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3 de janeiro de 2020

Eis a bicicleta da marca de Alberto Contador

(Imagem: print screen)
Para já é a "A Bikes". O nome não deverá ser definitivo, mas o que já é definitivo e uma realidade é a bicicleta que Alberto Contador esteve a preparar em parceria com outro ex-ciclista, o italiano Ivan Basso. O espanhol tem agora a sua marca e deverá mesmo fornecer as equipas dos diferentes escalões da sua fundação, incluindo a formação do nível Continental, a Kometa-Xstra. Ou seja, um português, Daniel Viegas, poderá competir com a bicicleta que já está a despertar muito interesse.

No primeiro dia do ano, Alberto Contador começou por colocar um vídeo em que desembrulha a bicicleta, colocada ao pé de uma árvore de Natal. O antigo ciclista explicou que a sua nova máquina é o resultado de ano e meio de trabalho e admitiu que se sentia como uma criança. A bicicleta, com padrão de zebra, está equipada com travões de disco e as rodas são da Lightweight e pesará menos de 6,5 quilos, segundo Contador. Horas depois publicou o vídeo promocional (ver no final do texto).

Nos comentários (entre Facebook, Twitter e Instagram) são muitos a elogiar, mas também a querer saber mais pormenores e mesmo a querer comprar a bicicleta. Há até quem questione se haverá uma versão de contra-relógio. Contador e Basso apostam num mercado com muitas opções, muito competitivo e com marcas com muita história. Mas a popularidade que continua a gozar Alberto Contador, mesmo depois de se ter retirado em 2017, está a funcionar como um bom impulsionador da sua marca. Contudo, mantém-se o suspense de quando será possível comprar a bicicleta. Interessados no novo projecto de Contador não faltam. Só no Instagram já tem mais de 17 mil seguidores.

Na hora de seguir um novo caminho, numa nova bicicleta, Contador não esqueceu a sua ligação de vários anos (não consecutivos) à Trek. Com esta marca conquistou algumas das suas grandes vitórias, não esquecendo a última no mítico Angliru. Agora é tempo da "A bikes".




28 de outubro de 2019

Alberto Contador vai ter a sua marca de bicicletas

(Fotografia: Facebook Alberto Contador)
Vêm aí mais uma fase da vida de Alberto Contador pós-ciclismo profissional. A perspectiva é que seja já no próximo ano que as bicicletas Contador estejam na estrada e irão ser utilizadas pelas formações dos diferentes escalões da sua fundação - com patrocínio da Kometa que dá nome às equipas -, incluindo a estrutura Continental. Esta escolha de material irá levar ao final do relacionamento com a Trek-Segafredo, que até agora tem utilizado a equipa de Contador como base de formação de potenciais ciclistas, com três a terem sido contratados em duas temporadas.

"Queremos crescer sozinhos. Continuar ligados à Trek-Segafredo era incompatível com o nosso projecto", afirmou Ivan Basso, o parceiro de Contador na liderança das equipas que a fundação do antigo ciclista espanhol financia. Em 2018, passou a ter uma estrutura Continental e o objectivo passava por subir mais um escalão em 2020 e até pensar num convite para a Volta a Itália. A Kometa, marca húngara, via com muito bons olhos estar na corrida que vai ter as três primeiras etapas precisamente na Hungria.

Porém, a subida de escalão ficou para já adiada. A ideia passa por consolidar mais o projecto e que terá então bicicletas de Alberto Contador. A novidade foi dada por Ivan Basso à Gazzetta dello Sport e a confirmar-se, o espanhol seguirá o exemplo de outros antigos ciclistas, como Mario Cipollini, Chris Boardman e Eddy Merckx, por exemplo, todos com bicicletas com os seus apelidos.

As novas bicicletas serão mais um passo na nova estratégia que Basso explicou que está a ser delineada, agora que a equipa preferiu adiar a subida a Profissional Continental. "Trabalhámos muito tempo para isso, mas não caímos em tentação", referiu.

Há uns dias, havido sido Fran Contador - irmão do ex-ciclista que também está envolvido na direcção do projecto - que explicou que a subida poderia ter sido uma realidade, contudo, houve factores que levaram a recuar no plano. "Queremos fazer as coisas bem, sem ter de comprometer as equipas de base e com um projecto sólido que tenha uma duração de pelo menos três temporadas. Não temos pressa de subir, mas queremos que, quando o fizermos, seja da melhor maneira", afirmou ao jornal a Marca.

A Kometa tem juniores, sub-23 e a equipa Continental. Os ciclistas espanhóis são, sem surpresa, a principal aposta, mas aos poucos outras nacionalidades vão entrando, principalmente na estrutura Continental. Para 2020 já estão contratados além de dois espanhóis (Alejandro Molina e Sergio Gonzalez), dois húngaros (Marton Dina e Erik Fetter), dois italianos (Giacomo Garavaglia e Alessandro Facellu) e um dinamarquês (Mathias Larsen). O português Daniel Viegas está há três anos na Kometa, mas ainda não há confirmação se vai continuar.

A ligação à Trek-Segafredo, a última equipa que Contador representou, foi benéfica para três ciclistas. Matteo Moschetti é um sprinter italiano de grande potencial e este ano já se estreou numa grande volta (Giro). Juan Pedro López (espanhol com características para as provas por etapas) e Michel Ries (luxemburguês que poderá mostrar-se mais nas clássicas) vão para a equipa do World Tour em 2020. Ries já estagiou na Trek-Segafredo em 2018, tendo sido escolhido continuar a sua formação na Kometa, dando agora o salto definitivo.

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

»»E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?««

16 de fevereiro de 2019

Contador sonha em contratar... o novo Contador

(Fotografia: Facebook Alberto Contador)
Alberto Contador sonha alto. Agora com a sua equipa. Com mais tempo para dedicar à Kometa apesar de não querer assumir a função de director desportivo, El Pistolero quer disparar rumo ao topo do ciclismo e já escolheu quem gostaria de ver como a figura do seu projecto. Há sete anos começou como um formação com uma equipa juvenil, tem actualmente uma de nível Continental, mas já está a preparar-se para tentar subir ainda mais. E Contador não faz por menos, quer saltar para o World Tour e garantir que Enric Mas seja o seu líder.

O antigo ciclista realçou que a infraestrutura já está preparada para que a equipa seja do principal escalão. Contudo, falta dinheiro, ou seja, um patrocinador forte, ou mais, que se junte aos que já tornam realidade esta equipa, que conta com o ciclista português Daniel Viegas. "Os nossos sonhos transformar-se-iam em realidade, mas sem estar obcecado. O nosso projecto centra-se na formação de jovens", salientou Contador ao As. Este é um ponto que o espanhol garante que será sempre fulcral na estrutura criada através da sua fundação. A formação de jovens para o ciclismo é para continuar como base essencial. Enric Mas passou por ela, o que dá ainda maior significado a este desejo do antigo corredor.

Não é feito segredo quanto ao "namoro" com Mas e até o irmão do ex-ciclista, Fran Contador, também envolvido na Kometa, já fala nesta ambição de ver o corredor espanhol de novo na estrutura. Aos 24 anos, Mas já tem um pódio na Vuelta e vai pela primeira vez ao Tour. Muito se fala que tem a mesma idade de Contador quando este venceu a sua primeira Volta a França e o ciclista não esconde a ambição de tentar lutar por um bom resultado, mesmo nunca tendo estado na corrida.

Os elogios a Mas têm sido mais do que muitos por parte de Alberto Contador e intensificarem-se depois da excelente prestação na Vuelta. Sempre que pôde, deu o seu apoio presencialmente a Enric Mas. Uma das qualidades que mais aprecia no ciclista é o facto de se motivar quanto maior for a pressão. E claro, as parecenças estão lá, com Mas a gostar de mexer nas corridas, tal como Contador, por exemplo. Não é em vão que o apelidam de o novo Contador. O facto de Mas estar em final de contrato com a Deceuninck-QuickStep faz com que seja difícil ignorar a tentativa de "chamamento". Porém, a missão não será nada fácil.

Com Espanha a ter apenas uma equipa no World Tour, a Movistar, para a Kometa atingir esse nível teria de aumentar substancialmente o seu orçamento. Como Continental, em apenas um ano colocou dois ciclistas em equipas do principal escalão: Kevin Inkelaar foi para a Groupama-FDJ e Matteo Moschetti assinou pela Trek-Segafredo, última equipa que Contador representou. A ligação à formação americana mantém-se, já que a Kometa acaba por funcionar como escola de formação da estrutura World Tour.

A Deceuninck-QuickStep renovou este mês com Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen, mas, até ao momento, de Enric Mas não há noticías. Os pretendentes são muitos e uma boa prestação no Tour poderá dar-lhe um poder negocial bem mais interessante. Patrick Lefevere já se comprometeu a reforçar a equipa para ajudar mais Mas nas grandes voltas, já que a formação belga é mais forte no sprint e clássicas. Isto se Mas renovar.

O espanhol é um dos ciclistas em ascensão no pelotão internacional. Alberto Contador ambiciona ver sua equipa ao mais alto nível e como seria perfeito começar com um dos ciclistas que lá se formou. No ciclismo as surpresas acontecem, mas o que não será surpresa nenhuma será ver Enric Mas tornar-se num dos principais voltistas, que continuará o legado espanhol na modalidade. Tanto receio houve que não haveria uma geração para continuar o sucesso dos nomes mais recentes - Alberto Contador, Joaquim Rodríguez e Alejandro Valverde - e eis que os novos ciclistas começam a afirmar, com Marc Soler a juntar-se no topo dessa lista a Enric Mas.

E a partir desta quarta-feira, Mas será uma das várias estrelas do pelotão a competir na Volta ao Algarve, onde irá arrancar a sua temporada, com o pensamento centrado na Volta a França.

»»Como a Sky e a Movistar vão ajudar Enric Mas no Tour««

»»As corridas que marcaram a vida de Alberto Contador««

15 de janeiro de 2019

Como a Sky e a Movistar vão ajudar Enric Mas no Tour

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Deceuninck-Quick Step)
Enric Mas tem sido muito falado neste início de 2019 e ainda nem começou a sua época. O seu discurso desde o final do ano passado tem contribuído para toda esta atenção, afinal não se coíbe de dizer que vai à Volta a França para a ganhar. Tem todo o apoio do seu director Patrick Lefevere. Já não vai ter tanto apoio da restante equipa, que será novamente formada mais a pensar para conquistar etapas. Contudo, Lefevere considera que o espanhol não precisa de apoio, apenas da Sky e da Movistar e de boas pernas. Caso renove contrato, ficou a garantia que então serão contratados ciclistas para o ajudar.

Depois de duas Vueltas, a última com um brilhante segundo lugar e uma etapa, Enric Mas não quis pensar em ir ao Giro, mas sim dar já o salto para o Tour. Bob Jungels irá regressar a Itália abrindo a vaga de líder para a geral em França, com Mas a ter então estreia marcada. Chamam-lhe o novo Contador, pelo seu estilo idêntico, a sua inteligência táctica e também ajuda ter passado pela equipa do antigo ciclista durante a sua formação. No início não lhe agradou a comparação. Agora já a ouve como forma de motivação e não de pressão. Até Lefevere referiu-se recentemente a Mas como o novo Contador!

E claro que em Espanha não passa despercebido o facto de Mas ter 24 anos, os mesmos que tinha Contador quando venceu o primeiro dos seus dois Tours. A diferença é que El Pistolero fez a estreia na prova no ano antes. "Vou lá para conhecer a corrida. Vamos ver o que acontece", disse recentemente na apresentação da Deceuninck-Quick Step, o novo nome da Quick-Step Floors. Mas também afirmou: "Pessoalmente, quero ganhá-la."

Enric Mas era um dos nomes que surgia como esperança espanhola, numa altura em que no país havia um temor que com a saída de cena da geração de Contador, Joaquim Rodríguez e Alejandro Valverde (este último ainda de pedra e cal no pelotão aos 38 anos), não haveriam substitutos à altura. Afinal há e prometem.

O jovem ciclista não tem dúvidas que a equipa belga foi a melhor opção para entrar no pelotão, em vez de estruturas como uma Sky ou Movistar, mais propensas a ciclistas com as características de Mas. A Deceuninck-Quick Step é uma equipa de clássicas e sprints, mas Enric Mas acredita que se tivesse assinado pela Sky ou Movistar, não teria recebido as oportunidades que teve. "Se calhar nem teria feito uma grande volta", afirmou. No entanto, são precisamente estas duas equipas que Lefevere acredita que podem ajudar Enric Mas no Tour. Talvez até a mesmo até o colocar numa situação de luta pela camisola amarela.

"Não o temos de ajudar este ano. A Sky e a Movistar vão ajudar. Elas controlam a corrida e nós ficamos na roda. Se as pernas estiverem lá para as bater, vamos batê-las." Até parece simples! Mas há mais: "Vocês vêem o que acontece no Tour. Há sempre um ciclista que controla a corrida até a poucos quilómetros da meta. Então o [Chris] Froome tenta atacar e se não consegue, então ataca o [Geraint] Thomas. É a mesma história com a Movistar, tentam sempre bloquear a corrida. Bem, quanto mais bloquearem a corrida, melhor para o Enric Mas."

Está definida a táctica. Naturalmente que se podem colocar logo questões como, se Mas vestir a amarela, como a defenderá sozinho? Ou a equipa então tentará ajudar mais? Julian Alaphilippe sacrificaria as suas ambições para estar ao lado de Mas se fosse necessário? Falta mais de meio ano para o Tour e certo é que Mas não está nada intimidado por ser a sua estreia, por saber que a sua equipa irá apoiar mais Elia Viviani nos sprints e por saber que Alaphilippe irá tentar repetir a fantástica exibição de 2018 (duas etapas e a camisola da montanha). Enric Mas quer fazer frente à Sky, à Movistar ou a quem se apresente para lutar pelo Tour e a táctica de Lefevere é mais do que lógica para quem não tem gregários para rodear Mas.

Tal como Contador, este espanhol também dispara ambição de vencer. E o ciclista que marcou uma era no ciclismo tem no seu historial exibições em que praticamente sozinho alcançou grandes feitos e venceu grandes voltas. Na sua última, o Giro de 2015, deixou uma Astana muito frustrada. A equipa atacou de todas as formas com Fabio Aru e Mikel Landa e talvez só um ciclista como Contador pudesse aguentar o que aguentou e triunfar como triunfou. Porém, mesmo apesar de todas as comparações e reais parecenças, deixemos Mas escrever a sua própria história.

No seu último ano de contrato, Enric Mas - que começará a época na Volta ao Algarve - será um dos ciclistas mais pretendido. Em duas temporadas no World Tour confirmou que tem talento para alcançar muito sucesso, que até já tem uma marca portuguesa. Em 2016, como corredor da Klein Constantia, Mas venceu a Volta ao Alentejo.

O espanhol não fecha a porta em continuar na Deceuninck-Quick Step, depois de ter recusado quebrar contrato. Apesar de Lefevere ter autorizado os seus ciclistas a ouvirem propostas, perante a demora em encontrar um novo patrocinador principal, Mas manteve-se leal. "Recebi propostas, mas se tens contrato...", disse. Uma escolha diferente de Fernando Gaviria, que acabou por sair para a UAE Team Emirates. Enric Mas admitiu mesmo quer como que agradecer a oportunidade que a equipa belga lhe deu na carreira e quer mesmo fazê-lo com uma Volta a França para recordar.

Para não se ter dúvidas do tipo de atleta que Enric Mas é, há que recordar uma frase que disse após o surpreendente segundo lugar na Vuelta, a 1:46 minutos de Simon Yates (Mitchelton-Scott): "Motiva-me a responsabilidade que aí vem."


4 de dezembro de 2018

Última Ceia na versão ciclismo

(Imagem: © David Law/Hommage au Vélo)
Estamos naquela fase do ano em que há um autêntico bombardeamento de sugestões de prendas de Natal para os amantes de ciclismo. Equipamentos, sapatos, ciclocomputadores, ou algo diferente como uma almofada a dizer Tour de Sofá! Não é fácil encontrar-se algo original, mas quando se vê uma Última Ceia com Peter Sagan no lugar de Jesus Cristo e um Lance Armstrong no de Judas, com outros grandes nomes da modalidade a ocuparem os lugares dos restantes apóstolos, é algo que dificilmente poderia passar despercebido.

A primeira coisa que se pensa é que o ciclismo é como uma religião para muitos e esse foi precisamente um dos aspectos em que se inspirou o autor, David Law, dono da Hommage au Vélo. "[Escolhi] a Última Ceia porque queria misturar a religião com o ciclismo. Muitas pessoas vêem o ciclismo como algo quase religioso, uma experiência religiosa quando anda de bicicleta, e os fãs olham para os seus heróis do desporto como deuses. Por isso, eu quis um quadro muito famoso para ser interpretado com ciclistas", explicou ao Volta ao Ciclismo.

A escolha recaiu na obra de Leonardo da Vinci e a selecção dos corredores não foi nada ao acaso. São alguns dos grandes nomes dos últimos 20 anos e que marcaram David Law. Para o autor, no lugar de Jesus Cristo só podia estar representado Peter Sagan, por este ser um ícone moderno. O eslovaco está vestido com a camisola de campeão do mundo, que envergou durante os últimos três anos. De um lado estão os voltistas, do outro os sprinters e os homens das clássicas, que fazem então a vez dos apóstolos.

Começa-se com Vincenzo Nibali na ponta, seguindo-se Alberto Contador e Chris Froome a medir forças, como tantas vezes o fizeram na estrada até à retirada do espanhol no ano passado. Depois vem Lance Armstrong, sentado no lugar que na versão original pertence a Judas. Não são necessárias mais explicações quanto a esta escolha! Ao seu lado estão os seus rivais de então, Jan Ullrich e Marco Pantani.

Do outro lado da mesa, vê-se Mario Cipollini a ver uma Playboy. Segue-se Mark Cavendish com o equipamento da HTC, equipa na qual viveu a melhor fase da sua carreira. Fabian Cancellara está a ler um guia de engenharia mecânica, numa alusão às suspeitas que recorreu a um motor na bicicleta para ganhar a Volta a Flandres em 2010. David Law considera que ninguém pode acreditar que tal foi verdade, sendo apenas uma piada a quem teima em reavivar essas suspeitas.

Bradley Wiggins fica do lado dos homens das clássicas e não dos voltistas, apesar de ter ganho o Tour. Como para Law não é segredo que o britânico teria optado por este tipo de corridas se tivesse tido essa escolha, então o seu lugar é naquele lado da mesa a olhar para um dos maiores especialistas: Tom Boonen. O belga aparece com o equipamento de campeão nacional, numa animada celebração porque afinal sempre gostou de um bom champanhe. A fechar está mais uma lenda belga do pavé: Johan Museeuw.

Mais um pormenor é o cenário. As bicicletas, as camisolas, mas, olhando pelas janelas, é o Mont Ventoux o local representado. "É simplesmente a subida mais famosa na Volta a França. Queria situar a ceia num local que fosse icónico para o ciclismo e penso que o Mont Ventoux é esse sítio", explicou.

A pintura está à venda no site da Hommage au Vélo (que pode ver neste link). Pode-se escolher com moldura ou sem moldura e nos tamanhos 30x60 cm ou 50x100. O preço varia entre as 75 e as 250 libras (cerca de 84 e 280 euros).


1 de setembro de 2018

As apostas de Contador para a Vuelta

(Fotografia: © Eurosport)
Há um ano, Alberto Contador dizia adeus ao ciclismo nas ruas de Madrid, deixando uma última marca com uma estrondosa vitória no Angliru. Este ano, o ritmo é outro e o próprio estranhou ter ido à praia e relaxado um pouco antes de começar uma grande volta. Não esconde que mexe com ele estar a ver de fora uma corrida que tanto gosta, mas agora assumiu o papel de comentador e deixou as suas apostas para uma Volta a Espanha que neste domingo terá uma das etapas mais esperadas. La Covatilla deverá iniciar a selecção de quem irá estar na luta pela geral.

Começando precisamente pela camisola mais ambicionada, a vermelha. Quem é o favorito a vencer a Vuelta para Contador? "Eu diria o Nairo Quintana. É um ciclista que já sabe o que é ganhar uma grande volta e acho que se preparou muito bem", respondeu em declarações ao Eurosport, canal no qual faz comentários no seu país, mas na Vuelta tem feito curtas análises que são transmitidas noutros países, incluindo Portugal. Se se confirmar a aposta do antigo ciclista, será a segunda vitória do colombiano na Vuelta. Conquistou-a em 2016, dois anos depois de ganhar o Giro.

Mas há que falar de espanhóis e Contador realça dois: "O Alejandro Valverde [Movistar] é um ciclista que pode fazer grandes coisas e tenho a certeza que ele vai dar muita luta. À medida que a corrida evoluir, se ele cometer algum erro, pode vir a ficar sob as ordens da equipa e ter de ajudar o Nairo Quintana. O David de La Cruz [Sky] está especialmente motivado e já sabe o que é ganhar uma etapa, mesmo que partilhe liderança com um companheiro de equipa."

Valverde já venceu duas etapas, lidera a classificação dos pontos e o prémio combinado e está apenas a 37 segundos de Rudy Molard (Groupama-FDJ), sendo um forte candidato a vestir a vermelha já este domingo. Quanto a De la Cruz, perdeu algum tempo no contra-relógio e não escondeu a sua desilusão, tendo deixado escapar mais alguns segundos noutros dias. Contudo, parece estar a melhorar à medida que os dias passam. Tem Michal Kwiatkowski como outra possível aposta dentro da Sky. Foi dos poucos que preparou a temporada a pensar na Vuelta. Está neste momento a 1:34 minutos de Molard.

Para Contador, Valverde é ainda o favorito para ganhar a classificação dos pontos. "Acho que o [Peter] Sagan não vai terminar a Vuelta", disse, referindo-se ao ciclista que no Tour não dá hipóteses nesta luta particular. Na montanha, a aposta vai para Omar Fraile. O espanhola da Astana tem estado discreto, mas terá etapas mais ao seu jeito nas próximas duas semanas. Para já, não soma qualquer ponto, mas essa disputa vai agora começar mais a sério, com Luis Ángel Maté (Cofidis) a controlar até agora, mas os 42 pontos não são garantia de nada nesta fase.

Entre as etapas, Alberto Contador destacou a 15ª (9 de Setembro, domingo): "A etapa de Covadonga é sempre importante e volta a ser decisiva ano após ano. É um ponto de grande importância e geralmente muito difícil de atingir sozinho. É uma das etapas que terá maior influência nos desenvolvimentos da corrida e da classificação geral. Tudo dependerá de como os ciclistas cheguem lá e, acima de tudo, se antes não tiverem problemas mecânicos ou físicos." Claro que a penúltima tirada também não podia ficar de fora do comentário. Serão apenas 97,3 quilómetros sempre a subir e descer, com a meta numa categoria especial. "Faz-te pensar noutras etapas do Tour ou mesmo da Vuelta, como a etapa de Formigal, que também é curta, mas muito dura. Tenho a certeza de que vamos assistir a uma etapa muito bonita", realçou.

Convidado a colocar-se no papel de director da Volta a Espanha, Contador disse que "talvez procurasse ter etapas de montanha mais longas, não sempre tão curtas e explosivas". Porém, gosta do percurso da edição de 2018. "Acho que está muito bem para esta altura do ano." Referiu ainda como nesta corrida não há dias de descanso, o que talvez o levasse a reduzir um pouco as chegadas em alto. "Noutras edições da Vuelta tivemos onze etapas."

Para terminar, como está afinal Contador a viver uma Vuelta como ex-ciclista? "Não sei como é que os fãs imaginam, mas para mim é algo estranho porque antes do início da corrida pude ir de ferias e estar na praia. Vejo a Vuelta com alguma nostalgia porque não estou a competir numa corrida na qual sempre me senti muito bem. Desfrutei de cada momento e a memória do ano passado é inesquecível. Tive a sorte de viver isso. É algo que me vai acompanhar para o resto da vida. Agora já não compito a nível profissional. Posso dizer que é algo complicado de lidar, uma vez que sou uma pessoa muito competitiva e vivi sempre para a bicicleta, mas acho que tomei a decisão certa."

»»Movistar prepara ataque à liderança. Mas com quem?««

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7 de agosto de 2018

Daniel Viegas vai subir à equipa principal da Fundação Alberto Contador

(Fotografia: © Polartec-Kometa)
Ganhar não é tudo o que conta para a carreira de um ciclista. Muitos são aqueles que parecem passar despercebidos, mas o reconhecimento também chega a quem faz do trabalho em prol dos outros a sua especialidade. É precisamente isso que Daniel Viegas destaca nas suas declarações, agora que foi premiado com um contrato para a equipa Continental da Polartec-Kometa, também conhecida como a formação que tem Alberto Contador como padrinho, através da sua fundação. O ciclista português está a cumprir a segunda temporada na estrutura de sub-23, nunca escondendo a ambição de onde queria chegar. É mais um passo, mais uma valorização numa equipa que vai ganhando importância, sendo a que funciona como de desenvolvimento de talentos para a Trek-Segafredo, que já conta com um português: Ruben Guerreiro.

"Estou muito feliz por chegar à equipa profissional. É uma forma de mostrar que também se pode atingir o profissionalismo através de muito trabalho, sem ganhar corridas. Trabalhei para os meus colegas de equipa nas categorias amadoras e agora tenho a certeza que não vou no próximo ano estar a ganhar corridas. Sei bem o que terei de fazer. Mas quero fazer o meu melhor. Se tiver de ganhar, tenho de estar no meu melhor. Se tiver de trabalhar, quero estar no meu melhor nessa função. Faça o que faça, não interessa: quero ser o melhor no que faço."

As palavras são de alguém ambicioso, mas também com uma enorme percepção da realidade que o espera, como sempre demonstrou este jovem Daniel Viegas. Ainda Março, quando falou com o Volta ao Ciclismo, disse: "Há muito trabalho a fazer e muitos anos para conseguir chegar ao topo." Para este ciclista que dominou as camadas jovens numa parceria temível com João Almeida, quando ambos representava o Clube de Ciclismo da Bairrada, é mais um passo rumo ao sonho de chegar ao topo. Seja em que função seja.

Viegas vai ser o primeiro ciclista estrangeiro a subir à equipa principal na Polartec-Kometa. O director que tem trabalhado com o português de 20 anos salientou: "Ele era um dos melhores juniores no seu país. Desde o primeiro momento que uma das coisas que mais nos impressionou foi a sua forma de correr, a sua inteligência, a forma como trabalhava com a equipa."  Rafa Diáz Justo acrescentou que há muito potencial no ciclista. "Pensamos que ele vai fazer coisas mais bonitas do que no escalão amador. Dani é provavelmente um dos melhores gregários no escalão amador espanhol", referiu.

João Almeida foi mais rápido a dar o salto, estando actualmente a mostrar todo o seu potencial na Hagens Berman Axeon, somando grandes resultados, como a vitória na Liège-Bastogne-Liège em sub-23. Viegas tem outras características. Contudo, com a Polartec-Kometa a realizar um trabalho de formação que quer precisamente que se possa vir equiparar à estrutura americana de Axel Merckx, o ciclista português está também ele num bom caminho para atingir um nível elevado, numa modalidade tão exigente. Viegas descreve-se como uma bom rolador, a precisar de continuar a trabalhar para melhorar na montanha, mas, como já se percebeu, trabalho não é algo que o intimida.

Ambos tomaram o risco de ainda muito novos irem para o estrangeiro, não passando pelas equipas sub-23 portuguesas. São dois exemplos de sucesso que se espera estar apenas no início de excelentes carreiras. Daniel Viegas e João Almeida são dois dos jovens de grande talento de uma geração portuguesa que demonstra cada vez mais não só ter valor, mas também de estar a ser capaz de singrar.

De realçar que logo no seu primeiro ano como equipa Continental, a Polartec-Kometa conseguiu colocar um dos seus jovens ciclistas na Trek-Segafredo. O italiano Matteo Moschetti (21 anos) já assinou para 2019 e 2020, estando desde 1 de Agosto a estagiar na formação do World Tour. O luxemburguês Michel Ries (20 anos) poderá seguir o mesmo caminho, já que também foi chamado para o estágio de meio ano.


13 de junho de 2018

Contador diz que o Tour será dos mais abertos dos últimos anos

Contador vê as corridas de fora e até tem tempo para tirar fotografias
para mais tarde recordar. Noutros tempos estaria à espera de ver o seu
nome gravado nos troféus (Fotografia: Giro d'Italia)
Alberto Contador não tem parado. Entre homenagens que continua a receber, a sua fundação e as equipas de ciclismo de jovens, o espanhol não tem tido mãos a medir. E depois, ainda há Contador, o comentador. O Eurosport contratou-o, mas seja onde for, seja que entrevista dê, o ex-ciclista é sempre convidado a falar sobre o que está a acontecer esta temporada. Com a aproximação da Volta a França, desta feita a questão foi sobre a grande volta que se aproxima.

Para Contador não há dúvidas: "Vai ser [dos Tours] mais abertos dos últimos anos porque há um grupo amplo de corredores que podem chegar como vencedores aos Campos Elísios." As curtas declarações foram feitas à agência Efe, citadas pelo site Esciclismo, quando recebeu mais um prémio. Chris Froome, Richie Porte, Nairo Quintana, Romain Bardet, Mikel Landa são alguns dos principais nomes. Todos estiveram na corrida em 2017, mas as circunstâncias mudaram. E muito. Contador não estará na estrada, mas será certamente um comentador que receberá muita atenção, como aconteceu durante o Giro.

A opinião do espanhol não é uma surpresa. Desde precisamente o Tour de 2017 que se percebeu que se estava a entrar numa nova fase. Numa em que a Sky e Chris Froome já não são o "bicho papão" que parecia incutir medo em quer quisesse desafiar o poderio que marcou (e ainda marca, mas um pouco menos) o ciclismo.

As diferenças começam precisamente no britânico. Na edição passada Froome ganhou, mas não foi aquele ciclista que parecia que ao vestir a camisola amarela ninguém mais tinha capacidade para ameaçar a sua liderança. Ou, pelo menos, as ameaças eram ténues e, normalmente neutralizadas, pela Sky. Froome até se estreou a perder a amarela, para Fabio Aru, ainda que a tenha recuperado. Mas não era o mesmo Froome. Também a Sky viu outras equipas a começarem a tentar desfazer mais cedo aquele comboio. E não esquecer: Froome fez a Volta a Itália. Uma das primeiras curiosidades é perceber se irá estar bem melhor do que Contador e Quintana, os últimos que tentaram a "dobradinha". Quanto ao caso do salbutamol, o maior problema poderá estar na recepção que terá por parte de adeptos que já foram muito pouco simpáticos para ele no passado. Tudo o resto, são palavras e se não ficar resolvido até ao Tour, há que pensar apenas na corrida, como fez no Giro.

Landa tentou ir contra a mentalidade de "todos pelo líder" na Sky. Não se deu bem e rapidamente recebeu a mensagem que tinha de ajudar Froome. Ficou à porta do pódio (por um segundo!) e decidiu procurar a liberdade que não teve na Astana e que não teria na Sky tão cedo, principalmente no Tour. Agora é um Landa na Movistar, líder, não indiscutível, mas espera-se um espanhol como grande candidato a lutar pela vitória. Só falta perceber como irá funcionar a relação com Nairo Quintana, o outro líder.

O colombiano deverá aparecer bem melhor do que em 2017. É difícil recordar um momento de Quintana nesse Tour. A razão é simples: não houve. Depois de fazer o Giro, surgiu em França com muitas dificuldades físicas. Este ano concentrou-se novamente em exclusivo no Tour e a Movistar até poderá aparecer com uma equipa potencialmente mais forte do que a Sky. Só esta razão bastaria para dizer que a corrida será mais aberta. Andrey Amador, Marc Soler e o "nosso" Nelson Oliveira estão na pré-lista, assim como o super Alejandro Valverde. Quando se fala de gregário de luxo, o espanhol será o expoente máximo no Tour! E claro, uma carta a jogar se for necessário.

Depois temos Romain Bardet, o ciclista que achava que não precisava de trabalhar mais o contra-relógio, apesar de ser fraco nesse aspecto. Aquele segundo que quase o atirou para fora do pódio terá ajudado a mudar um pouco a sua postura. Bardet é dos principais responsáveis pela perda de receio pelo domínio da Sky. Sem medo de atacar, além da questão do contra-relógio, faltava uma AG2R mais forte para o apoiar. Essa poderá aparecer em 2018. Pierre Latour está a tornar-se num ciclista de referência, Alexis Vuillermoz e Alexandre Geniez dão cada vez mais maiores garantias. A contratação de Tony Galopin veio reforçar o bloco em redor de Bardet, ainda que este ciclista possa tentar procurar uma vitória de etapa.

Quanto a Richie Porte (BMC), só se pode desejar que desta feita não sofra nenhum azar. Há um ano estava numa super forma e a queda acabou com toda uma época. O australiano quer assumir-se como o grande rival de Froome e ter aquele frente-a-frente que ambicionava em 2017. E é melhor não excluir Rigoberto Uran. Há um ano terão sido poucos os que viram o colombiano como candidato a um pódio. Foi segundo! O líder da EF Education First-Drapac vai novamente à luta, mas desta vez não terá o efeito surpresa do seu lado. Não é que não se conhecesse a sua qualidade, mas há muito que Uran não andava àquele nível. Ganhou novo fôlego na carreira.

Tom Dumoulin vai este ano ao Tour e abre o leque de candidatos. Se no Giro apareceu como um dos principais favoritos, em França talvez fique atrás de alguns dos nomes aqui referidos. O próprio diz que vai ao Tour para saber como reagirá o corpo a fazer duas grandes voltas consecutivas "a fundo". O líder da Sunweb é mais um que poderá animar este Tour, tal como Vincenzo Nibali. O italiano da Bahrain-Merida não foi ao Giro, pois acredita que as oportunidades para ganhar outra vez o Tour podem escassear ou mesmo desaparecer. Se conseguir repetir a forma da primeira fase da época é mais um que ajuda a criar maior indefinição quanto ao vencedor. Também Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) aposta este ano só na Volta a França. Para top dez é certamente candidato e para animar etapas.

Portanto, Contador tem toda a razão em dizer que o Tour será dos mais abertos dos últimos anos e tudo porque o domínio da Sky já não é o que era, ainda que se mantenha como uma equipa fortíssima. Praticamente todos os principais voltistas apostaram só na corrida francesa e todos estão preparados para fazer fazer suar e bem Froome e a Sky. Para ajudar um pouco, temos um percurso com uma etapa de pavé e com uma de apenas 65 quilómetros. Dois pormenores que fazem esperar que talvez este ano o Tour tenha um pouco mais de espectáculo do que em edições recentes. A contagem decrescente continua até 7 de Julho.

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25 de abril de 2018

As corridas que marcaram a vida de Alberto Contador

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Aos poucos, a ausência de Alberto Contador vai-se tornando em algo natural, ainda que vêm aí a primeira grande volta do ano e claro que, tendo sido um trepador e um voltista de excelência, ainda se falará muito deste espanhol este ano. E nos próximos, certamente! Dedicado aos projectos na sua fundação, com destaque para as equipas de ciclismo de jovens e em 2018 passo a ter uma no escalão Continental - a Polartec-Kometa -, Contador nunca sai realmente de cena e recentemente foi desafiado a divulgar as cinco corridas que marcaram a sua carreira. A sua vida, até.

Em 2003 surgiu na ONCE-Eroski um jovem talento espanhol que não demoraria muito a começar a confirmar créditos. A saúde pregou-lhe uma partida quando sofreu um aneurisma cerebral, mas Contador regressaria para se consagrar como um dos melhores da história, com sete grandes voltas conquistadas. Mas para o antigo ciclista, o primeiro momento marcante aconteceu ainda como amador, como contou ao Cycling News.

"Quando eu era amador havia uma corrida que se destacava. Era a Subida a Gorla", disse. Estávamos em 2001, no País Basco, e era o primeiro ano de Contador como ciclista amador. "Era uma curta subida que se fazia como corrida de estrada. Quem chegasse ao topo primeiro, ganhava", contou. Acrescentou que as pessoas costumavam dizer que quem ganhasse ali, iria ser profissional e seria um bom ciclista. "De facto, ainda detenho o recorde daquela subida. Tive três cães: um chamado Tour, outro Etna, mas o primeiro chamava-se Gorla por causa daquela subida e daquela corrida tão importante para mim", confessou.

Curiosamente, não há nenhum Tour que entre neste top cinco. Mas antes de ir para as grandes voltas, a próxima paragem é na Polónia, em 2003, a primeira vitória como profissional. "Coincidiu com a ONCE estar na Vuelta a lutar pela geral com Isidro Nozal, contra o Roberto Heras (ganhou este último). Nós estávamos na Polónia a correr em alguns circuitos bem perigosos", recordou Contador. A chuva marcou grande parte da corrida polaca, arrasando a equipa, com o espanhol a conseguir sobreviver. O último dia era de dupla jornada, com uma curta etapa de montanha de manhã e um contra-relógio de 19 quilómetros à tarde, grande parte plano, com os cinco finais a subir. "Fui fazer o reconhecimento com o director na noite anterior e disse-lhe: 'Olha, que tal se apenas cumprir a etapa matinal e guardar o máximo de força possível e depois dar tudo à tarde?'" Como o próprio Contador realçou, esta sugestão veio de um ciclista que tinha acabado de chegar ao profissionalismo. Mas a verdade é que a táctica resultou e o contra-relógio final da Volta à Polónia tornou-se na sempre inesquecível primeira vitória como profissional.

No ano seguinte, Contador sofreu um aneurisma cerebral. O regresso deu-se no Tour Down Under em 2005, num momento que sempre aparece como dos mais marcantes quando o espanhol é questionado sobre este tema. "Representou o meu primeiro passo rumo à vida normal." No entanto, durante a longa viagem até à Austrália, Contador admitiu que foi sempre a pensar como iria ser estar de volta à competição e se seria de facto possível regressar ao mais alto nível. O ex-ciclista contou como achava que o melhor era mesmo estar a competir, mesmo que tenha estado oito meses parado, com os médicos a não chegarem a um consenso quanto ao dar-lhe autorização para treinar. Só cinco semanas antes do Tour Down Under foi dada luz verde.

"Disse a mim próprio que era a melhor coisa porque assim, a competir, em vez de estar a treinar sozinho, se alguma coisa corresse mal, eu tinha uma ambulância atrás de mim, no pelotão, que poderia levar-me logo para o hospital", afirmou. Quando começou a corrida, Contador sentiu-se bem e ter novamente um dorsal nas costas foi algo muito importante. Contudo, o melhor estava para vir: "Consegui ganhar a etapa mais difícil do Tour Down Under, cortando a meta à frente, por pouco, de Luis León Sánchez. Para mim, esse dia foi incrível e, definitivamente, aquela vitória foi a mais especial da minha carreira."

E vamos então para as grandes voltas. A primeira grande conquista aconteceu em 2007, na Volta a França, mas é do Giro de 2008 que Contador falou. Começa por dizer que foi a melhor das três conquistas, ainda que oficialmente só lhe sejam atribuídas duas. Para o espanhol a de 2011 é dele, apesar de lhe ter sido retirada devido à sanção por doping, num caso que remonta ao Tour no ano antes - que também tinha ganho e ficou sem ele - e que se arrastou durante meses até à resolução, como está a acontecer com Chris Froome.

"Não fazia a menor ideia que poderia estar bem. Não fazia a menor ideia que ia até ao último minuto, quando me chamaram e eu estava de férias." A mudança de planos surgiu depois da Astana ter sido barrada de participar no Tour de 2008 pela organização, devido aos casos de doping detectados na equipa. Contador explicou que o plano inicial até era ficar apenas uma semana. Porém, apesar de ter apenas dois treinos de montanha e outros dois já em Itália, de ter caído no início do Giro e feito uma pequena fractura no antebraço, mesmo antes do contra-relógio, Contador percebeu que não estava mal fisicamente. "Lembro-me que estava a reconstruir a minha casa e não treinava há algum tempo", contou. Quando chegou a montanha acabou por dizer ao director desportivo: "Desculpa Johan [Bruyneel], mas vou ficar por cá até Milão." E acabou por ganhar mesmo esse Giro. Mais tarde nesse ano fechou a tripla nas grandes voltas, com uma vitória na Volta a Espanha. E tinha apenas 25 anos!

Damos um salto até 2017. Alberto Contador tinha adiado uma despedida, mas apesar de na Trek-Segafredo ter encontrado uma equipa disposta a dar-lhe tudo o que queria para competir, onde e quando quisesse, o espanhol percebeu que tinha chegado o momento de terminar a carreira. Tornou pública a decisão numa altura em que muito se falava sobre uma mudança de calendário para o ano seguinte, com a aposta a ser o Giro, até porque a equipa tem um patrocinador italiano. Mas não, Contador já não queria continuar e iria terminar a carreira na Vuelta. Ganhar era, naturalmente o objectivo, mas um mau dia logo nas primeiras dificuldades colocaram-no fora dessa luta. Começou o tudo por tudo por uma etapa.

Contador diz que a última Volta a Espanha "foi algo muito especial" e fez uma confissão: "Pode ser um choque para algumas pessoas, mas para ser honesto, se tivesse pesado os prós e contras entre fazer a Vuelta onde teria tudo calculado e ganhasse a geral e uma Vuelta onde pudesse atacar sempre que me apetecesse, preferia a última hipótese." E depois da perda de tempo na terceira etapa, devido a problemas de estômago, foi o que aconteceu. A despedida acabou mesmo por ser em grande com um triunfo inesquecível no Angliru. Uma última vitória à Contador. Um último disparo de El Pistolero.

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26 de março de 2018

Trek-Segafredo não perde tempo e anuncia primeiro reforço para 2019

(Fotografia: Trek-Segafredo)
Depois de ter estagiado na Trek-Segafredo no ano passado, Matteo Moschetti assinou pela equipa Continental de Alberto Contador, que conta com o apoio da estrutura americana. Na Polartec-Kometa, o jovem italiano soma seis vitórias o que levou a formação do World Tour a não esperar mais e a garantir a contratação de Moschetti para 2019 e 2020. Se para o ciclista a notícia não poderia ser melhor, também para o projecto de Contador é um momento importante. Com tão pouco tempo de existência, a equipa está já a cumprir a sua missão de colocar jovens corredores no principal escalão.

"Conseguir concretizar esta primeira transferência tão cedo deixa-nos muito orgulhosos e felizes. Motiva-nos a continuar a trabalhar na mesma linha e a preparar mais ciclistas para estarem prontos a mudarem-se para o mais alto nível do ciclismo profissional", salientou  Francisco Contador, irmão do ex-ciclista e responsável operacional da Polartec-Kometa. Reiterou ainda o objectivo de formar jovens corredores, pelo que Moschetti ficar tão pouco tempo na equipa faz parte do processo.

Moschetti venceu duas etapas na Volta a Antalya, na Turquia, em Fevereiro, e este mês foi à Grécia ganhar o Grande Prémio Internacional de Rhodes e a segunda etapa da Volta a Rhodes. Este semana venceu duas etapas na Volta à Normandia. "Tivemos o Matteo como estagiário e já estávamos convencidos das suas qualidades nessa altura. No entanto, considerámos que seria prudente deixá-lo amadurecer mais um ano na equipa Continental", explicou Luca Guercilena. O director geral da Trek-Segafredo não tem dúvidas depois de seis vitórias em dois meses: "Ele provou que está preparado para subir ao World Tour."

O campeão italiano de sub-23 pode muito bem ser um bom elemento para o bloco das clássicas, além de ter capacidade para discutir etapas que não sejam muito montanhosas. "Depois de ter estagiado com a equipa em Agosto, no Colorado, tive a possibilidade de conhecê-los e desde então que tenho trabalhado muito para melhorar. Estou muito entusiasmado por me juntar à Trek-Segafredo em 2019, mas primeiro quero continuar e terminar este época com a Polartec-Kometa", afirmou Moschetti que tem como próxima corrida o Grande Prémio Miguel Indurain.

Ainda enquanto competia, Alberto Contador criou equipas de juniores e sub-23, além das escolas de ciclismo com o nome da sua fundação. Já depois de anunciar que 2018 seria o seu último ano como ciclista, Contador confirmou que iria ter uma equipa no escalão Continental, mas sempre com o objectivo de formar jovens corredores. A Trek-Segafredo tornou-a a sua equipa de desenvolvimento, com Contador a ter a seu lado outro nome bem conhecido da modalidade, Ivan Basso.

Na equipa de sub-23 está um português: Daniel Viegas. O ciclista está no seu segundo ano em Espanha e recentemente explicou ao Volta ao Ciclismo (ver link em baixo) como existe a perspectiva de ser chamado à equipa principal. Com a notícia sobre Moschetti, a Polartec-Kometa cria certamente uma ambição ainda maior aos jovens que tem nos seus plantéis e começa a dar passos importantes para se tornar numa estrutura de referência na formação de ciclistas.


30 de janeiro de 2018

Quem será o sucessor de Contador? O próprio nomeia

(Fotografia: Filip Bossuyt/Wikimedia Commons)
Não será exagero dizer que em Espanha há uma obsessão por perceber quem poderá ser o sucessor de Alberto Contador. Quando Miguel Indurain se retirou, na segunda metade dos anos 90, nomes como Carlos Sastre ou Roberto Heras deram alegrias aos fervorosos adeptos espanhóis. Mas foi Alberto Contador quem atingiu os níveis de ídolo de Indurain, sem esquecer, claro Alejandro Valverde. Porém, nas grandes voltas, El Pistolero tornou-se na principal referência, principalmente quando com apenas 24 anos ganhou a Volta a França (2007). Agora que está dedicado à sua equipa de formação de jovens ciclistas e também irá enveredar pela função de comentador, no Eurosport, o que mais se deseja saber no país vizinho é: quem tomará o lugar de Contador como o voltista de referência. Quem ganhará novamente uma grande volta para Espanha.

Portanto, nada melhor do que fazer a questão directamente a Alberto Contador. "Há corredores jovens como o Enric Mas ou o Marc Soler que podem vir a ser das principais referências do ciclismo nacional no futuro. Porém, agora é tempo de esperar e ver o que acontece", afirmou o antigo ciclista. Das palavras de Contador há que destacar o cuidado que teve de não tornar as suas palavras numa forma de pressão para dois ciclistas que já demonstraram ter talento, mas que ainda estão numa fase de crescimento. Mas lá que devem motivar, isso certamente que sim!

Contador conhece bem Enric Mas, pois antes de assinar pela Klein Constantia em 2016, passou pela estrutura da fundação de El Pistolero, que este ano se tornou Continental e tem o nome de Polartec-Kometa. No ano passado, Patrick Lefevere contratou o espanhol (23 anos) e foi cuidadosamente colocando-o nas corridas, sem grande pressão, apenas para se adaptar ao mais alto nível. E mesmo assim já não há grandes dúvidas que Espanha tem um ciclista com um futuro muito (mas mesmo muito) promissor. Como curiosidade, Mas até tem o seu nome ligado a uma corrida portuguesa, pois ganhou a Volta ao Alentejo em 2016.

Quanto a Marc Soler (24 anos), a Movistar "agarrou-o" em 2015 e escolheu muitas vezes corridas menos mediáticas, ou mesmo de sub-23, para dar rodagem a este talentoso espanhol. Em 2017 chegou a altura de testá-lo em provas de maior importância. E o que é que Soler fez? Começou logo o ano a terminar no pódio na Volta a Catalunha (terceiro, atrás de Alejandro Valverde e Alberto Contador), foi quinto no Grande Prémio Miguel Indurain e oitavo na Volta à Suíça, uma corrida onde muitas das principais figuras preparam o Tour. Na Vuelta, numa Movistar sem líder, Marc Soler tentou agarrar a oportunidade de ter liberdade e bem tentou entrar em fugas e conquistar uma vitória, mas o melhor que conseguiu foi o terceiro lugar. Não tendo sido uma corrida muito feliz para a equipa, certamente que a experiência que Soler viveu será importante na sua evolução.

De vez em quando aparecem jovens ciclistas a surpreender os mais experientes e a ganhar grandes voltas - que o diga Contador -, contudo, no futuro imediato, o antigo ciclista (ainda parece algo estranho tratar assim Contador!) salientou como é preciso estar atento a Alejandro Valverde (37 anos), que deixou boas indicações no Challenge de Maiorca, tendo inclusivamente sido terceiro numa das corridas. E, claro, a Mikel Landa (28).

Sem se alongar muito sobre estes dois ciclistas, a verdade é que é para Landa que os espanhóis mais olham na esperança de levar Espanha novamente à conquista de uma grande volta. E se é sempre bom ter um ciclista da casa ganhar a Vuelta, é o Tour que mais ambicionam. Mikel Landa também!

Numa segunda linha aparecem David de la Cruz (28) - foi para a Sky e quanto muito poderá ter um papel mais livre na Vuelta - e os irmãos Izagirre (Gorka, 30 anos, e Ion, 28), que ao voltarem a estar juntos, agora na Bahrain-Merida, revelam uma enorme motivação para mostrarem que podem mesmo ser muito mais do que gregários de luxo. Aliás, Ion já teve essa liberdade em 2017, mas, tal como Valverde, caiu no contra-relógio inicial do Tour e a temporada terminou ali.

Enquanto se espera pelo sucessor de Contador, ele próprio vai ajudando a preparar novas figuras do ciclismo com a sua equipa, com a qual tem treinado, o que deve ser absolutamente fantástico para o grupo de jovens corredores que compõem a Polartec-Kometa.

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»»Contador percebeu que afinal tinha quatro sonhos para concretizar enquanto ciclista««

30 de dezembro de 2017

2017 marcou o final de carreira de algumas grandes figuras do ciclismo

(Fotografia: Twitter Alberto Contador)
Esta temporada foi a última para alguns ciclistas que marcaram o pelotão na última década (ou mais) no ciclismo. O destino quis que dois dos mais idolatrados decidem-se que tinha chegado o momento em 2017. Primeiro foi Tom Boonen, que escolheu o "seu" Paris-Roubaix para última corrida. Meses depois Alberto Contador considerou que a Vuelta seria o palco ideal para dar as últimas pedaladas. Sem as vitórias do belga e do espanhol, Thomas Voeckler também deixou a sua marca. Por cá, o ciclismo nacional despediu-se de Rui Sousa, uma referência da modalidade que desta vez não adiou mais o abandono, mas antes teve um derradeiro grande momento na Volta a Portugal.

Aqui ficam alguns dos abandonos que marcam 2017.

Alberto Contador, 35 anos
Apostou a época na Volta a França e a Trek-Segafredo deu-lhe essa liberdade. No entanto, Alberto Contador não conseguiu ser uma ameaça a Chris Froome e à concorrência mais forte. O espanhol percebeu que o seu melhor já tinha passado e anunciou que a Vuelta seria a última corrida. Sonhava com um final perfeito, mas logo na primeira etapa de montanha, Contador ficou praticamente fora das contas. Foi recuperando, mas se tudo o que correu mal levou até àquela subida no Angliru, então valeu a pena a espera por um último disparo de El Pistolero. Uma última grande exibição! E foi mesmo! Seguiu-se aquela volta de glória em Madrid antes do pelotão discutir a etapa. Ponto final na carreira de um dos melhores da história do ciclismo. Dois Tours e dois Giros, três Vueltas, sete Voltas ao País Basco, dois Paris-Nice... 68 vitórias no total e muito espectáculo.

Mas Espanha viu ainda mais ciclistas abandonarem o ciclismo: Ángel Vicioso (40) e Alberto Losada (35), ambos da Katusha-Alpecin, Haimar Zubeldia (40) e um dos fiéis escudeiros de Contador, Jesús Hernández (36), da Trek-Segafredo. É altura da nova geração espanhola se mostrar.

Tom Boonen, 37 anos
Um dos reis das clássicas. Há um ano foi Fabian Cancellara, agora o ciclismo ficou sem o outro grande animador das corridas de um dia dos últimos anos. Boonen já estava algo afastado das grandes exibições, mas apareceu em 2017 convicto que poderia ter uma despedida em grande. Estava marcada logo para Abril, no Paris-Roubaix. Queria sair com uma quinta conquista, algo que o tornaria no primeiro a alcançar esse número. Não houve final de conto de fadas, mas o seu nome foi ecoado antes e depois por muitos adeptos. Boonen é um ícone que será recordado pelos incríveis números e exibições. 119 vitórias e além dos quatros monumentos em França, tem ainda mais três na Volta a Flandres, seis etapas no Tour e o título mundial, em 2005.

Thomas Voeckler, 38 anos
Não será recordado pelas grandes vitórias como Contador e Boonen, mas aquele estilo inconfundível do francês não será esquecido. Um lutador nato, aquela língua de fora não enganava quem estava ali. Aquela Volta a França em 2011 foi um dos seus grandes momentos. Foram 10 dias de amarelo e praticamente em todos se dizia que iria perdê-la. De facto acabou por ficar sem ela, mas foi incrível como enfrentou tudo e todos, quebrando as expectativas. Faltou-lhe um pódio para talvez consagrar a sua carreira, mas entre as 40 vitórias, quatro são de etapas no Tour, corrida que escolheu para este ano se despedir.

Andrew Talansky, 29 anos
Quando parecia que o americano estava a recuperar alguma confiança para tentar ainda confirmar um pouco do que tanto se esperava dele, Talansky provocou uma enorme surpresa ao anunciar que colocava um ponto final numa carreira que tanto prometeu, mas que nunca se confirmou. Talansky sentiu que estava na altura de procurar novos desafios e encontrou-os no triatlo, modalidade na qual já ganha. As sete vitórias, destacando-se o Critérium du Dauphiné, em 2014, sabem a pouco.

Tyler Farrar, 33 anos
Mais um ciclista que ficou um pouco aquém das expectativas. No início da década, Farrar prometeu muito com vitórias no Giro (duas), na Vuelta (três) e no Tour (uma). Porém, foi-se eclipsando e apesar da mudança para a então MTN-Qhubeka, actual Dimension Data, não conseguiu encontrar a sua melhor forma, para fazer frente aos principais sprinters. A equipa sul-africana confiava no americano, que soube sempre ser um ciclista que pensava no colectivo e não apenas no sucesso pessoal.

Jurgen van der Broeck, 34 anos
Quando se fala de ciclistas que não concretizaram todo o seu potencial, o que será o que os belgas dirão de Van der Broeck? Fez praticamente toda a sua carreira na estrutura da Lotto e ano após ano foi considerado um candidato a algo mais que um top dez numa grande volta. Mas nunca foi além disso, de um candidato e de um ciclista de top dez, que alcançou no Giro, Tour e Vuelta. Só tem duas vitórias: um título nacional de contra-relógio e uma etapa do Critérium du Dauphiné. Esteve um ano na Katusha-Alpecin e outro na Lotto-Jumbo, mas já praticamente ninguém se lembrava que estava sequer em prova, tão discretas foram as performances. Qualidades de trepador e voltista tinha, mas nunca conseguiu estar ao nível das principais figuras. Faltou-lhe equipa em alguns momentos, mas também pareceu faltar... aquele clique.

Adriano Malori, 29 anos
Teve uma recuperação considerada milagrosa depois de uma queda na Argentina que o deixou em coma. Porém, o italiano não mais conseguiu encontrar o ritmo necessário para estar ao mais alto nível no pelotão. Nas poucas provas em que participou, inclusivamente na Volta ao Alentejo, não as terminou e percebeu que a sua carreira tinha chegado ao fim. Anunciou durante a Volta a França, com a Movistar a perder um excelente homem de trabalho, com capacidade para também ele tentar algumas vitórias, sendo ainda um dos melhores contra-relogistas da actualidade.

Christophe Riblon, 36 anos
Foi toda uma carreira na AG2R. Tanto foi um fiel homem de trabalho, como soube mostrar-se quando lhe foi dada alguma liberdade. Ganhou duas etapas no Tour, o que para um francês ser mais especial, só se estiver no pódio nos Campos Elísios. Porém, o ciclismo tem destas coisas. Uma carreira dedicada a uma equipa que não lhe renovou agora o contrato. Riblon não estava a pensar em retirar-se, mas não conseguiu lugar noutra equipa e optou pelo adeus.

Rui Sousa, 41 anos
Foram mais de 20 anos no pelotão nacional. Rui Sousa tornou-se numa das vozes mais importantes do ciclismo nacional e num ciclista admirado por muitos. A sua forma de correr, sempre com garra, sempre com vontade de dar espectáculo e de procurar vitórias transformaram Rui Sousa num dos ciclistas com mais adeptos. Esteve para retirar-se em 2016, mas cedeu aos pedidos dos fãs e da equipa, Rádio Popular-Boavista, para competir mais um ano. Estava decidido que 2017 seria mesmo o último e se lutar pela Volta a Portugal cedo terminou, Fafe foi o palco de um último espectáculo bem ao seu estilo. Cortou a meta isolado, aplaudido por todos. O adeus merecido. Pódios e top dez tornaram-se normais, mas faltou-lhe a vitória na geral. De recordar que fez a Volta a Espanha em 2002, terminando na 16ª posição.

Mais algumas despedidas: Paolo Tiralongo (Astana), Manuel Quinziato e Martin Elmiger (BMC), Martin Velits (Quick-Step Floors), Twan Castelijns (Lotto-Jumbo), Cédric Pineau (FDJ), Ondrej Cink (Bahrain-Merida), Albert Timmer (Team Sunweb) e Lars Peter Nordhaug (Aqua Blue Sport).

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