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4 de dezembro de 2019

Bahrain terá novo segundo nome de um parceiro mais conhecido da Fórmula 1

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bahrain-Merida)
A preparar-se para uma nova fase da sua curta existência, confirma-se que haverá a mudança de nome na Bahrain-Merida. Em 2020 será difícil não nos recordar da Fórmula 1, já que se passará a dizer Bahrain McLaren. A parceria com a marca começou há cerca de um ano e sendo uma de 50-50, como anunciado no início da colaboração, a McLaren vai agora tentar ganhar protagonismo no ciclismo, numa altura em que a equipa do Médio Oriente quer dar um salto de qualidade com nomes como Mikel Landa, Wout Poels e Pello Bilbao, esperando conseguir recuperar um Mark Cavendish que há muito não consegue estar ao seu melhor nível.

Quanto à Merida, foi realçado no comunicado como esta parceria de três anos foi profícua e contribuiu para as bases sólidas de uma equipa que esteve em pódios de grandes voltas, ganhou etapas nestas corridas e também monumentos, a maioria dos principais feitos da autoria de Vincenzo Nibali, que está de partida. Apesar da marca não dar mais o nome à equipa, vai manter-se como fornecedora de bicicletas e uma parceira a nível técnico.

"Este momento assinala uma emocionante nova fase na história da nossa equipa. Estamos muito orgulhosos do que alcançámos enquanto Bahrain-Merida e encantados que possamos agora combinar esta experiência com a nossa parceira McLaren, para inovarmos juntos neste grande desporto. O ciclismo está a tornar-se numa modalidade cada vez mais técnica e, como Bahrain McLaren, vamos estar bem posicionados para competir com os melhores e para trabalhar com os nossos muitos parceiros para desafiarmos o status quo.", afirmou um dos directores da equipa, Milan Erzen.

A McLaren tem colaborado a nível técnico, da performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial. A marca automóvel britânica, uma das equipas históricas da Fórmula 1, quer agora afirmar no ciclismo.

A mudança de nome é apenas uma das várias que se vão ver na agora Bahrain McLaren. Já é conhecida a valiosa contratação de um dos homens por trás do sucesso da Sky/Ineos, Rod Ellingworth, que vai liderar a equipa. Roger Hammond será director de performance, função que desempenhou na Madison Genesis (escalão Continental) e na Dimension Data. A equipa irá ainda reforçar o seu staff nas áreas médicas, de treino, nutrição, mecânica e marketing.

Entre os ciclistas, a grande referência passará a ser Mikel Landa, depois de três anos com Vincenzo Nibali como líder. O italiano vai mudar-se para a Trek-Segafredo. Ellingworth traz com ele da Ineos um Wout Poels tão importante como gregários nas vitórias de Chris Froome na Volta a França (e não só) e o director vai ainda tentar recuperar Mark Cavendish, ciclista que muito ajudou a tornar-se num dos maiores sprinters da história.

Pello Bilbao (Astana), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Marco Haller (Katusha-Alpecin) - ciclista que irá estar ao lado de Cavendish -, Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ) e Rafael Valls - que acompanha Landa da Movistar - são os reforços de uma equipa que apostará forte em ciclistas como Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Matej Mohoric, Mark Padun e Iván Cortina.

A Bahrain-Merida é a segunda equipa a anunciar uma mudança de nome para 2020, depois da Dimension Data confirmado que será a Team NTT (ver link em baixo).

16 de outubro de 2019

Bahrain-Merida anuncia seis reforços. Forte apoio para Landa a pensar nas grandes voltas

(Fotografia: © Bahrain-Merida)
Rod Ellingworth foi preponderante em tornar a Sky (actual Ineos) numa referência, além de, antes de integrar a equipa, ter ajudado ciclistas a notabilizarem-se, como foi o caso de Mark Cavendish e Geraint Thomas. O director de performance da formação britânica já abraçou a sua nova função na Bahrain-Merida, que tem estado muito activa no mercado de transferências. Termina a era Vincenzo Nibali e, para já, a aposta está a ser principalmente em ciclistas com experiência ao mais alto nível, numa clara tentativa de procurar vitórias importantes rapidamente. Só esta quarta-feira foram anunciados seis reforços, com destaque para Pello Bilbao e Rafael Valls, dois espanhóis que podem tornar-se nos principais aliados de Mikel Landa, o novo líder para as três semanas e que, finalmente, assina por uma equipa que lhe dá esse estatuto sem concorrência interna.

Eros Capecchi (33 anos, Deceuninck-QuickStep), Scott Davies (24, Dimension Data), Marco Haller (28, Katusha-Alpecin) e o Kevin Inkelaar (22, Groupama-FDJ Continental) foram anunciados juntamente com Bilbao (29, Astana) e Valls (32, Movistar). O jovem holandês Inkelaar é o único que não tem experiência World Tour, pois o britânico Davies tem dois anos de Dimension Data e este ano fez o Giro, a sua primeira grande volta. Antes de "dar o salto" passou pela Team Wiggins. Com a excepção de Haller, todos são ciclistas com características para provas por etapas.

"A equipa vai concentrar-se nas três semanas. Há corredores com experiência em idade e vamos dar o máximo rendimento. O projecto tem boa pinta", afirmou Bilbao à Rádio Marca, admitindo que o acordo há muito que estava fechado e que não foi difícil decidir ao saber que Landa iria para a Bahrain-Merida, deixando a Movistar, tal como Valls. A estes nomes junta-se Wout Poels, homem de confiança na Ineos (ex-Sky) e que Ellingworth conhece bem. Aos 32 anos, o holandês sabia que dificilmente iria liderar a equipa numa grande volta, ainda que tenha tido essa hipótese na última Vuelta, que correu muito mal à Ineos. Poels tanto poderá estar ao lado de Landa, como poderá ter algum protagonismo na Volta a Itália ou Espanha.

Quanto ao austríaco Marco Haller poderá ser a preparação de um comboio para Mark Cavendish. O britânico tem sido dado como provável reforço da Bahrain-Merida, mas ainda nada foi oficializado. Mas a equipa mantém Sonny Colbrelli no plantel, pelo que Haller poderá sempre ser importante na ajuda ao italiano tanto nos sprints, mas também nas clássicas, duas vertentes em que o jovem espanhol Iván Cortina (23 anos) vai começando a confirmar alguns créditos.

Matej Mohoric (24), Mark Padun (23), Hermann Pernsteiner (29) e, claro, Dylan Teuns (27) serão ciclistas que Ellingworth quererá tirar maior rendimento, com o belga a ganhar muito crédito depois de se destacar no Tour e na Vuelta deste ano. Na primeira corrida venceu uma etapa, na segunda vestiu a camisola vermelha da liderança. O director também queria contar com Rohan Dennis, mas a equipa decidiu terminar o contrato depois de uma relação difícil e que culminou com o abandono aparentemente sem explicação do ciclista no Tour.

Para trás fica a ligação entre o xeque Nasser bin Hamad Al Khalifa, dono da equipa, e Vincenzo Nibali, que em 2017 assumiu a liderança da equipa, tendo escolhido ciclistas da sua confiança. Venceu dois monumentos, venceu etapas em grandes voltas e o pódio no Giro e Vuelta, além de outros momentos de destaque. Faltou um sucesso no Tour para Nibali.

O caminho agora é outro para ambos. Nibali vai para a Trek-Segafredo e o desejo na Bahrain-Merida é atingir o nível de uma Ineos e nada melhor do que contratar um dos homens que muito contribuiu para tornar a formação britânica no que é hoje. Ellingworth é desde logo uma das grandes contratações da Bahrain-Merida e sem esquecer que a estrutura neste último ano tem contado com o apoio da McLaren na colaboração técnica, performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial.


23 de fevereiro de 2019

Momento para UAE Team Emirates ser equipa. Sky pode repetir táctica de sucesso

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A dupla subida ao Malhão tornou-se um final tradicional na Volta ao Algarve e é uma boa escolha. Tem havido espectáculo, a corrida entra praticamente sempre em aberto para na última etapa, muito porque, mesmo com diferenças simpáticas na geral, o Malhão é uma daquelas subidas curtas, mas que pode fazer mossa. Por isso mesmo, Tadej Pogacar não terá um dia nada fácil. Meio minuto de distância para a concorrência não lhe garante nada, mas irá assegurar a quem assistir à corrida mais um bom momento de ciclismo nas estradas algarvias.

Três quilómetros, com pendentes a rondar os 10%, mas que depois ainda aumentam um pouco. Na curta recta da meta da meta até se atreveria dizer que é mais fácil, não fosse o facto de depois de tanto esforço, os últimos metros também doerem e muito. Será um grande teste para Pogacar, que neste sábado, em Tavira, não evitou um corte de sete segundos no pelotão que fez com que a sua desvantagem fosse agora de 29 segundos para o segundo classificado. Mas principalmente será um teste para a UAE Team Emirates. O jovem esloveno já fez muito mais do que esperado. Com apenas 20 anos, na sua época de estreia no World Tour já venceu no Alto da Fóia. Numa equipa em que Fabio Aru estava no Algarve com responsabilidade acrescida depois de um 2018 demasiado mau para o ciclista do seu estatuto, o italiano foi mais do mesmo. Entre a queda da primeira etapa e a Fóia disse adeus à geral. Pogacar assumiu e muito bem a responsabilidade.

Aru ajudar Pogacar seria uma surpresa, pelo que Valerio Conti, Kristijan Durasak e, numa primeira fase do Malhão, talvez Simone Petilli, sejam os companheiros que mais podem ajudar o inesperado líder no Malhão. E vai precisar que esta equipa comece a funcionar como tal. Seria um bom exemplo para a restante temporada. A Sky procura a sua sexta vitória na Algarvia em oito anos e Wout Poels não quer desperdiçar outra oportunidade de ganhar. Já o fez na Volta à Comunidade Valenciana e no monumento Liège-Bastogne-Liège. Foi em 2016 e foi quando começou a falar em querer mais oportunidades e de querer liderar numa grande volta.

Entre quedas e o facto de na Sky o papel de líder estar completamente tapado para Poels, é aqui, na Volta ao Algarve que Poels pode fazer aquilo que se sabe que tem capacidade, mas que numa equipa como a britânica, as oportunidades para os gregários só surgem de quando em vez. A Sky poderá tentar repetir a táctica de 2018. Com Geraint Thomas na liderança e Michal Kwiatkowski a 19 segundos, o polaco foi para a frente, baralhando os adversários. A perseguição surgiu tarde e Kwiatkowski venceu no Malhão e a geral.

Agora é o cenário é diferente, pois é Pogacar o camisola amarela. Porém, Poels está a 30 segundos (recuperou sete) e David de la Cruz a 57. Se o espanhol for para a frente, vai obrigar a UAE Team Emirates a defender-se, mas também se pode dar o caso da Sky simplesmente impor aquele seu ritmo infernal e tentar eliminar um a um os seus adversários.

Porém, aqui poderá ficar exposta a ataques de um ciclista que tão bem os faz. As comparações entre Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Alberto Contador tem razão de ser. Sabe mexer com as corridas e pode sozinho meter em dificuldades os próprios homens da Sky. E se De la Cruz tentar escapar, Mas poderá ter um "aliado" espanhol para mexer na corrida. São 31 segundos que tem para recuperar e pode perguntar a Contador como se ganha no Malhão, pois El Pistolero venceu naquele Alto em 2010, 2014 e 2016. Zdenek Stybar, que há um ano mostrou-se no Malhão, tem 2:12 de desvantagem, o que lhe poderá valer liberdade de mexer na etapa e talvez ser muito útil ao companheiro Enric Mas.

E atenção a Soren Kragh Andersen. O ciclista da Sunweb era um outsider e meteu-se na luta depois da Fóia e principalmente do contra-relógio. Subiu agora para segundo, beneficiando dos cortes na chegada a Tavira O dinamarquês está a 29 segundos e também esta equipa poderá jogar outro ciclista na frente. Sam Oomen tem 1:28 minutos e não pode ser menosprezado se tentar escapar ao grupo da frente.  No entanto, o holandês desperdiçou 20 segundos ao ser sancionado este sábado por ter ficado demasiado tempo atrás do carro, para recuperar o lugar no pelotão. No top dez está ainda Marc Hirschi, o campeão mundial de sub-23, a 2:35, e mais um para a Sunweb poder jogar tacticamente.

Ou seja, a UAE Team Emirates ver-se-á na contingência de ter de ou responder a todos os ataques, ou ter de escolher as suas lutas e esperar que mais alguém ajude. Uma etapa muito táctica à espera dos ciclistas.

Todos os restantes corredores estão a mais de dois minutos, difíceis de recuperar, mas no Malhão nada é impossível. Haverá quem vá à procura da vitória de etapa. O destaque irá para Amaro Antunes (CCC). O homem da casa terá uma mancha laranja a apoiá-lo na subida que conquistou em 2017. Tem 2:36 para recuperar. O algarvio esteve envolvido na queda na primeira etapa e perdeu mais tempo no contra-relógio, recuperando em Tavira nove segundos. Talvez a geral seja pedir de mais, ainda que não seja de atirar a toalha ao chão. Mas estará lá para tentar ser o rei do Malhão, um top dez e a camisola da montanha (é segundo com menos dois pontos que Pogacar).

Há outros portugueses que conhecem todos os centímetros do Malhão. João Rodrigues é outro algarvio em destaque. Está a 3:21, na 17ª posição, é o melhor da W52-FC Porto naquele que poderá ser o ano da sua afirmação com um papel de maior destaque dentro da equipa Profissional Continental. Se ver o João Rodrigues tentar estar na frente não será uma surpresa, ver Tiago Machado a dar o tudo por tudo é mais do que esperado. Entre a queda e falta de pernas, o ciclista do Sporting-Tavira rapidamente claudicou qualquer hipótese de um bom resultado na geral. É 32º, a 6:57. Porém, o famalicense adoptou o Algarve como um dos seus locais de treino de eleição, pelo que o Malhão também não tem segredos para ele.

Não escondeu alguma frustração por não estar a conseguir realizar uma corrida como desejaria, pelo que sobra-lhe o Malhão para tentar ganhar pela primeira vez pela nova equipa, neste seu regresso a Portugal.

Quinta e última etapa: Faro – Malhão, 173,5 quilómetros



Groenewegen segue guião quase à risca

Depois de uma etapa ao sprint em que uma queda marcou desde logo a Volta ao Algarve, a sete quilómetros de Lagos, desta feita o guião foi seguido à risca. Houve uma fuga, com mais uma vez as equipas portuguesas a aproveitarem para se destacar - Efapel e LA Alumínios-LA Sport têm andado particularmente activas -, o pelotão apanhou os ciclistas da frente, mais um ou outro tentou escapar e tudo terminou ao sprint, com todos os candidatos presentes. Dylan Groenewegen ainda se desviou do guião ao ter um problema mecânico que o obrigou a uma recuperação, mas nada que lhe tirasse a força para triunfar novamente em Tavira.

O holandês da Jumbo-Visma foi o mais forte após 198,3 quilómetros que começaram em Albufeira. Foi a sua segunda vitória do ano em duas corridas e a terceira na Volta ao Algarve. Há um ano tinha também ganho em Lagos. Groenewegen cumpriu o que se esperava, já Arnaud Démare somou outro segundo lugar, depois de ter perdido para Fabio Jakobsen (Deceuninck-Quick-Step) em Lagos. Ainda assim, o francês da Groupama-FDJ subiu ao pódio para vestir a camisola vermelha dos pontos.

O melhor português da quarta etapa da 45ª edição da Volta ao Algarve foi Samuel Caldeira, o sprinter da W52-FC Porto, que terminou no 15º lugar.

Classificações após a quarta etapa, via ProCyclingStats.

»»Pogacar sabe defender-se no conta-relógio. Mas Küng é rei««

»»Jakobsen começa afirmação entre os melhores do sprint na Volta ao Algarve««

20 de fevereiro de 2019

Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen em vantagem no dia de subir à Fóia

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Volta ao Algarve terá um novo vencedor. Isso é certo. E não faltam candidatos a continuar um historial invejável. A Alberto Contador, Tony Martin, Richie Porte, Geraint Thomas, Primoz Roglic e Michal Kwiatkowski podem suceder Fabio Aru e Enric Mas, por exemplo. São os cabeças de cartaz, pois afinal o primeiro é o vencedor de uma grande volta e o segundo fez pódio no ano passado. Ambos brilharam na Vuelta. Mas a Algarvia dificilmente se fará de apenas estes dois corredores. Há um conjunto de jovens que podem bem aproveitar a oportunidade para começarem a habituarem-se a ganhar. E depois houve uma queda logo na primeira etapa, perto da meta em Lagos, que fez com que já haja diferenças de tempo, ainda antes da chegada da montanha.

Esta quinta-feira, o Alto da Fóia fará a primeira arrumação na geral. E falando precisamente de jovens, Sam Oomen (23 anos) foi o melhor nesta classificação da Algarvia em 2018, no que foi um ponto de partida para uma temporada muito convincente, com destaque para o excelente trabalho no Giro para Tom Dumoulin e o nono lugar na geral. Este holandês é dos que mais promete da nova geração.

Depois há Tao Geoghegan Hart (23), mas perdeu quase sete minutos, pelo que o experiente Wout Poels é quem ficou em boa posição de continuar o legado da Sky na Algarvia. Em 2016 venceu a Volta à Comunidade Valenciana e depois o monumento Liège-Bastogne-Liège. Não se conseguiu afirmar como líder como queria, mas aqui está uma oportunidade para este excelente ciclista, que sabe ser mais do que um gregário de luxo. 

Voltando aos jovens. Tadej Pogacar é um nome a não esquecer. A Eslovénia está a tornar-se numa escola cada vez mais interessante de ciclistas e este é mais um que cedo agarrou a atenção da UAE Team Emirates. Tem apenas 20 anos, venceu a Volta a França do Futuro, mas ainda antes a equipa já tinha garantido que o esloveno vestiria as suas cores em 2019. Com Aru na equipa, se a ambição do italiano for finalmente regressar às vitórias, Pogacar poderá ter de se sacrificar, no entanto, não perdeu tempo na chegada a Lagos ao contrário do companheiro, o que poderá deixá-lo com alguma liberdade.

Falando então de Fabio Aru. O seu último triunfo foi a 5 de Julho de 2018, na quinta etapa da Volta a França. E que grande vitória foi em La Planche des Belles Filles. Saiu da Astana, com quem venceu a Vuelta em 2015. Porém, o Aru daquele ano pouco tem aparecido desde então e na UAE Team Emirates nem a sombra do ciclista se tem visto. O italiano está obrigado a obter resultados em 2019, tendo escolhido o Algarve como a sua primeira prova por etapas do ano. Aru está obrigado a estar na luta, já para não dizer que está obrigado a ganhar. Mas não começou bem no Algarve e tem 1:05 de desvantagem. 

Enric Mas tem tudo para ser o grande favorito. Este espanhol da Deceuninck-QuickStep que parece que nada nem ninguém lhe perturba o sorriso e a quem chamam de o novo Contador - que até o quer na sua equipa -, tem como objectivo o Tour, pelo que a sua forma e mesmo mentalidade na Algarvia serão bem diferentes de Aru, que está a pensar no Giro. Porém, Mas adora desfrutar de todas as corridas que faz e a Fóia vai determinar se estará ou não na luta pela amarela. Se se sentir bem, não é ciclista para desaproveitar uma oportunidade para ganhar. E Enric Mas sabe o que é vencer em Portugal. Em 2016 conquistou a Volta ao Alentejo, então na Klein Constantia.

Mas há mais. Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe) foi sétimo no Giro do ano passado e já está de olhos postos na próxima edição da grande volta italiana. Já tem 4:11 minutos para recuperar. Não terá missão nada fácil. Talvez pense mais num top 10 ou numa etapa. O russo Sergei Chernetski deixou a Astana, depois de uma passagem pela Katusha e está agora numa Caja Rural que quer com ele disputar mais provas. O 1:35 perdidos, não devem assustar em demasia. Simon Spilak, da Katusha-Alpecin, é um ciclista que a equipa aponta a este tipo de corridas por etapas mais curtas e ficou a "apenas" 1:05. Os companheiros portugueses estão a mais de três e seis minutos, respectivamente, o que deverá deixar Ruben Guerreiro e José Gonçalves a pensar mais numa etapa.

E claro. Amaro Antunes. Líder da CCC, a preparar a sua primeira grande volta, o Giro, naquela que é a época de estreia no World Tour. Homem da casa, vencedor no Malhão há dois anos, começou 2019 na Volta à Comunidade Valenciana com um 28º lugar, mas é difícil imaginar um Amaro Antunes que não esteja a pensar em mais um brilharete na "sua" Algarvia, depois de a ter falhado em 2018 por a equipa, então Profissional Continental, não ter conseguido um convite. Contudo, aquele 1:35 de desvantagem para Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen, não o deixaram nada satisfeito. Mas se há alguém que conhece como correr no Algarve é, naturalmente, ele.

Estes são os candidatos, digamos, mais óbvios, mas há espaço para surpresas. Gianluca Brambilla (Trek-Segafredo), José Herrada (Cofidis), Ben King (Dimension Data) - vencedor da camisola da montanha no Algarve há um ano -, Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) podem muito bem aparecer, numa corrida que se apresenta aberta, mas que a Fóia poderá ajudar a definir. Só Hagen chegou no grupo do vencedor da etapa, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), mas os outros perderam menos de dois minutos.

Segunda etapa: Almodôvar – Alto da Fóia, 187,4 quilómetros



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5 de junho de 2017

A Sky já não é aquela equipa em que todos querem estar

A Sky tomou o ciclismo de assalto tornando-se rapidamente uma referência na modalidade, tanto pelos resultados, como pelos métodos de treino. Porém, se o seu poderio desportivo e financeiro são um atractivo para muitos ciclistas, a equipa britânica já não é aquela em que todos querem estar e começam a somar-se os casos de corredores que preferem sair. De certa forma é a Sky a pagar o preço de tentar ter sempre os melhores, mas depois não ter espaço para que todos possam cumprir as suas ambições pessoais.

Quando Mark Cavendish bateu com a porta no final de 2012, ninguém achou estranho. Afinal estranho era ver um dos melhores sprinters da história a ir buscar água e comida para Bradley Wiggins. Sem o comboio que estava habituado a ter, o britânico preferiu ir para outra formação e perante a sua importância no pelotão, ninguém na Sky lhe tentou fechar a porta. Parecia ser caso único quando se fala de ciclistas importantes dentro da estrutura de uma equipa, que se habituou a ser ela a escolher quem fica, quem sai e quem entra. Wiggins acabaria por sair, mas já com uma postura de final de carreira.

Foi Richie Porte quem abriu um precedente que agora poderá começar a tornar-se num problema para os responsáveis da Sky. O australiano foi o braço direito de Chris Froome e durante três anos transformou-se num gregário de luxo. Mas era notório que tinha qualidade para algo mais e a Sky percebeu que tinha de lhe dar uma oportunidade. Deixou-o ser líder num Giro (em 2015) em que tudo acabaria por correr francamente mal. Voltou ao seu papel principal, cumpriu-o, mas no final do ano não renovou contrato. Porte não queria ser apenas um ciclista de vitórias de corridas de uma semana e muito menos um gregário, queria uma equipa a ajudá-lo para atacar uma grande volta, nomeadamente a Volta a França. Há dois anos que está na BMC e é um dos adversários que Chris Froome já admitiu que terá de estar muito atento.

Nicholas Roche seguiu Porte este ano e depois de dois anos na Sky, o campeão irlandês de 32 anos admitiu que queria outra liberdade. Está disponível para trabalhar para os líderes, mas quer ter a oportunidade de lutar por uma ou outra vitória. A BMC aceitou essas condições.

A Sky aprendeu a lição com Richie Porte e quando viu que estava na mesma situação com Geraint Thomas, não só lhe deu a oportunidade de liderar no Giro (este ano), como escolheu ciclistas com o único objectivo de o ajudar, o que provocou outro problema com Elia Viviani, mas já lá vamos. A excepção era Mikel Landa, que seria oficialmente o co-líder, mas que na prática era o plano B. Mais uma vez as coisas não correram nada bem, desta feita por culpa de uma moto da polícia mal parada. Thomas abandonou e vai agora regressar também ele ao papel de gregário de Froome para o Tour, tal como aconteceu com Porte. Porém, em final de contrato, a Sky não quer perder mais um ciclista importante e sabe que o tem de manter satisfeito. Thomas disse que em 2018 estaria de volta ao Giro e a Sky estará disposta em dar-lhe novamente a liderança. A dúvida é se aos 31 anos Thomas não se importará de manter este duplo estatuto, ou se tal como Porte quer mais.

Já Mikel Landa (27 anos) não estará disposto a manter-se numa posição secundária. O espanhol chegou à Sky em grande. Era a aposta para a Volta a Itália e eventualmente para a Vuelta, se Froome não quisesse apostar na corrida. Porém, o Giro tem uma tendência a correr mal e em 2016 foi mais um caso. Landa abandonou com uma gastroenterite e a partir daí foi gradualmente perdendo a confiança das chefias da Sky. Este ano ficou também envolvido no mesmo incidente de Thomas, mas salvou o Giro com uma vitória de etapa e com a conquista da classificação da montanha. Mais do que nunca, Landa sente que merece ser líder. Jjá surgiram rumores que estará a negociar com a Astana o seu regresso à equipa cazaque e assim ter o papel de líder que a equipa não lhe deu e que o fez ir para a Sky e que na equipa britânica não conseguiu manter.

Wout Poels (29) pode transformar-se noutra dor de cabeça. O holandês já fez saber que quer tentar lutar por uma grande volta, mas com Thomas e Landa - e claro Chris Froome - na equipa tal não deverá acontecer. Poels teve um papel preponderante na vitória no Tour de Froome no ano passado e conquistou o primeiro monumento para a Sky na Liège-Bastogne-Liège. Este ano tem enfrentado problemas físicos, pelo que só conta com dez dias de corrida. Poels tem contrato até 2019, o que dá garantias à formação britânica, no entanto, ter um ciclista insatisfeito pode tornar-se complicado de gerir e enfraquecer uma estrutura que aposta tudo na força do conjunto para assegurar o triunfo individual.

Nem Thomas, nem Landa, nem Poels divulgaram publicamente se querem sair, mantendo-se fiéis à equipa que está perto de começar o objectivo principal da sua existência: a Volta a França. No entanto, Elia Viviani pode estar a quebrar a suposta harmonia, claramente cada vez mais frágil. O italiano não ficou nada satisfeito por ter sido excluído do Giro100. Tentou ser o bom companheiro de equipa, deixando palavras de apoio a quem tinha sido escolhido, mas na Volta à Califórnia foi um ciclista sem alegria e sem convicção. Só soma uma vitória individual em 2017, numa etapa da Volta à Romandia, num sprint em que até Froome ajudou a preparar. No passado domingo, o italiano ajudou a Sky a vencer a primeira edição da Hammer Series.

Viviani foi escolhido pela equipa britânica em 2015 por ser um sprinter que não precisa de um comboio para estar na luta por uma vitória e porque apresentava um currículo interessante de triunfos na Liquigas, que depois passaria a ser a Cannondale. Sprinter de qualidade, mas não com o estatuto de quem fizesse exigências para assinar pela Sky. Viviani sabia que ao aceitar a proposta estaria muito sozinho nos sprints, mas sempre encarou isso como um desafio. Agora parece que se fartou de ser uma aposta secundária e a exclusão do Giro terá sido o golpe final na paciência de Viviani.

Segundo a Gazzetta dello Sport, o italiano ter-se-á reunido com Dave Brailsford - o homem forte da Sky - para demonstrar o seu descontentamento e pedir mais oportunidades em corridas importantes. "Pedir" é capaz de ser uma palavra simpática. Viviani esteve com Brailsford em Piancavallo, horas depois de Landa vencer a etapa no Giro naquele local. Segundo o jornal italiano, Viviani quererá estar na Volta a Espanha, algo que será difícil de concretizar se Froome resolver tentar lutar por esta corrida além do Tour, o que é o mais provável em condições normais.

A Sky estará disposta em apostar em Viviani em algumas corridas de um dia, mas o jornal transalpino escreve que o ciclista de 28 anos estará a ponderar deixar a equipa já no final deste ano, apesar de ter contrato até 2018. Não se sabe qual será a posição da Sky se for o caso, mas com Viviani a não ter o papel mais preponderante na estrutura e com as vitórias a serem bastantes reduzidas, é provável que a porta até seja aberta para o italiano procurar outro caminho.

Uma equipa tão dominadora que vai, para já, sobrevivendo às suspeições que muito se tem falado sobre o pacote mistério dos tempos de Bradley Wiggins, é sempre apetecível para os ciclistas, ainda mais quando tem estado na vanguarda da evolução no método de trabalho e também da forma de competir. Porém, é também uma das equipas com uma hierarquia não só definida, mas em nada flexível, o que acaba por desiludir aqueles que procuram a glória pessoal, mas que têm de ser constantemente os homens de trabalho, os homens de sacrifício.


13 de novembro de 2016

Quando ser gregário começa a saber a pouco

Wout Poels quer liderar a Sky numa grande volta (Fotografia: Team Sky)
Ter ambição é normal, é positivo, é motivante. Porém, quando se tem uma equipa que se quer unida em torno de um ciclista, a ambição pessoal de um ou dois corredores pode ser o suficiente para colocar em causa essa união. A equipa Sky tem sido, talvez, nos últimos anos a formação que mais se faz valer dessa união em torno de um líder. Bradley Wiggins primeiro, depois Chris Froome. Nem Mark Cavendish conseguiu ser o número um da equipa e tornou-se o tal membro ambicioso, que apesar de ter cumprido o seu pouco habitual trabalho de gregário, rapidamente procurou outra equipa. A Sky tem sabido lidar com algumas "insurreições", como quando Froome bateu com o pé e disse que não voltaria a ser fiel escudeiro de Wiggins. A lealdade quando se quer ganhar pode terminar rápido. Em 2017 a equipa britânica pode ter de enfrentar mais um desses problemas.

A questão de Froome foi facilmente resolvida, pois era óbvio que Bradley Wiggins não tinha capacidade para ser um líder forte durante muito mais tempo. E Froome não perdeu tempo em mostrar que tinha razão em exigir ser o número 1. A seu lado ficou Richie Porte. Um ciclista de uma lealdade que é difícil de encontrar e que Froome sabe que lhe deve muito do seu sucesso. Mas claro, que chegou o ponto que Porte queria mais. Deram-lhe a liderança no Giro e não correu bem e o australiano percebeu que o melhor caminho era mudar-se para um equipa onde fosse indiscutivelmente o líder. Na BMC encontrou esse espaço, mesmo havendo um Tejay van Garderen.

Quando se pensava que seria Geraint Thomas o sucessor de Porte como braço direito de Froome, surgiu um Wout Poels irrepreensível. Entrou para a equipa em 2015 e este ano deu à Sky o seu primeiro monumento ao conquistar a Liège-Bastogne-Liège (à custa de Rui Costa). Na Volta a França foi ele quem fez de fiel escudeiro de Chris Froome, num trabalho a todos os níveis brilhante. E não nos podemos esquecer que começou o ano com uma exibição dominadora na Volta à Comunidade Valenciana.

Numa entrevista a um jornal basco, Diario Vasco, o holandês confessou que a sua ambição já não se limita a ser de servir Froome e lutar por uma ou outra vitória quando o britânico não está. Com 29 anos feitos a 1 de Outubro, Poels quer ganhar uma grande volta. "Gostaria de fazer uma volta de três semanas como líder. É óbvio que com Chris Froome na equipa, no Tour não poderá ser, mas gostaria de tentar no Giro ou Vuelta", afirmou.

E qual é o problema? Chama-se Mikel Landa, contratado este ano para lutar pelo Giro e eventualmente pela Vuelta, dependendo da escolha de Froome, o espanhol teve um primeiro ano na Sky para esquecer - acabou por ainda ajudar no Tour -, depois de ter sido fantástico em 2015 na Astana, como gregário de Fabio Aru. É ele que deverá ser novamente o líder no Giro - se não houver nenhuma surpresa na escolha de Froome -, mas agora Poels também quer o seu espaço e a Sky sabe que terá de lidar com inteligência com estas ambições pessoais para, por um lado, manter a união da equipa e por outro para manter os ciclistas na formação e não acontecer como Cavendish, Edvald Boasson Hagen ou, mais recentemente, com Ben Swift, que depois de sete anos na Sky, vai rumar à TJ Sport, a nova equipa chinesa - que comprou a Lampre-Merida - e que conta com Rui Costa.

Uma equipa que quer sempre os melhores, tem de ser exímia em mantê-los satisfeitos e motivados. Vejamos o caso de Geraint Thomas: é lhe dada liberdade no início da temporada, para depois concentrar-se em servir Froome. Porém, com tantos egos e tantas ambições, a forma como a Sky consegue manter os seus ciclistas concentrados e unidos em torno do objectivo definido tem sido um dos segredos do seu sucesso.

Agora vamos ver o que poderá provocar estas declarações de Wout Poels e como será lidada a ambição pessoal do holandês que ganhou direito a ter voz dentro da equipa.

8 de agosto de 2016

Vista Chinesa: a soma de todas as quedas olímpicas

Nelson Oliveira foi uma das vítimas da Vista Chinesa
O percurso de estrada olímpico - "desenhado" pela portuguesa Isabel Fernandes - teve tanto de fantástico como de dramático. Os campeões Greg van Avermaet e Anna van der Breggen acabaram a dividir algum protagonismo com as muito acidentadas corridas, principalmente na descida da Vista Chinesa. De repente, este nome entrou no léxico de todos. É que as quedas não só foram numerosas, como neste momento vai-se fazendo quase uma lista da gravidade das lesões. O sonho olímpico tornou-se mesmo num pesadelo para muitos ciclistas, que colocaram a restante temporada em risco. Faz parte do desporto, é certo, mas quando tantos nomes sonantes aparecem na tal "lista", é inevitável chamar as atenções erradas ao acontecimento... e à Vista Chinesa

O mais grave aconteceu na corrida das senhoras. A holandesa Annemiek van Vleuten parecia estar a caminho da medalha de ouro quando teve uma aparatosa queda na última descida. De arrepiar! A ciclista terá uma concussão e três fracturas na coluna.



A atleta ficou internada num hospital no Rio de Janeiro e a federação holandesa garante que está consciente e coerente. E a julgar pelas mensagens que está a colocar no Twitter, parece que o que dói mais é o facto de não ter conseguido ganhar a medalha de ouro.

Na corrida dos homens começamos com Vincenzo Nibali e Sergio Henao. Os dois iam na frente com Rafal Majka e parecia que iam decidir entre os três as medalhas, até que a Vista Chinesa acabou com as aspirações do italiano e do colombiano. Nibali tem as duas clavículas partidas e Henao fracturou a crista ilíaca (na zona pélvica) e tem um trauma no tórax.

O australiano Richie Porte estará bastante desanimado. É que já não bastava ter caído, a fractura na omoplata tirou-o do contra-relógio de quarta-feira. Ainda assim, eis a reacção:
A Holanda também está a tentar perceber a condição física de Wout Poels. O vencedor da Liège-Bastogne-Liège resolveu ser diferente e "embrulhou-se" numa subida com outro ciclista, acabando no chão. O braço não está partido, mas o holandês ainda terá de fazer alguns testes para perceber se estará em condições de alinhar no contra-relógio.

Quem lá estará certamente é Nelson Oliveira. O português foi mais uma das vítimas da Vista Chinesa, mas o próprio garantiu que estará na quarta-feira na estrada.



Geraint Thomas também teve uma queda que gerou alguma preocupação. O britânico ainda terminou a corrida (em 11º), mas foi de seguida para o hospital. Nada partido, mas o susto foi grande.

Julian Alaphilippe foi mais um que não resistiu à descida. No entanto, não teve lesões, mas ficou a amargura de um quarto lugar, a 22 segundos do vencedor.

A Vista Chinesa não só destruiu sonhos e provocou muitos ferimentos como acabou por ser decisiva na atribuição das medalhas olímpicas.

Já agora, aqui ficam as classificações da prova masculina (sábado) e feminina (domingo).

24 de abril de 2016

Primeiro monumento para a Sky... e a vitória ali tão perto para Rui Costa

(Fotografia: Twitter: @lampre_merida)
Um objectivo definido na Sky é um objectivo que tem de ser cumprido. Quando chegou ao ciclismo, disse que vinha para ganhar a Volta a França. E assim foi, primeiro com Bradley Wiggins e depois mais duas vezes com Chris Froome. Nos últimos dois anos a equipa britânica tem apostado na contratação de especialistas em corridas de um dia. Objectivo: um monumento. Custou, mas aí está ele: Liège - Bastogne - Liège.

No entanto, não foi nenhuma das apostas principais a cumprir esse objectivo. Michal Kwiatkowski, Ian Stannard, Luke Rowe, Ben Swift, Salvatore Puccio e Geraint Thomas estão numa primeira linha de opções, dependendo da clássica. Hoje era para Kwiatkowski, mesmo com Chris Froome na equipa, mas foi Wout Poels quem esteve melhor fisicamente e, principalmente, a nível táctico. O holandês podia não ser a aposta principal, mas era um plano B que dava garantias à equipa. E comprovou isso mesmo.

A nova subida em pavé a três quilómetros do fim, antes da dificuldade final, acabou por ser mesmo decisiva. Aqueles 600 metros com 10,5% de inclinação média serviram para que Michael Albasini e Rui Costa se distanciassem, mas Poels conseguiu juntar-se ao duo, trazendo com ele Samuel Sánchez (BMC), que esteve mais uma vez muito bem numa clássica das Ardenas este ano.

O quarteto apostou no momento certo, pois o grande favorito Valverde e a sua Movistar - que tanto trabalhou durante grande parte da corrida - não conseguiram fechar o espaço. O mesmo aconteceu com a Etixx-QuickStep, que mesmo com Daniel Martin e Julian Alaphilippe, ficou para trás.

No final, tudo ficou resumido a quem estava melhor fisicamente depois de 250 quilómetros muito exigentes, feitos debaixo de neve e chuva (foram cortados três quilómetros logo no início precisamente por causa do mau tempo). Na última curva, Poels arrancou, Albasini acompanhou. Rui Costa não conseguiu seguir na roda do suíço da Orica-GreenEDGE. Samuel Sánchez desistiu do sprint.


"Não acredito que ganhei, por isso, estou mesmo feliz. O tempo... até nevou. Foi um dia muito difícil. Eu não me sentia super, mas estávamos todos mesmos cansados", salientou Poels. A cumprir o segundo ano na Sky, Poels (28 anos) conquista a maior vitória da sua carreira, num 2016 que já conta com uma vitória na geral da Volta à Comunidade Valenciana.

Rui Costa com um pódio mais do que merecido

Quando o ciclista português segue com Michael Albasini na nova subida em pavé que tanto se falou antes da prova, faltavam cerca de três quilómetros. Rapidamente se percebeu que era um ataque que tinha tudo para resultar. Mais uma vez Rui Costa mostrava porque é dos melhores ciclistas a nível táctico. 

Numa corrida tão difícil que ganhou contornos épicos dado o mau tempo - vento, chuva, neve e de vez em quando um bocadinho de sol, houve de tudo - Rui Costa andou sempre bem colocado, mesmo que, mais uma vez, a Lampre pouco fez para ajudar o seu líder. De vez em quando parecia que Rui Costa estava a descair no grupo, mas não demorava muito a reaparecer na frente, afinal era uma luta de titãs com todos a quererem a melhor colocação. Mas o campeão do mundo de 2013 estava no sítio certo no momento certo e soube avaliar que o ataque de Albasini podia ser a machada necessária para deixar para trás a Movistar, principalmente Valverde, e a Etixx.

É notório o quanto Rui Costa gosta desta Liège - Bastogne - Liège e depois do quarto lugar no ano passado, eis um merecido pódio - por momentos a vitória parecia estar ali tão perto -, o primeiro para um português neste monumento. O segundo para Rui Costa, depois do também terceiro lugar na Volta à Lombardia em 2014.
"[Na subida de] Saint-Nicolas eu percebi que a corrida estava a ficar mais dura e eu estava com boas pernas e podia estar bem colocado nas últimas subidas. Vi que o Albasini estava também forte. Mantive-me na roda dele. Quando vi os outros a ficar para trás, puxei mais", explicou Rui Costa, citado pelo site da organização da Liège - Bastogne - Liège. 

O ciclista da Lampre considera que Wout Poels "mereceu ganhar". "Foi um dia difícil com a chuva, neve e o frio. A clássica mais difícil que fiz. É a minha favorita, por isso, estou feliz por estar no pódio. Com o dia difícil que estávamos a ter, só os melhores chegariam ao fim", referiu. 

Sobre o mau tempo confessou: "Quando chove ou está frio, o meu corpo costuma suportar bem, mas isso não significa que eu goste destas condições. A Liège é uma das corridas mais difíceis e eu sabia que poderia fazer um bom resultado. A meteorologia complicou tudo durante todo o dia, ao que se juntou o facto da penúltima subida em empedrado também ter influenciado o final."

Quanto aos outros ciclistas portugueses, José Mendes (Bora-Aragon) cortou a meta em 86º, a 5:27 minutos do vencedor. Tiago Machado (Katusha) e Mário Costa (Lampre-Merida) não terminaram a corrida.




Confira os resultados da Liège - Bastogne - Liège.