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30 de outubro de 2019

Volta à Califórnia não vai realizar-se em 2020

(Fotografia: © Amgen Tour of California)
A edição de 2020 da Volta à Califórnia foi cancelada. A organização fala num hiato, pois o objectivo passa por regressar em 2021, mas a decisão não deixa de ser um rude golpe no ciclismo americano, que perde a sua única corrida no World Tour. Também o pelotão sentirá a falta da corrida, pois apesar de se realizar ao mesmo tempo que a Volta a Itália, em Maio, sempre atraiu algumas figuras do ciclismo e até se tornou num local em que muitas principais formações aproveitavam para testar os seus jovens talentos. A única explicação avançada foi a necessidade de encontrar num novo "modelo de negócio" que permita recuperar a prova com sucesso já em 2021.

"Foi uma decisão muito difícil de tomar, mas as bases fundamentais do negócio da Amgen Volta à Califórnia mudaram desde que lançámos a corrida há 14 anos", afirmou a presidente da organização e vice-presidente executiva da AEG Sports, Kristin Klein. Acrescentou que apesar do orgulho em ter contribuído para o aumento da relevância no ciclismo, sobretudo nos Estados Unidos, "tornou-se mais desafiante organizar a corrida todos os anos.". "Esta nova realidade forçou-nos a reavaliar as nossas opções e estamos a analisar activamente todos os aspectos do evento para determinar se há um modelo de negócio que nos permita relançar com sucesso a corrida em 2021", frisou.

No comunicado divulgado é realçado como pela Volta à Califórnia passaram ciclistas que se tornaram figuras do ciclismo mundial e como é o "único evento do seu género que actualmente organiza uma corrida por etapas para homens e mulheres com prémio monetário igual". E é neste ponto que surgiram suspeitas que poderia estar o problema. Naquele estado, é obrigatório que o prize money seja o mesmo para ambos os sexos, mesmo que os dias de corrida não sejam os mesmos (sete contra três), o que poderia colocar pressão no orçamento. No entanto, rapidamente a hipótese foi afastada, já que o dinheiro para pagar estes prémios são apenas uma pequena parte do orçamento total de uma prova da magnitude da Volta à Califórnia.

A falta de exposição mediática é mais provável ser uma das razões na base da decisão. As audiências televisivas não serão o desejado, o que poderá estar a levar ao afastamento de actuais patrocinadores ou de potenciais patrocinadores. Chegaram a ser avançadas notícias que a organização - que têm contado com o apoio da ASO (da Volta a França, por exemplo) - tentou negociar com a UCI uma nova data para a corrida, que não fosse ao mesmo tempo que o Giro. A UCI estaria inclusivamente a pensar em tornar a prova californiana numa de preparação para a grande volta italiana. A nível financeiro, o impacto na economia da região ronda os 3,5 mil milhões de dólares, cerca de 3,1 mil milhões de euros.

A Volta à Califórnia foi crescendo de importância desde a sua primeira edição em 2006, ganha por Floyd Landis. Se no início foi mais centrada para o ciclismo da casa, aos poucos começou a atrair cada vez mais equipas do World Tour e algumas das principais figuras. O maior nome acabou por ser Peter Sagan. Pela Califórnia passou uma parte do sucesso deste eslovaco, que é recordista em vitórias de etapas (12) e até venceu uma geral em 2015. Foi o ano em que se descobriu que Sagan até poderia defender-se da montanha se tivesse a vitória na geral em mira, ainda que tenha sido uma das edições menos "agressiva" neste tipo de percurso. Foi uma vitória numa geral que ficou para a história do impressionante currículo deste ciclista, mais dado a ganhar etapas e clássicas. Sagan como que foi "adoptado" pelos americanos, com o próprio a não esconder o seu apreço pela aquela zona dos Estados Unidos. Até organiza um granfondo em San Diego. Curiosamente, em 2020 Sagan seria ausência garantida, já que vai estrear-se no Giro.

Julian Alaphilippe, George Bennett, Egan Bernal e este ano Tadej Pogacar, os ciclistas do futuro têm vencido nos últimos anos, numa lista de vencedores que conta ainda com Bradley Wiggins, Tejay van Garderen, Robert Gesink, Michael Rogers e Levi Leiphemer, o único a vencer por mais do que uma vez (três).

A Volta a Califórnia era uma corrida equilibrada, com etapas para sprinters, trepadores e com um contra-relógio para testar os dotes nesta vertente. Na Europa, a Volta a Califórnia acabava por ser transmitida em horário nobre, devido à diferença horária e ao longo dos anos alguns adeptos ficaram bem conhecidos, como o senhor do capacete de futebol americano com os chifres de alce.

Esta é a segunda prova das que subiram a World Tour em 2017 a sair do calendário da UCI para 2020. A Volta à Turquia não estava a cumprir com o regulamento, nomeadamente na obrigatoriedade de ter 10 equipas do principal escalão na prova. As formações do World Tour não são obrigadas a estar presentes nas corridas que subiram de nível naquele ano, ao contrário do que aconteceu nas restantes. A Volta à Califórnia nunca teve esse problema. A competição turca irá continuar com outra categoria. Quanto à californiana há que esperar para ver se de facto regressa em 2021, mas será uma ausência importante num calendário que não tem nenhuma corrida com relevância idêntica daquela que tinha a Amgen Tour of California, no nome original.


5 de outubro de 2019

W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
As reformas da UCI não estão a convencer as equipas em procurarem o escalão Profissional Continental, que a partir de 2020 se chamará ProTeam. A W52-FC Porto poderá ser uma dessas "vítimas", com a equipa portuguesa a não surgir na lista divulgada este sábado das formações que pediram licença para o primeiro e segundo escalão. Ainda o poderá fazer, mas as novas regras implicam um maior orçamento. Se não houver mais inscrições, o nível ProTeam passará das 24 equipas de 2019 para 17 em 2020.

As equipas que quiserem pertencer ao segundo escalão são obrigadas a ter 20 ciclistas, mais quatro dos que actualmente representam a W52-FC Porto. Além disso, o acesso às principais competições do World Tour também ficará mais difícil, já que o primeiro escalão deverá subir de 18 para 20 equipas, diminuindo o espaço para convites para as ProTeam e não apenas nas grandes voltas. A formação portuguesa poderá assim seguir o já anunciado passo da americana Hagens Berman Axeon, que optou por regressar ao nível Continental. Também a Burgos-BH não surge na lista, depois de duas temporadas como Profissional Continental.

Se a W52-FC Porto optar por regressar a Continental, Portugal voltará a ficar sem equipas num escalão superior, ficando todas novamente no terceiro. Poderá ainda significar uma diminuição no plantel, já que o calendário ficará mais curto.

Pior são as notícias do final da espanhola Euskadi-Murias, da holandesa Roompot-Charles e da italiana Nippo Vini Fantini Faizanè (a Nippo surge para 2020 com a francesa Delko Marseille Provence, que vai contar com José Gonçalves, enquanto a Faizanè reforça o orçamento da Bardiani). Já a Fundação Euskadi (com o nome Fundacion-Orbea) e a norueguesa Uno-X Norwegian Development Team querem subir.

Entretanto, a Cofidis e a Arkéa-Samsic poderão estar a caminho do World Tour, com as equipas a passarem a ser chamadas em 2020 de WorldTeam. O mesmo deverá acontecer com a Israel Cycling Academy que comprou a licença da Katusha-Alpecin, no entanto, terá de respeitar os critérios da UCI, que estão a ser analisados.

Outra das novidades da lista apresentada é a ausência da Vital Concept-B&B Hotels - que segundo o nome que surge para 2020 irá inverter a ordem dos patrocinadores - e da Total Direct Energie. Esta última não deixa de ser uma surpresa. A chegada da Total, já com a época a decorrer, trouxe um reforço no orçamento e um dos objectivos passava pela subida de escalão. Porém, a equipa irá permanecer mais um ano no segundo nível. Sendo assim, se todas as formações cumprirem com os requisitos, nenhuma das equipas que pediu para ser WorldTeam ficará de fora, já que haverão 20 licenças disponíveis para os próximos três anos, outra das mudanças implementadas pela UCI.

Equipas que pediram licença WorldTeam:
  • AG2R La Mondiale
  • Astana
  • Bahrain-Merida
  • Bora-Hansgrohe
  • CCC Team
  • Cofidis
  • Deceuninck-QuickStep
  • EF Education First
  • Groupama-FDJ
  • Lotto soudal
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • NTT Pro Cycling Team (actual Dimension Data)
  • Arkéa-Samsic
  • Ineos
  • Jumbo-Visma
  • Katusha-Israel Cycling Academy (está a ser analisada pela UCI)
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo
  • UAE Team Emirates
ProTeam:

  • Androni Giocattoli-Sidermec
  • B&B Hotels-Vital Concept
  • Bardiani CSF Faizanè
  • Caja Rural-Seguros RGA
  • Corendon-Circus
  • Fundacion-Orbea
  • Gazprom-Rusvelo
  • Nippo Delko Marseille Provence
  • Rally Cycling
  • Riwal Readynez Cycling Team
  • Sport Vlaanderen-Baloise
  • Novo Nordisk
  • Neri Sottoli Selle Italia KTM
  • Total Direct Energie
  • Uno-X Norwegian Development Team
  • Wallonie Bruxelles
  • Wanty Gobert-Tormans
WorldTeam feminino:

  • Alé BTC Ljubljana
  • Canyon-Sram Racing
  • CCC-Liv
  • FDJ Nouvelle-Aquitaine Futuroscope
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo

26 de junho de 2019

Volta à Turquia sai do calendário World Tour

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Os Jogos Olímpicos de Tóquio obrigaram a UCI a fazer alterações nas datas de algumas corridas, a começar pelo Tour. No entanto, no caso da Volta à Turquia, o organismo finalmente implementou o regulamento e tirou o estatuto de World Tour à prova, com a organização a poder pedir uma outra categoria, como integrar o ProSeries que arrancará em 2020.

Quando o calendário World Tour abriu portas a novas corridas, ao contrário das que já pertenciam a esta categoria, as novas não contariam automaticamente com todas as equipas do principal escalão. Além disso, as organizações ficaram obrigadas a garantir o mínimo de dez formações World Tour, pois dois anos sem atingir esse número levaria à perda de categoria. Em três edições, a Volta a Turquia contou com quatro em 2017, nove em 2018 e este ano seis. A UCI aplica assim finalmente o seu regulamento e tira a corrida do calendário mais importante do ciclismo.

É um fim mais do que esperado para a Volta à Turquia que começou mal no seu ingresso no World Tour e não conseguiu confirmar as expectativas que em tempos chegaram a tornar a prova uma que várias equipas e ciclistas gostavam bastante. Em 2017, na estreia, a organização pediu uma mudança de calendário, com a justificação que estava com dificuldades em atrair equipas, pois coincidia com a época de clássicas. A UCI acedeu e a prova realizou-se em Outubro.

Porém, a fraca adesão das formações, apenas 13 inscreveram-se e uma era a selecção turca, expôs o verdadeiro problema. A instabilidade política, os ataques terroristas tiveram peso na hora de decidir em viajar ou não à Turquia. Além disso, desportivamente, a Volta à Turquia também já não tinha o prestígio de outrora, apesar de ter subido de categoria. Os casos de doping, incluindo de um vencedor turco, geraram desconfiança.

Apesar de em 2018 a Volta à Turquia até ter sido animada, com Edu Prades (Euskadi-Murias) a ganhar a geral na última etapa a Alexey Lutsenko (Astana), a prova continuou sem atrair grandes nomes, o que se comprovou em 2019, com a organização a tentar revitalizar de vez a prova, passando para o calendário habitual em Abril. Foi a derradeira oportunidade que não foi aproveitada. As equipas World Tour continuaram sem colocar a Turquia como destino e as que colocaram não levaram muitas estrelas.

Os sprinters são quem mais gostam da prova, mas ainda assim houve anos com nomes mais fortes, casos de Mark Cavendish e André Greipel. Agora é aguardar para perceber o futuro de uma corrida onde não falta dinheiro para organização, mas que se tornou em mais um o exemplo de não ser o suficiente para se tornar numa corrida de topo. De referir, que há um português entre os vencedores: José Gonçalves, então na Caja Rural, conquistou a Volta à Turquia em 2016.

Relativamente às restantes alterações para 2020, a Volta a França vai realizar-se uma semana mais cedo, para evitar "chocar" com os Jogos Olímpicos. Será de 27 de Junho a 19 de Julho, o que está, ainda assim, a levantar dúvidas sobre a escolha de alguns ciclistas que queiram lutar pelo ouro olímpico. Falhar o Tour ou sair mais cedo poderá ser a opção, ou então não ir aos Jogos. Fazer as duas corridas, dado os seis dias para recuperar com uma longa viagem para fazer, será um plano difícil de concretizar.

Também devido aos Jogos Olímpicos, a Volta à Polónia passa para Julho em vez de Agosto e a clássica Prudential RideLondon-Surrey vai realizar-se uns dias mais tarde.

De salientar que a Volta à Espanha vai ganhar um dia, mas será de folga. Como a partida estar marcada para Utrecht, na Holanda, será necessário um dia para as equipas fazerem a viagem para Espanha. Ou seja, a última grande volta do ano começará a uma sexta-feira, dia 14 de Agosto, para terminar a 6 de Setembro. Esta folga extra também aconteceu no Giro de 2018, quando a partida foi em Israel, o que significa que ao fim de três dias de competição, haverá uma paragem na Vuelta, mas mantém-se as 21 etapas.

Quanto ao calendário feminino, as principais mudanças também se prendem com a mudança de datas devido aos Jogos e com a saída da Prudential RideLondon-Surrey.

O calendário completo de todas as categorias será conhecido em Setembro, segundo informou a UCI.

Calendário World Tour masculino:

21 a 26 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
2 de Fevereiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
23 a 29 de Fevereiro: Volta aos Emirados Árabes Unidos
29 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica)
7 de Março: Strade Bianche (Itália)
8 a 15 de Março: Paris-Nice (França)
11 a 17 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
21 de Março: Milano-Sanremo (Itália)
23 de 29 Março: Volta à Catalunha (Espanha)
25 de Março: AG Driedaagse Brugge-De Panne (Bélgica)
27 de Março: E3 BinckBank (Bélgica)
29 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
1 de Abril: Através da Flandres (Bélgica)
5 de Abrill: Volta a Flandres (Bélgica)
6 a 11 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
12 de Abril: Paris-Roubaix (França)
19 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
22 de Abril: La Flèche Wallonne (Bélgica)
26 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Beégica) 
28 de Abril a 3 de Maio: Volta à Romandia (Suíça)
1 de Maio: Eschborn-Frankfurt (Alemanha)
9 a 31 de Maio: Volta a Itália
10 a 16 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
31 de Maio a 7 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
6 a 14 de Junho: Volta à Suíça
27 de Junho a 19 de Julho: Volta a França
5 a 11 de Julho: Volta à Polónia
25 de Julho: Clássica de San Sebastian (Espanha)
14 de Agosto a 6 de Setembro: Volta a Espanha
16 de Agosto: EuroEyes Cyclassics Hamburg (Alemanha)
16 de Agosto: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
23 de Agosto: Bretagne Classic - Ouest-France (França)
31 de Agosto a 6 de Setembro: BinckBank Tour (Bélgica)
11 de Setembro: Grande Prémio de Quebéque (Canadá)
13 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
10 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
15 a 20 de Outubro: Gree - Volta a Guangxi (China)

Calendário World Tour feminino:

1 de Fevereiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
7 de Março: Strade Bianche (Itália)
15 de Março: Ronde van Drenthe (Holanda)
22 de Março: Troféu Alfredo Binda – Comune di Cittiglio (Itália)
26 de Março: AG Driedaagse Brugge – De Panne (Bélgica)
29 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
5 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
19 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
22 de Abril: La Flèche Wallonne (Bélgica)
26 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
7 a 9 de Maio: Volta à Ilha de Chongming (China)
14 a 16 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
8 a 13 de Junho: OVO Energy Women’s Tour (Grã-Bretanha)
26 de Junho a  5 de Julho: (Volta a Itália)
10 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
8 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden TTT (Suécia)
9 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden RR (Suécia)
13 a 16 de Agosto: Volta à Noruega
22 de Agosto: GP de Plouay – Lorient Agglomération Trophée WNT (França)
25 a 30 de Agosto: Boels Ladies Tour (Holanda)
5 a 6 de Setembro: Ceratizit Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)

2 de abril de 2019

Corrida aos pontos. 23 equipas querem ser World Tour em 2020

(Fotografia: © João Fonseca/Volta ao Algarve)
Com 18 vagas disponíveis, a corrida pelos pontos vai ser mais acesa do que nunca. A UCI poderá aumentar o número de vagas para 20 para evitar problemas legais, devido à recente mudança de regulamento, mas continuarão a faltar lugares para todos os pretendentes. As francesas Direct Energie (futura Total), Arkéa Samsic, Vital Concept-B&B Hotels e Cofidis juntam-se à Israel Cycling Academy no que será uma autêntica competição por um lugar ao mais alto nível, o que poderá ser uma dor de cabeça para algumas equipas que estão actualmente no principal escalão.

As equipas que pretendem ter uma licença World Tour tinham de apresentar a candidatura até 1 de Abril e esta terça-feira a UCI confirmou os pedidos que recebeu. Agora é altura das formações garantirem que têm acesso a nível desportivo, o que significa recorrer aos pontos conquistados para o ranking por equipas. Há que salientar que os pedidos de licença não dependem apenas do mérito desportivo, com as estruturas a terem de respeitar regras financeiras, éticas, organizacionais e administrativas.

Porém, vai ser na corrida aos pontos que muito se centrará a restante temporada. Com a mudança de regulamento quanto aos convites para as grandes voltas, por exemplo, as equipas Profissionais Continentais já têm estado muito activas para os conquistar e assim terminar entre as duas melhores do escalão. Isto garantirá um lugar nas grandes voltas, não tendo de depender de convites. As organizações continuarão a ter direito a atribuir dois wildcards. Contudo, esta regra poderá ser suspensa. E será apenas uma das mudanças, ainda que provisória.

A pontuação das equipas reflecte o que têm alcançado nos últimos três anos. O Cycling News explica que esta forma de contagem poderia criar um problema legal, já que há uma potencial exclusão de equipas que estão actualmente no World Tour. Com as equipas a não se preocuparem muito com o somar de pontos até à mudança de regulamento, faz com que há dois/três anos, os pontos serviam mais para ganhar o ranking, então World Tour (foi extinto esta época) e não para garantir uma licença.

O site fez as contas e significaria que a Dimension Data e a Katusha-Alpecin, por exemplo, estariam em maus lençóis. Para evitar questões legais, a UCI vai, segundo o Cycling News, aumentar o número de licenças World Tour para 20, entre 2020 e 2022. De recordar que as licenças passaram a ser atribuídas por mais do que um ano para assim dar alguma segurança às estruturas e aos patrocinadores que nelas investem. Com este aumento, a UCI evita questões legais e o possível fim de algumas estruturas, já que ao não ter um lugar garantindo nas principais competições, com a Volta a França à cabeça, poderá levar alguns patrocinadores a sair ou a escolher outras equipas.

Com 20 lugares disponíveis, a Dimension Data e a Katusha-Alpecin poderão respirar um pouco de alívio, ainda que não muito. As equipas continuam a mostrar grandes dificuldades em alcançar bons resultados, com as suas estrelas a estarem muito apagadas. Não é preciso ganhar para somar pontos, ainda que ajude e muito, mas as classificações dos ciclistas destas duas formações não são animadoras.

A confirmar-se o alargamento, isto significaria que os tais dois lugares garantidos para as equipas Profissionais Continentais nas grandes voltas seria suspenso, mantendo-se apenas os convites. A UCI não quer aumentar o número de equipas nas corridas, pelo que se mantém o limite actual de 22 nas grandes voltas.

Mesmo com 20 vagas, continuam três equipas em risco de ficar de fora. A corrida aos pontos até já anda animada. A Israel Cycling Academy está a tentar colocar ciclistas seus em variadas provas de forma a tentar ir somando pontos onde possa. Para já, é a Cofidis que está na linha da frente para ser uma das que subirá ao World Tour, o que neste caso significará um regresso ao escalão máximo da equipa francesa.

Esta corrida aos pontos explica porque cada vez mais se vêem ciclistas a sprintarem por lugares inferiores, mas que ainda ajudam a somar uns pontinhos que podem ser importantes no final da temporada.

Esta situação de 20 equipas poderá ser novamente alterada em 2023, quando forem atribuídas as novas licenças. O mesmo site refere que a UCI pretende regressar às 18 equipas do World Tour, numa altura que já todas as formações sabem o que têm de fazer desportivamente para garantir que continuam ao mais alto nível.


10 de setembro de 2018

Amaro Antunes vai para o World Tour

O momento chegou para Amaro Antunes. O ciclista algarvio vai estar ao mais alto nível do ciclismo e estão escancaradas as portas para finalmente se estrear numa grande volta. A salvação da BMC passou pela parceria da CCC com a Continuum Sports, dona da estrutura. A marca polaca substituirá a das bicicletas suíças - que não irá continuar como patrocinadora - e não sendo esta uma fusão entre duas equipas, ficou indefinido o futuro dos ciclistas da formação Profissional Continental. Amaro Antunes vê agora a sua questão resolvida e Portugal terá mais um representante no principal escalão da modalidade.

Depois de uma temporada avassaladora na W52-FC Porto, Amaro escolheu a CCC Sprandi Polkowice para prosseguir a carreira, num passo que considerou o ideal, em vez de tentar logo saltar para o World Tour. Queria ser líder e a equipa polaca deu-lhe essa oportunidade. Não foi uma época fácil. Começou com a desilusão de a equipa não receber o convite para a Volta ao Algarve, onde em 2017 Amaro tinha vencido no Alto do Malhão. Tinha começado um ano com um excelente 10º na Volta à Comunidade Valenciana, mas na Ruta del Sol - que se realiza nas mesmas datas da Algarvia - estava a continuar o bom momento quando caiu e ficou muito mal tratado, principalmente numa mão.

A CCC não conseguiu ter outro convite: o do Giro. Em 2017 participou na corrida, mas este ano a escolha foi para a Israel Cycling Academy, já que a corrida começava precisamente em Israel. Com o Tour e Vuelta fora de questão, o sonho de uma grande volta ficou adiado para Amaro. As vitórias chegaram finalmente no Tour de Malopolska, na Polónia, com um triunfo de etapa e na geral. Novo golpe em Agosto, quando uma lesão o afastou do principal objectivo da época, a Volta à Polónia. Apesar dos azares, a qualidade deste ciclista foi reconhecida.

"É um sonho tornado realidade ir para o World Tour com a Continuum Sports. É uma enorme motivação para mim e estou ansioso por começar o próximo ano. O meu objectivo principal é alcançar bons resultados nas mais importantes corridas do World Tour e ajudar a equipa o máximo possível. É uma honra e uma grande responsabilidade trabalhar com alguns dos melhores ciclistas do mundo", afirmou Amaro Antunes, que depois de uma excelente notícia, espera ainda pela possibilidade surgir mais uma. O algarvio está entre os pré-convocados para os Mundiais de Innsbruck, com oito candidatos para quatro vagas: Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), José Mendes (Burgos BH), Nelson Oliveira (Movistar), Rúben Guerreiro (Trek-Segafredo), Rui Costa (UAE Team Emirates) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin).

Com a indefinição do futuro da BMC a durar até muito tarde na temporada, vários ciclistas acabaram por escolher outras equipas para prosseguirem a carreira em 2019. Isto tem significado a perda da maioria dos corredores com características de trepadores. Amaro Antunes pode ter assim a oportunidade de assumir um papel relevante dentro da equipa, que ainda não tem nome definido. Richie Porte, Tejay van Garderen, Dylan Teuns e Nicolas Roche, por exemplo, assinaram já por outras equipas (Trek-Segafredo, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Bahrain-Merida e Sunweb, respectivamente).

Quando a nova parceria foi anunciada em Julho, durante a Volta a França, Greg van Avermaet foi anunciado como o líder, numa equipa que seria construída a pensar no homem das clássicas e com foco neste tipo de corridas. No entanto, foi confirmado que Geraint Thomas recebeu uma proposta, mas o britânico e vencedor do último Tour, optou por renovar por três anos pela Sky. Ainda assim, aos poucos a equipa vai construindo um bloco para provas por etapas.

"O Amaro irá ter um papel chave na equipa e terá também as suas oportunidades. A sua aptidão para subir está comprovada e com a nossa perícia nos contra-relógios, poderemos fazer melhorias nessa disciplina, que irá contribuir naturalmente para os seus resultados nas corridas por etapas", realçou Jim Ochowicz. O director da BMC - e que manterá o cargo - referiu aquele que é o ponto fraco do algarvio, que, ainda assim, tem vindo a trabalhar muito, principalmente nos últimos dois anos.

"Estamos entusiasmados em dar as boas-vindas a Amaro Antunes à Continuum Sports. O Amaro é um dos maiores talentos a vir de Portugal e será o primeiro português a correr na Continuum Sports. Apesar de ser a sua primeira temporada no escalão Profissional Continental, o Amaro já tinha impressionado no passado, com alguns resultados sólidos contra ciclistas do World Tour. Sentimos que podemos continuar a desenvolver o talento puro do Amaro e ajudá-lo a atingir o seu potencial", referiu o responsável, através de um comunicado.

A equipa tem até ao momento 15 ciclistas confirmados para 2019, pelo que as contratações ainda não estão fechadas. Apenas seis transitaram até ao momento da actual BMC: Greg van Avermaet (Bel, 33), Alessandro De Marchi (Ita, 32), Joey Rosskopf (EUA, 29), Patrick Bevin (NZ, 27), Michael Schär (Sui, 31) e Nathan Van Hooydonck (Bel, 22).

Três foram chamados da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes (Por, 27) e Lukasz Owsian (Pol, 28), Szymon Sajnok (Pol, 21).

Os reforços de outras equipas são: Simon Geschke (Ale, 32, actualmente na Sunweb), Gijs Van Hoecke (Bel, 26, Lotto-Jumbo), Serge Pauwels (Bel, 34, Dimension Data), Guillaume Van Keirsbulck (Bel, 27, Wanty-Groupe Gobert), Josef Cerny (Che, 25, Elkov-Author Cycling Team) e Will Barta. O americano, de 22 anos, acaba por ser um dos grandes destaques. É mais um dos talentos que está a ser formado na Hagens Berman Axeon.


Dimension Data vai reduzir número de ciclistas africanos

(Fotografia: © Stiehl Photography/Dimension Data)
Depois de três anos no World Tour, a Dimension Data não quer perder a sua identidade africana, mas em nome da sustentabilidade, terá de reduzir a aposta nos ciclistas daquele continente. As mudanças previstas para 2020 e que podem incluir a redução de formações no World Tour de 18 para 15, levou os responsáveis a mudar um pouco a estratégia para garantir a continuidade ao mais alto nível e, assim, poder manter a sua aposta em alguns corredores africanos.

Actualmente, quase metade do plantel provém do continente africano, isto é, 13 dos 27 ciclistas que compõem a Dimension Data. Dos três estagiários que chegaram em Agosto, há mais um africano a contabilizar. "Haverá algumas decisões a tomar. Uma será reduzir a nossa pegada africana, para que tenhamos maior profundidade e qualidade", afirmou Doug Ryder, O director não fecha a porta para que no futuro próximo a aposta em ciclistas africanos volte a aumentar, mas agora é preciso de alterar a filosofia.

"A nossa sustentabilidade é o mais importante. Os ciclistas que estamos a trazer para a equipa são agora de todo o lado", salientou. Mas ficou a garantia: "Se o nosso foco mudou? Não. Se nos preocupamos com África e em mobilizar o continente através das bicicletas? Completamente." Porém, não esconde: "Se vamos andamos para trás e para a frente? Infelizmente, hoje sim."

Nos três anos em que está no World Tour, a formação sul-africana tem sido sempre última do ranking, lugar que ocupa neste momento. No entanto, Ryder salienta que 2018 está a ser a pior temporada de sempre. São apenas sete as vitórias, com as últimas duas a dar uma ajuda preciosa à equipa, com Ben King a conquistar duas etapas da Vuelta. Em 2016 foram 32 e em 2017, 25. Apesar da falta de rendimento de alguns ciclistas, a Dimension Data não tem estado imune aos azares. Mark Cavendish soma quedas e parou novamente devido ao regresso do vírus Epstein-Barr, que no ano passado provocou-lhe uma mononucleose. Edvald Boasson Hagen começou o ano na mesa de operações e Bernard Eisel também teve de parar depois de uma cirurgia ao cérebro.

A estrela em ascensão, Ben O'Connor parecia estar a caminho de um top 10 no Giro, mas caiu, partiu a clavícula e abandonou. "Pensava: 'Estão a brincar comigo?' É como se alguém tivesse feito uma boneca voodoo para a Dimension Data, espetou-lhe e bateu com ela na mesa", disse, citado pelo Cycling Weekly.

Doug Ryder não quer apenas que a equipa comece a ganhar mais. É preciso ganhar nas corridas do World Tour. Por isso, a aposta está a ser em ciclistas com mais experiência: Michael Valgren (26 anos, Astana), Roman Kreuziger (32, Mitchelton-Scott), Enrico Gasparotto (36, Bahrain-Merida), Danilo Wyss (33, BMC) e Lars Ytting Bak (38, Lotto Soudal). Rasmus Tiller (22, Joker Icopal) é, até ao momento, a aposta mais jovem para 2019, a nível de reforços.

"Nós queremos mobilizar o continente africano com o sucesso desta equipa. Queremos criar um herói africano. Não o podemos fazer se não existirmos", salientou. A Dimension Data continua a ser uma forma de angariar dinheiro para depois distribuir bicicletas por África. Mais de 80 mil já foram entregues e Ryder confessa como perfeito seria um dia, uma das crianças que começou a andar numa dessas bicicletas ganhar a Volta a França.

Num objectivo mais próximo, a equipa quer ver um africano no pódio de uma grande volta, principalmente na francesa. Louis Meintjes regressou à formação que o lançou, depois de uma passagem pela Lampre-Merida/UAE Team Emirates, para tentar ser esse herói, mas 2018 está a ser para esquecer, tanto no Giro, como agora na Vuelta. Daniel Teklehaimanot chegou a ter esse estatuto de herói quando vestiu a camisola da montanha no Tour em 2015. O ciclista acabou por não conseguir manter o sucesso e no final do ano passado o seu contrato não foi renovado. Está na Cofidis.

Ryder refere ainda como é complicado ter africanos numa equipa a nível financeiro, pois, disse, custam três vezes mais quando é preciso viajar: "Já falei com o Comité Olímpico Internacional para criar um passaporte do atleta, para que os nossos atletas possam viajar mais facilmente."

"Temos de nos focar. O nosso orçamento é limitado. Não podemos ser tudo para todos, senão vamos ser nada para ninguém", salientou Ryder, que tudo fará para manter o estatuto World Tour. E precisamente por o dinheiro não abundar, o futuro de Cavendish continua incerto. O britânico é dos ciclistas mais bem pagos do pelotão, mas o seu rendimento está longe do que era. Para permanecer na Dimension Data terá provavelmente de concordar um corte no salário e aceitar que já não será a principal aposta da equipa, que para sobreviver ao mais alto nível quer abrir o leque de possibilidades de ciclistas vencerem e não centrar tanto num.

Ben O'Connor é a estrela em ascensão, Valgren vai chegar à equipa para vencer clássicas e espera-se que Meintjes possa regressar à consistência de épocas anteriores (top dez em grandes voltas é com ele quando está bem). Apesar da então anunciada redução de ciclistas africanos, ainda assim, já estão confirmados nove para 2019, mas não significa que a redução não venha a ter efeitos nas próximas temporadas, até a equipa entrar no rumo desejado para que possa regressar à sua génese, de ser uma porta de entrada de ciclistas africanos para o mais alto nível do ciclismo mundial.

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21 de janeiro de 2018

Os portugueses no World Tour e as expectativas para 2018

São seis os portugueses que este ano estão no World Tour e todos estiveram em acção na primeira prova do ano, no Tour Down Under. Em 2018 não haverá nenhuma estreia lusa no principal escalão, mas houve duas saídas. José Mendes terminou contrato com a Bora-Hansgrohe e está agora na espanhola Burgos-BH. Já André Cardoso continua provisoriamente suspenso enquanto espera pela resolução do processo sobre o teste positivo de doping, que foi conhecido pouco antes da Volta a França. O ciclista de Gondomar tinha apenas um ano de contrato com a Trek-Segafredo. Rui Costa, Tiago Machado e Nelson Oliveira são os mais experientes que continuam no World Tour, enquanto o campeão nacional Ruben Guerreiro (que bem que começou a época), Nuno Bico e José Gonçalves iniciam o segundo ano junto da elite do ciclismo mundial.

O que se pode esperar destes ciclistas?

Rui Costa (31 anos, UAE Team Emirates)
(Fotografia: UAE Team Emirates)
Será um ano muito importante para o campeão do mundo de 2013. Está em final de contrato e o seu estatuto na equipa sofreu um forte revés com a chegada de Fabio Aru e Daniel Martin. Tanto o italiano como o irlandês serão os líderes nas grandes voltas e mesmo nas clássicas das Ardenas, poderá não ser fácil a Rui Costa ter o seu espaço. Para o poveiro é essencial mostrar que sabe jogar em equipa, mas também que podem continuar a contar com ele para lutar por vitórias, como aconteceu no ano passado, quando teve um arranque de temporada muito forte, com triunfos na Volta a San Juan (na etapa rainha) e em Abu Dhabi (etapa e geral).

Ainda se desconhece qual das grandes voltas irá estar, pelo que para já terá como um dos principais objectivos lutar na clássica e monumento que tanto gosta e onde já fez pódio: Liège-Bastogne-Liège.

Depois do 35º lugar na Austrália, a 3:11 minutos do vencedor, o sul-africano Daryl Impey (Mitchelton-Scott). Rui Costa segue para Omã, Abu Dhabi, Paris-Nice, País Basco e o trio das Ardenas: Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège. Chegou o momento de Rui Costa puxar dos galões de campeão do mundo.

Tiago Machado (32 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Aquele Tiago Machado lutador, que tanto animava corridas, deu lugar a um homem de confiança para os líderes da Katusha-Alpecin. É esse o papel que continuará a desempenhar, mas é impossível mantê-lo "fechado" nessa função e certamente que terá a oportunidade para se mostrar, como sempre o fez. Porém, com a equipa liderada por José Azevedo a ficar mais forte com a chegada de Marcel Kittel e com Ilnur Zakarin a ter expectativas redobradas depois do pódio na Vuelta, Machado tanto terá de ajudar a preparar terreno para os sprints do alemão, como ser um dos homens ao lado do russo.

É precisamente por esta capacidade de fazer diferentes tipos de trabalho que Tiago Machado continua a ser tão valorizado na equipa. Claro que esperamos sempre vê-lo novamente na luta por vitórias, como aconteceu em 2017 na Liège-Bastogne-Liège, mas não haverá dúvidas que será dos mais felizes quando um dos seus companheiros triunfar. É o ciclista de equipa por excelência.

O seu contrato foi renovado apenas por um ano, mas não é algo que abane a convicção de Machado, que cada dia que vive no ciclismo e que tanto partilha nas redes sociais, é um dia de alegria contagiante. Depois da Austrália, onde terminou na 58º posição e 13:50, o português vem até à Volta ao Algarve.

Nelson Oliveira (28 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
A queda no Paris-Roubaix estragou boa parte da temporada a Nelson Oliveira, que apareceu forte a terminar o ano, com o quarto lugar nos mundiais de contra-relógio como destaque (e que destaque!). Em condições normais, o ciclista português deverá regressar ao seu papel de fiel homem de trabalho seja para Nairo Quintana, Alejandro Valverde e agora Mikel Landa. Porém, as clássicas do pavé são uma paixão e deverão ser novamente uma aposta. Foi 18º na Volta a Flandres e tem capacidade (e principalmente muita vontade) para estar na luta por melhor.

Claro que também se espera por ver onde mais poderá levar as suas qualidades de contra-relogista. Se não tiver de poupar esforços a pensar noutras etapas para ajudar os líderes, a Movistar poderá muito bem tirar o melhor partido de um corredor que já pede uma nova grande vitória, depois da etapa na Vuelta em 2015.

O contrato foi renovado até 2019, o que demonstra a confiança da equipa espanhola em Nelson Oliveira que quererá realizar um ano forte depois de um 2017 prejudicado pela tal queda. Para já, o corredor está claramente a ganhar forma, como comprova o 58º posto no Tour Down Under, a 14:18 minutos de Impey.

José Gonçalves (28 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
O World Tour pode ter chegado mais tarde do que se esperava, mas José Gonçalves rapidamente conquistou o seu lugar na equipa e, principalmente, o respeito como um ciclista de qualidade, tanto a trabalhar para os líderes, como a estar na frente da corrida. Vencer a Ster ZLM confirmou um estatuto de ciclista a dar oportunidades e ganha a experiência que o próprio admitiu que lhe faltou, por exemplo, na Strade Bianche, 2018 é um ano que promete.

Em perspectiva está uma estreia na Volta a França. Ilnur Zakarin vai apostar no Tour e depois de ter estado tão bem ao lado do russo no Giro - na Vuelta caiu e abandonou muito cedo - é possível que seja um dos eleitos. Depois é esperar para saber como será organizada a equipa nas provas de uma semana e clássicas. Há líderes para quase todas as corridas, mas depois da época de estreia, será difícil o gémeo Gonçalves não ter a sua oportunidade.

Se não houvesse total confiança de tudo o que pode dar à Katusha-Alpecin, não teria visto o seu contrato ser renovado por dois anos. A tranquilidade que daí advém poderá ser mais um factor importante nas exibições do ciclista. No Tour Down Under foi 85º, a 24:58 de Daryl Impey. A ganhar forma, certamente, quem sabe para a Volta ao Algarve...

Nuno Bico (23 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
Começar a temporada com uma queda que deixou marcas bem visíveis, nunca é o desejado. Porém, foi também uma forma de demonstrar o carácter de Nuno Bico. Aguentou, terminou esse dia debaixo de um calor insuportável e ficou mesmo até final do Tour Down Under. A Movistar deu tempo e espaço para o jovem ciclista se adaptar ao mais alto nível do ciclismo em 2017. A época teve alguns altos e baixos, com lesões, mas o melhor de Nuno Bico ainda está para vir.

É o último ano de contrato, o que pode sempre provocar alguma pressão. No entanto, o ciclista deverá concentrar-se em mostrar aquele lado decidido com que enfrenta as corridas, sempre acreditando que o melhor pode acontecer. Agora que já passou a fase de deslumbre por estar ao lado das referências mundiais do ciclismo, Bico não tem a obrigatoriedade de começar a ganhar, longe disso, contudo, há que mostrar que está a evoluir como é esperado.

A equipa espanhola valoriza muito esta fase dos seus jovens ciclistas. Aponta para uma evolução cuidada, com timings certos para soltar o talento. Pede-se consistência, demonstração de qualidade, como o tentou fazer na Austrália antes da queda. Bico foi 67º, a 17:15 minutos, no Tour Down Under.

Ruben Guerreiro (23 anos, Trek-Segafredo)
(Fotografia: Trek-Segafredo)
Tendo em conta o que aconteceu na Austrália, pode-se dizer que se guardou o melhor para o fim! Ruben Guerreiro parece dar-se bem com o calor daquele país, pois há um ano começou por destacar-se ao chegar a liderar a classificação da juventude. A época sofreu uns percalços, mas houve tempo para ser campeão nacional de elite, na primeira vez que participou na corrida neste escalão. E foi com esta camisola vestida que foi fazer top 10 no Tour Down Under. Uma prova World Tour, é preciso não esquecer. Foi nono, a 23 segundos de Impey e a apenas três de Egan Bernal (Sky) na classificação da juventude.

Ruben Guerreiro figura nas listas dos meios de comunicação social especializados de um dos jovens a seguir com atenção. É mais um "produto" da equipa de Axel Merckx e precisa de encontrar alguma estabilidade, ou seja, uma época sem problemas físicos, que o permita manter a forma e apontar às corridas que melhor lhe assentam resultados bem positivos. O campeão nacional vai continuar pela Austrália para a Cadel Evans Great Ocean Race e Herald Tour e depois do que fez a abrir, a Trek-Segafredo vai querer ver o que mais poderá render o português.

Volta ao Algarve, Settimana Internazionale Coppi e Bartali, Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège, Volta à Califórnia e Critérium du Dauphiné são as corridas previstas no seu calendário. Em final de contrato, Guerreiro tem tudo para singrar no World Tour e o próprio estará mais do que entusiasmado para que todos comecem a conhecer bem o seu nome. Se assim for, uma renovação chegará com naturalidade.

»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

»»"Gostaria muito de voltar a trabalhar com o Nelson Oliveira"

11 de dezembro de 2017

UCI confirma licenças. Seis novas equipas Profissionais Continentais e uma que fica em suspenso

Estão confirmadas as equipas que vão competir no escalão World Tour e Profissional Continental. Se no principal não há novidades, já no segundo haverá seis equipas novas, duas das quais espanholas, três americanas e uma francesa. A única dúvida é a Aqua Blue Sport. O pedido de licença da formação irlandesa ainda está a ser analisado. Para já são 26 as que vão para a estrada em 2018, neste segundo escalão.

A questão da Aqua Blue Sport não foi esclarecida. A equipa divulgou um comunicado, no qual explica que "continua a trabalhar com a Comissão de Licenças para assegurar que todos os critérios para atribuição [da licença] são cumpridos de acordo com os regulamentos da UCI". Salienta que não fará mais comentários até o caso estar resolvido, partilhando o discurso da UCI. Garante apenas que os ciclistas vão continuar concentrados em preparar a próxima temporada. As equipas têm de corresponder aos critérios ético, financeiro, administrativo e organizacional para obterem as licenças que solicitam.

A equipa irlandesa estreou-se em 2017 e conseguiu um convite para estar na Volta a Espanha. Sofreu um enorme percalço quando o autocarro foi vandalizado e parte ardeu. No imediato as equipas presentes ajudaram no que foi preciso, mas foi de Portugal que chegou o autocarro "suplente", cedido pela LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. A Aqua Blue Sport acabou por ter um grande momento quando Stefan Denifl ganhou uma etapa. Ao todo a equipa somou quatro vitórias, a primeira na Volta a Suíça, por Larry Warbasse. A estrela da equipa é o sprinter britânico Adam Blythe, campeão nacional em 2016, que representou equipas como a Tinkoff, Orica e BMC.

Quanto às novas equipas Profissionais Continentais, já era conhecida a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, que este ano contou com os gémeos Oliveira e em 2018 tem já confirmado João Almeida. Junta-se a Rally Cycling - presença habitual nas provas de início de temporada em Portugal - e a Holowesko-Citadel powered by Arapahoe Resources, também dos Estados Unidos. Em Espanha confirma-se a subida de duas formações também bem conhecidas por cá: a Euskadi Basque Country-Murias e a Burgos-BH, que reforçou-se com o português José Mendes. O novo projecto francês, Vital Concept, será uma equipa que irá receber certamente atenção, pois conta com o sprinter Bryan Coquard.

De referir ainda a Caja Rural que terá na sua equipa pelo segundo ano Rafael Reis, enquanto Joaquim Silva deixa a W52-FC Porto para agarrar um novo desafio na formação espanhola. Amaro Antunes estará na polaca CCC Sprandi Polkowice e Ricardo Vilela na colombiana Manzana Postobón. Portugal continua sem representantes a nível de equipas, mas quem sabe em 2019 a história seja outra...

No World Tour mantém-se as 18 equipas que competiram em 2017. Porém, apesar de na lista divulgada só aparecer um dos novos nomes, a EF Education-Drapac powereb by Cannondale, haverá outras duas alterações: a FDJ passará a ser a Groupama-FDJ, enquanto a Orica-Scott será a partir de 1 de Janeiro a Mitchelton-Scott.

Licenças atribuídas pela UCI

World Tour: AG2R La Mondiale (FRA), Astana (CAZ), BMC (EUA), Bora-Hansgrohe (ALE), Dimension Data (RSA),  EF Education First-Drapac powered by Cannondale (EUA), Francaise des Jeux (FRA), Movistar (ESP), Mitchelton Scott (AUS), Bahrain Merida (BAH), Katusha-Alpecin (SUI), Lotto-Jumbo (HOL), Lotto Soudal (BEL), Quick Step Floors (BEL), Sky (GB), Sunweb (ALE), Trek-Segafredo (EUA), UAE Team Emirates (EAU).

Profissionais Continentais: Androni Giocattoli (ITA), Aqua Protect Veranclassic (BEL), Bardiani CSF (ITA), Burgos-BH (ESP), Caja Rural- Seguros RGA (ESP), CCC Sprandi Polkowice (POL), Cofidis (FRA), Cycling Breizh (Fortuneo Oscaro) (FRA), Delko Marseille (FRA), Direct Energie (FRA), Euskadi Murias (ESP), Gazprom-Rusvelo (RUS), Hagens Berman Axeon (EUA), Holowesko Citadel (EUA),Israel Cycling Academy (ISR), Manzana Postobon (COL), Nippo-Vini Fantini (ITA), Rally Cycling (EUA), Roompot (HOL), Sport Vlaandaren-Baloise (BEL), Novo Nordisk (EUA), Unitedhealthcare (EUA), Veranda's Willems Crelan (BEL), Wanty (BEL), Wilier Triestina-Selle Italia (ITA), Vital Concept (FRA).

Em análise: Aqua Blue Sport.

»»FDJ terá novo nome e mais dinheiro em 2018««

»»Kittel autorizado a vestir equipamento da Katusha-Alpecin para mostrar "hipocrisia da UCI"««

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1 de agosto de 2017

BMC vai acabar com estrutura de sub-23 depois de ver os jovens ciclistas assinar por outras equipas

(Fotografia: Facebook BMC)
O projecto de formação da BMC já permitiu a alguns ciclistas entrar no World Tour e num futuro próximo ameaçam tornarem-se bastante importantes. No entanto, a equipa americana não tem capacidade para integrar todos na sua estrutura principal e também não consegue igualar propostas que chegam de outras formações e que levam os ciclistas que a BMC desenvolveu. Perante a dúvida se compensa apostar na formação de jovens para depois os ver noutras equipas, os responsáveis da BMC optaram por colocar um ponto final na formação de sub-23.

"É esse o problema com a modalidade. Queremos desenvolver ciclistas, mas mal o fazemos, apenas aprimoramos os corredores para irem para equipas diferentes. É óptimo para o desporto, contudo, não compensa financiar e despender o nosso tempo. Não estávamos a ter o retorno que queríamos", afirmou o director adjunto da BMC, Jackson Stewart. Uma das questões é, segundo o Velonews, o facto de uma equipa de formação ter cerca de 14 ciclistas, mas depois existem pouco mais de duas vagas na estrutura principal para preencherem por ano. Ou seja, por muita boa vontade que haja, é uma missão impossível aproveitar todos, ou quase todos os ciclistas que foram formados na BMC.

Stefan Küng, Silvan Dillier, Dylan Teuns e Floris Gerts são alguns dos ciclistas que apareceram na formação de sub-23 da BMC, criada em 2013. Jackson Stewart referiu que apesar da falta de financiamento, esse nem é o problema da BMC. Porém, o modelo actual "não funciona" e o responsável diz que não funcionará até a UCI encontrar uma forma de defender o investimento que é feito nestes jovens por determinada equipa.

O Velonews recorda que a UCI propôs há alguns anos alterar as estruturas das formações do World Tour. Estas seriam compostas por 17 ciclistas na equipa A e 12 na B. Na teoria a B funcionaria como projecto de desenvolvimento de jovens corredores. A ideia não passou disso mesmo, um ideia apenas.

Mercado de transferências

Esta terça-feira abriu o mercado de transferências, ou seja, já podem ser anunciados os novos contratos. A BMC irá perder Daniel Oss. O italiano de 30 anos é muito conhecido pela sua cabeleira, mas também pelas suas qualidades de trabalhador para os líderes e de ser um perigo quando entra numa fuga. Oss vai para a Bora-Hansgrohe. A equipa alemã foi ainda buscar Peter Kennaugh à Sky.

A Movistar contratou o argentino Eduardo Sepúlveda (Fortuneo-Oscaro) e a FDJ foi reforçar-se na Sunweb, garantindo o campeão holandês de estrada, Ramon Sinkeldam, e o campeão austríaco de contra-relógio, Georg Preidler.