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28 de setembro de 2020

Há quem vá ter boas memórias de 2020

© João Fonseca Photographer
É uma daquelas épocas para recordar para um ciclista e uma equipa. Apesar de um ano tão complicado e tão incerto devido à pandemia, há quem consiga dizer que já tem boas memórias e quer mais. Luís Gomes e a Kelly-Simoldes-UDO vão relembrar 2020 com um sorriso. E ainda não acabou.

A equipa de Manuel Correia chegou à Volta a Portugal como a mais ganhadora. Quatro vitórias, incluindo três títulos nacionais. A outra, a primeira, antes do confinamento, foi na Clássica da Primavera, por intermédio de Luís Gomes. Foi um reforço da equipa, depois de três temporadas na Rádio Popular-Boavista. A última de sucesso na Volta a Portugal, com uma vitória inesquecível no nevoeiro da Serra do Larouco, com o ciclista a vencer depois a classificação da montanha. No entanto, no final da época, mudou de equipa.

Ganhou a Kelly-Simoldes-UDO. Depois de tanta dificuldade para manter o projecto na estrada em 2019, este ano surgiram novos patrocinadores que permitiram um maior investimento e os resultados estão a compensar a aposta. Era uma das principais equipas de formação no país (por lá passaram Rui Costa e os gémeos Oliveira, por exemplo), quando subiu ao escalão Continental, então como sub-25 (esta definição entretanto foi retirada). Nestes quatro anos de uma nova fase da história da estrutura, ganhar uma etapa na Volta era um dos maiores desejos.

Finalmente aconteceu! Viana do Castelo, no Santuário de Santa Luzia, fica marcada na história da equipa e num Luís Gomes que, aos 26 anos, também ele entrou numa nova fase. Foi difícil esconder alguma emoção ao bater ao sprint pesos pesados como Daniel Mestre, Gustavo Veloso (ambos da W52-FC Porto) e António Carvalho (Efapel). As duas vitórias na Volta têm o seu significado para Luís Gomes. Diferentes, mas especiais.

© João Fonseca Photographer
Mas não se pense que a Volta está feita para a Kelly-Simoldes-UDO. Independentemente do que aconteça, 2020 será memorável, mas faltam sete dias de corrida e se o moral já era alto, agora já nada tem a perder. Só tudo a ganhar. A montanha? Luís Gomes já tem a camisola, com cinco pontos, os mesmo de um Marvin Scheulen que esteve quase 170 dos 180 quilómetros da etapa (a mais longa da Volta, que começou em Montalegre) em fuga solitária, com o plano de ser o líder nessa classificação. É um objectivo assumido da LA Alumínios-LA Sport para a Volta, ganhar a montanha, depois de em 2019 ter conquistado a juventude com Emanuel Duarte.

De referir que Gustavo Veloso manteve a camisola amarela, o companheiro de equipa Daniel Mestre lidera nos pontos, o espanhol Carlos Canal (Burgos-BH) continua a liderar a juventude e a W52-FC Porto, por equipas.

Classificações completas, via FirstCycling.

2ª etapa: Paredes – Senhora da Graça (Mondim de Basto), 167 quilómetros



A etapa desta terça-feira será a primeira oportunidade para definir um pouco melhor a geral. Gustavo Veloso terá um teste à liderança, ele que ali venceu em 2016, na primeira de quatro vitórias consecutivas da W52-FC Porto: Raúl Alarcón ganhou em 2017 e 2018 e António Carvalho no ano passado. Este último mudou-se para a Efapel, onde Joni Brandão tem sete segundos para recuperar, o tempo perdido no prólogo de Fafe. Mas Carvalho está apenas a seis. São duas equipas que nesta etapa da alta montanha vão querer começar a impor-se.

Mas haverá quem irá tentar intrometer-se. Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) está a 12 segundos de uma liderança que há muito ambiciona, com Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel a ver-se em terreno que gosta mais, depois de ter perdido 23 segundos no prólogo.

Porém, se há algo de bom na Senhora da Graça, numa perspectiva de quem irá assistir à etapa, é que ser candidato não garante rigorosamente nada. As surpresas acontecem e são vários os ciclistas que vão tentar vencer, principalmente entre equipas que estão na Volta com esses objectivos e não de lutar pela geral.

Um deles poderá ser da LA Alumínios-LA Sport, até porque os pontos serão importantes para quem quer discutir a classificação da montanha. O seu director desportivo, Hernâni Brôco sabe bem como se ganha na Senhora da Graça (ver lista de vencedores em baixo).

O pelotão parte às 12:30 do Parque da Cidade de Paredes, com chegada prevista à Senhora da Graça entre as 17:25 e 17:45. Contudo, haverá muitas dificuldades até à subida final. Pouco depois da partida, Rebordosa apresentará uma subida de quarta categoria. Um aquecimento! A Serra do Marão e o Barreiro, são duas de primeira, tal como a Senhora da Graça. Pelo meio, mais uma quarta, no Velão. No Barreiro surge o piso em empedrado. São poucos metros logo no início de uma autêntica rampa. A meteorologia será bem simpática, o que os ciclistas agradecem, pois chuva e frio tornariam esta etapa muito mais complicada. Mas com a mudança de data da Volta, escapam também ao calor intenso que por vezes se sente.

Vencedores na Senhora da Graça: 

1978 - João Costa (Campinense)

1979 - Marco Chagas (Lousa-Trinaranjus)

1980 - Neutralizada

1981 - Benjamim Carvalho (Coimbrões-Fagor)

1983 - Venceslau Fernandes (Rodovil-Ajacto)

1984 - Manuel Cunha (Ovarense-Herculano)

1985 - Marco Chagas (Sporting-Raposeira)

1986 - Carlos Moreira (Sangalhos-Recer)

1987 - Manuel Vilar (Boavista-Sportlis)

1988 - Carlos Moreira (Boavista-Sarcol)

1989 - Santiago Portillo, Esp (Lótus-Zahor)

1990 - Joaquim Gomes (Sicasal-Acral)

1991 - Jorge Silva (Sicasal-Acral)

1992 - Cássio Freitas, Bra (Recer-Boavista)

1993 - Quintino Rodrigues (Imporbor-Feirense)

1994 - Felice Puttini, Sui (Brescialat)

1995 - António Correia (Janotas & Simões)

1996 - Massimiliano Lelli, Ita (Saeco-Levira)

1997 - Zenon Jaskula, Pol (Mapei)

1998 - Jose Luis Rebollo, Esp (Recer-Boavista)

1999 - Michele Laddomada, Ita (LA-Pecol)

2000 - Claus Moller, Din (Maia-MSS)

2001 - Jose Luis Rebollo, Esp (Festina)

2002 - Joan Horrach, Esp (Milaneza-MSS)

2003 - Pedro Arreitunandia, Esp (Carvalhelhos-Boavista)

2004 - David Arroyo, Esp (LA-Pecol)

2005 - Adolfo Garcia Quesada, Esp (Comunitat Valenciana)

2006 - João Cabreira (Maia-Milaneza)

2007 - Eladio Jimenez, Esp (Karpin-Galicia)

2008 - Juan Cobo Acebo, Esp (Scott-American Beef)

2009 - André Cardoso, Por (Palmeiras Resort-Prio)

2010 - David Blanco, Esp (Palmeiras Resort-Prio)

2011 - Hernâni Broco, Por (LA-Antarte)

2012 - Rui Sousa, Por (Efapel-Glassdrive)

2013 - Sergio Pardilla, Esp (MTN-Qhubeka)

2014 - Edgar Pinto, Por (LA-Antarte)

2015 - Filipe Cardoso, Por (Efapel)

2016 - Gustavo Veloso, Esp (W52-FC Porto)

2017 - Raúl Alarcón, Esp (W52-FC Porto)

2018 - Raúl Alarcón, Esp (W52-FC Porto)

2019 - Antóno Carvalho (W52-FC Porto)

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26 de setembro de 2020

Quem desafia a W52-FC Porto? Volta a Portugal arranca este domingo, mas já com uma má notícia

© João Fonseca Photographer
W52-FC Porto a favorita, Efapel a mais forte adversária, Rádio Popular-Boavista sempre à caça de vitórias, Aviludo-Louletano e Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel à procura de um pódio... A história da Volta a Portugal tem sido idêntica nos últimos anos. A diferença tem sido a aproximação principalmente da Efapel à equipa do Sobrado, que, contudo, domina há sete anos. Porém, a pandemia e o confinamento trocou a volta a todos. Preparação para uma diferente fase do ano, incerteza de quando (e se) haveria corrida, que terá menos dias (nove) e não haverá descanso. Tudo junto poderão ser factores de tornem a apelidada de Edição Especial diferente, para melhor.

Pede-se espectáculo e emoção. Com a enorme vontade de todos em competirem - algo normal quando se fala da Volta a Portugal, mas acrescida por um ano tão complicado, tão atípico -, a expectativa é que se tenha as duas coisas em dose elevada. É verdade que no ano passado estes dois pormenores estiveram mais presentes do que em edições anteriores, sempre muito controladas por uma fortíssima W52-FC Porto.

As forças poderão em 2020 equilibrar mais, até porque a Efapel foi buscar um dos homens que vinha a ser um elemento muito importante na rival: António Carvalho. No entanto, será Joni Brandão o líder, ele que está cansado de segundos lugares e já são três.

Na W52-FC Porto, não haverá dúvidas quanto à liderança, desta feita. Será João Rodrigues, o vencedor de 2019. É uma equipa sempre com cartas para jogar e Amaro Antunes é um ciclista que os adversários sabem que têm de o ter debaixo de olho.

Mas uma palavra para Rui Vinhas, também ele um vencedor da Volta a Portugal. A corrida terminará em Lisboa, a 5 de Outubro, e da última vez que tal aconteceu, Vinhas consumou uma enorme surpresa ao bater o seu colega de equipa Gustavo Veloso. Foi um 2016 para não esquecer.

Colectivamente, estas duas equipas continuam a ser as mais fortes. Porém, será interessante ver como se irá apresentar a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel. Sem o Sporting como patrocinador, a equipa começou a competir de forma diferente. Mais agressiva e viva nas corridas. O próprio líder, Frederico Figueiredo assumiu a mudança de postura para 2020, numa entrevista dada ao Volta ao Ciclismo em Fevereiro, numa altura em que a pandemia parecia estar bem longe.

Figueiredo conquistou finalmente a sua primeira vitória como profissional e logo no Troféu Joaquim Agostinho, há uma semana. Aparece como outsider, mas contem com ele para procurar um pódio e ganhar etapas. Top dez não lhe faltam, mas aos 29 anos, saboreou a vitória e vai querer mais.

A outra equipa algarvia irá novamente tentar levar o espanhol Vicente García de Mateos ao topo. Pódio já sabe o que é, mas a Aviludo-Louletano sempre sonhou alto, mesmo que não tenha um conjunto que meça forças ao mesmo nível da W52-FC Porto ou a Efapel. Porém, já demonstrou que De Mateos pode intrometer-se na luta.

A Rádio Popular-Boavista tem "jogado por fora". No entanto, está lá sempre com homens no top dez e a ganhar etapas. Também sabe vencer por equipas, que tem sido um dos objectivos, já que a geral é mais difícil. João Benta e David Rodrigues costumam animar etapas e este ano há ainda Luís Fernandes. O espanhol Alberto Gallego, vencedor na Prova de Abertura Região de Aveiro, não vai passar despercebido.

O Feirense irá à procura de etapas... e a amarela. Rafael Reis irá a fundo no prólogo deste domingo para repetir o que conseguiu em 2018, pela Caja Rural, quando vestiu a amarela durante os três primeiros dias.

A LA Alumínios-LA Sport vai com ambições altas. Em 2019 venceu a classificação da juventude e a equipa tem crescido nesta nova era do projecto, com Hernâni Brôco ao leme. Emanuel Duarte será o destaque e, quem sabe, a olhar para um top dez.

O Miranda-Mortágua tem Joaquim Silva como grande aposta para finalmente dar uma vitória de etapa à equipa e também é ciclista que, em forma, pode alcançar uma boa classificação. Já foi fundamental na W52-FC Porto, passou sem sucesso na Caja Rural. Agora tem uma oportunidade para mostar o seu valor como líder na Volta.

Para o fim fica a Kelly-Simoldes-UDO (novo nome). A equipa de Manuel Correia merece destaque porque chega a Volta como a que mais ganhou em 2020: quatro vitórias, entre elas três títulos nacionais e o triunfo na Clássica da Primavera. Henrique Casimiro é mais um ciclista que procurou libertar-se do papel de gregário, ou de segunda aposta, com a equipa a ter ainda Luís Gomes e um campeão de sub-23 Fábio Costa sempre à espreita de um bom sprint.

As equipas estrangeiras

É sempre uma incógnita saber com que intenção vêm as equipas estrangeiras à Volta. Ganhar etapas, ganhar forma, lutar pela geral... Ao olhar-se para a lista, Ricardo Vilela e José Neves, da Burgos-BH, são dois ciclistas que vamos ver, afinal estão a correr em casa.

Destaque ainda para Delio Fernandez, espanhol que aos 34 anos representa a Nippo Delko One Provence, que tem José Azevedo como director desportivo. O experiente ciclista conhece bem o pelotão português, pois representou o Boavista e a actual W52-FCPorto (então OFM-Quinta da Lixa), entre 2011 e 2015. Já conta com vitórias em três etapas na Volta a Portugal, além da geral no Troféu Joaquim Agostinho, em 2014, tendo sido terceiro na Volta nesse mesmo ano. Diego Rubio (ex-Efapel) será outro regresso, mas pela Burgos-BH.

As cinco equipas estrangeiras são todas do segundo escalão, ProTeam: duas espanholas, duas francesas e uma dos EUA. Na Arkéa Samsic é impossível não destacar Anthony Delaplace, um ciclista com sete presenças na Volta a França. Estará ainda presente a Caja Rural e a americana Rally Cycling, uma equipa jovem e que gosta de animar corridas.

A má notícia

Infelizmente o pelotão irá ser mais curto do que o previsto, isto já tendo em conta que foi cortado em 20%, como medida de precaução devido à pandemia. João Salgado testou positivo à covid-19 e foi excluído, como levou os responsáveis a decidir tirar toda a Equipa Portugal da prova. Uma enorme desilusão para os jovens sub-23 escolhidos, que tão pouco tem competido este ano e que iriam ter uma grande oportunidade para se mostrar na Volta a Portugal.

Prólogo: Fafe – Fafe, 7 quilómetros (CRI)


O pelotão partirá assim com 98 ciclistas para os sete quilómetros de prólogo em Fafe e que, mesmo sendo uma distância curta, já deixará algumas diferenças entre candidatos, mas não se espera que sejam significativas.

David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista) será o primeiro a partir às 15:43, mas aqui ficam alguns dos ciclistas a ter em atenção (arrancam com um minuto de diferença). Em baixo pode ver o quadro com a lista de inscritos.

  • 16:13: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
  • 16:52: Amaro Antunes (W52-FC Porto)
  • 17:00: Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel)
  • 17:03: Mauro Finetto (Nippo Delko One Provence)
  • 17:06: Gustavo César Veloso (W52-FC Porto)
  • 17:07: João Benta (Rádio Popular-Boavista)
  • 17:08: Joaquim Silva (Miranda-Mortágua)
  • 17:10: Henrique Casimiro (Kelly-Simoldes-UDO)
  • 17:11: Rafael Reis (Feirense)
  • 17:12: Joni Brandão (Efapel)
  • 17:13: Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano)
  • 17:16: Gavin Mannion (Rally Cycling)
  • 17:19: José Neves (Burgos-BH)
  • 17:20: João Rodrigues (W52-FC Porto)

Lista de inscritos (clique na imagem para ampliar):


20 de setembro de 2020

Frederico Figueiredo conquista Troféu Joaquim Agostinho. Finalmente a vitória!

A táctica perfeita da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel resultou num final também perfeito no Troféu Joaquim Agostinho. Frederico Figueiredo tinha começado bem a temporada e conquistou agora uma vitória importante e motivante quando se está a uma semana da Volta a Portugal. Venceu a etapa e a geral. Custou, mas a primeira vitória como profissional finalmente surgiu. E logo a dobrar!

O confinamento interrompeu o crescimento de forma de Frederico Figueiredo, numa época que começou aponto estar forte no arranque. Esteve em San Juan, na Argentina, e na Volta ao Algarve, o top dez fugiu-lhe devido ao contra-relógio, que continua a ser o ponto fraco de um ciclista que é um autêntico senhor regularidade. Mesmo tendo na equipa ciclistas dados como líderes na então Sporting-Tavira, Figueiredo conseguiu muitas vezes destacar-se, sendo um nome que regularmente surgia nos primeiros dez das corridas. Desta feita, conquista um merecido grande triunfo, numa das principais provas portuguesas, pela sua história e por ser uma competição internacional.

"É uma vitória que já esperava há muito tempo, a minha primeira como ciclista profissional, ainda por cima numa corrida em que já estive muitas vezes na discussão. Estou extremamente feliz. É um triunfo para desfrutar e para dedicar ao meu filho, que vai nascer em Novembro. Só pensei nisso na recta da meta”, disse Frederico Figueiredo.

E no momento de celebrar, não esqueceu os seus companheiros, que tanto trabalharam para preparar o ataque final: "Trabalhámos para trazer a corrida sempre num ritmo elevado, de modo a que os adversários chegassem ‘justos’ à parte final. Isso aconteceu e eu tive a felicidade de não ter um azar como aqueles que me têm afectado."

De facto, este é um ciclista que, apesar de terminar muitas vezes no top dez, também tem razão para se queixar de azares, como foi a queda no ano passado na Volta, que o impediu de partir para a última etapa, quando ia fechar... mais um top dez.

A corrida

Este foi um Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho em versão reduzida, com apenas duas etapas. Foi inicialmente adiado devido a um caso positivo de covid-19, mas este fim-de-semana foi para a estrada, novamente como antecâmara da Volta a Portugal.

A primeira etapa teve 145,6 quilómetros, com início e fim em Torres Vedras. O vencedor foi Luís Mendonça (Efapel), que foi o mais forte no sprint, batendo Daniel Mestre e João Rodrigues (ambos da W52 FC Porto) e Daniel Freitas (Miranda-Mórtagua).

Mendonça - reforço da Efapel em 2020 e que venceu pela primeira vez esta temporada - assumiu a liderança e a ambição de ganhar a geral, para juntar à Volta ao Alentejo, conquistada em 2018. Porém, na segunda etapa neste domingo - Turcifal-Carvoeira (145,2 quilómetros) -, na chegada em subida ao Parque Eólico não aguentou o ritmo, mas segurou um lugar no pódio (terceiro), a oito segundos do vencedor.

A equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel começou por lançar César Martingil na frente, obrigando à perseguição, dada a proximidade na geral. Depois foi a vez de Alejandro Marque, já no início da subida, desgastando ainda mais os adversários e preparando o caminho para Frederico Figueiredo. No quilómetros final, este destacou-se deixando na segunda posição - a cinco segundos - Luís Gomes, mais um ciclista em destaque em 2020.

Venceu a Clássica da Primavera em Março e é mais um exemplo de sucesso de uma Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, que tem aproveitado todas as oportunidades para somar bons resultados. É a equipa com mais vitórias este ano: quatro.

Mas o dia pertenceu a Frederico Figueiredo e à equipa algarvia de Vidal Fitas, que bem precisava de uma vitória assim. Em 2019 conquistou apenas duas, uma na Clássica da Primavera, com César Martingil, e o título nacional em linha, com José Mendes.

As outras classificações do 43º Troféu Joaquim Agostinho foram ganhas por: Luís Mendonça, pontos; Pablo Guerrero (Burgos-BH), montanha, Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), metas volantes e Gonçalo Carvalho (Rádio Popular-Boavista), melhor jovem. A equipa boavisteira de José Santos venceu ainda colectivamente.

De referir ainda o susto da W52-FC Porto que viu João Rodrigues cair. Não haverá problemas de maior com o ciclista que, no próximo domingo, partirá para a Volta a Portugal com o dorsal um com o objectivo de conquistar a corrida pela segunda vez.

Classificações completas, via First Cycling.

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13 de setembro de 2020

Joni Brandão campeão nacional de Rampa. E Kelly-InOutBuild-UDO soma mais um título

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Entre pandemia e alerta máximo de incêndio, o regresso do Campeonato Nacional de Rampa não foi fácil. Mudou de Seia para Miranda do Corvo e apesar dos percursos serem suposto estar adaptados aos escalões etários, apenas foi possível competir na distância única de três quilómetros. E como não se pode desperdiçar qualquer oportunidade de conquistar uma vitória num ano com tão pouca competição, Joni Brandão deu a primeira vitória em 2020 à Efapel, conquistando assim um título nacional que não era atribuído desde 2016, então com José Gonçalves a vencer, em Palmela.

"É um ano complicado devido à covid-19 e temos de aproveitar todas as oportunidades. Esta vitória tem um sabor ainda mais especial, porque trata-se de um título nacional. Estou bastante contente com o triunfo e agradeço à Efapel e a toda a estrutura por nos terem proporcionado todas as condições que são necessárias para treinar todos os dias, bem como aos meus colegas de equipa", referiu o ciclista, citado pela assessoria de imprensa da formação de Ovar.

Também o director desportivo, Rúben Pereira, ficou satisfeito com o triunfo: "Este é um excelente resultado para a equipa. Um título nacional é sempre um factor de motivação para toda a formação. Acaba por não ser só uma vitória do Joni, mas de toda a estrutura."

Em contagem decrescente para a Volta a Portugal, que arranca a 27 de Setembro (antes há a versão reduzida do Troféu Joaquim Agostinho, nos dias 19 e 20), Joni Brandão aproveitou assim para um pequeno teste, batendo o jovem da W52-FC Porto, Jorge Magalhães por 12 segundos. Brandão completou a curta distância em 8:20 minutos.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Em terceiro ficou Joaquim Silva (Miranda-Mortágua), que fez mais 19 segundos. "Este pódio é muito importante para ganhar confiança. É sinal de que o trabalho tem sido bem feito nestes últimos meses. A retirada do percurso mais lento acabou por me desfavorecer, sou um ciclista que não sou explosivo, mas ainda assim saio muito satisfeito com o resultado do dia de hoje", afirmou, em declarações à assessoria da equipa.

Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense soma títulos nacionais

© Federação Portuguesa de Ciclismo
O leiriense André Domingues venceu na categoria de sub-23, mais um título nacional para a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, depois de conquistar o de contra-relógio com Guilherme Mota e o de fundo com Fábio Costa, há um mês.

No primeiro ano nesta categoria, o vencedor da Volta a Portugal Júnior de 2019 subiu em 8:43 minutos, com Rúben Simão (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) a ficar a 27 segundos e Pedro Miguel Lopes (Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense) a 33.

Na elite feminina, Melissa Maia (Farto/Aguas de Paraño) foi a mais forte em Miranda do Corvo, completando os três quilómetros em 12 minutos. Flávia Lopes (Vasconha BTT Vouzela) precisou de mais 20 segundos, enquanto Inês Trancoso (Maiatos) fechou o pódio, a 32 segundos da campeã.

Fábio Fernandes (Efapel/Escola de Ovar) triunfou na categoria de juniores com o tempo de 9:23, menos 12 segundos do que Alexandre Montez (ADAR/Ofimoto) e menos 29 segundos do que Tomás Martins (Bairrada).

Beatriz Roxo (NRV/Academia de Ciclismo de Paredes) ganhou em juniores femininos, com 11:43. Daniela Campos foi a segunda a 27 segundos, seguindo-se Beatriz Pereira (Bairrada), a 1:29. António Morgado (Anipura/GDM – Escola Alexandre Ruas) e Mariana Líbano (Maiatos) conquistaram o título de cadetes.

João Moreira foi o melhor elite amador. Nas categorias de veteranos venceram: os masters 30 Michel Machado (Vasconha BTT Vouzela) e Liliana Silva (Maiatos), os masters 40 Martinho Saragoça (Clube BTT Águeda/Fundiven) e Rita Reis (Maiatos), o master 50 Carlos Soares (Saertex Portugal/Edaetech) e o master 60 Joaquim Pinto (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

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15 de agosto de 2020

Táctica perfeita da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense dá título nacional de sub-23 a Fábio Costa

© João Fonseca Photographer
Um dia depois de Guilherme Mota ter garantindo o título no contra-relógio de sub-23, na prova de fundo do mesmo escalão, a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense tomou conta das operações e conquistou não só mais um título, como colocou no pódio os seus três ciclistas. Uma táctica perfeita, no que foi um contra-relógio colectivo até Fábio Costa sagrar-se campeão nacional.

Há um ano, o jovem ciclista não conseguiu esconder alguma desilusão quando viu João Almeida, então da Hagens Berman Axeon, vencer a corrida, com um ataque final que deixou o corredor da Oliveirense a 11 segundos. Em 2020, Costa tentou de novo, determinado a conquistar aquela camisola. Contou com Pedro Miguel Lopes e José Sousa, que "escoltaram" o companheiro até à meta.

Paredes assistiu a um assumir do risco da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense para tentar vencer. A equipa de Manuel Correia atacou aos 45 quilómetros, dos 138,2. Ou seja, o trio foi para a frente pouco depois de entrar no circuito. O pelotão demorou a organizar-se na perseguição e chegou a deixar os ciclistas da fuga ganhar cerca de três minutos.

© João Fonseca Photographer
Feirense e LA Alumínios-LA Sport ainda tentaram trabalhar para tanular a diferença, mas o trio funcionou na perfeição na frente da corrida.

"O nosso plano era manter o pelotão compacto até à entrada no circuito, não permitindo a formação de fugas muito numerosas. Logo no início do circuito saímos num grupo de sete. No final da subida pressionámos e ficámos apenas os três da equipa na frente. A partir daí demos o máximo para chegarmos os três. Concretizei o sonho de ser campeão nacional, mas o mais importante foi a exibição colectiva. Foi das corridas mais bonitas que já vi", salientou o novo campeão de sub-23, Fábio Costa, de 21 anos.

© João Fonseca Photographer
Na classificação, José Sousa terminou a 10 segundos, mas o primeiro do pelotão só chegou 1:33 minutos depois de Fábio Costa. O quarto classificado foi então Pedro Silva, da Rádio Popular-Boavista, com Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) a cortar a meta dois segundos depois, ele que na sexta-feira foi terceiro no contra-relógio. 

A corrida que somou um acumulado de 2860 metros tornou-se bastante dura, o que explica em parte o facto de terem terminado apenas 25 ciclistas dos 79 que partiram.

Esta foi a terceira vitória do ano para a equipa de Manuel Correia. Antes dos Nacionais, o director desportivo já tinha visto o reforço para esta época, Luís Gomes, vencer a Clássica da Primavera, em Março, mesmo antes do calendário ter sido suspenso devido à pandemia.

Classificação completa, via FirstCycling.

Domingo de elite

Falta apenas decidir em Paredes o campeão nacional de fundo, título que pertence a José Mendes, actualmente na W52-FC Porto, mas que o conquistou com as cores do Sporting-Tavira. Foi a segunda vez que vestiu a camisola, depois de ter vencido em 2016, nos Nacionais de Braga.

Serão 165,6 quilómetros, num percurso igual ao dos sub-23, mas com mais uma volta. Ou seja, depois de 42,3 quilómetros, os ciclistas entram no circuito final e o campeão será conhecido à nona passagem pela meta. O pelotão arranca às 11:00 e a chegada está prevista para cerca das 15:30.




14 de agosto de 2020

Ivo Oliveira conquista primeiro título de elite. Guilherme Mota afirma-se no contra-relógio

© João Fonseca Photographer
Os muito aguardados Campeonatos Nacionais de estrada arrancaram esta sexta-feira em Paredes. O desejo de competir é enorme depois de mais uma longa paragem para a maioria dos ciclistas e o contra-relógio abriu as hostilidades. Guilherme Mota confirmou em sub-23 a sua aptidão para esta disciplina, enquanto Ivo Oliveira conquistou em elite um título que também ganhou no escalão mais jovem.

Para o gémeo, a vitória em Paredes é especial. É a sua primeira vitória como ciclista de elite, aos 23 anos, depois de um muito difícil 2019, marcado por uma queda grave que o afastou das competições grande parte da temporada. E neste 2020 atípico, Ivo sofreu um problema físico na recente Volta à Polónia, mas regressou a Portugal em boa forma e garantiu que vestirá a camisola de campeão nacional no esforço individual.

"O contra-relógio é algo que me fascina. Como não nos qualificámos para os Jogos Olímpicos, na vertente de pista, o meu foco para este ano é 100% a estrada. Tenho vindo a trabalhar o contra-relógio, desde o confinamento. Na Volta à Polónia tive um problema num tendão. Fiquei desmotivado, pensando que não iria render o que queria", afirmou o ciclista da UAE Team Emirates.

E admitiu ainda: "A verdade é que hoje rendi ainda mais do que esperava. Tive um daqueles dias que acontecem poucas vezes no ano, quando se vai em cima da bicicleta e sente-se que está tudo a correr bem. Percebi que se não ganhasse seria por muito pouco. Estou muito feliz por poder usar as cores nacionais."

© João Fonseca Photographer
Ivo Oliveira completou os difíceis 18,1 quilómetros em 23:45 minutos, deixando o seu colega de equipa, Rui Costa, na segunda posição. O poveiro havia ganho o contra-relógio da Prova de Reabertura em Anadia, no início de Julho, mas desta feita ficou a nove segundos da vitória. Tiago Machado (Efapel) fechou o pódio, a 13 segundos.

O campeão de 2019, José Gonçalves (Nippo Delko Provence), ficou desta feita longe da luta, precisando de mais 41 segundos do que Ivo Oliveira para fazer os 18,1 quilómetros.


A afirmação de Mota

© João Fonseca Photographer
Em 2019, Guilherme Mota já havia subido ao pódio no contra-relógio, naquela que foi a sua primeira temporada como sub-23. Foi terceiro, mas desta feita conquistou um título que não surpreende. Já como júnior havia sagrado-se campeão no contra-relógio e sempre foi uma especialidade que demonstrou ser forte.

Mota, de 20 anos, é um dos muitos ciclistas portugueses que pouco tem competido esta temporada devido à pandemia e a sua última corrida havia sido precisamente no contra-relógio de Anadia. "Após um confinamento muito duro, por causa da faculdade, não estive ao nível que queria, na Prova de Reabertura. A partir daí tentei centrar-me ao máximo nos Campeonatos Nacionais. Todo esse trabalho deu resultado. Estou muito orgulhoso com esta conquista, ainda mais por ter acontecido num percurso tão duro, perante tantos adversários que poderiam discutir a corrida", salientou.

© João Fonseca Photographer
Para a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense é a segunda vitória do ano, algo importante tendo em conta que quase não houve corridas. De recordar que Luís Gomes venceu a Clássica da Primavera, em Março, mesmo antes do confinamento começar e o calendário ser cancelado.

O novo campeão - sucede a João Almeida (Deceuninck-QuickStep) - precisou de 24:58 minutos para completar os 18,1 quilómetros, com Daniel Dias (Sicasal-CM Torres Vedras) a ficar a 15 segundos, depois de ter sido o vencedor da Prova de Reabertura. Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) ficou a 23 segundos, subindo ao terceiro lugar do pódio.




Campeões de paraciclismo

© João Fonseca Photographer
Os Nacionais de Paredes contaram também com os atletas de paraciclismo, que tiveram pela frente 12,1 quilómetros. Foram consagrados dez campeões nacionais.

Telmo Pinão, um ciclista com muita experiência, tendo marcado presença em Jogos Paralímpicos, conquistou o título em C2 e foi o representante na conferência de imprensa que agora se realiza no final das corridas.

"Já cá ando há alguns anos, nesta família que é o paraciclismo. A vitória de hoje tem outro sabor, não apenas o sabor da vitória em si, mas pelo ano atípico por que temos passado. Tem sido muito duro treinar sem competir. Agora temos de ver se há mais provas em 2020 e começar já a pensar em 2021, um ano de Jogos Paralímpicos, para os quais o apuramento ainda está em aberto, mas também o ano em que teremos o Campeonato do Mundo em Portugal e em que, pela primeira vez, haverá Campeonato da Europa de Paraciclismo", afirmou.

Os campeões foram:
  • C1: Bernardo Vieira
  • C2: Telmo Pinão (Casa do Sport Lisboa e Benfica de Montemor-o-Velho)
  • C3: Paulo Teixeira (Associação Ciclismo Rodabike Gondomar)
  • C4: João Monteiro (Associação Mozinho Aventura)
  • C5: Manuel Ferreira (ADRAP)
  • D: João Marques (ACD Milharado)
  • H3: João Pinto (CC Portimão)
  • H4: Flávio Pacheco (Associação SCAV - Sport Ciclismo Almodôvar)
  • H4 Feminina: Filomena Oliveira
  • H5: Luís Costa (CC Portimão)
Sábado é dia dos sub-23

Este sábado realiza-se a prova de fundo dos sub-23, com o pelotão a partir às 14h30. Os jovens ciclistas portugueses terão pela frente 138,2 quilómetros, os primeiros 42,3 num percurso mais largo, antes da entrada no circuito final. O campeão será decidido na oitava passagem pela meta, com cada volta a ter 12,9 quilómetros. O acumulado será de 2860 metros.




17 de fevereiro de 2020

"A pressão não me mete medo nenhum"

Era um desejo antigo e concretizou-se em 2020. Depois de três anos na Rádio Popular-Boavista, Luís Gomes escolheu regressar a uma casa que tão bem conhece e onde viveu grandes momentos enquanto sub-23. Apesar de ter apenas 25 anos, a experiência que adquiriu como profissional poderá ser uma mais-valia para uma Kelly-InOutBuild-UDO há procura de dar mais um passo em frente na difícil consolidação como equipa Continental. Luís Gomes não esconde que quer ajudar o projecto a evoluir, seja a lutar por vitórias, seja a assumir um papel de maior responsabilidade como líder de um grupo de ciclistas jovens com muita qualidade, como não se cansou de realçar.

A sua passagem pela Rádio Popular-Boavista acaba por fazer de Luís Gomes quase o "veterano" da Kelly-InOutBuild-UDO. Quase porque tem Henrique Casimiro (33 anos, ex-Efapel), como colega. "Nos três anos como profissional adquiri bastante experiência e acho que posso transmitir isso a estes jovens ciclistas, que ainda são um pouco imaturos. É algo normal dada a idade, mas acho que com a minha presença vão conseguir render mais, ter mais calma em certas alturas", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Neste regresso encontrou uma equipa diferente, afinal quando saiu da então Liberty Seguros-Carglass, a estrutura era de uma formação de clube de grande sucesso, com Luís Gomes a contribuir com várias vitórias, incluindo em etapas da Volta a Portugal do Futuro. Agora a Kelly-InOutBuild-UDO é Continental e havendo diferenças, há coisas que não mudam: "O ambiente que aqui tenho aqui é óptimo, com uns chefes cinco estrelas, que nos apoiam em tudo. Estou muito feliz pela minha decisão de voltar a esta casa."

Manuel Correia e Luís Pinheiro têm mantido este projecto vivo, apesar de terem passado por dificuldades no final de 2018 e de 2019 ter sido um ano limitado no que diz respeito ao orçamento. O desejo de ter Luís Gomes novamente na equipa não era novo e em 2020 tornou-se realidade. Apesar da Rádio Popular-Boavista ser uma das melhores formações nacionais, o ciclista não hesita em dizer que esta mudança é uma porta aberta para dar um rumo ainda mais ambicioso à sua carreira. "Não me importo de trabalhar seja para quem for, mas também gosto de ter as minhas oportunidades", referiu. Agora terá mais para conquistar vitórias e se tal também traz mais pressão, é assim que Luís Gomes reage: "A pressão não me mete medo nenhum. Gosto de ter pressão. Até é bom, faz-nos mexer." E deixou o aviso: "Esta é uma equipa jovem, mas não somos nenhum coitadinhos. Temos ciclistas com muita qualidade."


"A Volta ao Alentejo é uma corrida que eu gosto. Sempre alcancei lá bons resultados. Vou tentar estar bem"

O corredor quer ser uma elemento importante na estrutura e contribuir para o seu crescimento, se possível com triunfos como aquele memorável na Volta a Portugal. No nevoeiro da Serra do Larouco, Luís Gomes concretizou um dos objectivos de carreira. Agora quer repetir, até pela importância que mais vitórias trazem para a consolidação da Kelly-InOutBuild-UDO como formação Continental. Naturalmente que foi irresistível falar sobre aquele 8 de Agosto, sem esquecer que o ciclista viria a vencer a classificação da montanha na Volta. "Foi uma etapa muito especial para mim. Foi um sonho concretizado. Sempre que recordo, arrepio-me. Foi muita emoção. Procurava há muito uma vitória assim, com esse relevo. Aconteceu muito pelo meu esforço. Se calhar não foi muito pelo poder, mas mais pelo querer", recordou.

Mas há que pensar no presente e no futuro mais próximo, que passa pela Volta ao Algarve, mas de olhos postos na Volta ao Alentejo (de 18 a 22 de Março), o primeiro grande objectivo da nova temporada. "A Volta ao Alentejo é uma corrida que eu gosto. Sempre alcancei lá bons resultados. Vou tentar estar bem. É uma corrida imprevisível e perigosa, há sempre muitas quedas, mas há que tentar ultrapassar esses obstáculos", afirmou, acreditando que tanto ele como os companheiros que estiverem na Alentejana, poderão fazer uma boa corrida. Na Algarvia, e tendo em conta que é uma corrida com uma forte presença de equipas do World Tour, o ciclista pretende aproveitar para testar e aprimorar a sua forma.

Depois do arranque de temporada no domingo, na Prova de Abertura Região de Aveiro, Luís Gomes - que foi quarto, a 18 segundos do vencedor - faz então as malas para o Algarve, juntamente com Henrique Casimiro, Venceslau Fernandes, Pedro Lopes, Pedro Miguel Lopes Rafael Lourenço e Fábio Costa. Ou seja, será um misto de experiência com a juventude de muito talento da Kelly-InOutBuild-UDO.

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13 de fevereiro de 2020

Os ciclistas com inícios de época nada desejáveis

André Greipel vai falhar a Volta ao Algarve
(Fotografia: Facebook Israel Start-Up Nation)
A época começou há poucas semanas, mas já há quem esteja a lamentar algum azar. Nos casos de Matteo Moschetti e André Greipel a frustração será ainda maior, pois estavam num bom momento, mas quedas afastaram ambos das corridas, o que significa que o alemão não irá regressar à Volta ao Algarve, como estava previsto. Porém, há quem esteja mais desiludido, pois problemas de saúde provocaram finais de carreira, dois deles muito precoces.

Começando precisamente por estas despedidas forçadas, com uma delas a verificar-se em Portugal. João Carneiro já tinha estado afastado grande parte da temporada de 2019 devido a problemas de saúde. Apesar da Kelly-InOutBuild-UDO ter renovado com o jovem ciclista, foi anunciado há poucos dias que Carneirinho, como é conhecido, foi aconselhado por médicos a não praticar desporto de alta competição. Foi o adeus ao ciclismo aos 20 anos. Mais oito tem Jimmy Turgis, francês da B&B Hotels-Vital Concept. Devido a um problema cardíaco terminou a carreira. Nos testes de pré-época ficou claro que a questão - que era conhecida pelo ciclista e médicos - agravava sempre que se sujeitava a esforços intensos.

Há ano e meio, o seu irmão mais novo, Tanguy (actualmente com 21 anos) teve de deixar a modalidade quando estava a fazer a sua primeira temporada como profissional, também na B&B Hotels-Vital Concept. Em Janeiro, por razões idênticas às de Turgis, Kiriyenka (Ineos) finalizou uma longa carreira, durante a qual foi campeão do mundo de contra-relógio e tornou-se num dos melhores gregários do pelotão. Beñat Intxausti estava sem equipa após o término da Euskadi-Murias e como nunca recuperou de uma mononucleose, optou por seguir outro caminho no ciclismo, que não a carreira de atleta.

Estes são os exemplos mais extremos de um arranque de época que esteve longe de ser o que desejavam. Porém, outros ciclistas também não foram felizes. Aos 37 anos, André Greipel procura uma derradeira fase de sucesso de uma carreira que está em declínio. A passaem pela Arkéa Samsic foi para esquecer e o alemão nem terminou a temporada na equipa. Na Israel Start-Up Nation, Greipel regressou ao World Tour com expectativas de conquistar mais algumas vitórias, apesar de já ser impossível esconder que não está a acompanhar os sprinters da nova geração.

Os três top dez nos sprints do Tour Down Under deram alguma confiança tanto ao ciclista, como à equipa. Preparava-se regressar à Volta ao Algarve, onde sabe o que é ganhar. Greipel treinava com o colega Rick Zabel em Colónia, numa estrada que tinha água e alguma lama. O ciclista acabou por cair. Deslocou o ombro, colocou-o no sítio e conseguiu regressar a casa. No entanto, os exames médicos identificaram uma fractura e Greipel poderá mesmo de ter de ser operado. Estará longe da competição durante três meses.

Matteo Moschetti pensava que o azar de 2019 - ano de estreia no World Tour na Trek-Segafredo - tinha ficado para trás. O jovem italiano estava extremamente motivado após as vitórias em duas das corridas do Challenge de Maiorca, mas na terceira etapa da Etoile de Bessèges caiu e ainda não foi estipulado uma data para o regresso. Moschetti (23 anos) sofreu várias fracturas, como na omoplata e costelas, mas a mais grave foi num osso na zona pélvica, que obrigou a uma intervenção cirúrgica.

No mesmo incidente de Moschetti ficou envolvido Sebastian Langeveld. O veterano holandês (35 anos) da EF Pro Cycling fracturou a clavícula, já foi operado e espera que dentro de uma a duas semanas possa pelo menos retomar os treinos, tendo a vista a época das clássicas.

Na primeira etapa da Volta a San Juan, no final de Janeiro, Christophe Laporte viu a sua época sofrer um enorme revés. O sprinter da Cofidis caiu, ainda tentou permanecer em prova, mas abandonou no dia seguinte. Fracturou o pulso direito e só deverá regressar às corridas em Maio. A equipa espera poder contar com o ciclista na Volta à Suíça e, principalmente, no Tour, onde estará ao lado de Elia Viviani. Para Laporte, a gravidade da queda significou o abdicar de objectivos como os monumentos Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, assim como o Paris-Nice.

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19 de dezembro de 2019

Sobreviver em 2019, crescer em 2020

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Com a perda dos dois principais patrocinadores, um dos quais já numa fase tardia de 2018, a então Liberty Seguros-Carglass entrou em modo de sobrevivência para continuar com o projecto na estrada. Chegaram a UD Oliveirense e a InOutBuild que ajudaram a assegurar a continuidade da equipa, ainda que a aposta se tenha centrado quase por completo em ter ciclistas muito jovens, sem contratar inicialmente um de maior experiência. Mesmo com muitas limitações financeiras, Manuel Correia e Luís Pinheiro garantiram um grupo de ciclistas lutador, com talento e ambição.

Apesar de prosseguir como Continental, a equipa tem mantido a sua forte ligação às origens de uma das estruturas mais importantes de formação em Portugal. Contudo, para 2020, os responsáveis vão conseguir o que desejavam: aliar essa juventude a ciclistas mais experientes, que possam permitir à equipa ser ainda mais competitiva.

Desses jovens destacaram-se esta época Fábio Costa e Rafael Lourenço. Dois ciclistas rápidos, combativos e que deram as duas vitórias da equipa em 2019. Fábio conquistou a Taça de Portugal de sub-23 e Rafael foi o mais forte na segunda etapa da Volta a Portugal do Futuro. A equipa somou ainda várias classificações da juventude, Fábio Costa foi medalha de prata nos Nacionais de Melgaço, enquanto Guilherme Mota ficou com o bronze no contra-relógio, ambos no escalão de sub-23.

A UD Oliveirense-InOutBuild não conseguiu repetir a vitória na geral da Volta a Portugal do Futuro, mas terminou 2019 com a sensação de dever cumprido e com a pequena frustração de uma queda de Rafael Lourenço, que o tirou da discussão de uma etapa na Volta a Portugal. Que momento teria sido! Por esta altura, a equipa já se tinha reforçado com Josu Zabala (chegou em Março oriundo da Caja Rural) e com o colombiano Juan Filipe Osório (ex-Manzana Postobón), que assinou em Junho. Ciclistas que deram mais opções e um pouco mais de experiência. Guilherme Mota foi uma contratação de Maio, quando decidiu regressar a Portugal para melhor conciliar a vida académica com a de ciclista. Estava na Caja Rural de sub-23.

Este último vai continuar em 2020, assim como Pedro Lopes e Pedro Miguel Lopes (outros dois corredores muito importantes, regulares e com uma evolução interessante, com o primeiro a começar aos poucos a mostrar-se em terrenos mais difíceis), José Sousa, o benjamim da Volta ao Algarve Hélder Gonçalves (aos 18 anos foi chamado e não se intimidou por estar ao lado de alguns dos melhores do mundo) e também Venceslau Fernandes, que vai tentando agora afirmar-se entre a elite.

Há que não esquecer João Carneiro. Fez um bom primeiro ano como sub-23 em 2018, mas um problema de saúde afastou-o da competição praticamente toda a temporada. Com o futuro ainda incerto, a equipa espera poder contar com o corredor em 2020 e este quer regressar mais forte.

Os responsáveis da estrutura procuravam mais um patrocinador que permitisse contratar ciclistas com mais experiência e com outros argumentos. A Kelly Services, empresa de Gestão de Recursos Humanos, reforçou o orçamento e em 2020 o nome desta formação passará a ser Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense (imagem da nova camisola do lado direito). E terá no seu plantel um dos melhores trepadores do pelotão nacional, Henrique Casimiro (Efapel) e Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal na Serra do Larouco e um filho da casa, pois esteve na equipa em 2015 e 2016.

Com estes dois ciclistas, de 33 e 25 anos respectivamente, a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense ganha perspectivas diferentes. Ou pelo menos amplia-as, logo a começar com a Volta a Portugal, mas não só. Principalmente Casimiro procurará ter uma maior liberdade que escasseava e iria escassear ainda mais se tivesse permanecido na Efapel. O vencedor da última edição do Troféu Joaquim Agostinho será um líder indiscutível, com Luís Gomes a poder tanto ajudar o seu novo companheiro, como a ser mais um carta a jogar quando a opção for estar ao ataque.

Ambos serão uma influência essencial nos jovens que vão continuar a ser uma forte aposta. Porém, haverá um ciclista que irá receber certamente atenção, a começar pelo apelido que tem. Não será apenas Venceslau Fernandes a ter um nome que marca o ciclismo nacional. Vai chegar um corredor com o apelido de um ciclista que fez história ao vestir a camisola rosa do Giro e a amarela do Tour. Tiago da Silva é sobrinho de Acácio da Silva e corria no Luxemburgo (a sua nacionalidade), na formação orientada pelo pai (Francisco da Silva), a Differdange-GeBa.

Para fechar as contratações, uma promoção de júnior a sub-23. André Domingues vai ter a oportunidade de continuar a sua evolução na Kelly-OutInBuild-UD Oliveirense. Estava na Escola de Ciclismo Bruno Neves e foi o vencedor da Volta a Portugal do seu escalão.

Equipa para 2020: Hélder Gonçalves, Pedro Lopes, Fábio Costa, Venceslau Fernandes, Rafael Lourenço, José Sousa, Pedro Miguel Lopes, Guilherme Mota, João Torres, Henrique Casimiro (Efapel), Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Tiago da Silva (Team Differdange-GeBa), André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves).

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