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22 de novembro de 2019

Quando se uniu a Movistar ganhou... mas não repetiu a união

(Fotografia: © Giro d'Italia)
Alejandro Valverde não foi o ciclista ganhador de temporadas recentes e a Movistar até se ressentiu um pouco nos números finais de vitórias. Porém, a equipa espanhola finalmente conquistou uma grande volta, terminando com uma espera de três anos. E tendo em conta que as três semanas fazem parte da génese desta histórica estrutura, há razões para alguma satisfação. Mas não muita. É que acabou por ser uma época com mais do mesmo relativamente às lutas internas, numa equipa que tanta dificuldade tem a agir como tal. Se nesse aspecto foi mais do mesmo, já a preparação para 2020 causa estranheza. Haverá muitas mudanças, algo pouco normal num director como Eusebio Unzué, mais conhecido por contratar muito pouco, dando prioridade à continuidade, sempre com uma espinha dorsal quase intocável.

Muitas das equipas World Tour adorariam ter conquistado etapas nas três grandes voltas e uma geral. Mas para a Movistar acaba por ficar mais vincado o novo desaire no Tour, em que o mal amado Nairo Quintana conquistou uma etapa para salvar um pouco a honra numa corrida em que apostar pelo segundo ano consecutivo no tridente Quintana/Landa/Valverde correu novamente mal. O colombiano estava isolado, enquanto Landa fez a sua corrida, com um Valverde a ser tudo menos um elemento de união.

Poder-se-ia pensar que depois de no Giro Richard Carapaz ter conseguido unir a equipa, inclusivamente Landa trabalhou para o equatoriano, resultando na conquista da grande volta - a última havia sido a Vuelta de 2016 com Quintana -, que a Movistar continuasse a ter um colectivo que funcionasse como tal. Mas não.

Contudo, próprio Carapaz antes de alcançar esse feito, contrariou a ideia de um Landa como líder único no Giro, assumindo-se sempre como co-líder e atacando em etapas para garantir que os responsáveis o vissem como tal. No Tour foi cada um por si entre os chefes-de-fila, enquanto na Vuelta foi a batalha Valverde (segundo)/Quintana (quarto). E não ajudou à imagem da equipa os seus ciclistas terem atacado o eventual vencedor Primoz Roglic (Jumbo-Visma) quando este caiu numa etapa, com a justificação que tentou aproveitar o vento para fazer cortes no pelotão. A organização acabou por intervir e apenas ficou a polémica, tanto da atitude da Movistar, como da decisão dos comissários de esperar que o pelotão ficasse novamente junto, num precedente que ainda haverá dar que falar no futuro.
Ranking: 7º (10.398 pontos) 
Vitórias: 21 (incluindo a geral no Giro e duas etapas, uma no Tour e duas na Vuelta) 
Ciclistas com mais triunfos: Alejandro Valverde e Richard Carapaz (5)
Desentendimentos à parte, a Movistar ressentiu-se da falta de um Valverde avassalador, como tem acontecido em anos recentes. Aos 39 anos, o espanhol teve alguns problemas físicos e não conseguiu estar na discussão de tantas corridas como costumava. Nem nas suas Ardenas apareceu ao seu melhor. Na época em que vestiu a camisola de campeão do mundo, Valverde deu as primeiras mostras de estar na recta final da carreira. Mas ainda falta ir a Tóquio tentar a título olímpico.

Esta é uma equipa muito dependente das suas figuras para conquistar vitórias, mas a escolha recaiu em trazer novas caras para 2020, num corte bastante radical com o passado recente. Sai Landa (Bahrain-Merida), Quintana (Arkéa-Samsic), um dos importantes homens de trabalho Winner Anacona (Arkéa-Samsic) e Rubén Fernández vai procurar relançar a carreira como líder na Fundação Euskadi. Jasha Sütterlin sai ao fim de um ano para a Sunweb e Daniele Bennati terminou a carreira. Carlos Betancur, Rafael Valls, Jaime Rosón e Jaime Castrillo também vão mudar de ares. Depois há ainda um Andrey Amador que renovou, mas devido a um desentendimento entre Unzué e o empresário Giuseppe Acquadro, o ciclista que tem sido um elemento imprescindível na Movistar está de saída, talvez para a Ineos.

A equipa britânica garantiu ainda um Carapaz que inicialmente estaria mais tentado em continuar na Movistar para ser líder indiscutível, mas com a influência de Acquadro assinou por uma Ineos nada preocupada em ter agora quatro ciclistas que podem e querem discutir grandes voltas.

Com tanta saída, haverá naturalmente entradas para compensar, curiosamente de muitos estrangeiros, numa equipa que sempre abriu muito as portas aos ciclistas da casa. Foi buscar vários jovens como o britânico Gabriel Cullaigh, o alemão Juri Hollman, o americano Matteo Jorgenson, o suíço Johan Jacobs e dois colombianos, Einer Augusto Rubio e Diego Alba. Contratou também dois espanhóis: Sergio Samitier e Iñigo Elosegui. Todos vão fazer a sua estreia ao mais alto nível.

Porém, o mais relevante é como a Movistar parece querer deixar de dividir lideranças, Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) foi contratado para ser o líder para as grandes voltas, com Dario Cataldo a deixar a Astana para reforçar este bloco. Da mesma equipa chega um Davide Villella que quer concentrar-se nas clássicas.

Uma nova era vai começar na Movistar, com Enric Mas a ter a partir de agora o enorme peso de ser um espanhol à frente da única equipa espanhola do World Tour. E já foi lançado o repto para os 40 anos da estrutura, ganhar a Volta a França, a única grande volta que falta conquistar com o nome Movistar. Com tanta saída, Marc Soler espera que possa ter nova oportunidade de lutar pela geral numa das grandes voltas, Giro ou Vuelta.

Quem continua a fazer parte da espinha dorsal é o português Nelson Oliveira. Renovou por mais duas temporadas. É um ciclista que está grande parte da temporada muito preso a um papel de gregário que desempenha tão bem, com 2019 a não ter sido excepção. Porém, continua vivo o objectivo de vencer um contra-relógio, a sua especialidade, num dos grandes palcos, sendo que a maior liberdade é dada nas clássicas. Oliveira é um ciclista exemplar que os responsáveis da Movistar não dispensam.

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14 de outubro de 2019

Froome e Bernal. Líder e gregário no Tour?

(Fotografia: Facebook Team Ineos)
Não é novo ver Chris Froome dar entrevistas aproveitando para falar sobre companheiros de equipa que podem rivalizar com ele a liderança da equipa na Volta a França. Foi assim com Geraint Thomas e é agora com Egan Bernal. Se com o galês Froome tentou "empurrar" o colega para o Giro no início de 2019, dizendo como o percurso italiano assentava bem a Thomas, quando este tinha deixado bem claro que queria ir ao Tour tentar uma segunda vitória, desta feita Froome parece querer ter Bernal a seu lado. No entanto, está desde já a tentar deixar bem definido quem é o número um, se a condição física o permitir. Pelas palavras do britânico, o colombiano irá usar esse dorsal por ser o vencedor de 2019, mas na prática poderá ser um gregário de luxo para Froome, o número um da Ineos. Por enquanto...

Se vai ser mesmo assim, é uma daquelas questões que muito se vai discutir até à grande volta francesa, mesmo que ainda falte cerca de nove meses para a corrida. Um dia antes da apresentação do percurso para 2020 (10:30, com transmissão no Eurosport), Froome não está a querer perder tempo em colocar todos no seu lugar. O que não será uma missão nada fácil e não se resolverá só por palavras ou por estatuto.

À France Télévisions, Froome afirmou que Bernal lhe garantiu que o iria ajudar a ganhar a quinta Volta a França, o que fará o britânico igualar o recorde. Mas Froome não quer mostrar que está a impor o quer que seja e sabe ser politicamente correcto: "Eu precisarei de ser o mais forte. Se ele [Bernal] for o mais forte, então ficarei feliz se ele ganhar porque a corrida é assim, o ciclista mais forte ganha." E de facto, a primeira questão a responder na Ineos é se Froome vai recuperar o nível depois da grave queda sofrida em Junho, no Critérium du Dauphiné. Porém, fica já publicamente dito que Bernal se disponibilizou para não ser a principal aposta da Ineos.

Egan Bernal venceu a Volta a França o que o colocou mais rapidamente no estatuto de grande figura da Ineos e do ciclismo mundial. Já se sabia que seria o sucessor de Froome, mas agora já é a confirmação de um dos maiores talentos da modalidade. Geraint Thomas não encarou muito bem ter ficado atrás de Bernal nas escolhas da Ineos no último Tour, apesar de ter sido ele a vencer em 2018 e a ver vamos como reagirá Froome se lhe acontecer o mesmo.

Froome tem a perfeita percepção que o seu tempo está a terminar, mas aos 34 anos quer pelo menos mais essa quinta conquista e na mesma entrevista disse que não está a pensar retirar-se se não conseguir ser o ciclista que era antes da queda. "Todos me dizem que devo parar enquanto estou no topo, mas eu adoro ciclismo e quero continuar. Se não conseguir ganhar, então irei ajudar alguém a ganhar", afirmou, reiterando, para que fique bem claro que ainda falta a tal quinta Volta a França.

Froome vai regressar à competição no final do mês, no Critérium de Saitama, no Japão e vai fazendo o que sempre soube fazer bem: mostrar confiança e que tendo condição física, não vai deixar de tentar ganhar, haja Bernal, Thomas ou seja quem for. Não o fez por Geraint Thomas no ano passado, mesmo quando se tornou claro que o galês era o mais forte, e Bernal poderá esperar o mesmo se Froome conseguir estar em França para discutir a vitória.

E vai ser interessante ver como a Ineos vai gerir as suas figuras. Os tempos de todos por um líder ficam para trás. Foi o estilo que marcou a imagem da Sky, mas nos últimos dois anos tudo tem mudado e vai mudar ainda mais. Se Bernal de facto aceitar ser gregário de Froome, mesmo que fique sempre como segunda opção no Tour de 2020, irá querer lutar por uma grande volta. Vai ao Giro? Thomas já percebeu que o seu estatuto caiu a pique e começou a "namorar" um regresso a Itália, mas Bernal poderá ser a principal opção.

Mas então onde encaixa Richard Carapaz? Não vai tentar vencer novamente o Giro? É um dos reforços da Ineos, oriundo da Movistar e sabe que ao Tour não irá certamente como líder, pelo que a ida a Itália e à Vuelta poderão ser objectivos, se a equipa não quiser criar uma super estrutura para o Tour, mesmo que isso signifique ter de lidar com muitos egos.

E ainda há Pavel Sivakov que esteve bem no Giro como líder - na ausência por lesão de Bernal -, terminando na nona posição, além de ter ganho a Volta aos Alpes e a Volta à Polónia. O russo tem apenas 22 anos, pelo que não se importará de esperar mais uma ou duas temporadas até que tenha a responsabilidade de fazer mais do que um top dez numa grande volta. Mas, ainda assim, é outro ciclista que a Ineos terá de saber manter motivado para as três semanas.

Thomas é cada vez mais o elemento que vê fechar-se as portas de destaque. Há um ano optou por renovar até 2021 pela Ineos, então Sky, preferindo a continuidade e não o risco de aceitar um novo projecto. A CCC bem teria gostado de contar com o galês. Estava em alta, tinha ganho brilhantemente o Tour, mas 12 meses depois tudo mudou. O próprio admitiu que ser segundo na Volta a França não lhe dava qualquer tipo de mediatismo.

A luta interna na Ineos começa a ganhar forma e muito, mas mesmo muito, se vai falar e escrever sobre uma equipa que tem os líderes aqui referidos, mas também Michal Kwiatkowski, Tao Geoghegan Hart, Iván Ramiro Sosa, Jhonatan Narváez, Eddie Dunbar, Gianni Moscon... todos ciclistas que ou já querem mais, ou em breve vão querer.


22 de agosto de 2019

A Vuelta da América Latina perde uma das principais figuras

(Fotografia: © Giro d'Italia)
Fica completa uma estranha coincidência que privou as grandes voltas do provável candidato mais favorito. Devido a quedas, o Giro não teve Egan Bernal, o Tour Chris Froome e na Vuelta não se verá Richard Carapaz, o vencedor da Volta a Itália e que fez dele o homem a ter em atenção na corrida que arranca no sábado. E numa Vuelta na qual pode ser feita um pouco mais de história num 2019 marcante para o ciclismo, perder Carapaz é um rude golpe, mas não significa que não possa ser feito o pleno de corredores latinos ganharem as três grandes.

Carapaz tornou-se no primeiro equatoriano a venceu uma grande volta. Seguiu-se Bernal (Ineos) que finalmente concretizou o sueño amarillo colombiano no Tour e quem poderá ser o senhor que se segue na Vuelta? Candidatos não faltam. Carapaz vai assistir de longe devido a uma lesão no ombro, contraída no domingo, numa queda durante uma prova na Holanda. Segundo o jornal As participou a título pessoal. A Movistar chamou o experiente José Joaquín Rojas, substituindo um líder por um homem de trabalho. Nairo Quintana não deverá importar-se.

E entre os candidatos da América Latina, Quintana tem de ser um deles, mesmo que cada vez convença menos. O seu ciclo na Movistar está a chegar ao fim, apesar de ainda não ter confirmado que equipa vai representar em 2020 (muito se fala da Arkéa-Samsic). Venceu a Vuelta em 2016, numa altura em que tudo se esperava deste ciclista, mas que aos 29 anos está a ver a carreira passar sem se afirmar como um dos grandes voltistas da história. Não perdeu qualidade, mas há muito que não se vê aquele Quintana capaz de deixar qualquer um para trás. Uma mudança de ares poderá fazer-lhe bem, mas para já, é na Movistar que vai tentar afastar a desconfiança que se instalou num favoritismo cada vez mais reduzido.

Sem Carapaz, Quintana perde a mais forte concorrência interna, mas ainda tem Alejandro Valverde (diz que vai à procura de etapas, contudo, também há um ano seria o objectivo e depois bem tentou liderar a corrida) e um Marc Soler que não vai querer continuar a adiar um maior protagonismo dentro de uma equipa em remodelação para 2020 e com espaço para ter Soler num papel mais relevante.

Com a exclusão de Carapaz, a América Latina ficou reduzida à Colômbia. O próximo nome na lista de candidatos do país é Miguel Ángel López. Aos 25 anos vai para a sua quarta Vuelta, na qual já foi terceiro em 2018. No Giro teve exibições em que falhou, depois melhorou substancialmente e acabou a ser atirado ao chão por um adepto. López e a Astana apostam muito nesta Vuelta, sendo uma das equipas mais fortes: os irmãos Izagirre, Luís León Sánchez, Omar Fraile, Dario Cataldo, Manuele Boaro e Jakob Fuglsang. A dúvida é se o dinamarquês, que abandonou no Tour devido a queda, vai também ele atrás de um bom resultado na Vuelta. E depois, como irá enfrentar a corrida Ion Izagirre? No início da época disse que seria a sua volta seria em Espanha, após trabalhar para López no Giro.

Johan Esteban Chaves é uma enorme incógnita. Ele próprio o assume, esperando que a sua carreira possa ser revitalizada depois de um 2018 para esquecer devido a uma mononucleose. A vitória na 19ª etapa no Giro foi um momento muito importante para o ciclista, que quer agora disputar novamente uma grande volta que, não há muito tempo, se pensaria que poderia ganhar, mais cedo ou mais tarde. Há um ano a Mitchelton-Scott venceu com Simon Yates, que fica de fora, após estar no Giro e Tour. 2019 é o ano para a equipa australiana saber se consegue ou não recuperar Chaves. Corrida muito importante para o futuro do ciclista.

E depois há o trio maravilha da EF Education First. Rigoberto Uran parte como líder, mas é impossível negar que é Daniel Martínez e Sergio Higuita que mais se quer ver. Martínez falhou o Tour devido a lesão e irá fazer a sua estreia na Vuelta. Tem 23 anos e um potencial tremendo. A equipa americana não o deverá prender ao trabalho de gregário e se estiver em forma, este é um ciclista que irá dar espectáculo. Se Uran conseguir manter-se na frente da corrida, Martínez até poderá procurar mais etapas do que pensar na geral. É um dos jovens colombianos que mais entusiasma além de um ausente Egan Bernal, vencedor do último Tour.

Higuita tem 22 anos e chegou à equipa já com a temporada a decorrer, depois de uma fase de adaptação à Europa na Fundação Euskadi. E passou por Portugal: ganhou uma etapa na Volta ao Alentejo. Na sua primeira corrida pela EF Education First, a Volta a Califórnia, só foi batido por Tadej Pogacar (UAE Team Emirates). Será uma Vuelta para aprender e habituar-se aos grandes palcos. No entanto, cuidado com este jovem. É mais uma prova que na Colômbia os talentos não param de aparecer.

John Darwin Atapuma (Cofidis) pode ter passado ao lado de uma carreira bem melhor. Mas aos 31 anos ainda quer mostrar que pode deixar a sua marca e principalmente quer quebrar o enguiço dos segundos lugares nas etapas. Sergio Henao (UAE Team Emirates) deverá ter de ficar ao lado de Fabio Aru, mas Fernando Gaviria, o colombiano sprinter, vai atrás de etapas para salvar uma temporada em que desiludiu e marcada por uma lesão. Juan Sebastián Molano será o plano B para os sprints e o lançador do compatriota. Sergio Henao estará dedicado ao trabalho na Ineos.

É uma pena Richard Carapaz ficar de fora da Vuelta, mas a senda latina de 2019 tem muitas hipóteses de ficar completa na Vuelta, depois de em 2018 terem sido três ciclistas britânicos a ganharem as grandes voltas: Chris Froome, Geraint Thomas e Simon Yates.

No entanto, a armada colombiana terá concorrência, que será apresentada no texto desta sexta-feira.


22 de julho de 2019

Nelson Oliveira renova por uma Movistar ainda a definir os líderes para 2020

Em dia de descanso da Volta a França, dois dos ciclistas presentes da Movistar definiram o seu futuro para as próximas duas temporadas, um deles o português Nelson Oliveira. A equipa espanhola está a começar a arrumar a casa e começou pela sua espinha dorsal, com o ciclista da Anadia a fazer parte dela nos quatro anos em que representa uma das formações mais antigas do pelotão mundial. Andrey Amador, que muito se tem visto na montanha do Tour a trabalhar, também irá permanecer.

Em dois anos consecutivos, quedas no Paris-Roubaix estragaram parte da época de Nelson Oliveira, o que o levou em 2019 a não participar na corrida e assim ter maiores garantias de aprimorar a forma para estar no Tour que tanto gosta. Independentemente das provas em que é chamado, Nelson Oliveira prima pela regularidade. Tem sido um gregário por excelência, mas está entre os melhores contra-relogistas do mundo, pelo que continua atrás da grande vitória na sua especialidade, com a recente medalha de prata nos Jogos Europeus a motivar ainda mais o corredor de 30 anos.

Já tem uma etapa numa grande volta, quando triunfou em Tarazona na Volta a Espanha, em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida. Foi a segunda e última temporada na equipa italiana, depois de três na americana RadioShack, que lhe proporcionou a estreia no World Tour em 2011.

A renovação do português não surpreendeu, tal como as de Jorge Arcas (27 anos), Héctor Carretero (24), Antonio Pedrero (27) e de José Joaquín Rojas (34). Lluís Mas (29) chegou esta temporada à Movistar, mas convenceu os responsáveis a darem-lhe maior estabilidade. O espanhol esteve a bom nível no Giro, no trabalho para a vitória de Richard Carapaz.

Já a renovação de Andrey Amador não parecia tão certa. O ciclista da Costa Rica está desde 2011 na Movistar, mas chegou a ser dado como um possível reforço de uma Arkéa Samsic, que estará próxima de contratar Nairo Quintana. Amador é um dos homens de confiança do colombiano e que acabou por se resignar a estar mais em segundo plano, principalmente nas grandes voltas, apesar de ter tentado apelar a uma oportunidade no Giro, corrida na qual chegou a vestir a camisola rosa. Porém, com Quintana e Valverde e agora com Landa, as oportunidades para Amador escasseiam. No entanto, preferiu continuar na Movistar. A equipa espanhola anunciou as renovações, com o As a escrever que Imanol Erviti (35) será o senhor que se segue, pois já haverá acordo.

Em Março, a Movistar só tinha garantido Marc Soler (25) e Carlos Verona (26) para 2020, com Alejandro Valverde (39) a entretanto renovar até 2021, ano em que pretende retirar-se. A questão da equipa prende-se agora com os líderes para as grandes voltas.

Quintana (29) dá cada vez mais mostras que não tem lugar na Movistar e a Profissional Continental Arkéa Samsic deverá mesmo ser o seu destino. A sua exibição no Tour está a ser abertamente criticada por Valverde. O espanhol disse que o colombiano não avisou que não estava bem no Tourmalet. Quintana reagiu a dizer que avisou para que a equipa não puxasse tanto, mas Landa pediu um pouco mais de ritmo e o colombiano acabou por não dizer mais nada. No dia seguinte, foi para a fuga, mas quando Landa o apanhou, Quintana não ajudou nada, ficando mesmo para trás.

O futuro de Mikel Landa (29) também está incerto. A Bahrain-Merida procura um ciclista para preencher a vaga que vai ficar vaga com a saída de Vincenzo Nibali para a Trek-Segafredo e o espanhol será o favorito. Porém, Eusebio Unzué vai fazer um forcing para convencer Landa a continuar na Movistar, um ciclista que o director há muito queria ter na equipa e que finalmente conseguiu em 2018.

No entanto, Unzué não terá conseguido convencer Richard Carapaz (26). O interesse da Ineos não é novo e Dave Brailsford terá oferecido cerca de 1,5 milhões de euros por ano. Inicialmente a informação era que o equatoriano preferiria ficar na Movistar, mesmo a ganhar menos, mas afinal poderá mesmo estar a caminho da equipa britânica.

A contratação de Enric Mas (24 anos, Deceuninck-QuickStep) torna-se ainda mais essencial se tal acontecer e a Movistar poderá em 2020 ter apenas espanhóis como referências para as grandes voltas, não esquecendo que Marc Soler continua pacientemente à espera que chegue a sua oportunidade.

De referir que entre os portugueses no World Tour, falta definir o futuro de Rui Costa (UAE Team Emirates), Amaro Antunes (CCC) e José Gonçalves e Ruben Guerreiro de uma Katusha-Alpecin que ainda não tem garantida a continuidade no pelotão.

9 de junho de 2019

Nibali dá início à dança dos líderes

(Fotografia: Giro d'Italia)
Transferência confirmada, ainda que não oficializada. O regulamento dita que os novos contratos só o sejam a partir de 1 de Agosto, mas muitos ciclistas procuram ter o seu futuro decidido o mais cedo possível. A já esperada e muito falada mudança de Vincenzo Nibali para a Trek-Segafredo como que abre a dança de líderes que poderá assistir-se este ano. São vários os corredores em final de contrato e alguns não se importariam nada de mudar de ares.

Massimo Zanetti, o dono da Segafredo, confirmou à Gazzetta dello Sport um rumor há muito conhecido, ainda que por parte da equipa e do ciclista é provável que se espere por Agosto para não desrespeitar o regulamento da UCI. Contudo, além de não ser surpresa nenhuma esta mudança da Bahrain-Merida para a Trek-Segafredo - e deverá levar o irmão, Antonio, com ele -, será provavelmente apenas a primeira grande transferência entre voltistas. Finalmente a equipa americana, com o segundo patrocinador italiano, terá a referência daquele país no plantel. Giulio Ciccone há-de lá chegar, mas sem dúvida que Nibali é a principal estrela do ciclismo transalpino. Fica a dúvida que papel terá Richie Porte, que tem contrato até 2020, mas vai sentir a pressão para manter o seu estatuto se continuar sem resultado digno de nota numa grande volta.

Há uns quantos nomes entre este tipo de ciclista que estão em final de contrato. Nairo Quintana à cabeça, juntamente com Mikel Landa e Richard Carapaz da Movistar. O director da equipa, Eusebio Unzué, já admitiu que não poderá ficar com todos e Carapaz tornou-se na prioridade de renovação, após ganhar o Giro. Apesar de uma alegada oferta de 1,5 milhões de euros por ano da Ineos, o equatoriano quer ficar na equipa espanhola e Unzué ter-lhe-á oferecido-lhe um contrato bem simpático, ainda que não chegue aos valores da Ineos. Deverá ser o suficiente para o convencer.

Mikel Landa é uma incógnita. Era uma antiga paixão de Unzué, que finalmente conseguiu contratá-lo em 2018. No entanto, não tem sido uma relação profícua. Além do mais, Enric Mas é pretendido, com a Deceuninck-QuickStep a enfrentar uma missão difícil em manter o espanhol. A Movistar tem o género de equipa que Mas precisa para lutar por uma grande volta, contudo, Patrick Lefevere prometeu a Mas que contrataria ciclistas para o ajudarem se renovasse. Ainda se está à espera da decisão de Mas, com Julian Alaphilippe a já ter renovado pela equipa belga, para alívio de Lefevere, ainda que o francês não seja um voltista. Ainda...

Se a Movistar avançar para Mas, será difícil Landa ficar. A Bahrain-Merida está de portas abertas para receber o ciclista espanhol. A contratação de Rohan Dennis não dá qualquer garantia para as grandes voltas, pelo que garantir Landa agora que está confirmado que Nibali vai mesmo deixar o projecto que muito contribuiu a dar vida, poderá ser essencial.

A Astana também não se importaria de recuperar Landa, ainda mais se for verdade o rumor que a Movistar está a tentar seduzir Jakob Fuglsang. Alexander Vinokourov não fez segredo que quando Landa acabou contrato com a Sky, que gostaria de ter o espanhol agora no papel de líder, depois de ter sido um gregário de luxo. A ver vamos se há nova aproximação.

E quanto a Quintana, as performances abaixo do esperado, tal como os resultados muito aquém do desejado depois de ter ganho um Giro e uma Vuelta, têm baixado o valor do colombiano de 29 anos. A maior interessada parece ser a Arkéa Samsic, equipa do escalão Profissional Continental. Por lá está Warren Barguil e André Greipel, mas nenhum está sequer perto do ciclista que foi em tempos recentes. Um bom resultado no Tour e principalmente exibições convincentes e não apenas esporádicas são muito necessárias se Quintana quiser alargar o leque de opções. Ficar na Movistar parece ser uma miragem, até porque a relação com Unzué de próxima tem muito pouco ou mesmo nada.

Mas há mais nomes no mercado, ou seja, em final de contrato. E praticamente todos bem precisam de um bom resultado para terem mais poder para negociar renovações ou com uma nova equipa.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) venceu uma etapa no Giro, mas voltou a desiludir na luta pela geral; quase nos esquecemos que Louis Meintjes regressou a uma Dimension Data onde outrora foi tão feliz; Johan Esteban Chaves, esse sim, recuperou a felicidade ao ganhar uma tirada no Giro e é provável que renove com a Mitchelton-Scott; a Tejay van Garderen bem teria dado muito jeito ganhar a Volta à Califórnia, pois a EF Education First pode estar a dar-lhe a última oportunidade, ainda que vá ter de ser gregário no Tour; a George Bennett também não lhe faria mal nenhum mostrar-se um pouco mais, mas é uma das peças importantes que a Jumbo-Visma não deverá deixar sair.

Daniel Martin também está com o contrato nos últimos meses. A UAE Team Emirates confia no irlandês, mas a verdade é que Tadej Pogacar não vai ficar muito mais tempo longe das grandes voltas e já não restam dúvidas que está ali um líder, apesar de ter ainda 20 anos.

Outros nomes a ter em conta para as grandes voltas, talvez não tanto como líderes, mas sempre valiosos, são Pello Bilbao (Astana), Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), David de la Cruz, Wout Poels e Iván Ramiro Sosa (Ineos) estão todos com o contrato a terminar, tal como Tiesj Benoot. O belga da Lotto Soudal ainda não é um voltista por excelência, mas na sua estreia e logo no Tour (2017), foi 20º. Tem apostado mais forte nas clássicas, mas talvez possa pensar mais nas três semanas num futuro próximo. Ainda só tem 25 anos.

Este domingo arrancou o Critérium du Dauphiné, numa espécie de início de contagem decrescente para a Volta a França (de 6 a 28 de Julho) - Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) foi o vencedor da primeira etapa. Muitos ciclistas preferem ter o seu futuro decidido antes do Tour, mas desta feita, serão vários corredores que poderão estar jogar o seu futuro na grande volta francesa, principalmente no que diz respeito a ter maior ou menor poder de negociação, dependendo do resultado.

»»As equipas do Giro uma a uma««

»»Agora todos vão acreditar em Carapaz««

2 de junho de 2019

Agora todos vão acreditar em Carapaz

(Fotografia: Giro d'Italia)
Há um ano Richard Carapaz teve uma recepção impressionante quando regressou ao seu país. Então era um ciclista que tinha feito história ao ganhar uma etapa numa grande volta. O primeiro equatoriano a fazê-lo. Foi uma recepção daquelas que por cá se vê mais numa conquista do futebol, mas no Equador, Carapaz, o ciclista, foi herói. Tornou-se uma referência. E agora? O Equador está em festa. A última etapa até foi transmitida em sinal aberto na televisão. Carapaz fez ainda mais história. É um ídolo. Ganhou mesmo uma grande volta. Ele bem avisou que estava no Giro para disputá-lo. Todos olharam mais para Mikel Landa. Até o deixaram vestir a camisola rosa como decisão táctica. Menosprezar um grande ciclista dá nisto. Não viram ou não quiseram ver, mas Carapaz sabe ser grande.

Recuamos uns dias, até 25 de Maio, a 14ª etapa. Primoz Roglic fez tudo para que Carapaz vestisse a rosa, para não ser ele e a equipa, Jumbo-Visma, a ter a responsabilidade de controlar a corrida. Landa andava a tentar recuperar o terreno perdido da primeira semana. Era o espanhol que era visto como líder da Movistar. Naquele dia, tudo mudou, ainda que só mais tarde se tivesse percebido a importância daquela etapa. A Movistar uniu-se em torno do seu líder de rosa. E até Landa rendeu-se às evidências que tinha de ser um braço-direito, ainda que pudesse beneficiar de tal para tentar chegar a um pódio.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Carapaz não foi um miúdo nervoso com a responsabilidade que lhe caiu nos ombros. Foi um senhor ciclista, sem medo de assumir o risco, essa responsabilidade, a liderança de uma equipa que tanto tem sido criticada nos últimos anos nas grandes voltas. Fez algo que há muito não se via: unir a Movistar. O melhor não ficou guardado para o Tour. O melhor esteve mesmo no Giro. Andrey Amador, Héctor Carretero, Lluís Mas, Antonio Pedrero, José Joaquín Rojas e Jasha Sütterlin merecem o reconhecimento. Uns tiveram um trabalho mais visível que outros, mas todos estiveram ao lado de um Carapaz que foi o líder que a Movistar precisava. Até trabalhou para que Landa ganhasse uma etapa.

Ainda alguém se lembra que Alejandro Valverde foi considerado uma das grandes ausências, antes do Giro começar? Até parece mal falar assim deste ciclista, o campeão do mundo. Mas a verdade é que a Movistar funcionou em pleno sem Valverde. Carapaz foi perfeito. Foi regular, o factor mais importante nesta Volta a Itália. Defendeu-se nos contra-relógios, geriu o esforço na montanha, atacou nos momentos certos, protegeu-se quando assim tinha de ser. Ainda apanhou um susto logo no início, mas depois foi sempre a melhorar. E há que não esquecer que venceu duas etapas.

O menino de El Carmelo (Turcan, na província de Carchi) a quem roubaram a sua primeira bicicleta, que tinha os pais a trabalhar arduamente no campo enquanto Carapaz sonhava alto. O ciclismo abriu-lhe as portas do mundo e Carapaz foi a Itália colocar o Equador definitivamente no mapa da modalidade aos 26 anos. Diz que quer ser um exemplo para as crianças, quer que todas tenham um sonho e que lutem por ele. Agora, mais do que nunca, tornou-se numa referência, num ídolo do país e muito além fronteiras.

(Texto continua por baixo da fotografia)

(Fotografia: Giro d'Italia)

"Há 21 dias ninguém contava comigo como favorito. Ninguém acreditava que eu o conseguiria fazer", disse no final do Giro. Verdade! Mas agora passa-se a acreditar que tudo é possível para este talentoso ciclista. Agora o que mais se quer ver é como vai a Movistar gerir este corredor. Não é mais um ciclista de segunda fila. É um vencedor de uma grande volta.

Para Carapaz inicia-se uma nova fase na carreira. Há que comprovar que tem capacidade para continuar no topo. Há exemplos de quem fez sonhar tanto, mas acaba a desiludir. Pela Movistar há um colombiano nessa posição...

Mas Carapaz tem tempo para começar a pensar no próximo passo, no próximo objectivo. Agora é tempo de desfrutar e terá um Equador certamente à sua espera com uma recepção ainda mais memorável.

Contra-relógio final sem emoção esperada

(Fotografia: Giro d'Italia)
Tanto se jogou neste Giro com o contra-relógio de 17 quilómetros em Verona, mas afinal estava tudo praticamente definido. Mérito para Carapaz que fez o seu trabalho na montanha. Algum demérito para Primoz Roglic que foi sempre a descer de forma no Giro depois de começar tão forte. Demasiado forte. Até no contra-relógio esteve longe do seu melhor, mas o suficiente para tirar Mikel Landa do pódio por oito segundos.

Um prémio de consolação para Roglic, enquanto Landa já perdeu um pódio por um segundo, no Tour, pelo que não foi nada de novo. Pena aquela primeira semana e muita pena ser tão fraco no esforço individual. Ainda não foi desta para o espanhol.

Nibali foi segundo merecidamente. Talvez tenha-se concentrado de mais em Roglic. Ele que chegou a avisar que, perante a atitude passiva do esloveno, que se ele (Nibali) não pudesse ganhar o Giro, não "rebocaria" Roglic para este ganhar. Pois... nenhum ganhou.

Para Miguel Ángel López (Astana) a consolação veio em formato de camisola branca. Segunda vitória na juventude, mas soube a pouco para o colombiano. Contudo, depois de tanto azar - furo, avaria mecânica, adepto a atirá-lo ao chão -, não foi mau. Ficou ainda na sétima posição na geral, perdendo um lugar para Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) no contra-relógio.

Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) termina a Volta a Itália como uma das grandes figuras. Rei da montanha e vencedor de uma etapa. Este ciclista promete. Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) estreou-se numa grande volta com duas vitórias de etapa e a camisola dos pontos. Excelente! A Movistar venceu a classificação colectiva e desta vez a tabela reflectiu mesmo a melhor equipa. Chad Haga venceu a derradeira tirada, com a Sunweb a sair do Giro com pelo menos um motivo para sorrir.

Para terminar, Amaro Antunes. Que Volta a Itália de emoções. Não começou nas melhores condições, com uma lesão a limitar-lhe a preparação. Mas o objectivo estava bem definido: tentar uma etapa. Porém, numa das reviravoltas do Giro, o algarvio viu-se no top dez. Acabaria a regressar ao plano inicial e foram 12 segundos que na 19ª etapa o separaram da estreia perfeita em três semanas. Foi terceiro e deixou boas indicações para quem nunca tinha corrida tanto tempo seguido. Corrida positiva para o português da CCC.

Classificações completas, via ProCyclingStats.



1 de junho de 2019

A etapa que os adeptos esforçaram-se para estragar

Adepto provocou queda de López que reagiu (Imagem: print screen)
E aqui estamos de novo. Sempre que um adepto se esquece de comportar como tal e acaba a arruinar meses de trabalho de um ou até mais ciclistas, fica aquela muito ínfima esperança que se aprenda de vez a lição. Mas claro que já se sabe que tal não acontece. Hoje foi Miguel Ángel López. Há uns meses havia sido Vincenzo Nibali no Tour e os exemplos vão-se sucedendo. Para a maioria não é difícil perceber que há que, acima de tudo que respeitar os ciclistas. Mas haverá sempre aquela minoria que procura os seus segundos de fama na televisão, ou que tenta tirar selfies em pleno andamento (!) e o tradicional "vamos lá correr ao lado dos ciclistas, só porque sim".

Já neste Giro se tinha visto um adepto dar um trambolhão ao tentar correr ao lado dos ciclistas. Felizmente estava já um pouco para trás do grupo e acabou por ser apenas um momento que ficará bem no programa Watts do Eurosport. O momento de López será um que exemplificará toda a frustração de quem vê uma etapa estragada por quem não sabe ser adepto. Ganhar a tirada seria complicado numa fase em que o colombiano da Astana tinha perdido contacto com o grupo de Richard Carapaz. Mas ainda estava em jogo melhorar a classificação na geral.

Faltavam cerca de cinco quilómetros para o final da última montanha da Volta a Itália. Ambiente espectacular, uma multidão a apoiar os ciclistas. Numa zona que parecia ser um pouco mais tranquila, um adepto provoca a queda de López quando estava a correr ao lado dos ciclistas e ficou sem espaço porque havia mais espectadores na berma, parados, "apenas" a aplaudir. Como deve ser. López reagiu com fúria. Agrediu com umas chapadas o homem. Meses a preparar uma corrida como esta, para num instante tudo ficar estragado. López não ia ganhar o Giro, mas ainda tinha objectivos. O colombiano perdeu 1:49 para o vencedor, o companheiro Pello Bilbao. Menos quatro segundos para Carapaz, o líder do Giro.


A reacção de López até se pode dizer que é compreensível, contudo, não deixa de ser errada, pelo que rapidamente surgiram os rumores de uma possível expulsão da Volta a Itália. O regulamento da UCI assim o prevê, com o acréscimo de uma multa de 200 francos suíços, cerca de 178 euros. Porém, segundo o Cycling Weekly, os comissários terão considerado que López teve uma reacção humana e o ciclista da Astana vai poder terminar o Giro. Se assim for, ainda bem.


O ciclista da Astana já pediu desculpa, mas não escondeu o descontentamento pelo sucedido, pedindo respeito e realçando o grave que uma situação destas pode ser se se fractura algo e se é obrigado a ir para casa. Foi o que aconteceu com Nibali no Tour, numa queda provocada por um adepto que lhe estragou a restante temporada.

López bem pode dizer que lhe aconteceu de tudo numa Volta a Itália que queria tanto conquistar. Furos, avarias mecânicas, quebras físicas, um adepto a atirá-lo ao chão... Também teve bons momentos, mas sairá do Giro sem uma vitória de etapa, sem a camisola rosa e sem pódio. Isto no que diz respeito à geral, pois subirá ao pódio para levar novamente a camisola branca da juventude, a não ser que faça um péssimo contra-relógio, pois, mesmo com a queda, ficou com 1:53 minutos para gerir sobre Pavel Sivakov (Ineos).

Já Primoz Roglic não recebeu benevolência alguma dos comissários. Não é preciso provocar quedas para estragar corridas. Empurrar ciclistas mais uma vez só porque sim, também faz estragos. Não é inédito corredores receberem ajudas do público, principalmente quando estão longe da frente da corrida e a tentar sobreviver às etapas de montanha. Muitos deles são sprinters. Não é legal, mas tem sido algo que se fecha os olhos.


Porém, quando em directo se empurra um dos candidatos à geral, tem tudo para correr mal para o ciclista visado. Durante vários segundos Roglic foi empurrado por um adepto, que foi "rendido" por outro. O esloveno da Jumbo-Visma não fez qualquer gesto para afastar os dois homens e isso foi fatal. Dez segundos de penalização até acaba por ser simpático, mas ao juntar ao tempo perdido na estrada, significa que está a 3:16 de Richard Carapaz e a vitória no Giro está longe de depender só da sua classe como contra-relogista. Além disso, saiu do pódio, apesar dos 23 segundos para Mikel Landa certamente não assustarem Roglic.

Atenção aos empurrões aos ciclistas, podem prejudicar como aconteceu a Roglic e podem, em casos mais graves, provocar quedas, pois muitas vezes não estão à espera e a mudança de velocidade pode desequilibrar o atleta.

Há ainda mais um exemplo de mau comportamento. Recuando uma semana, Marco Haller tinha andado em fuga, estava esgotado e quando tentava passar pela confusão que é sempre a zona da chegada, com adeptos, staff da organização, das equipas, jornalistas, o ciclista da Katusha-Alpecin tinha o bidão seguro pelos dentes quando um homem lhe tenta tirá-lo. Pequena dica: normalmente basta pedir! Se o ciclista não precisar da bebida, costuma aceder ao pedido.  Haller reagiu também com fúria, sendo muito pouco simpático e com razão.

O ciclismo sem adeptos na estrada é uma modalidade triste - será difícil esquecer aquele ambiente desolador do Mundial do Qatar, por exemplo -, mas com adeptos a estragar corridas, o ciclismo vive muito bem sem eles. Respeito, por favor!

Giro à vista

(Fotografia: Giro d'Italia)
Dezassete quilómetros separam Richard Carapaz de um triunfo pouco ou nada esperado. Se alguém apostou no equatoriano, terá a conta bancária certamente bem mais preenchida amanhã. Era um candidato, um outsider, na sombra de Mikel Landa. Se confirmar o que neste momento se vê como provável, Carapaz não estará na sombra de mais ninguém na Movistar, com a equipa a ganhar mais um líder. O ciclista de 26 anos estava a ser preparado para um dia assumir essa responsabilidade, mas resolveu que estava na altura e não quis ser um plano B se Landa falhasse. O espanhol até começou mal o Giro, mas Carapaz fez a sua corrida, ganhou duas etapas e deixou Landa na sua sombra.

Dezassete quilómetros para que em Verona possa tornar-se no primeiro equatoriano a ganhar uma grande volta e a dar uma saudável dor de cabeça à equipa. Todos os líderes estão em final de contrato, tal como Carapaz. Em quem Eusebio Unzué irá apostar? É certo que Alejandro Valverde terá sempre lugar na equipa até se retirar, mas também já não é ciclista para discutir grandes voltas, salvo uma surpresa. A pressão aumenta para Nairo Quintana na Volta a França... E também mantém-se a incógnita com Landa.

Carapaz tem 1:54 para segurar a maglia rosa sobre Vincenzo Nibali. O italiano da Bahrain-Merida é melhor do que o equatoriano nesta vertente, mas em condições normais será muito complicado haver uma última reviravolta. Mikel Landa também dificilmente cumprirá o objectivo de pelo menos chegar ao pódio, mas depois de uma má primeira semana, o espanhol foi dos mais activos e quando foi preciso, soube ser um verdadeiro companheiro de equipa. Desta vez, colocou mesmo de lado os seus interesses em prol de Carapaz.

Ganhou a Movistar que está toda de parabéns! Funcionou como um colectivo coeso, sem divisões e eis a diferença para o que tem acontecido nos últimos dois anos: está perto de conquistar novamente uma grande volta.

Roglic seria uma preocupação, mas os 3:16 são de mais. Mas claro, o imprevisto acontece. O esloveno só tem de ir a fundo para fechar pelo menos no pódio e esperar que Carapaz tenha um mau dia. Depois do que já se viu neste Giro, é de pensar que tudo pode acontecer.

Como curiosidade, por três vezes o Giro assistiu a uma mudança de líder no contra-relógio da derradeira etapa: 1984, de Laurent Fignon para Francesco Moser; 2012, de Joaquim Rodriguez para Ryder Hesjedal e em 2017, de Nairo Quintana para Tom Dumoulin.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

21ª e última etapa: Verona - Verona (contra-relógio), 17 quilómetros


E assim chegamos ao fim de três semanas de competição. As forças já não são muitas, mas há um contra-relógio individual para completar, com uma subida de 4,5 quilómetros, com uma pendente média de 5% pelo meio. Será um contra-relógio com fases algo técnicas devido às estradas estreitas, curvas que exigem atenção e cuidado para não se perder muito tempo nelas.




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31 de maio de 2019

Chaves volta a sorrir um ano depois

(Fotografia: Giro d'Italia)
O sorriso de Johan Esteban Chaves tornou-se em algo que o definia como pessoa e como ciclista. Sempre foi famoso por aquele sorriso. Porém, o último ano não houve muitas razões para o mostrar e muitas foram as dúvidas que Chaves voltaria a ser o ciclista que outrora ficou perto de ganhar grandes voltas. Foi há um, precisamente na Volta a Itália, que começou um martírio que, também no Giro, espera-se que tenha chegado ao fim. A vitória na 19ª etapa não salva a corrida da Mitchelton-Scott, mas pode muito bem contribuir para salvar um ciclista que acredita novamente que é capaz de estar no topo.

Quando foi segundo, há dois dias, Chaves e a família festejaram como se uma vitória se trata-se. Era o anúncio de um regresso que merecia um pouco mais. Quando esta sexta-feira o colombiano estava já isolado, a pouco mais de um quilómetro da meta em San Martino di Castrozza, as imagens mostravam uma mãe emocionada e nervosa. Amaro Antunes até foi quem ainda tentou tirar o triunfo a Chaves, mas o português da CCC não conseguiu reduzir a diferença para evitar que o colombiano tivesse tempo até para saborear o momento.

Há um ano tinha vencido no Etna e então era um dos planos para a vitória na geral, a par de Simon Yates. Muito antes do britânico quebrar e perder o Giro, Chaves afundou-se na geral e no pelotão. Terminou o Giro, mas foi penoso ver como não conseguia estar entre os melhores. Muito longe disso. Nem ajudar Yates era capaz.

O colombiano demorou dez semanas a regressar aos treinos, numa altura em que foi divulgado que tinha sido diagnosticada uma mononucleose. Não competiu mais em 2018, regressando esta época na Austrália, com presenças depois no Paris-Nice e Volta à Catalunha. Foi sempre algo discreto e mesmo neste Giro pouco se tinha visto de Chaves até esta última semana.

O director desportivo Matt White explicou, após a vitória, que o ciclista foi ao Giro sem pressão, com o objectivo de testar a sua condição. Passou no teste físico e no teste anímico. A vitória pode não salvar uma Volta a Itália que a Mitchelton-Scott queria ganhar com Yates, mas poderá ser importante para o futuro próximo, caso se confirme que Chaves está mesmo de regresso para lutar por triunfos. 

"Isto é pura felicidade. Tira um peso das minhas costas. É um alívio ser de novo um vencedor", salientou um Chaves de sorriso rasgado, aquele sorriso que há tanto tempo que não se via. Tem sido um lutador, pois há que não esquecer que no início da carreira sofreu uma queda muito grave que quase o obrigou a dizer adeus ao ciclismo. Agora venceu mais uma batalha. Espera-se que se possa mesmo dizer: Bem-vindo de volta Chaves!

Amaro Antunes foi terceiro

Que grande etapa do algarvio! Era por esta oportunidade que esperava e foi por isso que andou a perder tanto tempo desde que ficou claro que não seria possível lutar pelo top dez que chegou a ocupar. Amaro nunca desistiu numa última subida muito atacada pelo grupo da frente. Atacou, descolou, recuperou, descolou outra vez -  Chaves não facilitava quando o português chegava ao trio da frente -, mas quando parecia que o colombiano estava com uma vitória garantida, foi um equipamento laranja que se viu aparecer a toda a velocidade para ainda tentar uma surpresa.

No entanto, não apanhou Chaves e, sobre a meta, foi batido por um espectacular Andrea Vendrame. Um problema na corrente poderá muito bem ter arruinado a possibilidade da Androni Giocattoli-Sidermec de ganhar a segunda etapa no Giro. Vendrame fez uma recuperação que não se esperava, comprovando o que tinha demonstrado durante a subida de segunda categoria, num dia com 151 quilómetros para cumprir. Ficou a dez segundos de Chaves, Amaro ficou a 12. O português ocupa a 48º posição na geral, a 1:37.50 horas.

Entre os homens da geral, Miguel Ángel López (Astana) atacou e recuperou 44 segundos. Pouco para a desvantagem que tem (ver classificação mais abaixo), mas demonstra que o colombiano quer mais do que o sexto lugar e a camisola da juventude, que dificilmente perderá, pois tem 2:54 de vantagem sobre Pavel Sivakov.

O destaque foi mesmo para Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Na 19ª etapa finalmente atacou! Não teve consequência, é certo, mas foi a mostra para não o darem como derrotado. A ver vamos como se vai dar na etapa de sábado, a última de alta montanha antes do contra-relógio que o esloveno tanto aposta.

20ª etapa: Feltre - Croce D'Aune-Monte Avena, 194 quilómetros


Duas primeiras categorias, a última coincide com a meta, a primeira será a Cima Coppi a 2047 metros de altitude. A distinção ficou para Manghen após a exclusão da Gavia, na terça-feira, devido ao perigo de avalanches. Haverá ainda três segundas categorias, num dia em que praticamente só o início tem um pouco de terreno plano.

Será uma etapa nas Dolomitas em todo o seu esplendor e normalmente há sempre espectáculo. Tendo em conta que há tempo a recuperar, principalmente por Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e por mais alguém que ainda queira surpreender e chegar pelo menos ao pódio, então só se poderá esperar por ataques. Dia difícil em perspectiva para Richard Carapaz e para a Movistar na defesa da camisola rosa.

Aqui fica o top dez e as diferenças.

1º Richard Carapaz (Movistar), 83:52.22 horas
2º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:54 minutos
3º Primoz Roglic (Jumbo-Visma), a 2:16
4º Mikel Landa (Movistar), a 3:03
5º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 5:07
6º Miguel Ángel López (Astana), a 5:33
7º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 6:48
8º Simon Yates (Mitchelton-Scott), a 7:07
9º Pavel Sivakov (Ineos), a 8:27
10º Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), a 10:06


Classificações completas, via ProCyclingStats.


30 de maio de 2019

Ao ataque

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chegou o momento do tudo ou nada. Três etapas para decidir um Giro pródigo em reviravoltas e que tem como líder um ciclista que afirmou que estava em Itália para discutir a corrida, mas só depois de vestir a rosa é que impôs respeito a todos. Não que não se soubesse que Richard Carapaz poderia andar com os melhores, mas porque a Movistar tinha Mikel Landa como líder e porque as atenções estavam e muito centradas em Primoz Roglic e também Vincenzo Nibali. Nos próximos três dias é certo que o foco vai estar em Carapaz e na sua defesa da maglia rosa. 

Há um ano, o equatoriano foi uma revelação no Giro. Venceu uma etapa e andou vários dias de camisola branca, perdendo a classificação da juventude para Miguel Ángel López. Doze meses volvidos e Carapaz confirmou que é ciclista para discutir grandes voltas e soube colocar-se na posição de líder e a Movistar não o pôde tentar colocar mais na sombra de Landa. Para já, tem esse estatuto nesta Volta a Itália, mas se a vencer, será para continuar. Nairo Quintana não ganha uma grande volta desde 2016, Alejandro Valverde ainda aspirou vencer novamente a Vuelta, mas apenas comprovou que já não é a sua praia, enquanto Landa é um eterno candidato que não ganha. Tudo pode mudar para Carapaz...

Mas nada está ganho. Sim, Carapaz construiu uma vantagem interessante tanto para controlar Nibali na montanha, como para estar um pouco mais confortável no contra-relógio contra Roglic. Um pouco mais confortável, contudo, não lhe fará mal nenhum se conseguir juntar mais alguns segundos aos 2:16 minutos.

Para Nibali são 1:54 e é do italiano que são esperados os mais ferozes ataques. A etapa de sexta-feira termina em alto, numa segunda categoria e não seria de admirar que possa servir de aquecimento para sábado, pois para o líder da Bahrain-Merida, ganhar tempo a subir contra Carapaz poderá ser difícil se o equatoriano não fraquejar e ainda mais de Landa se mantiver a fazer jogo de equipa. Isto sem esquecer que a Movistar tem tido gregários a grande nível. Damiano Caruso também tem sido um gregário brilhante para Nibali, mas talvez seja no sábado que, com as descidas que previstas, poderá tentar ganhar tempo ao rival. O italiano sabe que tem de baixar a diferença para, de preferência, menos de um minuto se quer ter hipóteses no contra-relógio.

Quanto a Roglic, a 19ª etapa até poderá ser mais benéfica para o esloveno tentar fazer algo. Esperar pelo contra-relógio é um enorme risco dada a diferença para Carapaz, ainda mais quando demonstrou que fica em dificuldades quando o ritmo aumenta nas subidas mais complicadas. Sem equipa ao seu lado nas fases decisivas, não está fácil para Roglic confirmar o favoritismo que tinha vindo a cimentar toda a temporada e até à chegada da alta montanha no Giro. No entanto, numa Volta a Itália de reviravoltas, Carapaz e a Movistar estarão atentas ao que o esloveno ainda poderá tentar fazer. Contudo será em Nibali que se centrará mais o foco da formação espanhola.

Resumindo, Carapaz pode controlar e eventualmente tentar ganhar uns segundos na fase final das etapas, como aconteceu na quarta-feira. Nibali tem de atacar, não tem outra opção. Roglic tem, mas esperar pelo contra-relógio ameaça ser um erro. São apenas 17 quilómetros no domingo e depois de um Giro de maratonas de 200 quilómetros e uma alta montanha muito exigente a partir do meio da corrida, as forças estarão curtas para todos e mesmo um especialista do contra-relógio pode falhar. Já aconteceu isso mesmo a Roglic no Tour, no ano passado.


E não vamos afastar Landa. Está à espreita. Chegar ao pódio é algo assumido, mas o espanhol não vai desaproveitar ir mais além se a oportunidade lhe aparecer.

A táctica de atacar não vai ser exclusiva de Nibali, Roglic ou mesmo de Landa. Há muito por decidir no top dez, com basicamente todos à procura de uma vitória de etapa e de tentar melhorar a classificação. Só Carapaz e Roglic já têm. Na classificação da juventude, a missão está complicada para Sivakov, que tem 2:04 minutos para recuperar para o colombiano Miguel Ángel López.

Aqui fica o top dez:

1º Richard Carapaz (Movistar), 79:44.22 horas
2º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:54 minutos
3º Primoz Roglic (Jumbo-Visma), a 2:16
4º Mikel Landa (Movistar), a 3:03
5º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 5:07
6º Miguel Ángel López (Astana), a 6:17
7º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 6:48
8º Simon Yates (Mitchelton-Scott), a 7:13
9º Pavel Sivakov (Ineos), a 8:21
10º Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), a 8:59

Os murros de Ackermann transformaram-se em sorrisos


(Fotografia: Giro d'Italia)
O guiador de Pascal Ackermann sofreu com toda a ira do alemão ao falhar por muito pouco a terceira vitória no Giro. Porém, não demorou muito em regressar o sorriso que já é uma imagem de marca do sprinter da Bora-Hansgrohe. Um dos objectivos do dia foi cumprido: é novamente o detentor da camisola ciclamino, liderando a classificação dos pontos com mais 13 pontos do que Arnaud Démare.

Este Giro poderá ser um reflexo da carreira do francês da Groupama-FDJ. Tanto consegue excelentes resultados - venceu uma etapa -, como de repente tem um autêntico apagão. Com a vitória numa classificação em jogo, ser oitavo foi fraco para um sprinter que se diz dos melhores da actualidade. A ciclamino não está entregue a Ackermann, mas a missão será difícil para Démare. Terá de somar pontos nos sprints intermédios, já que com a montanha, não vai fazer na meta.

O italiano Damiano Cima foi o único dos três que estavam em fuga que resistiu à furiosa aproximação do pelotão nos metros finais. Foi por muito pouco. Mais uns metros e Ackermann ganharia. Mas Cima conseguiu garantir que será recordado como o primeiro a dar uma vitória numa grande volta à Nippo Vini Fantini Faizanè. Está a ser a sua estreia no Giro, aos 25 anos, e depois de tanto entrar em fugas, deu tudo para aguentar naqueles metros finais que terão parecido intermináveis para concretizar um sonho.

Foi a segunda vez nesta edição da Volta a Itália que uma equipa Profissional Continental conquista uma vitória de etapa, depois da Androni Giocattoli-Sidermec o ter feito com Fausto Masnada, na sexta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

19ª etapa: Treviso - San Martino di Castrozza, 151 quilómetros



É uma etapa curta, portanto propensa a ataques, mas não será surpresa que uma maior acção possa ficar guardada para a segunda categoria final. Depois da descida após a passagem na quarta categoria em Lamon, será basicamente sempre a subir até à meta. Ou seja, os últimos 30 quilómetros não serão nada direitos. A pendente é constante nos 5%... tirando as zonas que passam os 10%.




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»»É dia de elogiar a Movistar««