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3 de dezembro de 2020

Fabio Aru com mais uma oportunidade

© Bettiniphoto/UAE Team Emirates
Em 2015, Fabio Aru parecia ter o mundo a seus pés. Acabou a época a ganhar a Volta a Espanha, depois de duas edições a lutar pelo Giro e a terminar no pódio. Era o novo grande voltista italiano e rapidamente se o apontou para muito mais e melhor. Na segunda presença no Tour foi quinto e as suas exibições convenciam e entusiasmavam. Sem surpresa, tornou-se um ciclista apetecível e o próprio percebeu que estava na altura de exigir um ordenado ao nível do que estava a apresentar. Porém, nos últimos três anos a sua carreira entrou numa espiral descendente. As críticas de que foi alvo depois de abandonar o Tour levantou a questão: E agora Fabio Aru?

"O Aru desiludiu-nos. Ele tem problemas, incluindo psicológicos. Ele não reage às primeiras dificuldades. Ele vai-se abaixo, não tem carácter", afirmou Giuseppe Saronni, conselheiro da UAE Team Emirates, equipa que em 2018 aceitou as altas exigências de Aru, na esperança de estar a contratar um ciclista para lutar por grandes voltas. Neste último Tour, Tadej Pogacar era a aposta, mas Aru deveria ter tido um papel importante ao lado do esloveno, mesmo que não gostasse de ficar em segundo plano. Na etapa nove, abandonou e ficou claro que era o fim da linha na equipa, até porque o seu contrato estava a terminar.

O italiano, de 30 anos, nunca conseguiu explicar o que aconteceu, dizendo apenas que os dados que tinha davam-lhe confiança para ajudar Pogacar, ainda que soubesse que não estaria em condições de lutar pela geral. Recorde-se que Aru, em 2019, falhou parte da temporada depois de ser operado à artéria ilíaca, problema que tem afectado alguns ciclistas e que levou o português Nuno Bico a terminar a carreira muito cedo.

Porém, o Aru da UAE Team Emirates nunca se aproximou sequer do ciclista que se mostrou na Astana. A própria equipa acabou por rapidamente começar a apostar em Tadej Pogacar, que em apenas dois anos se tornou na grande estrela, com o italiano a já nem poder dizer que estava em segundo plano. Depois da vitória do esloveno no Tour, Aru ficou sem plano algum.

Sem resultados de nota recentes para mostrar, sem uma condição física convincente e com uma atitude em corrida que deixava denotar um ciclista desmotivado e a precisar urgentemente de algo positivo para retomar aquele que outrora foi um caminho que parecia destinado a uma meta de sucesso, Aru tornou-se num ciclista visto como um risco contratar.

Entrámos em Dezembro e o futuro de Aru continuava em dúvida. A Alpecin-Fenix chegou a ser dada como possível interessada no italiano. Significaria que o ciclista desceria ao segundo escalão, mas a formação de Mathieu van der Poel foi a melhor do ranking e vai ter entrada directa nas principais provas, sem precisar de convites.

A indefinição arrastava-se, sendo certo que as principais equipas nem sequer equacionaram contratar Aru, mesmo com este estivesse prestes a ficar sem contrato, ou seja, livre para negociar.

Em poucos anos, Aru passou de muito desejado a um ciclista que poucos acreditam. Douglas Ryder parece ser aquele que ainda espera que o italiano possa dar um pouco mais, mesmo que isso já não signifique lutar por grandes voltas. Ryder assumiu o risco que mais ninguém, ou muitos poucos, pareciam querer fazer.

O director da Qhubeka Assos, novo nome da NTT, salvou a estrutura sul-africana, mas não conseguiu salvar alguns dos ciclistas que tinha, visto ter demorado a encontrar uma solução para 2021. Ryder não esconde a importância de ter um ciclista com o currículo de Aru e acredita: "Penso que na nossa equipa única vamos vê-lo elevar-se novamente e tenho a certeza que vamos tirar o melhor um do outro."

E a equipa bem precisa que Aru ressurja. Têm sido anos sempre no fundo do ranking, com poucas vitórias, ainda que lá vai conseguindo uma ou duas de maior notoriedade, como foi a etapa conquistada por Ben O'Connor na Volta a Itália. Quando a NTT anunciou que iria apostar noutras vertentes, a falta de resultados tornou difícil a sobrevivência da equipa sul-africana.

"Nesta fase da minha carreira, a Qhubeka Assos é um lugar perfeito para mim e estou muito agradecido pela oportunidade dada para contribuir para o legado e continuar o fantástico trabalho que fez no passado", realçou Fabio Aru, referindo-se não só à estrutura desportiva, mas também ao lado solidário, com o projecto que tem levado muitas bicicletas a crianças em África.

Aru sabe bem como tem de estar agradecido. Ainda está a tempo de fazer algo mais na sua carreira e pelo menos poderá dizer que é uma equipa com uma pressão menor, mas não significa que não tenha a responsabilidade de alcançar resultados. Assinou por uma temporada e é a oportunidade que não pode desperdiçar.

Outros reforços

Sem certezas quanto ao futuro da NTT, muitos ciclistas optaram por assinar por outras equipas, casos de Edvald Boasson Hagen (Total Direct Energie), Michael Valgren (EF Pro Cycling), Louis Meintjes (Circus-Wanty-Gobert), Ben O'Connor (AG2R Citroën) e Ben King (Rally Cycling), por exemplo.

Os responsáveis da agora Qhubeka Assos, ao assegurarem o novo patrocínio - da Assos - foram ao mercado buscar ciclistas interessantes como Simon Clarke e Sean Bennett (EF Pro Cycling), Dimitri Clayes (Cofidis), Lukas Wisniowski (CCC), Kilian Frankiny (Groupama-FDJ) e Harry Tanfield (AG2R), entre os que já estavam no World Tour. As opções já não eram muitas, mas ainda assim, foram garantidos corredores com capacidade para procurarem triunfos.

Douglas Ryder tenta construir a equipa possível, mas manter Giacomo Nizzolo, Victor Campenaerts e Domenico Pozzovivo foi também uma vitória para o responsável, que vai querer uma formação à procura de alcançar mais vitórias e assim tirar a equipa do fundo da tabela e encontrar uma maior estabilidade financeira.

»»Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir««

29 de setembro de 2020

Mais uma equipa World Tour a perder o patrocinador

© NTT
Depois da CCC, a NTT. É mais uma equipa com continuidade em risco, ao ser confirmado que a empresa de tecnologia não irá renovar contrato com a estrutura sul-africana. Curiosamente, a notícia surge quando a CCC já sabe que é a Circus-Wanty Gobert quem a salvará, comprando a licença e subindo a World Tour em 2021. Quanto à NTT, há muito que estes rumores circulavam, ainda mais quando nenhuma contratação foi feita para o próximo ano e as renovações não avançaram. Apesar do responsável, Douglas Ryder, não querer terminar com o projecto, os ciclistas já terão sido aconselhados a procurar alternativas para 2021.

É um fim de uma relação de seis anos - anteriormente como Dimension Data - que ganhou força quando a equipa da África do Sul se tornou a primeira deste país a subir ao principal escalão. No World Tour, não tem tido uma vida fácil, Mas o início foi de sonho: Mark Cavendish venceu quatro etapas na Volta a França. A nível de resultados, a formação foi conseguindo algumas vitórias importantes, mas com o passar dos anos as dificuldades começaram a cada vez maiores.

Na base desta estrutura está um projecto que pretende ajudar ciclistas africanos a chegaram ao mais alto nível e nos últimos anos vários, principalmente sul-africanos e eritreus conseguiram. Porém, a falta de mais e melhores resultados levou Ryder a mudar de estratégia. Contratou ciclistas de maior experiência, na tentativa de tirar a equipa dos últimos lugares do ranking, onde por norma fica.

Este ano chegou Victor Campenaerts e Domenico Pozzovivo, por exemplo. Das sete vitórias em 2020, duas são em provas World Tour (etapas no Tour Down Under e Paris-Nice), ambas por Giacomo Nizzolo, que se sagrou ainda campeão nacional de Itália e campeão Europeu (esta não entra na contabilidade da NTT, pois foi pela seleccção). Porém, a equipa passou ao lado do Tour, quando era tão importante mostrar-se. Não ajudou Nizzolo e Pozzovivo abandonarem muito cedo devido a quedas.

E a performance fraca, apesar das tentativas para conquistar uma vitória, não ajudou em nada na busca por um novo patrocinador. O Cyclingnews escreve que Ryder está confiante que pode resolver a situação, mas ao confirmar aos ciclistas a saída da NTT, acabou por abrir a porta de saída a todos, com contrato para 2021, ou não. Com o Giro e a Vuelta, além da maioria das principais clássicas por realizar, os ciclistas da NTT tudo vão fazer para agarrar um contrato. Ainda há plantéis em aberto, mas os lugares começam a escassear.

Bjarne Riis entrou este ano como director geral da equipa e chegou-se a falar do dinamarquês comprar parte da estrutura, mas ainda não é conhecido qualquer acordo e tempo já não é muito para salvar a equipa sul-africana.

Além dos nomes referidos, a NTT conta com ciclistas bem cotados como é o caso de Roman Kreuziger, Edvald Boasson Hagen, Michael Valgren, Ben King, Michael Gogl e os jovens Max Walscheid e Gino Mäder.

Este ano, o World Tour abriu as portas à Cofidis, no início de uma expansão que acabou por não ver a Total Direct Energie seguir o mesmo caminho, como chegou a ser inicialmente falado. De 18, passaram a haver 19 equipas no principal escalão. Porém, as dificuldades do ciclismo foram agravadas com a pandemia. Apesar da Volta a França ter sido uma tábua de salvação para alguns, poderá não ser para todos.

A empresa japonesa justificou a decisão de terminar com o patrocínio, com o plano de alargar as suas parcerias além do desporto. Não estará fora de questão Ryder tentar uma fusão com uma equipa ProTeam (segundo escalão) que pretenda ter uma licença World Tour, para tentar salvar pelos menos parte da sua estrutura. Um pouco à imagem do que acabou acontecer com a CCC e Circus-Wanty Gobert ou com a Israel Start-Up Nation, que ficou com a licença da Katusha-Alpecin e assim ascendeu ao World Tour.

»»Alaphilippe com uma camisola que lhe fica tão bem««

»»Ineos Grenadiers reforça-se com juventude e experiência««

8 de janeiro de 2020

Bjarne Riis está de volta ao World Tour

(© Velo Steve/Flickr/Wikimedia Commons)
Desde que em 2015 a relação com Oleg Tinkov azedou de vez e o Bjarne Riis deixou a então Tinkoff-Saxo, que o dinamarquês andava longe do World Tour, mas não longe do ciclismo. O seu possível regresso já havia sido notícia noutras ocasiões, o mais recente quando começaram os problemas com a Katusha-Alpecin. Porém, é através da sul-africana NTT que o antigo ciclista vai voltar ao mais alto nível da modalidade, novamente como director.

O nome Bjarne Riis é daqueles que causa sempre alguns calafrios, pois é mais um dos exemplos dos esquemas de doping que mancharam toda uma era da modalidade. Em 2008 admitiu que entre 1993 e 1998 recorreu a substâncias como EPO, hormonas de crescimento e cortisona para melhorar as suas performances, incluindo na Volta a França de 1996, que venceu. Terminou a carreira em 2000, mas como director tornou a CSC numa das melhores equipas do pelotão. Venceu o Tour com Carlos Sastre em 2008 e contou com ciclistas como Laurent Jalabert, os irmãos Schleck, Fabian Cancellara, Stuart O'Grady e Jens Voigt, por exemplo. Foi a sua admissão de recurso ao doping que levou à perda de patrocinador, mas a equipa continuou como Saxo Bank, com Tinkoff a chegar em 2012.

Quando deixou a equipa, Riis não ficou afastado do ciclismo. É um dos donos do grupo Virtu Cycling, em parceria com os empresários Lars Seier Christensen e Jan Bech Andersen. O grupo tem, entre outros serviços, uma agência de viagens, equipamentos e material para bicicletas. Nos últimos anos patrocinou uma equipa de ciclismo feminina, que terminou em 2019. Riis, o director da formação, procurava mais patrocinadores, que ao não surgirem levou à decisão de colocar um ponto final no projecto.

Agora a Virtu Cycling "investiu num terço das acções da empresa operacional por trás da NTT Pro Cycling", como é explicado no comunicado divulgado esta quarta-feira. Esta operação significa a entrada de Bjarne Riis na equipa. "Juntos [Riis e Douglas Ryder, director geral da NTT] acredito que podemos levar a equipa ao próximo nível e torná-la numa que todos - ciclistas e staff - querem fazer parte", salientou o dinamarquês de 55 anos.

NTT Pro Cycling é o novo nome da Dimension Data (anterior MTN-Qhubeka), equipa sul-africana criada em 2007, que foi subindo de escalão até se estrear no World Tour em 2016. Apesar de um primeiro ano fantástico, muito por culpa das quatro vitórias de Mark Cavendish no Tour, mais a de Steve Cummings, desde então que a equipa tem ficado entre as últimas do ranking. Em 2019 conquistou apenas sete vitórias e só uma numa corrida World Tour (primeira etapa do Critérium du Dauphiné, por Edvald Boasson Hagen).

Douglas Ryder salientou a experiência que Riis traz à equipa, acreditando que a NTT poderá "alcançar grandes resultados" e tornar-se numa das melhores do mundo nos próximos anos. No entanto, não é esquecido o lado solidário deste projecto, que é para manter. Através da Qhubeka têm sido distribuídas milhares de bicicletas a crianças em África, numa forma de não só promover o ciclismo, mas principalmente em dar uma forma de transporte. Em 2019 foi atingida a marca das 100 mil bicicletas oferecidas.


7 de janeiro de 2020

Movistar renovada, UAE Team Emirates a apostar nos jovens e uma nova era na Sunweb

Entre as últimas seis equipas das 19 do principal escalão que faltavam publicar, é inevitável olhar para a Movistar de Nelson Oliveira. Por norma é uma formação que prima pela continuidade, fazendo poucas mexidas de ano para ano. Em 2020 tem 12 novos ciclistas! Ficou ainda sem três dos seus líderes: Nairo Quintana, Mikel Landa e Richard Carapaz.

Outra equipa em destaque é a UAE Team Emirates, que conta com os portugueses Rui Costa e os gémeos Oliveira. Mantém-se a aposta na contratação de jovens talentos, como é o caso de Mikkel Bjerg e Brandon McNulty, mas procurou equilibrar com reforços mais experientes. Max Richeze chega para ser novamente o lançador de um Fernando Gaviria que desiludiu em 2019, também devido a uma lesão.

Sem Tom Dumoulin, a Sunweb entra numa nova fase. Se na casa já está Sam Oomen e Michael Matthews, Tiesj Benoot é um reforço de peso para as clássicas. A Dimension Data muda de nome para NTT, troca o branco pelo azul na camisola e Victor Campenaerts é a principal contratação, enquanto na Trek-Segafredo, Vincenzo Nibali é a nova figura da equipa. Na Mitchelton-Scott pouco se mexe na equipa e no equipamento.

(Em baixo tem os links da apresentação das restantes equipas agora denominadas de WorldTeams.)

Mitchelton-Scott
(Fotografia: Twitter Mitchelton-Scott)
Simon Yates, Adam Yates, Daryl Impey, Johan Esteban Chaves, Christopher Juul-Jensen, Luka Mezgec, Mikel Nieve, Edoardo Affini, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley,  Brent Bookwalter, Luke Durbridge, Alex Edmonson, Tsgabu Grmay, Kaden Groves, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Nick Schultz, Callum Scotson, Dion Smith e Robert Stannard.

Reforços: Andrey Zeits (Astana), Barnabás Peák (SEG Racing Academy) e Alexander Konychev (Dimension Data for Qhubeka).

Saídas: Matteo Trentin (CCC) e Mathew Hayman (terminou a carreira a 20 de Janeiro de 2019).

Movistar
(© Photo Gomez Sport/Movistar)
Alejandro Valverde, Nelson Oliveira, Marc Soler, Carlos Verona, Imanol Erviti, Jorge Arcas, Carlos Betancur, Héctor Carretero, Lluís Mas, Antonio Pedrero, Eduard Prades, Jürgen Roelandts, José Joaquín Rojas e Eduardo Sepúlveda.

Reforços: Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), Davide Villella (Astana), Dario Cataldo (Astana), Mathias Norsgaard (Riwal Readynez), Juri Hollman (Heizomat Rad-Net.de), Gabriel Cullaigh (Team Wiggins Le Col), Sergio Samitier (Euskadi-Murias), Sebastián Mora (Caja Rural), Juan Diego Alba (Coldeportes), Iñigo Elosegui (Lizarte), Matteo Jorgenson (Chambéry Cyclisme Formation), Albert Torres (G.E.Es Port), Johan Jacobs (Lotto Soudal sub-23) e Einer Rubio (Vejus Aran).

Saídas: Nairo Quintana (Arkéa Samsic), Mikel Landa (Bahrain McLaren), Richard Carapaz (Ineos), Carlos Barbero (NTT), Jasha Sütterlin (Sunweb), Rafael Valls (Bahrain McLaren), Winner Anacona (Arkéa Samsic), Rubén Fernández (Fundación-Orbea), Jaime Castrillo (Kern Pharma) Daniele Bennati (terminou a carreira), Jaime Rosón (despedido em Junho depois de ser suspenso por doping, sanção que termina em 2022).

Em suspenso: Andrey Amador assinou um pré-contrato de renovação de vínculo com a Movistar e depois assinou outro com a Ineos, para onde quer mudar-se. Aguarda agora a decisão da UCI para saber se pode transferir-se para a equipa britânica.

NTT (ex-Dimension Data)
(© NTT Pro Cycling)
Louis Meintjes, Roman Kreuziger, Ben O'Connor, Edvald Boasson Hagen, Enrico Gasparotto, Michael Valgren, Stefan de Bod, Nic Blamini, Amanuel Ghebreigzabhier, Ryan Gibons, Reinardt Janse van Rensburg, Gino Mäder, Giacomo Nizzolo, Andreas Stokbro, Jay Robert Thomson, Rasmus Tiller e Danilo Wyss.

Reforços: Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), Victor Campenaerts (Lotto Soudal), Carlos Barbero (Movistar), Max Walscheid (Sunweb), Michael Gogl (Trek-Segafredo), Benjamin Dyball (Team Sapura), Samuele Battistella (Dimension Data for Qhubeka), Matteo Sobrero (Dimension Data for Qhubeka), Andreas Stokbro (Riwal Readynez), Dylan Sunderland (BridgeLane) e Shotaro Iribe (Shimano Racing Team).

Saídas: Mark Cavendish (Bahrain McLaren), Tom-Jelte Slagter (B&B Hotels-Vital Concept, Julien Vermote (Cofidis), Scott Davies (Bahrain McLaren), Bernhard Eisel (sem equipa), Lars Bak, Mark Renshaw, Steve Cummings, Jacques van Rensburg e Jaco Venter terminaram a carreira.

Sunweb
(© Team Sunweb)
Sam Oomen, Michael Matthews, Cees Bol, Wilco Kelderman, Soren Kragh Andersen, Nicholas Roche, Casper Pedersen, Nikias Arndt, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Marc Hirschi, Max Kanter, Asbjorn Kragh Andersen, Joris Nieuwenhuis, Robert Power, Michael Storer, Forian Stork e Martijn Tusveld.

Reforços: Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Jasha Sütterlin (Movistar), Nico Denz (AG2R), Ilan Van Wilder (Lotto Soudal sub-23), Mark Donovan (Team Wiggins Le Col), Albert Dainese (SEG Racing Academy), Thymen Arensman a partir de 1 de Julho (SEG Racing Academy), Nils Eekhoff, Felix Gall e Martin Salmon estavam na equipa de desenvolvimento da Sunweb.

Saídas: Tom Dumoulin (Jumbo-Visma), Lennard Kämna (Bora-Hansgrohe), Max Walscheid (Bora-Hansgrohe), Louis Vervaeke (Alpecin-Fenix), Jan Bakelants (Circus-Wanty Gobert), Roy Curvers e Johannes Fröhlinger terminaram a carreira.

Trek-Segafredo
(© Trek-Segafredo)
Mads Pedersen (campeão mundial), Richie Porte, Giulio Ciccone, Bauke Mollema, Ryan Mullen, Jasper Stuyven, Edward Theuns, Toms Skujins, Gianluca Brambilla, Will Clarke, Nicola Conci, Koen de Kort, Niklas Eg, Alex Kirsch, Jacopo Mosca, Matteo Moschetti e Kiel Reijnen.

Reforços: Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Antonio Nibali (Bahrain-Merida), Kenny Elissonde (Ineos), Emils Liepins (Wallonie-Bruxelles), Alexander Kamp (Riwal Readynez), Michel Ries (Kometa), Juan Pedro López (Kometa), Quinn Simmons (Lux-Strading p/b Specialized) e Charlie Quarterman (Holdsworth Zappi RT).

Saídas: John Degenkolb (Lotto Soudal), Fabio Felline (Astana), Michael Gogl (NTT), Fumiyuki Beppu (Nippo Delko One Provence), Alex Frame (sem equipa), Peter Stetina e Markel Irizar terminaram a carreira, Jarlinson Pantano terminou a carreira em Abril, depois de ter sido suspenso provisoriamente por suspeita de doping.

UAE Team Emirates
(© UAE Team Emirates)
Tadej Pogacar, Fabio Aru, Fernando Gaviria, Rui Costa, Sergio Henao, Jasper Philipsen, Ivo Oliveira, Rui Oliveira, Diego Ulissi, Tom Bohli, Sven Erik Bystrom, Valerio Conti, Alessandro Covi, Alexander Kristoff, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Juan Sebastián Molano, Cristian Camilo Muñoz, Yousif Mirza, Jan Polanc, Oliviero Troia, Edward Ravasi e Alexandr Riabushenko.

Reforços: Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos), Joe Dombrowski (EF Education First), Brandon McNulty (Rally UHC Cycling), Mikkel Bjerg (Hagens Berman Axeon), Alessandro Covi (Colpack), Andrés Camilo Ardila (EPM Scott).

Saídas: Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Rory Sutherland (Israel Start-Up Nation), Simone Consonni (Cofidis), Simone Petilli (Circus-Wanty Gobert), Manuel Mori e Roberto Ferrari terminaram a carreira, Kristijan Durasek foi despedido depois de ter sido suspenso por doping, até 2023.


4 de novembro de 2019

Uma época em que tudo falhou

(Fotografia: Facebook Team Dimension Data for Qhubeka)
A temporada da Dimension Data é medida por todos os objectivos que não foram alcançados. E tirando a vitória no Critérium du Dauphiné, nenhum foi concretizado. Poucas vitórias (sete) e apenas uma no World Tour. Falhou em todas as frentes: clássicas, sprints, gerais. Não conseguiu recuperar ciclistas como Louis Meintjes e Ben O'Connor, já para não falar de Mark Cavendish. Os ciclistas mais experientes não foram desta feita garantia de algum sucesso e os mais novos não conseguiram singrar. A única ideia que fica de 2019 é que é urgente reformular uma equipa que até está habituada a terminar mal colocada no ranking, mas ainda assim costuma ter alguma história positiva para contar. Este ano apenas ficou confirmado a necessidade de reformulação, que já em 2018 tinha ficado claro ser urgente arrancar.

Também não ajudou que reforços como Michael Valgren ou Giacomo Nizzolo não tenham rendido o esperado. O italiano ainda deu três vitórias à equipa (uma etapa na Eslovénia, Burgos e outra em Omã), mas é um sprinter que há algum tempo demonstra não ter capacidade para disputar triunfos com os principais nomes da especialidade. Ainda assim surgiu na luta em certas corridas e o mesmo não se pode dizer de Valgren. O dinamarquês eclipsou-se nesta mudança para a Dimension Data, depois de uma temporada fenomenal na Astana. Em 2018 conquistou a Omloop Het Nieuwsblad e Amstel Gold Race. Em 2019, quase deu para esquecer que estava a competir.

Há um ano, Ben King salvou um pouco a honra da equipa sul-africana ao conquistar duas etapas na Vuelta, mas nem o americano, nem Steve Cummings, muito menos Mark Cavendish conseguiram uma grande vitória, ainda que Edvald Boasson Hagen tenha o mérito de ter ganho no Critérium du Dauphiné, a única conquista World Tour de 2019 para a Dimension Data. E ainda andou um dia de camisola amarela.
Ranking: 22º (4357,35 pontos)
Vitórias: 7 (incluindo uma etapa no Critérium du Dauphiné - houve ainda mais duas conquistas de Ryan Gibbons no contra-relógio dos Jogos Africanos e de Stefan de Bod no contra-relógio dos Campeonatos Continentais Africanos, ao serviço da selecção sul-africana)
Ciclistas com mais triunfos: Edvald Boasson Hagen e Giacomo Nizzolo (3)
Depois houve Louis Meintjes. Ou melhor, não houve. Nesta sua segunda temporada após o regresso "a casa", depois de ter representado a Lampre-Merida/UAE Team Emirates, o sul-africano foi novamente uma sombra do senhor regularidade de outras temporadas, em que terminar no top dez em grandes voltas ou noutras corridas importantes era algo normal. Para quem quer ganhar a Volta a França, Meintjes tem um longo caminho a percorrer, começando por recuperar a forma de outros anos. Porém, as fracas prestações, tendo em conta a aposta feita no ciclista, pesam muito numa equipa que tanto precisa deste corredor. Tem apenas 27 anos, pelo que ainda vai muito a tempo de mostrar o seu melhor. E a Dimension Data bem precisa.

Quanto a Mark Cavendish, os problemas de saúde marcaram novamente a temporada do britânico que, ainda assim, ambicionou estar no Tour, preparou-se para tal, mas ficou de fora das opções por decisão de um dos directores. Não terá sido consensual, contudo, desde logo ficou a impressão que a relação que começou tão bem entre Cavendish e Dimension Data em 2016, estava a chegar ao fim. Há um ano, o sprinter viu o seu contrato ser renovado, muito devido precisamente ao respeito e agradecimento por Cavendish ser o autor de alguns dos maiores sucessos desta equipa, desde que chegou ao World Tour. Agora é altura de seguirem caminhos diferentes. Cavendish vai para a Bahrain-Merida. A Dimension Data ainda está à procura de um rumo que a leve a melhores dias.

Para 2019 houve uma mudança na aposta de ciclistas, diminuindo a presença de sul-africanos para dar mais espaço a corredores com outra experiência e que pudessem dar resultados mais no imediato à equipa. As contratações não resultaram. Para 2020, a equipa mudará de nome para NTT e a saída de Cavendish acaba por libertar mais orçamento, dado o elevado salário do ciclista (que ainda assim terá sido reduzido para 2019). Contratou um sprinter que esta temporada mostrou mais o seu potencial: o alemão Max Walscheid (Sunweb). O maior investimento foi em Victor Campenaerts. Chegou a ser dado quase como certo na Ineos, mas o belga deixou a Lotto Soudal para ter um papel de maior destaque na NTT, que ganha um dos especialistas no contra-relógio e o recordista da hora.

Carlos Barbero (Movistar) e Michael Gogl (Trek-Segafredo) vão trazer experiência, para contrastar com as chegadas dos jovens Samuele Battistella (Dimension Data for Qhubeka), Samuele Battistella (Riwal Readynez), Matteo Sobrero (Dimension Data for Qhubeka) e Dylan Sunderland (Team BridgeLane).

Apesar do sonho de levar um sul-africano ao pódio da Volta a França, ou de outra grande volta, a Dimension Data/NTT não tem planos como outras equipas de se transformar numa potência do ciclismo. Quer manter alguma ligação às origens, ainda que perceba que para triunfar no World Tour tem de ir mais além nos ciclistas que escolhe. Falta acertar nas contratações. Desportivamente, 2020 será um ano importante. Mais e melhores resultados são necessários.

»»Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer««

16 de julho de 2019

Dimension Data com novo nome para 2020

(Fotografia: Facebook Team Dimension Data)
Se há equipa que está a precisar de profundas mudanças é a Dimension Data. O projecto sul-africano que tanta atenção chamou ainda nos escalões inferiores, até começou bem no World Tour em 2016, mas tem enfrentado muitas dificuldades para ser mais regular em termos de bons resultados. Ano após ano tem ficado no último lugar do ranking. Chegou a apanhar um susto quando a UCI falou na criação de um sistema de promoção de despromoção. Com um orçamento limitado, a equipa viu-se obrigada a alterar um pouco a sua filosofia para 2019, mas nem assim as perspectivas estão a melhorar. Há mais mudanças a fazer, mas, por agora, a primeira para 2020 será o novo nome: a Dimension Data passará a ser a Team NTT.

Em Maio houve uma fusão entre a Dimension Data, uma empresa especializada em tecnologia de informação com sede em Joanesburgo, e a japonesa NTT. O objectivo passa para que NTT seja o nome único da empresa, o que faz com que as camisolas da equipa sul-africana também adoptam a nova denominação. Se estas alterações na empresa significará mudanças no orçamento, ainda está por se perceber, mas o projecto está previsto ficar na estrada pelo menos mais dois anos.

Mais do que o nome, é desportivamente que a equipa precisa urgentemente de mudanças. Quando subiu a World Tour, deixando a denominação MTN Qhubeka para ser a Dimension Data, a equipa sul-africana queria manter a sua génese de abrir as portas aos ciclistas daquele continente, não apenas do país. Contudo, claro que apostou também em ter pelo menos uma grande figura. Mark Cavendish procurava uma equipa na qual não tivesse concorrência interna para o estatuto de sprinter número um e correspondeu à milionária contratação da estrutura sul-africana com boas vitórias, quatro delas no Tour, ao que se juntou outra de Steve Cummings.

Em 2017, somou mais de 20 triunfos, Edvald Boasson Hagen venceu uma etapa no Tour e Omar Fraile no Giro, mas começavam os problemas com Cavendish e a equipa também deu os primeiros sinais que não estava tudo a correr sobre rodas. 2018 confirmou isso mesmo. Depois de 32 vitórias e 25 no ano seguinte, em 2018 as celebrações foram apenas sete, com Ben King a salvar a honra com as duas etapas na Vuelta. Ainda assim, muito pouco.

Com o vírus Epstein-Barr a limitar profundamente Cavendish, que tem passado muito tempo longe da competição, a equipa ainda assim renovou com o sprinter, que, no entanto, não consegue recuperar a boa forma. Ficou de fora da Volta a França, ainda que não tenha sido uma decisão consensual entre os directores da Dimension Data. Louis Meintjes regressou à estrutura em 2017, mas o filho pródigo tem mostrado uma pálida imagem do ciclista que foi quando apareceu na equipa e quando se mudou para a Lampre-Merida.

Para 2019, a Dimension Data anunciou que iria reduzir o número de africanos no seu plantel. Apesar de querer continuar a ajudar a evolução do ciclismo no continente, o director Doug Ryder também sabe que é necessário manter vivo o projecto através de bons resultados. Porém, as contratações não estão a render o esperado. Há um ano, na Astana, Michael Valgren venceu a Omloop Het Nieuwsblad e a Amstel Gold Race. Este ano anda "desaparecido" no pelotão. Giacomo Nizzolo, Enrico Gasparotto e Roman Kreuziger também pouco se mostraram, ainda que o primeiro, sprinter italiano, já tenha conseguido dar duas das seis vitórias de 2019 à Dimension Data (etapas em Omã e Volta à Eslovénia).

E depois ainda há uma incógnita: o que se passa com Ben O'Connor? O australiano apareceu de rompante na Volta aos Alpes em 2018, vencendo de forma brilhante uma etapa e estava muito bem no Giro até que uma queda o forçou a abandonar. Nunca mais se viu aquele Ben O'Connor que fez a equipa sonhar que tinha encontrado a sua futura referência. Tem apenas 23 anos, pelo que ainda se mantém a esperança.

Aliás, é na juventude que a equipa vai apostando. Este ano chegaram o suíço Gino Mäder (22 anos), o sul-africano Stefan de Bod (22) e o norueguês Rasmus Tiller (22). Estão a ser trabalhados para que em breve possam dar outro poderio à equipa. Para o ano foram anunciados já dois jovens talentos italianos Matteo Sobrero (22) e Samuele Battistella (20), que estão na equipa Continental do projecto sul-africano. Têm alcançado alguns pódios, pelo que para o ano serão dois dos ciclistas da Team NTT em quem se vai depositar alguma expectativa.

E pódios precisam-se, principalmente o primeiro lugar. O futuro de Cavendish poderá definir o caminho desta equipa. Apesar de ser visível o agradecimento que os responsáveis têm pelo que o britânico deu à formação, principalmente naquele primeiro ano, a incerteza quanto à sua forma física dado o problema de saúde, pesa cada vez. Ficar de fora do Tour é um sinal que poderá ser altura de as partes seguirem caminhos separados e assim libertar uma importante fatia do orçamento. De saída está mesmo Mark Renshaw. O eterno fiel lançador de Mark Cavendish vai retirar-se aos 37 anos (que fará em Outubro).

A aposta em jovens é sempre interessantes, mas serão necessários ciclistas com mais experiência e garantias. As licenças World Tour vão passar a ser atribuídas por três anos. Como o ranking só foi alterado este ano - deixou de ser World Tour e passou a incluir todas as equipas e reflecte os resultados dos últimos três anos -, ainda não terá peso na decisão. Mas se o regulamento não for alterado, já poderá influenciar as opções da UCI quando foram atribuídas as licenças para 2023/2025.

Quando havia o raking World Tour, a Dimension Data foi sempre a última classificada. Este ano é a novamente a pior classificada entre as formações do principal escalão, mas ainda é ultrapassada por três do escalão Profissional Continental: Cofidis, Wanty-Groupe Gobert e Total Direct Energie. Ou seja, ocupa a 21ª posição de um ranking liderado pela Deceuninck-QuickStep. A equipa belga soma 14669,07 pontos, a sul-africana 4543,01.

Edvald Boasson Hagen, Lars Ytting Bak, Steve Cummings, Reinardt Janse van Rensburg, Ben King, Roman Kreuziger, Giacomo Nizzolo, Michael Valgren são os ciclistas que estão no Tour. Vão aparecendo em fugas, Nizzolo lá tenta meter-se nos sprints sem ser uma ameaça aos favoritos. Quinta-feira é o dia Nelson Mandela. Ganhar uma etapa, qualquer etapa, seria óptimo. Ganhar num dia tão importante para os sul-africanos poderia ser aquele momento de viragem que a Dimension Data, futura Team NTT tanto precisa.

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