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21 de outubro de 2019

Sunweb apela a maior segurança nas corridas após ciclista ficar paraplégico

(Fotografia: © Team Sunweb)
A notícia que um ciclista de 19 anos ficou paraplégico devido a um embate com um carro que entrou inadvertidamente no percurso de uma corrida, lançou novas ondas choques sobre a necessidade de reforçar a segurança dos ciclistas. O pelotão ainda não assimilou a morte prematura de Bjorg Lambrecht na Volta à Polónia e o acidente de Edo Maas torna-se em mais um momento que marca negativamente a época de 2019. O holandês poderá nunca mais andar e a sua equipa reiterou a necessidade de se tomarem novas medidas.

"Os organizadores e a UCI precisam de se focarem mais nos próximos anos de como fazem os percursos, como se fecham os percursos [as estradas] e de ter o número correcto de pessoas no apoio", afirmou Matt Winston, director desportivo da Sunweb, ao Cycling Weekly. Maas estava na equipa de desenvolvimento e participava na Piccolo Lombardia - versão para os sub-23 do monumento do ciclismo - quando, numa descida, não conseguiu evitar o choque. O veículo terá saído de uma zona privada que não estava fechada. O ciclista ficou com fracturas no pescoço, coluna e rosto.

Winston compreende que é difícil ter as estradas fechadas, mas considera que é, portanto, necessário reavaliar o tipo de percursos que são escolhidos. E deu o exemplo da segurança na China, onde está a decorrer a Volta a Guangxi, a última do calendário World Tour. "É super segura, há pessoas no apoio a cada poucos metros, mas suponho que não é sustentável [fazer o mesmo] na Europa. Precisamos de ter outra forma de educar o público quando há uma corrida de bicicletas. Temos sinalização suficiente para avisar as pessoas que está a decorrer uma corrida?", questionou. O responsável exemplifica que normalmente vê-se alguém nos cruzamentos, mas considera necessário haver mais sinalização e mais pessoas para evitar casos como o que mudou a vida de Maas.

O jovem holandês foi submetido a várias cirurgias devido às diversas lesões. Num comunicado, a equipa explicou que, por agora, continua incerto se o ciclista poderá voltar a andar. Maas foi contratado em 2019 para continuar a sua evolução na estrutura de desenvolvimento da Sunweb. Ciclista de clássicas e também com potencial para o sprint, Maas venceu a E3 Harelbeke em 2017, no escalão de juniores, e obteve outros resultados muito prometedores. É estudante de fisioterapia.

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12 de outubro de 2019

Mollema dá sequência a um final de época espectacular da Trek-Segafredo

(Fotografia: © Getty Sport/Trek-Segafredo)
Um dia depois repete-se aqui o tema Trek-Segafredo. Bauke Mollema assim o obriga. Escreveu-se que a equipa queria apostar cada vez mais nos jovens que tem vindo a contratar, com os mais veteranos a terem de se preparar para começarem a perder espaço e estatuto, mas Mollema demonstrou que ainda tem algo para dar. A carreira deste holandês tem sido um pouco assim. Quando começa a parecer que se vai "apagar", faz uma exibição que nos faz lembrar porque foi uma grande promessa. Nunca cumpriu todas as expectativas, mas, aos 32 anos conquistou um monumento. A Lombardia vai para um dos homens da casa da Trek-Segafredo, duas semanas depois de um dos talentos emergentes se ter sagrado campeão do mundo.

Que final de temporada espectacular para uma equipa que viu John Degenkolb falhar nas clássicas e Richie Porte passar algo despercebido no Tour. Ainda assim, a temporada já tinha tido momentos positivos. Giulio Ciccone foi rei da montanha no Giro, vencedor de uma etapa e foi principalmente a garantia que a Trek-Segafredo tem um jovem voltista italiano com muito potencial. Até andou de amarelo na Volta a França.

É este ritmo de vitórias que está a ter na recta final de 2019 que a equipa procura para toda uma temporada. 10 triunfos (mais o título mundial de Pedersen) é um número escasso, mas com quatro entre Setembro e Outubro - Edward Theuns venceu a Primus Classic, Jasper Stuyven a Volta a Alemanha e Pedersen o Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais -, esta é uma formação que vai entrar em 2020 de confiança renovada. 

Mollema finalizou na Lombardia um dia muito activo da Trek-Segafredo. Toms Skujins andou em fuga, Ciccone mexeu e na subida de Civiglio, Mollema atacou. Disse que talvez o tenham menosprezado. E talvez tenha razão. Mas não tira brilho a uma grande exibição de uma versão de Mollema que se sabe existir, mas que tantas vezes esbarra em alguém mais forte, num azar ou simplesmente no claudicar do próprio ciclista. 

No ano em que conseguiu finalmente um pódio numa grande volta, ainda que tenha sido por desclassificação de Juan José Cobo na Vuelta de 2011, Mollema - também ele um campeão do mundo e da Europa, mas de contra-relógio na estafeta mista - venceu um monumento, numa fase da carreira em que vai ter de lutar muito por numa liderança em três semanas.

Foi desperdiçando as oportunidades apesar de ser uma habitual presença no top dez. Mas a Trek-Segafredo quer mais. Já o remeteu para segundo plano quando contratou Alberto Contador. Com Richie Porte na equipa, Mollema não se importou de apostar no Giro, onde esteve muito bem. Foi quinto. Talvez nunca venha a conseguir subir mesmo a um pódio nas provas de três semanas e tenha de ficar apenas com aquele que foi atribuído à posteriori, mas vencer na Lombardia dá outra relevância ao seu currículo e também não lhe fará mal nenhum na tal luta por estatuto na equipa. 

Porte tem mais um ano de contrato, Vincenzo Nibali está a caminho e Ciccone não ficará mais tempo na sombra de ninguém. Isto ao que grandes voltas diz respeito, pois quem sabe se vencer na Lombardia fará Mollema olhar para as clássicas das Ardenas, por exemplo, com maior ambição e eventualmente procurar o seu espaço nas corridas de uma semana. 

No dia em que todos marcaram Primoz Roglic (Jumbo-Visma), Mollema aproveitou para viver um dos momentos quer marcará a carreira. Agora pode dizer que tem um dos monumentos do ciclismo. O holandês recordou como nunca sequer esteve perto de vencer a Lombardia em 11 participações, mas, após 243 quilómetros entre Bergamo e Como, o holandês deixou Alejandro Valverde (Movistar) e Egan Bernal (Ineos) a 16 segundos, com Jakob Fuglsang (Astana) - o vencedor de outro dos monumentos, a Liège-Bastogne-Liège a falhar o pódio no sprint a três. Os portugueses Rui Costa (UAE Team Emirates) e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) abandonaram.

Classificações, via FirstCycling.



13 de outubro de 2018

Pinot e o desafio de mostrar-se a este nível no Tour

(Fotografia: Facebook Il Lombardia)
A época começou prometedora, depois pareceu que afinal seria um ano para esquecer, mas tornou-se no melhor da carreira de Thibaut Pinot. Talvez seja mesmo um caso em que se possa dizer que há males que vêm por bem. Não era preciso ser uma pneumonia, algo que pode tornar-se tão complicado, mas a verdade é que a doença que lhe arruinou o Giro e o impediu de ir ao Tour, acabou por levar o francês a apontar baterias para o final de temporada. E que grande final de época foi. Agora não há volta a dar. É altura de Pinot enfrentar novamente a pressão de ser um francês com potencial de lutar por um pódio no Tour. Isto para não falar do que os franceses realmente querem: um ciclista seu a vencer a "sua" corrida.

Aos 28 anos, Pinot chegou a uma fase na carreira que terá de assumir o papel que lhe é atribuído desde que subiu ao pódio do Tour em 2014, quando dois anos tinha tinha vencido uma etapa. O jovem promissor Pinot é agora um Pinot maduro, que ultrapassou as assustadoras limitações no contra-relógio e a descer (que pesadelo era sempre que o terreno inclinava para baixo) e que já venceu no Giro, Tour e Vuelta e passa a partir deste domingo, 13 de Outubro de 2018, a ter também ele um monumento no seu currículo.

Depois de duas Voltas a França em que parecia que Pinot estava com dificuldades em lidar com a responsabilidade e principalmente a pressão mediática em seu redor - ainda que em 2015 tenha ganho no Alpe d'Huez -, a Groupama-FDJ, levou Pinot ao Giro em 2017. Foi um ciclista diferente, confiante, que libertou o potencial que lhe era reconhecido para lutar pela geral. Foi quarto e venceu uma etapa. Porém, a confirmação deste Pinot só chegaria este ano. Ainda foi ao Tour na época passada, mas rapidamente se percebeu que não tinha capacidade para lutar nem pelo top dez. Os fantasmas de sempre regressaram e o desgaste do Giro não ajudou.

Com mais uma semana de descanso entre a Volta a Itália e França em 2018, a Groupama-FDJ colocou Pinot novamente em Itália. Na preparação foi à Volta aos Alpes onde venceu e convenceu. Era o momento de confirmação. Ou talvez ainda não. Foi subindo de forma na Volta a Itália e parecia que o pódio estava ali à distância de duas etapas. Na derradeira de montanha, juntou-se à lista de ciclistas no Giro que, de repente, "rebentaram". Adeus ao pódio e nem partiu na tirada de consagração de Roma.

O diagnóstico foi uma pneumonia. Seguiram-se semanas de recuperação e o Tour foi excluído do seu calendário. E ainda bem. A confirmação chegou finalmente na Vuelta. Não esteve na luta pela geral, mas ganhou peremptoriamente duas etapas e terminou na sexta posição. Grande Pinot. É este o ciclista que os franceses querem ver. É este o ciclista que a Groupama-FDJ acredita poder estar na luta pelo Tour.

Thibaut Pinot não abrandou nem um bocadinho depois da Vuelta. Motivado e talvez finalmente confiante das suas capacidades ganhadoras, foi top dez nos Mundiais (nono) e apareceu nas clássicas de final de temporada em Itália com fome de ganhar mais e mais. Na Milano-Torino demonstrou que era melhor terem cuidado com ele para a Lombardia, o último monumento do ano. Ajudou o momento caricato em que o companheiro, David Gaudu, saiu da frente de Pinot, terminado o seu trabalho, e, sem querer, provocou a queda de Miguel Ángel López (Astana), que seria segundo. Antes tinha sido segundo na Tre Valli Varesine, perdendo ao sprint para Toms Skujins (Trek-Segafredo).

Um pormenor que não colocou em causa a justiça da vitória, porque Pinot estava forte. Na Lombardia leu muito bem a corrida, quando a 50 quilómetros do fim dos 241 entre Bergamo e Como, Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) atacou. Juntamente com Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Egan Bernal (Sky), os quatro foram atrás da glória. Roglic cedeu, Bernal também e na derradeira subida, Pinot - que impressionante forma - atacou uma, duas, três, Nibali respondia como podia. Ao mostrar um fraqueza ao olhar para baixo, Nibali determinou o seu destino. Pinot atacou e só para que não restem dúvidas que o medo das descidas faz parte do passado, até aumentou a diferença durante a descida até à meta. E há que não esquecer que Nibali é um dos maiores especialistas a descer. Foram 32 segundos a separá-los na meta.

Que Pinot aproveite este momento de ouro que está a viver, pois em 2019, já sabia que o Tour seria a sua prioridade e agora é altura de assumir todas as responsabilidades e, principalmente, ser o Pinot do Giro, da Vuelta e desta fantástica Lombardia.

Assim se encerraram os cinco monumentos. Todos de grandes espectáculo, marcados por ataques longínquos, com a excepção da Liège-Bastogne-Liège. O ataque de Bob Jungels foi relativamente perto da meta. Nibali (Milano-Sanremo), Niki Terpstra (Volta a Flandres), Peter Sagan (Paris-Roubaix) e agora Pinot na Lombardia. Assim ficaram as cinco grandes clássicas do ciclismo em 2018.

Falta apenas uma viagem à China para fechar o calendário World Tour. A Volta a Guangxi realiza-se entre 16 e 21 de Outubro, com a Volta à Turquia a conhecer o seu vencedor neste domingo. Aos poucos a época vai terminando e há que pensar em 2019. Para Pinot, por um lado, não poderia ser mais simples: tudo pelo Tour. Só falta a parte complicada de lidar novamente com toda a pressão, mas será um ciclista que talvez seja desta que tenha a maturidade e principalmente a confiança para colocar nas estradas francesas todo o seu potencial.

Rui Costa longe da frente

O belga Dylan Teuns (BMC), que está a caminho da Bahrain-Merida, fechou o pódio no sprint de um grupo de seis ciclistas. Ainda não foi desta que um campeão do mundo voltou a vencer a Lombardia, com Alejandro Valverde (Movistar) a terminar na 11ª posição, a 1:31 de Pinot. Paolo Bettini (2006) foi o último a conseguir o feito.

Quanto aos portugueses, Rui Costa não conseguiu estar na luta para repetir o resultado de 2014, quando foi terceiro, numa corrida ganha pelo seu actual companheiro Daniel Martin. O irlandês foi o melhor do trio da UAE Team Emirates, com Fabio Aru a fechar o ano com mais uma exibição para esquecer. Martin foi nono a 48 segundos. Rui Costa ficou para trás quando Roglic atacou aos 50 quilómetros. Terminou na 38ª posição, a 7:02 minutos. Aru foi 54º a 8:40.

Nelson Oliveira trabalhou para Valverde, cortando a meta no grupo de Rui Costa, na 42ª posição.

Para o ano, os cinco monumento serão nas seguintes datas: Milano-Sanremo a 23 de Março, Volta a Flandres a 7 de Abril, Paris-Roubaix a 14 de Abril, Liège-Bastogne-Liège a 28 de Abril e a Lombardia a 12 de Outubro.

»»Valverde com bicicleta personalizada na Lombardia à procura de entrar em grupo restrito««

»»Sagan diz porque foi ao pódio nos Mundiais e quais os objectivos para 2019. Poderá haver uma novidade««

12 de outubro de 2018

Valverde com bicicleta personalizada na Lombardia à procura de entrar em grupo restrito

(Fotografia: © Photo Gomez Sport)
Que ninguém tenha dúvidas: Alejandro Valverde é o campeão do mundo e vai estar equipa completamente a rigor. Além da mítica camisola do arco-íris, o ciclista terá agora uma bicicleta com as várias cores em todos os pormenores da máquina. Do quadro, às rodas, não esquecendo a pedaleira. A sua Canyon Ultimate CF SLX é de tirar a respiração e vai certamente destacar-se entre as bicicletas no pelotão. Valverde pode não estrear a camisola na Lombardia, como é tradição (que Peter Sagan, por exemplo, não seguiu de todo), pois já vez duas corridas em Itália, mas a bicicleta fará a sua primeira presença no último monumento do ano.

E que também não se tenha dúvidas: Valverde vai à Lombardia para ganhar. Foi 15º na Tre Valli Varesine e fechou o pódio na Milano-Torino, na quarta-feira. Mas é o próprio quem diz que é a Lombardia que interessa. pois até agora aproveitou para desfrutar do momento única que vive na carreira. A Lombardia é um monumento que lhe assenta bem e no qual já fez dois segundos lugares, em 2013 e 2014. Ganhar significaria conquistar o seu quinto monumento, depois de já ter quatro Liège-Bastogne-Liège. E entraria para o restrito grupo de ciclistas que ganhou os Mundiais e a Lombardia no mesmo ano.

O último foi Paolo Bettini em 2006. Alfredo Binda fê-lo em 1947, Tom Simpson em 1965, Eddy Merckx em 1971, Felice Gimondi em 1973, Giuseppe Saronni em 1982 e Oscar Camenzind em 1998. 

Valverde terá uma forte concorrência de ciclistas que estão a terminar bem a época. Romain Bardet (AG2R) quererá uma desforra dos Mundiais (foi segundo), Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) venceu duas etapas na Vuelta e a Milano-Torino, Simon Yates (Mitchelton-Scott) venceu a Volta a Espanha, mas poderá estar numa fase mais de descompressão, com o irmão Adam a estar, talvez, mais forte.

Desde o pódio na Vuelta que se espera sempre que Enric Mas (Quick-Step Floors) dê espectáculo, tal como Michael Woods, vencedor de uma etapa na Volta a Espanha e terceiro nos Mundiais. Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) quer terminar 2018 em grande depois da frustração dos Mundiais - a equipa terá ainda George Bennett e Steven Kruijswuijk -, mas de um excelente Tour. Entre os colombianos, Egan Bernal (Sky) será o favorito, ainda que na sua equipa, também se espera que Gianni Moscon apareça em grande, como aconteceu na preparação para os Mundiais. O compatriota de Bernal, Iván Sosa (Androni Giocattoli-Sidermec), também estará debaixo de olho. Não se espera que ganhe, mas será mais um teste, ele que se prepara, possivelmente, para ser colega de equipa de Bernal em 2019.

Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Wilco Kelderman (Sunweb), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Jakob Fuglsang e o trio da Lotto Soudal Tim Wellens, Tiesj Benoot e Thomas de Gendt, são todos corredores que podem estar na discussão da corrida. Giulio Ciccone (Bardiani-CSF) é um jovem italiano muito interessante, que está a caminho da Trek-Segafredo e apresenta-se bem neste final de temporada.

(Fotografia: © Photo Gomez Sport)
Falta a UAE Team Emirates que junta o trio Rui Costa, Daniel Martin e Fabio Aru. Só o irlandês venceu esta temporada e logo no Critérium du Dauphiné e Volta a França. O top dez de Rui Costa nos Mundiais foi animador, mas mais um bom resultado no monumento, em que foi terceiro em 2014 (atrás de Martin e Valverde), não faria mal nenhum, numa altura em que ainda não foi anunciado o seu futuro para 2019. Aru pode ter contrato, mas teve um ano para esquecer.

Além de Rui Costa, haverá outro português em prova, com Nelson Oliveira a estar ao lado do campeão do Mundo, Alejandro Valverde, na Movistar. E há que voltar à nova bicicleta do espanhol. Esta Canyon tem componentes e roda da Campagnolo - note-se o pormenor nas letras da rodas com as cores do momento -, o selim é Fizik e também tem pormenores do arco-íris. O porta-bidões é da Elite, branco com um detalhe dourado, em homenagem, desta feita, à medalha de ouro ganha nos Mundiais, além da camisola do arco-íris.

A 112ª edição da Lombardia começa em Bergamo e 241 quilómetros depois chega a Como. Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) venceu em 2015 e 2017 e claro que tem de surgir como candidato. Porém, a lesão na vértebra devido à queda provocada por um espectador no Tour, estragou-lhe os principais objectivos na temporada: Volta a França e Mundiais. Não esteve ao nível que gostaria em Innsbruck e é uma incógnita o que poderá fazer na Lombardia.

Entre os ausentes, de destacar Miguel Ángel López (Astana) que terminou a época na Milano-Torino, dizendo que não se tinha preparado para fazer mais uma longa distância como os 241 quilómetros da Lombardia. Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) é ausência de última hora, devido a cansaço, depois de uma época espectacular. Michal Kwiatkowski (Sky) também finalmente descansou. Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), vencedor em 2016, só regressará na próxima temporada, depois de lhe ter sido diagnosticada uma mononucleose, que o afectou na Volta a Itália. Não compete desde então.



17 de novembro de 2017

A incerteza de Bakelants já vai dando lugar a alguma confiança

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
Desejo de ano novo para Jan Bakelants: começar 2018 a pedalar na estrada. Não é brincadeira. Há menos de um mês, o ciclista belga da AG2R temia que a sua carreira pudesse ter chegado a um abrupto final, após a assustadora queda na Il Lombardia. "Se tudo decorrer de acordo com o plano, eu poderei pedalar novamente na rua a 1 de Janeiro", disse o ciclista. Discurso bem diferente de quando chegou a assumir que, por mais que adorasse o ciclismo, a namorada e a filha eram o mais importante. As notícias são animadoras e Bakelants já espera manter todas as suas paixões.

A 7 de Outubro, no último monumento do ano, numa zona de descida no Sormano, o belga foi um dos corredores que não conseguiu fazer uma curva, caindo na ravina. A queda de Laurens de Plus (Quick-Step Floors) foi filmada e impressionou. A de Bakelants não, mas foi divulgada uma fotografia na qual se via a bicicleta pendurada numa árvore, enquanto, segundo a descrição do repórter, o ciclista estava a cerca de quatro metros por baixo. Partiu costelas, mas a maior preocupação acabou por ser a lesão numa vértebra e foi por isso que foi operado. Mas para agravar a situação, quando estava a sair assistido, já na estrada, uma moto passou por cima da sua perna.

Os médicos mostraram-se confiantes quanto à recuperação de Bakelants, mas o ciclista optou, após a cirurgia, por um discurso prudente. Agora parece já partilhar da confiança e espera brevemente começar a treinar nos rolos. Mas claro, não é a mesma coisa do que sair com a bicicleta, que é o que agora mais deseja. Para já, é altura de frequentar uma clínica para reabilitar-se. "É o ideal para fortalecer as costas e ao mesmo tempo ganhar alguma da forma mais básica", explicou ao jornal belga Het Nieuwsblad. Mesmo que regresse à competição, até Abril terá de o fazer com placas de titânio nas costas, mas que não o impedirão de correr.

Há confiança, contudo, não há certezas. A AG2R também fica sem saber como será a época de um ciclista importante na equipa, sendo dos que tem lugar garantido ao lado de Romain Bardet em situação normal. Na Volta a França era dos últimos a "abandonar" o seu líder e a regularidade valeu-lhe o 22º lugar na geral. É um ciclista que faz bons resultados em corridas por etapas, mas também espreita a oportunidade nas clássicas. No seu currículo conta com uma etapa na Volta a França e no Critérium du Dauphiné como principais conquistas.

Aquela curva na Il Lombardia acabou com a corrida de quatro ciclistas, mas foi Bakelants que ficou mais mal tratado. O belga, de 31 anos, pouco se lembra do que aconteceu. Recorda-se que não estava longe da frente da corrida. De Plus já tinha caído e Bakelants diz que voou por cima da barreira, mas a memória do incidente ficou por aí.

O desejo é grande de voltar a sair com a sua bicicleta, mas Bakelants é o primeiro a dizer que fará tudo com a calma necessária para garantir que não haverá qualquer risco de piorar a situação.

8 de outubro de 2017

Bicicleta de Bakelants ficou pendurada numa árvore. Ciclista continua hospitalizado

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
As imagens de Laurens de Plus a cair numa ravina após chocar contra rails de protecção numa curva na Il Lombardia são arrepiantes. O belga da Quick-Step Floors acabou por não sofrer lesões muito graves, mas aquela zona da descida no Sormano causou mais vítimas. A queda de Jan Bakelants (AG2R) não foi filmada, mas há uma fotografia impressionante que mostra como a bicicleta do também belga ficou pendurada numa árvore. O ciclista tem ferimentos mais graves e ainda se encontra no hospital. Simone Petilli (UAE Team Emirates) também ficou bastante mal tratado.

A curva em causa era complicada, sem grande margem de erro. O pior era que do lado de lá do rail estava uma ravina. De Plus não terá caído tão para baixo como Bakelants. O corredor da AG2R partiu sete costelas (mas sem afectar os pulmões) e fracturou a vértebra L1 e L3 e são estas lesões as que mais preocupam. Bakelants (31 anos) está consciente e consegue mexer-se, segundo o médico da equipa francesa. Porém, até serem conhecidos os resultados dos exames que estavam agendados para este domingo, não seriam corridos riscos em transportar o ciclista de regresso ao seu país. Não estava afastada a possibilidade de uma intervenção cirúrgica.

Aqui fica a referida fotografia. O repórter explica que a bicicleta estava pendurada a quatro metros de altura, com o ciclista ferido por baixo dela.


Laurens de Plus já recebeu alta, mas terá ainda de fazer também mais exames, pois sofreu contusões no braço e perna direita. Já jovem italiano da UAE Team Emirates, Simone Petilli (24 anos),  tem lesões no pescoço, na vértebra D1, fracturou a clavícula e a omoplata do ombro esquerdo.



O quinto e último monumento do ano foi ganho pelo italiano Vincenzo Nibali, que venceu a corrida pela segunda vez, naquela que foi a 50ª vitória na carreira.

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7 de outubro de 2017

Qual é o lugar de Nibali na história?

(Fotografia: Facebook Il Lombardia)
Esta foi uma pergunta muito feita a Chris Froome depois do britânico ter vencido a Vuelta. Pode-se também fazer a Vincenzo Nibali. O italiano é uma espécie de mal-amado no ciclismo, mas quando se olha para o currículo, tem um que o coloca entre a elite. Mas então porque razão é tão menosprezado? Nibali venceu a três grandes voltas e este sábado somou o seu segundo monumento, ao vencer novamente na Lombardia. Foi também a sua 50ª vitória na carreira. Aos 32 anos, Nibali pode parecer não ter nada a provar. Ainda assim falta algo aos olhos de muitos.

O italiano não se consegue livrar da fama de vencer quando não estão presentes os principais candidatos. Este é o factor que assombra a sua conquista da Volta a França em 2014, por exemplo, e também a Vuelta em 2010. Mas é principalmente o Tour que ficou na memória. Nesse ano esperava-se uma grande luta entre Chris Froome, então à procura da segunda vitória consecutiva, e um em forma Alberto Contador. Ambos acabaram por abandonar devido a quedas e Nibali aproveitou a passadeira estendida. Conquistou o Tour com mais de sete minutos de vantagem para Jean-Christophe Peraud e mais de oito para Thibaut Pinot. Um pódio do mais inesperado dos últimos anos.

Se Froome estivesse... Se Contador não tivesse caído numa descida... De "ses" não se faz a realidade. Se não fosse Nibali, outro teria aproveitado a oportunidade para vencer aquela que continua a ser vista como a mais importante corrida de três semanas. Pode ser complicado dar-lhe o mérito, mas Nibali teve todo o mérito na forma como conquistou esse Tour.

Hoje, na Lombardia foi perfeito, ou quase. Era desnecessário aquele ataque quando Pinot tinha acabado de agarrar um bidão. São estes pequenos pormenores que não ajudam a Nibali ganhar um maior respeito. Será sempre lembrado por se ter agarrado ao carro na Vuelta de 2015 para recuperar o lugar no grupo da frente, depois de ter ficado num corte do pelotão. Foi um acto de tão baixo nível, que ainda hoje se fala de um gesto à Nibali, sempre que um ciclista repete a batota.

Mas voltando à Lombardia deste sábado. A Bahrain-Merida teve das melhores exibições do ano em corridas do World Tour. Era claro que iria ser todos contra Nibali. Foi Thibaut Pinot quem mexeu com a corrida perto do final. Nibali esperou pelo momento certo para ir buscar o francês e na descida já se sabe, o italiano é dos melhores do mundo. Isso ninguém nega. Pinot está muito mais ágil a descer, mas nunca há-de chegar ao nível de Nibali. Perdeu assim a Lombardia. Ou melhor, assim ganhou o italiano a Lombardia. Faça-se justiça. Foi uma exibição de enorme nível frente a um pelotão de luxo (que pena Tom Dumoulin ter falhado à última hora devido a doença, pois certamente que teria ajudado ao espectáculo).

Olhando para os números, Nibali teve um ano sensacional. Olhando para os números, Nibali tem de figurar entre os melhores da história. Mas os números nem sempre contam tudo. Recuando ao Giro. O italiano foi terceiro a apenas 40 segundos de Tom Dumoulin. Porém, esperava-se mais. Nunca foi um Nibali realmente candidato a conquistar o seu terceiro Giro. Em 2016 proporcionou uma reviravolta fantástica na corrida, quando parecia que estava prestes a ir para casa, recuperou física e psicologicamente para vencer... com uma ajuda da queda Steven Kruijswijk (lá está, sempre algo que parece minimizar o mérito).

No entanto, este ano esteve muito defensivo, parecia simplesmente intimidado por a corrida ter Nairo Quintana e depois por Tom Dumoulin ter aparecido simplesmente grandioso. As curtas diferenças devem-se mais à necessidade do holandês de ter de melhorar na alta montanha do que propriamente por Nibali ter alguma vez assustado Dumoulin. Venceu uma etapa, foi ao pódio, mas não foi o ciclista que se esperaria, principalmente para quem colocou a Volta a Itália como objectivo e não o Tour.

Na Vuelta ficou a 2:15 de Chris Froome. Acabou por ser ele quem mais parecia que poderia ser o adversário do britânico. Froome não teve uma vitória cantada, mas Nibali tanto aparecia a tentar mostrar-se como cada vez que surgia uma subida mais complicada, o italiano teve tendência a fraquejar. Foi difícil vê-lo como verdadeira ameaça.

Quando daqui a uns anos, já com Nibali, Froome e as actuais estrelas a verem as corridas fora das bicicletas, os números vão colocar o italiano como uma referência, principalmente do ciclismo transalpino. Mas falta uma grande vitória frente aos principais nomes, um triunfo que vá além dos números. E terá de ser no Tour. Para o ano irá, tudo indica, à Volta a França. Poderá ser o tudo ou nada para que deixe de ser falado como o ciclista que só ganha quando a concorrência não é tão forte.

Talvez esteja destinado a ser o mal-amado até ao fim, ainda que em Itália seja admirado. É além fronteiras que não gera muito apreço. Também não parece muito incomodado. É um ciclista de personalidade forte, que gosta de fazer tudo à sua maneira, independentemente do que pensam dele. Foi por isso que aceitou de bom grado um projecto como o da Bahrain-Merida. Assim passou  a ter mais do que uma palavra a dizer. Nibali sabe que já tem o seu lugar na história mais do que garantido, goste-se ou não se goste, mas até ele quererá o tal triunfo para história que não seja apenas mais um número.



2 de outubro de 2017

Lombardia: a última hipótese de Quintana salvar a época

(Fotografia: Facebook Movistar Team)
Talvez seja algo injusto reduzir a importância de ganhar a Lombardia a Nairo Quintana. Não foi o único ciclista a ter uma temporada abaixo do esperado. Porém, perante o seu estatuto e a ambição que apresentou este ano, os resultados aquém do esperado fragilizaram a sua posição, mesmo dentro da equipa. O pequeno colombiano foi batido no Giro por Dumoulin e foi batidos por praticamente todos no Tour. Em 2018 arrisca-se a ser batido por Mikel Landa na Movistar quando chegar a altura de decidir quem lidera a equipa na Volta a França. Ganhar um monumento poderá ser o melhor que poderá acontecer a Quintana, que precisa desesperadamente de uma grande vitória.

Il Lombardia, como é agora chamado, é o último monumento do ano. Chega longe da tradicional época de clássicas em Abril e é aquela corrida do género que atrai os trepadores. É o monumento de eleição para este tipo de ciclista. Nos últimos anos os vencedores foram Johan Esteban Chaves, Vincenzo Nibali, Daniel Martin e Joaquim Rodríguez, por exemplo, Mas também temos um Philippe Gilbert com dois triunfos (2009 e 2010), pelo que é uma boa clássica para trepadores, mas não só. Porém, recentemente têm sido os especialistas em corridas de três semanas que se têm destacado. Nairo Quintana prefere as provas por etapas, mas chegou o momento de dar tudo numa corrida de um dia.

O colombiano ganhou a Volta à Comunidade Valenciana e o Tirreno-Adriatico. Conquistou uma etapa no Giro, mas foi segundo na geral e ficou fora do top dez no Tour (12º). Sabe a pouco para quem se propôs ganhar o Giro e o Tour... A relação com Eusebio Unzué já terá vivido melhores dias. Muito se falou que Quintana até poderia estar a ponderar quebrar contrato com a Movistar e assinar por outra equipa, ainda mais quando o director da formação espanhola confirmou que Mikel Landa era reforço para 2018. Landa avisou que não quer mais ser gregário e quer lutar pelo Tour. Neste último caso, o mesmo que Quintana, portanto.

Landa é uma paixão antiga de Unzué, que por duas vezes já o tinha tentado contratar. Da primeira vez perdeu-o para a Astana, depois para a Sky, mas à terceira não o deixou escapar, pelo que certamente não vai remetê-lo a um papel secundário. É desde já uma das grandes curiosidades para o próximo ano: como irá a Movistar gerir Quintana e Landa, com Valverde ainda ali pronto para continuar a somar vitórias, agora que regressou aos treinos depois da aparatosa queda no contra-relógio inicial do Tour.

Falta acabar esta temporada e a Lombardia tem uma importância extra no futuro de Quintana: Landa também irá lá estar. Ganhar, seria uma forma de se tentar impor ao espanhol, ainda antes de ambos vestirem as mesmas cores. Como estará Nairo Quintana é a grande questão.

O colombiano só apareceu nos Mundiais depois da desilusão do Tour e mal se o viu. Nem acabou a corrida. Na Volta a França foi um ciclista triste, sem chama, longe da sua melhor versão que este ano pouco se viu. Mesmo no Giro não foi o Quintana que já tinha conquistado aquela prova. Pensou em demasia em poupar-se para lutar pelo Tour e a querer ganhar em Itália sem dar tudo por tudo... A gestão não foi de facto a melhor. Nem da sua parte, nem da equipa. Muito se aprendeu, certamente, numa temporada aziaga. Ganhar a Lombardia seria também uma espécie de alívio para o ciclista, pois certamente lhe daria a motivação que lhe vai faltando com tantas críticas de que foi alvo e tanto sururu em redor do seu futuro. Ganhar não lhe retira a enorme pressão que irá continuar a sofrer, mas Quintana precisa de todos os argumentos para quando Mikel Landa chegar.

Tantos candidatos...

Quintana irá enfrentar vários problemas. Landa à cabeça, é certo, mas o que não falta é concorrência de luxo e todos querem fechar a temporada com chave de ouro. Isto mais parece uma lista de uma grande volta: Fabio Aru (Astana), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Julian Alaphilippe e Daniel Martin (Quick-Step Floors), Tom Dumoulin (Sunweb), Thibaut Pinot (FDJ), Rigoberto Uran (Cannodale-Drapac), Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Tony Gallopin e Thomas de Gendt (Lotto Soudal), Louis Meintjes e Rui Costa (UAE Team Emirates). A Sky terá além de Landa, Michal Kwiatkowski, que este ano já ganhou um monumento, a Milano-Sanremo.

A este resumo da lista há que juntar Damiano Cunego (Nippo-Vini Fantini), italiano de 36 anos que venceu esta corrida três vezes: 2004, 2007 e 2008. E também Warren Barguil. A ver vamos como estará o francês depois de ter sido mandado para casa pela equipa durante a Volta a Espanha, por não ter respeitado ordens. Está de saída para a Fortuneo-Oscaro, do escalão Profissional Continental. Johan Estaban Chaves, vencedor em 2016, é baixa confirmada na Orica-Scott depois da queda no Giro dell'Emilia que terminou com a temporada do colombiano, outro ciclista que bem precisava de uma grande vitória, ainda que por razões diferentes de Quintana.

Dos portugueses, além de Rui Costa - que surge como um dos fortes candidatos à vitória - também deverá estar José Gonçalves, da Katusha-Alpecin. No momento em que este texto é publicado a lista de inscritos ainda não é final, pelo que poderá verificar-se alterações até sábado, dia 7, quando a 111ª edição for para a estrada (247 quilómetros entre Bergamo e Como).

Alguns destes ciclistas vão estar já esta terça-feira na Tre Valli Varesine - inclusivamente Rui Costa - e na quinta-feira haverá ainda a Milano-Torino.

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21 de setembro de 2017

Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018

Em dia de descanso nos Mundiais - que regressam esta sexta-feira com as provas em linha -, não significa que não houvesse pontos de interesse. Houve eleições na UCI, que terá um novo presidente e até já se conhece uma medida: acabar com o contra-relógio por equipas nos Campeonatos do Mundo. Foi também divulgado o calendário World Tour, no qual não há grandes mudanças, apenas a confirmação que a Volta ao Qatar foi mesmo riscada, depois de este ano ter subido ao principal escalão, para depois ser cancelada devido a problemas financeiros. Algumas corridas serão em datas ligeiramente diferentes. Já no Women's World Tour há três novas competições.

No calendário masculino, a Dwars Door Vlaanderen vai realizar-se depois da Gent-Wevelgem, enquanto a RideLondon-Surrey Classic irá ter lugar no mesmo dia que o final da Volta a França, seguindo-se depois a Volta à Polónia e a Clássica de San Sebastian. Uma alteração na ordem destas corridas. Quanto às três grandes voltas, o Giro será de 5 a 27 de Maio, o Tour de 7 a 29 de Julho e a Vuelta de 25 de Agosto a 16 de Setembro. Os monumentos: Milano-Sanremo, 17 de Março; Volta a Flandres, 1 de Abril; Paris-Roubaix, 8 de Abril; Liège-Bastogne-Liège, 22 de Abril; Il Lombardia, 13 de Outubro.

Quanto às eleições na UCI, David Lappartient bateu o até agora presidente Brian Cookson. O francês conseguiu 37 votos contra oito e destacou como isso significou que recebeu votos de todas as confederações. Apesar de se esperar uma eleição mais renhida, a vitória de Lappartient não é uma surpresa, já que era conhecido que recolhia o apoio na Europa, com Cookson mais popular na Ásia, África e Oceânia. Não chegou e pela primeira vez um presidente só cumprirá um mandato.

Há quatro anos, Cookson foi uma espécie de voto de revolta contra a liderança de Pat McQuaid, que atravessou momentos muito conturbados no ciclismo. Cookson assumiu como bandeira do mandato a luta contra o doping e o desenvolvimento da modalidade para as mulheres.

Há alguma expectativa para ver Lappartient à frente da UCI, depois de ter liderado a União Europeia de Ciclismo. Para já, avisou que a partir de 2020 irá acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais, justificando que as equipas não estão interessadas. Esta decisão surge depois de um contra-relógio colectivo que até demonstrou como estão a aparecer mais formações com o objectivo de ganhar, casos da Sunweb (a nova campeã) e a Sky. Porém, a participação reduzida (apenas 11 das 18 equipas do World Tour estiveram presentes e somente uma Profissional Continental) sustentam a opinião de Lappartient., não se esquecendo como em Doha2016 se correu o risco de ninguém participar devido aos elevados custos da deslocação. Mas esta será apenas uma decisão no muito trabalho que espera ao francês num desporto movido por muitos interesses.

Artur Lopes, presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, foi eleito para o Comité Director da UCI, sendo o candidato mais votado.

Aqui fica o calendário completo do World Tour masculino e feminino. As três novas competições das senhoras são a Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica), WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha) e a Volta a Guangxi (China).

World Tour:

  • 16 a 21 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
  • 28 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
  • 21 a 25 de Fevereiro: Abu Dhabi Tour (Emirados Árabes Unidos)
  • 24 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad Elite (Bélgica)
  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 4 a 11 de Março: Paris-Nice (França)
  • 7 a 13 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
  • 17 de Março, Milano-San Remo (Itália)
  • 19 a 25 de Março: Volta à Catalunha (Espanha)
  • 23 de Março: E3 Harelbeke (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 28 de Março: Dwars door Vlaanderen (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 2 a 7 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
  • 8 de Abril: Paris-Roubaix (França)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 24 a 29 de Abril: Volta à Romandia (Suíça)
  • 1 de Maio: Eschborn-Frankfurt – Rund um den Finanzplatz (Alemanha)
  • 5 a 27 de Maio: Volta a Itália
  • 13 a 19 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
  • 3 a 10 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
  • 9 a 17 de Junho: Volta à Suíça
  • 7 a 29 de Julho: Volta a França
  • 29 de Julho: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
  • 4 a 10 de Agosto: Volta à Polónia
  • 4 de Agosto: Clássica de San Sebastian (Espanha)
  • 13 a 19 de Agosto: Binck Bank Tour (Holanda/Bélgica)
  • 19 de Agosto: Clássica de Hamburgo (Alemanha)
  • 25 de Agosto a 16 de Setembro: Volta a Espanha
  • 26 de Agosto: Bretagne Classic-Ouest-France (França)
  • 7 de Setembro: Grande Prémio do Québec (Canadá)
  • 9 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
  • 9 a 14 de Outubro: Volta à Turquia
  • 13 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
  • 16 a 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

Women's World Tour:

  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 11 de Março: Ronde van Drenthe (Holanda)
  • 18 de Março: Trofeo Alfredo Binda-Comune di Cittiglio (Itália)
  • 22 de Março: Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 26 a 28 de Abril: Volta à Ilha Chongming (China)
  • 10 a 13 de Maio: Amgen Breakaway from Heart Disease Women’s Race (EUA)
  • 19 a 22 de Maio: WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha)
  • 13 a 17 de Junho: OVO Energy Women’s Tour (Grã-Bretanha)
  • 6 a 15 de Julho: Volta a Itália
  • 17 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
  • 28 de Julho: Prudential RideLondon Classique (Grã-Bretanha)
  • 10 de Agosto: Crescent Vårgårda (contra-relógio colectivo) (Suécia)
  • 12 de Agosto: Crescent Vårgårda (Suécia)
  • 16 a 19 de Agosto: Volta à Noruega
  • 25 de Agosto: GP de Plouay-Lorient Agglomération (França)
  • 28  de Aug a 2 de Setembro, Boels Ladies Tour (Holanda)
  • 16 de Setembro: Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)
  • 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

1 de outubro de 2016

O irresistível 'El Chavito' já tem o seu monumento

Chaves festeja... Uran vê o primeiro lugar escapar-lhe outra vez
Que final de temporada! A última competição do World Tour teve dureza (muita dureza) e ainda mais espectáculo. Junta-se um pouco de história, umas despedidas e pode-se dizer que as emoções na Il Lombardia foram mais do que muitas para os ciclistas e para quem assistiu. Rui Costa foi o único português a terminar a prova e tendo em conta que só 61 ciclistas chegaram ao fim (ou seja, desistiram quase 140), o 15º lugar é muito bom para o português da Lampre-Merida.

Sky, Tinkoff, IAM, Dimension Data, Lotto-Jumbo, Bardiani e Gazprom-Rusvelo tiveram apenas um ciclista a completar os 240 quilómetros entre Como e Bergamo, com oito difíceis subidas entre os locais. Na Lotto Soudal ninguém resistiu. Não é que seja inédito muitas desistências. Muitos fazem o seu trabalho em prol dos líderes e quando esse chega ao fim, optam por abandonar.

Porém esta Il Lombardia foi desenhada para se tornar inesquecível e se há um ano Vincenzo Nibali deu espectáculo com a sua fuga para a vitória, desta fez foi um quarteto que acabou por animar um final emotivo, depois de muitos quilómetros em que se assistiu a muitas movimentações. Não houve momentos aborrecidos!

Johan Esteban Chaves (OricaBikeExchange), Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac) e Romain Bardet (AG2R) afastaram-se de um grupo que tinha Fabio Aru (Astana), Gianluca Brambilla (Etixx-QuickStep), Alejandro Valverde (Movistar) e Robert Gesink (Lotto-Jumbo), entre outros. Nele também estava um Diego Rosa que trabalhou de forma incansável para Aru, mas o líder da equipa cazaque não aguentou o ritmo e o italiano teve autorização para ir no encalço do trio. Foi um esforço incrível, mas Rosa conseguiu encostar e os quatro entenderam-se para garantir que mais ninguém se chegava à frente.

Começava a ganhar contornos mais um momento histórico para a Colômbia. Com dois homens em boa forma na frente, Uran sabia que tinha a oportunidade de ouro (além de ser a última) de finalmente dar uma vitória World Tour à Cannondale-Drapac. A equipa norte-americana soma apenas nove triunfos em 2016, nenhum em provas do principal escalão. Romain Bardet sabia que os 100 pontos da vitória seriam muito importantes para a classificação da AG2R no ranking, enquanto Diego Rosa queria provar porque é um dos ciclistas em final de contrato mais pretendido.

Mas foi o dia de 'El Chavito'. Aliás, este foi o ano do colombiano e também da própria Orica-BikeExchange, que este ano venceu dois monumentos. Johan Esteban Chaves tornou-se no primeiro ciclista da Colômbia a conquistar um monumento do ciclismo. E como o fez? Com calma. Sim, Chaves explicou que ao ver Diego Rosa atacar a poucos metros da meta (numa altura em que Bardet já tinha ficado para trás na derradeira subida do dia feita em parte em pavé), que o importante foi manter a calma. Depois mostrou que talvez tenha aprendido com os colegas Caleb Ewan, Michael Matthews ou Simon Gerrans. Sprintou como nunca o tínhamos visto fazer e ultrapassou Rosa mesmo sobre a meta. O compatriota Rigoberto Uran ficou com o último lugar do pódio pela terceira vez na carreira na Lombardia.

É o ano da confirmação para Chaves. Mostrou que podem contar com ele para as provas de três semanas com um segundo lugar no Giro e um terceiro na Vuelta e neste final de temporada revelou ainda que também se adapta a provas de um dia como a Il Lombardia, pois além garantir o seu primeiro monumento, o colombiano de 26 anos já tinha dado sinais ao vencer há uma semana o Giro dell'Emilia. E Itália é um país simpático para Chaves, pois também tinha conquistado uma etapa no Giro, em Maio. Nairo Quintana pode ser o rei do ciclismo colombiano actualmente, mas Chaves vai conquistando cada vez mais adeptos, tanto pelos seus resultados como pela forma como encara o ciclismo fora da bicicleta.

Quanto a OricaBikeExchange, junta a Il Lombardia ao Paris-Roubaix, conquistado este ano por Mathew Hayman, e à Milano-Sanremo (2012) e Liège-Bastogne-Liège (2014), monumentos ganhos por Simon Gerrans. Só falta a Volta a Flandres.

As despedidas das equipas e de carreira

Diego Rosa procurava uma grande vitória antes de deixar a Astana. Ainda não se sabe para onde vai o italiano, mas fala-se muito do interesse da Sky. Philippe Gilbert não quis falar em despedidas emotivas no dia em que terminou a última prova pela BMC, preparando-se agora para rumar à Etixx-QuickStep. Giovanni Visconti deu tudo o que tinha para ajudar Valverde, numa altura em que já se sabe que vai trocar a Movistar pela nova equipa Bahrain-Merida.

Porém, as emoções maiores foram para Frank Schleck e Ryder Hesjedal (ambos da Trek-Segafredo) e Joaquim Rodríguez (Katusha). Os três terminaram a carreira. Rodríguez saiu da reforma, que anunciou durante a Volta a França, por ordem da equipa. Nas três provas em que participou em Itália, não terminou nenhuma, nem o "seu" monumento. 'Purito' venceu na Lombardia em 2012 e 2013. No final afirmou: "Esta foi a minha última corrida", disse, contrariando as informações avançadas pelo seu agente que davam conta que o futuro do espanhol ainda estava em aberto. Surgiram mesmo rumores que poderia estar a caminho da Bahrain-Merida, para assim dar uns pontos importantes à equipa na procura pela licença World Tour em 2017.

Os portugueses

Pouco há dizer. Rui Costa foi 15º a 5:02 minutos do vencedor e nunca esteve na discussão da corrida, na qual foi terceiro em 2014. Sérgio Paulinho (Tinkoff) e André Cardoso (Cannondale-Drapac) desistiram. Nelson Oliveira (Movistar) e Tiago Machado (Katusha) chegaram a aparecer como convocados para a competição, mas a lista foi alterada e não fizeram parte da escolha final.

Sobrevivência das equipas

Em disputa na Lombardia estava também a procura dos pontos que algumas equipas muito precisavam para garantir a licença World Tour em 2017. A Dimension Data termina no último lugar do ranking e tem o lugar em risco no principal escalão no próximo ano. De recordar que serão dadas 17 licenças e são 18 as equipas candidatas, com a Bahrain-Merida e a Bora-Hansgrohe a procurarem entrar no World Tour, numa altura em que sai a Tinkoff e a IAM.

Só os dez primeiros somavam pontos. Warren Barguil conseguiu 20, fruto do seu oitavo lugar, mas a Giant-Alpecin também vê o seu futuro em risco, depois de uma temporada que começou mal logo na pré-época com o atropelamento de vários ciclistas. John Degenkolb sempre foi um dos que mais pontos deu à equipa, mas devido a esse acidente, a sua temporada foi para esquecer e o alemão também está de saída para a Trek-Segafredo. A Lampre-Merida, futura TJ Sport-Merida, não está completamente descansada, mas a equipa já está a contratar ciclistas como Ben Swift e John Darwin Atapuma para garantir pontos que podem ser importantes.

Do outro lado ranking, sem Alberto Contador, a Tinkoff apostava em Roman Kreuziger e Rafal Majka para tentar ultrapassar a Movistar no primeiro lugar. No entanto, só Michael Gogl terminou e em 35º lugar. Valverde foi sexto e até deu mais 40 pontos para consolidar o primeiro lugar. É o quarto ano consecutivo com a Movistar a ser primeira no ranking World Tour.


29 de setembro de 2016

Um monumento para se batalhar pela vitória e pelos pontos da sobrevivência

É o último monumento. Mas Il Lombardia é este ano muito mais do que isso, muito mais do que uma corrida pela glória. É também uma corrida pela sobrevivência. Com as mudanças anunciadas pela UCI para 2017, nomeadamente quanto às licenças World Tour, nesta derradeira prova com pontos em jogo, Dimension Data, Giant-Alpecin, AG2R e mesmo a própria Lampre-Merida vão procurar somar os que lhe permitam ficar um pouco mais confortáveis no momento da atribuição das 17 licenças para os próximos dois anos, sabendo que são 18 equipas à procura do bilhete dourado. Mais do que uma vitória, neste sábado alguns ciclistas sabem que terão a responsabilidade de somar pontos e para tal terão de terminar nos dez primeiros.

Será portanto uma luta dentro da habitual luta pela conquista do quinto monumento do ano. Alberto Contador, Fabio Aru, Rigoberto Uran, Johan Esteban Chaves e Joaquim Rodríguez - que adiou a reforma para participar na corrida que conquistou em 2012 e 2013 - serão homens com ambição à vitória e perante o difícil percurso que terão pela frente, prevê-se espectáculo para os 241 quilómetros, entre Como e Bergamo (uma inversão relativamente à rota do ano passado).

Nairo Quintana e Chris Froome são as grandes ausências, já tendo ambos colocado um ponto final na temporada. Agradeceu Peter Sagan que assim tem garantido o primeiro lugar do ranking World Tour. Porém, a Lombardia atraiu grandes trepadores. Daniel Martin procura a sua segunda vitória e terá uma Etixx-QuickStep de luxo a acompanhá-lo e com mais cartas para jogar, como David de la Cruz - fez uma excelente Volta a Espanha, vencendo uma etapa - Gianluca Brambilla (ganhou etapas no Giro e Vuelta) e a estrela em ascensão Julian Alaphilippe.

Romain Bardet tem a responsabilidade de dar pontos que poderão ser importantes para a AG2R, sendo também um candidato à vitória, depois uma uma boa temporada que teve como prémio o segundo lugar no Tour. Outro francês, Warren Barguil está pressionado a terminar no top dez. O ciclista da Giant-Alpecin não teve a época desejada, mas parece estar em o boa forma nesta recta final, com um 25º lugar na Tre Valli Varesine e 10º na Milano-Torino, duas corridas vistas como preparação para a Lombardia.

Jarlinson Pantano (IAM) está em alta desde a Volta a França. Já tem um contrato garantido com a Trek-Segafredo, tem-se mostrado um lutador e será de esperar ver o colombiano ao ataque. Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Robert Gesink (Lotto-Jumbo), Andrey Amador (Movistar) e John Darwin Atapuma (BMC) são outros nomes a ter em conta.

E depois temos a Sky. Mesmo sem Froome, Peter Kennaugh é hipótese, mas a equipa tem ainda Mikel Landa, Mikel Nieve, Leopold König e Nicolas Roche, todos ciclistas com características que podem assentar bem nesta corrida. E claro, Wout Poels, o gregário de luxo de Froome no Tour e que este ano deu o primeiro monumento à Sky na Liège-Bastogne-Liège. O holandês não se importaria nada de fazer uma dobradinha histórica para a equipa.

Quanto a antigos vencedores, além de Rodríguez e Daniel Martin, estarão presentes o suíço Oliver Zaugg (IAM) - ganhou em 2011 então pela Leopard Trek - Philippe Gilbert (BMC) - venceu em 2009 e 2010, na sua era de ouro na Lotto - e Damiano Cunego. O veterano ciclista italiano, 35 anos, soma três vitórias em 2004 (ano em que venceu também o Giro), 2007 e 2008, triunfos divididos entre a Saeco e a Lampre. Porém, há muito que Cunego está afastado do seu melhor, tendo reaparecido este ano na luta pela classificação da montanha na Volta a Itália. Agora na Nippo-Vini Fantini, nunca se sabe como esta corrida poderá mexer emocionalmente com Cunego e o italiano até poderá aparecer na luta. Vincenzo Nibali (Astana) não estará presente para tentar repetir o triunfo de 2016.

Ainda regressando à luta pelos pontos das equipas, enquanto umas batalham pela sobrevivência, a Tinkoff vai tentar fazer o pleno. Neste momento é a Movistar que lidera com 1431 pontos, mais 70 do que a formação russa. O primeiro lugar no ranking World Tour - e depois de garantido o individual por Sagan - seria uma despedida mais interessante, depois de ter falhado nas três grandes voltas, ainda que o eslovaco tenha dado a Oleg Tinkov um monumento: a Volta a Flandres.

Os portugueses

André Cardoso e Rui Costa estarão presentes

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Serão cinco, mas é em Rui Costa que se centram as atenções. O homem da Lampre-Merida entra no grupo daqueles com responsabilidade para somar pontos para a equipa e tendo em conta que já terminou em terceiro lugar, em 2014, Rui Costa é também ele candidato a um bom resultado. Sabe-se que tem um gosto especial pela Liège-Bastogne-Liège, mas a Lombardia é uma corrida que o pode favorecer.

Nelson Oliveira (Movistar), Tiago Machado (Katusha), Sérgio Paulinho (Tinkoff) e André Cardoso (Cannondale-Drapac) terão as habituais missões em apoiar os respectivos líderes.

O percurso

Este ano o pelotão começa com a belíssima vista do Lago Como e irá até Bergamo. Terá oito subidas pela frente, a maioria novas na competição. Uma inovação para refrescar uma prova que celebra a 110ª edição e talvez seja marcada por um pouco de chuva. Destaque para a ascensão a Valcava, com 11,6 quilómetros, com pendente média de 8%, mas com vários metros a mais de 10%. Algumas subidas serão curtas mas com pendentes complicadas. E atenção à curta subida já em Bergamo que será feita em pavé e que em 2015 foi onde Daniel Martin fugiu para conquistar a vitória à frente de Alejandro Valverde e Rui Costa.

A título de curiosidade, este ano não haverá a habitual "apresentação" do novo campeão do mundo, como aconteceu em edições anteriores. Devido à escolha de Doha como país anfitrião dos Mundiais, a prova foi adiada para Outubro, em vez de se realizar em Setembro, na tentativa dos ciclistas apanharem temperaturas mais amenas (na perspectiva do Qatar).

Il Lombardia poderá ser visto no Eurosport a partir das 14:45.