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29 de outubro de 2019

Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes

Nocentini deixa o ciclismo depois de quatro temporadas no Sporting-Tavira
Setembro e Outubro foram meses de despedida para muitos ciclistas. Alguns até disseram adeus à competição antes. A maioria teve carreiras longas e nomes como Laurens ten Dam, Mark Renshaw, Markel Irizar, Matti Breschel, Maxime Monfort e Ruben Plaza, por exemplo, foram elementos importantes nas equipas que representaram. Uns com mais destaque do que outros, mas o pelotão vai perder muitos dos corredores mais experientes.

Mark Renshaw (37 anos, Dimension Data) é o exemplo de quem não conseguiu ser figura de primeira linha no sprint, mas teve uma enorme responsabilidade em muitas das vitórias alcançadas por Mark Cavendish, que vai para a Bahrain-Merida sem um companheiro que marcou a sua carreira. Nos últimos anos, Laurens ten Dam (38, CCC) tornou-se mais num gregário - muito apreciado por Tom Dumoulin, que não ficou nada satisfeito por o ver sair da Sunweb para a CCC esta época -, mas este holandês foi top dez no Tour e Vuelta e noutras provas importantes por etapas. Bom trepador, esperou-se sempre muito do ciclista, que não confirmou todas as expectativas dos tempos da Rabobank, mas foi um corredor de qualidade.

Markel Irizar é mais um exemplo de longevidade. Aos 39 anos, a Trek-Segafredo continuava a contar com a sua muita experiência. Foi um ciclista que se mostrou nos tempos da Euskaltel-Euskadi e que depois mudou-se para a estrutura americana. Não foi um líder como ainda se poderia ter pensado em tempos, mas a sua regularidade e lealdade para quem tinha de trabalhar, tornaram-no num daqueles corredores que qualquer equipa gosta de contar. Matti Breschel é outro exemplo desse tipo de profissionalismo. O dinamarquês da EF Education First despede-se aos 35 anos devido a doença.

Maxime Monfort (36, Lotto Soudal) foi um belga que tanto poderia funcionar como líder - foi top dez na Vuelta em 2011 -, como um excelente ciclista na ajuda a um companheiro. Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy) será um espanhol que se pensará que poderia ter alcançado mais. Ainda assim, despede-se com duas vitórias de etapa na Vuelta (foi top dez em 2006), uma no Tour e também deixou a sua marca por cá, ao vencer duas tiradas na Volta a Portugal, uma ao serviço do Benfica e outra na Liberty Seguros.

Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates) foi um sprinter de algumas vitórias, mas nos últimos anos da carreira revelou ser um precioso lançador. Ganhou uma etapa no Giro em 2012, na então Androni Giocattoli-Venezuela, que muito o ajudou a dar o salto para o World Tour, para a Lampre-Merida.

Simon Spilak é uma das despedidas que surpreende, pois tem apenas 33 anos. O esloveno passou grande parte da carreira na Katusha, depois de quatro anos na Lampre. Apesar de alguma expectativa criada para as grandes voltas, há muito que se tinha percebido que a sua especialidade eram as corridas de cinco dias ou de uma semana. A conquista da Volta à Romandia em 2010 e da Volta à Suíça em 2015 e 2017, são prova disso mesmo. Fez ainda pódio no Paris-Nice, entre outros bons resultados.

O canadiano Svein Tuft é o mais velho a dizer adeus ao ciclismo. Tem 42 anos e esta época ainda correu pela Rally UHC Cycling. De referir ainda Lars Bak. O dinamarquês foi um grande esperança do seu país, principalmente depois de vencer o Tour de l'Avenir em 2005. A maior parte da carreira foi passada na Lotto Soudal, equipa que nunca aposta muito nas gerais, mas Bak foi mais um daqueles corredores que aquela formação sabia que podia sempre confiar para estar na luta por vitórias e boas performances. Tem 39 anos e a sua última temporada foi na Dimension Data.

Marcel Kittel (31) despediu-se em Maio, naquela que foi sem dúvida a grande surpresa. Jarlinson Pantano (30) foi suspenso por suspeita de doping e optou por terminar a carreira, enquanto Taylor Phinney (29) decidiu colocar um ponto final, depois de anos a tentar recuperar de uma queda que acabou por não deixar que o americano atingisse todo o seu potencial. Também devido a uma queda, 
Daan Olivier deixou o ciclismo em Maio, com apenas 26 anos. Com 25 despede-se um dos principais talentos a surgir em Portugal recentemente. Nuno Bico admitiu um problema numa perna que o estava a limitar e, depois de uma temporada na Burgos-BH (esteve duas na Movistar), decidiu terminar a carreira após a participação na Volta a Espanha.

Brice Feillu (34) e Zak Dempster (32) têm em comum terem feito a Volta a Portugal no derradeiro ano como profissionais. O australiano vai manter-se na estrutura da Israel Cycling Academy, num cargo técnico.

Aos 31 anos, Bjorn Thurau despediu-se depois de uma temporada na Vito-Feirense-PNB, enquanto Rinaldo Nocentini, que já não fez a Volta a Portugal, resolveu deixar a modalidade aos 42 anos, os últimos quatro ao serviço do Sporting-Tavira.

Aqui fica a lista dos ciclistas do World Tour que não voltarão à estrada em 2020, assim como alguns dos principais dos restantes escalões.

Adam Blythe (30, Lotto Soudal)*
Benoît Vaugrenard (37 anos, Groupama-FDJ)
Bjorn Thurau (31, Vito-Feirense-PNB)
Brice Feillu (34, Arkéa-Samsic) 
Daan Olivier (26, Jumbo-Visma) - retirou-se a 2 de Maio devido a lesão
Jacques Janse van Rensburg (32, Dimension Data)
Jarlinson Pantano (30, Trek-Segafredo) - retirou-se a 11 de Junho quando estava suspenso provisoriamente por suspeita de doping
Lars Bak (39, Dimension Data)
Laurens ten Dam (38, CCC)
Manuele Mori (39, UAE Team Emirates)
Marcel Kittel (31, anunciou a sua retirada a 23 de Agosto)
Mark Renshaw (37, Dimension Data)
Markel Irizar (39, Trek-Segafredo)
Mathew Hayman (41, Mitchelton-Scott) - retirou-se a 20 de Janeiro, após o Tour Down Under
Matti Breschel (35, EF Education First)
Maxime Monfort (36, Lotto Soudal)
Moreno Moser (28, Nippo Vini Fantini Faizanè) - retirou-se a 10 de Maio
Nuno Bico (25, Burgos-BH)
Rinaldo Nocentini (42, Sporting-Tavira)
Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates)
Roy Curvers (39, Sunweb)
Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy)
Samuel Dumoulin (39, AG2R)
Simon Spilak (33, Katusha-Alpecin)
Steve Morabito (36, Groupama-FDJ)
Svein Tuft (42, Rally UHC Cycling)
Taylor Phinney (29, EF Education First)
Zak Dempster (32, Israel Cycling Academy)

*Adam Blythe anunciou o final da carreira no dia 31 de Outubro, pelo que se acrescentou à lista após a publicação desta.




2 de outubro de 2019

Nuno Bico termina carreira aos 25 anos

Um dos mais prometedores ciclistas portugueses a chegar ao mais alto nível do ciclismo vai terminar a carreira aos 25 anos. Nuno Bico confirmou que não consegue recuperar de um problema físico e foi aconselhado pelo médico a deixar a alta competição. Uma lesão na artéria ilíaca obrigou o campeão nacional de sub-23 em 2015 a colocar um ponto final no ciclismo, mas despede-se sem arrependimentos: "Se eu pudesse voltar atrás, viveria tudo outra vez."

Nuno Bico é mais um corredor a revelar que sofre desta lesão e apesar de ter sido operado, não conseguiu atingir ultrapassar as limitações que provoca. Este ano, Fabio Aru (UAE Team Emirates) afastou-se da competição durante uma semanas precisamente para ser operado a esta artéria, tendo já regressado às corridas, mas persiste a dúvida se irá conseguir recuperar a forma física de outrora. Sam Oomen (Sunweb) também está a recuperar do mesmo problema e não compete desde que abandonou a Volta a Itália, no final de Maio. Só tem um regresso previsto em 2020. Joe Dombrowski (EF Education First) e a campeã do mundo Annemiek van Vleuten (Mitchelton-Scott) também com esta lesão, mas conseguiram voltar a competir ao mais alto nível.

O problema na artéria ilíaca prejudica a circulação do sangue numa ou nas duas pernas, o que retira força no momento de pedalar, provocando ainda dores e também cansaço prematuro. Eugenio Alafaci anunciou igualmente que vai terminar a carreira aos 29 anos por esta razão. O italiano fez quase toda a sua carreira na estrutura da Trek e representou esta época a irlandesa da EvoPro Racing. Porém, competiu pouco e abandonou a maioria das corridas.

Nuno Bico explicou o que tem vivido nos últimos anos: "Apesar de ter sido operado em 2017 para corrigir a situação, tornou-se muito difícil lidar novamente com a dor durante a Volta a Espanha. Consultei os médicos mal regressei a casa e, por conselho médico, devo abandonar o desporto de alta competição", escreveu Nuno Bico no Instagram. O ciclista admitiu que têm sido uns dias difíceis, mas afirmou que sabe a sorte que teve por ter podido "pedalar por todo o mundo e conhecer tantas pessoas incríveis".

Bico foi uma aposta ainda muito jovem na Rádio Popular de José Santos, antes de mudar-se para a Klein Constantia em 2016, equipa que servia de formação para a actual Deceuninck-QuickStep, que foi entretanto extinta. As boas exibições abriram as portas do World Tour e depois de mostrar todo o seu potencial na prova de sub-23 dos Mundiais do Qatar, ao participar numa fuga, na qual muito trabalhou até ser anulada, Nuno Bico esperou quase até ao final do ano para anunciar que a Movistar o tinha contratado.

Mas não foram duas temporadas fáceis na equipa espanhola. Bico não se conseguiu afirmar e acabaria por baixar de escalão em 2019, esperando reencontrar na Burgos-BH a confiança e alegria de competir. Conseguiu a desejada chamada à Volta a Espanha que, infelizmente, acabou por ser a sua primeira grande volta, mas também a sua última corrida: "Foi um enorme prazer viver o sonho de fazer o que se ama como emprego."


21 de agosto de 2019

Os portugueses na Vuelta

A Vuelta irá contar com o maior contingente português nas grandes voltas em 2019. Serão cinco divididos por quatro equipas. No Giro, Portugal contou apenas com Amaro Antunes (CCC). No Tour, Rui Costa (UAE Team Emirates) e Nelson Oliveira (Movistar) foram os representantes nacionais. Na Vuelta só o corredor de Anadia repete a presença e é de longe o mais experiente. Para três dos ciclistas é uma estreia não só na Volta a Espanha - que começa este sábado - , mas mesmo numa corrida de três semanas.

© Caja Rural
Domingos Gonçalves (Caja Rural)
30 anos. Estreia na Vuelta
Nesta sua segunda passagem pela equipa espanhola, Domingos Gonçalves alcançou um dos seus objectivos para a temporada. Foi chamado para a Volta a Espanha e vai finalmente mostrar-se num dos maiores palcos do ciclismo mundial. Contudo, não tem sido uma temporada fácil para o gémeo de Barcelos. A grave queda na Volta à Catalunha afastou-o das corridas durante mais de dois meses e apesar de procurar sempre que pode uma vitória, 2019 está a ser bem diferente de 2018. Na Rádio Popular-Boavista venceu por seis ocasiões, incluindo os dois títulos nacionais e uma etapa na Volta a Portugal. Na Caja Rural a realidade é outra, mas foi o primeiro a dizer que tinha de alcançar bons resultados se não queria que acontecesse o mesmo que no final de 2016, quando a equipa não renovou contrato. Vai à caça de etapas, que o irmão, José, já chegou a estar perto de conquistar. Em forma, Domingos é um ciclista muito forte, que entra nas fugas a pensar que tudo é possível. Se esta for a atitude, é corredor para não passar despercebido. Abandonou na Volta a Portugal devido a indisposição, mas recebeu o voto de confiança de uma equipa que celebra os dez anos como estrutura profissional.

© Movistar
Nelson Oliveira (Movistar)
30 anos. Quinta presença Vuelta
É um dos homens de confiança da equipa, que durante o Tour renovou contrato por mais dois anos com o ciclista. Gregário por excelência, a vida de Nelson Oliveira não tem sido fácil com as constantes divisões entre mais do que um líder. E esta Vuelta promete não ser muito diferente da Volta a França. Nairo Quintana repete a presença, com a rivalidade interna a ser desta feita com o vencedor do Giro, Richard Carapaz. Há ainda Alejandro Valverde e Marc Soler... Porém, apesar desta instabilidade na Movistar, o ciclista português tem sempre se destacado pelo bom trabalho que realiza e não se espera outra coisa em Espanha. Será ainda mais essencial logo na primeira etapa, no contra-relógio colectivo e a ver vamos se lhe é dada liberdade na 10ª tirada para "ir a fundo" no contra-relógio individual.

© Burgos-BH
Nuno Bico (Burgos-BH)
25 anos. Estreia na Vuelta
A passagem pela Movistar não correu como esperava e Nuno Bico procurou uma equipa onde pudesse reencontrar a estabilidade emocional, sem a pressão de estar no World Tour. A alegria de competir ressurgiu na Burgos-BH. A época começou de forma tremida, também devido a doença, mas o português acabou por ser bastante regular e importante no apoio aos companheiros. Parte do seu papel nesta sua primeira Vuelta poderá passar precisamente por essa ajuda aos colegas, mas a Burgos-BH precisa urgentemente de resultados, pelo que não será de afastar a possibilidade de tentar entrar em fugas.



© Burgos-BH
Ricardo Vilela (Burgos-BH)
31 anos. Terceira presença na Vuelta
Ciclista muito experiente e de quem a Burgos-BH espera que apareça nas etapas de montanha. Esteve na Vuelta em 2015, com a Caja Rural e em 2017, com a Manzana Postobón. Vilela tem sido discreto esta época, mas, ainda assim, bastante regular. Nos Nacionais, em Melgaço, mostrou que estava a melhorar a sua forma, pelo que a Vuelta seria o seu principal objectivo. O início de temporada da Burgos-BH foi muito complicada, com uma suspensão devido aos casos de doping. A equipa sofreu mudanças profundas e precisa de estar bem nesta Volta a Espanha, pois a partir de 2020 poderá ter dificuldades em receber o convite para a corrida devido à mudança nos regulamentos de atribuição de wild cards. Se tal acontecer, será um rude golpe para uma estrutura que subiu no ano passado a Profissional Continental, precisamente a pensar em estar na Vuelta. Vilela será dos ciclistas com mais responsabilidade, mas é também dos que melhor sabe lidar com ela.

© Katusha-Alpecin
Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin)
25 anos. Estreia na Vuelta
Finalmente uma grande volta para Ruben Guerreiro. Há um ano parecia estar a caminho dessa estreia, até que uma queda num treino acabou com a possibilidade. Agora na Katusha-Alpecin, esta estreia acontece numa altura muito complicada para a equipa, ainda sem futuro garantido para 2020. Doença, problemas físicos, a chegada ao World Tour deste ciclista tem sido marcada por muitos problemas que têm prejudicado a sua evolução, mas a troca de formação - estava na Trek-Segafredo - até parece ter resultado nesse aspecto. Tem tendência a começar bem as temporadas e acabar também forte. A equipa e o seu director José Azevedo bem precisam que Ruben mostre o potencial que há muito lhe é reconhecido. A Katusha-Alpecin vai sem aspirações à geral, pelo que a ordem é lutar por etapas.


20 de maio de 2019

"Na Movistar eu não estava contente comigo mesmo"

Nuno Bico quer reencontrar-se. Deu o salto de sub-23 para a Movistar, mas, dois anos depois, desceu de escalão para uma Burgos-BH que está a ajudá-lo a recuperar a confiança e a alegria de competir. Diz que não consegue encontrar explicações para o que aconteceu, principalmente em 2018. Contudo, considera que foi mais uma lição, algo que tem de saber como lidar para tentar regressar novamente ao mais alto nível, que continua a ser a sua ambição. E Nuno Bico não hesita em admitir o quanto está feliz na Burgos-BH, sonhando com uma presença na Volta a Espanha e apontando também aos Nacionais.

Conquistou o título em sub-23, em 2015, e esteve depois na Klein Constantia, equipa de desenvolvimento da Deceuninck-QuickStep, entretanto extinta. Quando parecia que todas as portas se estavam a fechar, já bem no final de 2016 surgiu a confirmação que Nuno Bico era reforço da Movistar. Um salto para o World Tour e logo para uma das equipas mais fortes e históricas do pelotão. "Eu estava adaptado ao grupo e apto a fazer qualquer tarefa que me pedissem. Correu bem a experiência, mas na Movistar eu não estava contente comigo mesmo", admitiu ao Volta ao Ciclismo.

Não é fácil encontrar explicações para o que falhou, mas Nuno Bico fala de uma segunda temporada na equipa complicada: "Senti alguma falta de motivação no ano passado. Foi da minha cabeça... Alguma perda de vontade de treinar, falta de resultados, achava que uma mudança de ares resolveria o assunto." E acrescentou: "A cabeça é um sistema muito complexo... Ainda hoje gostaria de encontrar uma justificação fácil e rápida para isso, mas são etapas da vida. Coisas que acontecem."


"Depois de ter estado numa equipa que ganha as melhores corridas do mundo e de ver como funciona, acho que a forma correcta de funcionar é poder transmitir o que já aprendi"

Responsabilidade a mais? "Talvez, mas não sou contra isso porque é uma boa maneira de crescer rápido e bem. Mas sim, pode ter sido", respondeu. Certo é que a passagem pela Movistar ajudou e muito Nuno Bico a crescer como atleta, pois aos 24 anos acaba por ter uma missão mais importante na Burgos-BH. É uma equipa com muitos jovens e apesar do português também o ser, tem uma experiência que agora tem tentando transmitir, como por exemplo, na leitura de corrida. "Continuo a ser dos mais novos, mas depois de ter estado numa equipa que ganha as melhores corridas do mundo e de ver como funciona, acho que a forma correcta de funcionar é poder transmitir o que já aprendi", disse.

Durante a conversa, fica bem patente como Nuno Bico se sente bem na Burgos-BH e como está a recuperar as melhores sensações: "Está tudo a correr muito bem. Comecei bem, depois estive doente e tive de parar duas semanas e começar o novo. Custa sempre, mas agora está tudo bem encaminhado. E sim, está tudo bem com a cabeça!"

Apesar de poder ser visto que deu um passo atrás, Nuno Bico já só pensa como pode dar dois à frente. "Certamente que tem de ser esse o objectivo. Acho que no desporto e na vida em geral, a ambição tem de ser de sonhar mais alto", realçou. No entanto, um passo de cada vez. Agora está a recuperar forma e após a Volta à Comunidade de Madrid seguiu-se um estágio em altitude, em Andorra. A nível competitivo, olha para os Nacionais com vontade lutar por uma vitória, ou pelo menos um pódio, ainda que desconheça o percurso de Melgaço. "E claro, gostaria de fazer parte da Vuelta e quem sabe conseguir uma vitória noutra corrida. Isso seria perfeito!"

A Burgos-BH recebeu novamente um convite para a Volta a Espanha, neste seu segundo ano como Profissional Continental. Porém, não foi algo que estivesse garantido depois de um início de temporada marcado por uma auto-suspensão devido aos três casos de doping na equipa. Os responsáveis anteciparam-se à UCI, que acabaria por sancionar a Burgos-BH com 21 dias, falhando o arranque de temporada. Em alternativa, foi organizado uma espécie de retiro para os membros da estrutura. Além dos treinos, todos tiveram assistir a  seminários que Nuno Bico explicou que tiveram o sentido pedagógico em redor da ética, código moral e comportamentos.


"Houve uma mudança. É uma Burgos-BH quase completamente nova. Foi uma fase difícil, mas ultrapassámos e estamos num bom caminho"

"Não foi novo para mim ter ouvido aquilo", referiu, explicando como em equipas anteriores já tinha passado pelo mesmo. Contudo, salientou a importância desse retiro para que todos, principalmente os mais novos da Burgos-BH, pois assim tiveram desde cedo contacto com esse tipo de conceitos essenciais.

No entanto, ainda o ciclista de Viseu não tinha começado a treinar com a equipa quando os problemas começaram. Foi um pequeno susto, mas quando chegou à Burgos-BH a realidade era já outra. "Houve uma mudança. É uma Burgos-BH quase completamente nova. Foi uma fase difícil, mas ultrapassámos e estamos num bom caminho."

A Volta a Espanha chegou a estar em risco, mas o convite acabou por se confirmar, o que faz com que três portugueses possam lá estar, pois além de Bico, também José Neves e o muito experiente Ricardo Vilela têm essa possibilidade. Os três portugueses ainda só se cruzaram no estágio inicial.

Os primeiros meses da Burgos-BH após a suspensão não foram fáceis, mas a equipa está a recompor-se, segundo Nuno Bico. "Falta uma vitória", afirmou, numa altura em que os ciclistas da formação espanhola vão aparecendo na frente das corridas. Ainda este fim-de-semana Jesús Ezquerra esteve a 50 quilómetros de conquistar a Volta a Aragão, mas caiu e foi obrigado a abandonar, com uma clavícula partida.

Para Nuno Bico segue-se a Volta à Bélgica e o ZLM Tour antes dos Nacionais, no final de Junho. Para o futuro além de 2019, ficou a garantia que a motivação de chegar alto mantém-se intacta e que voltar a Portugal não está, nem esteve em equação quando as coisas não estavam a correr bem na Movistar. Nuno Bico quer continuar no estrangeiro. Um regresso, talvez numa fase mais tardia da carreira. "Ainda sou demasiado jovem. Há muitas corridas por descobrir. A ambição tem de ser alta, nunca ponderei isso!"


7 de novembro de 2018

Mais dois portugueses a caminho da Burgos-BH

A equipa espanhola continua a reforçar-se para 2019 e vai juntar mais dois portugueses ao plantel que já contará com Ricardo Vilela. Se este é um ciclista que dará à Burgos-BH uma experiência valiosa, a formação aposta agora em dois jovens talentos portugueses: Nuno Bico e José Neves.

Apesar de enfrentar uma possível suspensão por dois dos seus corredores terem sido sancionados por doping em 12 meses, a Burgos-BH continua muito activa nas contratações, depois de um primeiro ano como Profissional Continental com poucas histórias para contar. A equipa anunciou esta quarta-feira os reforços, com Nuno Bico a ser bem conhecido naquele país. O ciclista, de 24 anos, esteve nas últimas duas temporadas ao serviço da Movistar, mas esta passagem pelo World Tour ficou marcada por quedas que prejudicaram a sua afirmação. Sempre que Bico parecia estar a atingir um bom momento de forma, acabava por ter de parar para recuperar. A sua última corrida em 2018 foi no Grande Prémio do Quebeque, em Setembro, na qual fracturou a clavícula.

Descer ao escalão Profissional Continental poderá ter o seu benefício, pois Nuno Bico deverá encontrar mais liberdade para mostrar o seu potencial, não ficando tão preso ao papel de gregário. José Santos lançou Nuno Bico no profissionalismo no Boavista, com o salto para a Klein Constantia, em 2016, a ser muito importante, pois tratava-se da equipa satélite da Quick-Step Floors, entretanto extinta. O corredor foi companheiro de Maximilian Schachmann, Rémi Cavagna e Enric Mas, por exemplo, todos ciclistas que foram para a equipa principal, enquanto Bico assinou pela Movistar.

Foi campeão nacional de sub-23, algo que José Neves também alcançou, mas em contra-relógio (venceu por duas vezes). Esta é uma características que é salientada na apresentação deste jovem de 23 anos. Em Agosto foi chamado a estagiar na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, começando no Colorado, antes de marcar presença na Volta à Grã-Bretanha e em várias clássicas de final de temporada, com destaque para a Milano-Torino, na qual terminou na 51ª posição.

Esta oportunidade na equipa americana do World Tour chegou depois de uma época excelente na W52-FC Porto. Evoluiu na Liberty Seguros-Carglass, tendo ganho a Volta a Portugal do Futuro em 2017. Na sua estreia como profissional esta temporada não fez por menos. José Neves ganhou uma das corridas mais importantes em Portugal: o Troféu Joaquim Agostinho. Apesar da juventude, José Neves será uma aposta para as provas por etapas.

Além dos três portugueses, a Burgos-BH contratou o sprinter britânico Matthew Gibson (22 anos, ex-JLT Condor), o espanhol Manuel Peñalver (19, Trevigiani Phonix-Hemus 1896) e o compatriota Ángel Madrazo (30, Delko Marseille Provence KTM, com passagem pela Movistar entre 2009 e 2013). Nas renovações, destaque para dois ciclistas bem conhecidos do pelotão nacional: Diego Rubio (ex-Efapel) e Jesús Ezquerra, que vestiu a camisola do Sporting-Tavira e venceu uma etapa da Volta a Portugal em 2016.

José Mendes representou a equipa em 2018, marcando presença na Volta a Espanha. Porém, é possível que o ciclista regresse a Portugal, havendo o interesse da Efapel e do Sporting-Tavira.

Há dois dias, a UCI informou que perante a segunda suspensão por doping em 12 meses por parte de dois ciclistas da equipa, a Burgos-BH poderá ser afastada das competições entre 15 a 45 dias, dependendo da decisão da Comissão Disciplinar. A sanção poderá colocar em causa o arranque de temporada. Há ainda um terceiro corredor suspenso provisoriamente, a aguardar a conclusão do caso, depois de acusar positivo num teste uma hormona de crescimento. Pode ler mais no link em baixo.


14 de outubro de 2018

Quer fazer uma equipa de ciclismo? Há ciclistas bem interessantes ainda sem contrato para 2019

Só falta a Volta a Guangxi, na China, para fechar a temporada World Tour (realiza-se de terça-feira a domingo) e ainda há vários ciclistas que procuram definir o seu futuro para 2019. Algumas equipas já vão fechando os plantéis, outras irão fazê-lo em breve. Há ainda nomes interessantes que se desconhece se renovam ou se vão mudar de ares. Se juntarmos alguns, ficamos com uma equipa bem interessante.

Portanto, toca a reunir uns tostões e a criar uma equipa de ciclismo, contratando corredores que estão actualmente em formações do World Tour. Este seria um plantel mais a pensar em provas por etapas, tendo em conta os ciclistas que até ao momento em que se escreve este texto estão sem contrato confirmado para a próxima temporada. Aqui ficam as sugestões.

Que tal ter um campeão do mundo e ainda mais português para começar? Sim, Rui Costa continua no mercado.  A época já se adivinhava difícil com a UAE Team Emirates a contratar dois líderes, Daniel Martin e Fabio Aru. Porém, a lesão no joelho contraída no Paris-Nice limitou-o grande parte do ano, tendo reaparecido muito forte nos Mundiais de Innsbruck, ficando em 10º, depois de não ter participado em qualquer grande volta, algo inédito na sua carreira desde que chegou ao mais alto nível. Porém, aos 32 anos, é um ciclista que pode ser um caça-etapas nas grandes competições e, claro, colocá-lo em certas clássicas, como nas Ardenas, poderá ser uma boa aposta. Não é um líder para três semanas, mas Rui Costa ainda tem muito a mostrar no ciclismo, sem que tenha de ser novamente gregário.

Dos ciclistas ainda sem contrato, seria difícil ter um que se apontasse logo como líder para uma grande volta. Talvez fosse preciso esperar para ver em algumas corridas quem estaria nas melhores condições de assumir a luta pelo menos por um top 10. Mas pisca-se o olho a um colombiano.

Daniel Martínez é mais um de uma geração que ameaça ser talvez a melhor que o país teve. Tem 22 anos, está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, depois de dois anos na Wilier Triestina-Selle Italia. A época de estreia foi bastante positiva, marcada, contudo, por uma agressão de um condutor durante um treino, em Março. Martínez chegou a perder a consciência e a memória, mas felizmente recuperou e demonstrou que pode não ter tido a entrada fulgurante de Egan Bernal (Sky) no World Tour, mas tem muito valor.

Foi terceiro na Volta à Califórnia e sexto na Catalunha. Esteve na Volta a França, apresentando-se a bom nível nas etapas de montanha, para quem ia como gregário de Rigoberto Urán (que abandonou muito cedo). Ciclista muito interessante este Martínez.

Joe Dombrowski. Está difícil ao americano afirmar-se de vez. Apresenta-se bem sempre que corre em casa, mas tem ficado um pouco aquém quando está na principais corridas na Europa, aparecendo aqui e ali, sem a consistência que tem de apresentar a este nível. No entanto, tem 27 anos e ainda é cedo para deixar de acreditar nele. A sua contratação seria mais para trabalhar para a equipa, mas sempre espreitando um bom momento de forma para lutar por alguma vitória. É um bom trepador que está a precisar de um bom resultado para "explodir" finalmente. Está em final de contrato com a EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

John Darwin Atapuma. Parece que quando está perto de se afirmar de vez, volta a eclipsar-se. Tanto aparece em grande, como desaparece no pelotão, como acontece este ano na UAE Team Emirates. Faz 31 anos em Janeiro, pelo que algumas portas podem começar a fechar-se, mas é inevitável colocá-lo nesta lista. É um excelente trepador quando está em forma, já esteve perto de ganhar em grandes voltas, pelo que pode estar na luta por etapas.

Kenny Elissonde. Quando chegou à Sky no ano passado, o francês parecia estar bem encaminhado para ser um dos homens de confiança de Chris Froome, talvez mesmo o braço direito, já que Geraint Thomas estava a começar a tentar afirmar-se como líder. Não é esse braço direito, mas Elissonde é um ciclista de elevada confiança. Sabe-se bem o que esperar dele, é um ciclista de equipa e um dos últimos a abandonar os líderes. Aos 27 anos ainda tem muito para dar e é um ciclista que fica bem em qualquer formação que queira ter um conjunto forte para as provas por etapas.

Sebastián Henao. Está desde 2014 na Sky, mas o mais novo dos Henaos (o primo vai para a UAE Team Emirates) continua a alternar entre um bom resultado e vários pouco ou nada relevantes. Este ano nem para o Giro foi escolhido, como aconteceu nas temporadas anterior. Não conseguiu evoluir o que se esperava, mas não se pode dizer que, com apenas 25 anos, já não venha a afirmar-se. Em corridas de menor dimensão, Henao mostra-se. Porém, se está na Sky tem de fazer mais. Tem qualidade, sendo um ciclista para a alta montanha. "Só" precisa de estar bem física e mentalmente.

Natnael Berhane. Mais um ciclista de trabalho e uma aposta no ciclismo africano, que vai crescendo de interesse. O eritreu de 27 anos tem tido dificuldades em confirmar as expectativas que criou no início da sua carreira, quando alcançou algumas vitórias, a mais importante na Volta à Turquia, em 2013. É forte na montanha e também pode ser lançado em clássicas com algum sobe e desce. Está em final de contrato na Dimension Data.

Matej Mohoric. Aos 23 anos pode ser um caça-etapas muito bom - já tem uma na Vuelta e outra no Giro -, mas também já vai demonstrando que pode tornar-se num bom voltista, tendo ganho o Binck Bank Tour e a Volta à Alemanha esta temporada. Pertence a uma nação que cada vez mais vai apresentando bons valores no ciclismo: a Eslovénia. Tendo em conta os seus resultados e a regularidade que vai apresentando sempre que tem alguma liberdade para lutar pelos seus próprios resultados, até se esperaria que a Bahrain-Merida já o tivesse segurado. Para já ainda não, pelo que seria uma excelente contratação.

Filippo Ganna. Há que pensar no futuro e este italiano até pode ser de má memória para Portugal ("tirou" um título europeu e mundial de pista a Ivo Oliveira), mas na UAE Team Emirates não está fácil encontrar o espaço para evoluir e afirmar-se na estrada. Forte no contra-relógio, ainda tem que evoluir na montanha - tem 22 anos -, passando bem a média, podendo ainda ser hipótese para algumas clássicas. Este ano fez as do pavé, sem grandes resultados, contudo, seria interessante fê-lo nas Ardenas também.

Rémi Cavagna. Mais um jovem, 23 anos, francês e que este ano não se afirmou como se esperava. Não se pode pensar que iria fazer como Enric Mas, mas Cavagna acabou por ter um ano discreto, apesar de ter ganho a Dwars door West-Vlaanderen. É um ciclista ainda em formação, que não dando certezas, será interessante ver como evolui. O potencial está lá para as provas por etapas e também em clássicas, não fosse ele estar na Quick-Step Floors.

James Shaw. É um nome talvez menos conhecido, mas este jovem britânico, de 22 anos, é um dos que merece alguma atenção. Está na Lotto Soudal, uma equipa muito de clássicas, sprints e caça-etapas. Talvez por isso ainda procure o seu espaço. Apesar de ter ganho em júnior a Kuurne-Brussels-Kuurne e Omloop Het Nieuwsblad, é nas corridas por etapas que pode e rende mais. Um ciclista para o futuro.

Tao Geoghegan Hart. Talvez se possa dizer que se deixa o melhor para o fim, no que diz respeito a voltistas. 23 anos e tanto talento! Este britânico já foi elogiado pelo director da Sky, Dave Brailsford, pelo que será uma surpresa se não renovar. Foi brilhante no apoio a Egan Bernal na Volta à Califórnia, que o colombiano ganhou. Mas as boas exibições de  Geoghegan foram constantes durante toda a época, tendo oscilado um pouco na Vuelta. Foi a sua primeira grande volta, pelo que esteve em Espanha para ganhar experiência. Pode ser visto para já como um gregário, mas vai dando indicações que pode vir a ser mais num futuro próximo. É uma autêntica máquina a meter ritmo, faltando saber como será no dia em que lhe derem liberdade.

Salvatore Puccio. Outro homem da Sky que também pode ser chamado para as corridas por etapas, mas é igualmente forte nas clássicas. Tem 29 anos e entrou na equipa britânica como estagiário em 2011. A certa altura ainda pareceu que as corridas de um dia poderiam ser a aposta, mas o italiano revelou ser um ciclista completo. Bom para trabalhar, mas dêem liberdade e vai à procura de resultados e tem alguns de destaque. Falta-lhe a vitória, mas é um corredor de confiança e regular, principalmente no trabalho para a equipa.

Ben Swift. Depois de um ano na Katusha, esteve sete na Sky. Quis mais liberdade e foi para a UAE Team Emirates. A mudança não resultou. Swift é uma sombra do ciclista que foi duas vezes pódio na Milano-Sanremo, somando 13 vitórias na carreira, incluindo no Tour Down Under, Volta à Califórnia e Volta à Polónia. Está de saída da equipa e precisa de um novo impulso na carreira. Tem 30 anos, experiência não lhe falta e pode dar vitórias caso consiga ter uma temporada mais consistente, sem problemas físicos e de saúde. Ciclista para os sprints, mas que defende-se bem em alguma montanha. Até já surpreendeu ao aparecer na frente no Alpe d'Huez, no Critérium du Dauphiné em 2017. Foi segundo, numa subida com uma parte diferente da mítica ascensão.

José Joaquín Rojas. 33 anos e ainda tanto para dar. O espanhol da Movistar é útil nas grandes voltas, nas clássicas e ainda vai ao sprint, se tiver a oportunidade. É um daqueles ciclistas que pode fazer um pouco de tudo e a sua experiência é uma mais valia para qualquer equipa. Será algo estranho se não renovar pela formação espanhola que representou praticamente toda a carreira. Mas se não ficar, não terá problemas em encaixar noutra estrutura.

Luka Mezgec. Seja a lançar os sprints ou a tentar terminá-los, este esloveno de 30 anos é mais um daqueles ciclistas que uma equipa sabe que pode contar sempre com ele para realizar bem o seu trabalho. Com a Mitchelton-Scott a mudar cada vez mais a sua génese para uma equipa para ganhar grandes voltas, Mezgec poderá perder algum espaço, mas continua a ser um ciclista de valor, numa segunda fila de uma equipa.

Matteo Pelucchi. Está um pouco no mesmo plano que Mezgec. Bom sprinter, mas não consegue debater-se constantemente com os grandes nomes da modalidade. Na Bora-Hansgrohe acaba por estar mais entregue à função de ajudar Sam Bennett ou Peter Sagan. Faz 30 anos em Janeiro e é um ciclista regular e de confiança no seu tipo de terreno.

Tony Martin. Nesta lista já se incluíram ciclistas com qualidade, mas que não são garantia de sucesso, casos de Dombrowski, Atapuma ou Cavagna. No entanto, é difícil não considerar Martin como o maior dos riscos. É um dos melhores exemplos de quem saiu da Quick-Step Floors e eclipsou-se quase por completo. Nem no contra-relógio consegue o número de vitórias que alcançou no passado. É um ciclista muito caro, mas a falta de resultados e com 33 anos, vai perdendo algum crédito. Mas é Martin, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio, vencedor de cinco etapas no Tour e de duas Voltas ao Algarve. Estará a caminho da Lotto-Jumbo, mas o rumor há muito que perdura, sem que haja confirmação. Se conseguir recuperar parte da sua melhor versão, então Martin será novamente uma boa aposta, mas em dois anos na Katusha-Alpecin, pouco ou nada se viu do grande Tony Martin.

Estas são as escolhas de ciclistas que estão no World Tour, como já foi escrito, e fecha-se com mais dois portugueses: Tiago Machado e Nuno Bico. O primeiro até poderá estar de regresso a Portugal e será muito bem-vindo ter um ciclista como Machado por cá a tempo inteiro. Porém, aos 32 anos e recordando, por exemplo, a recente Vuelta, é um corredor que ainda pode ter lugar num escalão superior às Continentais portuguesas, estando em final de contrato com a Katusha-Alpecin. É um incansável trabalhador e ainda mais incansável como lutador. Fala-se da W52-FC Porto, que quer subir a Profissional Continental, mas não é de afastar um regresso à Rádio Popular-Boavista.

Nuno Bico não tem tido vida fácil na Movistar. Perseguido por algum azar, a sua evolução tem sido interrompida por problemas físicos, com algumas quedas aparatosas pelo caminho. Está neste momento a recuperar de uma clavícula partida na Clássica do Quebéque. A alta competição pode ser ingrata para aqueles que, por vezes, demoram um pouco mais a afirmar-se, mas Bico é um ciclista que, aos 24 anos, ainda está por mostrar todo o seu potencial.

Em suma, o plantel seria composto por: Rui Costa, Daniel Martínez, Joe Dombrowski, John Darwin Atapuma, Kenny Elissonde, Sebastián Henao, Natnael Berhane, Matej Mohoric, Rémi Cavagna, James Shaw, Tao Geoghegan Hart, Salvatore Puccio, Ben Swift, José Joaquín Rojas, Luka Mezgec, Matteo Pelucchi, Tony Martin, Tiago Machado e Nuno Bico.

7 de abril de 2018

Bem-vindos ao Inferno do Norte. Sagan lidera a lista de perseguição à Quick-Step Floors

Sagan é um dos fortes candidatos, mas a concorrência é enorme
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe-VeloImages)
Finalmente abrem-se as portas do Inferno do Norte! Uma vez por ano os ciclistas são transformados em guerreiros. Sofrem como não se sofre em mais nenhuma corrida. Arriscam muitas vezes uma época. O Paris-Roubaix é único, é emocionante. E se para quem o faz são 257 quilómetros de um esforço sem comparação, para quem assiste são cerca de seis horas do melhor que há para ver no ciclismo. Manter uma táctica é quase missão impossível, pelo que se há uma prova onde o instinto faz toda a diferença, é no Paris-Roubaix. E claro, quando se fala de sorte, então é raro não ouvir um corredor dizer o quanto precisa dela para ganhar ou até só para terminar O sofrimento é grande, a glória, essa coloca qualquer um dos vencedores num pedestal histórico apenas ao alcance de alguns eleitos.

Aqui construíram-se e constroem-se lendas. Os belgas Roger De Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas de vitórias e são dois exemplos de expoente máximo. Mas também aqui se alcançaram marcos únicos em carreiras que, de outra forma, se perderiam nas extensas estatísticas. Que o diga Mathew Hayman, que em 2016 deixou todos de boca aberta ao tirar o quinto triunfo a Boonen. Para os ciclistas que ano após ano fazem da temporada do pavé um dos objectivos da temporada, ganhar em Roubaix alimenta os sonhos do mais novo ao mais veterano (e voltamos a Hayman, que tinha 37 anos quando venceu).

Todos os cinco monumentos são importantes, mas há algo de épico que distingue a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix. É entre estes que tanto se pergunta, qual é o preferido de cada um. As preferências ficam de parte quando se dá a partida. E este domingo é dia de se enfrentar pela 116ª vez aquela que é apelidada como a corrida do Inferno do Norte.

Dos 257 quilómetros, 54,5 serão de pavé. Parece que ainda não é desta que a chuva regressa, como se chegou a prever, e que simplesmente transforma o Paris-Roubaix em algo ainda mais incomparável. Porém, o mau tempo não larga a Europa e apesar do sol dos últimos dias ter ajudado a secar os sectores, muitos deles não estarão completamente marcados pelo pó, havendo ainda alguma lama para dificultar mais a passagem dos ciclistas. Todos os anos surgem imagens nos dias que antecedem a corrida do estado de alguns sectores e 2018 não foi excepção. A lama que cobria por completo alguns, já foi retirada.

Mais uma vez, o Eurosport permitirá seguir todas as pedaladas do Paris-Roubaix, com a transmissão a começar às 10:00. Há um ano foi "prego a fundo" desde o início, sendo impossível formarem-se fugas. Greg van Avermaet não só ganhou o seu primeiro monumento, como ficou com a marca daquele que demorou menos tempo a conclui-lo: 5:41:07 horas.

Tal como aconteceu há uma semana na Volta a Flandres, este é um ano atípico quanto a candidatos. Ninguém se destaca particularmente. Os nomes não variam, a questão é que é o colectivo da Qucik-Step Floors que é novamente o alvo a abater, com Philippe Gilbert a poder eventualmente receber alguma protecção (se tal for possível no caos que esta prova tem tendência a tornar-se). O Paris-Roubaix é um dos dois monumentos que lhe faltam. O outro é a Milano-Sanremo.


O mítico troféu (Fotografia: © Twitter Paris-Roubaix)
Apesar de ser um dos especialistas em clássicas, Roubaix nunca atraiu o belga. Pode parecer incrível, mas só o fez por uma fez, em 2007, tendo terminado na 52ª posição. Porém, surge 11 anos depois mais determinado que nunca a conquistar o Inferno do Norte. Niki Terpstra - que há uma semana ganhou na Flandres e foi primeiro em Roubaix em 2014 - e Yves Lampaert são cartas a jogar, com Zdenek Stybar desejoso de conseguir uma grande vitória que lhe vai escapando ano após anos. Em cinco participações alcançou dois segundos lugares, um quinto, um sexto e o pior foi um 110º em 2016.

E depois, os nomes do costume com o tricampeão do mundo à cabeça Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - será desta? -, Greg van Avermaet (BMC) - está uma sombra de si mesmo comparando com 2017 -, Sep Vanmarcke (EF Education-First-Drapac p/b Cannondale) - o crónico azarado -, Oliver Naesen (AG2R) - depois de uma grande temporada de clássicas em 2017, o belga não está a confirmar as expectativas - e Arnaud Démare (FDJ), que tenta ser o primeiro francês a vencer em Roubaix desde Frédéric Guesdon, em 1997, que era ciclista da FDJ.

Wout van Aert é aquele que é meio outsider, meio candidato pela fantástica temporada que está a fazer e será a última oportunidade para se mostrar ao mais alto nível, antes de "desaparecer" no calendário, da Europa Central, visto estar na Vérandas Willems-Crelan. Atenção a Edward Theuns (Sunweb). É um daqueles ciclistas que se está sempre à espera que um dia se chegue bem à frente. E porque não em Roubaix...

Jasper Stuyven tem estado em destaque pela Trek-Segafredo pela sua consistência, mas Mads Pedersen roubou as atenções com o segundo lugar na Volta a Flandres. John Degenkolb tem o dorsal um da equipa mais por respeito - e porque venceu em 2015 - do que por crença que faça algo. Está na altura do alemão se mostrar não vá a paciência começar a esgotar-se.

Alexander Kristoff (UAE Team Emirates), Dylan van Baarle (Sky), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), com uma das grandes curiosidades a ser o que poderá fazer Dylan Groenewegen, da Lotto-Jumbo. Na outra Lotto, a Soudal, Tiesj Benoot está a preparar as semana das Ardenas, pelo que Jens Debusschere e Jens Keukeleire deverão ser as apostas. Tony Martin aparece a liderar a Katusha-Alpecin, mas pelo que fez nas últimas duas edições (76º em ambas) e pelo que não tem feito na equipa suíça, é difícil olhar para o alemão como sequer um outsider.

Lançaram-se aqui uns nomes, mas uma das belezas destas corridas é que há tendência a aparecerem surpresas, como foi o caso de Pedersen na Flandres. Não esquecer que haverá dois portugueses: Nelson Oliveira e Nuno Bico, da Movistar. Nas duas últimas edições, Oliveira caiu e sofreu lesões que perturbaram as suas temporadas. No ano passado custou-lhe mesmo uma presença na Volta a França. E como curiosidade, Geraint Thomas (Sky) será o voltista presente, ele que admitiu que sente que é um regresso às suas origens, mas o objectivos são preparar o Tour, que tem no seu percurso alguns dos sectores de Roubaix.

O Percurso

Só aos 93,5 quilómetros surge o primeiro dos 29 sectores de pavé, mantendo-se o de Troisvilles para abrir as hostilidades. De recordar que estão classificados por estrelas, sendo os que têm uma os mais fáceis e os de cinco os mais difíceis. Estes serão três. Começa na Floresta de Arenberg, mas a confirmar-se o tempo seco, não deverá fazer muitas diferenças já que é ao quilómetro 162. Porém, servirá para deixar para trás alguns dos que vêm com poucas ou nenhumas intenções, ou então que não esteja em boas condições físicas.

No Mons-en-Pévèle (208,5 quilómetros) já não há margem para erros, muito menos no Carrefour de l'Arbre, quando estarão a faltar 17 quilómetros para o final. E mais uma razão porque está corrida é tão bela, é que um o sector de uma ou duas estrelas pode ser tão decisivo como um de quatro ou cinco. Há um ano Peter Sagan perdeu a possibilidade de disputar Roubaix, quando no duplo sector de Templeuve furou e viu a concorrência, nomeadamente Avermaet, ir irremediavelmente embora.

Sim, esta é daquelas corridas que não se desperdiçam as horas frente à televisão, para quem não tem a sorte de poder estar no local. Para trás ficam as guerras de palavras - este ano marcadas pela disputa Sagan/Boonen - e as intensas preparações para um dos grandes momentos do ano. Este domingo em Noyon, quando o pelotão estiver preparado para partir, nada do que se passou nas últimas semanas interessa, pois podem ser os 257 quilómetros da vida de um ciclista.

Antes de se terminar com a lista dos 29 sectores de pavé, algumas curiosidades: Albert Champion foi o mais novo a ganhar, tinha 20 anos em 1899; o mais velho foi o também francês Gilbert Duclos-lassalle, aos 38 anos (1993); o primeiro vencedor foi o alemão Josef Fischer (1896); a Bélgica é a nação mais vitoriosa (57), seguida pela França (30) e Itália (11); nos 54,5 quilómetros de pavé existem seis milhões de pedras; aquela que é entregue como troféu pesa uns meros 15 quilos! Mais uma: os últimos quatro vencedores estarão presentes, ou seja, Avermaet, Hayman, Degenkolb e Terpstra. De 2013 para trás, já todos se retiraram.

Sectores de pavé:

29-Troisvilles (km 93,5 - 2,2 km) ***
28-Briastre (km 100 - 3 km) ***
27-Saint-Python (km 109 - 1,5 km) ***
26-Quiévy (km 111.5 - 3,7 km) ****
25-Saint-Vaast (km 119 - 1,5 km) ***
24-Verchain-Maugré (km 130 - 1,2 km) **
23-Quérénaing (km 134.5 - 1,6 km) ***
22-Maing (km 137,5 - 2,5 km) ***
21-Monchaux-sur-Ecaillon (km 140,5 - 1,6 km) ***
20-Haveluy (km 153.5 - 2.5 km) ****
19-Trouée d'Arenberg (km 162 - 2,4 km) *****
18-Hélesmes (km 168 - 1,6 km) ***
17-Wandignies (km 174.5 - 3,7 km) ****
16-Brillon (km 182 - 2,4 km) ***
15-Sars-et-Rosières (km 185.5 - 2,4 km) ****
14-Beuvry-la-forêt (km 189 - 1,4 km) ***
13-Orchies (km 197 - 1,7 km) ***
12-Bersée (km 203 - 2,7 km) ****
11-Mons-en-Pévèle (km 208,5 - 3 km) *****
10-Avelin (km 214.5 - 0,7 km) **
9-Ennevelin (km 218 - 1.4 km) ***
8-Templeuve - L'Epinette (km 223,5 - 0,2 km) * e Templeuve - Moulin-de-Vertain (km 224 - 0,5 km) **
7-Cysoing (km 230,5 - 1,3 km) ***
6-Bourghelles (km 233 - 1,1 km) ***
5-Camphin-en-Pévèle (km 237,5 - 1,8 km) ****
4-Carrefour de l'Arbre (km 240 - 2,1 km) *****
3-Gruson (km 242,5 - 1,1 km) **
2-Hem (km 249 - 1,4 km) ***

31 de março de 2018

Na Volta a Flandres não serão todos contra Sagan. O principal alvo será outro

Philippe Gilbert venceu a Volta a Flandres em 2017. Este ano é novamente
candidato, tal como quase todos os seus companheiros de equipa
Por uma vez não se pode dizer que será todos contra Peter Sagan. Pode estar inevitavelmente no topo da lista da favoritos na Volta a Flandres, contudo, esta época de clássicas tem sido marcada pela falta de um ciclista dominador, como foi Greg van Avermaet em 2017, por exemplo. No entanto, uma equipa que está a ser simplesmente irrepreensível e quase não houve clássica belga que lhe escapasse. A Quick-Step Floors será um alvo a abater porque dos sete corredores inscritos, quatro são candidatos e é melhor não tirar os olhos dos restantes três. É uma das edições em que não se pode destacar claramente um ou dois ciclistas. São vários os que surgem em condições de ganhar, mas falta saber como se irá jogar contra uma equipa tão perfeita neste tipo de provas e que irá obrigar os adversários a terem de controlar praticamente todos os seus corredores.

Esperam-se 264,7 quilómetros muito intensos entre Antuérpia e Oudenaarde. E fica já a boa notícia: o Eurosport vai transmitir toda a corrida, devendo começar às 9:15 (hora portuguesa, mais uma na Bélgica), com a prova a arrancar meia hora depois.

O circuito final que inclui duas passagens no Kwaremont e Paterberg é um momento muito esperado, mas é difícil, mesmo impossível, prever como estará a corrida quando aí se chegar, pois nessa altura já se estará a cerca de 50 quilómetros da meta. Há um ano foi quando faltavam cem que as movimentações começaram a revelar-se decisivas para Philippe Gilbert. Aos 121 quilómetros haverá uma primeira passagem no Kwaremont antes das duas da fase final. Esta subida tem 2,2 quilómetros, pendente máxima de 11,6%, mas média de 4% e tem uma parte em alcatrão e outra em pavé.

O Kapelmuur esteve ausente do percurso durante cinco anos, mas regressou em 2017 e volta a ser incluindo na edição deste domingo. Vai surgir a 95 quilómetros da meta e aqueles 750 metros, que chegam a ter 20% de inclinação, costumam ajudar a seleccionar quem estará em condições de discutir a corrida. Regressando ao conjunto Kwaremont/Paterberg, se a primeira subida é mais extensa e com uma pendente mais simpática, apesar de tudo, a segunda é de grande intensidade: 360 metros, com 12,9% de média e 20,3% de máxima. Em baixo fica a altimetria da 102ª Volta a Flandres, contudo, para conhecer em pormenor todas (e são muitas) as dificuldades da corrida, então carregue neste link e veja no site oficial o percurso que espera o pelotão.


Os candidatos

O principal, ou melhor, a principal, é a Quick-Step Floors. Desta feita é uma equipa que tem de surgir como a mais temível em vez de uma individualidade. Nesse aspecto, Sagan e Avermaet - o belga ainda sem vitórias nas clássicas em 2018 - são os crónicos candidatos, juntamente com Gilbert e Sep Vanmarcke (já se sabe que confirmar créditos de vencedor não tem sido fácil para o ciclista da EF Education First-Drapac powered by Cannondale, mas também a Avermaet custou-lhe começar a ganhar e depois foi o que se viu).

Este ano Tiesj Benoot  (Lotto Soudal) entra definitivamente no lote de candidatos de primeira linha. E não podia faltar Michal Kwiatkowski, da Sky, e Oliver Naesen, da AG2R. Jasper Stuyven está em boa forma, o mesmo não se pode dizer do colega da Trek-Segafredo, John Degenkolb. Os dois ficam numa segunda linha de candidatos, com o belga está ali bem perto da primeira. Ainda da Sky, atenção a Gianni Moscon e é melhor ninguém se distrair com Dylan van Baarle.

Edward Theuns (Sunweb) não deve passar despercebido. O belga está a precisar de um grande resultado para subir na lista de candidatos, mas qualidade não lhe falta para este tipo de corridas. Arnaud Démare é dos ciclistas que tem tido uma equipa, a FDJ, a dar-lhe um bom apoio, mas na Flandres a vida nunca é fácil para os blocos controlarem. Ainda assim o francês tem estado a melhorar no pavé, mas os muros na Bélgica têm tendência a complicar as ambições de Démare. Paris-Roubaix encaixa melhor nas suas características, como mostrou no ano passado (foi sexto). Ainda assim, não se pode afastar por completo a sua candidatura na Flandres.

Falta o outsider dos outsiders e que só não está junto de Sagan e companhia, porque está a dar os primeiros passos a este nível e ainda há que mostrar que consegue manter os bons resultados. Mas certo é que talento não lhe falta e Wout Van Aert já é um ciclista belga que muito entusiasma. Ganhar a Volta a Flandres não seria uma surpresa total. Será que alguém ainda acredita que ficará na Vérandas Willems-Crelan em 2019?

Para terminar a lista dos candidatos... a principal candidata. A Quick-Step Floors venceu sete corridas de um dia na Bélgica e só Niki Terpstra repetiu os festejos. Peter Sagan intrometeu-se neste domínio ao bater Elia Viviani na Gent-Wevelgem. Terpstra estará presente, assim como Philippe Gilbert, vencedor do monumento no ano passado. Aquela fuga solitária de 50 quilómetros ficará como um dos grandes momentos do ciclismo. Segue-se Yves Lampaert. O belga foi decisivo em ajudar Terpstra em Harelbeke e depois ganhou pelo segundo ano consecutivo a Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres). O checo Zdenek Stybar afirmou que espera que neste domingo ou então no próximo, no Paris-Roubaix, possa festejar uma vitória nestas corridas míticas.

Iljo Keisse, Tim Declercq e Florian Sénéchal até podem ser vistos mais como homens de trabalho, mas nesta Quick-Step Floors todos trabalham e todos têm a sua oportunidade de ganhar. Nunca é de mais recordar que a equipa belga soma 20 vitórias em 2018, distribuídas por 10 ciclistas.

Apenas uma referência a Vincenzo Nibali que tem recebido muita atenção. O italiano da Bahrain-Merida vai estrear-se na Volta a Flandres aos 33 anos e mesmo que não seja visto como favorito, é um ciclista que pode não conhecer os muros e o pavé do monumento, mas vai estar certamente a ser controlado pelos adversários.

Os portugueses

Aparecem no final do texto não significa que não tenham hipóteses. Pelo contrário, é como que deixar o melhor para fim, ou seja, o sonho de ver um ciclista português pelo menos no pódio. Que bom seria que José Gonçalves tivesse liberdade e é bem provável que assim seja. Tony Martin surge como líder da Katusha-Alpecin, mas uma corrida como esta encaixa melhor no gémeo de Barcelos. Gonçalves irá fazer a sua estreia no monumento da Flandres e a falta de experiência poderá ser um handicap. Porém, a sua qualidade compensa este factor. Há que não esquecer que foi 11º na primeira Strade Bianche que fez.

Já Nelson Oliveira conhece bem esta corrida e conta com dois top 20. É uma prova que aprecia muito e o ciclista da Movistar tem mostrado que está a subir de forma rumo precisamente à Volta a Flandres. Entrar no top dez não seria surpresa nenhuma e se a sorte estiver do seu lado - se há provas em que este factor é quase tão importante como a condição física, são as do pavé -, atenção a Oliveira. A sua lado estará Nuno Bico, que procura um resultado positivo que o lance para uma boa temporada, que não tem sido fácil.

»»Nibali pode igualar feito de há 46 anos na estreia na Volta a Flandres««