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13 de novembro de 2018

A primeira vitória chegou no último dia da carreira

(Fotografia: Twitter Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini)
Passou uma carreira a ajudar os líderes, entre eles alguns dos grandes nomes do ciclismo. Como gregário, as oportunidades de lutar por vitórias foram poucas, mas em 2015 quase venceu uma etapa no Giro. Alan Marangoni poderia ter sido apenas mais um nome da lista de corredores que vão terminar carreira este ano, mas o seu adeus ganhou contornos de um conto de fadas, pois houve um final feliz: no último dia, ganhou pela primeira vez em 10 anos como profissional.

Se há triunfos que não se esquecem são os primeiros e depois há sempre aquele marcante - uma etapa numa grande corrida - e ganhar na despedida também é algo que os ciclistas não se importam nada de concretizar. Marangoni conseguiu juntar tudo numa só vitória. Num só momento inesquecível.

Tem 34 anos, passou pelas equipas da Colnago-CSF Inox (actual Bardiani-CSF), Liquigas-Cannondale - que depois da fusão com a Garmin se tornaria naquela agora chamada de EF Education First-Drapac p/b Cannondale -, antes de em 2017 assinar pela Nippo-Vini Fantini.

Ivan Basso, Vincenzo Nibali e Peter Sagan foram algumas das figuras que ajudou a conquistar vitórias, tendo ainda sido colega de ciclistas como Elia Viviani, Daniel Martin, Rigoberto Uran e do português André Cardoso.

"Cortar a meta em primeiro e ganhar num dia que já era especial é, para mim, indescritível emocionalmente", desabafou um Marangoni que não conseguiu evitar as lágrimas ao vencer o Tour de Okinawa, no Japão. Nesta corrida de um dia, era mesmo caso para dizer que este italiano nada tinha a perder, pelo que atacou nos quilómetros finais para alcançar algo que sempre sonhou, sem, no entanto, viver obcecado por alcançar. Marangoni teve o seu final de conto de fadas: "Foi o dia perfeito que sempre procurei na minha carreira e hoje [domingo] encontrei-o."

Mas talvez o que melhor possa explicar o sentimento que tomou conta de Marangoni é esta frase, numa entrevista ao jornal La Repubblica: "Valeu como um Mundial para mim." O ciclista confessou que se sente como uma criança, agora que sabe o que é ganhar uma corrida como profissional, mesmo que tenha sido a sua última competição. "O ciclismo é lindo e uma vitória nunca foi uma obsessão para mim, mas queria uma, queria tentar", referiu.

Apesar deste momento, Marangoni não vai mudar de ideias quanto ao seu futuro já bem definido. "É a altura certa [para me retirar]. Agora começa uma nova carreira. Vou lançar um canal de ciclismo na internet", explicou.

Não é que subir ao primeiro lugar do pódio tenha sido algo completamente desconhecido para Marangoni. Mas nunca tinha alcançado aquele momento de vitória individual, como profissional. Em 2016 fazia parte da equipa da Cannondale-Drapac que venceu o contra-relógio colectivo na Volta à República Checa. Recuando até 2006, encontramos um jovem Marangoni a vestir a camisola de campeão italiano de contra-relógio, no escalão de sub-23. Dois anos depois, como amador, venceu uma etapa no Giro della Regione Friuli Venezia Giulia. Mas faltava aquela vitória como profissional.

Aquele 19 de Maio de 2015 esteve perto de ser o dia que marcaria a carreira de Marangoni. Numa disputa a quatro, todos italianos, pela vitória na 10ª tirada do Giro, o ciclista acabou por ficar em quarto. Então foi Nicola Boem o mais forte, com quatro segundos a separar Marangoni de ganhar no Giro. Fez cinco, mas também tem uma Vuelta e um Tour no seu currículo e terminou todas as grandes voltas em que participou. Esteve ainda em 19 monumentos, finalizando apenas nove, mostrando como o seu forte eram as provas por etapa.

Há um mês que Marangoni e a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini andam pela Ásia, em corridas de final de temporada, pois um dos patrocinadores é japonês. Hong Kong, China e para acabar Japão. "Foi um mês de sacrifício longe de casa, mas eu queria fechar a minha carreira da melhor maneira." E melhor era impossível.

Marangoni coloca um ponto final na carreira no mesmo ano que outro ciclista italiano, vencedor de um Giro e colega na Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, também optou por sair de cena aos 37 anos. Damiano Cunego não teve o final que desejava com uma derradeira Volta a Itália - a equipa não recebeu um convite -, mas alcançou grandes triunfos, principalmente nos primeiros anos como profissional. 

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13 de abril de 2018

Cunego já preparou o seu futuro pós-ciclista e vai continuar na modalidade a ajudar... os japoneses

Último Giro de Cunego foi em 2016, quando liderou a classificação
a montanha durante 13 etapas, mas acabaria por perder para Mikel Nieve
(Fotografia: Giro d'Italia)
É difícil esconder alguma desilusão por não ter a oportunidade de correr uma última Volta a Itália. A organização não deu um convite à Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini e Damiano Cunego ficou sem o seu ambicionado adeus, mas vai tentar de ter uma despedida em grande. Não se sabe qual será última prova, contudo, está garantido que marcar presença na Amstel Gold Race dez anos depois de a ter vencido, teria um sabor bem especial fazer algo marcante na corrida que abre a Semana das Ardenas.

Aos 36 anos, Cunego considera que chegou o momento de se afastar e ceder lugar à nova geração, que quer ajudar a evoluir. Longe vão os tempos em que com apenas 22 anos se tornou num dos ídolos em Itália, tendo contribuído para tal vencer o Giro logo na sua segunda participação, em 2004. Nesse ano ganhou ainda três etapas. Somou mais algumas grandes vitórias, como a Amstel Gold Race em 2008, mas Cunego não conseguiu prolongar a senda vencedora e foi aos poucos perdendo preponderância e destaque, sem nunca perder o carinho dos tifosi.

"Vou terminar porque sinto que a modalidade mudou. Há muitos ciclistas novos e novas equipas. Já cumpri o meu tempo. Também estou pronto para fazer outra coisa na vida", salientou Cunego, numa entrevista à Gazzetta Dello Sport. O ciclista disse que "depois de todos este anos" sente que terminar a carreira é o passo certo. "Queria fazer o Giro uma última vez, mas...", desabafou. Pelo segundo ano consecutivo a equipa italo-japonesa ficou sem um convite para a grande volta transalpina e Cunego aponta agora a outras corridas para terminar a carreira da melhor maneira possível. Sem Giro, a Volta aos Alpes, que começa na segunda-feira, será uma prova apetecível para o corredor que a venceu em 2004, 2006 e 2007, quando se chamava Giro del Trentino.


Entretanto, Cunego vai mantendo-se ocupado, além dos treinos. "Quero trabalhar como treinador. Comecei a estudar para uma licenciatura em Ciência do Desporto, mas foi difícil correr e ter tempo para estar com a família. Agora estou pronto para mudar de papéis e ser treinador a tempo inteiro", referiu. E o emprego já estará garantido, com os nipónicos a prepararem-se para contar com a experiência de Cunego: "Vou trabalhar com a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini até pelo menos 2020 e também ajudarei os ciclistas japoneses a prepararem-se para os seus Jogos Olímpicos em 2020 [em Tóquio]."

Quanto à corrida de domingo, o italiano começou por agradecer à organização por ter convidado a equipa para a Amstel Gold Race, permitindo-lhe assim fazer por uma última vez a prova onde alcançou uma das suas maiores vitórias. "Espero fazer o melhor possível. Quando ganhei, o final era mais selectivo. Agora com a meta longe do Cauberg, a luta nas subidas finais é ainda mais intensa. Haverá provavelmente entre 50 a 80 ciclistas na frente, a lutar por uma posição. Eu sou um pouco peso-pluma, mas não tenho medo de lutar por uma posição. Já enfrentei algumas batalhas", explicou. Apesar de querer mostrar-se, Cunego aponta ainda o colega Marco Canola: "Está em forma e é um bom ciclista." 

Em contagem decrescente para a despedida, só falta saber ao certo quando, surge a pergunta natural: qual o melhor e pior momento? "O melhor foi quando vesti a camisola rosa na etapa para Falzes, em 2004. O pior? Algumas pessoas pensam que foi quando terminei em segundo no campeonato do mundo em Varese, mas ainda ganhei a medalha de prata nesse dia. Os piores momentos foram as quedas e as dores, como na Volta a França de 2008", recordou. O tal Mundial foi o de 2008 quando foi batido pelo compatriota Alessandro Ballan, mas parece que não ficaram ressentimentos. E não se pode esquecer que até tem um título mundial, mas em juniores.

Cunego entrou na fase que irá desfrutar ao máximo das suas últimas corridas, mas sempre com o objectivo de ajudar uma equipa a precisar de uma vitória. Ficar de fora do Giro dois anos consecutivos foi um rude golpe para o projecto, que em 2018 continua sem vencer. Além de Cunego e Canola, Ivan Santaromita é outro nome de relevo na Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, que contratou no final de Fevereiro Juan José Lobato. O espanhol estava sem equipa depois de ter sido despedido da Lotto-Jumbo, por ter consumido medicamentos  para dormir não autorizados pela equipa.

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23 de fevereiro de 2018

Lobato pensou que a carreira tinha terminado, mas equipa italiana deu-lhe uma nova oportunidade

(Fotografia: Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini)
Ser despedido por recorrer a medicamentos não autorizados pelos médicos da equipa é meio caminho andado para colocar a carreira em risco. Juan José Lobato percebeu isso mesmo. Pode não ter perdido a esperança de que alguém lhe voltasse a dar a mão, mas admite que pensou o pior. O espanhol vai ter uma nova oportunidade que lhe é dada pela Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini e tem bem a noção que não a pode desperdiçar. "Os triunfos não se podem prometer, mas posso garantir que vou deixar a pele para lhes agradecer a confiança depositada em mim", salientou o ciclista.

Depois da Lotto-Jumbo ter terminado o contrato quando descobriu que o espanhol e mais dois ciclistas tinham ingerido medicamentos para dormir não autorizados pela equipa - mas legais, pois não foi colocado em causa a violação do regulamento anti-doping -, Lobato esteve dois meses a treinar perante a incerteza se, aos 29 anos, voltaria a receber um contrato. A equipa holandesa manteve os jovens Antwan Tolhoek e Pascal Eenkhoorn, mas não perdoou Lobato. "Foram uns meses muito difíceis e que cheguei a pensar que a minha etapa como profissional tinha acabado. Porém, não deixei de treinar com a esperança de encontrar uma equipa que confiasse em mim", afirmou, num texto publicado nas redes sociais.

"Confiança" é a palavra-chave nesta nova fase de Lobato, que bem precisa de a reconquistar. O espanhol foi encontrado no estágio da equipa, em Dezembro, a dormir sem que os responsáveis o conseguissem acordar. Antes já os dois jovens holandeses tinham levantando suspeitas por comportamentos estranhos. Os três chegaram a ser transportados para o hospital, com Lobato e Eenkhoorn a passarem a noite sob observação.

Seria o segundo ano de Lobato na Lotto-Jumbo, depois de três na Movistar. O espanhol foi à procura de mais liberdade para obter os seus resultados, mas não confirmou as expectativas, somando apenas uma vitória, na primeira etapa do Tour de l'Ain. Na Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Lobato certamente que terá a sua liberdade, mas na apresentação foi destacado como será um membro importante para ajudar os líderes.

"Conheço as razões que levaram a Lotto-Jumbo e o Juan a chegarem a acordo e depois de ter recebido garantias da equipa do comportamento do atleta durante 2017 que, apesar de uma fase complicada da sua carreira, mostrou ser profissional durante a época, decidimos dar-lhe uma segunda hipótese", referiu Franceso Pelosi, director geral da Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini. O responsável explicou que no ano passado Lobato separou-se da mulher pouco depois do nascimento do filho e que sofreu a perda de um "familiar e mentor no ciclismo", que morreu aos 43 anos.

"O Juan José percebeu completamente como trabalhar nas equipas que colocam as regras como base do projecto. Por essa razão, estou convencido que ele já pagou pela distracção que cometeu e que nunca irá repetir os mesmos erros. Agora só precisa desta nova oportunidade e desta nova camisola para voltar a brilhar e continuar a sua bela e promissora carreira", disse Pelosi.

A Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini é uma parceria entre empresas italianas e japonesas, que pelo segundo ano consecutivo ficou de fora dos convites para a Volta a Itália. No entanto, estará presente na Strade Bianche, Tirreno-Adriatico e no primeiro monumento do ano, Milano-Sanremo. Damiano Cunego é a grande figura da equipa  do escalão Profissional Continental e que tinha previsto retirar-se após o Giro, mas o plano terá de ser alterado depois de saber que não estará presente por falta de um wildcard.