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20 de novembro de 2019

Mitchelton-Scott cada vez mais dependente dos gémeos Yates

(Fotografia: Facebook Mitchelton-Scott)
Dizer que uma equipa que conquista 35 vitórias, incluindo quatro etapas no Tour, uma no Giro, outra no Paris-Nice, na Volta a Catalunha e também na Volta ao País Basco ficou um pouco aquém do que se esperava para 2019, pode parecer estranho. Porém, quando finalmente se consegue não só ser uma equipa capaz de disputar uma grande volta, mas que a ganhou - Vuelta de 2018 - a Mitchelton-Scott queria dar o passo seguinte de tentar conquistar mais uma, ou pelo menos estar mais na linha da frente da discussão. Mas não. Simon Yates não deu continuidade às performances do ano anterior, Adam não conseguiu ser um líder de meter respeito no Tour com o irmão a seu lado - a dupla foi importante na referida Vuelta - e depois ainda há Esteban Chaves. Ou melhor, será que há?

Perceber se é possível recuperar o colombiano depois de um ano marcado por doença que o afastou da competição durante muitos meses, era a grande dúvida. O vírus Epstein-Barr está a prejudicar e muito a carreira de Mark Cavendish e a de Chaves também não tem  grandes certezas. A vitória na etapa do Giro teve o condão de restituir confiança - sem dúvida um momento marcante na temporada para a Mitchelton-Scott - e na Vuelta terminou no top 20. No entanto, foi perceptível as dificuldades que Chaves sente em ser regular nas três semanas e não só. A equipa acabou por renovar contrato, mas por enquanto, as garantias que o colombiano dava há dois ou três anos não existem, numa altura em que o ciclista está a cerca de dois meses de completar 30 anos.

A Mitchelton-Scott não vai desistir de Chaves, tal como não deve de desistir de fortalecer o seu bloco para ajudar os irmãos Yates. Adam e Simon (27 anos) vão ter toda a pressão de conquistar mais e melhores resultados. Simon queria ajustar contas com o Giro, depois da quebra que o fez perder a edição anterior. Apesar de começar com um segundo lugar no contra-relógio e de dizer que o deviam temer, não demorou muito a mostrar que não era o mesmo ciclista de 2018. E aprendeu a ter cuidado com o que diz publicamente. Foi oitavo, mas foi uma desilusão. Foi ao Tour - abdicando de tentar repetir o sucesso na Vuelta - e compensou o desaire do Giro com duas etapas em França. Por outro lado, Adam foi apenas 29º, o que não deixou todos os responsáveis da equipa satisfeitos.
Ranking: 8º (9108,74 pontos) 
Vitórias: 35 (incluindo quatro etapas no Tour e uma no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Daryl Impey (6)
Matteo Trentin e Daryl Impey também venceram no Tour, mas na Vuelta a equipa pouco se viu, com Mikel Nieve a fazer-se valer da experiência e conhecimento das estradas espanholas para fechar top dez.

A Mitchelton-Scott deixou para trás os tempos em que as clássicas e sprints eram o objectivo e a "fonte de rendimento" nas vitórias. Quer ganhar gerais das principais corridas. Impey até deu o mote com a vitória no Tour Down Under logo em Janeiro, mas mais gerais só no final do ano e foram na República Checa (Impey novamente) e na Croácia (Adam Yates). Pouco, muito pouco para os objectivos da equipa australiana.

E a equipa está concentrada em manter toda a sua aposta nos gémeos Yates. Vai perder Matteo Trentin para a CCC e Daryl Impey ainda não anunciou o seu futuro. Foram dois dos ciclistas que mais vitórias garantiram e Trentin ficou tão perto de conquistar ainda um título mundial, mas foi batido por Mads Pedersen (Trek-Segafredo). Há que não esquecer que há um ano foi Caleb Ewan que partiu para a Lotto Soudal para poder ser um sprinter de primeira linha e não apenas quando a equipa não tem pretensões à geral.

Vai aumentar a exigência de ter os seus ciclistas na luta pelas grandes voltas e pelas principais provas de uma semana. Adam e Simon vão passar a contar com o experiente Andrei Zeits (Astana), cazaque com 18 corridas de três semanas feitas. As duas outras contratações serão dois jovens que se vão estrear no World Tour. Barnabás Peák (SEG Racing Academy), sprinter húngaro, e Alexander Konychev, italiano da Dimension Data for Qhubeka (equipa de formação da Dimension Data) que tem características de trepador, mas tem apenas 21 anos.

Com Ineos e Jumbo-Visma noutro patamar a nível colectivo, com Movistar ainda que em fase de mudança, mas com bons ciclistas para o bloco de apoio a Enric Mas, com a Bahrain-Merida e a UAE Team Emirates a reforçarem-se também para crescer nas grandes voltas, a Mitchelton-Scott vê a concorrência a aumentar, numa altura em que está a ficar demasiado dependente dos resultados dos Yates.

»»Contraste de emoções na época da Lotto Soudal««

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18 de julho de 2019

Simon Yates é o terceiro a fazer o pleno neste Tour

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
O Tour está a contribuir para o engrossar da lista de ciclistas que ganharam etapas nas três grandes voltas. Um dia depois de Caleb Ewan o ter feito, foi Simon Yates a alcançar esse objectivo, com Elia Viviani a ter sido o primeiro nesta edição de 2019. Tem sido uma tendência crescente nos últimos anos, com 20 dos 96 corredores que estão na lista a estarem em actividade.

Depois de ter sido uma enorme desilusão no Giro, má exibição agravada por ter chegado a dizer que deviam ter medo da sua forma (num palavreado mais colorido), Simon foi chamado para estar ao lado de Adam, na pretensão do irmão em discutir o Tour. Adam está a cumprir, com os seus principais testes a começarem esta sexta-feira no contra-relógio, no primeiro de três dias importantes para a geral. Quanto a Simon, dia após dia, o britânico é o mais visto na retaguarda do pelotão, ou eventualmente num grupo que ficou para trás. Quando arrancou para a 12ª etapa estava a 1:08:19 horas do líder, Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), algo impensável mesmo para quem foi fazer o papel de gregário. Este é Simon Yates, vencedor da última Vuelta.

Era claro que estaria a preparar um ataque a uma etapa numa poupança total de esforço. Acertou logo na primeira tentativa, o que é simplesmente perfeito para Adam e para a Mitchelton-Scott. Com o seu objectivo cumprido, Simon pode e deve concentrar-se agora em ser "apenas" o braço direito que o seu irmão foi na Vuelta e que Simon venceu. O britânico integrou a numerosa fuga que o pelotão não se preocupou em perseguir. Aliás, no pelotão, poucas foram as preocupações, com todos os candidatos a pouparem-se para as próximas etapas e com uma Ineos a controlar a seu belo prazer o andamento. Nem sequer precisou de meter todos os seus gregários ao trabalho. Cruzou a meta com os oito ciclistas juntos.

As duas subidas de primeira categoria nos últimos 70 quilómetros fizeram a selecção natural na fuga, com Rui Costa (UAE Team Emirates) a ser um dos homens que não conseguiu ficar no grupo da frente. Entre o trio Simon Yates, Pello Bilbao (Astana) e Gregor Mühlberger (Bora-Hansgrohe), destaca-se a forma perfeita como Yates atacou as duas curvas finais e sprintou para a vitória. Aquelas viragens fizeram a diferença. Segunda vitória para a Mitchelton-Scott, depois do triunfo de Daryl Impey na nona tirada.

Além de Yates, Viviani (Deceuninck-QuickStep) e Ewan (Lotto Soudal) são estes os ciclistas em actividade que fazem parte do grupo de quem venceu pelo menos uma etapa em cada uma das três grandes voltas, considerando Marcel Kittel um deles, mesmo que por agora esteja numa licença sabática, mas, em princípio, deverá regressar à competição: Mark Cavendish, André Greipel, Alejandro Valverde, Chris Froome, Vincenzo Nibali, John Degenkolb, Daniele Bennati, Tom Dumoulin, Philippe Gilbert, Michael Matthews, Matteo Trentin, Fabio Aru, Nairo Quintana, Thibaut Pinot, Thomas de Gendt e Rohan Dennis.

Caleb Ewan pode ser o primeiro a conseguir vencer uma etapa no Giro, Tour e Vuelta no mesmo ano desde Alessandro Petacchi em 2003. O espanhol Miguel Poblet fê-lo em 1956 e o italiano Pierino Baffi em 1958.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

13ª etapa: Pau - Pau, 27,2 quilómetros (contra-relógio individual)


Depois de um dia sem a mínima movimentação dos candidatos, é altura de enfrentar um longo contra-relógio. Já foram feitas algumas diferenças, tanto em La Planche des Belles Filles, como na segunda-feira quando o vento e a acção da Ineos e Deceuninck-QuickStep provocou cortes no pelotão. Geraint Thomas admite que vai correr para ganhar o contra-relógio, ainda que não tenha apontado se quer vestir já a camisola amarela. Tem 1:12 minutos de diferença para Alaphilippe, que poderá ter capacidade para defender a liderança.

Não sendo um percurso plano, Bernal também poderá realizar um bom tempo, podendo-se dizer que há quatro questões a responder: vai a Ineos cavar uma boa diferença; Thomas ou Bernal, quem sairá por cima; vai Alaphilippe resistir; quem vai ganhar a etapa?

Thomas apostou em Wout van Aert, pois o ciclista da Jumbo-Visma ganhou no Critérium du Dauphiné um contra-relógio idêntico. O próprio Thomas é um forte candidato, com Tony Martin (Jumbo-Visma) a poder ter o seu dia depois do fantástico trabalho que está a realizar para os companheiros. Nelson Oliveira (Movistar) tem um percurso ao seu jeito: longo e com algumas dificuldades pelo meio. Ganhar uma etapa numa grande volta na sua especialidade é um dos objectivos de carreira, recordando que recentemente conquistou a medalha de prata nos Jogos Europeus. De fora está Rohan Dennis. O campeão do mundo de contra-relógio abandonou sem justificação o Tour, surpreendendo até a sua própria equipa, a Bahrain-Merida.

Aqui ficam os horários de partida dos candidatos e dos três portugueses em prova (hora portuguesa):

13:36 José Gonçalves (Katusha-Alpecin)
14:02 Nelson Oliveira (Movistar)
14:57: Rui Costa (UAE Team Emirates)
15:31 Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert)
15:33 Fabio Aru (UAE Team Emirates)
15:41 Mikel Landa (Movistar)
15:43 Richie Porte (Trek-Segafredo)
15:51 Jakob Fuglsang (Astana)
15:53 Romain Bardet (AG2R)
15:57 Rigoberto Uran (EF Education First)
16:01 Thibaut Pinot (Groupama-FDJ)
16:03 Daniel Martin (UAE Team Emirates)
16:05 Nairo Quintana (Movistar)
16:07 Adam Yates (Mitchelton-Scott)
16:09 Enric Mas (Deceuninck-QuickStep)
16:11 Emanuel Buchamann (Bora-Hansgrohe)
16:13 Steven Kruikswijk (Jumbo-Visma)
16:15 Egan Bernal (Ineos)
16:17 Geraint Thomas (Ineos)
16:19 Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep)




»»Não temos Cavendish nem Kittel, mas temos muito mais««

»»Final louco de etapa com a Ineos a reordenar a Volta a França««

18 de maio de 2019

Um contra-relógio para mexer com o Giro

(Fotografia: Giro d'Italia)
Está aí o segundo de três contra-relógios individuais e espera-se que traga alguma emoção a uma luta pela maglia rosa muito fria até ao momento. Depois de um dia de algum nervosismo - todos passaram incólumes os sete quilómetros finais técnicos, em descida - é altura dos ciclistas se concentrarem na etapa que acabou por estar na mente dos principais candidatos basicamente desde o primeiro contra-relógio... no primeiro dia do Giro. Tirando essa etapa e a quarta, marcada por uma queda, não se fizeram diferenças, pois pouparam-se forças para os 34,8 quilómetros de domingo. E estes podem ser bem mais decisivos do que a etapa inaugural.

A grande preocupação com Primoz Roglic por parte dos seus rivais é precisamente como o esloveno poderá colocar-se numa posição mais confortável. É que mesmo sendo um contra-relógio com uma subida nos últimos 12 quilómetros (mas 10 antes o terreno já começa a inclinar), o ciclista da Jumbo-Visma dá-se bem com qualquer tipo de terreno.

Mas antes do foco ir para os candidatos é justo que se envolva Valerio Conti (UAE Team Emirates) nas contas. É o camisola rosa e tem tudo para assim continuar não só até ao dia de descanso, mas provavelmente até pelo menos quinta-feira, quando chegar a alta montanha. Conti não é um especialista no contra-relógio, mas quem está mais próximo também não. José Joaquín Rojas (Movistar) e Giovanni Carbonni (Bardiani-CSF) têm menos de dois minutos de desvantagem, mas em condições normais não assustarão Conti. Nans Peters (AG2R, a 2:09) até pode ser quem mais se equipara, mas a vantagem de Conti é boa para o francês.

O que faz com que se volte a Roglic. Tem 5:24 para recuperar e por mais que seja muito (mas mesmo muito) melhor do que Conti no contra-relógio, sair de San Marino de novo com a camisola rosa parece improvável, em condições normais (há que ressalvar sempre um daqueles momentos inesperados que o Giro é pródigo em dar).

Roglic quererá aumentar a diferença para os rivais, mas também irá tentar reduzir ao máximo esta desvantagem para Conti. A perda da rosa foi propositada, mas esta diferença foi um pouco exagerada e há que garantir que após o contra-relógio não fica demasiado trabalho para fazer na montanha. Já terá de se preocupar com Simon Yates, Miguel Ángel López e Vincenzo Nibali, por exemplo, e há que começar a tirar ideias a Conti de se tornar num daqueles ciclistas que se acha que vai perder a rosa, mas que depois a vai segurando.

Vem à memória um Thomas Voeckler no Tour de 2011 que todos os dias se dizia que deveria perder a liderança e só na décima tentativa é que lhe tiraram a camisola amarela.

E sendo um Giro uma corrida muito mais propícia a surpresas do que o Tour, Roglic quer evitá-las. Fala-se de Roglic por ser o melhor classificado entre os favoritos, pois o que pensa o esloveno, pensarão os restantes pretendentes à rosa. Um dos grandes pontos de interesse será o que irá fazer Simon Yates (Mitchelton-Scott). O contra-relógio já não é uma dor de cabeça para o britânico e se não se espera que bata Roglic, mas é bem possível que não fique assim tão longe.

A subida tem uma média de 6,5%, com máximas a rondar os 10%, algumas zonas de descanso, nada que assuste Yates. Aliás, até o motivará. O facto de não ser um contra-relógio plano faz com que o vencedor da Vuelta esteja desde o início muito confiante que este Giro pode ser seu.


E Miguel Ángel López? O colombiano tinha como objectivo perder mesmo de dois minutos no primeiro dia. Perdeu 28 segundos! Mas oito quilómetros são bem diferentes de 34,8. Mesmo com a subida, o líder da Astana sabe que terá explorar todas as suas características de trepador, como se de uma etapa de montanha se tratasse. Há que ir a fundo e garantir que não complica umas contas que estão bem simpáticas para ele, pois nem ele esperava estar a 44 segundos de Primoz Roglic, sempre a referência devido aos contra-relógios e na ausência de Tom Dumoulin, que abandonou na quinta etapa.

Em situação idêntica está Rafal Majka, ainda que entretanto tenha aparecido um Davide Formolo que quer disputar a liderança na equipa e é bem possível que a Bora-Hansgrohe não se importe de ter os dois ciclistas ao ataque em etapas e/ou na geral.

Numa luta particular estará Richard Carapaz e Mikel Landa, com Andrey Amador a poder intrometer-se já que é o melhor da Movistar nesta fase. O contra-relógio poderá ajudar a definir de vez que é o líder de uma equipa que não encontra uma união em torno de um só homem.

O futuro de Amaro Antunes

O contra-relógio será também importante para Amaro Antunes. Depois daquela reviravolta na classificação que levou Conti à liderança e o português ao sexto lugar, o ciclista do CCC poderá mudar um pouco os seus planos. Ganhar uma etapa era o objectivo, mas poderá ser tentador não deixar escapar uma possibilidade de ser top dez e logo na estreia numa grande volta.

O contra-relógio não é um ponto forte do algarvio, mas tem trabalhado muito desde que assinou pela formação em 2018. O resultado deste domingo poderá ser determinante para escolher se a luta por uma etapa é para manter, ou se começa uma defesa do top dez, o que irá limitar a possibilidade de ir para fugas. Mas claro que um objectivo não anula por completo o outro e também dependerá de como irá evoluir a forma de Amaro Antunes.

Aqui ficam as diferenças dos candidatos para Conti e inclui-se Sam Oomen, o ciclista da Sunweb que, não sendo forte no contra-relógio, vê-se de repente com liberdade para lutar por um bom resultado, devido ao abandono de Dumoulin e da tal etapa da reviravolta na classificação, que também beneficiou o jovem holandês.

1. Valerio Conti (UAE Team Emirates), 35:13.06 horas
6. Amaro Antunes (CCC), a 2:45 minutos
10. Sam Oomen (Sunweb), a 4:57
12. Primoz Roglic (UAE Team Emirates), a 5:24
15. Simon Yates (Mitcheton-Scott), a 5:59
16. Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 6:03
17. Miguel Ángel López (Astana), a 6:08
18. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 6:13
20. Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 6:19
21. Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep), 6:26
25. Richard Carapaz (Movistar), 6:45
26. Pavel Sivakov (Ineos), a 6:48
27. Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 7:00
29. Mikel Landa (Movistar), a 7:13
32. Tao Geoghegan Hart (Ineos), a 7:43

Finalmente uma vitória de Caleb Ewan

(Fotografia: Giro d'Italia)
A etapa começou com um Tony Gallopin (AG2R) a questionar se os ciclistas eram "animais de circo", criticando o final de etapa que se poderia tornar ainda mais perigoso se a previsão de chuva se concretizasse. A decisão dos comissários foi de não neutralizar os últimos sete quilómetros e ainda bem. Foi uma descida de nervos, ainda que feita com relativa calma, até porque o piso não estava completamente seco. Mas houve sprint e houve um Caleb Ewan a finalizar o muito trabalho realizado por uma Lotto Soudal a precisar desta vitória.

Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) arrancou cedo de mais e Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep) já não deve perceber o que tem de fazer para ganhar, depois de já ter sido desclassificado numa etapa.

Foi a segunda vitória no Giro do pequeno sprinter (1,65 metros), que tem aquela forma ortodoxa de sprintar, deitado no guiador, mas que vai alcançando os seus sucessos. A primeira vitória havia sido em 2017, na então Orica-Scott. Esta foi quarta vitória do ano para Ewan, que "substituiu" André Greipel na equipa belga.

17 de maio de 2019

Um Giro à espera dos candidatos

(Fotografia: Giro d'Italia)
A primeira longa semana do Giro aproxima-se do fim. Ainda faltam duas etapas para a primeira pausa, mas já lá vão sete, a maioria longas. Muito longas. A Volta a Itália quebrou com uma tendência recente de se ter etapas mais curtas e explosivas e menos destas maratonas. Estas vão continuar a aparecer nas próximas duas semanas e há que esperar por aquelas que vão ter a alta montanha a acompanhar. É que se o Giro tem tido pontos de interesse, o espectáculo tem estado muito reduzido a um bom contra-relógio inicial, às discussões pelas vitórias de etapas, com destaque para os sprints de Pascal Ackermann. Os homens da geral andam sossegados. Ninguém se tem mostrado.

Faz pensar "que bom seria ter aquele Simon Yates a mexer nas subidas logo de início". Mas o britânico aprendeu o preço que se paga por ser um homem a dar espectáculo tão cedo e nenhum dos candidatos está disposto a desgastar-se mais, principalmente em etapas longas que, dia após dia vão deixando as suas marcas, mesmo que não tenham encontrado as maiores das dificuldades. As subidas já têm tido as suas fases exigentes, mas são uma ou duas por dia e de primeira categoria, nem vê-las.

Têm-se ficado à espera de ver quando alguém tentará fazer um teste. Porém, só uma queda acabou por fazer as primeiras diferenças, além do contra-relógio inaugural, e atirou para fora da corrida um antigo vencedor do Giro: Tom Dumoulin. Nem nas subidas mais curtas e explosivas, nem nas mais longas, ninguém se mexe.

A sétima etapa, desta sexta-feira, até se pode dizer que foi curta: 185 quilómetros. E foi bastante rápida, quebrando com alguma apatia de certos dias. A menos extensa foi a de quarta (140). Já são quatro tiradas acima dos 200 e este sábado serão 239, antes de mais um contra-relógio. Será o dia mais longo e a maioria dos quilómetros serão planos.

O cansaço nas pernas já se vai sentindo, não esquecendo que o mau tempo que já apareceu no Giro também tem o seu efeito. E domingo é dia de um contra-relógio que, esse sim, fará novas diferenças que uns querem que sejam significativas (Primoz Roglic, por exemplo), outros vão tentar minimizar perdas (Simon Yates e Miguel Ángel López).

Mas então, quando é que os homens da geral vão começar a mostrar-se? Se este sábado se mantiverem todos sossegados como até agora, a pensar mais no contra-relógio, talvez na próxima quinta-feira, quando surgir a primeira grande subida. Segunda é dia de descanso, terça e quarta são duas etapas completamente planas, a primeira com 145 quilómetros, a segunda com 221. A não ser que o vento, ou outro factor externo se intrometa no controlo do pelotão, então espera-se que seja a subida a Montoso anime um Giro a precisar de um abanão que não se limite a reviravoltas estranhas, como a liderança de Valerio Conti (UAE Team Emirates), que deixou os principais candidatos a mais de cinco minutos da maglia rosa.

A boa notícia é que quinta, sexta e sábado da próxima semana haverá alta montanha e depois de tantos dias com tão pouca actividade das principais figuras da geral, cresce a ânsia de ver os favoritos em acção e começar a perceber como estão. Não está a ser inesperada esta primeira fase do Giro mais discreta de alguns ciclistas, pois se a organização resolveu recuperar a versão das etapas longas numa grande volta, também colocou juntas etapas decisivas mais à frente na corrida e que vão testar não só a forma, mas a capacidade de recuperação, depois de tantos quilómetros feitos.

Mais uma fuga a triunfar e abandonos de peso

(Fotografia: Giro d'Italia)
Desta feita não houve uma distância tão grande dos fugitivos do dia, até porque a UAE Team Emirates deu tudo o que tinha e ainda teve uma ajuda preciosa da Trek-Segafredo para garantir que José Joaquín Rojas (Movistar) não tirava a rosa a Valerio Conti. O espanhol foi novamente para a frente e quase viveu um dos dias mais importantes da sua carreira, ele que é um eterno gregário. Conti sobreviveu na liderança e Pello Bilbao venceu pela primeira vez numa grande volta e abriu a contagem de uma Astana que aposta forte em Miguel Ángel López, ainda que o espanhol até esteja agora à frente do líder na classificação.

As principais novidades do dia acabaram por ser dois dos três abandonos. A UAE Team Emirates pode concentrar-se por completo na defesa da maglia rosa, pois perdeu Fernando Gaviria, que se queixou de dores no joelho. O colombiano sai de Itália com uma etapa que o próprio admitiu não sentir que tivesse ganho, pois considerou que o sprint de Elia Viviani tinha sido legal. O italiano da Deceuninck-QuickStep foi desclassificado por ter desviado a trajectória, prejudicando Matteo Moschetti. A UAE Team Emirates está reduzida a seis ciclistas, pois Juan Sebastián Molano foi mandado para casa devido a resultados anómalos em testes realizados internamente.

Um daqueles pormenores a analisar mais à frente na corrida será o abandono de Laurens de Plus. Tem sido um dos braços direitos de Primoz Roglic em 2019, mas uma infecção na garganta estava a limitar o belga praticamente desde o início do Giro. Com uma sétima etapa feita a um ritmo mais elevado, De Plus não aguentou. Que falta fará quando as principais tiradas chegarem? É uma perda para Roglic.

De referir que Sacha Modolo, o sprinter da EF Education First, também já não está em prova, em mais uma corrida em que o italiano passou despercebido.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa (18 de Maio): Tortoreto Lido - Pesaro, 239 quilómetros


Os últimos 100 quilómetros serão de sobe e desce, com uma terceira categoria e duas quartas. Atenção aos derradeiros sete, que serão em descida técnica.


14 de maio de 2019

Dumoulin, Roglic, Carapaz e um Landa a ter de pedir desculpa

(Fotografia: Giro d'Italia)
Mais uma longa jornada. Mais um dia sem particular interesse até que tudo ficou virado do avesso em seis quilómetros. E, de repente, a quarta etapa poderá vir a ser mais importante do que o esperado na Volta Itália. Primoz Roglic corria o risco de até perder a liderança, mas reforçou-a, com mais uns segundos que obriga os rivais a fazer mais umas contas. As contas de Tom Dumoulin terminaram, nas palavras do próprio, e a ver vamos se o Giro também acabou. E depois tivemos ainda um Mikel Landa a libertar toda a sua frustração numa linguagem que o levou a ter de pedir desculpa mais tarde.

Começando por Dumoulin. O ciclismo é assim. Ou melhor, o desporto é assim. Num ano tudo parece perfeito, no outro reforça-se o estatuto de uma das actuais figuras e no seguinte tudo acaba num momento que até custou assistir. O holandês ganhou o Giro em 2017. Em 2018 foi segundo, repetindo o resultado no Tour. Em 2019 cortou a meta em Frascati derrotado pelas circunstâncias da corrida que, por outro lado, beneficiaram Roglic.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Uma queda a cerca de seis quilómetros da meta apanhou vários ciclistas. Uns caíram, outros ficaram cortados. Dumoulin foi um dos que caiu. Foi até parar a uma vala na berma da estrada. Foi um homem da Jumbo-Visma, companheiro de Roglic - pareceu ser Koen Bouwman -, que até o ajudou a levantar-se. Só um pouco depois há um grande plano de Dumoulin. Aquele joelho com o sangue a escorrer pela perna não tinha bom aspecto. Incapaz de o dobrar convenientemente, a equipa rodeou o seu líder e acompanhou-o até final, numas pedaladas dolorosas e tristes de ver, ainda mais quando se trata de um ciclista de tanta qualidade como é Dumoulin.

Não está nada partido, os raio-X assim o confirmou, mas Dumoulin já admitiu que está inchado e que qualquer decisão mais radical só será tomada na manhã de quarta-feira. Mas não há volta a dar. Com 4:30 a separá-lo de Roglic, o holandês excluiu-se da luta pela geral. Com o Tour no horizonte, disputar uma etapa e um eventual top dez é sempre honroso. Porém, para quem quer ganhar outra grande volta, há uma decisão a tomar.

E no dia em que o Giro tirou Dumoulin da luta, deu a Roglic a hipótese de consolidar a sua liderança. Foi o único do top dez que passou incólume na queda que deixou os rivais do esloveno a terem de minimizar perdas. Com uma ajuda da Bora-Hansgrohe que queria levar Pascal Ackermann a mais uma vitória e de uma UAE Team Emirates dedicada a Diego Ulissi, Roglic teve aliados de circunstância valiosos para ganhar 16 segundos à concorrência directa. Isto significa que Simon Yates (Mitchelton-Scott) está agora a 35 segundos e Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) a 39, por exemplo.

Roglic é o primeiro a recordar que, sendo importante ganhar tempo, também rapidamente se pode perdê-lo, mas é sempre animador quando se sente que a senhora sorte esteve do nosso lado, além, claro, de uma boa colocação.

E Yates é um ciclista que bem sabe como é perder tudo num só dia. É para ajustar contas com o Giro que perdeu há um ano, que escolheu voltar, no seu caso em detrimento de uma ida ao Tour. O britânico acabou por ser nesta quarta-feira destaque por mais do que por ter perdido tempo.

"O puto Yates é um atrasado mental e anda como um louco", afirmou um muito frustrado Mikel Landa, que acusou o ciclista da Mitchelton-Scott de ter provocado a queda que o espanhol sofreu numa rotunda (não foi a mesma que afectou Dumoulin). As declarações ao jornal As não demoraram a ter grande repercussão. Resultado, também não demorou até escrever um pedido de desculpas, ainda que afirme que o que disse foi retirado do contexto. "Peço desculpas a todos os adeptos e em especial a Simon Yates por umas palavras tiradas do contexto", escreveu no Twitter. Desculpas aceites por Yates.

Mais um momento pouco bonito de um Landa que começa a ter dificuldades em disfarçar não estar tão bem como desejaria e ainda tem um Richard Carapaz a ameaçar tirar-lhe a liderança na Movistar. O espanhol juntou mais 44 segundos ao tempo perdido no mau contra-relógio que fez no sábado, ou seja, Roglic está a 1:49 minutos de distância. 

(Fotografia: Giro d'Italia)
Já Carapaz está a 1:21 e ultrapassou novamente o colega na classificação, depois de na terceira etapa um problema mecânico tê-lo atirado para trás de Landa. Ah sim, e ganhou uma etapa! Com os últimos 2,5 quilómetros dos 223, entre Orbetello e Frascati, a serem numa subida que tirava muitos sprinters da discussão - Ackermann e Caleb Ewan (segundo na etapa) foram os resistentes -, Carapaz escolheu o seu momento para atacar e repetiu o feito de há um ano, vencendo uma etapa no Giro.

Num ano em que Alejandro Valverde não está a render tantas vitórias como habituou em épocas recentes, este triunfo de Carapaz foi muito bem-vindo para uma Movistar com agora dez vitórias em 2019, mas apenas duas World Tour.

Carapaz avisou que estava no Giro com olhos postos no pódio e já obrigou Landa a ter de o olhar com maior respeito. O espanhol não vai baixar os braços, pelo que estão definitivamente abertas as hostilidades na Movistar. Nada de novo...

De referir ainda que o dia começou com a notícia do afastamento de Juan Sebastián Molano do Giro por parte da UAE Team Emirates. A equipa explicou que foram detectados resultados anómalos em testes feitos internamente. Em colaboração com a UCI, a UAE Team Emirates está à procura de explicações. Fernando Gaviria perdeu assim um dos seus lançadores, num dia em que ficou sem a maglia ciclamino, que regressa a Pascal Ackermann.

5ª etapa (15 de Maio): Frascati - Terracina, 140 quilómetros


Etapa curta e rápida para variar um pouco. Este tipo de tiradas tem a capacidade de aumentar um pouco mais algum eventual nervosismo. Se for muito atacada, o mais pequeno dos pormenores negativos pode tornar-se numa grande dor de cabeça. Apesar do sobe e desce inicial e de uma quarta categoria pelo meio, é dia para os sprinters aproveitarem.




»»Dia para limpar a imagem e com a acção a ficar guardada para o fim««

»»Aquela vitória que afasta o fantasma Bennett de Ackermann««

9 de maio de 2019

Volta a Itália: candidatos e aqueles ciclistas a não perder de vista

Tudo preparado para a primeira grande volta do ano que terá um lote de candidatos alargado e, a maioria deles, a chegarem já com provas dadas da boa forma que apresentam. Corrida sem vencedores anunciados e com muitos dos ciclistas a terem características atacantes, o que deixa antever algum espectáculo. Aqui ficam os favoritos e também quem procura intrometer-se e aqueles que ninguém quer perder de vista (por ordem alfabética nos "grupos"). É uma pena que Egan Bernal tenha ficado de fora após fracturar a clavícula numa queda, mas não faltam candidatos de muita qualidade. O Giro arranca este sábado, em Bolonha.


Miguel Ángel López (Astana, 25 anos)
➤ Segunda presença no Giro. Foi 3º  classificado em 2018.
➤ Equipa: Andrey Zeits, Dario Cataldo, Davide Villella, Ion Izagirre, Jan Hirt, Manuele Boaro, Pello Bilbao.
Tem sido um processo de amadurecimento com alguns avanços e recuos, muito devido a graves lesões, como a fractura numa perna. Porém, os terceiros lugares no Giro e na Vuelta de 2018 demonstraram que López está preparado para algo mais, precisando de ser mais regular, principalmente na primeira metade das corridas. Com a Astana a realizar uma época fortíssima, López contribuiu com vitórias na Volta à Colômbia e na Catalunha. No apoio estará aquela que é uma das equipas mais fortes do Giro, com Izagirre a já ter garantido que, apesar de também querer lutar por uma grande volta, vai esperar pela Vuelta.

Mikel Landa (Movistar, 29 anos)
➤ Quinta presença no Giro. Foi 3º classificado em 2015. Tem três vitórias de etapa.
Equipa: Andrey Amador, Antonio Pedrero, Héctor Carretero, Jasha Sütterlin, José Joaquín Rojas, Lluís Mas, Richard Carapaz.
Terminou 2018 com uma queda grave, começou 2019 com outra. Landa atrasou a preparação para o Giro, mas tem vindo a realizar exibições interessantes, com destaque para  sétimo lugar na Volta ao País Basco. A vitória na segunda etapa da Coppi & Bartali deu-lhe ânimo, assim como um outro sétimo posto, na Liège-Bastogne-Liège. Contudo, persistem algumas dúvidas sobre a forma do espanhol, que sem Alejandro Valverde na equipa, ganhou quase total destaque. Quase porque Richard Carapaz não se intimida com a presença de Landa e depois de ter sido uma das figuras do Giro em 2018, o equatoriano olha para o pódio. A coesão nesta Movistar não está fácil de ser alcançada e repartir lideranças é algo que nesta equipa não resulta.


Primoz Roglic (Jumbo-Visma, 29 anos)
➤ Segunda presença no Giro. Foi 58º classificado em 2016. Ganhou uma etapa (contra-relógio)
Equipa: Antwan Tolhoek, Jos van Emden, Koen Bouwman, Laurens de Plus, Paul Martens, Sepp Kuss, Tom Leezer.
Que melhor cartão de visita poderia ter Roglic que vencer as três corridas que realizou em 2019? Volta aos Emirados Árabes Unidos, Tirreno-Adriático e Volta à Romandia foram demonstrações de um ciclista que alcançou a maturidade e que só compete para ganhar. Mostrou que não mais merece existirem dúvidas sobre a sua capacidade para as três semanas. Liderar sozinho, sem a presença de Steven Kruijswijk, é agora o desafio. Não só é um dos principais favoritos para o Giro, como muitos o vêem como o principal. É a essa pressão que terá agora de corresponder. No entanto, parece preparado, ainda mais numa corrida com três contra-relógios, um ponto muito forte deste esloveno.


Simon Yates (Mitchelton-Scott, 26 anos)
Segunda presença no Giro, tendo vencido três etapas na estreia, em 2018. Foi 21º classificado.
Equipa: Brent Bookwalter, Christopher Juul-Jensen, Jack Bauer, Johan Esteban Chaves, Lucas Hamilton, Luke Durbridge, Mikel Nieve.
Um ano depois, Simon Yates está de regresso ao palco onde foi espectacular durante quase três semanas. Numa grande volta há que ser forte durante as 21 etapas e o britânico aprendeu uma dura lição: foi tão espectacular que mediu mal o esforço e quebrou quando Roma estava praticamente à vista, deixando escapar uma vitória que parecia garantida. E aprendeu mesmo a lição. Não esperou pelo Giro para o mostrar. Foi à Vuelta ganhar e disse não ao Tour este ano, pois quer aquela maglia rosa. Chega a Itália com uma etapa ganha na Ruta del Sol e outra no Paris-Nice. Esta foi surpreendente, pois para quem tanto lutou para conseguir pelo menos defender-se num contra-relógio, até ganhou um. E poderá ser um importante pormenor, dado os três contra-relógios que esperam aos candidatos.

Tom Dumoulin (Sunweb, 28 anos)
➤ Quarta presença no Giro. Venceu em 2017. Tem quatro etapas ganhas.
➤ Equipa: Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Jan Bakelants, Louis Vervaeke, Robert Power, Sam Oomen.
É o primeiro a admitir que nunca chegou a uma Volta a Itália numa forma tão baixa. Contudo, tal não significa que Dumoulin não possa estar na discussão de uma corrida que lhe é tão querida, não fosse onde conquistou a sua primeira e, até agora única, grande volta. Mais dos que as classificações, até com top dez no que fez em 2019, o problema de Dumoulin foi não conseguir estar mais forte nos momentos decisivos e é isso que o preocupa. É um ciclista que pode ir melhorando com o decorrer do Giro, mas sabe que não pode entrar mal no contra-relógio de Bolonha, no sábado. O holandês é uma incógnita neste arranque da prova. 

Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida, 34 anos)
➤ Oitava presença no Giro. Venceu em 2013 e 2016. Tem sete etapas ganhas.
➤ Equipa: Andrea Garosia, Antonio Nibali, Damiano Caruso, Domenico Pozzovivo, Grega Bole, Kristijan Koren, Valerio Agnoli.
A sua relação com a Bahrain-Merida já viveu dias bem mais felizes. Deverá estar de saída, mas Nibali não é de desperdiçar tempo e quer é regressar às vitórias em grandes voltas já no Giro. A queda no Alpe d'Huez, no Tour de 2018, foi uma enorme desilusão tendo em conta a sua forma e este ano o italiano virou-se novamente para a "sua" corrida. E promete. Apesar de ter sido batido pela juventude da Sky (ainda se chamava assim) na Volta aos Alpes, Nibali deixou indicações muito positivas, com os responsáveis da equipa a reforçarem a crença numa boa prestação, dizendo que o ciclista está a apresentar números idênticos aos que o levaram a grandes vitórias na carreira. Já se conhece a forma de correr de Nibali, mas falta saber se os seus companheiros estarão à altura da responsabilidade de não o deixar sozinho demasiado cedo.

Outros ciclistas a ter em conta (pelo menos para um top dez, mas... nunca se sabe!)

Não entram entre os principais favoritos, mas podem baralhar as contas e procuram no mínimo um top dez, a espreitar o pódio e certamente à procura de etapas. Bauke Mollema (Trek-Segafredo, 32 anos) é uma montanha-russa de prestações. Tanto está bem, mas quando se espera mais, desaparece. Ainda assim, ninguém o menospreza. Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep, 26) sabe o que é ganhar camisolas da juventude no Giro e fazer top dez. Agora que chegou "à idade adulta" quer um pouco mais, mas não terá equipa a apoiá-lo, já que essa é para Elia Viviani. Mas não deverá passar despercebido.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin, 29) é um daqueles ciclistas que passou-se de esperar o melhor a esperar quase nada. A equipa precisa de resultados e está mais do que na altura de Zakarin corresponder às expectativas. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe, 29) tem tanto talento e tão pouca capacidade para lidar com a pressão. Talvez longe do Tour se volte a ver o melhor deste polaco.

Ciclistas a não perder de vista

Tanto podem surpreender ao entrar numa luta por lugares cimeiros, como podem procurar antes etapas. Mas são corredores que querem e têm tudo para se mostrarem no Giro. Ben O'Connor (Dimension Data, 23 anos) estava a fazer uma época extraordinária em 2018 até cair na Volta a Itália. Tem andado discreto desde então, pelo que poderá recomeçar no ponto que ficou há um ano. Excelente ciclista, a não perder de vista. Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec, 25) é mais um dos talentos a despontar nesta equipa, desta vez italiano. Depois de ganhar duas etapas na Volta aos Alpes é um corredor a seguir com muita atenção, tal como Giulio Ciccone (Trek-Segafredo, 24). Deu o salto para o World Tour e está em fase de adaptação. É uma esperança italiana e, mesmo com Mollema na equipa, poderá não estar completamente preso ao papel de gregário.

Hugh Carty (EF Education First, 24) parece que finalmente está a mostrar o que se espera dele. A equipa americana dará liberdade a um ciclista de talento, que demorou a adaptar-se, mas que poderá ser uma aposta certa. Lutar por etapas será um objectivo, sem descurar uma boa classificação. Jan Polanc (UAE Team Emirates, 27) tem o "problema" da equipa estar praticamente toda concentrada em Fernando Gaviria. Compreende-se, mas este esloveno já tem duas vitórias de etapas no Giro e merece rédea solta na montanha. Jay McCarthy (Bora-Hansgrohe) é mais um ciclista que tem evoluído lentamente, mas poucos duvidam do seu talento. Esta época já demonstrou estar mais bem melhor. Vai estar um pouco preso ao que Majka fará, mas vamos ficar de olho nele.

Tao Geoghegan Hart e Pavel Sivakov (Ineos, 24 e 21 anos) vão assumir a responsabilidade de Egan Bernal, que ficou de fora após queda num treino. É uma completa incógnita o que poderão fazer, mas depois do domínio na Volta aos Alpes, a expectativa até é grande. De Thomas de Gendt (Lotto Soudal, 32 anos) nem é preciso dizer quase nada. Vai estar em fugas, procurará etapas e a camisola da montanha. Com ele é espectáculo garantido. 
Tony Gallopin (AG2R, 30) tem vindo a fazer uma interessante transformação para voltista. Terá um teste de fogo no Giro, em que partilhará a liderança com outro ciclista que poderá aparecer em destaque: Alexis Vuillermoz (30 anos).

Não se poderia deixar de fora Amaro Antunes, o único português no Giro. O algarvio da CCC sofreu uma lesão após a Volta ao País Basco, o que limitou a sua preparação. Porém, chega a Itália com a ambição de se mostrar naquela que será a sua primeira grande volta. Um momento por que tanto esperou na sua carreira.

»»Roglic, aquela máquina««

»»Ineos não mexe no bloco do Tour e vai ao Giro com a equipa mais jovem da sua história««

3 de janeiro de 2019

Vamos falar do Giro. Sim, já

(Fotografia: Giro d'Italia)
Ainda só é dia 3 de Janeiro, as equipas começaram a fazer as malas para a primeira corrida World Tour do ano na Austrália, mas a verdade é que muito se fala da Volta a Itália, com boas razões para tal, mesmo que seja apenas em Maio. A 102ª edição está a atrair vários dos líderes das equipas, em detrimento do Tour. Alguns até vão também a França, mas estão colocar o Giro como prioridade. Nem é difícil perceber as razões pelas quais o encanto da Volta a França está um pouco esbatido. Bob Jungels (Deceuninck-Quick Step) até explica de forma muito simples a razão pelo qual o Giro está a ser tão atractivo.

"É uma das coisas boas do Giro, não é uma corrida tão controlada como, digamos, o Tour." Há mais razões, claro, contudo, perante o domínio da Sky, que não se espera que seja menor este ano, mesmo com a incerteza quanto ao futuro da equipa (que até já poderá estar decidido nessa altura), os ciclistas demonstram que querem estar onde acreditam que podem lutar por uma vitória. O top dez é uma coisa bonita de se fazer, ainda mais no Tour, mas ganhar o Giro é um triunfo numa grande volta.

"As minhas hipóteses de ganhar o Giro são simplesmente muito melhores do que ganhar o Tour", afirmou Tom Dumoulin (Sunweb), que admitiu que o plano inicial era apostar tudo na Volta a França. O percurso deixou-o desiludido e, depois de falar com a equipa, resolveu regressar a Itália e tentar um segundo triunfo. Para Dumoulin há outra razão que o influenciou mais do que uma Sky dominadora: os contra-relógios. O Giro terá três, num total de 58,5 quilómetros (só um terá 34,7), enquanto no Tour está a diminuir-se cada vez mais esta vertente: dois contra-relógios de 27 quilómetros cada.

Por esta mesma razão Primoz Roglic (Jumbo-Visma) também se deixou seduzir por Itália, depois de em 2018 ter percebido que tem mesmo o que é preciso para lutar por uma grande volta. Fez um Tour brilhante, ficando à porta do pódio. Agora quer chegar mais alto e é no Giro que vai tentar fazer um pouco mais de história para a Eslovénia. O mais curioso da equipa holandesa é que ainda em Dezembro anunciou o oito para o Giro. A ajudar Roglic estará uma das revelações de 2018, Antwan Tolhoek, mais Laurens de Plus, Floris de Tier, Jos van Emden, Koen Bouwman, Paul Martens e Robert Gesink. Equipa bem interessante.

Já a pensar mais nas sete chegadas em alto e em completar o que falhou em 2018, Simon Yates (Mitchelton-Scott) escolheu regressar a Itália, para desta vez tentar levar a camisola rosa até final. O Tour pode esperar um pouco mais para o britânico, vencedor da Vuelta.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) - atenção a Davide Formolo -, juntamente com os homens da casa Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Fabio Aru (UAE Team Emirates), vão colocar o Giro no topo das prioridades, em detrimento da Volta a França. Mas há mais. A Movistar vai levar Mikel Landa e Alejandro Valverde, com o primeiro a querer acabar com as dúvidas se pode mesmo ganhar uma grande volta. Vai ainda Richard Carapaz, um voltista em evolução.

Por parte da CCC, a aposta poderá passar por Amaro Antunes. A equipa arranca nesta nova fase (a formação polaca comprou a estrutura da BMC) a pensar mais nas clássicas com Greg van Avermaet, o que poderá dar ao ciclista algarvio uma excelente oportunidade para se mostrar nas grandes voltas. O veterano Laurens ten Dam e o senhor da barba Simon Geschke são outros dois nomes apontados à corrida italiana.

Para o fim ficam dois colombianos de quem muito se espera. Um quer em 2019 abrir quer definitivamente a contagem de grandes voltas no seu currículo. Ou outro quer continuar a conquistar o World Tour de rompante.

Miguel Ángel López não quer ainda nada com o Tour. O seu discurso não podia ser mais directo: vai ao Giro para ganhar. É um ciclista com tanta qualidade que parece inevitável que ganhe uma grande volta, mas de expectativas não se vive. Vive-se de confirmações e resultados. O colombiano quer que 2019 seja o seu ano. E a Astana até vai enviar Ion Izagirre para apoiar López, mesmo que o espanhol deseje ser ele próprio um líder. Porém, a sua missão será de gregário.

Depois haverá Egan Bernal. Com Geraint Thomas a querer ir novamente ao Tour depois de o ter vencido em 2018 e com Chris Froome a apontar tudo à quinta conquista em França, a Sky vai lançar o jovem colombiano. Ao segundo ano no World Tour, Bernal terá já a sua oportunidade, mais do que merecida. Pode não ser o líder principal da Sky, nas Bernal não deixa de ser uma primeira escolha, já que os mais velhos, esses sim, mantêm o encanto por um Tour que é cada vez menos aquela corrida que todos querem estar sempre presentes. Quando se fala em vencer grandes voltas, o Giro e a Vuelta têm cada vez mais encanto! E espectáculo!

Temos ainda ciclistas que estando numa segunda linha, não deixam de ter valor. Com a chegada de Richie Porte, Bauke Mollema é novamente uma segunda escolha, tal como aconteceu em 2017, com Alberto Contador na Trek-Segafredo. E verdade seja dita, que até poderá fazer bem ao holandês. Mollema vai ao Giro, tal como Michael Woods da EF Education First e Thomas de Gendt (Lotto Soudal). O belga é mais um caça etapas, mas no Giro fez terceiro na geral em 2012. Este ano decidiu competir nas três grandes, em mais uma grande aventura de um ciclista que adora um bom desafio.

A AG2R vai deixar Tony Gallopin mostrar que tem dotes de voltista, após uma transformação que deu os primeiros sinais positivos na Vuelta. Já a Groupama-FDJ centra novamente as atenções de Thibaut Pinot no Tour e, para já, é para o sprint que escolheu levar Arnaud Démare, para medir forças com Elia Viviani (Deceuninck-Quick Step).

O Giro e também a Vuelta vão tendo cada vez mais ciclistas que as colocam como objectivos. O futuro da Sky poderá mudar este panorama, caso a equipa acabe, mas, para já, quem sai a ganhar é a Volta a Itália (de 11 de Maio a 2 de Junho). Os candidatos à maglia rosa são muitos e muito bons!

»»Giro com sete chegadas em alto e três contra-relógios««

22 de dezembro de 2018

Mitchelton-Scott finaliza transformação, já ganha grandes voltas e quer mais. Muito mais

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Reformulação terminada, com um tremendo sucesso. Agora é altura de construir o futuro sabendo que a equipa está consolidada numa de respeito para as grandes voltas e que tem um Yates já com uma grande volta e absolutamente capaz de ganhar mais e outro Yates que não vai querer ficar muito tempo atrás do irmão. A Mitchelton-Scott não abandona por completo os seus primórdios de equipa para tentar ganhar clássicas e alguns sprints, mas esta responsabilidade ficará entregue quase exclusivamente Matteo Trentin, pois o que esta equipa na idade  adulta mais quer é o Giro, o Tour e a Vuelta e as corridas por etapas que foram aparecendo entre elas.

Pretendia-se que os gémeos Yates confirmassem que não eram apenas jovens talentosos, que dividiram entre eles classificações da juventude nos últimos anos. Era responsabilidade dos dois levarem esta equipa ao patamar para que trabalhou nos últimos anos. Na sexta temporada, Simon respondeu ao repto. Parecia que ia ser no Giro, mas em Itália, se se pode dizer que uma corrida passou de um sonho a um pesadelo, este é um dos melhores exemplos. Acabou por ser em Espanha que Simon venceu a grande volta que a Mitchelton-Scott tanto procurava.

Mais do que uma individualidade ter alcançado o desejado sucesso, o que há mais a destacar é a equipa construída em redor do britânico. Esta Mitchelton-Scott reuniu um conjunto de gregários que começam a ser vistos de luxo. Christopher Juul-Jensen, Jack Haig, Damien Howson e Sam Bewley são todos ciclistas que estão praticamente ao nível de importância em manter na equipa, como os gémeos Yates. E precisamente por ter plena noção como os seus companheiros tão bem trabalharam para ele, Simon ficou ainda mais destroçado quando, a três dias de chegar a Roma de camisola rosa, o seu corpo cedeu. Somava três vitórias de etapas, dois segundos lugares, mas quatro top dez e simplesmente estava a ser uma exibição irrepreensível. Mas foi de mais e o trambolhão na geral atirou-o para fora do top 20.

Lição aprendida e muito bem aprendida. Chegou à Vuelta menos espectacular e mais pragmático. Também a equipa controlou o seu ímpeto e até soube ceder o trabalho "pesado" - e a liderança da prova - para poupar força e não quebrar quando as decisões chegassem. Yates venceu uma etapa, foi novamente muito regular, mas menos atacante. Foi cirúrgico e venceu a Vuelta. Era o que interessava e o que merecia.

Ranking: 5º (8660,03 pontos)
Vitórias: 37 (incluindo a Volta a Espanha e uma etapa e mais três no Giro. A vitória de Trentin nos Europeus é contabilizada como ao serviço da selecção)
Ciclista com mais triunfos: Simon Yates (8)

Adam não conseguiu seguir o exemplo do irmão, com a queda na Volta à Catalunha a estragar-lhe a temporada numa fase em que estava em claro ganho de forma. Fracturou a pélvis. Foi ao Tour e tanto na Volta à Califórnia, como no Critérium du Dauphiné deu demonstração que talvez pudesse estar entre os melhores em França. A meio da corrida começou a ceder. Foi atrás de uma etapa e uma nova queda estragou-lhe os planos. O 29º lugar esteve longe de ser algo que o deixou animado. Foi à Vuelta para ser o braço-direito do irmão e foi importante nesta rara união dos gémeos, normalmente separados nas grandes voltas.

Ganhar pela primeira vez uma corrida de três semanas é, inevitavelmente, a marca que fica de 2018 para a Mitchelton-Scott, um projecto que se prepara para a sua oitava época ao mais alto nível do ciclismo e que passará a ser de vez vista como um capaz de discutir qualquer prova por etapas.

A formação australiana nem se coibiu de deixar em casa o sprinter que ajudou a formar como ciclista. Caleb Ewan apostou muito numa ida ao Tour, mas depois do que aconteceu no Giro, mais do que nunca a Mitchelton-Scott acreditou que o seu caminho era lutar pela geral. Ewan ficou devastado e não escondeu que estava num pico de forma naquela altura do ano. Em final de contrato, decidiu sair para a Lotto Soudal e ocupar o lugar de André Greipel. Nada que preocupe a equipa australiana, cujos reforços para 2019 foram escolhidos para aumentar a escolha de blocos para as corridas por etapas.

Se Simon Yates (26 anos) confirmou que já não é o futuro da equipa, mas sim o presente, Daryl Impey demonstrou que aos 34 anos, feitos este mês, não é o passado. Começou a temporada com a conquista do Tour Down Under e juntou mais uns títulos nacionais sul-africanos ao seu currículo. Apareceu várias vezes na discussão de corridas e venceu a segunda etapa do Dauphiné.

A desilusão foi Matteo Trentin. O italiano deixou a Quick-Step Floors depois de uma época com sete vitórias, quatro na Vuelta. Já se sabe que há uma tradição dos ciclistas que saem da formação belga terem dificuldade em reencontrar sucesso idêntico e Trentin teve um 2018 que só não quererá esquecer, porque foi campeão da Europa. Não tendo o pelotão que normalmente aparece num Mundial, não deixa de ser um título e uma vitória que animou Trentin. Ainda se pensou que partiria para um final de temporada forte, mas não conseguiu repetir o sucesso na Vuelta. Foi somar dois triunfos no périplo final pela China, mas já a pensar que em 2019 quer muito mais e melhor.

A equipa até poderá estar mais apostada em ganhar a Volta a Itália - onde irá apostar Simon Yates, que disse ter contas a fechar com a corrida -, contudo, a contratação de Trentin também foi pensada por ser um ciclista que sabe bem correr sem depender em demasia de um apoio de companheiros. Sprints e clássicas vão ser para ele.

Quanto a Johan Esteban Chaves não se pode falar de desilusão, mas sim de incerteza. O colombiano foi o primeiro a fraquejar no Giro, depois de ter ganho no Etna, com Yates a seu lado. Foi uma das imagens do ano e uma das últimas vezes que se viu Chaves. Depois apareceu de vez em quando na televisão na parte de trás do pelotão. Dizer que fraquejou não descreve bem o que aconteceu ao colombiano que esteve irreconhecível. Terminou a corrida, ainda que se suspeitava que algo não estava bem. Chaves não competiu mais em 2018 e depois de meses de espera foi divulgado que o ciclista, de 28 anos, sofria de uma mononucleose.

O objectivo passou a ser apenas recuperar Chaves para que em 2019 possa ir atrás da grande volta que se pensava poder ser dele antes dos Yates afirmarem-se. A dúvida é enorme, tendo em conta os exemplos recentes de problema de saúde idêntico. Mark Cavendish (Dimension Data) não mais foi o mesmo, enquanto Beñat Intxausti competiu 23 dias em três anos na Sky. Se conseguir ser o Chaves que já vez pódio no Giro e Vuelta, então a Mitchelton-Scott aspirará a ainda mais.

Permanências: Simon Yates, Adam Yates, Johan Esteban Chaves, Matteo Trentin, Daryl Impey, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley, Alex Edmondson, Luke Durbridge, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Luka Mezgec, Christopher Juul-Jensen, Mikel Nieve e Robert Stannard. Michael Hayman irá retirar-se após o Tour Down Under.

Contratações: Nick Schultz (Caja Rural), Dion Smith (Wanty Groupe-Gobert), Callum Scotson (Mitchelton-BikeExchange), Brent Bookwalter (BMC), Edoardo AFfini (SEG Racing Academy) e Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo).