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21 de novembro de 2019

Avermaet com a Volta ao Algarve nos seus planos

(Fotografia: Facebook CCC Team)
Começar a lista de inscritos da Volta ao Algarve com um campeão olímpico e um dos melhores ciclistas de clássicas em anos recentes é bastante promissor. Ainda não é garantido, mas Greg van Avermaet poderá colocar a corrida portuguesa no seu calendário de início de temporada, já que quer mudar a sua forma de preparar-se para a sua fase favorita da época. O belga não estará interessado em viagens ao Médio Oriente, preferindo apostar em corridas europeias.

2019 trouxe cinco vitórias, mas apenas uma no World Tour para Greg van Avermaet. Apesar de ter até ter começado a temporada com resultados promissores, quando chegou a dois dos principais objectivos, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, o belga não conseguiu estar na discussão dos monumentos. E como ganhar na Flandres é nesta fase da carreira do belga de 34 anos o mais importante - já ganhou em Roubaix -, a sua preparação vai ser feita a pensar em atingir um pico de forma nas duas corridas de Abril, mas principalmente na Flandres.

"Queremos evitar que o Greg atinja a forma demasiado rápido, para que possa chegar ao pico nas clássicas. Em anos recentes, o Greg esteve muito bem nas corridas no início de Fevereiro, mas estas são provas de preparação. Em 2019 esteve muito bem nas clássicas, entre a Omloop Het Nieuwsblad e a E3 Harelbeke, mas depois baixo bastante [de forma]", explicou o Valerio Piva ao Het Nieuwsblad.

Isto significa duas coisas: o ciclista fará uma pausa de seis semanas em vez das habituais quatro neste final de 2019 e haverá uma mudança de calendário para 2020. Segundo o director desportivo da CCC, Avermaet até deverá arrancar a temporada novamente na Volta à Comunidade Valenciana, mas em vez de seguir para a Volta a Omã, o belga preferirá viajar até ao Algarve, antes de atacar as clássicas, com a Omloop Het Nieuwsblad a realizar-se em 2020 na semana seguinte ao final da Algarvia (19 a 23 de Fevereiro).

A Volta a Flandres realiza-se a 5 de Abril e Avermaet sabe que as oportunidades para conquistar este monumento estão a diminuir. Com a mudança da BMC para CCC, o belga permaneceu na estrutura, ganhando o estatuto de líder em toda a linha. Ou seja, a equipa iria apostar forte nele e nas clássicas e não tanto nas gerais das grandes voltas.

O belga até começou com uma vitória de etapa na Volta à Comunidade Valenciana, fez pódios, top dez, mas foi ficando claro como nesta CCC faltavam elementos mais fortes na ajuda a Avermaet nos momentos decisivos e na Volta a Frandres e Paris-Roubaix, o ciclista também não conseguiu esconder que não estava no seu melhor. Desde aquele fenomenal 2017, com quatro vitórias em clássicas do pavé, incluindo o Paris-Roubaix, Avermaet nunca mais triunfou numa corrida deste género, conseguindo quebrar o jejum em corridas de um dia em Montreál, em Setembro.

Para o segundo ano ao mais alto nível, a CCC começou a fortalecer a equipa em todos os sectores e contratou Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) para as provas por etapas, tal como Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec) e Jan Hirt (Astana), este último um regresso à formação que representou quando a CCC ainda era Profissional Continental.

Já para as clássicas, o reforço chama-se Matteo Trentin (Mitchelton-Scott). O italiano quer formar com Averamaet uma dupla temível nas clássicas, mas é uma ideia pouco convincente, a não ser que o belga mude muito a sua postura. Nunca foi de partilhar estrelato, nem quando tinha um senhor Philippe Gilbert como companheiro na BMC.

Agora é esperar para saber se o calendário do campeão olímpico de 2016 - Tóquio2020 é outro dos momentos em que Avermaet quer aparecer forte na época - vai oficialmente incluir a Volta ao Algarve.

Apenas como curiosidade, Peter Sagan também não tem no seu programa de início de temporada nenhuma das corridas no Médio Oriente. Para já, sabe-se que vai começar o ano no final de Janeiro na Volta a San Juan, na Argentina - costuma ir à Austrália, mas, por agora, o Tour Down Under não surge nos seus planos -, passando depois para a Omloop Het Nieuwsblad, a 29 de Fevereiro. A Bora-Hansgrohe é uma das sete equipas confirmadas para a Algarvia.


Juntar Sagan e Avermaet na Volta ao Algarve seria de sonho!

»»Volta ao Algarve será decidida no contra-relógio««

6 de novembro de 2019

CCC quis ano zero ambicioso mas precisa de mais e melhor

(Fotografia: Facebook CCC Team)
O objectivo era ambicioso tendo em conta como a CCC chegou ao World Tour. O ano começava com um director a querer 20 vitórias. O início de temporada de Patrick Bevin no Tour Down Under deixou a equipa animada. Venceu uma etapa e liderava a corrida até que sofreu uma queda. Antes tinha conquistado o título nacional de contra-relógio. Em Fevereiro, Greg Avermaet respondia ao repto de ser não só o líder para as clássicas, mas da equipa, com uma vitória na terceira tirada da Volta à Comunidade Valenciana. Na CCC sorria-se. A nova vida da BMC prometia... mas acabou por não cumprir.

Ao comprar a licença World Tour da BMC, a polaca CCC já não foi a tempo de segurar alguns dos elementos mais importantes, entre líderes e gregários. Laurens ten Dam, Simon Geschke, Víctor de la Parte e Serge Pauwels foram contratados para dar experiência a uma equipa que "promoveu" vários ciclistas da estrutura Profissional Continental, entre eles Amaro Antunes. Entre outros reforços estava um Jakub Mareczko que sentiu dificuldade para confirmar o potencial mostrado na Wilier Triestina-Selle Italia, enquanto Will Barta (Hagens Berman Axeon) teve um ano de adaptação, com a expectativa a manter-se elevada para 2020.

Porém, nem Ten Dam, nem Geschke, nem ninguém conseguiu ajudar o director Jim Ochowicz a cumprir o plano das 20 vitórias. Logo na fase de clássicas, de trabalhar para ajudar Avermaet, nos momentos importantes a equipa não conseguia ajudar o seu líder, que também esteve aquém do esperado. Nas provas por etapas aconteceu o expectável. Sem um líder forte, a CCC tentou jogar na conquista de etapas e eventualmente alcançar top dez ou um pódio, mas discutir vitórias foi difícil. A CCC foi uma equipa combativa, mas faltaram resultados mais positivos.

A CCC teve um plantel com muitas carências e 2019 foi visto como uma espécie de ano zero. Avermaet ainda rendeu três vitórias - incluindo na clássica do Quebeque, a única vitória World Tour para a formação polaca -, mas soube a pouco. Agora é preciso dar o passo seguinte, ainda que haja muito a melhorar para que a CCC possa ter a força que a BMC tinha.
Ranking: 20º (4819,79 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo o Grande Prémio do Quebeque)
Ciclista com mais triunfos: Greg van Avermaet (3)
Desde cedo em 2019 ficou clara a necessidade de reforçar a equipa e no topo das preferências estava um líder para as três semanas. Nos dias que se seguiram ao anúncio da saída da Sky como patrocinador e até à chegada da Ineos, a CCC já olhava para a possibilidade de poder contar com alguns dos ciclistas da estrutura britânica. Michal Kwiatkowski era o mais desejado, mas o sonho de ter um líder polaco numa equipa polaca ainda vai ter de esperar.

Para 2020, a CCC atacou o mercado. Convenceu um Ilnur Zakarin que na Katusha-Alpecin não conseguiu ser o voltista que discute constantemente o pódio como se desejaria. Não é uma aposta que dê fortes garantias de sucesso, mas pelo menos será uma opção para as corridas de três semanas. Chegará também Matteo Trentin. Não tem sido regular, mas parece guardar o melhor para o final de temporadas. Poderá ser um ciclista que trará mais algumas vitórias, ainda que será interessante ver como se relacionará com Avermaet. O italiano acredita que poderá formar um dupla temível com o belga, mas Avermaet não tem sido ciclista de formar duplas. Que o diga Philippe Gilbert, no tempo em que esteve na BMC...

Jan Hirt prometeu na CCC, mas o salto para a Astana não correu da melhor forma. Regressa à equipa, agora no World Tour, e ainda há esperança que o checo se mostre nas provas por etapas. Fausto Masnada (Androni-Giocattoli-Sidermec) foi uma das figuras do Giro e a sua atitude lutadora tornou-o num ciclista apetecível. Tem 26 anos, conseguiu finalmente o contrato ao mais alto nível e vai ser daqueles ciclistas que se vai seguir com atenção. Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin) será um homem de trabalho por excelência, com os polacos Michal Paluta e Kamil Malecki a serem promovidos da equipa de formação da CCC. Da Tirol KTM chegará um sprinter de 22 anos, o alemão Georg Zimmermann.

Amaro Antunes cumpriu um sonho mas azar voltou a persegui-lo

O português não teve um 2018 muito feliz, com algumas quedas a estragarem-lhe parte da temporada. No entanto, a CCC levou o algarvio para o World Tour. Amaro Antunes mostrou o que se conhece dele na Volta ao Algarve, sendo oitavo. Pouco se viu depois do português no Paris-Nice e Volta ao País Basco, numa altura em que já olhava para a presença no Giro. Finalmente Amaro conseguiu estar numa grande volta, como tanto desejava.

Não foi um começo feliz, mas devido a uma fuga acabou por ficar quase uma semana no top dez. Quebrou, mas foi apenas o regresso ao plano original: lutar por etapas. E que pena foi aquela 19ª. 12 segundos separaram Amaro de uma grande vitória, que foi para Esteban Chaves (Mitchelton-Scott). Foi uma grande exibição do ciclista (não só nessa etapa), que foi terceiro nesse dia e abria assim boas perspectivas para a restante temporada.

Contudo, os azares bateram novamente à porta. Ainda pensou na Vuelta, mas não foi chamado. Tentou terminar a época forte, mas caiu na Volta à Croácia e 2019 acabou ali a temporada, antes que pudesse ir à Lombardia. Também terá terminado a aventura pelo World Tour, um nível que dificilmente perdoa épocas menos conseguidas. O pelotão português poderá ter de volta um ciclista que tanto anima corridas e dos mais acarinhados, pois Amaro estará perto de regressar à W52-FC Porto.

»»Uma época em que tudo falhou««

»»Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer««

16 de abril de 2019

Sobreviver ao Paris-Roubaix incólume não é fácil. Que o diga Benoot, Keisse, Vanmarcke, Kristoff...

(Fotografia: © Gruber Images/Paris-Roubaix)
No rescaldo do Paris-Roubaix, entre quedas, choques, furos e falhas mecânicas, a corrida ficou estragada para vários ciclistas por incidentes que acontecem em qualquer prova de ciclismo, é certo, mas nesta, é quase mais provável que aconteça alguma coisa, do que um corredor sair completamente incólume dos mais de 250 quilómetros deste Inferno do Norte. Não é à toa que é assim conhecido este monumento. Que o diga Tiesj Benoot. No seu caso, foi algo mais inesperado que aconteceu, terminando não só com a sua corrida, mas com a época de clássicas. O acidentado Wout van Aert (saída de estrada, troca de bicicleta, queda e depois ficar sem forças para seguir com o grupo da frente) foi acompanhado quase todo o tempo na transmissão televisiva, mas houve pormenores com outros ciclistas - falta de energia e de atenção incluídos - que só mais tarde se percebeu o que aconteceu.

Tiesj Benoot (Lotto Soudal) foi visto a tentar recuperar terreno, numa altura em que a câmara acompanhava um Wout van Aert (Jumbo-Visma) a mostrar toda a sua mestria na bicicleta, a passar entre carros para tentar retomar o grupo da frente, depois de ter descolado após uma saída de "estrada" (leia-se pavé) na Trouée d'Arenberg (Floresta de Arenberg). Pensou-se que Benoot até poderia ser um bom aliado para o compatriota apesar de serem de equipa rivais. Porém, Benoot desapareceu das imagens. Mais tarde viu-se que um carro da Jumbo-Visma tinha o vidro traseiro completamente quebrado (imagem em baixo). Foi Benoot que chocou com muita violência contra o veículo.

(Imagem: print screen)
"Numa certa altura, o carro da Jumbo-Visma que estava à minha frente, de repente, fechou tudo [espaço]. Não consegui responder e fui direito a ele. O vidro partiu-se completamente. Um motociclista que vinha atrás de mim, tentou desviar-se de mim e acabou por cair por cima de mim. Quando estava no chão, estava com muitas dores em todo o lado", explicou Benoot ao Het Nieuwsblad.

Resultado: clavícula partida e falhará a Amstel Gold Race, que deveria ser a sua última clássica antes de uma paragem para recuperar forças e pensar na segunda metade da temporada, que terá a Volta a França como ponto alto.

Quem também não ficou nada bem tratado foi Iljo Keisse. O belga da Deceuninck-QuickStep foi contra um poste de sinalização numa ilha de tráfego. Keisse explicou que não viu aquela divisão, pois estava tapado pelo ciclista que ia à sua frente e que se desviou no último instante. Keisse já não conseguiu fazer o mesmo. As dores eram muitas e com razão. Keisse fracturou o cotovelo e teve de ser operado. Nos próximos dez dias terá um gesso no braço.

Entre os problemas mecânicos e furos, Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) é capaz de ter ganho o prémio do mais azarado. Com três furos é impossível fazer algo de bom no Paris-Roubaix e ficou novamente bem claro como a escolha errada de equipamento pode fazer toda a diferença. Com os 29 sectores de pavé, alguns extremamente agressivos, todos os pormenores contam e Kristoff admitiu que escolheu mal as rodas e os pneus: tubeless (sem câmara de ar).

"Eu sabia que era um risco, mas estas rodas eram mesmo boas. Tive sucesso com elas nas últimas semanas [ganhou a Gent-Wevelgem e foi terceiro na Volta a Flandres] e sentia-me bem hoje [domingo] até furar. Não vou tentar de novo no próximo ano [com este equipamento]", disse Kristoff ao Cycling News, referindo-se à escolha de rodas que levam pneus tubeless. Ao fim de três furos, regressou ao sistema normal e terminou a corrida, mas a mais de 14 minutos do vencedor Philippe Gilbert.

Talvez ainda mais desiludido tenha ficado Sep Vanmarcke. O ciclista da EF Education First nem surgia como grande favorito dada a lesão no joelho que o afectou nas semanas anteriores, após uma queda. Porém, o belga apareceu em grande forma, mas com este ciclista não há nada a fazer, acontece sempre alguma coisa que o afasta de potenciais vitórias.

Quando Nils Politt (Katusha-Alpecin) atacou, levando com ele Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), Vanmarcke desesperava apontando para a sua bicicleta. No momento crucial da corrida não conseguiu mexer as mudanças, ficando preso numa que o obrigou a um enorme esforço. "Nunca me teriam deixado para trás", garantiu o ciclista, que afirmou que se estava a sentir muito bem fisicamente. A passar um dos sectores de pavé mais importantes, o Carrefour de l'Arbre, Vanmarcke ou parava ou tentava continuar até que finalmente pudesse contar com o apoio do carro da equipa que estava mais atrás.

O apoio no Paris-Roubaix é um autêntico inferno e Vanmarcke admitiu que o tempo em que teve de pedalar naquelas condições acabou por esgotar as suas forças. "Teria sido melhor ter ficado em casa no sofá. Assim não estaria tão desiludido como estou agora", afirmou, depois de cortar a meta no quarto lugar.

Para terminar temos Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e vencedor do Paris-Roubaix em 2018 e Greg van Avermaet (CCC), vencedor em 2017. O primeiro repetiu a história da Volta a Flandres e Milano-Sanremo. Está tudo a correr relativamente bem, até parecia estar no seu melhor esta época, mas quando se deu o ataque final: "Faltou-me alguma energia no final."

Se ao eslovaco faltou energia a Avermaet faltou atenção. O belga ficou fora da discussão no ataque feito a cerca de 50 quilómetros da meta e que permitiu formar o grupo de seis ciclistas que seguiu até perto do fim. "Não estava bem acordado quando aqueles seis homens escaparam e a minha corrida ficou praticamente terminada", admitiu Cycling News, acrescentando que não estava bem colocado, estando demasiado atrás no grupo, o que lhe tirou qualquer possibilidade de acompanhar os ciclistas que ficaram na frente.

Para o ano, há mais. Mas  aqui ficam estas imagens espectaculares da perspectiva de quem vai nesta fantástica corrida e que ajudam a perceber como é difícil fazer um Paris-Roubaix sem sofrer qualquer contratempo.


2 de março de 2019

Queixou-se de falta de sorte a agora somou duas vitórias consecutivas

"Nunca tive muita sorte nos momentos certos." O desabafo foi feito pouco antes de Zdenek Stybar começar a Volta ao Algarve, depois de no ano passado ter celebrado muitas vitórias dos colegas, mas nenhuma sua. Há muito que é uma das principais figuras da Deceuninck-QuickStep, mas parece que andava de costas voltadas para com os triunfos. 2018 foi uma excelente época, com vários top dez e a ser responsável por ajudar vários dos seus companheiros a ganhar. Contudo, numa temporada com 73 triunfos, nenhuma foi de Stybar. Tudo pode mudar num instante e para este portentoso checo isso aconteceu: duas vitórias consecutivas!

Stybar pode dizer que a sorte está finalmente do seu lado, mas também pode dizer que a sua forma física, a sua inteligência a ler os seus adversários e a sua capacidade para se adaptar a diferentes situações de corridas estão novamente a obter resultados. Primeiro foi senhor do Malhão, na Algarvia. Uma semana depois, no arranque da temporada de clássicas, conquistou a Omloop Het Nieuwsblad.

Este checo é um daqueles ciclistas sempre pronto para ajudar quem for preciso, seja um companheiro de enorme influência e experiência como Philippe Gilbert, seja uma jovem promessa como Fabio Jakobsen. Nas clássicas, o próprio admite que não fica preso a um papel secundário e que lhe é dada liberdade. No entanto, apesar do excelente trabalho que tantas vezes faz, ou fica de fora da discussão, ou é um colega de equipa que fica em melhor posição. E na Deceuninck-QuickStep impera o espírito de união e respeito, pelo que não há lutas de egos a intrometerem-se na luta por vitórias.

Zdenek Stybar, 33 anos, é um ciclista que vai para a nona temporada com a formação belga. Venceu a Strade Bianche em 2015, fez dois segundos lugares no Paris-Roubaix, perdendo um para Greg van Avermaet (2017) e outro para John Degenkolb (2015). Conquistou um então Eneco Tour (2013) e ganhou uma etapa na Vuelta (2013) e Tour (2015), entre outros triunfos. A sua carreira ficou ainda marcada por uma queda de causar arrepios no Eneco Tour de 2014. Apertado contra as barreiras acabou por "saltar" por cima do guiador, batendo violentamente com o rosto no chão. O sangue dos seus ferimentos tornaram as imagens ainda mais impressionantes. No entanto, impressionante também foi o regresso à competição pouco mais de 15 dias depois. Os cortes no rosto e uns dentes partidos não abateram este checo.

O director da Deceuninck-QuickStep, Patrick Lefevere, não esconde como Stybar é um ciclista que lhe agrada e com quem muito conta. O responsável até alertou que Yves Lampaert teria de assumir mais responsabilidade, numa altura em que Niki Terpstra (Direct Energie) teve de sair da equipa devido à necessidade de apertar os cordões da bolsa do orçamento. Lampaert respondeu a esse apelo, mas uma queda de Tiesj Benoot (Lotto Soudal), afastou-o da frente da corrida deste sábado. Desta vez foi Stybar quem ficou na frente e numa contagem que vai a bom ritmo, em 12 vitórias da formação belga em 2019, desta feita o checo já escreveu o seu nome em duas.

Na luta particular com a Astana, a Deceuninck-QuickStep reduziu a diferença, com a equipa cazaque a ser a mais ganhadora de 2019, com 13 triunfos.

Início perfeito das clássicas para a equipa que vive para elas. Lampaert e Gilbert fecharam no top dez, demonstrando que a Deceuninck-QuickStep quer mais um ano para recordar. Curiosamente, apesar de ser uma formação tão dominadora neste tipo de corridas, a Omloop Het Nieuwsblad estava a ser difícil de conquistar. A última vitória remonta a 2005, da autoria do belga Nick Nuyens.

O momento da decisão e um Avermaet que tentou fazer tudo

Numa corrida que, como tantas no pavé, ficou marcada pelo eliminação sucessiva de candidatos a cada sector de empedrado e a cada queda que cortava os grupos de ciclistas, foram cinco os que sobraram para discutir a vitória. Com Greg van Avermaet entre os primeiros, era no ciclista da CCC que recaía a maior responsabilidade. A equipa elegeu o belga e apenas o belga como líder neste seu primeiro ano no World Tour, pelo que a aposta é forte nas clássicas. Está mais do que habituado a sentir pressão, mas nunca teve um papel com um peso tão relevante. 

Avermaet conseguiu escapar a quedas, furos, avarias, tudo o que tantas vezes acaba com as aspirações de ciclista num pavé que não perdoa qualquer falha ou azar. A equipa trabalhou quando houve cortes, garantindo que o seu líder pudesse estar na discussão. No momento certo, Avermaet entrou na fuga que singrou. Porém, ou vontade a mais, ou pressão a mais para ganhar, Avermaet atacou, respondeu a ataques, voltou a atacar e respondia a todos que tentavam mexer no grupo, enquanto nunca se escondeu no trabalho quando o quinteto estava unido em deixar os perseguidores longe. Chegaram a ser seis, mas Daniel Oss (Bora-Hansgrohe) não conseguiu aproveitar a liberdade de não ter Peter Sagan na prova, tendo quebrado no Kapelmuur.

Mas regressando à fase da decisão. Mesmo nos últimos cinco quilómetros, quando Tim Wellens (Lotto Soudal), Alexey Lutsenko (Astana) e Dylan Teuns (Bahrain-Merida) teriam maior responsabilidade de atacar, já que ao sprint era quase certo que perderiam para Avermaet e Stybar, foi o belga da CCC que deu um ligeiro puxão para obrigar todos a "mexerem-se". Wellens cumpriu e atacou. Quem respondeu? Avermaet. Todos juntos novamente e Stybar contra-atacou. Quem respondeu? Avermaet. Mas desta feita, não deu. A força já não estava lá e aquele baixar de cabeça revelou um ciclista derrotado.

Stybar escolheu na perfeição onde e como atacar. Não foi uma surpresa. Foi o mesmo local eleito por Michael Valgren há um ano para escapar e que lhe valeu também o triunfo. Stybar nem olhou para trás durante muitos metros.


A sorte esteve com ele no momento certo, enquanto Avermaet terá de repensar a sua forma de correr. É notório que está perto da forma que deseja quando chegarem as principais corridas, mas, aos 33 anos, tentar ser um super Avermaet, poderá não ser a melhor táctica. Pede-se um Avermaet mais calculista e frio, como já tantas vezes se viu e deu bons resultados. Ficou com um segundo lugar amargo, com Wellens a fechar o pódio.

Este domingo é dia de Kuurne-Bruxelles-Kuurne (201,1 quilómetros), uma das corridas deste tipo que mais agrada a alguns sprinters. Dylan Groenewegem (Jumbo-Visma) venceu no ano passado.

Resultados completos, via ProCyclingStats.

As senhoras também competiram nas difíceis condições da corrida belga, marcada por alguma chuva e bastante vento. Chantal Blaak (Boels-Dolmans) demonstrou porque é uma das melhores do mundo, deixando a concorrência a pouco mais de um minuto de distância. A italiana Marta Bastianelli (Team Virtu Cycling Women) foi segunda e a colega de Blaak, Jip Van Den Bos, terceira.

A única participação portuguesa na Omloop Het Nieuwsblad foi a de Daniel Reis. A ciclista da Doltcini-Van Eyck Sport terminou na 47ª posição, a 5:32 da vencedora (classificação completa neste link).

26 de dezembro de 2018

BMC em ano de despedida

(Fotografia: Facebook BMC/CCC Team)
Quando uma época começa, passa-se por aquela fase de adaptação a ciclistas em equipas diferentes, mudanças de equipas, de nome... Porém, em 2019, haverá uma mudança mais profunda: não se verá mais os habituais equipamentos vermelhos e pretos com o nome BMC. Vai ser estranho, como aconteceu noutros anos quando icónicos patrocinadores deixaram o pelotão, ou quando uma equipa terminou. 2018 foi o ano do adeus de uma das equipas mais fortes do pelotão, que entrará agora numa nova fase como estrutura polaca: a CCC Team. Da despedida ficaram boas recordações, mas com aquela frustração de mais uma vez não discutir uma grande volta, principalmente o Tour com Richie Porte.

Mas mais do que uma análise a 2018, acaba-se inevitavelmente por escrever sobre o que esta equipa foi. Nasceu da aliança entre um apaixonado pela modalidade Andy Rihs - que morreu este ano - e o antigo ciclista Jim Ochowicz. Rihs ficou desiludido ao ver como a sua Phonak acabaria manchada pelo doping de Floyd Landis, que levou ao fim da equipa em 2006 e a retirada da vitória no Tour. O magnata suíço era também dono da marca de bicicletas BMC e surgiu no ano seguinte com o novo projecto, que se tornaria num de referência no ciclismo.

Os primeiros passos foram dados maioritariamente com ciclistas americanos e alguns suíços. Em 2010, a equipa contrata Cadel Evans, então campeão do mundo e com pódios no Tour e Vuelta. A partir de então, foi sempre a subir. A BMC foi convidada para o Giro e para o Tour (pertencia ao escalão Profissional Continental), com Evans a fechar na quinta posição. Venceu uma etapa, a primeira de 26 em grandes voltas da BMC. Antes, o australiano tinha sido o autor da estreia a ganhar em corridas de categoria World Tour, com a conquista da Flèche Wallonne. Foi também Evans quem deu o triunfo que marca a história da BMC: a Volta a França em 2011, na primeira temporada da equipa no escalão principal.

Tejay van Garderen não conseguiu cumprir as expectativas para substituir Evans e Richie Porte, contratado à Sky, foi perseguido por algum azar, com quedas a marcarem as duas últimas edições no Tour.


Ranking: 4º (8779,97 pontos)
Vitórias: 22 (incluindo uma etapa no Giro, três na na Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Rohan Dennis (6 mais o título mundial de contra-relógio)

Para atacar os monumentos, a aposta foi em mais um homem da belga Lotto. Philippe Gilbert chegou à BMC com três no currículo, mas o ciclista não conseguiu repetir as performances, destacando-se, contudo, o título mundial. Evans vestiu essa camisola, mas tinha vencido quando representava a Lotto, Gilbert deu uma enorme alegria a Rihs e Ochowicz, ainda que não tenha dado muitas mais. Na luta de egos com Greg van Avermaet, seria este a dar o monumento à equipa. Não foi a Volta a Flandres como tanto queria Avermaet, mas conquistou o Inferno do Norte do Paris-Roubaix em 2017.

Pela importância das corridas, estas são vitórias a destacar. Porém, a BMC conseguiu ser uma equipa que tanto lutava por corridas por etapas, como estava na disputa por clássicas. Taylor Phinney, Thor Hushovd, George Hincapie, Steve Cummings, Daniel Oss, Stefan Küng e Alessandro de Marchi foram outros nomes que marcaram esta equipa, seja com vitórias ou por serem alguns dos melhores homens de trabalho. Isto sem esquecer Rohan Dennis. Pode não ter sido (pelo menos na BMC) o voltista que ambicionava, mas o senhor contra-relógio vestiu as camisolas de líder das três grandes voltas e para fechar a história da BMC em grande deu mais um título mundial individual, sem esquecer que esta equipa foi exímia nesta vertente a nível colectivo (foi campeã em 2014 e 2015).


Claro que os títulos mundiais são ganhos ao serviço das selecções, mas a camisola leva o nome do patrocinador da equipa que o ciclista representa, pelo que é sempre um triunfo relevante. Quanto a Dennis vai levar a camisola do arco-íris para a Bahrain-Merida, mas na despedida pela BMC ganhou um contra-relógio no Giro e dois na Vuelta e foi líder em ambas. Venceu ainda no Tirreno-Adriatico e em Abu Dhabi, além de ser campeão nacional. 

De Marchi também venceu uma etapa na Vuelta e é dele a derradeira vitória da BMC no Giro dell'Emilia. Richie Porte conquistou a Volta à Suíça, mas a queda na etapa de Roubaix do Tour, ainda antes de chegar aos sectores de pavé, acabou por marcar a temporada pela negativa. Greg van Avermaet ganhou o Tour de Yorkshire, mas ficou aquém do esperado nas clássicas. 22 triunfos, mais o título mundial de Dennis para fechar uma história que irá agora entrar na fase CCC Team.

Passar grande parte da temporada sem saber se será possível manter a equipa viva, fez com que Ochowicz não pudesse segurar a maior parte das suas estrelas. Aos poucos estas foram assinando por outras equipas, mas não se pode acusar ninguém de não ter estado dedicado a garantir que a BMC alcançasse os seus objectivos, mesmo que fora da estrada estivesse em marcha a procura por garantir o futuro.

Apenas sete ciclistas vão transitar para a CCC Team, com Greg van Avermaet a ser apresentado como o líder, já que as clássicas e a caça por etapas serão os planos para 2019. Ochowicz quer alcançar a marca de 20 vitórias, numa equipa que contará com um português. Amaro Antunes chega ao World Tour, tendo sido um dos ciclistas que sobe da CCC versão Profissional Continental, que não continuará a existir.

2019 será um ano zero, mas com ambição de novamente fazer crescer a equipa de forma a discutir novamente as grandes voltas e contar com mais referências do ciclismo actual. Não foi feito segredo que com o anúncio da saída da Sky como patrocinador, Michal Kwiatkowski passa a ser a escolha número um para 2020, caso a equipa britânica feche portas. O susto de ver a estrutura terminar passou para Ochowicz, mas o trabalho de reconstrução está apenas a começar.

Transitam da BMC: Greg van Avermaet, Alessandro de Marchi, Michael Schär, Patrick Bevin, Joey Rosskopf, Nathan van Hooydonck e Francisco Ventoso.

Transitam da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes, Pawel Bernas, Lukasz Owsian, Kamil Gradek e Szymon Sajnok.

Contratações: Laurens ten Dam (Sunweb), Simon Geschke (Sunweb), Serge Paywels (Dimension Data), Will Barta (Hagens Berman Axeon), Lukaz Wisniowski (Sky), Victor de la Parte (Movistar), Gijs van Hoecke (Lotto-Jumbo), Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia), Guillaume van Keirsbulck (Wanty-Groupe Gobert), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels) e Josef Cerny (Elkov-Author Cycling Team).

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17 de julho de 2018

Depois da típica etapa de montanha controlada pela Sky que venha uma ao estilo da Vuelta

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
O primeiro dia de alta montanha na Volta a França trouxe um grande Julian Alaphilippe e um nada por parte dos candidatos. Foi uma típica etapa desde que a Sky chegou ao pelotão. A equipa britânica controlou por completo o ritmo e ninguém se atreveu a atacar. Aquela aceleração de Daniel Martin a cerca de 500 metros do final da última subida foi a única movimentação, mas serviu "apenas" para deixar para trás Rigoberto Uran e Bob Jungels. Nem sequer foi uma surpresa ver os favoritos ficarem quietos, pois seguem-se duas etapas com chegada em alto e talvez aí sim, haja mais acção. Depois de uma etapa típica do Tour, vem aí uma mais ao género da Vuelta.

A organização da Volta a França seguiu o exemplo da corrida espanhola e colocou no percurso duas etapas mais curtas. A de 65 quilómetros será na próxima semana, mas haverá esta quarta-feira uma de 108,5 quilómetros, com chegada em alto em la Rosière. Ciclistas como Nairo Quintana (Movistar) e Romain Bardet (AG2R) não podem estar à espera da última semana para recuperar o tempo perdido, ainda mais tendo em conta que não são os melhores dos contra-relogistas. Para Chris Froome têm pouco mais de um minuto para recuperar, mas é sensato não estar a menosprezar Geraint Thomas. Para o galês são cerca de dois minutos de desvantagem.

Estas etapas nos Alpes serão interessantes para perceber como irá agir a Sky com os seus co-líderes. Serão mesmo? Até agora Thomas tem estado imune a azares e já procurou bonificações, mas as decisões aproximam-se com os Alpes a serem o primeiro desafio de montanha. Quinta-feira é dia de Alpe d'Huez. Talvez aí se possa perceber melhor como estará Froome, que fez e ganhou o Giro, e se Thomas é de facto um ciclista que os adversários terão de ter em conta. Até ao momento está a realizar uma excelente corrida, sendo segundo, a 2:22 de Greg van Avermaet. Acabar a segunda semana de amarelo, nem é uma ideia completamente descabida.

Mas uma etapa de cada vez. A desta quarta-feira terá duas categorias especiais logo a abrir, seguida de uma segunda e uma primeira para acabar. Com apenas quatro chegadas em alto até ao final do Tour, quem tem de recuperar tempo e prefere este tipo de tiradas, então não pode desaproveitar. E sim, volta-se a pensar em Nairo Quintana, já que Bardet, por exemplo, não se dá mal com etapas que terminem com descidas.

Com as subidas mais difíceis logo de início e com uma classificação geral tão afectada pelas quedas das primeiras etapas, o percurso da 11ª etapa está a pedir ataques desde muito cedo.

(O texto continua por baixo da imagem.)



É o momento para a Movistar demonstrar que é de facto capaz de se debater com a Sky, mesmo que já tenha perdido um ciclista, José Joaquín Rojas (caiu na etapa do pavé). A AG2R ficou sem dois ciclistas até ao momento. Axel Domont e Alexis Vuillermoz vão fazer falta a Bardet.

Rigoberto Uran teve um mau dia. Mais um. O colombiano, segundo classificado em 2017, está a sofrer da queda na etapa do pavé, no domingo. Perdeu mais dois minutos e já são mais de cinco de atraso para Geraint Thomas. A EF Education First-Drapac p/b Cannondale não tinha ninguém com o seu líder quando este mais precisou. A condição física de Uran irá determinar quando poderá tentar começar a recuperar tempo, pelo que o objectivo poderá passar por, pelo menos, não perder mais tempo nos próximos dois dias.

Bob Jungels (Quick-Step Floors) acumulou quase um minuto, mas visto que tem sido dos que tem escapado às quedas e furos, o luxemburguês mantém vivo o sonho do top dez. É neste momento quinto.

O dia de Alaphilippe

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Enquanto Jungels fraquejava no grupo de favoritos, na frente Julian Alaphilippe realizava uma exibição que já lhe é bem característica. Entrou na fuga do dia e soube esperar pelo momento para atacar. Foi na penúltima subida, de primeira categoria (faltava outra idêntica é já tinha ultrapassado uma de categoria especial, uma de primeira e uma de quarta). E se ainda pensou que teria Rein Taaramäe (Direct Energie) como companheiro de ocasião, o francês estava simplesmente forte de mais e partiu para uns últimos quilómetros em solitário. Subiu bem, desceu melhor e quando Ion Izagirre (Bahrain-Merida) resolveu perseguir Alaphilippe, já era demasiado tarde.

Era uma vitória que o ciclista perseguia, naquela que é a sua terceira grande volta, segundo Tour (falhou no ano passado devido a lesão). Depois de confirmar que pode mesmo ser um rei nas Ardenas ao vencer a Flèche Wallonne, agora conquistou uma etapa no Tour. É difícil ver o francês a tornar-se num voltista, mas um caça etapas e um homem de clássicas, isso sim, parece encaixar na perfeição a este fantástico corredor de 26 anos. Esta temporada conta ainda com duas etapas na Volta ao País Basco e uma no Critérium du Dauphiné. Começou 2018 com um triunfo no quarto dia da Colombia Oro y Paz.

Para a Quick-Step Floors é a terceira vitória no Tour e depois de Fernando Gaviria vestir a camisola amarela, Alaphilippe terá a das bolinhas, de líder de montanha. No total de uma temporada arrasadora por parte da equipa de Patrick Lefevere, já são 50 triunfos.

A melhor defesa é o ataque

Alaphilippe foi perfeito nos 158,5 quilómetros entre Annecy e Le Grand-Bornand, mas Greg van Avermaet também se destacou. Era mais do que esperado que o belga perdesse a amarela agora que o Tour entrou na montanha. Mas não. Avermaet está a gostar e foi para a fuga. Lutou, lutou, lutou e cortou a meta a 1:44 minutos de Alaphilippe, mas, mais importante, deixou aqueles que querem a sua camisola a mais de dois minutos.

Será o oitavo dia de amarelo, depois de ter ganho a liderança no contra-relógio colectivo. Pode até ser o último, contudo, numa BMC que ficou sem Richie Porte, com Tejay van Garderen também fora de qualquer aspiração na geral (são mais de 15 minutos para o companheiro), a exibição de Avermaet está a salvar o Tour da equipa. 

Talvez tenha recebido uma motivação extra com o anúncio do novo patrocinador - a CCC irá assumir o papel até agora da BMC - e com o seu estatuto de líder para 2019. Foi uma excelente etapa do belga. Atacou para defender e até consolidar o seu primeiro lugar. Aconteça o que acontecer a partir de agora, a corrida de Avermaet está mais do que feita. Mas não é ciclista para simplesmente relaxar!

Nas outras classificações, mudança também na juventude, além da classificação da montanha (Toms Skujins perdeu para Alaphilippe). Pierre Latour (AG2R) irá vestir a camisola branca que pertencia a Soren Kragh Andersen (Sunweb). A Movistar também desalojou a Quick-Step Floors do primeiro lugar por equipas. Já Peter Sagan continua imperturbável com a sua camisola verde dos pontos. Integrou a fuga para ir buscar os pontos no sprint intermédio e são mais 101 do que Fernando Gaviria. Começa a parecer que só algum azar tirará a Sagan a sexta vitória nesta classificação.


Esta terça-feira realizou-se também a La Course by Le Tour de France, a corrida feminina. A holandesa Annemiek van Vleuten, da Mitchelton-Scott foi a vencedora, batendo por um segundo a compatriota Anna van der Breggen, da Boels-Dolmans. A sul-africana Ashleigh Moolman (Cervélo-Bigla) fechou o pódio, ao cortar a meta 1:22 minutos depois de Van Vleuten (veja aqui os resultados).




16 de julho de 2018

CCC salva BMC e Greg van Avermaet será o líder

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC
Problema resolvido. Demorou, mas Jim Ochowicz conseguiu encontrar um salvador para uma das principais equipas do World Tour. E vem da Polónia. Chama-se Dariusz Milek e é o presidente da CCC, marca de calçado e malas, que actualmente detém uma equipa no escalão Profissional Continental. Uma das principais figuras dessa formação é o português Amaro Antunes. Com a indefinição a prolongar-se na BMC, ciclistas como Richie Porte, Rohan Dennis e Tejay van Garderen procuraram garantir o seu futuro, o que fará de Greg van Avermaet o líder da equipa, que terá como objectivo as clássicas da Primavera.

Esta não é uma fusão entre as duas estruturas, como é salientado no comunicado. A CCC assinou uma parceria com a Continuum Sports, dona da estrutura. Porém, não está claro o que acontecerá à CCC Sprandi Polkowice de Amaro Antunes. Certo é que no próximo ano os equipamentos vermelhos da BMC irão desaparecer, com o laranja a poder ser a nova cor, ainda que não tenha sido revelado o nome oficial da equipa. Apesar de estar encontrado o patrocinador para substituir a marca de bicicletas, ainda se procura outros secundários.

A TAG Heuer irá continuar, estando a decorrer negociações com a empresa de segurança cibernética Sophos para renovar o contrato. O orçamento anual da equipa americana aproxima-se dos 30 milhões de euros. Dariusz Milek é considerado o quarto homem mais rico da Polónia, mas, ainda assim, não é certo que esteja disposto a avançar com grande parte desse valor.

Pelo menos para já, a equipa não terá objectivos de geral nas grandes voltas e as contratações irão ser feitas para apoiar Avermaet e que neste momento até está de amarelo na Volta a França. O dia de folga da corrida foi aproveitado para fazer este anúncio, mas não foram adiantados mais nomes para a equipa, pois qualquer nova contratação só pode ser revelada a partir de 1 de Agosto.

Sendo uma empresa polaca, é de esperar que alguns corredores deste país façam parte do plantel que terá 23 a 25 ciclistas. Outra questão a resolver será o fornecedor de bicicletas. A BMC deverá cortar por completo uma ligação que dura há 12 anos e rumores apontam para a possibilidade de se juntar à Dimension Data.

Milek não escondeu a satisfação de concretizar um sonho antigo de chegar ao World Tour. Há quase duas décadas que apoia a equipa do segundo escalão de ciclismo, que chegou inclusivamente a participar na Volta a Itália. Esta aposta ao mais alto nível na modalidade tem a sua perspectiva empresarial, pois a marca - que valerá um mil milhão de euros - quer continuar a sua expansão. Já estabelecida na Europa de leste e central, o objectivo é agora chegar ao lado oeste.

A licença World Tour é neste momento americana, mas poderá eventualmente passar a ter a nacionalidade polaca, sendo este mais um ponto a esclarecer mais tarde.

Apesar da aposta imediata ser em Avermaet e nas clássicas da Primavera, principalmente as do pavé, onde o belga é um especialista, a equipa irá querer depois começar a construir um plantel que volte a estar também na luta por etapas e grandes voltas. Muitos dos ciclistas em final de contrato já gostam de ter a sua vida resolvida por esta altura da temporada, mesmo que as mudanças só possam ser oficializadas em Agosto. No entanto, ao demorar tanto tempo em conseguir assegurar um financiamento, Ochowicz vê as suas opções de reforçar a equipa mais reduzidas, além de perder algumas das suas figuras.

Ao ficar, Avermaet é a escolha óbvia para liderar a nova vida do projecto, mas aos 33 anos não é uma escolha duradoura. Em 2019, esta estrutura estará certamente mais activa no mercado a pensar na temporada de 2020. Curiosamente, até há um dos polacos mais importantes em final de contrato este ano: Rafal Majka. Mas há um português que preencheria muito bem um dos lugares de voltistas... Sem se perceber o que irá acontecer à equipa Profissional Continental, porque não levar Amaro Antunes?

Quanto às saídas, ainda não oficializadas, Richie Porte estará a caminho da Trek-Segrafredo, Rohan Dennis da Bahrain-Merida e Tejay van Garderen da EF Education First-Drapac p/b Cannondale. Porte sofreu uma queda na etapa de domingo do Tour, ainda antes de começarem os temidos sectores do pavé. Fez uma luxação no ombro e abandonou pelo segundo ano consecutivo na nona tirada. A Vuelta será a sua última oportunidade de ganhar uma grande volta com a equipa que lhe deu a oportunidade de ser um líder, depois de ter sido um gregário de luxo e braço direito de Chris Froome na Sky.

A boa notícia é que a BMC irá continuar, ainda que com outro nome. As novidades no plantel ficam para mais tarde. O ano atribulado chega assim ao fim, mas o legado de Andy Rihs continuará. Foi ele o mentor desta equipa que venceu uma Volta a França com Cadel Evans, em 2014, e um Paris-Roubaix com Avermaet, em 2017. Ao todo são 230 vitórias, a mais recente no contra-relógio por equipas no Tour. Rihs morreu em Abril, numa altura em que já era conhecida a decisão da BMC deixar de ser o patrocinadora da equipa.

Nas últimas semanas foram vários os rumores sobre o futuro da estrutura, com a Deloitte e a Giant a serem apontadas como as empresas que poderiam salvar a BMC, numa autêntica dança de patrocinadores, que afectaria outras equipas. Afinal, a solução foi encontrada na Polónia.


12 de julho de 2018

Uma vitória no Tour e a época já não está a ser tão má

(Fotografia: ©ASO/Alex Broadway)
É o efeito da influência que a Volta a França tem. Ganhar uma etapa no Tour é algo que pode fazer uma temporada para algumas equipas, principalmente se forem uma das quatro convidadas do escalão Profissional Continental. Para as do World Tour não se pode ir tão longe. Porém, quando a temporada está muito abaixo das expectativas, vencer no Tour é algo que, pelo menos, ameniza um pouco a falta de resultados. É o que acontece com a UAE Team Emirates. Daniel Martin conquistou o Mûr de Bretagne (muro da Bretanha) e tirou uma enorme pressão sobre a equipa.

Era uma etapa que tinha o nome do irlandês. O problema é que tinha também o de Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors), Alejandro Valverde (Movistar) e nem se podia afastar a hipótese de Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) intrometer-se. Martin já nada tem haver com aquele ciclista em esforço, mas sem força para lutar por umas corridas que tanto gosta: a semana das Ardenas. A melhor versão de Martin começou a aparecer no Critérium du Dauphiné. Ganhou uma etapa ao seu estilo e fez uma excelente recuperação na geral para ficar à porta do pódio. Esta quinta-feira foi mais uma vez aquele Martin de ataque, que sabe quando deve sair e já não deixa ninguém se aproximar. Na segunda passagem pelo "muro", Martin atacou a pouco mais de um quilómetro da meta. Até pareceu ser cedo de mais, mas não. Quem sabe, sabe. Martin venceu e deixou um Pierre Latour (AG2R) frustrado, com Valverde e Alaphilippe a cortar a meta logo a seguir.

São só nove vitórias em 2018, muito pouco para uma equipa que se reforçou com Martin, Fabio Aru - que falhou por completo na Volta a Itália - e ainda um Alexander Kristoff que até começou o ano a dar indicações que estava de regresso às vitórias, mas aos poucos tornou-se de novo naquele ciclista que sprinta, mas nunca está verdadeiramente na discussão. Contudo, não desiste, pois o norueguês tem sido dos que mais aparece atrás de Fernando Gaviria e Peter Sagan.

Com esta vitória no Tour e perante o tal efeito de ganhar na Volta a França, a UAE Team Emirates já pode mesmo fazer-se valer de outro pormenor. É que cinco dos triunfos este ano foram em corridas do World Tour.

Com Aru a evitar a Volta a França para se apresentar na Vuelta com o objectivo (e a pressão) de apagar a má imagem deixada no Giro, com Rui Costa a falhar o Tour devido a uma lesão no joelho, a UAE Team Emirates estará muito dependente do que fará Daniel Martin. John Darwin Atapuma é sempre um ciclista a ter em conta, mas se Martin estiver mesmo com intenções de tentar pelo menos o top dez, o colombiano poderá ficar preso à função de ajudar o líder. Kristoff não está a demonstrar ter capacidade para bater Gaviria e Sagan, mas se Martin mantiver o nível que está a demonstrar e que começou no Critérium du Dauphiné, talvez a equipa ainda tenha mais razões para sorrir até Paris.

E para o irlandês reaparecer novamente como um ciclista temível, longe daquele que se apresentou nas Ardenas, bastou lembrar-se por que razão compete: para se divertir. Foi o próprio que o admitiu após o Dauphiné. Ao retirar a pressão que ele próprio colocou sobre os seus ombros, conseguiu alcançar os resultados que a UAE Team Emirates queria.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Avermaet sobreviveu, Dumoulin e Bardet nem por isso

Com Richie Porte a chegar a aparecer na frente na subida final, o companheiro da BMC e líder da geral, Greg van Avermaet, agarrou-se como pôde ao grupo para não deixar escapar a camisola amarela que Geraint Thomas está desejoso de vestir. O ciclista da Sky foi buscar dois segundos de bonificação antes da meta, mas no final não conseguiu nem ficar nos três primeiros, nem que houvesse um corte para Avermaet. A amarela continua na BMC e se não houver surpresas, deverá mantê-la até ao início da segunda semana, já que a etapa de domingo, no pavé até Roubaix, certamente que não assusta o ciclista da BMC. Afinal é um vencedor do monumento Paris-Roubaix (2017).

A etapa entre Brest e Mûr de Bretagne Guerlédan (181 quilómetros) ficou marcada pela acção da Quick-Step Floors a pouco mais de 100 quilómetros do fim, quando provocou vários cortes no pelotão devido ao vento. Nairo Quintana (Movistar) apanhou um valente susto! Já Tom Dumoulin (Sunweb) e Romain Bardet (AG2R) é que foram, desta feita, o alvo dos azares que têm andado a "apanhar" quase todas as principais figuras na luta pela geral. O holandês furou, perdeu 53 segundos e ainda foi penalizado com em 20 por ter ficado demasiado tempo atrás do carro da equipa na tentativa de reentrar no grupo da frente. Bardet teve problemas mecânicos que lhe custaram 31.

De referir que Chris Froome também deixou escapar cinco segundos para Thomas, Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Quintana e o companheiro da Movistar Mikel Landa, Porte, Adam Yates (Mitchelton-Scott) e Rafal Majka (Bora-Hansgrohe).

Agora é esperar por domingo, pela tal etapa de Roubaix. Até lá, serão dois dias para os sprinters tentarem bater Fernando Gaviria e Peter Sagan que somam duas vitórias cada um no Tour, com o eslovaco a liderar a classificação dos pontos. O colombiano venceu o sprint intermédio, mas ficou depois para trás mal o terreno começou a inclinar. Sagan foi oitavo na etapa e somou mais pontos. São agora 43 os que os separam.

Pode ver aqui as classificações.

Sétima etapa: Fougères - Chartres, 231 quilómetros



9 de julho de 2018

As duas formas de ver o contra-relógio na Movistar

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Para Nairo Quintana o contra-relógio colectivo não foi, dentro do mau, o pior dos cenários. Para Mikel Landa foi melhor do que o esperado, pois manteve-se à frente de Chris Froome, Romain Bardet, Vincenzo Nibali e Adam Yates. Na Movistar o sentimento dividi-se entre alguma desilusão e o alívio de uma primeira dificuldade ter sido ultrapassada sem causar grandes estragos. A terceira etapa não fez as diferenças que se esperava no início do Tour, pois tudo o que aconteceu na primeira está a ter uma forte influência nas actuais distâncias entre os candidatos. O contra-relógio por equipas serviu mais para reequilibrar forças do que para separar os líderes, com a excepção de Nairo Quintana.

A Movistar deixou um especialista nesta vertente em casa: o português Nelson Oliveira. E já não conta com Jonathan Castroviejo que agora está a ajudar Chris Froome na Sky. Se os candidatos estivessem todos em pé de igualdade, 54 segundos perdidos para a BMC, a vencedora, não seria mau de todo. Porém, aquela primeira etapa baralhou as contas. Froome, Richie Porte e Yates perderam 51 segundos devido a quedas, enquanto Quintana ficou a 1:15 ao partir as duas rodas. Ou seja, já são 2:08 minutos para Greg van Avermaet, o novo camisola amarela, menos três segundos se fizermos as contas àqueles que aspiram lutar pela vitória na geral, com Geraint Thomas a ser o melhor nessa lista particular.

"É sempre desagradável perder tempo. Mas dentro do mau, não foi demasiado [mau]", desabafou Quintana no final da etapa. Já Landa não hesitou em considerar que "foi melhor do que o esperado". Mais do que o tempo que separa os dois líderes da Movistar (1:15 minuto), o facto do espanhol estar à frente de ciclistas como Froome e muito perto de Richie Porte, por exemplo, deixa Landa numa posição mais confortável na luta interna.

Mas quem saiu do contra-relógio com muitas razões para sorrir foi precisamente Richie Porte. Começar o Tour a cair, depois de há um ano a corrida ter terminado mais cedo precisamente devido a uma queda, não é algo que ajude a confiança de ninguém. Porém, a BMC confirmou as expectativas e Porte recuperou alguns segundos e principalmente o moral. A Sky ficou a quatro segundos.

Para a equipa foi uma vitória especial. Com o futuro por definir, a BMC irá ter a camisola amarela, depois de no Giro ter andado de rosa através de Rohan Dennis. Claro que desta vez quererá mais do que estar uns dias na liderança. Greg van Avermaet volta a estar de amarelo, depois dos três dias no primeiro lugar do Tour em 2016. Agora falta saber se Porte conseguirá levá-la vestida em Paris, numa altura em que se fala que estará concluído o acordo com a Trek-Segafredo para 2019.

Também Romain Bardet ficou satisfeito por "só" ter perdido 1:15 minuto. Para o francês da AG2R o tempo do contra-relógio foi o esperado, depois da equipa ter preparado muito este momento, precisamente para tentar manter o ciclista na luta pela geral e também assim talvez o ter ajudado a melhor um pouco numa vertente que Bardet tem menosprezado. É que ainda falta um contra-relógio individual, na penúltima etapa (31 quilómetros).

(O texto continua depois do vídeo.)




Quem esteve bastante bem foi a EF Education First-Drapac p/b Cannondale, o que deixa Rigoberto Uran muito bem colocado. Foi sexta, a 35 segundos da BMC. O colombiano foi segundo no ano passado e já avisou se a forma for idêntica, que podem contar novamente com ele. No entanto, há outro aspecto a ter em conta. A presença de Lawson Craddock tem sido uma fonte de motivação. Está a competir com a omoplata partida e com alguns pontos no sobrolho, mas recusa desistir. Neste contra-relógio, fez o seu trabalho e só a cerca de três quilómetros dos 35,5 em Cholet, é que "descolou".

Greg van Avermaet é então o novo líder, depois de Peter Sagan e Fernando Gaviria terem vestido a amarela um dia cada um. O belga poderá conseguir mantê-la mais tempo, em circunstâncias normais. Porém, e como curiosidade, aqui fica um top 20 depois do contra-relógio colectivo, daqueles que estão no Tour com pretensões à vitória, pódio ou top dez (excluiu-se, por exemplo, Warren Barguil, que admitiu estar concentrado em ganhar etapas).

1º Geraint Thomas (Sky)
2º Bob Jungels (Quick-Step Floors), a 4 segundos
3º Tom Dumoulin (Sunweb), a 8
4º Rigoberto Urán (EF Education First-Drapac), a 32
5º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 47
6º Jakob Fuglsang (Astana), a 48
7º Richie Porte (BMC), a 48
8º Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 49
9º Alejandro Valverde (Movistar), a 50
10º Mikel Landa (Movistar), a 50
11º Chris Froome (Sky), a 52
12º Adam Yates (Mitchelton-Scott), a 57
13º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:03 minuto
14º Romain Bardet (AG2R), a 1:12
15º Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo), a 1:12
16º Primoz Roglic (Lotto-Jumbo), a 1:12
17º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 1:13
18º Dan Martin (UAE Team Emirates), a 1:35
19º Tiesj Benoot (Lotto Soudal), a 1:49
20º Nairo Quintana (Movistar), a 2:05

Quinta etapa: Le Baule - Sarzeau, 195 quilómetros