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12 de dezembro de 2019

"Tubarão de Messina" a caminho do Algarve

(Fotografia: © Team Bahrain-Merida)
Não é especulação ou uma possibilidade a ser ponderada. É oficial que Vincenzo Nibali vai arrancar a temporada de 2020 na Volta ao Algarve, naquela que será a sua primeira corrida pela Trek-Segafredo. Mas não foi a única boa notícia por parte da equipa americana, que anunciou que também Bauke Mollema estará no sul de Portugal entre 19 e 23 de Fevereiro. Dois nomes de peso para abrir a lista de inscritos para a 46ª edição da Algarvia, que já tem garantidas 10 equipas World Tour.

Aos 35 anos e com uma nova geração a tomar as rédeas do pelotão, Vincenzo Nibali não desiste de conquistar mais umas vitórias nos principais palcos, olhando principalmente para um terceiro Giro. Terminada a etapa na Bahrain-Merida, Nibali assinou por duas temporadas por uma equipa que, desde a chegada da Segafredo como patrocinador, ambicionava contar com o ciclista conhecido como o "Tubarão de Messina". O seu currículo conta com a conquista das três grandes voltas e dois monumentos: venceu a Lombardia por duas vezes e ainda a Milano-Sanremo. Soma mais de meia centena de vitórias ao mais alto nível.

Mesmo com os ciclistas mais novos a ganharem cada vez mais destaque, inclusivamente um italiano, Nibali continua a ser um dos mais populares no seu país e não só. Giulio Ciccone é um dos compatriotas a conquistar protagonismo e será em 2020 um gregário de Nibali, assim como um "aprendiz", pois a Trek-Segafredo aposta muito neste talentoso corredor de 24 anos, vencedor de uma etapa e da camisola da montanha no Giro e que andou de amarelo no Tour.

Vincenzo Nibali prefere começar a sua temporada na Europa, abdicando da longa viagem ao Médio Oriente, onde arrancou o ano de 2019 e que estando na Bahrain-Merida e antes na Astana, era uma paragem quase obrigatória no início das últimas épocas. Além da Algarvia, o italiano tem no seu calendário o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, Liège-Bastogne-Liège e a Volta a Itália e Espanha.

Com a mudança para a Trek-Segafredo, Nibali deixa (para já) para trás o objectivo de tentar conquistar uma segunda vitória no Tour, grande volta onde estará Bauke Mollema e o outro líder para as três semanas, Richie Porte. Nibali, Mollema e Ciccone vão estar juntos na Volta a Espanha. Quanto a este último ciclista, apenas foram anunciadas as grandes voltas, não se sabendo onde arrancará a temporada.

Apesar de não ter sido confirmado pela equipa, outro objectivo de Nibali passará por estar nos Jogos Olímpicos. Com menos de uma semana a separar o Tour da corrida olímpica de estrada, alguns ciclistas ponderam não ir à Volta a França para melhor preparar os Jogos. Nibali fez uma boa corrida no Rio de Janeiro em 2016 e parecia estar bem encaminhado para conquistar pelo menos uma medalha, até que sofreu uma queda e abandonou. No entanto, o italiano continua a querer juntar uma conquista olímpica ao seu palmarés, no qual também falta um título mundial, que ainda quer igualmente perseguir.

A época de ambição renovada de Nibali começará então no Algarve e Mollema poderá dar umas dicas ao novo companheiro. Em 2018 foi quarto na geral da Algarvia ganha por Michal Kwiatkowski (Ineos), polaco que bateu o holandês no Alto da Fóia, na segunda etapa. E há que não esquecer que Bauke Mollema, um ciclista habituado a terminar no top dez das grandes voltas, é também dono de um monumento, depois de ter ganho a Lombardia esta temporada.

Dois ciclistas importantes confirmados, a que se podem juntar Rui Costa (UAE Team Emirates), Greg van Avermaet (CCC) e o próprio Kwiatkowski (Ineos). As duas primeiras equipas estão entre as dez do principal escalão já conhecidas para a Algarvia, mas a Ineos ainda não avançou com o seu calendário de início de temporada. Foi o polaco que numa entrevista falou na possibilidade de vir à Volta ao Algarve, contudo, estes três nomes ainda estão por oficializar. Mas com Nibali e Mollema, a lista de inscritos começou bem.

»»Mais três equipas World Tour confirmadas na Volta ao Algarve««

»»Os perfis das cinco etapas da Volta ao Algarve««

11 de novembro de 2019

Temporada interessante de uma Bahrain-Merida a olhar para o pós-Nibali

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bahrain-Merida)
A Bahrain-Merida está numa fase de mudança. Vai deixar de ser a equipa que Vincenzo Nibali tanta influência teve em escolher os ciclistas quando o projecto arrancou em 2017, para tentar dar um passo de qualidade, tornando-se mais forte e menos dependente do italiano. O primeiro passo até era suposto ter sido dado já em 2019, ainda com Nibali na equipa - está de saída para a Trek-Segafredo -, mas acabou com o misterioso abandono de Rohan Dennis na Volta a França, na véspera do contra-relógio que se esperava poder vencer. O australiano viu o seu contrato ser terminado após o incidente e a Bahrain-Merida em vez de esperar para ver se este ciclista se tornaria de facto num voltista (que está a demorar aparecer), vai preferir esperar para ver o melhor de Mikel Landa. Se algo positivo ficou deste ano é que Dylan Teuns foi uma excelente contratação, que Iván García Cortina está a evoluir cada vez melhor, principalmente nas clássicas e Sonny Colbrelli precisa de mais companhia no sprint.

Começando por Teuns, este belga foi uma das figuras da Vuelta, andando um dia de vermelho, isto depois de ter inscrito o seu nome numa das subidas que vai ganhando cada vez mais nome no Tour: venceu a etapa na La Planche de Belles Filles. Tal como Dennis veio da BMC, mas Teuns está de facto a comprovar o potencial para as provas de três semanas e também de uma semana. Quanto a Cortina, 2019 foi o ano em que mostrou que pode ser a aposta principal para as clássicas da Primavera e vai ser um dos ciclistas a acompanhar de perto na próxima temporada. E dêem-lhe liberdade em certas etapas nas grandes voltas e o resultado poderá ser muito animador.

Já Colbrelli apareceu muito na luta nos sprints. Qualidade não lhe falta, mas falta não se ficar pelo "quase que ganha" nas principais corridas, ainda que tenha somado três vitórias: etapa na Volta a Omã, outra na Volta à Alemanha e o Grande Prémio Bruno Beghelli. É preciso mais ajuda, ainda que o italiano vá ter é mais concorrência. Mark Cavendish está a caminho e não será nenhum lançador. Também chegará Marco Haller da Katusha-Alpecin, que irá direitinho para o comboio do britânico. Vida mais difícil para Colbrelli, mas que até o poderá ajudar a ultrapassar o tal "quase". Boas vitórias, irão dar-lhe novamente o estatuto de principal sprinter, se Cavendish não recuperar a sua melhor versão.
Ranking: 13º (7200,72 pontos) 
Vitórias: 16 (incluindo duas etapas na Volta a França) 
Ciclista com mais triunfos: Sonny Colbrelli (3)
Hermann Pernsteiner tornou-se na maior curiosidade. Este austríaco foi a surpresa na Volta a Espanha. Fez top 15 e as suas exibições foram muito interessantes, mas com a chegada de Mikel Landa (Movistar), não será de surpreender que seja uma escolha (e boa) para ajudar o espanhol, que terá ainda Wout Poels (Ineos) a seu lado. Pello Bilbao (Astana) e Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep) são outros reforços muito interessantes para este bloco para as provas por etapas.

A Bahrain-Merida teve uma temporada consistente - mesmo com o desentendimento de Rohan Dennis, que não estaria satisfeito com a bicicleta de contra-relógio - sem que fosse segredo que durante muitos meses os responsáveis já estavam a preparar o 2020 pós-Nibali, com uma das principais contratações a ser o director de performance da Ineos, Rod Ellingworth. Matej Mohoric, Mark Padun e Luka Pibernik, por exemplo, mostraram esta temporada que podem ter lugar numa estrutura que quer crescer mais rapidamente e que quer tornar-se numa forte candidata principalmente nas grandes voltas, ainda que Nibali nesse aspecto já tenha dado pódios e vitórias de etapas, despedindo-se com uma na Volta a França, naquele estilo que tanto caracteriza este ciclista. Um ataque no momento certo e ninguém o apanha. Nibali podia estar de saída da equipa, mas foi profissional até ao fim.

2019 não foi o mais feliz dos anos do italiano na equipa do Médio Oriente, mas nos anos anteriores ainda deu dois monumentos, pelo que o legado que deixa é de respeito. Porém, a equipa segue agora o rumo que coloca Landa no caminho de ganhar o que mais se quer: uma grande volta. A Bahrain-Merida não tem um plantel como a Ineos ou a Jumbo-Visma, mas entre os ciclistas que já foram dando bons resultados desde 2017 e os nomes fortes que vão chegar, será uma formação com outros argumentos e cuja expectativa sobe de nível.


9 de junho de 2019

Nibali dá início à dança dos líderes

(Fotografia: Giro d'Italia)
Transferência confirmada, ainda que não oficializada. O regulamento dita que os novos contratos só o sejam a partir de 1 de Agosto, mas muitos ciclistas procuram ter o seu futuro decidido o mais cedo possível. A já esperada e muito falada mudança de Vincenzo Nibali para a Trek-Segafredo como que abre a dança de líderes que poderá assistir-se este ano. São vários os corredores em final de contrato e alguns não se importariam nada de mudar de ares.

Massimo Zanetti, o dono da Segafredo, confirmou à Gazzetta dello Sport um rumor há muito conhecido, ainda que por parte da equipa e do ciclista é provável que se espere por Agosto para não desrespeitar o regulamento da UCI. Contudo, além de não ser surpresa nenhuma esta mudança da Bahrain-Merida para a Trek-Segafredo - e deverá levar o irmão, Antonio, com ele -, será provavelmente apenas a primeira grande transferência entre voltistas. Finalmente a equipa americana, com o segundo patrocinador italiano, terá a referência daquele país no plantel. Giulio Ciccone há-de lá chegar, mas sem dúvida que Nibali é a principal estrela do ciclismo transalpino. Fica a dúvida que papel terá Richie Porte, que tem contrato até 2020, mas vai sentir a pressão para manter o seu estatuto se continuar sem resultado digno de nota numa grande volta.

Há uns quantos nomes entre este tipo de ciclista que estão em final de contrato. Nairo Quintana à cabeça, juntamente com Mikel Landa e Richard Carapaz da Movistar. O director da equipa, Eusebio Unzué, já admitiu que não poderá ficar com todos e Carapaz tornou-se na prioridade de renovação, após ganhar o Giro. Apesar de uma alegada oferta de 1,5 milhões de euros por ano da Ineos, o equatoriano quer ficar na equipa espanhola e Unzué ter-lhe-á oferecido-lhe um contrato bem simpático, ainda que não chegue aos valores da Ineos. Deverá ser o suficiente para o convencer.

Mikel Landa é uma incógnita. Era uma antiga paixão de Unzué, que finalmente conseguiu contratá-lo em 2018. No entanto, não tem sido uma relação profícua. Além do mais, Enric Mas é pretendido, com a Deceuninck-QuickStep a enfrentar uma missão difícil em manter o espanhol. A Movistar tem o género de equipa que Mas precisa para lutar por uma grande volta, contudo, Patrick Lefevere prometeu a Mas que contrataria ciclistas para o ajudarem se renovasse. Ainda se está à espera da decisão de Mas, com Julian Alaphilippe a já ter renovado pela equipa belga, para alívio de Lefevere, ainda que o francês não seja um voltista. Ainda...

Se a Movistar avançar para Mas, será difícil Landa ficar. A Bahrain-Merida está de portas abertas para receber o ciclista espanhol. A contratação de Rohan Dennis não dá qualquer garantia para as grandes voltas, pelo que garantir Landa agora que está confirmado que Nibali vai mesmo deixar o projecto que muito contribuiu a dar vida, poderá ser essencial.

A Astana também não se importaria de recuperar Landa, ainda mais se for verdade o rumor que a Movistar está a tentar seduzir Jakob Fuglsang. Alexander Vinokourov não fez segredo que quando Landa acabou contrato com a Sky, que gostaria de ter o espanhol agora no papel de líder, depois de ter sido um gregário de luxo. A ver vamos se há nova aproximação.

E quanto a Quintana, as performances abaixo do esperado, tal como os resultados muito aquém do desejado depois de ter ganho um Giro e uma Vuelta, têm baixado o valor do colombiano de 29 anos. A maior interessada parece ser a Arkéa Samsic, equipa do escalão Profissional Continental. Por lá está Warren Barguil e André Greipel, mas nenhum está sequer perto do ciclista que foi em tempos recentes. Um bom resultado no Tour e principalmente exibições convincentes e não apenas esporádicas são muito necessárias se Quintana quiser alargar o leque de opções. Ficar na Movistar parece ser uma miragem, até porque a relação com Unzué de próxima tem muito pouco ou mesmo nada.

Mas há mais nomes no mercado, ou seja, em final de contrato. E praticamente todos bem precisam de um bom resultado para terem mais poder para negociar renovações ou com uma nova equipa.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) venceu uma etapa no Giro, mas voltou a desiludir na luta pela geral; quase nos esquecemos que Louis Meintjes regressou a uma Dimension Data onde outrora foi tão feliz; Johan Esteban Chaves, esse sim, recuperou a felicidade ao ganhar uma tirada no Giro e é provável que renove com a Mitchelton-Scott; a Tejay van Garderen bem teria dado muito jeito ganhar a Volta à Califórnia, pois a EF Education First pode estar a dar-lhe a última oportunidade, ainda que vá ter de ser gregário no Tour; a George Bennett também não lhe faria mal nenhum mostrar-se um pouco mais, mas é uma das peças importantes que a Jumbo-Visma não deverá deixar sair.

Daniel Martin também está com o contrato nos últimos meses. A UAE Team Emirates confia no irlandês, mas a verdade é que Tadej Pogacar não vai ficar muito mais tempo longe das grandes voltas e já não restam dúvidas que está ali um líder, apesar de ter ainda 20 anos.

Outros nomes a ter em conta para as grandes voltas, talvez não tanto como líderes, mas sempre valiosos, são Pello Bilbao (Astana), Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), David de la Cruz, Wout Poels e Iván Ramiro Sosa (Ineos) estão todos com o contrato a terminar, tal como Tiesj Benoot. O belga da Lotto Soudal ainda não é um voltista por excelência, mas na sua estreia e logo no Tour (2017), foi 20º. Tem apostado mais forte nas clássicas, mas talvez possa pensar mais nas três semanas num futuro próximo. Ainda só tem 25 anos.

Este domingo arrancou o Critérium du Dauphiné, numa espécie de início de contagem decrescente para a Volta a França (de 6 a 28 de Julho) - Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) foi o vencedor da primeira etapa. Muitos ciclistas preferem ter o seu futuro decidido antes do Tour, mas desta feita, serão vários corredores que poderão estar jogar o seu futuro na grande volta francesa, principalmente no que diz respeito a ter maior ou menor poder de negociação, dependendo do resultado.

»»As equipas do Giro uma a uma««

»»Agora todos vão acreditar em Carapaz««

30 de maio de 2019

Ao ataque

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chegou o momento do tudo ou nada. Três etapas para decidir um Giro pródigo em reviravoltas e que tem como líder um ciclista que afirmou que estava em Itália para discutir a corrida, mas só depois de vestir a rosa é que impôs respeito a todos. Não que não se soubesse que Richard Carapaz poderia andar com os melhores, mas porque a Movistar tinha Mikel Landa como líder e porque as atenções estavam e muito centradas em Primoz Roglic e também Vincenzo Nibali. Nos próximos três dias é certo que o foco vai estar em Carapaz e na sua defesa da maglia rosa. 

Há um ano, o equatoriano foi uma revelação no Giro. Venceu uma etapa e andou vários dias de camisola branca, perdendo a classificação da juventude para Miguel Ángel López. Doze meses volvidos e Carapaz confirmou que é ciclista para discutir grandes voltas e soube colocar-se na posição de líder e a Movistar não o pôde tentar colocar mais na sombra de Landa. Para já, tem esse estatuto nesta Volta a Itália, mas se a vencer, será para continuar. Nairo Quintana não ganha uma grande volta desde 2016, Alejandro Valverde ainda aspirou vencer novamente a Vuelta, mas apenas comprovou que já não é a sua praia, enquanto Landa é um eterno candidato que não ganha. Tudo pode mudar para Carapaz...

Mas nada está ganho. Sim, Carapaz construiu uma vantagem interessante tanto para controlar Nibali na montanha, como para estar um pouco mais confortável no contra-relógio contra Roglic. Um pouco mais confortável, contudo, não lhe fará mal nenhum se conseguir juntar mais alguns segundos aos 2:16 minutos.

Para Nibali são 1:54 e é do italiano que são esperados os mais ferozes ataques. A etapa de sexta-feira termina em alto, numa segunda categoria e não seria de admirar que possa servir de aquecimento para sábado, pois para o líder da Bahrain-Merida, ganhar tempo a subir contra Carapaz poderá ser difícil se o equatoriano não fraquejar e ainda mais de Landa se mantiver a fazer jogo de equipa. Isto sem esquecer que a Movistar tem tido gregários a grande nível. Damiano Caruso também tem sido um gregário brilhante para Nibali, mas talvez seja no sábado que, com as descidas que previstas, poderá tentar ganhar tempo ao rival. O italiano sabe que tem de baixar a diferença para, de preferência, menos de um minuto se quer ter hipóteses no contra-relógio.

Quanto a Roglic, a 19ª etapa até poderá ser mais benéfica para o esloveno tentar fazer algo. Esperar pelo contra-relógio é um enorme risco dada a diferença para Carapaz, ainda mais quando demonstrou que fica em dificuldades quando o ritmo aumenta nas subidas mais complicadas. Sem equipa ao seu lado nas fases decisivas, não está fácil para Roglic confirmar o favoritismo que tinha vindo a cimentar toda a temporada e até à chegada da alta montanha no Giro. No entanto, numa Volta a Itália de reviravoltas, Carapaz e a Movistar estarão atentas ao que o esloveno ainda poderá tentar fazer. Contudo será em Nibali que se centrará mais o foco da formação espanhola.

Resumindo, Carapaz pode controlar e eventualmente tentar ganhar uns segundos na fase final das etapas, como aconteceu na quarta-feira. Nibali tem de atacar, não tem outra opção. Roglic tem, mas esperar pelo contra-relógio ameaça ser um erro. São apenas 17 quilómetros no domingo e depois de um Giro de maratonas de 200 quilómetros e uma alta montanha muito exigente a partir do meio da corrida, as forças estarão curtas para todos e mesmo um especialista do contra-relógio pode falhar. Já aconteceu isso mesmo a Roglic no Tour, no ano passado.


E não vamos afastar Landa. Está à espreita. Chegar ao pódio é algo assumido, mas o espanhol não vai desaproveitar ir mais além se a oportunidade lhe aparecer.

A táctica de atacar não vai ser exclusiva de Nibali, Roglic ou mesmo de Landa. Há muito por decidir no top dez, com basicamente todos à procura de uma vitória de etapa e de tentar melhorar a classificação. Só Carapaz e Roglic já têm. Na classificação da juventude, a missão está complicada para Sivakov, que tem 2:04 minutos para recuperar para o colombiano Miguel Ángel López.

Aqui fica o top dez:

1º Richard Carapaz (Movistar), 79:44.22 horas
2º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:54 minutos
3º Primoz Roglic (Jumbo-Visma), a 2:16
4º Mikel Landa (Movistar), a 3:03
5º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 5:07
6º Miguel Ángel López (Astana), a 6:17
7º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 6:48
8º Simon Yates (Mitchelton-Scott), a 7:13
9º Pavel Sivakov (Ineos), a 8:21
10º Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), a 8:59

Os murros de Ackermann transformaram-se em sorrisos


(Fotografia: Giro d'Italia)
O guiador de Pascal Ackermann sofreu com toda a ira do alemão ao falhar por muito pouco a terceira vitória no Giro. Porém, não demorou muito em regressar o sorriso que já é uma imagem de marca do sprinter da Bora-Hansgrohe. Um dos objectivos do dia foi cumprido: é novamente o detentor da camisola ciclamino, liderando a classificação dos pontos com mais 13 pontos do que Arnaud Démare.

Este Giro poderá ser um reflexo da carreira do francês da Groupama-FDJ. Tanto consegue excelentes resultados - venceu uma etapa -, como de repente tem um autêntico apagão. Com a vitória numa classificação em jogo, ser oitavo foi fraco para um sprinter que se diz dos melhores da actualidade. A ciclamino não está entregue a Ackermann, mas a missão será difícil para Démare. Terá de somar pontos nos sprints intermédios, já que com a montanha, não vai fazer na meta.

O italiano Damiano Cima foi o único dos três que estavam em fuga que resistiu à furiosa aproximação do pelotão nos metros finais. Foi por muito pouco. Mais uns metros e Ackermann ganharia. Mas Cima conseguiu garantir que será recordado como o primeiro a dar uma vitória numa grande volta à Nippo Vini Fantini Faizanè. Está a ser a sua estreia no Giro, aos 25 anos, e depois de tanto entrar em fugas, deu tudo para aguentar naqueles metros finais que terão parecido intermináveis para concretizar um sonho.

Foi a segunda vez nesta edição da Volta a Itália que uma equipa Profissional Continental conquista uma vitória de etapa, depois da Androni Giocattoli-Sidermec o ter feito com Fausto Masnada, na sexta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

19ª etapa: Treviso - San Martino di Castrozza, 151 quilómetros



É uma etapa curta, portanto propensa a ataques, mas não será surpresa que uma maior acção possa ficar guardada para a segunda categoria final. Depois da descida após a passagem na quarta categoria em Lamon, será basicamente sempre a subir até à meta. Ou seja, os últimos 30 quilómetros não serão nada direitos. A pendente é constante nos 5%... tirando as zonas que passam os 10%.




»»Afinal o que aconteceu à bicicleta de Primoz Roglic? A Movistar está envolvida...««

»»É dia de elogiar a Movistar««

28 de maio de 2019

É dia de elogiar a Movistar

(Fotografia: Giro d'Italia)
Tantas vezes a Movistar parece ser um saco de boxe, com críticas a virem de todos os lados, muito devido a dois ou até três ciclistas a quererem ser chefe de fila, mas também devido a tácticas que em pouco ou nada resultam na luta por uma grande volta dada a confusão de lideranças. Esta terça-feira foi um dia bem diferente para Movistar. Jogou bem tacticamente, foi unida em torno de Richard Carapaz e tirou partido disso mesmo. O equatoriano passou de outsider, a candidato ao top dez, talvez pódio, e agora é visto como um forte candidato a conquistar a Volta a Itália. Ele bem avisou no início da corrida que estava no Giro para apontar ao topo.

No momento em que a equipa funcionou como tal, no momento em que Mikel Landa foi o braço direito numa etapa que Carapaz bem precisava de ter um, sem esquecer um fantástico Antonio Pedrero, a Movistar colocou-se numa posição como há muito não se encontrava: a vitória numa grande volta está à distância de cinco etapas. Não há celebrações antecipadas - o Giro ao longo da sua história e até nesta edição, mostrou que tudo pode mudar num ápice -, mas há uns sorrisos mais rasgados quando Carapaz e companheiros olham para a classificação geral e vêem Primoz Roglic a 2:09 minutos. Distância bem mais confortável do que 47 segundos, tendo em conta que há um contra-relógio no domingo a fechar a Volta a Itália.

Além de Pedrero, Héctor Carretero tem sido um gregário precioso, com Andrey Amador também a ter o seu papel, ainda mais nesta etapa que sem Gavia, teve o Mortirolo como ponto alto e foi o suficiente para deixar Roglic muito menos favorito, depois de no domingo ter começado tudo a correr mal.

Mas claro que o destaque vai para Landa. Na altura em que a Movistar mais precisava, o espanhol sobre respeitar Carapaz e até ajudá-lo. Para quem queria estar na luta pelo Giro e até encetou uma recuperação na segunda semana, depois de uma primeira para esquecer, não deve estar a ser fácil para Landa ficar em segundo plano. 

Também está a beneficiar desta união e bom trabalho da Movistar, sendo já quarto, a 3:15 do companheiro e certamente a pensar que o pódio ainda é possível, pois ainda há montanha para ultrapassar e a etapa de sábado promete. No entanto, é difícil afastar alguma desconfiança quando a Landa, pois não seria inédito vê-lo atacar uma liderança que até está na sua equipa. Para já, o espanhol está a ser o ciclista que a equipa e Carapaz desejam.

Novos discursos

Com 2:09 a dar uma maior tranquilidade a Carapaz e uma confiança que até poderá acrescentar mais uns segundos numa altura em que Roglic já não consegue esconder as suas debilidades, o equatoriano não tem dúvidas em apontar Vincenzo Nibali como o rival que agora o mais preocupa. E é recíproco. O ciclista da Bahrain-Merida conseguiu um dos objectivos do dia: ganhar tempo e até ultrapassar Roglic na classificação. Mas faltou conseguir reduzir a diferença para a maglia rosa.

A subida ao mítico Mortirolo esclareceu qualquer desconfiança que pudesse haver quanto à forma de Nibali. O italiano está mesmo a melhorar com o decorrer da corrida. Contudo, o mau tempo que tanto ajuda a tornar épicas este tipo de etapas em subidas históricas, acabou por ser um inimigo de Nibali. A descida do Mortirolo tinha tudo para ser o local de mais um ataque do italiano - foi ele que abriu as hostilidades na subida -, mas a chuva tornou aqueles cerca de dez quilómetros demasiado perigosos.

Qualquer pretensão de ganhar tempo a Carapaz num terreno em que Nibali é dos melhores do mundo, foi anulada, pois foi necessário jogar pelo seguro para não colocar em causa o resto do Giro. Nibali é bem claro ao dizer que, ao deixar Roglic atrás de si, tem de descobrir a forma de derrotar Carapaz. Damiano Caruso e Domenico Pozzovivo terão um papel importante na luta contra uma forte Movistar.

Há uma nova dupla a ter em conta, mas Roglic não se dá como derrotado. "O Giro ainda não acabou", salientou. O que acabou definitivamente foi a postura de esperar para ver, de controlar os rivais. O esloveno não pode perder mais tempo e é recomendável que recupere alguns segundos. É um excelente contra-relogista, mas depois de 20 etapas, o cansaço terá uma palavra no esforço individual de domingo. No Tour do ano passado pagou caro o esforço que fez para ganhar a etapa anterior. 

Sem equipa a ajudá-lo - que grande desilusão está a ser a Jumbo-Visma colectivamente -, e com as dificuldades físicas a ficarem claras, começar muito forte o Giro está a demonstrar mais uma vez que não traz vantagens. Simon Yates (Mitchelton-Scott) pode explicar isso a Roglic e até foi o britânico que um dos aliados de circunstância desta 16ª etapa (Lovere - Ponte di Legno, 194 quilómetros), que evitou um maior descalabro de Roglic.

Bauke Mollema (Trek-Segafredo) é quinto a cinco minutos e todos os que estão a seguir ao holandês já não são vistos como grandes ameaças, salvo nova reviravolta. O Giro tem mesmo um trio na luta pela vitória e um joker chamado Landa.

Um brilhante Ciccone


(Fotografia: Giro d'Italia)
É a confirmação da Volta a Itália. Dificilmente perderá a camisola da montanha, inscreveu o seu nome como o primeiro a passar o Mortirolo e, ainda mais importante, venceu a etapa. A Trek-Segafredo contratou este italiano à Bardiani-CSF na esperança de o ver tornar-se num líder. Aos 24 anos comprovou que a aposta é mais do que acertada. Luta pelos seus interesses, mas quando a ordem é trabalhar para Mollema, vestiu a pele de gregário de luxo em etapas anteriores. A expectativa vai agora crescer para perceber até onde pode ir este excelente ciclista.

Nada brilhante esteve Miguel Ángel López. Cede terreno, recupera, ataca e depois, quando tudo parecia controlado para pelo menos não perder mais tempo, eis que nos últimos metros López fraquejou e perdeu mais uns segundos para Nibali e Carapaz. Até subiu de 10º a 7º, mas a 6:17... Fica a consolação de ser o agora líder da juventude, com 1:34 sobre Pavel Sivakov (Ineos). Talvez esteja na altura de procurar a vitória numa etapa.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

17ª etapa: Commezzadura - Anterselva/Antholz, 181 quilómetros



Tréguas nas primeiras categorias, que só regressam no sábado. Porém, será um dia sem descanso. A última subida tem uma pendente média de 8,5% e a ver vamos se a tirada de sábado já estará na mente dos favoritos, ou se ainda haverá força e coragem para tentar fazer ainda mais diferenças. Carapaz está numa posição confortável para controlar a concorrência, já Nibali e mesmo Roglic têm trabalho a fazer.




»»Movistar acusada de ter atacado quando Roglic trocou de bicicleta««

»»Sucessão de azares tira calma a Roglic. Última semana do Giro irá começar com uma desilusão««

26 de maio de 2019

Sucessão de azares tira calma a Roglic. Última semana do Giro irá começar com uma desilusão

(Fotografia: Giro d'Italia)
Num dia em que Primoz Roglic até recebeu uma notícia que certamente lhe agradou - não haverá passagem pela Gavia, o ponto mais alto do Giro102 -, o esloveno percebeu que acabaram-se os tempos de calma e de controlo dos adversários. Um problema mecânico e uma queda deixaram o líder da Jumbo-Visma a ter de mudar de atitude, pois enquanto uns adversários ganham tempo, mas ainda estão atrás de si, Richard Carapaz amealhou mais uns segundos preciosos e controlar o Giro até ao contra-relógio já não é solução. Na 15ª etapa, Roglic finalmente percebeu que sem equipa a missão vai ser mesmo muito complicada quando os ataques se sucederem.

Recuando a 2015, Alberto Contador venceu o Giro com uma ajuda muito reduzida da então Tinkov. Na alta montanha esteve mesmo praticamente sempre sozinho. Porém, por mais qualidade que Roglic tenha, não é nenhum Contador e os ataques que sofreu hoje foram apenas uma amostra do que lhe espera para a última semana. Até agora, "marcar" Vincenzo Nibali parecia ser uma táctica rentável. Mas o imprevisto aconteceu e a atitude calma do esloveno chegou ao fim. A queda a descer foi a prova disso mesmo. Instalou-se alguma ansiedade e o erro aconteceu. A precisar de recuperar terreno, ainda mais numa bicicleta que não era a dele, o esloveno fez mal uma uma curva e acabou pendurado no rail de protecção. Isto tudo devido ao mau timing do seu director desportivo que teve de responder ao chamamento da natureza na altura em que Roglic sofreu o problema mecânico na sua bicicleta, não podendo trocar pela sua suplente... 

Apesar de tudo, não foi muito grave fisicamente, mas animicamente terá custado perder 40 segundos para Carapaz, o mesmo tempo que Nibali tirou da sua desvantagem. 47 segundos ainda são recuperáveis no contra-relógio para Roglic e 1:47 minutos de vantagem sobre o italiano da Bahrain-Merida também podem dar um pequeno conforto. Mas este Giro ainda tem muita história para escrever. Roglic pode continuar a ser o mais favorito, mas, no final da segunda semana, já o é um pouco menos. Já Richard Carapaz subiu exponencialmente na lista de favoritismo. O equatoriano está forte e a Movistar já demonstrou que está unida em torno do camisola rosa, ainda que Mikel Landa se mantenha como um joker.

As tácticas

Tem sido uma Volta a Itália bem interessante desde que na quinta-feira se entrou na alta montanha. Nem por isso significa que não se esteja perante um forte jogo táctico, mas no Giro uma coisa não está a anular a outra. E ainda bem.

Antes de mais, a classificação.

(Imagem: Twitter Giro d'Italia)

Esta segunda-feira é dia de descanso e haverá tempo para preparar os dias decisivos. Para Roglic a saída da Gavia do percurso é uma boa notícia. Menos uma defesa a ter de fazer no terreno muito complicado, ainda que não possa fazer uma grande festa. O esloveno está sozinho, sem alianças e também com pouca equipa. Terá de escolher muito bem as suas batalhas e esperar que não tenha mais azares. Mesmo com Carapaz de rosa, é Roglic o principal alvo dos rivais. Por agora.

Roglic é um bom trepador, mas a maioria dos adversários são melhores. O esloveno anda a jogar à defesa, apostando no contra-relógio, mas se for atacado por todos, poderá chegar a altura em que também ele terá de ser um pouco mais audaz, principalmente se Carapaz ganhar mais vantagem. Será interessante ver o que Roglic é capaz se chegar a esse ponto.

➤ O equatoriano conseguiu uma aliança com Vincenzo Nibali neste domingo, mas será difícil manter esta "amizade". Já se percebeu que Carapaz é um candidato forte e também ele verá a sua camisola rosa ser atacada. Parte do sucesso do jovem ciclista poderá passar pelo papel de Mikel Landa. O espanhol poderá atacar em alguma etapa, tentando desgastar rivais, pois Landa não pode ter mais espaço, pois ameaça o objectivo de pódio de Rafal Majka ou Bauke Mollema, por exemplo. Carapaz também parece contar com uma Movistar com ciclistas em forma para controlar e acompanhá-lo grande parte das etapas. O único senão de Carapaz é se Landa for à procura do sucesso próprio. 

➤ Foi uma boa etapa de Nibali num percurso final que tão em conhece, já que foi idêntico ao do monumento da Lombardia. Mas é preciso mais e já se percebeu que afinal não quer nada abdicar de vencer o Giro só para não deixar Roglic ganhar, como insinuou. A experiência pode mesmo ser uma mais valia, ainda mais quanto o italiano está bem fisicamente e vai contando com a ajuda de Damiano Caruso e Domenico Pozzovivo. Ao contrário de Yates que gosta de atacar quando se sente bem, Nibali é mais calculista nos seus ataques e vai procurar o momento certo para tirar a rosa a Carapaz e tentar deixar Roglic a uma distância mais segura para o contra-relógio.

➤ A Simon Yates resta atacar, atacar, atacar. Está a melhorar e porque não pensar tentar um golpe ao estilo de Chris Froome em 2018, quando o homem da então Sky tirou a rosa a um Yates que se afundou na classificação. O líder da Mitchelton-Scott está mais confiante e para quem foi ao Giro para ganhar, o top dez sabe a pouco. Vai tentar o tudo por tudo. No mínimo procurará uma etapa se algo mais se tornar completamente impossível.

➤ Na mesma situação está Miguel Ángel López. O colombiano não quer desistir e talvez uma aliança com Yates fosse benéfica para ambos, na perspectiva de recuperar tempo. Se lutarem por uma etapa, a aliança será difícil. López também ficaria numa posição mais forte se a Astana se mostrasse mais unida. A equipa joga tacticamente, mas López tem acabado muito só. Ainda assim, Dario Cataldo garantiu a segunda vitória de etapa, depois de Pello Bilbao. Se López não for além do top dez, o Giro está salvo para a formação cazaque. López ainda poderá tentar a consolação de ser novamente o melhor na juventude. Contudo, já percebeu que Pavel Sivakov quer ser a sua sombra. São apenas sete os segundos que os separam, com vantagem para o russo da Ineos.

➤ Dos homens que vão começar a terceira semana no top dez, Jan Polanc (UAE Team Emirates) tem o objectivo de aguentar o quanto puder, com Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) ainda à espreita. No entanto, Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) e Bauke Mollema (Trek-Segafredo) querem pelo menos o pódio. O holandês já se mostrou no Giro e até pagou logo de seguida o preço por ter andando em fuga numa etapa. Mas continua a resistir. Majka mostra-se um pouco, mas depois volta a esconder-se. Chega de estudar os restantes e de responder a ataques. Está na altura do polaco começar a ser figura se quer mais do que o top dez. Ou seja, há que atacar.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Perder a Gavia é uma desilusão

Se Roglic não terá ficado triste com a saída da Gavia do percurso, López, Yates, Carapaz e o próprio Nibali prefeririam ter a difícil subida, para assim tentar recuperar ou ganhar tempo, principalmente ao esloveno. Os adeptos de ciclismo também certamente que prefeririam o plano original da Gavia e Mortirolo no mesmo dia, numa etapa com 226 quilómetros. Porém, a meteorologia pregou daquelas partidas tão típicas no Giro e se a neve ameaçava a presença da Gavia desde a primeira semana da corrida, o perigo de avalanches, as previsões de o tempo poder piorar e o risco de gelo na estrada durante a descida fizeram Mauro Vegni, director do Giro, anular a passagem naquela que seria a Cima Coppi do Giro, aos 2618 metros de altitude.

Portanto em vez disto...



... teremos isto na terça-feira.



Serão 194 quilómetros com a partida e chegada a manterem-se inalteradas: Lovere - Ponte di Legno. Ainda se falou da possibilidade do Mortirolo ser atacado duas vezes, por diferentes vertentes, mas Vegni explicou que a etapa ficaria excessivamente longa. A solução passa pelo Cevo - uma estreia na Volta a Itália - e Aprica, duas terceiras categorias, mas difíceis, antes de subir o Mortirolo. 

A Cima Coppi passará para a 20ª etapa, a penúltima. Serão 2047 metros no Passo Manghen, que será a etapa mais complicada da semana, no papel, ainda que há que ter em conta que na terça-feira, na 16ª etapa haverão subidas não categorizadas e que ajudam a que o acumulado seja de quase de 5000 metros.

Longe vão os tempos em que Andy Hampsten teve de ultrapassar a Gavia debaixo de uma tempestade de neve para conseguir vencer a Volta a Itália em 1988. As regras são hoje bem diferentes e tal é impensável. Segurança primeiro, mas que a Gavia fará falta para o espectáculo e para abrir ainda mais as contas do Giro, lá isso fará.



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24 de maio de 2019

O espectáculo chegou ao Giro e Nibali já se irritou com Roglic

(Fotografia: Giro d'Italia)
Foi preciso esperar meia Volta a Itália, mas o espectáculo dos últimos dois dias já começam a compensar uma primeira fase algo aborrecida, com excepção dos contra-relógios. O Giro está a aquecer, tanto na estrada como na guerra de palavras, o que só significa que as emoções começam a aquecer. A 13ª etapa foi tão espectacular como se previa e começou a colocar os candidatos nos seus lugares. Enquanto uns apresentam-se mais fortes do que se pensaria, outros acabaram derrotados e a precisar de um milagre ao estilo Chris Froome 2018 ou Vincenzo Nibali 2016.

E o italiano era um homem pouco satisfeito no final de um dia com duas primeiras categorias - a última a coincidir com a meta e foram 44 quilómetros de subida com poucos pontos de descanso - e uma segunda pelo meio. Nibali nem perdeu tempo para Primoz Roglic, o ciclista que se pode dizer que é o líder virtual já que Jan Polanc é o real, mas detém a camisola rosa a prazo. Porém, Nibali foi "vítima" de uma marcação cerrada de Roglic, com o esloveno a não se importar de ver a maior parte da concorrência atacar, só respondendo a Nibali.

"Disse-lhe: Se quiseres também vir e tirar uma fotografia da minha casa, eu mostrou-te a minha colecção de troféus quando quiseres", afirmou um Nibali, que terá insinuado que a Jumbo-Visma nunca lhe perdoou por ter atacado no dia em que Steven Kruijswijk caiu, acabando por perder o Giro, em 2016, ano de uma recuperação milagrosa de Nibali para vencer a sua segunda Volta a Itália. O ciclista da Bahrain-Merida considera que se Roglic continuar com esta atitude não vai ganhar o Giro e deixou bem claro que não vai "puxar" o rival: "Eu não ganho, mas ele também não." Haverá outro ciclista a agradecer se assim for...

Foram um casal bem unido na última subida do dia, mas fica claro que vai ser uma relação difícil e uma rivalidade que, após estas palavras, só ganhou ainda mais interesse. Na perspectiva de Roglic, estará tudo bem, pois continua apenas com Polanc na frente e já recuperou cerca de minuto e meio, estando a 2:25 da rosa. Já Nibali foi ultrapassado por Ilnur Zakarin e Bauke Mollema. Que grande etapa dos dois, com o russo a vencer, num triunfo que a Katusha-Alpecin estava desesperadamente a precisar.

Houve uma aproximação de vários ciclistas a Roglic, que não vai conseguir estar tão descansado nos próximos dias. O destaque para um Mikel Landa endiabrado pelo segundo dia consecutivo. Mas as etapas de alta montanha estão apenas a começar e começa também o teste para se perceber quem recupera melhor de dia para dia.

Com poucas razões para sorrir está Miguel Ángel Lopez. Simon Yates era um homem destroçado. Aqui ficam os pontos a destacar da 13ª etapa: Pinerolo - Ceresole Reale, 196 quilómetros.

Jan Polanc (UAE Team Emirates) sobreviveu. Soube agarrar-se a outros ciclistas para não perder a camisola rosa. Perdeu contacto com o grupo de favoritos na segunda categoria e com a ajuda de Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep) recuperou posição. Enquanto o luxemburguês disse adeus ao top dez - ficou a 17:22 do líder -, Polanc aproveitou depois o trabalho da Mitchelton-Scott para Yates, da Astana para López, foi seguindo as rodas de ciclistas que lhe iam aparecendo pela frente, fazendo sozinho os últimos cinco quilómetros, minimizando assim as perdas. Foi muito sofrimento, mas que deixou Polanc ainda de rosa e com ambição de não querer ceder facilmente a liderança.

(Fotografia: Giro d'Italia)
➤ Ilnur Zakarin sofreu uma queda traumatizante no Giro de 2016, quando lutava pelo pódio. Foi numa descida. A 13ª etapa teve uma descida perigosa, mas o russo aguentou-se como pôde e, desta vez, não perdeu contacto. Na subida foi aquele Zakarin que infelizmente se tem visto tão pouco, mas ao perceber-se a forma do líder da Katusha-Alpecin, não foi surpresa vê-lo ganhar de forma autoritária. Desde o Tour de 2016 que não ganhava uma etapa numa grande volta, mas mais do que o triunfo, subiu ao terceiro lugar a 2:56 de Polanc, ou seja, a 31 segundos de Roglic. O discurso já é lutar pelo pódio e tentar vestir a camisola rosa, ainda que dê o favoritismo todo ao esloveno.

➤ A Trek-Segafredo mostrou-se afoita e até pareceu estranho ver um Bauke Mollema ao ataque tão cedo na etapa quando está na luta pela geral. Com um irresistível Giulio Ciccone - que recuperou a camisola azul da montanha - e Gianluca Brambilla a ajudar, Mollema encontra-se agora numa posição bem interessante. Não só por estar em quarto lugar, a 3:06, mas principalmente por revelar uma forma física que há muito não apresentava nesta fase adiantada de uma grande volta. Não está só a pensar em etapas como na última Vuelta. O holandês é mais um a olhar bem para cima.

➤ Se esta versão de Mikel Landa fosse a mais vista, então o espanhol já poderia ter um currículo bem diferente. Neste Giro já caiu, fez uns péssimos contra-relógios, mas em dois dias foram cerca de dois minutos recuperados para Roglic, mas ainda tem quase mais três a separá-los. Nada que desmoralize um Landa que já avisou que enquanto tiver pernas vai andar ao ataque. O problema é que tem de recuperar o tempo perdido e ganhar bastante, pois falta um contra-relógio... Destaque ainda para Richard Carapaz. Foi um excelente dia para a Movistar, táctica perfeita ao colocar Hector Carretero e Andrey Amador na frente, mas a rivalidade interna entre Landa e Richard Carapaz é real. O equatoriano claro que não atacou quando o espanhol o fez, mas, mais tarde, aproveitou para também ele ganhar tempo a Roglic e não deixar Landa ultrapassá-lo na classificação.

➤ Simon Yates e a Mitchelton-Scott são uma sombra do que foram há um ano no Giro. Fala-se de uma lesão na anca do britânico, mas o certo é que ficou para trás na derradeira dificuldade. Era um ciclista frustrado - até refilou com um ciclista da EF Education First por não o ajudar -, derrotado e destroçado. São quase seis os minutos que o separam de Roglic. Precisa de fazer o que Chris Froome lhe fez em 2018. O que se passa com Yates? Não há explicações, mas o Giro só terá a ganhar se ainda conseguir mostrar o seu melhor.

➤ São furos, são avarias mecânicas... Está a acontecer de quase tudo a Miguel Ángel López e hoje, tal como no segundo contra-relógio, acabou por custar tempo. O colombiano não quer atirar a toalha ao chão, depois de na quinta-feira mostrar que poderia recuperar a desvantagem e um dia depois ter voltado a ficar para trás. São mais de cinco minutos para Roglic, mas não lhe chamam o Super-Homem em vão e falta muita montanha.

➤ Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) está confirmado como homem para o top dez e Tanel Kangert (EF Education First) quer ser a surpresa entre os melhores, estando na 11ª posição. Pavel Sivakov vestiu a camisola de líder da juventude depois da quebra de Hugh Carthy (EF Education First), num dia em que a Ineos perdeu Tao Geoghegan Hart. O britânico caiu e partiu a clavícula, tal como aconteceu a Egan Bernal, que falhou o Giro pela mesma razão.

➤ E claro que não pode faltar Amaro Antunes (CCC), o único português no Giro. Esta era uma etapa que ajudaria a decidir o que iria procurar numa Volta a Itália na qual, de repente, se viu num top dez. Na quinta-feira já tinha saído desse grupo, ainda que por poucos segundos, mas na 13ª tirada ficou demonstrado que vai regressar ao plano inicial. Ou seja, Amaro Antunes vai à procura de ganhar etapas, depois de perder mais de 20 minutos, estando a 25:21. Liberdade total para entrar nas fugas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

14ª etapa: Saint-Vincent - Courmayeur, 131 quilómetros


Uma daquelas etapas para quebrar com as maratonas deste Giro. Quase dá vontade de dizer que é um sprint montanhoso. Não vai haver muito tempo para descansar se a tendência atacante se mantiver. Só há 14 quilómetros planos! Será um teste à resistência física de todos. Nibali deixou a dica que Roglic não vai pode estar tão descansado e percebe-se porquê. Esta etapa deve agradar a Nibali, não só pelas subidas, mas pelas descidas que podem ser muito importantes.




9 de maio de 2019

Volta a Itália: candidatos e aqueles ciclistas a não perder de vista

Tudo preparado para a primeira grande volta do ano que terá um lote de candidatos alargado e, a maioria deles, a chegarem já com provas dadas da boa forma que apresentam. Corrida sem vencedores anunciados e com muitos dos ciclistas a terem características atacantes, o que deixa antever algum espectáculo. Aqui ficam os favoritos e também quem procura intrometer-se e aqueles que ninguém quer perder de vista (por ordem alfabética nos "grupos"). É uma pena que Egan Bernal tenha ficado de fora após fracturar a clavícula numa queda, mas não faltam candidatos de muita qualidade. O Giro arranca este sábado, em Bolonha.


Miguel Ángel López (Astana, 25 anos)
➤ Segunda presença no Giro. Foi 3º  classificado em 2018.
➤ Equipa: Andrey Zeits, Dario Cataldo, Davide Villella, Ion Izagirre, Jan Hirt, Manuele Boaro, Pello Bilbao.
Tem sido um processo de amadurecimento com alguns avanços e recuos, muito devido a graves lesões, como a fractura numa perna. Porém, os terceiros lugares no Giro e na Vuelta de 2018 demonstraram que López está preparado para algo mais, precisando de ser mais regular, principalmente na primeira metade das corridas. Com a Astana a realizar uma época fortíssima, López contribuiu com vitórias na Volta à Colômbia e na Catalunha. No apoio estará aquela que é uma das equipas mais fortes do Giro, com Izagirre a já ter garantido que, apesar de também querer lutar por uma grande volta, vai esperar pela Vuelta.

Mikel Landa (Movistar, 29 anos)
➤ Quinta presença no Giro. Foi 3º classificado em 2015. Tem três vitórias de etapa.
Equipa: Andrey Amador, Antonio Pedrero, Héctor Carretero, Jasha Sütterlin, José Joaquín Rojas, Lluís Mas, Richard Carapaz.
Terminou 2018 com uma queda grave, começou 2019 com outra. Landa atrasou a preparação para o Giro, mas tem vindo a realizar exibições interessantes, com destaque para  sétimo lugar na Volta ao País Basco. A vitória na segunda etapa da Coppi & Bartali deu-lhe ânimo, assim como um outro sétimo posto, na Liège-Bastogne-Liège. Contudo, persistem algumas dúvidas sobre a forma do espanhol, que sem Alejandro Valverde na equipa, ganhou quase total destaque. Quase porque Richard Carapaz não se intimida com a presença de Landa e depois de ter sido uma das figuras do Giro em 2018, o equatoriano olha para o pódio. A coesão nesta Movistar não está fácil de ser alcançada e repartir lideranças é algo que nesta equipa não resulta.


Primoz Roglic (Jumbo-Visma, 29 anos)
➤ Segunda presença no Giro. Foi 58º classificado em 2016. Ganhou uma etapa (contra-relógio)
Equipa: Antwan Tolhoek, Jos van Emden, Koen Bouwman, Laurens de Plus, Paul Martens, Sepp Kuss, Tom Leezer.
Que melhor cartão de visita poderia ter Roglic que vencer as três corridas que realizou em 2019? Volta aos Emirados Árabes Unidos, Tirreno-Adriático e Volta à Romandia foram demonstrações de um ciclista que alcançou a maturidade e que só compete para ganhar. Mostrou que não mais merece existirem dúvidas sobre a sua capacidade para as três semanas. Liderar sozinho, sem a presença de Steven Kruijswijk, é agora o desafio. Não só é um dos principais favoritos para o Giro, como muitos o vêem como o principal. É a essa pressão que terá agora de corresponder. No entanto, parece preparado, ainda mais numa corrida com três contra-relógios, um ponto muito forte deste esloveno.


Simon Yates (Mitchelton-Scott, 26 anos)
Segunda presença no Giro, tendo vencido três etapas na estreia, em 2018. Foi 21º classificado.
Equipa: Brent Bookwalter, Christopher Juul-Jensen, Jack Bauer, Johan Esteban Chaves, Lucas Hamilton, Luke Durbridge, Mikel Nieve.
Um ano depois, Simon Yates está de regresso ao palco onde foi espectacular durante quase três semanas. Numa grande volta há que ser forte durante as 21 etapas e o britânico aprendeu uma dura lição: foi tão espectacular que mediu mal o esforço e quebrou quando Roma estava praticamente à vista, deixando escapar uma vitória que parecia garantida. E aprendeu mesmo a lição. Não esperou pelo Giro para o mostrar. Foi à Vuelta ganhar e disse não ao Tour este ano, pois quer aquela maglia rosa. Chega a Itália com uma etapa ganha na Ruta del Sol e outra no Paris-Nice. Esta foi surpreendente, pois para quem tanto lutou para conseguir pelo menos defender-se num contra-relógio, até ganhou um. E poderá ser um importante pormenor, dado os três contra-relógios que esperam aos candidatos.

Tom Dumoulin (Sunweb, 28 anos)
➤ Quarta presença no Giro. Venceu em 2017. Tem quatro etapas ganhas.
➤ Equipa: Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Jan Bakelants, Louis Vervaeke, Robert Power, Sam Oomen.
É o primeiro a admitir que nunca chegou a uma Volta a Itália numa forma tão baixa. Contudo, tal não significa que Dumoulin não possa estar na discussão de uma corrida que lhe é tão querida, não fosse onde conquistou a sua primeira e, até agora única, grande volta. Mais dos que as classificações, até com top dez no que fez em 2019, o problema de Dumoulin foi não conseguir estar mais forte nos momentos decisivos e é isso que o preocupa. É um ciclista que pode ir melhorando com o decorrer do Giro, mas sabe que não pode entrar mal no contra-relógio de Bolonha, no sábado. O holandês é uma incógnita neste arranque da prova. 

Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida, 34 anos)
➤ Oitava presença no Giro. Venceu em 2013 e 2016. Tem sete etapas ganhas.
➤ Equipa: Andrea Garosia, Antonio Nibali, Damiano Caruso, Domenico Pozzovivo, Grega Bole, Kristijan Koren, Valerio Agnoli.
A sua relação com a Bahrain-Merida já viveu dias bem mais felizes. Deverá estar de saída, mas Nibali não é de desperdiçar tempo e quer é regressar às vitórias em grandes voltas já no Giro. A queda no Alpe d'Huez, no Tour de 2018, foi uma enorme desilusão tendo em conta a sua forma e este ano o italiano virou-se novamente para a "sua" corrida. E promete. Apesar de ter sido batido pela juventude da Sky (ainda se chamava assim) na Volta aos Alpes, Nibali deixou indicações muito positivas, com os responsáveis da equipa a reforçarem a crença numa boa prestação, dizendo que o ciclista está a apresentar números idênticos aos que o levaram a grandes vitórias na carreira. Já se conhece a forma de correr de Nibali, mas falta saber se os seus companheiros estarão à altura da responsabilidade de não o deixar sozinho demasiado cedo.

Outros ciclistas a ter em conta (pelo menos para um top dez, mas... nunca se sabe!)

Não entram entre os principais favoritos, mas podem baralhar as contas e procuram no mínimo um top dez, a espreitar o pódio e certamente à procura de etapas. Bauke Mollema (Trek-Segafredo, 32 anos) é uma montanha-russa de prestações. Tanto está bem, mas quando se espera mais, desaparece. Ainda assim, ninguém o menospreza. Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep, 26) sabe o que é ganhar camisolas da juventude no Giro e fazer top dez. Agora que chegou "à idade adulta" quer um pouco mais, mas não terá equipa a apoiá-lo, já que essa é para Elia Viviani. Mas não deverá passar despercebido.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin, 29) é um daqueles ciclistas que passou-se de esperar o melhor a esperar quase nada. A equipa precisa de resultados e está mais do que na altura de Zakarin corresponder às expectativas. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe, 29) tem tanto talento e tão pouca capacidade para lidar com a pressão. Talvez longe do Tour se volte a ver o melhor deste polaco.

Ciclistas a não perder de vista

Tanto podem surpreender ao entrar numa luta por lugares cimeiros, como podem procurar antes etapas. Mas são corredores que querem e têm tudo para se mostrarem no Giro. Ben O'Connor (Dimension Data, 23 anos) estava a fazer uma época extraordinária em 2018 até cair na Volta a Itália. Tem andado discreto desde então, pelo que poderá recomeçar no ponto que ficou há um ano. Excelente ciclista, a não perder de vista. Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec, 25) é mais um dos talentos a despontar nesta equipa, desta vez italiano. Depois de ganhar duas etapas na Volta aos Alpes é um corredor a seguir com muita atenção, tal como Giulio Ciccone (Trek-Segafredo, 24). Deu o salto para o World Tour e está em fase de adaptação. É uma esperança italiana e, mesmo com Mollema na equipa, poderá não estar completamente preso ao papel de gregário.

Hugh Carty (EF Education First, 24) parece que finalmente está a mostrar o que se espera dele. A equipa americana dará liberdade a um ciclista de talento, que demorou a adaptar-se, mas que poderá ser uma aposta certa. Lutar por etapas será um objectivo, sem descurar uma boa classificação. Jan Polanc (UAE Team Emirates, 27) tem o "problema" da equipa estar praticamente toda concentrada em Fernando Gaviria. Compreende-se, mas este esloveno já tem duas vitórias de etapas no Giro e merece rédea solta na montanha. Jay McCarthy (Bora-Hansgrohe) é mais um ciclista que tem evoluído lentamente, mas poucos duvidam do seu talento. Esta época já demonstrou estar mais bem melhor. Vai estar um pouco preso ao que Majka fará, mas vamos ficar de olho nele.

Tao Geoghegan Hart e Pavel Sivakov (Ineos, 24 e 21 anos) vão assumir a responsabilidade de Egan Bernal, que ficou de fora após queda num treino. É uma completa incógnita o que poderão fazer, mas depois do domínio na Volta aos Alpes, a expectativa até é grande. De Thomas de Gendt (Lotto Soudal, 32 anos) nem é preciso dizer quase nada. Vai estar em fugas, procurará etapas e a camisola da montanha. Com ele é espectáculo garantido. 
Tony Gallopin (AG2R, 30) tem vindo a fazer uma interessante transformação para voltista. Terá um teste de fogo no Giro, em que partilhará a liderança com outro ciclista que poderá aparecer em destaque: Alexis Vuillermoz (30 anos).

Não se poderia deixar de fora Amaro Antunes, o único português no Giro. O algarvio da CCC sofreu uma lesão após a Volta ao País Basco, o que limitou a sua preparação. Porém, chega a Itália com a ambição de se mostrar naquela que será a sua primeira grande volta. Um momento por que tanto esperou na sua carreira.

»»Roglic, aquela máquina««

»»Ineos não mexe no bloco do Tour e vai ao Giro com a equipa mais jovem da sua história««