Mostrar mensagens com a etiqueta Vital Concept. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vital Concept. Mostrar todas as mensagens

22 de outubro de 2018

Quando ser líder não é para todos

Nem todos nasceram para ser líderes, ainda que muitos o desejem. Às vezes é preciso experimentar para se perceber que numa modalidade como o ciclismo, não é fácil assumir a responsabilidade de alcançar resultados, tal como não é fácil assumir a responsabilidade de ser um homem de trabalho. Quem não sonha com uma grande vitória? Ou várias? Ben Swift era um corredor importante na estrutura da Sky. Mostrou potencial e quando quis ser algo mais do que alguém obrigado a estar muito em segundo plano, saiu de casa. Pouco correu bem na aventura pela UAE Team Emirates e de um ciclista cotado para liderar, Swift acabou novamente a ajudar companheiros. Próximo passo? Regressar a casa.

Dele esperaram-se resultados quando em 2017 chegou como a grande contratação da que acabaria por ser a UAE Team Emirates, no adeus da Lampre ao ciclismo. Seria o sprinter - com Sacha Modolo a deixar de ser a escolha principal - e também um homem para clássicas, sem nunca esquecer que sabe ultrapassar bem certas subidas. Porém, quando o resultado de maior destaque nestes dois anos de UAE Team Emirates foi um segundo lugar na etapa que acabou no Alpe d'Huez, no Critérium du Dauphiné, percebe-se que tudo (ou quase) a que se tinha proposto quando saiu da Sky, falhou. Sobe bem, mas não é um trepador. Contudo, foi uma grande exibição. Isso ninguém lhe tira.

Na equipa britânica, Swift lá foi agarrando uma ou outra oportunidade que lhe era dada e os dois pódios na Milano-Sanremo contribuiu para que quisesse mais. Ganhou etapas no Tour Down Under, Volta ao País Basco, à Romandia e à Polónia. No Alpe d'Huez fez uma das subidas da sua carreira (senão a subida da sua carreira) e Swift. Outro exemplo, foi o nono lugar no Malhão, na última Volta ao Algarve. Se não tivesse alguma capacidade para subir, não teria sido um dos homens que a Sky foi buscar quando iniciou o projecto, ainda que o sprint fosse um ponto forte.

A falta de resultados e o crescente poderio económico da UAE Team Emirates para ir buscar outros ciclistas, fez com que não tivesse uma segunda oportunidade para tentar mostrar que poderia ser o líder que pretendia em 2018. Chegou Alexander Kristoff, o norueguês que entrou em queda na Katusha-Alpecin, mas com um currículo de respeito. Swift teve de fazer o papel que tinha deixado ao sair da Sky.

"Ainda tenho ambições e objectivos para a minha carreira, mas também estou desejoso de trabalhar com os jovens. Há um incrível talento de jovens ciclistas a aparecer e eu tenho muita experiência para lhes transmitir", disse Swift, agora que foi confirmado que em 2019 vai regressar a casa. Que ambições são essas, não exemplificou, mas Rod Ellingworth, director de performance da Sky, elogiou Swift, destacando, contudo, como é um "modelo soberbo para os jovens ciclistas", numa altura em que a Sky está a reforçar a equipa com corredores muito novos e de muito talento.

Ben Swift faz 31 anos em Novembro e ao fecharem-se as portas de um papel principal, volta a uma equipa onde não terá um nível de exigência mais baixo só porque não irá lutar por vitórias. Muito pelo contrário. Contudo, certo é que Swift conhece bem o papel que vai desempenhar e a Sky conhece bem como Swift o desempenha. Com Egan Bernal, Jhonatan Narváez, Pavel Sivakov, Eddie Dunbar, Tao Geoghegan Hart (que ainda não renovou), Kristoffer Halvorsen, nomes para o futuro muito próximo da Sky, ter quem partilhe conhecimento, é essencial.

Coquard confessa que não soube lidar com tanta responsabilidade

A expectativa foi alta, talvez por isso a desilusão tenha sido também grande. Swift não conseguiu triunfar como líder numa equipa na qual não pôde contar com um apoio incondicional de companheiros em seu redor. Esteve sempre muito só, algo que também aconteceu com Rui Costa, por exemplo. A pressão pelos resultados esteve sempre presente e é preciso saber lidar com ela.

Mas se Swift não é o único culpado de a sua passagem na UAE Team Emirates não ter rendido um pouco mais, o mesmo não pode dizer de Bryan Coquard. Na Direct Energie foi ganhando respeito entre os sprinters, mesmo que as suas vitórias sejam maioritariamente em corridas francesas e nenhuma das principais. Ainda que estivesse a intrometer-se entre os grandes nomes. Sem surpresa, quis mais. Quis o World Tour e recusou renovar. A equipa nem o levou ao Tour em 2017.

Não houve espaço para Coquard numa das equipas do primeiro escalão e aceitou liderar o projecto da Vital Concept. A equipa foi construída em grande parte para ele, mas, claro, sem a capacidade financeira de uma Groupama-FDJ, ou AG2R, por exemplo, as duas equipas francesas do World Tour. Começou bem ao ganhar na Volta a Omã, batendo Mark Cavendish. Pode já não ser o sprinter de outros tempos, mas é Cavendish e o nome tem peso. Bateu ainda outro francês, Nacer Bouhanni (Cofidis). Mas 2018 ficou reduzido a três vitórias - ainda que tenha disputado bem vários sprints - e a um convite para o Tour que não chegou. Pelos resultados gerais deste ano, será uma surpresa se chegar em 2019.

Para Coquard o problema foi não saber lidar com a responsabilidade que lhe foi dada. "Estava pressionado. Quando se falava da Vital Concept, falava-se da equipa de Coquard", admitiu ao jornal Ouest-France. Acrescentou que a chegada de Pierre Rolland (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) e Artur Vichot (Groupama-FDJ) será uma ajuda para se reencontrar com a tranquilidade e confiança que precisa, pois irá partilhar a responsabilidade de ganhar para que a equipa consiga o que mais deseja: estar na Volta a França.

Curiosamente, Rolland acaba por ser mais um exemplo de quem também quis mais, deixando a então Europcar (actual Direct Energie), mas não cumpriu. Na equipa americana não foi o líder que se esperava e acabou a lutar por etapas, quanto muito uns top dez. Soube a pouco para este trepador que tanto prometeu e talvez, como Swift, regressar a casa, no seu caso ao país, possa ser o que precisa.

E Coquard espera que Rolland e Vichot seja o que ele precisa, para, aos 26 anos ser o sprinter que se esperava ter um lugar no World Tour, mas nesta fase da carreira, está mais longe desse objectivo. Porém, pode partilhar a responsabilidade, mas nunca irá escapar à pressão de ganhar. É disso que mais vive um sprinter.


8 de janeiro de 2018

Organização lamenta, mas Coquard está mesmo fora do Tour... e do Paris-Nice

Em 2017 Coquard ficou de fora do Tour por decisão da equipa,
este ano mudou para uma nova que não recebeu um convite
(Fotografia: Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Bryan Coquard começa o ano com duas desilusões e ainda nem começou a competir. A sua nova equipa, a Vital Concept, não recebeu um convite para a Volta a França, mas uma das outras corridas em que o sprinter queria estar presente também está fora de questão: o Paris-Nice. A ASO anunciou quem preenche as vagas de três das competições por etapas que organiza em França e a Vital Concept irá estar apenas no Critérium du Dauphiné. "Apenas" numa perspectiva que a equipa criada para 2018 tinha as ambições bem altas, mas há que salientar que o Dauphiné é uma corridas mais importantes do calendário, sendo vista como o teste final antes da Volta a França. Ou seja, quase todas as grandes figuras têm por hábito estarem presentes.

O desabafo de Coquard no Twitter diz tudo: "Sem convite mesmo sem ter tido tempo de colocar um dorsal. Muito desiludido." O sprinter francês só irá estrear-se na Sharjah Tour, no Dubai, entre 24 e 27 de Janeiro e tinha apelado à organização da Volta a França para adiar o anúncio dos convites umas semanas, para que assim a Vital Concept pudesse demonstrar que merecia ser uma das eleitas. Porém, confirmou-se o que já era esperado e os convites foram já atribuídos, para que as equipas possam preparar as temporadas a saber o que lhes espera, como havia alertado Thierry Gouvenou, director do percurso do Tour.

E não houve surpresas na atribuição dos convites: as formações francesas Cofidis, Direct Energie, Fortuneo-Samsic e a belga Wanty-Groupe Gobert foram as escolhidas. As mesmas de 2017. Christian Prudhomme, director do Tour e da empresa que o organiza, Amaury Sport Organisation (ASO), lamenta que Bryan Coquard fique de fora, tal como aconteceu no ano passado. A história foi então diferente, com o sprinter a ser excluído das escolhas da Direct Energie depois de ter anunciado que não iria renovar o contrato. Prudhomme acrescentou que este ano a escolha foi mais difícil por haver cinco candidatas a quatro lugares. Tal também significa que a Delko Marseille Provence KTM está longe de entrar nestas contas, mas como é uma equipa francesa Profissional Continental, recebeu um convite para o Paris-Nice, corrida que até Coquard queria, mas também não estará presente.

"Temos as duas primeiras equipas da segunda divisão: Wanty-Groupe Gobert e Cofidis [primeira e segunda do ranking europeu em 2017]. Temos atenção a esses rankings, como em qualquer modalidade. Também queríamos dar uma outra oportunidade a Nacer Bouhanni [Cofidis], que já ganhou etapas na Vuelta, no Giro, no Dauphiné e no Paris-Nice, mas nunca no Tour. A Cofidis está ciente que precisa de um ímpeto novo e, por isso, é que Cédric Vasseur é o novo director", salientou Christian Prudhomme à AFP, citado pelo Cycling News.

O responsável recordou que é um defensor de um "sistema aberto", isto é, de promoções e despromoções. Como ainda não está implementado, Prudhomme referiu que tenta dar oportunidade às melhores equipas do escalão Profissional Continental, o que além da Cofidis, justifica a chamada da Wanty-Groupe Gobert, que em 2017 deixou o director do Tour satisfeito com as exibições de ciclistas que nunca tinham competido na Volta a França.

"A atracção regional também existe para a Fortuneo-Samsic. Será a primeira vez em dez anos que iremos visitar a Bretanha [base da estrutura]. Claro que a maior força da equipa é o seu novo líder, Warren Barguil. É um super lutador que traz uma lufada de ar fresco." disse.

Ficam agora a faltar os convites para o Giro e Vuelta, mas o percurso da grande volta espanhola só será apresentado no sábado. CCC Sprandi Polkowice, Caja Rural, Aqua Blue Sport e Gazprom-Rusvelo são equipas que esperam poder estar novamente em pelo menos numa das corridas. A Androni Giocattoli-Sidermec e a Nippo-Vini Fantini não querem ficar outra vez de fora do Giro, enquanto em Espanha, as recém-chegadas ao escalão Profissional Continental, Burgos-BH e Euskadi Basque Country-Murias, tentarão estar na "sua" grande volta.


7 de janeiro de 2018

A pressão psicológica por um convite para a Volta a França

(Fotografia: Vital Concept)
A contagem decrescente para conhecer quem recebe os convites para a Volta a França aproxima-se do fim e a Vital Concept joga as suas cartas na tentativa de ganhar um. E pelo sim, pelo não, colocou na mesa o seu ás: Bryan Coquard. A nova equipa francesa, do escalão Profissional Continental, tem no sprinter a sua grande contratação e aponta boa parte da temporada a uma presença no Tour. Apesar de haver o discurso do "não faz mal se não formos", será certamente difícil esconder a desilusão se não houver um convite. E já que não haverá tempo para demonstrar na estrada que a Vital Concept merece estar entre as quatro eleitas, então sobram as palavras: "Se os organizadores da Volta a França derem os convites sem nos dar tempo para provar o nosso valor, eles podem arrepender-se."

O recado é de Bryan Coquard que tenta assim exercer uma pressão psicológica, que se junta à do director da equipa Jean-François Boulart. "Nós merecemos o nosso lugar", disse no final do ano ao jornal L'Equipe. Coquard tenta ganhar umas semanas que a Vital Concept poderá não ter para se mostrar. "Seria bom que eles esperassem um pouco e vissem o que nós podemos fazer. Espero que tenhamos tempo para nos mostrar. Quero dizer-lhes: 'Dêem-nos uma hipótese!'" O apelo tem razão de ser, pois Thierry Gouvenou, director do percurso do Tour já alertou que "é importante as equipas planearem as suas temporadas" e, por isso, não irá esperar por Março para decidir quem receber os quatro convites.

O anúncio poderá mesmo ser feito ainda em Janeiro e Bryan Coquard só começa a temporada na Sharjah Tour, no Dubai, entre 24 e 27 de Janeiro. Mesmo que até some algumas vitórias, dificilmente serão suficientes para convencer a organização do Tour, tendo em conta que o pelotão não terá a competitividade necessária para mostrar os pontos fortes de uma equipa que quer estar numa grande volta.

Coquard não tem de comprovar que é um dos melhores sprinters franceses, já se sabe, mas aos 25 ainda lhe falta uma vitória que o coloque ao nível de Nacer Bouhanni (Cofidis) ou Arnaud Démare (FDJ). O ciclista tomou a decisão de deixar a Direct Energie com o objectivo de dar um passo em frente na carreira. E ao anunciar publicamente a sua pretensão, acabou por ser excluído da equipa para o Tour em 2017. A Quick-Step Floors era um desejo, mas também era óbvio que se houvesse acordo, ficaria sempre em segundo plano devido a Fernando Gaviria. Se até Marcel Kittel optou por sair, não seria Coquard quem colocaria em causa o estatuto do colombiano. Bryan Coquard acabou seduzido por Jerome Pinaeu, antigo ciclista que está por de trás do nascimento da Vital Concept. O World Tour terá de esperar. Mas será que as principais corridas também vão ter de esperar?

Não há dúvidas quem é a estrela da equipa, que contratou outros nomes bem interessantes, como Kevin Réza e Johan le Bon (ex-FDJ), Kris Boeckmans (ex-Lotto Soudal), Steven Lammertink (ex-Lotto-Jumbo) e Jonas van Genecheten (ex-Cofidis).

Porque razão a Vital Concept corre o risco de não receber um convite para o Tour? Com as 18 equipas do World Tour a terem presença garantida, sobram quatro lugares para formações do segundo escalão, Profissional Continental. A Cofidis e a Direct Energie são presenças crónicas e têm demonstrado merecer, nem sempre com vitórias, mas têm equipas fortes, com bons resultados ao longo da temporada. E também têm capacidade comprovada em animar as etapas.

A agora Fortuneo-Samsic também tem recebido o convite nos últimos quatro anos e com Warren Barguil como a grande figura para 2018, seria estranho não ser uma das eleitas, tendo em conta que o francês venceu duas etapas e foi o rei da montanha na última edição do Tour. Sobra então um convite. Na lógica de ser entregue a uma equipa francesa, a Vital Concept teria como concorrente a Delko Marseille Provence KTM. Porém, o factor decisivo não é apenas a nacionalidade e a Delko que o diga, já que tem ficado de fora das escolhas. A concorrência vem mesmo da Bélgica. A Wanty-Groupe Gobert esteve pela primeira vez no Tour em 2017 e terá agradado aos organizadores.

E se os convites foram de facto decididos já no início do ano, então a Wanty-Groupe Gobert terá a vantagem de ter sido a melhor equipa do ranking europeu em 2017. A Vital Concept tem "apenas" a ambição de querer singrar no ciclismo, dependendo muito de Bryan Coquard para somar vitórias que permitam a equipa conquistar estatuto. O sprinter está com uma enorme vontade de estar nas principais corridas desde início do ano, mas enfrenta o mesmo problema do Tour: falta saber se haverá espaço para a Viltal Concept, se os organizadores vão abrir as portas à nova formação francesa.

"Quero estar na Milano-Sanreno, quer estar no Paris-Nice, quero estar na Amstel Gold Race e quero estar na Volta a França com a Vital Concept. Os organizadores podem ter a certeza: quando nós estivermos numa corrida, não estaremos lá para fazer número, será para ganhar", afirmou à AFP. Coquard realçou que a equipa pode não ter um currículo a apresentar, mas mostra-se confiante com os ciclistas que a compõem. Para si, tem o objectivo traçado: "Quero ser um grande sprinter. Todas as luzes estão verdes neste início de temporada. Estou muito, muito motivado."

Motivação é essencial, mas não deverá ser fácil viver na incógnita. A Direct Energie é uma presença habitual em grandes corridas, mas nada está garantido para a Vital Concept, pelo menos neste ano de estreia. Claro que os seus responsáveis e Coquard podem sempre esperar que aconteça uma surpresa como foi com a Aqua Blue Sport, equipa irlandesa que se estreou em 2017 e foi convidada para a Vuelta. E até ganhou uma etapa.