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15 de agosto de 2020

Que dia!

Com etapa rainha do Critérium du Dauphiné e o monumento Lombardia no mesmo dia, a expectativa era elevada. No entanto, acabou por ser uma tarde de ciclismo marcada por quedas, que talvez tenham contribuído para o que o espectáculo não fosse do nível esperado. Nada que tire mérito aos vencedores, com algumas equipas a terminarem este sábado com razões para estarem preocupadas.

Remco Evenepoel tem sido um dos principais focos nesta retoma de temporada, a par de Wout van Aert. Porém, desta feita, o jovem belga da Deceuninck-QuickStep não está a ser notícia por uma vitória na Lombardia, em que partiu como favorito, apesar de ser o seu primeiro monumento. O ciclista sofreu uma queda. E que queda!

Saiu mal numa curva e acabou por tocar no muro, caindo para o lado de lá da ponte. Ainda foi uma queda de alguma altura. Um susto enorme para uma equipa ainda a tentar recuperar do que aconteceu a Fabio Jakobsen na Volta à Polónia. E como se não bastasse este incidente para marcar negativamente a corrida, ainda se assistiu ao insólito de um carro entrar no percurso da prova.

Não sendo inédito no ciclismo, quando se está a falar de uma das mais importantes competições mundiais, é um erro tremendo de repente haver um veículo não pertencente à corrida a circular. A senhora - algo em choque com o que aconteceu - virou à esquerda, Max Schachmann é que não estava à espera e chocou com o carro, em plena descida. Sem perceber muito bem o que aconteceu, o alemão da Bora-Hansgrohe lá completou os poucos quilómetros que faltavam para fechar no top dez.

Mais quedas no Dauphiné

A equipa alemã teve um daqueles dias... Antes, no Dauphiné, Emanuel Buchamann caiu e abandonou, ele que estava a mostrar boa forma e a lutar pelo pódio. Gregor Mühlberger e Andreas Schillinger seguiram o exemplo. Ainda nada se sabe sobre a condição do líder da Bora-Hansgrohe. A equipa acabou por dar liberdade a Lennard Kämna, que aos 23 anos conquistou a sua primeira vitória como profissional. Tendo em conta que foi na etapa rainha do Dauphiné (seis subidas categorizadas em 153,5 quilómetros), nada mau para a estreia!

Também a Jumbo-Visma teve um dia menos bom, para variar. Primoz Roglic também caiu no Dauphiné e ficou com umas feridas bem visíveis no braço e perna. Nada que evitasse de manter a liderança sem problemas, mas claramente a equipa optou por controlar completamente a etapa, evitar ataques, sem um andamento muito forte, garantindo total conforto ao esloveno. Steven Kruijswijk é que foi mais um dos abandonos do dia. Caiu, deslocou o ombro e a ver vamos como fica a sua situação para o Tour, que arranca no dia 29.

E ainda temos Egan Bernal. Nem partiu, alegadamente por dores nas costas. A Ineos, claro, nem se preocupou mais com o Dauphiné, ainda que Michal Kwiatkowski tenha ambicionado a vitória de etapa. Mas, mesmo na frente da corrida, ficou longe da discussão.

Voltando à Lombardia...

Na Lombardia, George Bennett cumpriu o esperado, três dias depois de vencer esteve novamente na luta. Mas não era mesmo o dia para a Jumbo-Visma conquistar o segundo monumento, depois de Wout van Aert ter ganho há uma semana a Milano-Sanremo. O neozelandês nem teve problema por estar sozinho num grupo que chegou a ter três Trek-Segafredo (Bauke Mollema - vencedor de 2019 -, Vincenzo Nibali - vencedor em 2015 e 2017 - e Giulio Ciccone) e dois Astanas (Jakob Fuglsang e Aleksandr Vlasov). Também não se incomodou por ter ficado depois apenas com os dois Astanas.

No entanto, quando já só tinha Fuglsang como concorrência quebrou e estendeu a passadeira a um dinamarquês que pode ter falhado na sua afirmação nas grandes voltas, mas em clássicas e provas de uma semana surge, numa fase tardia da carreira, como um dos mais fortes.

Foi uma corrida interessante (231 quilómetros entre Bergamo e Como), já muito lançada quando ainda faltavam 50 quilómetros para o final. Mas é difícil não pensar que, sem Evenepoel, acabou por perder alguma espectacularidade, sendo mais uma prova de eliminação, do que propriamente de ataque e contra-ataque, como muitas vezes acontece.

Inevitavelmente, após a corrida, um dos maiores pontos de interesse continua a ser como estará Evenepoel, ele que estava imparável em 2020, ganhando as quatro corridas por etapas que disputou e que estava a mostrar manter a boa forma para dar luta no monumento.

A Deceuninck-QuickStep informou que o ciclista fracturou a pélvis e sofreu uma contusão pulmonar, o que o vai afastar das corridas durante algum tempo. Vai permanecer internado pelo menos até domingo, quando deverá regressar à Bélgica, segundo a equipa.

Os portugueses

João Almeida (Deceuninck-QuickStep) estreou-se num monumento, enquanto Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) fez a sua primeira Lombardia, depois de duas Liège-Bastogne-Liège. Foi a primeira corrida de fundo do ciclista português no pós-confinamento (participou no contra-relógio da Prova de Reabertura, em Anadia, no início de Julho) e esteve em bom plano.

Guerreiro fechou na 17ª posição, a 10:25 minutos do vencedor, num regresso à competição muito prometedor para quem tem a ambição de regressar a uma grande volta para tentar repetir e mesmo melhorar a prestação da Vuelta de 2019. Já Almeida não foi feliz, estando entre os muitos ciclistas que não terminaram a Lombardia.


6 de outubro de 2019

Froome já treina na estrada e regressa este mês para uma corrida

(Fotografia: Twitter Chris Froome)
Chris Froome vai mesmo regressar ainda em 2019 e já faz treino de estrada. 15 semanas depois do acidente que ameaçou a sua carreira, o britânico prepara-se para participar no Critérium de Saitama, uma das provas de final de temporada, sem pressão competitiva e mais marcada pela descontracção e ambiente de festa. Froome terá a seu lado aquele que será o seu sucessor na Ineos, Egan Bernal, o vencedor da Volta a França deste ano.

Desde que, ainda no hospital, o médico lhe disse que poderia recuperar por completo e prosseguir a sua carreira como ciclista, que Froome tudo fez para cumprir aquele que acabou por ser o seu objectivo para 2019 após a queda: regressar para lutar por o que mais quer, a quinta vitória no Tour. Froome caiu no reconhecimento do contra-relógio do Critérium du Dauphiné em Junho e toda uma época ficou perdida naquele acidente. Froome tinha como plano único atacar a Volta a França e igualar o recorde de vitórias na mítica corrida. Em vez disso, ficou afastado e assistiu à confirmação do fenómeno Egan Bernal.

Froome fracturou o esterno, uma vértebra perto do pescoço, o fémur, cotovelo, algumas costelas e perdeu muito sangue. O cenário foi de tal forma assustador, que Daniel Martin, da UAE Team Emirates, admitiu que ao ver o britânico no chão, chegou a pensar o pior.

Durante as últimas semanas, Froome foi mostrando alguns pormenores da sua recuperação e enquanto não podia mexer uma das pernas, foi pedalando só com uma, em casa. Há pouco tempo foi visto a treinar numa pista e o regresso à estrada pareceu mais próximo, ainda que a palavra de ordem fosse sempre "calma". As previsões iniciais apontavam para uma ausência de cerca de seis meses e para um nível competitivo mais intenso esse tempo será cumprido e provavelmente ultrapassado. Mas para Froome será importante voltar a sentir-se integrado no pelotão, num ambiente diferente, como sempre é o desta corrida japonesa, com muitos momentos extra para os ciclistas se divertirem, enquanto se mostram aos fãs nipónicos.

O ano de Froome acabará assim bem melhor do que foi. Ainda há pouco tempo voltou ao hospital para ser operado a um dedo que cortou enquanto cozinhava! O próprio admitiu que estava ansioso que chegasse 2020. Aos 34 anos, Froome dá indicações de estar perto de superar um dos maiores desafios da sua carreira, ficando-se agora à espera de perceber se será o mesmo Froome de antes da queda, o ciclista que poderá disputar uma grande volta.

O Critérium de Saitama realiza-se a 27 de Outubro e contará com muitas mais estrelas do ciclismo, a maioria são as que se destacaram na Volta a França ou noutras corridas organizadas pela ASO. Romain Bardet (vencedor da classificação da montanha no Tour), Jakob Fuglsang (vencedor do Critérium du Dauphiné), Matteo Trentin (venceu uma etapa no Tour), além de nomes como Alejandro Valverde, Marc Soler e Omar Fraile, por exemplo.

Aqui ficam os ciclistas já confirmados.

AG2R: Romain Bardet, Mikael Chérel, Benoit Cosnefroy (Fra), Oliver Naesen (Bel);
Astana: Jakob Fuglsang (Din), Jan Hirt (Che), Omar Fraile (Esp), Manuele Boaro (Ita);
Mitchelton-Scott: Matteo Trentin (Ita), Daryl Impey (AfS), Luka Mezgec (Esl), Luke Durbridge (Aus);
Movistar: Alejandro Valverde, Marc Soler, Imanol Erviti, Antonio Pedrero (Esp);
Ineos: Egan Bernal, Ivan Ramiro Sosa (Col), Chris Froome (GB), Jonathan Castroviejo (Esp);
Total Direct Energie: Lilian Calmejane, Anthony Turgis, Jérôme Cousin (Fra), Rein Taaramäe (Est);
Equipa Japão Volta a França: Yukiya Arashiro (Jap).


15 de junho de 2019

Revelados mais pormenores das fracturas de Froome. Poderá recuperar em seis meses

(Fotografia: © Team Ineos)
Aos poucos vão sendo revelados mais pormenores sobre as consequências da aparatosa queda que Chris Froome sofreu na quarta-feira. Além das lesões anunciadas no dia, sabe-se agora que o ciclista da Ineos também fracturou o esterno e uma vértebra na zona do pescoço. Um dos médicos que operou o britânico disse ainda que Froome perdeu cerca de dois litros de sangue devido ao acidente. O corredor enviou uma mensagem aos fãs e garantiu que está focado em regressar ao seu melhor.

Os pormenores que se vão conhecendo ajudam a explicar por que razão Daniel Martin, ciclista da UAE Team Emirates que assistiu à queda, admitiu que chegou a pensar o pior. Além da fractura no fémur, cotovelo e algumas costelas, Froome tem ainda fracturas no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7. O ciclista poderá ficar no hospital até cerca de seis semanas e a recuperação será longa, ainda que Giorgio Gresta, o médico que operou o cotovelo de Froome, considera que em seis meses o ciclista poderá pensar regressar ao ciclismo.

O corredor está nos cuidados intensivos do Hospital de St. Etienne, para onde foi transportado depois de ser assistido em Roanne, onde sofreu a queda durante o reconhecimento do contra-relógio do Critérium du Dauphiné. "[Está nos cuidados intensivos] como uma medida de precaução devido à cirurgia a que foi submetido e tendo em consideração que perdeu muito sangue, cerca de dois litros", disse Gresta à Gazzetta dello Sport. Assegurou também que Froome não corre "nenhum risco específico" e que o importante é que "esteja calmo e relaxado". O tempo de recuperação também depende da vontade do paciente e a de Froome é muita. "Ele pode precisar apenas de seis meses para regressar mais forte do que nunca", afirmou o médico.

As palavras de Froome confirmam essa vontade. "É um revés e um dos grandes. Estou focado em olhar em frente. Tenho um longo caminho de recuperação pela frente, mas começa agora e estou completamente focado em regressar ao meu melhor", lê-se no comunicado divulgado pela equipa. O ciclista da Ineos agradeceu as muitas mensagens que recebeu, afirmando que não esperava e que lhe têm dado força. O maior agradecimento vai para todos os médicos que o ajudaram, tanto no local da queda, como no hospital de Roanne e de St. Etienne. "Sei a sorte que tenho em estar aqui hoje e quanto o devo a todos os paramédicos e pessoal médico", afirmou.

O sonho de igualar o recorde de cinco vitórias na Volta a França ficou adiado depois de Froome cair a cerca de 60 quilómetros/hora. O britânico tirou a mão do guiador para limpar o naríz e nesse momento uma forte rajada de vento acabou por provocar a queda. Agora assiste de fora ao que os seus companheiros estão a fazer e este sábado Wout Poels, um dos seus fiéis escudeiros, venceu a etapa rainha do Critérium du Dauphiné e dedicou-a a Froome.

O homem que irá agora ser líder da Ineos no Tour sem discussão, Geraint Thomas, começou a Volta à Suíça com o 13º tempo no contra-relógio de 9,5 quilómetros em Langnau im Emmental, a 17 segundos do vencedor, Rohan Dennis (Bahrain-Merida). Egan Bernal foi 26º, a 23 segundos. A equipa começa a reorganizar-se a pensar que fará um Tour sem Froome, mas há que não esquecer que Thomas foi o vencedor de 2018, sem contestação e com uma excelente e autoritária prestação.


13 de junho de 2019

Após seis horas de cirurgia Froome só pensa em recuperar e pode ter ganho mais uma grande volta

(Fotografia: © Team Ineos)
Chris Froome jamais esperaria estar a ser notícia por estas duas razões nas últimas 24 horas. Primeiro, o mais importante, já que se refere ao estado de saúde do ciclista. Foi operado, está bem e já a pensar em todas as possibilidades de reabilitação. Segundo, Froome pode ter ganho mais uma grande volta. Até será a sua primeira! Juan José Cobo foi suspenso pela UCI por irregularidades no passaporte biológico entre 2009 e 2011, ou seja, perde os resultados dessas três épocas, incluindo a Volta a Espanha.

O espanhol, agora com 38 anos, ainda pode recorrer para o Tribunal Arbitral de Desporto, como a própria UCI realçou no comunicado hoje divulgado. "O Tribunal Anti-Doping considerou o ciclista retirado de violar uma regra anti-doping (uso de substâncias proibidas) baseado em anormalidades detectadas no passaporte biológico entre 2009 e 2011 e impôs uma período de inelegibilidade ao corredor de três anos", lê-se. De referir que o Tribunal Anti-Doping é um organismo da UCI, ainda que seja independente.

O site Ciclo21 explica que a análise do passaporte de Cobo por parte de responsáveis da UCI levantou suspeitas e foram efectuadas novas análises, nas quais foram detectadas uma substância dopante, não especificada. No site lê-se que não se trata de valores anómalos que podem acontecer em caso de algum tratamento médico, o que leva a que seja considerado um teste positivo. De recordar que a prescrição na reanálise de amostras ou do passaporte biológico só acontece ao fim de dez anos.

Como foi dito, Cobo pode ainda recorrer e tem um mês para o fazer. Se não o fizer ou se for dada razão à UCI, então o espanhol ficará mesmo sem Volta a Espanha de 2011 a sua grande conquista da carreira. Aquela vitória de Cobo foi uma das maiores surpresas dos últimos anos, ainda mais com o ciclista a estar então numa equipa Profissional Continental: a Geox-TMC Transformers.

Foi uma corrida de grande espectáculo, nos primórdios da Sky, então ainda sem vitórias em três semanas. Bradley Wiggins era o líder e um jovem Chris Froome o escudeiro. Porém, o líder começou a perder tempo, mas a equipa demorou a dar liberdade a Froome. Acabou por o fazer, mas já foi tarde de mais. O britânico perdeu a Vuelta por 13 segundos.

O resto é história. Wiggins ganhou o Tour no ano seguinte, Froome ganhou quatro, um Giro e uma Vuelta, esta em 2017. Porém, a história poderá ser rescrita. A confirmar-se a atribuição da vitória na Vuelta de 2011 a Froome, então o ciclista passará a ser o primeiro britânico a conquistar uma grande volta e não Wiggins. Também será a sua primeira grande conquista em três semanas e não o Tour de 2013 e somará sete ao todo.

Wiggins ficará com o segundo lugar nessa Vuelta, com Bauke Mollema a conseguir assim o seu primeiro pódio numa grande volta. E o holandês foi primeiro a reagir com um brinde.

Ao vencer aquela Vuelta, Cobo foi contratado pela Movistar, mas nunca mais esteve perto do nível apresentado naquelas 21 etapas. Conquistou ainda a etapa do Anglirú, que pode agora perder para Wout Poels, ciclista que apesar de ser da Ineos (ex-Sky), estava na Vacansoleil-DCM. Cobo manterá no currículo o triunfo na geral da Volta ao País Basco em 2007 e a etapa na Volta a Portugal no ano seguinte, na Senhora da Graça. Depois de duas épocas na Movistar sem resultados, Cobo foi para a equipa Continental turca Torku Şekerspor, mas 2014 foi o seu último ano de profissionalismo.

Pode ler aqui o comunicado da UCI na íntegra (em inglês).

Froome de olhos postos no futuro

Por razões óbvias, Chris Froome não reagiu à notícia, até porque será preciso esperar pela decisão de Cobo em recorrer ou não. O britânico está mais preocupado com o seu futuro, do que com o que aconteceu em 2011. Depois da queda a cerca de 60 quilómetros/hora no reconhecimento do contra-relógio de quarta-feira do Critérium du Dauphiné, o ciclista foi operado, numa intervenção cirúrgica que durou seis horas. A Ineos confirmou que Froome tem fracturas no fémur, no cotovelo e em algumas costelas.

O ciclista está nos cuidados intensivos do Hospital de St. Etienne e vai ficar mais uns dias sob observação, segundo explicou o médico da equipa, Richard Usher. Mas Froome já está a pensar em como poderá recuperar. "Ele está activamente a discutir as suas opções de reabilitação, o que é muito encorajador", disse Richard Usher.

Froome pediu para agradecer as muitas mensagens de apoio que tem recebido e nos próximos dias ele próprio irá divulgar um comunicado. Para já, começa um processo de recuperação ainda sem qualquer previsão para quando poderá regressar à competição. Certo é que a luta por uma eventual conquista da quinta vitória no Tour fica adiada.

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12 de junho de 2019

Froome está fora da Volta a França

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Foi um choque generalizado. Chris Froome está fora da Volta a França. Mais do que falhar a oportunidade de tentar conquistar um histórico quinto Tour, o britânico ficou gravemente ferido numa queda durante o reconhecimento do contra-relógio no Critérium du Dauphiné. Dave Brailsford, o director da Ineos, confirmou a ausência do seu líder da corrida que arrancará a 6 de Julho, em Bruxelas. Desabafou ainda que vai demorar algum tempo até Froome estar de regresso à competição, sendo prematuro falar da Volta a Espanha. 

Froome fracturou o fémur, o cotovelo direito e as costelas, mas não só, segundo o médico da Ineos. O ciclista circulava a uma velocidade de cerca de 60 quilómetros/hora em Roanne quando caiu, com Brailsford a explicar que o britânico "tirou a mão do guiador para limpar o nariz" quando uma rajada de vento "levou" a roda da frente. Froome terá embatido contra um muro. Uma ambulância de apoio a corrida estava próxima do local e o ciclista foi rapidamente assistido, sendo transportado de helicóptero para o hospital.

"O Chris foi levado para o Hospital de Roanne, onde os exames preliminares confirmaram vários ferimentos, os mais destacados a fractura no fémur e cotovelo direito. Ele também sofreu fracturas nas costelas", explicou Richard Usher. O médico da Ineos acrescentou que Froome estava a ser transportado de helicóptero para o Hospital Universitário de St. Etienne.

O acidente ocorreu 24 horas depois de Brailsford dizer que a Ineos iria apoiar totalmente a busca de Froome pela quinta vitória no Tour, que colocaria o britânico ao nível dos recordistas Eddy Merckx, Bernard Hinault, Jacques Anquetil e Miguel Indurain. Depois de um 2019 discreto, Froome estava a dar as primeiras indicações de boa forma no Critérium du Dauphiné.

Pela segunda grande volta consecutiva, a Ineos perde o seu líder pouco antes do início da prova. Egan Bernal caiu e fracturou a clavícula num treino, o que o deixou de fora do Giro. O colombiano tem 22 anos e por mais desiludido que tenha ficado, não lhe faltarão hipóteses de lutar por vitórias. Para Froome o cenário é bem diferente. Tem 34 anos e longe de se poder de dizer que está velho para o ciclismo, o britânico sabe que não tem muito mais tempo pela frente, ainda mais com a nova geração a começar a aparecer, mesmo dentro da Ineos. Também por isso optou este ano por apostar tudo no Tour, abdicando de regressar a Itália. Não quis dividir a época como em 2018. Queria estar "fresco" para inscrever o seu nome na história da Volta a França. Terá de esperar mais um ano.

Para Froome o grande objectivo passará por recuperar fisicamente. Para a Ineos o objectivo passará por refazer a estratégia para o Tour. Geraint Thomas terá de ser a aposta principal. Merece, sendo ele o último vencedor e um ciclista de tanta qualidade, com capacidade de liderança. Se há um ano não teve o apoio total da equipa desde o início, agora será diferente, ainda que não seja de excluir um plano B chamado Egan Bernal.

Brailsford tinha apontado que o colombiano iria ajudar Froome a pensar numa futura liderança. Bernal é um ciclista que respeita profundamente as hierarquias e também por isso vai conquistando o respeito dentro da estrutura, mas se a oportunidade surgir, será lançado na frente. Se assim for não se poderá falar em partilhas de lideranças, mas sim numa táctica que poderá "atrapalhar" os rivais.

A Ineos perdeu o seu capitão, mas irá ao Tour com a mesma capacidade dominadora a que tanto habituou como Sky. Thomas tem a escola toda da estrutura britânica. Mas claro, já se começa a projectar uma Volta a França diferente, com os rivais a talvez serem mais afoitos sem um Chris Froome a intimidar.

Ainda é cedo para discutir tácticas. Para já a reacção foi mesmo de choque por parte do restante pelotão e a expectativa é saber quanto tempo irá demorar Chris Froome a regressar e se o irá conseguir fazer na máxima força. Que seja o mais rapidamente possível e a 100%.

Esta será a primeira vez que Froome falhará a sua corrida de eleição desde 2012, quando foi segundo, atrás do companheiro Bradley Wiggins. Venceu em 2013, 2015, 2016 e 2017. Abandonou devido a queda em 2014 e foi terceiro no ano passado atrás de outro colega de equipa, Geraint Thomas, e Tom Dumoulin (Sunweb). A sua estreia foi em 2008, com um 83º lugar. Soma ainda sete vitórias de etapas na Volta a França.


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»»Nibali dá início à dança dos líderes««

Primeira vitória World Tour para Van Aert... Não foi bem como se esperaria

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Aí está a primeira vitória World Tour de Wout van Aert. Não foi bem como se esperaria, mas certamente que ninguém se estará a queixar, desde o ciclista, à equipa. A grande contratação para as clássicas mostrou dotes de contra-relogista e logo num Critérium du Dauphiné. Isto depois de já ter demonstrado que não tem problema nenhum em intrometer-se entre os sprinters. O belga foi anunciado para a Volta a França pela Jumbo-Visma e não demorou em demonstrar porquê.

Num dia em que a queda e confirmação que Chris Froome (Ineos) não irá ao Tour acabou por marcar o Critérium du Dauphiné, a vitória de Van Aert como que ficou para segundo plano. Mas o belga merece o seu lugar de destaque. A época de clássicas não foi má. Longe disso. Somou dois pódios e andou quase sempre entre os primeiros. Porém, faltou a desejada vitória e claro que numa perspectiva de rivalidades, as comparações com Mathieu van der Poel não ajudaram, pois o holandês da Corendon-Circus tomou de assalto a fase de clássicas.

É uma rivalidade que vem do ciclocrosse e que ainda dará muito que falar. Para já, um destacou-se onde se esperava, enquanto Van Aert parece estar finalmente na rota para confirmar o seu valor, mas, por agora, em palcos diferentes. E fica já demonstrado que é muito mais que um ás no ciclocrosse e que uma enorme promessa para as clássicas.

"Trabalhámos nas minhas capacidades de contra-relogista nas últimas semanas, mas não sabia que era possível ganhar a este nível. Estou super feliz", afirmou Van Aert, que terá Roanne como um local especial na sua carreira, já que foi o local dos 26,1 quilómetros da quarta etapa do Critérium du Dauphiné.

Um contra-relógio longo, com uma subida para dificultar, mas que não impediu Van Aert de se superiorizar a especialistas. Senão vejamos: completou a distância em 33:38 minutos, deixando Tejay van Garderen (EF Education First) a 31 segundos e Tom Dumoulin (Sunweb) a 47. O holandês pode ainda não estar no seu melhor depois da lesão no joelho após queda no Giro, mas ainda assim não tira qualquer mérito à prestação de Van Aert que voou neste contra-relógio.

Todos os problemas que enfrentou desde que quebrou contrato com a antiga equipa, as incertezas quanto à possibilidade de ficar um ano sem competir e o processo em tribunal que ainda decorre com a ex-equipa a considerar que Van Aert não teve razões para terminar o vínculo, abalou muito o ciclista. A época de ciclocrosse foi fraca comparada com anos anteriores e quando começou a de estrada, apesar de alguns bons resultados, não foi o ciclista de 2018. Estabilidade alcançada, completamente integrado na Jumbo-Visma e Wout van Aert pode muito bem ter aberto a porta das grandes vitórias que se esperam dele.

De referir que Van Aert é ainda o líder dos pontos e da juventude no Critérium du Dauphiné, que tem Adam Yates com a camisola amarela. O ciclista da Mitchelton-Scott não é conhecido por ser um contra-relogista digno de nota, mas tal como o irmão está a melhorar e o sexto tempo no dia permitiu que subisse à liderança. Boas indicações do britânico para o Tour.

Pode ver aqui os resultados completos da quarta etapa, via ProCycling Stats.

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11 de junho de 2018

Lotto Soudal proibida de utilizar gel aerodinâmico

(Fotografia: Photo News/Lotto Soudal)
O brilho nas pernas dos ciclistas da Lotto Soudal que se viu no contra-relógio colectivo do Critérium du Dauphiné, não se repetiu na Volta à Suíça. O gel utilizado chamou muita atenção e a UCI abriu de imediato uma investigação. A proibição foi agora confirmada, pelo menos até que seja feita uma análise mais detalhada. A equipa belga é que não se conforma e compara a situação aos fatos que a Sky utiliza desde o último Tour. Diz mesmo que se não houver uma resposta mais concreta até à Volta a França, que o gel poderá ser novamente utilizado.

"É um gel aerodinâmico. Um gel de velocidade. O gel reduz a resistência do ar", explicou o médico da Lotto Soudal, Servaas Bingé, ao Sporza, aquando do Dauphiné. A equipa tinha sido terceira no contra-relógio da terceira etapa e muito se falava do brilho nas pernas dos ciclistas. O gel ao ser aplicado cria umas bolinhas que provocam o tal brilho. A UCI entrou imediatamente em acção, assim como a organização da corrida, ainda que tenham dito que nada seria decidido antes do final da prova em França.

No prólogo da Volta à Suíça, a Lotto Soudal foi apenas 12ª, mas não se pode culpar tudo no gel, já que estamos a falar de percursos e distâncias diferentes, além de terem sido outros ciclistas em acção. "Recebi um telefonema do Jean-Christophe Péraud, o director dos Materiais e Equipamentos da UCI. Ele disse-me que [o gel] não é permitido, que irão investigar o assunto e que os regulamentos, com o Tour à porta, será ajustado nas próximas semanas", explicou Marc Sergeant ao jornal belga Het Nieuwsblad.

O responsável da Lotto Soudal não ficou nada satisfeito com a decisão de Péraud, recordando que a Sky continua a utilizar os fatos de contra-relógio que geraram muita polémica há um ano. "Também neles há faixas nos ombros e braços que reduzem a resistência do ar a alta velocidade", referiu, acrescentando que Péraud lhe disse que não deveria colocar nada nas pernas que tenha a intenção de andar mais rápido. "A minha questão é: o protector solar ou a lama não são permitidos? Certamente que não com os actuais regulamentos."

Ironias à parte, os regulamentos determinam que não é permitida a utilização de equipamentos que tenham elementos que sejam acrescentados com o objectivo de dar ao ciclista maior aerodinâmica, sendo dado o exemplo de "asas" na zona dos braços. "É obrigatória roupa que siga a forma do corpo do ciclista", é esta a regra. Foi também com esta justificação que fez com que os fatos de contra-relógio da Sky fossem permitidos e que são hoje em dia já algo normal de se ver.

A questão da Lotto Soudal prende-se por estar em causa um produto que não pertence ao equipamento. "Se não tivermos uma resposta satisfatória, somos capazes de levar [o gel] para o Tour", disse Sergeant.


2 de junho de 2018

Nibali e a última oportunidade para ganhar o Tour

Nibali já ganhou um monumento este ano, a Milano-Sanremo.
Agora quer o seu segundo Tour (Fotografia: Facebook Milano-Sanremo)
Não foi fácil para Vincenzo Nibali trocar o Giro pelo Tour, num ano em que a Volta a Itália esteve três dias na "sua" Sicília. Porém, o italiano de 33 anos acredita que poderá estar perante uma última oportunidade para ganhar novamente a corrida francesa, pelo que concentrou a sua preparação nesta grande volta, depois de uma época de clássicas marcada por uma surpreendente e brilhante vitória no monumento da Milano-Sanremo e uma estreia muito positiva na Volta a Flandres.

Nas últimas semanas tem sido tudo feito a pensar no Tour. De tal forma que Nibali é dos poucos chefes-de-fila que escolheu o Critérium du Dauphiné e não a Volta à Suíça como a prova para testar a sua forma e ambientar-se ao que o espera em Julho. Com o Tour a começar uma semana mais tarde do que o habitual, para assim não cruzar em demasia com o Campeonato do Mundo de Futebol, a presença na Suíça foi vista como preferível por muitos, por ter uma distância menor para o arranque do Tour. Realiza-se de 9 a 17 deste mês. O Critérium du Dauphiné começa já este domingo e acaba a 10.

"A Volta à Suíça é uma semana mais tarde, mas no Dauphiné entras no ambiente do Tour. É muito importante", referiu o ciclista da Bahrain-Merida à Gazzetta dello Sport. Nibali também aproveitará para conhecer melhor certos locais que estarão no Tour. Como o organizador é o mesmo, a parecença entre as algumas etapas é absolutamente propositada.

Nibali está a realizar uma excelente temporada e o plano de atacar o Tour como principal corrida de três semanas até já vem do ano passado. Na estreia da Bahrain-Merida, o italiano fez pódio no Giro e Vuelta. Fica a faltar a corrida francesa, que venceu em 2014, mas cuja vitória continua a ser mais recordada por ter sido na edição em que Alberto Contador e Chris Froome abandonaram, do que propriamente pelo mérito de Nibali. Apesar de ter no seu currículo as três grandes, não parece ser suficiente para o colocar aos olhos de muitos como um dos grandes ciclistas. Falta ganhar o Tour frente aos principais rivais. Contador já se retirou e Froome pode até nem estar presente, mas só a equipa da Movistar quase que é suficiente para "validar" uma vitória em França. Só ali estão três dos grandes nomes da actualidade: Nairo Quintana, Alejandro Valverde e Mikel Landa. Mas claro que haverá mais fortes candidatos, como Romain Bardet e Richie Porte, por exemplo, que diga-se, ainda não ganharam uma grande volta.

O líder da Bahrain-Merida estará mesmo convencido que poderá estar perante uma última oportunidade para ganhar pela segunda vez a Volta a França. Foi Mauro Vegni quem o disse. O director do Giro contou à Gazzetta dello Sport, durante a aquela corrida, a conversa que teve com o ciclista quando este lhe disse que não iria correr em Itália: "Tenho muita pena Mauro. O Giro tem um lugar especial no meu coração, mas este ano é talvez a minha última oportunidade para ganhar um segundo Tour. Se não tentar este ano..." Vegni disse na altura que entendeu a decisão. Com o que tem feito este ano e também já no final de 2017 (com a segunda vitória na Lombardia), Nibali parte com um favoritismo maior do que noutras edições.

Num Tour que, para já, aparenta poder ser mais aberto do que nas últimas edições dominadas pela Sky - dando assim seguimento ao que aconteceu há um ano, quando Froome e a equipa já não foram tão poderosos como outrora -, Nibali e outros candidatos olham para a próxima edição com uma esperança renovada. Mesmo que o britânico esteja presente, enfrentou um exigente Giro, enquanto quase todos os seus rivais guardaram forças para França.

Nibali surgiu diferente em 2018, muito atacante, claramente mais motivado e determinado em conquistar grande triunfos. Tem sido dos ciclistas que mais mexe nas corridas e fica a curiosidade se será uma postura que pretende manter no Tour. Sempre foi uma característica sua, mas andava um pouco "escondida". Tem contrato até 2019, mas a Bahrain-Merida estará a pensar em prolongar o vínculo. No entanto, Nibali está agora preocupado com o presente e em conquistar um objectivo que quase parece que nunca o fez. E depois também já está mais do que definido: será o ataque aos Mundiais. Já andou por Innsbruck, na Áustria a fazer o reconhecimento e talvez mais do que nunca pense na camisola do arco-íris. Na recta final da carreira (que ainda pode ter alguns pela frente), Nibali quer ser um ganhador. A mentalidade de Valverde é claramente contagiosa!

Os adversários no Critérium du Dauphiné

Até pode parecer estranho, mas esta corrida sempre tão procurada por quem prepara o Tour, não terá nenhum antigo vencedor. Jakob Fuglsang (Astana) vai à Volta à Suíça, Chris Froome está a descansar do Giro, Andrew Talansky e Bradley Wiggins já se retiraram e Janez Brajkovic está agora numa equipa Continental, a Adria Mobil. Alejandro Valverde ganhou em 2008 e 2009, mas também preferiu a Suíça.

Será um Dauphiné com um pelotão um pouco diferente, contudo, Nibali irá medir forças com adversários que estarão no Tour, a começar pelos franceses, que não trocam esta corrida pela helvética. Romain Bardet (AG2R) e Warren Barguil (Fortuneo-Samsic) foram duas figuras há um ano, mas a mudança de equipa não tem feito bem a Barguil que anda basicamente desaparecido. Será uma boa oportunidade para ver como está este ciclista que saiu da Sunweb para garantir um papel de líder, mas que ou está a guardar tudo para o Tour, ou a opção pode não estar a ser a mais benéfica. É esperar para ver, pois se fizer uma boa Volta a França, aos olhos da equipa será o mesmo basicamente o mesmo que dizer que fez uma boa época.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Bob Jungels (Quick-Step Floors) também trocaram o Giro para pensar apenas no Tour e estarão no Dauphiné. Daniel Martin foi uma desilusão nas Ardenas e a UAE Team Emirates bem precisa de sinais positivos do irlandês depois de Fabio Aru ter fracassado em Itália (Rui Costa vai à Volta à Suíça, que venceu três vezes). Marc Soler poderá estar no Tour com um papel mais de apoio - talvez com alguma liberdade para tentar uma etapa -, mas depois de vencer o Paris-Nice, o espanhol ganhou estatuto na Movistar e estará no Dauphiné com intenções de continuar a afirmar-se.

A Sky pode não ter Froome - conquistou esta corrida em três ocasiões, tendo depois ganho sempre o Tour -, mas leva Geraint Thomas, que está ansioso por assumir-se como líder quer o seu companheiro esteja ou não. O galês não fez segredo que quer ser mais do que um gregário. A equipa não gosta nada que os seus ciclistas se desviem dos planos de fazerem tudo por um líder (que o diga Mikel Landa), mas tendo em conta a indefinição do futuro de Froome, Thomas tem de estar mesmo preparado para um papel de maior destaque. Egan Bernal pode ir ao Tour, pode até ter tudo para ser uma das figuras e ofuscar Thomas, mas não deixa de ter 21 anos e nunca fez uma grande volta.

Michal Kwiatkowski teve um bom arranque de temporada com vitórias no Algarve e no Tirreno-Adriatico, mas passou ao lado das clássicas. Os dois, o polaco e Thomas, surgem como candidatos e como se viu na Algarvia, a Sky pode jogar as duas armas para garantir o triunfo no Dauphiné, ainda que a importância é bem maior, pelo que se Thomas estiver de amarelo terá a tentação, por assim dizer, de querer manter a camisola até final.

Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) serão os representantes portugueses no Dauphiné. O campeão nacional tem prevista a participação na Volta a Espanha, enquanto Machado poderá ser uma opção para o Tour. A equipa da Katusha-Alpecin está longe de estar definida para a corrida francesa. Estão quatro lugares em aberto. Além de Zakarin, Marcel Kittel, Tony Martin e Pavel Kochetkov são as opções já conhecidas.

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11 de junho de 2017

Podemos ter um pouco do espectáculo do Dauphiné no Tour por favor?

(Fotografia: ASO/A.Broadway)
Não queremos abusar da confiança, mas caros ciclistas que vão estar na Volta a França e que estiveram no Critérium du Dauphiné, será que podem dar novamente um pouco do espectáculo no Tour como fizeram esta semana? Percebemos que são três semanas e que a capacidade física tem de ser gerida de outra forma, contudo, por favor tenham um pouco da atitude que mostraram no Dauphiné. É tão bom ser fã de ciclismo quando alguns dos melhores do mundo lutam pela vitória e não jogam maioritariamente à defesa, com receio do que um homem possa fazer...

O Critérium du Dauphiné é uma espécie de antecâmara para o Tour, ainda que este ano seja muito mais difícil tirar grandes conclusões sobre os candidatos à Volta à França. Todos atacaram, todos sofreram, todos mostraram que estando uns melhores que outros, ainda há alguns pormenores a aprimorar até ao dia 1 de Julho. Jakob Fuglsang foi o vencedor surpresa que o Dauphiné de vez em quando tem, mas uma das grandes figuras foi Richie Porte, isto quando se fala de candidatos ao triunfo no Tour. Em anos anteriores foi mais fácil perceber quem se encontrava melhor ou pior a caminho da grande volta. Em 2017 parece que teremos mesmo de esperar pelo Tour. Ainda assim, há ilações que se podem tirar. Vamos por pontos.

E agora Astana?

Depois da queda que o tirou do Giro100, Fabio Aru não teve outra hipótese se não apontar ao Tour. Porém, a Astana tinha prometido a Jakob Fuglsang que ele é que seria o líder em França, antes do incidente do italiano. Aru chegou ao Dauphiné sem saber muito bem como estaria a sua forma. Está boa, recomenda-se e poderemos ter o Aru que gosta de mexer nas corridas e não aquele Aru que no Tour de 2016 foi uma sombra de sim mesmo. Porém, Fuglsang apareceu ainda melhor. Venceu duas etapas e na última o dinamarquês foi simplesmente fenomenal, tirando o que parecia ser uma vitória quase garantida a um Porte que até então estava fortíssimo. De uma assentada, o ciclista que nunca tinha ganho numa competição World Tour, somou três triunfos e logo numa das mais importantes corridas do calendário.

Fuglsang junta-se a Andrew Talansky e Janez Brajkovic como vencedores inesperados em tempos recentes. Mas esta vitória veio baralhar as contas da Astana. Não parecia haver grandes dúvidas em colocar Aru como líder, mas agora o dinamarquês deixou uma mensagem que mais forte era impossível: está pronto para lutar no Tour. Aos 32 anos as oportunidades começam a fechar-se para Fuglsang. Há pouco mais de um mês a Astana vivia momentos dramáticos, com o acidente de Aru e pouco depois a trágica morte de Michele Scarponi. Agora a formação cazaque tem um problema que certamente prefere: terá de escolher entre dois ciclistas em forma ou tentar gerir egos e tirar o melhor proveito tanto de Fuglsang como de Aru. De destacar ainda, que a equipa só contava com uma vitória este ano, precisamente por intermédio de Scarponi dias antes de morrer, o que significa que agora respira um pouco mais de alívio.

Porte e a sina do dia mau

Que enorme Richie Porte. Mesmo na hora da derrota foi enorme. Pelo que fez Fuglsang naturalmente que o dinamarquês mereceu (e muito) a vitória no Dauphiné, mas ela também teria ficado bem no australiano da BMC. Fez quase tudo bem. Foi exímio no contra-relógio, não se limitou a controlar e tentou ganhar vantagem nas montanhas. Mas uma boa equipa a rodear o líder é algo que dá muito jeito quando as diferenças não são grandes e são muitos os que podem tentar atacar. Assim foi. Porte foi obrigado a responder a um ataque em massa contra ele. Parecia que depois de ter estado tão bem durante toda a semana que mais uma vez teria um dia mau que lhe estragaria todo o trabalho.

Perdeu o Dauphiné, pelo que não se pode dizer que o dia foi bom. Porém, a recuperação de que foi autor, sozinho, conseguindo deixar Alberto Contador para trás como se o espanhol fosse um vulgar ciclista, apanhando Chris Froome que não aguentou o ritmo do seu antigo companheiro... Richie Porte foi fenomenal num dia que parecia que iria acabar em desgraça. Por dez segundos perdeu o Dauphiné. Dez segundos que se ganham nas bonificações ao ganhar uma etapa, como fez Fuglsang. No final Froome disse que Porte é o favorito para o Tour. Fica-lhe bem ainda mais sendo os dois amigos. Talvez não seja o favorito, mas Richie Porte já não é apenas um candidato ao pódio. Depois do que fez no Dauphiné é um candidato a lutar pela vitória.

Este estranho Chris Froome

Tem sido um ano atípico para o britânico. Ainda não venceu e até ao Dauphiné não tinha realizado prestações convincentes nos poucos dias em que tinha competido. Em França disse que queria ganhar, o que teria sido a quarta vitória, um recorde nesta corrida. E claro que há ainda aquela curiosidade, pois sempre que ganhou o Dauphiné, ganhou o Tour. No entanto, vimos rasgos daquele Froome que parece estar à beira de dar o estouro e de repente lá vai ele atrás de todos e a lutar pelo primeiro lugar. Por outro lado, vimos também um Froome a fraquejar, a terminar em esforço e quase esgotado.

O pódio fugiu-lhe por um segundo. Froome foi dizendo que ainda tinha a melhorar até ao Tour e, ao contrário de Contador, as suas afirmações são convincentes. Não se pode esperar que o super Froome se mantenha ano após ano, mas pode-se esperar que será um ciclista mais forte aquele que irá aparecer na competição em que quer fazer história, tendo como alvo cinco vitórias. Vai nas três.

Há ainda que ter em conta que Froome não teve aquela Sky controladora que provavelmente terá no Tour. E essa será sempre a grande diferença do britânico para Porte e para qualquer outro candidato: tem uma equipa fortíssima. Os responsáveis ainda estão a tentar perceber quem poderá ser a melhor opção para rodear o seu líder. Peter Kennaugh terá ganho um lugar ao lado de Froome ao vencer uma das etapas, mostrando estar bem fisicamente. Michal Kwiatkowski terá um papel importante, mas no Dauphiné não estiveram Geraint Thomas, Mikel Landa e Wout Poels. Claro que há um enorme ponto de interrogação quanto à forma deste trio. Os dois primeiros estiveram no Giro, com Thomas a abandonar devido a uma queda. Poels tem tido problemas físicos e não compete desde Fevereiro (vai voltar na Route du Sud).

Romain Bardet a precisar de consistência

Quando está bem, está mesmo bem. Mas estraga tudo com contra-relógios fracos e no Dauphiné não ajudou ter entrado mal nas montanhas. Compensou no sábado e no domingo. E de que maneira. É aquele Romain Bardet (AG2R) que se lhe reconhece o talento e qualidade para terminar no pódio do Tour. Este é um ciclista do mais puro trepador que existe. Adapta-se bem a vários tipos de montanhas e tem uma excelente capacidade de leitura de corrida. E depois tem uma características fantástica para quem gosta de espectáculo: gosta de atacar, gosta de testar, mas sendo inteligente na forma como o faz para não pagar o esforço mais tarde.

Se Bardet conseguir apresentar consistência na Volta a França, que é como a quem diz, não estragar tudo num dia, poderá pensar em chegar ao pódio. Porém, nem tudo é bom neste ciclista. O certo desprezo que demonstra pelo contra-relógio pode custar-lhe caro. O francês não está interessado em evoluir muito mais, mas tendo em conta que no Dauphiné nem demonstrou ter capacidade para pelo menos defender-se um pouco... A ver vamos se neste caso não pagará um preço bem alto, mesmo não havendo muitos quilómetros de esforço individual no Tour.

Alberto Contador... quase se fica sem palavras

O espanhol diz que está no ponto que pretendia, que o Dauphiné correu como esperado. O que se viu foi um ciclista irreconhecível. Citando o que disse no final: "Mais importante que a posição é que acabei fresco. O plano saiu na perfeição." Contador, serão poucos os que acreditam nessas palavras. Terminou na 11ª posição depois de um dia que teve como imagem marcante o gesto de Contador a avisar Porte para passar quando o australiano o apanhou. Foi tão mau que até Alejandro Valverde, que também não esteve feliz, o acabou por ultrapassar. Falta de ritmo, falta de explosão, falta de quase tudo. Este não é o Contador que conhecemos. Este Contador é uma imitação barata daquele campeão que já conquistou as três grandes voltas e que mesmo sem conseguir o objectivo de voltar a vencer um Tour, tem pelo menos lutado por ele.

Não foi só na última etapa que Contador cedeu. O espanhol ficou praticamente sempre a ver os seus rivais a irem embora. Se isso é considerado ser algo que correu como planeado, então será um dos maiores bluffs já vistos, caso Contador apareça em grande no Tour. A Trek-Segafredo também chumbou o teste. Com a excepção de André Cardoso - o último a deixar o seu líder - os restantes colegas rapidamente desapareciam sempre que as dificuldades começavam.

Talvez o melhor de Contador já tenha passado. Talvez ainda haja algo ali dentro que nos faça vibrar como noutros tempos (esperemos que sim, para pelo menos animar as etapas). Mas depois deste Dauphiné fica a imagem de um ciclista que começa a perceber que os outros (e já são muitos) são simplesmente melhores que ele.

Tiro no escuro da Orica-Scott

A equipa australiana optou por tirar Simon Yates do Giro para garantir que teria um homem a lutar pela geral no Tour, já que o problema no joelho de Johan Esteban Chaves começou a revelar-se mais preocupante do que inicialmente esperado. O colombiano reapareceu neste Dauphiné quatro meses depois. E nem esteve mal. Falta-lhe ritmo competitivo, mas nem se esperaria outra coisa. Contudo, será difícil que o ganhe nas duas semanas que faltam para o início da Volta a França.

Por isso é que a Orica-Scott colocou Yates como líder. Se com Chaves as expectativas não podem ser altas, com Yates podem acabar numa grande desilusão. O britânico esteve desaparecido neste Dauphiné, foi incapaz de acompanhar os principais nomes e perdeu muito tempo e os nove minutos para Fuglsang comprovam isso mesmo.

Em condições normais Chaves estaria no Tour para tentar o pódio, onde já esteve no Giro e na Vuelta. Agora a equipa sonhará que ganhe no mínimo uma etapa. Talvez para o ano se os problemas físicos não regressarem seja novamente o candidato desejável. Já de Yates a Orica-Scott espera que faça algo idêntico ao seu irmão gémeo em 2016. Adam venceu a classificação da juventude e ficou a 21 segundos do terceiro lugar. Para tal, Simon terá de melhorar muito. Foi uma das desilusões do Dauphiné. Pode e deve fazer mais e melhor.

Vamos para a Volta a França com a certeza que não há certezas. Um panorama diferente dos últimos anos dominados por Chris Froome. E a incerteza é sempre mais animadora, principalmente, e voltamos ao repto do início do texto, se estes senhores ciclistas apresentarem atitude idêntica da do Dauphiné, de lutar para ganhar e não de ficar à espera que um homem falhe.


Best of (Français) - Critérium du Dauphiné 2017 por tourdefrance

10 de junho de 2017

Alexander Kristoff está "gordo" ou a perder crédito?

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Aos 29 anos Alexander Kristoff não caiu em desgraça, mas anda lá perto. O norueguês não consegue vencer sempre que encontra uma concorrência mais forte, que supostamente devia ser a do seu nível. Às vezes nem com adversários teoricamente mais fracos consegue ganhar. A Katusha-Alpecin começa a dar sinais que está a perder a paciência com um dos seus líderes, aquele a quem lhe deram condições para lutar nos sprints e nas clássicas. As coisas correm tão mal a Kristoff que até já lhe aconteceu ver o seu lançador acabar à sua frente porque nem forças teve para o ultrapassar, quando era suposto sair da sua roda.

Kristoff soma seis vitórias este ano, apenas uma do nível World Tour, na Eschborn-Frankfurt. John Degenkolb - outro ciclista em crise de resultados - foi terceiro, mas até foi o colega Rick Zabel a ser segundo. Foi à Volta à Califórnia na esperança de reagir a alguma falta de confiança que pudesse estar a surgir na equipa, mas acabou a ver Zabel acabar à sua frente quando era suposto preparar o sprint para o norueguês. A falta de capacidade de sprintar de Kristoff foi assustadora e preocupante. Nessa altura, o ciclista da Katusha-Alpecin já tinha admitido publicamente que os responsáveis da equipa - que tem como director o português José Azevedo - o tinham avisado que estava "pesado". Kristoff salientou que mantinha os mesmo 78 quilos de sempre, mas que queriam que perdesse dois ou três. "O problema é que sou magro de pernas e braços e tenho um pouco de barriga", disse ao canal de televisão TV2, mas o peso é o mesmo, garantiu

Toda esta conversa de peso a mais pareceu mais ter sido um aviso que Kristoff está a perder crédito na equipa. Com um ordenado que ronda os dois milhões de euros por ano, é provável que as escassas vitórias e principalmente a falta de triunfos importantes esteja a parecer que o norueguês está sobrevalorizado. Teve um 2014 fantástico, com a conquista da Milano-Sanremo e de duas etapas na Volta a França. No ano seguinte somou o seu segundo monumento na Volta a Flandres e Kristoff assumiu um discurso ambicioso de querer continuar a ganhar no Tour e ganhar o Paris-Roubaix. Em 2016 eclipsou-se e em 2017 é apenas visto como candidato porque o que fez em 2014 e 2015 ainda está fresco na memória.

No Critérium du Dauphiné, Kristoff ficou a ver Arnaud Démare por um canudo e depois não voltou a estar bem posicionado para ganhar nas outras etapas que seriam para si. Fim da linha na Katusha-Alpecin? Alexander Kristoff terá mais uma oportunidade se quiser salvar o seu lugar numa equipa que apesar das remodelações que significou a entrada de muitos jovens, construiu um grupo para trabalhar em exclusivo para Kristoff. Será o tudo ou nada na Volta a França, onde Kristoff será o número um, já que Ilnur Zakarin foi ao Giro e irá à Vuelta. Ou seja, a Katusha vai sem homem para a geral, deixando a responsabilidade de bons resultados quase toda nos ombros do sprinter. Os rumores que não haverá renovação de contrato com a Katusha-Alpecin vão crescendo, pelo menos com as condições financeiras que neste momento tem. Aproxima-se o momento da verdade para o ciclista.

Kristoff tenta passar a imagem que não está preocupado e antes do Dauphiné começar disse mesmo que apesar de estarem a decorrer negociações, existem outras equipas interessadas. Uma frase dita ao Cycling News demonstra bem para que lado está a pender a decisão do norueguês: "Procuro uma equipa que me dê oportunidades e que me ajude a ser competitivo nos sprints e nas clássicas, tal como tenho aqui na Katusha."

Interessados? A Astana poderá ser uma das formações dispostas a contratar o ciclista, tendo a capacidade financeira para tal. Porém, a pressão está toda do lado de Kristoff. A 5 de Julho, em pleno Tour, irá completar 30 anos e tem rapidamente de demonstrar que o seu melhor ainda não faz parte apenas do passado. Além da Volta a França, Kristoff irá também apostar forte nos Mundiais que se realizam no seu país, na cidade de Bergen. Porém, poderá sofrer a concorrência interna de um Edvald Boasson Hagen que também não vence muito em corridas de destaque, mas tem sido muito mais regular.

A Astana poderia ser uma boa alternativa para Kristoff, pois olhando para as restantes equipas do World Tour, muitas já têm o seu líder para os sprints e clássicas e as que eventualmente poderiam estar interessadas não vão querer arriscar gastar uma boa fatia do seu orçamento por um corredor que já não dá as garantias de outrora.

Acabado, caído em desgraça? Kristoff terá um último fôlego no Tour, onde terá de bater Marcel Kittel, André Greipel e Peter Sagan. Se o fizer, conseguirá recuperar algum do crédito que claramente perdeu. Contudo, depois de seis temporadas na Katusha, o futuro do norueguês nunca esteve tão incerto.

»»A indefinição de Cavendish: "Posso voltar daqui a 10 dias ou daqui a um ano"««

9 de junho de 2017

Sky coloca Richie Porte como o principal rival de Chris Froome para o Tour: "Temos medo dele"

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chris Froome já o tinha colocado como um dos homens a ter em atenção para a Volta a França, juntamente com Romain Bardet e Alberto Contador. Porém, a exibição de Richie Porte no Critérium du Dauphiné está a aumentar o respeito que Froome e principalmente a Sky tem pelo seu antigo ciclista. As recentes palavras de Mikel Landa confirmam isso mesmo: "Porte será um grande rival para Froome. Na Sky conhecemos bem o Porte. Temos medo dele."

O australiano está a atravessar um dos melhores momentos de forma da sua carreira, somando triunfos no Tour Down Under e na Volta à Romandia, tendo esta sexta-feira assumido a liderança do Critérium du Dauphiné a duas etapas do fim, à frente precisamente de Chris Froome. Os resultados estão a colocar Richie Porte como um forte candidato para já ao pódio do Tour, mas começa a ser inevitável pensar que pode medir forças com o antigo companheiro, ainda que tenha sempre a desvantagem de não ter o apoio da equipa na BMC como Froome tem na Sky. As exibições já não só provocam respeito, como claramente começam a provocar receio nos adversários.

Passando para a Movistar, Froome não incluiu Nairo Quintana entre os principais rivais e Mikel Landa está mais preocupado com Alejandro Valverde. "Não sei porquê, mas gosto do Valverde. Vai ser alguém a ter em atenção", salientou em entrevista ao jornal espanhol Marca.

Naturalmente que o futuro de Landa foi um tema falado, mas o espanhol não quis abordar a questão limitando-se a dizer que está satisfeito na Sky e que decorrem negociações para uma possível renovação. Em final de contrato, Landa já foi ligado a uma transferência de regresso para a Astana, sendo também, alegadamente, o principal alvo da Bahrain-Merida para 2018.

Depois de ter feito pódio em 2015 no Giro, Landa mudou-se para a Sky para ser líder, mas no ano passado abandonou com uma gastroenterite e em Maio esteve envolvido no incidente com uma moto da polícia que lhe arruinou as hipóteses de lutar pela vitória. Ao contrário do colega Geraint Thomas conseguiu recuperar das mazelas físicas e ainda ganhou uma etapa e a classificação da montanha. Agora é provável que volte ao papel de gregário de Chris Froome na Volta a França. "Não tenho confirmação oficial, mas tudo indica que vou ao Tour. Durante o Giro a equipa disse que iria precisar de outro trepador", explicou. Mas algo é certo: "Se for ao Tour, não vou à Vuelta."

Em 2016, Mikel Landa acabou por ser um dos homens importantes na conquista da terceira vitória de Chris Froome e a Sky quererá novamente ter os seus melhores ciclistas ao lado do líder, mesmo que isso signifique repetir alguns dos que estiveram no Giro, como Landa, Thomas e Vasil Kiryienka.