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7 de novembro de 2020

Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Richard Carapaz esperou até ao últimos momentos para dar alguma emoção à última etapa de montanha da Vuelta. Já dentro dos cinco quilómetros final atacou, depois de Hugh Carthy ter aberto as hostilidades. Foi um derradeiro susto para Primoz Roglic, um vencedor pela segunda vez consecutiva da Vuelta, mas que teve uma ajuda preciosa na recta final da tirada que terminou no Alto de la Covatilla. Não, não foi Sepp Kuss, o seu fiel escudeiro da Jumbo-Visma. Foi mesmo uma Movistar que assim ajustou algumas contas com uma saída muito pouco amigável de Carapaz da equipa espanhol em 2019.

Roglic tem todo o mérito nesta vitória. Isso ninguém lhe pode tirar. Veio à Vuelta depois de uma enorme desilusão no Tour. Parecia ter o triunfo garantido e tudo se desmoronou no contra-relógio decisivo em La Planche des Belles Filles. Em Espanha passou todos os testes que enfrentou. Mentalmente foi um ciclista decidido a mostrar que a derrota no Tour frente a Tadej Pogacar não iria definir o resto da sua carreira.

É um vencedor e quando se perde, a melhor forma de reagir é regressar às vitórias. Já tinha conquistado o seu primeiro monumento, a Liège-Bastogne-Liège, mas era uma reacção numa prova de três semanas que precisava. Roglic está bem vivo e contem com ele para lutar pela Volta a França em 2021, agora como um duplo vencedor de duas Vueltas. Curiosamente, dois triunfos em outras quantas presenças. Não compensa o que aconteceu em França, mas foi mais uma vez uma mostra do carácter excepcional deste ciclista.

Só um casaco - justificou a perda da liderança na sexta etapa com problemas em vestir um casaco - e o Angliru fizeram tremer Roglic. As subidas com pendentes muito íngremes não são uma especialidade sua. Onde compensa? Nas bonificações. É um ciclista que faz questão de amealhar o maior número de segundos bónus, para tentar compensar o que possa perder na estrada. Na Vuelta foi uma táctica decisiva.

Em La Covatilla, Roglic tremeu mais um pouco. Um último susto, que fez pensar por alguns minutos que também nesta grande volta poderia haver uma mudança de líder mesmo no fim. Mas eis que surgiu a Movistar. Foi mais uma etapa ao ataque da equipa espanhola e mais uma em que não tirou dividendos de tanto trabalho. Enric Mas ficou na quinta posição que já ocupava e Marc Soler não discutiu a etapa. Restava então um pormenor...

Com Carapaz a ganhar tempo - e chegou a estar a menos de 20 segundos de conquistar a Vuelta -, com Roglic já sem companheiros de equipa e com Carthy (EF Pro Cycling) também a conseguir afastar-se do esloveno, Mas e Soler entraram ao trabalho. Os dois espanhóis deram uma preciosa ajuda a Roglic, minimizando perdas. Depois de cortar a meta, o esloveno apressou-se em agradecer aos dois inesperados parceiros.

O ciclismo não se faz só de companheiros de equipa. Há coisas que não se esquecem e que até levam a dar a mão a rivais. A Movistar não esquece como Carapaz quebrou contrato com a equipa para assinar pela Ineos Grenadiers, em mais um episódio do desentendimento com o empresário Giuseppe Acquadro. E mais. Antes da Vuelta de 2019, Carapaz participou num critérium sem autorização da equipa. Uma queda acabaria por afastá-lo da grande volta espanhola.

Foi um fim de relação que não agradou nada aos responsáveis da Movistar, que perderam assim o ciclista que havia vencido a Volta a Itália e que poderia ser importante no futuro na liderança de uma formação que não iria apostar mais em Nairo Quintana, que também se preparava para perder Mikel Landa e tem Alejandro Valverde quase a terminar a carreira.

Roglic não esquecerá o gesto da Movistar, tal como a Ineos Grenadiers de Carapaz não irá certamente deixar passar em claro. As rivalidades fazem parte do desporto, mas no caso do ciclismo, nem todas nascem na estrada, mas é lá que ganham expressão. Este dia ainda terá repercussões noutras provas...

Numa etapa (Sequeros - Alto de la Covatilla, 178,2 quilómetros) que chegou a parecer que seria uma desilusão, terminou com muito para contar.

David Gaudu venceu a sua segunda etapa na Vuelta
e subiu ao top 10 (© Photo Gomez Sport/La Vuelta)
Luta no top dez

Roglic terminou com 24 segundos de vantagem sobre Carapaz, com Carthy a fechar o pódio, a 47 do esloveno. Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Enric Mas e Wout Poels (Bahrain-McLaren) seguraram as posições seguintes.

A UAE Team Emirates foi uma das equipas que mais animou a etapa, até ao momento Movistar, claro. Atacou cedo e colocou David de la Cruz na frente, com Ivo Oliveira e Rui Costa a terem um papel muito importante na ajuda ao espanhol que conseguiu subir à sétima posição, a 7:35 de Roglic. Rui Costa muito tentou ganhar uma etapa, mas a fechar a Vuelta, mostrou que continua a ser um ciclista com quem podem contar para trabalhar em prol de um companheiro.

David Gaudu (Groupama-FDJ) foi à procura de ganhar a sua segunda etapa e não só conseguiu, como ainda teve o bónus de entrar no top dez (oitavo, a 7:45). A equipa francesa falhou por completo no Tour com Thibaut Pinot, mas foi ao Giro dominar nos sprints com Arnaud Démare e na Vuelta pode muito bem ter confirmado que tem um futuro líder para as três semanas. Gaudu teve liberdade e mostrou que é um corredor que pode ser mais do que um gregário.

Felix Grossschartner (Bora-Hansgrohe) e Alejandro Valverde (Movistar) conseguira a custo ficar no top dez, com Aleksandr Vlasov (Astana) a ser o sacrificado com a entrada de Gaudu. Ainda assim, uma boa estreia em grandes voltas do jovem russo.

Nas restantes classificações, Guillaume Martin (Cofidis) é o vencedor da montanha - já o havia garantido na quinta-feira -, Roglic acumula a geral com a classificação dos pontos, Enric Mas é o melhor na tabela da juventude e a Movistar vence por equipas, como tem sido habitual.

Classificações completas, via ProcyclingStats.

18ª etapa: Hipódromo de la Zarzuela - Madrid, 139,6 quilómetros

Muito se irá falar do que aconteceu na La Covatilla, mas Roglic terá o seu momento para desfrutar da merecida vitória. Foi uma Vuelta com trocas na liderança, muita montanha, com o mau tempo a fazer-se sentir e a dificultar muito a tarefa de todos, fosse qual fosse o objectivo.

Este domingo irá pedalar-se os últimos 139,6 quilómetros não só da corrida, mas da época. Madrid marcará o fim de um ano atípico, mas no qual se conseguiu concluir as três grandes voltas, por si só uma vitória para o ciclismo mundial, mesmo que a Vuelta tenha sido mais curta (18 etapas em vez de 21).

Ainda assim, foi necessário alterar a tirada de consagração, que ganhou cerca de 12 quilómetros. Nada de grave, já que grande parte será feita a um ritmo calmo. A corrida continuará a terminar no Paseo de la Castellana, mas a organização decidiu não passar por localidades como Móstoles, Alcorcón, Leganés e Getafe. A entrada em Madrid não será feita por Villa de Vallecas, mas sim por Barajas e Feria de Madrid. Os ciclistas farão mais quilómetros de auto-estrada. A fase final mantém-se com um circuito de seis voltas entre Castellana e Paseo Recoletos.

»»Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos««

»»Vitória de Philipsen com influência de Ivo Oliveira (e com um agradecimento emocionado)««

15 de julho de 2019

Final louco de etapa com a Ineos a reordenar a Volta a França

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Há alturas em que é mesmo bom falhar por completo as previsões. Esta segunda-feira foi uma dessas alturas. Uma etapa que se pensaria ser do mais normal, com uma fuga a ser perseguida pelas equipas dos sprinters e com estes a disputar a vitória, com todos satisfeitos de ao fim de dez dias poder finalmente ter uma folga, veio o vento e foi o caos! Não foi uma surpresa. Os ciclistas estavam avisados que nos últimos 40/50 quilómetros havia a possibilidade de o vento causar problemas. Estavam avisados, mas foram muitos os que não evitaram complicar muito as contas do Tour, numa etapa que de calma teve mais de 150 quilómetros, mas foi a loucura total na parte final.

Se no domingo, no que foi um autêntico passeio para o pelotão, a Ineos ainda assim mostrou os dentes, 24 horas depois soltou a fera. Nem foi a primeira a lançar os famosos "abanicos" (expressão espanhola). A EF Education First iniciou uma tentativa falhada e depois da derradeira subida do dia, com cerca de 40 quilómetros para a meta em Albi (foram 217,5 no total), a equipa americana repetiu a dose que, com a ajuda da Ineos e da Deceuninck-QuickStep, rapidamente começou a partir o pelotão.

Em poucos minutos a etapa passou a merecer toda a atenção, depois de quilómetros de monotonia. Começou a difícil missão de decifrar de quem estaria a ficar para trás. Mas não foi difícil perceber pela forma como as três equipas estavam a acelerar na frente, tendo-se juntado depois a Movistar, que havia alguém importante em grandes sarilhos. Os nomes lá foram aparecendo. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) - que desilusão para o francês que partiu para a 10ª etapa como o melhor entre os candidatos e estava a mostrar estar em excelente forma -, Jakob Fuglsang (Astana) e Richie Porte (Trek-Segafredo) foram apanhados numa armadilha cada vez mais utilizada e que tem a Ineos e a Deceuninck-QuickStep como especialistas em prepará-la, tal como a Lotto Soudal, que neste caso, sem aspirações à geral, limitou-se a esperar que Caleb Ewan aguentasse para discutir o sprint.

Por momentos a maior surpresa foi Rigoberto Uran. A EF Education First foi vítima da táctica que ela própria colocou em prática. Mas Mikel Landa roubou essa surpresa. De repente, uma Movistar tão satisfeita por desta vez ter sobrevivido aos "abanicos", mostrava estar um pouco em pânico. Onde estava Landa? Ao espanhol parece acontecer sempre algo nas grandes voltas. Desta feita, estava na frente da corrida, bem colocado, quando Warren Barguil (Arkéa Samsic) tem uma repentina mudança de direcção devido a um toque em Julian Alaphilippe. Empurra inadvertidamente Landa, que é literalmente atirado contra um grupo de adeptos na berma da estrada. No final, Barguil pediu desculpa ao ciclista espanhol, que não escondeu ter ficado incrédulo com o que lhe aconteceu. Perdeu mais dois minutos e com este azar e ficou a 3:03 de Geraint Thomas.

O galês e a sua Ineos foram mesmo os grandes vencedores do dia. Bom... e Nairo Quintana. O colombiano deve estar a pensar que desta vez fez tudo bem, ele que conhece a sensação de ser apanhado nos "abanicos". Quando a Movistar recuou para ajudar Landa, foi Alejandro Valverde que ficou com aquele que é agora o líder principal quase sem discussão. Quase, porque já se sabe que Landa não é de baixar os braços, atitude que lhe valeu uma excelente recuperação no último Giro, até ao quarto lugar, quando também começou mal a corrida.

Thomas tem 1:12 minutos de desvantagem para um Julian Alaphilippe que continua a não preocupar muito. O trabalho da Deceuninck-QuickStep, a que nem o sprinter Elia Viviani escapou, não só foi para manter a camisola amarela com o francês e tentar garantir que fica com uma vantagem para prolongar o estatuto de número da Volta a França. Teve o objectivo de colocar Enric Mas numa posição bem mais favorável. Quando chegarem os Pirenéus no final desta semana, o espanhol não terá companheiros para o ajudar, pelo que assim fica com uma distância bastante interessante na luta pelo menos por um pódio. São 34 segundos a separá-lo de Thomas e Mas é um ciclista que tem perícia em aproveitar o trabalho de outras equipas quando lhe falta ajuda.

Adam Yates (Mitchelton-Scott) surge finalmente num lugar mais esperado e um ciclista de quem pouco se fala, mas que já vai aparecendo no radar, Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), reforçou o seu estatuto de pretendente a um top dez.

Em dois dias, a Ineos impôs-se e de que maneira. A equipa pode não estar a controlar tão obviamente o Tour desde cedo, como em edições anteriores, mas tem a corrida muito bem controlada. Quando quis mexer, mexeu e fez cair peças importantes entre os rivais. Thomas tem a amarela na mira, Bernal está na retaguarda, preparado para o que der e vier, sendo agora o líder da juventude já que Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) foi mais uma das vítimas dos "abanicos".

Como tudo mudou ainda antes dos Pirenéus!

Diferenças entre candidatos após a louca 10ª etapa:

2º Geraint Thomas (Ineos)
3º Egan Bernal (Ineos) a 4 segundos
4º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) a 15
5º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) a 33
6º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) a 34
7º Adam Yates (Mitchelton-Scott) a 35
8º Nairo Quintana (Movistar) a 52
9º Daniel Martin (UAE Team Emirates) a 57
11º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) a 1:21 minutos
13º Rigoberto Uran (EF Education First) a 2:06
15º Romain Bardet (AG2R) a 2:08
16º Jakob Fuglsang (Astana) a 2:10
20º Richie Porte (Trek-Segafredo) a 2:47
21º Mikel Landa (Movistar) a 3:03
25º Fabio Aru (UAE Team Emirates) a 4:45
26º Guillaume Martin (Wanty-Group Gobert) a 4:47

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Jumbo-Visma entre a desilusão e a explosão de alegria

Está a ser um Tour alucinante para a equipa holandesa. Na primeira etapa o seu sprinter, Dylan Groenewegen, caiu, mas o lançador Mike Teunissen ganhou e vestiu a camisola amarela. No dia seguinte a equipa foi a melhor no contra-relógio. Groenewegen entretanto já alcançou a sua vitória, mas nesta última etapa antes do dia de descanso, foi apanhado nos "abanicos". George Bennett, que era o ciclista melhor colocado na geral também foi afectado.

(Fotografia: © ASO)
Mas quando uma equipa tem qualidade, dá nisto: Steven Kruijswijk manteve-se na frente e está na luta pelo Tour; Wout van Aert aproveitou a ausência de Groenewegen e foi sprintar, ganhando a sua primeira etapa numa grande volta, na sua estreia. Consegue-se perceber porque o belga ficou quase sem palavras perante o que alcançou, ainda mais quando foi preciso o photo finish (imagem de cima) para determinar o vencedor. Bateu Elia Viviani por muito pouco.

Depois de meses tão difíceis no final do ano passado e início de 2019, em que correu o risco de ficar parado devido ao litígio com a sua antiga equipa, Van Aert não deu as vitórias esperadas nas clássicas, ainda que tenha alcançado bons resultados. Porém, apareceu nesta fase da temporada a mostrar qualidade de sprinter, vencendo assim uma tirada no Critérium du Dauphiné, um dia depois de conquistar o contra-relógio individual. Ficou o aviso para o Tour, que agora confirmou.

11ª etapa (17 de Julho): Albi - Toulouse, 167 quilómetros


A organização não colocou nem um contra-relógio, nem uma etapa de montanha complicada a seguir ao dia de descanso, que não faz bem a todos os ciclistas. É uma etapa para os sprinters, com muitos corredores certamente ainda a tentar recuperar do choque do que aconteceu esta segunda-feira e a esperar que não se repita. O Tour partirá depois para uma fase mais complicada e decisiva, com destaque para o contra-relógio individual de sexta-feira e o Tourmalet no sábado, com a alta montanha a começar logo na quinta-feira.




»»Ineos mostra ao que vem no passeio de domingo do Tour««

»»Franceses ao ataque em vésperas do Dia da Bastilha««

5 de julho de 2019

Os candidatos, os ciclistas a ter em conta e aqueles a não perder de vista

Irá Thomas ter de olhar para Bernal como rival? (Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Nem Chris Froome, nem Tom Dumoulin, isto para referir apenas as ausências de candidatos à camisola amarela. Será um Tour um pouco diferente, principalmente devido ao britânico não estar. A grande questão é se a Volta a França será encarada de forma diferente por parte dos rivais, pois da Ineos se espera mais do mesmo do tempo da Sky, mesmo sem o seu capitão. A equipa continua forte, mas Thomas não impõe o mesmo respeito que um Froome entre os adversários. Porém, existe um Egan Bernal que é praticamente visto como tão favorito como Thomas. Se calhar, até um pouco mais. Mesmo sem Froome, a Ineos será o centro das atenções. A ver vamos se é desta que se perde não o respeito, mas o receio de perder, a favor do risco de poder ganhar. Foi muito isso que faltou aos rivais de Froome nas últimas edições. 

A Volta a França arranca este sábado com 194,5 quilómetros, com partida e chegada a Bruxelas.



Geraint Thomas (Ineos, 33 anos)
Décima presença no Tour. Foi 1º  classificado em 2018. Tem três vitórias de etapa.
Equipa: Egan Bernal, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Gianni Moscon, Wout Poels, Luke Rowe, Dylan van Baarle.
Tal como no ano passado, Thomas é candidato, mas... Em 2018 a presença de Froome levantava dúvidas que o galês esclareceu com uma maior regularidade e com exibições fortíssismas na montanha, enquanto Froome foi pagando o preço do esforço no Giro. Em 2019, ninguém duvida que Thomas tem o que é preciso para ganhar o Tour, contudo, a temporada está a ser muito apagada para se conseguir perceber a forma do ciclista. Tem 26 dias de competição, mas só em nove pedalou para um bom resultado. Foi terceiro na Volta à Romandia, mas, para agravar as desconfianças, caiu na Volta à Suíça, que queria ganhar, ou pelo menos o pódio. Abandonou, mas tanto o ciclista como a equipa garantem que está tudo bem. Sem Froome - afastado depois da aparatosa queda no Critérium do Dauphiné (saiu esta sexta-feira no hospital) - Thomas tinha tudo para ser um líder indiscutível, mas...

Egan Bernal (Ineos, 22 anos)
➤ Segunda presença no Tour. Foi 15º  classificado em 2018.
➤ Equipa: Geraint Thomas, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Gianni Moscon, Wout Poels, Luke Rowe, Dylan van Baarle.
... Há um Egan Bernal. Venceu na Suíça e está pronto para lutar pelo Tour se Thomas der sinal de fraqueza, ou talvez nem precise de dar. E há que não esquecer que também conquistou o Paris-Nice. É um ciclista que respeita a hierarquia, mas tem a ambição de subir muito, muito alto. Mesmo já sendo um dos principais homens da Ineos, Froome e Thomas têm o estatuto de líderes, ainda que o do galês seja frágil. Não é segredo que a equipa quer ver Bernal tornar-se na grande figura das grandes voltas e mesmo sendo tão novo, já revelou maturidade e qualidade para disputar uma Volta a França. Falhou o Giro também devido a queda - não está a ser um ano fácil para os líderes da Ineos (ex-Sky) - e ficou o aviso a Thomas com as exibições recentes. Thomas poderá levar o dorsal um, mas ou se mostra a grande nível, ou o Tour de 2019 poderá ser aquele no qual Bernal se consagrará definitivamente. Com este colombiano, é uma questão de tempo e não vai demorar muito.

Romain Bardet (AG2R, 28 anos)
➤ Sétima presença no Tour. Foi segundo classificado em 2016. Tem três vitórias de etapa.
➤ Equipa: Romain Bardet, Mickäel Cherel, Benoît Cosnefroy, Mathias Frank, Tony Gallopin, Alexis Gougeard, Oliver Naesen, Alexis Vuillermoz.
Será desta? A pergunta perdura desde 1985, a última vez que um francês venceu o Tour (Bernard Hinault). Bardet varia entre entusiasmar muito os franceses e o criar desconfiança. Já se sabe como é alérgico ao contra-relógio, ainda que tenha nos últimos dois anos trabalhado um pouco melhor a especialidade, mas ainda não convence. Não tem sido um 2019 fantástico para Bardet. As exibições também variam entre as que revelam alguma forma, como umas em que até dá para esquecer que está em prova. Ainda assim, fica claro que Bardet apostou muito forte no Tour deste ano, gerindo bem o esforço até este mês. Estando bem, Bardet tem tudo para somar mais um pódio e para ser um animador da corrida, mas não é só isso que quer. Para o líder da AG2R é a vitória que interessa.

Thibaut Pinot (Groupama-FDJ, 29 anos)
➤ Sétima presença no Tour. Foi terceiro classificado em 2014. Tem duas vitórias de etapa.
➤ Equipa: William Bonnet, David Gaudu, Stefan Küng, Matthieu Ladagnous, Rudy Molard, Sébastien Reichenbach, Anthony Roux.
Vai alternando com Bardet o favoritismo entre os franceses. Este ano é dele. Tem estado mais activo, mostrou-se mais, somou algumas vitórias, ainda que em corridas secundárias no seu país. O quinto lugar no Critérium du Dauphiné foi positivo, apesar de ter admitido que queria ganhar a corrida. Depois de um ano de ausência regressa ao Tour, que voltou a ser o seu principal objectivo, após duas edições a apostar no Giro. A Groupama-FDJ acredita de tal forma no seu líder que nem leva Arnaud Démare para os sprints, para concentrar o apoio todo em Pinot. Agora falta perceber se o ciclista irá conseguir lidar com a pressão que o tem acompanhado dos meios de comunicação social e do público francês e que não o tem ajudado. Apesar de alguns bons resultados, a verdade é que o Pinot do Tour, não é o mesmo de um Pinot do Giro, livre da pressão caseira. A esperança é que os últimos dois anos tenham servido para amadurecer neste aspecto e atacar de vez a desejada vitória. Será desta?

Nairo Quintana (Movistar, 29 anos)
➤ Sexta presença no Tour. Foi segundo classificado em 2013 e 2015. Tem duas vitórias de etapa.
➤ Equipa: Mikel Landa, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.
Momento de decisão na carreira de Quintana. Parecia que seria inevitável conquistar o Tour, mas os anos passam e o colombiano foi perdendo protagonismo no pelotão e na equipa. Bem tenta passar a mensagem que é o líder único na Movistar, mas a equipa decidiu levar novamente Landa e Valverde, um tridente que resultou tão mal no ano passado. Valverde não era suposto estar presente - deveria ter ido ao Giro - e nem é um candidato, mas terá a sua agenda para ganhar etapas e não estará 100% dedicado a Quintana. Landa ajudou Carapaz no Giro quando se tornou óbvio que o equatoriano tinha tudo para ganhar, mas o espanhol vai agora à procura do sucesso próprio. Esta época, de vez em quando, viu-se um pouco do bom velho Quintana, mas rapidamente cai naquela toada defensiva e de marcação excessiva aos rivais. A porta de saída da Movistar ficará escancarada se Quintana não estiver pelo menos a disputar a vitória. No entanto, a expectativa é baixa.

Mikel Landa (Movistar, 29 anos)
➤ Quarta presença no Tour. Foi quarto classificado em 2017.
➤ Equipa: Nairo Quintana, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.
Já disse que se vê no pódio de Paris. O director da Movistar quis tanto contar com Landa na equipa, mas dois anos volvidos e o espanhol continua a ser um ciclista candidato, mas sem se afirmar no topo e na disputa por uma grande vitória. Ainda assim, Eusebio Unzué vai apostar na liderança repartida, quando no Giro ficou mais do que comprovado que quando esta equipa funciona como tal, é muito forte. Mas quando há mais do que um interesse, a tendência é correr francamente mal. Ultrapassado por Carapaz no Giro, Landa quer agora ser ele a figura e não vai ser Quintana que o vai impedir. Seria uma surpresa se houvesse a aliança que houve em Itália entre Carapaz e Landa. No Tour, espanhol e colombiano vão estar cada um por si, com Valverde à mistura.

Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma, 32 anos)
➤ Quinta presença no Tour. Foi quinto classificado em 2018.
➤ Equipa: Dylan Groenewegen, Wout van Aert, Tony Martin, George Bennett, Amund Grondahl Jansen, Laurens de Plus, Mike Teunissen..
Depois de Primoz Roglic ter sido o alvo a abater no Giro, haverá um Kruijswijk longe do mediatismo e favoritismo que o colega teve em Itália. É difícil vê-lo como vencedor, mas depois do que fez no ano passado, tem de se ter em conta pelo menos para a luta por um pódio. Calculista, discreto, não tem a pressão de outros rivais, mas numa altura em que a Jumbo-Visma tenta afirmar-se como equipa forte para as grandes voltas, o holandês não pode falhar um top dez e menos que um top cinco saberá a pouco. E falta-lhe uma vitória de etapa numa corrida de três semanas.

Enric Mas (Deceuninck-QuickStep, 24 anos)
➤ Estreia no Tour.
➤ Equipa: Julian Alaphilippe, Kasper Asgreen, Dries Devenyns, Yves Lampaert, Michael Morkov, Max Richeze, Elia Viviani.
Não terá muito apoio quando a montanha chegar, mas também já demonstrou que não precisa. Quando está em boa forma consegue estar entre os melhores. O Tour é bem diferente da Vuelta, onde, sem equipa, ganhou uma etapa e foi segundo na geral. É um ciclista que sabe bem aproveitar o trabalho de terceiros e, atacando nos momentos certos, poderá mesmo estar na luta pelo menos pelo pódio. Em Espanha ninguém se cansa de realçar como tem a mesma idade de Alberto Contador quando este venceu pela primeira vez o Tour e tendo em conta as parecenças, há que esperar que seja um ciclista que mexa um pouco com a apatia em que muitas vez o Tour cai. Acredita que pode ganhar e, em final de contrato, poderá em França tornar-se num ciclista ainda mais apetecível, o que significará um maior poder de negociação.

Adam Yates (Mitchelton-Scott, 26 anos)
➤ Quarta presença no Tour. Quarto classificado em 2016.
➤ Equipa: Luke Durbridge, Jack Haig, Michael Hepburn, Christopher Juul-Jensen, Daryl Impey, Matteo Trentin, Simon Yates.
A equipa apresenta-se como a melhor Mitchelton-Scott a alguma vez ir a uma grande volta. Adam apresenta-se como ciclista em boa forma e com ambição alta. Começou por ser dos gémeos aquele que se esperava ver chegar ao topo mais rapidamente, mas Simon acabou por fazer uma "ultrapassagem". Adam está a recuperar terreno e tem estado muito bem em 2019. O pódio é o mínimo que pretende. E depois há aquela curiosidade: os gémeos Yates raramente estão juntos numa grande volta, mas na última Vuelta a união foi perfeita. Adam foi um gregário de luxo para Simon. O Tour começa com papéis invertidos. São os Yates à conquista da ribalta esperada. 

Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida, 34 anos)
➤ Oitava presença no Tour. Venceu o Tour em 2014 e soma ainda cinco vitórias de etapa.
➤ Equipa: Damiano Caruso, Matej Mohoric, Ivan Garcia Cortina, Sonny Colbrelli, Dylan Teuns, Rohan Dennis, Jan Tratnik.
Deixar Nibali de fora dos favoritos simplesmente parece mal! Com a presença no Giro, há dúvidas sobre a sua condição física para França e é o próprio quem admite que só perceberá quando as primeiras dificuldades se começarem a sentir. Os anos começam a pesar no italiano, mas depois da desilusão de aparecer tão bem no Tour de 2018 e ser mandado para casa por causa de um adepto que lhe provocou uma queda grave, Nibali tem contas a ajustar com a corrida. Mesmo com Rohan Dennis a mostrar melhor forma na aproximação à prova, é de Nibali de quem se espera mais.

Outros ciclistas a ter em conta

Richie Porte merece todo o respeito, mas tem estado tão apagado que é difícil colocá-lo entre os principais favoritos. Porém, não se pode queixar da equipa, pois a Trek-Segafredo até excluiu John Degenkolb para ter todos os ciclistas a apoiar o australiano, incluindo Bauke Mollema. A ver vamos se é desta que além de uma boa condição física, também não é perseguido por azares. Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert) já é um dos ciclistas mais pretendidos do pelotão e mesmo sem uma equipa forte para a montanha, atenção a este francês, que pode fazer uma gracinha.

De Ilnur Zakarin não se sabe bem o que esperar, tanto por ser irregular, como por chegar a França com um Giro nas pernas. Será ofuscado por José Gonçalves? Rigoberto Uran tanto passa de outsider ou nem isso, para candidato, depois de um segundo lugar, como volta a cair entre as preferências. Não tem convencido esta temporada, mas a EF Education First passa a palavra que o colombiano está novamente em forma para chegar longe.

Jakob Fulgsang está num novo fôlego da carreira. Foi uma época espectacular de clássicas, com a vitória na Liège-Bastogne-Liège como grande momento. Foi depois vencer o Critérium du Dauphiné. Talvez até possa estar incluindo entre os candidatos, mas o problema do dinamarquês é que já esteve nesta posição mais forte anteriormente, mas não concretizou no Tour. Mas a Astana acredita nele.

Estará Warren Barguil de volta? A vitória nos campeonatos franceses foram um tónico importante para um ciclista que chegou a pensar terminar precocemente a carreira, perante os fracos resultados desde que se mudou para a Arkéa-Samsic. Se estiver bem, é ciclista para o espectáculo. Provavelmente mais para lutar por etapas do que para um top dez.

Ciclistas a não perder de vista
Wilco Kelderman (Sunweb), Emanuel Buchmann e Max Schachmann (Bora-Hansgrohe), David Gaudu (Groupama-FDJ), George Bennett (Jumbo-Visma) e Michael Woods (EF Education First) podem ser ciclistas que numa segunda linha, ou por falta de estatuto no próprio pelotão, ou por estarem "tapados" por líderes. Mas é melhor não perder nenhum de vista, tal como Fabio Aru (UAE Team Emirates). O italiano regressa após a operação à artéria ilíaca (na perna) e deu alguns sinais positivos, ainda que inconclusivos na Volta à Suíça e Nacionais. De Daniel Martin sabe-se que se pode esperar uma ou outra etapa e um top dez, mas a equipa quer Aru a lutar pelo pódio.

E claro, não será difícil perder de vista Julian Alaphilippe. Não irá pela geral, mas espera-se muito do francês da Deceuninck-QuickStep depois de duas vitórias de etapa e a camisola da montanha. Não referir Alaphilippe será um falha. Não é candidato à geral, mas é candidato a dar espectáculo e bem que o Tour precisa de mais ciclistas assim.

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23 de fevereiro de 2019

Momento para UAE Team Emirates ser equipa. Sky pode repetir táctica de sucesso

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A dupla subida ao Malhão tornou-se um final tradicional na Volta ao Algarve e é uma boa escolha. Tem havido espectáculo, a corrida entra praticamente sempre em aberto para na última etapa, muito porque, mesmo com diferenças simpáticas na geral, o Malhão é uma daquelas subidas curtas, mas que pode fazer mossa. Por isso mesmo, Tadej Pogacar não terá um dia nada fácil. Meio minuto de distância para a concorrência não lhe garante nada, mas irá assegurar a quem assistir à corrida mais um bom momento de ciclismo nas estradas algarvias.

Três quilómetros, com pendentes a rondar os 10%, mas que depois ainda aumentam um pouco. Na curta recta da meta da meta até se atreveria dizer que é mais fácil, não fosse o facto de depois de tanto esforço, os últimos metros também doerem e muito. Será um grande teste para Pogacar, que neste sábado, em Tavira, não evitou um corte de sete segundos no pelotão que fez com que a sua desvantagem fosse agora de 29 segundos para o segundo classificado. Mas principalmente será um teste para a UAE Team Emirates. O jovem esloveno já fez muito mais do que esperado. Com apenas 20 anos, na sua época de estreia no World Tour já venceu no Alto da Fóia. Numa equipa em que Fabio Aru estava no Algarve com responsabilidade acrescida depois de um 2018 demasiado mau para o ciclista do seu estatuto, o italiano foi mais do mesmo. Entre a queda da primeira etapa e a Fóia disse adeus à geral. Pogacar assumiu e muito bem a responsabilidade.

Aru ajudar Pogacar seria uma surpresa, pelo que Valerio Conti, Kristijan Durasak e, numa primeira fase do Malhão, talvez Simone Petilli, sejam os companheiros que mais podem ajudar o inesperado líder no Malhão. E vai precisar que esta equipa comece a funcionar como tal. Seria um bom exemplo para a restante temporada. A Sky procura a sua sexta vitória na Algarvia em oito anos e Wout Poels não quer desperdiçar outra oportunidade de ganhar. Já o fez na Volta à Comunidade Valenciana e no monumento Liège-Bastogne-Liège. Foi em 2016 e foi quando começou a falar em querer mais oportunidades e de querer liderar numa grande volta.

Entre quedas e o facto de na Sky o papel de líder estar completamente tapado para Poels, é aqui, na Volta ao Algarve que Poels pode fazer aquilo que se sabe que tem capacidade, mas que numa equipa como a britânica, as oportunidades para os gregários só surgem de quando em vez. A Sky poderá tentar repetir a táctica de 2018. Com Geraint Thomas na liderança e Michal Kwiatkowski a 19 segundos, o polaco foi para a frente, baralhando os adversários. A perseguição surgiu tarde e Kwiatkowski venceu no Malhão e a geral.

Agora é o cenário é diferente, pois é Pogacar o camisola amarela. Porém, Poels está a 30 segundos (recuperou sete) e David de la Cruz a 57. Se o espanhol for para a frente, vai obrigar a UAE Team Emirates a defender-se, mas também se pode dar o caso da Sky simplesmente impor aquele seu ritmo infernal e tentar eliminar um a um os seus adversários.

Porém, aqui poderá ficar exposta a ataques de um ciclista que tão bem os faz. As comparações entre Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Alberto Contador tem razão de ser. Sabe mexer com as corridas e pode sozinho meter em dificuldades os próprios homens da Sky. E se De la Cruz tentar escapar, Mas poderá ter um "aliado" espanhol para mexer na corrida. São 31 segundos que tem para recuperar e pode perguntar a Contador como se ganha no Malhão, pois El Pistolero venceu naquele Alto em 2010, 2014 e 2016. Zdenek Stybar, que há um ano mostrou-se no Malhão, tem 2:12 de desvantagem, o que lhe poderá valer liberdade de mexer na etapa e talvez ser muito útil ao companheiro Enric Mas.

E atenção a Soren Kragh Andersen. O ciclista da Sunweb era um outsider e meteu-se na luta depois da Fóia e principalmente do contra-relógio. Subiu agora para segundo, beneficiando dos cortes na chegada a Tavira O dinamarquês está a 29 segundos e também esta equipa poderá jogar outro ciclista na frente. Sam Oomen tem 1:28 minutos e não pode ser menosprezado se tentar escapar ao grupo da frente.  No entanto, o holandês desperdiçou 20 segundos ao ser sancionado este sábado por ter ficado demasiado tempo atrás do carro, para recuperar o lugar no pelotão. No top dez está ainda Marc Hirschi, o campeão mundial de sub-23, a 2:35, e mais um para a Sunweb poder jogar tacticamente.

Ou seja, a UAE Team Emirates ver-se-á na contingência de ter de ou responder a todos os ataques, ou ter de escolher as suas lutas e esperar que mais alguém ajude. Uma etapa muito táctica à espera dos ciclistas.

Todos os restantes corredores estão a mais de dois minutos, difíceis de recuperar, mas no Malhão nada é impossível. Haverá quem vá à procura da vitória de etapa. O destaque irá para Amaro Antunes (CCC). O homem da casa terá uma mancha laranja a apoiá-lo na subida que conquistou em 2017. Tem 2:36 para recuperar. O algarvio esteve envolvido na queda na primeira etapa e perdeu mais tempo no contra-relógio, recuperando em Tavira nove segundos. Talvez a geral seja pedir de mais, ainda que não seja de atirar a toalha ao chão. Mas estará lá para tentar ser o rei do Malhão, um top dez e a camisola da montanha (é segundo com menos dois pontos que Pogacar).

Há outros portugueses que conhecem todos os centímetros do Malhão. João Rodrigues é outro algarvio em destaque. Está a 3:21, na 17ª posição, é o melhor da W52-FC Porto naquele que poderá ser o ano da sua afirmação com um papel de maior destaque dentro da equipa Profissional Continental. Se ver o João Rodrigues tentar estar na frente não será uma surpresa, ver Tiago Machado a dar o tudo por tudo é mais do que esperado. Entre a queda e falta de pernas, o ciclista do Sporting-Tavira rapidamente claudicou qualquer hipótese de um bom resultado na geral. É 32º, a 6:57. Porém, o famalicense adoptou o Algarve como um dos seus locais de treino de eleição, pelo que o Malhão também não tem segredos para ele.

Não escondeu alguma frustração por não estar a conseguir realizar uma corrida como desejaria, pelo que sobra-lhe o Malhão para tentar ganhar pela primeira vez pela nova equipa, neste seu regresso a Portugal.

Quinta e última etapa: Faro – Malhão, 173,5 quilómetros



Groenewegen segue guião quase à risca

Depois de uma etapa ao sprint em que uma queda marcou desde logo a Volta ao Algarve, a sete quilómetros de Lagos, desta feita o guião foi seguido à risca. Houve uma fuga, com mais uma vez as equipas portuguesas a aproveitarem para se destacar - Efapel e LA Alumínios-LA Sport têm andado particularmente activas -, o pelotão apanhou os ciclistas da frente, mais um ou outro tentou escapar e tudo terminou ao sprint, com todos os candidatos presentes. Dylan Groenewegen ainda se desviou do guião ao ter um problema mecânico que o obrigou a uma recuperação, mas nada que lhe tirasse a força para triunfar novamente em Tavira.

O holandês da Jumbo-Visma foi o mais forte após 198,3 quilómetros que começaram em Albufeira. Foi a sua segunda vitória do ano em duas corridas e a terceira na Volta ao Algarve. Há um ano tinha também ganho em Lagos. Groenewegen cumpriu o que se esperava, já Arnaud Démare somou outro segundo lugar, depois de ter perdido para Fabio Jakobsen (Deceuninck-Quick-Step) em Lagos. Ainda assim, o francês da Groupama-FDJ subiu ao pódio para vestir a camisola vermelha dos pontos.

O melhor português da quarta etapa da 45ª edição da Volta ao Algarve foi Samuel Caldeira, o sprinter da W52-FC Porto, que terminou no 15º lugar.

Classificações após a quarta etapa, via ProCyclingStats.

»»Pogacar sabe defender-se no conta-relógio. Mas Küng é rei««

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20 de fevereiro de 2019

Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen em vantagem no dia de subir à Fóia

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Volta ao Algarve terá um novo vencedor. Isso é certo. E não faltam candidatos a continuar um historial invejável. A Alberto Contador, Tony Martin, Richie Porte, Geraint Thomas, Primoz Roglic e Michal Kwiatkowski podem suceder Fabio Aru e Enric Mas, por exemplo. São os cabeças de cartaz, pois afinal o primeiro é o vencedor de uma grande volta e o segundo fez pódio no ano passado. Ambos brilharam na Vuelta. Mas a Algarvia dificilmente se fará de apenas estes dois corredores. Há um conjunto de jovens que podem bem aproveitar a oportunidade para começarem a habituarem-se a ganhar. E depois houve uma queda logo na primeira etapa, perto da meta em Lagos, que fez com que já haja diferenças de tempo, ainda antes da chegada da montanha.

Esta quinta-feira, o Alto da Fóia fará a primeira arrumação na geral. E falando precisamente de jovens, Sam Oomen (23 anos) foi o melhor nesta classificação da Algarvia em 2018, no que foi um ponto de partida para uma temporada muito convincente, com destaque para o excelente trabalho no Giro para Tom Dumoulin e o nono lugar na geral. Este holandês é dos que mais promete da nova geração.

Depois há Tao Geoghegan Hart (23), mas perdeu quase sete minutos, pelo que o experiente Wout Poels é quem ficou em boa posição de continuar o legado da Sky na Algarvia. Em 2016 venceu a Volta à Comunidade Valenciana e depois o monumento Liège-Bastogne-Liège. Não se conseguiu afirmar como líder como queria, mas aqui está uma oportunidade para este excelente ciclista, que sabe ser mais do que um gregário de luxo. 

Voltando aos jovens. Tadej Pogacar é um nome a não esquecer. A Eslovénia está a tornar-se numa escola cada vez mais interessante de ciclistas e este é mais um que cedo agarrou a atenção da UAE Team Emirates. Tem apenas 20 anos, venceu a Volta a França do Futuro, mas ainda antes a equipa já tinha garantido que o esloveno vestiria as suas cores em 2019. Com Aru na equipa, se a ambição do italiano for finalmente regressar às vitórias, Pogacar poderá ter de se sacrificar, no entanto, não perdeu tempo na chegada a Lagos ao contrário do companheiro, o que poderá deixá-lo com alguma liberdade.

Falando então de Fabio Aru. O seu último triunfo foi a 5 de Julho de 2018, na quinta etapa da Volta a França. E que grande vitória foi em La Planche des Belles Filles. Saiu da Astana, com quem venceu a Vuelta em 2015. Porém, o Aru daquele ano pouco tem aparecido desde então e na UAE Team Emirates nem a sombra do ciclista se tem visto. O italiano está obrigado a obter resultados em 2019, tendo escolhido o Algarve como a sua primeira prova por etapas do ano. Aru está obrigado a estar na luta, já para não dizer que está obrigado a ganhar. Mas não começou bem no Algarve e tem 1:05 de desvantagem. 

Enric Mas tem tudo para ser o grande favorito. Este espanhol da Deceuninck-QuickStep que parece que nada nem ninguém lhe perturba o sorriso e a quem chamam de o novo Contador - que até o quer na sua equipa -, tem como objectivo o Tour, pelo que a sua forma e mesmo mentalidade na Algarvia serão bem diferentes de Aru, que está a pensar no Giro. Porém, Mas adora desfrutar de todas as corridas que faz e a Fóia vai determinar se estará ou não na luta pela amarela. Se se sentir bem, não é ciclista para desaproveitar uma oportunidade para ganhar. E Enric Mas sabe o que é vencer em Portugal. Em 2016 conquistou a Volta ao Alentejo, então na Klein Constantia.

Mas há mais. Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe) foi sétimo no Giro do ano passado e já está de olhos postos na próxima edição da grande volta italiana. Já tem 4:11 minutos para recuperar. Não terá missão nada fácil. Talvez pense mais num top 10 ou numa etapa. O russo Sergei Chernetski deixou a Astana, depois de uma passagem pela Katusha e está agora numa Caja Rural que quer com ele disputar mais provas. O 1:35 perdidos, não devem assustar em demasia. Simon Spilak, da Katusha-Alpecin, é um ciclista que a equipa aponta a este tipo de corridas por etapas mais curtas e ficou a "apenas" 1:05. Os companheiros portugueses estão a mais de três e seis minutos, respectivamente, o que deverá deixar Ruben Guerreiro e José Gonçalves a pensar mais numa etapa.

E claro. Amaro Antunes. Líder da CCC, a preparar a sua primeira grande volta, o Giro, naquela que é a época de estreia no World Tour. Homem da casa, vencedor no Malhão há dois anos, começou 2019 na Volta à Comunidade Valenciana com um 28º lugar, mas é difícil imaginar um Amaro Antunes que não esteja a pensar em mais um brilharete na "sua" Algarvia, depois de a ter falhado em 2018 por a equipa, então Profissional Continental, não ter conseguido um convite. Contudo, aquele 1:35 de desvantagem para Enric Mas, Wout Poels e Sam Oomen, não o deixaram nada satisfeito. Mas se há alguém que conhece como correr no Algarve é, naturalmente, ele.

Estes são os candidatos, digamos, mais óbvios, mas há espaço para surpresas. Gianluca Brambilla (Trek-Segafredo), José Herrada (Cofidis), Ben King (Dimension Data) - vencedor da camisola da montanha no Algarve há um ano -, Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) podem muito bem aparecer, numa corrida que se apresenta aberta, mas que a Fóia poderá ajudar a definir. Só Hagen chegou no grupo do vencedor da etapa, Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep), mas os outros perderam menos de dois minutos.

Segunda etapa: Almodôvar – Alto da Fóia, 187,4 quilómetros



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16 de fevereiro de 2019

Contador sonha em contratar... o novo Contador

(Fotografia: Facebook Alberto Contador)
Alberto Contador sonha alto. Agora com a sua equipa. Com mais tempo para dedicar à Kometa apesar de não querer assumir a função de director desportivo, El Pistolero quer disparar rumo ao topo do ciclismo e já escolheu quem gostaria de ver como a figura do seu projecto. Há sete anos começou como um formação com uma equipa juvenil, tem actualmente uma de nível Continental, mas já está a preparar-se para tentar subir ainda mais. E Contador não faz por menos, quer saltar para o World Tour e garantir que Enric Mas seja o seu líder.

O antigo ciclista realçou que a infraestrutura já está preparada para que a equipa seja do principal escalão. Contudo, falta dinheiro, ou seja, um patrocinador forte, ou mais, que se junte aos que já tornam realidade esta equipa, que conta com o ciclista português Daniel Viegas. "Os nossos sonhos transformar-se-iam em realidade, mas sem estar obcecado. O nosso projecto centra-se na formação de jovens", salientou Contador ao As. Este é um ponto que o espanhol garante que será sempre fulcral na estrutura criada através da sua fundação. A formação de jovens para o ciclismo é para continuar como base essencial. Enric Mas passou por ela, o que dá ainda maior significado a este desejo do antigo corredor.

Não é feito segredo quanto ao "namoro" com Mas e até o irmão do ex-ciclista, Fran Contador, também envolvido na Kometa, já fala nesta ambição de ver o corredor espanhol de novo na estrutura. Aos 24 anos, Mas já tem um pódio na Vuelta e vai pela primeira vez ao Tour. Muito se fala que tem a mesma idade de Contador quando este venceu a sua primeira Volta a França e o ciclista não esconde a ambição de tentar lutar por um bom resultado, mesmo nunca tendo estado na corrida.

Os elogios a Mas têm sido mais do que muitos por parte de Alberto Contador e intensificarem-se depois da excelente prestação na Vuelta. Sempre que pôde, deu o seu apoio presencialmente a Enric Mas. Uma das qualidades que mais aprecia no ciclista é o facto de se motivar quanto maior for a pressão. E claro, as parecenças estão lá, com Mas a gostar de mexer nas corridas, tal como Contador, por exemplo. Não é em vão que o apelidam de o novo Contador. O facto de Mas estar em final de contrato com a Deceuninck-QuickStep faz com que seja difícil ignorar a tentativa de "chamamento". Porém, a missão não será nada fácil.

Com Espanha a ter apenas uma equipa no World Tour, a Movistar, para a Kometa atingir esse nível teria de aumentar substancialmente o seu orçamento. Como Continental, em apenas um ano colocou dois ciclistas em equipas do principal escalão: Kevin Inkelaar foi para a Groupama-FDJ e Matteo Moschetti assinou pela Trek-Segafredo, última equipa que Contador representou. A ligação à formação americana mantém-se, já que a Kometa acaba por funcionar como escola de formação da estrutura World Tour.

A Deceuninck-QuickStep renovou este mês com Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen, mas, até ao momento, de Enric Mas não há noticías. Os pretendentes são muitos e uma boa prestação no Tour poderá dar-lhe um poder negocial bem mais interessante. Patrick Lefevere já se comprometeu a reforçar a equipa para ajudar mais Mas nas grandes voltas, já que a formação belga é mais forte no sprint e clássicas. Isto se Mas renovar.

O espanhol é um dos ciclistas em ascensão no pelotão internacional. Alberto Contador ambiciona ver sua equipa ao mais alto nível e como seria perfeito começar com um dos ciclistas que lá se formou. No ciclismo as surpresas acontecem, mas o que não será surpresa nenhuma será ver Enric Mas tornar-se num dos principais voltistas, que continuará o legado espanhol na modalidade. Tanto receio houve que não haveria uma geração para continuar o sucesso dos nomes mais recentes - Alberto Contador, Joaquim Rodríguez e Alejandro Valverde - e eis que os novos ciclistas começam a afirmar, com Marc Soler a juntar-se no topo dessa lista a Enric Mas.

E a partir desta quarta-feira, Mas será uma das várias estrelas do pelotão a competir na Volta ao Algarve, onde irá arrancar a sua temporada, com o pensamento centrado na Volta a França.

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15 de janeiro de 2019

Como a Sky e a Movistar vão ajudar Enric Mas no Tour

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Deceuninck-Quick Step)
Enric Mas tem sido muito falado neste início de 2019 e ainda nem começou a sua época. O seu discurso desde o final do ano passado tem contribuído para toda esta atenção, afinal não se coíbe de dizer que vai à Volta a França para a ganhar. Tem todo o apoio do seu director Patrick Lefevere. Já não vai ter tanto apoio da restante equipa, que será novamente formada mais a pensar para conquistar etapas. Contudo, Lefevere considera que o espanhol não precisa de apoio, apenas da Sky e da Movistar e de boas pernas. Caso renove contrato, ficou a garantia que então serão contratados ciclistas para o ajudar.

Depois de duas Vueltas, a última com um brilhante segundo lugar e uma etapa, Enric Mas não quis pensar em ir ao Giro, mas sim dar já o salto para o Tour. Bob Jungels irá regressar a Itália abrindo a vaga de líder para a geral em França, com Mas a ter então estreia marcada. Chamam-lhe o novo Contador, pelo seu estilo idêntico, a sua inteligência táctica e também ajuda ter passado pela equipa do antigo ciclista durante a sua formação. No início não lhe agradou a comparação. Agora já a ouve como forma de motivação e não de pressão. Até Lefevere referiu-se recentemente a Mas como o novo Contador!

E claro que em Espanha não passa despercebido o facto de Mas ter 24 anos, os mesmos que tinha Contador quando venceu o primeiro dos seus dois Tours. A diferença é que El Pistolero fez a estreia na prova no ano antes. "Vou lá para conhecer a corrida. Vamos ver o que acontece", disse recentemente na apresentação da Deceuninck-Quick Step, o novo nome da Quick-Step Floors. Mas também afirmou: "Pessoalmente, quero ganhá-la."

Enric Mas era um dos nomes que surgia como esperança espanhola, numa altura em que no país havia um temor que com a saída de cena da geração de Contador, Joaquim Rodríguez e Alejandro Valverde (este último ainda de pedra e cal no pelotão aos 38 anos), não haveriam substitutos à altura. Afinal há e prometem.

O jovem ciclista não tem dúvidas que a equipa belga foi a melhor opção para entrar no pelotão, em vez de estruturas como uma Sky ou Movistar, mais propensas a ciclistas com as características de Mas. A Deceuninck-Quick Step é uma equipa de clássicas e sprints, mas Enric Mas acredita que se tivesse assinado pela Sky ou Movistar, não teria recebido as oportunidades que teve. "Se calhar nem teria feito uma grande volta", afirmou. No entanto, são precisamente estas duas equipas que Lefevere acredita que podem ajudar Enric Mas no Tour. Talvez até a mesmo até o colocar numa situação de luta pela camisola amarela.

"Não o temos de ajudar este ano. A Sky e a Movistar vão ajudar. Elas controlam a corrida e nós ficamos na roda. Se as pernas estiverem lá para as bater, vamos batê-las." Até parece simples! Mas há mais: "Vocês vêem o que acontece no Tour. Há sempre um ciclista que controla a corrida até a poucos quilómetros da meta. Então o [Chris] Froome tenta atacar e se não consegue, então ataca o [Geraint] Thomas. É a mesma história com a Movistar, tentam sempre bloquear a corrida. Bem, quanto mais bloquearem a corrida, melhor para o Enric Mas."

Está definida a táctica. Naturalmente que se podem colocar logo questões como, se Mas vestir a amarela, como a defenderá sozinho? Ou a equipa então tentará ajudar mais? Julian Alaphilippe sacrificaria as suas ambições para estar ao lado de Mas se fosse necessário? Falta mais de meio ano para o Tour e certo é que Mas não está nada intimidado por ser a sua estreia, por saber que a sua equipa irá apoiar mais Elia Viviani nos sprints e por saber que Alaphilippe irá tentar repetir a fantástica exibição de 2018 (duas etapas e a camisola da montanha). Enric Mas quer fazer frente à Sky, à Movistar ou a quem se apresente para lutar pelo Tour e a táctica de Lefevere é mais do que lógica para quem não tem gregários para rodear Mas.

Tal como Contador, este espanhol também dispara ambição de vencer. E o ciclista que marcou uma era no ciclismo tem no seu historial exibições em que praticamente sozinho alcançou grandes feitos e venceu grandes voltas. Na sua última, o Giro de 2015, deixou uma Astana muito frustrada. A equipa atacou de todas as formas com Fabio Aru e Mikel Landa e talvez só um ciclista como Contador pudesse aguentar o que aguentou e triunfar como triunfou. Porém, mesmo apesar de todas as comparações e reais parecenças, deixemos Mas escrever a sua própria história.

No seu último ano de contrato, Enric Mas - que começará a época na Volta ao Algarve - será um dos ciclistas mais pretendido. Em duas temporadas no World Tour confirmou que tem talento para alcançar muito sucesso, que até já tem uma marca portuguesa. Em 2016, como corredor da Klein Constantia, Mas venceu a Volta ao Alentejo.

O espanhol não fecha a porta em continuar na Deceuninck-Quick Step, depois de ter recusado quebrar contrato. Apesar de Lefevere ter autorizado os seus ciclistas a ouvirem propostas, perante a demora em encontrar um novo patrocinador principal, Mas manteve-se leal. "Recebi propostas, mas se tens contrato...", disse. Uma escolha diferente de Fernando Gaviria, que acabou por sair para a UAE Team Emirates. Enric Mas admitiu mesmo quer como que agradecer a oportunidade que a equipa belga lhe deu na carreira e quer mesmo fazê-lo com uma Volta a França para recordar.

Para não se ter dúvidas do tipo de atleta que Enric Mas é, há que recordar uma frase que disse após o surpreendente segundo lugar na Vuelta, a 1:46 minutos de Simon Yates (Mitchelton-Scott): "Motiva-me a responsabilidade que aí vem."