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20 de fevereiro de 2019

Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen em vantagem no dia de subir à Fóia

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Volta ao Algarve terá um novo vencedor. Isso é certo. E não faltam candidatos a continuar um historial invejável. A Alberto Contador, Tony Martin, Richie Porte, Geraint Thomas, Primoz Roglic e Michal Kwiatkowski podem suceder Fabio Aru e Enric Mas, por exemplo. São os cabeças de cartaz, pois afinal o primeiro é o vencedor de uma grande volta e o segundo fez pódio no ano passado. Ambos brilharam na Vuelta. Mas a Algarvia dificilmente se fará de apenas estes dois corredores. Há um conjunto de jovens que podem bem aproveitar a oportunidade para começarem a habituarem-se a ganhar. E depois houve uma queda logo na primeira etapa, perto da meta em Lagos, que fez com que já haja diferenças de tempo, ainda antes da chegada da montanha.

Esta quinta-feira, o Alto da Fóia fará a primeira arrumação na geral. E falando precisamente de jovens, Sam Oomen (23 anos) foi o melhor nesta classificação da Algarvia em 2018, no que foi um ponto de partida para uma temporada muito convincente, com destaque para o excelente trabalho no Giro para Tom Dumoulin e o nono lugar na geral. Este holandês é dos que mais promete da nova geração.

Depois há Tao Geoghegan Hart (23), mas perdeu quase sete minutos, pelo que o experiente Wout Poels é quem ficou em boa posição de continuar o legado da Sky na Algarvia. Em 2016 venceu a Volta à Comunidade Valenciana e depois o monumento Liège-Bastogne-Liège. Não se conseguiu afirmar como líder como queria, mas aqui está uma oportunidade para este excelente ciclista, que sabe ser mais do que um gregário de luxo. 

Voltando aos jovens. Tadej Pogacar é um nome a não esquecer. A Eslovénia está a tornar-se numa escola cada vez mais interessante de ciclistas e este é mais um que cedo agarrou a atenção da UAE Team Emirates. Tem apenas 20 anos, venceu a Volta a França do Futuro, mas ainda antes a equipa já tinha garantido que o esloveno vestiria as suas cores em 2019. Com Aru na equipa, se a ambição do italiano for finalmente regressar às vitórias, Pogacar poderá ter de se sacrificar, no entanto, não perdeu tempo na chegada a Lagos ao contrário do companheiro, o que poderá deixá-lo com alguma liberdade.

Falando então de Fabio Aru. O seu último triunfo foi a 5 de Julho de 2018, na quinta etapa da Volta a França. E que grande vitória foi em La Planche des Belles Filles. Saiu da Astana, com quem venceu a Vuelta em 2015. Porém, o Aru daquele ano pouco tem aparecido desde então e na UAE Team Emirates nem a sombra do ciclista se tem visto. O italiano está obrigado a obter resultados em 2019, tendo escolhido o Algarve como a sua primeira prova por etapas do ano. Aru está obrigado a estar na luta, já para não dizer que está obrigado a ganhar. Mas não começou bem no Algarve e tem 1:05 de desvantagem. 

Enric Mas tem tudo para ser o grande favorito. Este espanhol da Deceuninck-QuickStep que parece que nada nem ninguém lhe perturba o sorriso e a quem chamam de o novo Contador - que até o quer na sua equipa -, tem como objectivo o Tour, pelo que a sua forma e mesmo mentalidade na Algarvia serão bem diferentes de Aru, que está a pensar no Giro. Porém, Mas adora desfrutar de todas as corridas que faz e a Fóia vai determinar se estará ou não na luta pela amarela. Se se sentir bem, não é ciclista para desaproveitar uma oportunidade para ganhar. E Enric Mas sabe o que é vencer em Portugal. Em 2016 conquistou a Volta ao Alentejo, então na Klein Constantia.

Mas há mais. Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe) foi sétimo no Giro do ano passado e já está de olhos postos na próxima edição da grande volta italiana. Já tem 4:11 minutos para recuperar. Não terá missão nada fácil. Talvez pense mais num top 10 ou numa etapa. O russo Sergei Chernetski deixou a Astana, depois de uma passagem pela Katusha e está agora numa Caja Rural que quer com ele disputar mais provas. O 1:35 perdidos, não devem assustar em demasia. Simon Spilak, da Katusha-Alpecin, é um ciclista que a equipa aponta a este tipo de corridas por etapas mais curtas e ficou a "apenas" 1:05. Os companheiros portugueses estão a mais de três e seis minutos, respectivamente, o que deverá deixar Ruben Guerreiro e José Gonçalves a pensar mais numa etapa.

E claro. Amaro Antunes. Líder da CCC, a preparar a sua primeira grande volta, o Giro, naquela que é a época de estreia no World Tour. Homem da casa, vencedor no Malhão há dois anos, começou 2019 na Volta à Comunidade Valenciana com um 28º lugar, mas é difícil imaginar um Amaro Antunes que não esteja a pensar em mais um brilharete na "sua" Algarvia, depois de a ter falhado em 2018 por a equipa, então Profissional Continental, não ter conseguido um convite. Contudo, aquele 1:35 de desvantagem para Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen, não o deixaram nada satisfeito. Mas se há alguém que conhece como correr no Algarve é, naturalmente, ele.

Estes são os candidatos, digamos, mais óbvios, mas há espaço para surpresas. Gianluca Brambilla (Trek-Segafredo), José Herrada (Cofidis), Ben King (Dimension Data) - vencedor da camisola da montanha no Algarve há um ano -, Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) podem muito bem aparecer, numa corrida que se apresenta aberta, mas que a Fóia poderá ajudar a definir. Só Hagen chegou no grupo do vencedor da etapa, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), mas os outros perderam menos de dois minutos.

Segunda etapa: Almodôvar – Alto da Fóia, 187,4 quilómetros



»»Jakobsen começa afirmação entre os melhores do sprint na Volta ao Algarve««

15 de dezembro de 2018

Sunweb entre um senhor Dumoulin e as infelicidades de Matthews e Kelderman

(Fotografia: Facebook Team Sunweb)
A grande questão na Sunweb era: irá Tom Dumoulin confirmar que é um dos principais voltistas da actualidade? A vitória no Giro de 2017 fez crescer a vontade de assistir a um frente-a-frente com Chris Froome (Sky), que acabou por não acontecer primeiro no Tour, como se esperava. Ambos decidiram ir à Volta a Itália. Nesse duelo em particular, Dumoulin perdeu, mas o holandês não deixou qualquer dúvidas. Está feito num senhor ciclista, que pode disputar qualquer grande volta e se não ganhou este ano, não é qualquer um que possa dizer que fez segundo no Giro e no Tour na mesma temporada.

Desde 1998 que ninguém conquista estas duas grandes voltas no mesmo ano, mas Dumoulin foi o único que conseguiu ser competitivo com possibilidade de vitória em ambas. O holandês entra definitivamente na lista de candidatos a ganhar e não "apenas" a um top 10, enquanto a Sunweb completou com sucesso a transformação de uma equipa que apostava em sprints ou fugas para somar triunfos, para uma que quer e pode vencer grandes voltas. É um conjunto que está a ficar mais forte de ano para ano, principalmente devido a jovens que são já garantias de trabalho bem feito, como é o caso de Sam Oomen, um ciclista que também é visto como possível sucessor de Dumoulin, ou mesmo um próximo líder, a par do companheiro.

Sem ser um ciclista de explosão nas subidas, Dumoulin já consegue ultrapassar a mais difícil das subidas (como aconteceu nos Mundiais de Innsbruck), mantendo aquele seu ritmo certinho, com uma ou outra pequena aceleração e, claro, o contra-relógio faz a diferença, mesmo que os organizadores estejam a reduzir o número de quilómetros. É uma decisão que pode não estar a agradar ao holandês, mas também não o afastará da discussão. Dumoulin, com a camisola de campeão do mundo, ganhou no contra-relógio tanto no Giro, como no Tour. Excelente temporada de ciclista de 28 anos, que teve como maior desilusão ter perdido o título mundial da especialidade para o australiano Rohan Dennis e ficou à porta do pódio na prova de estrada.

Dumoulin ainda foi notícia por ter explicado afinal o que tinha provocado a dor de barriga mais famosa do ciclismo! Aquela paragem "técnica" no Giro de 2017 foi provocada por digerir mal a frutose e a lactose. Agora está tudo mais do que controlado e só se pensa em mais frente-a-frente entre Tom Dumoulin e Chris Froome (e não só), com o ciclista indeciso quanto às grandes voltas a realizar em 2019, já que a mudança de mentalidade quanto aos contra-relógios, tornam o Tour menos favorável, mas é também a corrida que mais quer ganhar.*


Ranking: 9º (7266,95 pontos)
Vitórias: 11 (incluindo uma etapa no Giro e no Tour e as clássicas do Quebeque e Montreal)
Ciclista com mais triunfos: Michael Matthews (4)


O holandês acaba por centrar grande parte das atenções da Sunweb, mas Michael Matthews tem igualmente o seu destaque. Nem sempre pelo melhor. Que época tão complicada para o australiano! Depois de um 2017 memorável, com duas vitórias e a camisola verde no Tour, Matthews começou a época a cair e a partir a clavícula. Regressou na Milano-Sanremo, venceu o prólogo na Volta à Romandia, mas foram muitas as frustrações ao ver os rivais ficarem com as vitórias pelas quais lutava. 

Matthews ficava perto, mas faltava sempre algo. Apostou forte no Tour, mas adoeceu e nem partiu para a quinta etapa. Desilusão total. "Vingou-se" no final de temporada, com três triunfos, sendo o rei das clássicas do Canadá, ao vencer as duas. Ainda assim, não ficou completamente satisfeito e rapidamente começou a pensar em 2019 e em regressar em força, ponderando estrear-se na Volta a Flandres.

Também Wilco Kelderman teve uma época que não trará grandes recordações. O objectivo era afirmar-se definitivamente depois de um 2017 muito positivo, principalmente com o quarto lugar na Vuelta. Entre ser gregário de Dumoulin e ter as suas oportunidades, o holandês viu duas quedas estragarem-lhe a temporada. Em Março partiu a clavícula, em Junho, nos Nacionais, lesionou-se no ombro e falhou o Tour. Foi a Espanha tentar salvar algo de 2018, mas não conseguiu atingir o pico de forma pretendido. Ainda assim foi 10º, mostrando que a Sunweb pode acreditar que, sem azares, Kelderman é ciclista para dar muitas alegrias e ser uma ajuda preciosa para o líder Dumoulin.

Sam Oomen (23 anos) foi um gregário de luxo no Giro (e até foi nono na geral) e venceu a classificação da juventude na Volta ao Algarve, sendo um ciclista com um futuro muito, muito promissor. Mas mais dois jovens deixaram as suas credenciais. O dinamarquês Soren Kragh Andersen (24) e o alemão Max Walscheid (25) realizaram boas provas e somaram duas vitórias cada.

Outro germânico Lennard Kämna (22) teve uma época mais de evolução, esperando-se que vá assumir maior responsabilidade em 2019. É um corredor interessante para as provas por etapas. Max Kanter realizou um estágio que convenceu os responsáveis a promovê-lo à equipa principal depois de passar pela de desenvolvimento. O mesmo aconteceu com Marc Hirschi, o suíço que foi a Innsbruck ser campeão do mundo de sub-23 e de quem já muito se espera muito. Joris Nieuwenhuis (22) é o terceiro atleta que será promovido. Os jovens vão tendo cada vez mais preponderância numa Sunweb a ambicionar no presente, mas sempre a olhar para o futuro.

O australiano Robert Power (Mitchelton-Scott) será, aos 23 anos, um corredor que reforçará o bloco das clássicas, à espreita da primeira oportunidade que lhe surja para tentar ganhar.

Com Dumoulin a destacar-se, não foi, ainda assim, uma época fácil para a Sunweb principalmente pelos infortúnios que atingiram alguns ciclistas, além de Matthews e Kelderman. Para 2019 a ambição vai continuar a crescer, com a equipa a não temer apostar cada vez mais num grupo de jovens de enorme potencial, não se assustando com o adeus de ciclistas que foram o grande apoio nesta evolução de Dumoulin ao estatuto de um dos grandes corredores de nível mundial.

As saídas de Laurens ten Dam e de Simon Geschke, ambos vão para a CCC, terão desiludido um pouco Dumoulin, já que foram dois fiéis gregários. Rumam ainda a outras equipas um Edward Theuns, que passou completamente ao lado da temporada, Lennard Hofstede, Mike Teunissen (ambos vão para a Jumbo-Visma) e Phil Bauhaus (Bahrain-Merida). No entanto, se os jovens são aposta para a renovação da equipa, a experiência também é necessária, pelo que chegarão Nicholas Roche (BMC) e Jan Bakelants (AG2R).

Esta Sunweb deixou definitivamente para trás os tempos de Marcel Kittel e John Degenkolb. Agora quer uma Volta a França, não deixando para trás o Giro e Vuelta. Dumoulin é a estrela, mas a equipa que tem um patrocinador que renovou sem limite de prazo, o que permite apostar numa estrutura de formação e também inclui um conjunto forte de mulheres na equipa feminina, quer ganhar todas as corridas. O Tour é o grande sonho, os monumentos são objectivos... A Sunweb quer ser definitivamente uma das melhores do mundo e passo a passo está a conseguir alcançar o topo.

Permanências: Tom Dumoulin, Wilco Kelderman, Michael Matthews, Sam Oomen, Soren Kragh Andersen, Nikias Arndt, Roy Curvers, Johannes Fröhlinger, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Lennard Kämna, Michael Storer, Martijn Tusveld, Louis Vervaeke e Max Walscheid.

Contratações: Jan Bakelants (AG2R),  Robert Power (Mitchelton-Scott), Nicolas Roche (BMC), Marc Hirschi (Development Sunweb), Max Kanter (Development Sunweb), Joris Nieuwenhuis (Development Sunweb), Casper Pedersen (Aqua Blue Sport), Cees Bol (SEG Racing Academy) e Asbjorn Kragh Andersen (Virtu Cycling).

*Nota: Foi revelado na manhã deste domingo que Tom Dumoulin vai apostar novamente na Volta a Itália em 2019.

»»Lotto-Jumbo atingiu a maturidade««

»»Época com muitos quase, mas com uma certeza chamada Latour««

14 de maio de 2018

Os ciclistas pouco falados no Giro

(Fotografia: Giro d'Italia)
Uns acabam por não estar na linha da frente, mas estão a realizar uma boa Volta a Itália. Outros andam perdidos no pelotão e quase dá para esquecer que lá estão. Muito se fala de Simon Yates, Chris Froome, Elia Viviani ou pela negativa de Miguel Ángel López, mas aqui ficam outros nomes que também merecem destaque, depois de uma primeira semana de corrida bastante intensa, com a segunda a arrancar esta terça-feira e que começa logo com uma segunda categoria nos primeiros quilómetros.

Ben O'Connor (Dimension Data): Anda, como quem não quer a coisa, entre os melhores. Já foi perdendo algum tempo, mas ainda assim são apenas 2:36 (14º lugar) para o maglia rosa Simon Yates. Este jovem australiano (22 anos) apresentou-se na Volta ao Alpes, com uma excelente vitória de etapa, numa fuga solitária bem sucedida. Foi sétimo na geral e venceu a classificação da juventude. Então esteve muito melhor do que o líder Louis Meintjes e o mesmo está a acontecer no Giro. O sul-africano está a 5:44. O'Connor está com um papel livre dentro da equipa, visto que Meintjes não está a corresponder e o australiano aproveita para agarrar a oportunidade. Exibição muito positiva até agora e terá agora a possibilidade de perceber como o corpo reagirá a uma prova de três semanas. Sim, está a fazer a sua estreia em grandes voltas. A juventude poderá ser uma luta a pensar, pois tem 1:16 a recuperar para Richard Carapaz (Movistar).

Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe): Está um pouco com Ben O'Connor. Como quem não quer a coisa, lá anda ele a muito bom ritmo. Davide Formolo, o líder, caiu na sexta etapa, do Etna, e perdeu tempo, o que coloca Konrad como o melhor da equipa na geral: 12º, a 2:34. Formolo está a 5:49. O austríaco, de 26 anos, está na Bora-Hansgrohe desde que esta ainda estava no escalão Profissional Continental. Já tem top dez em corridas como Paris-Nice e Volta ao País basco, tendo sido 16 no Giro há um ano. Numa formação que muito apostou na contratação de estrelas, Konrad não perdeu nem a confiança, nem espaço, mesmo que Rafal Majka seja o número um, no que diz respeito a grandes voltas. Konrad continua a sua evolução e com uma primeira semana muito regular, enquanto Formolo poderá ir à procura de etapas, o austríaco poderá pensar em chegar ao top dez.

Jack Haig (Mitchelton-Scott): Que luxo de gregário está este australiano a ser. Se Simon Yates está de rosa e Johan Esteban Chaves em segundo muito se deve ao brilhante trabalho de Haig. Vasil Kiryienka costuma ser uma locomotiva a impor ritmo na Sky, mas neste Giro é Haig que está a ter esse papel, que muitas dificuldades tem provocado aos adversários, "destruindo" as equipas, isolando os líderes. Não é justo salientar apenas Haig, quando Roman Kreuziger e Mikel Nieve também têm estado muito bem, sem esquecer Christopher Juul-Jensen, Sam Bewley e Svein Tuft, estes dois últimos mais chamados antes da alta montanha aparecer. Porém, Haig tem sido uma figura imponente na frente do grupo de favoritos e Yates bem pode oferecer-lhe já uma das maglias rosas que vestiu até ao momento! E atenção, só tem 24 anos!

Sam Oomen (Sunweb): A maioria dos ciclistas escolhidos para estar ao lado de Tom Dumoulin no Giro são muito jovens. Mas qualidade não lhes falta e Sam Oomen continua a comprovar isso mesmo. Estreou-se em grande voltas no ano passado em Espanha, tendo abandonado. No Giro, o holandês tenta afirmar-se no tipo de corridas que aspira um dia estar a discutir. A consistência deste corredor, de apenas 22 anos, está bem patente nos seus números: só num dia terminou fora do top 30 e mesmo assim foi 32º. Seja etapa plana ou de montanha, onde é mais chamado a trabalhar, Oomen está "colado" ao seu líder. Está a 2:54 de Simon Yates, na 17ª posição, o que faz dele o melhor gregário na geral depois de Pello Bilbao (Astana) e que acaba assim por estar também na discussão da juventude, a 1:34 de Carapaz.

Pello Bilbao (Astana): O espanhol ia ser um homem importante na ajuda a Miguel Ángel López, mas perante o descalabro do colombiano, vê-se como o ciclista que está melhor colocado na geral da equipa cazaque. Tem vindo a perder tempo e a diferença entre ambos é de 29 segundos, mas isso significa que Bilbao está no top dez e López não. O espanhol é um bom trepador e cumpre a sua sexta grande volta. É o seu segundo Giro e tem quatro Vueltas. A Astana não estará disposta a "deixar cair" o seu líder, nem que seja para o levar à vitória de uma etapa e à classificação da juventude (tem 1:14 minutos de desvantagem para Carapaz). Porém, com ambos os ciclistas a mais de dois minutos, mas com Bilbao a mostrar-se regular, o espanhol poderá ficar à espera de eventualmente ter um pouco de liberdade. Poderá estar dependente se López recupera ou não tempo neste início de primeira semana. E se ele próprio não continuar a perder tempo.

Depois destes exemplos positivos, temos os ciclistas de quem se esperaria já ter falado bastante mais por boas razões. No entanto, andam discretos. Caso de John Darwin Atapuma. O colombiano tem de ajudar Fabio Aru, é certo, mas o italiano tem ficado isolado muito cedo e Atapuma também não apareceu na luta por uma etapa. Talvez por não ter ordens para o fazer, devido à ajuda a Aru, mas desaparece tão rápido da frente que é uma desilusão não se ver mais deste ciclistas da UAE Team Emirates.

Ben Hermans e Ruben Plaza foram contratados pela Israel Cycling Academy para serem figuras durante este Giro, que começou precisamente na casa da equipa. Já se viu um pouco de Hermans, mas pouco. O veterano espanhol, de 38 anos, vai acumulando tempo - já tem mais de 25 a mais que Yates -, e talvez esteja a tentar um dos seus famosos ataques para conquistar a sonhada etapa por esta equipa. Seja qual for o plano, esperava-se um pouco mais de ambos.

Hugh Carthy (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) é um daqueles ciclistas que dá vontade de perguntar: o que é que se passa? Só tem 23 anos, mas está no segundo ano na equipa americana e ainda não conseguiu mostrar o nível que atingiu na Caja Rural. A responsabilidade é diferente, é certo, mas tendo em conta que está com alguma liberdade, como se viu na fuga que integrou no domingo, este britânico não está a conseguir confirmar o que se esperava dele. Mas ainda vai muito a tempo.

Uma pneumonia é algo que dá cabo de qualquer preparação, seja para que corrida for. Foi em Março, a recuperação não foi fácil e se não se esperava que Gianluca Brambilla andasse a discutir a geral (longe disso). Já animar algumas fugas seria um objectivo. Foi muito fugaz o que fez no domingo e não foi convincente. O ciclista viveu momentos incríveis em 2016, quando venceu uma etapa e andou de rosa dois dias. Mudou-se para a Trek-Segafredo, deixando a Quick-Step Floors - para ter um papel de maior destaque, mas terá de fazer bem melhor para justificar a aposta da equipa.

Para terminar, Wout Poels. Que falta está a fazer a Chris Froome. Tudo corre mal ao britânico, mas é impossível não notar como esta Sky está tão diferente daquela que se vê no Tour, com Poels a ser o principal destaque, pela negativa. Desaparece cedo da frente, estando longe da forma desejada.




Que venha a segunda semana do Giro, que terá um fim-de-semana muito interessante à espera do pelotão, mas começa logo com duas etapas de sobe e desce. A desta terça-feira, tem então uma segunda categoria logo no início (ver imagem em baixo), ainda antes dos dez quilómetros. Será também a tirada mais longa da corrida, com 239 quilómetros a ligar Penne a Gualdo Tadino.



»»Simon Yates, um senhor ciclista neste Giro««

»»O dia que Carapaz não irá esquecer««

1 de maio de 2018

Sunweb anuncia contrato de sonho

(Fotografia: Facebook Team Sunweb)
Numa altura em que uma das principais estruturas do ciclismo mundial está sem futuro definido (BMC), quando recentemente outras viveram momentos aflitivos para assegurar patrocinadores, surge um contrato que é simplesmente de sonho para qualquer equipa. A agência de viagens Sunweb renovou a sua parceria por... aqui estamos habituados a dizer x de anos, mas a renovação é por tempo indeterminado. Sim, sem final determinado. Este novo acordo, que entrará em vigor em 2020, já que o actual é até à próxima temporada, estabeleceu basicamente as formas de o eventualmente terminar.

É certo que nada dura para sempre e no ciclismo bem se sabe disso. Ainda há menos de dois anos, um dos patrocinadores mais antigos saiu: a Lampre. Mas ver uma Sunweb demonstrar vontade de se tornar numa das empresas que poderá marcar esta modalidade, é um sinal extremamente positivo e, quem sabe, possa servir de exemplo a convencer outros patrocinadores a surgirem ou a outros a reforçarem as suas apoios.

"Com esta estabilidade, o nosso foco organizacional poderá ser dirigido para muitos e muitos anos. Oferece-nos a oportunidade para pensar não só a longo prazo, mas para programar o nosso futuro, tornando-nos numa estrutura duradoura no ciclismo, tanto para homens como para mulheres", salientou o director geral da equipa, Iwan Spekenbrink, no anúncio desta parceria, que como se pode ler, afectará tanto a formação masculina, como a feminina. Porém, o responsável referiu como também irá permitir reforçar o Keep Challenging Center, progama no qual se trabalha no desenvolvimento de jovens atletas. E não esquecer, que a Sunweb tem uma equipa de desenvolvimento, no escalão Continental.

Os termos do novo acordo dizem que a Sunweb será o patrocinador até que uma das partes decida terminá-lo. Quando o fizer, ainda assim durará por mais dois anos, além da época que esteja em curso. Tal permitirá que ou se possa procurar um novo patrocinador, caso seja a empresa a sair, ou os ciclistas e restante staff possam ter tempo para definir o seu futuro, caso se esteja perante o final da equipa.

Esta estrutura surgiu em 2005, então como holandesa. Era a Shimano-Memory Corp e tinha uma forte influência japonesa. No ano seguinte passou a ser a Skill-Shimano. Em 2013 muda para Argos-Shimano e na temporada seguinte recebe uma licença World Tour. Muda para Giant-Shimano em 2014, voltando a mexer no nome no ano seguinte: Giant-Alpecin. Com a chegada do patrocinador alemão, mudou também a bandeira para este país. Na época passada, a marca de champôs optou por aliar-se à Katusha, enquanto a Giant continuou a fornecer as bicicletas, mas deixou de estar no nome. Entrou a Sunweb e o equipamento que faz lembrar outra empresa, ligada ao desporto, mas que nada tem a ver com esta equipa: a FootLocker. Goste-se ou não das camisolas, é excelente saber que o nome Sunweb quer permanecer ligado ao ciclismo e espera-se por muitos, muitos anos.

São 220 vitórias que estão no historial desta estrutura a primeira pelo alemão Stefan Schumacher, na Niedersachsen-Rundfahrt, a 24 de Abril de 2005. Marcel Kittel e John Degenkolb foram os responsáveis por elevar o estatuto da equipa, sendo deles as primeiras principais vitórias, tanto nas grandes voltas e o último também conquistou dois monumentos (Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix). Os tempos são outros. Agora a aposta é em ganhar classificações gerais, com Tom Dumoulin a ser a estrela e cuja a última renovação de contrato foi até 2021. Agora, perante esta extensão indeterminada da Sunweb, outros certamente ciclistas seguirão o exemplo.

O holandês venceu no ano passado venceu a primeira grande volta, o Giro, e a equipa já está a preparar outros jovens ciclistas para seguir as pedaladas de Dumoulin, como é o caso de Sam Oomen, por exemplo (venceu a classificação da juventude na Volta ao Algarve e estará na Volta a Itália. Aliás, a aposta na juventude é extremamente forte, pois a média de idades do plantel é de 25 anos. E para mostrar como esta parceria com a Sunweb teve um arranque que dificilmente poderia ser melhor, além da Volta a Itália, Tom Dumoulin também veste a camisola de campeão do mundo de contra-relógio e a equipa foi a melhor nessa vertente na competição colectiva.



17 de fevereiro de 2018

Groenewegen ganhou outra vez. Agora que venham as decisões finais

Segunda chegada ao sprint, segunda vitória para Groenewegen
Expectativas cumpridas em Tavira. A etapa foi decidida ao sprint - aquela rampinha final ajuda e bem ao espectáculo -, Dylan Groenewegen foi novamente o mais forte e a assistir estava, como tem sido habitual, uma multidão que torna esta uma das chegadas mais populares da Volta ao Algarve. Agora acabaram-se as expectativas, podem-se fazer previsões, mas a verdade é que no Malhão muito pode acontecer. Este é um filme com vários finais possíveis em qualquer das classificações. Aqui ficam alguns cenários.

Começando pela luta dos pontos, ou seja, a camisola vermelha. Com o triunfo em Tavira, Groenewegen recuperou a liderança que teve quando venceu a primeira etapa, em Lagos. Michal Kwiatkowski, que vestiu a camisola na Fóia, tem menos um ponto e se ganhar a etapa pode ficar com esta classificação. O melhor para o sprinter holandês é ter a sua Lotto-Jumbo trabalhar para evitar uma fuga antes do quilómetro 16,8 e assim ir buscar pontos na meta volante. Em último caso, pode integrar a fuga como, por exemplo, fez André Greipel em 2017, garantindo dessa forma a conquista desta classificação.

Na juventude, Sam Oomen está bem encaminhado para ficar com a camisola branca que vestiu logo em Lagos, a abrir a Volta ao Algarve. O holandês da Sunweb tem 2:26 minutos sobre o companheiro de equipa, Lennard Kamna e 3:23 sobre José Neves, da W52-FC Porto. Os dois ciclistas da Liberty Seguros-Carglass, André Carvalho e André Crispim estão a 4:14 e 5:45, respectivamente. Apesar da incógnita sobre o estado do seu joelho, Oomen demonstra que o problema estará a ser ultrapassado. Ainda assim, é o Malhão e as duas passagens fazem por vezes mossa no mais talentoso dos trepadores.


Serão estes os homens no pódio após o Malhão?
Benjamin King (Dimension Data) esteve este sábado em fuga para tentar somar os poucos pontos que estavam em jogo e assim consolidar uma liderança que até pode perder para alguém que esteja a zero na classificação. Soma 21, mais dez que João Rodrigues (W52-FC Porto). Porém, com 30 em jogo, basta alguém da fuga ganhar todos os prémios da montanha do dia e mesmo que não vença a etapa, pode levar a camisola azul, desde que King não some mais de dois pontos. Há um ano, o colombiano Juan Felipe Osorio (Manzana Postobón) ganhou precisamente ao apostar na fuga. O americano está determinado em ficar com a camisola, pelo que pode sempre defender-se, indo também ele para uma eventual fuga.

E agora a mais indefinida das classificações e aquela que mais interessa. Quem vai vencer a Volta ao Algarve? Irá Geraint Thomas tornar-se no primeiro estrangeiro a conquistar a corrida três vezes? Ou irá Michal Kwiatkowski ameaçar o colega da Sky para vencer pela segunda vez? 19 segundos separam galês e polaco, pelo que a equipa britânica pode muito bem jogar com os dois ases para "partir" a concorrência. Kwiatkowski até ganhou inadvertidamente três segundos devido a um corte no pelotão na chegada a Tavira (pode conferir aqui as classificações).

A menos de um minuto está Nelson Oliveira (32 segundos), Bob Jungels (52) e Tejay van Garderen (53). Bauke Mollema está a 1:01 e Jaime Rosón a 1:18. O espanhol poderá juntar-se a Oliveira numa táctica para tentar desequilibrar a Sky. Não será nada fácil, mas a Movistar ter estes dois homens deixa em aberto a possibilidade de ter pelo menos um ciclista no pódio e, claro, que o público que costuma tornar a subida do Malhão muito emocionante para os ciclistas portugueses, vai estar a apoiar Oliveira. O corredor de Anadia está num bom momento de forma neste início de temporada, como demonstrou na Fóia e no contra-relógio. Se conseguir o terceiro lugar, será o regresso de um ciclista português ao pódio, depois de Tiago Machado ter ficado nessa posição em 2015.

A Quick-Step Floors ainda não ganhou na Algarvia, o que é estranho para esta equipa sempre sedenta de vencer. Jungels ambiciona alto para 2018, apostando no Tour, querendo mais do que camisolas da juventude. O luxemburguês apresentou um discurso de quem estava no Algarve para ganhar e aqui está a oportunidade para o mostrar. Terá de atacar, tal como Van Garderen e ainda mais Bauke Mollema. Perante a diferença, nenhum pode esperar pelos últimos metros. A dupla subida ao Malhão promete ser animada.

Este ano não haverá Amaro Antunes para uma autêntica loucura algarvia na subida que o ciclista, agora na CCC Sprandi Polkowice, tanto gosta e que venceu em 2017. A vitória de etapa é quase tão difícil de prever como o Euromilhões. Como não há bonificações no final, é possível que uma fuga possa triunfar, já que os homens da geral podem preferir concentrar-se apenas nessa luta. Ou não!...


A partida (12:25) marcará o regresso de Faro como um dos locais de partida da Volta ao Algarve, com 173,5 quilómetros a terem de ser percorridos até à meta no já tradicional Alto do Malhão. Se não puder ver na estrada, então o Eurosport2 e a TVI24 vão transmitir todas as emoções finais.


Quanto à quarta etapa, a mais longa (199,2 quilómetros), que visitou o Alentejo, com partida em Almodôvar e chegada em Tavira, a fuga do dia foi protagonizada por Bruno Silva (Efapel), João Rodrigues (W52-FC Porto), Aleksandr Grigorev (Sporting-Tavira), Julen Amezqueta (Caja Rural), Rory Sutherland (UAE Team Emirates) e Benjamin King (Dimension Data). Já perto do final, Philippe Gilbert (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Jasha Sutterlin (Movistar) tentaram surpreender, mas este foi um guião seguido sem improvisos e a Lotto-Jumbo, FDJ e Trek-Segafredo anularam qualquer escapadela.

No final, Groenewegen foi tão poderoso que houve tempo para mais festejos do que na primeira etapa. Matteo Pelucchi (Bora-Hansgrohe) e John Degenkolb (Trek-Segafredo) fizeram segundo e terceiro respectivamente, com Samuel Caldeira (W52-FC Porto) a ser o melhor português em 14º, já com um pequeno corte de três segundos.

»»Não o façam esperar por um grande volta, se faz favor««

»»Sky deixou o coelho na cartola e jogou a dobrar com quem sabe ganhar a Algarvia««

»»Dylan Groenewegen, mais um holandês que quer conquistar o mundo««

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14 de fevereiro de 2018

Um sucessor de Dumoulin feliz por estar em Portugal

Sam Oomen protagonizou um momento que suscitou algumas gargalhadas durante a cerimónia do pódio. Por momentos pensou que tinha chegado a sua vez de receber a camisola que tinha conquistado, mas afinal ainda era o compatriota de Dylan Groenewegen que estava em foco. Quando foi finalmente chamado, Oomen riu-se novamente do insólito, acenando para a multidão. Feliz por estar a vestir a camisola branca, não passava despercebido a fita que tinha no joelho e se a primeira etapa na Volta ao Algarve acabou bem, não foi nada fácil de enfrentar.

Aos 22 anos, Oomen é já visto como a próxima geração da Holanda, pelo que estar na liderança da juventude na Algarvia é algo normal e até esperado. É também um forte candidato a conquistá-la. Ou talvez não. "Para ser honesto, não tinha objectivos para esta semana porque estou com um problema no joelho. Não sabia como iam correr as coisas e durante a etapa foi bastante mau. No final não doeu e consegui posicionar-me bem. Vamos ver como vai ser amanhã. Vai ser um teste", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Não esconde alguma desilusão pela situação que está a atravessar, realçando como o joelho lhe dói, mas não o suficiente para parar.

Por isso mesmo, apesar de na chegada ao Alto da Fóia querer tentar perceber como estará o joelho, quer pensar em manter-se como líder da juventude. "O ciclismo não é fácil e eu vou tentar. Ter esta camisola é uma motivação." A Algarvia é mais uma corrida de preparação para aquele que vê como grande objectivo da temporada: estar ao lado de Tom Dumoulin na Volta a Itália. Primeira vai passar pelo Paris-Nice, mas é já para Maio que vai olhando.

Oomen é já visto como ou um sucessor de Dumoulin ou, quem sabe, se possa vir a ver uma rivalidade holandesa, já que são cinco anos que os separam. Estar no lugar onde está Tom Dumoulin, vencedor do Giro e campeão do mundo de contra-relógio, "é um sonho" para Oomen, que não hesita em acrescentar como, para já, está muito orgulhoso de poder partilhar experiências com o compatriota. Com Dylan Groenewegen a dar entrevistas ao seu lado, Oomen salientou que a Holanda está a viver uma fase muito boa no ciclismo.

A conversa é curta, pois é tempo de ir recuperar para atacar o Alto da Fóia esta quinta-feira, numa etapa que começa em Sagres e terá 187,9 quilómetros. Porém, há tempo para Oomen referir como está feliz por estar no Algarve e não é só pela competição. "O tempo na Holanda nesta altura é muito mau! Esta é uma zona muito boa. Também já tinha passado férias em Lisboa há dois anos. Gosto de cá voltar."

Oomen é um dos jovens a seguir com atenção esta e nas próximas temporadas. A Sunweb já o "prendeu" até 2020 e se o talento está lá, falta agora perceber que evolução irá ter. Mas o futuro é promissor. Aquele joelho talvez não deixe se ver um pouco da imensa qualidade do holandês no Algarve, mas que tem muito para mostrar, isso tem, tanto na luta por classificações gerais, como também no contra-relógio. Este é um dos ciclistas que ajudou a equipa a sagrar-se campeã do mundo da especialidade.



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Dylan Groenewegen, mais um holandês que quer conquistar o mundo

Groenewegen (à direita) bateu Démare no sprint em Lagos
(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Sprint, contra-relógio, vencedor de uma grande volta... A Holanda ameaça entrar numa era de ouro para o seu ciclismo. Nos últimos dois anos confirmou-se o aparecimento de novos talentos que demonstram que não vão apenas estar na luta. Chegaram para ganhar. Tom Dumoulin é o mais recente ídolo ao conquistar o Giro no ano passado, mas no que diz respeito aos sprints é Dylan Groenewegen quem quer afirmar-se como um dos melhores. Já lhe é dado esse respeito, principalmente depois de ter vencido nos Campos Elísios, no Tour de 2017. Agora, aos 24 anos, chegou a altura de demonstrar que veio para ficar e para ocupar um lugar de destaque.

A Lotto-Jumbo aposta forte neste ciclista, como comprova o contrato que só termina em 2020. Groenewegen já não vai às corridas na esperança de se intrometer nos sprints e até em personalidade já tem uns tiques de quem quer ganhar tudo e sente bem a frustração quando não consegue. Exemplo disso foi o que aconteceu na Volta ao Dubai. O holandês tinha vencido uma etapa, era líder, mas um furo fê-lo perder tempo. Para recuperar aproveitou a ajuda de um carro, mas os comissários consideraram que exagerou. Groenewegen concordou, mas virou-se contra os seus mecânicos. O ciclista não escondeu a frustração por ver ser desperdiçada a oportunidade de ganhar a volta dos sprinters. A atitude não foi das mais bonitas, mas fica bem claro que o holandês tem plena noção daquilo que pode alcançar. E pode ser muito.

Na Volta ao Algarve tudo parece mais calmo com os mecânicos! Groenewegen regressa ao papel de ganhar etapas e logo na primeira, bateu Arnaud Démare (FDJ). De imediato fez o sinal para as duas vitórias que passa a somar em 2018. O holandês é um sprinter de enorme potência. O seu poder de explosão faz, por vezes, recordar Marcel Kittel ou Fernando Gaviria, que podem ir rápido, mas ainda são capazes de uma última aceleração, aquela que muitas vezes deixa os adversários a vê-los pelas costas. Ainda falta para Groenewegen chegar ao nível do alemão ou do colombiano, este último um daqueles ciclistas únicos que aos 23 anos já está no topo. Ainda falta, mas não muito.

Para Groenewegen lá chegar, são precisas grandes vitórias para juntar à dos Campos Elísios. Mentalidade de vencedor já tem. Consistência nos resultados também. Com ou sem comboio (e muitas vezes é mesmo sem), tem uma excelente capacidade de colocação e, como foi escrito antes, de explosão. Não há dúvidas que o holandês quer fazer de 2018 o ano da sua confirmação e não apenas nos sprints. Tal como Gaviria (Quick-Step Floors), vai apostar forte nas clássicas e atenção às corridas do pavé. Fisicamente, Groenewegen parece ter nascido para elas e tem sido testado, sem pressão, nas últimas duas temporadas. Agora chegou certamente o momento de se chegar à frente. E também certo parece que se irá falar ainda muito deste ciclista, a começar na Volta ao Algarve, pois é desde já um forte candidato à vitória na quarta etapa (sábado), na chegada a Tavira.

Portugueses na fuga, um é líder da montanha e mais um holandês no pódio

Nuno Almeida (LA Alumínios), David Livramento (Sporting-Tavira), Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), João Rodrigues (W52-FC Porto) estiveram acompanhados pelo espanhol da Caja Rural, Josu Zabala, naquela que foi a fuga do dia. O ciclista da W52-FC Porto aproveitou bem a oportunidade para se mostrar nas estradas que conhece. No final subiu ao pódio e era bem audível o entusiasmo no público, afinal Rodrigues (na foto ao lado) é algarvio e lidera a classificação da montanha.

A etapa acabou por ter a toada esperada, com o pelotão a controlar e a apanhar a fuga. José Gonçalves ainda tentou surpreender juntamente com Tom Devriendt (Wanty-Groupe Gobert), mas também sem sucesso. E enquanto Gonçalves estava na frente, o colega português da Katusha-Alpecin, Tiago Machado, ficou envolvido numa queda. O vencedor da Prova de Abertura Região de Aveiro ainda foi assistido pelo médico, mas conseguiu terminar a etapa, a 7:40 minutos do vencedor.

Apesar do aparato, Machado não perdeu a boa disposição, como se pode ler na mensagem no Facebook: "Custou-me seguir em prova, pois bati com alguma violência na estrada com a minha cabeça e sentia-me bem atordoado! Mas lá consegui chegar ao fim com toda a pompa e circunstância escoltado pela polícia, médico da prova, carro de apoio da Katusha-Alpecin e claro está o carro vassoura... "

Rodrigues partirá para a segunda etapa com a camisola azul da montanha, enquanto Groenewegen tem a amarela da liderança e a vermelha dos pontos. A branca ficou para outro talentoso holandês. Sam Oomen, da Sunweb, é o líder da juventude. Pode confirmar neste link todas as classificações da etapa que ligou Albufeira a Lagos (192,6 quilómetros). De salientar que Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) foi o melhor português em Lagos, tal como aconteceu em 2017.

Esta quinta-feira espera pelos ciclistas o Alto da Fóia, a única chegada de primeira categoria da Volta ao Algarve (o Malhão é de segunda). Desta feita o ponto mais alto do Algarve será alcançado pela subida mais longa, com 15,2 quilómetros e 5% de pendente média. A fase mais exigente será a cerca de sete quilómetros do fim, com a inclinação a chegar a atingir os 10%.


A partida será em Sagres às 12:10, com 187,9 quilómetros para começar a definir a classificação geral. Daniel Martin (UAE Team Emirates) venceu na Fóia em 2017 e terá a concorrência de Bob Jungels (Quick-Step Floors), Richie Porte e Tejay van Garderen (BMC), Louis Meintjes (Dimension Data), Michal Kwiatkowski e Geraint Thomas (Sky), José Herrada (Cofidis)... Em baixo fica o mapa por onde irá passar o pelotão.



»»Chegou o momento do ano de ver alguns dos melhores do mundo de perto««

»»Uma Volta ao Algarve de campeões««

9 de janeiro de 2018

Daniel Martin e Ben Swift lideram UAE Team Emirates. Sunweb vem ao Algarve mostrar jovens talentos

Daniel Martin, agora na UAE Team Emirates, venceu em 2017 no Alto da Fóia
Não haverá Rui Costa, nem Fabio Aru, mas Daniel Martin regressa à Volta ao Algarve e este é um ciclista que não tem por hábito competir apenas para cumprir calendário. E há um ano demonstrou isso mesmo, ao vencer a etapa no Alto da Fóia. O irlandês trocou a Quick-Step Floors pela UAE Team Emirates e tem como objectivo da temporada a Volta a França. Swift também não estará com meias medidas. O britânico deixou a Sky para procurar mais oportunidades, mas o primeiro ano na nova equipa foi para esquecer. Resultados exigem-se e Swift junta-se assim a Arnaud Démare (FDJ) na luta pelos sprints, que poderá contar ainda com John Degenkolb (Trek-Segafredo), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) e Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), mas é de salientar que há muitas equipas que ainda não confirmaram os seus eleitos.

Além de Martin, a UAE Team Emirates traz uma equipa muito interessante na perspectiva de disputar a geral. Valerio Conti é um bom trepador e já venceu uma etapa na Vuelta. Outro italiano, Edward Ravasi, tem apenas 23 anos, mas com potencial para a montanha. Jan Polanc pertence a uma geração que está a colocar a Eslovénia no mapa do ciclismo e se Martin não estiver à altura dos acontecimentos, Polanc pode espreitar entrar na luta pela vitória. Aos 25 anos, já conta com duas etapas no Giro. O norueguês Vegard Stake Laengen estará no apoio a Swift, mas dêem-lhe uma oportunidade e não a desperdiçará. Aos 35 anos, o australiano Rory Sutherland agarrou um novo desafio, deixando a Movistar. Poderá ser um ciclista importante ao lado de Daniel Martin e de Jan Polanc.

A UAE Team Emirates fará a sua estreia na Volta ao Algarve, tal como a Sunweb. Enquanto a equipa de Abu Dhabi traz um conjunto cheio de intenções, a alemã irá mostrar alguns dos jovens talentos, que serão liderados por um muito experiente Laurens ten Dam. Não estarão Tom Dumoulin nem Wilco Kelderman, mas atenção a ciclistas como Sam Oomen e Louis Vervaeke.

E Sam Oomem merece que se siga a sua prestação com muita (mesmo muita) atenção. Este holandês de 22 anos é desde já um forte candidato à classificação da juventude. Estamos a falar de um ciclista que venceu a Volta a França do Futuro em 2016, estava na equipa que foi campeã mundial em Bergen na especialidade e só para se perceber melhor o talento deste jovem, em 2017 foi: 15º na Ruta del Sol, 14º no Paris-Nice, 19º na Volta ao País Basco, nono na Califórnia, 14º no Critérium du Dauphiné, sétimo na Volta à Polónia e 11º no último monumento do ano, Il Lombardia. Estreou-se numa grande volta na Vuelta, tendo abandonado na 14ª etapa, mas até lá estava a ser de uma regularidade tremenda, com tops 20 e 30 e um oitavo lugar em Cumbre del Sol, além do terceiro no contra-relógio colectivo que abriu a corrida.

Enquanto Dumoulin atinge a maturidade, a Sunweb vai já preparando a próxima geração e "prendeu" Oomen até 2020. O alemão Kämna é vice-campeão mundial de sub-23, o belga Vervaeke (24) deixou a Lotto Soudal para tentar procurar um diferente protagonismo. Lennard Hofstede (holandês de 23 anos) e Jai Hindley (australiano de 21 e um dos reforços de 2018) irão ganhar experiência, enquanto o veterano Laurens ten Dam (37) terá uma das poucas oportunidades durante o ano para lutar por uma vitória, com Simon Geschke - o barbudo do pelotão, como é conhecido - a poder assumir um papel de apoio ou então procurar estar um pouco em destaque, pois é um ciclista que tendo liberdade gosta de entrar em fugas.

A Volta ao Algarve arranca a 14 de Fevereiro, em Albufeira, e termina no dia 18, no Alto do Malhão. É o segundo ano em que tem a categoria 2.HC, a segunda mais importante depois das corridas do World Tour. Bateu mais um recorde ao garantir 13 equipas das 18 equipas do World Tour, mais uma do que em 2017. Terá transmissão televisiva no Eurosport e TVI24.

Além da UAE Team Emirates e Sunweb, também a FDJ, Katusha-Alpecin e Caja Rural já enviaram a lista de pré-inscritos. Ciclistas como Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe), Geraint Thomas (Sky) e Louis Meintjes (Dimension Data) também já confirmaram a pretensão de estar na Algarvia, que poderá ainda contar com nomes como Bauke Mollema e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) e Dylan Teuns (BMC), por exemplo.

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