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17 de fevereiro de 2021

Ulissi e Viviani de regresso a diferentes velocidades

Fotografias: © UAE Team Emirates e © Cofidis
A preparação para a nova temporada começou com um susto para Diego Ulissi e Elia Viviani. Os dois italianos pararam os treinos após problemas cardíacos. Um recebeu agora autorização para voltar a pedalar, outro, no domingo, vai mesmo competir.

Diego Ulissi vai regressar aos treinos. O regresso às corridas ainda não se sabe, mas o ciclista italiano realizou mais um exame para tentar perceber a causa do batimento cardíaco irregular, detectado durante os testes físicos em Dezembro. Então foi diagnosticada uma miocardite e o tempo de paragem previsto era de vários meses. Porém, chegam agora boas notícias.

A UAE Team Emirates informou que o mais recente exame revelou que o problema era uma "miocardite antiga, provavelmente de origem viral". Ulissi recebeu autorização para progressivamente voltar a treinar. Contudo, irá fazê-lo debaixo de uma monitorização periódica para garantir que não há qualquer problema de saúde a afectar o ciclista.

O afastamento do italiano de 31 anos tinha sido uma má notícia para a equipa. Em 2020, foi dos melhores corredores da UAE Team Emirates, com duas vitórias de etapa no Giro, além de ter conquistado a Volta ao Luxemburgo. Um todo-o-terreno capaz do melhor e do pior, mas que na época passada demonstrou que ainda tem muito para dar.

2021 não tinha começado bem para os italianos. Além de Ulissi, também Elia Viviani havia sido afastado dos treinos devido a problemas cardíacos. Uma arritmia levou-o a fazer vários exames e chegou a ter um microchip debaixo da pele para que o seu batimento cardíaco fosse monitorizado minuciosamente, enquanto treinava.

O sprinter, de 32 anos, recebeu luz verde para competir e anunciou ao site BiciPro que estará na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que começa este domingo. É a prova que em 2021 marca o arraque da temporada de corridas World Tour.

Viviani tem treinado com os seus companheiros de forma a melhorar a preparação do sprint, depois de na época transacta ter ficado em branco na sua estreia pela Cofidis. Sobre pressão para alcançar resultados na equipa francesa, o italiano considera a primeira corrida que irá participar este ano ideal para trabalhar o "comboio" para preparar o sprint. Disse que ficará satisfeito com um quinto ou sexto lugar nesta discussão. Porém: "Obviamente que espero estar lá a lutar para ganhar." A Cofidis também espera isso mesmo, dado o investimento feito no sprinter que tanto ganhou nos dois anos que esteve na Deceuninck-QuickStep.

»»Os portugueses no World Tour««

6 de julho de 2020

Afinal há Europeus e mesmo antes do Tour

Elia Viviani é o campeão europeu em título
Afinal haverá Campeonatos Europeus de estrada. Depois do adiamento das corridas prevista para Trento, pouca esperança havia de ser possível realizar-se as corridas em 2020. A pandemia criou muita imprevisibilidade e quando foi possível lançar um calendário intenso num curto espaço de tempo, parecia difícil encaixar uns Europeus que pouco têm entusiasmado.

Mas a União Europeia de Ciclismo (UEC) não baixou os braços e não só encontrou um local alternativo, como uma data: imediatamente antes do Tour. E pelo meio há uma clássica do World Tour. E (sim, ainda há mais), no fim-de-semana anterior há Nacionais. Toda esta acção será em França, mais concretamente em Plouay, na zona da Bretanha.

Vamos então às datas dos Europeus:

24 de Agosto (segunda-feira): contra-relógio individual feminino e masculino de juniores, sub-23 e elite;

26 de Agosto (quarta-feira): prova de fundo de sub-23 feminina e de elite masculina;

27 de Agosto (quinta-feira): prova de fundo de sub-23 masculina e de elite feminina;

28 de Agosto (sexta-feira): prova de fundo de juniores feminina e masculina; prova de estafetas mistas (contra-relógio por equipas).

A Volta a França arranca dia 29 em Nice e, por isso, é que a corrida de elite masculina não fecha o programa como habitualmente. Ainda assim não será fácil seduzir um pelotão de grandes estrelas, pois poucas estarão dispostas a arriscar um problema que as afaste do Tour.

A "pausa" no dia 25 é para que seja realizada a Bretagne Classic - Ouest-France, clássica do World Tour. Os ciclistas que estarão no Europeu ao serviço das selecções, podem participar na clássica (pelas suas equipas "originais").

"Dado a difícil temporada devido à crise sanitária do covid-19, ser possível organizar os Campeonatos Europeus de estrada é, sem dúvida, uma grande fonte de conquista e orgulho. Desde o início da crise sanitária que afetou todo o mundo, que trabalhámos incansavelmente para tentar salvar e, se possível, marcar eventos. Após o adiamento dos campeonatos de Trento (Itália) para 2021, iniciámos uma série de contatos para não perder o nosso maior evento", salientou Rocco Cattaneo, presidente da UEC.

O percurso está a ser ultimado, assim como os protocolos com as medidas de segurança, tendo em conta o tempo de pandemia que vivemos. Este agendamento significa que Elia Viviani e Amy Pieters não vão ser os campeões em título até 2021, a não ser que vençam novamente. Mas o italiano vai ao Tour...

Esta questão do pelotão com poucas figuras do ciclismo tem-se agravado desde que em 2017 os Europeus passaram a ser disputados em Agosto. No primeiro ano em que os profissionais puderam participar, em 2016, foi em Setembro.

Em 2020, o plano era novamente passar as corridas para esse mês, com a cidade italiana de Trento, em Itália, como palco. A previsão é que em 2021 esse plano original seja retomado, incluindo o local.

Os campeões

Aproveita-se para recordar aqueles que, em elite, já vestiram a camisola de campeão da Europa desde precisamente 2016. O eslovaco Peter Sagan foi o primeiro. Seguiu-se o norueguês Alexander Kristoff, o italiano Matteo Trentin e o compatriota Elia Viviani.

Quanto às senhoras há um domínio holandês. Anna van der Breggen venceu em 2016 e Marianne Vos no ano seguinte. A italiana Marta Bastianelli “intromete-se” nesta lista, que tem então Amy Pieters, outra holandesa, como a campeã em título.


28 de janeiro de 2020

Cofidis é inscrição de última hora e traz Viviani à Volta ao Algarve

(Fotografia: Facebook Team Cofidis)
Forçada a alterar o seu calendário, a Cofidis escolheu a Volta ao Algarve depois de ter sido cancelada a Volta a Omã. Esta inscrição de última hora garantiu assim à única corrida portuguesa do ProSeries mais uma das principais figuras do sprint mundial: Elia Viviani. O italiano confirmou a sua presença, considerando que é uma boa opção para juntar às provas de início de temporada a pensar nos primeiros objectivos da temporada.

O campeão europeu de fundo, quer estar bem nos Mundiais de Pista, para depois apostar em algumas das clássicas da Primavera (Milano-Sanremo no topo das ambições) e no Tirreno-Adriatico, que se realiza antes do monumento italiano. Viviani vai regressar depois ao Giro e, como explicou numa entrevista ao Cyclingnews, a segunda parte da temporada terá o Tour e os Jogos Olímpicos nos planos, sendo que em Tóquio estará novamente na pista. Em 2016, no Rio de Janeiro, conquistou a medalha de ouro no omnium.

A Cofidis torna-se assim a 12ª equipa do World Tour (subiu de escalão em 2020) a estar na Algarvia entre 19 e 23 de Fevereiro, reforçando assim o nome da empresa na corrida. No passado dia 14, o naming da prova do sul do país passou a ser Volta ao Algarve Cofidis. A mudança de calendário da equipa ocorreu devido à morte do Sultão Qaboos bin Said. A organização da Volta a Omã cancelou a corrida devido aos 40 dias de luto no país, que só terminam a 21 de Fevereiro. A prova estava marcada para 11 a 16 do próximo mês.

André Greipel (Israel Start-Up Nation) e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) são dois dos sprinters que poderão lutar com Viviani pelas vitórias na primeira etapa, em Lagos, e na terceira, em Tavira.

Após duas temporadas de enorme sucesso na Deceuninck-QuickStep, o italiano tornou-se num dos reforços da Cofidis, que regressou ao World Tour, uma década depois. A temporada não começou da melhor forma, com Viviani a sofrer uma queda aparatosa na segunda etapa do Tour Down Under. Ficou com alguns ferimentos, mas terminou a corrida australiana. O sprinter continua naquele país, onde fará mais duas corridas, primeiro em Torquay, esta quinta-feira, e depois a Cadel Evans Great Ocean Road Race, no domingo.

Equipas na Volta ao Algarve

WorldTeams (nova designação das equipas World Tour): Astana, Bora-Hansgrohe, CCC,  Cofidis, Deceuninck-QuickStep, Groupama-FDJ, Ineos, Israel Start-Up Nation, Lotto Soudal, Sunweb, Trek-Segafredo e UAE Team Emirates.

ProTeams: Alpecin-Fenix, Caja Rural, Circus-Wanty Gobert, Fundación-Orbea e Uno-X.

Continentais: Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, Aviludo-Louletano, Efapel, Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista e W52-FC Porto.


8 de dezembro de 2019

A imparável Deceuninck-QuickStep

(Fotografia: © Deceuninck-QuickStep)
Palavras para quê? É a Deceuninck-QuickStep! 68 vitórias em 2019. 15 dos 25 ciclistas ganharam corridas e quando chegou um estagiário, também esse corredor venceu. A equipa ganhou mais dois monumentos, foi a rainha das clássicas, mas também esteve no topo no Tour e vitoriosa na Vuelta. O que falta a esta equipa? Quem ganha assim, falta pouco ou nada. Julian Alaphilippe pode ter sonhado com uma vitória na Volta a França, mas nem o ciclista, nem a equipa têm esses objectivos, pelo que de todos os delineados para esta temporada falhou uma melhor prestação no Giro (até parece estranho não ter ganho nenhuma etapa) e um Enric Mas mais ao nível do épocas anteriores.

Nem tudo é perfeito e só assim esta equipa continua todos os anos em busca de ser melhor. Às vezes parece impossível, mas, tal como Alaphilippe demonstrou, não o é. O francês acabou por centrar grande parte das atenções nele, muito devido à senda de amarelo no Tour (14 dias não consecutivos) e duas vitórias de etapa (há um ano venceu também duas e foi o rei da montanha). Porém, estamos a falar de um ciclista com 12 vitórias, incluindo o seu primeiro monumento: a Milano-Sanremo. Ganhou ainda a Strade Bianche e começa a ser o rei da Flèche Wallonne, ao vencer pela segunda vez. Não há nada que este ciclista não seja capaz e em 2020 até vai experimentar a Volta a Flandres. Lutar pela geral no Tour, como se ficou a especular ainda mais depois do que fez na última edição, vai ser algo a pensar mais tarde.

Mas na Deceuninck-QuickStep há sempre espaço para mais ciclistas se destacarem. É talvez a única equipa que não sofre quando uma das suas figuras sai. Perdeu Fernando Gaviria, mas Fabio Jakobsen e Álvaro Hodeg estão em plena fase de afirmação, enquanto Elia Viviani somou 11 vitórias, incluindo a etapa que lhe faltava no Tour, e um título europeu. Está de saída para a Cofidis e não há lamentos porque a caminho vem Sam Bennett. Não há grandes dúvidas que o irlandês terá sucesso.

Kasper Asgreen, Florian Sénéchal e Rémi Cavagna são mais dois jovens a habituarem-se às grandes exibições e aos triunfos, enquanto Bob Jungels até esteve abaixo do esperado grande parte da temporada, principalmente no Giro, mas também teve os seus momentos, assim como um Zdenek Stybar, há algum tempo afastado das vitórias (uma delas foi no Alto do Malhão). Yves Lampaert não teve a época de clássicas que ambicionava, contudo, não deixou de agarrar algumas oportunidades.
Ranking: 1º (14835,15 pontos) 
Vitórias: 68 (incluindo Milano-Sanremo, Paris-Roubaix, três etapas no Tour e cinco na Vuelta) 
Ciclista com mais triunfos: Julian Alaphilippe (12)
Depois há dois belgas. Duas gerações. Philipe Gilbert (37 anos) foi o protagonista de um dos momentos da temporada. Conquistou o Paris-Roubaix e já só lhe falta a Milano-Sanremo para ter no currículo os cinco monumentos. Na Vuelta venceu duas etapas e já são sete na carreira na prova espanhola. E depois há Remco Evenepoel. Foi um início de temporada algo "tremido". Talvez a ansiedade de querer fazer muito bem rapidamente o tenha traído. O abandono na Volta aos Emirados Árabes Unidos não caiu bem na equipa, mas com apenas 19 anos e na sua primeira temporada no World Tour, não se pode dizer que seja uma surpresa que nem sempre fizesse as melhores da opções.

Habituado a ganhar tudo, passou pelo processo natural de adaptação. A certa altura, não parecia que estar tudo em harmonia. O director Patrick Levefere chegou a acusar Evenepoel de estar com peso a mais. Foi mais uma forma de "espicaçar" o jovem ciclista que em Junho começou a mostrar que está preparado para a responsabilidade que o espera. Até foi perfeito começar a ganhar em casa na Volta à Bélgica (uma etapa e a geral), mas foi a fenomenal exibição na Clássica de San Sebastián que confirmou o Evenepoel como um ciclista de topo entre os melhores. O antigo ciclista Tom Boonen alertou que o jovem belga teria de saber lidar com uma realidade completamente diferente da que estava habituado nos juniores e a boa notícia para a Deceuninck-QuickStep é que em seis meses Evenepoel demonstrou uma boa evolução a nível mental.

Aos 37 anos, Gilbert vai regressar à casa onde se tornou num dos ciclistas mais importantes do pelotão, a Lotto Soudal, pois nesta equipa não terá de dividir tanta atenção, numa altura em que não lhe resta muito mais tempo para concretizar o grande objectivo da carreira: ganhar a Milano-Sanremo. Evenepoel é agora um dos rostos do futuro da equipa Deceuninck-QuickStep, ainda que mais para as provas por etapas, já que Gilbert é um homem de clássicas. No entanto, fica reforçada a dúvida de como irá lidar a estrutura com a mais que clara vontade do belga de querer discutir uma grande volta, quando esta é uma equipa completamente virada para clássicas, sprints e vitórias de etapas.

Enric Mas está de saída precisamente porque para lutar por uma grande volta precisa de mais companheiros. Foi ao pódio no Vuelta em 2018, mas, apesar de muitas teorias que poderia utilizar o trabalho de equipas como a Ineos ou Jumbo-Visma a seu favor, esteve apagado no Tour. Lefevere chegou a prometer que contrataria ciclistas para ajudar o espanhol se este renovasse, mas Mas está a caminho da Movistar. Evenepoel poderá ser o ciclista que fará a Deceuninck-QuickStep alargar os seus objectivos, se não quiser perder o belga para outra equipa. Ou talvez até seja Alaphilippe a fazer os responsáveis da estrutura a pensar se é ou não altura de tentar ganhar uma grande volta e não "apenas" etapas.

A Deceuninck-QuickStep pode não precisar de mais nada para continuar a ser a que mais vence, mas haverá sempre caminhos novos a explorar, caso a equipa queira.

Para 2020, os objectivos vão manter-se iguais aos de sempre. O referido estagiário é o alemão Jannik Steimle, sprinter que assinou até 2021, contudo, numa perspectiva portuguesa, a atenção irá quase toda para João Almeida. Um dos mais promissores ciclistas da nova geração em Portugal vai chega ao World Tour pela porta grande e nesta equipa só se contrata os melhores ou os que têm tudo para o ser.

68 vitórias em 2019 que até foi um número mais baixo do que em 2018: 73. Mas continua muito acima dos rivais e nunca é de mais realçar como vários desses triunfos são nas principais corridas do calendário mundial.


9 de julho de 2019

A decifrar camisolas em dia marcante para Viviani

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Quando a Deceuninck-QuickStep trabalha na perfeição o comboio do sprint, é alta a probabilidade de no final festejar a vitória. Se há equipa que ano após ano, sprinter após sprinter, consegue apresentar-se sempre fortíssima neste capítulo é a formação belga. Na quarta etapa do Tour, ficou mais uma vez comprovado esse facto.

Elia Viviani manteve-se na roda dos seus companheiros (no Giro não o fez e pagou caro essa escolha) e chegou àquela vitória tão especial que faltava no seu currículo. Porém, por momentos, foi necessário decifrar umas camisolas. Procurou-se um típico comboio azul, mas era um mais colorido. Entre camisolas de campeões nacionais e equipamentos cujo branco abunda, nem sempre é fácil reconhecer de imediato os ciclistas, ainda mais quando se fala de um sprint a alta velocidade e com muitos intervenientes.

Tem sido cada vez mais habitual as equipas apostarem em equipamentos diferentes apenas para a Volta a França. Os regulamentos autorizam uma alteração por temporada. Este ano, o branco tomou conta do pelotão logo no início da temporada. Equipas como a Lotto Soudal e a Cofidis colocaram mais branco nas camisolas em detrimento do encarnado (que é também sempre popular) com a Wanty-Group Gobert a também dar mais espaço a esta cor, ainda que continue a ter muito azul. No Tour, a Trek-Segafredo seguiu o exemplo de 2018 e escolheu o branco e a Bora-Hansgrohe também trocou o preto pelo branco na camisola, mantendo a zona verde. Estas equipas juntaram-se à Groupama-FDJ, Dimension Data e Arkéa-Samsic que têm essa cor predominante no equipamento original.

Apesar da venda de equipamentos não ter a influência nos orçamentos das equipas, como acontece nos grandes clubes de futebol, ainda assim, é cada vez mais uma aposta de marketing. O único senão é que nem sempre ajuda muito na parte de perceber quem é quem quando há uma cor predominante. Alguns detalhes, como o verde na Bora-Hansgrohe, e os calções estão a ser a melhor forma de decifrar em caso de dúvida.

A UAE Team Emirates viu isso mesmo e mudou os seus calções para brancos. Sempre uma decisão pouco popular entre os adeptos, mas está de facto a ser importante em reconhecer Alexander Kristoff no sprint, por exemplo. E de branco está ainda o líder da juventude, por agora, Wout van Aert (Jumbo-Visma), cujos calções pretos são decisivos para o diferenciar um pouco melhor.

De referir que entre as outras mudanças para o Tour estão as mangas das camisolas da Jumbo-Visma que são pretas e não amarelas, para não se confundir com o símbolo do líder da geral. Já a alteração da Lotto Soudal é quase imperceptível e é só no nome. Nesta Volta a França, a equipa é Soudal Lotto.

Seria interessante perceber se esta aposta nos equipamentos é algo que está a crescer em termos de vendas, pois fica claro como muitas das formações, principalmente do World Tour, preocupam-se com esse factor quando apresentam os equipamentos para as novas temporadas. Claro que ter ciclistas de referência é essencial. A Bora-Hansgrohe tem Peter Sagan, um vencedor nato de tudo o que utiliza - dos equipamentos, às bicicletas, aos óculos e até às gomas (!) - e ainda hoje se vêem equipamentos da Tinkoff "culpa" de Alberto Contador (talvez com uma ajuda de Sagan no final). Também há o fenómeno "retro", pois chama sempre a atenção ver um equipamento da Mercatone Uno de Marco Pantani, por exemplo, ou mesmo camisolas dos anos 70 e 80 que ainda hoje se encontram à venda em sites.


(Fotografia: © ASO)
Mas voltando ao início do texto e ao comboio de Viviani. Também havia ali um branco a confundir um pouco as contas. Talvez seja ainda falta de hábito em ver Max Richeze com a camisola de campeão nacional da Argentina. Com fundo branco, pois claro, como muitos destes símbolos nacionais o são. Muitos, mas não todos. Michael Morkov tem uma camisola como se vestisse a bandeira dinamarquesa e a liderar o comboio estava o amarelo, esse bem reconhecível, de Julian Alaphilippe. O líder do Tour fez de gregário para ajudar a mais uma vitória da equipa, um dia depois de ter sido ele a celebrar.

Elia Viviani é mais um ciclista a fazer o pleno: soma vitórias de etapas nas três grandes voltas. É apenas a sua segunda presença no Tour, com a primeira a ter sido em 2014, então na Cannondale. Na Sky foi sempre excluído, pois não há espaços para sprinters na equipa britânica quando o que se quer é ganhar a geral, e no ano passado foi Fernando Gaviria o eleito da formação belga que actualmente o italiano representa. Cinco triunfos no Giro, três na Vuelta e agora, finalmente, um no Tour, um dos grandes objectivos de carreira que lhe faltava.

Depois de um Giro em que não estava satisfeito com o seu comboio - faltou Morkov e Viviani sentiu essa falta - e em que pouco ou nada aproveitava o trabalho feito, Viviani redimiu-se do falhanço em Itália (foi desclassificado na única etapa que tinha conseguido ganhar). O trabalho da equipa foi perfeito em Nancy, mas foi o poderio de Viviani que fez a diferença necessária nos últimos metros frente aos melhores do mundo, como ele.

O italiano, de 30 anos, poderá estar tentado a mudar-se para a Cofidis, mas vai ser de azul (no Tour já não veste a camisola de campeão nacional, pois não conseguiu revalidar no final de Junho) que vai à procura de mais vitórias, ficando a questão se vai atrás da camisola dos pontos, a verde. Ficou a 23 de Peter Sagan, quarto atrás de Kristoff e Caleb Ewan.

5ª etapa (10 de Julho): Saint-dié-des-Vosges - Colmar, 175,5 quilómetros



Após um dia para sprinters (Reims - Nancy, 213,5 quilómetros) é tempo de os homens rápidos serem mais discretos nas próximas duas etapas. Esta quarta-feira será um aquecimento para a tirada de La Planche des Belles Filles, na quinta. Serão duas segundas categorias e duas terceiras, com a sequência final a poder ser atacada tendo em conta que há quem já tenha de recuperar algum tempo. O Côte des Trois-Épis (segunda categoria) e o Côte des Cinq Châteux (terceira) têm ambos pendentes médias acima dos seis por cento. Etapa mais curta, de 175,5 quilómetros, para contrastar com as maratonas dos dias anteriores.

Aqui ficam as diferenças entre os candidatos, tendo como referência Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma):

3º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma), 14:42.04
6º Egan Bernal (Ineos), a 15 segundos
8º Geraint Thomas (Ineos), a 20
8º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), a 21
10º Wilco Kelderman (Sunweb), a 26
12º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), a 27
13º Rigoberto Uran (EF Education-First), a 28
21º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 36
22º Adam Yates (Mitchelton-Scott), a 41
25º Jakob Fuglsang (Astana), a 41
32º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), a 46
38º Daniel Martin (UAE Team Emirates), a 1:03
41º Nairo Quintana (Movistar), a 1:05 minutos
43º Mikel Landa (Movistar), a 1:05
48º Richie Porte (Trek-Segafredo), a 1:18
51º Romain Bardet (AG2R), a 1:19
58º Fabio Aru (UAE Team Emirates), a 1:54 minutos
59º Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), a 1:58
69º Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 3:46




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13 de maio de 2019

Dia para limpar a imagem e com a acção a ficar guardada para o fim

(Fotografia: Giro d'Italia)
Emoção, indecisão até final, ataque e contra-ataque... A terceira etapa da Volta a Itália não teve nada disso. Foi um daqueles longos dias, com 220 quilómetros que, apesar de não serem totalmente planos, não entusiasmaram quase ninguém a sequer ir para uma fuga. Tivemos então algo que pouco se vê numa grande volta, um ciclista solitário, pelas estradas italianas a aproveitar para dar visibilidade aos patrocinadores e a limpar um pouco a imagem da equipa e de um compatriota. Mas até a etapa mais aborrecida pode, de repente, tornar-se num pesadelo. Que o diga Tao Geoghegan Hart e Richard Caparaz. E claro, Elia Viviani. O italiano até ganhou, mas acabou desclassificado. Basicamente, nos últimos dez quilómetros aconteceu mais do que nos 210 anteriores.

Mas falemos de Sho Hatsuyama. Nome provavelmente desconhecido, ainda que se esteja perante um campeão japonês (2016). Não é uma nação que tenha chamado muito a atenção das grandes equipas, com Fumiyuki Beppu a ser o maior destaque, pois desde 2010 que está no World Tour, a maioria das épocas passadas na Trek-Segafredo. Hatsuyama está a aproveitar a oportunidade na Nippo Vini Fantini Faizanè, um projecto que une Itália ao Japão e que este ano regressou ao Giro.

Hatsuyama e Hiroki Nishimura foram os nipónicos eleitos para a grande volta. Um momento importante nas suas carreiras. O primeiro tem 30 anos, o segundo 24. Nishimura teve uma estreia para esquecer. Terminou o contra-relógio inaugural fora do tempo limite. Fez oito quilómetros no Giro e foi excluído. A equipa explicou que Nishimura tinha dormido mal, dada a ansiedade e nervosismo por ir participar numa corrida tão importante. Não foi a melhor das imagens que deixou.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Mas, dois dias depois, a Nippo Vini Fantini Faizanè quis mostrar-se de outra forma e mostrar como os ciclistas japoneses escolhidos podem cumprir com o desejado: entrar em fugas e procurar ganhar uma etapa. Nesta segunda-feira ninguém acreditaria que, completamente sozinho, Hatsuyama iria ganhar outra coisa senão tempo de antena. Lá se deixou ficar na frente e chegou a ter uns seis minutos. Pelo menos garantiu que a equipa e ele próprio fosse falados um pouco por todo o mundo, onde chega esta corrida.

Com 75 quilómetros para o final terminou a aventura solitária e a ver vamos se não vai ainda pagar caro o esforço. Cortou a meta a mais de três minutos de Gaviria, mas o seu trabalho do dia ficou feito, tal como uma pequena redenção em nome de um compatriota que, do maior momento da sua carreira, passou em oito quilómetros para a tristeza de ser excluído logo no primeiro dia do Giro.

A acção final

Depois de tantos quilómetros em que o pelotão foi quase em ritmo de passeio, com a aproximação a Orbetello, as equipas começaram a preocupar-se com a questão do vento. Era um perigo para o qual estavam todas avisadas, pois os "abanicos" poderiam tornar-se uma realidade e um problema. Não aconteceram, mas uma queda a cerca de cinco quilómetros acabou por provocar muito nervosismo. Na frente, um sprint complicado, com muitos pretendentes. Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) tentou impor-se novamente, mas desta feita esteve bem "marcado" pelos rivais. Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep) - que disse que no domingo sofreu um problema nas mudanças que o impediu de sprintar em condições -, não deixou o alemão escapar e acabou por ser o mais forte, com Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Arnaud Démare (Groupama-FDJ) ali bem perto.

Viviani bem chamou a atenção para a camisola que veste, de campeão nacional (agora com as cores em posição vertical, ou seja, como é de facto a bandeira italiana), mas os sorrisos duraram apenas uns minutos. Um jovem Matteo Moschetti (Trek-Segafredo) tentou intrometer-se entre os grandes do sprint. Sem querer, foi decisivo. Viviani desviou a trajectória, obrigando Moschetti a parar de pedalar. O campeão italiano foi desclassificado.

"Para mim, ele ganhou. O Elia sempre faz sprints correctos e não fez nada de mal hoje. Se virem a repetição, podem ver que não o faz de propósito. Não olhou para trás. Estava a tentar apenas fazer o seu sprint", disse Gaviria, a quem foi atribuída a vitória, que lhe valeu também a subida à liderança da classificação dos pontos. De propósito ou não, Viviani continua a zero num Giro em que prometeu fazer algo de especial.

4ª etapa: Orbetello - Frascati, 223 quilómetros



Talvez o possa fazer já esta terça-feira, mas não será surpresa se Viviani tiver de esperar pela quinta etapa. Apesar de não haver dificuldades de maior, além de uma quarta categoria na fase inicial, o problema para os sprinters são os últimos 2,5 quilómetros a subir. A pendente média é de 4,5%, mas a máxima chega aos sete, o que não será fácil para alguns dos ciclistas com características de sprinters. Caleb Ewan (Lotto Soudal) tem sido aquele que em 2019 já demonstrou não se intimidar nem um bocadinho com este tipo de finais. Ganhou assim em Hatta Dam, na Volta aos Emirados Árabes Unidos, por exemplo.

Primoz Roglic e a Jumbo-Visma terão de estar atentos para manter a camisola rosa, não vá alguém tentar recuperar alguns dos segundos perdidos no contra-relógio de Bolonha.

Desilusão de Hart e Carapaz

Estes são dois ciclistas que podem pensar em recuperar tempo nas pequenas oportunidades que forem surgindo. Tao Geoghegan Hart ficou retido na queda a cinco quilómetros e mesmo com quase toda a Ineos ao seu lado, a fazer um autêntico contra-relógio colectivo, perdeu 1:28 minutos e saiu do top dez. Pavel Sivakov ficou na frente e é agora o melhor da Ineos, a 1:01 de Roglic.


Já Richard Carapaz estará ainda mais frustrado. Depois de no contra-relógio ter ficado à frente de Mikel Landa, posição que o poderia colocar como líder da equipa mais à frente no Giro, o equatoriano teve de trocar de bicicleta a nove quilómetros da meta. Não conseguiu encostar no pelotão, ainda mais depois da queda que deixou tantos ciclistas para trás. Carapaz perdeu 46 segundos e está a 1:33 na geral. Landa tem 1:07 para recuperar. A Movistar está novamente com problemas numa grande volta.

Amaro Antunes (CCC) também perdeu os mesmos 46 segundos de Carapaz e são 2:15 para Roglic. Começa a ganhar espaço para se meter numa fuga quando o seu terreno favorito chegar.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




»»Aquela vitória que afasta o fantasma Bennett de Ackermann««

»»Roglic avassalador já está de rosa««

15 de março de 2019

Viviani e Gaviria, aquela particular rivalidade

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Há um ano esperava-se que estivesse a nascer uma intensa rivalidade entre Fernando Gaviria e Marcel Kittel, a estrela em rápida ascensão e o considerado um dos melhores do mundo. Dois dos mais poderosos sprinters em acção. Desilusão completa devido ao "apagão" que o alemão sofreu. Essa rivalidade devia-se ao facto de na época anterior terem sido companheiros de equipa. 12 meses volvidos e eis que temos situação idêntica, mas com um novo interveniente. Agora é Viviani vs Gaviria e eis um frente-a-frente que está a prometer cada vez mais. E quem diria?!

Quando no final de 2017 Elia Viviani quebrou contrato com a Sky para agarrar o lugar que Kittel ia deixar vago na então Quick-Step Floors, a aposta da equipa belga parecia ser de uma segunda opção, atrás de Gaviria, sem que o escolhido se importasse de estar em segundo lugar na hierarquia no sprint. Kittel escolheu mudar-se para a Katusha-Alpecin precisamente porque não queria entrar numa luta interna com o colombiano, a pensar na presença na Volta a França. Kittel não estava disposto a abdicar do seu estatuto e ficou-se sem saber se de facto estaria em risco logo em 2018, depois de um sensacional 2017.

Gaviria também tinha estado brilhante nessa temporada - ambos somaram 14 vitórias cada um - e tinha (e tem) a idade do lado dele. A forma como ganha e as vezes que o faz, até dá para esquecer que tem apenas 24 anos, enquanto Kittel já chegou aos 30. Em 2018 deu-se então a separação e pareciam estar reunidas as condições para que assistisse a uma rivalidade muito especial, faltando saber se a Katusha-Alpecin conseguiria formar um comboio tão forte como a da Quick-Step Floors. Não conseguiu e Kittel ainda menos conseguiu estar perto do seu nível habitual.

Apesar de uma temporada com altos e baixos devido a quedas, Gaviria foi um homem quase sem rival quando estava bem. Por seu lado, Viviani até pode ter começado na equipa belga escondido na sombra de um Gaviria que, por direito próprio, centrou os holofotes nele no que aos sprints diz respeito. No entanto, o italiano foi roubando um pouco da ribalta. E também por direito muito próprio. Acabou a temporada como o ciclista com mais vitórias, 17, mais a geral no Dubai, umas quantas camisolas dos pontos e um contra-relógio colectivo. Gaviria "ficou-se" pelas nove, mais a desejada camisola amarela na primeira vez que competiu no Tour. Perdeu-a logo no dia seguinte, mas foi um momento muito importante. Venceu mais uma etapa. Viviani conquistou quatro no Giro e a classificação dos pontos.

Por mais que Viviani sonhasse com o Tour, sabia bem qual seria o seu lugar na equipa. Gaviria era o número um nas corridas que escolhesse e assim estava previsto continuar. Contudo, a proposta da UAE Team Emirates foi irresistível e o director Patrick Lefevere deixou sair o seu ciclista, mesmo tendo conseguido encontrar uma empresa que garantisse uma almofada financeira para segurar o colombiano, que ainda tinha um ano de contrato.

A agora Deceuninck-QuickStep nem hesitou e deu o papel principal nos sprints a Viviani, um ciclista que sempre foi um sprinter de respeito, mas nunca se tinha previsto que pudesse ser tão poderoso. Ganha aos melhores porque ele próprio é um dos melhores. Faz toda a diferença estar numa equipa que aposta no seu ciclista, o que não acontecia na Sky. Na formação britânica ficava tantas vezes sozinho na procura de vitórias. O potencial estava lá, a equipa belga conseguiu que este fosse aproveitado por completo.

Viviani completou 30 anos em Fevereiro, Gaviria fará 25 em Agosto. Duas gerações, uma rivalidade que há duas temporadas nunca se imaginaria. Nem na época passada se imaginaria. Viviani soma quatro vitórias em 2019, Gaviria três, mas no frente-a-frente directo está 2-1 para o italiano, com o desempate a ser feito esta sexta-feira na terceira etapa do Tirreno-Adriatico.

O sprint foi tão confuso que só Peter Sagan tinha alguém da Bora-Hansgrohe a ajudá-lo no metros finais. Mas Viviani fez-se valer de uma longa experiência de ter de se "safar" sozinho entre os caóticos sprints e também de tudo o que aprendeu na pista. Gaviria ainda chegou a ter Simone Consonni - cada vez mais o seu braço direito -, mas acabou a agarrar-se à roda de Viviani, enquanto este estava na de Sagan.

Como um bom sprinter não é só força, Viviani mostrou muita inteligência. Bateu Sagan na força - o eslovaco está a recuperar a forma depois de sofrer de problemas de saúde e terá ficado satisfeito com o segundo lugar - e bateu Gaviria na boa colocação. Ao sair da roda de Sagan, Viviani, sabendo onde estava Gaviria, manteve-se bem perto do rival eslovaco, forçando o colombiano a ter de abrir mais para tentar ter espaço para acelerar. Esse desvio de trajectória seria demasiado. Gaviria ficou fechado e nem teve espaço para bater Sagan. O outro frente-a-frente entre o italiano e o colombiano tinha sido nos Emirados Árabos Unidos, com cada um a vencer uma etapa e, nestes casos, com o rival a ficar em segundo.

Viviani tem a vantagem de ter um comboio mais do que oleado. O da UAE Team Emirates está em formação. Porém, ambos sabem aproveitar bem o trabalho de terceiros. Ambos conhecem-se perfeitamente. Os pontos fortes, os pontos fracos, a mentalidade... Aqui, a diferença é como Viviani é mais frio e prático, enquanto Gaviria é mais emocional, o que às vezes é uma desvantagem quando algo lhe corre mal. Viviani recupera melhor de maus momentos. Milano-Sanremo, Volta a Itália, Volta a França são corridas que estão no calendário dos dois sprinters que, mesmo com a diferença de idades, estão a equiparar-se. Se assim continuarem, é espectáculo garantido no sprint.

Numa altura em que André Greipel (36 anos) e Mark Cavendish (33) entraram na fase descendente da carreira, em que Marcel Kittel tenta recuperar uma versão que o torne novamente competitivo, com Erik Zabel a treiná-lo, Gaviria e Viviani podem ser as figuras de uma rivalidade em particular. Porque no geral, além de Peter Sagan ou Arnaud Démare, por exemplo, há toda uma geração preparada para se intrometer entre os nomes já mais consagrados: Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), Caleb Ewan (Lotto Soudal), Jasper Philipsen (UAE Team Emirates), Matteo Moschetti (Trek-Segafredo)... E sim, Sam Bennett. Tal como Viviani um sprinter a alcançar o seu potencial um pouco mais tarde, comparativamente com um Gaviria, por exemplo. O irlandês venceu pela segunda vez no Paris-Nice, quarta vitória em 2019. Foi excluído do Giro pela Bora-Hansgrohe, está em final de contrato e muito receptivo a propostas.

Uma coisa é certa, nesta Deuceninck-QuickStep, seja que nome tenha, seja que ciclistas façam parte do plantel, mantém uma competitividade impressionante. Sai um ganhador, há sempre outro mais do que pronto para somar triunfos. Não há quebras com as mudanças. São poucas as equipas com esse tipo de capacidade, quando perdem uma referência.




30 de dezembro de 2018

Quando ganhar é completamente natural

Alaphilippe foi um dos ciclistas que muito contribuiu para a sensacional
época da equipa belga (Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
Resumir a época da Quick-Step Floors até se consegue fazer numa só palavra: ganhar! Será mais justo repeti-la: ganhar, ganhar, ganhar! A histórica equipa belga está habituada a ser das que mais vence, ou mesmo a que mais vence. Mais de 50 vitórias, não é nada de anormal, nem chegar às 60, mas 73? Número impressionante (um recorde da formação) ainda mais se se tiver em conta que entre elas estão monumentos, vitórias de etapas em grandes voltas e nem entra outros grande resultados que foram o pódio de Enric Mas na Vuelta, ou a camisola da montanha no Tour de Julian Alaphilippe.

Patrick Lefevere tem construído ano após ano equipas com um espírito de luta e união que se traduz em vitórias, divididas por vários dos seus ciclistas. Em 2018 foram 14 em 28 que compunham o plantel (acresce dois estagiários a partir de Agosto). Pode haver um ou outro que se destaque mais, mas há espaço para todos irem atrás do seu momento. Não foi há muito tempo que Lefevere via a Quick-Step Floors ter dificuldades em ganhar nas clássicas da casa. Uma pequena crise mais do que resolvida nas últimas duas épocas.

2018 foi simplesmente memorável: Volta a Flandres (Niki Terpstra) e Liège-Bastogne-Liège (Bob Jungels), cinco etapas do Giro, quatro no Tour e outras tantas na Vuelta. Mas há mais: E3 Harelbeke, Através da Flandres, Flèche Wallonne (que enorme exibição de Julian Alaphilippe para quebrar a senda de Alejandro Valverde), Clássica de San Sebastian, uma etapa no Critérium du Dauphiné, duas na Volta à Catalunha e no País Basco, três na Volta à Califórnia... Recorrendo ao ProCyclingStats, aqui fica o link para a lista de vitórias deste ano em que ganhar pareceu ser algo absolutamente natural para os ciclistas de azul.

E talvez esta naturalidade tenha uma base de que todos terão a sua oportunidade, tal como todos terão de ajudar outros, quando assim se impõe. É de salientar isso mesmo, que corredores como Alaphilippe, Bob Jungels e o capitão Philippe Gilbert são líderes natos que são também os primeiros a trabalharem para os companheiros. Esta capacidade e respeito pela entre-ajuda faz com que além das principais figuras, possam surgir as potenciais figuras do futuro. Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen são a prova disso. Quando lhes foi dada liberdade, estes dois jovens não só tiveram a ajuda dos colegas mais experientes, como aproveitaram para vencer.

A comprovar como esta equipa consegue tirar o melhor de todos os ciclistas há Elia Viviani. Quebrou contrato com a Sky, onde era um sprinter solitário, que lá ia conquistando umas vitórias, para assinar por uma equipa que fez dele o homem mais ganhador da temporada entre as formações do World Tour. Foram 19, mais nove do que em 2017, que até tinha sido a sua melhor época. A diferença esteve ainda na qualidade dos triunfos: quatro etapas no Giro e três na Vuelta como maior destaque, além do título nacional, por exemplo.

Ranking: 1º (13.385,97 pontos)
Vitórias: 73 (incluindo Volta a Flandres, Liège-Bastogne-Liège, cinco etapas no Giro, quatro no Tour e Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Elia Viviani (19)

Chegou para ocupar a vaga deixada por um Marcel Kittel que não queria competir por espaço com Fernando Gaviria. Viviani parecia ser uma segunda opção possível, mas foi uma de primeira categoria. De tal forma, que com a saída do colombiano, Viviani irá assumir o papel principal nos sprints e já pisca o olho ao Tour.

Gaviria teve uma temporada de altos e baixos. A aposta nas clássicas correu francamente mal, muito devido a quedas. Porém, no principal objectivo, a Volta a França, Gaviria confirmou tudo o que era esperado. Vestiu de amarelo logo a abrir e na sua estreia no Tour. Foram duas etapas ganhas antes de um abandono na fase montanhosa da corrida. Questão a melhorar se quiser ir discutir o mais famoso dos sprints, nos Campos Elísios. Kittel tinha ganho cinco em 2017, mas para quem foi pela primeira vez ao Tour, Gaviria confirmou que quer e pode ser o sprinter de referência desta grande volta nos próximos anos.

Falta saber se na UAE Team Emirates irá encontrar o comboio de qualidade que tinha na Quick-Step Floors. Custa acreditar que uma equipa que ganha o que ganha tenha dificuldades em garantir a sua estabilidade financeira. Sem um patrocinador principal para 2019 - a Quick-Step mantém-se, mas com um investimento menor - Lefevere viu-se obrigado a abrir mão de alguns dos seus ciclistas para aliviar o gasto com os ordenados, precavendo a eventualidade de ter um orçamento menor para o próximo ano.

Não renovou com Terpstra e permitiu que Gaviria ouvi-se propostas, ainda que tivesse  contrato com a Quick-Step Floors. Apesar de ter aparecido a Deceuninck, Lefevere percebeu que o dinheiro da UAE Team Emirates tinha dado a volta à cabeça de Gaviria. Deixou o seu sprinter sair e agora irá ver-se se o colombiano consegue quebrar o famoso enguiço do ciclista que sai da Quick-Step Floors e não mais consegue atingir o nível que tinha quando ali estava.

Max Schachmann (Bora-Hansgrohe), Laurens de Plus (Jumbo-Visma) e Jhonathan Narváez (Sky) também seguem novos rumos nas carreiras. Contudo, perante o historial desta estrutura, é difícil dizer que a Quick-Step Floors fica mais fraca, mesmo que tenha perdido Gaviria. A capacidade de se auto-renovar é incrível e o que mais se espera é ver como Hodeg, Jakobsen, Kasper Asgreen e Rémi Cavagna possam aparecer anda mais. E claro, ficaram Alaphilippe, Jungels, Stybar, Gilbert, Enric Mas...

O espanhol acaba por ser uma das questões que se coloca para 2019. Depois da tremenda exibição na Vuelta - vitória numa etapa e segundo na geral -, será que Lefevere aumentará a sua aposta nas grandes voltas, pensando também mais numa eventual vitória ou em mais pódios? Esta é uma equipa cuja génese se prende às clássicas e etapas. Jungels é outro voltista, mas dá mais indicações de ser um top dez, do que homem de discutir essas corridas, pelo menos para já.

Contudo, Enric Mas deixou indicações bem diferentes, de que pode ir mais longe e o seu discurso não engana. Vai atrás de ganhar e até já pensa em conquistar o Tour, onde estará em 2019, época que começará na Volta ao Algarve. Vai entrar no seu último ano de contrato, pelo que o director terá uma decisão a tomar, ainda que não se adivinhe ser fácil ficar com Mas tendo em conta o interesse que despertou.

Já Alaphilippe, apesar do Tour a todos os níveis impressionante - duas etapas e foi o rei da montanha -, o francês quer continuar a ser um ciclista para vencer corridas de uma semana, apostar tudo e mais alguma coisa nas Ardenas e depois ir até ao Tour fazer mais uns brilharetes. Tem 26 anos e não está afastada a hipótese de ainda se tornar num voltista, mas não para já.

Quase parece mal não falar de mais ciclistas que se mostraram em 2018 e contribuíram para o memorável ano, mas a época da Quick-Step Floors daria um livro de muitas páginas. De texto e de bonitas fotografias! Uma delas seria a da última equipa a vencer o contra-relógio colectivo nos Mundiais, vertente que o presidente da UCI decidiu terminar.

Termina-se com uma das contratações que vai receber muita atenção. O "miúdo maravilha" da Bélgica só podia assinar por esta equipa. Remco Evenepoel dá o salto de júnior directamente para o profissionalismo, depois de vencer quase todas as corridas em que participou em 2018. Títulos nacionais, europeus, mundiais, foi tudo dele. A exibição na corrida de estrada, em que fez uma recuperação incrível até chegar à frente da corrida e vencer, deu logo a entender que Evenepoel não ia ficar longe dos holofotes do World Tour.

A diferença de realidades é muita, pelo que 2019 será um ano de adaptação para Evenepoel. Não será ciclista para clássicas do pavé, querendo tornar-se num voltista. É quase inevitável colocá-lo no topo da lista de ciclistas jovens a seguir em 2019. Para já, o belga é apenas um dos dois reforços da equipa que se chamará Deceuninck-Quick Step.


Permanências: Philippe Gilbert, Julian Alaphilippe, Bob Jungels, Elia Viviani, Yves Lampaert, Enric Mas, Zdenek Stybar, Kasper Asgreen, Eros Capecchi, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Álvaro Hodeg, Fabio Jakobsen, James Knox, Iljo Keisse, Davide Martinelli, Michael Morkov, Fabio Sabatini, Maximiliano Richeze, Pieter Serry, Florian Sénéchal e Petr Vakoc.

Contratações: Remco Evenepoel e Mikel Frolich Honoré (Virtu Cycling).

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4 de setembro de 2018

Queda grave de Petilli marcou etapa. Italiano ficou inconsciente mas já recebeu alta hospitalar

Italiano estava a fazer a sua estreia na Vuelta
(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
Dia de susto na Vuelta com Simone Petilli a sofrer uma queda aparatosa que o deixou inconsciente. O ciclista da UAE Team Emirates foi de imediato assistido pelos médicos, sendo transportado para o hospital. A equipa já confirmou que o italiano sofreu uma concussão cerebral, mas os exames revelaram não existir qualquer problema neurológico. Se a nível de saúde do corredor é uma boa notícia, dentro do possível, já desportivamente, a formação de Fabio Aru fica sem o seu segundo homem, pois Daniel Martin não partiu para a 10ª etapa. São apenas três as desistências na Volta a Espanha, duas na mesma equipa.

Petilli é uma das jovens apostas da UAE Team Emirates e que transitou do tempo da Lampre-Merida. Tem 25 anos e estava a realizar a sua terceira grande volta, a estreia na Vuelta, depois de dois Giros. A queda aconteceu ao quilómetro 41 dos 177 entre Salamanca e Fermoselle, Bermillo de Sayago e envolveu ainda Jelle Wallays (Lotto Soudal). O italiano ficou imóvel, sendo depois confirmando que perdeu a consciência, mas ao recuperá-la, rapidamente reconheceu o médico da corrida, que foi o primeiro a socorrê-lo.

"Ele também sofreu um corte profundo no sobrolho esquerdo, que precisou de pontos e alguns dentes ficaram partidos. Ele está agora no Hospital Zamora numa condição boa e estável. Ele é capaz de interagir com o médico da equipa Michele de Grandi", lê-se num primeiro comunicado da equipa, no qual é assegurado que os exames excluíram problemas neurológicos. Já ao início da noite, a UAE Team Emirates anunciou que o ciclista recebeu alta hospitalar e ia passar a noite no hotel da equipa.

É a segunda queda grave de Petilli em menos de um ano. Em Outubro, na Lombardia, o italiano sofreu uma comoção cerebral e fracturou uma vértebra, a clavícula e a omplata.

Com algumas quedas já a marcarem a Vuelta, nenhuma tinha sido tão grave. E desportivamente é então um rude golpe para uma equipa que viu Dan Martin regressar a casa no dia de descanso (segunda-feira). O irlandês prepara-se para ser pai de gémeas e com uma inesperada possível antecipação do parto, o ciclista pediu aos responsáveis da UAE Team Emirates para abandonar a corrida e assim acompanhar a mulher neste momento especial da sua vida. A autorização chegou sem qualquer surpresa, ainda que isso significasse a perda de um corredor que poderia estar na luta por alguma etapa e na ajuda a Fabio Aru na geral, já que Martin estava sem qualquer aspiração nesse sentido.

Com a perda de Petilli, são apenas seis os ciclistas que continuam em prova pela equipa dos Emirados. Só outra formação já perdeu um corredor. Maurits Lammertink, da Katusha-Alpecin, foi o primeiro abandono da Vuelta, ao não partir para a etapa oito, devido a persistentes dores abdominais.

Segunda vitória para Viviani

Quanto à etapa, foi um dia em que se cumpriram as expectativas. Na perspectiva portuguesa, o destaque vai para mais uma fuga de Tiago Machado (Katusha-Alpecin), mas ainda não foi esta a que vingou. As equipas dos sprinters conseguiram concretizar a pretensão de dar aos seus ciclistas a possibilidade de discutir a vitória. A Quick-Step Floors foi perfeita e Viviani não teve concorrência à altura. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) foi novamente segundo. Foi a terceira vez que ficou nesta posição na Vuelta, somando ainda um terceiro e um nono lugar, o que o ajudou a tirar a camisola verde a Alejandro Valverde (Movistar), liderando com mais dois pontos.

Viviani junta-se a Valverde e Ben King (Dimension Data) como vencedor de duas etapas na 73ª Volta a Espanha.

Os últimos quilómetros acabaram por ser de grande nervosismo para alguns dos candidatos, incluindo o dono da camisola vermelha, Simon Yates. O ciclista da Mitchelton-Scott sofreu dois furos, um mal que atingiu vários corredores, como Nairo Quintana, Nelson Oliveira (Movistar) e Wilco Kelderman (Sunweb), entre outros. O holandês ainda teve um problema mecânico que o fez perder mais de um minuto para o pelotão. Porém, estava dentro dos três quilómetros finais, pelo que lhe foi registado o tempo do vencedor da 10ª tirada.

Esta foi uma etapa de transição que contrariou o que muito acontece nas grandes voltas. Ou seja, o dia a seguir ao descanso tem alguma dureza ou é um contra-relógio (como vai acontecer na próxima semana). É nesta quarta-feira que regressa o sobe e desce da Vuelta, com três terceiras categorias - uma perto do fim - e uma segunda. Será a etapa mais longa da corrida, com 207,8 quilómetros entre Mombuey-Ribeira Sacra, Luintra. A alta montanha regressa na sexta-feira, com muita acção (assim se espera) até domingo.


Pode ver aqui as classificações completas. A única mudança de camisola foi a verde. Simon Yates continua líder da geral, com um segundo de vantagem sobre Valverde, que vai voltar a vestir a camisola do prémio combinado, que estava "emprestada" a King enquanto tinha a verde. Luis Ángel Maté (Cofidis) lidera na montanha e a Lotto-Jumbo por equipas.

José Gonçalves (Katusha-Alpecin) e José Mendes (Burgos-BH) terminaram a etapa no pelotão, enquanto Tiago Machado e Nelson Oliveira perderam 22 segundos.



27 de agosto de 2018

Viviani o melhor sprinter? De 2018, certamente

(Fotografia: La Vuelta)
Missão cumprida. Uma oportunidade, uma vitória. Elia Viviani não desperdiçou uma das poucas etapas que os sprinters podem tentar aparecer numa Vuelta maioritariamente montanhosa. Aliás, o italiano e restantes adversários, ainda tiveram de enfrentar dificuldades, incluindo uma primeira categoria logo nos primeiros quilómetros. Foi saber sofrer e recuperar o máximo de forças possível para gastar num sprint em que Viviani foi simplesmente forte de mais para qualquer concorrência. Peter Sagan até pode não estar no seu melhor, mas o que Viviani fez hoje em Alhaurín de la Torre, o domínio que demonstrou, não é novo nesta época. Tem sido um ano fantástico de um sprinter que tinha mesmo muito mais para dar do que a Sky estava a permitir.

Quando a Quick-Step Floors anunciou a contratação do ciclista de 29 anos, o que significou a quebra de contrato com a equipa britânica - só terminava em Dezembro de 2018 -, logo se pensou que o seu papel seria para ser o sprinter nas corridas em que Fernando Gaviria não estaria. Marcel Kittel teve receio de ficar em segundo plano para o argentino e preferiu sair depois de uma época de sucesso (14 vitórias, cinco no Tour), Viviani não se preocupou com estatuto. Segundo plano? Quem não gostaria de estar na posição do italiano nesta fase da temporada: 16 vitórias, 17 se se contar com um contra-relógio por equipas. Fernando Gaviria soma nove!

Na Sky viu-se constantemente relegado a uma luta pelos sprints sem ajuda de companheiros, ou com muito pouca. É um ciclista que até sabe explorar o trabalho de outros para se colocar bem no pelotão, mas ter uma Quick-Step Floors dedicada a ele, fez toda a diferença. A sua melhor temporada tinha sido a de 2017, com 10 vitórias. Mas mais do que os números, este ano ganha muito e em grandes corridas, com destaque para Giro e agora a Vuelta (o Tour ficou para Gaviria - duas etapas). Com o triunfo em Alhaurín de la Torre são cinco etapas em grandes voltas (mais a camisola dos pontos em Itália), com Viviani a fazer a sua estreia a vencer na corrida espanhola, naquela que é a sua segunda participação (a primeira foi em 2012, ao serviço da Liquigas-Cannondale). E há que não esquecer que é o campeão italiano.

"Não sei se sou o melhor sprinter. Não posso ser eu a avaliar isso, mas sou o que mais ganha este ano", afirmou Viviani após a vitória na terceira etapa da Vuelta, 178,2 quilómetros que começaram em Mijas. O italiano não entra em discussões se é ou não um dos melhores do mundo. É certamente um sprinter de enorme qualidade e que este ano está claramente entre os melhores. As vitórias colocam-no mesmo como o melhor. Um sprinter de "segundo plano" de luxo numa equipa na qual os ciclistas têm tendência a mostrar a sua melhor versão e quando saem, muito se debatem para a recuperar (que o diga Kittel).

Fez-se a comparação com o companheiro Gaviria, mas o segundo sprinter que mais ganha este ano é Dylan Groenewegen. O holandês da Lotto-Jumbo soma 12 triunfos (dois no Tour e dois na Volta ao Algarve, por exemplo). Os outros principais sprinters do pelotão têm metade ou menos das vitórias de Viviani: Arnaud Démare (Groupama-FDJ) nove, André Greipel (Lotto-Soudal) seis, Christophe Laporte (Cofidis) seis, Nacer Bouhanni (Cofidis) cinco, Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) cinco, Caleb Ewan (Mitchelton-Scott) três, Marcel Kittel (Katusha-Alpecin) duas, Mark Cavendish (Dimension Data) apenas uma. Peter Sagan pode não ser o chamado sprinter puro, mas não deixa de ser dos melhores da actualidade. Tem oito triunfos, que inclui um monumento, o Paris-Roubaix, e três etapas no Tour.

A contagem de Viviani continua, tal como a da Quick-Step Floors: 58 vitórias e ganhou novamente nas três grandes voltas. Aconteça o que acontecer a Viviani no futuro, mantenha ou não este ritmo impressionante de triunfos, esta sensacional temporada ninguém lhe tira, no ano em que comprovou que podia ser muito mais ao que estava reduzido.

A luta pela geral começa agora

Se uma subida de terceira categoria em Caminito del Rey conseguiu fazer alguns estragos, principalmente eliminando Richie Porte (BMC) e deixando também Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) longe da discussão muito cedo na corrida, então o que poderá fazer uma chegada em alto de primeira categoria na quarta etapa?

Com uma Vuelta com potencial para ser muito aberta, sem um Chris Froome como favorito crónico e com muitos e bons candidatos, então, mesmo sendo tão cedo na corrida, há que aproveitar oportunidades para, pelo menos, começar a testar adversários e potencialmente criar-lhes desde já problemas se não estiverem bem nestes primeiros dias.

Serão 161,4 quilómetros entre Vélez-Málaga e Alfacar, Sierra de la Alfaguara. A primeira dificuldade, também uma primeira categoria, começa aos 51 quilómetros e vai até aos 67, mas a maior acção deverá ficar guardada para os 12 finais. É uma daquelas etapas na qual ninguém ganha uma grande volta. É apenas a quarta. Mas alguém poderá perdê-la. Michal Kwiatkowski (Sky) prometeu que irá defender a sua camisola vermelha de líder, ultrapassada que está a desilusão de dois segundos lugares nas duas primeiras tiradas. Tem 14 segundos de vantagem sobre Alejandro Valverde (Movistar) e 25 sobre Wilco Kelderman (Sunweb). O polaco lidera também nos pontos, com Luis Ángel Maté, espanhol da Cofidis, a vestir a camisola da montanha. A Sky é primeira na classificação por equipas. De recordar que na Vuelta não há uma camisola para o melhor jovem.

Os quatro portugueses em prova, Nelson Oliveira (Movistar), José Mendes (Burgos-BH), Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminaram a terceira etapa integrados no pelotão. Pode ver aqui as classificações completas.