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4 de fevereiro de 2020

Van der Poel, López, Dennis, Martin... Aqui ficam mais umas razões para ir ao Algarve

© Volta ao Algarve
Ainda é preciso mais alguma razão para ver in loco a Volta ao Algarve? Então fica a confirmação oficial da vinda de Mathieu van der Poel, a quem se junta um bicampeão do mundo de contra-relógio, Rohan Dennis. Daniel Martin também está de regresso. É inevitável olhar com entusiasmo para a vinda de Miguel Ángel López, o Super-Homem do ciclismo. Em dia de apresentação oficial da corrida, ficou-se a conhecer mais uns nomes que escolheram o sul do país para este início de temporada. E haverá corredores para todos os gostos: grandes sprinters, grandes trepadores e grandes contra-relogistas... e Van der Poel!

O holandês da Alpecin-Fenix é um dos ciclistas que mais entusiasma os adeptos e só em 2019 começou a apostar mais na estrada. Este ano já conquistou o terceiro título mundial de ciclocrosse, depois de mais uma temporada em que dominou nesta vertente. Na estrada vai alargar o seu calendário e já muito se antecipa a sua estreia no Paris-Roubaix. O Algarve é local de eleição para muitos corredores com estas características, para preparar as clássicas e Philippe Gilbert (Lotto Soudal) e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) são mais uma prova disso. Mas haverá mais uma das figuras neste tipo de provas: Greg van Avermaet (CCC). É o campeão olímpico, um vencedor em Roubaix, mas tem andado algo afastado das boas exibições nas clássicas. Em 2020 optou por não viajar ao Médio Oriente, preferindo começar a época na Europa. Já tinha aberto a porta ao Algarve e agora é oficial.

Entre as novidades há um forte candidato a ser um dos mal-amados do pelotão internacional, mas não deixa de ser o bicampeão do mundo de contra-relógio. Rohan Dennis é mais um dos grandes nomes a juntar-se aos já conhecidos na Volta ao Algarve e, naturalmente, será um dos que mais se vai querer ver na última etapa, em Lagoa, independentemente de estar ou não na luta pela geral.

Este ano a Algarvia termina precisamente com o contra-relógio e Dennis já admitiu que não vai continuar a perseguir a evolução para voltista, querendo apostar em provas de uma semana. Depois de ter sido despedido da Bahrain-Merida numa relação que nunca foi fácil - e que acabou com a saída do Tour antes da etapa em que era o principal favorito -, o australiano quer reavivar a carreira na Ineos e a Volta ao Algarve pode assentar-lhe muito bem. A seu lado terá dois ciclistas que já venceram a prova: Geraint Thomas e Michal Kwiatkowski. Qualquer um poderá tornar-se no primeiro estrangeiro a vencer três edições. 

De regresso também estará Daniel Martin, agora com a camisola da Israel Start-Up Nation. O irlandês triunfou no Alto da Fóia em 2017. Será também candidato à geral, assim como Rui Costa, este um nome já conhecido. O português não vem à Algarvia desde 2014, quando vestia a camisola do arco-íris. De referir que Kwiatkowski e Gilbert também foram campeões do mundo, tal como Roger Kluge (Lotto Soudal), mas este na pista, em madison.

Vincenzo Nibali e Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Tim Wellens (Lotto Soudal) são mais três ciclistas para lutar pela camisola amarela. Mas haverá Miguel Ángel López (Astana). É um dos colombianos de grande talento e que persegue a sua a vitória numa grande volta. Este ano fará a sua estreia no Tour e a mudança de calendário acabou por o levar até ao Algarve. A sua postura costuma ser de tentar sempre estar na frente, mesmo que seja numa fase da temporada ainda muito precoce.

No sprint haverá André Greipel (Israel Start-Up Nation), o campeão europeu Elia Viviani (Cofidis), Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Matteo Trentin (CCC), Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) e Cees Bol (Sunweb). Já no contra-relógio haverá mais um ciclista a ver com muita atenção. Chama-se Mikkel Bjerg, é tricampeão mundial da especialidade em sub-23 e deu o salto para o World Tour com a UAE Team Emirates. É um dos jovens talentos a seguir com muita atenção e um assumido candidato a bater o recorde da hora.

E claro, acaba-se com outra das novas estrelas, recordando como Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep) também está a caminho do Algarve, tendo começado a temporada a conquistar a Volta a San Juan. Este belga não compete para passar despercebido.

Entre 19 e 23 de Fevereiro todos os caminhos dos adeptos de ciclismo vão dar ao Algarve, que terá um pelotão de luxo. A corrida foi escolhida pela UCI para fazer parte da nova categoria ProSeries e contará com 12 formações do World Tour, cinco ProTeam e oito Continentais, que são as portuguesas. Só o Feirense estará ausente.

De salientar que a 46ª edição da Volta ao Algarve Cofidis será transmitida para 83 países em quatro continentes.

Pode ver os perfis das cinco etapas no link em baixo.


9 de dezembro de 2019

Rohan Dennis na Ineos. Mas qual será o seu papel?

(Fotografia: print screen)
"Queremos sempre construir uma equipa que conjugue perfeitamente juventude e experiência. O Rohan [Dennis] sabe o que é preciso para ganhar. Podemos dar-lhe um ambiente onde ele pode alcançar melhor as suas ambições futuras, ao mesmo tempo que mostra aos jovens ciclistas da equipa o que têm de fazer para terem sucesso ao mais alto nível." As palavras são do director da Ineos, Dave Brailsford, no anúncio que confirmou o australiano como reforço. Trocaram-se elogios, disseram-se algumas palavras de circunstância como a ocasião assim dita, com Dennis até a dizer que sempre foi uma equipa que sonhou representar. No entanto, qual será o papel de Rohan Dennis na equipa que mais ciclistas tem para liderar a equipa nas grandes voltas com fortes garantias de alcançar bons resultados (leia-se vitórias)?

A Ineos há algumas semanas que era apontada como provável destino de Dennis, depois de se saber que a Bahrain-Merida tinha terminado o contrato com o ciclista. Este abandonou o Tour nas vésperas do contra-relógio, sem qualquer justificação para tal. O australiano não estaria satisfeito com o equipamento que tinha à sua disposição. Já à procura de definir o seu futuro para 2020, foi a Yorkshire conquistar pela segunda vez o título mundial de contra-relógio. O nome da CCC ainda surgiu como possível interessada, uma equipa a precisar de líderes para as corridas por etapas. Na Bahrain-Merida (agora Bahrain McLaren) também continuaria a ter esse estatuto, sem grande discussão, mesmo com a chegada de Mikel Landa. No entanto, Dennis escolheu a Ineos, onde o australiano não terá, em condições normais, possibilidades de liderar numa grande volta.

Porém, aos 29 anos, já pouco se acredita que o plano de transformar o australiano num voltista vencedor alguma vez se venha a concretizar. Tal aconteceu na BMC, que o contratou a meio da temporada de 2014 com esse objectivo, num "projecto" que deveria demorar três anos. Mas estes passaram e foi ficando a certeza que Dennis não era ciclista para essas andanças, ainda que possa dizer que já vestiu as camisolas rosa, amarela e vermelha. Há um ano até teve uma prestação interessante no Giro, mas interessante não significa que se passasse a acreditar que ainda era possível discutir uma corrida de três semanas. Longe disso.

Rohan Dennis é um contra-relogista exímio. Os títulos mundiais assentam-lhe na perfeição e falta-lhe o título olímpico, que quer conquistar em Tóquio2020. Objectivo número um para a próxima época. É também um ciclista capaz de andar bem em provas por etapa de uma semana. Para as três semanas, Dennis é ciclista para ganhar os contra-relógios e terá de saber ser um homem de equipa. Na Ineos não tem qualquer crédito para exigir mais, seja no Giro, Tour ou Vuelta. Não pode pensar sequer em o fazer quando está numa equipa com Chris Froome (quatro Tour, duas Vueltas e um Giro), Geraint Thomas (um Tour), Egan Bernal (um Tour) e agora Richard Carapaz (um Giro ao serviço da Movistar).

Além destes nomes, há Pavel Sivakov, Tao Geoghegan Hart e Iván Sosa, qualquer um a ser preparado para um dia, não muito longínquo, ser um líder. E claro que ainda há Michal Kwiatkowski à espera de mais uma oportunidade.

Dennis chegará à Ineos com total liberdade para lutar por vitórias na sua especialidade. Sendo campeão do mundo, seria estranho pedirem algo diferente. Com calendários tão extensos, irá poder lutar por vitórias em corridas de uma semana, algo que poderá acontecer logo no início da temporada, pois está previsto começar o ano em casa, na Austrália. O que não poderá fazer é ir a um Giro, Tour ou Vuelta a pensar só nele. Na Ineos já se sabe que todos têm de trabalhar em prol do líder, mesmo que nas últimas duas Voltas a França tenha existido uma divisão, primeiro entre Froome e Thomas e depois entre Thomas e Bernal. E em 2020 esta "discussão" deverá repetir-se pelo menos no Giro e provavelmente no Tour. Mas Dennis não será um dos actores deste filme que por tanto se aguarda.

No seu discurso inicial como ciclista da Ineos, Dennis realça como a equipa é muito evoluída tecnologicamente, algo que é fácil de perceber que atraia um ciclista como o australiano, um especialista em lutar por cada segundo a cada metro que pedala. Contudo, terá de lidar com o facto de nesta equipa ser um ciclista numa segunda linha de hierarquia (para não dizer terceira), a não ser que encontre na Ineos o muito que ainda lhe falta para ser o tal voltista vencedor.

Além dos Jogos Olímpicos, Dennis referiu a Volta a Itália como objectivo, pois afinal era impossível resistir a três contra-relógios. Para já, fala como um verdadeiro corredor de equipa: "Posso ir lá e tentar ganhar essas [etapas] enquanto trabalho para quem quer que seja o nosso líder para a geral, o que é emocionante."

E será importante para o seu futuro (assinou por dois anos) que saiba manter-se como o ciclista de equipa, sem que tal signifique que tenha de abdicar de todas as suas ambições. Mas terá de as adaptar a uma equipa que não o contratou com a mesma intenção que levaram a BMC e a Bahrain-Merida a apostarem em Rohan Dennis. É também essencial que saiba que não pode repetir o que aconteceu na Bahrain-Merida e que levou à sua saída.

Aqui fica o vídeo com as primeiras palavras do australiano como ciclista da Ineos.



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29 de setembro de 2019

Bahrain-Merida rescindiu com Rohan Dennis em Setembro

(Fotografia: © Bahrain-Merida)
Rohan Dennis é um ciclista sem equipa. A Bahrain-Merida terminou contrato com o australiano a 13 de Setembro, mas o anúncio oficial só foi feito este domingo de forma a deixar Dennis preparar os Mundiais com a maior tranquilidade possível. A CCC será das formações mais interessadas na contratação do bicampeão do mundo de contra-relógio, mas na imprensa internacional o nome da Trek-Segafredo e da Ineos também já surgiram como possibilidade. Contudo, neste momento não há qualquer certeza quanto ao seu futuro.

Certo é que a relação entre Dennis e Bahrain-Merida estava mesmo arruinada, depois do ciclista ter abandonado sem explicações a Volta a França, na véspera do contra-relógio. Naquela 12ª etapa, a 18 de Julho, os responsáveis chegaram a ficar sem saber por alguns momentos o que tinha acontecido a Dennis. A situação nunca foi esclarecida, nem pela equipa, nem pelo australiano. O descontentamento pela bicicleta foi uma das razões referidas nos meios de comunicação social, mas sem confirmação.

"A equipa terminou o seu contrato com o Senhor Dennis a 13 de Setembro de 2019. Este término não foi anteriormente tornado público para permitir que o Senhor Dennis pudesse preparar sem perturbações os Campeonatos Mundiais", lê-se no curto comunicado da Bahrain-Merida, que acrescentou que o ciclista denunciou a rescisão de contrato à UCI, pelo que a equipa não fará mais comentários sobre o assunto. O vínculo de Dennis era até ao final de 2020.

O que fica explicado com este anúncio é a razão que levou a equipa a não comentar a vitória do ciclistas no contra-relógio de Yorkshire e fica também esclarecida a decisão de Rohan Dennis em utilizar bicicletas da marca da BMC e não da Merida, a marca que se pensava ser ainda a sua equipa. No contra-relógio a bicicleta era toda preta, sem o nome da marca, mas o próprio não desmentiu que iria utilizar a bicicleta com a qual já tinha tido sucesso anteriormente e que era a sua quando estava na BMC. Não quebrou qualquer regra, pois é permitido que ao representar a selecção, o ciclista possa escolher o material que prefere. Porém, o normal é que sejam utilizadas as bicicletas da equipa por quem compete durante toda a época. Este domingo, Dennis voltou a ser visto com uma BMC na prova em linha e de imediato surgiram muitos comentários nas redes sociais.

A Bahrain-Merida divulgou ao final da tarde o comunicado, que colocou ponto final nas dúvidas e agora a história é outra. Dennis conquistou o segundo título mundial consecutivo de contra-relógio, mas é um ciclista sem equipa e sem convencer. Não se afirma como líder para as grandes voltas, mas também não estará interessado num papel de gregário. A CCC, estrutura que ficou com a licença World Tour da BMC, já terá feito uma proposta, mas os valores monetários apresentados não terão convencido, para já, Dennis.

O australiano tinha escolhido a Bahrain-Merida para prosseguir a carreira, mas o melhor que fez foi o segundo lugar na geral na Volta à Suíça, onde ganhou o seu único contra-relógio do ano, até aos Mundiais. Até elevou as expectativas para o Tour, mas agora, aos 29 anos, vê-se numa situação de ter de procurar equipa, sem que o título mundial conquistado quarta-feira seja garantia de ter muito poder de negociação, dada a forma como saiu da Bahrain-Merida.


25 de setembro de 2019

Rohan Dennis recorreu a bicicleta da BMC para ser campeão pela segunda vez

(Fotografia: © Twitter UCI)
Rohan Dennis reapareceu e foi o contra-relogista de classe superior que se conhece. Desde que estranhamente abandonou a Volta a França, no dia antes do contra-relógio para o qual era o favorito a ganhar, que o campeão do mundo se resguardou em casa, junto da sua família, enquanto treinou para o que acabou por ser o principal objectivo de uma fraca temporada. Deu uma única entrevista neste período de tempo, na qual não explicou o que o levou a deixar o Tour, limitando-se a dizer que tudo que se tinha dito e escrito havia sido exagerado. Dennis regressou e voltou a deixar a concorrência longe nos Mundiais e, no entanto, a difícil relação com a sua equipa continua a ser tema depois de não ter utilizado uma bicicleta Merida, mas sim da marca que lhe deu alguns dos seus maiores triunfos: BMC. Dennis é agora um bicampeão do mundo de contra-relógio, mas a incerteza quanto ao seu futuro é grande.

Por altura em que se publica este texto, ainda não há qualquer reacção da Bahrain-Merida quanto à conquista do seu ciclista. A Deceuninck-QuickStep e a Ineos, por exemplo, rapidamente colocaram nas redes sociais menções às conquistas de Remco Evenepoel e Filippo Ganna, medalha de prata e bronze, respectivamente.

Dennis desapareceu na 12º etapa do Tour - por momentos nem a equipa sabia o que tinha acontecido - e uma das razões adiantas nos meios de comunicação social para o abandono foi um possível descontentamento com o material que a Merida lhe estava a disponibilizar para o contra-relógio. O australiano nunca confirmou essa versão e numa entrevista ao The Advertiser, garantiu que nunca disse mal de nenhum patrocinador. Não corria desde 18 de Julho e reapareceu esta quarta-feira com uma BMC e não uma bicicleta da Merida. A bicicleta destes Mundiais foi pintada toda de preto, sem menção à marca.

O próprio ciclista admitiu a troca, referindo que foram os responsáveis da selecção australiana que determinaram que seria o melhor para ele, que aquela bicicleta seria a mais indicada para a sua posição corporal. Questionado se teria problemas com a Bahrain-Merida, limitou-se a dizer que teriam de perguntar à equipa, mas realçou como a escolha na selecção supera a da equipa que representa durante o ano. Os regulamentos permitem que ao representar o seu país nos Mundiais, os ciclistas possam escolher o seu equipamento, o que não significa que não vá ter problemas com quem lhe paga o salário.

As marcas apostam forte em ter ciclistas de renome a utilizarem as suas bicicletas. Para a Merida foi a oportunidade de ter novamente um campeão do mundo, depois de Rui Costa ter-se mudado para a então Lampre. No entanto, ao ver Dennis ser novamente campeão sem que se tenha visto a marca Merida em destaque durante a transmissão televisiva é um rude golpe mediático.

Rohan Dennis tem mais um ano de contrato com a Bahrain-Merida, equipa que escolheu depois do final da BMC. Esteve longe de ser um ano fantástico para o australiano, mas que até apareceu bem na Volta à Suíça, sendo segundo atrás de Egan Bernal (Ineos). Uma classificação algo surpreendente, mas que abriu expectativas para o Tour. Contudo, foi o Dennis do costume, com as temporadas a passar e o tal voltista em que prometeu tornar-se não se ver.

A Bahrain-Merida já contratou Mikel Landa e Wout Poels e poderá muito bem apostar mais num Dylan Teuns que se destacou tanto no Tour como na Vuelta. O problema de Dennis é que pode ser bicampeão do mundo de contra-relógio, mas o papel que poderá desempenhar numa equipa não é nesta fase da sua carreira claro. Não é um líder que dê garantias e não se tem apresentado disponível para ser gregário. Aos 29 anos, o australiano prepara-se para enfrentar um 2020 muito importante para definir o que resta da sua carreira.

Remco Evenepoel espectacular

O belga não quis competir em sub-23 - escalão a que ascendeu este ano - por respeito aos adversários. Dada a experiência que pôde viver na Deceuninck-QuickStep em 2019, Remco Evenepoel considerou mais justo saltar o escalão e ir directamente dos juniores para a elite nos Mundiais. Há um ano ganhou os títulos no contra-relógio e na prova de estrada e esta quarta-feira só um Rohan Dennis fortíssimo não permitiu um autêntico conto de fadas. Ainda assim, aos 19 anos, Evenepoel foi segundo, a 1:09 minutos, deixando atrás de si alguns dos principais nomes da especialidade, como Nelson Oliveira.

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
O português chegou a estar numa posição de conquistar finalmente uma medalha em Mundiais, mas uma ligeira quebra na fase final fê-lo perder o pódio por menos de 15 segundos. Com os ciclistas separados por pequenas diferenças, Nelson caiu de um potencial terceiro posto para oitavo, mas foi mais um excelente resultado e o quarto top dez em Mundiais de elite.

Nelson Oliveira vai continuar a perseguir a medalha que lhe tem escapado, enquanto de Remco Evenepoel se espera que mais cedo ou mais tarde vista a camisola de campeão do mundo de elite no contra-relógio e muito provavelmente numa prova de estrada, que vai participar no domingo.

De referir que Primoz Roglic teve um dia para esquecer. O esloveno esteve longe do ciclista que foi medalha de prata nos Mundiais de Bergen, há dois anos, com a Vuelta a ter o seu peso numa prestação que o fez ser ultrapassado por Rohan Dennis, que partiu três minutos depois! Tony Martin fechou mais um top dez, mas parece cada vez mais difícil que venha a conseguir o ambicionado quinto título. O recordista da hora Victor Campenaerts caiu, teve de trocar de bicicleta... outro corredor que teve um dia para esquecer. Já Alex Dowsett vai recordá-lo, pois a correr em casa foi quinto, na sua melhor classificação de sempre em Mundiais.

(O texto continua por baixo da classificação, via FirstCycling.)


Virar de página em Yorkshire
(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
A partir desta quinta-feira arrancam as provas em linha, com a prova de juniores masculinos (12:10, com transmissão no Eurosport 1). Os portugueses André Domingues (dorsal 114) e João Carvalho (113) vão marcar presença na corrida de 148,1 quilómetros, com partida em Richmond e chegada em Harrogate, onde o pelotão irá cumprir três voltas ao circuito urbano. Antes os corredores vão ultrapassar duas subidas que deverão encurtar o grupo principal. Em Kidstones, ao quilómetro 44,7 há uma escalada de 3900 metros, com inclinação média de 4,3% e máxima de 11,3%. Em Summerscales (87,4), a subida terá 6,4 quilómetros, com pendente média de 3,9%.

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18 de julho de 2019

Rohan Dennis e o estranho abandono: "Dado o meu actual sentimento, foi a decisão certa"

(Fotografia: Facebook Bahrain-Merida)
Onde está Rohan Dennis? Pode parecer estranho, mas por momentos ninguém sabia o que tinha acontecido com o ciclista australiano. Nem a equipa! Numa etapa com tão poucos pontos de interesse, rapidamente Dennis tornou-se num. A única confirmação que há quanto ao corredor é que abandonou a Volta a França, um dia antes do contra-relógio individual, para o qual era um dos favoritos, não fosse ele o campeão do mundo da especialidade. O que levou a esta abrupta saída ainda está por explicar, de tal forma que até a Bahrain-Merida disse que ia "lançar uma investigação" sobre o sucedido.

Dennis lá foi encontrado, junto ao autocarro da sua equipa. Foi inclusivamente filmado, já sem o seu equipamento, a caminhar com o seu agente, que chegou mesmo a afastar de uma forma pouco simpática uma jornalista que tentou esclarecer com o Dennis o que se passava. Ainda durante a etapa, saiu a informação que o ciclista teria tido um desentendimento com algum dos responsáveis da equipa. A Bahrain-Merida negou. Está tudo bem, dizem... Algo não estará, porque afinal Rohan Dennis começou o dia até a dar uma entrevista em que falou das suas pretensões para o contra-relógio de sexta-feira e acabou a abandonar sem dar justificação a ninguém. Foi também desmentido que tivesse sido pedido a Dennis para ir buscar abastecimento para os companheiros, pois a palavra de ordem era poupança a pensar no contra-relógio.

Mesmo depois da etapa terminar, a informação não foi muito mais esclarecedora. O director desportivo Gorazd Stangelj garantiu que não havia nenhum problema físico com o australiano, que assinou esta época pela Bahrain-Merida, depois de quatro anos e meio na BMC. "Também estamos confusos. Digamos que estou desiludido com o que aconteceu hoje ao Rohan porque esperava um grande esforço dele amanhã [sexta-feira]. Foi decisão dele parar na zona de abastecimento. Tentámos falar com ele. Tentámos encontrar uma solução, ele disse que não queria falar e abandonou a corrida", explicou Stangelj.

Apesar de garantir que não há qualquer problema entre Dennis e os responsáveis da estrutura do Médio Oriente, Stangelj acrescentou: "Ele é uma pessoa especial, como todos os campeões são. Ele está mesmo a 100% quando quer algo e é difícil fazer todos felizes em todos os momentos."

Rohan Dennis, de 29 anos, não é conhecido por ser dos ciclistas mais simpáticos do pelotão. O seu temperamento nem sempre será bem visto por companheiros e membros do staff. Perante a forma como abandonou o Tour, não é surpresa que a sua atitude esteja a ser vista como uma birra e claro sujeita a críticas. Abandonou a sua equipa numa das provas mais importantes do ano, numa altura em que Vincenzo Nibali já não está a lutar pela geral e a 24 horas de Dennis poder dar mais uma vitória de etapa, depois de Dylan Teuns já o ter feito.

Uma das possibilidades para o seu descontentamento será a bicicleta de contra-relógio. Apesar de ter ganho o da Volta a Suíça, Dennis não estará satisfeito, mas são rumores por confirmar.

Durante a noite foi publicado um curto comunicado da Bahrain-Merida com declarações de Dennis, que nada explicam: "Estou muito desiludido por deixar a corrida nesta altura. Obviamente que o contra-relógio individual era um grande objectivo para mim e para a equipa, mas dado o meu actual sentimento, foi a decisão certa abandonar hoje." O ciclista deseja depois sorte aos companheiros, agradece aos fãs e termina dizendo que espera regressar a "esta grande corrida nas próximas épocas".


Depois de ter sido segundo na Volta à Suíça, Dennis chegou ao Tour com o papel de ajudar Nibali e procurar ganhar uma etapa, com o contra-relógio a ser o seu principal objectivo. Porém, sai do Tour envolto em polémica depois de uma temporada que começou pouco convincente, mas parecia estar a melhorar. Parecia...

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26 de dezembro de 2018

BMC em ano de despedida

(Fotografia: Facebook BMC/CCC Team)
Quando uma época começa, passa-se por aquela fase de adaptação a ciclistas em equipas diferentes, mudanças de equipas, de nome... Porém, em 2019, haverá uma mudança mais profunda: não se verá mais os habituais equipamentos vermelhos e pretos com o nome BMC. Vai ser estranho, como aconteceu noutros anos quando icónicos patrocinadores deixaram o pelotão, ou quando uma equipa terminou. 2018 foi o ano do adeus de uma das equipas mais fortes do pelotão, que entrará agora numa nova fase como estrutura polaca: a CCC Team. Da despedida ficaram boas recordações, mas com aquela frustração de mais uma vez não discutir uma grande volta, principalmente o Tour com Richie Porte.

Mas mais do que uma análise a 2018, acaba-se inevitavelmente por escrever sobre o que esta equipa foi. Nasceu da aliança entre um apaixonado pela modalidade Andy Rihs - que morreu este ano - e o antigo ciclista Jim Ochowicz. Rihs ficou desiludido ao ver como a sua Phonak acabaria manchada pelo doping de Floyd Landis, que levou ao fim da equipa em 2006 e a retirada da vitória no Tour. O magnata suíço era também dono da marca de bicicletas BMC e surgiu no ano seguinte com o novo projecto, que se tornaria num de referência no ciclismo.

Os primeiros passos foram dados maioritariamente com ciclistas americanos e alguns suíços. Em 2010, a equipa contrata Cadel Evans, então campeão do mundo e com pódios no Tour e Vuelta. A partir de então, foi sempre a subir. A BMC foi convidada para o Giro e para o Tour (pertencia ao escalão Profissional Continental), com Evans a fechar na quinta posição. Venceu uma etapa, a primeira de 26 em grandes voltas da BMC. Antes, o australiano tinha sido o autor da estreia a ganhar em corridas de categoria World Tour, com a conquista da Flèche Wallonne. Foi também Evans quem deu o triunfo que marca a história da BMC: a Volta a França em 2011, na primeira temporada da equipa no escalão principal.

Tejay van Garderen não conseguiu cumprir as expectativas para substituir Evans e Richie Porte, contratado à Sky, foi perseguido por algum azar, com quedas a marcarem as duas últimas edições no Tour.


Ranking: 4º (8779,97 pontos)
Vitórias: 22 (incluindo uma etapa no Giro, três na na Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Rohan Dennis (6 mais o título mundial de contra-relógio)

Para atacar os monumentos, a aposta foi em mais um homem da belga Lotto. Philippe Gilbert chegou à BMC com três no currículo, mas o ciclista não conseguiu repetir as performances, destacando-se, contudo, o título mundial. Evans vestiu essa camisola, mas tinha vencido quando representava a Lotto, Gilbert deu uma enorme alegria a Rihs e Ochowicz, ainda que não tenha dado muitas mais. Na luta de egos com Greg van Avermaet, seria este a dar o monumento à equipa. Não foi a Volta a Flandres como tanto queria Avermaet, mas conquistou o Inferno do Norte do Paris-Roubaix em 2017.

Pela importância das corridas, estas são vitórias a destacar. Porém, a BMC conseguiu ser uma equipa que tanto lutava por corridas por etapas, como estava na disputa por clássicas. Taylor Phinney, Thor Hushovd, George Hincapie, Steve Cummings, Daniel Oss, Stefan Küng e Alessandro de Marchi foram outros nomes que marcaram esta equipa, seja com vitórias ou por serem alguns dos melhores homens de trabalho. Isto sem esquecer Rohan Dennis. Pode não ter sido (pelo menos na BMC) o voltista que ambicionava, mas o senhor contra-relógio vestiu as camisolas de líder das três grandes voltas e para fechar a história da BMC em grande deu mais um título mundial individual, sem esquecer que esta equipa foi exímia nesta vertente a nível colectivo (foi campeã em 2014 e 2015).


Claro que os títulos mundiais são ganhos ao serviço das selecções, mas a camisola leva o nome do patrocinador da equipa que o ciclista representa, pelo que é sempre um triunfo relevante. Quanto a Dennis vai levar a camisola do arco-íris para a Bahrain-Merida, mas na despedida pela BMC ganhou um contra-relógio no Giro e dois na Vuelta e foi líder em ambas. Venceu ainda no Tirreno-Adriatico e em Abu Dhabi, além de ser campeão nacional. 

De Marchi também venceu uma etapa na Vuelta e é dele a derradeira vitória da BMC no Giro dell'Emilia. Richie Porte conquistou a Volta à Suíça, mas a queda na etapa de Roubaix do Tour, ainda antes de chegar aos sectores de pavé, acabou por marcar a temporada pela negativa. Greg van Avermaet ganhou o Tour de Yorkshire, mas ficou aquém do esperado nas clássicas. 22 triunfos, mais o título mundial de Dennis para fechar uma história que irá agora entrar na fase CCC Team.

Passar grande parte da temporada sem saber se será possível manter a equipa viva, fez com que Ochowicz não pudesse segurar a maior parte das suas estrelas. Aos poucos estas foram assinando por outras equipas, mas não se pode acusar ninguém de não ter estado dedicado a garantir que a BMC alcançasse os seus objectivos, mesmo que fora da estrada estivesse em marcha a procura por garantir o futuro.

Apenas sete ciclistas vão transitar para a CCC Team, com Greg van Avermaet a ser apresentado como o líder, já que as clássicas e a caça por etapas serão os planos para 2019. Ochowicz quer alcançar a marca de 20 vitórias, numa equipa que contará com um português. Amaro Antunes chega ao World Tour, tendo sido um dos ciclistas que sobe da CCC versão Profissional Continental, que não continuará a existir.

2019 será um ano zero, mas com ambição de novamente fazer crescer a equipa de forma a discutir novamente as grandes voltas e contar com mais referências do ciclismo actual. Não foi feito segredo que com o anúncio da saída da Sky como patrocinador, Michal Kwiatkowski passa a ser a escolha número um para 2020, caso a equipa britânica feche portas. O susto de ver a estrutura terminar passou para Ochowicz, mas o trabalho de reconstrução está apenas a começar.

Transitam da BMC: Greg van Avermaet, Alessandro de Marchi, Michael Schär, Patrick Bevin, Joey Rosskopf, Nathan van Hooydonck e Francisco Ventoso.

Transitam da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes, Pawel Bernas, Lukasz Owsian, Kamil Gradek e Szymon Sajnok.

Contratações: Laurens ten Dam (Sunweb), Simon Geschke (Sunweb), Serge Paywels (Dimension Data), Will Barta (Hagens Berman Axeon), Lukaz Wisniowski (Sky), Victor de la Parte (Movistar), Gijs van Hoecke (Lotto-Jumbo), Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia), Guillaume van Keirsbulck (Wanty-Groupe Gobert), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels) e Josef Cerny (Elkov-Author Cycling Team).

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21 de outubro de 2018

Campenaerts quer bater recorde da hora de Bradley Wiggins

Desde que Bradley Wiggins estabeleceu a marca da hora em 54.526 quilómetros que o interesse neste recorde esmoreceu, depois de num curto espaço de tempo vários ciclistas de renome terem tentado e alguns conseguido estabelecer novas distâncias. Porém, o registo do britânico está a provar ser de muito respeito e das poucas tentativas que se seguiram, ninguém sequer se aproximou. Alex Dowsett é um eterno candidato a tentar recuperar o estatuto que foi dele durante pouco mais de um mês, mas já lá vão três anos e o britânico não concretizou as suas pretensões de fazer nova tentativa. Agora aparece um nome, esse sim, parece estar mesmo determinado em ir atrás do recorde de Wiggins: Victor Campenaerts.

O bicampeão europeu de contra-relógio surpreendeu um pouco com o terceiro lugar nos Mundiais. Perante um percurso com tantas dificuldades, Campenaerts, 26 anos, fez quase o contra-relógio da sua vida, só batido por provavelmente o maior especialista da actualidade, Rohan Dennis, e o campeão do mundo de 2017, Tom Dumoulin.

O belga da Lotto Soudal não está só a falar em tentar bater o recorde da hora, já começou a fazer alguns testes. "Pedalei a uma média de 54,8 quilómetros por hora e nas últimas quatro voltas cheguei aos 60 quilómetros por hora para ver o que sobrava de energia", explicou Campenaerts ao Het Nieuwsblad. Pormenor importante: este teste teve a duração de meia hora. "Sei que 30 minutos a este ritmo é muito diferente de 60 e muito terá de ser feito para de facto bater o recorde da hora", disse.

O objectivo foi mesmo testar-se, tendo escolhido o velódromo de Grenchen, na Suíça. "Antes deste teste havia duas possibilidades. Se o resultado fosse uma desilusão, então o projecto seria adiado até depois dos Jogos [Olímpicos] de Tóquio2020. Porém, obtive respostas positivas e podemos planear juntamente com a equipa para atacar o recorde da hora", referiu.

2019 poderá então ser o ano em que Victor Campenaerts entra em acção para mostrar que o marca de Bradley Wiggins não é imbatível. "Eu acho que o recorde da hora está dentro das minhas capacidades porque o Wiggins não teve a temperatura e as condições de pressão atmosférica ideais na sua tentativa", explicou o belga.

Wiggins estabeleceu o recorde a 7 de Junho de 2015, no Velo Park, em Londres. Ainda não se sabe qual será o velódromo escolhido por Campenaerts, sendo que o de Grenchen, onde realizou os testes, foi já palco de duas tentativas de sucesso: de Jens Voigt e Rohan Dennis. As duas mais recentes tentativas realizaram-se no México, no velódromo de Aguascalientes. O dinamarquês Martin Toft Madsen fez 53.630 (a 26 de Julho), enquanto o  holandês Dion Beukeboom ficou muito desiludido. Depois de quase um ano de trabalho fez "apenas" 52.757 (a 22 de Agosto). Uma das razões apontadas para ficar tão longe da marca foi precisamente que as condições atmosféricas não foram as ideais.

Entre 2014, quando Jens Voigt resolveu terminar a carreira reavivando um recorde da hora praticamente esquecido no ciclismo (fez 51.110, estabelecendo então a nova marca), e 2015 foram várias as tentativas, com Matthias Brandle, Rohan Dennis e Alex Dowsett a inscreverem o seu nome na lista. Dowsett fez 52.937 quilómetros, distância pulverizada pouco depois por Wiggins. Desde então que o interesse esmoreceu um pouco entre as principais figuras do contra-relógio mundial, apesar das tentativas terem prosseguido com ciclistas menos mediáticos.

O treinador de Dowsett, Steve Collins, sempre considerou que a tentativa de Wiggins foi ilegal pois o ciclista teve direito a um extensor de titânio feito através da tecnologia 3D, para assentar na perfeição nos braços do ciclista. Como destacou Collins, as mais recentes regras determinam que a bicicleta tem de ser igual a qualquer outra que se possa comprar, sem especificações dedicadas a determinado corredor. Além disso, Collins acusou a federação britânica de ajudar Wiggins, quando tal também não é permitido.

Mas o recorde de Wiggins está em vigor. Enquanto Dowsett desde que perdeu o posto de recordista da hora tem dito que quer tentar novamente, Campenaerts parece ser o senhor que se segue. No entanto, são outros os nomes que se vai falando nos bastidores que se gostaria de ver tentar bater Wiggins. Mas para já, não são mais do que isso, conversas de bastidores. Tony Martin e Tom Dumoulin são dois ciclistas que encabeçam a lista, a par de Rohan Dennis. O australiano fez 52.481 quilómetros a 8 de Fevereiro de 2015, tendo depois sido batido depois por Dowsett e Wiggins. Contudo, Dennis, que já era então um dos grandes especialistas do contra-relógio, está agora ainda mais forte na especialidade, pelo que talvez volte a sentir a tentação de recuperar algo que foi dele por um curto espaço de tempo.

Há outro nome que não se pode excluir. Chama-se Mikkel Bjerg, é dinamarquês, tem apenas 19 anos e soma dois títulos mundiais de contra-relógio em sub-23. Depois de ganhar o seu segundo, resolveu tentar bater o recorde da hora do seu país e conseguiu. Fez 53.730 e, sem estar a pensar nisso, acabou por se tornar no ciclista que mais perto ficou de Wiggins. Está na Hagens Berman Axeon e talvez seja boa ideia colocar na sua lista de "coisas a fazer na carreira" tentar bater o recorde da hora.

Aqui fica a evolução do recorde da hora desde que Voigt recuperou o interesse por este desafio, já com as novas regras:
Bradley Wiggins (GB), 54.526 quilómetros - Londres (Inglaterra), 7 de Junho de 2015
Alex Dowsett (GB), 52.937 - Manchester (Inglaterra), 2 de Maio de 2015
Rohan Dennis (Aus), 52.491, Grenchen (Suíça), 8 de Fevereiro de 2015
Matthias Brändle (Aut), 51.852 - Aigle (Suíça), 30 de Outubro de 2014
Jens Voigt (Ale) 51.115 - Grenchen (Suíça), 18 de Setembro de 2014

Duas tentativas da mesma ciclista em 48 horas

Nas senhoras, depois de mais de um ano com Evelyn Stevens como recordista da hora, com 47.980 quilómetros, a italiana Vittoria Bussi tentou em Outubro de 2017 bater a marca. Falhou (47.576), mas não desistiu. Tentou novamente em Setembro deste ano. Escolheu Aguascalientes, no México, e no dia 12 já tinha cumprido 44 minutos quando resolveu baixar o ritmo e não forçar mais, ao aperceber-se que não seria possível bater a marca de Stevens.

As condições meteorológicas não eram as indicadas, mas no dia seguinte as previsões apontavam que seriam bem melhores. Bussi regressou ao velódromo para fazer 48.007. É a primeira mulher a ultrapassar a barreira dos 48 quilómetros.

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26 de setembro de 2018

Isso não se faz a um campeão do mundo!

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Não foi nada de inesperado ver Tom Dumoulin e Rohan Dennis decidirem entre eles o título de campeão do mundo de contra-relógio. Muito pelo contrário. Desta feita, confirmaram-se as expectativas nesse aspecto. O que não se esperava era que o australiano fosse tão avassalador na sua exibição, que se pode dizer que não houve rival à altura. Nem do que até àquele momento era o campeão em título. O rosto de Dumoulin dizia tudo. Não só perdeu, como não conseguiu estar ao nível de um Dennis que finalmente alcançou a perfeição, depois de anos a ambicionar uma camisola do arco-íris, numa especialidade de que não se tinha dúvidas que era de facto um dos melhores do mundo. Agora já tem o título que o "oficializa".

Aos 28 anos conquistou a vitória que não esconde que andava a perseguir desde o escalão de juniores. O mais perto que tinha ficado foi em 2012, enquanto sub-23, quando 44 segundos o separaram do então campeão Anton Vorobyev. Na elite, por uma ou outra razão, nem no pódio Dennis conseguiu ficar. "Nunca tinha ganho em nenhum escalão, por isso, vencer o meu primeiro [título] como sénior é mesmo especial", desabafou um Dennis que estava tão feliz, como aliviado de ter alcançado um objectivo de carreira.

Estava a transformar-se num eterno favorito que nunca confirmava esse estatuto, mas 2018 foi grande parte dedicado a preparar os Mundiais, a pensar neste contra-relógio de Innsbruck. Se em Bergen claudicou na subida, desta feita mostrou que o trabalho de casa foi feito e muito bem feito. Esteve praticamente imbatível nos contra-relógios esta temporada - seis vitórias até aos Mundiais - e fecha com uma camisola de arco-íris que deixa mais pessoas a esfregar as mãos de contentamento.

Se o talento estava lá, a verdade é que foi na BMC que o aprendeu a explorar no seu máximo. Foram quatro temporadas e meia numa equipa que o transformou num dos melhores do mundo, mas que quando finalmente vê o seu ciclista alcançar o melhor prémio, este vai vestir a camisola do arco-íris para outra equipa. Ganhou também a Bahrain-Merida com o triunfo de hoje, pelo menos no futuro protagonismo. Fica o mérito de quem na BMC o ajudou. A equipa americana perdeu o seu patrocinador, mas vai continuar agora com a CCC. Porém, chegou tarde a confirmação do futuro da estrutura e Dennis já tinha optado por partir para outro desafio.


(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
E agora fica a questão de quantos mais títulos poderá este ciclista ganhar, ele que ainda não desistiu de se tornar num voltista, apesar de continuar a convencer muito pouco que possa vir a discutir uma corrida de três semanas.

A sua exibição de hoje foi muito mais do que de um excelente contra-relogista. Foi de um exímio contra-relogista, daqueles que marcam a especialidade. Já foi recordista da hora, é agora campeão do mundo. Falta confirmar-se então como ciclista das grandes voltas, como já fez Tom Dumoulin, com o triunfo no Giro e os segundos lugares também em Itália e no Tour.

O holandês não esteve no seu melhor. Talvez, um Giro e um Tour feitos para ganhar e os pódios que alcançou tenham tido o seu peso. Mas Dumoulin não esteve mal, senão não teria terminado no pódio. Dennis é que esteve bem de mais para todos os outros. Completou os 52,5 quilómetros em 1:03:02 horas, a uma média de 49,9 quilómetros horas, menos 1:21 minutos que Dumoulin, que com o segundo lugar, conta agora com todas as medalhas em mundiais no contra-relógio, ainda que esta de prata vai custar olhar para ela, nos tempos mais próximos. "Não fui suficientemente bom", admitiu o holandês, que não escondeu não se ter sentido bem durante o longo percurso.

Olhando para o historial do contra-relógio, diferenças mais altas são da autoria de um suíço que deixou saudades. Em 2009, Fabian Cancellara venceu o sueco Gustav Erik Larsson por 1:27 minutos e em 2006 deixou David Zabriskie a 1:29. Mas nenhum era campeão do mundo como Dumoulin. Nesse aspecto, quando Tony Martin venceu o seu quarto título e "tirou" a camisola a Vasil Kiryienka, o alemão deixou o bielorrusso a 45 segundos.

Este foi um resultado para a história por parte de Rohan Dennis, de um dos contra-relógios mais longos. E se como voltista ainda não se afirmou, como contra-relogista foi um título mais do que merecido, ainda que dê vontade de dizer: "Isso não se faz a um campeão do mundo Dennis!" Haverá tempo para um ajuste de contas por parte de Dumoulin, numa rivalidade muito particular para os próximos tempos.

Ainda não foi desta para Nelson Oliveira


(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mais um top dez para Nelson Oliveira. Depois de ter ficado à porta do pódio em Bergen, o ciclista português foi quinto. Tal como no ano passado chegou a ter o tempo mais rápido, mas, desta feita, nem deu tempo para se sentar no trono. Ficou a 2:14 de Dennis, sendo batido por um super australiano, um campeão do mundo (Dumoulin), um bicampeão europeu - e que fez o contra-relógio da sua vida, pois não se esperava que estivesse tão bem com a difícil subida no percurso - (Victor Campanaerts) e houve ainda Michal Kwiatkowski que foi quarto. Quanto ao polaco, basta dizer que simplesmente não sabe correr mal.

"Hoje deixei tudo na estrada. Sabia que tinha de dar o máximo para representar estas cores e estou satisfeito. A condição física é boa e senti-me bem num contra-relógio em que a primeira parte era muito complicada para mim e na qual era necessário regular bem o esforço para que o troço final me corresse melhor. Foi isso que fiz. Dei o meu máximo, mais do que isto era complicado fazer. Os adversários foram muito mais fortes do que eu, mas vou continuar a sonhar para um dia chegar às tão desejadas medalhas", referiu Nelson Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Estamos perante um dos melhores da especialidade, mas a medalha teima em não chegar para o português, não ajudando que seja um ciclista obrigado a trabalhar para os líderes da Movistar, não podendo preparar uns Mundiais como Dennis ou Dumoulin podem. Mas neste tipo de provas, tudo pode acontecer. Campanaerts foi a prova disso em Innsbruck.


(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mas este ano houve outro português em prova, o bicampeão nacional Domingos Gonçalves, numa nova experiência para o ciclista da Rádio Popular-Boavista. Foi 41º, a 6:29 do vencedor. "Encontrei aqui outra realidade, os adversários têm um ritmo que, de momento, não está ao meu alcance. Senti falta de ritmo e acusei um pouco nunca antes ter feito um contra-relógio tão extenso. A seguir à subida comecei a ter cãibras", afirmou o gémeo de Barcelos, que utilizou uma bicicleta idêntica às da Katusha-Alpecin, equipa do irmão José.

Arrancam as corridas de fundo

Ponto final nos contra-relógios. Esta quinta-feira começam as corridas de fundo. Da parte da manhã serão as juniores femininas (8:10), da parte da tarde serão os rapazes do mesmo escalão (13:40). Esta última terá a participação de dois portugueses, os mesmos que fizeram o contra-relógio: Afonso Silva e Guilherme Mota.

A corrida terá 126,8 quilómetros e um acumulado de 1916 metros. Antes da entrada no duro circuito de Innsbruck, que será percorrido duas vezes, o pelotão terá algumas dificuldades pela frente. A primeira selecção deverá acontecer aos 70 quilómetros, quando se subir Gnadenwald, uma colina com 2,6 quilómetros e uma inclinação média de 10,5%, com vários troços superiores a 13%. No entanto, as maiores decisões deverão ficar guardadas para o chamado "circuito olímpico", a percorrer duas vezes, na parte final da prova. Os corredores terão de ultrapassar duas vezes a subida de 7,9 quilómetros com inclinação média de 5,7%, cujo topo fica a 13,9 quilómetros da meta.

Os dois ciclistas eleitos pelo seleccionador José Poeira são bons trepadores, pelo que a expectativa é para um resultado positivo.

Os campeões de Innsbruck até ao momento

Contra-relógio por equipas 
Feminino: Canyon SRAM Racing (Alemanha)
Masculino: Quick-Step Floors (Bélgica)

Contra-relógio individual
Juniores femininas: Rozemarijn Ammerlaan (Holanda)
Juniores masculinos: Remco Evenepoel (Bélgica)

Sub-23 masculinos (não há este escalão para as raparigas): Mikkel Bjerg (Dinamarca) - renovou o título

Elite feminina: Annemiek van Vleuten (Holanda) - renovou o título
Elite masculina: Rohan Dennis (Austrália)

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25 de setembro de 2018

Dumoulin vs Dennis. Quem se intromete?

(Fotografia: Giro d'Italia)
Isto de pensar que há vencedores anunciados tem tendência a dar lugar a umas surpresas. No que diz respeito a Mundiais, nem é preciso ir muito longe e foi o actual campeão, Tom Dumoulin, que recordou o que aconteceu da última vez que parecia haver tanta certeza quanto ao resultado final do contra-relógio. "Ainda me lembro dos Mundiais de Richmond. Diziam Dumoulin, Martin e Dennis vão estar no pódio, só falta determinar a ordem. No final, nenhum ficou com uma medalha." Assim foi em 2015 e nem Dumoulin, nem Dennis se deixam levar por um favoritismo que pouco significado têm quando estão na estrada. Se assim fosse, então seria uma luta por um lugar no pódio, com vários candidatos a esse posto e com Portugal a apresentar desde logo o seu: Nelson Oliveira. E sim, Dumoulin e Dennis são os super favoritos, mas há quem se possa intrometer e talvez não seja uma surpresa assim tão grande se tal acontecer.

Regressando ao que aconteceu em Richmond, como recordou Dumoulin ao Het Nieuwsblad, o trio referido de favoritos ficou a mais de um minuto de Vasil Kiryienka. O italiano Adriano Malori e o francês Jérome Coppel fecharam o pódio, com Dumoulin, Dennis e Tony Martin a fazerem quinto, sexto e sétimo, respectivamente. Dumoulin já confirmou entretanto o seu estatuto de melhor de mundo. Falta a Dennis responder e o australiano tem apontado grande parte da sua temporada a esta quarta-feira. Se na Volta a Itália ainda tentou o melhor resultado na geral, já na Vuelta foi lá ganhar os contra-relógios, para depois abandonar e pensar só em Innsbruck.

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dumoulin só fez a Volta a Alemanha após o Tour e esteve no contra-relógio por equipas no domingo, tal como Dennis. O holandês ficou com a medalha de prata com a Sunweb, o australiano com o bronze, com a BMC. Em 2018, Dennis venceu seis contra-relógios individuais, sendo o campeão nacional e além dos dois da Vuelta, venceu ainda um no Giro. Perdeu o primeiro na Volta a Itália para Dumoulin, que ganhou depois também no Tour, na 20ª etapa.

Interessa é quem está, mas é inevitável falar das ausências do segundo e terceiro de 2017, Primoz Roglic e Chris Froome, além de Geraint Thomas. Por isso mesmo, é mais do que justo colocar-se desde já Nelson Oliveira, quarto classificado em Bergen e sétimo em Ponferrada (2014) entre os favoritos da lista que se segue a Dumoulin e Dennis. O Paris-Roubaix voltou a estragar-lhe parte da temporada (sofreu uma queda) e ficou mesmo de fora do Tour, para sua desilusão. Mas apareceu muito bem na Vuelta, foi quarto no primeiro contra-relógio e sétimo no segundo, tendo realizado um excelente trabalho para os seus líderes da Movistar. Aos 29 anos já não há dúvidas que é um dos melhores especialistas da actualidade e uma medalha ficaria muito bem ao tetracampeão nacional.

"O percurso é muito exigente, especialmente a segunda parte. A subida tem três quilómetros muito duros e será decisiva, tal como a fase a seguir. Será necessário regular muito bem o esforço. No meu caso, não posso dar tudo na fase inicial para me sentir com força na parte final, porque é aí que posso ganhar aos rivais com mais peso", afirmou Nelson Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Naturalmente que a ambição é melhorar o quarto lugar de Bergen2017, mas o ciclista aponta no mínimo a um top 10.

Nelson Oliveira sairá às 14:29 para os 52,5 quilómetros. "As sensações foram muito boas no contra-relógio por equipas, não senti o cansaço da Vuelta, o que é bom. Espero que amanhã esteja na mesma condição ou ainda melhor do que no domingo", salientou, recordando como esteve com a Movistar na abertura dos Mundiais, ajudando a equipa espanhola a ficar no sexto lugar.

Outros nomes que se podem intrometer entre o esperado embate Dumoulin vs Dennis. Stefan Küng é a grande esperança suíça de fazer regressar um título que Fabian Cancellara conquistou pela última vez em 2010. O espanhol Jonathan Castroviejo, o bicampeão europeu belga Victor Campenaerts, o dinamarquês Soren Kragh Andersen, o britânico Alex Dowsett (ainda que esteja muito abaixo do nível de outrora), o luxemburguês Bob Jungels e, claro, o tetracampeão mundial Tony Martin, são ciclistas que podem muito bem intrometer-se entre os dois favoritos. O alemão tem estado longe do seu melhor e começa a dar sinais de estar na fase descendente na sua carreira. Mas se há local em que pode mostrar o contrário e é onde sempre muito gostou de competir, esse local são os Mundiais.

Há mais um nome a acrescentar a esta lista: Michal Kwiatkowski. É um bom contra-relogista e a tentação é colocá-lo entre os possíveis outsiders, contudo, o polaco está focado na corrida de fundo de domingo, na qual procurará o seu segundo título. Mas é sempre um ciclista a ter em conta. Não sabe correr para apenas para mostrar a camisola.

A oportunidade de Domingos Gonçalves

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Este ano Portugal terá dois representantes no contra-relógio de elite. O bicampeão nacional, Domingos Gonçalves, foi chamado por José Poeira. Corre sem a pressão de um Nelson Oliveira, cujas expectativas são altas, mas depois de uma época de grande nível no pelotão nacional - seis vitórias, mais a medalha de prata no contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo - o gémeo de Barcelos quer mostrar-se num dos mais importantes palcos do ciclismo.

"Trabalhei bem para esta prova, tanto ao nível do treino como do descanso. O contra-relógio tem uma longa fase totalmente plana, na qual não podemos gastar toda a energia, porque a fase final, com a subida longa e o terreno mais ondulado, será muito importante. O segredo vai ser dosear o esforço, especialmente no meu caso, pois nunca fiz um contra-relógio tão longo como este", afirmou o ciclista da Rádio Popular-Boavista e que partirá para a sua prova às 13:43.

Os últimos a sair para a estrada serão Rohan Dennis, às 14:38:30 e Tom Dumoulin, às 14:40. O ponto que poderá decidir o título será a subida de cinco quilómetros, com 7,1% de inclinação média e 14% de pendente máxima, estando as rampas mais difíceis nos primeiros três quilómetros.



Esta terça-feira foram atribuídos mais dois títulos mundiais. Na elite feminina, a Holanda dominou a corrida de 27,8 quilómetros. Annemiek van Vleuten sagrou-se bicampeã mundial com 34:25 minutos. Isto significou que Anna van der Breggen foi segunda pela terceira vez, ao ficar a 30 segundos. As duas estiveram num nível muito acima das restantes ciclistas, com Ellen van Dijk a completar o pódio laranja. A campeã mundial de 2013 ficou a 1:25 minutos (classificações completas neste link).

Antes, o contra-relógio juniores teve uma exibição avassaladora de Remco Evenepoel (18 anos). Trocou o futebol pelo ciclismo e já lhe chamam o novo Merckx (uma tendência a acontecer na Bélgica sempre que aparece um ciclista promissor). Evenepoel tem contrato com a Quick-Step Floors para 2019 e 2020 e irá como campeão mundial de contra-relógio da sua categoria. O australiano Luke Plapp ficou a 1:24 minutos e o italiano Andrea Piccolo a 1:38 (classificações completas aqui). Quanto aos portugueses, Guilherme Mota foi 29º, a 3:42, e Afonso Silva 48º, 4:46.

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