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4 de dezembro de 2019

Bahrain terá novo segundo nome de um parceiro mais conhecido da Fórmula 1

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bahrain-Merida)
A preparar-se para uma nova fase da sua curta existência, confirma-se que haverá a mudança de nome na Bahrain-Merida. Em 2020 será difícil não nos recordar da Fórmula 1, já que se passará a dizer Bahrain McLaren. A parceria com a marca começou há cerca de um ano e sendo uma de 50-50, como anunciado no início da colaboração, a McLaren vai agora tentar ganhar protagonismo no ciclismo, numa altura em que a equipa do Médio Oriente quer dar um salto de qualidade com nomes como Mikel Landa, Wout Poels e Pello Bilbao, esperando conseguir recuperar um Mark Cavendish que há muito não consegue estar ao seu melhor nível.

Quanto à Merida, foi realçado no comunicado como esta parceria de três anos foi profícua e contribuiu para as bases sólidas de uma equipa que esteve em pódios de grandes voltas, ganhou etapas nestas corridas e também monumentos, a maioria dos principais feitos da autoria de Vincenzo Nibali, que está de partida. Apesar da marca não dar mais o nome à equipa, vai manter-se como fornecedora de bicicletas e uma parceira a nível técnico.

"Este momento assinala uma emocionante nova fase na história da nossa equipa. Estamos muito orgulhosos do que alcançámos enquanto Bahrain-Merida e encantados que possamos agora combinar esta experiência com a nossa parceira McLaren, para inovarmos juntos neste grande desporto. O ciclismo está a tornar-se numa modalidade cada vez mais técnica e, como Bahrain McLaren, vamos estar bem posicionados para competir com os melhores e para trabalhar com os nossos muitos parceiros para desafiarmos o status quo.", afirmou um dos directores da equipa, Milan Erzen.

A McLaren tem colaborado a nível técnico, da performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial. A marca automóvel britânica, uma das equipas históricas da Fórmula 1, quer agora afirmar no ciclismo.

A mudança de nome é apenas uma das várias que se vão ver na agora Bahrain McLaren. Já é conhecida a valiosa contratação de um dos homens por trás do sucesso da Sky/Ineos, Rod Ellingworth, que vai liderar a equipa. Roger Hammond será director de performance, função que desempenhou na Madison Genesis (escalão Continental) e na Dimension Data. A equipa irá ainda reforçar o seu staff nas áreas médicas, de treino, nutrição, mecânica e marketing.

Entre os ciclistas, a grande referência passará a ser Mikel Landa, depois de três anos com Vincenzo Nibali como líder. O italiano vai mudar-se para a Trek-Segafredo. Ellingworth traz com ele da Ineos um Wout Poels tão importante como gregários nas vitórias de Chris Froome na Volta a França (e não só) e o director vai ainda tentar recuperar Mark Cavendish, ciclista que muito ajudou a tornar-se num dos maiores sprinters da história.

Pello Bilbao (Astana), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Marco Haller (Katusha-Alpecin) - ciclista que irá estar ao lado de Cavendish -, Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ) e Rafael Valls - que acompanha Landa da Movistar - são os reforços de uma equipa que apostará forte em ciclistas como Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Matej Mohoric, Mark Padun e Iván Cortina.

A Bahrain-Merida é a segunda equipa a anunciar uma mudança de nome para 2020, depois da Dimension Data confirmado que será a Team NTT (ver link em baixo).

22 de novembro de 2019

Quando se uniu a Movistar ganhou... mas não repetiu a união

(Fotografia: © Giro d'Italia)
Alejandro Valverde não foi o ciclista ganhador de temporadas recentes e a Movistar até se ressentiu um pouco nos números finais de vitórias. Porém, a equipa espanhola finalmente conquistou uma grande volta, terminando com uma espera de três anos. E tendo em conta que as três semanas fazem parte da génese desta histórica estrutura, há razões para alguma satisfação. Mas não muita. É que acabou por ser uma época com mais do mesmo relativamente às lutas internas, numa equipa que tanta dificuldade tem a agir como tal. Se nesse aspecto foi mais do mesmo, já a preparação para 2020 causa estranheza. Haverá muitas mudanças, algo pouco normal num director como Eusebio Unzué, mais conhecido por contratar muito pouco, dando prioridade à continuidade, sempre com uma espinha dorsal quase intocável.

Muitas das equipas World Tour adorariam ter conquistado etapas nas três grandes voltas e uma geral. Mas para a Movistar acaba por ficar mais vincado o novo desaire no Tour, em que o mal amado Nairo Quintana conquistou uma etapa para salvar um pouco a honra numa corrida em que apostar pelo segundo ano consecutivo no tridente Quintana/Landa/Valverde correu novamente mal. O colombiano estava isolado, enquanto Landa fez a sua corrida, com um Valverde a ser tudo menos um elemento de união.

Poder-se-ia pensar que depois de no Giro Richard Carapaz ter conseguido unir a equipa, inclusivamente Landa trabalhou para o equatoriano, resultando na conquista da grande volta - a última havia sido a Vuelta de 2016 com Quintana -, que a Movistar continuasse a ter um colectivo que funcionasse como tal. Mas não.

Contudo, próprio Carapaz antes de alcançar esse feito, contrariou a ideia de um Landa como líder único no Giro, assumindo-se sempre como co-líder e atacando em etapas para garantir que os responsáveis o vissem como tal. No Tour foi cada um por si entre os chefes-de-fila, enquanto na Vuelta foi a batalha Valverde (segundo)/Quintana (quarto). E não ajudou à imagem da equipa os seus ciclistas terem atacado o eventual vencedor Primoz Roglic (Jumbo-Visma) quando este caiu numa etapa, com a justificação que tentou aproveitar o vento para fazer cortes no pelotão. A organização acabou por intervir e apenas ficou a polémica, tanto da atitude da Movistar, como da decisão dos comissários de esperar que o pelotão ficasse novamente junto, num precedente que ainda haverá dar que falar no futuro.
Ranking: 7º (10.398 pontos) 
Vitórias: 21 (incluindo a geral no Giro e duas etapas, uma no Tour e duas na Vuelta) 
Ciclistas com mais triunfos: Alejandro Valverde e Richard Carapaz (5)
Desentendimentos à parte, a Movistar ressentiu-se da falta de um Valverde avassalador, como tem acontecido em anos recentes. Aos 39 anos, o espanhol teve alguns problemas físicos e não conseguiu estar na discussão de tantas corridas como costumava. Nem nas suas Ardenas apareceu ao seu melhor. Na época em que vestiu a camisola de campeão do mundo, Valverde deu as primeiras mostras de estar na recta final da carreira. Mas ainda falta ir a Tóquio tentar a título olímpico.

Esta é uma equipa muito dependente das suas figuras para conquistar vitórias, mas a escolha recaiu em trazer novas caras para 2020, num corte bastante radical com o passado recente. Sai Landa (Bahrain-Merida), Quintana (Arkéa-Samsic), um dos importantes homens de trabalho Winner Anacona (Arkéa-Samsic) e Rubén Fernández vai procurar relançar a carreira como líder na Fundação Euskadi. Jasha Sütterlin sai ao fim de um ano para a Sunweb e Daniele Bennati terminou a carreira. Carlos Betancur, Rafael Valls, Jaime Rosón e Jaime Castrillo também vão mudar de ares. Depois há ainda um Andrey Amador que renovou, mas devido a um desentendimento entre Unzué e o empresário Giuseppe Acquadro, o ciclista que tem sido um elemento imprescindível na Movistar está de saída, talvez para a Ineos.

A equipa britânica garantiu ainda um Carapaz que inicialmente estaria mais tentado em continuar na Movistar para ser líder indiscutível, mas com a influência de Acquadro assinou por uma Ineos nada preocupada em ter agora quatro ciclistas que podem e querem discutir grandes voltas.

Com tanta saída, haverá naturalmente entradas para compensar, curiosamente de muitos estrangeiros, numa equipa que sempre abriu muito as portas aos ciclistas da casa. Foi buscar vários jovens como o britânico Gabriel Cullaigh, o alemão Juri Hollman, o americano Matteo Jorgenson, o suíço Johan Jacobs e dois colombianos, Einer Augusto Rubio e Diego Alba. Contratou também dois espanhóis: Sergio Samitier e Iñigo Elosegui. Todos vão fazer a sua estreia ao mais alto nível.

Porém, o mais relevante é como a Movistar parece querer deixar de dividir lideranças, Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) foi contratado para ser o líder para as grandes voltas, com Dario Cataldo a deixar a Astana para reforçar este bloco. Da mesma equipa chega um Davide Villella que quer concentrar-se nas clássicas.

Uma nova era vai começar na Movistar, com Enric Mas a ter a partir de agora o enorme peso de ser um espanhol à frente da única equipa espanhola do World Tour. E já foi lançado o repto para os 40 anos da estrutura, ganhar a Volta a França, a única grande volta que falta conquistar com o nome Movistar. Com tanta saída, Marc Soler espera que possa ter nova oportunidade de lutar pela geral numa das grandes voltas, Giro ou Vuelta.

Quem continua a fazer parte da espinha dorsal é o português Nelson Oliveira. Renovou por mais duas temporadas. É um ciclista que está grande parte da temporada muito preso a um papel de gregário que desempenha tão bem, com 2019 a não ter sido excepção. Porém, continua vivo o objectivo de vencer um contra-relógio, a sua especialidade, num dos grandes palcos, sendo que a maior liberdade é dada nas clássicas. Oliveira é um ciclista exemplar que os responsáveis da Movistar não dispensam.

»»Mitchelton-Scott cada vez mais dependente dos gémeos Yates««

»»Contraste de emoções na época da Lotto Soudal««

26 de outubro de 2019

Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel

(Fotografia: Facebook Fundação Euskadi)
Dar continuidade ao projecto de formação, mas ter reforços com experiência no ano em que sobe a Profissional Continental. A Fundação Euskadi deu mais um passo nos seus planos de recuperar a tradição basca de ter uma equipa nas grandes corridas e  de fazer parte de grandes momentos da modalidade. O fim da Euskaltel-Euskadi deixou um vazio na modalidade no País Basco, que a Euskadi-Murias parece não ter preenchido. Não houve espaço para duas equipas bascas no segundo escalão. A hipótese de fusão também foi afastada. A Murias não irá mais para a estrada por falta de patrocinadores, enquanto a Fundação Euskadi vai crescendo e contratou vários dos ciclistas da "rival". Também terá atletas que conhecem o World Tour e um nome conhecido em Portugal.

Antonio Angulo representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017 e esta época esteve ao serviço da Efapel. Aos 27 anos terá um novo desafio pela frente, subindo de escalão. Mas há outro reforço que recentemente se mostrou por cá, precisamente ao serviço de uma Euskadi-Murias que muito competiu no nosso país. Mikel Aristi venceu a etapa de Santo António dos Cavaleiros, na última Volta a Portugal. A Fundação Euskadi contratou ainda o vencedor da 11ª etapa na Volta a Espanha, Mikel Iturria. Gari Bravo, Julen Irizar e Mikel Bizkarra fecham o contingente da Murias.

Depois de cinco temporadas no World Tour na Movistar, Rubén Fernández muda de equipa aos 28 anos e será uma forte voz da experiência, principalmente se a formação basca conseguir entrar em corridas mais importantes, espreitando um eventual convite para a Vuelta. Sempre muito preso ao papel de gregário, este vencedor do Tour de l'Avenir em 2013, nunca confirmou as expectativas na Movistar, mas terá agora nova oportunidade para conquistar o seu lugar de destaque.

Juan José Lobato será arma para os sprints, com o espanhol a procurar reatar uma carreira que perdeu fulgor quando saiu da Movistar no final de 2016, onde esteve três anos, após um na Euskaltel-Euskadi. Não se afirmou na Lotto-Jumbo e foi despedido no início de 2018 depois de ter recorrido a medição para dormir sem autorização e conhecimento dos médicos da equipa. Encontrou refúgio na Nippo Vini Fantini Faizanè, mais uma que fecha portas este ano. Na equipa italiana estava o jovem de 22 anos Joan Bou, que realizou algumas prestações bem interessantes em provas por etapas. Uma aposta de futuro para a Fundação Euskadi.

Lobato será o mais velho da equipa, pois fará 31 anos em Dezembro. Bizakarra e Bravo têm 30 e a maioria do plantel tem menos de 25 anos.

Antonio Jesús Soto, Diego López, Dzmytri Zhygunov, Gotzon Martín, Ibai Azurmendi, Jokin Aranburu, Mikel Alonso, Txomin Juaristi, Peio Goikoetxea e Unai Cuadrado, renovaram para 2020. Os dois últimos foram figuras na Volta a Portugal. O primeiro foi líder da montanha e o segundo da juventude, ainda que não tenham conquistado as classificações. Andaram também em algumas fugas. Zhygunov é o único estrangeiro. Este bielorrusso de 23 anos, forte no sprint, tem como padrinho no ciclismo Vasil Kiriyenka, um dos principais homens de trabalho da Ineos e campeão do mundo de contra-relógio em 2015.

Para fechar a equipa que obrigatoriamente tem de ter no mínimo 20 ciclistas para estar no escalão Profissional Continental, a Fundação Euskadi ficou com Iker Ballarín, ciclista que estagiou a partir de Agosto, oriundo da estrutura de sub-23 espanhola Laboral Kutxa.

Mikel Landa tem sido um dos mentores deste projecto da Fundação Euskadi, que trouxe de novo as famosas camisolas laranjas para a estrada e também a atitude de ser uma equipa que tem ciclistas que animam qualquer tipo de corrida, como aliás se pôde assistir na Volta a Portugal. Landa foi uma das actuais figuras do ciclismo espanhol que apareceu na extinta Euskaltel-Euskadi.

»»E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?««

»»Bahrain-Merida anuncia seis reforços. Forte apoio para Landa a pensar nas grandes voltas««

16 de outubro de 2019

Bahrain-Merida anuncia seis reforços. Forte apoio para Landa a pensar nas grandes voltas

(Fotografia: © Bahrain-Merida)
Rod Ellingworth foi preponderante em tornar a Sky (actual Ineos) numa referência, além de, antes de integrar a equipa, ter ajudado ciclistas a notabilizarem-se, como foi o caso de Mark Cavendish e Geraint Thomas. O director de performance da formação britânica já abraçou a sua nova função na Bahrain-Merida, que tem estado muito activa no mercado de transferências. Termina a era Vincenzo Nibali e, para já, a aposta está a ser principalmente em ciclistas com experiência ao mais alto nível, numa clara tentativa de procurar vitórias importantes rapidamente. Só esta quarta-feira foram anunciados seis reforços, com destaque para Pello Bilbao e Rafael Valls, dois espanhóis que podem tornar-se nos principais aliados de Mikel Landa, o novo líder para as três semanas e que, finalmente, assina por uma equipa que lhe dá esse estatuto sem concorrência interna.

Eros Capecchi (33 anos, Deceuninck-QuickStep), Scott Davies (24, Dimension Data), Marco Haller (28, Katusha-Alpecin) e o Kevin Inkelaar (22, Groupama-FDJ Continental) foram anunciados juntamente com Bilbao (29, Astana) e Valls (32, Movistar). O jovem holandês Inkelaar é o único que não tem experiência World Tour, pois o britânico Davies tem dois anos de Dimension Data e este ano fez o Giro, a sua primeira grande volta. Antes de "dar o salto" passou pela Team Wiggins. Com a excepção de Haller, todos são ciclistas com características para provas por etapas.

"A equipa vai concentrar-se nas três semanas. Há corredores com experiência em idade e vamos dar o máximo rendimento. O projecto tem boa pinta", afirmou Bilbao à Rádio Marca, admitindo que o acordo há muito que estava fechado e que não foi difícil decidir ao saber que Landa iria para a Bahrain-Merida, deixando a Movistar, tal como Valls. A estes nomes junta-se Wout Poels, homem de confiança na Ineos (ex-Sky) e que Ellingworth conhece bem. Aos 32 anos, o holandês sabia que dificilmente iria liderar a equipa numa grande volta, ainda que tenha tido essa hipótese na última Vuelta, que correu muito mal à Ineos. Poels tanto poderá estar ao lado de Landa, como poderá ter algum protagonismo na Volta a Itália ou Espanha.

Quanto ao austríaco Marco Haller poderá ser a preparação de um comboio para Mark Cavendish. O britânico tem sido dado como provável reforço da Bahrain-Merida, mas ainda nada foi oficializado. Mas a equipa mantém Sonny Colbrelli no plantel, pelo que Haller poderá sempre ser importante na ajuda ao italiano tanto nos sprints, mas também nas clássicas, duas vertentes em que o jovem espanhol Iván Cortina (23 anos) vai começando a confirmar alguns créditos.

Matej Mohoric (24), Mark Padun (23), Hermann Pernsteiner (29) e, claro, Dylan Teuns (27) serão ciclistas que Ellingworth quererá tirar maior rendimento, com o belga a ganhar muito crédito depois de se destacar no Tour e na Vuelta deste ano. Na primeira corrida venceu uma etapa, na segunda vestiu a camisola vermelha da liderança. O director também queria contar com Rohan Dennis, mas a equipa decidiu terminar o contrato depois de uma relação difícil e que culminou com o abandono aparentemente sem explicação do ciclista no Tour.

Para trás fica a ligação entre o xeque Nasser bin Hamad Al Khalifa, dono da equipa, e Vincenzo Nibali, que em 2017 assumiu a liderança da equipa, tendo escolhido ciclistas da sua confiança. Venceu dois monumentos, venceu etapas em grandes voltas e o pódio no Giro e Vuelta, além de outros momentos de destaque. Faltou um sucesso no Tour para Nibali.

O caminho agora é outro para ambos. Nibali vai para a Trek-Segafredo e o desejo na Bahrain-Merida é atingir o nível de uma Ineos e nada melhor do que contratar um dos homens que muito contribuiu para tornar a formação britânica no que é hoje. Ellingworth é desde logo uma das grandes contratações da Bahrain-Merida e sem esquecer que a estrutura neste último ano tem contado com o apoio da McLaren na colaboração técnica, performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial.


15 de outubro de 2019

Uma Volta a França de assustar o melhor dos trepadores

(Imagem: Le Tour de France)
Se a edição de 2019 foi das melhores em anos recentes, a organização do Tour resolveu deixar todos a sonhar com algo inacreditável para 2020. Uma coisa é certa, não se poderá dizer tão cedo que a Volta a França não tem as dificuldades de uma Vuelta por exemplo. Para o ano será montanha, mais um pouco de montanha e quando alguém pensar em descansar, terá mais um pouco de montanha para enfrentar antes de chegar a Paris.

A expressão de Caleb Ewan demonstrou perfeitamente o sentimento de um sprinter, mas diga-se que os candidatos à geral também não pareceram muito tranquilos com o que estavam a ver durante a apresentação desta terça-feira, em Paris. Sorrisos só da parte de Thibaut Pinot (um Tour à sua medida) e de Julian Alaphilippe. Romain Bardet também não tem razões de queixa. E sim, são todos franceses! Tom Dumoulin não esteve presente, mas não tem razões para sorrir, tal como Primoz Roglic (ambos serão colegas na Jumbo-Visma em 2020), é que a ASO apenas colocou um contra-relógio e... é a subir... e não é numa subida qualquer!

Começando precisamente por esta etapa, a penúltima. Não é uma crono-escalada pura, já que dos 36 quilómetros, uma boa parte são planos. Haverá a subida ao Col de la Chevestraye antes da La Planche des Belles Filles, um local que está cada vez mais a tornar-se uma referência no Tour. São cerca de seis quilómetros a 8,4% de média, com a fase final a chegar aos 14%. Para Pinot (Groupama-FDJ), que consegue defender-se bem no contra-relógio, ter um perfil de montanha beneficia-o, já para não falar de Bardet. O líder da AG2R é muito mau no esforço individual, mas talvez consiga minimizar perdas sendo a subir. E claro que há que recordar: esta é a penúltima etapa de um Tour que irá massacrar o melhor dos trepadores. Não haverá tempo para corrigir falhas. O dia seguinte é de consagração.

Haverá muito a pensar nas equipas sobre as escolhas a fazer, ainda mais quando se estará em ano de Jogos Olímpicos. O Tour até começará uma semana mais cedo, mas ainda assim, quem for até ao fim e quiser ir a Tóquio, só terá seis dias para recuperar. Vincenzo Nibali, por exemplo, é um ciclista que está inclinado a escolher o Giro e depois os Jogos Olímpicos, não indo a França. E não será de surpreender que mais ciclistas sigam o mesmo plano em 2020, mas as decisões deverão ser tomadas quando forem conhecidos os percursos da Volta a Itália e da corrida em Espanha. Principalmente do Giro.

Na Volta a França esperam ao pelotão nove etapas de montanha, seis finais em alto, num total de 29 subidas categorizadas. Há ainda três tiradas que a organização apelida de "acidentadas" e as restantes são consideradas planas, mas muitas terão pequenas armadilhas (atenção ao vento em algumas das tiradas). Estas poderão criar dificuldades às equipas que apostem no sprint em conseguir garantir que de facto os homens mais rápidos disputem as vitórias. Este poderá ser um Tour com muito menos sprinters do que o normal. Chegar a Paris será um inferno que nenhum deles alguma vez enfrentou. Até Peter Sagan poderá enfrentar mais dificuldades para continuar a senda de conquistas de camisolas verdes.

Algo pouco habitual no Tour, além de apenas um contra-relógio (nem um colectivo foi incluído), é existir uma etapa de montanha logo ao segundo dia. Se um sprinter pode vestir a camisola amarela no primeiro dia, também a perderá logo de seguida. Nice receberá duas etapas e o início da terceira. E para não se ter dúvidas que este é de facto um Tour diferente, só haverá uma etapa acima dos 200 quilómetros.

O norte de França não entra no percurso, mas regressa o Maciço Central. Os Pirenéus chegarão primeiro do que os Alpes e a ASO procurou incluir novas subidas, deixando de fora locais míticos como o Mont Ventoux e o Alpe d'Huez. Mas haverá o Col de la Madeleine, na 17ª etapa, considerada a rainha. Na descrição do director da corrida, Christian Prudhomme, lê-se: "Apenas um grande campeão poderá ganhar no Col de la Loze." É uma subida a 2304 mil metros de altitude, que se tornará no sétimo ponto mais alto da Volta a França. Será uma etapa em que os ciclistas vão procurar reconhecer muito bem antes, pois haverá muitas estradas que nunca foram passadas, incluindo uma via construída apenas para bicicletas que levará até Méribel. E no dia seguinte haverá mais de quatro mil metros de acumulado para fazer!

Entre a 16ª e 18ª etapa muito poderá ficar decidido, mas claro que o objectivo deste percurso é que a decisão vá até La Planche des Belles Filles. Num Tour tão difícil que até levou Chris Froome a dizer que nunca tinha visto nada assim, descrevendo-o como "brutal", será muito difícil a equipas como a Ineos e a Jumbo-Visma controlarem. São etapas que convidam a ataques, o que faz com que Julian Alaphilippe tenha gostado do percurso, com o ciclista da Deceuninck-QuickStep a garantir que não quer lutar pela geral, mas não se importará de repetir o brilharete de 2019, ganhando etapas e andando de amarelo.

Tanta dureza pode resultar em espectáculo, mas poderá haver algum cuidado nos primeiros dias, com as equipas e ciclistas a preocuparem-se em poupar forças a pensar que haverá muito sofrimento pela frente. Uma Volta a França como esta acaba por ser uma incógnita como será enfrentada e até levanta a dúvida de quem a quererá enfrentar.

À primeira vista, assenta bem aos colombianos de características de trepador, com Egan Bernal, o vencedor de 2019, à cabeça. Nairo Quintana poderá estar satisfeito com o que viu. Além dos francesas referidos, Pinot e Bardet, o espanhol Mikel Landa (que vai para a Bahrain-Merida) também gostará da muita montanha e do pouco contra-relógio. Chris Froome (Ineos) teria apreciado mais contra-relógio, tal como Dumoulin e Roglic. Steven Kruijswijk será uma aposta da Jumbo-Visma que talvez se adapte melhor. A Mitchelton-Scott tem os irmãos Yates para um percurso com esta dificuldade.

As etapas e a indicação do tipo de percurso: 

1ª etapa (27 de Junho): Nice - Nice (156 quilómetros, plana)

2ª etapa (28): Nice - Nice (187, montanha)

3ª etapa (29): Nice - Sisteron (198, plana)

4ª etapa (30): Sisteron - Orcière-Merlette (157, montanha)

5ª etapa (1 de Julho): Gap - Privas (183, plana)

6ª etapa (2): Le Teil - Mont Aigoual (191, montanha)

7ª etapa (3): Millaur - Lavaur (168, plana)

8ª etapa (4): Czères-sur-Garonne - Loudenvielle (140, montanha)

9ª etapa (5): Pau - Laruns (154, montanha)

Dia de descanso em La Charente-Maritime (6)

10ª etapa (7): Îled'Oleron - Île de Ré (170, plana)

11ª etapa (8): Châtelaillon-Plage - Poitiers (167, plana)

12ª etapa (9): Chauvigny - Sarran (218, acidentada)

13ª etapa (10): Châtel-Guyon - Puy Mary (191, acidentada)

14ª etapa (11): Clermont-Ferrand - Lyon (197, acidentada)

15ª etapa (12): Lyon - Grand Colombier (175, montanha)

Dia de descanso em Isère (13)

16ª etapa (14): La-Tour-du-Pin - Villard de Lans (164, montanha)

17ª etapa (15): Grenoble - Méribel Col de la Loze (168, montanha)

18ª etapa (16): Méribel - La Roche-sur-Foron (168, montanha)

19ª etapa (17): Bour-en-Bresse - Champagnole (160, plana)

20ª etapa (18): Lure - La Planche des Belles Filles (36, contra-relógio)

21ª etapa (19): Mantes-la-Jolie - Paris (122, plana)



25 de julho de 2019

Lutas internas, tácticas estranhas... E Alaphilippe continua de amarelo

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Reina a confusão na Movistar e na Ineos. Se na primeira equipa já não é surpresa nenhuma, até é habitual, já na Ineos é mais um sinal que nem tudo vai bem numa formação britânica bem diferente daquela que tomou conta da Volta a França nos últimos anos. A causa é idêntica em ambas: apostar em mais do que um ciclista, algo que tem sempre um enorme potencial para correr mal. Se ninguém ceder na estrada, o momento de sacrificar um poderá não ser fácil de aceitar.

E a Ineos está neste momento na mira de ser vítima de uma táctica que teve um resultado positivo por um lado, mas que também pode ter um resultado nefasto. O que aconteceu no Col du Galibier foi desportivamente estranho, mas há o lado emocional que afecta Geraint Thomas. Egan Bernal atacou, ganhou vantagem, e com o pequeno grupo de candidatos todo junto e sem reagir, Thomas resolveu atacar. Não apanhou Bernal, pelo contrário acabou apanhado pelos outros ciclistas, mas contribuiu para que a diferença para o colombiano fosse reduzida.

Thomas começou o dia como o melhor classificado da Ineos, no segundo lugar. Agora é terceiro atrás de Bernal, que recuperou 32 segundos a Alaphilippe, estando agora a 1:30, menos cinco segundos que o galês. Será que Bernal tinha permissão para atacar? O próprio Thomas disse que sim, que a equipa deu essa indicação. Bernal até afirmou que foi Thomas quem lhe deu o sinal para sair do grupo. O galês explicou que o plano era tentar que alguém reagisse entre os candidatos para aumentar o ritmo. Como ninguém o fez, Thomas deu o mote. Se tivesse deixado todos para trás (Alaphilippe ainda cedeu, mas recuperou na descida) e até se aproximado de Bernal, estar-se-ia a falar de uma movimentação arriscada, mas de mestre. Assim... foi o oposto.

A táctica beneficiou Bernal, mas talvez não tanto se Thomas tivesse ficado no grupo. Esta é uma Ineos dividida. Thomas é uma espécie de mal-amado. Há um ano estava mais forte do que Chris Froome, mas, ainda assim, a equipa alertou-o que o deixaria para trás se tivesse problemas no contra-relógio colectivo e Froome terá dito que o iria atacar em certas etapas. Foi o próprio Thomas quem contou. A vitória foi absolutamente merecida e sem discussão, mas teve de enfrentar uns directores que queriam ver Froome a ganhar o quinto Tour.

Sem Froome nesta Volta a França, Thomas não consegue ser, ainda assim, um líder indiscutível. O encanto por Bernal é enorme e a qualidade do colombiano assim o justifica. Thomas tenta defender um estatuto que não consegue ter, o que ajuda a enfraquecer uma Ineos, numa Volta a França em que nenhum gregário consegue ficar com os líderes nas fases decisivas. E não há um líder que ninguém se atreve a questionar e quem o faz é rapidamente colocado no seu lugar (que o diga Mikel Landa quando por lá passou).

Alguém vai ter de ceder... Com a exibição de hoje de Bernal, Thomas arrisca ser o sacrificado. Aceitar ou não pode fazer a diferença entre uma vitória no Tour da Ineos ou ver um ciclista de outra equipa vencer. 

Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) continua de amarelo...

Mas se queremos falar de tácticas estranhas, a Movistar é rainha! Primeiro o habitual: colocou homens na frente para mais tarde ajudarem o líder. Esse era, à partida da 18ª etapa, Mikel Landa. Foi a equipa espanhola que abriu as hostilidades ainda no Col d'Izoard. Acelerou e muito o ritmo, seleccionando naquela subida a maior parte do grupo de candidatos. 

Grande trabalho de Marc Soler, com Andrey Amador a ser um dos homens que deixaria a fuga para ajudar Landa. Esperava-se um ataque do espanhol, mas não foi um dia bom neste início de passagem pelos Alpes. Landa assim o admitiu. Mas então por que razão a Movistar elevou tanto o ritmo? Já o tinha feito nos Pirenéus e deixou Quintana para trás... Desta feita, pelo menos Landa não perdeu tempo, mas também já não o melhor colocado na geral. Quintana ultrapassou-o.

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Rapidamente se percebeu pelo posicionamento na fuga que o colombiano não estava para esperar por ninguém. Enquanto Amador chegou a andar muito tempo na parte de trás antes de quase parar para esperar por Landa, Quintana esteve sempre bem colocado, atento a possíveis ataques e a preparar o seu, como acabou por se comprovar e que lhe valeu uma excelente vitória de etapa. Agora está a 3:54 de Alaphilippe e tem um minuto de vantagem sobre Landa. Alejandro Valverde é 10º, a 5:58 minutos. O espanhol está numa corrida muito própria. Pouco ajuda Landa, já criticou Quintana e não se percebe muito bem qual é o seu papel em prol da equipa. Se é que o tem.

A Movistar uniu-se em prol de Landa. Mesmo com a exibição de hoje, Quintana parece isolado. Está de malas feitas para uma nova aventura, só faltando saber oficialmente se vai para a Arkéa Samsic, e com Landa - esteve com pé e meio fora, com a Bahrain-Merida a cobiçá-lo -, mais perto de renovar depois de saber das saídas do colombiano e de Richard Carapaz (estará a caminho da Ineos), não será de estranhar que este pormenor tenha o seu peso.

Na Volta a Itália, quando a Movistar se uniu por completo em redor de Richard Carapaz, venceu a grande volta. Contudo, também é verdade que o equatoriano recusou ficar em segundo plano, perante a assumida liderança de Landa e foi à procura do seu resultado. Perante as circunstâncias da corrida, até o espanhol acabou ajudou o companheiro e tal fez toda a diferença. Mas no Tour, este tridente está mais tempo a lutar entre si do que a trabalhar em conjunto. A repetição do filme de terror de 2018. Quintana já se percebeu que não trabalha para Landa. Landa não vai trabalhar para Quintana. Para quem vai trabalhar equipa?

E no meio de tanta luta interna, é Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) que continua de amarelo...

As equipas podem tentar jogar lançando ataques à vez com os seus candidatos, mas arriscam a que os egos se metam no caminho.

19ª etapa (26 de Julho): Saint-Jean-de-Maurienne - Tignes, 126,5 quilómetros


Está a ser um Tour emocionante - até a luta pela camisola da montanha está a ser acesa, com Romain Bardet (AG2R) a ser o novo líder - e faltam dois dias de Alpes para ficar tudo decidido. Os colombianos estão a dar-se muito bem com a altitude nesta fase do Tour e no Col de l'Iseran estarão quase a três mil metros: 2770, com o final da etapa a estar um pouco acima dos dois mil. As duas subidas finais têm bastante dureza e a ver vamos se as condições meteorológicas não pregam uma partida. Nesta quinta-feira, os ciclistas passaram bastante tempo a colocar gelo por dentro das camisolas e terminaram debaixo de uma chuva torrencial. A chuva poderá marcar presença, o que influenciará muito, por exemplo, a descida entre a categoria especial e a primeira categoria final, com a meta a estar colocada numa fase já plana. Irá Alaphilippe resistir de amarelo?

De referir que, relativamente à expulsão de Luke Rowe (Ineos) e Tony Martin (Jumbo-Visma) na etapa de ontem, ambos os ciclistas ainda compareceram com as equipas na partida em Embrun, com as formações a tentarem apelar junto do Tribunal Arbitral do Desporto. A decisão dos comissários da UCI manteve-se e os dois foram para casa.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




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22 de julho de 2019

Nelson Oliveira renova por uma Movistar ainda a definir os líderes para 2020

Em dia de descanso da Volta a França, dois dos ciclistas presentes da Movistar definiram o seu futuro para as próximas duas temporadas, um deles o português Nelson Oliveira. A equipa espanhola está a começar a arrumar a casa e começou pela sua espinha dorsal, com o ciclista da Anadia a fazer parte dela nos quatro anos em que representa uma das formações mais antigas do pelotão mundial. Andrey Amador, que muito se tem visto na montanha do Tour a trabalhar, também irá permanecer.

Em dois anos consecutivos, quedas no Paris-Roubaix estragaram parte da época de Nelson Oliveira, o que o levou em 2019 a não participar na corrida e assim ter maiores garantias de aprimorar a forma para estar no Tour que tanto gosta. Independentemente das provas em que é chamado, Nelson Oliveira prima pela regularidade. Tem sido um gregário por excelência, mas está entre os melhores contra-relogistas do mundo, pelo que continua atrás da grande vitória na sua especialidade, com a recente medalha de prata nos Jogos Europeus a motivar ainda mais o corredor de 30 anos.

Já tem uma etapa numa grande volta, quando triunfou em Tarazona na Volta a Espanha, em 2015, então ao serviço da Lampre-Merida. Foi a segunda e última temporada na equipa italiana, depois de três na americana RadioShack, que lhe proporcionou a estreia no World Tour em 2011.

A renovação do português não surpreendeu, tal como as de Jorge Arcas (27 anos), Héctor Carretero (24), Antonio Pedrero (27) e de José Joaquín Rojas (34). Lluís Mas (29) chegou esta temporada à Movistar, mas convenceu os responsáveis a darem-lhe maior estabilidade. O espanhol esteve a bom nível no Giro, no trabalho para a vitória de Richard Carapaz.

Já a renovação de Andrey Amador não parecia tão certa. O ciclista da Costa Rica está desde 2011 na Movistar, mas chegou a ser dado como um possível reforço de uma Arkéa Samsic, que estará próxima de contratar Nairo Quintana. Amador é um dos homens de confiança do colombiano e que acabou por se resignar a estar mais em segundo plano, principalmente nas grandes voltas, apesar de ter tentado apelar a uma oportunidade no Giro, corrida na qual chegou a vestir a camisola rosa. Porém, com Quintana e Valverde e agora com Landa, as oportunidades para Amador escasseiam. No entanto, preferiu continuar na Movistar. A equipa espanhola anunciou as renovações, com o As a escrever que Imanol Erviti (35) será o senhor que se segue, pois já haverá acordo.

Em Março, a Movistar só tinha garantido Marc Soler (25) e Carlos Verona (26) para 2020, com Alejandro Valverde (39) a entretanto renovar até 2021, ano em que pretende retirar-se. A questão da equipa prende-se agora com os líderes para as grandes voltas.

Quintana (29) dá cada vez mais mostras que não tem lugar na Movistar e a Profissional Continental Arkéa Samsic deverá mesmo ser o seu destino. A sua exibição no Tour está a ser abertamente criticada por Valverde. O espanhol disse que o colombiano não avisou que não estava bem no Tourmalet. Quintana reagiu a dizer que avisou para que a equipa não puxasse tanto, mas Landa pediu um pouco mais de ritmo e o colombiano acabou por não dizer mais nada. No dia seguinte, foi para a fuga, mas quando Landa o apanhou, Quintana não ajudou nada, ficando mesmo para trás.

O futuro de Mikel Landa (29) também está incerto. A Bahrain-Merida procura um ciclista para preencher a vaga que vai ficar vaga com a saída de Vincenzo Nibali para a Trek-Segafredo e o espanhol será o favorito. Porém, Eusebio Unzué vai fazer um forcing para convencer Landa a continuar na Movistar, um ciclista que o director há muito queria ter na equipa e que finalmente conseguiu em 2018.

No entanto, Unzué não terá conseguido convencer Richard Carapaz (26). O interesse da Ineos não é novo e Dave Brailsford terá oferecido cerca de 1,5 milhões de euros por ano. Inicialmente a informação era que o equatoriano preferiria ficar na Movistar, mesmo a ganhar menos, mas afinal poderá mesmo estar a caminho da equipa britânica.

A contratação de Enric Mas (24 anos, Deceuninck-QuickStep) torna-se ainda mais essencial se tal acontecer e a Movistar poderá em 2020 ter apenas espanhóis como referências para as grandes voltas, não esquecendo que Marc Soler continua pacientemente à espera que chegue a sua oportunidade.

De referir que entre os portugueses no World Tour, falta definir o futuro de Rui Costa (UAE Team Emirates), Amaro Antunes (CCC) e José Gonçalves e Ruben Guerreiro de uma Katusha-Alpecin que ainda não tem garantida a continuidade no pelotão.

5 de julho de 2019

Os candidatos, os ciclistas a ter em conta e aqueles a não perder de vista

Irá Thomas ter de olhar para Bernal como rival? (Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Nem Chris Froome, nem Tom Dumoulin, isto para referir apenas as ausências de candidatos à camisola amarela. Será um Tour um pouco diferente, principalmente devido ao britânico não estar. A grande questão é se a Volta a França será encarada de forma diferente por parte dos rivais, pois da Ineos se espera mais do mesmo do tempo da Sky, mesmo sem o seu capitão. A equipa continua forte, mas Thomas não impõe o mesmo respeito que um Froome entre os adversários. Porém, existe um Egan Bernal que é praticamente visto como tão favorito como Thomas. Se calhar, até um pouco mais. Mesmo sem Froome, a Ineos será o centro das atenções. A ver vamos se é desta que se perde não o respeito, mas o receio de perder, a favor do risco de poder ganhar. Foi muito isso que faltou aos rivais de Froome nas últimas edições. 

A Volta a França arranca este sábado com 194,5 quilómetros, com partida e chegada a Bruxelas.



Geraint Thomas (Ineos, 33 anos)
Décima presença no Tour. Foi 1º  classificado em 2018. Tem três vitórias de etapa.
Equipa: Egan Bernal, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Gianni Moscon, Wout Poels, Luke Rowe, Dylan van Baarle.
Tal como no ano passado, Thomas é candidato, mas... Em 2018 a presença de Froome levantava dúvidas que o galês esclareceu com uma maior regularidade e com exibições fortíssismas na montanha, enquanto Froome foi pagando o preço do esforço no Giro. Em 2019, ninguém duvida que Thomas tem o que é preciso para ganhar o Tour, contudo, a temporada está a ser muito apagada para se conseguir perceber a forma do ciclista. Tem 26 dias de competição, mas só em nove pedalou para um bom resultado. Foi terceiro na Volta à Romandia, mas, para agravar as desconfianças, caiu na Volta à Suíça, que queria ganhar, ou pelo menos o pódio. Abandonou, mas tanto o ciclista como a equipa garantem que está tudo bem. Sem Froome - afastado depois da aparatosa queda no Critérium do Dauphiné (saiu esta sexta-feira no hospital) - Thomas tinha tudo para ser um líder indiscutível, mas...

Egan Bernal (Ineos, 22 anos)
➤ Segunda presença no Tour. Foi 15º  classificado em 2018.
➤ Equipa: Geraint Thomas, Jonathan Castroviejo, Michal Kwiatkowski, Gianni Moscon, Wout Poels, Luke Rowe, Dylan van Baarle.
... Há um Egan Bernal. Venceu na Suíça e está pronto para lutar pelo Tour se Thomas der sinal de fraqueza, ou talvez nem precise de dar. E há que não esquecer que também conquistou o Paris-Nice. É um ciclista que respeita a hierarquia, mas tem a ambição de subir muito, muito alto. Mesmo já sendo um dos principais homens da Ineos, Froome e Thomas têm o estatuto de líderes, ainda que o do galês seja frágil. Não é segredo que a equipa quer ver Bernal tornar-se na grande figura das grandes voltas e mesmo sendo tão novo, já revelou maturidade e qualidade para disputar uma Volta a França. Falhou o Giro também devido a queda - não está a ser um ano fácil para os líderes da Ineos (ex-Sky) - e ficou o aviso a Thomas com as exibições recentes. Thomas poderá levar o dorsal um, mas ou se mostra a grande nível, ou o Tour de 2019 poderá ser aquele no qual Bernal se consagrará definitivamente. Com este colombiano, é uma questão de tempo e não vai demorar muito.

Romain Bardet (AG2R, 28 anos)
➤ Sétima presença no Tour. Foi segundo classificado em 2016. Tem três vitórias de etapa.
➤ Equipa: Romain Bardet, Mickäel Cherel, Benoît Cosnefroy, Mathias Frank, Tony Gallopin, Alexis Gougeard, Oliver Naesen, Alexis Vuillermoz.
Será desta? A pergunta perdura desde 1985, a última vez que um francês venceu o Tour (Bernard Hinault). Bardet varia entre entusiasmar muito os franceses e o criar desconfiança. Já se sabe como é alérgico ao contra-relógio, ainda que tenha nos últimos dois anos trabalhado um pouco melhor a especialidade, mas ainda não convence. Não tem sido um 2019 fantástico para Bardet. As exibições também variam entre as que revelam alguma forma, como umas em que até dá para esquecer que está em prova. Ainda assim, fica claro que Bardet apostou muito forte no Tour deste ano, gerindo bem o esforço até este mês. Estando bem, Bardet tem tudo para somar mais um pódio e para ser um animador da corrida, mas não é só isso que quer. Para o líder da AG2R é a vitória que interessa.

Thibaut Pinot (Groupama-FDJ, 29 anos)
➤ Sétima presença no Tour. Foi terceiro classificado em 2014. Tem duas vitórias de etapa.
➤ Equipa: William Bonnet, David Gaudu, Stefan Küng, Matthieu Ladagnous, Rudy Molard, Sébastien Reichenbach, Anthony Roux.
Vai alternando com Bardet o favoritismo entre os franceses. Este ano é dele. Tem estado mais activo, mostrou-se mais, somou algumas vitórias, ainda que em corridas secundárias no seu país. O quinto lugar no Critérium du Dauphiné foi positivo, apesar de ter admitido que queria ganhar a corrida. Depois de um ano de ausência regressa ao Tour, que voltou a ser o seu principal objectivo, após duas edições a apostar no Giro. A Groupama-FDJ acredita de tal forma no seu líder que nem leva Arnaud Démare para os sprints, para concentrar o apoio todo em Pinot. Agora falta perceber se o ciclista irá conseguir lidar com a pressão que o tem acompanhado dos meios de comunicação social e do público francês e que não o tem ajudado. Apesar de alguns bons resultados, a verdade é que o Pinot do Tour, não é o mesmo de um Pinot do Giro, livre da pressão caseira. A esperança é que os últimos dois anos tenham servido para amadurecer neste aspecto e atacar de vez a desejada vitória. Será desta?

Nairo Quintana (Movistar, 29 anos)
➤ Sexta presença no Tour. Foi segundo classificado em 2013 e 2015. Tem duas vitórias de etapa.
➤ Equipa: Mikel Landa, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.
Momento de decisão na carreira de Quintana. Parecia que seria inevitável conquistar o Tour, mas os anos passam e o colombiano foi perdendo protagonismo no pelotão e na equipa. Bem tenta passar a mensagem que é o líder único na Movistar, mas a equipa decidiu levar novamente Landa e Valverde, um tridente que resultou tão mal no ano passado. Valverde não era suposto estar presente - deveria ter ido ao Giro - e nem é um candidato, mas terá a sua agenda para ganhar etapas e não estará 100% dedicado a Quintana. Landa ajudou Carapaz no Giro quando se tornou óbvio que o equatoriano tinha tudo para ganhar, mas o espanhol vai agora à procura do sucesso próprio. Esta época, de vez em quando, viu-se um pouco do bom velho Quintana, mas rapidamente cai naquela toada defensiva e de marcação excessiva aos rivais. A porta de saída da Movistar ficará escancarada se Quintana não estiver pelo menos a disputar a vitória. No entanto, a expectativa é baixa.

Mikel Landa (Movistar, 29 anos)
➤ Quarta presença no Tour. Foi quarto classificado em 2017.
➤ Equipa: Nairo Quintana, Alejandro Valverde, Marc Soler, Andrey Amador, Carlos Verona, Imanol Erviti, Nelson Oliveira.
Já disse que se vê no pódio de Paris. O director da Movistar quis tanto contar com Landa na equipa, mas dois anos volvidos e o espanhol continua a ser um ciclista candidato, mas sem se afirmar no topo e na disputa por uma grande vitória. Ainda assim, Eusebio Unzué vai apostar na liderança repartida, quando no Giro ficou mais do que comprovado que quando esta equipa funciona como tal, é muito forte. Mas quando há mais do que um interesse, a tendência é correr francamente mal. Ultrapassado por Carapaz no Giro, Landa quer agora ser ele a figura e não vai ser Quintana que o vai impedir. Seria uma surpresa se houvesse a aliança que houve em Itália entre Carapaz e Landa. No Tour, espanhol e colombiano vão estar cada um por si, com Valverde à mistura.

Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma, 32 anos)
➤ Quinta presença no Tour. Foi quinto classificado em 2018.
➤ Equipa: Dylan Groenewegen, Wout van Aert, Tony Martin, George Bennett, Amund Grondahl Jansen, Laurens de Plus, Mike Teunissen..
Depois de Primoz Roglic ter sido o alvo a abater no Giro, haverá um Kruijswijk longe do mediatismo e favoritismo que o colega teve em Itália. É difícil vê-lo como vencedor, mas depois do que fez no ano passado, tem de se ter em conta pelo menos para a luta por um pódio. Calculista, discreto, não tem a pressão de outros rivais, mas numa altura em que a Jumbo-Visma tenta afirmar-se como equipa forte para as grandes voltas, o holandês não pode falhar um top dez e menos que um top cinco saberá a pouco. E falta-lhe uma vitória de etapa numa corrida de três semanas.

Enric Mas (Deceuninck-QuickStep, 24 anos)
➤ Estreia no Tour.
➤ Equipa: Julian Alaphilippe, Kasper Asgreen, Dries Devenyns, Yves Lampaert, Michael Morkov, Max Richeze, Elia Viviani.
Não terá muito apoio quando a montanha chegar, mas também já demonstrou que não precisa. Quando está em boa forma consegue estar entre os melhores. O Tour é bem diferente da Vuelta, onde, sem equipa, ganhou uma etapa e foi segundo na geral. É um ciclista que sabe bem aproveitar o trabalho de terceiros e, atacando nos momentos certos, poderá mesmo estar na luta pelo menos pelo pódio. Em Espanha ninguém se cansa de realçar como tem a mesma idade de Alberto Contador quando este venceu pela primeira vez o Tour e tendo em conta as parecenças, há que esperar que seja um ciclista que mexa um pouco com a apatia em que muitas vez o Tour cai. Acredita que pode ganhar e, em final de contrato, poderá em França tornar-se num ciclista ainda mais apetecível, o que significará um maior poder de negociação.

Adam Yates (Mitchelton-Scott, 26 anos)
➤ Quarta presença no Tour. Quarto classificado em 2016.
➤ Equipa: Luke Durbridge, Jack Haig, Michael Hepburn, Christopher Juul-Jensen, Daryl Impey, Matteo Trentin, Simon Yates.
A equipa apresenta-se como a melhor Mitchelton-Scott a alguma vez ir a uma grande volta. Adam apresenta-se como ciclista em boa forma e com ambição alta. Começou por ser dos gémeos aquele que se esperava ver chegar ao topo mais rapidamente, mas Simon acabou por fazer uma "ultrapassagem". Adam está a recuperar terreno e tem estado muito bem em 2019. O pódio é o mínimo que pretende. E depois há aquela curiosidade: os gémeos Yates raramente estão juntos numa grande volta, mas na última Vuelta a união foi perfeita. Adam foi um gregário de luxo para Simon. O Tour começa com papéis invertidos. São os Yates à conquista da ribalta esperada. 

Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida, 34 anos)
➤ Oitava presença no Tour. Venceu o Tour em 2014 e soma ainda cinco vitórias de etapa.
➤ Equipa: Damiano Caruso, Matej Mohoric, Ivan Garcia Cortina, Sonny Colbrelli, Dylan Teuns, Rohan Dennis, Jan Tratnik.
Deixar Nibali de fora dos favoritos simplesmente parece mal! Com a presença no Giro, há dúvidas sobre a sua condição física para França e é o próprio quem admite que só perceberá quando as primeiras dificuldades se começarem a sentir. Os anos começam a pesar no italiano, mas depois da desilusão de aparecer tão bem no Tour de 2018 e ser mandado para casa por causa de um adepto que lhe provocou uma queda grave, Nibali tem contas a ajustar com a corrida. Mesmo com Rohan Dennis a mostrar melhor forma na aproximação à prova, é de Nibali de quem se espera mais.

Outros ciclistas a ter em conta

Richie Porte merece todo o respeito, mas tem estado tão apagado que é difícil colocá-lo entre os principais favoritos. Porém, não se pode queixar da equipa, pois a Trek-Segafredo até excluiu John Degenkolb para ter todos os ciclistas a apoiar o australiano, incluindo Bauke Mollema. A ver vamos se é desta que além de uma boa condição física, também não é perseguido por azares. Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert) já é um dos ciclistas mais pretendidos do pelotão e mesmo sem uma equipa forte para a montanha, atenção a este francês, que pode fazer uma gracinha.

De Ilnur Zakarin não se sabe bem o que esperar, tanto por ser irregular, como por chegar a França com um Giro nas pernas. Será ofuscado por José Gonçalves? Rigoberto Uran tanto passa de outsider ou nem isso, para candidato, depois de um segundo lugar, como volta a cair entre as preferências. Não tem convencido esta temporada, mas a EF Education First passa a palavra que o colombiano está novamente em forma para chegar longe.

Jakob Fulgsang está num novo fôlego da carreira. Foi uma época espectacular de clássicas, com a vitória na Liège-Bastogne-Liège como grande momento. Foi depois vencer o Critérium du Dauphiné. Talvez até possa estar incluindo entre os candidatos, mas o problema do dinamarquês é que já esteve nesta posição mais forte anteriormente, mas não concretizou no Tour. Mas a Astana acredita nele.

Estará Warren Barguil de volta? A vitória nos campeonatos franceses foram um tónico importante para um ciclista que chegou a pensar terminar precocemente a carreira, perante os fracos resultados desde que se mudou para a Arkéa-Samsic. Se estiver bem, é ciclista para o espectáculo. Provavelmente mais para lutar por etapas do que para um top dez.

Ciclistas a não perder de vista
Wilco Kelderman (Sunweb), Emanuel Buchmann e Max Schachmann (Bora-Hansgrohe), David Gaudu (Groupama-FDJ), George Bennett (Jumbo-Visma) e Michael Woods (EF Education First) podem ser ciclistas que numa segunda linha, ou por falta de estatuto no próprio pelotão, ou por estarem "tapados" por líderes. Mas é melhor não perder nenhum de vista, tal como Fabio Aru (UAE Team Emirates). O italiano regressa após a operação à artéria ilíaca (na perna) e deu alguns sinais positivos, ainda que inconclusivos na Volta à Suíça e Nacionais. De Daniel Martin sabe-se que se pode esperar uma ou outra etapa e um top dez, mas a equipa quer Aru a lutar pelo pódio.

E claro, não será difícil perder de vista Julian Alaphilippe. Não irá pela geral, mas espera-se muito do francês da Deceuninck-QuickStep depois de duas vitórias de etapa e a camisola da montanha. Não referir Alaphilippe será um falha. Não é candidato à geral, mas é candidato a dar espectáculo e bem que o Tour precisa de mais ciclistas assim.

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