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10 de setembro de 2018

Amaro Antunes vai para o World Tour

O momento chegou para Amaro Antunes. O ciclista algarvio vai estar ao mais alto nível do ciclismo e estão escancaradas as portas para finalmente se estrear numa grande volta. A salvação da BMC passou pela parceria da CCC com a Continuum Sports, dona da estrutura. A marca polaca substituirá a das bicicletas suíças - que não irá continuar como patrocinadora - e não sendo esta uma fusão entre duas equipas, ficou indefinido o futuro dos ciclistas da formação Profissional Continental. Amaro Antunes vê agora a sua questão resolvida e Portugal terá mais um representante no principal escalão da modalidade.

Depois de uma temporada avassaladora na W52-FC Porto, Amaro escolheu a CCC Sprandi Polkowice para prosseguir a carreira, num passo que considerou o ideal, em vez de tentar logo saltar para o World Tour. Queria ser líder e a equipa polaca deu-lhe essa oportunidade. Não foi uma época fácil. Começou com a desilusão de a equipa não receber o convite para a Volta ao Algarve, onde em 2017 Amaro tinha vencido no Alto do Malhão. Tinha começado um ano com um excelente 10º na Volta à Comunidade Valenciana, mas na Ruta del Sol - que se realiza nas mesmas datas da Algarvia - estava a continuar o bom momento quando caiu e ficou muito mal tratado, principalmente numa mão.

A CCC não conseguiu ter outro convite: o do Giro. Em 2017 participou na corrida, mas este ano a escolha foi para a Israel Cycling Academy, já que a corrida começava precisamente em Israel. Com o Tour e Vuelta fora de questão, o sonho de uma grande volta ficou adiado para Amaro. As vitórias chegaram finalmente no Tour de Malopolska, na Polónia, com um triunfo de etapa e na geral. Novo golpe em Agosto, quando uma lesão o afastou do principal objectivo da época, a Volta à Polónia. Apesar dos azares, a qualidade deste ciclista foi reconhecida.

"É um sonho tornado realidade ir para o World Tour com a Continuum Sports. É uma enorme motivação para mim e estou ansioso por começar o próximo ano. O meu objectivo principal é alcançar bons resultados nas mais importantes corridas do World Tour e ajudar a equipa o máximo possível. É uma honra e uma grande responsabilidade trabalhar com alguns dos melhores ciclistas do mundo", afirmou Amaro Antunes, que depois de uma excelente notícia, espera ainda pela possibilidade surgir mais uma. O algarvio está entre os pré-convocados para os Mundiais de Innsbruck, com oito candidatos para quatro vagas: Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), José Mendes (Burgos BH), Nelson Oliveira (Movistar), Rúben Guerreiro (Trek-Segafredo), Rui Costa (UAE Team Emirates) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin).

Com a indefinição do futuro da BMC a durar até muito tarde na temporada, vários ciclistas acabaram por escolher outras equipas para prosseguirem a carreira em 2019. Isto tem significado a perda da maioria dos corredores com características de trepadores. Amaro Antunes pode ter assim a oportunidade de assumir um papel relevante dentro da equipa, que ainda não tem nome definido. Richie Porte, Tejay van Garderen, Dylan Teuns e Nicolas Roche, por exemplo, assinaram já por outras equipas (Trek-Segafredo, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Bahrain-Merida e Sunweb, respectivamente).

Quando a nova parceria foi anunciada em Julho, durante a Volta a França, Greg van Avermaet foi anunciado como o líder, numa equipa que seria construída a pensar no homem das clássicas e com foco neste tipo de corridas. No entanto, foi confirmado que Geraint Thomas recebeu uma proposta, mas o britânico e vencedor do último Tour, optou por renovar por três anos pela Sky. Ainda assim, aos poucos a equipa vai construindo um bloco para provas por etapas.

"O Amaro irá ter um papel chave na equipa e terá também as suas oportunidades. A sua aptidão para subir está comprovada e com a nossa perícia nos contra-relógios, poderemos fazer melhorias nessa disciplina, que irá contribuir naturalmente para os seus resultados nas corridas por etapas", realçou Jim Ochowicz. O director da BMC - e que manterá o cargo - referiu aquele que é o ponto fraco do algarvio, que, ainda assim, tem vindo a trabalhar muito, principalmente nos últimos dois anos.

"Estamos entusiasmados em dar as boas-vindas a Amaro Antunes à Continuum Sports. O Amaro é um dos maiores talentos a vir de Portugal e será o primeiro português a correr na Continuum Sports. Apesar de ser a sua primeira temporada no escalão Profissional Continental, o Amaro já tinha impressionado no passado, com alguns resultados sólidos contra ciclistas do World Tour. Sentimos que podemos continuar a desenvolver o talento puro do Amaro e ajudá-lo a atingir o seu potencial", referiu o responsável, através de um comunicado.

A equipa tem até ao momento 15 ciclistas confirmados para 2019, pelo que as contratações ainda não estão fechadas. Apenas seis transitaram até ao momento da actual BMC: Greg van Avermaet (Bel, 33), Alessandro De Marchi (Ita, 32), Joey Rosskopf (EUA, 29), Patrick Bevin (NZ, 27), Michael Schär (Sui, 31) e Nathan Van Hooydonck (Bel, 22).

Três foram chamados da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes (Por, 27) e Lukasz Owsian (Pol, 28), Szymon Sajnok (Pol, 21).

Os reforços de outras equipas são: Simon Geschke (Ale, 32, actualmente na Sunweb), Gijs Van Hoecke (Bel, 26, Lotto-Jumbo), Serge Pauwels (Bel, 34, Dimension Data), Guillaume Van Keirsbulck (Bel, 27, Wanty-Groupe Gobert), Josef Cerny (Che, 25, Elkov-Author Cycling Team) e Will Barta. O americano, de 22 anos, acaba por ser um dos grandes destaques. É mais um dos talentos que está a ser formado na Hagens Berman Axeon.


16 de julho de 2018

CCC salva BMC e Greg van Avermaet será o líder

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC
Problema resolvido. Demorou, mas Jim Ochowicz conseguiu encontrar um salvador para uma das principais equipas do World Tour. E vem da Polónia. Chama-se Dariusz Milek e é o presidente da CCC, marca de calçado e malas, que actualmente detém uma equipa no escalão Profissional Continental. Uma das principais figuras dessa formação é o português Amaro Antunes. Com a indefinição a prolongar-se na BMC, ciclistas como Richie Porte, Rohan Dennis e Tejay van Garderen procuraram garantir o seu futuro, o que fará de Greg van Avermaet o líder da equipa, que terá como objectivo as clássicas da Primavera.

Esta não é uma fusão entre as duas estruturas, como é salientado no comunicado. A CCC assinou uma parceria com a Continuum Sports, dona da estrutura. Porém, não está claro o que acontecerá à CCC Sprandi Polkowice de Amaro Antunes. Certo é que no próximo ano os equipamentos vermelhos da BMC irão desaparecer, com o laranja a poder ser a nova cor, ainda que não tenha sido revelado o nome oficial da equipa. Apesar de estar encontrado o patrocinador para substituir a marca de bicicletas, ainda se procura outros secundários.

A TAG Heuer irá continuar, estando a decorrer negociações com a empresa de segurança cibernética Sophos para renovar o contrato. O orçamento anual da equipa americana aproxima-se dos 30 milhões de euros. Dariusz Milek é considerado o quarto homem mais rico da Polónia, mas, ainda assim, não é certo que esteja disposto a avançar com grande parte desse valor.

Pelo menos para já, a equipa não terá objectivos de geral nas grandes voltas e as contratações irão ser feitas para apoiar Avermaet e que neste momento até está de amarelo na Volta a França. O dia de folga da corrida foi aproveitado para fazer este anúncio, mas não foram adiantados mais nomes para a equipa, pois qualquer nova contratação só pode ser revelada a partir de 1 de Agosto.

Sendo uma empresa polaca, é de esperar que alguns corredores deste país façam parte do plantel que terá 23 a 25 ciclistas. Outra questão a resolver será o fornecedor de bicicletas. A BMC deverá cortar por completo uma ligação que dura há 12 anos e rumores apontam para a possibilidade de se juntar à Dimension Data.

Milek não escondeu a satisfação de concretizar um sonho antigo de chegar ao World Tour. Há quase duas décadas que apoia a equipa do segundo escalão de ciclismo, que chegou inclusivamente a participar na Volta a Itália. Esta aposta ao mais alto nível na modalidade tem a sua perspectiva empresarial, pois a marca - que valerá um mil milhão de euros - quer continuar a sua expansão. Já estabelecida na Europa de leste e central, o objectivo é agora chegar ao lado oeste.

A licença World Tour é neste momento americana, mas poderá eventualmente passar a ter a nacionalidade polaca, sendo este mais um ponto a esclarecer mais tarde.

Apesar da aposta imediata ser em Avermaet e nas clássicas da Primavera, principalmente as do pavé, onde o belga é um especialista, a equipa irá querer depois começar a construir um plantel que volte a estar também na luta por etapas e grandes voltas. Muitos dos ciclistas em final de contrato já gostam de ter a sua vida resolvida por esta altura da temporada, mesmo que as mudanças só possam ser oficializadas em Agosto. No entanto, ao demorar tanto tempo em conseguir assegurar um financiamento, Ochowicz vê as suas opções de reforçar a equipa mais reduzidas, além de perder algumas das suas figuras.

Ao ficar, Avermaet é a escolha óbvia para liderar a nova vida do projecto, mas aos 33 anos não é uma escolha duradoura. Em 2019, esta estrutura estará certamente mais activa no mercado a pensar na temporada de 2020. Curiosamente, até há um dos polacos mais importantes em final de contrato este ano: Rafal Majka. Mas há um português que preencheria muito bem um dos lugares de voltistas... Sem se perceber o que irá acontecer à equipa Profissional Continental, porque não levar Amaro Antunes?

Quanto às saídas, ainda não oficializadas, Richie Porte estará a caminho da Trek-Segrafredo, Rohan Dennis da Bahrain-Merida e Tejay van Garderen da EF Education First-Drapac p/b Cannondale. Porte sofreu uma queda na etapa de domingo do Tour, ainda antes de começarem os temidos sectores do pavé. Fez uma luxação no ombro e abandonou pelo segundo ano consecutivo na nona tirada. A Vuelta será a sua última oportunidade de ganhar uma grande volta com a equipa que lhe deu a oportunidade de ser um líder, depois de ter sido um gregário de luxo e braço direito de Chris Froome na Sky.

A boa notícia é que a BMC irá continuar, ainda que com outro nome. As novidades no plantel ficam para mais tarde. O ano atribulado chega assim ao fim, mas o legado de Andy Rihs continuará. Foi ele o mentor desta equipa que venceu uma Volta a França com Cadel Evans, em 2014, e um Paris-Roubaix com Avermaet, em 2017. Ao todo são 230 vitórias, a mais recente no contra-relógio por equipas no Tour. Rihs morreu em Abril, numa altura em que já era conhecida a decisão da BMC deixar de ser o patrocinadora da equipa.

Nas últimas semanas foram vários os rumores sobre o futuro da estrutura, com a Deloitte e a Giant a serem apontadas como as empresas que poderiam salvar a BMC, numa autêntica dança de patrocinadores, que afectaria outras equipas. Afinal, a solução foi encontrada na Polónia.


31 de dezembro de 2017

Amaro Antunes eleito o melhor ciclista português pelos leitores do Volta ao Ciclismo

Amaro Antunes prepara-se para um novo desafio na carreira na CCC Sprandi Polkowice, mas o 2017 ao serviço da W52-FC Porto foi memorável na carreira do algarvio. Foi apenas um ano, o suficiente para deixar a sua marca em mais uma época dominadora por parte da equipa do Sobrado. Amaro Antunes conquistou grandes vitórias, foi importante na conquista da Volta a Portugal por parte de Raúl Alarcón e ainda venceu o ranking nacional.

O ciclista, de 27 anos, recebeu 61% dos votos, deixando a concorrência muito longe. Rui Costa (UAE Team Emirates) foi o segundo mais votado, tendo 15% da preferência, seguindo-se Nelson Oliveira (Movistar), com 13%. José Gonçalves (Katusha-Alpecin) - o mais votado em 2016 - ficou com 4%, menos um que Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira).

Quanto a Amaro Antunes teve um ano com tantos momentos brilhantes que quase se torna difícil escolher qual o mais marcante. Quase, porque ganhar no Alto do Malhão, na Volta ao Algarve, foi inevitavelmente especial. Ainda antes de correr em casa mostrou-se em Espanha, na Volta à Comunidade Valenciana. Ali, Amaro esteve ao lado de Nairo Quintana, tendo terminado nesse dia em terceiro.

Após o triunfo no Malhão, ganhou a Clássica da Arrábida e a etapa do Montejunto e a geral do Troféu Joaquim Agostinho. Na Volta a Portugal acabou por trabalhar para Raúl Alarcón e fez uma subida à Serra da Estrela avassaladora e decisiva para selar a Volta para o colega. Amaro ficou com a etapa e a classificação da montanha. Falamos aqui de vitórias, mas a época foi rica em resultados quase sempre entre os melhores.

A escolha de assinar pela W52-FC Porto não podia ter sido mais acertada, depois do anúncio do fim da LA Alumínios-Antarte. No entanto, com exibições que realizou, seria estranho não aparecer uma boa proposta para outros voos. O World Tour abriu-lhe as portas, mas o desejo de ter a oportunidade de continuar a lutar por vitórias, agora em algumas das mais importantes competições mundiais, fê-lo escolher a equipa polaca da CCC Sprandi Polkowice, do segundo escalão. Apesar de ser um dos objectivos de início de temporada, Amaro Antunes não estará na "sua" Volta ao Algarve, pois a CCC acabou por ficar sem um convite. Porém, haverá certamente oportunidades para estar a competir entre os melhores, já que estará numa equipa que este ano esteve na Volta a Itália, por exemplo.

»»Amaro Antunes: "Tomei a decisão correcta. Numa equipa World Tour não seria líder"««

»»Pelotão da Volta ao Algarve com recorde de equipas World Tour mas sem Amaro Antunes««

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29 de outubro de 2017

Os 18 colegas de Amaro Antunes na sua nova equipa

(Fotografia: Stiehl Photography/CCC Sprandi Polkowice)
A CCC Sprandi Polkowice já fechou o seu plantel para 2018. Num primeiro passo para arrancar com a preparação para a próxima temporada houve um encontro informal entre os ciclistas, que teve o objectivo de criar união na equipa, apresentando ainda as novas caras. Amaro Antunes é a grande aposta da CCC, que também garantiu Marko Kump, esloveno de 29 anos que esteve nos últimos dois anos na estrutura da actual UAE Team Emirates (colega de Rui Costa). Passou anteriormente pela Tinkoff. Enquanto o português será o líder em corridas por etapas, Kump terá a responsabilidade de lutar por resultados nas clássicas e também em sprints.

O polaco Kamil Gradek (27 anos) deixa a One Pro Cycling pela principal equipa do seu país e terá a companhia dos compatriotas Pawel Bernas (27, está na Domin Sport), Pawel Cieslik (31, Elkov-Author Cycling Team) e Pawel Franczak (26, Team Hurom). Este trio está em equipas do escalão Continental. O director Piotr Wadecki reforçou a equipa de forma a suprir algumas saídas, mas também conseguiu manter ciclistas importantes, como Jan Tratnik. O esloveno é um excelente contra-relogista e nos últimos dois anos (tem 27) tem estado cada vez melhor em corridas de uma semana. Esta temporada ganhou a Volta à Eslováquia. Tratnik poderá ser um importante homem de trabalho para Amaro Antunes em algumas competições.

A CCC Sprandi Polkowice volta a ser um misto de muita juventude e alguma experiência, com apenas seis ciclistas a não serem polacos: Amaro Antunes, Jan Tratnik, Marko Kump, o alemão Jonas Koch (24) e os checos Michal Schlegel (22) e Frantisek Sisr (24). A restante equipa é composta por: Alan Banaszek (19), Piotr Brozyna (22), Adrian Kurek (29), Kamil Malecki (21), Lukasz Owsian (27), Michal Paluta (22), Leszek Plucinski (27), Patryk Stosz (23) e Mateusz Taciak (33).

Com as novas regras da UCI a determinarem equipas mais pequenas nas corridas - oito ciclistas nas grandes voltas, sete nas restantes (menos um do que se verificava até agora) -, a CCC seguiu o exemplo da maioria das formações dos diferentes escalões e reduziu o seu plantel. De 22, passa a ter 19 ciclistas. Jan Hirt, a revelação checa no Giro, assinou pela Astana, enquanto a promessa austríaca Felix Grossschartner vai para a Bora-Hansgrohe. O búlgaro Nikolay Mihaylov irá representar a formação francesa Delko Marseille Provence KTM.

Entre os seis que não renovaram contrato e procuram definir o seu futuro, a maior surpresa foi Maciej Paterski. O polaco de 31 anos era um dos mais experientes da equipa, sendo conhecido como um corredor de ataque, sempre à procura de entrar em fugas. Entre 2010 e 2013 competiu no World Tour, naquela que começou por ser a equipa Liquigas e que acabaria como Cannondale. Paterski explicou que chegou a acordo sobre a renovação com o director geral Dariusz Wadecki, mas que depois os termos foram alterados e foi-lhe dado um ultimato: ou aceitava ou teria de esperar. Escolheu a segunda hipótese. Em declarações ao site Ciclismo Internacional, o polaco salientou que chegou a falar sobre o seu calendário para 2018 e tirou as medidas para o novo equipamento. No entanto, foi surpreendido com a informação que o plantel estava fechado e o seu nome não fazia parte do grupo.

Definida a equipa da CCC Sprandi Polkowice para 2018, agora é aguardar por 1 de Janeiro para ver Amaro Antunes com o novo equipamento e em Fevereiro é de esperar que esteja na Volta ao Algarve, certamente com o objectivo de, pelo menos, tentar repetir a vitória no "seu" Alto do Malhão.

Quanto ao encontro informal, realizou-se na cidade de Karpacz e teve uns momentos bem radicais...


1 de outubro de 2017

"Tomei a decisão correcta. Numa equipa World Tour não seria líder"

Amaro Antunes está com a motivação em alta para começar a nova temporada. No dia 5 de Outubro, quinta-feira, ainda irá competir no tradicional Festival de Pista em Tavira pela W52-FC Porto, mas à sua espera está um contrato de dois anos com a CCC Sprandi Polkowice. Depois de um sensacional 2017, a expectativa era grande para ver o algarvio chegar ao World Tour. Houve conversas, admitiu, mas Amaro Antunes considerou que passar primeiro pelo escalão Profissional Continental era a decisão correcta: "Prefiro subir um degrau de cada vez, do que subir mais e depois ter de descer."

Para o ciclista de 26 anos, não havia dúvidas sobre o que pretendia para o seu futuro imediato e a formação polaca proporcionará as condições que procurava. "A minha escolha baseia-se no facto de ser uma equipa que faz o calendário internacional, que inclui corridas importantes e dar-me-ão liberdade para as tentar disputar", explicou Amaro Antunes ao Volta ao Ciclismo. Mas a ambição vai, naturalmente, mais longe, e poderá incluir a presença no Giro. "Foi um dos pormenores que pesou na minha decisão, tanto participar numa grande volta, como perceber como o meu corpo vai reagir, já que será a minha primeira corrida de três semanas", referiu. A CCC recebeu um convite este ano e é algo que poderá acontecer novamente em 2018, já que a Polónia é hipótese para receber o início do Giro numa próxima edição.

Tomada a decisão, Amaro Antunes garantiu estar tranquilo com a experiência que se preparar para viver. O desafio será grande e o corredor salientou que será um ano para aprender e evoluir. Um dos aspectos a trabalhar será o contra-relógio: "Não sou um especialista, mas posso aplicar-me e tentar melhorar para nas corridas me conseguir defender. Na equipa querem fazer esse trabalho específico e isso é muito positivo."

"Nunca escondi que a vitória no Alto do Malhão há-de marcar-me para sempre pela grandeza da corrida, dos atletas que lá estavam, mas, acima de tudo, pelo ambiente que vivi naquela subida"

Na estrada vemos o algarvio exibir-se de forma destemida, mas quanto à sua carreira, frisou que gosta "de ser cauteloso". "Tomei a decisão correcta. A nível de calendário vou poder estar em grande parte das corridas do World Tour. Numa equipa World Tour não seria líder e, se calhar, não poderia fazer uma grande volta", afirmou, justificando porque optou por não seguir para o principal escalão do ciclismo.

No dia 17 começará o seu primeiro estágio com a CCC e ficará a conhecer melhor o seu calendário. Porém, adiantou que irá estar na Volta à Comunidade Valenciana - onde este ano fez um brilhante terceiro lugar, numa etapa ganha por Nairo Quintana -  e na "sua" Volta ao Algarve. O pensamento começa a estar no que irá enfrentar na próxima fase da sua carreira, contudo, Amaro Antunes não esquecerá o que viveu ao serviço da W52-FC Porto. Foi apenas um ano na equipa do Sobrado, mas... "Foi excepcional", realçou. "Consegui ter uma performance bastante boa desde o início do ano. O ranking nacional [primeiro classificado] reflecte isso mesmo. Estar numa equipa unida e forte também foi fundamental", acrescentou.

O dia que marcou a carreira, até ao momento, de Amaro Antunes,
a vitória no Alto do Malhão, na última etapa da Volta ao Algarve
Ganhou a etapa da Torre, foi rei da montanha e segundo classificado na Volta a Portugal. Venceu o Troféu Joaquim Agostinho e a etapa no Alto de Montejunto e no início da temporada conquistou a Clássica da Arrábida. Vitórias especiais, sem dúvida, mas há uma que o marcou mais: "Nunca escondi que a vitória no Alto do Malhão há-de marcar-me para sempre pela grandeza da corrida, dos atletas que lá estavam, mas, acima de tudo, pelo ambiente que vivi naquela subida. Todas aquelas pessoas, todo o carinho que senti na subida e na Volta ao Algarve em geral... Ainda hoje vejo alguns vídeos para recordar aquele momento. Foi algo que me marcou."

Com a CCC espera regressar à Algarvia em boa forma, mas recusa falar em lutar por objectivos maiores, apesar de, sem surpresa, ser o seu desejo. "Vou com o intuito de fazer uma boa corrida, mas não quero subir demasiado a fasquia. Irei trabalhar arduamente para estar bem", disse. Já a Volta a Portugal estará fora das contas do ciclista, já que a Volta à Polónia é numa data muito próxima e será um dos objectivos da temporada da sua nova equipa. Porém, confessou: "Certamente que sentirei saudades quando vir a Volta a Portugal e não estiver lá. Estava na altura de experimentar novos voos."

Esta saudade estende-se aos seus actuais companheiros e restantes membros da actual equipa. "A experiência e aprendizagem que levo [da W52-FC Porto] são bastante benéficas. A forma de correr, alguns aspectos tácticos, a união de grupo são factores que levarei comigo e que serão muito úteis no futuro", referiu. Amaro Antunes afirmou que cresceu como atleta na formação orientada por Nuno Ribeiro. Agora só espera e acredita que a W52-FC Porto irá continuar na sua senda vencedora, apesar da sua saída e da possível mudança também de Raúl Alarcón, ciclista espanhol que conquistou a Volta a Portugal com a preciosa ajuda do algarvio. Alarcón tem vários convites, um deles da Movistar.

"Se estivesse no escalão Profissional Continental [a W52-FC Porto] daria cartas e espero que seja uma realidade em 2019. Seria também algo importante para o ciclismo português"

"Creio que é uma equipa com uma espinha dorsal bastante forte e tenho a certeza que o Nuno irá conseguir fazer com que não se desmonte. Creio que continuará a lutar por vitórias." Fica ainda o desejo de ver esta estrutura subir de categoria: "Merece isso. Se estivesse no escalão Profissional Continental daria cartas e espero que seja uma realidade em 2019. Seria também algo importante para o ciclismo português."

Mas afinal como é que se gere uma equipa com tantos ciclistas com potencial para liderar e alcançar vitórias? "Temos a felicidade de ter um grande director desportivo e também grandes [ciclistas] profissionais. Sabíamos o que tínhamos de fazer. Mais dia, menos dia teríamos a nossa oportunidade e só tínhamos de a agarrar. O Nuno dá essas oportunidades e muitos dos ciclistas da equipa conseguiram triunfar."

Agora é tempo de desfrutar dos últimos momentos com a camisola da W52-FC Porto, mas Amaro Antunes não pensa só na CCC. Pensa ainda em ajudar crianças a dar as primeiras pedaladas na modalidade. O ciclista criou um clube de formação, tendo a colaboração dos companheiros de equipa Ricardo Mestre e Samuel Caldeira, também eles algarvios. "Tentaremos sempre que possível transmitir a nossa experiência. Será algo benéfico para os mais jovens poderem contar com três atletas profissionais. Recordo-me que quando era mais novo, se me cruzava com um ciclista profissional ficava encantado", contou.

Vila Nova de Cacela será o palco desta escola para infantis e iniciados (dos nove aos 12 anos), de portas abertas para receber rapazes e raparigas que sonhem com um futuro no ciclismo. Amaro Antunes está a viver esse sonho e agora é esperar para vê-lo entre os melhores. Já não poderá estar com o corredor que tanto admira, Alberto Contador - chegou a medir forças com o espanhol na Volta ao Algarve, com Contador a levar a melhor no Malhão em 2015 -, mas à sua espera estão outros grandes nomes da actualidade. Chris Froome, Tom Dumoulin, Fabio Aru... "São coisas em que se vai pensando, mas não vou meter fasquias altas. Vou simplesmente dar o meu melhor."

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27 de setembro de 2017

Amaro Antunes assina pela CCC Sprandi Polkowice. A decisão certa?

(Imagem: CCC Sprandi Polkowice)
Era quase inevitável a W52-FC Porto perder Amaro Antunes. Com a subida de escalão da equipa do Sobrado adiada, a época do algarvio deixou muitas equipas de olho no ciclista, segurá-lo era uma missão a rondar o impossível. A escolha está feita. Amaro vai para a CCC Sprandi Polkowice, uma das principais equipas do escalão Profissional Continental e que abrirá portas a corridas do World Tour. A formação polaca esteve este ano na Volta a Itália, presença que poderá repetir-se em 2018, já que continua-se a falar de um possível início na Polónia em breve. Para o ano, será em Jerusalém.

A CCC procurava um ciclista com características de trepador para ocupar o lugar de Jan Hirt, checo que se mostrou no Giro e que a Astana já garantiu para 2018. Amaro Antunes - assinou por dois anos - terá assim uma excelente oportunidade de ser um líder em provas de maior nível. "Estou muito feliz por assinar pela CCC Sprandi Polkowice. É uma equipa que dá aos ciclistas a oportunidade perfeita para competir ao mais alto nível. Espero em 2018 continuar a minha progressão e ter a oportunidade de lutar por boas posições nas corridas mais importantes no calendário", afirmou o ciclista, no site da formação polaca.

Podem parecer palavras de circunstância, mas revelam bem a ambição de Amaro Antunes. Esta será a segunda aventura no estrangeiro para o corredor de Vila Real de Santo António. Em 2013 esteve na estrutura italiana Continental da Ceramica Flaminia-Fondriest. O projecto não foi bem o que era esperado. Tanto ele, como António Barbio e Rafael Reis - Pedro Paulinho também lá esteve uns meses - não encontraram o que precisavam para evoluir. Foi em Portugal que Amaro foi construindo a sua reputação de excelente trepador, apesar de não conseguir ser o líder indiscutível de uma equipa. Ainda assim, nos últimos quatro anos foi sempre top dez na Volta a Portugal.

Mas claro, este 2017 foi simplesmente fantástico. Segundo lugar na Volta atrás de Raúl Alarcón, rei da montanha, vencedor da etapa na Torre e uma exibição tremenda durante toda a corrida. Em Fevereiro conseguiu um triunfo que o marcará para sempre: ganhou no "seu" Alto do Malhão, na Volta ao Algarve, uma corrida com algumas das figuras do World Tour. Antes, na Volta à Comunidade Valenciana, mostrou a Nairo Quintana como não temia em tentar segui-lo. O colombiano levou a melhor, mas Amaro ficou num excelente terceiro lugar na subida em Llucena.

Ganhou a Clássica da Arrábida e o Troféu Joaquim Agostinho. A W52-FC Porto contratou-o depois da LA Alumínios-Antarte ter optado por fechar portas. Apesar de não ser o líder único, Nuno Ribeiro, o director desportivo, soube gerir de forma perfeita um plantel de luxo. Quando Amaro foi líder, ganhou, quando Raúl Alarcón foi líder, também. E ambos nunca tentaram "passar por cima" do número um da equipa Gustavo Veloso.

Numa formação com tantos ciclistas ambiciosos, tudo funcionou na perfeição, mas claro que se paga o preço de se os ver sair para estruturas com outro potencial financeiro e ao ser do escalão Profissional Continental, fica-se com a possibilidade de estar em corridas do World Tour.

Aos 26 anos (faz 27 em Novembro), Amaro Antunes dá o salto de uma forma ponderada. É difícil resistir à tentação de dizer que tem a qualidade para estar no World Tour, mas a CCC poderá ajudá-lo a evoluir para lá chegar e, se calhar, com outro estatuto que não apenas de homem de trabalho, como inevitavelmente aconteceria se esse passo fosse tomado agora. Não nos podemos esquecer que poderá ser líder na CCC, algo importante e que Amaro Antunes merece.

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15 de abril de 2017

Polícia encontrou quase todas as bicicletas roubadas à equipa polaca CCC

Equipa polaca vai ter as suas bicicletas para a Amstel Gold Race
(Fotografia: Stiehl Photography)
De nada valeu o alarme, ter um carro a bloquear a porta do camião, estar num parque de estacionamento do hotel vigiado, pois 18 bicicletas e algumas rodas suplentes da CCC Sprandi Polkowice foram roubadas na quinta-feira, com os responsáveis da equipa polaca a terem de improvisar para garantir que os seus ciclistas pudessem competir na Amstel Gold Race neste domingo. Porém, aconteceu um "milagre de Páscoa", citando o Twitter da formação, e quase todas as bicicletas foram recuperadas... depois de já terem chegado as de treino, entretanto enviadas para a Holanda.

"Agora temos bicicletas a mais, mas dada a situação, é o menor dos nossos problemas", explicou a equipa, ao anunciar que a polícia holandesa tinha encontrado 16 das bicicletas e algumas das rodas num carro abandonado em Valkenburg. Os autores do roubo ainda não foram detidos, pelo que as autoridades continuam a procurá-los.

Quando deu conta do assalto, a CCC Sprandi Polkowice recorreu às redes sociais para apelar para que fosse difundida a notícia e assim talvez conseguir recuperar as bicicletas. Este sábado agradeceu a todos os que partilharam e agora pode concentrar-se apenas na Amstel Gold Race.

A equipa está hospedada na região de Limburg e foi precisamente nesta zona da Holanda que a Nippo-Vini Fantini ficou sem 16 bicicletas, também elas roubadas. Em Setembro do ano passado, no Eneco Tour, foi em Maastricht que a Dimension Data e a Lotto-Jumbo apanharam um grande susto. Estavam no mesmo hotel quando alguém tentou abrir os camiões onde estavam as bicicletas, mas estas equipas tiveram sorte, pois os ladrões não conseguiram concretizar o plano.