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21 de dezembro de 2019

Frente unida na Jumbo-Visma para lutar pela Volta a França

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Para quê esperar? A Jumbo-Visma tem mostrado em épocas recentes que quer fazer frente à Ineos na Volta a França e em 2020 a rivalidade vai subir de tom. A equipa holandesa está preparada para olhar olhos nos olhos a formação britânica na grande volta que a Ineos tem dominado e não vai fazer por menos: levará os três líderes e assume que é o ano que não vai "apenas" almejar o pódio. É para ganhar. E por isso, nem esperou mais. Não se deixa arrastar por novelas de quem será o líder, como irá dividir as responsabilidades... Não! A Jumbo-Visma anunciou os oito eleitos para o Tour e também para o Giro e Vuelta.

Não se pode dizer que seja uma novidade. Já para esta época que terminou, anunciou bastante cedo os elementos que iriam ao Giro, mas desta feita foi mais longe. Portanto, sem mais demoras:

Volta a Itália: Dylan Groenewegen, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Lennard Hofstede, Paul Martens, Amund Grondahl Jansen e Mike Teunissen;

Volta a França: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin, Wout van Aert, Robert Gesink, Sepp Kuss, Laurens de Plus e Tony Martin;

Volta a Espanha: Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Mike Teunissen, Robert Gesink, Jos van Emden, Koen Bouwman, Sepp Kuss e Tony Martin.

Com a contratação de Tom Dumoulin e tendo em conta que o Giro terá três contra-relógios, a hipótese mais falada era a Jumbo-Visma levar este ciclista a Itália (e o próprio não se importaria já que o percurso do Tour não é muito ideal para ele), Roglic a França e Kruijswijk a Espanha (este dois iriam inverter os objectivos comparativamente com 2019). Mas não. 

"Fizemos uma análise a todas as grandes voltas dos últimos cinco anos. Qual era a influência dos contra-relógios na classificação final? Qual era a composição da equipa que conseguiu conquistar e defender a camisola [da liderança]? Descobrimos um elemento em comum. Temos de ir ao Tour com a equipa mais forte possível. Assim teremos uma hipótese de ganhar. Vamos fazer tudo para conquistar a amarela. Estamos muito felizes, orgulhosos e motivados para o fazer", explicou Merijn Zeeman, o director desportivo, durante a apresentação da equipa.

Dumoulin, Roglic e Kruijswijk falam no colectivo e de como querem fazer parte da equipa que ganhará a Volta a França. Nenhum se assume como líder. Discurso para mostrar união, mas claro que este tipo de decisão levanta sempre algumas dúvidas. O passado recente não tem um bom exemplo: o tridente da Movistar (Alejandro Valverde, Mikel Landa e Nairo Quintana) foi uma experiência falhada de liderança tripartida. Os egos meteram-se no caminho e todos queriam ganhar, não estando muito interessados em trabalhar para os companheiros.

Ciclistas diferentes, de personalidades diferentes, mas passar das palavras aos actos, será o objectivo principal da Jumbo-Visma para garantir que terá de facto uma frente unida para lutar com a Ineos. "Toda a força, com os três líderes! É muito bom descobrir que os três estamos na mesma página", disse Dumoulin. E no papel a equipa é fortíssima, não só por este trio, mas pelos gregários de luxo que tem e um Wout van Aert que ajudará quando for preciso, mas será também um ciclista para conquistar alguma etapa ao sprint, um objectivo secundário em 2020 na Volta a França.

É por isso que nesta super equipa não há espaço para um dos melhores sprinters do momento. Dylan Groenewegen teve de abrir mão de um Tour que a Jumbo-Visma já só tem interesse em vencer na geral. Porém, é um ciclista que os responsáveis não querem ver insatisfeito, pelo que lhe vão dar a oportunidade de se tornar em mais um a ganhar etapas nas três grandes voltas. Vai ter apoio no Giro e Vuelta, eventualmente também a pensar na camisola dos pontos. Vai ainda apostar forte na Milano-Sanremo. O holandês deixou a mensagem que está feliz com o calendário para 2020. Tem 26 anos e muito tempo para regressar ao Tour no futuro.

E no que diz respeito a monumentos, Wout van Aert - ainda a recuperar da grave lesão após queda na Volta a França - vai com tudo para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix, além de ser o líder para as restantes clássicas do pavé. Eventualmente Groenewegen terá a sua oportunidade em alguma mais propícia para sprinters, como a AG Driedaagse Brugge-De Panne. Para a Liège-Bastogne-Liège, Roglic assumiu o desejo de tentar vencer o monumento das Ardenas e nesta semana de três clássicas belgas, Dumoulin prefere a Amstel Gold Race.

Mas regressando às grandes voltas. A nível de geral a concentração estará no Tour, mas não significa que Groenewegen tenha exclusividade no Giro e Vuelta. A Jumbo-Visma levará ciclistas para lutar por uma vitória final, sendo provas em que o colectivo tem importância, mas não tem sido tão essencial como acontece na corrida francesa. Em Itália, George Bennett terá novamente a sua oportunidade. Tem sido difícil a sua afirmação como líder, mas mostrou ser um gregário importante. Com a chegada de Dumoulin, ir ao Giro sem ter de trabalhar para um dos três líderes é definitivamente um momento que o neozelandês tem de aproveitar.

Ainda assim o Giro será muito centrado em Groenewegen, mas a Vuelta é sempre tão montanhosa, que se justifica levar um Kruijswijk ainda à procura de uma vitória em grandes voltas, ainda que o terceiro lugar no Tour de 2019 tenha tido um sabor muito especial. Só ter Gesink e Kuss a seu lado é a prova de como a Jumbo-Visma não quer abdicar por completo de estar na luta por vencer novamente em Espanha, depois da conquista de Roglic em Setembro último.

Na teoria, a Jumbo-Visma tem uma equipa fortíssima, seja para o Tour, seja para as clássicas ou para os sprints. Será candidata a vencer muitas corridas. Mas na Volta a França, um dos assuntos mais falados será certamente como irá este trio com tanta ambição individual funcionar quando for necessário escolher alguém, a não ser que a estrada ajude nessa selecção. E depois será preciso ver se, ao contrário do que aconteceu na Movistar, quem "ficar para trás" na luta pela geral, assume o papel de ajudar quem estiver em condições de ganhar a camisola amarela.

O mais animador é ver uma equipa que tem tudo para definitivamente fazer a Ineos suar bastante no Tour. O ciclismo e a Volta a França ficam a ganhar.

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»A equipa que domina o Tour junta-se à que domina a Fórmula 1««

6 de dezembro de 2019

Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Época perto da perfeição e que consagrou a determinação e paciência para ver esta equipa renascer quase das cinzas para se tornar naquela que mais ameaça a supremacia da Ineos. Com os resultados nas três grandes voltas, ficou-se com a certeza que esta é uma formação que não só tem potencial para ganhar, mas que o pode mesmo fazer. Todo o potencial que vinha a demonstrar nas últimas temporadas foi transformado em resultados que tornaram a Jumbo-Visma numa equipa definitivamente de topo.

Não é fácil poder dizer que subiu ao pódio nas três grandes voltas (dois terceiros lugares e um primeiro), ganhou etapas (cinco no Tour!), mostrou ter um bloco capaz de controlar as corridas e além disso pode dividir as atenções entre o sprinter Dylan Groenewegen e apoiar na montanha Steven Kruijswijk. Mas foi a posta total em Primoz Roglic que deu os maiores frutos a nível do grande sonho para 2019. Roglic falhou no Giro, mas aprendeu as lições e o esloveno fez história na Vuelta. O primeiro ciclista do seu país a ganhar uma prova de três semanas.

Roglic foi avassalador quase toda a temporada. Competiu sempre com a vitória em mente. Vencei a Volta aos Emirados, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia e ainda fechou a época com duas clássicas italianas: Giro dell'Emilia e Tre Valli Varesine. A desilusão acabou por ser nos Mundiais, onde esteve visivelmente esgotado, sendo apenas 12º no contra-relógio - cortou a meta ao lado do campeão Rohan Dennis que tinha partido três minutos depois - e abandonou na prova em linha. Recuperou para ganhar depois as clássicas italianas e ser sétimo na Lombardia.

Claro que entrar tão forte na temporada fez com que começasse o Giro num pico de forma muito acima dos adversários e acabou por aprender que deveria ter guardado esse pico para um pouco mais tarde na corrida. Na Vuelta foi bem mais calculista tanto na preparaçã como na prova e resultou. Mereceu a vitória e agora já olha para o Tour. Não apenas para um lugar no pódio. Pode ter chegado tarde ao ciclismo, tendo começado como desportista como um promissor saltador de esqui, mas está mais do que confirmada a sua qualidade como ciclista.
Ranking: 3º (13128,07 pontos) 
Vitórias: 51 (geral e duas etapas da Volta a Espanha, cinco etapas na Volta a França e duas no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (15)
E o que dizer de Dylan Groenewegen... Cada vez mais um sprinter que vai conquistando o seu lugar entre os grandes da especialidade. 15 vitórias em 2019 (mais duas que Roglic), mais uma no Tour (tem quatro em três anos) e também ganha por cá, na Volta ao Algarve. Por mais que a Jumbo-Visma olhe para as classificações gerais, com um sprinter desta qualidade e com este ritmo de vitórias, é impossível a equipa não continuar a dar condições para que Groenewegen esteja sempre na discussão de qualquer corrida que participe.

Depois houve aqueles que não venceram tanto ou mesmo nada, mas que são peças essenciais em elevar a Jumbo-Visma a um nível que a Ineos parecia ter colocado como inatingível. Kruijswijk conseguiu um pódio no Tour há muito devido numa corrida destas. George Bennett pode não estar a tornar-se no líder que se chegou a pensar que seria, mas lidera o bloco de gregários com autoridade, Sepp Kuss segue esses passos, Mike Teunissen (mais dotado para terrenos menos inclinados) até recebeu um prémio pelo seu trabalho ao ganhar a primeira etapa do Tour e vestir a camisola amarela e claro, Tony Martin. O alemão pode não conseguir ser o contra-relogista de outros tempos, mas é novamente aquele que faz um trabalho incansável para os seus líderes.

A muita juventude em redor de Roglic acabou por não ser a melhor escolha no Giro, mas quando a Jumbo-Visma conjugou o talento dos mais novos com a experiência de um Tony Martin ou Robert Gesink, ganhou uma Vuelta. Ainda há seis anos, a então Rabobank correu o risco de acabar, mas está agora no topo, e depois de Denis Menchov em 2009 no Giro, a agora Jumbo-Visma ganhou novamente nas três semanas.

E não, não se pode esquecer de Wout van Aert. Não foram as exibições esperadas nas clássicas, mas no Critérium du Dauphiné resolveu mostrar na sua época de estreia no World Tour outras qualidades: também sabe sprintar e é um forte contra-relogista. Foi destas duas formas que venceu duas etapas na corrida francesa, conquistando no final a classificação dos pontos. Chegou ao Tour e estava a ser uma das figuras. Ganhou uma etapa e era o favorito para o contra-relógio. A temporada foi interrompida nesse dia devido a um toque numa grade e uma queda gravíssima. Ainda está a recuperar. Ter-se-ia gostado de ver muito mais do belga em 2019, mas pelo menos ficou-se a saber que Van Aert é muito mais que um excelente ciclista para as clássicas do pavé.

Depois de anos a apostar em ciclistas que estão actualmente a ter os resultados que se desejava e que são figuras não só da equipa, mas da modalidade, a Jumbo-Visma quer dar mais um passo de consolidação e destronar a Ineos na Volta a França, mas olhando com ambição total para um Giro e Vuelta, sem esquecer as clássicas (Wout van Aert) e sprints (Groenewegen). Tem equipa para se dividir pelos vários objectivos e a chegada de Tom Dumoulin dá mais uma alternativa para as grandes voltas.

Ao contrário do que se poderia esperar, não vai haver luta de egos por um Tour. Dumoulin procura o título olímpico, pelo que prefere regressar a Itália e a um Giro que já ganhou, a ir a um Tour que pouco lhe assenta e arriscar chegar a Tóquio desgastado. Roglic vai a França, faltando saber como vai juntar esforços com Kruijswijk. Ambos acreditam mais do que nunca que podem ir mais longe no Tour. A Ineos já sente a pressão da Jumbo-Visma e os ciclistas da equipa britânica já vão falando desta aproximação que só pode ser boa para o espectáculo do ciclismo.


26 de novembro de 2019

Van Aert não vai ter de pagar indemnização milionária: "Foi feita justiça"

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Wout van Aert já pode respirar um pouco mais de alívio e concentrar-se na sua recuperação física. O tribunal decidiu a favor do ciclista belga, o que significa que não terá de pagar uma indemnização de 1,1 milhões de euros, que era exigida pelo director da sua antiga equipa. Nick Nuyens ainda pode recorrer, mas o corredor admitiu que recebeu esta terça-feira uma motivação extra.

Em causa estava a rescisão de contrato por parte de Van Aert, há pouco mais de um ano, com a Veranda’s Willems-Crelan. Um dos pontos de descontentamento foi não ter sido avisado das negociações que decorriam com a Roompot-Charles para uma fusão, que veio a acontecer. A gota de água terá acontecido quando Nuyens terá tentado que um dos treinadores assinasse uma declaração incriminatória contra Van Aert, segundo o Cyclingnews. Niels Albert não o fez e foi uma das testemunhas importantes no decorrer do processo.

Van Aert já tinha acordado com a Jumbo-Visma mudar-se em 2020, mas, após a UCI ter dado luz verde, aceitando a rescisão - mas ficaria atenta à decisão judicial -, o ciclista começou a competir pela nova equipa em Março deste ano.

No entanto, Nuyens, que ficou como director da estrutura após a fusão, sempre defendeu que Van Aert não tinha justificação para quebrar o vínculo contratual que durava até Dezembro de 2019, avançando então para os tribunais. Exigia cerca de 1,1 milhão de euros de indemnização.

"Foi feita justiça. Que alívio. Dá-me uma grande motivação para continuar a trabalhar no meu regresso e para ser capaz de me concentrar 100% nisto. Gostaria de agradecer a todos os que me apoiaram", escreveu Van Aert no Twitter.

A decisão a favor do ciclista de 25 anos foi do tribunal de trabalho de Mechelen, na Bélgica, segundo o Het Nieuwsblad. Nuyens terá de pagar as despesas legais, mais uma má notícia para o director depois da Roompot-Charles ter fechado portas no final desta temporada.

Quanto à recuperação de Van Aert após a grave queda na Volta a França, o ciclista tem partilhado a sua evolução nas redes sociais e estará cada vez mais perto de regressar, sendo a sua esperança de ainda fazer uma parte da temporada de ciclocrosse, que tanto gosta. Não têm sido semanas fáceis, com o belga a admitir que chegou a recorrer a uma ajuda psicológica (ver link em baixo).


1 de novembro de 2019

Van Aert precisou de ajuda para recuperar do trauma da queda no Tour

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Wout van Aert está a dar as primeiras pedaladas a pensar na preparação para a temporada de ciclocrosse na esperança que antes do final do ano possa estar de regresso à competição. Vai perder as primeiras provas, mas ainda ambiciona uma presença no Mundial. Esta sexta-feira partilhou no Strava o seu primeiro treino nesta vertente, depois de ter passado as últimas semanas a recuperar da grave queda no contra-relógio da Volta a França. Para o belga está a ser um desafio, não apenas a nível físico, mas também mental. O ciclista belga admitiu que precisou de ajuda para ultrapassar o que percebeu ser um trauma.

Aquele 19 de Julho será um dia que marcará a carreira de Van Aert. O próprio já admitiu que poderia ter sido ali o fim do ciclismo para ele. Estava a ser uma estreia de sonho no Tour. Tinha ajudado a equipa a vencer o contra-relógio colectivo, ganhou a 10ª etapa, andou quatro dias de camisola verde e na 13ª tirada estava a discutir a vitória no contra-relógio individual quando, a dois quilómetros da meta em Pau, tocou nas barreiras numa curva e sofreu uma aparatosa queda. Fez um golpe profundo na perna, de tal forma que logo no momento, um dos assistentes da corrida tapou-o com as faixas de publicidade que estavam no local.

Mais tarde, o ciclista explicou que a primeira operação ainda em França não tinha sido feita de forma correcta e teve de ser novamente submetido a uma intervenção cirúrgica. Durante algum tempo, até simplesmente andar era algo limitado, não podendo exagerar. A carreira vai mesmo continuar, mas foi preciso recorrer ao um "treinador mental", como descreve Van Aert, para conseguir sentir-se outra vez à vontade na bicicleta.

"Durante muito tempo pensei que não era necessário, mas talvez o devesse tê-lo feito mais cedo", admitiu ao jornal belga De Zondag. "Percebi que quando assistia às corridas ficava ansioso quando passavam rapidamente por curvas. Pensei que não teria problemas depois da queda, mas aparentemente é um trauma", acrescentou o ciclista de 25 anos.

Van Aert começou a trabalhar com Rudy Heylen e recorrer a alguém com experiência na psicologia do desporto tem sido essencial na sua recuperação: "Não quero ter medo [a andar de bicicleta]."

Toda esta experiência tem sido mais um teste à resistência mental de Van Aert. Há um ano enfrentava a possibilidade de nem sequer competir em 2019 depois de ter rompido contrato com a Vérandas Willems-Crelan. O belga acabaria por antecipar em um ano a estreia pela Jumbo-Visma, mas demorou a aparecer no seu melhor. Não foi nas clássicas como se esperava, mas sim mais para o meio do ano, principalmente no Critérium du Dauphiné e no Tour. Um ano depois de toda a incerteza que o marcou - fez uma temporada muito abaixo do normal no ciclocrosse, antes de começar na estrada, em Março -, Van Aert enfrenta novas dificuldades, pois além da recuperação física e mental, ainda está a lidar em tribunal com o caso do contrato com a Vérandas Willems-Crelan.

O então director daquela equipa, Nick Nuyens, considera que Van Aert não teve razão em quebrar o vínculo que o ligava à estrutura por mais uma época. Pede mais de um milhão de euros de indemnização, algo que o ciclista espera que não seja condenado a pagar. "Nunca ganhei esse dinheiro. Se eu não tinha razão, espero não ter de pagar esse valor", afirmou na mesma entrevista.

22 de outubro de 2019

Antigo director de equipa de Van Aert quer mais de um milhão de euros de indemnização

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
A rescisão de contrato de Wout van Aert com a Veranda´s Willems-Crelan há mais de um ano continua por resolver. O caso foi para tribunal e o director da equipa quer mais de um milhão de euros de indemnização, considerando que o ciclista não teve razão para terminar o vínculo contratual um ano mais cedo do que o suposto.

Em Setembro de 2018, Van Aert alegou que não tinha condições para continuar na Veranda's Willems-Crelan, depois de se saber que iria haver uma fusão com a Roompot-Charles. O belga tinha sido um dos ciclistas em destaque na época de clássicas e tinha um contrato garantido com a Jumbo-Visma, que lhe permitiria dar o salto para o World Tour em 2020, depois de finalizar a ligação com a sua equipa de então. Desde logo, Nick Nuyens, o director da estrutura, anunciou que levaria o caso a tribunal.

Este terça-feira realizou-se mais uma audiência em Melchelen, na Bélgica. "Acharia muito estranho se recebesse uma sentença por isto", afirmou Van Aert, citado pelo Het Nieuwsblad. O jornal refere que Nuyens procura uma indemnização de 1 150 000 euros. Uma decisão deverá ser conhecida a 26 de Novembro.

O responsável da equipa negou sempre que tenham acontecido "coisas inaceitáveis" como alegou o ciclista. Van Aert acabaria por antecipar a sua ida para a Jumbo-Visma, depois da UCI ter aceite o pedido feito pelo corredor e o seu advogado, ainda que tenha deixado claro que ficaria atenta ao processo judicial. Até este "sim", Van Aert correu o risco de falhar a temporada de 2019. O belga, de 25 anos, acabaria por ter uma primeira temporada no World Tour memorável, apesar de não ter conseguido brilhar nas clássicas. Fê-lo no Critérium du Dauphiné (venceu duas etapas e classificação dos pontos) e na Volta a França. Venceu uma tirada e o contra-relógio colectivo e estava a ser uma das figuras até que sofreu uma queda aparatosa no contra-relógio individual.

Van Aert ainda está a recuperar das graves lesões e ainda não se sabe se conseguirá estar presente na temporada de ciclocrosse. No ano passado, esteve muito longe do seu melhor nesta vertente, na qual já conquistou vários títulos e alimentou uma rivalidade com Mathieu van der Poel, que tanto se espera ver agora na estrada. A situação da quebra de contrato e indefinição do futuro terão afectado Van Aert há um ano e o ciclista há muito que quer colocar um ponto final neste caso: "Neste momento, para mim não tem tudo a ver com o dinheiro, pois a minha carreira está em primeiro lugar."

15 de julho de 2019

Final louco de etapa com a Ineos a reordenar a Volta a França

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Há alturas em que é mesmo bom falhar por completo as previsões. Esta segunda-feira foi uma dessas alturas. Uma etapa que se pensaria ser do mais normal, com uma fuga a ser perseguida pelas equipas dos sprinters e com estes a disputar a vitória, com todos satisfeitos de ao fim de dez dias poder finalmente ter uma folga, veio o vento e foi o caos! Não foi uma surpresa. Os ciclistas estavam avisados que nos últimos 40/50 quilómetros havia a possibilidade de o vento causar problemas. Estavam avisados, mas foram muitos os que não evitaram complicar muito as contas do Tour, numa etapa que de calma teve mais de 150 quilómetros, mas foi a loucura total na parte final.

Se no domingo, no que foi um autêntico passeio para o pelotão, a Ineos ainda assim mostrou os dentes, 24 horas depois soltou a fera. Nem foi a primeira a lançar os famosos "abanicos" (expressão espanhola). A EF Education First iniciou uma tentativa falhada e depois da derradeira subida do dia, com cerca de 40 quilómetros para a meta em Albi (foram 217,5 no total), a equipa americana repetiu a dose que, com a ajuda da Ineos e da Deceuninck-QuickStep, rapidamente começou a partir o pelotão.

Em poucos minutos a etapa passou a merecer toda a atenção, depois de quilómetros de monotonia. Começou a difícil missão de decifrar de quem estaria a ficar para trás. Mas não foi difícil perceber pela forma como as três equipas estavam a acelerar na frente, tendo-se juntado depois a Movistar, que havia alguém importante em grandes sarilhos. Os nomes lá foram aparecendo. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) - que desilusão para o francês que partiu para a 10ª etapa como o melhor entre os candidatos e estava a mostrar estar em excelente forma -, Jakob Fuglsang (Astana) e Richie Porte (Trek-Segafredo) foram apanhados numa armadilha cada vez mais utilizada e que tem a Ineos e a Deceuninck-QuickStep como especialistas em prepará-la, tal como a Lotto Soudal, que neste caso, sem aspirações à geral, limitou-se a esperar que Caleb Ewan aguentasse para discutir o sprint.

Por momentos a maior surpresa foi Rigoberto Uran. A EF Education First foi vítima da táctica que ela própria colocou em prática. Mas Mikel Landa roubou essa surpresa. De repente, uma Movistar tão satisfeita por desta vez ter sobrevivido aos "abanicos", mostrava estar um pouco em pânico. Onde estava Landa? Ao espanhol parece acontecer sempre algo nas grandes voltas. Desta feita, estava na frente da corrida, bem colocado, quando Warren Barguil (Arkéa Samsic) tem uma repentina mudança de direcção devido a um toque em Julian Alaphilippe. Empurra inadvertidamente Landa, que é literalmente atirado contra um grupo de adeptos na berma da estrada. No final, Barguil pediu desculpa ao ciclista espanhol, que não escondeu ter ficado incrédulo com o que lhe aconteceu. Perdeu mais dois minutos e com este azar e ficou a 3:03 de Geraint Thomas.

O galês e a sua Ineos foram mesmo os grandes vencedores do dia. Bom... e Nairo Quintana. O colombiano deve estar a pensar que desta vez fez tudo bem, ele que conhece a sensação de ser apanhado nos "abanicos". Quando a Movistar recuou para ajudar Landa, foi Alejandro Valverde que ficou com aquele que é agora o líder principal quase sem discussão. Quase, porque já se sabe que Landa não é de baixar os braços, atitude que lhe valeu uma excelente recuperação no último Giro, até ao quarto lugar, quando também começou mal a corrida.

Thomas tem 1:12 minutos de desvantagem para um Julian Alaphilippe que continua a não preocupar muito. O trabalho da Deceuninck-QuickStep, a que nem o sprinter Elia Viviani escapou, não só foi para manter a camisola amarela com o francês e tentar garantir que fica com uma vantagem para prolongar o estatuto de número da Volta a França. Teve o objectivo de colocar Enric Mas numa posição bem mais favorável. Quando chegarem os Pirenéus no final desta semana, o espanhol não terá companheiros para o ajudar, pelo que assim fica com uma distância bastante interessante na luta pelo menos por um pódio. São 34 segundos a separá-lo de Thomas e Mas é um ciclista que tem perícia em aproveitar o trabalho de outras equipas quando lhe falta ajuda.

Adam Yates (Mitchelton-Scott) surge finalmente num lugar mais esperado e um ciclista de quem pouco se fala, mas que já vai aparecendo no radar, Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), reforçou o seu estatuto de pretendente a um top dez.

Em dois dias, a Ineos impôs-se e de que maneira. A equipa pode não estar a controlar tão obviamente o Tour desde cedo, como em edições anteriores, mas tem a corrida muito bem controlada. Quando quis mexer, mexeu e fez cair peças importantes entre os rivais. Thomas tem a amarela na mira, Bernal está na retaguarda, preparado para o que der e vier, sendo agora o líder da juventude já que Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) foi mais uma das vítimas dos "abanicos".

Como tudo mudou ainda antes dos Pirenéus!

Diferenças entre candidatos após a louca 10ª etapa:

2º Geraint Thomas (Ineos)
3º Egan Bernal (Ineos) a 4 segundos
4º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) a 15
5º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) a 33
6º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) a 34
7º Adam Yates (Mitchelton-Scott) a 35
8º Nairo Quintana (Movistar) a 52
9º Daniel Martin (UAE Team Emirates) a 57
11º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) a 1:21 minutos
13º Rigoberto Uran (EF Education First) a 2:06
15º Romain Bardet (AG2R) a 2:08
16º Jakob Fuglsang (Astana) a 2:10
20º Richie Porte (Trek-Segafredo) a 2:47
21º Mikel Landa (Movistar) a 3:03
25º Fabio Aru (UAE Team Emirates) a 4:45
26º Guillaume Martin (Wanty-Group Gobert) a 4:47

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Jumbo-Visma entre a desilusão e a explosão de alegria

Está a ser um Tour alucinante para a equipa holandesa. Na primeira etapa o seu sprinter, Dylan Groenewegen, caiu, mas o lançador Mike Teunissen ganhou e vestiu a camisola amarela. No dia seguinte a equipa foi a melhor no contra-relógio. Groenewegen entretanto já alcançou a sua vitória, mas nesta última etapa antes do dia de descanso, foi apanhado nos "abanicos". George Bennett, que era o ciclista melhor colocado na geral também foi afectado.

(Fotografia: © ASO)
Mas quando uma equipa tem qualidade, dá nisto: Steven Kruijswijk manteve-se na frente e está na luta pelo Tour; Wout van Aert aproveitou a ausência de Groenewegen e foi sprintar, ganhando a sua primeira etapa numa grande volta, na sua estreia. Consegue-se perceber porque o belga ficou quase sem palavras perante o que alcançou, ainda mais quando foi preciso o photo finish (imagem de cima) para determinar o vencedor. Bateu Elia Viviani por muito pouco.

Depois de meses tão difíceis no final do ano passado e início de 2019, em que correu o risco de ficar parado devido ao litígio com a sua antiga equipa, Van Aert não deu as vitórias esperadas nas clássicas, ainda que tenha alcançado bons resultados. Porém, apareceu nesta fase da temporada a mostrar qualidade de sprinter, vencendo assim uma tirada no Critérium du Dauphiné, um dia depois de conquistar o contra-relógio individual. Ficou o aviso para o Tour, que agora confirmou.

11ª etapa (17 de Julho): Albi - Toulouse, 167 quilómetros


A organização não colocou nem um contra-relógio, nem uma etapa de montanha complicada a seguir ao dia de descanso, que não faz bem a todos os ciclistas. É uma etapa para os sprinters, com muitos corredores certamente ainda a tentar recuperar do choque do que aconteceu esta segunda-feira e a esperar que não se repita. O Tour partirá depois para uma fase mais complicada e decisiva, com destaque para o contra-relógio individual de sexta-feira e o Tourmalet no sábado, com a alta montanha a começar logo na quinta-feira.




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7 de julho de 2019

A confirmação que faltava à Jumbo-Visma

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Já se faziam as contas para quanto tempo estavam todos a perder para a Ineos quando surge uma Jumbo-Visma simplesmente a voar. Foi um contra-relógio colectivo avassalador da equipa holandesa, que comprovou o que lhe faltava neste seu renascimento como uma das principais formações mundiais. Há sete anos, a estrutura correu o risco de fechar e até competiu sem patrocinador durante uns meses. Agora tem um projecto sólido (patrocínios garantidos até 2023), cada vez mais completo e já ninguém a menospreza.

Que não restem dúvidas. A Jumbo-Visma partiu para o contra-relógio colectivo de 27,6 quilómetros de Bruxelas com todas as intenções de o vencer. Já se tinha afirmado como vencedora nos sprints com Dylan Groenewegen, está a crescer nas clássicas com Wout van Aert como estrela, já mostrou que tem homens para lutar pela geral de uma grande volta e um conjunto forte de ciclistas para apoiar os líderes. Agora deu o passo que faltava para se tornar numa equipa que não só se defende em todos os terrenos, como ataca os resultados que procura.

Foi uma exibição irrepreensível. A Ineos foi a primeira equipa a partir e só a Deceuninck-QuickStep assustou, ao ficar a menos de um segundo de diferença. Porém, mesmo sendo forte neste tipo de etapas, a Ineos tem tendência a ser batida por alguém. Desta feita foi pela Jumbo-Visma, a última a sair para a estrada, que deixou a formação britânica a 20 segundos!

O director de performance da equipa, Mathieu Heijboer, não tem dúvidas ao afirmar que este foi o triunfo que faltava para comprovar a qualidade do investimento feito nos últimos anos, principalmente desde que a equipa se tornou Lotto-Jumbo. "Desde 2015 que o contra-relógio colectivo tornou-se numa parte importante do nosso processo. Temos tido um desenvolvimento sólido, com altos e baixos. Ultimamente temos estado bem com vitórias na Volta à Grã-Bretanha e na Volta aos Emirados Árabes Unidos e o segundo lugar no Tirreno-Adriatico. Hoje, tudo correu bem. Trabalhámos neste contra-relógio durante semanas e meses", salientou Heijboer.

A contratação de Tony Martin foi precisamente a pensar em consolidar a equipa neste aspecto, mesmo que o alemão já não tenha o fulgor de outrora. Ainda assim, como foi possível ver, tem grande importância, com a Jumbo-Visma a cumprir a distância em 28:37 minutos, a uma velocidade média de 57,202 quilómetros/hora. A Ineos "ficou-se" pelos 56,551.

O trabalho feito nesta Jumbo-Visma - herdeira da Rabobank - faz com que esteja constantemente a ser falada e não apenas por ganhar etapas com Dylan Groenewegen. Se atacou o Giro para o vencer com Primoz Roglic, pode no Tour não assumir-se tanto com Steven Kruijswijk, mas lá que o holandês colocou-se numa boa posição para pelo menos lutar pelo pódio, isso colocou-se. Há que não esquecer que se está a falar de um ciclista que deixou escapar uma Volta a Itália que parecia garantida devido a uma queda, que passou uma fase menos boa depois, mas no ano passado regressou ao seu melhor - quinto no Tour e quarto na Vuelta - e é visto como candidato em França.

E na primeira etapa que fez as primeiras diferenças entre os favoritos, logo ao segundo dia, é Kruijswijk quem sai na frente, sem esquecer que tem um companheiro seu com a camisola amarela. O sonho de Mike Teunissen continua e é bem provável que se prolongue por mais três ou quatro etapas, já que tem agora 30 segundos ou mais sobre a concorrência. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), por exemplo, ficou a 50. O holandês lidera também nos pontos e Wout van Aert estreou-se a vestir camisolas no Tour, ao envergar a branca, como líder da juventude. A Jumbo-Visma lidera ainda por equipas, falhando apenas o pleno porque Greg van Avermaet (CCC) fez-se dono e senhor da classificação da montanha na primeira tirada.

Esta é a equipa que celebrou duas etapas consecutivas a abrir o Tour, algo pouco visto: 81-Steven Kruijswijk, 82-George Bennett, 83-Laurens de Plus, 84-Dylan Groenewegen, 85-Amund Grondahl Jansen, 86-Tony Martin, 87-Mike Teunissen, 88-Wout van Aert.

As diferenças entre candidatos

A Ineos não estará demasiado preocupada com os 20 segundos perdidos por Thomas e Bernal para Kruijswijk. Os maiores derrotados do dia foram os esperados: Nairo Quintana, Mikel Landa e Romain Bardet. Os homens da Movistar perderam 1:05 para a Jumbo-Visma, 45 para os líderes da equipa britânica. Já há trabalho a fazer para Quintana e Landa, que mesmo com um especialista como Nelson Oliveira a trabalhar, não evitou uma perda de tempo que já obriga a pensar tácticas para recuperar. Bardet (AG2R) já se sabe que é alérgico ao contra-relógio e nem com a equipa a puxá-lo evitou estar ao segundo dia a 1:19 de Kruikswijk, com Richie Porte (Trek-Segafredo) também a não ter razões para sorrir: perdeu 1:18.

Por outro lado, Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) estará bem satisfeito e Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) não terá ficado nada desiludido. Falta muito Tour, mas aqui ficam as diferenças que já têm de ser ponderadas entre os candidatos à geral ou pelo menos ao top dez, assumindo Kruijswijk como o número um, ele que está a dez segundos do companheiro, o camisola amarela, Mike Teunissen, devido à bonificação da vitória na primeira etapa.

3º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma), 4:51.44
7º Egan Bernal (Ineos), a 20 segundos
8º Geraint Thomas (Ineos), a 20
13º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), a 21
18º Wilco Kelderman (Sunweb), a 26
21º Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 26
26º Rigoberto Uran (EF Education-First), a 28
37º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), a 32
42º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 36
51º Adam Yates (Mitchelton-Scott), a 41
54º Jakob Fuglsang (Astana), a 41
63º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), a 46
89º Fabio Aru (UAE Team Emirates), a 1:03 minutos
92º Daniel Martin (UAE Team Emirates), a 1:03
95º Nairo Quintana (Movistar), a 1:05
99º Mikel Landa (Movistar), a 1:05
104º Richie Porte (Trek-Segafredo), a 1:18
108º Romain Bardet (AG2R), a 1:19
132º Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), a 1:58

Classificações completas, via ProCyclingStats.

3ª etapa: Binche - Épernay, 215 quilómetros



Será a despedida da Bélgica, com a pelotão a entrar no país de origem da grande volta. Os últimos 50 quilómetros são com muito sobe e desce, que podem favorecer alguém que arrisque um ataque. Não será dia fácil para os sprinters, principalmente para aqueles menos dotados para as subidas.




12 de junho de 2019

Primeira vitória World Tour para Van Aert... Não foi bem como se esperaria

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Aí está a primeira vitória World Tour de Wout van Aert. Não foi bem como se esperaria, mas certamente que ninguém se estará a queixar, desde o ciclista, à equipa. A grande contratação para as clássicas mostrou dotes de contra-relogista e logo num Critérium du Dauphiné. Isto depois de já ter demonstrado que não tem problema nenhum em intrometer-se entre os sprinters. O belga foi anunciado para a Volta a França pela Jumbo-Visma e não demorou em demonstrar porquê.

Num dia em que a queda e confirmação que Chris Froome (Ineos) não irá ao Tour acabou por marcar o Critérium du Dauphiné, a vitória de Van Aert como que ficou para segundo plano. Mas o belga merece o seu lugar de destaque. A época de clássicas não foi má. Longe disso. Somou dois pódios e andou quase sempre entre os primeiros. Porém, faltou a desejada vitória e claro que numa perspectiva de rivalidades, as comparações com Mathieu van der Poel não ajudaram, pois o holandês da Corendon-Circus tomou de assalto a fase de clássicas.

É uma rivalidade que vem do ciclocrosse e que ainda dará muito que falar. Para já, um destacou-se onde se esperava, enquanto Van Aert parece estar finalmente na rota para confirmar o seu valor, mas, por agora, em palcos diferentes. E fica já demonstrado que é muito mais que um ás no ciclocrosse e que uma enorme promessa para as clássicas.

"Trabalhámos nas minhas capacidades de contra-relogista nas últimas semanas, mas não sabia que era possível ganhar a este nível. Estou super feliz", afirmou Van Aert, que terá Roanne como um local especial na sua carreira, já que foi o local dos 26,1 quilómetros da quarta etapa do Critérium du Dauphiné.

Um contra-relógio longo, com uma subida para dificultar, mas que não impediu Van Aert de se superiorizar a especialistas. Senão vejamos: completou a distância em 33:38 minutos, deixando Tejay van Garderen (EF Education First) a 31 segundos e Tom Dumoulin (Sunweb) a 47. O holandês pode ainda não estar no seu melhor depois da lesão no joelho após queda no Giro, mas ainda assim não tira qualquer mérito à prestação de Van Aert que voou neste contra-relógio.

Todos os problemas que enfrentou desde que quebrou contrato com a antiga equipa, as incertezas quanto à possibilidade de ficar um ano sem competir e o processo em tribunal que ainda decorre com a ex-equipa a considerar que Van Aert não teve razões para terminar o vínculo, abalou muito o ciclista. A época de ciclocrosse foi fraca comparada com anos anteriores e quando começou a de estrada, apesar de alguns bons resultados, não foi o ciclista de 2018. Estabilidade alcançada, completamente integrado na Jumbo-Visma e Wout van Aert pode muito bem ter aberto a porta das grandes vitórias que se esperam dele.

De referir que Van Aert é ainda o líder dos pontos e da juventude no Critérium du Dauphiné, que tem Adam Yates com a camisola amarela. O ciclista da Mitchelton-Scott não é conhecido por ser um contra-relogista digno de nota, mas tal como o irmão está a melhorar e o sexto tempo no dia permitiu que subisse à liderança. Boas indicações do britânico para o Tour.

Pode ver aqui os resultados completos da quarta etapa, via ProCycling Stats.

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3 de março de 2019

Perdeu o ciclo-computador na corrida e ofereceu uma camisola autografada a quem o encontrasse

(Fotografia: Facebook Jumbo-Visma)
Não foi o melhor dos dias na estreia pela Jumbo-Visma de Wout van Aert. O Kapelmuur quebrou o belga na Omloop Het Nieuwsblad, no sábado, mas se o 13º lugar não o desiludiu, já perder o seu ciclo-computador é que não o deixou nada satisfeito. Numa ferramenta tão valorizada pelos ciclistas, Van Aert recorreu às redes sociais para a recuperar e até garantiu oferecer uma camisola autografada a quem encontrasse.

Os empedrados das clássicas belgas, e não só neste país, são sempre duros para os ciclistas e para o material. Os bidões são as principais "vítimas" que acabam por saltar dos suportes, mas os ciclo-computadores também não estão a salvo. Para quem está a pensar em vencer, parar para apanhar está fora de questão, pelo que Van Aert teve de esperar que houvesse alguém que o ajudasse.

O ciclista explicou no Twitter que tinha perdido o seu Pioneer "no empedrado de Haaghoek, algures a meio da secção, no lado esquerdo". O apelo foi ouvido. Ou neste caso, lido. Mais tarde, através da mesma rede social, apareceu a pessoa que deixou Van Aert bem mais aliviado e bastante feliz. "Excelente! Amanhã vou estar no meu sofá. Se puder deixar no autocarro da Jumbo-Visma que eu preparo a camisola", respondeu o ciclista ao ver as fotografias que confirmavam que era mesmo o seu ciclo-computador.
Wout van Aert referia-se ao facto de não estar escalado para a Kuurne-Bruxelles-Kuurne, que realizou-se este domingo, pelo que ficaria a ver a corrida da televisão. O belga, de 24 anos, recuperou assim a ferramenta que detém todos os dados que hoje em dia são indispensáveis no ciclismo e que quererá estudar para tentar melhorar a exibição na próxima corrida.

Na sua primeira corrida pela Jumbo-Visma, Van Aert não esteve na discussão da vitória, terminando no grupo a 25 segundos de Zdenek Stybar (Deceuninck-QuickStep). Segue-se a Strade Bianche no sábado, corrida na qual terminou no pódio há um ano. Depois de uma temporada de ciclocrosse muito abaixo do que normalmente faz, Van Aert quer agora na estrada confirmar as enormes expectativas que recaem sobre ele, esperando que esteja a recuperar a melhor forma, depois de tempos difíceis. O ciclista rescindiu com a antiga equipa, a Vérandas Willems-Crelan em Outubro, que levou o caso a tribunal.

A UCI permitiu que assinasse pela Jumbo-Visma já em 2019, antecipando assim um ano a sua entrada na equipa do World Tour. O contrato entrou em vigor no dia 1 deste mês. Vai ser a aposta da formação holandesa para esta fase das clássicas do norte. E também a sul, pois além da Strade Bianche irá à Milano-Sanremo, primeiro monumento do ano.

De referir que neste fim-de-semana de abertura, a Jumbo-Visma trabalhou muito, mas não conseguiu contrariar o poderio da Deceuninck-QuickStep. Stybar venceu na 
Omloop Het Nieuwsblad e Bob Jungels triunfo este domingo na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

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»»Estão aí as clássicas««

18 de dezembro de 2018

Van Aert junta-se à Jumbo-Visma em Março

(Fotografia: Lotto-Jumbo)
O próprio director da Jumbo-Visma admite que tudo aconteceu mais cedo do que esperava. Afinal a equipa só contava com a estrela do ciclocrosse em 2020. Apesar da incerteza se seria possível contar Wout van Aert já em 2019 após o ciclista ter rescindo com a Vérandas Willems-Crelan, a formação holandesa avançou mesmo para a contratação imediata. Ou quase. Van Aert vai fazer a temporada de ciclocrosse e juntar-se-á à sua nova equipa a 1 de Março, mais do que a tempo de fazer as clássicas da Primavera.

"Estávamos interessados no Wout para 2020. As coisas aconteceram mais rapidamente do que o planeado, mas podemos dar-lhe as boas-vindas mais cedo. Isso são boas notícias para a equipa porque estamos a ficar mais fortes. Ele é um grande talento e esperamos que possamos desenvolvê-lo num ciclista de clássicas que todos vemos nele", salientou Richard Plugge. O director geral da Jumbo-Visma tem agora um plantel que demonstrou este ano poder começar a tentar discutir pódios em grandes voltas, seja qual ela for e, com Van Aert, vai aspirar ao mesmo nas clássicas do pavé.

A única questão com a antecipação da assinatura do contrato é o que o tribunal irá decidir quanto à rescisão do ciclista. A Sniper Cycling, detentora da Vérandas Willems-Crelan, não concordou com as justificações de Wout van Aert e poderá ter direito a uma indemnização se a decisão lhe for favorável. O advogado do ciclista levou o caso à UCI, que permitiu que pudesse competir por outra equipa, mas ressalvou que ficará atenta à decisão judicial, não se sobrepondo o organismo ao que for definido em tribunal.

Além da parte legal, também se colocava a parte financeira. A Jumbo-Visma, novo nome da Lotto-Jumbo, começou a preparar a temporada de 2019 a pensar que Van Aert só entraria nas contas na época seguinte. Contratou Tony Martin (Katusha-Alpecin), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), foi buscar à Sunweb Mike Teunissen e Lennard Hofstede, juntando-se ainda Taco van der Hoorn, da Roompot-Nederlandse Loterij. Aos novos rostos acresce-se as habituais renovações.

Até há poucos dias era a Jumbo quem se tinha comprometido em ser o patrocinador principal, eventualmente até único a nível de nome. Porém, apareceu a Visma e nesta mesma terça-feira em que foi confirmado Wout van Aert, foram anunciadas sete novas parcerias com marcas tão diferentes como das massas Grand'Italia, ou a 4iii, que irá medir a frequência cardíaca dos atletas da formação holandesa.

A Jumbo-Visma tem estado crescer e as exibições de Groenwegen, Roglic e Kruijswijk, sem esquecer George Bennett ou o jovem Antwan Tolhoek, fazem com que sonhe cada vez mais alto. Wout van Aert vai ser o senhor das clássicas depois de ter conquistado de rompante o respeito e o estrelato em 2018, alcançado mesmo um pódio na enlameada edição da Strade Bianche. Foi nono na Volta a Flandres e 13º no outro monumento, o Paris-Roubaix.

"Penso que alcancei excelentes resultados e é por isso que tive a oportunidade de falar com diferentes equipas. A certa altura, a Jumbo-Visma bateu-me à porta, uma equipa que me atraiu muito. Sabe bem subir ao World Tour porque penso que posso evoluir muito a esse nível", salientou Van Aert. 

Fica assim afastado o fantasma do ciclista de 24 anos ser obrigado a ficar uma temporada parado. Wout van Aert começou a demonstrar o seu descontentamento com a Vérandas Willems-Crelan aquando do processo de fusão com a Roompot-Nederlandse Loterij, depois de ter sido avançada que a união seria com a Aqua Blue Sport, que não se confirmou. Avançou para a rescisão em Setembro.

Apaixonado pelo ciclocrosse, este campeão do mundo tem estado a competir nesta vertente, mas longe do sucesso de épocas anteriores. Agora talvez tenha a estabilidade emocional que lhe faltava e o ciclismo de estrada irá ter outro assunto para se falar em 2019: os dois senhores do ciclocrosse, os dois grandes rivais, vão medir forças em algumas clássicas de estrada, pois o rival Mathieu van der Poel (esse sim, praticamente imbatível nas recentes corridas) viu a sua equipa, a Corendon-Circus, receber uma licença Profissional Continental para a próxima temporada. A Gent-Wevelgem e a Volta a Flandres são duas das principais clássicas em que está confirmado. A diferença entre ambos é que a Corendon-Circus estará sempre dependente de receber um convite, enquanto a Jumbo-Visma tem entrada directa nas corridas.

Uma rivalidade belga que pode sair do ciclocrosse e animar as históricas clássicas nos próximos anos.


16 de novembro de 2018

A novela Van Aert continua...

(Fotografia: © Kristof Ramon/Red Bull Content Pool)
Num dia o advogado de Wout van Aert lança os foguetes com a decisão da UCI em deixar o ciclista assinar por uma equipa em 2019, apesar da rescisão com a Vérandas Willems-Crelan estar neste momento em tribunal. No dia seguinte, afinal é melhor guardar os foguetes porque a luz não foi tão verde como Walter Van Steenbrugge deixou entender.

Van Aert está em risco de perder a próxima temporada de estrada porque a Sniper Cycling, detentora da Vérandas Willems-Crelan, não aceita a rescisão e levou o caso a tribunal. A equipa exige uma indemnização caso o ciclista assine por outra formação, além de eventualmente o próprio corredor ter de pagar se a decisão jurídica não o favorecer. De recordar, que o belga tinha contrato até ao final de 2019. Para contornar esta questão, Van Aert recorreu à UCI. Era a esperança que o seu advogado anunciou ter na semana passada para desbloquear a situação.

No que se está a tornar numa novela com vários capítulos, o mais recente inclui a resposta da UCI. Sim, Van Aert pode assinar por outra equipa. Mas, há um mas. Van Steenbrugge disse na quinta-feira, citado pela agência de notícias Belga, que a UCI tinha dado luz verde, com a condição que o ciclista assinasse por uma nova equipa até 31 de Dezembro. No entanto, há mais umas condições, segundo o site Cycling News, que cita o resto da carta da UCI.

O organismo explica que não sendo a questão o término do contrato, que "não se pode opor ao ciclista assinar por outra equipa Profissional Continental", referindo então que terá de o fazer até ao final da janela de transferência, no último dia do ano.

Agora o outro parágrafo: "Por favor note que a UCI irá acompanhar de perto o caso e reserva a possibilidade de aplicar procedimentos disciplinares, como estabelecidos nos regulamentos da UCI, contra todas as partes envolvidas, caso os tribunais belgas julguem que o ciclista violou o seu contrato."

Ou seja, se a decisão for a favor da Sniper Cycling, não dando razão à rescisão apresentada por Wout van Aert, o ciclista e a equipa por quem eventualmente tenha assinado, poderão ser multados. Os regulamentos prevêem que se houver uma abordagem a um ciclista sem a autorização da equipa que representa então as multas podem ir - e fazendo o câmbio do franco suíço que é a moeda utilizada pela UCI - de 26 mil euros a cerca de 438 mil para formações do World Tour. Se for Profissional Continental o valor máximo baixa para cerca de 263 mil euros.

Se o ciclista for considerado que desrespeitou as regras, a multa irá de 2600 a 44 mil euros se assinar por equipa do World Tour, ou no máximo de 26 mil se for do segundo escalão.

Outra questão é a carta a UCI referir que o ciclista pode assinar por outra equipa Profissional Continental, escalão a que pertencia a Vérandas Willems-Crelan. O advogado defende que também significa que pode negociar com uma equipa do World Tour.

Aqui entra a Lotto-Jumbo, que em 2019 será apenas Jumbo. A equipa holandesa já tem acordo com Van Aert a partir de 2020. Será a principal interessada em poder contar com o ciclista um ano mais cedo, dado o potencial do belga de 24 anos, principalmente nas clássicas do pavé. Porém, estará à espera de ver a situação ficar concluída, já que em 2020 irá mesmo contar com o ciclista.

A equipa tem-se mantido em silêncio, longe da novela que, ao contrário do que o advogado de Van Aert deu a entender, ainda estará longe de ter um final feliz para o ciclista. A declaração do advogado da Sniper Cycling explica bem que está em causa muito mais do que a rescisão com a Vérandas Willems-Crelan. "De uma perspectiva ética, se uma equipa quiser contratar um ciclista que violou o seu contrato, estão a dizer aos seus próprios corredores: 'Se não estás feliz, inventa uma razão para quebrar o teu contrato e podes ir embora'. Seria devastador para a confiança dos patrocinadores em aceitarem compromissos longos [com as equipas]", disse Rudi Desmet, ao Cycling News.

Van Aert e o seu advogado garantem que há razões para a rescisão, mas não as adiantaram publicamente. O ciclista quebrou contrato depois de se mostrar descontente com a forma como a Sniper Cycling negociou uma fusão com outra equipa, chegando a criticar como nunca foi informado do que estava a acontecer. Também ficou insatisfeito por ver como alguns membros do staff e companheiros de equipa iriam ficar sem emprego devido à fusão das duas estruturas.

Anunciado o acordo com a Roompot-Nederlandse Loterij, depois de não se ter confirmado a união com a Aqua Blue Sport, Van Aert acabou por rescindir contrato, dando início a um processo, do qual se fica a aguardar o próximo capítulo.

Entretanto, o belga vai cumprindo a sua temporada de ciclocrosse, mas não tem sido o Van Aert de outros anos.