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25 de dezembro de 2019

Dez momentos de 2019

É tempo de olhar para trás, antes de nos concentramos definitivamente em 2020. Ou seja, é tempo de recordar alguns dos momentos marcantes da última temporada. Começando lá por fora, foi um 2019 dominado pela afirmação de uma nova geração, que está a tomar de assalto o pelotão internacional e, por isso, não surpreende que parte das escolhas para os 10 momentos do ano pertençam a exibições de ciclistas que são as novas figuras da modalidade. Mas também há espaço para um veterano e, infelizmente, nem todos os momentos foram de felicidade.

O objectivo inicial era escolher cinco momentos, acabou-se com dez e mesmo assim ficaram alguns de fora. Mas aqui ficam as escolhas do Volta ao Ciclismo. A ordem é cronológica.

Philippe Gilbert venceu Roubaix e só falta Sanremo (14 de Abril)
(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Em 2017, Gilbert reacendeu o antigo sonho de conquistar os cinco monumentos ao vencer de forma brilhante, numa fuga solitária, a Volta a Flandres. Este ano, Nils Politt (Katusha-Alpecin) tentou dar luta, mas estava destinado que o fantástico ciclista belga vencesse o Paris-Roubaix e ficasse apenas com a Milano-Sanremo por conquistar para fazer o pleno. Um emotivo Gilbert celebrou muito a vitória de Roubaix, dando mais um triunfo a uma Deceuninck-QuickStep que é uma equipa especialistas em ganhar clássicas. Trocar a BMC por esta formação em 2017 foi uma escolha muito acertada de Gilbert. Porém, aos 37 anos e perante uma oferta de três anos de contrato da Lotto Soudal contra um da actual equipa, Gilbert optou por regressar a uma casa onde alcançou as primeiras grandes vitórias na carreira. Até parece certo que tente fechar o ciclo de monumentos onde o começou.

Van der Poel e uma Amstel Gold Race para a eternidade (21 de Abril)
Vão ser imagens que hão-de ser vistas e revistas durante muito tempo. Hão-de fazer parte dos grandes momentos do ciclismo e com razão. O que Mathieu van der Poel fez na Amstel Gold Race só está ao alcance dos melhores dos melhores. Quando chegou à primeira corrida das Ardenas, já trazia vitórias espectaculares alcançadas em poucas semanas e estava a marcar a época das clássicas. Mas queria mais. Parecia que estava tudo preparado para Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) - um dos homens que mais estava a ganhar - e Jakob Fuglsang (Astana) discutirem o triunfo. Tinham 40 segundos de vantagem e três quilómetros para a meta. Van der Poel fez o impensável. Arrancou com tamanha convicção, não se interessando quem se colava na sua roda, apenas olhando para quem tinha de apanhar na frente. Alaphilippe e Fuglsang podem ter exagerado no controlo um ao outro, mas o mérito esteve muito na força e crença de um Van der Poel que deixou todos de mãos na cabeça perante tal demonstração de ciclismo de ataque. Espectacular! Veja ou reveja este grande momento de 2019 no vídeo em baixo.


Queda de Chris Froome (12 de Junho)
O britânico jogava toda uma época na Volta a França e em conquistar a quinta vitória. Porém, no reconhecimento do contra-relógio do Critérium du Dauphiné, Froome sofreu uma aparatosa queda. Sofreu uma fractura no fémur, cotovelo e em algumas costelas, no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7. Foi grave e as consequências assustaram. A época terminou ali e, passado meio ano, a dúvida mantém-se na própria Ineos: irá Froome conseguir recuperar o nível competitivo necessário para ganhar o Tour? O ciclista conseguiu regressar aos treinos mais cedo do que o esperado e já foi ao Japão mostrar-se, em ritmo de exibição, em cerca de três quilómetros, no habitual Critérium de Saitama de final de temporada. Mas a forma de Froome será uma das incógnitas para 2020.

Vitória de Bernal na Volta a França (28 de Julho)
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Após um ano de estreia no World Tour de elevadíssimo nível, deveria ser raro quem não pensasse que, mais cedo ou mais tarde, Egan Bernal ia vencer a Volta a França. Foi mais cedo. A queda de Chris Froome abriu caminho à liderança do colombiano, mesmo com Geraint Thomas, o vencedor de 2018, a seu lado. A aposta da Ineos era em Bernal. O plano inicial era o colombiano atacar o Giro, mas uma queda afastou da corrida italiana. No Tour ficou a pequena frustração de ver a mãe natureza obrigar ao final antecipado da etapa que Bernal estava a demonstrar toda a sua qualidade (a 19ª). Foi o dia das impressionantes imagens do deslizamento de terra. Mas Bernal fez o suficiente para comprovar que era o mais forte e subiu merecidamente ao pódio nos Campos Elísios com a camisola amarela. Fica na história como o primeiro colombiano a fazê-lo.

Evenepoel mostrou um pouco do que se vai ver muito mais (3 de Agosto)
Talvez alguma ânsia ou mesmo alguma pressão para estar à altura do mediatismo que rodeou a sua passagem de júnior directamente para o World Tour e para a Deceuninck-QuickStep, tenha prejudicado um pouco as primeiras exibições de Evenepoel no arranque da temporada. Tom Boonen bem avisou que o jovem ciclista ia precisar de perceber que não ia ganhar tanto como aconteceu no escalão de juniores. O abandono por opção do ciclista na Volta aos Emirados Árabes Unidos não foi muito bem visto pelos responsáveis. Mais tarde, Patrick Lefevere chegou a dizer que Evenepoel estava gordo... Mas o jovem ciclista lá conseguiu fazer a transição, que se sabia ser difícil fazer em poucos dias. Demorou umas semanas, mas as exibições tornaram-se mais consistentes, venceu pela primeira vez na Volta à Bélgica, em Junho, e depois na Clássica de San Sebastián foi o Evenepoel dos ataques de longo, como tantas vezes fez em júnior. Faltavam 20 quilómetros quando se isolou e ninguém mais o apanhou. Só tem 19 anos, mas é mais um ciclista de quem se espera o que mostrou em Espanha e muito mais.

Marcel Kittel retira-se aos 31 anos (23 de Agosto)
Já se sabia que não era um ciclista feliz na Katusha-Alpecin. A chegada do antigo corredor Erik Zabel para trabalhar com alemão pareceu, numa primeira fase, algo de positivo no ânimo do sprinter alemão, mas não. Fez uma pausa em Maio e em Agosto anunciou que colocava o ponto final na carreira. Entretanto tinha sido pai e afirmou que não queria ver o filho crescer por Skype. A carreira acabou por ser curta, mas foi o tempo mais do que suficiente para ser recordado como um dos melhores sprinters. E foi mesmo!

Tadej Pogacar estrela na Vuelta (24 de Agosto a 19 de Setembro)
(Fotografia: © La Vuelta)
Até foi um compatriota que venceu, justamente, a corrida. Mas Primoz Roglic teve mesmo de partilhar a ribalta na Vuelta com mais um dos jovens com um potencial ainda por definir até onde pode ir. Tadej Pogacar começou por vencer categoricamente a Volta ao Algarve. Como esperado, foi apenas o início da sua afirmação, no primeiro ano no World Tour. A UAE Team Emirates sabe que tem uma aposta que pode ser mais do que ganha. Não era suposto fazer nenhuma grande volta esta temporada, mas depois de vencer a Volta à Califórnia e de mais umas exibições de enorme nível, a equipa levou-o a Espanha. Foi um senhor ciclista aos 21 anos. Três vitórias de etapas, terceiro na geral, vencedor da juventude, os números dizem quase tudo. Aquele penúltimo dia, na chegada à Plataforma de Gredos, Pogacar deixou a concorrência a mais de minuto e meio, sendo um dos grandes momentos de 2019.

Dilúvio em Yorkshire (22 a 29 de Setembro)
Eram uns Mundiais aguardados com alguma expectativa. Bons percursos, garantia de bom ambiente devido ao entusiástico público e muito provavelmente alguma chuva para tornar as corridas mais desafiantes. E lá isso foram. Foi uma semana quase toda de autêntico dilúvio. Quase que era difícil acreditar que se estava a assistir ciclistas caírem no que mais pareciam ser piscinas na estrada. Algumas provas, incluindo a de elite masculina, tiveram de ser encurtadas, com a chuva a marcar por completo os Mundiais de Yorkshire. Carregue no play no vídeo em baixo e veja (ou recorde) uma das imagens fortes de 2019.



Fuga de 100 quilómetros (28 de Setembro)
"Todo o dia pensei que era super estúpido." Annemiek van Vleuten teve muito tempo para pensar no que estava a fazer, pois resolveu atacar a 100 quilómetros da meta, nos Mundiais. O ciclismo feminino vai tentando ganhar o seu espaço no mediatismo e Van Vleuten bem merece tê-lo, num dos poucos dias em que não houve dilúvio a marcar as corridas de Yorkshire. Não terá sido a única a pensar como um ataque daqueles está condenado ao insucesso, mas esta é uma ciclista que, apesar dos 36 anos, continua a estar no topo. Foi uma aventura solitária que começou com menos de 50 quilómetros feitos na corrida. Dificilmente alguém acreditou ser possível chegar ao fim como vencedora, talvez mesmo as adversárias. Mas foi possível e no fim, não foi nada estúpido a forma como Van Vleuten conquistou o título mundial, deixando as adversárias a mais de dois minutos de distância.

Época de Julian Alaphilippe
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Para o fim fica o ciclista que não é justo escolher só um momento ou só uma corrida. Foi uma temporada simplesmente fenomenal de Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep). É um homem para todo o tipo de terreno. Ganhou o seu primeiro monumento e logo o dos sprinters (Milano-Sanremo), algo que ele nem é! Mas é quase tudo o resto. Homem de ataque, novo senhor da Flèche Wallonne (segunda vitória consecutiva), ataca a subir, ataca em plano, ataca quando sente que chegou o momento para tentar vencer. Só a Amstel lhe terá provocado alguma frustração, já mais do que esquecida depois de 14 dias de amarelo na Volta a França e duas vitórias de etapa. Ao todo foram 12 triunfos em 2019. Faltou fôlego nos Mundiais, o que nem surpreendeu dada a primeira fase de temporada a todo o gás. Alaphilippe é um fora de série e em França cresce a expectativa de quando (e se) este ciclista irá pensar em tornar-se num voltista para tentar ficar com aquela camisola amarela até aos Campos Elísios. Talvez um dia, mas não para já. Ainda só tem 27 anos.

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29 de outubro de 2019

Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes

Nocentini deixa o ciclismo depois de quatro temporadas no Sporting-Tavira
Setembro e Outubro foram meses de despedida para muitos ciclistas. Alguns até disseram adeus à competição antes. A maioria teve carreiras longas e nomes como Laurens ten Dam, Mark Renshaw, Markel Irizar, Matti Breschel, Maxime Monfort e Ruben Plaza, por exemplo, foram elementos importantes nas equipas que representaram. Uns com mais destaque do que outros, mas o pelotão vai perder muitos dos corredores mais experientes.

Mark Renshaw (37 anos, Dimension Data) é o exemplo de quem não conseguiu ser figura de primeira linha no sprint, mas teve uma enorme responsabilidade em muitas das vitórias alcançadas por Mark Cavendish, que vai para a Bahrain-Merida sem um companheiro que marcou a sua carreira. Nos últimos anos, Laurens ten Dam (38, CCC) tornou-se mais num gregário - muito apreciado por Tom Dumoulin, que não ficou nada satisfeito por o ver sair da Sunweb para a CCC esta época -, mas este holandês foi top dez no Tour e Vuelta e noutras provas importantes por etapas. Bom trepador, esperou-se sempre muito do ciclista, que não confirmou todas as expectativas dos tempos da Rabobank, mas foi um corredor de qualidade.

Markel Irizar é mais um exemplo de longevidade. Aos 39 anos, a Trek-Segafredo continuava a contar com a sua muita experiência. Foi um ciclista que se mostrou nos tempos da Euskaltel-Euskadi e que depois mudou-se para a estrutura americana. Não foi um líder como ainda se poderia ter pensado em tempos, mas a sua regularidade e lealdade para quem tinha de trabalhar, tornaram-no num daqueles corredores que qualquer equipa gosta de contar. Matti Breschel é outro exemplo desse tipo de profissionalismo. O dinamarquês da EF Education First despede-se aos 35 anos devido a doença.

Maxime Monfort (36, Lotto Soudal) foi um belga que tanto poderia funcionar como líder - foi top dez na Vuelta em 2011 -, como um excelente ciclista na ajuda a um companheiro. Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy) será um espanhol que se pensará que poderia ter alcançado mais. Ainda assim, despede-se com duas vitórias de etapa na Vuelta (foi top dez em 2006), uma no Tour e também deixou a sua marca por cá, ao vencer duas tiradas na Volta a Portugal, uma ao serviço do Benfica e outra na Liberty Seguros.

Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates) foi um sprinter de algumas vitórias, mas nos últimos anos da carreira revelou ser um precioso lançador. Ganhou uma etapa no Giro em 2012, na então Androni Giocattoli-Venezuela, que muito o ajudou a dar o salto para o World Tour, para a Lampre-Merida.

Simon Spilak é uma das despedidas que surpreende, pois tem apenas 33 anos. O esloveno passou grande parte da carreira na Katusha, depois de quatro anos na Lampre. Apesar de alguma expectativa criada para as grandes voltas, há muito que se tinha percebido que a sua especialidade eram as corridas de cinco dias ou de uma semana. A conquista da Volta à Romandia em 2010 e da Volta à Suíça em 2015 e 2017, são prova disso mesmo. Fez ainda pódio no Paris-Nice, entre outros bons resultados.

O canadiano Svein Tuft é o mais velho a dizer adeus ao ciclismo. Tem 42 anos e esta época ainda correu pela Rally UHC Cycling. De referir ainda Lars Bak. O dinamarquês foi um grande esperança do seu país, principalmente depois de vencer o Tour de l'Avenir em 2005. A maior parte da carreira foi passada na Lotto Soudal, equipa que nunca aposta muito nas gerais, mas Bak foi mais um daqueles corredores que aquela formação sabia que podia sempre confiar para estar na luta por vitórias e boas performances. Tem 39 anos e a sua última temporada foi na Dimension Data.

Marcel Kittel (31) despediu-se em Maio, naquela que foi sem dúvida a grande surpresa. Jarlinson Pantano (30) foi suspenso por suspeita de doping e optou por terminar a carreira, enquanto Taylor Phinney (29) decidiu colocar um ponto final, depois de anos a tentar recuperar de uma queda que acabou por não deixar que o americano atingisse todo o seu potencial. Também devido a uma queda, 
Daan Olivier deixou o ciclismo em Maio, com apenas 26 anos. Com 25 despede-se um dos principais talentos a surgir em Portugal recentemente. Nuno Bico admitiu um problema numa perna que o estava a limitar e, depois de uma temporada na Burgos-BH (esteve duas na Movistar), decidiu terminar a carreira após a participação na Volta a Espanha.

Brice Feillu (34) e Zak Dempster (32) têm em comum terem feito a Volta a Portugal no derradeiro ano como profissionais. O australiano vai manter-se na estrutura da Israel Cycling Academy, num cargo técnico.

Aos 31 anos, Bjorn Thurau despediu-se depois de uma temporada na Vito-Feirense-PNB, enquanto Rinaldo Nocentini, que já não fez a Volta a Portugal, resolveu deixar a modalidade aos 42 anos, os últimos quatro ao serviço do Sporting-Tavira.

Aqui fica a lista dos ciclistas do World Tour que não voltarão à estrada em 2020, assim como alguns dos principais dos restantes escalões.

Adam Blythe (30, Lotto Soudal)*
Benoît Vaugrenard (37 anos, Groupama-FDJ)
Bjorn Thurau (31, Vito-Feirense-PNB)
Brice Feillu (34, Arkéa-Samsic) 
Daan Olivier (26, Jumbo-Visma) - retirou-se a 2 de Maio devido a lesão
Jacques Janse van Rensburg (32, Dimension Data)
Jarlinson Pantano (30, Trek-Segafredo) - retirou-se a 11 de Junho quando estava suspenso provisoriamente por suspeita de doping
Lars Bak (39, Dimension Data)
Laurens ten Dam (38, CCC)
Manuele Mori (39, UAE Team Emirates)
Marcel Kittel (31, anunciou a sua retirada a 23 de Agosto)
Mark Renshaw (37, Dimension Data)
Markel Irizar (39, Trek-Segafredo)
Mathew Hayman (41, Mitchelton-Scott) - retirou-se a 20 de Janeiro, após o Tour Down Under
Matti Breschel (35, EF Education First)
Maxime Monfort (36, Lotto Soudal)
Moreno Moser (28, Nippo Vini Fantini Faizanè) - retirou-se a 10 de Maio
Nuno Bico (25, Burgos-BH)
Rinaldo Nocentini (42, Sporting-Tavira)
Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates)
Roy Curvers (39, Sunweb)
Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy)
Samuel Dumoulin (39, AG2R)
Simon Spilak (33, Katusha-Alpecin)
Steve Morabito (36, Groupama-FDJ)
Svein Tuft (42, Rally UHC Cycling)
Taylor Phinney (29, EF Education First)
Zak Dempster (32, Israel Cycling Academy)

*Adam Blythe anunciou o final da carreira no dia 31 de Outubro, pelo que se acrescentou à lista após a publicação desta.




23 de agosto de 2019

Danke Marcel!

Não houve qualquer hesitação em viajar 300 quilómetros para ver Kittel
em acção de perto, na Volta ao Algarve (Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Quantas vezes respondi à pergunta "quem vai ganhar hoje" com o nome Marcel Kittel? Impossível lembrar-me! Foram tantas! Quando era ao sprint e quando estava Kittel era no alemão que recebia quase sempre o voto, depois de anos a escolher Mark Cavendish. E muitas vezes acertei. Outras ficou aquela frustração de perder por milímetros. Mas Kittel estava quase sempre lá, na luta.  Ver etapas que vão acabar ao sprint vale a pena quando existem sprinters como Kittel. Aqueles breves segundos de pura intensidade, de poder, de força, de risco, de velocidade... Com Kittel era emoção certa.

Foi um prazer e um privilégio ver Kittel competir. Sim, foi. O verbo está no tempo certo. Chegou ao fim uma carreira brilhante, mas também marcada por dois maus momentos. A pausa feita em Maio torna-se permanente. Ao segundo Kittel resolveu parar. Primeiro o homem, depois o ciclista. Mentalmente Kittel não já não tem a força, a vontade e a ambição que as suas pernas tantas vezes tiveram! Se a cabeça não acompanha, então está na altura de mudar.

Kittel vai ser pai. A novidade chegou já depois de ter saído da Katusha-Alpecin Diz que não quer ver o filho crescer por Skype, em alusão ao sacrifício que esta modalidade exige, às viagens, ao tempo de treino, estágios, corridas... Tantos não querem deixar de ver o grande Kittel sprintar, mas todos têm de compreendem a opção.

Kittel fala de um desporto exigente, capaz de tirar tempo para as amizades, para a família, para os pequenos prazer vida. Fala de rotina, a dedicação necessária para quem quer estar entre os melhores... Aos 31 anos já chega para Kittel. É tempo de mudar, tal como ele mudou e marcou uma era no sprint.

Objectivamente ficam os números. Mais de 80 vitórias como profissional, 14 na Volta a França, só cinco em 2017. Fez da Scheldeprijs sua, com outra mão cheia de vitórias na clássica belga. No Giro somou quatro etapas, faltou-lhe a Vuelta para fazer o pleno nas grandes voltas. Mas Kittel deixou marca em muitas das corridas por que passou, incluindo na Algarvia. O seu porte, a sua classe... o seu estilo (utilizar chapéu, nem pensar que estragava o penteado), Kittel nunca passou despercebido.

Fica também o ano negro de 2015 em que uma doença o limitou tanto e o fez querer sair da Giant-Alpecin e mudar de ares. A ida para a então Etixx-Quick Step fez-lhe tão bem. Contudo, fica também uma mudança madrasta para a Katusha-Alpecin que dificilmente poderia ter corrido pior. E tudo porque não quis discutir estatuto com Fernando Gaviria. Merecia uma saída do ciclismo por uma porta bem maior. O alemão tornou-se em mais um exemplo de quem sai da Quick-Step não consegue repetir o nível, perdendo uma luta psicológica que tantos ciclistas se debatem. 

Mas também ficarão as recordações de sprints inacreditáveis. Por vezes deixou os rivais a ver as suas costas. Por vezes ganhou a precisar do photo finish. Também ficará a recordação de ver Kittel ali tão perto na Volta ao Algarve e vê-lo ganhar em Tavira, depois de o ter feito em Albufeira. Ficou ainda com a classificação dos pontos. Naquele 2016, não houve qualquer hesitação. Ao estar confirmada a presença de Kittel, a única coisa a fazer era viajar 300 quilómetros para ver um dos melhores sprinters do mundo. Assim foi e, claro, o alemão não desiludiu.

Há ciclistas que nunca serão esquecidos. Em tempos mais recentes foi Kittel quem se tornou num deles.

Danke Marcel!





Dear friends, fans and companions, I would like to tell you all today that I am ending my career as a pro cyclist. I have thought long and hard about this decision and discussed it with my closest friends and my family. This decision process has not been a quick one, but has taken place over a longer time: During my nearly 20 year sports career there have been not only incredible successes but also difficult times. I have always been one to openly question and reflect when such things happen, so that I can learn and become better. That, together with the people around me, has made me the successful athlete that I now am, but this method has also taught to leave my old ways and learn new ones. I know that there is much more than just sport, for example my own future family. Recently the thought on this future without cycling has grown, as has the awareness of the sacrifices that such a beautiful but also very difficult sport like cycling brings with it. The biggest question of the last few months was: Can I and do I want to continue to make the sacrifices needed to be a world-class athlete? And my answer is: No, I do not want that any more, because I have always found the limitations on a top athlete as an increasing loss of quality of life. That is why I have a very happy and proud that at this point in my life I can make the decision to follow my heart in a new direction. At this point I would like to thank all the people who have supported me in my career: my former teammates, my trainers, my friends, and my family, but above all my fans for the incredible support in the last few years. I look forward to the future with much anticipation. Yours, Marcel
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»»Doença força fim de carreira, mas ciclista quer dedicar-se à vela e música. Até tem uma banda««

»»Fim de carreira aos 26 anos««

3 de julho de 2019

Sprints sem figuras de peso

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Por um lado, há um reforço da sensação que terminou uma era com a ausência de Mark Cavendish e Marcel Kittel da Volta a França. Por outro, também não vai Fernando Gaviria e Nacer Bouhanni, o primeiro uma das grandes figuras actual e para os próximos anos no sprint, o segundo alguém que ameaça ser um desperdício de talento. A estes nomes junta-se John Degenkolb. Não é só o fim de uma era, é mesmo um Tour sem um lote importante de sprinters.

Para Mark Cavendish é um enorme desgosto. O próprio não o esconde, considerando que estava em forma para fazer mais um Tour, o 13º. Porém, tem tido épocas demasiado inconstantes devido ao vírus Epstein-Barr. Este ano seria mais um a tentar regressar ao mais alto nível, mas o britânico não convence. Preparou a temporada para tentar aparecer no Tour, como no ano passado. Mas na Dimension Data optou-se por Giacomo Nizzolo, um estreante, e Edvald Boasson Hagen. Não terá sido uma decisão consensual, pois segundo a Press Association, citada pela Cycling Weekly, o director de performance, Rolf Aldag, queria Cavendish na grande volta, mas Doug Ryder, o director da equipa, decidiu excluir o britânico.

Desde 2007, quando se estreou no Tour, que Cavendish nunca tinha falhado um Tour. Aos 34 anos, está a quatro vitórias de igualar o recorde de vitórias de etapas de Eddy Merckx, mas agora sim, começa a parecer que o objectivo de carreira que lhe resta não irá ser alcançado.

O homem que fez Cavendish perceber que não era imbatível, como próprio britânico já afirmou, está num período sabático. Marcel Kittel rescindiu contrato em Maio com a Katusha-Alpecin para tentar recuperar a vontade de estar novamente a competir ao mais alto nível. Estreou-se em 2012 e só falhou em 2015 quando estava a recuperar de um problema de saúde. Soma 14 vitórias de etapa. O que vai ser da carreira de Kittel ainda se está por perceber, apesar de não faltarem interessados, a começar pela Jumbo-Visma. Porém, por agora, é altura de se dedicar à sua recuperação psicológica e também à paternidade. O ciclista anunciou há umas semanas que a sua mulher está grávida.

Quanto a Fernando Gaviria, é uma lesão no joelho que o afasta do Tour. Aos 24 anos tem tudo para ser um dos grandes nomes do sprint mundial e marcar ele uma era. Seria a sua segunda Volta a França. Na estreia, em 2018, somou logo duas vitórias de etapa e vestiu a camisola amarela por um dia. Abandonou o Giro devido ao problema no joelho e agora falha o Tour, para desilusão da UAE Team Emirates. Já Alexander Kristoff não se deverá importar muito. Será o líder nos sprints, não esquecendo que há um ano conquistou a desejada etapa dos Campos Elísios.

De Nacer Bouhanni só se pode esperar que ainda não seja um caso perdido. Aos 28 anos está a passar ao lado de uma grande carreira. Pelo segundo ano consecutivo fica de fora do Tour por opção dos responsáveis da Cofidis, tendo já falhado outro por uma lesão na mão, por ter dado um murro a um homem num hotel, que estaria a fazer barulho. Está mais do que visto que só há um caminho a seguir para Bouhanni: sair da Cofidis. Christophe Laporte será novamente a aposta da equipa francesa.

John Degenkolb (30 anos) também fica de fora por opção, com a Trek-Segafredo a preferir rodear Richie Porte de ciclistas para o apoiar na luta pela geral. Há um ano Degenkolb venceu na etapa de Roubaix. Foi um triunfo emotivo. Não só porque já tinha ganho o Paris-Roubaix, mas porque há muito que não sabia o que era uma grande vitória. Porém, não se concretizou a esperança que aquele triunfo seria o tónico para Degenkolb recuperar a sua melhor versão. O alemão nunca mais foi o mesmo depois do atropelamento durante o estágio, ainda como ciclista da Giant-Alpecin (actual Sunweb), em 2016. Fala-se que poderá estar a caminho da Lotto Soudal, para uma nova tentativa de reavivar a carreira.

Há outro francês ausente por opção da equipa, com a Groupama-FDJ a apostar tudo em Thibaut Pinot para a geral, deixando de fora Arnaud Démare (27 anos).

São ausências de vulto, mas não significa que não haverá espectáculo nos sprints, até porque há novos nomes a ganhar força. Além dos referidos Kristoff e Laporte, Dylan Groenewegen (26 anos, Jumbo-Visma) está, como Gaviria, a afirmar-se como um dos grandes sprinters. Soma três vitórias no Tour, incluindo nos Campos Elísios. Elia Viviani (30 anos, Deceuninck-QuickStep) não está a ter temporada ao nível de 2018, mas já confirmou que é mesmo sprinter para ganhar aos melhores e está com uma fome enorme de vitórias! Será apenas a sua segunda participação no Tour e se ganhar, fará o pleno em grandes voltas.

Sem Tom Dumoulin, Michael Matthews tem responsabilidade acrescida na Sunweb, mas há que ter em conta um outro nome: Cees Bol. Jovem talento holandês de 23 anos, que este ano começou a ganhar (já são duas) e é um ciclista a manter debaixo de olho. Matthews e Bol foram recompensados esta quarta-feira com uma extensão de contrato até 2021. Outro jovem a ter em conta é Jasper Philipsen, mas estará "tapado" por Alexander Kristoff na UAE Team Emirates. Será um Tour de aprendizagem para o belga de 21 anos.

Caleb Ewan encontrou na Lotto Soudal a equipa que o serve na perfeição, venceu duas etapas no Giro e quer agora mostrar-se no grande palco do Tour na sua estreia. Sonny Colbrelli (Bahrain-Merida) é sempre um ciclista a ter em conta, tal como Matteo Trentin, ainda que o corredor da Mitchelton-Scott não é o chamado sprinter puro, como os restantes ciclistas aqui referidos. Mas vai querer estar na luta.

Um nome da velha guarda é André Greipel. Está completamente em quebra e a mudança para a Arkéa Samsic não foi nada positiva. Aos 36 anos, o melhor do alemão já passou, mas fica a curiosidade de ver se haverá um último fôlego deste excelente sprinter que tem 11 vitórias de etapa na Volta a França.

Do lado oposto está Rick Zabel. Ciclista com qualidade, jovem (25 anos), mas até agora algo na sombra de líderes para quem tinha de trabalhar. Chegou o momento de se mostrar e comprovar que não tem só apelido famoso, mas também tem o que é necessário para singrar ao mais alto nível no sprint.

E depois há um Peter Sagan, aquele que quer tirar o recorde do pai de Rick. Tal como Eric Zabel tem seis camisolas verdes (dos pontos). O eslovaco está irreconhecível em 2019. Desiludiu nas clássicas e só a espaços se vai vendo um pouco do poderoso ciclista que se sabe que é. A ver vamos se é no Tour que dá a volta a uma fase menos boa na carreira. Michael Matthews é um dos seus rivais à camisola verde, tendo-a conquistado há dois anos, quando Sagan foi expulso do Tour.

A Volta a França começa em Bruxelas no sábado e com uma primeira camisola amarela à espera de um sprinter ficar com ela.


9 de maio de 2019

Kittel sai da Katusha-Alpecin e faz pausa na carreira

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Tão rapidamente Marcel Kittel estava a recuperar confiança e, igualmente importante, o sorriso de quem reencontrava a alegria na competição, como ainda mais rapidamente entrou outra vez numa espiral descendente que não consegue parar. Fim da linha para Kittel na Katusha-Alpecin. Mas será o fim da carreira?

Ciclista e equipa terminaram o contrato por mútuo acordo, a pedido do primeiro. Mas Kittel  - que até estava nos últimos meses do vínculo com a equipa de José Azevedo - foi mais longe. Vai mesmo fazer uma pausa depois de ano e meio muito, mas mesmo muito, abaixo não só do esperado, mas do minimamente exigível para um ciclista do seu nível. E do ordenado que recebia.

Desde que saiu da Deceuninck-QuickStep, então Quick-Step Floors, que Kittel entrou numa desesperante baixa de rendimento. O discurso de 2018 foi do género "na próxima corrida é que é". Mas nunca foi. Uma época, duas vitórias de etapas em Março, no Tirreno-Adriatico. A pensar em problemas passados, Kittel fez exames médicos, mas nada foi detectado. Terminou a temporada mais cedo para descansar, acreditando que era o que lhe tinha faltado após a queda no Tour de 2017. Não teria recuperado convenientemente na ânsia de começar bem na Katusha-Alpecin. 

Mas também não foi essa a razão. Mesmo que com o novo director, Erik Zabel, tenha inicialmente apresentado-se melhor, ganhando um dos troféus do Challenge de Maiorca, a esperança de ser o portentoso Kittel no sprint durou pouco. O alemão voltou a não discutir corridas e depois de anular as presenças no Tour de Yorshire e na Volta à Califórnia, surgiu esta notícia.

De recordar que em 2015, o sprinter sofreu um problema de saúde que o limitou quase toda a temporada na Giant-Alpecin (actual Sunweb). Mudou-se para a Quick-Step Floors à procura de um recomeço e foi o super Kittel de outrora. 

Que falta fez esse Kittel a uma Katusha-Alpecin a render tão pouco desde a saída de Joaquim Rodríguez. Porém, a dúvida passa a ser se Kittel vai conseguir aos 31 anos  - que fará no sábado - recuperar uma forma que lhe permita competir com uma nova geração tão forte, com Fernando Gaviria à cabeça.

A potencial concorrência com o colombiano fez com que Kittel quisesse sair para a Katusha-Alpecin, mas a sua falta de rendimento vai muito além do mito de que quem sai da formação belga, tem dificuldades em render tanto como naquele estrutura.  Aliás, Patrick Levefere avisou que estamos perante um ciclista frágil e o director da Deceuninck-QuickStep é o primeiro a dizer que não quer acreditar que o sprinter esteja acabado para o ciclismo.

Resta esperar que Kittel encontre respostas. Talvez que se encontre a ele próprio e aquele sorriso e confiança que, nas primeiras semanas de 2019 regressaram, mas por tão pouco tempo. Com Mark Cavendish e André Greipel também em maus momentos, é caso para dizer que o ciclismo não merece que se perca três referências do sprint praticamente ao mesmo tempo, mas, por agora, o final de uma era parece estar cada vez mais iminente.

Quanto à Katusha-Alpecin o problema de resultados está longe de estar terminado e não pode falhar novamente numa contratação. A de Marcel Kittel foi milionária e sem retorno. A saída do alemão pode libertar dinheiro no orçamento da equipa e é preciso contratar alguém que dê mais garantias de vitórias. Nils Politt esteve bem nas clássicas, mas não ganhou. Zakarin tem de aparecer até que esta equipa também ele encontre soluções para o seu futuro. 

Talvez seja a oportunidade de Rick Zabel ter destaque, ele que venceu recentemente a segunda etapa do Tour de Yorshire, onde substituiu precisamente Kittel. Já nas últimas duas temporadas tinha deixado boas indicações, mesmo tendo de ser um lançador. A Katusha-Alpecin deixou sair Kristoff que estava a ganhar menos, mas ganhava. Agora precisa de uma solução. Urgentemente. 

Comunicado de Marcel Kittel na íntegra

"A meu pedido, a Katusha-Alpecin e eu decidimos terminar antecipadamente o meu contrato.

Foi para mim um processo longo de decisão, durante o qual coloquei muitas questões sobre como e onde quero ir como pessoa e atleta e o que é mesmo importante para mim. Adoro o ciclismo e a minha paixão por este bonito desporto nunca desapareceu, mas também sei o que requer de mim e o que preciso de fazer para ser forte e ter sucesso. Há dois meses que tenho aquela sensação de exaustão. Neste momento, não consigo treinar e competir ao mais alto nível. Por essa razão, decidi fazer uma pausa e ter tempo para mim, pensar nos meus objectivos e fazer um plano para o futuro.

Nesta altura, gostaria de agradecer à equipa por este ano e meio e pelo apoio. Gostaria de agradecer especialmente ao staff da equipa. Do fundo do meu coração posso dizer que são os melhores e que trabalham mais arduamente do que alguma vez vi. Peço desculpa por não ter levado a sua paixão a mais vitórias e resultados. Gostaria de agradecer aos patrocinadores e parceiros e que continuem a acreditar na equipa com o seu apoio e conhecimento.

Tomei esta decisão baseada na minha experiência que as mudanças levam a novos caminhos e oportunidades. Apesar de todas as inseguranças, tenho a confiança que, em última análise, vou encontrar novas oportunidades e desafios. Estou muito entusiasmado para o que aí vem. Gostaria de pedalar e competir outra vez no futuro e terei fazer um plano para alcançar esse objectivo.

É o maior desafio da minha carreira e eu estou a aceitá-lo."

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13 de fevereiro de 2019

Erik Zabel poderá ser um dos melhores reforços da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
"Isto é mais do que apenas uma vitória de etapa, é também um pequeno regresso depois do ano passado." As palavras após vencer o Troféu Palma, no Challenge de Maiorca, demonstram um Marcel Kittel por um lado aliviado por ter voltado a vencer 11 meses depois, por outro, um ciclista a não querer celebrar em demasia antes de ter a certeza que recuperou de facto a sua melhor versão.

Ser novamente um Kittel que disputa corridas e que vence não só muitas vezes, mas contra os rivais mais fortes nos grandes palcos, é o objectivo máximo nesta recuperação de um sprinter que em 2018 apagou-se quase por completo. E por trás desta mudança de Kittel estará um homem que poderá tornar-se no grande reforço da Katusha-Alpecin em 2019: Erik Zabel.

É um dos melhores sprinters da história - somou seis camisolas verdes (dos pontos) no Tour, recorde igualado em 2018 por Peter Sagan -, mas acabou por confessar que recorreu ao doping entre 1996 e 2003. Aquando da admissão, Zabel era um dos treinadores da Katusha, que de imediato afastou-o da equipa. Estávamos em 2013. Agora regressou, com a missão de recolocar a formação no caminho das vitórias que no ano passado os seus líderes foram incapazes de alcançar, com destaque para Kittel. A milionária contratação somou apenas duas, ambas no Tirreno-Adriatico, em Março.

Aos 30 anos, Kittel só deseja para 2019 conseguir demonstrar como ainda é um sprinter de topo e o trabalho com Zabel deu os primeiros frutos cedo na temporada. Mais do que a  importância da vitória em Espanha, é o discurso e a atitude do alemão que estão bem diferentes e que comprovam uma mudança no ciclista. Revela uma confiança renovada e este triunfo logo na sua segunda corrida, é um tónico muito bem-vindo para o sprinter e para uma Katusha-Alpecin desejosa de ver o seu investimento ter finalmente retorno.

"Tenho estado a trabalhar de perto com o Marcel há três meses e gostei de tudo o que vi até agora. Desde Dezembro que temos estado a treinar e focados na nova época e não a olhar para trás. Foi um bom momento ver o resultado do esforço de todos", salientou Zabel, num comunicado da Katusha-Alpecin, após a vitória de Kittel em Espanha..

Com uma subida complicada, principalmente para um ciclista como Kittel, a cerca de 40 quilómetros da meta, Zabel explicou que pediu aos companheiros do alemão com características de trepadores para ficarem ao lado dele. O facto de ter conseguido passar a subida, disputar a corrida e ainda mais vencê-la é também uma mensagem forte para os seus colegas. A dose de motivação influenciará todos se se perceber que o ciclista poderá ser novamente o Kittel avassalador de épocas recentes. E se não for avassalador, que pelo menos conquiste um bom número de vitórias e que nelas estejam incluídas corridas importantes, com a Volta a França no topo das prioridades.

Quando foi apresentado, no final do ano passado, Zabel -  que tem como cargo director do departamento de performance, a novidade da Katusha-Alpecin para 2019 - explicou como os vários responsáveis trabalhariam de perto com quatro ou cinco ciclistas, dentro das suas especialidades. A comunicação entre todos seria constante, mas o plano era provocar uma pequena revolução numa equipa a precisar de algo diferente para se destacar. Ter muito dinheiro para investir não estava a ser suficiente para alcançar os resultados desejados.

José Azevedo tem sido o responsável máximo por levar esta equipa a uma nova era, quebrando com as raízes russas, mas não tem sido um trabalho nada fácil. A Katusha-Alpecin, que conta com os portugueses José Gonçalves e Ruben Guerreiro, este último um dos reforços, quer estar no topo. Depois das mudanças mais profundas feitas no plantel, principalmente em 2017 e 2018, agora foi na estrutura de directores que se mexeu. Dirk Demol, um muito experiente director desportivo com foco nas clássicas, deixou a Trek-Segafredo para ser também ele um reforço que pode, tal como Zabel, revelar-se importante na Katusha-Alpecin.

Marcel Kittel vai continuar por Espanha. No domingo estará na Clássica de Almeria e depois irá até aos Emirados Árabes Unidos para competir na primeira edição desta corrida (de 24 de Fevereiro a 2 de Março).


»»Gaviria pode trazer muito mais do que vitórias à UAE Team Emirates««

»»A época ainda agora começou e Hodeg já recebeu um novo contrato««

29 de janeiro de 2019

Ciclistas sem margem para falhar em 2019

(Fotografia: © Team Katusha-Alpecin)
Para alguns ciclistas todos os quilómetros feitos em 2019 serão ainda mais importantes do que o normal. Há quem venha de uma má temporada, há quem já some épocas abaixo do exigido. Numa modalidade com tanto talento sempre a aparecer, quando os resultados começam diminuir, o futuro poderá ser insensível a currículos ganhadores. A idade vai passando nuns, noutros o peso do dinheiro aumenta ainda mais a pressão para que apresente resultados (Marcel Kittel à cabeça, neste caso).

Aqui ficam cinco ciclistas que estão proibidos de falhar em 2019.

Marcel Kittel (30 anos, Katusha-Alpecin)
É inevitável o alemão surgir em primeiro lugar. A Katusha-Alpecin abriu os cordões à bolsa para contratar um ciclista que acreditava ser garantia de vitórias. Foram apenas duas no Tirreno-Adriatico e o resto de 2018 foi passado a dizer que era na próxima corrida que o sprinter iria aparecer ao seu melhor. Até fez exames médicos para tentar perceber se havia algum problema de saúde, como aconteceu no passado. Nada. Kittel acabou a época a dizer que nunca tinha feito uma recuperação completa da aparatosa queda no Tour, em 2017.

O ciclista está obrigado a render as vitórias esperadas. Certamente mais do que duas. Acabaram-se as justificações de estar em adaptação à nova equipa ou de qualquer outro problema. Não será a primeira vez que o alemão terá de recuperar animicamente de um mau ano, mas com novos sprinters a aparecerem em força e a ganhar, Kittel tem um estatuto a defender no pelotão e só o poderá fazer se recomeçar a vencer. De referir que está no último ano de contrato.

Fabio Aru (28 anos, UAE Team Emirates)
2018 foi tão mau, que o italiano nem tentou justificar em desculpas. Assumiu a época que teve para esquecer, só querendo retomar o caminho que lhe parecia destinado quando fez pódio no Giro e venceu depois a Vuelta em 2015. Dizer que Aru já teve a sua melhor fase poderá ser um enorme exagero, tendo em conta a sua idade e como cada vez mais se vê os chamados voltistas (e não só) atingirem o auge já depois dos 30, o melhor Aru pode aparecer a qualquer momento.

Mesmo na Astana Aru estava por vezes em baixo rendimento, apesar do bom Tour de 2017. Parte da corrida, pelo menos. Na mudança para a UAE Team Emirates, basicamente tudo o que poderia correr mal, correu. Numa equipa que está a demonstrar ter um poderio financeiro crescente para contratar quem quer - a chegada de Fernando Gaviria é mais uma prova disso mesmo - Aru não se pode encostar ao facto de ter contrato até 2020. A equipa exige vitórias e um pódio numa grande volta tem de ser o objectivo. Para quem quis sair da Astana à procura de um contrato milionário, não há mais tempo para recuperar de mais falhas.

Tejay van Garderen (30 anos, EF Education First)
O americano já anda há algum tempo com este tipo de pressão. Com o final da BMC, conseguiu encontrar um porto de abrigo noutra equipa da casa, mas o facto de só ter recebido proposta para um ano de contrato, demonstra que a desconfiança é grande quanto ao que Van Garderen ainda poderá render.

Rigoberto Uran é o líder nas grandes voltas e o colombiano Daniel Martínez é a estrela em ascensão na EF Education First. Tejay van Garderen dificilmente escapará a um papel de gregário em certas provas, mas não foi contratado apenas para tal. Terá oportunidades e se não as agarrar, o americano que se acreditou vir a ser a referência desejada no ciclismo de um país a tentar recuperar a confiança perdida após o caso Lance Armstrong, pode estar perante o desafio que determinará se ainda tem espaço no World Tour para ser líder, ou se terá mesmo de render-se a um papel secundário.

Nairo Quintana (28 anos, Movistar)
O entusiasmo pelo pequeno colombiano resfriou já praticamente por completo. Há quatro/cinco anos, olhava-se para Quintana e via-se um ciclista que tinha tudo para ser um dos melhores voltistas da história, conquistando várias das três grandes. Tem o Giro e a Vuelta e as últimas duas temporadas ficaram marcadas por falhanços completos. Primeiro a tentativa da dobradinha Giro/Tour, que em nada terá ajudado na relação com o director da Movistar, Eusebio Unzué. No ano passado o Tour ficou muito aquém das expectativas, ao que se pode juntar um Mikel Landa, que também não pode estar muito tranquilo em 2019, já que não esteve ao nível desejado na época passada.

Qualquer coisa abaixo do pódio na Volta a França não será suficiente bom para Quintana em 2019 e terá de estar pelo menos na luta pela vitória. E ganhar a Vuelta terá de ser também um objectivo. Não faltam pretendentes a receber o colombiano, caso decida deixar a Movistar no final do contrato, mas mesmo para ter poder de negociação, Quintana terá de ser aquele ciclista de há quatro anos. O que entusiasmou tudo e todos. O que não ficava sempre à espera para ver o que os outros iam fazer, antes de também ele agir. Começou 2019 a mudar de treinador, num primeiro passo rumo às alterações que têm de ser feitas.

Mark Cavendish (33 anos, Dimension Data)
Já não se espera que o britânico volte a ser o sprinter implacável de outros tempos. Este pensamento não é novo e Cavendish provou a todos como estavam errados em dá-lo como ciclista acabado em 2016. Porém, tem sido um apagão quase total desde então, também muito por culpa do problema de saúde. A mononucleose já por duas vezes que o obrigou a ficar grande parte da época fora de acção, limitando-o quando compete.

A Dimension Data deu-lhe mais uma oportunidade ao renovar-lhe o contrato por uma temporada, muito também por respeito a um ciclista que foi tão importante quando a equipa subiu ao World Tour. Mas não será possível manter um corredor, com um salário alto, que é um líder que não ganha e quando essa é a sua principal função. Cavendish começou a época na Volta a San Juan, que decorre até domingo, sendo oitavo no seu primeiro sprint do ano, ganho por Fernando Gaviria, a referência da nova geração. 2019 será decisivo para se perceber se Cavendish ainda tem o que é preciso para conquistar algumas vitórias frente aos rivais, ou se o seu papel no ciclismo terá de mudar. Isto para não se falar tão cedo na época de uma possível retirada se não conseguir atingir o nível necessário.

Outros nomes

Realçou-se cinco ciclistas, mas estes não estão sós na pressão de terem de fazer bem mais e melhor. Já se referiu Mikel Landa, que pode não estar tão no centro da atenção como Quintana, mas também terá de apresentar mais resultados. Entre os voltistas, Louis Meintjes (Dimension Data) teve uma época idêntica a Aru, ou seja, nada correu bem. O regresso à equipa que o lançou, não correu bem, agora é preciso ser pelo menos aquele corredor a quem era quase natural fechar um top dez.

Matteo Trentin até foi campeão europeu, num título ainda longe de ser visto como uma grande conquista. Foi importante para o ciclista que não estava a ter um bom primeiro ano na Mitchelton-Scott, mas o italiano é o primeiro a dizer que 2019 tem de ser bem melhor.

Depois de vencer a etapa de Roubaix no Tour, um local tão simbólico para John Degenkolb, que já venceu o monumento francês, esperou-se que fosse o tónico que o alemão precisava para regressar ao topo. Na restante temporada mostrou um ciclista mais confiante, pelo que depois de ano e meio longe do que a Trek-Segafredo esperava dele, chegou o momento de estar na discussão das corridas, com destaque para as clássicas do pavé.

Há ainda Tony Martin. A passagem pela Katusha-Alpecin foi para esquecer. Aos 33 anos mudou-se para a Jumbo-Visma para tentar recuperar algum do prestígio perdido. Se apresentar-se bem melhor do que nas últimas temporadas, a equipa ganhará um homem importante no sonho de lutar por uma grande volta.

Para terminar, Rui Costa. A lesão no joelho estragou-lhe grande parte da temporada. A renovação foi anunciada já tarde e de apenas um ano. O português, de 32 anos, tem um 2019 para demonstrar que tem lugar numa equipa que agora junta a ambição ao dinheiro para contratar os melhores. Para já, o ciclista quererá ter uma temporada sem azares e assim poder demonstrar a forma dos Mundiais de Innsbruck.

1 de dezembro de 2018

José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
2018 para esquecer. Pouco se aproveitou da época da Katusha-Alpecin. Houve bons momentos, é certo. Um deles foi proporcionado por José Gonçalves, mas para uma equipa que investiu num dos melhores sprinters do mundo, que queria colocar Inur Zakarin a lutar por mais do que o top dez no Tour e que conta no plantel com ciclistas como Tony Martin, Alex Dowsett, Simon Spilak e Ian Boswell, terminar o ano com cinco vitórias, as mais importantes no Tirreno-Adriatico, e com um conjunto de exibições muito aquém do desejado, não deixam dúvidas que, para o ano, muito terá de melhorar.

É inevitável não concentrar grande parte do falhanço da Katusha-Alpecin no rendimento muito abaixo do normal de Marcel Kittel. A aposta financeira foi grande, com a equipa a deixar sair Alexander Kristoff. O norueguês podia não estar a render como noutros tempos, em termos de qualidade de triunfos, mas ia vencendo. Kittel, um dos melhores sprinter da actualidade e da história foi uma sombra de si mesmo. A Katusha-Alpecin e o ciclista passaram praticamente o ano todo a dizer que as vitórias iam chegar na próxima corrida. A próxima corrida chegava e nada. Vinha outra e nada.

As duas etapas no Tirreno-Adriatico pareciam ser um sinal positivo, mas a época de Kittel resumiu-se àqueles dois dias de Março. No final de Agosto, já depois de uma Volta à França bem diferente da de 2017, quando conquistou cinco etapas, Kittel abandonou a Volta a Alemanha, nem partindo para a segunda etapa. O próprio não percebia o que se passava e foi submetido a exames médicos, para tentar perceber se estaria com algum problema de saúde, como em 2015. Mas não. A responsabilidade foi antes atribuída a uma má recuperação da queda no Tour de 2017, que ditou então o adeus à corrida, com o ciclista a considerar que o que estaria a precisar era parar, recuperar e regressar em 2019 ao seu nível. A Katusha-Alpecin espera bem que sim, já que não se confirmaram os rumores que Kittel poderia estar de saída.

Talvez a má época de Kittel - que ainda assim foi quem mais venceu - pudesse ter sido um pouco compensada se Zakarin tivesse confirmado as expectativas, depois do terceiro lugra na Vuelta em 2017. O russo teve finalmente o Tour como principal objectivo, deixando o Giro de fora do seu calendário. Sim, é um bom trepador. Sim, sabe mexer nas corridas. E sim, tem uma tendência a sofrer quedas ou outro tipo de azares. Quando parece que nada há a fazer para salvar a corrida, Zakarin começa a subir de forma e na classificação. No Tour lá conseguiu entrar no top dez, na Vuelta no top 20. Porém, fica sempre aquela sensação que talvez possa fazer mais e melhor.

A Simon Spilak foi dado o papel de ser o ciclistas para as corridas de uma semana, uma especialidade sua, como comprovam as duas Voltas à Suíça e uma à Romandia, mas o esloveno de 32 anos também nunca conseguiu apresentar-se ao nível de 2017, por exemplo. De Tony Martin só se pode dizer que entra naquela lista de corredores de quem sai da Quick-Step Floors, tem dificuldades ou não consegue de todo render o que rendia na formação belga (Kittel também está na lista, por agora). Conquistar mais um título nacional de contra-relógio foi pouco. A Katusha-Alpecin aliviou um pouco a folha salarial, pois Martin irá para Lotto-Jumbo (futura Jumbo) em Janeiro.


Ranking: 17º (2757 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo duas etapas no Tirreno-Adriatico)
Ciclista com mais triunfos: Marcel Kittel (2)

Ian Boswell veio da Sky, mas não foi nem o gregário esperado, nem um ciclista que pudesse fazer a diferença em certas corridas. O colombiano Jhonatan Restrepo não confirmou o que muito se esperava dele e está de saída para a Manzana Postobón. Depois houve o acidente de Marco Haller, atropelado durante um treino. Esteve praticamente seis meses fora de competição, numa ausência importante no comboio de Kittel, mas que não serve de desculpa para o sprinter.

Mas nem tudo foi mau. O australiano Nathan Haas (29 anos), reforço vindo da Dimension Data, aproveitou bem dispor de alguma liberdade. Deu uma das vitórias à equipa (segunda etapa da Volta a Omã), tentou aparecer noutras provas, como na Volta à Califórnia, esteve perto de vencer em duas ocasiões na Suíça e acabou a época com um pódio na Volta à Turquia.

O alemão Nils Politt (24) demonstrou que poderá vir a ser aposta num futuro próximo, tendo ajudado a boa prestação na "sua" corrida. Venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta à Alemanha, mas ao longo do ano teve exibições consistentes e poderá começar a ser um ciclista com outro tipo de responsabilidade.

E temos José Gonçalves. Sem Zakarin no Giro, prova na qual o ciclista de Barcelos tinha sido um excelente gregário em 2017, a perspectiva era que Gonçalves pudesse perseguir a vitória de etapas. Tentou logo no contra-relógio inaugural (chegou a liderar) - foi quarto - e procurou esse triunfo nos dias seguintes. Foi terceiro na quinta etapa. Quando chegou a alta montanha, o português não se deixou enterrar na classificação. Foram exibições de grande nível praticamente durante todo o Giro, para tentar segurar um inesperado top 20, que se fixou num brilhante 14º posto.

Foi um José Gonçalves diferente, um ciclista mais forte na alta montanha e que agora se esperará para ver que aposta fará em 2019. Não conseguiu atingir o mesmo pico de forma na Vuelta, mas foi uma boa temporada para o gémeo, que viu o irmão renovar o título nacional de contra-relógio, com 12 segundos a separá-los.

Naquele que acabou por ser o ano de despedida de Tiago Machado do World Tour, o ciclista foi uma das figuras da Katusha-Alpecin na Vuelta. Com Zakarin fora da discussão do pódio, Machado teve liberdade e muito tentou procurar uma fuga de sucesso, entre as várias que triunfaram na corrida espanhola. Não encontrou o caminho de uma grande vitória, mas foi aquele ciclista que bem se conhece, lutador, que não sabe o que desistir quer dizer. E há que recordar que começou o ano com uma vitória que Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da selecção nacional, numa fuga solitária de 80 quilómetros! A equipa perde um ciclista muito regular, que foi um gregário importante neste quatro anos em que a representou.

Vitórias precisam-se em 2019

O nome de Joaquim Rodríguez continua a ser muito falado, pois desde que se retirou que esta Katusha-Alpecin não teve um ciclista que estivesse tanto na frente, tanto em destaque nas grandes voltas e não só. O director José Azevedo tem tornar em sucesso esta passagem para uma nova vida da equipa, que vai deixando cada vez mais para trás as origens russas. Contudo, nem com Kittel conseguiu recolocar a Katusha-Alpecin entre as formações mais ganhadoras.

Daniel Navarro, 35 anos, vai regressar ao World Tour depois de seis temporadas na Cofidis. Ciclista muito experiente que reforçará o bloco da montanha. Enrico Battaglin e Jens Debusschere serão uma mais valia para as clássicas e também nos sprints. Foi ainda contratado o jovem britânico Harry Tanfield, que aos 24 anos dará o salto para a categoria principal.

Sai Tiago Machado, entra Ruben Guerreiro entre os portugueses. Após dois anos na Trek-Segafredo, o campeão nacional de 2017 muda-se para a Katusha-Alpecin à procura de mais oportunidades, esperando também mudar a sua sorte, já que a sua passagem pelo World Tour está muito marcada por quedas e problemas de saúde que o têm limitado.

Dmitry Strakhov é um russo que conseguiu entrar na equipa que deixou de ser a que abria portas para os ciclistas deste país. O nome não é estranho, pois afinal andou por Portugal a ganhar e muito: Clássica da Arrábida, duas etapas na Volta ao Alentejo e uma etapa e a geral no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. O oitavo lugar na Volta à Grã-Bretanha, já como estagiário da equipa, terá ajudado a convencer os responsáveis da Katusha-Alpecin em contratá-lo. Os resultados foram interessantes, mas a ver vamos o que mostrará na elite mundial.

Permanências: Jenthe Biermans, Ian Boswell, Steff Cras, Alex Dowsett, Matteo Fabbro, José GonçalvesNathan Haas, Marco Haller, Reto Hollenstein, Marcel Kittel, Pavel Kochetkov, Viacheslav Kuznetsov, Nils Politt, Simon Spilak, Mads Würtz Schmidt, Willie Smit, Rick Zabel e Ilnur Zakarin.

Contratações: Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo),  Jens Debusschere (Lotto Soudal), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo),  Daniel Navarro (Cofidis), Dmitry Strakhov (Lokosphinx - estagiou na Katusha-Alpecin a partir de Agosto) e Harry Tanfield (Canyon Eisberg).

»»Impossível ignorar que é preciso mudar««

»»Sporting-Tavira a melhorar mas com uma época que soube a pouco««