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15 de dezembro de 2019

Rádio Popular-Boavista com razões para celebrar e a contratar para a montanha

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A época foi boa. Muito boa. A Rádio Popular-Boavista foi combativa praticamente toda a temporada, com Luís Mendonça a destacar-se e a aproveitar a oportunidade de não ter de partilhar lideranças. Quando chegou a Volta a Portugal, as individualidades destacaram-se à vez, dando força a um colectivo que conseguiu que a experiência triunfasse, mas com a juventude a confirmar ser uma aposta ganha.

Com a Volta a ser o palco de eleição para as equipas portuguesas, uma das mais antigas do pelotão nacional realizou uma corrida para mais tarde recordar. Luís Gomes (foi também rei da montanha) e João Benta conquistaram etapas. Só a W52-FC Porto foi superior na classificação por equipas, pois a Rádio Popular-Boavista terminou a corrida com três ciclistas no top dez: Benta (6º e uma presença habitual), David Rodrigues (7º) e Daniel Silva (9º). Além destes resultados, foram constantes as presenças em fugas dos corredores, sempre à procura de mais e melhor.

Nada de novo na forma de competir desta equipa. E foi por isso que Luís Mendonça encaixou tão bem na Rádio Popular-Boavista, depois de dois anos na Aviludo-Louletano. Não sentiu minimamente a responsabilidade de preencher a vaga deixada pelo ciclista que tantas vitórias deu em 2018: Domingos Gonçalves (seis). Mendonça é um corredor que gosta de estar bem praticamente toda a temporada e apesar de ter somado vários segundos lugares (prova de como está sempre disponível para lutar por vitórias em quase todo o tipo de terreno, sendo mais forte ao sprint), conseguiu conquistar a Taça de Portugal, a primeira etapa e a geral do Troféu O Jogo. A pequena frustração aconteceu na Volta. Foi importante no trabalho para a equipa, mas continua a faltar-lhe a etapa que tanto persegue. Vai agora à procura dessa vitória na Efapel.

Daniel Silva fecharia a contagem de vitórias da equipa em 2019 no Grande Prémio de Mortágua, naquele que foi a melhor temporada desde o seu regresso. E aos 34 anos vai continuar a ser uma das vozes de liderança de uma Rádio Popular-Boavista que poderá não ter os mesmo argumentos financeiros de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas que reforçou-se a pensar ainda mais na montanha. Chegará um dos ciclistas mais consistentes do pelotão: Luís Fernandes. Depois de Sporting-Tavira e Aviludo-Louletano, é numa equipa do Porto que irá ter mais espaço para mostrar o que já se conhece deste atleta. É dos melhores trepadores em Portugal e aos 32 anos não lhe falta experiência e aquele espírito combativo que tanto agrada a José Santos.

Fernandes juntar-se-á a Benta, Silva e Rodrigues, num bloco muito interessante, sem esquecer o jovem Hugo Nunes. E este ciclista vai ter a companhia de Gonçalo Carvalho. Ambos representaram a Miranda-Mortágua, mas Carvalho optou por competir em França em 2019, no UC Mónaco. Volta agora para o seu país, sendo mais um trepador de talento, que tem sido presença regular nas selecções jovens.

Mas destaque-se Hugo Nunes, um dos exemplos de como a aposta na juventude compensou. Chegou à Rádio Popular-Boavista cotado como um dos melhores enquanto sub-23 e não desiludiu. Aproveitou este passo para evoluir junto a trepadores de referência como João Benta e Daniel Silva. Fiável no trabalho para os companheiros, não deixou de agarrar os momentos em que lhe era concedida mais liberdade. É um ciclista a seguir em 2020, tal como Carvalho e Afonso Silva. No seu primeiro ano como sub-23, o alentejano mostrou que está a adaptar-se bem pelotão de elite.

Para 2020, José Santos irá começar a aproveitar o projecto de formação sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural. Vinício Rodrigues é o primeiro a dar o salto. Já Pedro Silva, do Seissa-Roriz, passará directamente do escalão de juniores para a Rádio Popular-Boavista e difere das características de muitos companheiros. É um bom rolador e forte no sprint.

A maior surpresa nos reforços chama-se Alberto Gallego. O espanhol cumpriu quase quatro anos de suspensão por doping, depois da sua defesa de contaminação não ter convencido a UCI. Após boas prestações precisamente na Rádio Popular-Boavista (foi terceiro no Troféu Joaquim Agostinho, por exemplo), Gallego preparava-se para representar a Caja Rural, mas foi suspenso ainda antes da primeira corrida pela nova equipa. Aos 29 anos recebe agora um voto de confiança por parte de um director que o conhece tão bem e será mais um ciclista para a montanha.

Com as corridas no calendário nacional a terem a maioria dificuldades montanhosas, à Rádio Popular-Boavista não lhe faltam alternativas para mais uma vez ser muito combativa toda a temporada, mesmo com as saídas de elementos importantes como Mendonça e Luís Gomes (Kelly-InOutBuild-UDO). E claro, os olhos estão bem postos em chegar novamente ao pódio na geral da Volta a Portugal, com Daniel Silva a ter sido o último em 2016.

Equipa para 2020: João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues, Afonso Silva, Hugo Nunes, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), Gonçalo Carvalho (UC Mónaco), Vinício Rodrigues (JV Perfis-Gondomar Cultural), Pedro Silva (Seissa-Roriz), Alberto Gallego (sem equipa).

»»Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos««

»»Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport««

17 de agosto de 2019

Rádio Popular-Boavista imparável

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se há equipa que parece não querer tirar o pé do acelerador neste final de época é a Rádio Popular-Boavista. Depois de uma excelente Volta a Portugal, só houve uma mexida na equipa para o Grande Prémio de Mortágua, com o jovem João Salgado e entrar para o lugar do espanhol Pablo Guerrero. E aqueles que foram figuras na Volta, uma semana depois lá estiveram novamente na luta e com Daniel Silva a conquistar a vitória. Mas não foi o único a subir ao pódio da equipa.

Logo ao seu lado esteve David Rodrigues, que fez top dez na Volta. Luís Mendonça (12º em Mortágua) ficou com a classificação das metas volantes e a Rádio Popular-Boavista ainda venceu colectivamente. João Benta - ganhou uma etapa na Volta - foi oitavo, Hugo Nunes 13º e Luís Gomes - rei da montanha e vencedor de uma etapa na Volta - 25º. Foi a primeira vitória do ano para Daniel Silva, a sexta da equipa. Pode estar longe das 17 da W52-FC Porto, mas a formação de José Santos está a três da Efapel. E dada a atitude dos seus ciclistas, a Rádio Popular-Boavista quer tentar somar mais algumas numa fase da época dominada pelos tradicionais circuitos, antes das duas corridas de estrada finais, em Setembro.

Os 144 quilómetros por Mortágua foram marcados por muitos ataques, o que levou a que a fuga que chegou a vingar de sete ciclistas, acabasse por ser apanhada. Mas foi precisamente com um ataque perfeito que Daniel Silva escapou para cortar a meta isolado, com o companheiro David Rodrigues a chegar 22 segundos depois. Hugo Sancho ficou novamente perto de uma vitória, sendo terceiro a 29 segundos, num triunfo que era muito desejado pela Miranda-Mortágua, que corria em casa. Ainda assim, foi uma importante subida ao pódio de um ciclista que, tal como os da Rádio Popular-Boavista, mantém o ímpeto da Volta a Portugal.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
E junta-se a esta lista Luís Fernandes. Foi um dos homens em destaque da Volta da Aviludo-Louletano e venceu a classificação da montanha em Mortágua. A juventude ficou para Venceslau Fernandes (UD Oliveirense-InOutBuild), enquanto Guilherme Simão (Sicasal-Constantinos) foi o melhor entre as equipas de clube.

De referir ainda, que terminaram no top dez Tiago Machado e o campeão nacional José Mendes, duas das principais figuras do Sporting-Tavira e que ficaram muito aquém do esperado na Volta a Portugal. O clube de Alvalade deverá estar a despedir-se do ciclismo e conta apenas com duas conquistas em 2019

Segunda-feira arrancam os circuitos: Bombarral, dia 19; Alcobaça, 20 - inclui a quinta Prova Taça de Portugal Paraciclismo -; Póvoa da Galega, 24; Malveira, 25; Moita e Nafarros realizam-se no mesmo dia: 26.

A 1 de Setembro disputa-se a Volta a Albergaria, com a Clássica Rota da Filigrana a estrear-se este ano no calendário, a 14 do mesmo mês. O Festival de Pista de Tavira irá encerrar oficialmente a época a 5 de Outubro, como tem sido habitual.

»»Recta final de temporada em Portugal com poucas corridas mas com uma estreia««

»»As equipas da Volta a Portugal uma a uma««

24 de novembro de 2018

Uma época para recordar

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminar uma temporada e ver que um dos ciclistas de quem muito se exigiu, cumpriu plenamente e ainda houve mais corredores a ter um ano de sucesso, então só pode ser um 2018 muito feliz para a Rádio Popular-Boavista.

Em Fevereiro, o director José Santos disse sobre Domingos Gonçalves: "Acho que ele tem de assumir mais responsabilidade e acho que tem de ter mais cabeça e sangue frio para assumir a liderança da equipa em algumas corridas." No fim de Agosto, o gémeo tinha somado seis vitórias, incluindo os dois títulos nacionais (contra-relógio e de fundo) e uma etapa na Volta a Portugal. Se Gonçalves centrou muita atenção em si, houve mais. David Rodrigues juntou a conquista da Taça de Portugal e aquela memorável exibição na etapa da Senhora da Graça merecia mais. E a equipa não ficou por aqui, numa temporada plena de razões para celebrar.

Este foi um ano de muita qualidade para a Rádio Popular-Boavista, com 11 vitórias, só sendo ultrapassada pela W52-FC Porto. Com armas bem diferentes da equipa do Sobrado, a formação de José Santos conseguiu igualar a ambição a muitos e bons resultados. E Domingos Gonçalves é o nome incontornável de 2018.

Respondeu por completo ao repto do seu director desportivo, começando a ganhar na Clássica da Primavera, em Março, e só terminou com a conquista de um circuito, o de Alcobaça, em Agosto. Aos 29 anos, Gonçalves realizou a sua melhor temporada - ficou ainda com a medalha de prata no contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo - e a recompensa veio não só no formato de triunfos, mas também numa nova oportunidade na Caja Rural, equipa a que regressará em 2019, depois de por lá ter passado em 2016, então ao lado do irmão, José Gonçalves (Katusha-Alpecin).

Mas ter mais ciclistas a conseguir triunfos, é algo que José Santos queria ver. David Rodrigues confirmou o que pode fazer de melhor. Será difícil esquecer como a meta da Senhora da Graça ficou a 250 metros de uma vitória, quando Raúl Alarcón (W52-FC Porto) o ultrapassou. Foi fuga solitária de 70 quilómetros que merecia um final diferente. A mítica subida fica para ser conquistada noutra altura, mas Rodrigues sai de 2018 com a Taça de Portugal, uma etapa no Grande Prémio Abimota e um conjunto de exibições que elevaram o seu estatuto dentro da equipa, o que lhe poderá valer mais destaque no próximo ano.


Ranking: 4º (2037 pontos)
Vitórias: 11 (incluindo os dois títulos nacionais e uma etapa da Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Domingos Gonçalves (6)

Luís Gomes venceu no Grande Prémio Anicolor e, entre os estrangeiros, foi Óscar Pelegrí quem se mostrou com a vitória no Grande Prémio Abimota/Altice e uma etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Para a história ficam sempre os sucessos, mas a Rádio Popular-Boavista teve em muitas corridas sempre alguém em fugas ou na discussão das vitórias, com Domingos Gonçalves a ser uma presença assídua no top dez. Aliás, há que destacar também que terminou em nono na Volta, algo que nem estava nos seus planos. João Benta - o senhor regularidade quando se entra na fase final de preparação para a Volta - foi sexto, em mais uma prova que foi um ano feliz para a Rádio Popular-Boavista e que na corrida que mais se quer brilhar, a camisola desta equipa foi muito vista.

Se a aposta nos russos Egor Silin e Yuri Trofimov foi perdida, promover o regresso de Daniel Silva deu novo alento, ainda que talvez mais a pensar em 2019. O ciclista esteve suspenso, voltou à competição em Maio e não conseguiu atingir o nível de forma que o levou ao pódio na Volta em 2016. Porém, é um elemento importante e que poderá ser novamente uma aposta forte na próxima temporada. Em boa forma, poderá constituir uma dupla interessante com João Benta, sendo que se prepara para chegar a nova aposta da equipa.

É a pensar em repetir o sucesso desta época que José Santos contratou Luís Mendonça. Domingos Gonçalves será um homem difícil de substituir, mas no que diz respeito à vontade de vencer, ambos equiparam-se. Apesar da aposta tardia no ciclismo, os dois anos na Aviludo-Louletano-Uli permitiram a Mendonça evoluir de sprinter a um ciclista que sobe cada vez melhor e, aos 32 anos, alcançou a sua primeira grande vitória. Não fez por menos: a geral da Volta ao Alentejo. Na equipa algarvia, Vicente García de Mateos é o líder principal, pelo que a ida para a Rádio Popular-Boavista poderá ser uma forma de Mendonça encontrar mais liberdade. Para o ter contratado, José Santos vai apostar forte e exigir muito de Mendonça.

Entre os jovens, que fazem sempre parte desta estrutura, João Salgado mantém-se, com a contratação que chama mais a atenção ser a de Hugo Nunes. É um dos talentos a sair do Miranda-Mortágua. Tem sido escolha na selecção nacional, sendo um bom trepador que, aos 22 anos, dá um passo importante na carreira.

Um dos melhores juniores portugueses junta-se à equipa, Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana), enquanto de Espanha, da equipa amadora da Caja Rural, chega Antonio Gómez. João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes e David Rodrigues permanecem, além de Salgado. Entre as saídas, a não renovação de Pelegrí não deixou de ser um pouco surpreendente, dado os resultados, mas há outro adeus mais marcante. Depois de duas temporadas, Filipe Cardoso deixa a Rádio Popular-Boavista e vai com Pelegrí para a Vito-Feirense-BlackJack.

Veja aqui todos os resultados da Rádio Popular-Boavista em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Volta a Portugal desiludiu mas a Efapel teve razões para sorrir««

»»Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder««

3 de agosto de 2018

"Às vezes as coisas más tornam-se em positivas"

Durante seis meses não treinou. E não foi por ter ficado desmotivado numa altura em que cumpria uma suspensão. Daniel Silva aproveitou para criar o seu negócio, também a pensar na vida além do ciclismo. A tentação foi perguntar-lhe se estava relacionado com as bicicletas. "Comecei a comercializar frutos vermelhos no mercado em Vila do Conde. Agora já criei a loja online, com chocolates artesanais", respondeu. E há mais: "A nossa orientação é o mais artesanal e saudável possível e não industrial. Lançámos uma linha de compotas, 100% naturais. Vamos tentar que [a empresa] cresça mais." Com a Sirigaita (assim se chama) a até já ter sucesso internacionalmente em poucos meses de vida, ainda assim o chamamento do ciclismo foi irresistível. A Rádio Popular-Boavista manteve sempre as portas abertas para que pudesse competir novamente. 

Daniel Silva é peremptório em dizer que nada tem a provar após o que lhe aconteceu: "O que eu tinha de provar era na justiça. A mais ninguém. Não me ouviram a falar sobre nada, porque onde eu tinha de provar era na justiça, neste caso na ADOP [Autoridade Antidopagem de Portugal]." Ficava livre a partir de 1 de Maio e o ciclista começou logo por liderar o Grande Prémio Jornal de Notícias. "Não senti falta de ritmo, mas até posso sentir aqui na Volta, por isso é que também venho sem expectativas", contou ao Volta ao Ciclismo. Referiu que só começou a treinar a 1 de Janeiro, pois antes tinha uma vida mais "normal". Ou seja, treinava um pouco de manhã e à tarde dedicava-se ao seu negócio.

Por isso mesmo, reitera que na Volta a Portugal quer primeiro perceber como se sente antes de colocar qualquer fasquia. "Se calhar só vou ter alguma noção do meu estado de forma após a quarta etapa, na Serra da Estrela", salientou. Para já perdeu 17 segundos no prólogo e, caso não consiga estar na luta pela geral, uma etapa será um objectivo. "Após o dia de descanso, posso tentar entrar numa fuga em qualquer uma das etapas, mas há que ver como será com os outros ciclistas. Certamente que mais vão perder tempo até lá."

"Vamos ficar um pouco mais na expectativa nesta primeira fase, para ver o que pode fazer a W52-FC Porto e o Sporting-Tavira, que são as equipas mais fortes em termos de nome e em responsabilidade"

Enquanto espera para perceber como irá reagir o seu corpo à exigência da Volta a Portugal, Daniel Silva realça como a equipa tem mais duas armas: João Benta e Domingos Gonçalves. "São estes os homens com que temos de tentar estar na linha da frente, até porque as outras equipas também têm dois ou três ciclistas para a geral." E acrescentou: "Vamos ficar um pouco mais na expectativa nesta primeira fase, para ver o que pode fazer a W52-FC Porto e o Sporting-Tavira, que são as equipas mais fortes em termos de nome e em responsabilidade."

Mostra-se tranquilo neste seu regresso e recusa considerar que viveu um mau momento. "Às vezes as coisas más tornam-se em positivas. Até já digo que foi uma coisa boa que me aconteceu", afirmou. Daniel Silva ia mudar-se para a equipa brasileira Funvic quando foi suspenso. O processo arrastou-se porque a Agência Mundial Antidopagem suspendeu a acreditação do laboratório de Lisboa (entretanto já levantada) e o mesmo aconteceu com o de Madrid, para onde tinham sido transferidas as amostras do ciclista português. Daniel Silva acabaria suspenso por dois anos por um acto negligente.

"Consegui provar e assim levei o tempo que levei. Se fosse por dolo teria sido muito maior [a suspensão]." Fala novamente do seu negócio e de como aproveitou este tempo para pensar no seu futuro: "Já tenho 33 anos e não terei muitos mais no ciclismo." E será que os frutos vermelhos são bons para os ciclistas? "Os frutos vermelhos e o chocolate negro são ricos em antioxidantes e deviam fazer parte da dieta dos atletas", explicou.  Em Sirigaita.pt pode-se saber mais sobre o outro lado do ciclista Daniel Silva.

»»"Não falei com o Rui Costa. Devia ter-lhe perguntado [como era a Volta]?"««

»»"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"««

6 de abril de 2018

Sexto ciclista da Funvic com controlo positivo

A equipa que chegou a ser do escalão Profissional Continental, com planos de se transformar numa referência do ciclismo brasileiro e assim abrir portas aos seus corredores ao mais alto nível, continua a debater-se com grandes problemas de credibilidade. A Funvic regressou ao estatuto de amador, mas voltou a ser notícia pelas piores razões, com mais um dos seus ciclistas a ser apanhado nas malhas do doping. A lista continua a crescer e já são seis em menos de dois anos.

O mais recente é Roberto Silva, brasileiro de 35 anos e que recentemente participou na Volta ao Uruguai, ganha pelo companheiro Magno Nazaret. Segundo o site Ciclo 21, Silva foi suspenso pela UCI devido ao uso de substâncias dopantes, ainda que não tenham sido especificadas. Também não foi referido quando foi realizado o teste que deu positivo. O nome de Silva junta-se assim a Alex Diniz, Otavio Bulgarelli, Kleber Ramos, João Gaspar e Ramiro Rincón Díaz.

Estes dois últimos casos remontam à Volta a Portugal de 2016. O brasileiro abandonou à quinta etapa, enquanto o colombiano viria a ser o rei da montanha. Este processo ainda decorre e caso venha a ser confirmado o positivo, Rincón pode perder a camisola azul, com Joni Brandão, então na Efapel, a ter terminado em segundo naquela classificação. De recordar que a equipa brasileira chegou mesmo a cumprir uma suspensão de 55 dias  no ano passado, devido à reincidência de casos positivos em menos de um ano.

No que diz respeito a ciclistas portugueses, André Cardoso continua suspenso provisoriamente à espera da conclusão do processo. O ciclista de Gondomar deu positivo por EPO, num resultado anunciado a poucos dias da Volta a França de 2017 (27 de Junho), corrida que se preparar para competir pela primeira vez na carreira, ao lado de Alberto Contador. O contrato com a Trek-Segafredo era de apenas um ano, tendo terminado em Dezembro. Cardoso tem 33 anos e há cinco que estava no World Tour, quatro na estrutura da Cannondale. Antes esteve três temporadas na Caja Rural, enquanto em Portugal destacou-se ao serviço da equipa de Tavira. 

O jovem Rui Carvalho (22) está a cumprir uma suspensão de quatro anos pelo uso de esteróides anabolizantes durante a Volta a Portugal do Futuro, em 2015. O castigo termina a 17 de Julho do próximo ano. Mais cedo poderá ser o regresso de Daniel Silva (32 anos). Suspenso pela ADoP (Autoridade Antidopagem de Portugal) por 24 meses, por um acto considerado negligente, o antigo ciclista da Rádio Popular-Boavista - que assinou pela Funvic em 2017, mas nunca chegou a correr pela equipa brasileira -, poderá voltar à competição no próximo 1 de Maio.

Além de André Cardoso, há outro caso mediático que aguarda por uma solução final. Samuel Sánchez acusou uma hormona de crescimento pouco antes do arranque da Volta a Espanha. Porém, numa altura em que o espanhol ponderava terminar a carreira precisamente na Vuelta, a suspensão provisória acabou por precipitar essa decisão. Sánchez tem 40 anos.

»»Doping. Futura equipa de Daniel Silva suspensa até Fevereiro««

»»Brasileiro que competiu nos Jogos Olímpicos apanhado com doping. Sucessão de casos preocupa Brasil««

»»Está a cumprir 12 anos de suspensão, mas quer voltar a competir aos 40. Nem que tenha de criar uma equipa««

24 de maio de 2017

Equipa do português Daniel Silva suspensa pela segunda vez este ano

(Fotografia: Facebook Team Soul Brasil)
A Soul Brasil (antiga Funvic) vai cumprir 35 dias de suspensão, depois de mais dois casos de doping na equipa brasileira. Este ano, a formação que conta com o português Daniel Silva, já tinha estado afastada da competição durante 55 dias - uma parte ainda em 2016 - por três ciclistas terem dado positivo em testes anti-doping, dois deles durante a Volta a Portugal. A nova suspensão será cumprida entre 15 de Julho e 19 de Agosto, segundo anunciou a UCI.

Em causa estão irregularidades com o passaporte biológico de Alex Correia Diniz e com uma alegada manipulação após um teste anti-doping de Otavio Bulgarelli. Este último caso foi denunciado ao organismo internacional pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Nenhum dos ciclistas está actualmente com a Soul Brasil. Bulgarelli, de 32 anos, (campeão brasileiro em 2012) competiu pela última vez na Volta a Portugal, tendo abandonado na terceira etapa. Diniz, 31, não está em acção desde a Volta ao Lago Taihu, na China, em Novembro. Este ciclista tinha cumprido dois anos de suspensão, depois de ter testado positivo pelo uso de EPO em 2009.

Em Dezembro a equipa foi suspensa por 55 dias, depois de se conhecer que Wilson Ramiro Diaz e João Gaspar deram positivo em testes realizados na Volta a Portugal. O colombiano foi o vencedor da classificação da montanha. Estes testes positivos juntaram-se ao de Kleber Ramos, que realizou um antes dos Jogos Olímpicos, mas o resultado só foi conhecido depois.

A equipa contratou este ano o terceiro classificado da Volta a Portugal, Daniel Silva, que aos 31 anos escolheu ir para uma equipa estrangeira depois de seis anos na estrutura da actual Rádio Popular-Boavista. Todos estes casos estão a manchar a imagem de uma equipa que vai perdendo crédito, apesar de ter a licença Profissional Continental. Após a primeira suspensão conseguiu estar na Volta a Catalunha, muito devido ao facto de ter um catalão no seu plantel. Jordi Simón - terceiro classificado nos Nacionais em 2016 - foi o único ciclista da formação a terminar a corrida na Catalunha.

Esta segunda suspensão deve-se por serem dois casos e as regras da UCI determinam que quando há mais do que um caso de doping durante o ano, as equipas incorrem numa sanção que poderá afastá-las das competições de 15 dias a 12 meses.


28 de março de 2017

Mais dois casos de suspeita de doping na Funvic que arrisca nova suspensão

Funvic esteve na Volta à Catalunha, mas só um ciclista terminou
Em menos de um ano são já cinco os casos de doping de ciclistas com ligações à Funvic, equipa brasileira que este ano conta com o português Daniel Silva. Depois de ter cumprido 55 dias de suspensão, a Funvic arrisca agora um novo afastamento da competição, o que pode ir de 15 dias a 12 meses. A UCI já está a analisar estas novas situações, mas não adiantou quando irá anunciar a decisão.

Em causa estão irregularidades com o passaporte biológico de Alex Correia Diniz e com uma alegada manipulação após um teste anti-doping de Otavio Bulgarelli. Este último caso foi denunciado ao organismo internacional pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Nenhum dos ciclistas está actualmente com a Funvic. Bulgarelli, de 32 anos, (campeão brasileiro em 2012) competiu pela última vez na Volta a Portugal, tendo abandonado na terceira etapa. Diniz, 31, não está em acção desde a Volta ao Lago Taihu, na China, em Novembro. Este ciclista já cumpriu dois anos de suspensão depois de ter testado positivo pelo uso de EPO em 2009.

Em Dezembro a equipa foi suspensa por 55 dias, depois de se conhecer que Wilson Ramiro Diaz e João Gaspar deram positivo em testes realizados na Volta a Portugal. O colombiano foi o vencedor da classificação da montanha. Estes testes positivos juntaram-se ao de Kleber Ramos que realizou um antes dos Jogos Olímpicos, mas o resultado só foi conhecido depois. Perante os casos de doping, a Funvic viveu dias de incerteza quanto à atribuição da licença Profissional Continental. A confirmação só chegou depois de dois adiamentos para analisar a candidatura. Nessa altura, o director desportivo, Benedito Tadeu Azevedo, comprometeu-se a implementar mudanças para tentar garantir a credibilidade da equipa. "Haverá mudanças, como mais controlos internos e conversas com psicólogos desportivos sobre o tema do doping. Nunca mais se poderão repetir [os casos]", afirmou na altura.

Ao ser informado das duas novas suspeitas, a Funvic emitiu um comunicado, destacando que nenhum do ciclistas foi "flagrado com substâncias proibidas" e que os dois já não fazem parte da equipa. "Reiteramos que seguimos trabalhando com seriedade e desejamos êxito aos dois ex-ciclistas da equipa na busca pela verdade", lê-se na nota. A formação brasileira refere ainda que desde que recebeu uma licença Profissional Continental em 2016 que todos os seus ciclistas passaram a ter o passaporte biológico. Este ano a equipa juntou-se ao Movimento por um Ciclismo Credível, que tem regras mais rígidas do que a Agência Mundial de Antidoping.

A Funvic regressou à competição na Volta à Catalunha, beneficiando do facto de ter um catalão na equipa, Jordi Simón. Apesar de Murilo Affonso ter chegado a liderar a classificação da montanha numa fase inicial da corrida, a prestação da equipa foi fraca e só Simón terminou a prova, sendo 39º a 35:44 minutos do vencedor, Alejandro Valverde (Movistar).

O plantel da Funvic é constituído maioritariamente por brasileiros. Daniel Silva - terceiro na Volta a Portugal em 2016, ao serviço da Rádio Popular-Boavista -, Jordi Simón e o argentino Francisco Chamorro são os estrangeiros que completam a equipa.



22 de dezembro de 2016

Funvic com licença Profissional Continental confirmada. Director desportivo promete mudanças para evitar novos casos de doping

Três casos de doping em menos de um ano, uma suspensão de 55 dias, saída de patrocinadores. O futuro daquela que é a primeira equipa brasileira no escalão Profissional Continental parecia estar cada vez mais incerto. Porém, parece que não há nada que abale a confiança do director desportivo Benedito Tadeu Azevedo Júnior em manter vivo o projecto, que em 2017 contará com o português Daniel Silva, ciclista da Rádio Popular-Boavista que terminou no terceiro lugar na Volta a Portugal.

A suspensão da UCI termina a 12 de Fevereiro e o responsável, conhecido como Kid, só pensa em preparar a equipa para a temporada, ainda mais quando a UCI confirmou que a formação brasileira irá continuar a competir no escalão Profissional Continental, depois de dois adiamentos para reanalisar o pedido. Porém, em declarações ao site Ciclismo Internacional, Kid salientou que vão verificar-se várias mudanças, a começar nos patrocinadores e a acabar com o controlo interno para evitar novos casos de doping.

"Podemos passar a ter o nome de Soul Brasil Pro Cycling", afirmou o director desportivo, mostrando-se satisfeito por ter garantido a continuidade de um dos seus ciclistas mais importantes, Francisco Chamorro. Porém, apesar da perda de alguns patrocinadores, a maior preocupação é mesmo com o doping: "Haverá mudanças, como mais controlos internos e conversas com psicólogos desportivos sobre o tema do doping. Nunca mais se poderão repetir [casos]."

Em causa estão os três casos positivos no espaço de 12 meses e que poderia ter valido à equipa brasileira uma suspensão até um ano. A UCI definiu 55 dias. Em causa estão os casos de Kleber Ramos - realizou um teste antes dos Jogos Olímpicos, mas o resultado só foi conhecido depois - e de Wilson Ramiro Diaz e João Gaspar, ambos apanhados em testes feitos durante a Volta a Portugal. Diaz venceu a classificação da montanha da prova portuguesa. Os três ciclistas acusaram CERA, um estimulante que aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue.

»»Doping. Futura equipa de Daniel Silva suspensa até Fevereiro««

»»Doping. Vencedor da montanha na Volta a Portugal acusa positivo. Funvic, que contratou o português Daniel Silva, pode ser suspensa até um ano««

»»Brasileiro que competiu nos Jogos Olímpicos apanhado com doping. Sucessão de casos preocupa Brasil««