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12 de dezembro de 2019

Domingos Gonçalves suspenso provisoriamente pela UCI

Domingos Gonçalves foi suspenso provisoriamente depois de terem sido detectada anomalias no seu passaporte biológico entre os anos de 2016 e 2018. Esta situação coloca a Caja Rural sob alçada da Comissão Disciplinar da UCI, pois é o segundo caso de violação do regulamento anti-doping num espaço de 12 meses (2016 e 2017), o que pode resultar numa suspensão da equipa entre 15 a 45 dias.

"A União Ciclista Internacional (UCI) anuncia que o ciclista português Domingos Gonçalves foi notificado da violação de uma regra anti-doping de uso de uma substância proibida baseada em anomalias detectadas no seu passaporte biológico entre 2016 e 2018", lê-se no comunicado do organismo.

O corredor de Barcelos representou a equipa espanhola este ano, mas a suspeita de doping remonta à sua primeira passagem pela Caja Rural, em 2016 e às duas temporadas que passou na Rádio Popular-Boavista. No início deste ano, Jaime Rosón foi suspenso por razão idêntica que agora deixa Gonçalves fora de competição. Apesar de estar na Movistar, as anomalias remontavam ao ano de 2017, quando representava a Caja Rural. A UCI explicou em comunicado que ambos os casos ocorreram num espaço de 12 meses, o que activa o artigo que defende a suspensão das equipas. Rosón, que sempre clamou inocência, cumpre uma suspensão efectiva de quatro anos.

Gonçalves, de 30 anos, poderá defender-se, mas enfrenta a possibilidade de ter de cumprir uma longa suspensão, caso não prove que não cometeu qualquer irregularidade. Depois de um 2016 discreto, o corredor de Barcelos regressou a Portugal para tentar reavivar a sua carreira na Rádio Popular-Boavista. E assim foi. Principalmente 2018 foi uma temporada fortíssima de Domingos Gonçalves. Venceu os títulos nacionais de estrada e contra-relógio (este pela segunda vez consecutiva), ganhou a sexta etapa da Volta a Portugal em Boticas, sendo depois nono na classificação geral, somando ainda vitórias na Clássica da Primavera, Circuito de São Bernardo e Circuito da Malveira.

As exibições levaram a Caja Rural a dar uma segunda oportunidade ao ciclista português, mas a época ficou marcada por uma queda grave na Volta à Catalunha, no final do mês de Março. Quando regressou, realizou exibições que levaram os responsáveis a colocá-lo entre os oito eleitos para a Vuelta, naquela que foi a sua primeira grande volta. Porém, abandonou após a 13ª etapa, depois de já não ter concluído a Volta a Portugal. Chegou a ser falado um possível regresso à Rádio Popular-Boavista, mas a carreira de Domingos Gonçalves fica agora em suspenso até ser conhecida a decisão final quanto às suspeitas de doping.

Se se confirmar a suspensão da Caja Rural (o caso vai ser analisado), será a segunda equipa espanhola Profissional Continental a enfrentar uma sanção deste tipo num curto espaço de tempo, depois da Burgos-BH ter ficado 21 dias impedida de competir, entre 16 de Janeiro e 5 de Fevereiro deste ano.


28 de novembro de 2019

UCI quer repetir testes às amostras recolhidas em 2016 e 2017

(Fotografia: © Richard Masoner, via Flickr)
Os desenvolvimentos da Operação Aderlass estão a motivar a UCI a ir mais longe nas investigações que possam revelar ciclistas que tenham infringido o regulamento anti-doping em 2016 e 2017. Para já, seis foram envolvidos neste caso e o organismo vai pedir que as amostras recolhidas durante esses dois anos sejam submetidas a novos testes.

Os austríacos Georg Preidler (Groupama-FDJ) e Stefan Denifl (Aqua Blue Sport) foram os dois primeiros nomes da modalidade a serem envolvidos na Operação Aderlass quando esta foi tornada pública entre o final de Fevereiro e início de Março. Ambos acabariam suspensos por quatro anos, com Preidler a ter a suspensão dada como provisória, pois contestou a decisão.

Em Maio, Kristijan Durasek (UAE Team Emirates) foi afastado da Volta à Califórnia pela equipa ao ser envolvido no caso, tendo o mesmo acontecido com o esloveno Kristijan Koren (Bahrain-Merida) na Volta a Itália. A Bahrain Merida viu o nome de um dos seus directores desportivos surgir nas investigações. O eslovano Borut Bozic terminou a carreira como ciclista no final de 2018.

Koren e Bozic foram suspensos por dois anos, enquanto Durasek ficou com a sanção mais pesada: quatro anos. Um dos nomes mais mediáticos foi o de Alessandro Petacchi. O sprinter italiano foi suspenso por dois anos devido a violação do regulamento anti-doping em 2012 e 2013, sendo que terminou a carreira em 2015.

Com a excepção de Petacchi e de Denifl (este último estava sem equipa depois do final da Aqua Blue Sport, tendo anulado o contrato com a CCC ainda antes deste começar) e com Preidler a rescindir de imediato com a Groupama-FDJ, os restantes foram despedidos das respectivas equipas.

"Em virtude da informação e documentos enviados pelas forças de segurança austríacas sobre a operação Aderlass, a UCI anuncia que pediu à Fundação de Anti-Doping do Ciclismo* para proceder às necessárias novas análises das amostras recolhidas durante as temporadas de 2016 e 2017", lê-se no comunicado do organismo.

"Durante a investigação de Aderlass e graças à estreita colaboração entre a UCI e as autoridades austríacas, vários procedimentos foram iniciados devido à violação de regras anti-doping. Vários indivíduos, a maioria em actividade ao mais alto nível, foram sancionados", acrescentou. A UCI afirmou ainda que irá continuar a trabalhar com as autoridades da Áustria "com o objectivo de proteger os atletas honestos" e para "garantir um desporto limpo".

O caso Aderlass tem no centro da polémica o médico alemão Mark Schmidt, que já esteve no passado em equipas do principal escalão. Foram descobertos 40 sacos de sangue na cidade germânica de Erfurt. As primeiras notícias de envolvidos surgiram durante os Mundiais de esqui, com alguns atletas desta modalidade (com várias vertentes) a serem os primeiros a serem "apanhados". Mas de imediato surgiram notícias que a investigação estava a revelar um esquema de doping que envolvia outros desportistas, incluindo do ciclismo. Rapidamente a UCI quis seguir atentamente o que as autoridades austríacas estavam a desvendar.

*A Fundação de Anti-Doping do Ciclismo está integrada na UCI, mas tem total independência e poder de decisão.


22 de outubro de 2019

Raúl Alarcón: "Estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção"

Um dia depois de ser conhecida a sua suspensão provisória por parte da UCI, Raúl Alarcón reagiu num comunicado partilhado na sua conta de Facebook. O ciclista da W52-FC Porto garantiu que não cometeu qualquer violação das regras de anti-doping e que tem provas que demonstram isso mesmo.

A UCI colocou ontem o espanhol na lista de corredores suspensos provisoriamente, por suspeita de "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas". O organismo não adiantou mais nenhuma explicação até ao momento. Já Alarcón confirmou que recebeu na segunda-feira de manhã a notificação da UCI. "Tenho em meu poder pareceres médicos absolutamente concludentes no sentido de que não existiu nenhuma violação pela minha parte a normas anti-dopagem", lê-se no comunicado.

Alarcón afirmou ainda que vai lutar para demonstrar a sua inocência, para que possa ficar livre para competir: "Vou, por isso, tentar, com todas as minhas forças, demonstrar no processo que me é levantado que estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção."

O ciclista de 33 anos venceu a Volta a Portugal em 2017 e 2018, mas ficou de fora na última edição devido a uma lesão. Alarcón caiu no Grande Prémio Abimota, fracturando a clavícula e não recuperou a tempo de tentar a terceira conquista na Volta.

Aqui fica o comunicado na íntegra.


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21 de outubro de 2019

Raúl Alarcón suspenso provisoriamente

Raúl Alarcón foi suspenso provisoriamente pela União Ciclista Internacional. O nome do espanhol da W52-FC Porto surge na lista divulgada pelo organismo, mas não são explicados muitos pormenores. Apenas se lê que a suspensão se deve ao "uso de métodos proibidos e/ou substâncias proibidas".

A situação poderá estar relacionada com o passaporte biológico, mas será necessário aguardar por mais explicações por parte da UCI, da equipa ou do ciclista, para se perceber melhor o caso e, principalmente a quando se referem as suspeitas que levaram à suspensão.

O espanhol de 33 anos venceu as edições da Volta a Portugal em 2017 e 2018, falhando a última edição, depois de fracturar a clavícula numa queda no Grande Prémio Abimota, cerca de um mês antes do início da Volta. Alarcón ainda alimentou a esperança de recuperar a tempo, mas acabou por ficar de fora das escolhas da W52-FC Porto, com o compatriota Gustavo Veloso a preencher a vaga. Qualquer resultado que tenha sido alcançado antes da eventual anomalia detectada, não ficará em causa.

Um jovem Alarcón estreou-se há 12 anos no World Tour pela Saunier-Duval, mas duas temporadas depois, o espanhol entrou numa espiral descendente, que culminou no regresso ao estatuto de amador. Em 2011, a então Barbot-Efapel recuperou o ciclista e em Portugal, Alarcón reencontrou a alegria de competir. Passou pelo Louletano, antes de em 2015 integrar a que é actualmente a W52-FC Porto. Sob as ordens de Nuno Ribeiro, Alarcón acabaria por mostrar algum do potencial que o levou tão cedo ao topo do ciclismo mundial. Conseguiu tornar-se num dos líderes da equipa e conquistou as vitórias mais importantes da sua carreira.

2019 foi um ano abaixo das expectativas, mas Alarcón tem agora o futuro em suspenso até resolver esta situação de suspeita de doping. Em baixo, a lista divulgada pela UCI, dando conta dos ciclistas que estão suspensos provisoriamente, actualizada esta segunda-feira.



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19 de setembro de 2019

Sunweb ameaça processar Preidler por eventual doping desde o Giro de 2017

(Fotografia: © Pymouss/Wikimedia Commons)
Georg Preidler foi acusado pelo Ministério Público de Innsbruck de fraude, ou seja, por recorrer a doping desde 2017 e não só em 2018, como inicialmente admitiu. A notícia caiu que nem uma bomba na Sunweb. Ao ser envolvido na Operação Ardelass, em Março, o ciclista confessou as irregularidades no ano de 2018, mas acusação agora conhecida abrange um dos anos em que Preidler esteve na equipa alemã, tendo sido um dos importantes gregários de Tom Dumoulin na conquista da Volta a Itália. A Sunweb ameaça agora processar o corredor e Dumoulin ficou em choque, realçando que não ficará surpreendido se for mesmo verdade: "Agora sei que posso ter tido um colega de equipa que poderá não ter corrido limpo."

Quando o escândalo rebentou, afectando várias modalidades, ao ser ligado ao médico no centro do esquema de doping, Mark Schmidt, Preidler deixou de imediato a Groupama-FDJ e confessou que tinha tirado sangue, ainda que garanta que nunca chegou a fazer a posterior transfusão. Admitiu o erro e mostrou arrependimento. Disse então que o caso remontava a 2018, após sair da Sunweb. Porém, a acusação do Ministério Público aponta que Preidler recorreu regularmente à prática de "doping de sangue, tomando também hormonas de crescimento, começando na Volta de Itália na Primavera de 2017 até à sua confissão".

Preidler tem duas semanas para recorrer da acusação, mas já sabe que pode enfrentar novo processo judicial, caso se venha a provar que utilizou doping ainda na Sunweb. A equipa alemã considera, que juntamente com a Groupama-FDJ, é uma vítima das acções de Preidler e está a ponderar processar o austríaco por danos. Vai contactar a formação francesa para perceber se a Groupama-FDJ quer analisar a situação conjuntamente.

"As notícias demonstram mais uma vez a importância e relevância do anti-doping no nosso desporto. Afinal, não podemos mudar a natureza das pessoas, mas podemos influenciar o comportamento através de mecanismos de investigação efectivos. Sempre defendemos mais controlos independentes e assim aumentando as hipóteses de detecção e e tornar as pessoas mais inclinadas em abrandar este tipo de erros custosos", lê-se no comunicado da equipa, publicado no site holandês, AD.nl. A Sunweb garantiu ainda que o não ter renovado contrato com o austríaco para 2018 nada teve a ver com eventuais irregularidades no passaporte biológico do ciclista.

Quanto a Dumoulin, reitera o orgulho que sente na conquista do Giro de 2017, mas há uma sensação de traição, ainda mais porque Preidler foi dos ciclistas com quem teve uma relação mais próxima na Sunweb, ainda mais sendo ambos praticamente da mesma idade (29 anos, separados por cinco meses). Dumoulin, contou que partilhavam a mesma vontade de ir longe e de triunfar no ciclismo. "Não sei se [a acusação] é verdade, claro que espero que não. Mas, para ser sincero, não ficaria surpreendido. Ele não era o alegre Georg que eu conhecia. Ele foi amargo, inseguro e fechado. Penso que era muito difícil para ele ver que tinha trabalhado tanto quanto podia e depois não foi o suficiente para ser o ciclista que ele queria. Penso que são dúvidas que todos os atletas, incluindo eu, lidam de quando em vez durante as carreiras. Mas ele recorreu ao doping enquanto outros não o fizeram, nem fazem. Se estou zangado? Sim!"

Dumoulin prossegue salientando como Preidler tomou uma "decisão terrível" que não só influenciou o próprio austríaco, mas também as pessoas em seu redor. "Ele cometeu um erro e tem de pagar por ele." No entanto, Dumoulin espera que Preidler possa recolocar a sua vida no caminho certo e que possa ser novamente aquela pessoa alegre dos primeiros tempos em que foram companheiros, desde 2013, na então Argos-Shimano.


29 de junho de 2019

Denifl e Preidler suspensos por quatro anos

A Operação Aderlass vai continuando a sancionar quem recorreu ao doping com a alegada ajuda do médico alemão Mark Schmidt. Quase cinco meses depois de serem tornados públicos os primeiros nomes de ciclistas envolvidos, são conhecidos os castigos. Mão pesada para os austríacos Stefan Denifl e Georg Preidler que foram suspensos por quatro anos.

Denifl terá sido o primeiro a admitir às autoridades o recurso a transfusões de sangue, ou doping sanguíneo, para melhorar a sua performance. O ciclista, de 31 anos, manteve-se mais discreto durante este processo, ao contrário de Preidler (29) que admitiu publicamente ter tirado sangue, ainda que nunca tivesse posteriormente feito a transfusão. No entanto, assumiu o erro e que só a intenção era grave. Saiu de imediato da Groupama-FDJ.

A sanção foi aplicada pela organização nacional austríaca de anti-doping, que tomou as rédeas do mais recente caso, que tem afectado várias modalidades, tendo começado no esqui. A UCI concordou que fosse este organismo a liderar a situação, pelo que aceitou a suspensão aos dois ciclistas.

Ambos foram considerados culpados de terem recorrido a métodos proibidos, violando o regulamento anti-doping. A acusação de Denifl aplica-se ao tempo entre 1 de Junho de 2014 e o final de 2018, enquanto de Preidler é de 1 de Fevereiro de 2018 e 5 de Março deste ano. É considerado que a sanção entra em vigor a 5 de Março, pelo que durará até 4 de Março de 2023. Os resultados obtidos desde o início das datas referidas até 5 de Março deste ano são anulados.

Os ciclistas têm quatro semanas para recorrer da suspensão. Caso não o façam ou esta seja confirmada, significará que Stefan Denifl irá perder a vitória na 17ª etapa da Volta a Espanha de 2018, então ao serviço da entretanto extinta Aqua Blue Sport. Alberto Contador foi segundo nesse dia.

Depois dos dois austríacos, a Operação Aderlass já levou à suspensão provisória de Kristijan Durasek (UAE Team Emirates) e Kristijan Koren (Bahrain-Merida). O primeiro estava a competir na Volta à Califórnia, o segundo no Giro e foram imediatamente afastados pelas respectivas equipas.

Também há ex-ciclistas envolvidos: Borut Bozic, Alessandro Petacchi e Danilo Hondo. O primeiro está na equipa técnica da Bahrain-Merida, enquanto Hondo, ao admitir o recurso ao doping na época de 2011, foi imediatamente despedido da federação suíça, onde era treinador.



16 de junho de 2019

Pantano não quer lutar contra a UCI. Ponto final na carreira

(Fotografia: © Trek-Segafredo)
Numa semana marcada muito marcada pela queda de Chris Froome e pela sanção a Juan José Cobo que lhe deverá custar a vitória na Vuelta de 2011, quase passou despercebida uma decisão radical de Jarlinson Pantano. Suspenso por suspeita de utilização de EPO, o colombiano não quer lutar contra a UCI e colocou um ponto final na sua carreira. Na conferência de imprensa, o agora antigo ciclista não segurou as lágrimas enquanto agradecia o apoio que tem recebido, mas também reiterou a sua inocência.

No dia antes da conferência, numa entrevista publicada no site LAFM, Pantano afirmou: "Não sei como entrou no meu corpo. Há coisas que não se enquadram. Não dei positivo em nenhum dos controlos que fiz e tenho mais de 60 no passaporte biológico." A UCI anunciou a suspensão provisória do colombiano a 15 de Abril e Pantano pouco falou desde então. "Estou um pouco mais tranquilo, mas é uma situação incómoda e a vida mudou muito. Nunca pensei terminar a minha carreira assim. Foi um processo difícil. Sou inocente", salientou. Explicou ainda que não falou antes porque estava a preparar a luta que tinha pela frente.

No entanto, a poção acabou por ser um ponto final na carreira aos 30 anos. "Decidi não continuar a luta contra a UCI, porque a minha defesa custa muito e já perdi o meu lugar na equipa", referiu. Apesar de ter quase de dois anos de contrato com a Trek-Segafredo, estava também suspenso da equipa e uma eventual condenação resultaria no imediato despedimento. Pantano realçou que está de "consciência tranquila" e recordou que não é segredo que sofreu alguns problemas de saúde e que já este ano lhe tinham diagnosticado "outros vírus".

Contratado em 2017 para a equipa americana, Pantano era visto como tanto um potencial gregário de luxo para Bauke Mollema, como um ciclista que eventualmente pudesse ter a sua oportunidade. Porém, não atingiu o nível demonstrado no Team Colombia e depois nas duas épocas na IAM Cycling. Pela equipa suíça venceu uma etapa na Volta a França em 2016. No currículo junta numa etapa na Volta à Suíça nesse mesmo ano e em 2018 passado conquistou uma na Volta à Catalunha, na melhor demonstração que teve ao serviço da Trek-Segafredo.

Esta temporada era apontado para estar ao lado de Richie Porte, mas começou o ano discreto e a sua última corrida terminou com um abandono logo na primeira etapa, na Volta à Catalunha. Despede-se com um título nacional de contra-relógio em 2017 e com uma colecção interessante de segundos lugares, sendo um daqueles ciclistas conhecidos por esse estigma.

Pantano foi um daqueles talentos colombianos que nunca se chegou a ver todo o seu potencial e sai pela porta mais pequena do ciclismo, numa altura em que a Colômbia tem estado em alta pelo melhor e pelo pior. Tem uma nova geração tão prometedora, sem esquecer aquela já de créditos confirmados, como é o caso de Nairo Quintana e Rigoberto Uran. No entanto, em pouco tempo, o doping voltou a manchar a reputação do país e o adeus de Pantano segue-se à despedida da Manzana Postobón.

A equipa Profissional Continental que quis ser o trampolim dos ciclistas colombianos para o World Tour e limpar a imagem da modalidade daquele país, sucumbiu a dois casos de doping dos seus corredores, sem esquecer que Juan Sebastián Molano, contratado esta época pela UAE Team Emirates, foi suspenso pela equipa após resultados anómalos detectados em testes realizados internamente.


31 de maio de 2019

Rádio Popular-Boavista reitera confiança em Luís Mendonça após suspensão

Luís Mendonça está suspenso provisoriamente devido a um controlo adverso, numa amostra recolhida após a Clássica Aldeias do Xisto, na qual o ciclista foi segundo classificado. A Rádio Popular-Boavista confirmou o caso, reiterando a confiança no corredor, tendo justificado a análise positiva. O ciclista também já reagiu.

"Luís Mendonça foi alvo de um controlo adverso, devido ao uso de um medicamento utilizado para o tratamento de uma lesão, de que foi vitima em Abril. No referido controlo, final da clássica Aldeias do Xisto, realizada em Maio, declarou a utilização do referido medicamento, conforme aliás é exigido, tendo já apresentado às entidades oficiais relatório médico, conforme também é exigido em casos similares", lê-se no comunicado publicado no Facebook da equipa.

A notícia foi ontem avançada pelo jornal A Bola. A substância em causa será a betametasona, a mesma detectada a Rui Vinhas, num controlo feito na Volta a Portugal no ano passado. A betametosona tem uma acção anti-inflamatória, anti-alérgica e anti-reumática. É permitida desde que a sua utilização seja justificada. César Fonte, companheiro de Vinhas na W52-FC Porto, esteve vários meses fora de competição, tendo regressado no último domingo, no Memorial Bruno Neves, depois de concluído o processo que envolveu esta substância.

"O Boavista Ciclismo Clube vem por este meio confirmar a confiança no valor desportivo do ciclista, aguardando com a mesma confiança, pelo resultado do referido inquérito", afirmou a equipa sobre Luís Mendonça. O ciclista, de 33 anos, também reagiu na sua conta de Facebook: "Tenho a referir que após um traumatismo desenvolvi uma bursite pré-patelar no joelho esquerdo... fui tratado com os devidos procedimentos médicos... na corrida das Aldeias do Xisto fui sujeito a controlo antidopagem, onde no mesmo, referi de forma clara a substância utilizada, a data do tratamento e para os fins que foi usada... Relatórios médicos já foram apresentados, onde demonstram de forma inequívoca a lesão sofrida, os procedimentos médicos utilizados e os fins terapêuticos da referida substância... fiz tudo de forma clara e legal... ESTA SUBSTÂNCIA FOI UTILIZADA ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE PARA FINS TERAPÊUTICOS...", explicou.

O corredor admitiu que o que mais o assusta é poder falhar a Volta a Portugal - começa a 31 de Julho -, caso o processo da Federação Portuguesa de Ciclismo não seja célere. "Admito que já chorei tudo que tinha a chorar, onde passei uma semana que não desejo ao pior inimigo... mas agora é altura de erguer a cabeça e acreditar que a resolução será breve, porque não tenho dúvidas que justiça se fará", salientou.

Luís Mendonça foi reforço da Rádio Popular-Boavista em 2019, depois de duas temporadas na Aviludo-Louletano e tem sido o único a conquistar vitórias até ao momento. O segundo lugar na Clássica Aldeias do Xisto permitiu-lhe garantir a conquista da Taça de Portugal, tendo pouco depois ganhou uma etapa e a geral do Troféu O Jogo.

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26 de maio de 2019

Manzana Postobón fecha portas após casos de doping

A Manzana Postobón não vai regressar à estrada. O projecto colombiano, que estava a ser importante na divulgação de ciclistas daquele país, não resistiu ao problema que não larga uma Colômbia que tem tanto talento entre os ciclistas, mas não consegue afastar a imagem ligada às suspeitas de doping. Foram dois casos em menos de um mês na equipa Profissional Continental e não ajudou um antigo ciclista da equipa ter sido excluído do Giro por resultados anómalos, acabou. Fim da linha para a Manzana Postobón e a Colômbia volta a dar um passo atrás no desenvolvimento do seu ciclismo.

Os responsáveis nem esperaram para conhecer a sanção da UCI. O regulamento dita que dois casos em 12 meses resultam automaticamente numa suspensão da equipa entre 15 a 45 dias. A Manzana Postobón foi mais radical.

"Perante os eventos lamentáveis das últimas semanas, nos quais estiveram envolvidos atletas da equipa profissional, decidimos não continuar com a formação de ciclismo profissional", lê-se no comunicado assinado pelo presidente da Corporación Pedaleamos por Colombia (detentora da equipa), Alejandro Restrepo Echavarría.

É realçado como se tentou incutir tanto nos ciclistas profissionais, como nos corredores das camadas jovens e as suas famílias "a importância em marcar a diferença com o seu bom comportamento, o respeito pelo seu corpo, o cuidado pela sua saúde e, sobretudo, a responsabilidade perante a sociedade, de se ser um exemplo para uma sociedade que vibra com o desporto" e que vê os ciclistas como "exemplos a seguir".

Echavarría pede ainda que se continue a defender um desporto limpo e que não se perca a crença que tal é possível na Colômbia. Considera que o aumento de controlos anti-doping e a educação dos jovens corredores é o caminho a seguir. Porém, a realidade naquele país sul-americano volta a chocar com o romantismo que tem existido em redor dos ciclistas que em anos recentes se tornarem em referências mundiais, conquistando ou sendo fortes candidatos a grandes vitórias.

Sempre que a Colômbia tenta dar um passo em frente, os problemas com o doping causam um revés e o final da Manzana Postobón será mais um. Ia na sua terceira temporada como Profissional Continental. Um dos objectivos era precisamente servir de trampolim para os colombianos darem o salto para o World Tour. Sergio Higuita foi o mais recente exemplo, assinando pela EF Education First, depois de uns meses de preparação e adaptação europeia na Fundação Euskadi. Juan Sebastián Molano tornou-se num ciclista de orgulho para a equipa ao mudar-se para a UAE Team Emirates, mas, cinco meses depois tornou-se num exemplo de dúvida.

O sprinter foi excluído pela própria equipa da Volta a Itália devido a resultados anómalos detectados nuns testes internos. A sua ligação à Manzana Postobón foi imediatamente referida, numa publicidade nunca desejada. No entanto, o problema da formação colombiana foi mesmo o positivo de Wilmar Paredes por EPO em Abril e, já este mês, os resultados anómalos por boldenona, um esteróide anabolizante, por parte de José Amador.

Ainda há trabalho a fazer de raiz para tentar eliminar um mal que, depois da Colômbia estar a ser tão falada como uma fonte de talentos, voltou a minar a credibilidade daquele ciclismo. Há que não esquecer que há outro colombiano na mira, pois Jarlinson Pantano (Trek-Segafredo) está suspenso provisoriamente depois de ter acusado EPO.

Irão continuar a aparecer talentos, como Egan Bernal e Iván Ramiro Sosa, mas uma equipa como a Manzana Postobón poderia ter sido um porta aberta para mais ciclistas se mostrarem. Logo no seu primeiro ano no segundo escalão, esteve na Volta a Espanha. Que mais se poderia pedir. Espanha, França, mas também Portugal foram destinos ao longo dos últimos três anos da equipa. Por cá, Molano venceu duas etapas na Volta ao Alentejo, em 2017. Nesse ano de estreia como Profissional Continental da Manzana Postobón, o ciclista português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol assumiram um papel importante em transmitir experiência a um grupo tão jovem. Os dois estão agora na Burgos-BH,, depois de duas temporadas na estrutura colombiana. Bol até saiu em Agosto de 2018.

Com o fim do projecto a nível do profissionalismo, fica mais uma vez bem claro a necessidade de "limpar a casa" antes de continuar a ambicionar alto, para acabar por cair. Numa altura em que a Volta à Colômbia estava a consolidar ainda mais a reputação no ciclismo daquele país, eis que o doping volta a ser o assunto do dia. Entretanto, 14 ciclistas ficaram sem equipa, enquanto dois aguardaram pela conclusão dos processos de suspeita de doping.

Federação lamenta final da equipa

A Federação Colombiana de Ciclismo lamentou o fechar de portas da Manzana Postobón, salientando como sempre teve um compromisso "com os valores éticos e profissionais na prática do jogo limpo". O organismo compromete-se em manter "os programas preventivos", assim como as conferências que acompanham as principais competições do país, da elite às camadas jovens, para formar os ciclistas e "dar ênfase às consequências do doping na saúde e no desporto".

Acrescenta que irá defender o "jogo limpo", através de "controlos antes, durante e fora das corridas". "Não podemos desfalecer e deixar que o doping manche e acabe com toda a disciplina, entrega e paixão que influenciaram pessoas e empresas de prestígio a apoiar o desporto no nosso país", lê-se no comunicado.

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20 de maio de 2019

Manzana Postobón à espera da suspensão após segundo caso de suspeita de doping

(Fotografia: Facebook Manzana Postobón)
Não está a ser uma boa fase para o ciclismo colombiano. Agora é a Manzana Postobón que está apenas à espera de saber quanto tempo será suspensa, depois da UCI ter anunciado um segundo caso de suspeita de doping na equipa. Primeiro foi Wilmar Paredes, que acusou EPO em Abril e agora foi a vez de Juan José Amador ter um resultado anómalo de boldenona, um esteróide anabolizante.

Ambos os ciclistas foram suspensos provisoriamente, tendo o direito de pedir a contra-análise. Porém, tal não salvará a equipa colombiana de uma suspensão automática. O regulamento dita que se foram registados dois testes positivos num espaço de 12 meses, a formação será suspensa entre 15 a 45 dias. No início do ano a espanhola Burgos-BH cumpriu 21 dias de suspensão devido a três casos num ano.

Amador tem 21 anos e está na sua terceira temporada com a Manzana Postobón. A UCI explicou num comunicado que a amostra na qual foi detectada a substância foi recolhida a 22 de Outubro do ano passado, num controlo realizado fora de competição.

Está a ser um ano negativo para a Colômbia quanto a casos de doping, pois também Jarlinson Pantano, ciclista da Trek-Segafredo, foi suspenso provisoriamente devido a um teste positivo por EPO. Recentemente na Volta a Itália, Juan Sebastián Molano - antigo corredor da Manzana Postobón - foi mandado para casa pela UAE Team Emirates, depois de resultados anómalos detectados em testes internos.

No mesmo comunicado a dar conta da suspensão provisória de Amador, a UCI anunciou que outro colombiano também não vai competir enquanto não clarificar as irregularidades detectadas no passaporte biológico. Alex Cano tem 36 anos e representa a equipa do seu país Coldeportes Zenu, do escalão Continental.

Quanto à Manzana Postobón, o seu calendário prevê a participação no Tour de l'Ain, que começa no sábado. E seria por França que iria competir também em Junho. Não há ainda informação se o irá fazer, dependendo também de quando a UCI anunciar a decisão.

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15 de maio de 2019

Três ciclistas mandados para casa por suspeitas de doping

(Fotografias: Bahrain-Merida e UAE Team Emirates)
Dois dias, três ciclistas a serem excluídos das corridas. Dois no Giro e um na Volta a Califórnia. Dois são da UAE Team Emirates e um da Bahrain-Merida. O mais recente escândalo de doping vai desvendando mais ciclistas envolvidos, percebendo-se cada vez mais a potencial gravidade de mais um caso que mancha a modalidade, mas não só, já que há atletas de outros desportos envolvidos. A UCI anunciou que Kristijan Durasek e Kristijan Koren estão suspensos provisoriamente enquanto decorre a investigação. São mais uns nomes da Operação Aderlass.

Os primeiros surgiram no final de Fevereiro, princípio de Março: Georg Preidler e Stefan Denifl, mas logo na altura ficou o aviso que havia mais. Durasek estava na Volta à Califórnia e já foi mandando para casa. Um dia para esquecer na UAE Team Emirates que tinha dado a mesma ordem a Juan Sebastián Molano. O caso do colombiano nada tem a ver com o da Operação Aderlass. Foram detectados resultados fisiológicos anómalos em análises internas e a equipa, juntamente com a UCI, está a analisá-los para tentar perceber o que poderá ter originado.

Quanto a Durasek e a Koren, esses sim, envolvidos na Operação Aderlass, o primeiro está a ser investigado por suspeitas de ter recorrido a métodos proibidos em 2017, quando já estava na UAE Team Emirates. A situação do segundo remonta a 2012 e 2013, quando representava a Liquigas-Cannondale.

A UCI revelou mais dois nomes, mas de antigos ciclistas: Borut Bozic e Alessandro Petacchi. Ambos foram igualmente suspensos, apesar de já não estarem em actividade. O último não precisa de apresentações. Foi uma referência dos sprints, tendo retirado-se em 2015, já depois dos 40 anos. Ambos estão também a ser investigados por possível utilização de métodos proibidos em 2012 e 2013. Petacchi estava na Lampre e Bozic na Astana. Porém, Bozic acaba por arrastar o nome da Bahrain-Merida, a última equipa que representou e na qual permaneceu como director desportivo depois de terminar a carreira no final da temporada passada. Foi suspenso provisoriamente também pela equipa, tal como Kristijan Koren.

De recordar que este processo foi conhecido durante os Mundiais de esqui e tem Mark Schmidt no centro da polémica. O médico - que chegou a trabalhar nas equipas Gerolsteiner e Milram - tinha numa garagem em Erfurt, na Alemanha, 40 sacos de sangue. Schmidt foi detido e terá aceite colaborar com as autoridades.

Na segunda-feira foi o nome de Danilo Hondo a ser revelado. O antigo ciclista alemão admitiu ter recorrido a métodos proibidos em 2011, quando representava a Lampre. Trabalhava actualmente como treinador na federação suíça de ciclismo e foi imediatamente despedido. Durante a carreira, Hondo cumpriu dois anos de suspensão devido ao uso de Carfedon.

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13 de maio de 2019

Samuel Sánchez suspenso por dois anos por suplemento contaminado

(Fotografia:
© Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Chegou ao fim mais um dos longos processos de doping. A UCI anunciou a suspensão de dois anos de Samuel Sánchez, que até pode regressar à competição a 17 de Agosto. Aos 41 anos, o espanhol garante que tal não vai acontecer. Porém, a resolução deixou-o satisfeito: "Posso olhar as pessoas nos olhos." O antigo ciclista tinha acusado a substância hormonal GHRP-2, mas a UCI aceitou a explicação da possibilidade da ingestão ter acontecido devido a um suplemento contaminado.

"Ficou demonstrado que não houve intenção, que eu, em nenhum momento, quis doparme. Estou tranquilo. Ninguém dirá que me dopei intencionalmente", salientou ao jornal Marca. Sánchez foi suspenso provisoriamente a 17 de Agosto de 2017, a poucos dias do arranque da Volta a Espanha. Na altura, o então ciclista da BMC já ponderava retirar-se da modalidade no final da época. A suspensão precipitou a decisão, mas Sánchez sempre defendeu a sua inocência, dizendo estar de "consciência tranquila".

A demora na resolução do caso foi justificada pela UCI pela necessidade de serem realizadas várias análises científicas para tentar comprovar a explicação de Sánchez quando à origem da substância detectada. Como foi aceite a justificação do espanhol, a sanção resume-se aos dois anos, não havendo uma multa a acompanhar.

O caso de Sánchez era idêntico ao de Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni, italianos da Bardiani-CSF, que, no entanto, tiveram um resultado final bem diferente, já que não foram aceitas as explicações dadas. Ambos estão a cumprir uma longa suspensão de quatro anos. 2017 foi um ano atípico para as grandes voltas. Pirazzi e Ruffoni foram suspensos no dia antes do Giro começar, André Cardoso estava a dias de se estrear no Tour quando foi conhecida a análise positiva de EPO e antes da Vuelta foi Sánchez a ser notícia.

Apesar de ter sido a pior forma de acabar a carreira, perante a resolução, o espanhol afirmou que tem "confiança nos controlos" anti-doping, ainda que tenha ficado claro os riscos a que os ciclistas estão expostos, como aconteceu consigo.

Além das declarações ao jornal, Sánchez disse através de um comunicado que esteve um ano e nove meses em silêncio, mas a trabalhar com o seu departamento jurídico com "o único objectivo de encontrar uma resposta para o sucedido. O antigo ciclista realçou que "não fazia sentido, nem tinha lógica nenhuma desde o primeiro momento" a sua análise positiva da substância hormonal.

Para Sánchez está fechado um capítulo que lhe permite ver salvaguardada uma carreira que o colocou como uma das referências do ciclismo espanhol. Foi um dos rostos da saudosa Euskaltel-Euskadi, ganhou etapas na Vuelta, corrida onde chegou a ser segundo na geral, tal como no Tour, ainda que depois da desclassificação de Alberto Contador e Denis Menchov. Conquistou muitas vitórias importantes, sendo uma das que mais o orgulhou a medalha de ouro olímpica em Pequim2008.

De certa forma, esta foi uma última vitória, com Sánchez agora a querer continuar o seu trabalho na escola de ciclismo com que colabora.


15 de abril de 2019

Pantano suspenso após análise positiva de EPO

(Fotografia: Facebook Trek Segafredo)
Jarlinson Pantano é o mais recente caso de um ciclista a testar positivo por eritropoetina, ou simplesmente EPO. O resultado foi hoje divulgado pela UCI o que levou à sua suspensão imediata, tanto pelo organismo, como pela equipa. A Trek-Segafredo vê assim um ciclista seu novamente envolvido num caso de doping, dois anos depois de André Cardoso também ter testado positivo por EPO.

O colombiano estava a preparar-se para a Volta a Itália, corrida em que estaria ao lado de Bauke Mollema e Gianluca Brambilla. Aos 30 anos tem como ponto alto uma vitória de etapa na Volta a França, em 2016, tendo sido campeão nacional de contra-relógio em 2017. É um dos ciclista que aproveitou a extinta Team Colombia para mostrar o seu potencial. Foi para a IAM Cycling, onde esteve dois anos e quando a equipa suíça fechou portas, no final de 2016, foi contratado pela Trek-Segafredo para reforçar o bloco da montanha.

Nunca se conseguiu afirmar como líder, mas tinha um papel importante na ajuda aos chefes-de-fila. Estava escalado para ir tanto ao Giro, como ao Tour, sendo que seria um dos gregários de Richie Porte em França.

A amostra foi recolhida a 26 de Fevereiro, fora de competição e, confirmado o positivo, o ciclista pode agora pedir a contra-análise, ficando suspenso provisoriamente até ser conhecido o resultado. A sua última aparição foi na primeira etapa da Volta à Catalunha, tendo abandonado (25 de Março). Antes tinha competido no Paris-Nice, na também prova francesa de Haut Var, tendo começado a época na Austrália: Tour Down Under, Cadel Evans Great Ocean Road Race e Herald Sun Tour.

"É com uma enorme desilusão que acabámos de saber que o nosso ciclista, Jarlinson Pantano, foi notificado de um resultado analítico adverso de uma amostra recolhida num controlo fora de competição pela Fundação Antidoping de Ciclismo [da UCI]. De acordo com a nossa política de tolerância zero, ele foi imediatamente suspenso", lê-se no comunicado da Trek-Segafredo.

Há quase dois anos, a equipa viu André Cardoso dar positivo também por EPO e igualmente num controlo feito fora de competição. Faltavam poucos dias para a Volta a França quando o ciclista português foi suspenso. O caso arrastou-se por quase 17 meses até que a UCI anunciou a sanção de quatro anos, que terminará a 26 de Junho de 2021.

Jarlinson Pantano tinha contrato até 2020. Contudo, a sua etapa na Trek-Segafredo terá provavelmente chegado ao fim, com a carreira a ficar também em risco.

A EPO marcou uma era no ciclismo, principalmente na década de 90 e início do século, mas continua a ser detectada em algum ciclistas. No World Tour, além de André Cardoso, também Kanstantsin Siutsou, ciclista que representava a Bahrain-Merida testou positivo, num teste feito no ano passado e está suspenso provisoriamente, ainda que entretanto terminado a sua carreira.

A eritropoetina (EPO) ajuda a aumentar a produção de glóbulos vermelhos no sangue. Tal permite que mais oxigénio chegue aos músculos, o que contribui para uma melhor performance desportiva.

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5 de março de 2019

O sentimento de traição

Denifl e Preidler foram suspensos pela UCI
Florian Sénéchal venceu a corrida Le Samyn, garantindo que a Deceuninck-QuickStep mantenha o pleno nas clássicas de pavé de 2019. Três corridas, três vitórias, três ciclistas diferentes. Este deveria ser o destaque do dia. Mais um excelente espectáculo de ciclismo, mais um excelente triunfo de uma equipa fenomenal. Porém, não há volta a dar. O doping faz novamente as primeiras páginas - se assim se pode dizer num mundo cada vez mais virtual e menos de papel - no que ao ciclismo diz respeito. A palavra traição foi hoje utilizada e percebe-se porquê. Um novo escândalo de doping está a ameaçar crescer. Começou no esqui, já afectou o ciclismo e são muitos os sacos de sangue que se aguarda para saber se afectará mais modalidades. Para o ciclismo, é um novo rude golpe numa luta longe de estar ganha, ou sequer sob controlo.

Thibaut Pinot e Marcel Kittel sentem-se traídos. O primeiro porque era companheiro de Georg Preidler - um dos dois ciclistas para já envolvidos - na Groupama-FDJ e considerava-o um amigo, não apenas um leal colega que tanto o ajudou no Giro e Vuelta. Kittel conhecia Preidler dos tempos em que estiveram juntos na então Argos-Shimano (actual Sunweb) e diz que "como atleta limpo" sente-se "traído por pessoas como estas". "Elas tiraram bons prémios monetários, bons contratos e agora a reputação do nosso bonito desporto está muito danificada", disse o sprinter alemão da Katusha-Alpecin.

A reputação do ciclismo teima em levar socos que a ferem. As suspeitas são antigas, são grandes e dificilmente alguma vez deixarão de existir. Porém, quando parece viver-se "tempos de paz", há casos que abalam novamente a credibilidade. Não é a única modalidade com este problema, mas tal como o atletismo e o próprio esqui, por exemplo, tem estado muito no centro das atenções pelos muitos casos conhecidos publicamente e, principalmente, pela magnitude destes. As confissões de Preidler e de Stefan Denifl são mais um soco. Não será de K.O., mas o ciclismo treme de novo.

Kittel espera que se saiba quem são os donos dos 40 sacos de sangue descobertos numa garagem em Erfurt, na Alemanha. Mark Schmidt é o médico que estará no centro desta rede descoberta durante os Mundiais de esqui, na Áustria. Mais de dez anos depois os sacos de sangue de Eufemiano Fuentes, descobertos na Operação Puerta, continuam por ser quase todos identificados publicamente. É difícil não ver as parecenças entre os dois casos, mas Kittel tem muita razão em pedir que todos sejam identificados e que todos os que estejam ligados a esta nova rede de doping "sejam responsabilizados e punidos severamente", citando o alemão.

Haverá sempre trapaceiros no desporto. Infelizmente essa é a realidade. Apertam-se as regras, mas há sempre alguém a encontrar formas de as contornar. É necessário que, havendo provas que não deixem dúvidas, essas punições sejam feitas e sejam exemplares. As eternas suspeitas têm feito tanto mal, como os casos que vão sendo conhecidos.

A UCI, que nesta segunda-feira pediu mais informação às autoridades austríacas, já as recebeu e suspendeu Preidler e Denifl, ambos sem equipa nesta altura. O primeiro despediu-se no domingo, o segundo não compete desde o ano passado, quando a Aqua Blue Sport acabou. Chegou a assinar pela CCC, mas pouco tempo depois anulou esse contrato por razões pessoais.

Ambos são austríacos, como Matthias Brändle. O corredor da Israel Cycling Academy não utilizou a palavra traição, mas o sentimento é bem parecido. "Teria defendido estes dois atletas à frente de outras pessoas. Nunca teria suspeitado, nem esperado [que teriam recorrido ao doping]. Parece que fui demasiado ingénuo", escreveu no Facebook.

Preidler confessou ter tirado duas vezes sangue, ainda que nunca tenha feito as transfusões. É o primeiro a dizer que só a intenção é crime. Ainda se desconhece o que Denifl terá admitido às autoridades, se fez de facto as transfusões ou se foi algo idêntico a acto de Preidler. A resposta será importante para perceber como é que o seu passaporte biológico não levantou suspeitas à CCC, segundo o director da equipa Jim Ochowicz.

O ciclismo abana novamente e não se pode ignorar o que está a acontecer, pois a modalidade está proibida de ter novos casos da magnitude de Lance Armstrong. A credibilidade tem de vir de todos. Dos que competem, dos que estão nos bastidores das equipas, dos que estão em cargos de responsabilidade do ciclismo. Numa modalidade tão dependente de patrocínios é a sua sobrevivência que está em causa.

Enquanto se espera por novos desenvolvimentos, tentemos concentrar-nos nesta fase tão espectacular da temporada. Não é fácil, é certo. Contudo, Le Samyn foi uma boa corrida e Sénéchal alcançou a sua primeira vitória como profissional. Isso merece destaque. E sábado é dia de Strade Bianche, o sexto monumento (oficiosamente, claro). O que Preidler e Denifl fizeram não é uma nota de rodapé, mas não se transforme as corridas em assunto secundário.

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4 de março de 2019

Segundo ciclista austríaco implicado em rede de doping. Saiu imediatamente da Groupama-FDJ

(Fotografia: Groupama-FDJ)
O escândalo de doping que abalou o esqui, com cinco atletas a serem detidos durante os Mundiais, chegou agora o ciclismo, com as ondas de choque a poderem atingir mais modalidades. Primeiro foi noticiado que Stefan Denifl terá confessado o recurso a dopagem sanguínea, seguindo-se admissão idêntica, desta feita publicamente, de Georg Preidler. Este ciclista terminou de imediato o contrato com a Groupama-FDJ.

O caso foi descoberto durante os Mundiais de Seefeld, na Áustria, com as autoridades a realizarem várias buscas que resultou na detenção de várias pessoas. Um dos atletas foi o também austríaco Max Hauke, esquiador que terá sido apanhado inclusivamente a fazer uma transfusão de sangue, com um vídeo a ser divulgado. Dos cinco, dois eram da selecção austríaca, um da equipa do Cazaquistão e dois da Estónia. Um dos polícias responsáveis pela investigação alertou desde logo que era certo que o caso iria afectar outras modalidades.

E assim está a ser. Neste domingo, o jornal austríaco Kronen Zeitung divulgou que o ciclista Stefan Denifl (31 anos) terá admitido a utilização de dopagem sanguínea, podendo ser acusado de fraude desportiva. Esta alegada confissão levou a CCC a reagir, salientando que não havia qualquer suspeita no passaporte biológico do atleta. Denifl passou os últimos dois anos na Aqua Blue Sport - venceu uma etapa na Volta a Espanha em 2017 - e com o fim da equipa irlandesa assinou pela CCC. No entanto, nunca chegou a representar a formação que este ano é do World Tour, tendo anulado o contrato pouco tempo depois, justificando-se com razões pessoais.

Já esta segunda-feira foi Georg Preidler a assumir que tirou sangue em duas ocasiões em 2018, ainda que garanta que nunca chegou a fazer a posterior transfusão. "O pensamento e a intenção fraudulenta já são um crime", referiu Preidler ao Kronen Zeitung, acrescentando: "Foi certamente o maior erro da minha vida. Tenho de pedir desculpa a todos os que considerem que fiz batota."

O austríaco de 28 anos disse também que "os últimos dias foram um pesadelo." "Não dormi, nem comi", afirmou. Apesar de não saber se o médico que está no centro da rede de doping teria as identidades dos atletas ocultas, realçou que "já não podia viver mais com o segredo". Inicialmente a Groupama-FDJ explicou a ausência do ciclista neste fim-de-semana com uma alegada doença, mas divulgou hoje um comunicado, no qual lê-se que Preidler admitiu o que tinha feito e apresentou de imediato a sua demissão.

O director da Groupama-FDJ aceitou-a e no mesmo texto é ainda referido que o que aconteceu vai contra os princípios éticos da equipa e dos seus patrocinadores, separando a postura colectiva do acto de um ciclista. Marc Madiot reagiu entretanto. O responsável considerou uma surpresa e uma desilusão o que Preidler fez, dizendo ao jornal Ouest France que foi informado pelo próprio ciclista através de um e-mail. Era o segundo ano do austríaco na equipa, depois de cinco na Sunweb. É tricampeão nacional de contra-relógio, tendo conquistado os últimos dois títulos. A sua primeira grande conquista além destes títulos foi precisamente em 2018, ao vencer uma etapa da Volta à Polónia, mas era um gregário importante na estrutura da formação francesa.

Médico já tinha enfrentado acusação de doping

Mark Schmidt é o médico que estará no centro desta rede de dopagem. Cerca de 40 sacos de sangue terão sido descobertos numa garagem em Erfurt, na Alemanha. Schmidt foi  outro dos detidos, além dos atletas, e os meios de comunicação social alemães avançam que o médico estará disponível para colaborar com a autoridades. Os sacos de sangue identificados com abreviaturas fizeram de imediato lembrar o caso espanhol, conhecido como "Operación Puerto".

Este caso "rebentou" em 2006 e Alejandro Valverde foi um dos ciclistas envolvidos que acabou mesmo a cumprir uma suspensão de dois anos. Jan Ullrich confessou mais tarde ter recorrido aos serviços de Eufemiano Fuentes. Treze anos depois e após de avanços e recuos na justiça, ainda não se conhece o nome de todos os atletas envolvidos, com o médico espanhol garantir que o escândalo de doping ia além do ciclismo.

Quanto a Schmidt, fica agora a expectativa se irá divulgar a quem pertencem os sacos de sangue descobertos. Este médico esteve nas equipas alemãs Gerolsteiner e Milram. Em 2008, Schmidt foi acusado por Bernhard Kohl, ciclista então apanhado com doping, segundo recorda o Cycling News. O médico foi ilibado em tribunal.

UCI quer estar informada e colaborar

Com o caso a começar nos Mundiais de ski, a UCI explicou que não está informada sobre as confissões de Denifl e Preidler, apelando às autoridades austríacas e à Agência Mundial de Anti-dopagem para que sejam entregues ao seu órgão independente de combate ao doping a informação que esteja directamente ou indirectamente relacionada com o ciclismo. Em comunicado, a UCI quer seguir de perto a investigação e ajudar no que for necessário.