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24 de agosto de 2019

Início muito acidentado de Vuelta

(Imagem: print screen)
"Só faltam 20 etapas!" Eis uma forma de encarar o bom início de Volta a Espanha de Miguel Ángel López, o primeiro líder da corrida, depois da Astana vencer o contra-relógio colectivo. O colombiano, que tão poucas razões teve para sorrir no Giro, vê os papéis inverteram-se no frente-a-frente com a Jumbo-Visma. A equipa holandesa teve dois arranques de sonho em Itália e no Tour, viveu um pesadelo na Vuelta e ainda falta saber se as consequências da queda podem afectar as ambições para a prova. E como em Espanha tudo de facto pode acontecer, um contra-relógio que não se esperava ser de grandes acontecimentos, teve ainda uma UAE Team Emirates também a cair (salvou-se um ciclista) e o carro da Euskadi-Murias a despistar-se.

O acidente com o veículo da equipa espanhola aconteceu numa curva que o condutor tentou fazer rápido de mais, na tentativa de acompanhar os ciclistas (vídeo em baixo). Os membros do staff que estavam no carro estarão todos bem.


Mas o momento que marcou a primeira etapa da Vuelta aconteceu quando alguém resolveu regar o jardim. Segundo o Cycling Weekly terá sido esta a razão para a estrada ficar de repente molhada, o que provocou a queda dos ciclistas da UAE Team Emirates - dos que ainda seguiam juntos naquela fase, Sergio Henao já tinha ficado para trás, só Valerio Conti não caiu - e de os da Jumbo-Visma: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Lennard Hofstede e Neilson Powless (imagens da queda no vídeo em baixo).




Um homem que estava no local, a seis quilómetros da meta, explicou ao site que a mangueira terá rebentado e quem estava a regar o jardim não conseguiu fechar a torneira a tempo de evitar que a água escorresse para a estrada. Várias pessoas tentaram de imediato enxugar o alcatrão, numa missão impossível, ainda mais com as equipas a passarem com uma diferença de quatro minutos.

A UAE Team Emirates foi a primeira vítima. Fernando Gaviria esteve muito tempo afastado devido a uma lesão no joelho, depois de ter abandonado o Giro, na sétima etapa. Fez a Volta à Polónia e veio à Vuelta tentar salvar algo desta sua primeira época na equipa. Porém, foi dos que ficou com feridas bem visíveis, tal como Fabio Aru, outro ciclista a apostar forte na corrida espanhola. As primeiras indicações da UAE Team Emirates é que todos vão continuar em prova. Porém, foi uma estreia numa grande volta para esquecer de Tadej Pogacar, vencedor da Volta ao Algarve e à Califórnia.

A Bora-Hansgrohe passou a seguir sem problemas de maior, ao contrário da Jumbo-Visma. Depois de ganhar a primeira etapa no Giro (Primoz Roglic) e no Tour (Mike Teunissen), era a favorita para repetir o feito na Vuelta. No entanto, saiu de Torrevieja com 40 segundos de desvantagem. A UAE Team Emirates perdeu 1:07 minutos, quando estava a nove segundos do melhor tempo no ponto intermédio. Só a Burgos-BH fez pior: 1:22.

E só não houve mais um incidente por alguma sorte e destreza dos ciclistas da Deceuninck-QuickStep. Um dos carros da Jumbo-Visma demorou a arrancar, pois ficou na ajuda a um dos corredores que não conseguir prosseguir rapidamente o seu caminho até à meta. Estava muito em cima da curva e os dois polícias que estavam de moto só tiveram tempo para se colocarem de maneira a que os ciclistas tivessem de se desviar mais cedo. Foi por muito pouco que não houve um choque. A equipa perdeu o contra-relógio por dois segundos e entre água e este momento, disse muito provavelmente adeus à vitória de etapa.

A Movistar foi a última a partir e perdeu 16 segundos para a Astana. Grande contra-relógio da EF Education First, antes do problema da água, que ficou a sete segundos, com a Sunweb a perder cinco. Os ciclistas da Ineos têm 25 segundos para recuperar.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

2ª etapa: Benidorm - Calpe (199,6 quilómetros)



E depois de 13,4 quilómetros com muito mais história para contar do que se esperava, a Vuelta começa com o seu habitual perfil: a subir. São duas segundas categorias e uma terceira e muito mais sobe e desce. Há ainda que ter atenção ao vento, que poderá criar problemas na fase inicial da etapa.

Miguel Ángel López tem na Vuelta uma corrida mais ao seu estilo, com menos contra-relógio. Ao ganhar o primeiro resolveu parte do seu handicap, mas ao ganhar tempo a especialistas como Primoz Roglic, a confiança ganhou uma dose extra. Ainda assim, não será surpresa se a Astana até ceder a liderança. É uma Vuelta com muita montanha para ter de controlar desde o primeiro instante, mas a decisão dependerá muito de quem entrar na fuga. E se há grande voltas em que as fugas muito triunfam, é na de Espanha.

»»Jumbo-Visma à procura do topo numa Vuelta com muitos jovens candidatos««

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»»Os portugueses na Vuelta««

20 de fevereiro de 2019

Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen em vantagem no dia de subir à Fóia

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Volta ao Algarve terá um novo vencedor. Isso é certo. E não faltam candidatos a continuar um historial invejável. A Alberto Contador, Tony Martin, Richie Porte, Geraint Thomas, Primoz Roglic e Michal Kwiatkowski podem suceder Fabio Aru e Enric Mas, por exemplo. São os cabeças de cartaz, pois afinal o primeiro é o vencedor de uma grande volta e o segundo fez pódio no ano passado. Ambos brilharam na Vuelta. Mas a Algarvia dificilmente se fará de apenas estes dois corredores. Há um conjunto de jovens que podem bem aproveitar a oportunidade para começarem a habituarem-se a ganhar. E depois houve uma queda logo na primeira etapa, perto da meta em Lagos, que fez com que já haja diferenças de tempo, ainda antes da chegada da montanha.

Esta quinta-feira, o Alto da Fóia fará a primeira arrumação na geral. E falando precisamente de jovens, Sam Oomen (23 anos) foi o melhor nesta classificação da Algarvia em 2018, no que foi um ponto de partida para uma temporada muito convincente, com destaque para o excelente trabalho no Giro para Tom Dumoulin e o nono lugar na geral. Este holandês é dos que mais promete da nova geração.

Depois há Tao Geoghegan Hart (23), mas perdeu quase sete minutos, pelo que o experiente Wout Poels é quem ficou em boa posição de continuar o legado da Sky na Algarvia. Em 2016 venceu a Volta à Comunidade Valenciana e depois o monumento Liège-Bastogne-Liège. Não se conseguiu afirmar como líder como queria, mas aqui está uma oportunidade para este excelente ciclista, que sabe ser mais do que um gregário de luxo. 

Voltando aos jovens. Tadej Pogacar é um nome a não esquecer. A Eslovénia está a tornar-se numa escola cada vez mais interessante de ciclistas e este é mais um que cedo agarrou a atenção da UAE Team Emirates. Tem apenas 20 anos, venceu a Volta a França do Futuro, mas ainda antes a equipa já tinha garantido que o esloveno vestiria as suas cores em 2019. Com Aru na equipa, se a ambição do italiano for finalmente regressar às vitórias, Pogacar poderá ter de se sacrificar, no entanto, não perdeu tempo na chegada a Lagos ao contrário do companheiro, o que poderá deixá-lo com alguma liberdade.

Falando então de Fabio Aru. O seu último triunfo foi a 5 de Julho de 2018, na quinta etapa da Volta a França. E que grande vitória foi em La Planche des Belles Filles. Saiu da Astana, com quem venceu a Vuelta em 2015. Porém, o Aru daquele ano pouco tem aparecido desde então e na UAE Team Emirates nem a sombra do ciclista se tem visto. O italiano está obrigado a obter resultados em 2019, tendo escolhido o Algarve como a sua primeira prova por etapas do ano. Aru está obrigado a estar na luta, já para não dizer que está obrigado a ganhar. Mas não começou bem no Algarve e tem 1:05 de desvantagem. 

Enric Mas tem tudo para ser o grande favorito. Este espanhol da Deceuninck-QuickStep que parece que nada nem ninguém lhe perturba o sorriso e a quem chamam de o novo Contador - que até o quer na sua equipa -, tem como objectivo o Tour, pelo que a sua forma e mesmo mentalidade na Algarvia serão bem diferentes de Aru, que está a pensar no Giro. Porém, Mas adora desfrutar de todas as corridas que faz e a Fóia vai determinar se estará ou não na luta pela amarela. Se se sentir bem, não é ciclista para desaproveitar uma oportunidade para ganhar. E Enric Mas sabe o que é vencer em Portugal. Em 2016 conquistou a Volta ao Alentejo, então na Klein Constantia.

Mas há mais. Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe) foi sétimo no Giro do ano passado e já está de olhos postos na próxima edição da grande volta italiana. Já tem 4:11 minutos para recuperar. Não terá missão nada fácil. Talvez pense mais num top 10 ou numa etapa. O russo Sergei Chernetski deixou a Astana, depois de uma passagem pela Katusha e está agora numa Caja Rural que quer com ele disputar mais provas. O 1:35 perdidos, não devem assustar em demasia. Simon Spilak, da Katusha-Alpecin, é um ciclista que a equipa aponta a este tipo de corridas por etapas mais curtas e ficou a "apenas" 1:05. Os companheiros portugueses estão a mais de três e seis minutos, respectivamente, o que deverá deixar Ruben Guerreiro e José Gonçalves a pensar mais numa etapa.

E claro. Amaro Antunes. Líder da CCC, a preparar a sua primeira grande volta, o Giro, naquela que é a época de estreia no World Tour. Homem da casa, vencedor no Malhão há dois anos, começou 2019 na Volta à Comunidade Valenciana com um 28º lugar, mas é difícil imaginar um Amaro Antunes que não esteja a pensar em mais um brilharete na "sua" Algarvia, depois de a ter falhado em 2018 por a equipa, então Profissional Continental, não ter conseguido um convite. Contudo, aquele 1:35 de desvantagem para Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen, não o deixaram nada satisfeito. Mas se há alguém que conhece como correr no Algarve é, naturalmente, ele.

Estes são os candidatos, digamos, mais óbvios, mas há espaço para surpresas. Gianluca Brambilla (Trek-Segafredo), José Herrada (Cofidis), Ben King (Dimension Data) - vencedor da camisola da montanha no Algarve há um ano -, Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) podem muito bem aparecer, numa corrida que se apresenta aberta, mas que a Fóia poderá ajudar a definir. Só Hagen chegou no grupo do vencedor da etapa, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), mas os outros perderam menos de dois minutos.

Segunda etapa: Almodôvar – Alto da Fóia, 187,4 quilómetros



»»Jakobsen começa afirmação entre os melhores do sprint na Volta ao Algarve««

29 de janeiro de 2019

Ciclistas sem margem para falhar em 2019

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Para alguns ciclistas todos os quilómetros feitos em 2019 serão ainda mais importantes do que o normal. Há quem venha de uma má temporada, há quem já some épocas abaixo do exigido. Numa modalidade com tanto talento sempre a aparecer, quando os resultados começam diminuir, o futuro poderá ser insensível a currículos ganhadores. A idade vai passando nuns, noutros o peso do dinheiro aumenta ainda mais a pressão para que apresente resultados (Marcel Kittel à cabeça, neste caso).

Aqui ficam cinco ciclistas que estão proibidos de falhar em 2019.

Marcel Kittel (30 anos, Katusha-Alpecin)
É inevitável o alemão surgir em primeiro lugar. A Katusha-Alpecin abriu os cordões à bolsa para contratar um ciclista que acreditava ser garantia de vitórias. Foram apenas duas no Tirreno-Adriatico e o resto de 2018 foi passado a dizer que era na próxima corrida que o sprinter iria aparecer ao seu melhor. Até fez exames médicos para tentar perceber se havia algum problema de saúde, como aconteceu no passado. Nada. Kittel acabou a época a dizer que nunca tinha feito uma recuperação completa da aparatosa queda no Tour, em 2017.

O ciclista está obrigado a render as vitórias esperadas. Certamente mais do que duas. Acabaram-se as justificações de estar em adaptação à nova equipa ou de qualquer outro problema. Não será a primeira vez que o alemão terá de recuperar animicamente de um mau ano, mas com novos sprinters a aparecerem em força e a ganhar, Kittel tem um estatuto a defender no pelotão e só o poderá fazer se recomeçar a vencer. De referir que está no último ano de contrato.

Fabio Aru (28 anos, UAE Team Emirates)
2018 foi tão mau, que o italiano nem tentou justificar em desculpas. Assumiu a época que teve para esquecer, só querendo retomar o caminho que lhe parecia destinado quando fez pódio no Giro e venceu depois a Vuelta em 2015. Dizer que Aru já teve a sua melhor fase poderá ser um enorme exagero, tendo em conta a sua idade e como cada vez mais se vê os chamados voltistas (e não só) atingirem o auge já depois dos 30, o melhor Aru pode aparecer a qualquer momento.

Mesmo na Astana Aru estava por vezes em baixo rendimento, apesar do bom Tour de 2017. Parte da corrida, pelo menos. Na mudança para a UAE Team Emirates, basicamente tudo o que poderia correr mal, correu. Numa equipa que está a demonstrar ter um poderio financeiro crescente para contratar quem quer - a chegada de Fernando Gaviria é mais uma prova disso mesmo - Aru não se pode encostar ao facto de ter contrato até 2020. A equipa exige vitórias e um pódio numa grande volta tem de ser o objectivo. Para quem quis sair da Astana à procura de um contrato milionário, não há mais tempo para recuperar de mais falhas.

Tejay van Garderen (30 anos, EF Education First)
O americano já anda há algum tempo com este tipo de pressão. Com o final da BMC, conseguiu encontrar um porto de abrigo noutra equipa da casa, mas o facto de só ter recebido proposta para um ano de contrato, demonstra que a desconfiança é grande quanto ao que Van Garderen ainda poderá render.

Rigoberto Uran é o líder nas grandes voltas e o colombiano Daniel Martínez é a estrela em ascensão na EF Education First. Tejay van Garderen dificilmente escapará a um papel de gregário em certas provas, mas não foi contratado apenas para tal. Terá oportunidades e se não as agarrar, o americano que se acreditou vir a ser a referência desejada no ciclismo de um país a tentar recuperar a confiança perdida após o caso Lance Armstrong, pode estar perante o desafio que determinará se ainda tem espaço no World Tour para ser líder, ou se terá mesmo de render-se a um papel secundário.

Nairo Quintana (28 anos, Movistar)
O entusiasmo pelo pequeno colombiano resfriou já praticamente por completo. Há quatro/cinco anos, olhava-se para Quintana e via-se um ciclista que tinha tudo para ser um dos melhores voltistas da história, conquistando várias das três grandes. Tem o Giro e a Vuelta e as últimas duas temporadas ficaram marcadas por falhanços completos. Primeiro a tentativa da dobradinha Giro/Tour, que em nada terá ajudado na relação com o director da Movistar, Eusebio Unzué. No ano passado o Tour ficou muito aquém das expectativas, ao que se pode juntar um Mikel Landa, que também não pode estar muito tranquilo em 2019, já que não esteve ao nível desejado na época passada.

Qualquer coisa abaixo do pódio na Volta a França não será suficiente bom para Quintana em 2019 e terá de estar pelo menos na luta pela vitória. E ganhar a Vuelta terá de ser também um objectivo. Não faltam pretendentes a receber o colombiano, caso decida deixar a Movistar no final do contrato, mas mesmo para ter poder de negociação, Quintana terá de ser aquele ciclista de há quatro anos. O que entusiasmou tudo e todos. O que não ficava sempre à espera para ver o que os outros iam fazer, antes de também ele agir. Começou 2019 a mudar de treinador, num primeiro passo rumo às alterações que têm de ser feitas.

Mark Cavendish (33 anos, Dimension Data)
Já não se espera que o britânico volte a ser o sprinter implacável de outros tempos. Este pensamento não é novo e Cavendish provou a todos como estavam errados em dá-lo como ciclista acabado em 2016. Porém, tem sido um apagão quase total desde então, também muito por culpa do problema de saúde. A mononucleose já por duas vezes que o obrigou a ficar grande parte da época fora de acção, limitando-o quando compete.

A Dimension Data deu-lhe mais uma oportunidade ao renovar-lhe o contrato por uma temporada, muito também por respeito a um ciclista que foi tão importante quando a equipa subiu ao World Tour. Mas não será possível manter um corredor, com um salário alto, que é um líder que não ganha e quando essa é a sua principal função. Cavendish começou a época na Volta a San Juan, que decorre até domingo, sendo oitavo no seu primeiro sprint do ano, ganho por Fernando Gaviria, a referência da nova geração. 2019 será decisivo para se perceber se Cavendish ainda tem o que é preciso para conquistar algumas vitórias frente aos rivais, ou se o seu papel no ciclismo terá de mudar. Isto para não se falar tão cedo na época de uma possível retirada se não conseguir atingir o nível necessário.

Outros nomes

Realçou-se cinco ciclistas, mas estes não estão sós na pressão de terem de fazer bem mais e melhor. Já se referiu Mikel Landa, que pode não estar tão no centro da atenção como Quintana, mas também terá de apresentar mais resultados. Entre os voltistas, Louis Meintjes (Dimension Data) teve uma época idêntica a Aru, ou seja, nada correu bem. O regresso à equipa que o lançou, não correu bem, agora é preciso ser pelo menos aquele corredor a quem era quase natural fechar um top dez.

Matteo Trentin até foi campeão europeu, num título ainda longe de ser visto como uma grande conquista. Foi importante para o ciclista que não estava a ter um bom primeiro ano na Mitchelton-Scott, mas o italiano é o primeiro a dizer que 2019 tem de ser bem melhor.

Depois de vencer a etapa de Roubaix no Tour, um local tão simbólico para John Degenkolb, que já venceu o monumento francês, esperou-se que fosse o tónico que o alemão precisava para regressar ao topo. Na restante temporada mostrou um ciclista mais confiante, pelo que depois de ano e meio longe do que a Trek-Segafredo esperava dele, chegou o momento de estar na discussão das corridas, com destaque para as clássicas do pavé.

Há ainda Tony Martin. A passagem pela Katusha-Alpecin foi para esquecer. Aos 33 anos mudou-se para a Jumbo-Visma para tentar recuperar algum do prestígio perdido. Se apresentar-se bem melhor do que nas últimas temporadas, a equipa ganhará um homem importante no sonho de lutar por uma grande volta.

Para terminar, Rui Costa. A lesão no joelho estragou-lhe grande parte da temporada. A renovação foi anunciada já tarde e de apenas um ano. O português, de 32 anos, tem um 2019 para demonstrar que tem lugar numa equipa que agora junta a ambição ao dinheiro para contratar os melhores. Para já, o ciclista quererá ter uma temporada sem azares e assim poder demonstrar a forma dos Mundiais de Innsbruck.

6 de dezembro de 2018

Mais investimento, novas figuras, mas o mesmo velho problema e um Aru irreconhecível

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Há dois anos pairava a incerteza quanto ao futuro de uma estrutura com história no ciclismo. A Lampre saiu e do Médio Oriente chegou a salvação. Primeiro com o investimento necessário, por assim dizer, mas que evoluiu até um poderio económico que lhe permite contratar ciclistas mais caros e até convencer aquele que é um dos melhores sprinters do mundo a quebrar contrato e que não saiu da Quick-Step Floors por tostões. A UAE Team Emirates tem dinheiro, mas na temporada em que investiu forte, os resultados desiludiram. E não fosse as vitórias de Dan Martin e Alexander Kristoff no Tour e teria sido uma época perdida. A maior das desilusões chamou-se Fabio Aru, que esteve irreconhecível. Rui Costa não foi feliz, com uma queda no Paris-Nice a afectá-lo grande parte da temporada. Contudo, o contrato foi renovado e irá se o "padrinho" dos dois novos portugueses que em 2019 chegarão ao World Tour.

Ter dinheiro traz estabilidade e a possibilidade de reforçar a equipa. Porém, contratar três estrelas do ciclismo não chega, principalmente se as individualidades não têm um colectivo forte e coeso no seu apoio. A UAE Team Emirates sofreu muito de um problema que vem do tempo da Lampre-Merida - que o diga Rui Costa -, com os seus líderes a ficarem muito sós, muito cedo, nos momentos decisivos das corridas. Já se sabe que há corredores com especial talento para sozinhos conseguirem, ainda assim, alcançar resultados. Contudo, são poucos os fora-de-série e se Aru, por exemplo, não esteve nada bem, também a equipa como um todo demonstrou que continua a não funcionar, apesar da qualidade de muitos dos seus ciclistas.

A fraca prestação de Aru foi uma das lições que teve de ser muito bem estudada, na esperança de recuperar o melhor do italiano para 2019. Apesar da equipa querer colocar as suas três novas estrelas - Aru, Martin e Kristoff - no Tour, Aru concretizou o desejo de estar no Giro. Uma queda na Volta a Catalunha acabaria por ser um primeiro indicativo que o esperava uma época complicada. Corrida após corrida foi um Fabio Aru em esforço sempre que a alta montanha chegava. Aquele movimento que lhe é típico de se mexer muito de um lado para o outro na bicicleta quando sobe, foi muito intenso, revelando um corredor em constante dificuldade.

Num momento de união, Aru foi escoltado pela sua equipa no Giro quando quebrou, numa imagem que não deixou de ser de um ciclista derrotado. Reapareceu no contra-relógio, mas foi sancionado por aproveitar o cone de vento de um carro. Passou completamente ao lado da época. Nem na Vuelta, que conquistou em 2015, teve capacidade para se mostrar, com uma queda e o momento de fúria misturado com frustração que se seguiu a ser o principal destaque. Para um ciclista que deixou a Astana à procura de um ordenado mais alto e de outros ares, foi uma aposta perdida da UAE Team Emirates, que espera um Aru bem diferente em 2019.

Dan Martin também não começou bem. O próprio admitiu que estava a colocar demasiada pressão em si mesmo. Quando relaxou e voltou ao sentimento mais básico de simplesmente aproveitar todos os momentos em que está a fazer o que mais gosta, Martin apareceu. Ganhou uma etapa no Critérium du Dauphiné e foi ao Tour ganhar no Mûr de Bretagne. Foi ainda nono na Lombardia depois de uma Vuelta que abandonou para acompanhar a mulher grávida de gémeas.

Ranking: 12º (5495 pontos)
Vitórias: 12 (incluindo duas etapas no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (5)

Kristoff recuperou a alegria após um ano difícil na Katusha-Alpecin. Ganhar nos Campos Elísios faz a época de qualquer sprinter. No entanto, apesar dos cinco triunfos, é mais do que claro que o norueguês não é aquele sprinter de quem se pode esperar muitas e grandes vitórias. A contratação de Fernando Gaviria é a prova que os responsáveis da equipa, pensam precisamente isso. A Kristoff pode restar a possibilidade de ainda ser aposta em algumas clássicas.

Dos ciclistas que já eram da casa, Diego Ulissi foi regular, mas sem entusiasmar e sem estar muito na luta por vitórias, tendo alcançado uma na Volta à Suíça. Este italiano é capaz de muito melhor, pelo que foi mais uma desilusão. Também Rui Costa esteve muito abaixo do esperado, com uma lesão no joelho a limitá-lo durante muito tempo. Queria regressar ao Tour depois de em 2017 ter apostado no Giro e Vuelta. Em Abril, apesar de se mostrar nas Clássicas das Ardenas sem entusiasmar, fez uma grande Volta à Romandia (foi quinto) e parecia estar a subir de forma, até que anunciou que não iria à Volta à Suíça devido ao problema no joelho. Falharia depois o Tour. Também não foi à Vuelta e pela primeira vez desde que chegou ao World Tour, o campeão do mundo de 2013 não fez nenhuma grande volta.

Na recta final da época surgiu mais forte, foi 10º nos Mundiais e finalmente chegou a confirmação que ficaria mais um ano na UAE Team Emirates, em mais uma oportunidade para mostrar o que pode dar, mesmo com a equipa a contratar cada vez mais estrelas.

Ben Swift e John Darwin Atapuma foram dois nomes que quase deu para esquecer que estavam na equipa e ambos estão de saída. Jan Polanc e Valerio Conti foram algo irregulares, enquanto Sven Erik Bystrom confirmou credenciais, ainda mais quando ficou perto de ganhar uma etapa na Vuelta.

A UAE Team Emirates quer ser uma equipa de topo rapidamente, mas sabe que 12 vitórias num ano não chega. Fabio Aru vai continuar a ser a aposta para as grandes voltas e um dos reforços poderá ser uma preciosa ajuda para o italiano. Sergio Henao deixa a Sky e tem tudo para ser o novo braço direito do italiano. Dan Martin não desiste de perseguir o sonho de um pódio no Tour, mas é em Aru em quem está a maior esperança de um bom resultado numa corrida de três semanas.

No entanto, é em Fernando Gaviria que se aposta praticamente tudo para aumentar o número de vitórias e, claro, que sejam além de muitas, nas principais corridas. A UAE Team Emirates vai colocar rum comboio à disposição do colombiano, com Kristoff esperançoso que não seja reduzido a esse papel, mas poderá não conseguir escapar a tal se quiser estar, por exemplo, no Tour. A vida não tem sido fácil para muitos dos ciclistas que deixam a Quick-Step Floors. A ver vamos se Gaviria quebra esse enguiço.

A UAE Team Emirates também já olha para o futuro. Quase se esquece que Gaviria tem apenas 24 anos dada as vitórias que já alcançou, pelo que o sprinter é o presente e o futuro. Já Ivo e Rui Oliveira, Jasper Philipsen e Tadej Pogacar são ciclistas que vão estrear-se no World Tour, pelo que terão a sua oportunidade para se adaptar, antes da pressão de resultados e boas exibições começar a pesar.

Joxean 'Matxin' Fernández, é um dos directores desta equipa. Com uma enorme experiência na modalidade, antes de se juntar à UAE Team Emirates em 2018, foi olheiro para a Quick-Step Floors, pelo que teve a sua influência na escolha de Gaviria. É um profundo conhecedor de jovens ciclistas e muito atento ao que se passa em Portugal. A evolução dos gémeos não lhe passou naturalmente despercebida, na pista e na estrada. Depois de dois anos numa das melhores estruturas para jovens, a Hagens Berman Axeon, Ivo e Rui, campeão nacional de contra-relógio e de fundo de sub-23, respectivamente, dão o salto mais do que esperado, com Rui Costa à espera de os receber.

O companheiro da formação americana, Jasper Philipsen, segue o mesmo caminho. É um belga de talento para as clássicas, enquanto Tadej Pogacar, tem o potencial para as provas por etapas. Estamos perante um esloveno que ganhou o Tour de l'Avenir e que acumulou muitos e bons resultados em corridas idênticas. Mais um ciclista a ter em atenção, num conjunto de jovens de qualidade que esta UAE Team Emirates assegurou para os próximos dois anos.

Permanências: Fabio Aru, Dan Martin, Alexander Kristoff, Rui Costa, Diego Ulissi, Valerio Conti, Sven Erik Bystrom, Simone Consonni, Roberto Ferrari, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Manuel Mori, Simone Petilli, Jan Polanc, Edward Ravasi, Rory Sutherland, Oliviero Troia, Kristijan Durasek, Alexandr Riabushenko e Yousif Mirza.

Contratações: Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon), Jasper Philipsen (Hagens Berman Axeon), Sergio Henao (Sky) Tadej Pogacar (Ljubljana Gusto Xaurum), Tom Bohli (BMC) Sebastián Molano (Manzana Postobón), Cristian Camilo Muñoz (Coldeportes Zenu Sello Rojo).


28 de junho de 2018

As lições de Simon Yates e Fabio Aru

(Fotografia: Giro d'Italia)
Antes das atenções se centrarem quase exclusivamente na Volta a França, temos um regresso ao Giro devido ao reaparecimento de dois ciclistas que estiveram em destaque por razões bem diferentes. Simon Yates e Fabio Aru tem estado a recuperar da grande volta e o italiano até decidiu nem ir aos Campeonatos Nacionais defender o título, para concentrar-se em melhorar e preparar a Vuelta. Yates parecia estar a caminho de uma vitória no Giro, quando numa só etapa viu o sonho terminar. Já Aru foi um descalabro durante toda a corrida. Quando apareceu bem no contra-relógio, afinal tinha aproveitado o cone de vento para ganhar tempo e acabou sancionado.

Um mês depois do final da corrida, Simon Yates admitiu que um pouco mais de paciência poderia ter feito toda a diferença. Com apenas três etapas por disputar e a última era de consagração, o britânico viu o trabalho de mais de duas semanas (além de todo o realizado para chegar em boa forma a Itália), ir por água abaixo na tirada de Bardonecchia, que incluiu o Colle delle Finestre e a épica fuga solitária de 80 quilómetros de Chris Froome (Sky). "Se calhar um pouco mais de paciência [teria ajudado]... Não tinha de estar sempre lá em todos os momentos... Não sei... Há muitas pequenas coisas que poderia mudar. Talvez até antes da corrida poderia ter chegado um pouco mais fresco, para assim sobreviver um pouco melhor", explicou ao Cycling News.

Naquela etapa 19, Yates contou que se sentia bem de manhã, apesar de algum cansaço, normal para quem está na recta final de uma corrida de três semanas. No entanto, acabou o dia a perder quase 40 minutos e a dizer adeus à vitória e nem no top dez ficou. O britânico confessou que só pensava em pedir desculpa à equipa, mas nem os responsáveis, nem os companheiros da Mitchelton-Scott quiseram ouvir tal coisa.

"Eles disseram para me calar, que fariam tudo outra vez [para o apoiar]. Estavam desiludidos por mim, mas não era algo de 'lixaste isto tudo'. Penso que como equipa, chegámos à frente quando tivemos a camisola. Acho que dominámos a corrida", afirmou o britânico de 25 anos. E esta união poderá continuar. Yates está nos últimos meses de contrato, assim como o seu irmão gémeo, Adam, que estará no Tour.

Apesar de admitir a abordagem de várias equipas, de ter duas propostas concretas em mãos e até com valores bem elevados, Yates salientou que o dinheiro não é tudo. "Não venho de uma família rica, por isso não faço isto por dinheiro. Quero ganhar corridas", disse, garantindo que a sua decisão foi feita por razões desportivas. Sim, a decisão já está tomada, mas Yates não a anunciou, nem quis avançar quando o fará. Certo é que houve lições que o britânico retirou do Giro. Mudando algumas coisas, está mais convicto do que nunca que pode ganhar uma grande volta.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Já Fabio Aru tem uma, a Vuelta de 2015, mas não está nada fácil conquistar a segunda. Foi para a UAE Team Emirates para mudar de ares, depois de ter ganho prestígio ao serviço da Astana. Porém, a época está a correr bastante mal. Na preparação para o Giro, Aru nunca deixou boas indicações e na grande volta esteve praticamente todas as etapas de montanha num enorme esforço para tentar manter-se com os favoritos. Contudo, cada dia que passava, Aru tornava-se cada vez menos num candidato.

"Não quero ser recordado como o ciclista que todos viram no Giro", lamentou Aru à Gazzetta dello Sport. O italiano (27 anos) ainda pensou em estar no Tour, mas para garantir que recupera a sua forma, preferiu apontar à Volta a Espanha. "A época ainda não acabou. Há a Vuelta, os Mundiais, as clássicas italianas e a Il Lombardia. Ainda há tempo para mostrar quem eu sou", salientou.

Mas afinal o que aconteceu no Giro? Aru aponta duas possíveis razões. A primeira foi o tempo que passou em altitude. Para o ciclista terá sido demasiado, o que acabou por levar o corpo além dos limites. Agora, está a planear competir mais e não passar tanto tempo nesse tipo de estágios. A outra razão é uma intolerância ao glúten e lactose, descoberta há três anos, mas que admitiu que "nunca foi aprofundada". O ciclista explicou que agora está a limitar o ingestão de massas e hidratos de carbono e eliminou o consumo de lacticínios. "Sinto-me mais leve e melhor na bicicleta", confessou. Aru quer voltar a sorrir e para isso quer ser aquele corredor entusiasmante, que dá luta e discute grandes vitórias. O que aconteceu em Itália não será para esquecer, será para aprender.

"Nas etapas finais do Giro sentia-me vazio, inchado e sem energia. Estava a reter líquidos e nunca me senti bem. Raramente desisto das corridas. Sei sofrer e esperar que as coisas melhorem. Desta vez as coisas pioraram e o meu Giro transformou-se num pesadelo", recordou. Aru abandonou na etapa de Bardonecchia, numa altura em que estava a afunda-ser na classificação.

Tendo sido uma contratação dispendiosa para a UAE Team Emirates, a pressão aumenta para que Fabio Aru apresente resultados na última fase da temporada e tanto ele como Yates terão aprendido valiosas lições para colocarem em prática durante uma Vuelta que se vendo o lote de candidatos a começar a compor-se.

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27 de abril de 2018

Fabio Aru a precisar que a equipa não lhe falhe

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Ganhar a Vuelta meses depois de apenas um super Alberto Contador, que praticamente enfrentou toda a Astana sozinho, ter deixado Fabio Aru no segundo lugar no Giro, fez de 2015 o ano de afirmação do italiano. Na temporada seguinte estreou-se no Tour, mas foi uma desilusão (13º), tendo em conta as expectativas. Em 2017 queria apostar tudo no Giro100, mas uma queda num treino acabou com esse sonho. Porém, regressou ao Tour para ganhar uma etapa e até fazer um pouco de história, pois tirou a camisola amarela Chris Froome, habituado a quando a vestia, a ter até final. No entanto, terminou a corrida em perda, segundo o próprio por problemas de saúde que o limitaram.

Em 2018 assinou pela UAE Team Emirates, à procura de um contrato bem mais vantajoso financeiramente e de novos ares depois de seis anos na Astana. Queria regressar ao Giro, mas a equipa estava mais virada em utilizar os seus três grandes reforços no Tour (Aru, Daniel Martin e Alexander Kristoff). Porém, foi feita a sua vontade. Aru vai estar em Itália à procura de confirmar que a vitória na Vuelta não foi um acaso. Ninguém duvida das suas capacidades de voltista, mas estar na luta pela geral até final é algo que simplesmente não tem acontecido.

Fabio Aru chega ao Giro101 sem ter convencido durante a época até ao momento. Mas se do italiano se pode esperar que apareça bem melhor na grande volta, já quem pouco ou nada convence são os seus companheiros. As individualidades estão lá, mas o colectivo não tem funcionado.

Na Volta aos Alpes, Aru demonstrou ainda estar algo "preso" quando era preciso aumentar o ritmo. Apesar do sexto lugar, não conseguiu andar ao ritmo de Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) - o vencedor -, Miguel Ángel López (Astana), Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida) - que completaram o pódio - e Chris Froome (Sky). Todos adversários que irá encontrar no Giro. Não há razões para pânico, com Aru a ter tempo para ir subindo a sua forma. No entanto, o que ficou bem claro foi a falta de capacidade da equipa em proteger o seu líder. Apenas dois desse grupo estarão no Giro com Aru: Valerio Conti e Vegard Stake Laengen. Dos restantes agora chamados, pode-se dizer que na teoria oferecem toda a confiança, mas é difícil não colocar um ponto de interrogação.

Este é um problema que já vem desde os últimos tempos da Lampre-Merida. Que o diga Rui Costa! Os líderes tentem a ficar muito sozinhos, com os companheiros de equipa ou a nem aparecerem ou a irem à procura de resultados próprios. Diego Ulissi, por exemplo, sabe bem o que é ganhar etapas no Giro (seis) e certamente que terá a sua liberdade. Se se dispor a ajudar também Aru, será uma dupla importante, trio se John Darwin Atapuma estiver em momento sim. A este colombiano não lhe falta talento, mas falha sempre algum pormenor nos momentos decisivos. Uma vitória de etapa em grandes voltas já lhe escapou umas quantas vezes. Foi nono no Giro há dois anos e a chegada de Aru e Martin tapou-lhe um caminho que provavelmente pensaria ser dele: ter a oportunidade de ser líder indiscutível numa volta.

Jan Polanc foi uma das sensações no Giro100. Venceu no Etna e terminou à porta do top dez. Aos 25 anos quer afirmar-se e apesar de ter tempo para tal, será difícil colocar de lado o pensamento que poderá repetir e até fazer melhor do que em 2017.

A veterania de Marco Marcato (34 anos) e Manuele Mori (37) terá o seu papel dentro da equipa, principalmente porque os dois ciclistas poderão assumir-se como leais homens de trabalho. Contudo, se a UAE Team Emirates não encontrar forma de colocar os seus melhores corredores a trabalhar para o líder, é Aru quem vai ter muito trabalho em disputar uma corrida, na qual encontrará uma Sky, Groupama-FDJ e Sunweb, por exemplo, 100% dedicadas aos seus números uns.

Fabio Aru precisa de união na sua equipa e também de um pouco de sorte, como o próprio disse antes da Volta aos Alpes. Entre quedas e indisposições, o ciclista tem ficado fora da discussão de momentos importantes. Mas é preciso mais do que sorte e se a UAE Team Emirates não corresponder colectivamente, então ou Aru veste a pele de Alberto Contador de 2015, ou o campeão italiano verá serem reduzidas as possibilidades de discutir o Giro. E Aru já destacou que precisa de ter cerca de 1:30 minutos de vantagem sobre um Tom Dumoulin, por exemplo, quando chegar o contra-relógio de 34,5 quilómetros de Rovereto, na 16ª etapa.

Com a UAE Team Emirates a ameaçar chegar ao Giro com apenas duas vitórias este ano, a pressão sobre Fabio Aru aumenta ainda mais. Resultados precisam-se numa equipa que tanto investiu.

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23 de janeiro de 2018

Aru e Nibali inimigos? "Aprendi muito com o Vincenzo"

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Fabio Aru prepara-se para uma nova fase da carreira depois de seis anos na Astana, durante os quais se tornou num dos mais respeitados ciclistas do pelotão, mas a quem falta dar seguimento à vitória na Vuelta em 2015, mas se tornar em mais do que um candidato a top dez ou pódio. Na UAE Team Emirates, o italiano quer definitivamente ser um candidato à vitória. Quer ser um grande vencedor como o amigo (e até conselheiro) Vincenzo Nibali. Numa recente entrevista, o ciclista de 27 anos falou sobre a sua relação com o compatriota e de como está a apontar aos Mundiais, à Vuelta e talvez ao Giro... ou ao Tour.

Com seis anos a separá-los, Aru ainda está longe do currículo que Nibali apresenta aos 33 anos. Ganhou as três grandes voltas, o Giro por duas vezes, tem duas vitórias em monumentos, ambas da Lombardia, sete etapas na Volta a Itália, cinco no Tour, ao todo 50 triunfos. Aru vai em nove, com uma Vuelta já ganha, mais duas tiradas, além das três no Giro. Os seus melhores anos foram 2014 e 2015, ainda que no ano passado tenho feito quinto no Tour, tendo até vestido a camisola amarela e ganho uma etapa. Porém, falta algo a Aru para dar o passo para um nível de triunfos que já era expectável ter alcançado com maior regularidade O italiano espera encontrar o que lhe falta na UAE Team Emirates, mas também, quem sabe, beneficiando dos conselhos de Nibali.

"Eu sei que muitos pensam que somos inimigos, mas, de facto, somos amigos, vamos pedalar juntos. Às vezes vamos aos jantares de família e passamos muito tempo juntos", contou Aru ao Corriere dello Sport. O italiano admitiu mesmo: "Aprendi muito com o Vincenzo. Para mim é uma motivação. Somos de dimensões diferentes, ele ganhou muito e para mim o Nibali é um objectivo, um ponto de chegada." Para já será a Volta a Espanha que poderá contar com os dois principais símbolos do ciclismo transalpino actual, pois Aru referiu que ainda não está decidido se irá à Volta a Itália, como inicialmente se previa. Nibali preferiu o Tour, já na UAE Team Emirates estará por decidir se a equipa levará todas as suas novas armas a França. Daniel Martin e Alexander Kristoff estão garantidos, mas Aru está a ser equacionado para assim aumentar a possibilidade de pelo menos um pódio em Paris. Numa visão mais portuguesa, continua-se sem saber que papel terá Rui Costa perante estes reforços de luxo.

Amigos, amigos, corridas à parte... Ou talvez não. Se durante todo o ano serão rivais, já nos Mundiais é possível que Aru e Nibali que tenham de trabalhar juntos em prol do título mundial. Quem será o líder? Será preciso esperar e ver como decorre a temporada, mas Aru não duvida que tanto Nibali, como ele próprio trabalharão na ajuda de quem for o número um. "Não quero parecer trivial e vou ser honesto, gostaria de fazer um bom Mundial, mas não disse que o queria para mim", afirmou, salientando ainda que, além dele e Nibali, Gianni Moscon e Diego Ulissi são outros ciclistas que podem muito bem estar em condições de lutar pela camisola do arco-íris. Não haverá dúvidas que a selecção italiana terá o potencial para ser uma das mais forte nos Mundiais de Innsbruck.

E não há entrevista que nas últimas semanas não inclua o tema Chris Froome. Tal como a maioria dos corredores, Aru apela a uma rápida conclusão do processo "para o bem do ciclismo". No entanto, abordou a vertente competitiva, longe do caso do salbutamol: "Honestamente não acho que ele seja imbatível. Nunca penso isso de ninguém. Mas ele é muito forte tanto na montanha, como no contra-relógio. É um incentivo tentar batê-lo."

Contudo, neste momento, nem Fabio Aru, nem nenhum ciclista sabe quando e onde irá poder enfrentar Chris Froome. Resta pensarem neles próprios e é isso que o italiano está a fazer, tendo estado a trabalhar no contra-relógio, vertente que admitiu precisar de melhorar. A estreia de Aru pela UAE Team Emirates está marcada para 21 de Fevereiro, no arranque da Volta a Abu Dhabi. Para a nova equipa será estar a correr em casa e com a responsabilidade de ter o vencedor em prova, Rui Costa, que estará ao lado do italiano. Aru segue para o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, Volta à Catalunha, Volta ao Alpes e Liège-Bastogne-Liège.

Quanto ao amigo Nibali, começou a temporada com problemas de estômago que o afastaram da Volta a San Juan. A viagem à Argentina foi em vão, pelo que o italiano da Bahrain-Merida alterou os seus planos. O início de temporada foi adiado para 13 de Fevereiro, na Volta a Omã. Irá cruzar-se com Aru na Milano-Sanremo e Liège-Bastogne-Liège, mas pelo meio fará a Volta a Flandres. É difícil esconder que Nibali quer ganhar mais um monumento, além da Lombardia. A pensar na Volta a França, irá estar no Critérium du Dauphiné.


12 de janeiro de 2018

Aru apresentou nova camisola de campeão mas os 'tifosi' não vêem grandes diferenças

A primeira versão, na imagem, não agradou aos tifosi
(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Depois da polémica quando Fabio Aru apareceu pela primeira vez vestido com o equipamento da sua nova equipa - os tifosi não gostaram nada da UAE Team Emirates ter dado pouco destaque à bandeira italiana, que simboliza o campeão nacional -, o ciclista apresentou a segunda e versão final. Na Astana a camisola era completamente tricolor, a primeira versão na equipa de Abu Dhabi foi recebida com choque pela bandeira ser discreta, a segunda gerou algumas dúvidas. Há diferenças, mas não tão distintas que suscitassem elogios. Há mesmo quem questione quais são as mudanças, nos "debates" que vão surgindo nas redes sociais.


"Gosto da camisola e estou honrado por poder vesti-la nos próximos meses. A tricolore é muito mais clara. É uma camisola especial", afirmou Fabio Aru à Gazzetta dello Sport. A UAE Team Emirates não seguiu o exemplo da Astana, mas a bandeira está agora maior, em destaque, com o nome da equipa mais pequeno, ainda que sem perder visibilidade. As mangas também têm as cores italianas. Aru apenas apareceu com a camisola num evento em Milão relacionado com as bicicletas Colnago que a equipa utiliza, mas depois da polémica inicial, foi dito pelo director da formação, Giuseppe Saronni, que também as meias teriam a bandeira. Na imagem ao lado, à esquerda está a camisola que Aru vestiu na Astana e à direita a primeira versão da UAE Team Emirates. Em baixo, a versão final. (O texto continua depois do twit.)


Independentemente do gosto pela nova camisola de Aru, é esta segunda versão que veio para ficar, pelo que as atenções centram-se completamente na questão: Giro ou Tour? Apesar do italiano ter deixado indicações, ainda no ano passado, que era a "sua" grande volta que gostaria de fazer, Saronni veio depois dizer que a equipa poderia pensar em jogar as suas três contratações na Volta a França, ou seja, Daniel Martin, Alexander Kristoff e Aru. Kristoff é para os sprints, Martin disse não à Sky porque quer tentar lutar pela geral no Tour, como o confirmou há poucos dias.

Depois de uma estreia na Volta a França, em 2016, muito pouco convincente para quem tinha vencido a Vuelta um ano antes, Aru regressou em 2017, após o seu principal objectivo ter ficado fora de questão devido a uma queda. Viu o Giro100 de fora, mas em França apareceu em grande, vencendo uma etapa e vestindo mais tarde a camisola amarela, antes de Chris Froome a reclamar definitivamente. Porém, aos 27 anos, é ganhar o Giro que parece ser o principal sonho, de momento, para Fabio Aru, que em 2015 bem tentou contrariar um super Alberto Contador, que aguentou os ataques do italiano e do então companheiro de Aru, Mikel Landa.

Apesar da contratação de Daniel Martin, Fabio Aru acaba por ser a figura mais mediática. É ele quem estará na Volta a Abu Dhabi, corrida em casa da UAE Team Emirates, que Rui Costa ganhou no ano passado. O português estará com o italiano na competição, enquanto Martin escolheu a Volta ao Algarve para preparar o seu primeiro grande objectivo: a semana das Ardenas, antes de se concentrar exclusivamente no Tour.

A dobradinha Giro/Tour não é, aparentemente, opção, pois Aru quer ir à Vuelta para preparar os Mundiais. Ganhar a camisola do arco-íris em Innsbruck faz parte do plano da temporada. No evento em Milão, nem Fabio Aru, nem Giuseppe Saronni quiseram acabar com o suspense, ainda que em Itália, muito se tem escrito que é o Giro que contará com Aru. É natural que o desejo seja grande para os tifosi, que já sabem que a outra grande figura, Vincenzo Nibali, apostará na Volta a França.



2 de janeiro de 2018

A eterna polémica das camisolas dos campeões nacionais

(Fotografia: UAE Team Emirates)
No primeiro dia do ano as redes sociais foram bombardeadas com os ciclistas a mostrarem os novos equipamentos. Para alguns foi mesmo a primeira vez que vestiram as cores da nova equipa. E para começar bem 2018, houve logo uma polémica com Fabio Aru, ou melhor, com a camisola que a UAE Team Emirates atribuiu ao campeão italiano. O discreto desenho da bandeira de Itália, na parte de baixo da camisola, gerou uma onda de críticas. Na Astana, Aru tinha uma camisola tricolor, pelo que a mudança não foi do agrado dos tifosi. Esta é uma discussão que se arrasta ano após ano. Há equipas que dão pouco destaque a um campeão nacional, pois a maior visibilidade vai sempre para o(s) patrocinador(es), que suporta(m) a existência da estrutura.

A Movistar, por exemplo, é das formações que, apesar de nos últimos anos ter a maioria das vezes um ciclista seu campeão, coloca apenas uma pequena bandeira espanhola, que quase não se vê. A UAE Team Emirates seguiu um pouco a mesma lógica, ainda que a bandeira até seja um pouco mais visível. Porém, perante a reacção adversa, tanto Aru como o director da equipa, Giuseppe Saronni, já vieram a público garantir que a versão apresentada no dia 1 não será aquela que Aru irá vestir quando começar a competir.

"É apenas uma versão provisória. Os tifosi podem acalmar-se, as cores da bandeira italiana estarão mais visíveis. A 'verdadeira' camisola será apresentada mais adiante, num evento oficial. É elegante e bonita. Garanto", afirmou Aru à Gazzetta dello Sport. Saronni acrescentou que os "princípios básicos irão manter-se", mas a bandeira irá ser mais visível e em "toda a extensão do corpo". O director disse ainda que tanto as mangas como as meias terão também uma alusão à bandeira de Itália.

Perante as regras que se ajustam à realidade do ciclismo precisar de dar destaque a quem investe nas equipas, só algumas equipas beneficiam as cores de um campeão nacional. "Este é o mundo do ciclismo actualmente. Eu entendo os tifosi, mas há muitas exigências que têm de ser cumpridas. Não estou a dizer que as pessoas devem apenas aceitar, mas espero que compreendam", desabafou Saronni.

(Fotografia: Twitter FDJ)
E enquanto se espera pela versão "verdadeira" da camisola de campeão nacional de Fabio Aru na UAE Team Emirates, a FDJ apresentou a do holandês Ramon Sinkeldam. Na Holanda, os adeptos terão ficado bem mais satisfeitos, já que quando o ciclista ganhou os Nacionais em Junho, a Sunweb apenas colocou uma bandeira discreta no equipamento, o que originou uma polémica idêntica ao caso que envolve Aru.

A equipa francesa é a que mais destaque dá, pois a publicidade pode ser vista apenas na gola. Ou seja, é o patrocinador que tem um lugar discreto. Na FDJ considera-se que a bandeira deve ser respeitada. Claro que há a curiosidade das cores entre a França e Holanda. Se as bandeiras são diferentes porque uma tem as riscas verticais e a outra horizontais, ambas têm o azul, branco e vermelho e nos equipamentos a disposição é sempre horizontal. A francesa começa com o azul, a holandesa com o vermelho. A FDJ encara com boa disposição o facto dos equipamentos serem parecidos, como se vê na fotografia publicada no Twitter. Pelo que se pode ver na imagem, os calções poderão ser uma ajuda para esclarecer alguma dúvida momentânea sobre a ordem das cores das bandeiras! Tendo em conta que Arnaud Démare e Sinkeldam vão estar na Volta ao Algarve, é melhor ter atenção às diferenças!

Na Bélgica também se valoriza e muito um campeão nacional. Oliver Naesen veste as cores da bandeira, restando à AG2R colocar o nome. O campeão português segue o exemplo mais adoptado de uma camisola branca com as cores da bandeira e a esfera armilar e o escudo. Sobra espaço suficiente para o patrocinador ficar bem visível. De recordar que Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) é quem enverga a camisola de campeão nacional.

»»Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve««

»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

28 de novembro de 2017

Um ano com Scarponi no pensamento e com as vitórias a escassearem

(Fotografia: Facebook Astana)
Em tempos foi uma toda poderosa equipa. Mas os tempos são outros e mesmo sendo uma estrutura com um orçamento bem folgado, a Astana vive uma fase de algum descrédito. As grandes figuras não querem ficar, outras não querem ir para lá. Ainda assim, entrou em 2017 com um conjunto de ciclistas preparados a lutar por corridas. Fabio Aru estava determinado em ganhar o Giro100, Miguel Ángel López passou grande parte da temporada a recuperar de uma fractura na perna feita no final de 2016, mas apontava nem que fosse à Vuelta. Jakob Fuglsang teria a oportunidade de liderar no Tour e depois haveria um Dario Cataldo, um Oscar Gatto, Tanel Kangert, Luis Leon Sanchez e Alexey Lutsenko, entre outros, que poderiam sempre conquistar alguns triunfos. Porém, cedo ser percebeu que esta Astana teria dificuldade em impor-se como outrora, mas esse acabou por ser o menor dos problemas.

A época começou difícil, teve o pior momento possível em Abril e apesar de umas poucas alegrias, acabou novamente mal. O arranque não poderia ser mais desesperante, os meses passaram e vitórias... nem vê-las. O foco estava no Giro100 e em Aru, até que o líder caiu durante um treino e a recuperação ia ser demorada. Alexander Vinokourov, director da equipa, bem podia levar as mãos à cabeça. Nestes momentos sabe sempre bem ter um ciclista como Michele Scarponi. Apesar da veterania, era claro que a experiência poderia ser uma mais valia e Scarpa deu a resposta ao vencer na primeira etapa da Volta aos Alpes. Estávamos a 17 de Abril. Um pequeno suspiro de alívio por parte da Astana. Estaria a época a compor-se? Cinco dias mais tarde o ciclismo sofreu uma perda enorme. Scarponi foi atropelado ao treinar perto de casa. Morreu e deixou um vazio no pelotão. E deixou uma Astana sem rumo para a Volta a Itália.

Entre lágrimas e vontade de homenagear o seu companheiro, os ciclistas da Astana partiram para o Giro apenas com a responsabilidade de tentar aquela vitória de etapa que pudessem dedicar a Scarponi. Foram só oito corredores, pois Vinokourov não quis substituir o líder. O número um da equipa era para Scarpa e para Scarpa ficou. Muito lutaram os homens da Astana, mas o triunfo desejado só chegaria a 9 de Junho no Critérium du Dauphiné. Jakob Fuglsang aparecia num momento crucial: venceu duas etapas e a geral da competição vista como a que dá as indicações para o Tour. Não só libertou a equipa da pressão da falta de vitórias, como finalmente era feita a homenagem a Scarponi. E finalmente a Astana entrou um pouco mais nos eixos.


Ranking: 15º (5018 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour, três na Vuelta, duas e a geral no Critérium du Dauphiné)
Ciclista com mais triunfos: Jakob Fuglsang e Miguel Ángel Lopez (4)

A emoção da ausência de Scarponi esteve sempre presente. Era inevitável. No entanto, surgiram outros problemas devido à mudança de calendário de Aru. Falhando o Giro, passou para o Tour, onde o dinamarquês tinha recebido garantias que seria líder. Fuglsang (32 anos) reagiu conquistando o Critérium du Dauphiné e falou-se de uma liderança partilhada com o italiano. Naturalmente que ninguém acreditou. Na estrada o dinamarquês tentou manter-se junto dos candidatos, mas acabaria por abandonar. Entretanto, Aru ganhou uma etapa e até andou de amarelo. Problemas de saúde prejudicaram o seu final na Volta a França e nem ao pódio conseguiu subir. Ainda assim, o quinto lugar foi positivo. Já o 13º na Vuelta, nem por isso.

Mas não foi grave, pois em Espanha reapareceu Miguel Ángel López. O pequeno colombiano, que tanto está a entusiasmar pela forma aguerrida de competir, ganhou duas etapas. Foi oitavo na geral e agora espera-se que evite acidentes na pré-temporada para que apareça em grande em 2018. É que a Astana bem precisa. Lutsenko também venceu uma etapa.

A felicidade de concluir a última grande volta com algum destaque esfumou-se bastante rápido. Depois de Vincenzo Nibali sair no final de 2016, foi Fabio Aru quem bateu com a porta. Era um desfecho mais do que anunciado, mas Vinokourov disse que foi apanhado de surpresa e até ameaçou processar o italiano. Defende que ficou sem alternativas para contratar porque Aru avisou tarde que não renovaria, o que prejudica a equipa para 2018. E de facto a equipa fica orfã de um líder. Falou-se de Nairo Quintana, mas este não quebrou contrato com a Movistar, Mikel Landa não quis regressar e Rigoberto Uran preferiu continuar na Cannondale-Drapac, futura EF Education First-Drapac powered by Cannondale.

Restou ao responsável cazaque admitir o óbvio: aos 23 anos, Superman López, como é conhecido, vai mesmo assumir papel de líder, com Fuglsang a ter uma nova oportunidade, só não se sabe em qual das três grandes voltas. Porém, o dinamarquês poderá ver um Jan Hirt passar-lhe rapidamente na hierarquia, já que é um ciclista que poderá em pouco tempo alcançar bons resultados, tendo em conta o que fez no Giro ao serviço da CCC Sprandi Polkowice. Omar Fraile (Dimension Data) será um homem com características para lutar por etapas e talvez uma ajuda interessante ao jovem López. Davide Villella (Cannondale-Drapac) será uma opção forte para as clássicas, Magnus Cort Nielsen (Orica-Scott) é ciclista para mexer com corridas e procurar surpreender. Espera-se ainda que após um ano a adaptar-se ao World Tour, o espanhol Pello Bilbao possa começar a ser uma opção mais séria para lutar pela geral das provas por etapas.

Certo, é que a Astana não poderá continuar a um nível tão baixo. O Critérium du Dauphiné, as etapas no Tour e Vuelta são sempre triunfos importantes. Mas para quem sempre assumiu querer ganhar as mais importantes corridas, passar meses sem vitórias e passar quase ao lado da discussão de algumas das principais provas... É normal que Vinokourov se sinta frustrado e vai exigir (e de que maneira) muito mais aos seus ciclistas em 2018.

»»Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo««

»»Um pouco (mas pouco) de Pinot e Démare a confirmar-se nas clássicas. FDJ precisa de mais e melhor««

»»Uma Dimension Data a precisar de mudanças««