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1 de fevereiro de 2021

União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Gustavo Veloso está há cinco anos a tentar uma muito desejada conquista da sua terceira Volta a Portugal. Em Tavira suspira-se por uma vitória nessa corrida há mais tempo. O último a vencer foi Ricardo Mestre, em 2011. A equipa algarvia bem tem tentado encontrar forma de colocar o seu líder no topo do pódio. Esteve perto com Joni Brandão e Frederico Figueiredo mais recentemente. Veloso, desde que Rui Vinhas o bateu em 2016, que tem de viver com uma concorrência interna, onde há sempre alguém pronto a ser líder e a obrigar o espanhol a ficar em segundo plano. 2020 foi a gota de água. Apesar da boa forma, a W52-FC Porto concentrou-se em Amaro Antunes. Veloso adiou a reforma e assinou por uma equipa do Tavira que estará totalmente à sua disposição.

Vinhas, um gregário por excelência, surpreendeu em 2016, é certo. A partir de então Veloso ou não esteve no seu melhor, ou a escolha de líder acabou por ser outra. Com 40 anos, apresentou-se fortíssimo na última Volta a Portugal, sendo mais uma vez segundo, atrás de um companheiro de equipa. Agora com já com 41, celebrados a 29 de Janeiro, prepara-se para a que deverá ser a sua derradeira tentativa. Despedir-se de uma longa carreira em tempo de pandemia, com tão poucas corridas realizadas na época passada e depois de estado tão bem na Volta, não parecia bem. Por isso, adiou a reforma por uma época, mas era necessário mudar de ares.

A Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel espera que as ganas de ganhar e a boa forma que Veloso apresentou em 2020 persistam este ano. Apesar de Frederico Figueiredo demonstrar na primeira época em que não teve concorrência pela liderança que poderia ser uma boa aposta, o ciclista mudou-se para a Efapel, o que ajuda a que não haja questões de quem é o número um na formação algarvia. E é mesmo isso que Veloso quer.

Uma das curiosidades será o reencontro com Alejandro Marque. O primeiro dissabor numa Volta a Portugal foi em 2013. Ambos estavam na OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto), quando Marque venceu a Volta, batendo Veloso, por apenas quatro segundos. Nos dois anos seguintes, Veloso venceria, já sem Marque como colega de equipa.

Marque é mais um veterano no pelotão nacional, completando 40 anos em Outubro. Apesar de manter a ambição de querer lutar por vitórias, de temporada para temporada as suas exibições têm ficado cada vez mais longe do que é necessário para disputar a corrida mais desejada, apesar das boas classificações finais, com top 10 ou top 15.

Volvidos oito anos irá Marque dar uma preciosa ajuda para Veloso vencer a Volta? A necessidade de um bom braço-direito na montanha é crucial para tentar fazer frente à W52-FC Porto. Veloso mais do que ninguém, sabe disso.

Este conhecimento poderá ser muito importante na forma como a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel enfrentará essa corrida. Afinal, Veloso tem um conhecimento profundo de como a equipa rival se prepara tacticamente. No entanto, o director Vidal Fitas também irá precisar de um Aleksandr Grigorev e de Alvaro Trueba a grande nível. São dois ciclistas que cumprem a bem a missão de gregário e em quem o responsável confia, mas que cedem cedo na montanha.

E aqui entrará Emanuel Duarte. O melhor jovem da Volta em 2019 e vencedor da Volta a Portugal do Futuro nesse mesmo ano, deixa a LA Alumínios-LA Sport para continuar a sua progressão numa das principais estruturas do pelotão nacional. Com Veloso a ser uma solução de curta duração, Duarte terá a possibilidade de evoluir em 2021, sempre com os olhos postos em bons resultados, claro, e mais tarde assumir-se ele próprio com um papel de maior destaque. É uma aposta de futuro.

Assim como Rafael Lourenço (23 anos), ainda que com objectivos diferentes. Estreou-se como profissional no Sporting-Tavira em 2016, mas na temporada seguinte mudou-se para a formação de Oliveira de Azeméis (actual Kelly-Simoldes-UDO), na qual evoluiu as suas qualidades de sprinter. Será um reencontro com César Martingil. Ambos são muito lutadores e podem ser solução para tentar conquistar vitórias ao longo do ano e não apenas a pensar na Volta.

O espanhol Samuel Blanco (26) está de regresso a Portugal - representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a Liberty Seguros, no final da época de 2018, tendo sido companheiro de Lourenço e Martingil -, sendo mais um homem rápido para o plantel do Tavira.

Quatro reforços com ambição, enquanto entre as permanências está um Rúben Simão que vai continuar o seu trabalho de evolução (tem apenas 20 anos) e estão ainda mais dois ciclistas da total confiança de Vidal Fitas. Valter Pereira (30 anos) tem feito a sua carreira no Tavira, tal como David Livramento (37), um dos corredores mais respeitados do pelotão nacional. São ambos gregários, trepadores e que poderão fazer parte de um grupo muito experiente na ajuda a Veloso.

É o tudo por tudo do espanhol para ganhar novamente a Volta antes de colocar um ponto final na carreira, com a histórica formação do Tavira à procura de maior glória, que há tanto tempo lhe escapa. Aposta forte nessa corrida, mas a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel tem um plantel que poderá conquistar outros triunfos relevantes durante a temporada, principalmente entre os ciclistas mais jovens, ambiciosos e sempre prontos a mostrar o que valem.

Permanências: Alejandro Marque, Aleksandr Grigorev, Alvaro Trueba, César Martingil, David Livramento, Rúben Simão, Valter Pereira.

Reforços: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport), Gustavo Veloso (W52-FC Porto), Rafael Lourenço (Kelly-Simoldes-UDO), Samuel Blanco (Super Froiz).

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

»»Nova era no Louletano-Loulé Concelho««

4 de outubro de 2020

Amaro Antunes mais perto da vitória, mas ainda há uma ameaça

© João Fonseca Photographer
O contra-relógio vai mesmo decidir tudo. Nenhum dos candidatos quis aproveitar a Arrábida para, pelo menos, encurtar distâncias. Amaro Antunes está bem encaminhado para conquistar a Volta a Portugal, mas será que um certo ciclista vai deixar? Frederico Figueiredo vai tentar, mas o especialista e maior ameaça até é Gustavo Veloso, colega de Amaro na W52-FC Porto. Estando cada um por si, o espanhol não vai "levantar o pé".

1:13 separa Gustavo de Amaro, com Frederico Figueiredo a 13 segundos. O problema para o líder da Atum General-Tavira- Maria Nova Hotel é que o contra-relógio é o seu calcanhar de Aquiles. Por mais que vá tentar, manter o lugar no pódio será um objectivo. Amaro Antunes também está longe de ser forte nesta especialidade, o que faz com que a sua maior preocupação seja quem está a mais de um minuto.

Para Veloso, a estrada decidirá o mais forte. No prólogo, que venceu, deixou Amaro Antunes a 32 segundos em apenas sete quilómetros. Em Lisboa, esta segunda-feira, serão 17,7 quilómetros, em terreno plano e com empedrado. Veloso, além de ser melhor contra-relogista, está num terreno que o beneficia.

É quase um déjà vu. Em 2016, também Veloso tentou tirar a camisola amarela ao colega Rui Vinhas. Não conseguiu. Anda desde esse ano à procura da terceira vitória na Volta e aos 40 de idade não está longe. Porém, apesar do prólogo não ter sido o melhor para Amaro, as circunstâncias são outras neste último dia. Certamente que, como aconteceu com Vinhas, a motivação de Amaro estará em alta. Já foi segundo em 2017, agora pode vencer uma corrida que, mesmo quando foi para a CCC durante dois anos, nunca escondeu que queria ganhar.

Numa Volta a Portugal que se resumiu muito à etapa da Senhora da Graça, a W52-FC Porto fez o que tem feito há oito anos. Domina e até tem novamente dois ciclistas que podem ganhar.

© João Fonseca Photographer
A Efapel abdicou de um ataque de Joni Brandão na Arrábida, que provavelmente pouco resultado teria, para levar António Carvalho a uma vitória de etapa que merecia. O ciclista apresentou-se forte desde o início da corrida, mas acabou a sacrificar-se por Brandão. A Efapel perdeu a Volta na Senhora da Graça e ainda não foi desta que conseguiu contrariar a W52-FC Porto, mas Carvalho, um antigo ciclista da equipa do Sobrado, foi a Setúbal conquistar a etapa, ele que em 2019 havia vencido na Senhora da Graça. 
Não se pode dizer que serve de compensação para a equipa, mas sim de prémio para o ciclista.

Entre a Ribeira das Naus e a Praça do Comércio, a Volta chegará ao fim, com pouco para contar, mas ainda com Veloso a querer reescrever uma história que Amaro espera estar perto de ter um final feliz e assim levar a taça novamente para o Algarve, tal como João Rodrigues em 2019.

De salientar que na última etapa em linha (Loures-Setúbal, 161 quilómetros), Luís Gomes foi para a fuga, somando mais do que os pontos que precisava para garantir a camisola vermelha. Só um o separava de Daniel McLay (Arkéa Samsic), mas o britânico já estava satisfeito com as duas vitórias de etapa. Para a Kelly-Simoldes-UDO é mais um objectivo alcançado, depois do mesmo ciclista ter ganho a tirada que terminou no Alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tinha garantida a camisola da montanha, numa conquista muito importante para um jovem de apenas 23 anos.

Classificações completas, via FirstCycling.




3 de outubro de 2020

Uma segunda categoria para uma última tentativa

© João Fonseca Photographer
A Arrábida é a última oportunidade de montanha para quem procura um derradeiro ataque à camisola amarela na Volta a Portugal. São apenas 6,5 quilómetros, com a meta a ficar a menos de 20 quilómetros. Para Amaro Antunes e a W52-FC Porto será preciso atenção para evitar percalços, pois não é uma subida que cause problemas ao camisola amarela, mesmo que Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) esteja a apenas 13 segundos.

A Volta a Portugal aproxima-se de Lisboa, onde segunda-feira haverá o contra-relógio final. Em Torres Vedras, a história da etapa resumiu-se ao sprint final, mas entre Loures e Setúbal, a Arrábida será uma última dificuldade. Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tem a camisola da montanha segura, pelo que o maior interesse estará em perceber se haverá uma derradeira tentativa de reduzir vantagens na geral.

João Benta (Rádio Popular-Boavista) está a 1:27 e Joni Brandão (Efapel) a 1:37. A missão tem contornos de impossível, mas será que alguém já atirou a toalha ao chão? A distância é grande e o objectivo poderá passar mais por tentar a presença no pódio.

No último degrau está Gustavo Veloso, companheiro de Amaro Antunes, a 1:13. É um ciclista forte no contra-relógio e que mostrou que aos 40 anos ao vencer o pódio, não pode ser afastado da luta quando, em Lisboa, será uma etapa de cada um por si.




Mas antes haverá Loures-Setúbal este domingo. 165 quilómetros para cumprir. É uma tirada ao jeito de ciclistas como Daniel Mestre (W52-FC Porto) ou Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), que está a realizar uma excelente corrida. Mas atenção a Luís Gomes. O corredor da Kelly-Simoldes-UDO perdeu a camisola vermelha dos pontos por apenas um, para o britânico Daniel McLay (Arkéa Samsic), que em Torres Vedras alcançou a segunda vitória consecutiva.

© João Fonseca Photographer
A etapa deste domingo assenta melhor a Luís Gomes, devido à segunda categoria. Tudo dependerá se McLay consegue e estará interessado em manter a camisola vermelha, cujo vencedor fica decidido na sétima etapa.

A homenagem

Em Torres Vedras é obrigatória a paragem junto à estátua de Joaquim Agostinho. A tirada que percorreu a zona Oeste (155 quilómetros que começaram na Caldas da Rainha), foi uma de homenagem ao ciclista, pois há 50 anos venceu a sua primeira Volta a Portugal, de três. A esposa de Agostinho esteve no pódio final e recebeu uma das maiores ovações do dia.

Classificações completas, via FirstCycling.


1 de outubro de 2020

Dia de Joni Brandão mas nem o frio quebrou Amaro Antunes

© João Fonseca Photographer
Era necessário responder à W52-FC Porto depois do mau dia na Senhora da Graça. A Efapel não teve muito tempo para ponderar uma táctica que recolocasse Joni Brandão mais próximo, pois apenas dois dias separaram as duas etapas mais importantes. Não haveria outra hipótese senão atacar. A questão era quando e como preparar essa movimentação. António Carvalho juntou-se ao companheiro para, à vez, tentar quebrar uma W52-FC Porto que teve João Rodrigues como elemento essencial na protecção a Amaro Antunes.

Sem grande surpresa, as decisões entre os candidatos ficaram para a subida final, os 20 quilómetros da única categoria especial da Volta a Portugal, depois das Penhas Douradas (segunda categoria) e Sarzedo (terceira). Nos 148 quilómetros que começaram na Guarda, Frederico Figueiredo não pode ficar em segundo plano. Repetiu a boa exibição, da Senhora da Graça. E se a amarela ficou mais difícil, pois Amaro não falhou, o ciclista da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel mantém-se no segundo lugar.


Mas o dia pertence a Joni Brandão. A tentativa de ganhar mais tempo não resultou, foram apenas três segundos. Porém, ganhar na Torre é sempre especial e para a equipa teve ainda outro significado. Luís Mendonça saiu da Volta devido ao estado de saúde do pai e a Efapel queria dedicar uma etapa ao ciclista. Com o frio (e estava mesmo muito frio na Torre, com a cerimónia do pódio a ser adiada para esta sexta-feira antes do arranque da etapa), com o vento forte, nevoeiro, foi daqueles dias que marcam uma corrida e certamente marcará a carreira de Brandão.

© João Fonseca Photographer
Porém, ganhar a Volta está muito complicado depois da Senhora da Graça. A Efapel é colectivamente a equipa que mais se aproxima da W52-FC Porto, mas nesta luta particular e apesar dos ataques e contra-ataques, é mais um ano em que a equipa azul e branca tem sempre solução para anular os rivais. O vencedor da Volta de 2019 é desta feita o gregário que fez Amaro ficar perto da conquista final. Nem com dois ciclistas a Efapel conseguiu quebrar a W52-FC Porto, que está novamente a dominar e, mesmo com algarvio de amarelo, continua a ter outra possível aposta.

Gustavo Veloso tem estado muito bem. Já sofreu uma grande derrota na Torre, mas desta feita, terminou junto de Amaro Antunes e com 1:13 de desvantagem para o companheiro, o facto de ser mais forte no contra-relógio, não é ciclista para se afastar da luta pela vitória. Afinal, não será inédito ver dois atletas da W52-FC Porto lutarem pela conquista da Volta.

Lisboa 2016. Veloso tentou tirar a amarela a Rui Vinhas, que fez o contra-relógio de uma vida para conseguir uma vitória surpreendente, para quem tinha o papel de gregário. 2020 marca o regresso à capital, com mais um final em contra-relógio.

Com três etapas em linha antes, já não haverá alta montanha para Frederico Figueiredo (está a 13 segundos) e Joni Brandão (a 1:17 minutos). Há que mudar a táctica, pois tanto na tirada de sexta-feira (ver em baixo), como na de sábado, que termina em Torres Vedras, o terreno e o possível vento, pode ainda mexer com a corrida.

© João Fonseca Photographer
De certa forma, começa uma outra Volta, com Rúben Pereira e Vidal Fitas, directores desportivos da Efapel e Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, respectivamente, a terem de repensar estratégias. E se querem ainda atacar a amarela, há que arriscar, há que tentar algo. No contra-relógio estes dois ciclistas e Amaro são muito idênticos, não sendo a especialidade de nenhum, ao contrário de Veloso (está a 1:13).

Amaro está bem encaminhado para a sua primeira Volta a Portugal, oitava consecutiva da equipa, mas ainda não é tempo de celebrar. A W52-FC Porto vai continuar o seu trabalho de controlo, mas sabe que não terá dias de descanso até ao contra-relógio.

Classificações completas, via FirstCycling. António Carvalho foi penalizado em 20 segundos por ter recebido abastecimento dentro dos 10 quilómetros finais. Mais penalizações poderão ser conhecidas amanhã, com os comissários a estarem a rever imagens para perceber se mais alguém desrespeitou o regulamento.

As camisolas mantiveram-se em Luís Gomes (pontos), Hugo Nunes (montanha), Simon Carr (juventude) e a W52-FC Porto lidera colectivamente.

5ª etapa: Oliveira do Hospital – Águeda, 176,3 quilómetros



É dia de regressar à capital das bicicletas. Desde 2001 que Águeda não recebe a corrida, então com italiano Salvatore Commesso a ganhar. O Grande Prémio Abimota tem esta cidade como palco e se recuarmos a 2007, no Grande Prémio CTT Correios de Portugal, temos um ciclista vencedor em Águeda e que agora está na caravana como director desportivo da Nippo Delko One Provence: José Azevedo.

Azevedo não era sprinter, mas esta sexta-feira, a expectativa é de uma chegada para os homens mais rápidos, que saíram frustrados de Viseu. Oier Lazkano (Caja Rural) conseguiu manter-se isolado à frente do pelotão, numa etapa que teve mais dificuldades do que terá a desta quinta-feira.

Celavisa e Espinheira são duas quartas categorias e apesar de algum sobe e desce na primeira metade da etapa, os últimos 70 quilómetros serão maioritariamente planos.

»»Uma Torre de gelo à espera««

»»Amaro está de volta««

30 de setembro de 2020

Uma Torre de gelo à espera pelotão

© João Fonseca Photographer
A Torre lá estará, a 1993 metros de altitude, com temperaturas entre os quatro e seis graus! Sensação térmica de -1, dados do Instituto Português do Mar e Atmosfera. Não parece que será uma etapa da Volta a Portugal e nem será apenas por falta de público devido às restrições de pandemia. Será mesmo porque o habitual é a preocupação com um eventual calor a mais. Esta quinta-feira estará muito frio, num cenário a que o pelotão nacional não está acostumado enfrentar quando tem de enfrentar a sempre difícil subida à Torre.

E se subir ao ponto mais alto de Portugal Continental nunca é fácil, a escolha para a Edição Especial foi pelo lado da Covilhã, considerado o mais exigente. Vai ser um dia imprevisível muito devido às condições atmosféricas, pois não só está em causa a forma física, como também quem se adaptará melhor ao muito frio.

São contingências de uma Volta adiada para esta altura do ano e que terão entrar nas contas das equipas, que sabem que os seus líderes estão proibidos de falhar se querem estar na luta pela camisola amarela, ou pelo pódio, ou dependendo dos objectivos traçados. Fazer uma táctica resultar, não será fácil.

A etapa

A quarta etapa será a mais curta em linha - 148 quilómetros -, mas também a rainha. Afinal, a Torre é a única categoria especial a entrar no percurso, com os seus cerca de 20 quilómetros de extensão, com pendentes médias a rondar os cinco/seis por cento. Até lá, o pelotão terá as Penhas Douradas (segunda categoria) e Sarzedo (terceira), mas a expectativa é que os ataques decisivos fiquem guardados para a última subida.

Com quatro etapas pela frente, após a desta quinta-feira, talvez não se possa dizer que da Torre sairá com certeza o vencedor da Volta. Porém, todos estão cientes que se pode perder a corrida e são vários os ciclistas que sabem como esta subida é madrasta.



Amaro Antunes (W52-FC Porto), o líder com 13 segundos de vantagem sobre Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), já ganhou uma etapa na Serra da Estrela, mas nesse 2017 não terminou na Torre. Espera-se nova luta entre ambos, depois do espectáculo dado na Senhora da Graça, na terça-feira.

A recuperação física desse esforço também será essencial. Só um dia separou as duas etapas mais complicadas a nível de montanha. E Joni Brandão terá de se apresentar mais forte. O ciclista da Efapel está a 1:20 depois de uma Senhora da Graça que não lhe correu bem, nem à equipa, pois António Carvalho estava bem colocado na geral e tem agora 1:47 de desvantagem.

Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) tem 1:25 para recuperar, com João Benta (Rádio Popular-Boavista) a estar de olhos postos no pódio (1:17), enquanto a equipa tentará proteger a camisola da montanha de Hugo Nunes. Gustavo Veloso (1:13) pode ser uma arma para a W52-FC Porto fazer os adversários estarem atentos a mais do que um candidato. O espanhol é daqueles que sabe o que é ver a Serra da Estrela estragar uma Volta, quando se tem um dia mau. E não esquecer que foi outro atleta da W52-FC Porto a ganhar na Torre em 2019: João Rodrigues, que acabaria por vencer a Volta a Portugal. Está a 1:29 de Amaro Antunes.

Entre homens da geral e outros ciclistas que estarão mais focados em ganhar a etapa, Henrique Casimiro (Kelly-Simoldes-UDO), Ricardo Vilela ou talvez o colega da Burgos-BH (algo discreto até agora), José Neves, são possíveis apostas. Será curioso ver a exibição de Daniel Freitas. O ciclista da Miranda-Mortágua surge no top dez após a Senhora da Graça, a 1:25, com alguma surpresa, ele que esta quarta-feira esteve no sprint final, algo mais habitual da sua parte.

Numa Volta mais curta (nove dias em vez de 12), mais intensa, depois de uma Senhora da Graça com tanto espectáculo e com as diferenças ainda a permitirem que tudo possa acontecer, a Serra da Estrela surge com um cenário de incerteza que prenderá as atenções.

"A Torre por si só 'mata' muitos atletas no pensamento. Quando se entra na Torre já com 150 ou 160 quilómetros e começamos a pensar naquele percurso até ao alto... É temeroso para muitos." A frase é de Rui Sousa e refere-se a dias com condições atmosféricas bem diferentes. Porém, aplica-se quando a mente tem muita influência nos momentos mais difíceis.

© João Fonseca Photographer
Sprinters "fintados"

Apesar de uma terceira e uma segunda categoria nos 171,9 quilómetros entre Felgueiras e Viseu, os sprinters sabiam que era dia para tentarem a vitória. No entanto, a etapa mais pareceu uma clássica com ataques e contra-ataques, com o pelotão a não conseguir controlar tantos ciclistas que tentavam a sua sorte.

O espanhol Oier Lazkano foi dos que tentou mais do que uma vez. O último ataque resultou mesmo. O próprio admitiu que pedalou para ir o mais longe possível isolado, vencesse ou não. Foi assim que cortou a meta, com 15 segundos do pelotão. Nele estava o favorito Daniel McLay, da Arkéa Samsic, que venceu o sprint, mas apenas para o segundo lugar.

Nas camisolas, Amaro manteve a amarela, mas cedeu a vermelha dos pontos a Luís Gomes (Kelly-Simoldes-UDO) - vencedor da etapa no Alto de Santa Luzia, enquanto Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) e Simon Carr (Nippo Delko One Provence) continuam a ser os líderes da montanha e juventude, respectivamente. A W52-FC Porto é a primeira entre as equipas.

Classificações completas, via FirstCycling.

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»»Há quem vá ter boas memórias de 2020««

29 de setembro de 2020

Amaro está de volta!

© João Fonseca Photographer
Este é Amaro Antunes e já se tinha saudades de ver o melhor deste ciclista. A exibição na Senhora da Graça trouxe boas recordações de um 2017 espectacular do algarvio, mas que não conseguiu repetir na sua passagem pela CCC, na aventura estrangeira, que incluiu um ano de World Tour. Regressou e não quer fazer por menos, a julgar pela segunda etapa na Volta a Portugal: venceu e vestiu pela primeira vez na carreira a camisola amarela.

Amaro Antunes já pode dizer que venceu nas duas míticas subidas portuguesas, pois em 2017 havia conquistado a que passou pela Serra da Estrela, numa exibição inesquecível, que levou ainda Raúl Alarcón a praticamente selar a vitória na Volta, com Amaro a ser segundo na geral. E é impossível não recordar como em Fevereiro, na Algarvia, havia vencido no "seu" Alto do Malhão.

Agora, na Volta a Portugal Edição Especial, mesmo com João Rodrigues com o dorsal número um, Amaro mostra mais uma vez como a W52-FC Porto gosta de ter mais do que uma aposta, dificultando o controlo da corrida por parte dos adversários.

Esta táctica não é novidade e tem feito parte do ADN desta equipa que há sete anos vence a Volta a Portugal e já está de amarelo, com 13 segundos sobre Frederico Figueiredo. O ciclista da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel está mesmo em boa forma, como demonstrou ao vencer o Troféu Joaquim Agostinho. Mas era difícil fazer melhor, com a W52-FC Porto a funcionar muito bem colectivamente.

O triste cenário

Chegar a Mondim de Basto e depois subir a Senhora da Graça foi algo desolador. Nem parecia ser dia de Volta. Contingências do tempo de pandemia que vivemos, é certo, mas era difícil não sentir tristeza por ver a subida sem público (foi cortada para não permitir aglomerados), ao que se juntava a paisagem pintada de negro, resultado do incêndio que este Verão devastou novamente parte do Monte Farinha.

A etapa merecia outro ambiente, mas não é altura para lamentos, pois se os ciclistas também precisam daquele apoio tão especial na Senhora da Graça e em Mondim de Basto, são profissionais que querem ganhar. E quando se ataca a 30 quilómetros e são favoritos que o fazem, é caso para dizer: temos Volta!

A W52-FC Porto começou por lançar Ricardo Mestre na fuga, mas foi o ataque de Frederico Figueiredo tão longe da meta que acabaria por decidir o vencedor. O ciclista gastou muitas forças, sendo sempre praticamente ele a "puxar", fosse quem fosse que estivesse com ele. Acabou por ficar com Amaro Antunes na frente. O algarvio manteve-se na roda até cerca de 400 metros da meta. A mudança de velocidade foi avassaladora. É uma forma típica do algarvio correr, ao contrário de Frederico, um ciclista menos "explosivo", mais de ritmo e que já muitas energias tinha esgotado naquele ponto.

Porém, para o corredor do Tavira foi importante a exibição, pois está na luta por algo que há muito ambiciona, num ano em que queria agarrar a oportunidade de não ter nenhum companheiro a fazer-lhe sombra numa liderança na equipa que já tinha mostrado merecer. Quer dar luta e na quinta-feira, a Serra da Estrela será novo dia para de alta montanha.

Efapel derrotada

Não foi uma boa etapa (167 quilómetros, que começaram em Paredes) para Joni Brandão e para a Efapel. Apesar de ter assumido a perseguição na aproximação à Senhora da Graça e ainda no início da subida, a equipa viu o seu líder perder 1:45 para Amaro Antunes (ficou a 1:20 na geral), com António Carvalho - outra possível opção para a geral - a trabalhar muito, cortando a meta 2:13 depois do vencedor (está a 1:43). Recorde-se que foi ele o vencedor em 2019 nesta chegada. Haverá muito a corrigir na Serra da Estrela, não se podendo esquecer que esta Volta a Portugal é mais curta, com nove dias, em vez de 12.

Com olhos no pódio está João Benta. Excelente prestação do ciclista da Rádio Popular-Boavista, que subiu ao quarto lugar, a 1:17 do líder. É um ciclista muito regular, terminar no top dez é algo natural para ele, mas demonstrou que poderá aspirar a mais. A equipa viu ainda o jovem Hugo Nunes assumir a liderança da montanha.

© João Fonseca Photographer
A camisola branca da juventude também tem um novo dono: o britânico da Nippo Delko One Provence, Simon Carr. Amaro Antunes acumula a camisola dos pontos, curiosamente "tirou" as duas que tem a colegas: Gustavo Veloso (ex-amarela) e Daniel Mestre (ex-vermelha). A W52-FC Porto mantém-se como primeira entre as equipas.

Classificações completas, via FirstCycling.

Acidente grave

A etapa acabou por ficar marcada também por uma má razão. Pouco depois da partida, em Paredes, um choque entre um ciclista e um motard que sinalizava uma zona de perigo, terminou com ambos a serem transportado para o hospital em estado grave. O acidente deu-se numa zona de descida, onde se podem atingir velocidades acima dos 60 quilómetros/hora.

Nigel Ellsay, corredor canadiano (26 anos) da Rally Cycling, sofreu fractura nos ossos da face e na coluna vertebral. Já o motard tem um traumatismo crânio-encefálico, mas a sua situação é estável.

3ª etapa: Felgueiras – Viseu, 171,9 quilómetros



Com uma terceira categoria em Lamego e logo de seguida a segunda em Bigorne, os homens rápidos e as suas equipas vão ter de trabalhar para se manter na frente do pelotão. Não é uma etapa tipicamente para sprinters, mas em Portugal já se sabe que é muito normal ter de passar dificuldades para discutir este tipo de chegadas.

Os sprinters portugueses não têm sido felizes em Viseu, quando esta cidade recebe etapas em linha. César Martingil (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), Rafael Silva (Efapel) e Samuel Caldeira (W52-FC Porto) e sem esquecer João Matias (Aviludo-Louletano) são candidatos. Mas entre as equipas estrangeiras, destaque para Riccardo Minali, da Nippo Delko One Provence, e Daniel McLay, da Arkéa Samsic.

»»Há quem vá ter boas memórias de 2020««

»»Gustavo Veloso e uma estreia aos 40 anos««

26 de setembro de 2020

Quem desafia a W52-FC Porto? Volta a Portugal arranca este domingo, mas já com uma má notícia

© João Fonseca Photographer
W52-FC Porto a favorita, Efapel a mais forte adversária, Rádio Popular-Boavista sempre à caça de vitórias, Aviludo-Louletano e Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel à procura de um pódio... A história da Volta a Portugal tem sido idêntica nos últimos anos. A diferença tem sido a aproximação principalmente da Efapel à equipa do Sobrado, que, contudo, domina há sete anos. Porém, a pandemia e o confinamento trocou a volta a todos. Preparação para uma diferente fase do ano, incerteza de quando (e se) haveria corrida, que terá menos dias (nove) e não haverá descanso. Tudo junto poderão ser factores de tornem a apelidada de Edição Especial diferente, para melhor.

Pede-se espectáculo e emoção. Com a enorme vontade de todos em competirem - algo normal quando se fala da Volta a Portugal, mas acrescida por um ano tão complicado, tão atípico -, a expectativa é que se tenha as duas coisas em dose elevada. É verdade que no ano passado estes dois pormenores estiveram mais presentes do que em edições anteriores, sempre muito controladas por uma fortíssima W52-FC Porto.

As forças poderão em 2020 equilibrar mais, até porque a Efapel foi buscar um dos homens que vinha a ser um elemento muito importante na rival: António Carvalho. No entanto, será Joni Brandão o líder, ele que está cansado de segundos lugares e já são três.

Na W52-FC Porto, não haverá dúvidas quanto à liderança, desta feita. Será João Rodrigues, o vencedor de 2019. É uma equipa sempre com cartas para jogar e Amaro Antunes é um ciclista que os adversários sabem que têm de o ter debaixo de olho.

Mas uma palavra para Rui Vinhas, também ele um vencedor da Volta a Portugal. A corrida terminará em Lisboa, a 5 de Outubro, e da última vez que tal aconteceu, Vinhas consumou uma enorme surpresa ao bater o seu colega de equipa Gustavo Veloso. Foi um 2016 para não esquecer.

Colectivamente, estas duas equipas continuam a ser as mais fortes. Porém, será interessante ver como se irá apresentar a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel. Sem o Sporting como patrocinador, a equipa começou a competir de forma diferente. Mais agressiva e viva nas corridas. O próprio líder, Frederico Figueiredo assumiu a mudança de postura para 2020, numa entrevista dada ao Volta ao Ciclismo em Fevereiro, numa altura em que a pandemia parecia estar bem longe.

Figueiredo conquistou finalmente a sua primeira vitória como profissional e logo no Troféu Joaquim Agostinho, há uma semana. Aparece como outsider, mas contem com ele para procurar um pódio e ganhar etapas. Top dez não lhe faltam, mas aos 29 anos, saboreou a vitória e vai querer mais.

A outra equipa algarvia irá novamente tentar levar o espanhol Vicente García de Mateos ao topo. Pódio já sabe o que é, mas a Aviludo-Louletano sempre sonhou alto, mesmo que não tenha um conjunto que meça forças ao mesmo nível da W52-FC Porto ou a Efapel. Porém, já demonstrou que De Mateos pode intrometer-se na luta.

A Rádio Popular-Boavista tem "jogado por fora". No entanto, está lá sempre com homens no top dez e a ganhar etapas. Também sabe vencer por equipas, que tem sido um dos objectivos, já que a geral é mais difícil. João Benta e David Rodrigues costumam animar etapas e este ano há ainda Luís Fernandes. O espanhol Alberto Gallego, vencedor na Prova de Abertura Região de Aveiro, não vai passar despercebido.

O Feirense irá à procura de etapas... e a amarela. Rafael Reis irá a fundo no prólogo deste domingo para repetir o que conseguiu em 2018, pela Caja Rural, quando vestiu a amarela durante os três primeiros dias.

A LA Alumínios-LA Sport vai com ambições altas. Em 2019 venceu a classificação da juventude e a equipa tem crescido nesta nova era do projecto, com Hernâni Brôco ao leme. Emanuel Duarte será o destaque e, quem sabe, a olhar para um top dez.

O Miranda-Mortágua tem Joaquim Silva como grande aposta para finalmente dar uma vitória de etapa à equipa e também é ciclista que, em forma, pode alcançar uma boa classificação. Já foi fundamental na W52-FC Porto, passou sem sucesso na Caja Rural. Agora tem uma oportunidade para mostar o seu valor como líder na Volta.

Para o fim fica a Kelly-Simoldes-UDO (novo nome). A equipa de Manuel Correia merece destaque porque chega a Volta como a que mais ganhou em 2020: quatro vitórias, entre elas três títulos nacionais e o triunfo na Clássica da Primavera. Henrique Casimiro é mais um ciclista que procurou libertar-se do papel de gregário, ou de segunda aposta, com a equipa a ter ainda Luís Gomes e um campeão de sub-23 Fábio Costa sempre à espreita de um bom sprint.

As equipas estrangeiras

É sempre uma incógnita saber com que intenção vêm as equipas estrangeiras à Volta. Ganhar etapas, ganhar forma, lutar pela geral... Ao olhar-se para a lista, Ricardo Vilela e José Neves, da Burgos-BH, são dois ciclistas que vamos ver, afinal estão a correr em casa.

Destaque ainda para Delio Fernandez, espanhol que aos 34 anos representa a Nippo Delko One Provence, que tem José Azevedo como director desportivo. O experiente ciclista conhece bem o pelotão português, pois representou o Boavista e a actual W52-FCPorto (então OFM-Quinta da Lixa), entre 2011 e 2015. Já conta com vitórias em três etapas na Volta a Portugal, além da geral no Troféu Joaquim Agostinho, em 2014, tendo sido terceiro na Volta nesse mesmo ano. Diego Rubio (ex-Efapel) será outro regresso, mas pela Burgos-BH.

As cinco equipas estrangeiras são todas do segundo escalão, ProTeam: duas espanholas, duas francesas e uma dos EUA. Na Arkéa Samsic é impossível não destacar Anthony Delaplace, um ciclista com sete presenças na Volta a França. Estará ainda presente a Caja Rural e a americana Rally Cycling, uma equipa jovem e que gosta de animar corridas.

A má notícia

Infelizmente o pelotão irá ser mais curto do que o previsto, isto já tendo em conta que foi cortado em 20%, como medida de precaução devido à pandemia. João Salgado testou positivo à covid-19 e foi excluído, como levou os responsáveis a decidir tirar toda a Equipa Portugal da prova. Uma enorme desilusão para os jovens sub-23 escolhidos, que tão pouco tem competido este ano e que iriam ter uma grande oportunidade para se mostrar na Volta a Portugal.

Prólogo: Fafe – Fafe, 7 quilómetros (CRI)


O pelotão partirá assim com 98 ciclistas para os sete quilómetros de prólogo em Fafe e que, mesmo sendo uma distância curta, já deixará algumas diferenças entre candidatos, mas não se espera que sejam significativas.

David Rodrigues (Rádio Popular-Boavista) será o primeiro a partir às 15:43, mas aqui ficam alguns dos ciclistas a ter em atenção (arrancam com um minuto de diferença). Em baixo pode ver o quadro com a lista de inscritos.

  • 16:13: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport)
  • 16:52: Amaro Antunes (W52-FC Porto)
  • 17:00: Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel)
  • 17:03: Mauro Finetto (Nippo Delko One Provence)
  • 17:06: Gustavo César Veloso (W52-FC Porto)
  • 17:07: João Benta (Rádio Popular-Boavista)
  • 17:08: Joaquim Silva (Miranda-Mortágua)
  • 17:10: Henrique Casimiro (Kelly-Simoldes-UDO)
  • 17:11: Rafael Reis (Feirense)
  • 17:12: Joni Brandão (Efapel)
  • 17:13: Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano)
  • 17:16: Gavin Mannion (Rally Cycling)
  • 17:19: José Neves (Burgos-BH)
  • 17:20: João Rodrigues (W52-FC Porto)

Lista de inscritos (clique na imagem para ampliar):


20 de setembro de 2020

Frederico Figueiredo conquista Troféu Joaquim Agostinho. Finalmente a vitória!

A táctica perfeita da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel resultou num final também perfeito no Troféu Joaquim Agostinho. Frederico Figueiredo tinha começado bem a temporada e conquistou agora uma vitória importante e motivante quando se está a uma semana da Volta a Portugal. Venceu a etapa e a geral. Custou, mas a primeira vitória como profissional finalmente surgiu. E logo a dobrar!

O confinamento interrompeu o crescimento de forma de Frederico Figueiredo, numa época que começou aponto estar forte no arranque. Esteve em San Juan, na Argentina, e na Volta ao Algarve, o top dez fugiu-lhe devido ao contra-relógio, que continua a ser o ponto fraco de um ciclista que é um autêntico senhor regularidade. Mesmo tendo na equipa ciclistas dados como líderes na então Sporting-Tavira, Figueiredo conseguiu muitas vezes destacar-se, sendo um nome que regularmente surgia nos primeiros dez das corridas. Desta feita, conquista um merecido grande triunfo, numa das principais provas portuguesas, pela sua história e por ser uma competição internacional.

"É uma vitória que já esperava há muito tempo, a minha primeira como ciclista profissional, ainda por cima numa corrida em que já estive muitas vezes na discussão. Estou extremamente feliz. É um triunfo para desfrutar e para dedicar ao meu filho, que vai nascer em Novembro. Só pensei nisso na recta da meta”, disse Frederico Figueiredo.

E no momento de celebrar, não esqueceu os seus companheiros, que tanto trabalharam para preparar o ataque final: "Trabalhámos para trazer a corrida sempre num ritmo elevado, de modo a que os adversários chegassem ‘justos’ à parte final. Isso aconteceu e eu tive a felicidade de não ter um azar como aqueles que me têm afectado."

De facto, este é um ciclista que, apesar de terminar muitas vezes no top dez, também tem razão para se queixar de azares, como foi a queda no ano passado na Volta, que o impediu de partir para a última etapa, quando ia fechar... mais um top dez.

A corrida

Este foi um Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho em versão reduzida, com apenas duas etapas. Foi inicialmente adiado devido a um caso positivo de covid-19, mas este fim-de-semana foi para a estrada, novamente como antecâmara da Volta a Portugal.

A primeira etapa teve 145,6 quilómetros, com início e fim em Torres Vedras. O vencedor foi Luís Mendonça (Efapel), que foi o mais forte no sprint, batendo Daniel Mestre e João Rodrigues (ambos da W52 FC Porto) e Daniel Freitas (Miranda-Mórtagua).

Mendonça - reforço da Efapel em 2020 e que venceu pela primeira vez esta temporada - assumiu a liderança e a ambição de ganhar a geral, para juntar à Volta ao Alentejo, conquistada em 2018. Porém, na segunda etapa neste domingo - Turcifal-Carvoeira (145,2 quilómetros) -, na chegada em subida ao Parque Eólico não aguentou o ritmo, mas segurou um lugar no pódio (terceiro), a oito segundos do vencedor.

A equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel começou por lançar César Martingil na frente, obrigando à perseguição, dada a proximidade na geral. Depois foi a vez de Alejandro Marque, já no início da subida, desgastando ainda mais os adversários e preparando o caminho para Frederico Figueiredo. No quilómetros final, este destacou-se deixando na segunda posição - a cinco segundos - Luís Gomes, mais um ciclista em destaque em 2020.

Venceu a Clássica da Primavera em Março e é mais um exemplo de sucesso de uma Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense, que tem aproveitado todas as oportunidades para somar bons resultados. É a equipa com mais vitórias este ano: quatro.

Mas o dia pertenceu a Frederico Figueiredo e à equipa algarvia de Vidal Fitas, que bem precisava de uma vitória assim. Em 2019 conquistou apenas duas, uma na Clássica da Primavera, com César Martingil, e o título nacional em linha, com José Mendes.

As outras classificações do 43º Troféu Joaquim Agostinho foram ganhas por: Luís Mendonça, pontos; Pablo Guerrero (Burgos-BH), montanha, Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), metas volantes e Gonçalo Carvalho (Rádio Popular-Boavista), melhor jovem. A equipa boavisteira de José Santos venceu ainda colectivamente.

De referir ainda o susto da W52-FC Porto que viu João Rodrigues cair. Não haverá problemas de maior com o ciclista que, no próximo domingo, partirá para a Volta a Portugal com o dorsal um com o objectivo de conquistar a corrida pela segunda vez.

Classificações completas, via First Cycling.

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10 de março de 2020

Frederico Figueiredo e o papel de líder, a nova mentalidade da equipa e o clique que falta

Na Fóia, Frederico Figueiredo ficou à frente de Nibali e Mollema
A época de 2019 pode ter acabado com um pulso fracturado, um abandono com apenas 19,5 quilómetros a faltar para mais um top dez na Volta a Portugal e ainda com uma longa paragem até poder regressar aos treinos. Não ajudou a indefinição quanto ao futuro do Clube Ciclismo de Tavira, mas Frederico Figueiredo encarou todas as adversidades com a ambição de ir à procura de mais e melhor em 2020. Tem finalmente o estatuto de líder, ainda que sinta o peso dessa responsabilidade. Porém, é o primeiro a admitir que, mesmo sendo agora o número um, continua a faltar-lhe um "clique" importante e que aos 28 anos tarde em acontecer. Esse clique que o próprio fala é uma vitória.

Questionado se a liderança já era merecida, Frederico Figueiredo começa por considerar que esse estatuto na Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel é algo que acabou por acontecer naturalmente, tendo em conta os seus resultados nos últimos anos. Na equipa algarvia foi um gregário importante para Joni Brandão, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque e no ano passado foi Tiago Machado que esteve primeiro plano. Mas como aconteceu em temporadas anteriores, a regularidade de Frederico Figueiredo foi um dos destaques mais positivos da era Sporting na equipa de Tavira.

No entanto, acabou por dizer sobre o seu novo estatuto: "Acho que já era uma situação merecida. Apesar do nosso director [Vidal Fitas] querer ter sempre mais do que um líder e com razão - pode sempre acontecer alguma coisa, como me aconteceu com a queda [na Volta a Portugal] -, penso que ter essa responsabilidade é bom e pelo que tenho feito nos últimos anos é importante." Sempre foi um ciclista com o pés bem assentes na terra, muito objectivo na forma de encarar a sua carreira, pelo que é o primeiro a admitir: "Falta aquele clique de mais alguma coisa... talvez uma vitória! Se calhar assim partia para outro nível. Já fiz muitos segundos, terceiros, quartos, quintos... Falta sempre aquele clique."

"Não temos nomes como já tivemos, como o Nocentini, Tiago Machado, Joni Brandão, José Mendes, que são ciclistas com cartas dadas. No entanto, temos ciclistas com muito valor e que podem trazer coisas boas para a equipa"

Não é por isso que está menos motivado, ou com menos ambição. Muito pelo contrário. Frederico Figueiredo começou bem a época na Volta ao Algarve, ficou satisfeito com a experiência na Argentina e acredita que tem uma equipa forte para o apoiar rumo ao tal clique e a outros bons resultados. Pode ser agora líder, mas continua a salientar o colectivo e de como o sucesso da equipa em 2020 poderá também ter o nome de outros corredores da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel. "Temos dos melhores sprinters em Portugal - o César Martingil -, temos dos melhores trabalhadores - Livramento, Valter, Grigorev (que vai certamente fazer uma boa época), o Trueba (é um ciclista que faz muito bem o que os líderes querem) e depois temos o Marque que já venceu uma Volta a Portugal e que é um ciclista com provas mais do que dadas no ciclismo", afirmou ao Volta ao Ciclismo.

"Não temos nomes como já tivemos, como o Nocentini, Tiago Machado, Joni Brandão, José Mendes, que são ciclistas com cartas dadas. No entanto, temos ciclistas com muito valor e que podem trazer coisas boas para a equipa", salientou, referindo que o objectivo passará por todos os corredores se mostrarem seja em Portugal ou em provas no estrangeiro.

Indefinição para 2020 e uma nova mentalidade na era pós-Sporting

Foram semanas difíceis as que se seguiram ao anúncio que o Sporting não iria continuar no ciclismo. Contudo, os novos patrocinadores trouxeram algo de positivo: uma nova forma de estar nas corridas. "A nossa equipa mudou um pouco a estratégia que tinha. Com o Sporting o objectivo era ficar à frente do Porto, mesmo que fosse do meio da tabela para baixo. Em cinco dias de corrida [no Algarve], andámos em fuga e chegámos a puxar metade da etapa do Malhão. São coisas que se calhar o Sporting não ligava muito, mas com estes patrocinadores é uma maneira de fazer uma publicidade e o feedback tem sido positivo", referiu. Sem surpresa, não hesita em considerar que é melhor competir desta forma, referindo que antes era mais a mentalidade do futebol a falar, do que a do ciclismo.

Resolvida a indefinição quanto ao futuro, Frederico Figueiredo não escondeu como ficou satisfeito por poder continuar na equipa algarvia para uma quarta temporada, pois é adepto da continuidade quando está bem. "Estar sempre a trocar de equipa quando as coisas estão bem a nível de condições e também a nível financeiro... Não vejo porque se tem de trocar. Há que trocar quando as coisas não correm bem, ou quando a motivação já não é a mesma. Aí faz bem fazer uma mudança de chip e mudar de ares. Não é o caso. Sinto-me muito bem aqui."

"Trabalhei bem no Inverno. Aproveitei essa situação má para ter uma coisa boa no início de época. Agora é manter e gerir o resto da temporada, de forma profissional"

Confessou que muita coisa passa pela cabeça quando se está a tentar preparar a nova temporada sem saber se se vai ficar na mesma equipa, ou se será preciso mudar. Porém, tentou concentrar-se nos treinos, pois parte dos seus objectivos passava por arrancar 2020 forte. "Como terminei a época mais cedo devido à queda na Volta a Portugal, decidi que iria descansar - estive dois meses sem poder andar de bicicleta - e depois comecei a pensar na época seguinte. Iniciei os treinos muito cedo para também poder estar bem nesta altura. E tirei coisas positivas do Algarve. Trabalhei bem no Inverno. Aproveitei essa situação má para ter uma coisa boa no início de época. Agora é manter e gerir o resto da temporada, de forma profissional. Há que descansar bem e treinar bem", disse.

Na Algarvia foi sétimo no Alto da Fóia a apenas oito segundos de Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep - quer viria a vencer a corrida), mas o 14º lugar no Malhão (a 27 segundos de Miguel Ángel López, da Astana) não o deixou muito satisfeito, tendo explicado que passou mal a noite, com febre e nariz entupido. No contra-relógio correu tudo mal e tal custou-lhe um top dez que sabia que seria sempre difícil de segurar. Antes, na Volta a San Juan, Frederico Figueiredo viveu mais uma experiência que não esquecerá: "É diferente já ter uma corrida com sete dias feitos. No ano passado até andei bem no Algarve, mas faltava o andamento que tive este ano porque já tinha corrido na Argentina. É sempre bom, porque é outro nível, outra experiência, como tinha sido na China. Muito calor, pelotão de outro nível, muita gente na estrada - ali vive-se mesmo o ciclismo -, são experiências que marcam a nossa vida."

Recordou-se a quinta etapa, com chegada ao Alto Colorado, quando o português parecia estar bem, mas de repente... "A cinco quilómetros para a meta fiquei completamente vazio. Não deu para mais. Então só se pensa em acabar. Foi uma etapa feita com 44/45 graus. Andámos 80/90 quilómetros acima dos 1800 metros de altitude e depois com chegada em alto... não estamos habituados a nada disso", contou.

Agora é pensar nas próximas corridas e depois da queda na Volta a Portugal que o obrigou a desistir quando só faltava o contra-relógio final, Frederico Figueiredo até desabafou um "simples" desejo para 2020: "Da minha parte espero ter um ano sem azares!"

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3 de fevereiro de 2020

Martingil e Figueiredo com experiência importante na Argentina

Frederico Figueiredo foi o melhor na geral da equipa
Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel (Fotografia: Facebook Vuelta a San Juan)
A Atum-General-Tavira-Maria Nova Hotel sabe o que é competir ao lado de equipas do World Tour. Mas é bastante diferente fazê-lo em altitudes como 887 metros do Alto da Fóia na Volta ao Algarve (comparando com a corrida portuguesa que recebe as formações do principal escalão), ou ter de enfrentar mais de dois mil metros, como aconteceu na Argentina no Alto do Colorado (a Serra da Estrela tem 1993 metros de altitude). A participação na Volta a San Juan é por isso importante para os ciclistas que Vidal Vitas chamou para a longa viagem, mas que de outra forma dificilmente teriam contacto com uma realidade que para muitos dos corredores ao mais alto nível é quase obrigatório quando se fala de estágios em altitude.

Frederico Figueiredo entrou numa temporada importante para a sua carreira aos 28 anos, pois será assumidamente o líder da equipa. Porém, houve outro português a partilhar a atenção na corrida de San Juan. César Martingil não se intimidou por ter de disputar os sprints com Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) ou Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), por exemplo. Não só tentou sprintar, como teve colegas a trabalharem muito para o deixar bem colocado e chegou-se a ver inclusivamente a formação do Tavira a impor algum ritmo. Quando a ajuda terminava, há que destacar como o jovem português se esforçou por encontrar as "melhores rodas", que é como a quem diz, seguir de perto um dos principais candidatos.

Apesar da indefinição que chegou a marcar o futuro do Tavira quando o Sporting decidiu não continuar a parceria, o director desportivo Vidal Fitas conseguiu segurar a maioria das principais figuras. Tiago Machado e José Mendes saíram, mas Frederico Figueiredo tem sido quem melhores resultados alcança. Já Martingil é um dos poucos sprinters que vão surgindo em Portugal.

Por cá o calendário não é extenso e não tem muitas corridas que se possa dizer que são claramente para este tipo de ciclistas. Martingil tem-se destacado, mesmo quando era sub-23. Certamente que não esquecerá como ficou tão perto de ganhar uma etapa na Volta a Portugal há dois anos, ainda que noutra especialidade, no contra-relógio. O facto de apostar muito na pista contribui e muito com que seja um velocista de qualidade e em San Juan quis aproveitar mais esta oportunidade para aprender com algumas referências mundiais. Em 2019 deu uma das duas vitórias à equipa, ao vencer a Clássica da Primavera, mas pelo que se viu em San Juan quer muito mais em 2020.

Nas etapas ao sprint ficou sempre no top 20, tendo sido oitavo no segundo dia em Pocito. Dificilmente se poderia pedir mais. Regressará a Portugal com outro ritmo e com quilómetros feitos em altitude, que podem fazer a diferença no arranque de temporada por cá. A 16 de Fevereiro, na Prova de Abertura Região de Aveiro, o pelotão nacional vai para a estrada.

Quanto a Frederico Figueiredo, terminou na 33ª posição, a 7:29 minutos do fenómeno Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep). Mesmo sendo apenas as primeiras corridas do ano, ficou claro como este jovem belga já está num ponto de forma muito alto, com Nelson Oliveira a ser o melhor português. O ciclista da Movistar esteve muito bem, numa das poucas provas em recebeu liberdade para lutar por um bom resultado: sexto, a 2:27 do vencedor. Figueiredo procurou o seu ritmo na etapa rainha (a quinta), numa daquelas subidas que não é de inclinações de fazer quebrar o melhor dos trepadores, mas sendo constante e dada a altitude, causou muitos problemas, até para quem está mais habituado à realidade sul-americana.

O problema chamou-se Evenepoel, que quando acelerou para apanhar o grupo da frente e depois para tentar garantir que não sofria ataques, fez com que Frederico Figuereido perdesse 4:09 minutos. Porém, a experiência foi valiosa para este ciclista, que este ano não ficará preso a ajudar ninguém.

Em 2019 o Tavira viajou à Argentina, mas nem Figueiredo, nem Martingil foram chamados. Só Alejandro Marque e Aleksandr Grigorev repetiram a presença e o espanhol esteve muito activo na ajuda aos dois portugueses. Foi a primeira equipa lusa a entrar em acção em 2020, seguindo-se a Efapel que também se prepara para uma viagem ao outro lado do oceano. Tal como há um ano irá arrancar a época na Colômbia (de 11 a 16 de Fevereiro).