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16 de abril de 2019

Sobreviver ao Paris-Roubaix incólume não é fácil. Que o diga Benoot, Keisse, Vanmarcke, Kristoff...

(Fotografia: © Gruber Images/Paris-Roubaix)
No rescaldo do Paris-Roubaix, entre quedas, choques, furos e falhas mecânicas, a corrida ficou estragada para vários ciclistas por incidentes que acontecem em qualquer prova de ciclismo, é certo, mas nesta, é quase mais provável que aconteça alguma coisa, do que um corredor sair completamente incólume dos mais de 250 quilómetros deste Inferno do Norte. Não é à toa que é assim conhecido este monumento. Que o diga Tiesj Benoot. No seu caso, foi algo mais inesperado que aconteceu, terminando não só com a sua corrida, mas com a época de clássicas. O acidentado Wout van Aert (saída de estrada, troca de bicicleta, queda e depois ficar sem forças para seguir com o grupo da frente) foi acompanhado quase todo o tempo na transmissão televisiva, mas houve pormenores com outros ciclistas - falta de energia e de atenção incluídos - que só mais tarde se percebeu o que aconteceu.

Tiesj Benoot (Lotto Soudal) foi visto a tentar recuperar terreno, numa altura em que a câmara acompanhava um Wout van Aert (Jumbo-Visma) a mostrar toda a sua mestria na bicicleta, a passar entre carros para tentar retomar o grupo da frente, depois de ter descolado após uma saída de "estrada" (leia-se pavé) na Trouée d'Arenberg (Floresta de Arenberg). Pensou-se que Benoot até poderia ser um bom aliado para o compatriota apesar de serem de equipa rivais. Porém, Benoot desapareceu das imagens. Mais tarde viu-se que um carro da Jumbo-Visma tinha o vidro traseiro completamente quebrado (imagem em baixo). Foi Benoot que chocou com muita violência contra o veículo.

(Imagem: print screen)
"Numa certa altura, o carro da Jumbo-Visma que estava à minha frente, de repente, fechou tudo [espaço]. Não consegui responder e fui direito a ele. O vidro partiu-se completamente. Um motociclista que vinha atrás de mim, tentou desviar-se de mim e acabou por cair por cima de mim. Quando estava no chão, estava com muitas dores em todo o lado", explicou Benoot ao Het Nieuwsblad.

Resultado: clavícula partida e falhará a Amstel Gold Race, que deveria ser a sua última clássica antes de uma paragem para recuperar forças e pensar na segunda metade da temporada, que terá a Volta a França como ponto alto.

Quem também não ficou nada bem tratado foi Iljo Keisse. O belga da Deceuninck-QuickStep foi contra um poste de sinalização numa ilha de tráfego. Keisse explicou que não viu aquela divisão, pois estava tapado pelo ciclista que ia à sua frente e que se desviou no último instante. Keisse já não conseguiu fazer o mesmo. As dores eram muitas e com razão. Keisse fracturou o cotovelo e teve de ser operado. Nos próximos dez dias terá um gesso no braço.

Entre os problemas mecânicos e furos, Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) é capaz de ter ganho o prémio do mais azarado. Com três furos é impossível fazer algo de bom no Paris-Roubaix e ficou novamente bem claro como a escolha errada de equipamento pode fazer toda a diferença. Com os 29 sectores de pavé, alguns extremamente agressivos, todos os pormenores contam e Kristoff admitiu que escolheu mal as rodas e os pneus: tubeless (sem câmara de ar).

"Eu sabia que era um risco, mas estas rodas eram mesmo boas. Tive sucesso com elas nas últimas semanas [ganhou a Gent-Wevelgem e foi terceiro na Volta a Flandres] e sentia-me bem hoje [domingo] até furar. Não vou tentar de novo no próximo ano [com este equipamento]", disse Kristoff ao Cycling News, referindo-se à escolha de rodas que levam pneus tubeless. Ao fim de três furos, regressou ao sistema normal e terminou a corrida, mas a mais de 14 minutos do vencedor Philippe Gilbert.

Talvez ainda mais desiludido tenha ficado Sep Vanmarcke. O ciclista da EF Education First nem surgia como grande favorito dada a lesão no joelho que o afectou nas semanas anteriores, após uma queda. Porém, o belga apareceu em grande forma, mas com este ciclista não há nada a fazer, acontece sempre alguma coisa que o afasta de potenciais vitórias.

Quando Nils Politt (Katusha-Alpecin) atacou, levando com ele Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), Vanmarcke desesperava apontando para a sua bicicleta. No momento crucial da corrida não conseguiu mexer as mudanças, ficando preso numa que o obrigou a um enorme esforço. "Nunca me teriam deixado para trás", garantiu o ciclista, que afirmou que se estava a sentir muito bem fisicamente. A passar um dos sectores de pavé mais importantes, o Carrefour de l'Arbre, Vanmarcke ou parava ou tentava continuar até que finalmente pudesse contar com o apoio do carro da equipa que estava mais atrás.

O apoio no Paris-Roubaix é um autêntico inferno e Vanmarcke admitiu que o tempo em que teve de pedalar naquelas condições acabou por esgotar as suas forças. "Teria sido melhor ter ficado em casa no sofá. Assim não estaria tão desiludido como estou agora", afirmou, depois de cortar a meta no quarto lugar.

Para terminar temos Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e vencedor do Paris-Roubaix em 2018 e Greg van Avermaet (CCC), vencedor em 2017. O primeiro repetiu a história da Volta a Flandres e Milano-Sanremo. Está tudo a correr relativamente bem, até parecia estar no seu melhor esta época, mas quando se deu o ataque final: "Faltou-me alguma energia no final."

Se ao eslovaco faltou energia a Avermaet faltou atenção. O belga ficou fora da discussão no ataque feito a cerca de 50 quilómetros da meta e que permitiu formar o grupo de seis ciclistas que seguiu até perto do fim. "Não estava bem acordado quando aqueles seis homens escaparam e a minha corrida ficou praticamente terminada", admitiu Cycling News, acrescentando que não estava bem colocado, estando demasiado atrás no grupo, o que lhe tirou qualquer possibilidade de acompanhar os ciclistas que ficaram na frente.

Para o ano, há mais. Mas  aqui ficam estas imagens espectaculares da perspectiva de quem vai nesta fantástica corrida e que ajudam a perceber como é difícil fazer um Paris-Roubaix sem sofrer qualquer contratempo.


31 de março de 2019

Um Kristoff de raiva que não se deixa abater

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Mais do que nunca, aquele gesto de celebração e aquela expressão com dentes cerrados deixou transparecer alguma (provavelmente até muita) libertação de raiva e frustração, demonstrando tudo o que vai na alma de Alexander Kristoff. Desde que venceu dois monumentos em 2014 e 2015 que o norueguês tem estado constantemente a ter de provar que é um ciclista de topo e que merece ser um líder. Porém, tem revelado a capacidade de, por mais que as coisas lhe corram mal, conseguir aparecer com pelo menos uma grande vitória todas as épocas. Pode não ganhar muito nas principais corridas como outrora, mas ao juntar a Gent-Wevelgem deste domingo ao seu currículo, a lista é de respeito e deixa claro que mantê-lo como lançador de Fernando Gaviria será injusto.

A sua saída da Katusha foi inevitável, depois de ter tantas dificuldades em manter o nível que tinha demonstrado. Nunca deixou de ganhar, mas começou a vencer menos e parecia estar sempre a ver as costas dos principais rivais. Em 2015 chegou a somar 20 triunfos, tendo conquistado a Volta a Flandres, um ano depois de ter sido o mais forte na Milano-Sanremo e em duas etapas no Tour. Estava no topo, mas a queda (e a quebra) foi grande. Chegou ao ponto de ser acusado de estar gordo! Aguentou toda a desconfiança, tentando não se deixar afectar e desconfiar dele próprio. Na UAE Team Emirates reencontrou quem lhe oferecia tudo para ser líder, mas acabou por ser só durante 2018.

Não foi uma época fantástica, mas vencer nos Campos Elísios é o ponto alto de qualquer sprinter. Kristoff, então o campeão europeu em título, deixou novamente a mensagem que não estava acabado, mas, aos 31 anos, não conseguiu transmitir toda a confiança aos responsáveis de uma equipa com cada vez mais dinheiro e que agarraram a oportunidade de contratar Fernando Gaviria. O norueguês foi-se resignando ao facto de ter de ser um lançador e até já desempenhou e bem o papel, com o colombiano a elogiá-lo. Contudo, não estava, nem era possível alguma vez estar, satisfeito com essa quebra de estatuto.

Na Gent-Wevelgem, uma das mais importantes corridas do pavé, Kristoff admitiu que tinha de preparar o sprint para o companheiro. Era este o plano da UAE Team Emirates. Foi Gaviria quem lhe disse para tentar a sua sorte, já que não se sentia no seu melhor, depois de ter sido segundo na Driedaagse Brugge-De Panne, onde foi batido categoricamente por Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma).

O norueguês aproveitou, mas já antes tinha mostrado quilómetros antes que não queria ser o número dois. Atacou, tentou apanhar a frente da corrida onde estavam, entre outros, Peter Sagan (Bora-Hangrohe) e Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), demonstrando logo ali uma força e uma vontade de raiva de lutar por uma vitória que a chegada de Gaviria à equipa não lhe permite.

Foi então um esforço inglório, é certo, mas ficaram forças para um sprint aos bons velhos tempos de Kristoff. Numa corrida de 251,5 quilómetros, feitos a uma velocidade louca - a média ficou nos 46,2 quilómetros/hora, mas chegou a ultrapassar os 51 -, era difícil não haver uma perna cansada nos que conseguiram chegar à recta da meta na frente. Mas foi Kristoff que deixou desta vez todos a verem as suas costas.

Foi a segunda vitória do ano - menos uma do que Gaviria -, depois de uma etapa na Volta a Omã, onde desde 2014 vence sempre. Kristoff precisa de mais se quer sair da inconfortável posição em que ficou com a chegada de Gaviria. Ir ao Tour como líder do sprint é uma ilusão, em circunstâncias normais. No entanto, se conseguir manter o nível, talvez tenha aberto uma porta para mais oportunidades, sem ter o colombiano a limitá-lo. E estando em final de contrato, se o seu pensamento estiver em procurar, outra vez, uma equipa que lhe dê o estatuto de líder para o sprint e clássicas, então é este Kristoff da Gent-Wevelgem que tem de aparecer mais vezes e não apenas numa grande vitória por ano.

A concorrência é forte, as opções para contratar são muitas, mas este Kristoff vale a pena não deixar cair para segundo plano. Nesta altura precisa de consistência e tem de se mostrar nos monumentos que se aproximam. Daqui a uma semana é a Volta a Flandres, seguindo-se no domingo seguinte, 14 de Abril, o Paris-Roubaix.

E no início do ponto alto das clássicas do pavé - a Através da Flandres realiza-se na quarta-feira - Kristoff e Oliver Naesen (AG2R) são duas das principais figuras pela forma que estão a apresentar. Quem diria! O belga fez pódio na Milano-Sanremo e foi agora terceiro na Gent-Wevelgem. Não está fácil confirmar as expectativas criadas há dois anos, mas este Naesen promete. Já Peter Sagan e Greg van Avermaet (CCC), os eternos favoritos, levantam muitas dúvidas quando ao estado de forma. Ambos precisam de um bom resultado. E sim, a Deceuninck-QuickStep pode ser derrotada. Essa foi uma das lições da Gent-Wevelgem.

Pode ver aqui a classificação completa da 81ª edição da Gent-Wevelgem neste link, via ProCyclingStats.

Na corrida feminina, a holandesa Kirsten Wild (WNT-Rotor Pro Cycling) está a mostrar-se imbatível neste terreno, vencendo novamente, depois de ter conquistado a Driedaagse Brugge-De Panne. A portuguesa Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) continua a fazer uma boa campanha de clássicas, terminando na 44ª posição, integrada no pelotão (resultados completos neste link).
»»Rui Costa está bem após acidente e a pensar no próximo objectivo««

»»Valverde marca despedida. Mas não é preciso entrar já em modo saudosista««

6 de dezembro de 2018

Mais investimento, novas figuras, mas o mesmo velho problema e um Aru irreconhecível

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Há dois anos pairava a incerteza quanto ao futuro de uma estrutura com história no ciclismo. A Lampre saiu e do Médio Oriente chegou a salvação. Primeiro com o investimento necessário, por assim dizer, mas que evoluiu até um poderio económico que lhe permite contratar ciclistas mais caros e até convencer aquele que é um dos melhores sprinters do mundo a quebrar contrato e que não saiu da Quick-Step Floors por tostões. A UAE Team Emirates tem dinheiro, mas na temporada em que investiu forte, os resultados desiludiram. E não fosse as vitórias de Dan Martin e Alexander Kristoff no Tour e teria sido uma época perdida. A maior das desilusões chamou-se Fabio Aru, que esteve irreconhecível. Rui Costa não foi feliz, com uma queda no Paris-Nice a afectá-lo grande parte da temporada. Contudo, o contrato foi renovado e irá se o "padrinho" dos dois novos portugueses que em 2019 chegarão ao World Tour.

Ter dinheiro traz estabilidade e a possibilidade de reforçar a equipa. Porém, contratar três estrelas do ciclismo não chega, principalmente se as individualidades não têm um colectivo forte e coeso no seu apoio. A UAE Team Emirates sofreu muito de um problema que vem do tempo da Lampre-Merida - que o diga Rui Costa -, com os seus líderes a ficarem muito sós, muito cedo, nos momentos decisivos das corridas. Já se sabe que há corredores com especial talento para sozinhos conseguirem, ainda assim, alcançar resultados. Contudo, são poucos os fora-de-série e se Aru, por exemplo, não esteve nada bem, também a equipa como um todo demonstrou que continua a não funcionar, apesar da qualidade de muitos dos seus ciclistas.

A fraca prestação de Aru foi uma das lições que teve de ser muito bem estudada, na esperança de recuperar o melhor do italiano para 2019. Apesar da equipa querer colocar as suas três novas estrelas - Aru, Martin e Kristoff - no Tour, Aru concretizou o desejo de estar no Giro. Uma queda na Volta a Catalunha acabaria por ser um primeiro indicativo que o esperava uma época complicada. Corrida após corrida foi um Fabio Aru em esforço sempre que a alta montanha chegava. Aquele movimento que lhe é típico de se mexer muito de um lado para o outro na bicicleta quando sobe, foi muito intenso, revelando um corredor em constante dificuldade.

Num momento de união, Aru foi escoltado pela sua equipa no Giro quando quebrou, numa imagem que não deixou de ser de um ciclista derrotado. Reapareceu no contra-relógio, mas foi sancionado por aproveitar o cone de vento de um carro. Passou completamente ao lado da época. Nem na Vuelta, que conquistou em 2015, teve capacidade para se mostrar, com uma queda e o momento de fúria misturado com frustração que se seguiu a ser o principal destaque. Para um ciclista que deixou a Astana à procura de um ordenado mais alto e de outros ares, foi uma aposta perdida da UAE Team Emirates, que espera um Aru bem diferente em 2019.

Dan Martin também não começou bem. O próprio admitiu que estava a colocar demasiada pressão em si mesmo. Quando relaxou e voltou ao sentimento mais básico de simplesmente aproveitar todos os momentos em que está a fazer o que mais gosta, Martin apareceu. Ganhou uma etapa no Critérium du Dauphiné e foi ao Tour ganhar no Mûr de Bretagne. Foi ainda nono na Lombardia depois de uma Vuelta que abandonou para acompanhar a mulher grávida de gémeas.

Ranking: 12º (5495 pontos)
Vitórias: 12 (incluindo duas etapas no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (5)

Kristoff recuperou a alegria após um ano difícil na Katusha-Alpecin. Ganhar nos Campos Elísios faz a época de qualquer sprinter. No entanto, apesar dos cinco triunfos, é mais do que claro que o norueguês não é aquele sprinter de quem se pode esperar muitas e grandes vitórias. A contratação de Fernando Gaviria é a prova que os responsáveis da equipa, pensam precisamente isso. A Kristoff pode restar a possibilidade de ainda ser aposta em algumas clássicas.

Dos ciclistas que já eram da casa, Diego Ulissi foi regular, mas sem entusiasmar e sem estar muito na luta por vitórias, tendo alcançado uma na Volta à Suíça. Este italiano é capaz de muito melhor, pelo que foi mais uma desilusão. Também Rui Costa esteve muito abaixo do esperado, com uma lesão no joelho a limitá-lo durante muito tempo. Queria regressar ao Tour depois de em 2017 ter apostado no Giro e Vuelta. Em Abril, apesar de se mostrar nas Clássicas das Ardenas sem entusiasmar, fez uma grande Volta à Romandia (foi quinto) e parecia estar a subir de forma, até que anunciou que não iria à Volta à Suíça devido ao problema no joelho. Falharia depois o Tour. Também não foi à Vuelta e pela primeira vez desde que chegou ao World Tour, o campeão do mundo de 2013 não fez nenhuma grande volta.

Na recta final da época surgiu mais forte, foi 10º nos Mundiais e finalmente chegou a confirmação que ficaria mais um ano na UAE Team Emirates, em mais uma oportunidade para mostrar o que pode dar, mesmo com a equipa a contratar cada vez mais estrelas.

Ben Swift e John Darwin Atapuma foram dois nomes que quase deu para esquecer que estavam na equipa e ambos estão de saída. Jan Polanc e Valerio Conti foram algo irregulares, enquanto Sven Erik Bystrom confirmou credenciais, ainda mais quando ficou perto de ganhar uma etapa na Vuelta.

A UAE Team Emirates quer ser uma equipa de topo rapidamente, mas sabe que 12 vitórias num ano não chega. Fabio Aru vai continuar a ser a aposta para as grandes voltas e um dos reforços poderá ser uma preciosa ajuda para o italiano. Sergio Henao deixa a Sky e tem tudo para ser o novo braço direito do italiano. Dan Martin não desiste de perseguir o sonho de um pódio no Tour, mas é em Aru em quem está a maior esperança de um bom resultado numa corrida de três semanas.

No entanto, é em Fernando Gaviria que se aposta praticamente tudo para aumentar o número de vitórias e, claro, que sejam além de muitas, nas principais corridas. A UAE Team Emirates vai colocar rum comboio à disposição do colombiano, com Kristoff esperançoso que não seja reduzido a esse papel, mas poderá não conseguir escapar a tal se quiser estar, por exemplo, no Tour. A vida não tem sido fácil para muitos dos ciclistas que deixam a Quick-Step Floors. A ver vamos se Gaviria quebra esse enguiço.

A UAE Team Emirates também já olha para o futuro. Quase se esquece que Gaviria tem apenas 24 anos dada as vitórias que já alcançou, pelo que o sprinter é o presente e o futuro. Já Ivo e Rui Oliveira, Jasper Philipsen e Tadej Pogacar são ciclistas que vão estrear-se no World Tour, pelo que terão a sua oportunidade para se adaptar, antes da pressão de resultados e boas exibições começar a pesar.

Joxean 'Matxin' Fernández, é um dos directores desta equipa. Com uma enorme experiência na modalidade, antes de se juntar à UAE Team Emirates em 2018, foi olheiro para a Quick-Step Floors, pelo que teve a sua influência na escolha de Gaviria. É um profundo conhecedor de jovens ciclistas e muito atento ao que se passa em Portugal. A evolução dos gémeos não lhe passou naturalmente despercebida, na pista e na estrada. Depois de dois anos numa das melhores estruturas para jovens, a Hagens Berman Axeon, Ivo e Rui, campeão nacional de contra-relógio e de fundo de sub-23, respectivamente, dão o salto mais do que esperado, com Rui Costa à espera de os receber.

O companheiro da formação americana, Jasper Philipsen, segue o mesmo caminho. É um belga de talento para as clássicas, enquanto Tadej Pogacar, tem o potencial para as provas por etapas. Estamos perante um esloveno que ganhou o Tour de l'Avenir e que acumulou muitos e bons resultados em corridas idênticas. Mais um ciclista a ter em atenção, num conjunto de jovens de qualidade que esta UAE Team Emirates assegurou para os próximos dois anos.

Permanências: Fabio Aru, Dan Martin, Alexander Kristoff, Rui Costa, Diego Ulissi, Valerio Conti, Sven Erik Bystrom, Simone Consonni, Roberto Ferrari, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Manuel Mori, Simone Petilli, Jan Polanc, Edward Ravasi, Rory Sutherland, Oliviero Troia, Kristijan Durasek, Alexandr Riabushenko e Yousif Mirza.

Contratações: Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon), Jasper Philipsen (Hagens Berman Axeon), Sergio Henao (Sky) Tadej Pogacar (Ljubljana Gusto Xaurum), Tom Bohli (BMC) Sebastián Molano (Manzana Postobón), Cristian Camilo Muñoz (Coldeportes Zenu Sello Rojo).


1 de novembro de 2018

Alexander Kristoff, o preterido

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
Na Katusha tornou-se num ciclista com dois monumentos no currículo, mais duas etapas na Volta a França, além de muitos outros bons triunfos. 2014 e 2015 foram anos fenomenais para Alexander Kristoff. No entanto, quando não conseguiu manter o nível tão elevado, a equipa foi buscar Marcel Kittel. O norueguês considerou que ainda não estava na altura de se tornar num homem de trabalho e encontrou na UAE Team Emirates o espaço para continuar a ser líder. Pode não ter sido uma época brilhante, mas cinco das 12 vitórias da formação árabe são dele, uma delas no sprint mais desejado do ano: nos Campos Elísios, na derradeira etapa da Volta a França. A UAE Team Emirates quer mais. Muito mais. E assim, continua a abrir os cordões à bolsa e convenceu Fernando Gaviria a quebrar contrato com a Quick-Step Floors. Kristoff foi novamente preterido e vê-se forçado a pensar no que quer para o seu futuro próximo.

Tem 31 anos e acredita que pode continuar a ser um líder, ainda que vá enfrentando a possibilidade de ser afastado desse estatuto. A contratação de Gaviria apanhou-o de surpresa, mas, acima de tudo, Kristoff quer ser profissional, mesmo que isso signifique ter de trabalhar para o colombiano. "Há sempre novos ciclistas fortes, por isso, às vezes, tens de te afastar e passar a ser um homem de trabalho nos sprints. Não tenho certeza se estou preparado para isso, mas se a equipa me mandar ao Tour, gostaria de fazer o melhor possível. Não melhoras o teu valor de mercado se fizeres um mau trabalho", salientou Kristoff, ao site Procycling.no.

A equipa esteve recentemente reunida no Dubai, num encontro que serviu para os novos ciclistas se ambientarem à equipa. Fernando Gaviria foi, naturalmente, o destaque, não esquecendo que a UAE Team Emirates irá contar com os gémeos Oliveira nas próximas duas temporadas. Ainda não foi o momento para começar a definir as épocas de cada um dos corredores, pelo que Kristoff terá de aguardar por Dezembro, quando se realizar o estágio. "Há normalmente dois programas, o segundo inclui o Giro e a Vuelta, mas não o Tour. Vamos ver o que a equipa quer", explicou.

O norueguês referiu que a Volta a França é o principal objectivo da equipa, mas com apenas oito lugares disponíveis e com Gaviria a ter o Tour no topo da sua lista, Kristoff vai-se preparando para enfrentar o inevitável: "Não sei se alguém na equipa poderá ajudar mais o Gaviria do que eu, mas eu prefiro correr tendo as minhas oportunidades."

Kristoff recordou como a iminente chegada de Kittel à Katusha fez com que tentasse procurar uma solução para não ficar na sombra do alemão, ele que saiu da Quick-Step Floors com receio de ser ofuscado por Gaviria. O norueguês teve um 2017 muito complicado, chegando ao ponto de ser acusado de estar com peso a mais. O título europeu foi um ponto alto, mas não só é uma corrida longe de ser vista como um grande triunfo, como contou com um pelotão no qual não estiveram presentes quase nenhum dos principais sprinters. Aquele segundo lugar nos Mundiais teve tanto de honroso, como de frustrante. É difícil não pensar como teria sido se Kristoff tivesse vestido a camisola do arco-íris. De "ses" não se fazem os factos e ganhar a Prudential RideLondon-Surrey e a Eschborn-Frankfurt, não foi suficiente para convencer uma Katusha que queria muito mais. Tal como acontece agora com a UAE Team Emirates.

Kristoff rendeu bem mais e melhor do que Kittel este ano. Porém, Gaviria é o grande sprinter do momento. Ao norueguês talvez fique a possibilidade de liderar na Volta a Flandres (que venceu em 2015) e Paris-Roubaix, já que a experiência de Gaviria este ano no pavê não foi particularmente feliz. Na Milano-Sanremo - que Kristoff ganhou em 2014 - deverá ser o colombiano o preferido.

Ao contrário do que aconteceu na Katusha, Kristoff não pensa em sair da UAE Team Emirates, até admite continuar além de 2019, quando termina o seu actual contrato. "Gosto de estar aqui e sinto que a equipa está a evoluir na direcção certa", disse, admitindo que irá, contudo, analisar eventuais propostas que receba. "De momento, só me resta competir o melhor possível para ter mais poder negocial", realçou.

Kristoff não está disposto em desistir de ter mais algumas temporadas com destaque dentro de uma equipa, mas também já vai percebendo que o espaço é cada vez menor. Aos 24 anos, Gaviria é a figura do momento do sprint mundial, mas a UAE Team Emirates reforçou-se com outros jovens a pensar precisamente no sprint e nas clássicas que Kristoff mais gosta. Rui Oliveira (22 anos) tem demonstrado as suas características de sprinter, com Ivo a também saber bem o que fazer. A equipa foi buscar outro colombiano, Juan Sebastián Molano (23) que segue a escola colombiana de Gaviria nos sprints. Estava na Manzana Postobón. O belga Jasper Philipsen (20) - colega dos gémeos na Hagens Berman Axeon - é mais um corredor que pode ser incluído num sprint, ainda que as clássicas sejam o seu ponto forte.

A sucessão de Kristoff está em marcha, um ciclista que nunca foi aquele sprinter que se olhasse como dos mais rápidos, como um Marcel Kittel ou Mark Cavendish, sendo um mais poderoso, como um Peter Sagan, por exemplo, transformando essa força em grande vitórias. É essa virtude que lhe vale 71 vitórias. Contudo, o momento que conseguiu evitar há um ano, chega agora. O seu discurso é de um verdadeiro profissional, mas há que demonstrá-lo na estrada, lidando com todas as emoções de quem se vê preterido pelo segundo ano consecutivo.

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11 de agosto de 2018

Quatro portugueses à procura de surpreender os sprinters

Tiago Machado e Ricardo Vilela são dois dos seleccionados por José Poeira
Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa, José Gonçalves, Tiago Machado e Ricardo Vilela estão em Glasgow para tentar surpreender uns sprinters favoritos à conquista do título europeu. Inevitavelmente, Peter Sagan lidera a lista de candidatos, ele que foi o primeiro campeão da Europa, quando os campeonatos foram abertos aos profissionais em 2016. Alexander Kristoff é o detentor do título e pretende continuar o bom momento com que terminou o Tour, ao vencer a etapa dos Campos Elísios.

Num percurso que já viu Mark Cavendish sagrar-se campeão nacional em 2013 e no ano seguinte foi Geraint Thomas o vencedor da corrida nos Jogos da Commonwealth, este último resultado demonstra que é possível bater os sprinters. Nenhum destes britânicos estará presente nos Europeus de Glasgow, na Escócia, pelo que Adam Blythe e Ben Swift poderão ser a maior esperança britânica, ou então Ian Stannard, se optar por um ataque.

Mas no topo da lista de candidatos, além de Sagan (Eslováquia) e Kristoff (Noruega) estão os italianos Elia Viviani e Sonny Colbrelli, John Degenkolb (Alemanha) e Christophe Laporte (França). Greg van Avermaet e Jasper Stuyven (Bélgica) vão tentar intrometer-se nesta luta, ainda que Stuyven terá de mexer antes com a corrida, se de facto quiser ter possibilidade de vencer. E depois aparecem ciclistas como Matej Mohoric (Eslovénia), Mads Pedersen (Dinamarca) e Zdenek Stybar (República Checa) que não se podem excluir de estar na luta, também eles com possíveis ataques.

O quarteto português gostaria que o circuito urbano de 14,400 quilómetros (serão 16 voltas, para totalizar os 230) saísse de Glasgow para que as dificuldades pudessem ser mais selectivas. "O circuito é, por assim dizer, demasiado urbano. Para nós seria mais favorável se a corrida saísse da cidade e pudesse passar por zonas de maior inclinação, mas não é isso que temos pela frente e devemos adaptar-nos ao percurso existente. A corrida vai passar por zonas de peões e até pelo interior de um parque. A luta pela colocação vai ser permanente e muito desgastante. Com a chuva que se prevê, há troços muito traiçoeiros", explicou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

De recordar que no contra-relógio o belga Victor Campanaerts sagrou-se bicampeão europeu, na quarta-feira. Tiago Machado foi 18º, a 2:34 minutos, e José Gonçalves 22º, a 3:51.

Pode ver aqui a lista completa de inscritos.

A corrida de fundo tem início marcado para as 10:30 (fuso horário é o mesmo de Glasgow).


2 de dezembro de 2017

Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff

Zakarin realizou uma excelente temporada (Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Foi o cortar com as raízes russas. José Azevedo tem um enorme desafio pela frente e em 2017 conseguiu um dos seus objectivos como director geral da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin confirmou credenciais e subiu ao pódio de uma grande volta. Porém, confirmou-se também uma perspectiva negativa: Alexander Kristoff perdeu a chama de vencedor nas principais corridas. É o autor de mais de metade das vitórias deste ano da Katusha-Alpecin, mas só duas foram no World Tour, nas clássicas Eschborn-Frankfurt e Prudential RideLondon-Surrey. Ser campeão da Europa não tem o estatuto de uma vitória no Tour ou num monumento e o norueguês viu ainda Peter Sagan frustrar-lhe a tentativa de ser campeão do mundo no seu país. Tony Martin foi uma das principais contratações da temporada, mas não rendeu nada do que era esperado. Os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves fizeram uma temporada muito positiva e viram os seus contratos serem renovados.

A Katusha deixou de ser a equipa de referência da Rússia e não só trocou de nacionalidade - é agora suíça - como entrou um novo patrocinador, a Alpecin, como também terminou com a ligação a muitos ciclistas russos, tornando-se mais internacional. Como curiosidade, um deles, Egor Silin, assinou pela Rádio Popular-Boavista. Tony Martin foi o grande investimento. Depois de cinco anos na estrutura da actual Quick-Step Floors, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio queria um novo desafio, mas não esteve à altura. Até começou o ano a ganhar na segunda etapa da Volta à Comunidade Valenciana. Depois... nada. Nem exibições à Martin, nem vitórias nos contra-relógios. Salvou-se o título nacional da especialidade.

Se de Martin esperava-se mais, de Alexander Kristoff então, nem se fala. A Katusha-Alpecin construiu dois blocos: um para apoiar o norueguês nos sprints e nas clássicas e outro para proteger Ilnur Zakarin. As exibições de Kristoff chegaram a ser penosas de ver, como quando o seu lançador, Rick Zabel, trabalhou muito bem para o seu líder, que depois nem o conseguiu passar para discutir o sprint. Zabel - e o apelido não engana, é mesmo filho Erik Zabel - foi outra das contratações e poderá ser uma aposta ganha num futuro próximo. Tem 23 anos, muito para progredir e vai estar ao lado de Marcel Kittel, podendo muito bem aprender com um mestre do sprint. Nas clássicas, a oportunidade poderá chegar já em 2018.

Com o passar dos meses e com Kristoff a falhar todas as principais metas, o mal-estar começou a ser difícil de esconder. O norueguês chegou a admitir publicamente que lhe tinha dito que estava com peso a mais, com o ciclista a garantir que estava igual a outros anos. Ficou claro que a porta de saída estava aberta. Kristoff assinou pela UAE Team Emirates.

Ranking: 11º (5619 pontos)
Vitórias: 17 (incluindo a Eschborn-Frankfurt e uma etapa e a geral na Volta à Suíça e a Prudential RideLondon-Surrey)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (9)

Com Kristoff a ganhar em corridas secundárias - Volta a Omã, ou Artic Race, por exemplo -, a pressão de bons resultados recaiu em Ilnur Zakarin. O potencial estava lá, mas o russo parecia ser algo perseguido por algum azar. Ainda assim, já tinha uma etapa no Giro e outra no Tour. Porém, este russo queria um pódio, queria até estar na luta por uma vitória numa grande volta. Itália assenta bem a Zakarin e mais uma vez apareceu em alta. Desta feita não houve incidentes que ditassem o abandono - ainda que tivesse perdido algum tempo muito cedo na corrida - e acabou em quinto, sendo ainda três vezes segundo em etapas. Os resultados renovaram a confiança do russo.

Saltou o Tour para apostar na Vuelta e em boa hora o fez. Grande corrida, quase sempre na frente, na discussão. Ainda não esteve ao nível de debater-se em pé de igualdade com Froome, mas conseguiu um muito esforçado terceiro lugar. É caso para dizer que Zakarin está no ponto.  E foi ainda campeão nacional de contra-relógio. Em 2018 é possível que regresse ao Tour, mas ganhar uma das três principais corridas de três semanas é agora claramente o objectivo. Falta saber qual será a preferida.

Quanto aos portugueses, é uma pena não se poder ver mais Tiago Machado naquela sua versão de homem de ataque, que mexe nas corridas e procura vitórias. Teve liberdade na Liège-Bastogne-Liège, mas apesar de inicialmente o seu grupo de fugitivos ter ganho uma vantagem de respeito, a tentativa não resultou. No resto do ano, Machado foi aquele ciclista que a Katusha tanto aprecia. É de confiança ao lado dos líderes, trabalhador incansável que cumpre à risca o que lhe é pedido. O Tour foi prova disso. Muito se viu o português na frente do pelotão sempre a pensar em Kristoff. José Azevedo renovou por mais um ano com Machado, que teve um resultado que até pode ter passado despercebido, mas foi um de destaque individual: 11º no Tour de Yorkshire.

Já José Gonçalves foi premiado com dois anos de contrato. Finalmente fez a estreia ao mais alto nível e tal como Tiago Machado, já não pode ser aquele ciclista irreverente, que está sempre pronto a atacar. No entanto, teve mais liberdade do que o compatriota. Aquela Strade Bianche será para recordar. Gonçalves integrou a fuga e conseguiu manter-se na frente quando esta terminou. Ficou à porta do top dez (11º) e o próprio admitiu que lhe faltou experiência para talvez conseguir ainda melhor. Porém, ficou o sinal claro que a Katusha-Alpecin tem ciclista para procurar triunfos em algumas corridas. E só para não restarem dúvidas foi à Holanda ganhar a Ster ZLM, além de uma etapa.

No mês antes tinha sido um dos ciclistas mais importantes no trabalho a Ilnur Zakarin na Volta a Itália. Como gregário passou um teste de fogo e na Vuelta lá estava Gonçalves novamente entre os eleitos. Infelizmente acabou por abandonar na sexta etapa devido a uma queda. No entanto, não estragou uma temporada convincente. José Gonçalves conseguiu no seu primeiro ano no World Tour ganhar um lugar de destaque na Katusha-Alpecin.

Para 2018, chega então Kittel para dar as vitórias que Kristoff não foi capaz, mas José Azevedo não se ficou pelo sprinter alemão. Foi buscar Ian Boswell à Sky, ciclista que será um apoio importante para Zakarin, tal como Alex Dowsett (Movistar). O primeiro terá uma missão de apoio na montanha, mas ambos vão ser importantes no contra-relógio. Se a aposta for o Tour - haverá inevitavelmente uma divisão de atenção entre Zakarin e Kittel -, juntamos Tony Martin e o contra-relógio colectivo poderá ser um dia bom para a Katusha-Alpecin. Da Dimension Data chega o australiano Nathan Haas que além das corridas por etapas, será um bom reforço para as clássicas. O sul-africano Willie Smit é a contratação mais desconhecida, sendo mais um jovem (24 anos) que a equipa quererá desenvolver.

O plantel para a próxima temporada é forte: Jhonathan Restrepo, Maurits Lammertink, Mads Würtz Schmidt, Marco Mathis ou os mais experientes Baptiste Planckaert e Simon Špilak (venceu a Volta a Suíça) continuam na Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo quer atingir outro patamar e reforçou-se bem para alcançar esse objectivo.

6 de agosto de 2017

Só a perspectiva de mudar de ares fez bem a Kristoff

A sua estadia na Katusha-Alpecin estava há vários meses com os dias contados. Alexander Kristoff passou ao lado das Clássicas da Primavera e da Volta a França os dois grandes objectivos do ano. Uma mudança de ares faz muitas vezes bem a alguns ciclistas e o norueguês parecia dar mostras de desejar ter uma, tal como a equipa. Porém, parece que não foi preciso mudar mesmo de ares, pois só a perspectiva de o fazer fez maravilhas ao ciclista. Em duas semanas venceu em Londres numa corrida do World Tour e agora é o novo campeão europeu, sucedendo a Peter Sagan. É certo que na Dinamarca não tiveram os principais sprinters, mas há que não retirar o mérito a um triunfo ao photofinish. A oportunidade estava lá. Se não tivesse ganho, dir-se-ia que nem assim conquista uma vitória, mas venceu e bateu um Elia Viviani que tinha toda uma selecção italiana a trabalhar só para ele (com Edvald Boasson Hagen, a Noruega tinha duas armas).

Kristoff está a um exame médico de assinar pela UAE Team Emirates. Vai ser colega de Rui Costa. Especulou-se um interesse da Astana, mas a equipa dos Emirados seduziu o noruguês que aos 30 anos procura reencontrar-se com as grandes vitórias que o tornaram num ciclista muito bem pago no pelotão. Mas a Milano-Sanremo (2014), a Volta a Flandres (2015) e as duas etapas no Tour (2014) parecem ter acontecido há tanto tempo... Kristoff foi-se apagando. Continua a ganhar e este ano soma oito, metade das conquistadas pela Katusha-Alpecin. O problema é não mostrar capacidade para se bater com os melhores e mesmo sem a concorrência destes, chegou a ser penoso ver como o norueguês não tinha as pernas necessárias para triunfar. Até o seu lançador acabou à sua frente numa etapa na Volta à Califórnia, por não conseguir ter a velocidade necessária para o ultrapassar.

Ganhar os Europeus não é razão para se achar que está de volta o grande Kristoff. Lá está, a concorrência não era assim tão forte. Porém, vestir uma camisola de campeão europeu pode muito bem ser aquele clique que o norueguês tanto procurava para recuperar uma confiança que anda pelas ruas da amargura, além de serem duas vitórias consecutivas, em duas semanas.

A vitória terá também o condão de mostrar à UAE Team Emirates que chegará à equipa com vontade de regressar às tais grandes vitórias. Mas claro da vontade à realidade vai um longo caminho. Kristoff tem os Mundiais como o próximo e último objectivo da temporada. Irá correr em casa. Será a oportunidade para mostrar se está de novo ao nível dos principais novos, se tem essa capacidade.

2018 será um ano muito importante para o ciclista. Se continuar a falhar quando defronta os grandes rivais, Kristoff (30 anos) poderá ver o seu crédito esgotar-se de vez.

Veja aqui os resultados da corrida de elite masculina nos Europeus.

Os portugueses

Tiago Machado foi o melhor representante nacional nos Europeus que se realizaram em Herning, na Dinamarca (241,2 quilómetros). Colega de Kristoff na Katusha-Alpecin, Machado foi 35º a 12 segundos do vencedor, depois de ter sido 11º no contra-relógio. José Mendes foi 69º, a 37 segundos, enquanto Rafael Reis abandonou. O vice-campeão nacional de contra-relógio foi 24º nesta especialidade.

Quanto a Ruben Guerreiro, apesar da expectativa de ver o campeão nacional de estrada mostrar-se nos Europeus, o ciclista continua a recuperar de uma gastroenterite que o obrigou a abandonar a Volta à Polónia e nem viajou para a Dinamarca.

Nos sub-23, Francisco Campos continuou com a sua excelente temporada. O campeão nacional do escalão foi o melhor português ao terminar na 14ª posição, enquanto Soraia Silva foi 21ª, a seis segundos da vencedora. No contra-relógio Gaspar Gonçalves terminou na 37ª posição, a 3:32 minutos. Em juniores, Pedro Teixeira foi o melhor no 38º lugar, entrando no grupo da frente e Maria Martins esteve excelente com o sétimo posto. No contra-relógio, Pedro Lopes fez o 38º tempo, a 3:36 minutos do vencedor.

De destacar Daniela Reis. A ciclista é a primeira portuguesa a chegar ao World Tour e já se vai notando, e bem, a evolução por estar constantemente ao lado das melhores do mundo. Daniela foi 22ª, a 15 segundos de Marianne Vos que discutiu a vitória com outras duas corredoras. Para Portugal é um excelente resultado no sector feminino, juntamente com o de Maria Martins. Vai sendo a prova que há potencial para também as senhoras mostrarem-se ao melhor nível.

Os campeões europeus

Elite estrada: Alexander Kristoff (Nor) e Marianne Vos (Hol)

Contra-relógio elite: Victor Campenaerts (Bel) e Ellen van Dijk (Hol)

Sub-23 estrada: Casper Pedersen e Pernille Mathiesen (Din)

Contra-relógio sub-23: Kasper Asgreen e Pernille Mathiesen (Din)

Juniores estrada: Michele Gazzoli (Ita) e Lorena Wiebes (Hol)

Contra-relógio juniores: Andreas Leknessund (Nor) e Elena Pirrone (Ita)

2 de agosto de 2017

Kristoff será colega de Rui Costa. Barguil quebra contrato com a Sunweb

Kristoff vai deixar a Katusha-Alpecin (Fotografia: Katusha-Alpecin)
Ao segundo dia de mercado aberto começaram a aparecer transferências mais sonantes. Alexander Kristoff era uma das grandes incógnitas e o norueguês escolheu a UAE Team Emirates. Já Warren Barguil confirmou uma das expectativas criadas após a excelente Volta a França. O gaulês quebrou contrato com a Sunweb - terminava no final de 2018 - para ter a oportunidade de ser líder indiscutível. Vai para uma equipa do escalão Profissional Continental, a Fortuneo-Oscaro, mas que quer ficar ao nível de uma Direct Energie. Isto é, ter capacidade de lutar nas principais corridas. Contratando um ciclista como Barguil irão abrir-se as portas a mais competições do calendário World Tour.

Barguil venceu duas etapas e foi o rei da montanha no Tour. Tinha mais um ano de contrato, mas é claro que Tom Dumoulin será o líder da Sunweb, caso opte por ir ao Tour em 2018, como se espera. Aos 25 anos, Barguil confirmou finalmente as expectativas criadas quando em 2013 venceu duas tiradas na Vuelta. Os problemas físicos pareciam persegui-lo desde então. O pior está para trás e Barguil não quer perder mais tempo como segunda figura.

"Vi esta equipa crescer nos últimos anos e como ficou comprovado na última Volta a França, o colectivo é muito sólido e com individualidades para nos levar a situações muito bonitas", referiu Barguil num comunicado. O francês acrescentou o ambiente de família que espera que não se perca apesar da ambição estar a aumentar. A Fortuneo-Oscaro irá perder o argentino Eduardo Sepúlveda, mas ganhou um ciclista que já se tornou num dos mais populares entre os franceses, sendo já visto como o novo Richard Virenque. Além do ganho competitivo, terá também o ganho a nível de marketing.

Quanto a Alexander Kristoff - que chegou a ser dado como potencial reforço da Astana -, a UAE Team Emirates anunciou que chegou a acordo com o norueguês, mas o contrato ainda não foi assinado, estando ainda pendente dos exames físicos. Kristoff venceu no domingo a clássica em Londres, mas falhou nas principais em Abril e também não conseguiu nenhuma etapa no Tour, mal tendo estado na luta na maioria dos sprints. A relação com a Katusha-Alpecin começou a dar mostras de estar a deteriorar-se quando lhe foi dito que tinha de perder peso, com o ciclista a dizer que mantinha o mesmo de sempre. Os resultados importantes tem escasseado e o salário começou a ser demasiado pesado para o que rendia.

Aos 30 anos ninguém quer acreditar que o melhor de Kristoff já passou e por vezes uma mudança de ares só faz bem. A UAE Team Emirates de Rui Costa garante assim aquele que poderá ser o primeiro grande reforço para 2018, estando também a ser ligada à contratação de Fabio Aru e Daniel Martin.

Está também confirmada a mudança de Tony Gallopin da Lotto Soudal para a AG2R, enquanto outro francês, Julian Alaphilippe renovou com a Quick-Step Floors até 2019.

Acompanhe aqui as principais mexidas deste mercado de transferências.

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21 de junho de 2017

Tiago Machado vai à Volta a França

(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Começam a ser conhecidos os ciclistas que vão ao Tour e Tiago Machado é o primeiro português confirmado. A Katusha-Alpecin anunciou os nove eleitos e Alexander Kristoff não irá contar com um dos seus homens de confiança - Michael Morkov -, como foi revelado pelos media noruegueses na segunda-feira. Ainda assim a responsabilidade de bons resultados recai em grande parte no sprinter, mas a Katusha-Alpecin tem desde o início da temporada apontada a primeira etapa da Volta a França. Tony Martin vai atacar com tudo o que tem o contra-relógio em Dusseldorf e assim vestir a camisola amarela.

A escolha de Tiago Machado não é uma surpresa. Ficou de fora do Giro e tem mostrado boa forma. A queda no Critérium du Dauphiné foi um susto, mas de imediato a decisão foi abandonar para garantir que o português recuperava a tempo de integrar a equipa no Tour. Aos 31 anos, a experiência de Machado será um factor importante numa equipa sem líder para a geral (Ilnur Zakari fez o Giro e vai à Vuelta). Se Martin vai apostar tudo no contra-relógio inicial e Kristoff terá uma missão difícil para bater Peter Sagan, Marcel Kittel e André Greipel (Mark Cavendish é a grande incógnita do momento), a equipa precisa de homens com capacidade de lutar por outras etapas, entrando em fugas. O norueguês não tem demonstrado capacidade para bater os grandes nomes do sprint e também passou ao lado da época de clássicas. Tiago Machado terá naturalmente o papel de ajudar também Kristoff nas etapas planas, mas os responsáveis da Katusha-Alpecin, entre eles José Azevedo, certamente que também querem explorar o lado atacante do português. É um ciclista com capacidade para integrar fugas, pelo que é possível que tenha liberdade para o fazer em algumas tiradas. Será a nona grande volta de Machado, sendo a terceira presença no Tour, depois de 2014 e 2015.

Marco Haller, Reto Hollenstein e Rick Zabel serão os três ciclistas que irão ajudar Kristoff nos sprints, com destaque para o jovem alemão de 20 anos. Zabel fará a estreia no Tour quase uma década depois do pai ter terminado a carreira. Erik Zabel ainda detém o recorde de camisolas verdes (dos pontos) no Tour: seis. Peter Sagan vai este ano tentar igualar.

Robert Kiserlowvski, Maurits Lammertink e Nils Politt fecham a equipa da Katusha-Alpecin para o Tour de 2017.

Dos portugueses no World Tour, a Tiago Machado deverá juntar-se André Cardoso. O ciclista é um dos mais fortes candidatos da Trek-Segafredo a estar no apoio a Alberto Contador. Nelson Oliveira está pré-convocado pela Movistar, mas a queda no Paris-Roubaix obrigou-o a parar muito tempo, pelo que não seria de estranhar se fosse poupado a pensar na Vuelta. José Mendes não vai à Volta a França. Depois do Giro, o campeão nacional deverá ser hipótese da Bora-Hansgrohe para a Vuelta. O mesmo é provável que aconteça com José Gonçalves, que ficou de fora do nove da Katusha-Alpecin. Os jovens Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) estão ainda em fase de evolução, pelo que a oportunidade chegará a seu tempo. Rui Costa (UAE Team Emirates) apostou este ano no Giro. O Tour é a sua paixão, mas não está descartada a possibilidade de optar este ano pela Volta a Espanha.

Outras equipas confirmaram escolhas

A Bora-Hansgrohe anunciou quem estará no apoio a Peter Sagan e Rafal Majka: Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jay McCarthy, Pawel Poljanski, Rüdiger Selig e o irmão do campeão do Mundo e da Europa, Juraj Sagan. Majka será aposta para a geral, com Peter Sagan a querer mais umas etapas e a sexta camisola verde.

Romain Bardet quer quebrar o longo jejum de vitórias francesas no Tour e terá a seu lado Alexis Vuillermoz, Mathias Frank, Axel Domont, o estreante Pierre Latour e Oliver Naesen. Ficam por preencher três vagas por parte da AG2R.

A Sunweb terá um panorama idêntico ao da Katusha-Alpecin. O seu líder, Tom Dumoulin (que hoje revalidou o título de campeão nacional de contra-relógio), vai à Vuelta depois da brilhante vitória no Giro, o que significa que a equipa irá apostar no seu sprinter Michael Matthews. Nikias Arndt, Ramon Sinkeldam, Mike Teunissen, Albert Timmer e Roy Curvers vão apoiar o australiano. Warren Barguil irá perseguir vitórias nas montanhas, com a ajuda de Laurens ten Dam e Simon Geschke.

»»Estalou o verniz entre Kristoff e a Katusha-Alpecin««

»»Nelson Oliveira pré-convocado para estar ao lado de Nairo Quintana no Tour««

20 de junho de 2017

Estalou o verniz entre Kristoff e a Katusha-Alpecin

(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Se já não era particularmente segredo que a relação entre Alexander Kristoff e os responsáveis da Katusha-Alpecin já teve melhores dias, agora não restam dúvidas e, claro, a especulação sobre a saída do norueguês no final do ano ganha maior força. Depois do episódio do peso a mais, a semana e meia do início da Volta a França Kristoff ficou a saber que não deverá ter um dos seus homens de confiança a lançar os sprints. Apesar de ainda não ser uma decisão oficial, o ciclista não perdeu tempo a reagir e está surpreendido por não ter sido abordado sobre a exclusão de Michael Morkov.

"Não sei o que estão a pensar. Ainda acredito que tenho uma boa possibilidade [nos sprints], mas as nossas hipóteses seriam melhores se o Michael estivesse na equipa", afirmou Kristoff ao canal de televisão local TV2. O ciclista norueguês admitiu estar "surpreendido e desiludido" pela ausência de Morkov. "Acho estranho não ter sido seleccionado e que ninguém me tenha questionado", salientou.

A notícia foi avançada pelos media noruegueses, que, além do dinamarquês, referem que Sven Erik Bystrom, compatriota de Kristoff, também ficará de fora do Tour. A Katusha-Alpecin, que tem como director geral o português José Azevedo, não avançou ainda com os pré-convocados para a corrida que começa no dia 1 de Julho. No entanto, a reacção de Kristoff deixa transparecer toda a tensão que se vive na equipa suíça relativamente àquela que já foi a sua maior estrela, mas que está claramente a perder crédito e confiança.

O ciclista faz 30 anos no próximo dia 5 de Julho e é provável que a prenda de anos que mais procure seja uma nova equipa. Os últimos dois anos não foram os esperados, com Kristoff a render muito menos do que era expectável, estando a passar ao lado das vitórias nas principais corridas. Para 2017 foram contratados ciclistas que, apesar de jovens, têm o papel de estar ao lado do norueguês. Mesmo quando o trabalho é bem feito, Kristoff tem falhado. Até pode parecer estranho dizer que o corredor não está a ter uma boa temporada quando conta com seis vitórias, metade daquelas conquistadas pela Katusha-Alpecin. Porém, apenas uma foi numa corrida do World Tour, a clássica alemã Eschborn-Frankfurt que este ano ascendeu à principal categoria.

O outro líder da formação, Ilnur Zakarin, fez o Giro e vai agora à Vuelta, pelo que o Tour era suposto ser para Kristoff lutar por etapas. Agora é esperar para conhecer os ciclistas escolhidos pela Katusha-Alpecin para perceber se realmente Morkov fica de fora e como ficará o ambiente perante uma cada vez mais provável ruptura com Kristoff.

Além do norueguês, Tony Martin é também presença garantida, em condições normais, com o jovem Rick Zabel a ser quase certo, já que é um ciclista que a equipa tem grande esperança para um futuro próximo. Tiago Machado não esteve no Giro pelo que é hipótese, ao contrário de José Gonçalves, que poderá ser poupado depois da presença na Volta a Itália. Contudo, o ciclista de Barcelos tem características que podem ser importantes na ajuda a Kristoff, além de ser um corredor que pode entrar em fugas, tal como Machado. Visto que a equipa não irá ter ninguém definido para a geral, a postura atacante dos dois portugueses pode ser uma mais-valia para a formação suíça.

Recentemente Kristoff teve de enfrentar críticas dos responsáveis da Katusha-Alpecin, que alertaram para o excesso de peso. O corredor defendeu-se dizendo que continua a pesar o mesmo de sempre. Foi o próprio que revelou a "acusação" publicamente, não escondendo que o mal-estar com a Katusha-Alpecin é uma realidade (pode ler a história completa no link em baixo).


10 de junho de 2017

Alexander Kristoff está "gordo" ou a perder crédito?

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Aos 29 anos Alexander Kristoff não caiu em desgraça, mas anda lá perto. O norueguês não consegue vencer sempre que encontra uma concorrência mais forte, que supostamente devia ser a do seu nível. Às vezes nem com adversários teoricamente mais fracos consegue ganhar. A Katusha-Alpecin começa a dar sinais que está a perder a paciência com um dos seus líderes, aquele a quem lhe deram condições para lutar nos sprints e nas clássicas. As coisas correm tão mal a Kristoff que até já lhe aconteceu ver o seu lançador acabar à sua frente porque nem forças teve para o ultrapassar, quando era suposto sair da sua roda.

Kristoff soma seis vitórias este ano, apenas uma do nível World Tour, na Eschborn-Frankfurt. John Degenkolb - outro ciclista em crise de resultados - foi terceiro, mas até foi o colega Rick Zabel a ser segundo. Foi à Volta à Califórnia na esperança de reagir a alguma falta de confiança que pudesse estar a surgir na equipa, mas acabou a ver Zabel acabar à sua frente quando era suposto preparar o sprint para o norueguês. A falta de capacidade de sprintar de Kristoff foi assustadora e preocupante. Nessa altura, o ciclista da Katusha-Alpecin já tinha admitido publicamente que os responsáveis da equipa - que tem como director o português José Azevedo - o tinham avisado que estava "pesado". Kristoff salientou que mantinha os mesmo 78 quilos de sempre, mas que queriam que perdesse dois ou três. "O problema é que sou magro de pernas e braços e tenho um pouco de barriga", disse ao canal de televisão TV2, mas o peso é o mesmo, garantiu

Toda esta conversa de peso a mais pareceu mais ter sido um aviso que Kristoff está a perder crédito na equipa. Com um ordenado que ronda os dois milhões de euros por ano, é provável que as escassas vitórias e principalmente a falta de triunfos importantes esteja a parecer que o norueguês está sobrevalorizado. Teve um 2014 fantástico, com a conquista da Milano-Sanremo e de duas etapas na Volta a França. No ano seguinte somou o seu segundo monumento na Volta a Flandres e Kristoff assumiu um discurso ambicioso de querer continuar a ganhar no Tour e ganhar o Paris-Roubaix. Em 2016 eclipsou-se e em 2017 é apenas visto como candidato porque o que fez em 2014 e 2015 ainda está fresco na memória.

No Critérium du Dauphiné, Kristoff ficou a ver Arnaud Démare por um canudo e depois não voltou a estar bem posicionado para ganhar nas outras etapas que seriam para si. Fim da linha na Katusha-Alpecin? Alexander Kristoff terá mais uma oportunidade se quiser salvar o seu lugar numa equipa que apesar das remodelações que significou a entrada de muitos jovens, construiu um grupo para trabalhar em exclusivo para Kristoff. Será o tudo ou nada na Volta a França, onde Kristoff será o número um, já que Ilnur Zakarin foi ao Giro e irá à Vuelta. Ou seja, a Katusha vai sem homem para a geral, deixando a responsabilidade de bons resultados quase toda nos ombros do sprinter. Os rumores que não haverá renovação de contrato com a Katusha-Alpecin vão crescendo, pelo menos com as condições financeiras que neste momento tem. Aproxima-se o momento da verdade para o ciclista.

Kristoff tenta passar a imagem que não está preocupado e antes do Dauphiné começar disse mesmo que apesar de estarem a decorrer negociações, existem outras equipas interessadas. Uma frase dita ao Cycling News demonstra bem para que lado está a pender a decisão do norueguês: "Procuro uma equipa que me dê oportunidades e que me ajude a ser competitivo nos sprints e nas clássicas, tal como tenho aqui na Katusha."

Interessados? A Astana poderá ser uma das formações dispostas a contratar o ciclista, tendo a capacidade financeira para tal. Porém, a pressão está toda do lado de Kristoff. A 5 de Julho, em pleno Tour, irá completar 30 anos e tem rapidamente de demonstrar que o seu melhor ainda não faz parte apenas do passado. Além da Volta a França, Kristoff irá também apostar forte nos Mundiais que se realizam no seu país, na cidade de Bergen. Porém, poderá sofrer a concorrência interna de um Edvald Boasson Hagen que também não vence muito em corridas de destaque, mas tem sido muito mais regular.

A Astana poderia ser uma boa alternativa para Kristoff, pois olhando para as restantes equipas do World Tour, muitas já têm o seu líder para os sprints e clássicas e as que eventualmente poderiam estar interessadas não vão querer arriscar gastar uma boa fatia do seu orçamento por um corredor que já não dá as garantias de outrora.

Acabado, caído em desgraça? Kristoff terá um último fôlego no Tour, onde terá de bater Marcel Kittel, André Greipel e Peter Sagan. Se o fizer, conseguirá recuperar algum do crédito que claramente perdeu. Contudo, depois de seis temporadas na Katusha, o futuro do norueguês nunca esteve tão incerto.

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