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29 de outubro de 2019

Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes

Nocentini deixa o ciclismo depois de quatro temporadas no Sporting-Tavira
Setembro e Outubro foram meses de despedida para muitos ciclistas. Alguns até disseram adeus à competição antes. A maioria teve carreiras longas e nomes como Laurens ten Dam, Mark Renshaw, Markel Irizar, Matti Breschel, Maxime Monfort e Ruben Plaza, por exemplo, foram elementos importantes nas equipas que representaram. Uns com mais destaque do que outros, mas o pelotão vai perder muitos dos corredores mais experientes.

Mark Renshaw (37 anos, Dimension Data) é o exemplo de quem não conseguiu ser figura de primeira linha no sprint, mas teve uma enorme responsabilidade em muitas das vitórias alcançadas por Mark Cavendish, que vai para a Bahrain-Merida sem um companheiro que marcou a sua carreira. Nos últimos anos, Laurens ten Dam (38, CCC) tornou-se mais num gregário - muito apreciado por Tom Dumoulin, que não ficou nada satisfeito por o ver sair da Sunweb para a CCC esta época -, mas este holandês foi top dez no Tour e Vuelta e noutras provas importantes por etapas. Bom trepador, esperou-se sempre muito do ciclista, que não confirmou todas as expectativas dos tempos da Rabobank, mas foi um corredor de qualidade.

Markel Irizar é mais um exemplo de longevidade. Aos 39 anos, a Trek-Segafredo continuava a contar com a sua muita experiência. Foi um ciclista que se mostrou nos tempos da Euskaltel-Euskadi e que depois mudou-se para a estrutura americana. Não foi um líder como ainda se poderia ter pensado em tempos, mas a sua regularidade e lealdade para quem tinha de trabalhar, tornaram-no num daqueles corredores que qualquer equipa gosta de contar. Matti Breschel é outro exemplo desse tipo de profissionalismo. O dinamarquês da EF Education First despede-se aos 35 anos devido a doença.

Maxime Monfort (36, Lotto Soudal) foi um belga que tanto poderia funcionar como líder - foi top dez na Vuelta em 2011 -, como um excelente ciclista na ajuda a um companheiro. Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy) será um espanhol que se pensará que poderia ter alcançado mais. Ainda assim, despede-se com duas vitórias de etapa na Vuelta (foi top dez em 2006), uma no Tour e também deixou a sua marca por cá, ao vencer duas tiradas na Volta a Portugal, uma ao serviço do Benfica e outra na Liberty Seguros.

Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates) foi um sprinter de algumas vitórias, mas nos últimos anos da carreira revelou ser um precioso lançador. Ganhou uma etapa no Giro em 2012, na então Androni Giocattoli-Venezuela, que muito o ajudou a dar o salto para o World Tour, para a Lampre-Merida.

Simon Spilak é uma das despedidas que surpreende, pois tem apenas 33 anos. O esloveno passou grande parte da carreira na Katusha, depois de quatro anos na Lampre. Apesar de alguma expectativa criada para as grandes voltas, há muito que se tinha percebido que a sua especialidade eram as corridas de cinco dias ou de uma semana. A conquista da Volta à Romandia em 2010 e da Volta à Suíça em 2015 e 2017, são prova disso mesmo. Fez ainda pódio no Paris-Nice, entre outros bons resultados.

O canadiano Svein Tuft é o mais velho a dizer adeus ao ciclismo. Tem 42 anos e esta época ainda correu pela Rally UHC Cycling. De referir ainda Lars Bak. O dinamarquês foi um grande esperança do seu país, principalmente depois de vencer o Tour de l'Avenir em 2005. A maior parte da carreira foi passada na Lotto Soudal, equipa que nunca aposta muito nas gerais, mas Bak foi mais um daqueles corredores que aquela formação sabia que podia sempre confiar para estar na luta por vitórias e boas performances. Tem 39 anos e a sua última temporada foi na Dimension Data.

Marcel Kittel (31) despediu-se em Maio, naquela que foi sem dúvida a grande surpresa. Jarlinson Pantano (30) foi suspenso por suspeita de doping e optou por terminar a carreira, enquanto Taylor Phinney (29) decidiu colocar um ponto final, depois de anos a tentar recuperar de uma queda que acabou por não deixar que o americano atingisse todo o seu potencial. Também devido a uma queda, 
Daan Olivier deixou o ciclismo em Maio, com apenas 26 anos. Com 25 despede-se um dos principais talentos a surgir em Portugal recentemente. Nuno Bico admitiu um problema numa perna que o estava a limitar e, depois de uma temporada na Burgos-BH (esteve duas na Movistar), decidiu terminar a carreira após a participação na Volta a Espanha.

Brice Feillu (34) e Zak Dempster (32) têm em comum terem feito a Volta a Portugal no derradeiro ano como profissionais. O australiano vai manter-se na estrutura da Israel Cycling Academy, num cargo técnico.

Aos 31 anos, Bjorn Thurau despediu-se depois de uma temporada na Vito-Feirense-PNB, enquanto Rinaldo Nocentini, que já não fez a Volta a Portugal, resolveu deixar a modalidade aos 42 anos, os últimos quatro ao serviço do Sporting-Tavira.

Aqui fica a lista dos ciclistas do World Tour que não voltarão à estrada em 2020, assim como alguns dos principais dos restantes escalões.

Adam Blythe (30, Lotto Soudal)*
Benoît Vaugrenard (37 anos, Groupama-FDJ)
Bjorn Thurau (31, Vito-Feirense-PNB)
Brice Feillu (34, Arkéa-Samsic) 
Daan Olivier (26, Jumbo-Visma) - retirou-se a 2 de Maio devido a lesão
Jacques Janse van Rensburg (32, Dimension Data)
Jarlinson Pantano (30, Trek-Segafredo) - retirou-se a 11 de Junho quando estava suspenso provisoriamente por suspeita de doping
Lars Bak (39, Dimension Data)
Laurens ten Dam (38, CCC)
Manuele Mori (39, UAE Team Emirates)
Marcel Kittel (31, anunciou a sua retirada a 23 de Agosto)
Mark Renshaw (37, Dimension Data)
Markel Irizar (39, Trek-Segafredo)
Mathew Hayman (41, Mitchelton-Scott) - retirou-se a 20 de Janeiro, após o Tour Down Under
Matti Breschel (35, EF Education First)
Maxime Monfort (36, Lotto Soudal)
Moreno Moser (28, Nippo Vini Fantini Faizanè) - retirou-se a 10 de Maio
Nuno Bico (25, Burgos-BH)
Rinaldo Nocentini (42, Sporting-Tavira)
Roberto Ferrari (36, UAE Team Emirates)
Roy Curvers (39, Sunweb)
Ruben Plaza (39, Israel Cycling Academy)
Samuel Dumoulin (39, AG2R)
Simon Spilak (33, Katusha-Alpecin)
Steve Morabito (36, Groupama-FDJ)
Svein Tuft (42, Rally UHC Cycling)
Taylor Phinney (29, EF Education First)
Zak Dempster (32, Israel Cycling Academy)

*Adam Blythe anunciou o final da carreira no dia 31 de Outubro, pelo que se acrescentou à lista após a publicação desta.




9 de janeiro de 2018

Daniel Martin e Ben Swift lideram UAE Team Emirates. Sunweb vem ao Algarve mostrar jovens talentos

Daniel Martin, agora na UAE Team Emirates, venceu em 2017 no Alto da Fóia
Não haverá Rui Costa, nem Fabio Aru, mas Daniel Martin regressa à Volta ao Algarve e este é um ciclista que não tem por hábito competir apenas para cumprir calendário. E há um ano demonstrou isso mesmo, ao vencer a etapa no Alto da Fóia. O irlandês trocou a Quick-Step Floors pela UAE Team Emirates e tem como objectivo da temporada a Volta a França. Swift também não estará com meias medidas. O britânico deixou a Sky para procurar mais oportunidades, mas o primeiro ano na nova equipa foi para esquecer. Resultados exigem-se e Swift junta-se assim a Arnaud Démare (FDJ) na luta pelos sprints, que poderá contar ainda com John Degenkolb (Trek-Segafredo), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) e Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), mas é de salientar que há muitas equipas que ainda não confirmaram os seus eleitos.

Além de Martin, a UAE Team Emirates traz uma equipa muito interessante na perspectiva de disputar a geral. Valerio Conti é um bom trepador e já venceu uma etapa na Vuelta. Outro italiano, Edward Ravasi, tem apenas 23 anos, mas com potencial para a montanha. Jan Polanc pertence a uma geração que está a colocar a Eslovénia no mapa do ciclismo e se Martin não estiver à altura dos acontecimentos, Polanc pode espreitar entrar na luta pela vitória. Aos 25 anos, já conta com duas etapas no Giro. O norueguês Vegard Stake Laengen estará no apoio a Swift, mas dêem-lhe uma oportunidade e não a desperdiçará. Aos 35 anos, o australiano Rory Sutherland agarrou um novo desafio, deixando a Movistar. Poderá ser um ciclista importante ao lado de Daniel Martin e de Jan Polanc.

A UAE Team Emirates fará a sua estreia na Volta ao Algarve, tal como a Sunweb. Enquanto a equipa de Abu Dhabi traz um conjunto cheio de intenções, a alemã irá mostrar alguns dos jovens talentos, que serão liderados por um muito experiente Laurens ten Dam. Não estarão Tom Dumoulin nem Wilco Kelderman, mas atenção a ciclistas como Sam Oomen e Louis Vervaeke.

E Sam Oomem merece que se siga a sua prestação com muita (mesmo muita) atenção. Este holandês de 22 anos é desde já um forte candidato à classificação da juventude. Estamos a falar de um ciclista que venceu a Volta a França do Futuro em 2016, estava na equipa que foi campeã mundial em Bergen na especialidade e só para se perceber melhor o talento deste jovem, em 2017 foi: 15º na Ruta del Sol, 14º no Paris-Nice, 19º na Volta ao País Basco, nono na Califórnia, 14º no Critérium du Dauphiné, sétimo na Volta à Polónia e 11º no último monumento do ano, Il Lombardia. Estreou-se numa grande volta na Vuelta, tendo abandonado na 14ª etapa, mas até lá estava a ser de uma regularidade tremenda, com tops 20 e 30 e um oitavo lugar em Cumbre del Sol, além do terceiro no contra-relógio colectivo que abriu a corrida.

Enquanto Dumoulin atinge a maturidade, a Sunweb vai já preparando a próxima geração e "prendeu" Oomen até 2020. O alemão Kämna é vice-campeão mundial de sub-23, o belga Vervaeke (24) deixou a Lotto Soudal para tentar procurar um diferente protagonismo. Lennard Hofstede (holandês de 23 anos) e Jai Hindley (australiano de 21 e um dos reforços de 2018) irão ganhar experiência, enquanto o veterano Laurens ten Dam (37) terá uma das poucas oportunidades durante o ano para lutar por uma vitória, com Simon Geschke - o barbudo do pelotão, como é conhecido - a poder assumir um papel de apoio ou então procurar estar um pouco em destaque, pois é um ciclista que tendo liberdade gosta de entrar em fugas.

A Volta ao Algarve arranca a 14 de Fevereiro, em Albufeira, e termina no dia 18, no Alto do Malhão. É o segundo ano em que tem a categoria 2.HC, a segunda mais importante depois das corridas do World Tour. Bateu mais um recorde ao garantir 13 equipas das 18 equipas do World Tour, mais uma do que em 2017. Terá transmissão televisiva no Eurosport e TVI24.

Além da UAE Team Emirates e Sunweb, também a FDJ, Katusha-Alpecin e Caja Rural já enviaram a lista de pré-inscritos. Ciclistas como Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe), Geraint Thomas (Sky) e Louis Meintjes (Dimension Data) também já confirmaram a pretensão de estar na Algarvia, que poderá ainda contar com nomes como Bauke Mollema e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) e Dylan Teuns (BMC), por exemplo.

»»Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve««

»»Pelotão da Volta ao Algarve com recorde de equipas World Tour mas sem Amaro Antunes««

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