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31 de outubro de 2019

Regresso a Portugal de dois jovens ciclistas

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algumas das equipas portuguesas têm estado a anunciar os seus plantéis para 2020 e já se sabe que dois jovens vão regressar a Portugal para se estrearem como ciclistas de elite. Tiago Antunes e Gonçalo Carvalho vão reforçar a Efapel e a Rádio Popular-Boavista, respectivamente. O primeiro esteve as últimas duas temporadas no estrangeiro, enquanto o segundo trocou a Miranda-Mortágua pela U.C. Mónaco em 2019. Ambos são bons trepadores, mas terão papéis diferentes nas suas equipas.

Tiago Antunes, 22 anos (foto em cima), foi esta quinta-feira anunciado como reforço da Efapel, equipa que está a fortalecer o seu bloco, muito a pensar em dar a Joni Brandão mais e melhor apoio. Antunes fez parte da sua formação na Sicasal-Constantinos, mas em 2018, depois de feito o final de temporada na espanhola Aldro, surgiu o que parecia ser uma oportunidade de ouro. Abriram-se as portas do Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas em Abril Tiago Antunes deixou o projecto. Ao perceber que não iria competir em provas importantes como lhe havia sido dito, regressou à Aldro. Não ficou muito tempo, dando o salto para a SEG Racing Academy, uma das mais prestigiadas equipas de formação. Daquela estrutura saíram ciclistas como Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Cees Bol (Sunweb).

O ciclista português tem oscilado entre resultados de nota, inclusivamente pódios, com alguns abaixo das expectativas. Porém, continua a ser visto como um dos talentos jovens de grande potencial e a Efapel quer tentar que exibições como as que fez em Portugal na recta final desta temporada (venceu a Volta às Terras de Santa Maria da Feira, por exemplo) se tornem constantes, agora que poderá encontrar alguma estabilidade competitiva neste seu regresso a Portugal.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto a Gonçalo Carvalho (faz 22 anos a 3 de Dezembro - foto do lado direito) foi uma presença habitual esta época na selecção nacional de sub-23, tendo competido nas prestigiadas Ronde de l'Isard e Tour de l'Avenir. É um ciclista que encaixa muito bem numa Rádio Popular-Boavista que tanto gosta de corredores combativos, que gostem de arriscar e que não têm problemas em entrar em fugas. Apesar da sua juventude, o director desportivo José Santos sabe que poderá ver de Gonçalo Carvalho prestações como as de Hugo Nunes, que este ano foi um atleta incansável tanto na ajuda a companheiros, como a procurar também ele dar resultados à equipa. Será um reencontro entre ambos, já que representaram a Miranda-Mortágua antes de em 2019 seguirem caminhos diferentes.

De referir que a Rádio Popular-Boavista reforçou-se com o sub-23 da JV Perfis-Gondomar Cultural, Vinício Rodrigues, começando assim a cumprir-se um dos objectivos da criação desta equipa de formação, que passa por preparar ciclistas que eventualmente possam dar o salto para a estrutura de José Santos. Pedro Silva do Seissa-Roriz também foi contratado, assim como o espanhol Alberto Gallego, que regressa à competição depois de cumprir uma suspensão por doping. Luís Fernandes (Aviludo-Louletano) irá igualmente juntar-se a esta equipa. João Benta, Daniel Silva, David Rodrigues e Afonso Silva renovaram.

Quanto à Efapel, vai promover o júnior Diogo Almeida e contratou Gerard Armillas (Team Compak). Joni Brandão, Rafael Silva, Sérgio Paulinho, Pedro Paulinho vão continuar e a maior expectativa são os anúncios oficiais de três reforços de peso que têm sido dados como estando a caminho da equipa de Rúben Pereira: Tiago Machado (Sporting-Tavira), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e António Carvalho (W52-FC Porto).

Outras duas equipas têm estado a anunciar os ciclistas para 2020. A LA Alumínios-LA Sport de Hernâni Brôco confirmou a continuidade de Emanuel Duarte (vencedor da camisola da juventude na Volta a Portugal, conquistando depois a geral da Volta a Portugal do Futuro), David Ribeiro, Marvin Scheulen, André Ramalho, Gonçalo Leaça, Rodrigo Caixas, João Medeiros (estagiou com a equipa na segunda metade da temporada de 2019).

Pedro Silva, director desportivo da Miranda-Mortágua, vai contar com Hugo Sancho, Artur Chaves, Daniel Freitas, Gaspar Gonçalves, Pedro Pinto, dois reforços muito importantes como é o caso de Joaquim Silva (W52-FC Porto) e Ángel Sanchez (W52-FC Porto), juntando-se Leangel Linarez (Kuota-Construcciones Paulino, estagiou na equipa portuguesa a partir de Agosto).

Em todas as equipas aqui referidas, haverá mais novidades nos próximos dias.

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

19 de novembro de 2018

Miranda-Mortágua confirma talentos em ano de mudança

A vida de equipas de formação é assim. Desenvolve-se jovens talentos e quando são bons, é inevitável que partam para outros desafios, para equipas com outras ambições. O Miranda-Mortágua é uma das melhores estruturas para os ciclistas evoluírem e ao subir ao escalão Continental como sub-25, não mudou nada, apenas confirmou que tinha um grupo de jovens corredores forte e que seria difícil não vê-los seguir em frente na carreira.

Numa época de mudança, Pedro Silva manteve o núcleo duro que em 2017 tinha realizado uma época bem positiva. A realidade pode ter sido um pouco diferente nesta temporada com o acesso a grandes corridas, mas de quem se esperava ter tudo para demonstrar que é no profissionalismo que tem lugar, mostrou-o. Francisco Campos, Hugo Nunes, Gonçalo Carvalho e Jorge Magalhães estiveram em destaque e não surpreende que para o ano estejam em equipas como a W52-FC Porto ou a Rádio Popular-Boavista.

Uma palavra para Francisco Campos. Tão longe que está aquele rapaz que nem queria acreditar que tinha acabado de bater os profissionais na Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017. Está a tornar-se num senhor ciclista, num sprinter de qualidade. Em Portugal já se sabe, um sprinter tem de saber subir e Francisco Campos é um dos sub-23 (campeão no ano passado) de quem se espera ver-se mais e melhor agora que vai para a equipa que tem dominado o ciclismo nacional. 

Este ano somou três vitórias, duas na Volta a Portugal do Futuro e conquistou a Taça de Portugal do seu escalão, além de também ser o melhor sub-23 no ranking. Bem tentou uma vitória de maior gabarito, mas por mais qualidade que o Miranda-Mortágua pudesse ter, nas grandes corridas não se podia esperar mais do que foi feito. E foi muito positivo.

Não só por parte de Campos, que juntamente com Jorge Magalhães, vai a caminho da W52-FC Porto. Nuno Ribeiro não deixa escapar jovens talentos! Magalhães também venceu uma etapa na Volta a Portugal do Futuro e é um trepador com muita margem de progressão. Tal como Hugo Nunes (vai para a Rádio Popular-Boavista) e Gonçalo Carvalho, este último está a caminho da equipa francesa U.C. Mónaco.


Ranking: 8º (369 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo Memorial Bruno Neves e três etapas da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Francisco Campos (3) 

Foi uma temporada regular para este quarteto que sabe o que é representar a selecção em grandes competições internacionais de sub-23. Carvalho esteve muito bem na sua estreia em Mundiais, em Innsbruck (38º, o melhor português). O director desportivo, Pedro Silva, tem razões para ficar orgulhoso do trabalho realizado com estes ciclistas, que muito contribuíram para a estreia positiva no escalão Continental, dentro do que era expectável, já que medir forças de igual para igual com as equipas profissionais seria sempre uma missão complicada.

Nuno Meireles e António Barbio foram os ciclistas mais experientes contratados para esta nova fase do Miranda-Mortágua. Apesar de ter ganho o Memorial Bruno Neves, Barbio esteve longe do ciclista que representou a Efapel. Foi um regresso a casa que não correu como esperado. A Nuno Meireles parece ser difícil tirar-lhe o sorriso. Depois de uma temporada complicada na Equipo Bolivia - que fechou portas a meio da época -, Meireles reencontrou a alegria do ciclismo. Homem de trabalho por excelência, cumpriu com a missão de ajudar na evolução dos jovens companheiros. Por ser um daqueles corredores com quem se pode sempre contar, Jorge Piedade foi buscá-lo para o Aviludo-Louletano-Uli. Barbio irá mudar-se para a LA Alumínios.

Num ano de mudança e que serviu para confirmar o bom trabalho realizado na formação do Miranda-Mortágua, o grande teste poderá chegar em 2019, já que são muitas as caras novas, cortando com a continuidade que se verificou esta época. Apenas três ciclistas se manterão na estrutura: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. As contratações são um misto de experiência e de juventude.

Pedro Silva aposta no regresso de Hugo Sancho (36 anos, Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Freitas (27, W52-FC Porto), que passaram pelos escalões de formação, tal como Gaspar Gonçalves (23, Liberty Seguros-Carglass), que esteve na categoria de cadetes e juniores na estrutura. Este ciclista poderá ser uma das figuras em 2019 do Miranda-Mortágua. Ivo Pinheiro (20, ACDC Trofa) terá uma oportunidade para se mostrar noutro nível, com o júnior Pedro Pinto (18, Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) a dar um salto importante agora que sobe de escalão. De Espanha chegarão dois ciclistas de 22 anos: Cristian Mota (Aldro Team), Sergio Vega (Froiz). Este último fará 23 em Dezembro.

Uma profunda renovação, numa altura em que a estrutura quererá consolidar-se como Continental sub-25 e poderá procurar resultados de destaque em corridas além das sub-23. Essas serão atacadas com a prata da casa, com o trio que permanece a assumir maior responsabilidade, além de Pinheiro e Pedro Pinto.

Veja aqui todos os resultados do Miranda-Mortágua em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»O ano zero numa nova era de um patrocinador histórico««

28 de setembro de 2018

Nuns Mundiais marcados pelas subidas, a vitória foi decidida a descer

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Muito se espera de subidas, dos ataques durante estas dificuldades, de quem quebra, de quem se destaca. Mas até é bastante normal ver as descidas serem tão decisivas quanto as subidas (que o diga Chris Froome no último Giro). Em Innsbruck muito se fala da dificuldade dos percursos, mas houve um suíço que esperou pela descida final para desferir o ataque que decidiu a corrida. Marc Hirschi é mais um ciclista a juntar o título mundial ao europeu, tal como fez Remco Evenepoel em juniores. O suíço pode não ter realizado uma exibição tão marcante como o belga (tão cedo não se assistirá a algo igual), mas Hirschi fez uma excelente corrida, tal como toda a sua selecção. A Suíça foi tacticamente perfeita e saiu de Innsbruck com um título mundial de sub-23, que nunca havia conquistado.

Depois de um ano a evoluir na equipa de formação da Sunweb, Marc Hirschi (20 anos) já sabe que tem lugar garantido na estrutura principal em 2019. Conquistar o título europeu e mundial é uma boa forma de se apresentar ao colegas. Quando as principais movimentações começaram, já dentro do circuito final, a Suíça colocou quatro dos seus seis ciclistas na frente da corrida.

Esta aposta condicionou todas as outras selecções. Rússia e Bélgica foram das que mais trabalharam, com a Itália a ajudar, mas por pouco tempo. Tal como na corrida de juniores, os italianos preferiram atacar sozinhos do que unirem-se em torno de um objectivo comum. O trabalho da Bélgica permitiu que Bjorg Lambrecht (ciclista da Lotto Soudal e mais um apelidado de novo Merckx) conseguisse ir para a frente, ficando com Hirschi e um surpreendente finlandês. Jaakko Hänninen escolheu o palco perfeito para sair do anonimato.

Lambrecht atacou, contra-atacou, refilou com os companheiros de ocasião por considerar que não ajudavam o suficiente, mas nunca conseguiu deixá-los para trás. Hirschi foi frio. Pouco ajudou na fuga, passando apenas por meros segundos na frente. São atitudes por vezes pouco apreciadas, mas o suíço optou por se poupar e, com a lição bem estudada, foi na descida final, algo técnica, que acelerou e nunca mais ninguém o apanhou. Ganhou com 15 segundos de vantagem sobre Lambrecht que, com muita dificuldade, bateu ao sprint a surpresa vinda da Finlândia.

As desilusões

A grande desilusão chama-se Colômbia, principalmente Ivan Sosa. O ciclista da Androni Giocattoli-Sidermec foi uma das revelações da temporada e aos 20 anos já assinou contrato com a Trek-Segafredo. O percurso montanhoso de 174,3 quilómetros parecia assentar tão bem a Sosa, mas nem terminou a corrida.

Depois há Portugal. Simplesmente, não correu bem. "Foi uma prestação que ficou aquém das expectativas e muito longe do valor que estes corredores já demonstraram no passado. A verdade é que, no momento decisivo da corrida, não fomos capazes de nos mantermos junto dos melhores", afirmou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O melhor foi o estreante Gonçalo Carvalho. E que boa corrida fez o ciclista do Miranda-Mortágua. Esteve muito bem na protecção a João Almeida, sempre perto do ciclista que aspirava a um bom resultado em Innsbruck. André Carvalho também se mostrou, só com Tiago Antunes a sentir-se "vazio" logo no início do circuito final, tendo abandonado. No entanto, a colocação no pelotão foi um elemento chave. Na penúltima subida a Patscherkofels, quando se deu a movimentação mais importante, o trio descolou.

Gonçalo Carvalho terminou na 38º posição a 5:41 minutos do vencedor. Seguiu-se André Carvalho foi 51º, a 9:27 e João Almeida 78º, a 19:25 (resultados completos da corrida de sub-23 neste link).

Este sábado, as senhoras vão disputar o título mundial nos 156,2 quilómetros entre Kufstein-Innsbruck. A holandesa Chantal Blaak vai tentar defender a camisola do arco-íris que conquistou há um ano e assim imitar a compatriota Annemiek van Vleuten, que se sagrou bicampeã de contra-relógio. Não haverá ciclistas portuguesas na prova.


27 de setembro de 2018

Sub-23 com miras apontadas ao topo

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A sorte dá trabalho, diz João Almeida. Mas se há algo que nenhum dos quatro portugueses escolhidos para a prova de sub-23 dos Mundiais de Innsbruck tem problemas é  em trabalhar. E muito. Com uma temporada positiva a nível internacional da selecção, ambicionar alto não é de mais. Não se exigem medalhas, mas numa prova em que se espera ser de enorme dureza, o quarteto tem toda a capacidade para colocar um ou mais ciclistas na disputa por um bom resultado, estando João Almeida inevitavelmente à cabeça.

A chegada à Hagens Berman Axeon permitiu ao ciclista ter à sua disposição uma estrutura que está entre as melhores na formação, sendo que este ano ascendeu ao escalão Profissional Continental. A vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 foi o ponto alto, mas houve muito mais: o quinto lugar na Ronde de l'Isard (venceu a classificação da juventude), segundo no Giro (também foi o melhor jovem), segundo nos Nacionais, tanto no contra-relógio como na prova de fundo de sub-23, 10º no contra-relógio nos Europeus de sub-23, foi ainda sétimo no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Em Innsbruck participou no contra-relógio, tendo ficado na 30ª posição. Mas é a prova desta sexta-feira que mais esperava.

"Se estiver num dia bom consigo estar com os 15/20 melhores e no final será necessário um pouco de sorte, embora saibamos que a sorte dá muito trabalho. Nas últimas semanas fiz provas longas e duras na Bélgica, que contribuíram para o meu estado de forma. Preparei-me bem", afirmou à Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida é um bom trepador e a experiência internacional que ganhou nas últimas duas épocas (esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 em 2017) faz a diferença num jovem de 20 anos. Mas numa prova com uma forte concorrência era importante ter ao seu lado ciclistas de elevado nível. Tiago Antunes (21 anos) é mais um dos talentos da nova geração portuguesa que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por mudar-se para a equipa espanhola Aldro. No entanto, não ficou muito tempo, assinando por outro dos grandes projectos de formação, a SEG Racing.

Antunes não teve a estabilidade de Almeida - que se espera que chegue agora já que tem contrato para 2019 -, mas esteve bem na Volta a Portugal do Futuro, depois do Tour de l'Avenir não ter sido o desejado. O segundo lugar atrás de Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) comprovou a subida de forma. Se estiver bem, Tiago Antunes não poderá ser visto "apenas" como uma ajuda a João Almeida, será mesmo mais uma opção para um lugar de nota.

André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) regressou este ano a Portugal depois de uma passagem pela Team Cipollini. É um trepador que promete e que já sabe o que é estar em Mundiais. Esse conhecimento poderá ser importante. Carvalho (20 anos) realizou uma boa temporada, sempre muito regular, tendo ficado perto de conquistar a Taça de Portugal de sub-23, mas que Francisco Campos (Miranda-Mortágua), não deixou.

O outro Carvalho, o Gonçalo (Miranda-Mortágua) não ficou atrás em termos exibicionais e foi o melhor português na juventude da Volta a Portugal (foi terceiro, à frente de André). Fará a sua estreia nestas andanças, mas se conseguir controlar uma natural ansiedade, o jovem de 20 anos poderá ter um papel muito importante na selecção portuguesa. "É a primeira vez que estou num Mundial, o que é gratificante. Preparei-me para chegar em boas condições estou motivado para uma corrida que me agrada, porque sou um trepador", disse o ciclista do Miranda-Mortágua.

O percurso de 174,3 quilómetros entre Kufstein e Innsbruck agrada aos quatro, apesar de ser duro. A primeira selecção deverá acontecer nos 2,6 quilómetros de subida para Gnadenwald, a pouco mais de 100 quilómetros para o fim. A ascensão tem 10,5% de pendente média. Pouco depois entra-se no "circuito olímpico", com quatro subidas a Patscherkofel, com 7,9 quilómetros de extensão. Serão 2910 metros de acumulado que beneficia os bons trepadores e Portugal terá quatro bons ciclistas com esta características.

A corrida começa às 11:10 (hora portuguesa) e terá transmissão no Eurosport.

»»Isso não se faz a um campeão do mundo««

21 de maio de 2018

"Temos de ter mais rigor. Temos de mostrar aos nossos patrocinadores que merecemos estar aqui"

Competir ao lado de Geraint Thomas, Vasil Kiryienka ou mesmo de Nelson Oliveira na Volta ao Algarve são momentos que Gonçalo Carvalho não irá esquecer. Destacou apenas três, mas estar nas mesmas corridas em que algumas das melhores equipas do mundo também marcam presença é algo motivante para um jovem ciclista, que vive o presente a pensar como tirar os benefícios desta experiência num futuro próximo. Com a subida ao escalão Continental do Miranda-Mortágua, Carvalho referiu como a responsabilidade é maior e fez um balanço positivo da primeira metade da temporada, tanto pessoal, como colectivamente.

"As corridas têm corrido bem. A nível da geral até penso que tenho estado a bom nível, tal como a equipa, apesar de ainda não termos vitórias. Mas estamos sempre presentes nas corridas e nos primeiros geral da juventude. Estamos a tentar alcançar o triunfo. É o que interessa. Havemos de lá chegar", realçou Gonçalo Carvalho ao Volta ao Ciclismo. Ainda este domingo, a equipa colocou três ciclistas no pódio do Grande Prémio Anicolor, com Nuno Meireles a ganhar a classificação das metas-volantes, António Barbio os "pontos-quentes" e Francisco Campos foi o melhor sub-23. Carvalho considera que a mudança de escalão elevou o nível da competitividade, o que leva que a equipa não esteja a somar tantos triunfos como em 2017. Porém, garantiu: "A equipa está motivada. Isso não nos desanima."

E a subida de nível, em vários aspectos, é precisamente um dos temas de conversa. No escalão Continental, ainda que seja uma equipa sub-25, o Miranda-Mortágua passou a ter acesso a corridas mais importantes, o que sendo uma oportunidade para os jovens ciclistas de evoluírem ainda mais, também implicou mudanças. "Mudou a nossa responsabilidade de fazer tudo bem a nível de treinos, alimentação, o rigor... Temos de ter mais rigor. Temos de mostrar aos nossos patrocinadores que merecemos estar aqui. Isso é muito importante. E também o nível sobe. Fazer uma Volta a Portugal, fizemos a Volta ao Algarve, ao Alentejo... é um nível muito mais elevado. Temos de nos preparar muito bem na pré-época e continuar o trabalho durante a temporada", explicou o corredor de 20 anos.


"Tenho de melhorar no contra-relógio. É um ponto fraco que eu tenho"

Como júnior e sub-23, Gonçalo Carvalho soma vitórias e várias classificações relevantes. Neste ano de estreia no escalão Continental tem sido muito regular, estando na maioria das corridas entre os melhores do seu escalão. "Os resultados são muito motivantes. Tento estar a bom nível durante toda a época", afirmou. E também demonstrou como está a aprender a lidar com as diferentes responsabilidades, gerindo a sua temporada, na qual inclui as possíveis chamadas à selecção nacional: "Temos de delinear objectivos. Não podemos estar a top em todas as corridas. Temos que gerir muito bem, senão não concretizamos os objectivos."

Os Nacionais e a Volta a Portugal são duas das competições que Carvalho quer estar bem. Na Volta até se pode falar de uma corrida dentro da corrida que irá haver. Além do Miranda-Mortágua, também a Liberty Seguros-Carglass e a LA Alumínios subiram ao escalão Continental, sendo estruturas sub-25. Esta presença das três equipas irá animar a luta pela classificação da Juventude com uma maior presença de ciclistas portugueses. "É uma classificação na qual podemos mostrar as nossas qualidades. Penso que as três equipas vão tentar estar na discussão."

Ainda não se conhece o percurso da Volta a Portugal, mas já se sabe que apela sempre aos melhores trepadores para se mostrarem. Gonçalo Carvalho é um dos jovens com estas características a mostrar-se em Portugal. Contudo, rapidamente frisou: "Tenho de melhorar no contra-relógio. É um ponto fraco que eu tenho."

É altura de pensar na fase da época em que já se entra em contagem decrescente para o momento alto das equipas nacionais, isto é, na Volta a Portugal e Gonçalo Carvalho não foge à regra. Mas recuando por uns instantes à Volta a Algarve: "Significou muito correr ao lado de ídolos. Estar ao lado deles e conseguir ir com eles em certas alturas da corrida é muito motivante para o resto da época. Temos de aprender com estes ciclistas." Gonçalo Carvalho disse que até tem treinado com Nelson Oliveira, contudo, foi a primeira vez que teve a oportunidade de competir ao lado do ciclista português da Movistar, um especialista no contra-relógio (quatro vezes campeão nacional). "Foi um sonho", confessou. "Temos que manter a concentração [ao correr ao lado dos ídolos], mas foi uma mais valia e espero um dia estar ao lado deles no pelotão internacional", acrescentou.

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