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14 de dezembro de 2020

Uma Bianchi renovada para a nova parceria

© Bianchi
Ver uma Bianchi sem ser com a sua famosa cor celeste é um pouco estranho. Mas, com o início de uma nova parceria no World Tour, a famosa marca italiana renovou as suas bicicletas. E também já têm travões de disco.

Depois de sete anos com a Jumbo-Visma e os últimos muito vitoriosos, a Bianchi irá passar a fornecer as bicicletas à Mitchelton-Scott. Naturalmente que este nome da formação australiana não será o de 2021. Para já a equipa está inscrita como GreenEdge Cycling, mas poderá sofrer alterações, caso surja um patrocinador. A Scott passará para a Sunweb (Team DSM na próxima época), com a Cérvelo a trocar a equipa alemã pela Jumbo-Visma. Uma autêntica dança de bicicletas no pelotão!

Quanto à Bianchi, era uma das poucas marcas que ainda não se tinha rendido aos travões de disco. Como curiosidade, as três grandes voltas de 2020 foram ganhas por ciclistas, cujas equipas utilizam bicicletas com o tradicional sistema de pinças: Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) venceu o Tour com uma Colnago, Tao Geoghegan Hart (Ineos) conquistou o Giro com uma Pinarello e Primoz Roglic foi o mais forte na Vuelta com a famosa Bianchi celeste.

Simon Yates e Michael Matthews, por exemplo, vão assim estrear a Bianchi com travões de disco e com novas cores. E este último pormenor tem sido o principal debate entre os fãs desta bicicleta. O tradicional celeste ainda está no quadro, mas acompanhado por um azul turquesa e ainda a cor preta. Se há quem elogie a mudança nas redes sociais, também se lêem críticas, com o celeste a continuar a ser a cor preferida. Um dos pormenores várias vezes destacado, é que a bicicleta poderá não se destacar tanto no pelotão.

© Bianchi
As mudanças trazem sempre opiniões diferentes, mas a Bianchi vai mesmo alterar a sua imagem no World Tour. Os ciclistas da GreenEdge Cycling vão ter à sua disposição a Specialissima disc (foto em cima), a Oltre XR4 - modelo mais aerodinâmico (foto ao lado) - e para o contra-relógio, a Aquila. Todas terão componentes Shimano (incluindo as rodas), os selins serão da Fizik e os pneus eleitos são os Pirelli P Zero. Os ciclo-computadores serão da Garmin.

Tempos difíceis na GreenEdge Cycling

Foi um ano muito complicado para a equipa australiana. Além da falta de melhores resultados e de exibições muito aquém, principalmente nas grandes voltas - no Giro toda a equipa abandonou a corrida devido a casos de covid-19 -, a formação viveu dias de incerteza, quando soube que iria perder o seu principal patrocinador. Em Junho foi dado como feito um acordo com a Manuela Fundación, de Espanha, mas após o anúncio público - até foram apresentados os equipamentos que seria utilizados ainda durante 2020 - Gerry Ryan, dono da estrutura, disse que afinal não era a solução que procurava.

Ryan não terá gostado, por exemplo, de os novos patrocinadores quererem ser os donos da equipa e até mudar a sua base para Granada, o que significaria também uma licença World Tour espanhola e não australiana. O actual patrão não quer perder o controlo da sua equipa e tratou não só de interromper qualquer negociação com os responsáveis da Manuela Fundación, como foi à procura de outros caminhos para o futuro.

Entretanto, a equipa conseguiu renovar contrato com Simon Yates, mas o irmão gémeo, Adam, rumou à Ineos. Daryl Impey vai juntar-se a Chris Froome na Israel Start-Up Nation, Jack Haig muda-se para a Bahrain-Victorious (actual Bahrain-McLaren) e Edoardo Affini será aposta da Jumbo-Visma.

Quanto a contratações, o regresso de Michael Matthews será certamente muito bem-vindo, sendo que foi um ciclista que deu muitas e grandes vitórias à equipa, antes de se mudar para a Sunweb. Da EF Pro Cycling chega Tanel Kangert e o norueguês Amund Grondahl Jansen troca a Jumbo-Visma pela formação australiana. A GreenEdge Cycling garantiu ainda um jovem promissor italiano, de apenas 21 anos, Kevin Colleoni (ex-Biesse Arvedi). Foi terceiro no Giro para o seu escalão e soma vários pódios e top dez em importantes corridas de sub-23.

Quando a equipa australiana surgiu em 2012 esteve mais dedicada ao sprint e clássicas. Porém, com os irmãos Yates, foi também apostando cada vez mais nas gerais e teve o seu ponto alto em 2018, quando Simon esteve na luta pelo Giro e acabaria por ganhar a Vuelta. Porém, a equipa não conseguiu dar seguimento a esse sucesso e tenta reinventar-se, ainda que sem mudanças profundas naqueles que serão os líderes, com a excepção da despedida de Adam Yates.

»»Mark Cavendish resiste««

»»Fabio Aru com mais uma oportunidade««

13 de outubro de 2020

Duas equipas saíram do Giro. Teme-se que a corrida não chegue ao fim

© Giro d'Italia
A Volta a Itália está em risco. Já não se duvida disso e o seu responsável é a voz da preocupação. Mauro Vegni, o director da corrida, garante que tudo será feito para que o pelotão chegue a Milão, a 25 de Outubro. Contudo, mal Simon Yates testou positivo durante a primeira semana, Vegni "tremeu". Esta terça-feira, toda a Mitchelton-Scott foi embora, depois de quatro membros do staff testarem positivos. Seguiu-se a Jumbo-Visma. Só o líder, Steven Kruijswik recebeu a má notícia, mas a equipa não arriscou. Ninguém partiu para a 10ª etapa. AG2R e Ineos Grenadiers têm um membro do staff infectado.

Os controlos vão ser ainda mais apertados. A Sunweb também não passou incólume. Michael Matthews está em isolamento, mas a equipa continuou. "Os testes demonstram a situação de hoje. Não garantem que o vírus não expluda", lamentou Vegni.

As três equipas que tiveram casos e que mantêm-se em prova, voltaram a ser testadas esta terça e quinta-feira haverá novo controlo. A organização do Giro quer garantir que não há transmissão. Recorde-se que Wilco Kelderman é um dos candidatos mais próximo de João Almeida na luta pela camisola rosa. O holandês é segundo, a 34 segundos.

Vegni lamentou que a Mitchelton-Scott e a Jumbo-Visma tenham abandonado, mas considerou ser a melhor decisão, tanto médica, como eticamente. "Já fizemos 1500 testes desde o começo [da corrida] em Palermo, o que significa que estamos a ir além do protocolo. Quando suspeitamos algo, pedimos às equipas para fazer um teste rápido", explicou o responsável.

Realçou como não há mais que a organização possa fazer relativamente em manter o Giro na estrada em tempo de pandemia. E para agravar a situação, ainda há incerteza quanto às etapas de alta montanha na terceira semana. O frio e a neve poderão obrigar a mudanças. Neste aspecto, nada de novo no Giro, mesmo quando se realiza na sua altura habitual.

No entanto, entre covid-19 e mau tempo, os ciclistas podem começar a pensar que talvez seja melhor não guardar para amanhã um possível ataque à camisola rosa. Mas o pior é mesmo a dúvida que vai crescendo se a corrida vai chegar a Milão.

A pandemia nunca deixou de ser real. Impossível! Mas depois de uma Volta a França que chegou ao fim sem casos entre os ciclistas (houve em membros de staff de equipas), de um Giro que começou também sem casos, com etapas de bom espectáculo e - numa perspectiva portuguesa - com um luso de rosa e outro a ganhar uma etapa (João Almeida e Ruben Guerreiro, respectivamente), havia um sentimento de alguma (pouca) normalidade, pelo menos para quem assiste de longe, pela televisão.

Quem lá está enfrenta todo um mundo diferente, de regras, restrições, controlos... Ao ver ao longe, as máscaras são um constante recordar que estes tempos são tudo menos normais. Porém, as primeiras notícias do dia serem que duas equipas saem da corrida devido à covid-19 é o choque de realidade que o ciclismo pode sofrer ainda mais com esta pandemia.

Foi possível colocar corridas na estrada, mas com a situação pandémica a piorar, treme o Giro, o Paris-Roubaix foi cancelado, antes o BinckBank Tour teve de mudar o percurso já durante a prova, a Vuelta é uma enorme incógnita. Em Itália, já pouco mais resta do que esperar que seja possível terminar a grande volta que vai agora praticamente a meio (dez etapas realizadas das 21 agendadas).

»»Assim nasce um líder««

»»Rúben Guerreiro juntou-se a João Almeida e este domingo foi histórico««

4 de setembro de 2020

Bora-Hansgrohe e Ineos Grenadiers em trabalho de alta velocidade. Mas no final ganhou a Jumbo-Visma

© BettiniPhoto/Bora-Hansgrohe
Qual montanha, qual quê. Um pouco de vento e finalmente a Volta a França animou. Primeiro foi a Bora-Hansgrohe a partir do pelotão, para deixar para trás os sprinters - e principalmente Sam Bennett - de forma a garantir que Peter Sagan voltasse a vestir a camisola verde e talvez ganhar a etapa sem uma concorrência tão forte. Depois foi a Ineos Grenadiers que repetiu a dose de liderar o grupo, como na sexta etapa, mas desta vez, "estilhaçou" com a ajuda do vento o grupo, com alguns candidatos a ficarem para trás. Porém, a Jumbo-Visma não quebra. E até ganha!

Tem sido algo comum em anos recentes. Uma etapa relativamente plana com vento e vários ciclistas que ambicionam à geral vêem as contas complicarem-se. Costuma ter o condão de animar as tiradas de montanha que se seguem. E há que dizer que o Tour estava mesmo a precisar de um abanão destes. O pensamento de todos parecia estar mais nas dificuldades que estão mais adiante, do que arriscar já no início. Claro que não ajudou aquela primeira etapa recheada de quedas, mas mesmo assim, tem sido muito controlo e pouco ataque.

Se em dias anteriores o ritmo nem sempre entusiasmou, nos 168 quilómetros da sétima etapa - entre Millau e Lavaur - foi registada uma média de 47,5 quilómetros/hora, ao que se juntou então um vento com rajadas a rondar os 30 a 40 quilómetros/hora. Percebe-se desde logo porque foi irresistível alguém tentar um "abanico", utilizando a expressão espanhola. Para a animação, contribuiu ainda a luta pela camisola verde juntar-se à luta pela amarela.

A Bora-Hansgrohe começou por acelerar de tal forma na primeira subida que deixou a maioria dos sprinters para trás. Já se sabe que Peter Sagan tem capacidade para ultrapassar melhor estas dificuldades e o eslovaco tem nos últimos anos mostrado como se ganha a classificação dos pontos, sem ser preciso dominar nos sprints finais. Foi segundo no intermédio, já no final, saltou a corrente da bicicleta e foi apenas 13º. Mas recuperou a camisola verde, com nove pontos de vantagem sobre Sam Bennett. Por enquanto parece que há luta por esta classificação.

Depois do trabalho inicial da Bora-Hansgrohe - foi ainda recompensada com o prémio da combatividade para Daniel Oss -, o trabalho a alta velocidade continuou, com a Ineos Grenadiers a entrar em acção no último terço da etapa. Rapidamente começaram ciclistas a perder o contacto com o grupo da frente.

Mikel Landa (Bahrain-McLaren) continua a escrever a sua habitual história. Arranja sempre maneira de perder tempo na primeira semana. Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) teve azar. Furou pouco antes da Ineos Grenadiers iniciar a aceleração e acabou por ceder a liderança da juventude a Egan Bernal. Richie Porte é outro que não se dá bem com abanicos, com o companheiro da Trek-Segafredo, Bauke Mollema também a ficar para trás.

Com a táctica da equipa britânica a resultar, Jumbo-Visma e Groupama-FDJ saltaram também elas para a frente. A Ineos Grenadiers acabou por falhar na sua maior pretensão: Primoz Roglic e Tom Dumoulin permaneceram intocáveis na frente, assim como o líder da formação francesa, Thibaut Pinot. Os principais adversários de Egan Bernal não perderam tempo, nem mostraram fraqueza.

A Ineos Grenadiers queria um dia para recordar, mas viu Richard Carapaz ser um dos prejudicados. Mais um furo a estragar os planos de um ciclista. A equipa deu ordem a Jonathan Castroviejo para ajudar o equatoriano, mas não havia nada a fazer. O facto de não ter ficado sozinho demonstra que esta Ineos Grenadiers não queria ver Carapaz a já 2:02 minutos na geral. Se precisar de um plano B, a opção estará mais complicada, ao contrário do que acontece com a Jumbo-Visma, que continua a ter Primoz Roglic e Tom Dumoulin na luta pela geral.

Tal é a discrição, que quase dá para esquecer que o camisola amarela é Adam Yates. Com outras equipas a assumirem as rédeas das etapas, a Mitchelton-Scott "só" teve nestes últimos dois dias de se preocupar em proteger Yates. O que não foi nada fácil hoje, mas o britânico sobreviveu a uma etapa louca, emotiva e muito interessante a nível táctico.

© ASO/Alex Broadway
No final ganhou a Jumbo-Visma

Não deixará de ser algo frustrante para quem tanta trabalhou ver a equipa rival não só não quebrar, como ainda a ganhar a etapa. Esta Jumbo-Visma dá para tudo e ainda nem foi forçada a intenso trabalho na montanha. Esse talvez surja este fim-de-semana.

Com o esforço na primeira fase da etapa, a Bora-Hansgrohe esperava que fosse desta que Peter Sagan ganhasse. Parte da missão está cumprida ao recuperar a camisola verde, mas começa a ser difícil perceber como irá este eslovaco quebrar um longo jejum de triunfos. Que coisa estranha em dez anos como profissional!

Bryan Coquard (B&B Hotels-Vital Concept) e Christophe Laporte (Cofidis) conseguiram ficar na frente e com razão sonharam à ambicionada vitória no Tour, com Edvald Boasson Hagen (NTT) a mostrar que a idade passa, mas não é um ciclista que se deva menosprezado.

Mas não foi nenhum destes ciclistas a aproveitar a falta de sprinters na discussão. No grupo estava Wout van Aert. Que mais dizer sobre este belga? Mais uma vez trabalhou na frente depois da Ineos Grenadiers forçar o andamento. Expôs-se, mas nem assim perdeu forças para bater a concorrência nos metros finais. Lá foi ele ganhar e até com relativa tranquilidade. Segunda vitória para o belga, terceira para a Jumbo-Visma - venceu com Primoz Roglic na primeira chegada em alto no Tour - em sete etapas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Cazères-Sur-Garonne - Loudenvielle, 141 quilómetros


Perante a perda de tempo na sétima etapa, o fim-de-semana pode ter ganho outro interesse. Com cerca de minuto e meio para recuperar, ciclistas como Mikel Landa, Tadej Pogacar e os líderes da Trek-Segafredo, vão ter de começar a procurar forma de recuperar tempo. Com um dia de descanso à espera na segunda-feira, principalmente a etapa deste sábado tem um percurso interessante para estes atletas, mesmo sem ter chegada em alto. O pelotão chega à fase dos Pirenéus.

Haverá a primeira categoria especial deste Tour, no Port de Balès. São 11,7 quilómetros, com uma pendente média de 7,7%. Atenção aos segundos de bónus no Col de Peyresourde (oito, cinco e dois). Chegou a altura de este Tour começar a mexer mais na geral, com a expectativa de ver se Roglic ou Bernal vão continuar na expectativa, ou se a Jumbo-Visma e a Ineos Grenadiers vão finalmente medir forças. A vontade de ver este frente-a-frente cresce...

»»Ineos Grenadiers mostrou-se. Jumbo-Visma esteve atenta mas sem razões para se preocupar««

»»Alaphilippe perdeu a camisola amarela (afinal aconteceu algo na quinta etapa)««

2 de setembro de 2020

Alaphilippe perdeu a camisola amarela (afinal aconteceu algo na quinta etapa)

© ASO/Alex Broadway
Uma situação que custa a entender custou a camisola amarela a Julian Alaphilippe. Num dia em que o vento poderia provocar alguns problemas, afinal nem foi muito forte, mas nem assim o pelotão se preocupou em fazer desta etapa uma minimamente interessante. Valeram os 10 quilómetros finais e o sprint. Ou assim se pensava. Afinal, com cerca para 17 quilómetros do fim, um pequeno gesto acabaria por se tornar na história do dia. Julian Alaphilippe recebeu um abastecimento ilegal, foi sancionado com 20 segundos e entregou de bandeja a camisola amarela a Adam Yates.

O abastecimento não era permitido nos 20 quilómetros finais, mas as imagens televisivas não deixam dúvidas. Alaphilippe recebeu um bidão de um membro do staff da Deceuninck-QuickStep já dentro desse limite. Um erro que custou muito caro. A equipa ainda tirou uma fotografia orgulhosa por Sam Bennett ter vestido a camisola verde - mais um estranho pormenor do dia: Peter Sagan perdeu a verde (!) - e de ter Alaphilippe de amarelo. Mas afinal, a liderança está agora a 16 segundos, com o francês a cair para a 16ª posição na geral.

Uma desilusão para Alaphilippe, mas que preferiu olhar para a frente e para a possibilidade de continuar a ser uma das figuras do Tour. Disse mesmo que amanhã não se falaria mais nisso, numa etapa em que é novamente apontado como candidato à vitória.

O director desportivo Tom Steels admitiu o erro, justificando com dificuldades em escolher um local seguro para poder abastecer os ciclistas naquela zona do percurso (vídeo em inglês).


A Deceuninck-QuickStep vai ser forçada a ainda mais trabalho se quiser recuperar já a amarela. Não pode "apenas" controlar. A acção irá decorrer toda nos últimos 50 quilómetros, com duas terceiras categorias e uma primeira. Haverá ainda segundos bónus na última subida (oito, cinco e dois). A Alaphilippe não basta a vitória de etapa, terá de ser aquele ciclista que em 2019 deslumbrou se quer recuperar rapidamente a camisola amarela.

Já para Adam Yates é um dia de orgulho, mas com uma sensação algo estranha, como foi, aliás, todo o dia. O britânico da Mitchelton-Scott admitiu que não era assim que queria vestir a camisola amarela. Realçou que esta quinta-feira ia tentar ganhá-la a Alaphilippe. Mesmo sendo líder, Yates - um vencedor da juventude no Tour e quarto classificado, mas que está a demorar a confirmar credenciais na luta pela geral das grandes voltas -, afirmou que vai manter-se fiel ao plano: ganhar etapas. A amarela é algo para mostrar enquanto for possível.

Dia estranho

Foi assim a etapa quase toda. Até deu para pôr a conversa em dia entre os ciclistas
© ASO/Alex Broadway
É o que se pode dizer desta quarta-feira no Tour. Foi um dia estranho. O pelotão fez uma espécie de pacto de não agressão. Ninguém sequer atacou para uma fuga. 183 quilómetros entre Gap e Privas que deram para mais do que para fazer uma sesta. Quase deu para colocar o sono em dia!

O dia foi tão estranho que o prémio da combatividade foi entregue a Wout Poels (Bahrain-McLaren), que passou grande parte da etapa na parte de trás do pelotão. Um prémio por continuar em prova depois de partir uma costela e sofrer uma contusão pulmonar numa queda na primeira etapa.

Nos últimos 50 quilómetros lá se aumentou um pouco o ritmo (no final foi de 42,01 quilómetros/hora). Mas foram nos últimos dez que todos tiveram de se preocupar com a corrida. A Ineos Grenadiers acelerou e bem, provocando cortes no pelotão, com a ajuda do vento. Não houve continuidade no trabalho, pelo que a maioria dos que chegaram a perder o contacto com o pelotão, conseguiram regressar.

© ASO/PresseSports/Bernard Papon
E depois o sprint. A Sunweb foi a única equipa que conseguiu fazer o comboio para o seu sprinter. Cees Bol começa a ameaçar ganhar, mas Wout van Aert está simplesmente incrível. Um dia depois de trabalhar de forma perfeita para Primoz Roglic ganhar na primeira chegada em alto do Tour, o belga conquistou a sua etapa, repetindo o sucesso de 2019.

Strade Bianche, Milano-Torino, etapa e classificação dos pontos no Critérium du Dauphiné, campeão nacional de contra-relógio e agora etapa no Tour. Que 2020 memorável está a ter Van Aert. Ganha e ajuda a ganhar. A Jumbo-Visma tem mesmo um super ciclista.

Classificações complestas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Le Teil - Mont Aigoual, 191 quilómetros


Percurso sem dificuldades até aos 50 quilómetros finais. A situação de Julian Alaphilippe poderá alterar um pouco os planos para a etapa, mas os principais candidatos deverão ficar mais na expectativa, do que pensar em ataques. Claro que se repetir uma situação como a de terça-feira, cuidado com Primoz Roglic. Poderá ser um bom dia para uns ciclistas mais atrasados na classificação arriscarem uma fuga e talvez "terem autorização" do pelotão para disputar a vitória.

»»Assim Roglic é imbatível««

»»Caleb Ewan feito para o Tour««

30 de agosto de 2020

Segundos bónus não seduzem a todos. Mas Alaphilippe agradece

© ASO/Alex Broadway
A ASO, organizadora da Volta a França, repete em 2020 a fórmula de segundos de bónus em algumas etapas, depois da experiência no ano passado. Na prática a intenção é fazer com que haja maior movimentação na tentativa de procurar ganhar tempo, além das habituais bonificações em todas as metas, para os três primeiros. Este domingo estiveram os primeiros em jogo, mas será que os que lutam pelo Tour estão assim tão preocupados com estes segundos?

Em jogo estão oito, cinco e dois segundos, que vão estar disponíveis em mais sete etapas, depois da de hoje. Primoz Roglic (Jumbo-Visma) é um ciclista que gosta de lutar por qualquer segundo que possa estar disponível. A prova é, mesmo quando já não pode ganhar uma etapa, tenta sempre um segundo ou terceiro posto nas provas. E aquelas bonificações têm sido importantes.

Porém, é diferente desgastar-se um pouco na meta e ir à procura de bónus durante a etapa, mesmo que estejam colocados mais perto do final como é o caso neste Tour. Os ciclistas que começam por tentar aproveitar mais estas oportunidades, são atletas como Julian Alaphilippe. O corredor da Deceuninck-QuickStep não é um candidato a vencer a geral, mas para repetir a exibição de 2019, em que esteve 14 dias de camisola amarela vestida, somar estes segundos pode ser uma garantia que vai adiando a entrega da liderança àqueles que a procuram como objectivo máximo.

O trio que disputou os segundos bónus da 2ª etapa
© ASO/Pauline Ballet
Alaphilippe tinha esta segunda etapa marcada para tentar ganhar e vestir a amarela. Atacou na última subida, que nem era categorizada, mas tinha os tais segundos de bónus. Por acaso até foi apenas segundo, com Adam Yates (Mitchelton-Scott) a sprinter para ficar com os oito e o francês com os cinco. Em comum, estes ciclistas têm quererem ganhar etapas e estar de amarelo, mas sem pensar em chegar na condição de líder aos Campos Elísios.

Marc Hirschi (Sunweb) ficou com os dois segundos que restaram, com o pelotão, na altura comandado pela Ineos Grenadiers, a não se preocupar minimamente em colocar os seus líderes na luta pelos bónus. Para Egan Bernal, Roglic, Thibaut Pinot, as diferenças vão fazer-se nas grandes etapas de montanha.

Sprint final, com Hirschi a dar muito espaço a Alaphilippe,
que já não conseguiu recuperar
© ASO/Alex Broadway
Talvez mais adiante na corrida estes segundos de bónus possam tornar-se mais valiosos para os chamados favoritos, principalmente se ninguém estiver a conseguir fazer grande diferença. Se for o caso, então a Jumbo-Visma, que quer de facto ser a patroa do Tour, pode tentar explorar o lado rápido de Roglic em sprints em pequenos grupos.  E, lá está, o esloveno adora ir atrás de qualquer segundo que possa ajudar. Mas a preferência irá sempre para uma vitória de etapa. Pelo prestígio, claro, e porque são 10 segundos para o vencedor, seis para o segundo classificado e quatro para o terceiro.

A ideia de tentar que haja mais luta e logo mais espectáculo com a colocação destes bónus não resultou no imediato, mas Alaphilippe agradece, pois conquistou 15 segundos de bonificação e mais dois na estrada para o pelotão. Yates está a quatro e Hirschi - o novo líder da juventude, tirando a camisola branca a Mads Pedersen (Trek-Segafredo) - a sete.

© ASO/Alex Broadway
Início de nova saga no Tour?

O francês ainda não tinha vencido em 2020, apesar de ter estado perto na Milano-Sanremo (foi segundo, atrás de Wout van Aert) e nos Campeonatos Nacionais, há uma semana. Julian Alaphilippe viveu momentos difíceis com a morte do pai, a quem de imediato dedicou a vitória em Nice. Chorou de emoção, ao mesmo tempo que não escondeu algum alívio. Já se instalava algum nervosismo no ciclista pela falta de vitórias, depois de um 2019 memorável.

Apesar da Deceuninck-QuickStep não ser uma equipa para a montanha, já se percebeu que Alaphilippe é um lutador, que na edição passada até fez os franceses sonharem. Acabou em quinto, mas ainda assim, muito melhor do que se esperaria. Agora já não surpreenderá que faça algo idêntico. Contudo, apesar da exibição de hoje, este não é o Alaphilippe de 2019.

© ASO/Alex Broadway
Mesmo na forma como atacou, sem conseguir que Hirschi e Yates ficassem para trás, é notório que falta algo ao francês. Porém, pode compensar com aquela bem conhecida garra. Alaphilippe pode muito bem manter a camisola amarela por vários dias, com a oitava etapa a ser o pior dos testes, quando surgir a primeira categoria especial, no Port de Balès.

O senão é que Alaphilippe vai ter adversários que também querem vestir a amarela, nem que seja por um só dia. Dentro da margem dos 17 segundos estão, por exemplo, Sergio Higuita (EF Pro Cycling), Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Greg van Avermaet (CCC) e Pierre Latour (AG2R). E exclui-se aqueles que tem objectivos mais altos, ainda que não é de afastar que Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) vá tentar fazer um pouco de história para a Eslovénia (Roglic tem concorrência nesta luta nacional).

Sempre que houver mais montanha, qualquer um destes ciclistas (e não só) podem fazer o mesmo que Alaphilippe. Procurar uns segundos bónus para ter aquele momento de amarelo.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Etapas com segundos bónus

  • 2ª - Col des Quatre Chemins
  • 6ª - Col de la Lusette
  • 8ª - Col de Peyresourde
  • 9ª - Col de Marie Blanque
  • 12ª - Suc au May
  • 13ª - Col de Neronne
  • 16ª - Montée de Saint-Nizier-du-Moucherotte
  • 18ª - Montée du plateau des Glières
3ª etapa: Nice-Sisteron, 198 quilómetros



Mesmo com quatro subidas categorizadas, é um dia que os sprinters não vão querer desperdiçar. Vai ser preciso as suas equipas trabalharem, pois também deverá haver quem vai apostar forte na fuga.

»»Lembram-se deste Kristoff««

»»Muito mais do que um Tour««

18 de junho de 2020

Afinal não há acordo. Mitchelton-Scott já não será Manuela Fundación

© Chris Auld/Mitchelton-Scott
Relação de curta duração! Seis dias. Um acordo que foi anunciado como finalizado, afinal não era bem assim e a Manuela Fundación já não vai patrocinar a equipa Mitchelton-Scott. Os novos equipamentos são para esquecer e o nome dos actuais patrocinadores mantém-se em 2020, agora que o dono Gerry Ryan bateu com a porta, não tendo gostado nada que de Espanha chegassem declarações de intenção dos novos patrocinadores serem também os novos donos.

Esta quarta-feira, Ryan, tinha afirmado numa entrevista ao Ride Media algo muito simples: "Eu sou o dono da equipa." O responsável confirmou que a licença continuaria a ser australiana, assim como manteria a aposta que a estrutura tem feito nos ciclistas deste país. O responsável considerou ainda que a GreenEdge precipitou-se ao anunciar o acordo com a Manuela Fundación, adiantando que está em negociações com outros potenciais patrocinadores para 2021.

Estas declarações apanharam os responsáveis da Manuela Fundación desprevenidos. O Ciclo 21 cita fontes da fundação, que dão conta da surpresa que foi ler as declarações de Ryan, assim como algum mal-estar que estas causaram. No entanto, a expectativa era que qualquer problema seria ultrapassado na reunião agendada para a próxima semana.

Algo que parecia claro para Emilio Rodríguez, director da parte desportiva da fundação, era que seriam donos da equipa, com o objectivo da licença ser espanhola em 2021, ainda que o patrocínio entrasse já em vigor. A Manuela Fundación pagaria ainda parte dos salários deste ano.

24 horas depois de ainda haver alguma esperança de conciliação, foi divulgado o comunicado por parte da equipa australiana: a parceria não irá concretizar-se. "Inicialmente sentimos uma forte conexão com o senhor Francisco Huertas, a Manuela Fundación e os seus nobres objectivos. Contudo, à medida que as negociações evoluíram após o anúncio inicial na sexta-feira, concluímos que a relação não irá continuar", explicou Gerry Ryan, no comunicado divulgado esta quinta-feira.

A Mitchelton-Scott foi uma das equipas que se viu obrigada a cortar nos salários durante a paragem forçada devido à pandemia de covid-19, mas Ryan deixou a garantia que a partir de Agosto, quando as competições retomarem, os valores iniciais serão repostos, tanto na equipa masculina, como na feminina.

Porém, Gerry Ryan irá manter as negociações com patrocinadores para assegurar a continuidade da equipa em 2021, assim como para poder tratar da renovação de contrato de vários ciclistas, dois deles são as principais figuras do momento da Mitchelton-Scott nas grandes voltas: os gémeos Adam e Simon Yates.

Director da Manuela Fundación zangado com quebra do acordo

O empresário Francisco Huertas já patrocina uma equipa de BTT, assim como uma escola de ciclismo. Já tentou entrar no futebol, mas acabou por não conseguir e a primeira tentativa de chegar ao mais alto nível do ciclismo parece então terminar com o mesmo resultado.

A Mitchelton-Scott, continua assim a ser... a Mitchelton-Scott. Algo que deixou Manuel Calvente furioso. O director da equipa de sub-23 da Manuela Fundación reiterou ao Cyclingnews que foi assinado um acordo a 5 de Junho, salientando que o tornar público foi uma decisão da GreenEdge.

"Os autocarros da equipa estão na oficina, já sem as cores da equipa e à espera da nova publicidade e autocolantes. Até recebemos fotografias a mostrar como estava tudo a decorrer", explicou Calvente. O director afirmou ainda não entender como Gerry Ryan diz que irá pagar os ordenados completos a partir de Agosto, pois Calvente alega que a Mitchelton-Scott não tem dinheiro para pagar o salários actualmente.

Acrescentou que já esta quarta-feira começou a ter dúvidas se queria continuar a trabalhar com a Mitchelton-Scott depois da entrevista de Gerry Ryan, garantindo que a Manuela Fundación nunca se opôs a nada do proposto. "Saímos disto a parecer que somos os vilões do filme, quando não fizemos nada que não tivesse sido acordado", referiu Calvente.


12 de junho de 2020

Mitchelton-Scott salva por empresário espanhol

O novo equipamento da equipa para ser usado já em 2020
(Imagem: Twitter da Mitchelton-Scott)
"Bombazo", escreveu a Marca sobre a notícia que uma fundação espanhola vai salvar a Mitchelton-Scott. Ou melhor, já salvou. O novo contrato de patrocínio foi assinado a 5 de Junho e entra em vigor de imediato, o que significa que a equipa australiana se chama agora Manuela Fundación. Já se conhece o novo equipamento (imagem ao lado), vão ser investidos 20 milhões de euros, faltando agora conhecer em que ciclistas vai a equipa apostar para a próxima época.

Segundo o jornal AS, a partir de 2021 a estrutura terá uma licença espanhola e a preferência irá para a contratação de corredores daquele país. O veterano Mikel Nieve (36 anos) é o único representante. Com vários australianos e neozelandeses em final de contrato, a notícia de salvação da estrutura com a chegada desta fundação, poderá não significar uma renovação para a próxima temporada.

Jack Bauer, Sam Bewley, Brent Bookwalter, Luke Durbridge, Alex Edmondson, Jack Haig, Damien Howson, Cameron Meyer, Luka Mezgec, Nick Schultz, Callum Scotson, Dion Smith, Ian Stannard, Edoardo Affini, Tsgabu Grmay  e os gémeos Adam e Simon Yates estão em final de contrato. De recordar que Simon venceu a Vuelta em 2018.

O patrocínio da Manuela Fundación é extensível à equipa feminina, que também assim assegura o seu futuro. Com a paragem competitiva devido à pandemia, a Mitchelton-Scott foi das estruturas que ficou com o seu futuro em risco, tendo cortado uma percentagem no pagamento dos ordenados a ciclistas e membros do staff.

"Foi um intenso período de trabalho entre o director desportivo da Manuela Fundación, Emilio Rodriguez, e a o director geral da Mitchelton-Scott, Shayne Bannan. É uma oportunidade única e uma honra ter alcançado este acordo. Queremos agradecer ao Gerry Ryan por todo o seu trabalho e contribuição até ao momento, que levou a equipa ao seu melhor. Agora vamos continuar a impulsionar o seu legado e dar uma grande alegria aos fãs deste desporto", afirmou Francisco Huertas, da Manuela Fundación.

Gerry Ryan, o responsável pela GreenEDGE Cycling, dona da estrutura australiana, que em 2012 chegou ao World Tour como Orica GreenEDGE, respondeu no mesmo comunicado: "Depois de um período incerto, particularmente nos últimos meses, estamos entusiasmados por ter o apoio do senhor Francisco Huertas e da Manuela Fundación para garantir o nosso futuro para 2021 e além." Acrescentou a importância de ter fechado um acordo de longa duração, salientando como aconteceu numa altura difícil para a modalidade, indústria desportiva e para a economia mundial, sem esquecer a situação de saúde que se vive.

Quem é o novo patrocinador?

Francisco Huertas é um empresário espanhol que, juntamente com a sua mulher, María Angustias González, criou a Manuela Fundación, uma entidade sem fins lucrativos. O nome é em homenagem à filha que morreu pouco tempo depois de nascer, segundo o jornal AS. O objectivo é dedicar-se a projectos sociais, mas também ao desporto e artes. Apesar de passar já a patrocinar a equipa de ciclismo australiana, a fundação será lançada apenas a 4 de Outubro, como se pode ver no site oficial.

O empresário já tem uma relação com as bicicletas, pois patrocina uma equipa de elite de BTT e de sub-23 - dirigida pelo ex-ciclista Manuel Calvente -, além de ter uma escola de ciclismo, tudo com sede em Granada. O plano ao ter uma estrutura do World Tour é que esta possa ter a sua base naquela cidade do sul de Espanha, juntando assim todas as equipas. José Manuel Moreno - vencedor de uma medalha de ouro olímpica na pista, em Barcelona92 - e italiano Stefano Garzelli - conquistou o Giro em 2000 - fazem parte da estrutura de formação.

O AS escreve que Huertas tem ajudado atletas de outras modalidades, sendo um "empresário com negócios muito diversificados e dedicado à compra e venda de activos". No passado já tentou comprar o clube de futebol Real Jaén e patrocinar o Granada, que milita actualmente na principal Liga espanhola. Contudo, as experiências não tiveram sucesso e o empresário aposta agora no ciclismo e em ter sucesso nas grandes corridas mundiais da modalidade.

Esteban Chaves, Christopher Juul-Jensen, Mikel Nieve, Kaden Groves, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Daryl Impey, Alexander Konychev, Barnabás Péak e Andrey Zeits são os ciclistas com contrato para a próxima temporada, numa equipa que já apresentou o novo equipamento e com o rosa a ser uma das cores que a vai diferenciar no pelotão.

Espanha reforça presença no World Tour

A confirmar-se a mudança de licença para Espanha em 2021, o país voltará a contar com duas equipas no principal escalão, algo que não acontece desde que a Eukaltel-Euskadi deixou o ciclismo no final de 2013.

No entanto, não deixou de surpreender este patrocínio da Manuela Fundación, numa altura em que muito se olhava para o projecto de Alberto Contador, mas a Kometa está a querer crescer de forma sustentável, pelo que continua a reforçar a sua estrutura no escalão Continental. Já a Fundação Euskadi subiu de categoria, estando agora na segunda e o projecto já levou ao regresso da Euskaltel. A equipa renasce e a ambição de chegar ao World Tour também.

A Movistar de Eusebio Unzué tem sido a representante espanhola, com 40 anos de história no ciclismo. É das equipas mais fortes do pelotão, mas agora prepara-se para dividir protagonismo com a Manuela Fundación.


7 de janeiro de 2020

Movistar renovada, UAE Team Emirates a apostar nos jovens e uma nova era na Sunweb

Entre as últimas seis equipas das 19 do principal escalão que faltavam publicar, é inevitável olhar para a Movistar de Nelson Oliveira. Por norma é uma formação que prima pela continuidade, fazendo poucas mexidas de ano para ano. Em 2020 tem 12 novos ciclistas! Ficou ainda sem três dos seus líderes: Nairo Quintana, Mikel Landa e Richard Carapaz.

Outra equipa em destaque é a UAE Team Emirates, que conta com os portugueses Rui Costa e os gémeos Oliveira. Mantém-se a aposta na contratação de jovens talentos, como é o caso de Mikkel Bjerg e Brandon McNulty, mas procurou equilibrar com reforços mais experientes. Max Richeze chega para ser novamente o lançador de um Fernando Gaviria que desiludiu em 2019, também devido a uma lesão.

Sem Tom Dumoulin, a Sunweb entra numa nova fase. Se na casa já está Sam Oomen e Michael Matthews, Tiesj Benoot é um reforço de peso para as clássicas. A Dimension Data muda de nome para NTT, troca o branco pelo azul na camisola e Victor Campenaerts é a principal contratação, enquanto na Trek-Segafredo, Vincenzo Nibali é a nova figura da equipa. Na Mitchelton-Scott pouco se mexe na equipa e no equipamento.

(Em baixo tem os links da apresentação das restantes equipas agora denominadas de WorldTeams.)

Mitchelton-Scott
(Fotografia: Twitter Mitchelton-Scott)
Simon Yates, Adam Yates, Daryl Impey, Johan Esteban Chaves, Christopher Juul-Jensen, Luka Mezgec, Mikel Nieve, Edoardo Affini, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley,  Brent Bookwalter, Luke Durbridge, Alex Edmonson, Tsgabu Grmay, Kaden Groves, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Nick Schultz, Callum Scotson, Dion Smith e Robert Stannard.

Reforços: Andrey Zeits (Astana), Barnabás Peák (SEG Racing Academy) e Alexander Konychev (Dimension Data for Qhubeka).

Saídas: Matteo Trentin (CCC) e Mathew Hayman (terminou a carreira a 20 de Janeiro de 2019).

Movistar
(© Photo Gomez Sport/Movistar)
Alejandro Valverde, Nelson Oliveira, Marc Soler, Carlos Verona, Imanol Erviti, Jorge Arcas, Carlos Betancur, Héctor Carretero, Lluís Mas, Antonio Pedrero, Eduard Prades, Jürgen Roelandts, José Joaquín Rojas e Eduardo Sepúlveda.

Reforços: Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), Davide Villella (Astana), Dario Cataldo (Astana), Mathias Norsgaard (Riwal Readynez), Juri Hollman (Heizomat Rad-Net.de), Gabriel Cullaigh (Team Wiggins Le Col), Sergio Samitier (Euskadi-Murias), Sebastián Mora (Caja Rural), Juan Diego Alba (Coldeportes), Iñigo Elosegui (Lizarte), Matteo Jorgenson (Chambéry Cyclisme Formation), Albert Torres (G.E.Es Port), Johan Jacobs (Lotto Soudal sub-23) e Einer Rubio (Vejus Aran).

Saídas: Nairo Quintana (Arkéa Samsic), Mikel Landa (Bahrain McLaren), Richard Carapaz (Ineos), Carlos Barbero (NTT), Jasha Sütterlin (Sunweb), Rafael Valls (Bahrain McLaren), Winner Anacona (Arkéa Samsic), Rubén Fernández (Fundación-Orbea), Jaime Castrillo (Kern Pharma) Daniele Bennati (terminou a carreira), Jaime Rosón (despedido em Junho depois de ser suspenso por doping, sanção que termina em 2022).

Em suspenso: Andrey Amador assinou um pré-contrato de renovação de vínculo com a Movistar e depois assinou outro com a Ineos, para onde quer mudar-se. Aguarda agora a decisão da UCI para saber se pode transferir-se para a equipa britânica.

NTT (ex-Dimension Data)
(© NTT Pro Cycling)
Louis Meintjes, Roman Kreuziger, Ben O'Connor, Edvald Boasson Hagen, Enrico Gasparotto, Michael Valgren, Stefan de Bod, Nic Blamini, Amanuel Ghebreigzabhier, Ryan Gibons, Reinardt Janse van Rensburg, Gino Mäder, Giacomo Nizzolo, Andreas Stokbro, Jay Robert Thomson, Rasmus Tiller e Danilo Wyss.

Reforços: Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), Victor Campenaerts (Lotto Soudal), Carlos Barbero (Movistar), Max Walscheid (Sunweb), Michael Gogl (Trek-Segafredo), Benjamin Dyball (Team Sapura), Samuele Battistella (Dimension Data for Qhubeka), Matteo Sobrero (Dimension Data for Qhubeka), Andreas Stokbro (Riwal Readynez), Dylan Sunderland (BridgeLane) e Shotaro Iribe (Shimano Racing Team).

Saídas: Mark Cavendish (Bahrain McLaren), Tom-Jelte Slagter (B&B Hotels-Vital Concept, Julien Vermote (Cofidis), Scott Davies (Bahrain McLaren), Bernhard Eisel (sem equipa), Lars Bak, Mark Renshaw, Steve Cummings, Jacques van Rensburg e Jaco Venter terminaram a carreira.

Sunweb
(© Team Sunweb)
Sam Oomen, Michael Matthews, Cees Bol, Wilco Kelderman, Soren Kragh Andersen, Nicholas Roche, Casper Pedersen, Nikias Arndt, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Marc Hirschi, Max Kanter, Asbjorn Kragh Andersen, Joris Nieuwenhuis, Robert Power, Michael Storer, Forian Stork e Martijn Tusveld.

Reforços: Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Jasha Sütterlin (Movistar), Nico Denz (AG2R), Ilan Van Wilder (Lotto Soudal sub-23), Mark Donovan (Team Wiggins Le Col), Albert Dainese (SEG Racing Academy), Thymen Arensman a partir de 1 de Julho (SEG Racing Academy), Nils Eekhoff, Felix Gall e Martin Salmon estavam na equipa de desenvolvimento da Sunweb.

Saídas: Tom Dumoulin (Jumbo-Visma), Lennard Kämna (Bora-Hansgrohe), Max Walscheid (Bora-Hansgrohe), Louis Vervaeke (Alpecin-Fenix), Jan Bakelants (Circus-Wanty Gobert), Roy Curvers e Johannes Fröhlinger terminaram a carreira.

Trek-Segafredo
(© Trek-Segafredo)
Mads Pedersen (campeão mundial), Richie Porte, Giulio Ciccone, Bauke Mollema, Ryan Mullen, Jasper Stuyven, Edward Theuns, Toms Skujins, Gianluca Brambilla, Will Clarke, Nicola Conci, Koen de Kort, Niklas Eg, Alex Kirsch, Jacopo Mosca, Matteo Moschetti e Kiel Reijnen.

Reforços: Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Antonio Nibali (Bahrain-Merida), Kenny Elissonde (Ineos), Emils Liepins (Wallonie-Bruxelles), Alexander Kamp (Riwal Readynez), Michel Ries (Kometa), Juan Pedro López (Kometa), Quinn Simmons (Lux-Strading p/b Specialized) e Charlie Quarterman (Holdsworth Zappi RT).

Saídas: John Degenkolb (Lotto Soudal), Fabio Felline (Astana), Michael Gogl (NTT), Fumiyuki Beppu (Nippo Delko One Provence), Alex Frame (sem equipa), Peter Stetina e Markel Irizar terminaram a carreira, Jarlinson Pantano terminou a carreira em Abril, depois de ter sido suspenso provisoriamente por suspeita de doping.

UAE Team Emirates
(© UAE Team Emirates)
Tadej Pogacar, Fabio Aru, Fernando Gaviria, Rui Costa, Sergio Henao, Jasper Philipsen, Ivo Oliveira, Rui Oliveira, Diego Ulissi, Tom Bohli, Sven Erik Bystrom, Valerio Conti, Alessandro Covi, Alexander Kristoff, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Juan Sebastián Molano, Cristian Camilo Muñoz, Yousif Mirza, Jan Polanc, Oliviero Troia, Edward Ravasi e Alexandr Riabushenko.

Reforços: Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos), Joe Dombrowski (EF Education First), Brandon McNulty (Rally UHC Cycling), Mikkel Bjerg (Hagens Berman Axeon), Alessandro Covi (Colpack), Andrés Camilo Ardila (EPM Scott).

Saídas: Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Rory Sutherland (Israel Start-Up Nation), Simone Consonni (Cofidis), Simone Petilli (Circus-Wanty Gobert), Manuel Mori e Roberto Ferrari terminaram a carreira, Kristijan Durasek foi despedido depois de ter sido suspenso por doping, até 2023.