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5 de janeiro de 2021

AG2R Citroën apresenta a bicicleta para 2021. Início da parceria com a BMC

© BMC
A BMC vai iniciar com a AG2R Citroën uma nova fase na equipa francesa, com a marca suíça de bicicletas a passar agora a fornecer as suas máquinas a duas equipas World Tour. Com a Qhubeka Assos (antiga NTT) a conseguir continuar no pelotão, a BMC terá uma forte presença ao mais alto nível e até vai ter novamente um ciclista na suas bicicletas que alcançou as suas maiores vitórias precisamente na BMC.

Greg van Avermaet foi uma das principais figuras da extinta equipa, quando esta foi uma das mais fortes do pelotão internacional. Ganhou o Paris-Roubaix, etapas no Tour, foi campeão olímpico e muito mais numa BMC. O projecto chegou ao fim em 2018, com a polaca CCC a tomar conta das operações. A marca suíça, optou por outro caminho. A Qhubeka Assos tem vivido tempos difíceis, com a AG2R Citroën também a não ser uma equipa muito ganhadora em tempos recentes, mas não deixa de ser uma forte aposta em estar presente no ciclismo, algo que a Giant, por exemplo, não poderá dizer, pois com o fim da CCC, ficou sem espaço, com a Intermaché Wanty Gobert - que comprou a licença - a manter a parceria com a Cube.

© AG2R Citroën
A formação francesa inicia uma nova era, tendo visto sair a sua referência de épocas recentes - Romain Bardet foi para a DSM (ex-Sunweb) -, preparando-se para apostar mais em clássicas e eventualmente corridas de uma semana, do que propriamente em lutar pela geral nas grandes voltas. Ou mais no Tour, que sempre foi o principal interesse da AG2R.

Além desta mudança de rumo, da contratação, entre outros, de Greg van Avermaet e de Bob Jungels (ex-Deceuninck-QuickStep) e da entrada da Citroën - que reforçou o orçamento -, a bicicleta é então uma das grandes novidades para 2021 da equipa francesa. A AG2R Citroën deixou a marca Eddy Merckx e com a BMC é mais uma equipa a render-se aos travões de disco. As velhinhas pinças são cada vez mais algo do passado.

A SLR01 terá componentes da Campagnolo, que está assim presente em quatro equipas World Tour. Além da AG2R, patrocina a Lotto Soudal, UAE Team Emirates e a Cofidis. A Shimano continua a dominar neste aspecto, com presença em 13 das 19 equipas do principal escalão.

O selim é da marca Fizik, com a Wahoo a fornecer os ciclo-computadores. Por curiosidade os equipamentos são da Rosti e deram bastante que falar quando foram apresentados... Não desapareceu o castanho, mas a camisola é diferente do que tem sido habitual.

Quanto à bicicleta de contra-relógio, será a BMC Warp TT.

Em baixo fica um vídeo que mostra a montagem de uma das novas bicicletas da AG2R Citroën.

»»Uma Bianchi renovada para a nova parceria««

»»Bicicletas com muita história roubadas da sede da Specialized««

25 de setembro de 2019

Rohan Dennis recorreu a bicicleta da BMC para ser campeão pela segunda vez

(Fotografia: © Twitter UCI)
Rohan Dennis reapareceu e foi o contra-relogista de classe superior que se conhece. Desde que estranhamente abandonou a Volta a França, no dia antes do contra-relógio para o qual era o favorito a ganhar, que o campeão do mundo se resguardou em casa, junto da sua família, enquanto treinou para o que acabou por ser o principal objectivo de uma fraca temporada. Deu uma única entrevista neste período de tempo, na qual não explicou o que o levou a deixar o Tour, limitando-se a dizer que tudo que se tinha dito e escrito havia sido exagerado. Dennis regressou e voltou a deixar a concorrência longe nos Mundiais e, no entanto, a difícil relação com a sua equipa continua a ser tema depois de não ter utilizado uma bicicleta Merida, mas sim da marca que lhe deu alguns dos seus maiores triunfos: BMC. Dennis é agora um bicampeão do mundo de contra-relógio, mas a incerteza quanto ao seu futuro é grande.

Por altura em que se publica este texto, ainda não há qualquer reacção da Bahrain-Merida quanto à conquista do seu ciclista. A Deceuninck-QuickStep e a Ineos, por exemplo, rapidamente colocaram nas redes sociais menções às conquistas de Remco Evenepoel e Filippo Ganna, medalha de prata e bronze, respectivamente.

Dennis desapareceu na 12º etapa do Tour - por momentos nem a equipa sabia o que tinha acontecido - e uma das razões adiantas nos meios de comunicação social para o abandono foi um possível descontentamento com o material que a Merida lhe estava a disponibilizar para o contra-relógio. O australiano nunca confirmou essa versão e numa entrevista ao The Advertiser, garantiu que nunca disse mal de nenhum patrocinador. Não corria desde 18 de Julho e reapareceu esta quarta-feira com uma BMC e não uma bicicleta da Merida. A bicicleta destes Mundiais foi pintada toda de preto, sem menção à marca.

O próprio ciclista admitiu a troca, referindo que foram os responsáveis da selecção australiana que determinaram que seria o melhor para ele, que aquela bicicleta seria a mais indicada para a sua posição corporal. Questionado se teria problemas com a Bahrain-Merida, limitou-se a dizer que teriam de perguntar à equipa, mas realçou como a escolha na selecção supera a da equipa que representa durante o ano. Os regulamentos permitem que ao representar o seu país nos Mundiais, os ciclistas possam escolher o seu equipamento, o que não significa que não vá ter problemas com quem lhe paga o salário.

As marcas apostam forte em ter ciclistas de renome a utilizarem as suas bicicletas. Para a Merida foi a oportunidade de ter novamente um campeão do mundo, depois de Rui Costa ter-se mudado para a então Lampre. No entanto, ao ver Dennis ser novamente campeão sem que se tenha visto a marca Merida em destaque durante a transmissão televisiva é um rude golpe mediático.

Rohan Dennis tem mais um ano de contrato com a Bahrain-Merida, equipa que escolheu depois do final da BMC. Esteve longe de ser um ano fantástico para o australiano, mas que até apareceu bem na Volta à Suíça, sendo segundo atrás de Egan Bernal (Ineos). Uma classificação algo surpreendente, mas que abriu expectativas para o Tour. Contudo, foi o Dennis do costume, com as temporadas a passar e o tal voltista em que prometeu tornar-se não se ver.

A Bahrain-Merida já contratou Mikel Landa e Wout Poels e poderá muito bem apostar mais num Dylan Teuns que se destacou tanto no Tour como na Vuelta. O problema de Dennis é que pode ser bicampeão do mundo de contra-relógio, mas o papel que poderá desempenhar numa equipa não é nesta fase da sua carreira claro. Não é um líder que dê garantias e não se tem apresentado disponível para ser gregário. Aos 29 anos, o australiano prepara-se para enfrentar um 2020 muito importante para definir o que resta da sua carreira.

Remco Evenepoel espectacular

O belga não quis competir em sub-23 - escalão a que ascendeu este ano - por respeito aos adversários. Dada a experiência que pôde viver na Deceuninck-QuickStep em 2019, Remco Evenepoel considerou mais justo saltar o escalão e ir directamente dos juniores para a elite nos Mundiais. Há um ano ganhou os títulos no contra-relógio e na prova de estrada e esta quarta-feira só um Rohan Dennis fortíssimo não permitiu um autêntico conto de fadas. Ainda assim, aos 19 anos, Evenepoel foi segundo, a 1:09 minutos, deixando atrás de si alguns dos principais nomes da especialidade, como Nelson Oliveira.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
O português chegou a estar numa posição de conquistar finalmente uma medalha em Mundiais, mas uma ligeira quebra na fase final fê-lo perder o pódio por menos de 15 segundos. Com os ciclistas separados por pequenas diferenças, Nelson caiu de um potencial terceiro posto para oitavo, mas foi mais um excelente resultado e o quarto top dez em Mundiais de elite.

Nelson Oliveira vai continuar a perseguir a medalha que lhe tem escapado, enquanto de Remco Evenepoel se espera que mais cedo ou mais tarde vista a camisola de campeão do mundo de elite no contra-relógio e muito provavelmente numa prova de estrada, que vai participar no domingo.

De referir que Primoz Roglic teve um dia para esquecer. O esloveno esteve longe do ciclista que foi medalha de prata nos Mundiais de Bergen, há dois anos, com a Vuelta a ter o seu peso numa prestação que o fez ser ultrapassado por Rohan Dennis, que partiu três minutos depois! Tony Martin fechou mais um top dez, mas parece cada vez mais difícil que venha a conseguir o ambicionado quinto título. O recordista da hora Victor Campenaerts caiu, teve de trocar de bicicleta... outro corredor que teve um dia para esquecer. Já Alex Dowsett vai recordá-lo, pois a correr em casa foi quinto, na sua melhor classificação de sempre em Mundiais.

(O texto continua por baixo da classificação, via FirstCycling.)


Virar de página em Yorkshire
(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
A partir desta quinta-feira arrancam as provas em linha, com a prova de juniores masculinos (12:10, com transmissão no Eurosport 1). Os portugueses André Domingues (dorsal 114) e João Carvalho (113) vão marcar presença na corrida de 148,1 quilómetros, com partida em Richmond e chegada em Harrogate, onde o pelotão irá cumprir três voltas ao circuito urbano. Antes os corredores vão ultrapassar duas subidas que deverão encurtar o grupo principal. Em Kidstones, ao quilómetro 44,7 há uma escalada de 3900 metros, com inclinação média de 4,3% e máxima de 11,3%. Em Summerscales (87,4), a subida terá 6,4 quilómetros, com pendente média de 3,9%.

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26 de dezembro de 2018

BMC em ano de despedida

(Fotografia: Facebook BMC/CCC Team)
Quando uma época começa, passa-se por aquela fase de adaptação a ciclistas em equipas diferentes, mudanças de equipas, de nome... Porém, em 2019, haverá uma mudança mais profunda: não se verá mais os habituais equipamentos vermelhos e pretos com o nome BMC. Vai ser estranho, como aconteceu noutros anos quando icónicos patrocinadores deixaram o pelotão, ou quando uma equipa terminou. 2018 foi o ano do adeus de uma das equipas mais fortes do pelotão, que entrará agora numa nova fase como estrutura polaca: a CCC Team. Da despedida ficaram boas recordações, mas com aquela frustração de mais uma vez não discutir uma grande volta, principalmente o Tour com Richie Porte.

Mas mais do que uma análise a 2018, acaba-se inevitavelmente por escrever sobre o que esta equipa foi. Nasceu da aliança entre um apaixonado pela modalidade Andy Rihs - que morreu este ano - e o antigo ciclista Jim Ochowicz. Rihs ficou desiludido ao ver como a sua Phonak acabaria manchada pelo doping de Floyd Landis, que levou ao fim da equipa em 2006 e a retirada da vitória no Tour. O magnata suíço era também dono da marca de bicicletas BMC e surgiu no ano seguinte com o novo projecto, que se tornaria num de referência no ciclismo.

Os primeiros passos foram dados maioritariamente com ciclistas americanos e alguns suíços. Em 2010, a equipa contrata Cadel Evans, então campeão do mundo e com pódios no Tour e Vuelta. A partir de então, foi sempre a subir. A BMC foi convidada para o Giro e para o Tour (pertencia ao escalão Profissional Continental), com Evans a fechar na quinta posição. Venceu uma etapa, a primeira de 26 em grandes voltas da BMC. Antes, o australiano tinha sido o autor da estreia a ganhar em corridas de categoria World Tour, com a conquista da Flèche Wallonne. Foi também Evans quem deu o triunfo que marca a história da BMC: a Volta a França em 2011, na primeira temporada da equipa no escalão principal.

Tejay van Garderen não conseguiu cumprir as expectativas para substituir Evans e Richie Porte, contratado à Sky, foi perseguido por algum azar, com quedas a marcarem as duas últimas edições no Tour.


Ranking: 4º (8779,97 pontos)
Vitórias: 22 (incluindo uma etapa no Giro, três na na Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Rohan Dennis (6 mais o título mundial de contra-relógio)

Para atacar os monumentos, a aposta foi em mais um homem da belga Lotto. Philippe Gilbert chegou à BMC com três no currículo, mas o ciclista não conseguiu repetir as performances, destacando-se, contudo, o título mundial. Evans vestiu essa camisola, mas tinha vencido quando representava a Lotto, Gilbert deu uma enorme alegria a Rihs e Ochowicz, ainda que não tenha dado muitas mais. Na luta de egos com Greg van Avermaet, seria este a dar o monumento à equipa. Não foi a Volta a Flandres como tanto queria Avermaet, mas conquistou o Inferno do Norte do Paris-Roubaix em 2017.

Pela importância das corridas, estas são vitórias a destacar. Porém, a BMC conseguiu ser uma equipa que tanto lutava por corridas por etapas, como estava na disputa por clássicas. Taylor Phinney, Thor Hushovd, George Hincapie, Steve Cummings, Daniel Oss, Stefan Küng e Alessandro de Marchi foram outros nomes que marcaram esta equipa, seja com vitórias ou por serem alguns dos melhores homens de trabalho. Isto sem esquecer Rohan Dennis. Pode não ter sido (pelo menos na BMC) o voltista que ambicionava, mas o senhor contra-relógio vestiu as camisolas de líder das três grandes voltas e para fechar a história da BMC em grande deu mais um título mundial individual, sem esquecer que esta equipa foi exímia nesta vertente a nível colectivo (foi campeã em 2014 e 2015).


Claro que os títulos mundiais são ganhos ao serviço das selecções, mas a camisola leva o nome do patrocinador da equipa que o ciclista representa, pelo que é sempre um triunfo relevante. Quanto a Dennis vai levar a camisola do arco-íris para a Bahrain-Merida, mas na despedida pela BMC ganhou um contra-relógio no Giro e dois na Vuelta e foi líder em ambas. Venceu ainda no Tirreno-Adriatico e em Abu Dhabi, além de ser campeão nacional. 

De Marchi também venceu uma etapa na Vuelta e é dele a derradeira vitória da BMC no Giro dell'Emilia. Richie Porte conquistou a Volta à Suíça, mas a queda na etapa de Roubaix do Tour, ainda antes de chegar aos sectores de pavé, acabou por marcar a temporada pela negativa. Greg van Avermaet ganhou o Tour de Yorkshire, mas ficou aquém do esperado nas clássicas. 22 triunfos, mais o título mundial de Dennis para fechar uma história que irá agora entrar na fase CCC Team.

Passar grande parte da temporada sem saber se será possível manter a equipa viva, fez com que Ochowicz não pudesse segurar a maior parte das suas estrelas. Aos poucos estas foram assinando por outras equipas, mas não se pode acusar ninguém de não ter estado dedicado a garantir que a BMC alcançasse os seus objectivos, mesmo que fora da estrada estivesse em marcha a procura por garantir o futuro.

Apenas sete ciclistas vão transitar para a CCC Team, com Greg van Avermaet a ser apresentado como o líder, já que as clássicas e a caça por etapas serão os planos para 2019. Ochowicz quer alcançar a marca de 20 vitórias, numa equipa que contará com um português. Amaro Antunes chega ao World Tour, tendo sido um dos ciclistas que sobe da CCC versão Profissional Continental, que não continuará a existir.

2019 será um ano zero, mas com ambição de novamente fazer crescer a equipa de forma a discutir novamente as grandes voltas e contar com mais referências do ciclismo actual. Não foi feito segredo que com o anúncio da saída da Sky como patrocinador, Michal Kwiatkowski passa a ser a escolha número um para 2020, caso a equipa britânica feche portas. O susto de ver a estrutura terminar passou para Ochowicz, mas o trabalho de reconstrução está apenas a começar.

Transitam da BMC: Greg van Avermaet, Alessandro de Marchi, Michael Schär, Patrick Bevin, Joey Rosskopf, Nathan van Hooydonck e Francisco Ventoso.

Transitam da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes, Pawel Bernas, Lukasz Owsian, Kamil Gradek e Szymon Sajnok.

Contratações: Laurens ten Dam (Sunweb), Simon Geschke (Sunweb), Serge Paywels (Dimension Data), Will Barta (Hagens Berman Axeon), Lukaz Wisniowski (Sky), Victor de la Parte (Movistar), Gijs van Hoecke (Lotto-Jumbo), Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia), Guillaume van Keirsbulck (Wanty-Groupe Gobert), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels) e Josef Cerny (Elkov-Author Cycling Team).

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14 de novembro de 2018

Hincapie salva equipa mas desce de escalão

(Fotografia: Facebook Hincapie Racing)
Um suspiro de alívio no ciclismo americano. Uma das equipas em risco de fechar portas conseguiu salvar-se, ainda que vá baixar ao escalão Continental. A solução até foi interna, com dois dos patrocinadores secundários a aumentarem a parada e a garantir financeiramente o futuro da estrutura. O projecto do antigo ciclista George Hicanpie irá assim continuar na estrada.

A Arapahoe Resources e a BMC, que já fornecia as bicicletas à equipa, reforçam a aposta na estrutura que estava em risco desde que os patrocinadores principais tinham anunciado que não iriam prosseguir além de 2018. A Holowesko-Citadel terá assim novo nome e um plano diferente, já que não só a confirmação do apoio financeiro chegou tarde de mais para pedir uma licença Profissional Continental, mas também porque o objectivo passou por reduzir o orçamento, o que implicaria baixar ao terceiro escalão. Na segunda categoria, normalmente é necessário ter perto de um milhão de euros, enquanto na terceira, o orçamento pode descer para metade, ou mais.

"Tenho esperança que com estes parceiros e com este novo conjunto de rapazes, possamos alcançar vitórias e ter uma época de sucesso em 2019", afirmou Hincapie. Nove ciclistas estão já assegurados. Transitam da actual equipa Miguel Byron (23 anos), Brendan Rhim (22), Andrew Dalheim (30) e TJ Eisenhart (24) - todos americanos - e o letão Andz Flaksis (27).

Com o final da United Healthcare (Profissional Continental) e da Jelly Belly p/b Maxxis, Hincapie foi buscar Tanner Putt (26) à primeira e Ben Wolfe (25) à segunda. O júnior Seth Jones vem da Dornier Racing, enquanto Justin Oien (23) regressa a casa depois de dois anos na Caja Rural. Todos estes ciclistas são americanos.

A BMC pode ter deixado de patrocinar uma equipa do World Tour - passará a ser a CCC -, mas irá manter a sua ligação ao ciclismo (a Dimension Data terá as bicicletas da marca suíça). A BMC tem estado ao lado de Hincapie desde que o antigo corredor formou a equipa em 2012, então com o nome BMC-Hincapie Sportswear. Esta relação nasceu precisamente por o corredor representar a equipa do World Tour entre 2010 e 2012, nas três últimas temporadas da sua carreira.

Quanto a Arapahoe Resources é uma empresa de exploração de petróleo e gás, com base em Oklahoma e que também já patrocinava a equipa.

A equipa subiu ao segundo escalão em 2018, tendo alcançado cinco vitórias: duas em França e três nos Estados Unidos, todas na Joe Martin Stage Race. No seu historial, a equipa já viu ciclistas seus chegar ao World Tour, casos de Toms Skujins, letão da Trek-Segafredo, e Joey Rosskopf , bicampeão de contra-relógio americano e que "saltou" da formação de Hincapie para a BMC, preparando-se agora para representar o novo patrocinador, a CCC.

Apesar de George Hincapie ser o rosto da equipa, este é um projecto que partilha com o irmão Rich. Ambos têm a paixão pelo ciclismo, mas Rich, apesar de ter competido como amador, optou por prosseguir os estudos e foi ele quem criou a marca Hincapie Sportswear.

George teve uma carreira de sucesso. Venceu a Gent-Wevelgem (2001), a Kuurne-Bruxelles-Kuurne (2005) e três etapas no Critérium du Dauphiné (duas em 2005 e uma em 2008), num total de 22 vitórias como profissional. Fez grande parte da carreira na US Postal, que posteriormente passou a ser a Discovey Channel, tendo sido companheiro de dois portugueses: José Azevedo e Sérgio Paulinho. Esteve depois duas temporadas na poderosa Columbia-HTC, nos tempos áureos de Mark Cavendish, antes de rumar à BMC.

De recordar, que este ano fecham portas a irlandesa Aqua Blue Sport, a americana United Healthcare, do segundo escalão, enquanto do terceiro, as britânicas One Pro Cycling e JLT Condor não vão para a estrada em 2019, assim como a americana Jelly Belly p/b Maxxis, como foi referido. No ciclismo feminino a Wiggle High5 também colocará um ponto final na equipa.

Além da estrutura de Hincapie, a canadiana Silber também conseguiu salvar-se de um final quase anunciado, quando Floyd Landis anunciou que iria regressar à modalidade, para financiar a equipa.


22 de setembro de 2018

Um dos Mundiais mais difícil da história começa com duas despedidas

(Fotografia: Facebook BMC Racing Team)
David Lappartient ainda mal tinha tomado posse como presidente da UCI e já estava a anunciar que ia acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais. Pelo menos nos actuais moldes, ou seja, as formações dos três escalões deixam de ter acesso a esta prova. Eventualmente poderá regressar o contra-relógio colectivo por selecções. E por falar em despedidas, serão a dobrar, pois a BMC vai tentar dizer adeus com um terceiro título. A estrutura prepara-se para mudar de nome e muitos dos seus ciclistas estão de partida para outras equipas.

Dos seis que vão compor a BMC, apenas Greg van Avermaet e Patrick Bevin irão continuar naquela que será a CCC, ainda que o nome não esteja confirmado, Porém, todos querem uma última grande vitória de uma equipa que é rainha nos contra-relógios colectivos. Este ano soma três triunfos, incluindo na Volta a França, ao que acresce dez em contra-relógios individuais, seis das quais por intermédio Rohan Dennis. O australiano tem bem definido o objectivo de ficar com o título mundial, que se irá disputar na quarta-feira e é um dos principais favoritos. Mas antes é uma questão de honra fechar a presença da BMC como patrocinador principal com um título que premiará aquela que é uma das equipas mais fortes nesta vertente.

Além de Rohan Dennis (está de saída para a Bahrain-Merida), Greg van Avermaet e Patrcik Bevin, a BMC chamou Stefan Küng (vai para a Groupama-FDJ), Damiano Caruso (Bahrain-Merida) e Tejay van Garderen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale).

A BMC venceu em 2014 e 2015, mas é a Quick-Step Floors que tem mais títulos: 2012, 2013 e 2016. Curiosamente, também haverá quem fará a sua despedida, pois três dos seis ciclistas já assinaram por outras equipas para a próxima temporada: Laurens de Plus vai para a Jumbo (a Lotto deixará de patrocinar a equipa), Max Schachmann  assinou pela Bora-Hansgrohe e Niki Terpstra mudar-se-á para a Direct Energie. Bob Jungels, Kasper Asgreen, Yves Lampaert completam o sexteto que irá atacar o quarto título mundial. A Quick-Step Floors só venceu um contra-relógio colectivo esta temporada, na Adriatica Ionica, em Itália.

Naquela que será uma curta história desta competição, que começou me 2012, a Sunweb quebrou o hegemonia das duas equipas anteriores no ano passado. Individualmente Tom Dumoulin persegue o segundo título consecutivo, mas o holandês quer repetir o duplo sucesso de 2017. Apesar de estar perder alguns ciclistas importantes, os que estarão em Innsbruck vão todos continuar na formação na próxima temporada e até mais além: Wilco Kelderman, Sam Oomen, Michael Matthews, Chad Haga, Soren Kragh Andersen, além de Dumoulin. De destacar que a Sunweb é também a campeã do mundo em título entre as senhoras.

A este trio de óbvio de candidatos junta-se a Sky (terceira há um ano) e a Mitchelton-Scott. Começando pela equipa australiana. Em seis edições somou quatro pódios! Mas nenhuma vitória. Dois segundos e dois terceiros. Tem uma última oportunidade para ajustar contas com uma prova que em 2013 escapou-lhe por um segundo. Jack Bauer, Luke Durbridge, Michael Hepburn, Daryl Impey, Cameron Meyer e Matteo Trentin têm bem claro que é para ganhar.

Quanto à Sky, apesar de Chris Froome e Geraint Thomas terem optado por não viajar para Innsbruck para nenhuma das corridas, a equipa não deixa de ser interessante: Michal Kwiatkowski, Jonathan Castroviejo, Vasil Kiryenka (campeão do mundo de contra-relógio em 2015), Gianni Moscon, Ian Stannard e Owain Doull. Castroviejo e Stannard substituem os dois britânicos comparativamente à equipa que esteve em Bergen.

Com um ciclista quatro vezes campeão do mundo da especialidade, Tony Martin, e outro dos melhores, Alex Dowsett, a Katusha-Alpecin é uma equipa a ter em conta. Porém, ambos têm estado longe do seu melhor. Nathan Haas, Reto Hollenstein, Nils Politt e Mads Würtz Schimdt completam o seis escolhido.

Nelson Oliveira (Movistar) será o único português nesta competição e terá a seu lado Andrey Amador, Winner Anacona, Imanol Erviti, Marc Soler e Jasha Sütterlin. Não é uma equipa que aspire a uma medalha, mas Oliveira aparece na lista de candidatos quando se fala do contra-relógio individual de quarta-feira.



O percurso terá 62,8 quilómetros, mais 20 do que em Bergen2017. Não só testará os limites da resistência pela sua extensão, como uma subida de cerca de cinco quilómetros, aos 40, poderá fazer a diferença (gráfico de cima). Quanto às senhoras, não terão essa dificuldade, com a distância a ser de 54,5 (gráfico em baixo).



Estarão presentes 12 equipas do World Tour, uma do escalão Profissional Continental, a CCC Sprandi Polkowice, e nove Continentais. É o arranque oficial de uns Mundiais muito esperados devido às dificuldades da corrida de fundo, com 4670 metros de acumulado à espera dos ciclistas e pendentes de fazer quebrar o melhor dos trepadores. Mas essa é só domingo, dia 30. Para já, é o contra-relógio colectivo que irá definir os primeiros campeões de mundo na Áustria. E até quarta-feira será esta especialidade que estará em destaque, ainda que a partir de segunda-feira será a nível individual (pode ver neste link quando participam ciclistas portugueses).

Aqui ficam os horários de partida para a prova feminina e masculina (hora portuguesa). Ambas serão transmitidas no Eurosport.

9:10 - Bepink (Itália)
9:13 - Team Virtu Cycling (Dinamarca)
9:16 - Parkhotel Valkebug (Holanda)
9:19 - Cogeas-Mettler Pro Cycling Team (Rússia)
9:22 - BTC City Ljubljana (Eslovénia)
9:25 - Valcar PBM (Itália)
9:28 - Wiggle High5 (Grã-Bretanha)
9:31 - Ale Cipollini (Itália)
9:34 - Canyon//Sram Racing (Alemanha)
9:37 - Mitchelton-Scott (Austrália)
9:40 - Boels Dolmans (Holanda)
9:43 - Sunweb (Holanda)

13:40 - Tirol Cycling Team (Áustria)
13:43 - WSA Pushbikers (Áustria)
13:46 - Hrinkow Advarics Cycleang (Áustria)
13:49 - Dukla Banska Bustrica (Eslováquia)
13:52 - Lotto-Kern Haus (Alemanha)
13:55 - Sangemini-MG. K Vis-Vega (Itália)
13:58 - Voralberg Santic (Áustria)
14:01 - Felbermayr Simplon Wels (Áustria)
14:04 - Elkov-Author (República Checa)
14:07 - CCC Sprandi Polkowice (Polónia)
14:10 - Katusha-Alpecin (Suíça)
14:13 - Trek-Segafredo (EUA)
14:16 - AG2R La Mondiale (França)
14:19 - Lotto-Jumbo (Holanda)
14:22 - Astana (Cazaquistão)
14:25 - Movistar (Espanha)
14:28 - Mitchelton-Scott (Austrália)
14:31 - Bora-Hansgrohe (Alemanha)
14:34 - Quick-Step Floors (Bélgica)
14:37 - Sky (Grã-Bretanha)
14:40 - BMC
14:43 - Sunweb


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21 de setembro de 2018

Mais uma equipa que sai de cena e há outras em risco

Está a ser o salve-se quem puder em várias equipas e não está a ser possível para algumas salvarem-se. A Aqua Blue Sport foi a primeira a anunciar o final de um projecto que durou apenas dois anos. Segue-se agora um mais antigo e de diferente escalão, mas que tinha a sua importância na Grã-Bretanha. A JLT Condor não encontrou um patrocinador para substituir o que vai sair. Fim da linha. Nos Estados Unidos são duas equipas em perigo e no Canadá há mais uma que luta pela sobrevivência.

A BMC foi o caso mais mediático do ano. É uma equipa do World Tour, com alguns dos melhores ciclistas, vencedora de uma grande volta e de outras grandes corridas. Mesmo sendo uma equipa poderosa, sofreu para encontrar quem substituísse a marca de bicicletas, que não quer mais seguir como um patrocinador principal. Aliou-se entretanto à Dimension Data como fornecedor das bicicletas, enquanto a empresa polaca CCC (que apoia uma formação do segundo escalão) acabou por salvar a estrutura americana e vai agora para o World Tour, levando consigo o ciclista português Amaro Antunes.

A luta noutros escalões não é mais fácil. A Aqua Blue Sport tentou aliar-se à Vérandas Willems-Crelan, mas a estrutura belga preferiu seguir outro caminho. A equipa irlandesa, que nasceu acreditando ser possível sustentar-se através das vendas feitas no site dedicado à modalidade, não resistiu à falta de convite para corridas mais importantes. Fecharam-se as portas e nem a época terminou. A Vérandas Willems-Crelan irá juntar-se à holandesa Roompot-Nederlandse Loterij. Em 2019 será a Roompot-Crelan. Não deixa de ser mais uma equipa que desaparece.

A saída de patrocinadores cria uma enorme instabilidade, lançando os directores numa busca intensa por substitutos. Foi o que fez Grant Young, das bicicletas Condor. A seguradora JLT anunciou o fim do apoio, mas não foi encontrada uma solução. A equipa britânica, do escalão Continental e que já passou pela Volta a Portugal, viu-se obrigada a terminar um projecto que deu os primeiros passos em 2005. A equipa dava a oportunidade a muitos britânicos de começarem no profissionalismo.

A Grã-Bretanha arrisca-se a ficar apenas com quatro equipas no terceiro escalão, ou seja, Continentais, pois a One Pro Cycling, passou de sonhar com o World Tour, para ter de dar um passo atrás em 2018 e agora vai acabar com a equipa masculina, para apostar numa feminina. Matt Prior, o fundador da equipa, acredita que é no Women's World Tour que estão as melhores oportunidades. De referir, que haverá outra equipa a entrar no ciclismo feminino: a Trek-Segafredo.

Do outro lado do oceano a vida não está também nada fácil. A Jelly Belly vai deixar o ciclismo, depois de 19 anos a apoiar a equipa. É o fim dos famosos equipamentos com feijões coloridos. O director Danny Van Haute está em contra-relógio para salvar a equipa, tal como Thierry Attias, que viu a UnitedHealthcare também a não querer continuar a patrocinar a estrutura que engloba uma formação masculina (Profissional Continental) e feminina. Mais a norte, no Canadá, é a Silber Pro Cycling (Continental) que irá perder o seu benfeitor e corre o risco de terminar.

Esta é uma realidade que, infelizmente, não tem nada de novo e que ano após ano coloca sempre alguém à procura de soluções para salvar projectos. Uns mais antigos que outros, mas que têm em comum darem oportunidades a ciclistas de terem carreiras na modalidade e ainda dão a emprego a muitas mais pessoas que trabalham nos "bastidores".



10 de setembro de 2018

Amaro Antunes vai para o World Tour

O momento chegou para Amaro Antunes. O ciclista algarvio vai estar ao mais alto nível do ciclismo e estão escancaradas as portas para finalmente se estrear numa grande volta. A salvação da BMC passou pela parceria da CCC com a Continuum Sports, dona da estrutura. A marca polaca substituirá a das bicicletas suíças - que não irá continuar como patrocinadora - e não sendo esta uma fusão entre duas equipas, ficou indefinido o futuro dos ciclistas da formação Profissional Continental. Amaro Antunes vê agora a sua questão resolvida e Portugal terá mais um representante no principal escalão da modalidade.

Depois de uma temporada avassaladora na W52-FC Porto, Amaro escolheu a CCC Sprandi Polkowice para prosseguir a carreira, num passo que considerou o ideal, em vez de tentar logo saltar para o World Tour. Queria ser líder e a equipa polaca deu-lhe essa oportunidade. Não foi uma época fácil. Começou com a desilusão de a equipa não receber o convite para a Volta ao Algarve, onde em 2017 Amaro tinha vencido no Alto do Malhão. Tinha começado um ano com um excelente 10º na Volta à Comunidade Valenciana, mas na Ruta del Sol - que se realiza nas mesmas datas da Algarvia - estava a continuar o bom momento quando caiu e ficou muito mal tratado, principalmente numa mão.

A CCC não conseguiu ter outro convite: o do Giro. Em 2017 participou na corrida, mas este ano a escolha foi para a Israel Cycling Academy, já que a corrida começava precisamente em Israel. Com o Tour e Vuelta fora de questão, o sonho de uma grande volta ficou adiado para Amaro. As vitórias chegaram finalmente no Tour de Malopolska, na Polónia, com um triunfo de etapa e na geral. Novo golpe em Agosto, quando uma lesão o afastou do principal objectivo da época, a Volta à Polónia. Apesar dos azares, a qualidade deste ciclista foi reconhecida.

"É um sonho tornado realidade ir para o World Tour com a Continuum Sports. É uma enorme motivação para mim e estou ansioso por começar o próximo ano. O meu objectivo principal é alcançar bons resultados nas mais importantes corridas do World Tour e ajudar a equipa o máximo possível. É uma honra e uma grande responsabilidade trabalhar com alguns dos melhores ciclistas do mundo", afirmou Amaro Antunes, que depois de uma excelente notícia, espera ainda pela possibilidade surgir mais uma. O algarvio está entre os pré-convocados para os Mundiais de Innsbruck, com oito candidatos para quatro vagas: Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), José Mendes (Burgos BH), Nelson Oliveira (Movistar), Rúben Guerreiro (Trek-Segafredo), Rui Costa (UAE Team Emirates) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin).

Com a indefinição do futuro da BMC a durar até muito tarde na temporada, vários ciclistas acabaram por escolher outras equipas para prosseguirem a carreira em 2019. Isto tem significado a perda da maioria dos corredores com características de trepadores. Amaro Antunes pode ter assim a oportunidade de assumir um papel relevante dentro da equipa, que ainda não tem nome definido. Richie Porte, Tejay van Garderen, Dylan Teuns e Nicolas Roche, por exemplo, assinaram já por outras equipas (Trek-Segafredo, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Bahrain-Merida e Sunweb, respectivamente).

Quando a nova parceria foi anunciada em Julho, durante a Volta a França, Greg van Avermaet foi anunciado como o líder, numa equipa que seria construída a pensar no homem das clássicas e com foco neste tipo de corridas. No entanto, foi confirmado que Geraint Thomas recebeu uma proposta, mas o britânico e vencedor do último Tour, optou por renovar por três anos pela Sky. Ainda assim, aos poucos a equipa vai construindo um bloco para provas por etapas.

"O Amaro irá ter um papel chave na equipa e terá também as suas oportunidades. A sua aptidão para subir está comprovada e com a nossa perícia nos contra-relógios, poderemos fazer melhorias nessa disciplina, que irá contribuir naturalmente para os seus resultados nas corridas por etapas", realçou Jim Ochowicz. O director da BMC - e que manterá o cargo - referiu aquele que é o ponto fraco do algarvio, que, ainda assim, tem vindo a trabalhar muito, principalmente nos últimos dois anos.

"Estamos entusiasmados em dar as boas-vindas a Amaro Antunes à Continuum Sports. O Amaro é um dos maiores talentos a vir de Portugal e será o primeiro português a correr na Continuum Sports. Apesar de ser a sua primeira temporada no escalão Profissional Continental, o Amaro já tinha impressionado no passado, com alguns resultados sólidos contra ciclistas do World Tour. Sentimos que podemos continuar a desenvolver o talento puro do Amaro e ajudá-lo a atingir o seu potencial", referiu o responsável, através de um comunicado.

A equipa tem até ao momento 15 ciclistas confirmados para 2019, pelo que as contratações ainda não estão fechadas. Apenas seis transitaram até ao momento da actual BMC: Greg van Avermaet (Bel, 33), Alessandro De Marchi (Ita, 32), Joey Rosskopf (EUA, 29), Patrick Bevin (NZ, 27), Michael Schär (Sui, 31) e Nathan Van Hooydonck (Bel, 22).

Três foram chamados da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes (Por, 27) e Lukasz Owsian (Pol, 28), Szymon Sajnok (Pol, 21).

Os reforços de outras equipas são: Simon Geschke (Ale, 32, actualmente na Sunweb), Gijs Van Hoecke (Bel, 26, Lotto-Jumbo), Serge Pauwels (Bel, 34, Dimension Data), Guillaume Van Keirsbulck (Bel, 27, Wanty-Groupe Gobert), Josef Cerny (Che, 25, Elkov-Author Cycling Team) e Will Barta. O americano, de 22 anos, acaba por ser um dos grandes destaques. É mais um dos talentos que está a ser formado na Hagens Berman Axeon.


5 de setembro de 2018

Yates e Mitchelton-Scott mostraram frieza, irritando Valverde e Quintana

(Fotgrafia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Depois de um Giro no qual Simon Yates foi rei e senhor durante 18 etapas, com a Mitchelton-Scott a demonstrar uma força nunca antes vista no controlo de uma grande volta, mas que depois viu todo o trabalho desmoronar-se na 19º etapa, tanto o ciclista como a equipa mostraram agora na Vuelta que aprenderam algumas lições. Uma delas: se puderes poupar força no controlo da etapa, poupa e passa a responsabilidade ao próximo. O próximo, ou neste caso, a próxima, foi a Movistar, que se viu obrigada a perseguir uma fuga que incluiu um Thibaut Pinot que chegou a ser líder virtual. No final, tudo ficou na mesma no topo da classificação geral, contudo, as hostilidades entre as duas equipas estão abertas.

Apesar de ter na sua posse a camisola vermelha da liderança, a Mitchelton-Scott optou por deixar a frente do pelotão quando ainda faltava quase metade da etapa por concluir. Foi a mais longa da Vuelta, com 207,8 quilómetros entre Mombuey e Ribeira Sacra, Luintra e foi muito, muito atacada. Não houve paz para ninguém no constante sobe e desce. A equipa australiana e o seu líder, Simon Yates, optaram por mostrar uma tremenda frieza, arriscando mesmo a camisola vermelha. Ao não trabalhar, obrigaram a Movistar a assumir um papel que na maioria das vezes pertence a quem tem o ciclista no primeiro lugar. Porém, a Mitchelton-Scott fez-se valer do estatuto da Movistar, que está na Volta a Espanha com uma equipa fortíssima e com dois ciclistas na luta pelo triunfo, que actualmente estão em segundo e terceiro lugar.

A Movistar cumpriu a missão de terminar com uma aventura de Thibaut Pinot, que andou cerca de cem quilómetros em fuga. Tinha 2:33 de diferença no início do dia. Fugiu à procura de uma vitória de etapa e tentar subir um pouco na geral. A liderança virtual não assustou ninguém, mas a Movistar é que não quis ver o francês reentrar na luta e Pinot só acabou por recuperar 13 segundos. Ainda assim, o ciclista da Groupama-FDJ - que já teve um ciclista seu com a camisola vermelha, Rudy Molard - ficou contente com o que fez na etapa.

Esse não era o espírito de Alejandro Valverde e Nairo Quintana. Estavam bastante insatisfeitos. Ambos criticaram a Mitchelton-Scott de se aproveitar o trabalho da equipa espanhola. Valverde ataca a equipa australiana dizendo que gostam de "ir à borla", mas também se "atirou" às restantes formações: "Parece que as outras equipas não sabem correr." Já Quintana disse: "A sua [da Mitchelton-Scott] forma de correr é essa, sempre na roda e aproveitando o trabalho dos outros."

O colombiano salientou que a Movistar assumiu a responsabilidade de perseguição por querer preservar as posições dos seus dois principais ciclistas. Quintana é terceiro, a 14 segundos e Valverde segundo, a um. E é precisamente com essa intenção da equipa espanhola que jogou e provavelmente voltará a jogar a Mitchelton-Scott.

A resposta de Simon Yates não deixa dúvidas da táctica escolhida: "Estamos confiantes. A equipa fez um bom trabalho nos primeiros cem quilómetros. Foi um início difícil e caótico, que já estávamos à espera. Depois, a Movistar perseguiu, porque tem de o fazer. Não temos homens suficientes para controlar a etapa por mais de cem quilómetros. Eles têm os melhores homens aqui [na corrida]." Yates reforçou que naturalmente que Pinot é considerado um ciclista perigoso. "Não podemos controlar o dia todo e tivemos de correr alguns riscos e esse foi o risco que tomámos", salientou.

Mas é caso para dizer que é um risco controlado e uma jogada que só mais à frente na Vuelta se irá perceber se funciona. A Movistar está numa excelente posição para conquistar a Vuelta e, como equipa da casa e depois de um Tour que foi uma desilusão, a pressão é grande para obter um bom resultado que passa pela vitória na geral. As duas vitórias de etapa de Valverde são boas, mas não chegam, ainda mais quando há um ano a Movistar passou praticamente ao lado da corrida, ao não levar nenhum dos seus líderes.

Desta feita, só não levou os três porque Mikel Landa lesionou-se com gravidade na Clássica de San Sebastian. Se a Lotto-Jumbo, por exemplo, já tem assumido algumas despesas na frente do pelotão, todas as equipas irão sempre tentar usar a Movistar como um "escudo", obrigando a formação espanhola a desgastar-se e talvez assim, quando a alta montanha regressar, as restantes equipas estejam mais frescas. A Mitchelton-Scott está agora no centro das críticas da Movistar, mas já quando a Sky ou a Groupama-FDJ lideraram a Vuelta, a Movistar acabou sempre na frente do pelotão, ao ver que nenhuma tinha capacidade - ou no caso da Sky por não querer - de realizar o trabalho necessário, no ritmo necessário para controlar a corrida.

Etapa de nervos

Com esta animosidade entre as duas equipas, a etapa de quinta-feira ganha ainda mais interesse. A alta montanha regressa sexta-feira, mas com um percurso perto da costa, o vento poderá ter um papel importante nesta Vuelta na 12ª tirada. Os "abanicos", utilizando a expressão espanhola, serão um perigo constante se as previsões de vento se confirmarem, ao longo dos 181,1 quilómetros entre Mondoñedo e Faro de Estaca de Bares, na região da Galiza. A Movistar tem um passado de más memórias com este tipo de etapas.

Espera-se uma etapa de nervos, sendo que a desta quarta-feira foi tudo menos calma. Com ataques e contra-ataques, foi Alessandro de Marchi que finalmente regressou às grandes vitórias. Tantas são as vezes que se vê este italiano em fugas e, pode não ganhar muito, mas quando o faz, é sempre de nota: foi a terceira etapa na Vuelta, ao que se junta uma no Critérium du Dauphiné. Desde 2015 que De Marchi procurava este triunfo, abrilhantando ainda mais o adeus da BMC, que está a realizar a sua última grande volta com este nome. Foi a segunda vitória de etapa da equipa em Espanha, depois de Rohan Dennis ter ganho o contra-relógio e vestido a camisola vermelha. Richie Porte não conseguiu recuperar a forma para lutar pela geral depois da queda no Tour, mas a equipa já tem razões para sair de cabeça erguida da Vuelta.

Nas classificações, Valverde recuperou a camisola verde, deixando agora Peter Sagan a dois pontos. Luis Ángel Maté (Cofidis) não larga a camisola da montanha ainda que a concorrência vai começando a preparar-se para as etapas de alta montanha (cuidado com Bauke Mollema, da Trek-Segafredo). A Lotto-Jumbo está em primeiro na tabela por equipas, com Valverde a manter-se senhor do prémio combinado, mas Ben King (Dimension Data) vestirá novamente a camisola por empréstimo.

José Mendes (Burgos-BH) cortou a meta a 4:23 de De Marchi e é o melhor português na geral, na 73ª posição, a 48:05 minutos de Yates. Tiago Machado (Katusha-Alpecin) terminou a etapa a 5:04 do vencedor, Nelson Oliveira (Movistar) a 8:16 e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a 31:40.

Pode ver aqui as classificações após a 11ª etapa.




25 de agosto de 2018

Dennis vestiu mais uma camisola de liderança que quase foi de Nelson Oliveira

(Fotografia: La Vuelta)
Lá esteve Nelson Oliveira mais uma vez sentado no "trono" dado a quem tem o tempo mais rápido num contra-relógio. Nada de novo para o ciclista português. Por momentos pensou-se que não só venceria uma etapa na Vuelta - teria sido a sua segunda -, mas seria ainda o primeiro líder da grande volta. Mas Michal Kwiatkowski foi o "desmancha prazer", contudo, os favoritos confirmaram depois as suas credenciais. Rohan Dennis já tinha liderado o Giro, é agora primeiro na Vuelta, algo que já tinha feito em 2017. O australiano também já tem uma camisola amarela do Tour. Kwiatkowski ficou a seis segundos, Victor Campanaerts, campeão europeu da especialidade, ficou a sete e Oliveira acabou em quarto, a 17.

Um excelente início de Volta a Espanha do tetra campeão nacional da especialidade e que há um ano ficou à porta do pódio nos Mundiais. Nelson Oliveira ficou desiludido ao não entrar no grupo de eleitos para o Tour, com o Paris-Roubaix a mais uma vez a estragar-lhe parte da temporada, após uma queda. Esta foi a resposta perfeita de Nelson Oliveira, numa Vuelta em que a Movistar está para ganhar, depois de ter falhado com o tridente Nairo Quintana/Mikel Landa/Alejandro Valverde em França.

Quintana até foi um dos destaques do dia, ficando a 24 segundos de Kwiatkowski, a 12 de Wilco Kelderman (Sunweb) e a menos de dez dos irmãos Izagirre (Bahrain-Merida). E empatou com Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), por exemplo. O colombiano dá um sinal importante, numa corrida em que está sob pressão depois de dois Tours em que não conseguiu estar na luta pela vitória na geral e de ter ficado em segundo no Giro de 2017.

Nos técnicos oito quilómetros de Málaga, que Dennis cumpriu em 9:39 minutos, Richie Porte (BMC) confirmou que não está a 100%. Ainda não recuperou a forma depois da queda na nona etapa do Tour e a gastroenterite que o afectou antes da Vuelta também não ajudou. Considerando Kwiatkowski o primeiro da lista de candidatos, o australiano perdeu 45 segundos. Pior fez Louis Meintjes (Dimension Data), começa logo com um défice de 51 segundos.

Nelson Oliveira não terá aspirações a vestir a camisola vermelha e talvez no contra-relógio da última semana se o possa voltar a ver na luta por uma etapa. Certo, é que pensando nos Mundiais, este é o Oliveira que se quer ver em Innsbruck. Fez uma excelente exibição num contra-relógio que nem sequer o beneficiava. Gosta deles mais longos e com mais dificuldades. O sinal está dado.

Quanto aos restantes portugueses em prova, Tiago Machado foi 87º a 47 segundos de Dennis e o companheiro da Katusha-Alpecin, José Gonçalves, perdeu 1:18 minutos, sendo 170º. José Mendes (Burgos-BH) fez mais 1:04 minutos, ocupando a 134ª posição.

Pode ver aqui as classificações completas.

Quem é o líder da Sky?

Sim, a questão volta-se a colocar. Agora é entre Michal Kwiatkowski e David de la Cruz. O espanhol ficou com o dorsal um da equipa e tem falado como líder. O polaco vem do Tour, mas começou muito forte e tem na Vuelta a oportunidade desejada de mostrar que pode ser o próximo voltista da Sky. Ainda é cedo para se entrar em disputas e especulações, mas a montanha chega rápido nesta corrida e pode ser que não se demore muito a perceber como irá funcionar a formação britânica que pode fazer o pleno de vitórias em grandes voltas neste ano. Seria ainda a quinta vitória consecutiva. A etapa de domingo tem um final que Kwiatkowski até poderá gostar para se afirmar um pouco mais frente ao espanhol.

De la Cruz, que esteve no Giro, mas preparou a época a pensar na Vuelta (um dos poucos a fazê-lo), ficou a 39 segundos do companheiro de equipa. Nada que não se recupere na montanha, mas teria sido importante mostrar-se mais forte logo no início. Talvez por isso, o espanhol não tenha escondido a desilusão no final do dia.

Kwiatkowski é um nome possível para a subida de terceira categoria, mas é o de Alejandro Valverde que mais salta à vista. Tal como Rohan Dennis tinha este contra-relógio com o seu nome escrito para ganhar, este domingo é o espanhol que tem um final ao seu jeito. Será a subir (terceira categoria), ainda que não demasiado íngreme. Quem tem capacidade de explosão neste tipo de subidas, tem esta etapa na mira. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) não pode ser excluído, ele que faz bem este finais, tal como Matteo Trentin (Mitchelton-Scott) ou Tiesj Benoot (Lotto Soudal). A questão de Sagan é se já estará recuperado das mazelas da queda já perto do fim do Tour.

Serão 163,5 quilómetros entre Marbelha e Caminito del Rey, com uma segunda categoria logo a abrir e três terceiras pelo caminho. Poderá haver uma selecção nos últimos quilómetros, mas não entre os candidatos, a não ser que alguém não esteja de facto bem neste início de Vuelta.



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