters já algo desgastados. Ainda assim, há a oportunidade para discutirem a etapa, mas também não é de afastar que uma fuga possa voltar a triunfar. Vai muito depender das forças dos sprinters e das suas equipas, que podem eventualmente pensar que quarta-feira o dia é bem mais ao jeito dos homens mais rápidos.




»»Franceses ao ataque em vésperas do Dia da Bastilha««

»»Segundos bónus ainda não seduziram os candidatos««

29 de maio de 2019

Afinal o que aconteceu à bicicleta de Primoz Roglic? A Movistar está envolvida...

(Fotografia: © Jumbo-Visma)
Enquanto por um lado surgiram insinuações que a Movistar teria entrado em modo de ataque quando Primoz Roglic sofreu um problema mecânico, por outro surge a história de grande fair play. Talvez até mais do que Francisco Ventoso (CCC) oferecer a sua água a Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) no Mortirolo. Quanto às insinuações de Pavel Sivakov (Ineos), fica a opinião de cada um de considerar se houve ou não ataque da equipa espanhola, se houve ou não falta de fair play, mas quanto ao que aconteceu com Antwan Tolhoek e a bicicleta de Roglic, houve de facto muito fair play da equipa espanhola.

A etapa de domingo da Volta a Itália continua assim a ser notícia, mas pelo menos fica resolvido um "mistério" da bicicleta de Roglic, cortesia do El País. Finalmente "encontrou-se" a bicicleta que o esloveno abandonou quando trocou para a de Tolhoek. Recordando rapidamente o que aconteceu. Antes da subida ao Civiglio, Roglic sofreu uma avaria mecânica (Sivakov disse que o ciclista da Jumbo-Visma tinha o desviador partido). Roglic pediu ajuda ao seu carro de apoio para trocar a bicicleta. No entanto, o director desportivo tinha parado para urinar. Com os rivais a escaparem, Roglic recorreu ao plano B e ficou com bicicleta do companheiro, Antwan Tolhoek.

O líder da Jumbo-Visma acabaria mais tarde por sofrer uma queda e, tudo junto, resultou numa perda de 40 segundos. Entretanto as coisas já ficaram bem piores na classificação geral para Roglic, mas por agora fiquemos pelo que aconteceu no domingo.

Tolhoek ficou à espera de receber uma bicicleta para prosseguir a etapa. Contudo, Jan Boven, o director desportivo, ao perceber que tinha escolhido a pior das alturas para se parar e sair do carro, conduziu o mais rápido possível para regressar para junto de Roglic, ainda que já tivesse decidido que o melhor era não trocar novamente de bicicleta, para não perder mais tempo.

Ou seja, passou por Tolhoek e nem o terá visto. Pobre Tolhoek que continuava sem solução sem ser uma bicicleta avariada. Eis que surge o segundo carro da Movistar, conduzido pelo director desportivo britânico Max Sciandri. Ao ver o holandês, parou e ofereceu-lhe uma bicicleta da equipa espanhola. Tolhoek aceitou de bom grado, mesmo que isso significasse "trocar" uma Bianchi por uma Canyon, mas não era altura para pensar em questões de patrocínios, pois havia uma etapa para terminar e tempo limite para respeitar.

O gesto de Sciandri não ficou por aqui. A Jumbo-Visma utiliza pedais Shimano, a Movistar Look, isto é, os encaixes não são compatíveis. O director desportivo tirou os pedais da bicicleta de Roglic e colocou-os na da Movistar. Tolhoek lá seguiu caminho.

Agora sim. O que aconteceu à bicicleta de Roglic? Sciandri colocou-a no seu carro e levou-a até à meta em Como. Depois foi devolvê-la à Jumbo-Visma. Portanto, não houve nenhuma tentativa de a esconder da "revista" por motores, feita pela UCI numa diligência contra o chamado doping mecânico (terá sido uma das suspeitas levantada nas redes sociais perante a falta de informação sobre o que tinha acontecido à bicicleta).

Além de finalmente esclarecer a dúvida - não o fez antes porque, como disse ao jornal, ninguém lhe perguntou -, Sciandri ainda comentou a escolha de Boven em parar num local que até pode parecer seguro, pois é antes de começar a acção final da clássica da Lombardia, que foi basicamente o final da etapa de domingo. Mas afinal não foi nada seguro. "Quando chego a esse ponto tenho sempre vontade de urinar, porque é um momento de relaxamento depois do stress sofrido no sobe e desce de Ghisallo e Sormano. Mas claro que nunca parei. Há que estar sempre colado ao líder e não o deixar nem por um segundo", salientou Sciandri ao El País.

Tom Dumoulin sobreviveu a uma dor de barriga quando ganhou o Giro 2017, mas Roglic poderá não resistir à vontade de urinar do seu director desportivo. Mas também não pode culpar só esse momento pela perda de tempo que tem vindo desde então a acumular.

Carapaz ganha uns segundos e Landa ameaça Roglic

(Fotografia: Giro d'Italia)
O Mortirolo deixou marcas nas pernas de todos, mas quando se está em alta parece haver uma força extra sempre a "empurrar". Que o diga Richard Carapaz. O camisola rosa atacou pouco antes do quilómetro final e ganhou sete segundos a Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Pode parecer pouco, mas segundo a segundo, Carapaz vai construindo uma liderança que pode defender no que ainda falta de montanha e, principalmente, no contra-relógio. São 1:54 para Nibali e 2:09 para Roglic.

E a Movistar está imparável. Com a etapa controlada, Mikel Landa pôde fazer o seu ataque, também perto do fim, e ficou a 47 segundos de Roglic. O pódio está à vista, pois se Roglic continuar a demonstrar debilidades na montanha - e a etapa de sábado vai ser bem complicada - e se Landa tiver mais liberdade, pode ganhar tempo para tentar defender-se no contra-relógio, ficando num pódio que chegou a ser bastante improvável acontecer. Não será fácil, mas este Landa nada tem a ver com o ciclista da primeira semana do Giro.

A Movistar que ameaçou ter mais uma grande volta para esquecer, está numa boa posição para quebrar um enguiço de quase três anos em grande voltas, quando Nairo Quintana venceu a Vuelta em Setembro de 2016.

Do ataque de asma de um líder, à vitória de um jovem talento

(Fotografia: Giro d'Italia)
Não é a primeira vez que se fala de Nans Peters, francês que já foi líder da juventude neste Giro. Há muito que a camisola branca mudou de dono, mas o ciclista de 25 anos deu mais uma ajuda para salvar uma corrida que estava a ser para esquecer da AG2R.

Não demorou muito a perceber que Tony Gallopin e Alexis Vuillermoz não iam ser homens a lutar sequer por um top dez. O primeiro queria mostrar que tinha mesmo feito a transformação para voltista, depois de ter revelado sinais na Vuelta. Não convenceu e até abandonou na etapa do Mortirolo. Na mítica subida, Vuillermoz passou por um grande susto. Sofreu um ataque de asma muito forte e chegou a cair. Recebeu ajuda médica e optou por regressar à sua bicicleta para terminar a etapa.

24 horas depois, Vuillermoz está a festejar a vitória de etapa de Nans Peters. Foi um dos corredores de uma fuga com muita gente, incluindo o português Amaro Antunes (CCC), tendo mais tarde arriscado um ataque solitário que acabou por resultar. Primeira vitória como profissional de Nans Peters e logo numa grande volta. A AG2R agradece, pois é apenas o sexto triunfo do ano, o primeiro numa corrida World Tour. A formação francesa tem sido muito de "consumo interno", o que é pouco para o seu potencial e orçamento. Já se sabe que aposta mais forte no Tour, mas nunca é mau ter outros resultados a apresentar antes de colocar toda a responsabilidade de uma época nos ombros de Romain Bardet.

Classificação da etapa Commezzadura - Anterselva/Antholz, 181 quilómetros, via ProCyclingStats.

18ª etapa: Valdaora/Olang - Santa Maria di Sala, 222 quilómetros



Arnaud Démare, Pascal Ackermann, estão por aí? Os dois sprinters resistiram à infernal fase de montanha da Volta a Itália (que ainda não terminou) e continuam em prova. As restantes principais figuras do sprint já foram para casa. O ciclista da Groupama-FDJ e o da Bora-Hansgrohe lutam pela camisola ciclamino, ou seja, pela classificação dos pontos. São 13 a separá-los com vantagem para o francês, pelo que a disputa será acesa naquela que é a derradeira oportunidade para os sprinters ganharem uma etapa.

Será um dia curioso. Até começa a subir, mais ou menos a meio tem uma quarta categoria, mas a maioria dos quilómetros são a descer.




»»É dia de elogiar a Movistar««

»»Movistar acusada de ter atacado quando Roglic trocou de bicicleta««

2 de abril de 2019

Martin e Bardet roubados quando caíram em Barcelona

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Já não bastava ter sofrido uma queda aparatosa e que tirou o top dez a Daniel Martin e deixou Romain Bardet sem saber o que esperar do seu futuro próximo, os dois ciclistas foram roubados quando estavam no chão. Ambos caíram na última etapa, no circuito de Barcelona, na Volta à Catalunha, e ficaram sem os seus ciclocomputadores.

Os ciclistas confirmaram o roubo no Twitter e, mais do que o valor do equipamento, ficar sem os importantes dados das suas performances deixou-os bastante aborrecidos. Martin (UAE Team Emirates) escreveu que precisava de actualizar os seus valores dos treinos e "apelou" a quem roubou o ciclocomputador que envie os dados. Romain Bardet (AG2R) partilhou a mensagem de Martin, dizendo que "alguém não tinha ficado de mãos vazias perante a falta de sorte" dos ciclistas, confirmando que também ele tinha ficado sem a importante ferramenta.
Para os dois ciclistas foi um final de corrida, no domingo, muito infeliz, ainda mais para o francês. Martin acabou por se levantar e ainda terminou a prova. Caiu da quinta para a 23ª posição na geral, mas não ficou com grandes mazelas. Já Bardet perdeu um potencial oitavo lugar, tendo abandonado. Aguarda para conhecer o seu tempo de paragem, com suspeita de fractura nas costelas.

Este foi mais um episódio infeliz de uma Volta à Catalunha que desportivamente até proporcionou muito espectáculo. Na primeira etapa um homem filmou a queda de Domingos Gonçalves (Caja Rural), rindo-se do sucedido e, ao aproximar-se do português, brincou a dizer que ia ficar com a bicicleta, enquanto o ciclista gemia de dores, pois tinha fracturado o ombro e a omoplata.

Martin e Bardet, conheceram o lado pior de certas pessoas, ao contrário de Wout van Aert. Na Omloop Het Nieuwsblad, o belga da Jumbo-Visma perdeu o seu ciclocomputador. Fez um apelo no Twitter, explicando em quando sector o equipamento tinha caído e um adepto encontrou e devolveu-o. Em troca recebeu uma camisola autografada (ver link em baixo).

26 de fevereiro de 2019

Warbasse dedicou-se tanto a aprender francês que tirou um curso que incluía multas se não falasse a língua

(Fotografia: © AG2R La Mondiale)
Estar numa reunião de equipa e perceber muito pouco do que está a ser dito, era capaz de não ser o ideal para um ciclista que tem de saber exactamente o que é preciso fazer numa etapa, por exemplo. Para Larry Warbasse não chegava as suas capacidades como ciclista para se integrar na AG2R. Este americano tinha de aprender francês. A sua dedicação até impressionou os próprios colegas, pois inscreveu-se num curso tão intensivo, que até estava proibido de olhar para o telemóvel para não ler outra língua que não o francês. E era multado se falasse outra língua!

"Eu diria se estivesse numa reunião da equipa, eu talvez percebesse cerca de 15/20% do que estava a ser dito. Sinto-me um pouco embaraçado porque eu vivo no sul de França", admitiu ao VeloNews. Warbasse foi dos ciclistas que conseguiu resolver a sua situação rapidamente depois de, em Agosto, a Aqua Blue Sport ter anunciado o seu fim, já nem participando em mais corridas. Assinou um contrato após o NoGo Tour, uma semana a pedalar pelos Alpes na companhia de Connor Dunne - outro ciclista da equipa irlandesa -, durante a qual regressaram às origens: andar de bicicleta por diversão.

Quando começou a preparação para a nova temporada a pensar na AG2R, esta não foi feita somente na estrada. O americano inscreveu-se em Outubro num curso muito intensivo para aprender francês. "Pagavas uma multa de dois euros se falasses uma língua que não fosse o francês. E não podia sequer olhar para o telemóvel porque eles não queriam que se lê-se nenhum texto que não fosse em francês", explicou o ciclista de 28 anos. O curso realizou-se num instituto perto de Nice e das oito às 17 horas, Warbasse só falava e ouvia francês. O corredor explicou que os seus dias começavam com uma hora e meia de exercícios, seguindo-se várias horas de prática, recorrendo à utilização de auscultadores, ouvindo e repetindo frases.

Nem ao almoço havia descanso. Os professores comiam com os alunos, promovendo assim conversas. Sempre em francês, claro. Um mês muito intenso, mas que valeu a pena: "Agora sinto que percebo 80% do que está a ser falado. Tornou a minha vida muito mais fácil porque consigo falar com as pessoas", disse. Numa equipa em que 20 dos 28 ciclistas são franceses, mas há dois suíços, outros tantos belgas e um luxemburguês e a equipa técnica também é praticamente toda gaulesa, a adaptação de Warbasse foi muito facilitada pela escolha de incluir um curso de francês na sua preparação para 2019.

Quando chegaram os estágios e as primeiras corridas do ano, o esforço do americano não passou despercebido, como realçou o companheiro de equipa Tony Gallopin: "Todos ficaram surpreendidos. Agora, sempre que o vejo, ele está sempre a melhorar. Às vezes falamos um pouco de inglês, mas ele agora consegue falar [em francês] com todos na equipa."

Uma demonstração de dedicação e de respeito para com as origens da equipa pela qual assinou, por parte deste campeão americano, em 2017, e que está de regresso ao World Tour. Antes de representar a Aqua Blue Sport (Profissional Continental), esteve três anos na BMC e dois na também extinta IAM Cycling. Agora é em francês que se vai expressar no ciclismo.


12 de janeiro de 2019

Os ciclistas e equipamentos do pelotão World Tour (2)

Com a excepção da Movistar e da AG2R, as equipas hoje aqui apresentadas estiveram bastante activas no mercado de transferências. A Bahrain-Merida foi buscar o campeão do mundo de contra-relógio, Rohan Dennis, a Jumbo-Visma (novo nome da Lotto-Jumbo) garantiu a estrela emergente Wout van Aert um ano mais cedo do que o esperado, além de outro campeão mundial de contra-relógio, mas já por quatro vezes: Tony Martin.

A UAE Team Emirates escolheu jovens de muito talento, como os gémeos Oliveira, Ivo e Rui, e o vencedor do Tour de l'Avenir, Tadej Pogacar. Mas claro, que o principal destaque, não só da equipa, mas de todas as mudanças em 2019, foi a contratação inesperada de Fernando Gaviria. O colombiano tinha um vínculo até final deste ano com a então Quick-Step Floors, mas optou por quebrá-lo e mudar-se para a formação que continua a contar com Rui Costa, mais um campeão do mundo, mas de fundo.

A Sunweb perdeu algumas das suas figuras, principalmente de trabalho, mas foi buscar jovens que muito prometem e homens experientes como Nicholas Roche e Jan Bakelants. A grande mudança foi mesmo no equipamento. Foi uma alteração radical, deixando a camisola branca com riscas pretas, preferindo agora os tons vermelhos, com as riscas em branco.

A ordem das equipas é a do ranking de 2018. Pode ver aqui as primeiras seis, sendo que este domingo serão divulgados os últimos plantéis e equipamentos. A primeira corrida World Tour começa na terça-feira, novamente na Austrália (Tour Down Under).

Bahrain-Merida
(Fotografia: © Bahrain-Merida)
Vincenzo Nibali, Sonny Colbrelli, Domenico Pozzovivo, Matej Mohoric, Valerio Agnoli, Grega Bole, Yukiya Arashiro, Ivan García Cortina, Chun Kai Feng, Henrich Haussler, Antonio Nibali, Domen Novak, Mark Padun, Luka Pibernik, Meiyin Wang e Hermann Pernsteiner.

Contratações: Rohan Dennis (BMC), Damiano Caruso (BMC), Dylan Teuns (BMC), Marcel Sierberg (Lotto Soudal), Phil Bauhaus (Sunweb), Jan Tratnik (CCC), Stephen Williams SEG Racing Academy) e Andrea Garosio (D'Amico-Utensilnord).

Bicicletas: Merida.

»»Dois anos, dois monumentos, mas uma enorme desilusão no Tour««






Movistar
(Fotografia: © Photo Gomez Sport/Movistar)
Alejandro Valverde, Nairo Quintana, Mikel Landa, Richard Carapaz, Marc Soler, Andrey Amador, Winner Anacona, Nelson Oliveira, Jorge Arcas, Carlos Barbero, Daniele Bennati, Carlos Betancur, Héctor Carretero, Jaime Castrillo, Imanol Erviti, Rubén Fernández, Antonio Pedrero, José Joaquín Rojas, Eduardo Sepúlveda, Jasha Sütterlin e Rafael Valls.

Contratações: Jurgen Roelandts (BMC), Carlos Verona (Mitchelton-Scott), Eduard Prades (Euskadi-Murias) e Luís Mas (Caja Rural).

Bicicletas: Canyon.

»»A aposta falhada num trio que não foi maravilha««

Sunweb
(Fotografia: © Sunweb)
Tom Dumoulin, Wilco Kelderman, Michael Matthews, Sam Oomen, Soren Kragh Andersen, Nikias Arndt, Roy Curvers, Johannes Fröhlinger, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Lennard Kämna, Michael Storer, Martijn Tusveld, Louis Vervaeke e Max Walscheid.

Contratações: Jan Bakelants (AG2R),  Robert Power (Mitchelton-Scott), Nicolas Roche (BMC), Marc Hirschi (Development Sunweb), Max Kanter (Development Sunweb), Joris Nieuwenhuis (Development Sunweb), Casper Pedersen (Aqua Blue Sport), Cees Bol (SEG Racing Academy) e Asbjorn Kragh Andersen (Virtu Cycling).

Bicicletas: Cervélo

»»Sunweb entre um senhor Dumoulin e as infelicidades de Matthews e Kelderman««




Jumbo-Visma (ex-Lotto-Jumbo)
(Fotografia: Twitter Jumbo-Visma)
Dylan Groenewegen, Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Floris de Tier, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lindeman, Paul Martens, Daan Olivier, Neilson Powless, Timo Roosen,  Jos van Emden, Danny Van Poppel e Maarten Wynants.

Contratações: Tony Martin (Katusha-Alpecin), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Mike Teunissen (Sunweb), Lennard Hofstede (Sunweb), Taco van der Hoorn (Roompot-Nederlandse Loterij) e Jonas Vingegaard (ColoQuick). Wout van Aert (estava sem equipa desde a rescisão com a Vérandas Willems-Crelan e representará a equipa holandesa a partir de 1 de Março).

Bicicletas: Bianchi.

»»Lotto-Jumbo atingiu a maturidade««

AG2R
(Fotografia: © AG2R)
Romain Bardet, Oliver Naesen, Tony Gallopin, Silvan Dillier, Alexandre Geniez, Pierre Latour, Nans Peters, Alexis Vuillermoz, Gediminas Bagdonas, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickaël Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Nico Denz, Axel Domont, Samuel Dumoulin, Hubert Dupont, Julien Duval, Mathias Frank, Ben Gastauer, Alexis Gougeard, Quentin Jauregui, Aurélien Paret-Peintre, Stijn Vandenbergh e Clément Venturini.

Contratações: Larry Warbasse (Aqua Blue Sport), Dorian Godon (Cofidis), Geoffrey Bouchard (CR4C Roanne) e Jaakko Hänninen (Probikeshop Saint-Etienne Loir))

Bicicletas: Eddy Merckx.

»»Época com muitos quase, mas com uma certeza chamada Latour««

UAE Team Emirates
(Fotografia: © UAE Team Emirates)
Fabio Aru, Dan Martin, Alexander Kristoff, Rui Costa, Diego Ulissi, Valerio Conti, Sven Erik Bystrom, Simone Consonni, Roberto Ferrari, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Manuel Mori, Simone Petilli, Jan Polanc, Edward Ravasi, Rory Sutherland, Oliviero Troia, Kristijan Durasek, Alexandr Riabushenko e Yousif Mirza.

Contratações: Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon), Jasper Philipsen (Hagens Berman Axeon), Sergio Henao (Sky) Tadej Pogacar (Ljubljana Gusto Xaurum), Tom Bohli (BMC) Sebastián Molano (Manzana Postobón), Cristian Camilo Muñoz (Coldeportes Zenu Sello Rojo).

Bicicletas: Colnago.

»»Mais investimento, novas figuras, mas o mesmo velho problema e um Aru irreconhecível««

»»Os ciclistas e equipamentos do pelotão World Tour (1)««

»»Os portugueses no World Tour««