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21 de setembro de 2018

Mais uma equipa que sai de cena e há outras em risco

Está a ser o salve-se quem puder em várias equipas e não está a ser possível para algumas salvarem-se. A Aqua Blue Sport foi a primeira a anunciar o final de um projecto que durou apenas dois anos. Segue-se agora um mais antigo e de diferente escalão, mas que tinha a sua importância na Grã-Bretanha. A JLT Condor não encontrou um patrocinador para substituir o que vai sair. Fim da linha. Nos Estados Unidos são duas equipas em perigo e no Canadá há mais uma que luta pela sobrevivência.

A BMC foi o caso mais mediático do ano. É uma equipa do World Tour, com alguns dos melhores ciclistas, vencedora de uma grande volta e de outras grandes corridas. Mesmo sendo uma equipa poderosa, sofreu para encontrar quem substituísse a marca de bicicletas, que não quer mais seguir como um patrocinador principal. Aliou-se entretanto à Dimension Data como fornecedor das bicicletas, enquanto a empresa polaca CCC (que apoia uma formação do segundo escalão) acabou por salvar a estrutura americana e vai agora para o World Tour, levando consigo o ciclista português Amaro Antunes.

A luta noutros escalões não é mais fácil. A Aqua Blue Sport tentou aliar-se à Vérandas Willems-Crelan, mas a estrutura belga preferiu seguir outro caminho. A equipa irlandesa, que nasceu acreditando ser possível sustentar-se através das vendas feitas no site dedicado à modalidade, não resistiu à falta de convite para corridas mais importantes. Fecharam-se as portas e nem a época terminou. A Vérandas Willems-Crelan irá juntar-se à holandesa Roompot-Nederlandse Loterij. Em 2019 será a Roompot-Crelan. Não deixa de ser mais uma equipa que desaparece.

A saída de patrocinadores cria uma enorme instabilidade, lançando os directores numa busca intensa por substitutos. Foi o que fez Grant Young, das bicicletas Condor. A seguradora JLT anunciou o fim do apoio, mas não foi encontrada uma solução. A equipa britânica, do escalão Continental e que já passou pela Volta a Portugal, viu-se obrigada a terminar um projecto que deu os primeiros passos em 2005. A equipa dava a oportunidade a muitos britânicos de começarem no profissionalismo.

A Grã-Bretanha arrisca-se a ficar apenas com quatro equipas no terceiro escalão, ou seja, Continentais, pois a One Pro Cycling, passou de sonhar com o World Tour, para ter de dar um passo atrás em 2018 e agora vai acabar com a equipa masculina, para apostar numa feminina. Matt Prior, o fundador da equipa, acredita que é no Women's World Tour que estão as melhores oportunidades. De referir, que haverá outra equipa a entrar no ciclismo feminino: a Trek-Segafredo.

Do outro lado do oceano a vida não está também nada fácil. A Jelly Belly vai deixar o ciclismo, depois de 19 anos a apoiar a equipa. É o fim dos famosos equipamentos com feijões coloridos. O director Danny Van Haute está em contra-relógio para salvar a equipa, tal como Thierry Attias, que viu a UnitedHealthcare também a não querer continuar a patrocinar a estrutura que engloba uma formação masculina (Profissional Continental) e feminina. Mais a norte, no Canadá, é a Silber Pro Cycling (Continental) que irá perder o seu benfeitor e corre o risco de terminar.

Esta é uma realidade que, infelizmente, não tem nada de novo e que ano após ano coloca sempre alguém à procura de soluções para salvar projectos. Uns mais antigos que outros, mas que têm em comum darem oportunidades a ciclistas de terem carreiras na modalidade e ainda dão a emprego a muitas mais pessoas que trabalham nos "bastidores".



15 de agosto de 2018

Um dos mais antigos patrocinadores despede-se do ciclismo

(Fotografia: Twitter Lionel Mawditt)
Os equipamentos nem sempre eram dos que tinham mais opiniões favoráveis. Mas certo é que camisolas com feijões coloridos nunca passaram despercebidas e nos Estados Unidos a equipa Jelly Belly há muito que reunia muitos adeptos, até porque aqueles feijões são difíceis de resistir quando se começa a comer. Porém, é o fim da linha para a Jelly Belly no ciclismo. A empresa anunciou que irá abandonar a modalidade 19 anos depois. É um dos patrocinadores mais antigos, mas chegou o momento de procurar novas oportunidades, segundo justificou um dos responsáveis.

"Apesar de termos apreciado esta longa relação com a equipa e com a modalidade do ciclismo, sentimos que é altura de procurar oportunidades mais próximas aos nossos programas de patrocínio, de acordo com os objectivos da empresa. Foi um prazer apoiar esta equipa e as suas corridas, de providenciar uma plataforma para identificar jovens talentos e para desenvolver e preparar atletas para avançarem para o nível mais alto da modalidade", disse o representante da Jelly Belly, Rob Swaigen.

O futuro da estrutura Continental é agora incerto. O director Danny Van Haute tem esperança que outro patrocinador surja e em declarações ao Velonews explicou: "Deverei saber algo dentro de duas semanas. Normalmente temos dois ou três anos de contrato com a Jelly Belly e depois os outros parceiros seguem o mesmo caminho."

A Jelly Belly - que este ano chama-se Jelly Belly powered by Maxxis - não é das equipas mais ganhadoras, mas tem tido o seu papel em dar oportunidades a jovens ciclistas, principalmente americanos. Por lá passou Tylar Farrar, que durante muitos anos representou a Garmin, tendo terminado a carreira no ano passado na Dimension Data. Phil Gaimon (também já retirado) é outro nome com ligações à equipa, assim como Lachlan Morton, que reavivou a carreira precisamente na Jelly Belly, depois de uns anos na Garmin, estando agora na Dimension Data.

Uma das principais corridas para a Jelly Belly era a Volta à Califórnia. Com a subida à categoria World Tour da prova, a equipa ainda conseguiu um convite em 2017, apesar de pertencer ao terceiro escalão. Esta ano ficou de fora, no que foi um rude golpe. Algumas das estruturas americanas, como a Hagens Berman Axeon e a Rally Cycling pediram a licença Profissional Continental, mas, infelizmente, a Jelly Belly sai de cena e não haverá mais os equipamentos com os feijões na estrada.

No Twitter da formação é possível ler várias mensagens a lamentar esta anunciada despedida, que estão a ser partilhadas pela equipa.