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5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

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13 de dezembro de 2019

"Em África também temos muitos ciclistas talentosos"

(Fotografia: © Team Astana)
Merhawi Kudus tornou-se numa das referência do ciclismo africano, sendo um dos ciclistas que ascendeu ao mais alto nível no projecto da MTN-Qhubeka (Dimension Data no World Tour). Até parece difícil acreditar que Kudus ainda nem tenha completado 26 anos, pois há muito que se fala dele e se olha para este ciclista como um dos africanos que poderá vencer em grandes corridas. Na Astana encontrou uma equipa à sua medida e depois de um 2019 de adaptação, está preparado para mais responsabilidade e procurar concretizar um dos seus objectivos de carreira: ganhar uma etapa na Volta a França. 

O eritreu esteve recentemente em Portugal, a convite da comissária internacional portuguesa Isabel Fernandes, uma profunda conhecedora do ciclismo africano, com uma vasta experiência em corridas realizadas naquele continente. Kudus foi um dos ciclistas presentes na Gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, um momento de descontracção antes de começar o trabalho para 2020. A Astana demonstrou confiar em Kudus, o primeiro africano a representar esta formação, ao renovar o contrato por dois anos e o ciclista quer retribuir essa aposta com boas exibições e resultados.

Com Rui Costa e Ruben Guerreiro, por exemplo, também presentes na gala, Kudus deixou um elogio: "Os portugueses são dos ciclistas de maior nível no mundo, como se pode ver com o Rui Costa e outros corredores. São muito talentosos." Mas não hesitou em dizer ao Volta ao Ciclismo: "Em África também temos muitos ciclistas talentosos, mas não existem as oportunidades como as que existem na Europa. É uma diferença enorme." Kudus considera essencial que os jovens corredores possam "ter acesso ao básico". "Temos de passar por todos os passos desde os juniores, nos sub-23 e temos de nos adaptar a todas as condições."


"É muito fácil trabalhar com Alexander Vinokourov. Ele é muito directo e muito organizado"

Kudus teve essa possibilidade de adaptar-se a uma dura realidade como é a do ciclismo, com todo o apoio necessário, quando integrou a MTN-Qhubeka em 2014, estreando-se logo nesse ano na Vuelta, que entretanto já fez por quatro vezes. Em 2015 foi ao Tour - nesse ano o seu companheiro e compatriota Daniel Teklehaimanot fez história ao vestir a camisola da montanha durante quatro dias - e em 2016, já com a equipa como World Tour, o eritreu foi ao Giro. Evoluiu numa estrutura que tinha como objectivo abrir as portas aos ciclistas africanos. Mas a Astana foi um passo desejado.

"Foi uma grande mudança, pois há uma grande diferença entre as equipas. Na Dimension Data apostam mais nos sprinters e na Astana luta-se mais pelas classificações gerais. Claro que, dadas as minhas características, eu prefiro a Astana", salientou. Trabalhar com Alexander Vinokourov, o director da estrutura cazaque é "super fácil", segundo Kudus: "É muito fácil trabalhar com ele. Ele é muito directo e muito organizado."

A primeira temporada deste puro trepador na Astana foi positiva, vencendo duas etapas e a geral na Volta ao Ruanda, além de boas prestações em provas do World Tour, quase sempre na ajuda aos seus líderes. Contudo, não foi a nenhuma corrida de três smeanas. Por isso, para 2020 tem desde logo um objectivo: "Quero voltar a uma grande volta. Após o estágio vou saber o meu calendário, mas sim, quero estar numa das grandes voltas." E quando se fala do que mais gostaria de concretizar na carreira, Kudus responde rapidamente: "É muito difícil competir nestas corridas, principalmente tendo em conta que compito muito nas de World Tour. Mas o que eu gostaria era de ganhar uma etapa na Volta a França."

Perante a sua afirmação ao mais alto nível, as pedalas de Kudus são seguidas com atenção no seu país. O próprio contou que na Eritreia o ciclismo é das modalidades mais populares e que se procura saber as notícias sobre ele e outros atletas. "Estamos a inspirar os jovens para tentarem ser ciclistas", frisou.

Natnael Berhane (Cofidis) e Amanuel Ghebreigzabhier (Dimension Data), por exemplo, são outros compatriotas de sucesso e a Eritreia é o país africano que vai estando mais representado no ciclismo além da África do Sul. Neste caso, Daryl Impey (Mitchelton-Scott) ainda este ano venceu uma etapa na Volta a França, enquanto Louis Meintjes (Dimension Data) já fez top dez. Porém, fora deste país - da Dimension Data -, ainda há muito potencial por descobrir, mas aos poucos, ciclistas como Kudus vão abrindo caminho e mostrando o que o ciclista africano pode fazer aos mais alto nível se lhe for dada essa oportunidade.

E se o Ruanda conseguir organizar os Mundiais de 2025 - já apresentou a candidatura -, percebe-se porque tal é visto como um potencial ponto de viragem para o ciclismo africano.

»»"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"««

»»"Talvez seja das provas mais duras em que vou representar o meu país"««

25 de novembro de 2019

Versão avassaladora da Astana desaparece nas grandes voltas

(Fotografia: Facebook Astana Pro Team)
Durante a primeira fase da temporada foi uma disputa entre Astana e Deceuninck-QuickStep. Quando uma ganhava, a outra não demorava a responder. A equipa cazaque dominava nas provas por etapas, entre triunfos em tiradas e gerais. A belga foi implacável nas clássicas, mas também foi ganhando muitas etapas. Porém, quando chegou o grande momento de mostrar que de facto é uma equipa forte para as grandes voltas, a Astana ficou mais uma vez muito aquém. Miguel Ángel López não conseguiu disputar o Giro. Na Vuelta ainda foi líder por três vezes, mas acabou fora do pódio. Já Jakob Fuglsang continua na difícil relação com a Volta a França. Dos irmãos Izagirre esperava-se mais, principalmente de Ion, mesmo estando em segundo plano para o colombiano e dinamarquês.

Das 37 vitórias em 2019, 30 foram alcançadas até ao final de Junho. Foi uma primeira metade de temporada avassaladora, mas ainda assim com uma Volta a Itália em que a Astana não ficou plenamente satisfeita. Pello Bilbao (duas) e Dario Cataldo conquistaram vitórias em etapas, mas a Astana quer regressar ao topo do pódio de uma grande volta. López não demorou a começar a ver a possibilidade de liderança escapar e quando tentou lutar por uma posição pelo menos de top cinco ou mesmo o pódio, um espectador provocou uma queda ao ciclista, que respondeu com uma chapada, num dos momentos mais insólitos do ano.

A López aconteceu um pouco de tudo de mau e o pouco de bom que se viu, não chega para tentar ganhar um Giro - venceu a juventude, mas nesta fase não chega - ou uma Vuelta. Em Espanha a irregularidade das exibições custaram-lhe o pódio. Mas são mais dois top dez nas três semanas e a Astana não adiar mais: López vai atacar o Tour em 2020.

Jakob Fuglsang parecia que aos 34 anos se tinha reinventado mais uma vez e seria desta que ajustaria contas com o Tour. Sempre que foi como líder, a tendência foi para correr mal. Chegou à corrida depois de meses fenomenais. Já tem o seu o monumento, numa semana das Ardenas sempre em crescendo: terceiro na Amstel Gold Race, segundo na Flèche Wallonne e depois primeiro na Liège-Bastogne-Liège. Antes já tinha sido segundo na Strade Bianche (foi uma disputa particular nas clássicas com Julian Alaphilippe, da Deceuninck-QuickStep), terceiro no Tirreno Adriatico e ainda uma vitória na Ruta del Sol, em Fevereiro. E houve mais excelentes resultados.
Ranking: 5º (11474,5 pontos) 
Vitórias: 37 (incluindo a geral da Ruta del Sol, Volta à Catalunha, Volta ao País Basco, Critérium du Dauphiné, três etapas no Giro e duas na Vuelta) 
Ciclista com mais triunfos: Alexey Lutsenko (10)
No Tour acabou por abandonar devido a problemas físicos devido a uma queda. Mas Fuglsang mostrou como mentalmente estava forte neste 2019 e foi à Vuelta conquistar uma etapa. Para o ano deverá trocar de calendário com López e vai pela segunda vez ao Giro, na esperança que talvez seja mesmo azarado.

Mas esta equipa não se resume a López e Fuglsang. Bilbao e Luis León Sánchez são sempre garantia de boas exibições e vitórias, mas o primeiro está de saída para a Bahrain-Merida, uma perda grande para o bloco de apoio a López. Contudo, uma da principais figuras da Astana é um homem da casa: o campeão cazaque Alexei Lutsenko.

Aos 27 anos é um ciclista muito à imagem do director da equipa, Alexander Vinokourov. Extremamente combativo, capaz de se mostrar em corridas por etapas (venceu a Volta a Omã e Artic Race, foi sétimo no Critérium du Dauphiné e quarto na Alemanha) e sempre perigoso nas clássicas, Lutsenko somou dez vitórias. Este corredor já tem um papel de total liberdade, pois tornou-se numa garantia de sucesso.

Do lado oposto de performance esteve Ion Izagirre, cuja troca da Bahrain-Merida para a Astana acabou por significar perda de estatuto. Não foi fácil para o espanhol assimilar que nem na Vuelta seria o número um, sendo que o grande momento chegou na Volta ao País Basco e já tinha ganho a Volta à Comunidade Valenciana. Ion, tal como o irmão Gorka, vão querer mais destaque em 2020, mas não será fácil.

Mesmo com os bons ciclistas que tem, a Astana necessita de fortalecer a sua aposta nas grandes voltas, pois começa a tornar-se frustrante ser tão ganhadora antes de chegar ao Giro e depois falhar nas três semanas (Tour e Vuelta incluídos). O basco Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias e vencedor de uma etapa na Vuelta em 2018) e o russo Aleksander Vlasov (Gazprom-RusVelo) chegarão para este tipo de corridas, mas não será fácil substituir Bilbao e Dario Cataldo (está a caminho da Movistar).

Vinokourov pode querer ganhar e muito uma grande volta, mas tal não significa que não vai querer continuar a querer vencer tudo o que puder, pelo que foram contratados Alex Aranburu (um dos mais combativos na última Vuelta ao serviço da Caja Rural) e Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep) para serem reforços no sprint, tal como Fabio Fellinne (Trek-Segafredo), que também irá ser aposta nas clássicas.

Independentemente de não conseguir conquistar uma grande volta, há algo que é inegável nesta Astana: é uma equipa completamente feita à imagem do seu director. Dá espectáculo e quer ganhar seja em que corrida for.


13 de novembro de 2019

Sete equipas World Tour confirmadas com um regresso após dois anos de ausência

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
São sete as equipas do World Tour que já confirmaram a presença na 46ª edição da Volta ao Algarve. As duas melhores do ranking em 2019 vão estar nas estradas algarvias, mas o destaque acaba por ser para o regresso da Astana. Depois de dois anos de ausência, a formação cazaque aposta em Portugal para o início de temporada e tem um ciclista com algumas contas a ajustar com esta corrida.

A Deceuninck-QuickStep e a Bora-Hansgrohe, primeira e segunda do ranking, estão asseguradas. Será que é desta que Peter Sagan se deixa seduzir pelo Algarve? Por enquanto pode-se sonhar, pois no calendário já conhecido do eslovaco há uma aberta nas datas da prova portuguesa, que se realiza entre 19 e 23 de Fevereiro. Mas há mais estrelas que podem preencher o pelotão da Algarvia, pois CCC, a Groupama-FDJ, a Lotto Soudal e UAE Team Emirates não dispensaram mais uma vez viajar até ao sul do país.

Quanto à UAE Team Emirates, a questão é se trará o vencedor de 2019, Tadej Pogacar. Começou a época como jovem promessa que conquistou a sua primeira vitória como profissional na Volta ao Algarve (venceu no Alto da Fóia, a geral e a juventude) e terminou o ano como uma das novas figuras do pelotão mundial, com três etapas na Vuelta, o pódio (terceiro) e a camisola da juventude.

Quanto à Astana, Luis León Sánchez poderá ser um potencial seleccionado para estar na Volta ao Algarve. Este espanhol bem tentou estar pelo menos no pódio da corrida. Ficou perto e num ano até liderava quando sofreu uma aparatosa queda no contra-relógio de Sagres. Foi em 2016. No ano antes, havia sido quinto na geral, com sete segundos a separá-lo de Tiago Machado, terceiro nessa edição.

Em 2017 regressou com vontade de finalmente concretizar o objectivo, mas o pódio ficou a quatro segundos, com Tony Gallopin a ser terceiro. O vencedor foi Primoz Roglic, com 59 segundos a separá-lo de Sánchez. Independentemente dos ciclistas escolhidos, a forma atacante de correr da Astana, sempre à procura de vitórias, traz animação às corridas, muito ao estilo do seu director, o antigo ciclista Alexandre Vinokourov.

São esperadas que mais algumas equipas de topo de juntem às sete anunciadas pela organização esta quarta-feira. A Ineos, por exemplo, tem sido presença assídua e Michal Kwiatkowski anunciou que a Volta ao Algarve poderia estar no seu calendário de início de época. A Jumbo-Visma e a Trek-Segafredo também não têm dispensado o Algarve em edições recentes. A Cofidis prepara-se para subir ao escalão principal e também não tem falhado a corrida, cuja empresa tem sido uma das patrocinadoras.

A Algarvia faz parte do arranque do circuito ProSeries da UCI, mantendo-se como a corrida mais cotada do calendário português internacionalmente. Já são conhecidas as cidades de partida e chegada, com o contra-relógio a ser a etapa decisiva. Mais pormenores sobre o percurso no link em baixo.

»»Volta ao Algarve será decidida no contra-relógio««

15 de setembro de 2019

Equipas da Vuelta uma a uma

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Ponto final na terceira e última grande volta do ano. Houve espectáculo, reviravoltas, polémica, confirmações de jovens ciclistas e um vencedor justo, Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Entra-se agora em modo final de temporada, com os Mundiais (entre 22 e 29 de Setembro) e o último monumento, Lombardia (12 de Outubro), como os derradeiros grandes objectivos de uma temporada que, a nível do World Tour, terminará novamente na China, com a Volta a Guangxi (17 a 22 de Outubro). Para concluir a Vuelta, uma análise às equipas, sem esquecer os ciclistas portugueses. A ordem é da classificação colectiva, que mais uma vez foi ganha pela espanhola Movistar.

Movistar: Nairo Quintana venceu uma etapa e foi líder por um dia. Alejandro Valverde também picou o ponto e aos 39 anos foi segundo na Vuelta, o que significa que não se pode dizer que tenha sido uma corrida má da equipa espanhola. Porém, queria ganhar, mas mais uma vez ter dois líderes que não estão muito interessados em ajudar o companheiro só prejudicou a concretização dos objectivos. Chegou-se ao ponto de ver Marc Solar protestar publicamente por ter de esperar por Quintana e abdicar de lutar pela etapa. O colombiano tem responsabilidade por ter novamente falhado na montanha, onde deveria fazer diferenças e assim ter deixado escapar o pódio, mas também não ajudou estar isolado dentro da equipa. Valverde fez a sua corrida, mas tem sempre o dia em que se afasta da luta pela vitória final. O episódio do ataque quando Roglic e vários outros ciclistas tinham caído não ajudou a que esta equipa ficasse bem vista. Uma Movistar unida e Roglic e a Jumbo-Visma poderiam ter tido uma rival à altura. Quanto a Nelson Oliveira, foi a prestação de nível habitual. É um dos melhores gregários do pelotão internacional e corrida após corrida demonstra porquê. Chegou a andar em fuga, mas não foi desta que repetiu a vitória de etapa de 2015. Foi 46º a 2:20.59 horas de Roglic.

Astana: Equipa fortíssima nas provas por etapas de uma semana, mas falhou nas três grandes voltas. Na Vuelta apostou tudo num Miguel Ángel López que começa a tornar-se num eterno candidato, sem confirmar credenciais. Ainda é um ciclista jovem, tem apenas 25 anos, mas esperava-se que pelo menos tivesse conquistado um lugar no pódio nesta edição. Começou bem no contra-relógio por equipas, López chegou a liderar por três vezes, mas como tem sido habitual, há sempre algo que acontece a este corredor. Ou cai, ou fura, ou simplesmente não tem pernas para os rivais, como foi o caso. Na última etapa de montanha, López deixou ainda escapar a camisola da juventude. A equipa não foi uma boa ajuda nas primeiras etapas mais complicadas, mas após o primeiro dia de folga, López não se pode queixar dos companheiros. No final, fica um quinto lugar a saber a pouco do colombiano (a 4:48 minutos de Roglic) e a vitória de etapa de Jakob Fuglsang, a sua primeira e já muito merecida numa grande volta. López acabou por subir ao pódio em Madrid como o ciclista mais combativo da Vuelta.

Jumbo-Visma: Aliou a juventude à experiência, escolhendo um sete de qualidade para rodear Primoz Roglic. Fez toda a diferença quando comparada com a equipa que foi ao Giro. Também havia qualidade, mas faltou mais experiência. Mesmo perdendo cedo Steven Kruijswijk, a Jumbo-Visma fez uma Vuelta positiva. Ainda assim, deixou algumas vezes o líder demasiado cedo sozinho. Aí valeu Primoz Roglic ser um grande chefe-de-fila. Respondeu a tudo, foi calculista, frio e não se deixou levar por emoções como no Giro. Venceu o contra-relógio e ganhou margem para ganhar a Vuelta, que segurou. Vitória mais do que merecida daquele que de facto foi o melhor entre os candidatos e que ficou ainda com a camisola verde dos pontos. Mas uma palavra para um excelente Sepp Kuss. Foi um gregário de luxo e tem apenas 25 anos. Na 15ª etapa foi para a fuga para eventualmente ajudar mais tarde Roglic. Não foi preciso e o americano aproveito para ganhar. Cuidado com esta Jumbo-Visma para 2020. A equipa melhora a cada grande volta e agora ganhou uma. Começou a Vuelta a cair no contra-relógio colectivo e acabou a ganhar. É a prova que o importante é como se acaba e não como se começa. Foi o contrário do que se viu no Giro.

Mitchelton-Scott: Era uma Vuelta para principalmente testar Johan Esteban Chaves. O vencedor de 2018, Simon Yates, ficou desta feita de fora depois de ter feito o Giro e o Tour. Chaves regressou este ano após uma longa ausência por doença, após a Volta a Itália do ano passado. Ganhou uma emotiva etapa no Giro, mas o regresso à liderança da equipa na Vuelta não correu bem. Rapidamente começou a ficar fora da disputa até pelo top dez e mesmo ficando entre os 20 melhores, terminar a quase uma hora de Roglic lança muitas dúvidas sobre o futuro deste colombiano de 29 anos. Luka Mezgec pouco se viu nos sprints e num acabou por cair e acabou a Vuelta no hospital. De resto, foi uma equipa discreta, muito diferente da Mitchelton-Scott de 2018.

AG2R: Com Pierre Latour a não aproveitar a oportunidade de lutar por um bom resultado, valeu à equipa francesa Geoffrey Bouchard, um ciclista que há um ano foi estagiário na segunda metade da temporada, depois de se destacar nos escalões amadores. Tem 27 anos e na sua primeira grande volta foi o rei da montanha. A partir da segunda semana e aproveitando uma fuga, apresentou a sua candidatura ao título a Ángel Madrazo, que esteve mais de meia volta como o líder da classificação. Bouchard venceu e foi assim o destaque de uma equipa que de outra forma estava a passar ao lado da corrida.

Sunweb: Foi uma época muito aquém do esperado nas grandes voltas dada a lesão de Tom Dumoulin no Giro. Na Vuelta, a equipa salvou um pouco deste 2019 na Vuelta. Nicolas Roche foi líder durante três dias - acabaria por abandonar pouco depois devido a uma queda - e Nikias Arndt venceu uma etapa. Foi ainda activa em fugas, na procura por mais vitórias. Wilco Kelderman voltou a desiludir, apesar de ter recuperado posições até ao sétimo lugar. Um menos mal, mas a equipa gostaria de ter mais garantias do ciclista agora que vai perder Dumoulin para a Jumbo-Visma.

Euskadi-Murias: Fez o que se esperava, ainda que Óscar Rodríguez tenha desiludido um pouco. Não se mostrou na montanha e esteve longe de lutar por um top dez. Ainda assim, foi uma boa Vuelta para a equipa Profissional Continental. Os seus ciclistas foram incansáveis para tentar ganhar uma etapa e Mikel Iturria conseguiu-a. O futuro da equipa está um pouco incerto, mas a prestação na corrida espanhola foi positiva e uma boa apresentação a potenciais patrocinadores.

Bahrain-Merida: Dylan Teuns foi a figura da equipa no Tour e na Vuelta, ainda que em Espanha partilhe a atenção com Hermann Pernsteiner. O belga esteve perto de ganhar outra etapa numa grande volta, mas teve como consolação vestir a camisola vermelha por um dia. Depois andou num sobe e desce na classificação, mas não conseguiu um top dez, com o seu companheiro austríaco também a lá estar por dois dias, sendo uma das surpresas da Vuelta. Viu-se pouco do jovem talento ucraniano Mark Padun. Foi uma Bahrain-Merida de que não se esperaria muito mais do que aquilo que fez.

Dimension Data: Há um ano salvou a temporada na Vuelta, mas desta feita Ben King não conseguiu ganhar etapas e os companheiros não estiveram muito melhor. Quase que deu para esquecer que Louis Meintjes esteve na corrida, não fosse vê-lo em fuga. Ben O'Connor continua a tentar repetir a forma da primeira metade da temporada de 2018, mas está longe de o conseguir. Vuelta fraca da equipa sul-africana, tal como toda a temporada.

Ineos: Foi das piores grandes voltas da equipa. Todos os ciclistas começaram a falhar logo nas primeiras etapas. Tao Geoghegan Hart tentou salvar algo, entrando em fugas e ficou perto de ganhar uma etapa. Wout Poels e David de la Cruz foram desilusões completas e a restante equipa passou mais tempo na retaguarda do pelotão ou em grupos atrasados. Salvo Hart, foi uma prestação má de mais para uma equipa do estatuto da Ineos.

Bora-Hansgrohe: Sam Bennett pode ter ficado frustrado por não ter ido ao Giro nem ao Tour, mas estreou-se na Vuelta com duas vitórias e ficou perto de vencer em Madrid, sendo batido por Fabio Jakobsen. Mas esta equipa alemã mostrou novamente que pode alcançar mais do que ganhar etapas. Rafal Majka fechou mais um top dez (sexto, a 7:33). Porém, o polaco voltou a revelar que não tem capacidade para discutir uma grande volta e pode começar a perder espaço, dado os ciclistas que estão a emergir na estrutura, como Emanuel Buchmann. Boa volta da Bora-Hansgrohe.

Deceuninck-QuickStep: Cinco vitórias de etapas: duas pelo veterano e sempre com enorme classe, Philippe Gilbert, duas pelo estreante Fabio Jakobsen (incluindo em Madrid) e uma pelo jovem francês Rémi Cavagna. É preciso dizer mais? Apenas uma referência a James Knox. Teve azar no Giro, caindo e abandonando. Na Vuelta, caiu na polémica antepenúltima etapa, ficou muito mal tratado e não resistiu na tirada de montanha de sábado. Conseguiu acabar, mas saiu do top dez, ficando em 11º. Ainda sim, boa prestação do britânico de 23 anos.

Lotto Soudal: Foi a equipa habitual, a procurar vitórias de etapa, mas desta feita sai de Espanha a zero. O objectivo de Thomas de Gendt em querer terminar o maior número de grandes voltas consecutivas, não falhando nenhuma durante a temporada, fez com que chegasse à Vuelta muito cansado. Há um ano tornou-se no primeiro belga a ganhar a camisola da montanha na corrida espanhola, desta feita, pouco se viu deste excelente ciclista.

UAE Team Emirates: A equipa não esteve bem na montanha e Fernando Gaviria está a ter um ano de estreia na formação dos Emirados Árabes Unidos para esquecer. Fabio Aru foi para casa mais cedo. Porém, houve Tadej Pogacar. Um estreante numa grande volta, que há um ano era amador, mas tinha vencido de forma espectacular a Volta a França do Futuro. E foi ainda mais espectacular na Vuelta. Três vitórias de etapa, a última num ataque a mais de 30 quilómetros da meta! E com essa ousadia, garantiu ainda o terceiro lugar no pódio e a camisola da juventude. Um fenómeno!

Katusha-Alpecin: Sem líder para a geral, sem um grande sprinter e com a equipa ainda sem ter definido o seu futuro, os oito ciclistas eleitos para a Vuelta tinham liberdade para fazerem a sua corrida. E a referência foi Ruben Guerreiro. Ao terceiro ano no World Tour estreou-se finalmente numa grande volta e que grande corrida fez o português de 25 anos. Andou muitas vezes em fuga, fez um segundo e um quarto lugar, terminou em 17º na geral a 42:05 minutos e foi dos ciclistas que mais se mostrou na Vuelta, merecendo destaque por parte dos meios de comunicação social. Estará a caminho da Lotto Soudal e, se assim for, é um contrato mais do que merecido para continuar ao mais alto nível. Ruben Guerreiro confirmou todo o seu potencial na Volta a Espanha.

Groupama-FDJ: Foi à Vuelta sem grande ambição e mostrou ainda menos na corrida. Marc Sarreau é um sprinter interessante, mas não tem capacidade para disputar etapas com os melhores da especialidade. A Groupama-FDJ limitou-se a cumprir calendário e a dar alguma experiência a Bruno Armirail e eventualmente seria o objectivo para Benjamin Thomas, que, no entanto, abandonou após a 11ª etapa.

Cofidis: A equipa francesa Profissional Continental (que pode estar a caminho do World Tour) tem alcançado resultados bem melhores na Vuelta do que no Tour. Tal como em 2018 vestiu a camisola vermelha, ainda que por um dia, com Nicolas Edet, com Jesús Herrada - que tinha sido líder há um ano - a ganhar uma etapa. O irmão, José, também esteve perto. Foi uma equipa combativa e sai da Vuelta com o sentimento de missão cumprida.

Trek-Segafredo: John Degenkolb está de saída e tirando a vitória na etapa de Roubaix no Tour em 2018, não vai deixar saudades. Esteve desaparecido na Vuelta. Gianluca Brambilla nunca mais foi o ciclista dos tempos da QuickStep e a restante equipa pouco se mostrou, perante a fraca exibição das duas principais figuras. Edward Theuns quase salvou a honra, mas perdeu ao sprint frente a Sam Bennett na terceira etapa. Vuelta fraca da equipa americana.

EF Education-First: Correu quase tudo mal à formação dos Estados Unidos. Levou um dos blocos mais fortes, mas na sexta etapa perdeu Rigoberto Uran e Hugh Carthy numa queda e nesse mesmo dia, Tejay van Garderen, que ia na fuga, também caiu e não partiu na tirada seguinte. Daniel Martínez desiludiu, mas Sergio Higuita confirmou as expectativas. O primeiro colombiano falhou o Tour por lesão, regressou com uma vitória nos Jogos Pan-Americanos, mas ficou doente, o que prejudicou a sua preparação para a Volta a Espanha. Ainda não foi desta que confirmou credenciais na luta pela geral. Já o estreante Higuita venceu uma etapa em que esteve praticamente os 178 quilómetros em fuga, os últimos sozinho. 22 anos de um talento que irá à procura de se tornar também ele um grande voltista da Colômbia.

Caja Rural: Merecia mais. Equipa muito lutadora que ficou tão perto de ganhar uma etapa, mas acabou por ser a única Profissional Continental que não o conseguiu fazer. Alex Aranburu foi duas vezes segundo e somou mais boas prestações. Vai assinar por duas temporadas pela Astana. Jonathan Lastra também andou muito em fuga e a desilusão foi o russo Sergei Chernetski, que deveria ter-se mostrado na montanha e procurado um bom lugar na geral. Foi 111º, a mais de quatro horas de Roglic. Também Domingos Gonçalves ficou aquém das expectativas, na sua estreia em grandes voltas. Não se viu em fugas e foi uma pena não ter conseguido mostrar aquela sua característica garra quando está em boa forma. Abandonou, não partindo para a 14ª etapa.

CCC: Quando é um ciclista mais forte no sprint a mostrar-se em fugas em etapas de montanha, Jonas Koch, diz muito sobre uma equipa. A CCC foi outra equipa a passar despercebida, esperando que pelo menos tenha servido para que um jovem talentoso como Will Barta tenha ganho experiência para se mostrar no futuro. Vuelta fraca da formação polaca a precisar de bons reforços para 2020.

Burgos-BH: Ángel Madrazo fez a Volta a Espanha de uma Burgos-BH a precisar e muito de uma boa prestação. O espanhol de 31 anos venceu uma etapa e foi durante 14 dias líder da classificação da montanha. Porém, gastou muitas forças na primeira metade da Vuelta e até aparecer Geoffrey Bouchard (AG2R), ninguém estar interessado naquela camisola. Quando o francês entrou na disputa, Madrazo e a Burgos-BH não teve capacidade para defender a liderança. Porém, a equipa conseguiu muito mais do que apenas mostrar o equipamento e tem de ser considerada uma boa corrida de uma Burgos-BH, que foi sempre colocando ciclistas em fugas à procura de mais. Quanto aos dois portugueses, não se viu Ricardo Vilela nas etapas de montanha como se esperaria (105º, a 4:04.24 horas) e na estreia numa grande volta, Nuno Bico sai de Espanha como o lanterna vermelha (153º, a 5:56.02). Numa corrida tão difícil, Bico terminou, o que foi o mais importante para quem foi para a Burgos-BH para recuperar a alegria de competir. E muitos foram os que não chegaram ao fim desta difícil 74ª edição da Volta a Espanha.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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13 de setembro de 2019

Não vale tudo para ganhar

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Não é uma atitude inédita, não há nada nos regulamentos que a proíba, mas o fair play não é uma treta, mesmo quando uma das equipas mais importantes do pelotão internacional, que tem nas suas fileiras o campeão do mundo, resolve quebrar a mais básica das regras de respeito no ciclismo. Atacar a corrida quando o líder tinha ficado envolvido numa queda foi uma atitude de baixo nível para a formação espanhola, com repercussões que podem ir muito além das críticas de que está a ser alvo de ciclistas e até antigos corredores. Ninguém vai esquecer tão cedo o que a Movistar fez.

A queda deu-se aos 65 quilómetros. Foi grave ao ponto do médico da corrida pedir a presença da ambulância, com vários ciclistas no chão. Tony Martin, companheiro de Primoz Roglic na Jumbo-Visma abandonou com um ferimento no olho e Marco Marcato (UAE Team Emirates) também não retomou a prova. Houve mais ciclistas afectados que demoraram a conseguir regressar à corrida. O líder, Primoz Roglic, não sofreu qualquer problema físico, mas teve de trocar de bicicleta. Miguel Ángel López (Astana), quarto na geral, ficou com mais uns arranhões. Os ciclistas da Jumbo-Visma e da Astana ficaram quase todos envolvidos na queda. Quando recomeçaram a pedalar foram surpreendidos com a decisão da Movistar em atacar.

A regra de respeito, vamos chamar assim, tem normalmente a excepção se a corrida já estiver lançada. Ou seja, se a Movistar já estivesse ao ataque quando se deu a queda, a reacção seria um pouco diferente, ainda que provavelmente nunca pacífica. Porém, não foi isso que aconteceu. A Movistar acelerou depois da queda. Marc Soler, José Joaquín Rojas e Nelson Oliveira receberam ordens para aumentar o ritmo, levando com eles Alejandro Valverde, o campeão do mundo e segundo na Vuelta.

Atitude feia, de falta de fair play e que apenas passou a imagem de uma equipa que ao não conseguir derrotar Roglic e a Jumbo-Visma na luta de igual para igual, tentou explorar o azar do líder da Volta a Espanha. Muitas eram as cabeças a abanar de ciclistas de outras equipas em sinal de repreensão à postura Movistar. No final houve críticas, mas nenhuma como a de López: "Os [ciclistas] da Movistar são sempre os mesmos estúpidos que fazem estas coisas. São sempre os mesmos tontos. [...] Estas acções estúpidas são o que a equipa do campeão do mundo faz. É com isso que estamos a lidar. Que campeão do mundo temos!" O colombiano escreveria mais tarde no Twitter um pedido de desculpas pelas palavras utilizadas, explicando que foi no calor do momento.

O colombiano da Astana não escondeu em nada o que sentia perante a acção da Movistar e de Valverde. O espanhol é uma voz de liderança no pelotão, mas não foi o exemplo que se esperaria numa situação como esta e este tipo de atitudes não são esquecidas, com a Movistar arriscar a ficar isolada não só nesta Vuelta, mas noutras corridas também. No final das etapas, Valverde é dos ciclistas que fala praticamente sempre aos jornalistas. Desta feita, rapidamente se afastou recusando fazer qualquer comentário.

A equipa emitiu entretanto um comunicado a pedir desculpa, repetindo o que o seu director desportivo José Luis Arrieta já tinha dito, ou seja, que o ataque já estava programado, para aproveitar o vento. Lê-se que a Movistar nunca quis tirar partido da queda dos rivais e a equipa pede ainda para que haja "um critério único, tanto por parte das equipas, como do regulamento da corrida, sobre como actuar em situações como esta".

As desculpas de pouco servirão, mas o comunicado refere a outra questão em causa nesta 19ª etapa. Os comissários da UCI, perante o ataque da Movistar, decidiram permitir que os ciclistas atrasados pudessem aproveitar os carros para chegar ao grupo da equipa espanhola. Arrieta ficou furioso e foi quando deu ordem aos seus ciclistas para parar o ataque. Já tinham sido percorridos 15 quilómetros. A decisão dos comissários surpreendeu, pois no regulamento nada proíbe uma equipa de atacar só porque o líder sofreu uma queda ou outro problema. Pode ter sido uma decisão feita na perspectiva de manter a verdade desportiva, mas fica aberto um precedente para situações futuras.

Rémi Cavagna, mais um jovem a triunfar na Vuelta

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Como se esperava, a Volta a Espanha está a ser marcada pelas boas prestações de ciclistas com menos de 25 anos. Na etapa entre Ávila e Toledo (165,2 quilómetros), polémicas à parte, Rémi Cavagna estreou-se a ganhar numa grande volta ao estilo do veterano companheiro de equipa Philippe Gilbert. O francês, de 24 anos, deixou o grupo que estava em fuga com mais de 20 quilómetros ainda por cumprir.

Com tanta confusão no pelotão, a perseguição à frente da corrida começou mais tarde. Cavagna não esteve longe de ver a vitória escapar-lhe quase sobre o risco de meta, mas aguentou na subida em empedrado em Toledo. Pela segunda vez, Sam Bennett viu um homem da Deceuninck-QuickStep ficar à sua frente após um ataque, desta feita mais distante, já que Gilbert precisou de "apenas" uns metros para ganhar a sua segunda etapa há uns dias, frente ao irlandês da Bora-Hansgrohe. E já são quatro etapas da Vuelta para a equipa belga.

Na geral acabou por ficar tudo na mesma. A vitória e o restante pódio na Vuelta serão decididos este sábado com Roglic a ter mais 2:50 minutos sobre Valverde, 3:31 sobre Nairo Quintana (Movistar), 4:17 sobre Miguel Ángel López e 4:49 sobre Tadej Pogacar (UAE Team Emirates).

Classificações completas, via ProCyclingStats.

20ª etapa: Arenas de San Pedro - Plataforma de Gredos (190,4 quilómetros)


Seis contagens de montanha e com o vento a poder ter um papel importante para dificultar ainda mais a missão de Roglic, isto partindo do princípio que, sendo a última oportunidade para definir a geral, vão haver ataques. A ausência de Tony Martin será um rude golpe para a Jumbo-Visma no controlo da etapa, não esquecendo que perdeu no início da Vuelta Steven Kruijswijk.

Os ciclistas vão terminar as subidas praticamente sempre acima dos mil metros de altitude e a primeira categoria a enfrentar pode não ter pendentes muito difíceis - a média é de 4,4% -, mas tem 18,4 quilómetros. Depois o pelotão descerá um pouco, antes de voltar logo a subir mais nove quilómetros com dificuldade idêntica. A última primeira categoria da Vuelta será novamente extensa: Puerto de Peña Negra tem 14,2 quilómetros, a 5,9% de pendente média. E para terminar, a 1750 metros de altitude, estará a Plataforma de Gredos, uma terceira categoria com 9,4 quilómetros a 3,8% de média.

Com tanto desgaste na etapa e de toda uma Vuelta tão montanhosa, não serão uns quilómetros finais fáceis para ninguém.

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12 de setembro de 2019

Da vitória no Alentejo à conquista de Espanha

(Fotografia: © La Vuelta)
Sergio Higuita chegou ao World Tour em Maio e não perdeu tempo para deixar a sua marca. Era esse o seu objectivo, pois o pequeno colombiano é grande em ambição e ainda maior na dedicação a trabalhar para alcançar o topo. Cerca de um mês antes de disputar a Volta a Califórnia com Tadej Pogacar, Higuita esteve na Volta ao Alentejo, tendo ganho na etapa que terminou em Portalegre. Meio ano depois atingiu o ponto mais alto da sua curta carreira. Até agora, claro, pois a vitória na 18ª tirada da Vuelta é apenas o início de um caminho que muito promete para este jovem colombiano.

Higuita é mais um dos ciclistas da nova geração que está a afirmar-se muito rapidamente ao mais alto nível. Foi um dos atletas que conseguiu na Manzana Postobón mostrar o seu talento, convencendo os responsáveis da EF Education First. No entanto, a equipa americana preferiu colocar o ciclista na Fundação Euskadi na primeira parte do ano, de forma a permitir uma maior adaptação à realidade europeia. Numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, Higuita afirmava que estava a ser uma uma experiência positiva, principalmente para se adaptar ao Inverno na Europa, já que pela Manzana Postobón tinha realizado algumas corridas no Velho Continente.

A aposta da EF Education First em colocá-lo na formação espanhola foi acertada. Higuita evoluiu o suficiente para entrar pela porta grande no World Tour. Higuita sabia que a sua estreia seria na Volta à Califórnia. Logo então ficou bem clara a ambição do jovem colombiano, que queria apresentar-se forte na nova equipa. Foi segundo, a 16 segundos de Pogacar (UAE Team Emirates). Estava feita a apresentação no World Tour. Foi quarto na Volta à Polónia e chegou à Vuelta com direito a receber muita atenção, numa equipa com Rigoberto Uran e Daniel Martínez, dois compatriotas, um já veterano e outro também visto como grande promessa.

Aos 22 anos, Higuita enfrentou a Vuelta como enfrentou a sua chegada ao World Tour. Sem medo, com vontade de mostrar-se, com ainda mais vontade de vencer. A sua impetuosidade já lhe criou alguns dissabores, pois por vezes desgasta-se desnecessariamente. Porém, a Vuelta também está para aprender. É por isso que está com liberdade e sem responsabilidade. Mas também é verdade que a mesma impetuosidade teve um papel importante na sua vitória de etapa esta quinta-feira, em Becerril de la Sierra.

O jovem colombiano esteve ao ataque praticamente desde o primeiro quilómetro. Não teve problema em trabalhar para tentar manter a fuga, no que poderia parecer que estava novamente a desperdiçar forças. Mas desta feita encontrou as que precisava para aproveitar a vantagem que ganhou na descida antes da última subida do dia. Como a etapa não terminava em alto, ainda teve quase 30 quilómetros em plano ou em descida para manter à distância (15 segundos na meta) o quarteto de perseguidores: Primoz Roglic, Alejandro Valverde, Miguel Ángel López e Rafal Majka.

Foram 178,2 quilómetros que Higuita não esquecerá, mesmo que pela frente lhe esperem grandes conquistas. E a EF Education First também se irá lembrar como o jovem que chegou a meio da época garantiu a única vitória de etapa numa grande volta em 2019 para a equipa. A aposta na Vuelta foi forte, mas a queda na sexta etapa deixou Uran no hospital (está a recuperar de graves lesões) e também Hugh Carthy abandonou. Tejay van Garderen sofreria outra queda que o levaria a deixar a corrida no dia seguinte. Higuita também caiu com Uran e Carthy, mas aí está ele, a transformar a sua enorme ambição em vitórias.

Já se pode mostrar optimismo

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Foi Primoz Roglic quem admitiu que pode mostrar algum optimismo, mas acrescenta de imediato que é necessário manter a concentração. A louca etapa de quarta-feira deixou marcas em todos e, sem surpresa, principalmente em Nairo Quintana. Depois de recuperar mais de cinco minutos, o colombiano perdeu um. Ainda está no pódio, mas foi novamente ultrapassado pelo companheiro da Movistar, Alejandro Valverde. Porém, mais uma vez, Quintana falhou onde deveria ser mais forte: na montanha.

Foi Miguel Ángel López quem tentou assustar Roglic. A Astana jogou as cartas na perfeição, mas o esloveno da Jumbo-Visma não se assusta facilmente nesta Volta a Espanha, não revela qualquer debilidade, apenas mostra a capacidade de manter a calma quando é atacado e, ao seu ritmo, não deixa os rivais escapar. Foi assim com López. O colombiano chegou a ganhar uma vantagem que nunca foi muito além dos 20 segundos, mas Roglic manteve-se com Valverde e acabaria por apanhar López.

Faltam apenas dois dias para a Movistar e a Astana encontrarem forma de quebrar Roglic. A tirada desta sexta-feira começa com uma terceira categoria, tem algum sobe e desce, mas sem subidas muitos complicadas ou categorizadas. O vento poderá marcar presença, pelo que a Jumbo-Visma terá de estar atenta para não deixar Roglic sozinho, como aconteceu na quarta-feira, caso alguma equipa tente partir o pelotão. Com as forças a escassearem, também é possível que se guarde os últimos ataques para sábado, para as derradeiras montanhas.

Valverde está a 2:50 minutos de Roglic, Quintana a 3:31 e López a 4:17. Trabalhou tanto na 18ª etapa, mas Roglic até foi segundo e bonificou seis segundos. Para o colombiano o esforço valeu a pena para recuperar a liderança da juventude. Ultrapassou Pogacar, que ficou agora a 32 segundos de López.


Classificações completas, via ProCyclingStats.

19ª etapa: Ávila - Toledo (165,2 quilómetros)


Tem tudo para ser uma etapa para os sprinters, mas atenção ao vento e ao quilómetro final. Será em subida e em empedrado, pelo que trará uma dificuldade extra para a preparação do sprint, caso não seja uma fuga a triunfar, como tem sido tão habitual na Vuelta.




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11 de setembro de 2019

A etapa de loucos que recolocou Quintana na luta pela geral

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
Se na segunda-feira assistiu-se a uma das etapas de montanha mais aborrecida das grandes voltas este ano, esta quarta-feira assistiu-se a uma das melhores sem montanha de 2019 e de há muito tempo! Foi simplesmente um dia de loucos, palavra utilizada por muitos dos ciclistas, que estão de acordo ao considerarem que viveram um momento inesquecível e talvez até único numa carreira. Philippe Gilbert, o vencedor da etapa, é há 17 anos profissional e admitiu que nunca tinha visto algo igual. Foram 219,6 quilómetros - a tirada mais longa da Volta a Espanha - feitos a uma média de 50,63 quilómetros por hora! Entre a velocidade e o vento foi o caos. E até houve algum pânico, principalmente na Jumbo-Visma e houve também mais uma reviravolta: Nairo Quintana está de regresso na luta pela vitória.

É de deixar qualquer adepto da modalidade ainda mais apaixonado ao ver que na terceira grande volta do ano, com os ciclistas com tantos quilómetros já feitos, há vontade (e força) para dar um espectáculo destes, numa etapa que poderia muito bem ter sido encarada como uma para fazer com calma, um dia para os sprinters, com os homens da geral a pensar mais no que aí vem amanhã, quinta-feira. Poderia, mas não foi.

O vento fazia-se sentir na partida em Aranda de Duero e desde logo se percebeu no pelotão que alguém iria aproveitar esse factor. Talvez não se pensasse que ainda nem estivessem decorridos cinco quilómetros e já estavam 40 corredores a fugir, incluindo Quintana, acompanhado por três ciclistas da Movistar, entre eles Nelson Oliveira. O outro destaque era para os seis homens da Deceuninck-QuickStep que foram os principais responsáveis pelo ritmo alto, com a ajuda de equipas como a Movistar e Sunweb, por exemplo.

Lá atrás, Primoz Roglic acabou por ter um teste surpresa. O esloveno passou, a equipa nem por isso. É certo que houve um desgaste na perseguição e para garantir que Roglic ficava com Alejandro Valverde (Movistar), Miguel Ángel López (Astana) e Tadej Pogacar (UAE Team Emirates). Porém, numa subida não categorizada (não houve nenhuma nesta 17ª etapa), a Movistar acelerou e toda a Jumbo-Visma ficou para trás. Roglic ficou isolado e bem pode agradecer à Astana por provavelmente ainda estar de vermelho.

Quintana começou o dia a 7:43 minutos de Roglic. Estava mais do que afastado da luta pela vitória. Terminou a 2:24! Foi a Astana que assumiu o grupo, mais pequeno do que aquele que estava na frente (entretanto já reduzido a cerca de metade), e com a ajuda de um ciclista da Bora-Hansgrohe evitou o pior para Roglic, ainda que não tenha evitado que o seu próprio líder, López, caísse para quinto e tivesse agora mais um rival com quem se preocupar na luta pelos menos pelo pódio. A Astana ainda viu o seu líder a ser sancionado com dez segundos, tal como Jakob Fuglsang. Segundo a Marca, o dinamarquês terá empurrado o seu companheiro, numa ajuda ao colombiano e os comissários castigaram os dois. López está agora a 4:09 minutos de Roglic. Em quarto está Pogacar, líder da juventude - está em luta com López -, a 3:42.

Houve algum pânico entre os responsáveis da Jumbo-Visma e ficou a certeza que a equipa não pode deixar Roglic abandonado como aconteceu esta quarta-feira. Quando a etapa de loucos chegou ao fim em Guadalajara, não houve ciclista que não precisasse de recuperar o fôlego. Falta saber se vão recuperar para esta quinta-feira aguentar a muita montanha que o pelotão terá pela frente.

Roglic acabou por não perder assim tanto tempo. Quintana passou Valverde, que continua a 2:48, mas são ainda mais de dois minutos para o esloveno gerir. E Quintana tem falhado na montanha, tendo ganho uma etapa num dia com poucas dificuldades. Ou seja, as suas melhores exibições aconteceram em terrenos que não eram os mais propícios para as suas características, mas acaba por fraquejar nas etapas que deveria estar bem.

Porém, deixar o colombiano reentrar nas contas dá uma arma importante à Movistar, que tem duas cartas para jogar. O líder da Jumbo-Visma continua bem encaminhado para uma vitória histórica, mas nada está garantido e qualquer um dos candidatos pode pagar caro o enorme esforço da etapa de hoje, depois do dia descanso.

Neste dia de loucos, Wilco Kelderman da Sunweb (a 5:05 minutos) e James Knox da Deceuninck-QuickStep (a 8:03) entraram no top dez, de onde saíram Nicolas Edet (Cofidis) e Hermann Pernsteiner (Bahrain-Merida). Quem também não teve um dia fácil foi Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), que chegou mais de 23 minutos depois de Gilbert. Desceu quatro posições na geral, sendo 19º a 35:33, numa altura em que se fala que a Lotto Soudal estará interessada no português.

(Fotografia: © La Vuelta)
Para a história ficará a terceira etapa mais rápida de sempre na Vuelta, que Lawson Craddock chamou de "etapa que viverá na infâmia" quando colocou os seus dados no Strava. E claro, ficará também para a história a sétima vitória de etapa em Espanha de um Philippe Gilbert em grande forma aos 37 anos, pois foi o seu segundo triunfo na corrida. Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) tentou sozinho contrariar o trabalho de seis ciclistas da Deceuninck-QuickStep, mas estava escrito que seria um dia para a equipa belga e para o grande ciclista que é Gilbert.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

18ª etapa: Comunidad de Madrid. Colmenar Viejo - Becerril de la Sierra (177,5 quilómetros)


É uma etapa com percurso idêntico àquela que proporcionou uma reviravolta na classificação em 2015, quando Fabio Aru tirou a liderança a Tom Dumoulin, acabando por conquistar aquela que é a sua única grande volta. O italiano já abandonou, o holandês está a recuperar da lesão no joelho contraída no Giro.

Os actores principais serão outros e terão quatro primeiras categorias para ultrapassar, com a etapa a não ter chegada em alto, ao contrário do que tem sido normal, apesar de terminar com uma pequena subida. Qualquer uma das subidas categorizadas acaba acima ou dos 1700 ou dos 1800 metros de altitude. Não haverá aquelas pendentes brutais de 20%, mas serão subidas longas e desgastantes. Puerto de Navacerrada: 11,8 quilómetros a 6,3% de pendente média; Puerto de la Morcuera: 13,2 a 5%; Puerto de la Morcuera: 10,4 a 6,7%; Puerto de Cotos: 13,9 a 4,8%.




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