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25 de outubro de 2020

A afirmação no momento certo de Tao Geoghegan Hart

© Team Ineos
Dizer que a vitória de Tao Geoghegan Hart numa grande volta é uma surpresa, só se nos centramos apenas no que aconteceu neste Giro. Este é um daqueles ciclistas que cedo demonstrou ser mais um britânico de enorme potencial, mas "sofreu" por ter chegado à então Sky numa altura em que ficou inevitavelmente na sombra de Chris Froome e Geraint Thomas. E depois as atenções começaram a virar-se para Egan Bernal e outros ciclistas latinos. Mas em praticamente todas as corridas que fazia ficava claro que este ciclista não ia ficar à espera de lhe estenderem uma passadeira vermelha. Ia à luta para conquistar o seu lugar no topo.

Rapidamente se destacou como gregário. Como líder, ou pelo menos como um ciclista com mais liberdade, não conseguiu agarrar a oportunidade na última Vuelta. Mas neste Giro, talvez o facto de não ter tanta pressão e de ser uma Ineos Grenadiers livre de responsabilidade depois de perder Thomas logo ao terceiro dia, Geoghegan Hart aproveitou a porta que se escancarou e confirmou todo o seu potencial. Confirmou que a equipa tem a próxima geração de britânicos que já ganha grandes voltas.

Tem 25 anos, chegou à formação britânica em 2017, sendo que a passagem pela Axeon Hagens Berman foi importante no seu crescimento e na forma como rapidamente se integrou numa Sky que então estava no topo do ciclismo. A filosofia agora é outra, sem pensar em domínios e Geoghegan Hart encaixou perfeitamente nela nesta Volta a Itália. Não precisou de toda uma equipa, precisou de um apoio preciso, no momento certo.

Preparou-se para mais uma vez ser gregário. Sem Thomas ficou livre dessa responsabilidade. Ganhou uma etapa e ficou ali, no top dez, discreto, sempre bem posicionado no pelotão, à espera do momento para se colocar como candidato. Pensava-se que estava só, mas também parecia que poderia ser o suficiente para um bom resultado entre os dez melhores ou num top cinco.

A equipa mostrou que estava dedicada a conquistar etapas - sete no final (!) - e que lutar pela vitória final não seria intenção. Depois de um Tour completamente fracassado, esta Ineos Grenadiers sem Thomas não fez ninguém temê-la. Talvez a própria Sunweb tenha cometido esse erro, preocupando-se em demasia para João Almeida - o detentor da rosa durante 15 dias - e precipitando-se quando o britânico surgiu como rival.

© Giro d'Italia
Geoghegan Hart e a Ineos Grenadiers tiveram a inteligência táctica que faltou à Sunweb. A Wilco Kelderman e Jai Hindley ficarem cada um por si no Stelvio, no final, não resultou. A Ineos Grenadiers lançou Rohan Dennis. O coelho na cartola. Que bem esteve o australiano na ajuda a Geoghegan nas duas etapas de montanha decisivas.

No contra-relógio, o britânico confirmou que se defende bem. Hindley tem ainda que melhorar. Partiram com o mesmo tempo e na chegada a Milão - nunca dois ciclistas começaram a última tirada de uma grande volta empatados -, 39 segundos em 15,7 quilómetros, marcaram a diferença com que Geoghegan Hart confirmou a surpresa no Giro, mas não na carreira.

Trabalhador, ambicioso, mas também humilde, Geoghegan Hart foi mesmo o mais forte no Giro, sabendo que tem muito a agradecer a Rohan Dennis. Mas é por isso que o ciclismo é um desporto de equipa. Talvez a Ineos Grenadiers não mais volte a ser a toda poderosa Sky, que controlava tudo e todos. Mas nesta nova filosofia teve um ciclista que acreditou, quando poucos se calhar acreditavam.

É verdade que este Giro acabou por ser um pouco atípico... à imagem deste 2020! Mas também acabou por se tornar em mais um exemplo de como a nova geração é uma vencedora e não se resume a dois ou três ciclistas.

E a época da equipa britânica agora já não é tão má. O Tour mostrou que muito tem a mudar. O Giro revelou que provavelmente esteja a perceber qual o caminho a percorrer. O único senão, por assim dizer, é que ganham mais um ciclista a quem não podem simplesmente dizer que agora terá de ser novamente gregário...

Já o caminho de Tao Geoghegan Hart é, ainda assim, incerto. Precisamente pela concorrência interna. Está em final de contrato. Mostrou que é mais um britânico vencedor, juntando-se a Bradley Wiggins, Chris Froome, Geraint Thomas e Simon Yates na lista de vencedores nas grandes voltas. E todos campeões recentes.

A Ineos Grenadiers pode ter aberto o seu projecto a outras nacionalidades, mas não tem razões para abandonar a sua génese. A evolução de Hart em quatro temporadas é a prova disso mesmo. Foi uma afirmação no momento certo para ser tido em conta para mais lideranças e não ficar mais na sombra de ninguém.

De salientar ainda que esta vitória foi dedicada a Nicolas Portal, o director desportivo que morreu em Março, aos 40 anos. Teve uma profunda influência na carreira de Froome, mas também foi muito importante para Geoghegan Hart.

Último dia

A Sunweb pagou caro não se ter mantida unida em torno de Wilco Kelderman. Não havia garantias que ganhasse, mas agora ficará sempre aquele enorme "e se Hindley tivesse ficado com o líder no Stelvio". Segundo e terceiro lugar seria em qualquer ocasião um excelente resultado, ainda mais para uma formação em fase de mudança. Mas dadas as circunstâncias, a Sunweb sai do Giro como a principal derrotada.

Já João Almeida (Deceuninck-QuickStep) sai como um dos vencedores. Foi quarto no contra-relógio ganho por Filippo Ganna (pois claro) e subiu à quarta posição, desalojando Pello Bilbao (Bahrain-McLaren). Estreia fenomenal do ciclista português numa grande volta. Sim, temos voltista. Está respondida a questão que o próprio atleta queria saber nesta sua primeira prova de três semanas.

© Giro d'Italia
E Ruben Guerreiro... Custou, mas parece que o português da EF Pro Cycling encontrou estabilidade. Quando está bem fisicamente é capaz de muito bons resultados. É o rei da montanha do Giro. Se João Almeida alcançou a melhor classificação de sempre de um português em Itália, Ruben Guerreiro é o primeiro a ganhar uma camisola. A azul vem para Pegões. E ainda ganhou uma etapa

Foi um Giro memorável. E num ano tão estranho, tão complicado, tão incerto, que bom foi assistir a uma corrida assim, com dois jovens ciclistas portugueses a serem figuras da corrida.

De referir que Arnaud Démare (Groupama-FDJ) conquistou a maglia ciclamino (dos pontos), com Tao Geoghegan Hart a acumular a rosa com a branca da juventude. A Ineos Grenadiers venceu ainda colectivamente. Com sete vitórias de etapas (quatro para Ganna, duas para Geoghegan Hart e uma para Jhonatan Narváez) e três classificações, não há discussão que foi de facto a melhor. Diferente, é certo, sem domínios quase totais, mas afinal há vida nesta nova era da antiga Sky.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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24 de outubro de 2020

Um Giro para a história

© Giro d'Italia
Por cá, jamais esqueceremos a 103ª edição da Volta a Itália. Afinal foram 15 dias com um ciclista português como líder - algo inédito em qualquer grande volta para o ciclismo nacional -, numa exibição marcante do estreante João Almeida. E ainda estamos perto de ter outro dos nossos ciclistas a vencer pela primeira vez uma classificação numa corrida de três semanas. Ruben Guerreiro é o rei da montanha (camisola azul) e venceu uma etapa. Porém, este Giro ganhou mais um elemento histórico, daqueles que se falará em todo o mundo por muito tempo: pela primeira vez em grandes voltas dois ciclistas partem para a última etapa empatados em tempo.

85:22.07 horas. Foi preciso ir aos centésimos dos contra-relógios para encontrar o novo líder do Giro, com Jai Hindley a ficar com a camisola rosa do companheiro da Sunweb, Wilco Kelderman. Tal como no Stelvio, o holandês cedeu e tal como no Stelvio, Hindley seguiu a roda de Tao Geoghegan Hart que tem um novo melhor amigo: Rohan Dennis. O australiano está feito num gregário de luxo. Se o britânico vencer o Giro este domingo, muito tem a agradecer a Dennis e foi visível esse reconhecimento pela forma como abraçou o colega no final da etapa.

A história nas três subidas a Sestriere foi em tudo idêntica à do Stelvio, mas desta feita Geoghegan Hart venceu e Hindley foi segundo. Segunda vitória para o britânico, sexta da Ineos Grenadiers! Este domingo Filippo Ganna é favorito para garantir a sétima, com Geoghegan Hart a poder ser o vencedor do Giro, algo que até recentemente nem se falava.

Foi uma Ineos Grenadiers que olhou à distância para a camisola rosa e tirou um coelho da cartola inesperado: Rohan Dennis. Já a Sunweb treme. A decisão de não deixar Hindley no Stelvio para ajudar Kelderman pode ainda custar caro. Para já, com o holandês a ceder novamente, parece ter sido a decisão mais correcta, pois agora de pouco valem o "se" Hindley tivesse ajudado, talvez Kelderman não perdesse tanto tempo, estivesse mais confiante e acreditasse que a equipa o apoiava.

Agora só há uma escolha: Hindley. O jovem australiano, de 24 anos pode tornar-se no primeiro ciclista do seu país a vencer o Giro. Geoghegan Hart pode ser o segundo, depois de Chris Froome. O terceiro frente-a-frente será o do tudo ou nada, numa Volta a Itália recheada de emoções (principalmente para Portugal) e que acaba em grande.

João Almeida, um senhor ciclista

Um último fôlego, um último esforço de João Almeida e da Deceuninck-QuickStep. Nos 190 quilómetros entre Alba e Sestriere, a equipa belga colocou vários ciclistas na frente que, ao não terem possibilidade de ganhar a etapa, todos acabaram a ajudar Almeida num derradeiro ataque.

Kelderman até beneficiou de todo este esforço do português durante alguns quilómetros, mas Almeida acabaria por se afastar, à procura de pelo menos subir ao quarto lugar. Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) ficou a 23 segundos de distância, tempo que não será fácil recuperar nos 15,7 quilómetros finais, até porque o espanhol é o campeão nacional da especialidade. Mas não é impossível e já se percebeu que para Almeida, o mote é lutar até ao fim. Excelente atitude de um senhor ciclista de apenas 22 anos.

De referir que o sexto classificado, Jakob Fuglsang (Astana), está a mais de três minutos de João Almeida. O top cinco é bem merecido para o português. O pódio também não lhe ficaria nada mal, mas só um colapso total de Kelderman permitiria chegar ao terceiro posto, pois tem mais de minuto e meio de vantagem.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

21ª etapa: Cernusco Sul Naviglio - Milano (CRI), 15,7 quilómetros


É um contra-relógio sem dificuldades de maior, excepto a parte final mais técnica, devido a algumas curvas a 90 graus, segundo a explicação dada pela organização do Giro. Cai o pano na Volta a Itália, em Milão. Quem celebrará?


23 de outubro de 2020

Sunweb contra si própria com Geoghegan Hart à espreita de ficar com a rosa

© Giro d'Italia
Dia de quase todas as decisões na Volta a Itália. Sestriere será o palco da última montanha do Giro. Em dose tripla! Sem Colle dell’ Agnello e Col d’Izoard, sobrou esta dificuldade para a derradeira etapa em linha, sendo que a corrida só terminará com o contra-relógio de Milão. Não há tirada de consagração em Itália. Tao Geoghegan Hart vai tentar concretizar um golpe de teatro, medindo forças contra uma Sunweb que luta contra si própria.

O que aconteceu no Stelvio tornou-se no maior ponto de interesse do Giro, agora que a senda de João Almeida de rosa chegou ao fim. A táctica acabou por correr bem para a Sunweb a curto prazo. Ou seja, ganhou a etapa com Jai Hindley e Wilco Kelderman ficou líder da corrida. Porém, ter deixado o holandês sozinho ainda em pleno Stelvio, quando demonstrou que poderia não conseguir seguir o ritmo de Rohan Dennis - grande etapa do australiano na ajuda a Geoghegan Hart - mas não ficaria longe, foi uma decisão estranha e que pode ainda ter consequências.

Os dois ganhos na etapa de quinta-feira, de pouco servirão se o britânico da Ineos Grenadiers recuperar os apenas 15 segundos que o separam de Kelderman. Geoghegan Hart irá testar a união pouco convincente que Hindley tentou passar. Garante que vai ajudar Kelderman, mas são só 12 os segundos que o separam do colega.

A equipa não deu o apoio incondicional a Kelderman e se ceder em Sestriere, não surpreenderá se rapidamente ficar outra vez isolado. O holandês é um homem que está de saída para a Bora-Hansgrohe. Hindley é um dos jovens que está a singrar na Sunweb. Ainda assim, tudo pareceu estranho e a Sunweb está a realizar um jogo perigoso. Porém, pode agora também ter duas armas para atacar o britânico da Ineos Grenadiers.

Esta Sunweb no Giro, nada tem a ver com a imagem de união passada no Tour. Agora está uma vitória numa grande volta em causa. Contudo, rivalidades internas podem ser muito prejudiciais.

Geoghegan Hart tem andado a fazer marcação de longe à liderança, quando João Almeida (Deceuninck-QuickStep) estava de rosa e Kelderman era o rival. O britânico venceu uma etapa e foi-se mantendo próximo, naquele grupo que rondou os três minutos de desvantagem. Há que não esquecer que chegou a Itália para ser o braço-direito de Geraint Thomas, mas o abandono muito cedo do galês, abriu as portas da geral a Geoghegan Hart.

É mais um dos rostos da nova geração e vencer no Giro é de extrema importância para a sua carreira, no imediato. Tem o lugar de líder em grandes voltas tapado numa equipa que tem Egan Bernal, Richard Carapaz, Geraint Thomas com mais estatuto e há mais pretendentes à posição. Em Sestriere tem uma oportunidade de ouro para também ele se afirmar, podendo assim ter outras escolhas no seu futuro. Publicamente ainda não foi anunciado se fica na Ineos Grenadiers em 2021 e Geoghegan Hart pode ser um importante homem de trabalho, mas não gosta de ficar em segundo plano durante muito tempo.

Quanto a João Almeida, está no quinto lugar, a 2:16 da liderança. O quarto posto de Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) está a 1:13 segundos de distância para o ciclista da Deceuninck-QuickStep. Atrás do português está Jakob Fuglsang (Astana), a 3:59 de Kelderman. As posições no top dez ainda estão por definir.

20ª etapa: Alba - Sestriere, 190 quilómetros

Josef Cerny (CCC) foi o vencedor da etapa de algum descanso no Giro, fazendo singrar mais uma fuga. Os sprinters viram assim a hipótese de uma última discussão não se concretizar. No entanto, a etapa entre Abbiategrasso e Asti foi encurtada de 253 quilómetros para 124 após um protesto dos ciclistas que alegaram que as condições meteorológicas adversas colocavam em risco a saúde de todos, ainda mais sendo uma distância tão longa. Mauro Vegni, director da corrida, não gostou que o pedido fosse feito tão apenas antes do início da etapa, mas a tirada foi mesmo encurtada.

Este sábado regressa então a montanha, com o Sestriere a ser enfrentado três vezes, uma pelo lado de Perosa e duas pelo de Cesana. Serão cerca de quatro mil metros de acumulado. Apesar haver muitos pontos em disputa, Ruben Guerreiro só tem de chegar a Milão para se tornar no primeiro português a conquistar uma classificação numa grande volta. Matematicamente a camisola azul está garantida para o ciclista da EF Pro Cycling.

»»Isto é apenas o início««

»»Giro perde duas das subidas mais difíceis. Táctica para etapa desta quinta-feira pode mudar««

23 de outubro de 2019

E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Ian Garrison tornou-se no mais recente membro da Hagens Berman Axeon a formar-se com distinção na equipa, que é como a quem diz, vai para o World Tour em 2020. O americano, de 21 anos, acompanhará João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg assinou pela UAE Team Emirates. A estrutura liderada por Axel Merckx continua a afirmar-se como uma referência na formação de jovens ciclistas e desde 2009 que têm sido muitos os que, após passagem pela equipa dos Estados Unidos, conseguem dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Alguns singraram, outros nem por isso. Mas se Merckx ficasse com os corredores que forma e tivesse uma equipa do World Tour, teria um plantel bem interessante, principalmente para as provas por etapas e para o contra-relógio. Mas também com ciclistas de qualidade para o sprint e clássicas.

Nos três ciclistas que vão sair este ano, a Hagens Berman Axeon teria um dos maiores especialistas do contra-relógio da nova geração: o dinamarquês Bjerg (20 anos) conseguiu o feito inédito de conquistar três títulos mundiais de sub-23 no esforço individual e aponta ser o próximo recordista da hora. Garrison foi segundo em Yorkshire, atrás de Bjerg, depois de ser campeão nacional de elite. O americano tem também características interessantes para o sprint. Quanto a João Almeida, mais um campeão nacional de contra-relógio, mas em sub-23, tendo também o título da prova em linha, está a tornar-se num ciclista interessante nas corridas por etapas de uma semana, além de ter clássicas que lhe assentam tão bem. Venceu a Liège-Bastogne-Liège do seu escalão, na época passada.

Mas recuando a ciclistas que noutras temporadas saíram da Hagens Berman Axeon, que já teve outros nomes como Bontrager ou Trek-Livestrong, por exemplo. Tao Geoghegan Hart é um dos exemplos de maior sucesso. Depois de se adaptar à então Sky, o britânico de 24 anos teve um 2019 de completa afirmação e pode ser um grande vencedor. Conquistou de forma brilhante duas etapas na Volta aos Alpes, perdendo a geral para o companheiro Pavel Sivakov. Foi ao Giro e Vuelta, e em Espanha muito lutou por uma etapa. Por enquanto poderá ficar preso ao papel de gregário dado o plantel de qualidade da agora Ineos, mas Hart mostra potencial para mais.

Neilson Powless (23) foi um dos elementos importantes na vitória de Primoz Roglic na Vuelta. Na Jumbo-Visma mostrou uma boa evolução nas corridas por etapas e em Portugal, fez top dez na Volta ao Algarve. Vai mudar-se para a Education First talvez à procura de um espaço que definitivamente não teria na formação holandesa.

A última Volta a Espanha acabou por ser o palco para alguns dos jovens ex-Hagens Berman Axeon, caso de Ruben Guerreiro (25). Saiu no mesmo ano que Hart, mas para a Trek-Segafredo. Não tem sido fácil a afirmação do português, mas na Vuelta viu-se finalmente um pouco mais do que Guerreiro pode dar no World Tour, o que o fez receber uma proposta de contrato da EF Education First, deixando assim a Katusha-Alpecin. Quer apostar nas grandes voltas.

E falando de portugueses, Ivo e Rui Oliveira (23) fazem parte da "turma de 2018". Fizeram a estreia no World Tour em 2019 com a UAE Team Emirates com sortes diferentes. Ivo esteve vários meses a recuperar de uma grave queda num treino, enquanto Rui esteve a bom nível na ajuda a líderes nas clássicas e na preparação de sprints. Será que André Carvalho conseguirá seguir os passos dos seus compatriotas? Em 2020 cumprirá a sua segunda temporada na Hagens Berman Axeon.

Um dos sprinters de quem Rui Oliveira se poderá tornar num fiel aliado é Jasper Philipsen. O belga de 21 anos já ganhava no World Tour ao quinto dia pela UAE Team Emirates, no Tour Down Under, e fez uma temporada de excelentes resultados. Um sprint e homem de clássicas com um futuro promissor. Sean Bennett (23) foi mais discreto na temporada de estreia, mas ainda assim a EF Education First levou-o ao Giro. É um americano visto com muita capacidade para ser um voltista de respeito. Também Will Barta (23) teve um ano de adaptação na CCC.

Da equipa de Merckx saiu um dos principais especialistas de clássicas da actualidade: Jasper Stuyven. Aos 27 anos talvez se esperasse que o seu currículo tivesse mais corridas de um dia muito importantes além da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas a concorrência é enorme. Na Trek-Segafredo tornou-se um ciclista essencial e é de uma regularidade incrível, terminando quase sempre entre os melhores nas corridas em que aposta forte. E este ano até ganhou uma corrida por etapas: a Volta a Alemanha.

Joe Dombroski (EF Education First), Ian Boswell (Sky e Katusha-Alpecin) e Ben King (RadioShack Garmin/Cannondale e Dimension Data) foram ciclistas que afirmaram-se no World Tour. Somam bons resultados, mesmo que não sejam figuras de primeira linha e são bons gregários sempre que necessário, caso principalmente de Boswell. King conseguiu ser uma grande figura em 2018 quando venceu duas etapas na Vuelta. Dombrowski foi talvez a maior desilusão deste trio. Entre quedas e problemas de saúde vai adiando a confirmação de um ciclista de nível para as provas por etapas. Aos 28 anos está de malas feitas para a UAE Team Emirates.

E como o contra-relógio é muito bem trabalhado na Hagens Berman Axeon, um dos primeiros nomes a sair para o World Tour foi Alex Dowsett (31). Desde que trocou a Movistar pela Katusha-Alpecin que quase que se apagou, mas é um especialista no esforço individual e foi recordista da hora.

Taylor Phinney (29) foi um dos jovens que mais entusiasmou, mas o americano teve uma queda a estragar-lhe a carreira e anunciou o adeus ao ciclismo no final desta temporada. Outro especialista no contra-relógio.

Já George Bennett (29) não se dá muito bem com o contra-relógio, mas o neozelandês poderia formar um bloco interessante em grandes voltas com Tao Geoghegan Hart, Neilson Powless, Dombrowski, Boswell, King e Guerreiro, com jovens como Barta, Sean Bennett, Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors e Ineos) a poderem tornar-se em casos de sucesso em breve. Lawson Craddock, Nathan Brown (ambos na EF Education First) e Sam Bewley (Mitchelton-Scott) são homens de trabalho importantes

Porém, nem todos os que saltaram da Hagens Berman Axeon para o World Tour singraram. Casos de Timothy Roe, Bjorn Selander e Ruben Zepuntke, por exemplo. Este último, abandonou o ciclismo aos 24 anos, dedicando-se agora ao triatlo. Gregory Daniel é o exemplo mais recente e prepara-se para descer ao escalão Continental aos 24 anos, depois de passar pela Trek-Segafredo.

Aqui ficam todos os que se "formaram" na equipa de Axel Merckx e que foram ou vão directamente para o World Tour (há mais ciclistas que ou estão ou passaram por formações do segundo escalão), pois mesmo podendo ter um plantel forte se pertencesse à categoria máxima e ficasse com os melhores ciclistas, a Hagens Berman Axeon - que vai descer novamente ao nível Continental depois de dois anos como Profissional Continental - prefere manter-se fiel ao seu lema: desenvolver a próxima geração do ciclismo.

2019
Ian Garrison (Deceuninck-QuickStep)
Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates)
João Almeida (Deceuninck-QuickStep)

2018
Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)
Will Barta (CCC) 
Rui Oliveira (UAE Team Emirates)
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates)
Sean Bennett (EF Education First)

2017
Chris Lawless (Sky)
Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors)
Neilson Powless (Lotto-Jumbo)
Logan Owen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)

2016
Tao Geoghegan Hart (Sky)
Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo)
Gregory Daniel Trek-Segafredo

2014
Ruben Zepuntke (Cannondale-Garmin)

2013
Jasper Stuyven (Trek Factory Racing)
Lawson Craddock (Giant-Shimano)
Nathan Brown (Garmin-Sharp)

2012
Joe Dombrowski (Sky)
Ian Boswell (Sky)

2011
George Bennett (RadioShack-Nissan)

2010
Taylor Phinney (BMC)
Alex Dowsett (Sky)
Jesse Sergent (RadioShack)
Ben King (RadioShack)
Timothy Roe (BMC)

2009
Sam Bewley (RadioShack)

23 de agosto de 2019

Jumbo-Visma à procura do topo numa Vuelta com muitos jovens candidatos

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
E cá estamos na última grande volta da época. Nos últimos anos a Vuelta tem sido uma salvação no que a espectáculo diz respeito nas corridas de três semanas, mas desta feita chega-se à Volta a Espanha com a sensação que se vive um bom 2019. O Giro teve os seus momentos, mas foi o excelente Tour que marca, para já, a temporada. É melhor jogar pelo seguro e dizer "para já". É que a Vuelta não tem desiludido e nos últimos anos tornou-se na mais emotiva. Os ingredientes estão todos novamente presentes - infelizmente menos Richard Carapaz -, agora falta comprovar na estrada a partir deste sábado.

Ontem escreveu-se neste blog como esta é uma Vuelta com um fortíssimo toque latino. Com a lesão do equatoriano, ficam os colombianos como grandes candidatos (pode ler aqui), mas não estão sós. Curiosamente, no ano em que a corrida finalmente terá uma classificação da juventude com direito a camisola e não apenas uma referência, há uns sub-25 que podem repetir um pódio muito jovem, tal como em 2018.

Mas comecemos pelos mais velhos, por assim dizer. Primoz Roglic (29 anos) fará a sua estreia na Vuelta e surge novamente entre os principais favoritos numa grande volta, mas sem o entusiasmo que o rodeou no Giro. Mas até há uma diferença para melhor A Jumbo-Visma que está a tornar-se numa super equipa - contratou Tom Dumoulin para 2020 - e leva a armada quase completa. Steven Kruikswijk irá partilhar a liderança com Roglic e aos 32 anos fará a sua quinta Vuelta, enquanto George Bennett, Robert Gesink, e Tony Martin serão os homens de trabalho de luxo. Lennard Hofstede, Sepp Kuss e Neilson Powless serão os jovens à procura de se formarem entre os mais experientes. Depois de dois pódios este ano, a Jumbo-Visma quer ficar no topo.

De Fabio Aru (29 anos, UAE Team Emirates) pouco se espera, mas quer-se esperar tudo. Foi ao Tour para ganhar forma, depois de uma paragem devido ao tratamento de um problema na perna. A Vuelta será o início de uma fase muito importante na carreira do italiano, que se estenderá a 2020. Aru tem de mostrar resultados.

Com Rafal Majka (29 anos, Bora-Hansgrohe) a sensação é idêntica. Já pouco se espera do polaco, mas sabe-se que pode fazer muito. Fez pódio em 2015, ganhou uma etapa em 2017 e está na altura de ser mais do que um candidato a top dez se não quiser perder estatuto numa equipa que está a crescer nas grandes voltas, mas a pensar cada vez menos em Majka. O estreante em Espanha Felix Grobschartner (25) terá a sua oportunidade para começar a ganhar espaço na Bora-Hansgrohe neste tipo de prova.

Wilco Kelderman (28, Sunweb) e Louis Meintjes (27, Dimension Data) são mais dois ciclistas à procura de comprovar umas expectativas constantemente adiadas. Já para Wout Poels (31) é a oportunidade por que tanto aguardou. Será uma Ineos a dar alguma liberdade aos seus ciclistas, não se concentrando tanto num ou dois, mas Poels não pode desperdiçar um momento que poderá não repetir-se. David de la Cruz (30) falhou por completo há um ano quando foi líder. Foi chamado à última hora, saindo Kenny Elissonde e a Vuelta poderá definir o futuro do espanhol para 2020.

Jakob Fuglsang (34) assume um discurso mais de actor secundário numa equipa com Miguel Ángel López. Porém, nesta Astana há um espírito ganhador e o dinamarquês abandonou o Tour com um ego ferido. Está a ser a sua melhor temporada, mas a Volta a França não quis nada com ele. Se estiver bem, dificilmente ficará a pensar apenas em preparar os Mundiais de Yorkshire.

A nova geração

Muito se tem falado como a nova geração está a tomar conta do World Tour. A Vuelta poderá muito bem confirmar essa tendência. Roglic e Kruijswijk quase se pode dizer que são veteranos, pois terão como rivais ciclistas que são candidatos à classificação da juventude, mas que podem também lutar pela geral.

Tadej Pogacar (20 anos, UAE Team Emirates) é um ciclista que faz sonhar com grandes embates com Egan Bernal, o vencedor do Tour e ausente da Vuelta. Era suposto só fazer a sua estreia em grandes voltas em 2020, mas perante os resultados  - ganhou a Volta ao Algarve e a Volta à Califórnia - e as exibições de enorme nível, aí está ele, preparado para arrancar uma carreira nas provas de três semanas que se espera de muito sucesso.

Tao Geoghegan Hart (24) terá uma oportunidade para se libertar das amarras de gregário. É um britânico talentoso, mas na Ineos não terá vida fácil para sair da sombra de Bernal e Pavel Sivakov (e ainda não está confirmada a possível contratação de Carapaz). Não lhe falta potencial e esta Vuelta é o momento para mostrar que tem o que é preciso para também ele ser visto como candidato a líder.

De quando em vez já se viu o que Mark Padun poderá fazer. Este ucraniano de 23 anos tem mostrado potencial, mas tem estado algo "tapado" na Bahrain-Merida. A equipa está em fase de mudança, com Vincenzo Nibali de saída e Mikel Landa a chegar. É altura para os mais novos tentarem ganhar o seu espaço e Padun não deverá ter dificuldades em alcançá-lo. A dúvida é se vai tentar lutar por um bom lugar na geral, ou se irá atrás de etapas. Seja qual for o objectivo, Padun pode ser uma das jovens figuras da Vuelta.

Will Barta (23) tem a escola Hagens Berman Axeon. Só por isso tem o selo de garantia de qualidade. Fará a sua estreia em grandes voltas numa CCC sem um líder forte para as grandes voltas. Contratou Ilnur Zakarin para 2020, mas Barta tem o potencial para ser o futuro mais risonho da formação polaca. Estará sem pressão. É uma Vuelta para aprender, mas é um ciclista que não gosta de passar despercebido, ainda mais quando tem três semanas para escolher o momento em que se falará dele.

James Knox (23) fez a sua estreia em grandes voltas no Giro, mas não teve sorte. Caiu e acabou por abandonar. Saiu frustrado e vem há Vuelta com muita vontade de mostrar o que é capaz de muito, numa Deceuninck-QuickStep sem pretensões à geral. Contudo, depois do pódio de Enric Mas há um ano (não estará presente nesta edição) e da exibição de Julian Alaphilippe no Tour, Knox tem toda liberdade para ir à procura do seu resultado, mesmo que o tenha de fazer sem ajuda. É um emergente talento britânico que, dado o historial recente do ciclismo daquele país (três ciclistas venceram as três grandes voltas em 2018) vai receber alguma atenção.

Casper Pedersen (23) é mais um dos estreantes em provas de três semanas. Não se espera que esteja na luta pela geral, mas merece que se o siga com atenção. É um dinamarquês com potencial, numa Sunweb a precisar mais do que nunca começar rentabilizar a aposta nos seus jovens, agora que Dumoulin está de saída. Se Kelderman voltar a não confirmar expectativas, que pelo menos seja um mentor para Pedersen.

Estava difícil, mas 2019 está a ser o ano da confirmação de Hugh Carthy (25), mais um talentoso britânico. Com Rigoberto Uran e Daniel Martínez na EF Education First, além de Sergio Higuita, Carthy terá um papel de gregário, ainda que seja de esperar que possa tentar ganhar uma etapa.

Pierre Latour (25) foi o melhor jovem em 2018 no Tour, mas este ano a falta de forma afastou-o da corrida já perto do seu início. Vai tentar redimir-se na Vuelta, esperando mostrar que poderá ser uma alternativa a Romain Bardet, com a AG2R a precisar de alargar o seu leque de opções no que a líderes diz respeito.

Para terminar, Ben O'Connor (23). Passou ano e meio desde a sua revelação na Volta aos Alpes, mas após a queda no Giro de 2018, o australiano ainda não conseguiu repetir as exibições. Será desta? A Dimension Data bem precisa e Meintjes não dá garantias. A equipa sul-africana precisa desesperadamente de vitórias, tal como há um ano. Então Ben King (30) salvou a honra com duas etapas e foi novamente chamado com a mesma missão.

1ª etapa: Salinas de Torrevieja - Torrevieja (13,4 quilómetros), contra-relógio por equipas


Como tem sido habitual, a Vuelta arranca com um contra-relógio colectivo. Não são esperadas grandes diferenças, mas uma Jumbo-Visma, por exemplo, vai tentar tirar vantagem naquela que se tornou uma especialidade para a equipa holandesa.

Partida das equipas (hora de Portugal Continental e Madeira, menos uma nos Açores):

17:56 Dimension Data
18:00 AG2R
18:04 Euskadi-Murias
18:08: CCC
18:12 Burgos-BH
18:16 EF Education First
18:20 Groupama-FDJ
18:24 Caja Rural
18:28 Katusha-Alpecin
18:32 Ineos
18:36 Cofidis
18:40 Mitchelton-Scott
18:44 Bahrain-Merida
18:48 Sunweb
18:52 Trek-Segafredo
18:56 Astana
19:00 Lotto Soudal
19:04 UAE Team Emirates
19:08 Bora-Hansgrohe
19:12 Jumbo-Visma
19:16 Deceuninck-QuickStep

19:20 Movistar

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7 de maio de 2019

Ineos não mexe no bloco do Tour e vai ao Giro com a equipa mais jovem da sua história

(Imagem: Team Ineos)
Com seis dos oito ciclistas a terem 25 ou menos anos, a Ineos vai mesmo mostrar os seus jovens na Volta a Itália. Com a inesperada ausência de Egan Bernal, ficou a dúvida  quem substituiria o colombiana. A vaga foi preenchida por Eddie Dunbar, irlandês que chegou em Setembro após o fim da Aqua Blue Sport. Mas não irá como líder. Também Iván Ramiro Sosa entrou no oito do Giro, depois de Gianni Moscon não ter convencido em corridas recentes, tendo a Volta à Califórnia como destino neste mesmo de Maio.

"Nas últimas duas épocas temos estado a trazer um grupo de jovens ciclistas seleccionados cuidadosamente e que acreditamos que serão o futuro da nossa equipa. Com este desenvolvimento em mente, escolhemos preencher [com jovens] a nossa mais nova formação de sempre para uma grande volta e é adequado que seja a nossa primeira Team Ineos", explicou o director Dave Brailsford. A média de idades é de 25,25 anos.

Com Wout Poels e David de la Cruz a serem opções de maior experiência e no caso do holandês já está a pedir há algum tempo uma oportunidade de liderar a equipa em prova de três semanas, os responsáveis acabaram por premiar as boas exibições de Tao Geoghegan Hart (24 anos) e Pavel Sivakov (21), com os dois a assumirem o papel de destaque na ausência de Bernal. O colombiano sofreu uma queda num treino, fracturando a clavícula. Dunbar (22) será um homem de apoio, assim como Iván Ramiro Sosa (21). Estes dois ciclistas, mais Jhonatan Narváez (22) vão fazer a sua estreia em grandes voltas.

Hart e Sivakov estiveram na Vuelta no ano passado, pelo Brailsford salientou a necessidade de chamar homens experientes, para assim encontrar algum equilíbrio e certamente para ter vozes de comando entre jovens que, de repente, se vêem com muita responsabilidade. Christian Knees tem 38 anos e 19 grandes voltas, enquanto Salvatore Puccio, 29 anos, tem 10. Sebastián Henao vai na sua sexta temporada na formação britânica, mas alguma falta de regularidade tem afastado o colombiano de maior protagonismo. Ainda assim, tem quatro Giros feitos, aos 25 anos.

Poels é um dos gregários de luxo da estrutura no Tour, tal como Michal Kwiatkowski. Ambos poderiam ter sido eleitos, mas a Ineos não quer mexer num núcleo duro que dá tantas garantias para enfrentar o Tour. David de la Cruz poderá ficar "guardado" para a Vuelta, ainda que em 2018 tenha desiludido, não conseguindo lidar com a pressão de ter de mostrar resultados. Chris Froome e Geraint Thomas eram cartas fora do baralho para o Giro, pelo que a Ineos vai mesmo tentar que os ciclistas que quer ver como as referências da modalidade num futuro muito próximo se mostrem à altura do desafio.

Com Bernal a Ineos iria apostar na luta pela maglia rosa, pois mesmo que só tenha feito uma grande volta, os resultados e exibições demonstram que é um ciclista preparado para começar a discutir este tipo de feitos. Sem o colombiano, a esperança é bem menor. Hart e Sivakov estiveram a grande nível na Volta aos Alpes. O primeiro venceu duas etapas, o segundo ganhou uma e a geral. Porém, será uma realidade bem diferente num Giro de três semanas e com muitos corredores mais experientes e num momento de forma muito forte.

A Sky despediu-se com a juventude a ganhar nos Alpes e a Ineos estreou-se com outro jovem talento a vencer em Yorkshire (Chris Lawless). A pressão sobre Hart e Sivakov será enorme, pois estão numa equipa exemplar no que a três semanas diz respeito, mas, por outro lado, o objectivo passará muito para que os dois, tal como Dunbar, Narváez e Sosa, ganhem experiência.

Vencer a geral parece improvável. Ganhar etapas, absolutamente possível, assim como uma classificação da juventude, por exemplo. A vontade de mostrarem que podem responder a esta chamada carregada de responsabilidade com competitividade, poderá fazer destes jovens uns animadores interessantes num Giro que ficou mais pobre sem Bernal, mas a Ineos tratou de dar outro ponto de interesse.

A Volta a Itália arranca no próximo sábado em Bolonha, com um contra-relógio individual.

Aqui ficam algumas das equipas já confirmadas para a 102ª edição do Giro, salvo alguma alteração de última hora.

Ineos: Christian Knees, Eddie Dunbar,  Jonathan Narvaéz, Tao Geoghegan Hart, Pavel Sivakov, Sebastián Henao, Iván Ramiro Sosa, Salvatore Puccio;

Astana: Miguel Ángel López, Andrey Zeits, Dario Cataldo, Davide Villella, Ion Izagirre, Jan Hirt, Manuele Boaro, Pello Bilbao;

Bahrain-Merida: Vincenzo Nibali, Andrea Garosia, Antonio Nibali, Damiano Caruso, Domenico Pozzovivo, Grega Bole, Kristijan Koren, Valerio Agnoli;

Mitchelton-Scott: Simon Yates, Brent Bookwalter, Christopher Juul-Jensen, Jack Bauer, Johan Esteban Chaves, Lucas Hamilton, Luke Durbridge, Mikel Nieve;

Movistar: Mikel Landa, Andrey Amador, Antonio Pedrero, Héctor Carretero, Jasha Sütterlin, José Joaquín Rojas, Lluís Mas, Richard Carapaz;

Jumbo-Visma: Primoz Roglic, Antwan Tolhoek, Jos van Emden, Koen Bouwman, Laurens de Plus, Paul Martens, Sepp Kuss, Tom Leezer;

Sunweb: Tom Dumoulin, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Jan Bakelants, Louis Vervaeke, Robert Power, Sam Oomen.

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26 de abril de 2019

A nova geração está pronta para continuar o legado Sky na Ineos

(Fotografia: Facebook Team Sky)
A Volta aos Alpes marcou o adeus vitorioso da Sky. Na especialidade desta equipa, corridas por etapas, nada como uma exibição de grande nível, ainda mais dos jovens que se preparam para ser o rosto da Ineos, o novo nome da formação a partir de 30 de Abril, na Volta à Romandia. A despedida da Sky será na Liège-Bastogne-Liège, nunca foram o ponto forte, pelo que o triunfo na corrida alpina teve um enorme significado, ainda mais por quem foi alcançado.

Pavel Sivakov chegou com Egan Bernal à estrutura em 2018. O colombiano "pegou" de imediato, o russo precisou de um maior período de adaptação. Bernal tinha a vantagem de ter passado dois anos na equipa italiana Profissional Continental Androni, de Gianni Savio, enquanto Sivakov tinha competido apenas a nível de sub-23. A experiência competitiva fez a diferença na forma como cada um singrou na Sky.

No ano antes a assinar pela equipa britânica, Sivakov foi fenomenal entre os sub-23. Somou vitórias importantes, como na Ronde de l'Isard e no Giro Ciclistico d'Italia, mas principalmente tinha somou grandes exibições. Chegou rotulado como próxima estrela, mas enquanto Bernal rapidamente se tornou cabeça-de-cartaz, Sivakov foi discreto.

Ritmo diferente para eventualmente chegar ao mesmo estatuto, com algumas lesões pelo meio. Ainda não está ao nível de Bernal, mas mostra que para lá caminha. Na Volta aos Alpes, o russo colocou na estrada de uma competição de muito espectáculo e dificuldade todo o seu potencial. Venceu uma etapa e ganhou a geral, não se intimidando com um Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) que muito o atacou, mas nunca conseguiu que o jovem Sivakov cedesse. No final até o italiano se rendeu à classe do russo, mas não só. É que Tao Geoghegan Hart fez algo que não se vê muito: sentar Nibali.

O britânico, de 24 anos, dois mais velho que Sivakov, também se estreou a vencer como profissional tal como o russo. Ficou com duas etapas e na chegada a Cles, no sprint com Nibali, deixou o italiano a sentar-se, derrotado pela sua força naqueles metros finais de muitos quilómetros a subir (e descer). Já no ano passado Hart tinha deixado excelentes indicações, tornando-se no escudeiro de Egan Bernal, ficando na memória como ambos estiveram tão bem na Volta à Califórnia que o colombiano conquistou. Ao ter uma oportunidade, Hart aproveitou-a e, além das etapas, subiu ao pódio na Volta aos Alpes, no segundo lugar (a 27 segundos), depois de um brilhante trabalho de ajuda a Sivakov. Com a evolução que tem demonstrado, não demorará muito para Hart merecer subir mais na hierarquia da equipa.

Chris Froome acrescentou a Volta aos Alpes ao seu calendário, para tentar ganhar mais ritmo, ele que das poucas vezes que tem competido, mal se tem visto. Na corrida italiana acabou como gregário e teve o seu papel na vitória de Sivakov, algo que certamente marcará o russo. Não é qualquer um que possa dizer que teve um vencedor das três grandes voltas, incluindo quatro Tours, a puxá-lo e a responder a ataques dos rivais para ajudar um jovem líder.

Se é o início de uma passagem de testemunho, os próximos meses o dirão. Até porque, falta saber em que ciclista se irá tornar Sivakov. Bernal é claramente um voltista. O russo tem capacidade para se adaptar a mais terrenos. Bernal tem um poder de arranque em montanha. Sivakov tem um impressionante poder de arranque em terrenos não tão inclinados. Porém, não seria de surpreender ver Sivakov tornar-se também ele num ciclista para as grandes voltas. Para já irá fazer da jovem equipa da Ineos que estará na Volta a Itália, com Bernal como líder.

Será a geração de 1997 em força, pois tanto estes dois ciclistas, como Iván Ramiro Sosa nasceram num ano muito generoso para o ciclismo. Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Pascal Eenkhoorn (Jumbo-Visma), Max Kanter (Sunweb) e Gino Mäder (Dimension Data), são outros exemplos de ciclistas que muito prometem e que nasceram naquele ano. E a Sky tem mais um: Jhonatan Narváez.

Além de Bernal, Hart, Sivakov e Sosa, a Ineos (há que começar a habituar a este nome) deverá levar a Itália Gianni Moscon (25 anos), Sebastián Henao (25) e Salvatore Puccio, que poderá ser o "veterano" de 29 anos, pois ainda falta conhecer o oitavo elemento.

O tempo de Froome e Geraint Thomas ainda não acabou, mas não durará muito mais. Foram dois ciclistas que marcaram a Sky, mas os nomes que poderão marcar a Ineos estão aí, numa equipa que tem apostado forte na contratação de jovens talentos, pois há ainda a ter em conta Eddie Dunbar, Kristoffer Halvorsen, Filippo Ganna, Chris Lawless, sem esquecer Owain Doull, um especialista para as clássicas clássicas. Não perdendo a sua ligação às origens britânicas, a Sky/Ineos ameaça alargar o seu leque de grandes figuras do ciclismo a outras nacionalidades

Certo é que o futuro da Sky/Ineos já é bem presente e a expectativa para o Giro será muito alta, mesmo com a falta de experiência dos seus jovens, que em talento, capacidade física e mesmo em inteligência táctica já demonstram muita maturidade.

O nome Sky irá sair de cena na Liége-Bastogne-Liège de domingo, numa das poucas clássicas que a equipa conquistou. É um dos dois monumentos que tem. Foi o primeiro, dado por Wout Poels, em 2016, com Michal Kwiatkowski a ganhar a Milano-Sanremo no ano seguinte. E os dois estarão na edição deste ano da Liège. Não sendo os favoritos de topo, são fortes candidatos a um adeus que seria perfeito para a Sky, depois da tremenda Volta aos Alpes dos seus jovens ciclistas.


14 de outubro de 2018

Quer fazer uma equipa de ciclismo? Há ciclistas bem interessantes ainda sem contrato para 2019

Só falta a Volta a Guangxi, na China, para fechar a temporada World Tour (realiza-se de terça-feira a domingo) e ainda há vários ciclistas que procuram definir o seu futuro para 2019. Algumas equipas já vão fechando os plantéis, outras irão fazê-lo em breve. Há ainda nomes interessantes que se desconhece se renovam ou se vão mudar de ares. Se juntarmos alguns, ficamos com uma equipa bem interessante.

Portanto, toca a reunir uns tostões e a criar uma equipa de ciclismo, contratando corredores que estão actualmente em formações do World Tour. Este seria um plantel mais a pensar em provas por etapas, tendo em conta os ciclistas que até ao momento em que se escreve este texto estão sem contrato confirmado para a próxima temporada. Aqui ficam as sugestões.

Que tal ter um campeão do mundo e ainda mais português para começar? Sim, Rui Costa continua no mercado.  A época já se adivinhava difícil com a UAE Team Emirates a contratar dois líderes, Daniel Martin e Fabio Aru. Porém, a lesão no joelho contraída no Paris-Nice limitou-o grande parte do ano, tendo reaparecido muito forte nos Mundiais de Innsbruck, ficando em 10º, depois de não ter participado em qualquer grande volta, algo inédito na sua carreira desde que chegou ao mais alto nível. Porém, aos 32 anos, é um ciclista que pode ser um caça-etapas nas grandes competições e, claro, colocá-lo em certas clássicas, como nas Ardenas, poderá ser uma boa aposta. Não é um líder para três semanas, mas Rui Costa ainda tem muito a mostrar no ciclismo, sem que tenha de ser novamente gregário.

Dos ciclistas ainda sem contrato, seria difícil ter um que se apontasse logo como líder para uma grande volta. Talvez fosse preciso esperar para ver em algumas corridas quem estaria nas melhores condições de assumir a luta pelo menos por um top 10. Mas pisca-se o olho a um colombiano.

Daniel Martínez é mais um de uma geração que ameaça ser talvez a melhor que o país teve. Tem 22 anos, está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, depois de dois anos na Wilier Triestina-Selle Italia. A época de estreia foi bastante positiva, marcada, contudo, por uma agressão de um condutor durante um treino, em Março. Martínez chegou a perder a consciência e a memória, mas felizmente recuperou e demonstrou que pode não ter tido a entrada fulgurante de Egan Bernal (Sky) no World Tour, mas tem muito valor.

Foi terceiro na Volta à Califórnia e sexto na Catalunha. Esteve na Volta a França, apresentando-se a bom nível nas etapas de montanha, para quem ia como gregário de Rigoberto Urán (que abandonou muito cedo). Ciclista muito interessante este Martínez.

Joe Dombrowski. Está difícil ao americano afirmar-se de vez. Apresenta-se bem sempre que corre em casa, mas tem ficado um pouco aquém quando está na principais corridas na Europa, aparecendo aqui e ali, sem a consistência que tem de apresentar a este nível. No entanto, tem 27 anos e ainda é cedo para deixar de acreditar nele. A sua contratação seria mais para trabalhar para a equipa, mas sempre espreitando um bom momento de forma para lutar por alguma vitória. É um bom trepador que está a precisar de um bom resultado para "explodir" finalmente. Está em final de contrato com a EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

John Darwin Atapuma. Parece que quando está perto de se afirmar de vez, volta a eclipsar-se. Tanto aparece em grande, como desaparece no pelotão, como acontece este ano na UAE Team Emirates. Faz 31 anos em Janeiro, pelo que algumas portas podem começar a fechar-se, mas é inevitável colocá-lo nesta lista. É um excelente trepador quando está em forma, já esteve perto de ganhar em grandes voltas, pelo que pode estar na luta por etapas.

Kenny Elissonde. Quando chegou à Sky no ano passado, o francês parecia estar bem encaminhado para ser um dos homens de confiança de Chris Froome, talvez mesmo o braço direito, já que Geraint Thomas estava a começar a tentar afirmar-se como líder. Não é esse braço direito, mas Elissonde é um ciclista de elevada confiança. Sabe-se bem o que esperar dele, é um ciclista de equipa e um dos últimos a abandonar os líderes. Aos 27 anos ainda tem muito para dar e é um ciclista que fica bem em qualquer formação que queira ter um conjunto forte para as provas por etapas.

Sebastián Henao. Está desde 2014 na Sky, mas o mais novo dos Henaos (o primo vai para a UAE Team Emirates) continua a alternar entre um bom resultado e vários pouco ou nada relevantes. Este ano nem para o Giro foi escolhido, como aconteceu nas temporadas anterior. Não conseguiu evoluir o que se esperava, mas não se pode dizer que, com apenas 25 anos, já não venha a afirmar-se. Em corridas de menor dimensão, Henao mostra-se. Porém, se está na Sky tem de fazer mais. Tem qualidade, sendo um ciclista para a alta montanha. "Só" precisa de estar bem física e mentalmente.

Natnael Berhane. Mais um ciclista de trabalho e uma aposta no ciclismo africano, que vai crescendo de interesse. O eritreu de 27 anos tem tido dificuldades em confirmar as expectativas que criou no início da sua carreira, quando alcançou algumas vitórias, a mais importante na Volta à Turquia, em 2013. É forte na montanha e também pode ser lançado em clássicas com algum sobe e desce. Está em final de contrato na Dimension Data.

Matej Mohoric. Aos 23 anos pode ser um caça-etapas muito bom - já tem uma na Vuelta e outra no Giro -, mas também já vai demonstrando que pode tornar-se num bom voltista, tendo ganho o Binck Bank Tour e a Volta à Alemanha esta temporada. Pertence a uma nação que cada vez mais vai apresentando bons valores no ciclismo: a Eslovénia. Tendo em conta os seus resultados e a regularidade que vai apresentando sempre que tem alguma liberdade para lutar pelos seus próprios resultados, até se esperaria que a Bahrain-Merida já o tivesse segurado. Para já ainda não, pelo que seria uma excelente contratação.

Filippo Ganna. Há que pensar no futuro e este italiano até pode ser de má memória para Portugal ("tirou" um título europeu e mundial de pista a Ivo Oliveira), mas na UAE Team Emirates não está fácil encontrar o espaço para evoluir e afirmar-se na estrada. Forte no contra-relógio, ainda tem que evoluir na montanha - tem 22 anos -, passando bem a média, podendo ainda ser hipótese para algumas clássicas. Este ano fez as do pavé, sem grandes resultados, contudo, seria interessante fê-lo nas Ardenas também.

Rémi Cavagna. Mais um jovem, 23 anos, francês e que este ano não se afirmou como se esperava. Não se pode pensar que iria fazer como Enric Mas, mas Cavagna acabou por ter um ano discreto, apesar de ter ganho a Dwars door West-Vlaanderen. É um ciclista ainda em formação, que não dando certezas, será interessante ver como evolui. O potencial está lá para as provas por etapas e também em clássicas, não fosse ele estar na Quick-Step Floors.

James Shaw. É um nome talvez menos conhecido, mas este jovem britânico, de 22 anos, é um dos que merece alguma atenção. Está na Lotto Soudal, uma equipa muito de clássicas, sprints e caça-etapas. Talvez por isso ainda procure o seu espaço. Apesar de ter ganho em júnior a Kuurne-Brussels-Kuurne e Omloop Het Nieuwsblad, é nas corridas por etapas que pode e rende mais. Um ciclista para o futuro.

Tao Geoghegan Hart. Talvez se possa dizer que se deixa o melhor para o fim, no que diz respeito a voltistas. 23 anos e tanto talento! Este britânico já foi elogiado pelo director da Sky, Dave Brailsford, pelo que será uma surpresa se não renovar. Foi brilhante no apoio a Egan Bernal na Volta à Califórnia, que o colombiano ganhou. Mas as boas exibições de  Geoghegan foram constantes durante toda a época, tendo oscilado um pouco na Vuelta. Foi a sua primeira grande volta, pelo que esteve em Espanha para ganhar experiência. Pode ser visto para já como um gregário, mas vai dando indicações que pode vir a ser mais num futuro próximo. É uma autêntica máquina a meter ritmo, faltando saber como será no dia em que lhe derem liberdade.

Salvatore Puccio. Outro homem da Sky que também pode ser chamado para as corridas por etapas, mas é igualmente forte nas clássicas. Tem 29 anos e entrou na equipa britânica como estagiário em 2011. A certa altura ainda pareceu que as corridas de um dia poderiam ser a aposta, mas o italiano revelou ser um ciclista completo. Bom para trabalhar, mas dêem liberdade e vai à procura de resultados e tem alguns de destaque. Falta-lhe a vitória, mas é um corredor de confiança e regular, principalmente no trabalho para a equipa.

Ben Swift. Depois de um ano na Katusha, esteve sete na Sky. Quis mais liberdade e foi para a UAE Team Emirates. A mudança não resultou. Swift é uma sombra do ciclista que foi duas vezes pódio na Milano-Sanremo, somando 13 vitórias na carreira, incluindo no Tour Down Under, Volta à Califórnia e Volta à Polónia. Está de saída da equipa e precisa de um novo impulso na carreira. Tem 30 anos, experiência não lhe falta e pode dar vitórias caso consiga ter uma temporada mais consistente, sem problemas físicos e de saúde. Ciclista para os sprints, mas que defende-se bem em alguma montanha. Até já surpreendeu ao aparecer na frente no Alpe d'Huez, no Critérium du Dauphiné em 2017. Foi segundo, numa subida com uma parte diferente da mítica ascensão.

José Joaquín Rojas. 33 anos e ainda tanto para dar. O espanhol da Movistar é útil nas grandes voltas, nas clássicas e ainda vai ao sprint, se tiver a oportunidade. É um daqueles ciclistas que pode fazer um pouco de tudo e a sua experiência é uma mais valia para qualquer equipa. Será algo estranho se não renovar pela formação espanhola que representou praticamente toda a carreira. Mas se não ficar, não terá problemas em encaixar noutra estrutura.

Luka Mezgec. Seja a lançar os sprints ou a tentar terminá-los, este esloveno de 30 anos é mais um daqueles ciclistas que uma equipa sabe que pode contar sempre com ele para realizar bem o seu trabalho. Com a Mitchelton-Scott a mudar cada vez mais a sua génese para uma equipa para ganhar grandes voltas, Mezgec poderá perder algum espaço, mas continua a ser um ciclista de valor, numa segunda fila de uma equipa.

Matteo Pelucchi. Está um pouco no mesmo plano que Mezgec. Bom sprinter, mas não consegue debater-se constantemente com os grandes nomes da modalidade. Na Bora-Hansgrohe acaba por estar mais entregue à função de ajudar Sam Bennett ou Peter Sagan. Faz 30 anos em Janeiro e é um ciclista regular e de confiança no seu tipo de terreno.

Tony Martin. Nesta lista já se incluíram ciclistas com qualidade, mas que não são garantia de sucesso, casos de Dombrowski, Atapuma ou Cavagna. No entanto, é difícil não considerar Martin como o maior dos riscos. É um dos melhores exemplos de quem saiu da Quick-Step Floors e eclipsou-se quase por completo. Nem no contra-relógio consegue o número de vitórias que alcançou no passado. É um ciclista muito caro, mas a falta de resultados e com 33 anos, vai perdendo algum crédito. Mas é Martin, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio, vencedor de cinco etapas no Tour e de duas Voltas ao Algarve. Estará a caminho da Lotto-Jumbo, mas o rumor há muito que perdura, sem que haja confirmação. Se conseguir recuperar parte da sua melhor versão, então Martin será novamente uma boa aposta, mas em dois anos na Katusha-Alpecin, pouco ou nada se viu do grande Tony Martin.

Estas são as escolhas de ciclistas que estão no World Tour, como já foi escrito, e fecha-se com mais dois portugueses: Tiago Machado e Nuno Bico. O primeiro até poderá estar de regresso a Portugal e será muito bem-vindo ter um ciclista como Machado por cá a tempo inteiro. Porém, aos 32 anos e recordando, por exemplo, a recente Vuelta, é um corredor que ainda pode ter lugar num escalão superior às Continentais portuguesas, estando em final de contrato com a Katusha-Alpecin. É um incansável trabalhador e ainda mais incansável como lutador. Fala-se da W52-FC Porto, que quer subir a Profissional Continental, mas não é de afastar um regresso à Rádio Popular-Boavista.

Nuno Bico não tem tido vida fácil na Movistar. Perseguido por algum azar, a sua evolução tem sido interrompida por problemas físicos, com algumas quedas aparatosas pelo caminho. Está neste momento a recuperar de uma clavícula partida na Clássica do Quebéque. A alta competição pode ser ingrata para aqueles que, por vezes, demoram um pouco mais a afirmar-se, mas Bico é um ciclista que, aos 24 anos, ainda está por mostrar todo o seu potencial.

Em suma, o plantel seria composto por: Rui Costa, Daniel Martínez, Joe Dombrowski, John Darwin Atapuma, Kenny Elissonde, Sebastián Henao, Natnael Berhane, Matej Mohoric, Rémi Cavagna, James Shaw, Tao Geoghegan Hart, Salvatore Puccio, Ben Swift, José Joaquín Rojas, Luka Mezgec, Matteo Pelucchi, Tony Martin, Tiago Machado e Nuno Bico.