Mostrar mensagens com a etiqueta Peter Sagan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Peter Sagan. Mostrar todas as mensagens

7 de dezembro de 2019

Uma Bora-Hansgrohe cada vez mais para todo o terreno

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Seria fácil para a Bora-Hansgrohe tentar ficar à sombra do sucesso de Peter Sagan, concentrar-se em proteger a sua estrela quando as coisas não correm de feição e tirar todos os dividendos possíveis de um dos ciclistas mais populares do pelotão e, a nível de marketing, o mais rentável (Mathieu van der Poel vai ser um forte adversário nesse aspecto e não só). Porém, a equipa alemã tem sabido ir além de Sagan e se já na época passada se tinha visto esse crescimento, em 2019 ficou a confirmação que há várias e boas opções para ganhar e, ainda mais importante, em diferentes terrenos.

Talvez por isso mesmo, desta feita, não se comece por Peter Sagan. Continua a ser a grande estrela, mas não é a grande figura em termos de vitórias. Sam Bennett e Pascal Ackermann dividiram nos sprints as atenções. O irlandês estava simplesmente imparável no início de época, a somar muitos triunfos. O alemão também ia picando o ponto, ainda que em menor ritmo. No entanto, a Bora-Hansgrohe cedo fez saber que Ackermann seria a escolha para o Giro, Sagan iria ao Tour e Bennett teria de aguardar pela Vuelta. Sem surpresa, o irlandês não ficou nada satisfeito, mas a sua reacção foi continuar a ganhar. Ackermann chegou a Itália pressionado com os resultados do companheiro, mas reagiu com duas vitórias de etapa, esteve na luta por mais e ainda ficou com a classificação dos pontos.

Bennett foi à Vuelta, venceu também duas tiradas e terminou 2019 com 13 vitórias e duas classificações por pontos. Ackermann somou também 13 triunfos e três classificações por pontos, incluindo na Volta ao Algarve. Com Sagan intocável, não há espaço para tantos sprinters ambiciosos e Bennett está a caminho da Deceuninck-QuickStep, com Ackermann a ter a seu favor adaptar-se bem a certas clássicas e ser alemão, com a equipa a querer cada vez apostar nos ciclistas da casa. Mas há que reiterar, apesar de ter sido preterido no Giro (onde esteve tão bem em 2018, com três etapas ganhas) e no Tour, Bennett foi um profissional exímio, mantendo-se em excelente nível durante todo o ano. Deverá encaixar na perfeição na Deceuninck-QuickStep.

Mudando a atenção para a luta pelas classificações gerais, Rafal Majka foi sexto no Giro e Vuelta e de quando em vez este polaco mostrou a sua qualidade, mas sem a traduzir em grandes vitórias e para a Bora-Hansgrohe tal vai começar a ser insuficiente perante o que se viu de outros três ciclistas.
Ranking: 2º (14192,86 pontos) 
Vitórias: 47 (incluindo duas etapas no Giro e na Vuelta e uma no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Pascal Ackermann e Sam Bennett (13)
Maximilian Schachmann fez o percurso inverso que vai fazer Bennett e no seu primeiro ano na Bora-Hansgrohe continuou a afirmaçãoque já se esperava. É um ciclista com muito potencial, somando top 15 e 10 nas provas por etapas de uma semana. Infelizmente no Tour caiu no contra-relógio e com uma mão partida foi para casa após a 13ª etapa, mas a Bora-Hansgrohe não tem dúvidas que foi uma contratação acertada e acabará por aparecer bem também nas três semanas.

Felix Grobschartner é o outro ciclista que a equipa está a tentar "formar" para as corridas por etapas. Ganhou a Volta à Turquia, foi quarto na Romandia e somou mais top dez, mas desiludiu um pouco na Vuelta. Tem apenas 25 anos e vai continuar a sua evolução.

Mas o ciclista que já faz a Bora-Hansgrohe não só acreditar, mas em pensar em chegar a um pódio no Tour é Emanuel Buchmann. Muitas vezes mal se dá por ele. Não é de grandes loucuras, calculista nas suas análises às corridas, compete a pensar nas suas capacidade e não no que os rivais podem fazer. O resultado foi o quarto lugar na Volta a França, com o pódio a ficar a apenas 25 segundos. Faltou-lhe uma grande vitória e a etapa na Volta ao País Basco soube a pouco. Nessa corrida, começou a última etapa na liderança, mas das poucas vezes em que se viu este ciclista andar ao ataque, pagou caro o esforço. De 54 segundos de vantagem para Ion Izagirre, acabou com 31 a mais e no terceiro lugar.

Buchmann regressou ao seu estilo mais calculista depois dessa exibição e a Bora-Hansgrohe também percebeu que tinha de controlar melhor o esforço de toda a sua equipa, pois forçou tanto nos primeiros dias, que no último ninguém aguentou o ataque da Astana.

São as pequenas lições que uma equipa que chegou ao World Tour em 2017 com Sagan como praticamente a única aposta, a pensar nas clássicas e sprints, e agora mostrou que já tem os ciclistas que fazem os seus responsáveis dizer cada vez mais que querem transformar a Bora-Hansgrohe na melhor equipa do mundo. Parece querer seguir mais os passos de uma Jumbo-Visma, ou seja, apostar nas várias especialidades e não ser tanto como uma Deceuninck-QuickStep ou uma Ineos que optam mais pelas clássicas e grandes voltas, respectivamente.

Porém, para o futuro próximo, a formação alemã começa a dar sinais que as provas por etapas vão tornar-se cada vez mais um ponto forte. Contratou jovens ciclistas, a maioria do apetência para subir. Lennard Kämna (23 anos) deixa a Sunweb para continuar a sua evolução na Bora-Hansgrohe, sendo um ciclista que vai criando alguma expectativa. Da Katusha-Alpecin chega o italiano Matteo Fabbro (24), enquanto Patrick Gamper (22), Ide Schelling (21) vão estrear-se ao mais alto nível. O estónio Martin Laas (26) é o único a fugir à regra, sendo mais forte no sprint.

E Sagan? Talvez se fale pouco dele porque quatro vitórias no ano diz quase tudo sobre a sua temporada. A fase das clássicas não correu bem e até adiou a anunciada estreia na Liège-Bastogne-Liège por não estar bem fisicamente. Não se encontrou com a melhor forma numa das fases da temporada mais importante, mas foi ao Tour conquistar a sétima camisola verde (além de uma etapa). Um recorde, um objectivo de carreira cumprido que até o vai fazer estrear-se no Giro em 2020, sem claro esquecer o Tour, quando se prepara para celebrar o 30 aniversário (26 de Janeiro).

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto««

7 de outubro de 2019

Sagan dá um conselho a Van der Poel

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Se há alguém que sabe bem o que é chegar ao mais alto nível e ter quase de imediato um forte impacto é Peter Sagan. Quando em 2010 se estreou pela Liquigas-Doimo, o eslovaco rapidamente começou a ganhar nos grandes palcos, não demorando a ser visto como um fenómeno e a tornar-se numa estrela. Sagan também sabe o quanto é difícil continuar a ganhar ao mesmo ritmo e cumprir as elevadas expectativas. Por isso, é a pessoa indicada para aconselhar o mais recente fenómeno do ciclismo mundial, Mathieu van der Poel, que nos Mundiais de Yorkshire mostrou que é humano depois de umas exibições de outro mundo!

O holandês de 24 anos só esta época é que se dedicou mais à vertente de estrada - apesar de ter sido campeão nacional em 2018 - e não demorou a exibir-se a grande nível e a obter vitórias incríveis e inesquecíveis. A da Amstel Gold Race ficará para a história e recentemente na Volta à Grã-Bretanha também deixou o pelotão, nas palavras de Matteo Trentin, a parecer uns ciclistas juniores. Porém, depois de parecer que ia a caminho de mais uma performance para recordar nos Mundiais, conseguindo chegar à frente da corrida e confirmando que tinha mesmo tudo para ganhar, quebrou. E que quebra! Acabou a mais de 10 minutos do vencedor, Mads Pedersen.

Sagan conhece a sensação, tanto a de ser o super favorito, como a de ter uma quebra física depois de muito trabalhar. Tantas vezes foi o eslovaco criticado por gastar demasiada energia, que depois lhe faria falta na luta pela vitória, enquanto os seus rivais aproveitavam o seu trabalho. Para Sagan, talvez Van der Poel estivesse "demasiado motivado" em Yorkshire: "Fez a sua aposta e pagou o preço."

Outra parecença entre ambos é o passado de BTT, com o holandês a ser ainda um dos melhores no ciclocrosse. Sagan avisou como tudo é diferente na estrada e deixou então um conselho a Van der Poel: "Há que aprender a usar a cabeça." Sagan até demorou na sua carreira a seguir esta recomendação! Ao Algemeen Dagblab acrescentou: "Há uma grande diferença entre a estrada e o ciclocrosse e BTT. Nos circuitos vamos a fundo durante uma hora. Na estrada falta experiência [a Van der Poel]."

Peter Sagan disse ainda como "no princípio é tudo mais fácil". Ou seja, ninguém sabe do que um ciclista é capaz. "Ganhar uma vez está bem. Depois tens de conseguir a segunda, terceira, quarta... Então é quando começa a ficar complicado", afirmou.

Mais uma vez, Sagan sabe bem do que fala. Aos 29 anos teve uma temporada abaixo das expectativas, com apenas quatro vitórias, mas juntou a sétima camisola verde (pontos) na Volta a França, assim como a classificação dos pontos na Volta à Suíça. Nos Mundiais chegou a admitir que perdeu uma oportunidade para conquistar o seu quarto título. Sagan falhou o momento que o colocaria na frente da corrida: acompanhar Van der Poel quando o holandês atacou no grupo perseguidor.

Aos 24 anos, Van der Poel (Corendon-Circus) tem muitos triunfos por conquistar, mesmo que continue, por agora, a dividir a sua carreira entre as três vertentes. Aliás, o BTT poderá ser o seu objectivo para Tóquio 2020, enquanto Sagan não deverá repetir a presença na modalidade, depois da experiência nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O eslovaco anunciou que não irá participar no evento teste e considera que o percurso não lhe assenta muito bem, devido às muitas subidas. O ciclista da Bora-Hansgrohe afirmou ainda que não terá tempo para se preparar de forma adequada, pelo que fica aberta a porta para ir à prova de estrada.

Enquanto Sagan decide os objectivos para 2020, certo é que na perspectiva de quem gosta de ciclismo, um dos duelos que mais se espera ver no próximo ano é precisamente o de o eslovaco com Mathieu van der Poel. Os dois em forma poderão tornar as clássicas da Primavera ainda mais interessantes.

»»Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido««

»»Um campeão mundial improvável que comprovou 2019 como o ano da nova geração««

3 de outubro de 2019

Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
O ciclismo vive de patrocínios, uma realidade que dificilmente mudará. Raramente se conhecem números de como a modalidade pode influenciar determinado patrocinador que nela investe, mas a Hansgrohe revelou que esta ligação permitiu que a empresa crescesse 30% mais rápido nos mercados que considera chave.

A Hansgrohe juntou-se à Bora em 2017 quando o projecto deu o salto para o World Tour. Foi necessário um bom investimento, com a ajuda da marca de bicicletas da Specialized para garantir a super estrela de então Peter Sagan. O eslovaco rapidamente colocou todos a falar da Bora-Hanshrohe, equipa tem tem sabido crescer além de Sagan. Em 2019 afirmou-se definitivamente como equipa também para as corridas por etapas, de uma e de três semanas. Além disso teve um Sam Bennett avassalador no sprint, com Pascal Ackermann a confirmar credenciais.

A Bora-Hansgrohe tornou-se numa das principais equipas do pelotão internacional - soma 47 vitórias em 2019. "O ciclismo permitiu-nos conectar de forma mais forte com o consumidor final", afirmou ao site espanhol Expansión Luis Montes de Oca, director de marketing da empresa alemã para a Península Ibérica.

O responsável acrescentou que o ciclismo dá uma visibilidade maior, não ficando tão reduzida "a acções concretas". "De momento é um grande suporte à imagem da marca. No ano passado ampliámos o acordo até 2020 e vamos continuar a relação enquanto pudermos", salientou Luis Montes de Oca.

A Hansgrohe aposta nos produtos para casa-de-banho e cozinha e vai utilizando alguns ciclistas em campanhas de marketing. Montes de Oca referiu como a associação à equipa de ciclismo fez a empresa "crescer 30% mais rápido nos mercados chaves". Diz mesmo que na Alemanha o reconhecimento "triplicou nos últimos 12 meses", ao que deve contribuir os corredores germânicos estarem a começar cada vez mais a destacar-se, casos de Ackermann e Emanuel Buchmann, por exemplo. França e Espanha são outros mercados importantes e o responsável afirmou que a Hansgrohe melhorou depois da crise. "Agora estamos em crescimento" assegura.

31 de julho de 2019

Quem ganhou mais dinheiro na Volta a França

Bernal e Alaphilippe, dois dos ciclistas em destaque
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Foram distribuídos mais de dois milhões de euros em prémios na Volta a França. Se não se está a correr a pensar que se vai ganhar dinheiro, mas sim uma etapa ou uma camisola, também é verdade que ninguém fica indiferente aos valores, que no final são normalmente divididos por todos os membros de uma a equipa. Sem surpresa, a Ineos foi quem mais amealhou, sendo decisivo o factor camisola amarela. Ou seja, só a conquista de Egan Bernal valeu 500 mil euros. O segundo classificado fica com 200 mil e como foi outro ciclista da equipa, Geraint Thomas, significa que o final do Tour tem um peso enorme do tamanho da bolsa.

Steven Kruijswijk, terceiro, ficou com 100 mil euros, mas a Jumbo-Visma teve mais ciclistas a contribuírem directamente para o mealheiro na Volta a França. Cada vitória de etapa, por exemplo, garantia 11 mil euros. A formação holandesa ganhou quatro. Andar de amarelo, mesmo que não se mantenha a camisola até final, rende 300 euros por dia. Mike Teunissen andou dois dias.

Mas neste aspecto é Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) o rei: 14 dias de líder, ao que se juntou 20 mil euros por ter sido o ciclista mais combativo do Tour. Também ganhou duas etapas. De referir que quem veste a amarela e a ganha no final, recebe 500 euros por cada dia que a envergou, ou seja Bernal, deu mais uma ajuda ao bolo da Ineos.

A nível de etapas ganhas, a Lotto Soudal e a Mitchelton-Scott também somaram quatro cada uma, pelo que ajudou muito à sua "classificação" na tabela financeira. Já a Bora-Hansgrohe teve Peter Sagan a dar 25 mil euros pela conquista da camisola dos pontos, sendo que o eslovaco também venceu uma etapa. Porém, Emanuel Buchamann também contribuiu bastante, pois são dados prémios monetários até aos 20 primeiros da geral e das etapas. O alemão foi muito regular na montanha - tal como Sagan nos sprints - e terminou no quarto lugar.

O vencedor da classificação da montanha também ganha 25 mil euros (Romain Bardet, AG2R), o camisola branca da classificação da juventude 20 mil (mais um cheque para Bernal) e a melhor equipa leva 50 mil euros, prémio que ficou para a Movistar.

Entre os valores atribuídos estão, por exemplo, os 1500 euros para quem ganhou os sprints intermédios, mil para o segundo e 500 para o terceiro. Já nos prémios da montanha, dependeu da categoria. Uma especial rende 800 euros, de primeira categoria 650, segunda 500, terceira 300 e quarta 200. No entanto, há subidas que não podem ser equiparadas a todas as outras. O Tourmalet tinha de ser uma delas, mas também o foi o Col de l'Iseran, neste caso por ser o ponto mais alto do Tour, que é sempre premiado. Ambas as subidas renderam 5000 euros.

Aqui fica a "classificação financeira" nas contas feitas pelo site Cycling Weekly.

Ineos: 779,200 euros
Jumbo-Visma: 203,400
Deceuninck-QuickStep: 89,940
Bora-Hansgrohe: 159,050
Lotto Soudal: 134,760
Movistar: 132,470
Trek-Segafredo: 81,590
Mitchelton-Scott: 76,520
Bahrain-Merida: 71,890
Groupama-FDJ: 60,200
AG2R: 55,140
EF Education First: 41,710
Wanty-Groupe Gobert: 34,940
Sunweb: 31,310
CCC: 27,250
Astana: 24,250
UAE Team Emirates: 22,930
Arkéa Samsic: 22,800
Cofidis: 21,170
Dimension Data: 19,300
Katusha-Alpecin: 18,220

28 de julho de 2019

As equipas do Tour uma a uma

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Já pouco se esperava quanto a espectáculo no Tour, mas este foi o melhor dos últimos anos. Sendo a corrida mais importante quanto a grandes voltas, é altura de fazer balanços, celebrar o que correu bem e perceber o que correu mal. E há equipas a sair pouco felizes de França. A ordem no texto é a da classificação por equipas.

Movistar: O facto de constantemente vencer as classificações colectivas nas corridas de três semanas, demonstra como a equipa espanhola tem capacidade para ter constantemente ciclistas a terminar bem colocados. Porém, depois do sucesso do Giro, a Movistar regressou aos maus hábitos de sempre. Segundo ano a apostar no tridente, segundo ano com basicamente tudo a correr mal. Perante o poderio e os objectivos, vencer uma etapa - por Nairo Quintana - e ter colocado o tridente Quintana/Mikel Landa/Alejandro Valverde no top dez (6º, 8º e 9º), não apaga uma formação confusa, com demasiados a querer ser líder e pouco dados a ajudar companheiros. A juntar a isso, primeiro Quintana, depois Landa (que fez o Giro) não estiveram no seu melhor fisicamente. Mas destaque positivo para Nelson Oliveira. O português realizou novamente uma excelente Volta a França neste seu regresso, depois de duas edições afastado deste palco. É um ciclista que não falha na ajuda, ainda se intrometeu numa fuga e tentou a sorte na sua especialidade, o contra-relógio (11º). Terminou na 79ª posição, a 2:35:51 horas, mas o que importa é que cumpriu o seu trabalho e já tem um contrato por mais dois anos.

Trek-Segafredo: Richie Porte pode muito bem ter feito a sua despedida do Tour como líder. Ficou fora do top dez e só no contra-relógio mostrou alguma capacidade, que não repetiu na montanha. A equipa apostou tudo no australiano, nem levando John Degenkolb, que também não é garantia de nada nesta fase da carreira, mas há um ano ainda ganhou uma etapa. Valeu Giulio Ciccone. Depois da etapa e da camisola da montanha no Giro, o italiano andou dois dias de amarelo e não poderá ficar muito mais tempo em segundo plano, mesmo que Vincenzo Nibali esteja a caminho da formação americana.

(Fotografia: © ASO/Thomas Maheux)
Ineos: Não foi aquela equipa dominadora e até quebrou quase sempre cedo na montanha. Gianni Moscon foi erro de casting para o Tour, Michal Kwiatkwoski foi incansável na primeira semana e esteve demasiado cansado na segunda e terceira, Luke Rowe foi expulso após desentendimento com Tony Martin (Jumbo-Visma) e Wout Poels não esteve ao nível de outros anos. Porém, mesmo com Geraint Thomas e Egan Bernal a funcionarem com uma táctica algo estranha no Alpes, o colombiano acabou por impor toda a sua qualidade e com aquele que poderia ter sido o seu principal adversário a abandonar, Thibaut Pinot, não houve ninguém que aguentasse o ritmo de Bernal. Faltou-lhe a vitória de etapa, provavelmente tirada devido ao deslizamento de terras que interrompeu a tirada em que vestiu a amarela. Primeiro colombiano a vencer a Volta a França e tem apenas 22 anos. Thomas foi relegado para segundo lugar e esta Ineos está definitivamente em fase de mudança. Contudo, ganhou novamente e já são oito Tours em nove anos, com Bernal a ficar também com a classificação da juventude.

EF Education First: Faltou Daniel Martínez. O ciclista ficou de fora do Tour por lesão e fez alguma falta. Rigoberto Uran tem andado discreto esta temporada e não foi muito mais vistoso na Volta a França. Michael Woods cedo ficou afastado de um resultado para a geral e ainda tentou procurar a etapas, tal como Simon Clarke e Alberto Bettiol, mas sem sucesso. De Tejay van Garderen não se esperava muito, mas não teve tempo para se mostrar, pois antes dos principais momentos, caiu e foi para casa. Ficou cumprido o objectivo do top dez com Uran (7º, a 5:15 minutos), mas esta é uma equipa que também já pensa numa renovação e quer ver-se Martínez no Tour.

Bora-Hansgrohe: Peter Sagan pode não ser o ciclista de outros anos. Mas ganhou a sua etapa e tornou-se no recordista de camisolas verdes: sete. Porém, o Tour da Bora-Hansgrohe foi além do eslovaco, comprovando que o trabalho feito a pensar em classificações gerais está a dar frutos. Que excelente corrida de Emanuel Buchmann. A Alemanha tem novamente um ciclista para pensar em, talvez, lutar por um pódio no Tour, que nesta edição ficou a 25 segundos. Boa Volta a França de uma Bora-Hansgrohe que está a conseguir cada vez mais mostrar que é mais do que Sagan.

Groupama-FDJ: Se houve ano em que se acreditava que era mesmo possível um francês ganhar o Tour foi este. Thibaut Pinot alimentou esse sonho com Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep). Finalmente encontrou o equilíbrio entre a boa forma física e a capacidade mental para suportar a intensa pressão de correr em casa. Ganhou uma etapa, no mítico Tourmalet, e esteve exímio em todas as etapas nos Pirenéus. Mas não foi desta. Pinot sofreu uma ruptura muscular e abandonou em lágrimas nos Alpes, numa das imagens marcantes desta edição. Merecia pelo menos um regresso ao pódio e ficar-se-á sempre a pensar no que poderia ter sido a batalha com Bernal se tivesse em condições. Pinot admitiu que acreditava que poderia ganhar o Tour e espera-se que mantenha essa atitude e continue a acreditar. Este é um Pinot vencedor e tem um David Gaudu que pode muito bem evoluir também ele para um excelente voltista. Para já, é um braço direito de confiança.

(Fotografia: (Fotografia: © ASO/Thomas Maheux)
Jumbo-Visma: Não é preciso dizer muito. Quatro vitórias de etapa (Mike Teunissen, Dylan Groenewegen, Wout van Aert e o contra-relógio colectivo), dois dias de amarelo (Mike Teunissen), excelente trabalho de equipa que quebrou inclusivamente a Ineos, que foi coroado pelo pódio de Steven Kruijswijk. O holandês chegou finalmente a um lugar que lhe tinha escapado no Giro há uns anos, mas conseguiu no Tour. Foi uma corrida perto da perfeição da equipa holandesa. Perto, porque Wout van Aert caiu no contra-relógio e lesionou-se com gravidade e Tony Martin (está de volta a locomotiva de trabalho) foi expulso após desentendimento com Luke Rowe (Ineos).

AG2R: Apostar tudo num ciclista tem destas coisas. Romain Bardet falhou por completo. Não foi só no contra-relógio, como é habitual. A única coisa que se pode dizer é que Bardet nunca tinha estado tão mal, mas salvou-se a sua atitude. Poderia ter abandonado e pensado na Vuelta, por exemplo. Mas não. Ficou e foi à luta por uma etapa que não conseguiu, mas conquistou a camisola da montanha. Beneficiou um pouco das tiradas encurtadas devido ao mau tempo para segurá-la, sempre importante para os franceses. Porém, a equipa tem muito a pensar, tanto em centrar-se exclusivamente em Bardet e se não faria bem ao ciclista passar pelo processo de Pinot: afastar-se um pouco do Tour e apostar num Giro e/ou Vuelta.

UAE Team Emirates:  Faltou Fernando Gaviria, mas havia Daniel Martin, Rui Costa, Sergio Henao, Alexander Kristoff...  Porém, o melhor classificado acabou por ser o homem que foi ao Tour para apurar a forma para a Vuelta depois de ter sido operado à perna: Fabio Aru (14º, a 27:07). Rui Costa ainda procurou a etapa, mas não conseguiu entrar na discussão nos momentos decisivos. Depois de um Giro muito positivo da equipa, não foi um Tour auspicioso. Quanto ao português, lutou dentro do possível - ainda arranjou uma discussão com a Deceuninck-QuickStep por ter arrancado do pelotão com Julian Alaphilippe tinha parado para urinar -, mas não foi o Tour que o português precisava, numa altura em que está a procura da renovação de contrato ou de uma nova equipa. Foi 53º, a 1:59:02 horas.

Astana: Entre quedas e perda de tempo no corte na etapa dos "abanicos", Jakob Fuglsang continua a ter uma relação difícil com o Tour. Abandonou, mas desta Astana esperava-se ainda assim mais. Era equipa que, mesmo concentrada em proteger o líder, também tinha ciclistas para lutar por etapas. Tem sido uma temporada fortíssima da equipa cazaque, principalmente nas provas por etapas, mas o Tour não correu bem, depois de um Giro em que Miguel Ángel López também não foi feliz.

Mitchelton-Scott: Adam Yates falhou por completo. Para quem ambicionava o pódio, até o top dez ficou fora dos planos mal chegou a montanha. Porém, esta Mitchelton-Scott viu um Simon Yates corrigir o mau Giro com duas vitórias de etapas no Tour, entrando para o grupo de ciclistas com vitórias em todas as grandes voltas. Daryl Impey e Matteo Trentin também alcançaram triunfos. Não foi um Tour perfeito, mas com quatro vitórias de etapas, também não pode ser negativo, pelo contrário.

Deceuninck-QuickStep: Mais uma equipa que não é preciso dizer muito. Elia Viviani e Julian Alaphilippe (duas) venceram etapas, mas o francês foi muito além disso e da camisola da montanha que venceu no ano passado:  14 dias de camisola amarelo. Por um lado não se acreditava que fosse possível Alaphilippe resistir, por outro, por França, lá se ia sonhando com um conto de fadas. Alaphilippe só quebrou na penúltima etapa de montanha e não segurou o pódio. Contudo, o quinto lugar, a 3:45, faz deste Tour excelente para o ciclista, que mais do que nunca irá pensar se quererá evoluir para voltista. O único senão da equipa chamou-se Enric Mas. Ambicionou alto e falhou. O próprio admitiu que a Volta a França foi uma lição, mas esperava-se um pouco mais, tanto na luta por um top dez e até na ajuda a Alaphilippe, que foi nomeado o mais combativo do Tour.

Wanty-Group Gobert: Equipa igual a si mesma. Andou na luta por etapas ao apostar em fugas, enquanto Guillaume Martin confirmou que merece dar o salto para uma equipa World Tour. Porém, houve mais um ciclista a destacar-se: Xandro Meurisse. Entre as Profissionais Continentais, a formação belga foi a mais activa, mesmo que continue a faltar a vitória de etapa, que não desiste de procurar.

CCC: Entrou em fugas, mas o ponto alto acabou por ser ver Greg van Avermaet subir ao pódio nas etapas belgas do arranque do Tour, por ter vestido a camisola da montanha. Foi pouco para a equipa polaca que precisa urgentemente de um homem para a geral.

Bahrain-Merida: Dylan Theuns ganhou uma etapa e um Vincenzo Nibali demasiado cansado após o Giro, não baixou o braços em também conquistar a dele. Conseguiu a fechar os Alpes. Não foi um Tour de grandes memórias para a Bahrain-Merida, mas dadas as limitações, ganhar duas etapas deixa os responsáveis satisfeitos. No entanto, há um problema a resolver. Rohan Dennis abandonou sem dizer nada a ninguém, no dia antes de um contra-relógio em que era candidato a vencer. Episódio negativo de indisciplina, que só prejudicou a equipa e a imagem do ciclista.

Dimension Data: Passou ao lado da Volta a França. A decisão de deixar Mark Cavendish de fora não foi consensual internamente, mas justificada pela forma física duvidosa do sprinter, que tantos problemas de saúde tem tido. Giacomo Nizzolo ainda tentou entrar nos sprints, mas não teve nível para os grandes nomes da especialidade. Edvald Boasson Hagen ainda tentou salvar a corrida em fuga, mas nesta Dimension Data nada se salvou, sendo um Tour à imagem da fraca temporada que está a realizar.

Cofidis: Também deixou um sprinter de fora: Nacer Bouhanni. Já se sabe que não se entende com o director da equipa, mas Christophe Laporte mal se viu e abandonou cedo devido a uma intoxicação alimentar. Ainda tentou entrar em fugas, mas foi um Tour aquém do que se esperaria de uma equipa que está a "namorar" uma licença World Tour.

Arkéa Samsic: André Greipel está definitivamente em fase descendente. Porém, Warren Barguil reapareceu. Desde que tinha deixado a Sunweb no final de 2017, depois de vencer duas etapas no Tour e a camisola da montanha, que o francês nunca mais tinha sido o mesmo. A conquista do título nacional, uma semana antes da corrida, deu-lhe novo impulso na carreira. Lutou por etapas e terminou em 10º, a 7:32. A equipa que estará prestes a garantir Nairo Quintana, viu Barguil responder muito bem e ainda tem um Élie Gesbert, ciclista de 24 anos, que vai começando a chamar a atenção.

Sunweb: Sem Tom Dumoulin, Michael Matthews foi o líder para ir procurar etapas ao sprint e lutar pela camisola verde dos pontos. O Tour não correu bem ao australiano e o foco foi para um dos jovens da equipa. O alemão Lennard Kämna teve liberdade para se mostrar e não a desperdiçou. 22 anos e sem medo de estar entre os melhores. Se Dumoulin sair da equipa, como tanto se fala, a Sunweb tem jovens em formação para deixar a estrutura a acreditar que pode ter um futuro promissor.


(Fotografia: © ASO/Thomas Maheux)
Lotto Soudal: Excelente Tour e Caleb Ewan já vai mostrando que foi a escolha certa para preencher a vaga de André Greipel. O australiano fez a estreia na Volta a França e ganhou três etapas, incluindo a mais ambicionada pelos sprinters: nos Campos Elísios. O australiano, de 25 anos, deixou a Mitchelton-Scott precisamente para poder estar no Tour e dificilmente voltará a ficar de fora, estando em boas condições físicas. Foi o rei dos sprints, pois foi o único a ganhar mais do que uma etapa desta forma. Além de Ewan, ainda tivemos o momento Thomas de Gendt. A habitual exibição solitária que deixa tudo e todos rendidos ao belga. Tim Wellens ainda andou grande parte do Tour com a camisola da montanha, mas os Alpes quebraram o ciclista.

Direct Energie: Tal como a Cofidis quer subir de escalão e dinheiro não falta para grandes contratações. Bem precisa de reforçar-se, tendo passado ao lado do Tour, o que para uma equipa francesa é ainda mais grave. O futuro poderá ser bem diferente, mas Lilian Calmejane, Anthony Turgis estiveram muito abaixo do exigível e Niki Terpstra esteve azarado, abandonando após queda, a segunda que lhe estraga a temporada, depois de ter acontecido o mesmo na Volta a Flandres.

Katusha-Alpecin: Terá o fantasma da equipa correr o risco de fechar no final da temporada afectado o rendimento dos ciclistas? É a última classificada e percebe-se porquê, pois foi uma Volta a França muito fraca. Ilnur Zakarin não lutou pela geral e ainda tentou ganhar etapas, mas não nunca preocupou ninguém. Nils Politt foi o mais activo na procura de pelo menos um triunfo, mas foi insuficiente. José Gonçalves teve uma estreia no Tour discreta. Pouco se viu do português, de quem se esperava mais depois de uma semana antes do arranque do Tour, em Melgaço, ter vencido o título nacional de contra-relógio e ter garantido que se sentia bem para a corrida francesa. Trabalhou para estar no pico de forma, mas não correu bem. Terminou na 128ª posição, a 3:47:15 horas de Bernal.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




»»A vitória de um país no início de uma era««

»»Lágrimas, espectáculo e um deslizamento««

23 de julho de 2019

Chegou o nervosismo, o calor e as quedas

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
"Foi como estar dentro de um forno!" Descrição mais gráfica é difícil. Tony Martin (Jumbo-Visma) foi dos homens que mais trabalhou no regresso à estrada depois da folga na Volta a França e foi assim que descreveu o que sentiu durante os 177 quilómetros que começaram e acabaram em Nîmes. Foi um dia muito complicado, com o calor a fazer-se sentir e de que maneira! As temperaturas chegaram aos 39 graus, mas a sensação térmica ultrapassou essa referência. Com os candidatos separados por diferenças tão curtas, já seria de esperar que o nervosismo começasse a ganhar maior expressão. Porém, o calor só ajuda a agravar o receio de algo correr mal. Os ciclistas estão constantemente a ter de se hidratar, há muitas movimentações para ir buscar bidões, mas ao mesmo tempo têm de estar atentos a qualquer problema que possa acontecer e, coincidência ou não, foi um dia com algumas quedas e uma até atirou um corredor do top dez para fora da corrida.

O tempo muito quente está novamente a fazer-se sentir em França, que no mês passado sofreu com uma insuportável onda de calor. Os alertas (por enquanto laranja) estão em vigor e apesar dos ciclistas terem pela frente os Alpes, não significa que vão encontrar temperaturas mais amenas. Serão um pouco mais baixas do que esta terça-feira, mas as previsões apontam para que estejam acima dos 30 graus. Esta é uma preocupação extra que não está a deixar ninguém indiferente. Mikel Landa (Movistar) não tem dúvidas que este calor vai custar caro a alguém.

"Eu bebi um bidão e outro e outro e outro... Foi de doidos", desabafou Peter Sagan, que criticou ainda a falta de acção da Associação de Ciclistas Profissionais, dizendo mesmo: "Penso que deveriam fazer alguma coisa. Não sei para quê que lhes pagamos se não nos protegem."

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
A etapa realizou-se como previsto, com a única diferença a ser a mudança de regras quanto à distribuição de líquidos, que foi permita durante mais tempo. Em média terão sido distribuídos por cada ciclistas 20 a 30 bidões, com muitos a servirem para despejar a água por cima do corpo. O gelo foi um recurso, com vários corredores a colocarem por baixo das camisolas e até nos capacetes. Foi o tudo por tudo para tentar manterem-se frescos, numa etapa que ainda assim teve uma média de quase 45 quilómetros/hora.

Para agravar o nervosismo havia ainda a possibilidade do vento pregar nova partida nos 60 quilómetros finais. Apesar de uma ligeira aceleração, nenhuma equipa tentou provocar cortes, como aconteceu na 10ª etapa. Contudo, houve quedas para aumentar o nervosismo. O Tour tem sido muito marcado nesse aspecto em edições anteriores, principalmente nos primeiros dias. Esta edição tem sido mais calma, ainda que vários ciclistas já tenham caído, incluindo nomes como Nairo Quintana (Movistar), Geraint Thomas (Ineos) e Jakob Fuglsang (Astana). E os três voltaram a ser afectados. Fuglsang foi quem ficou pior. Estava a cerca de 25 quilómetros da meta quando não conseguiu evitar um corredor que tinha caído à sua frente e foi atirado por cima do guiador da bicicleta.

Ainda com as marcas da queda no início do Tour bem presentes, Fuglsang ficou de imediato agarrado à mão e admitiu que estava com tantas dores que tinha dificuldades em estar de pé. "Percebi que o meu Tour tinha acabado ali", desabafou, desiludido por não conseguir ir aos Alpes tentar um lugar mais perto do pódio. Explicou que a mão inchou de imediato, mas, mais tarde, a Astana informou que não havia qualquer fractura. Ainda assim, a relação entre Fuglsang e a Volta a França continua complicada, mesmo naquela que está a ser a melhor época da carreira do dinamarquês.

Antes tinha sido Thomas a cair, num incidente que considerou de insólito. Ficou com as mudanças presas e não evitou a queda. Ainda foi assistido pelo médico da corrida, mas está tudo bem com o galês, um pouco de pele a menos, mas preparado para continuar na luta pelo Tour. Já Quintana não caiu desta feita, mas tudo acontece ao colombiano. Agora ficou preso por uma queda que cortou a estrada. Perdeu mais um minuto na classificação e o descalabro na geral continua, estando agora a 9:30 minutos de Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep).

(Fotografia: © ASO)
A Volta a França entrou na semana decisiva com uma etapa que acabou por desgastar muito mais do que os ciclistas desejariam. No final venceu um corredor mais habituado a estas temperaturas. O australiano Caleb Ewan (Lotto Soudal) é o primeiro sprinter a bisar no Tour, ainda que o trepador Simon Yates (Mitchelton-Scott) já o tenha feito. Foi um sprint sem discussão de um Ewan que nem se deixou perturbar pelo habitual desvio de Max Richeze (Deceuninck-QuickStep) - colega de Elia Viviani -, que costuma prejudicar sempre alguém que vem de trás para o sprint. Ewan limitou-se a fazer um pequeno desvio e ultrapassou tudo e todos.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

17ª etapa: Point du Gard - Gap, 200 quilómetros



A não ser que um Michael Matthews (Sunweb) ou Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) tenham grande vontade de ganhar a etapa e passar uma terceira categoria perto do final da etapa este será dia para uma fuga. Os sprinters, mesmo os que ultrapassam melhor algumas dificuldades, deverão agora entrar novamente no modo de sobrevivência para conseguirem chegar à última a tirada, a mais desejada para eles, com a mítica chegada aos Campos Elísios.

É mesmo um bom dia para a fuga triunfar... e para um português ganhar! Gap é de boa memória para os ciclistas lusos. Em 2010, Sérgio Paulinho alcançou ali uma das duas vitórias de etapa numa grande volta. Foi em 2010, então ao serviço da RadioShack, tendo batido numa luta a dois um tal de Vasil Kiryienka, ciclista agora da Ineos (não está neste Tour) e que foi campeão do mundo de contra-relógio.

Sérgio Paulinho (Efapel) está actualmente mais preocupado com a Volta a Portugal, mas há Rui Costa. Recuando a 2013, naquela edição a equipa da Movistar tinha já sofrido um golpe na geral devido a um "abanico". O ciclista português foi obrigado a ficar para trás para ajudar, perdendo tempo, o que acabou por se traduzir no seu melhor Tour. Já tinha ganho uma etapa em 2011 e em Gap conquistou a primeira de duas naquela edição inesquecível para o poveiro, que viria a sagrar-se campeão do mundo dois meses depois. Rui Costa venceu isolado, com 42 segundos de vantagem sobre o francês Christophe Riblon (AG2R).

Aquele Rui Costa não mais se viu no Tour. Na UAE Team Emirates está com total liberdade para lutar por etapas e esta pede que volte a tentar fazer de Gap um local ainda mais marcante para o ciclismo nacional. Nelson Oliveira (Movistar) está mais preso ao papel de gregário, mas José Gonçalves (Katusha-Alpecin) ainda não apareceu neste Tour e esta é uma etapa que também não lhe assenta nada mal.




»»Nelson Oliveira renova por uma Movistar ainda a definir os líderes para 2020««

»»Temos Tour««

25 de abril de 2019

Fim da época das clássicas para Sagan. Já não vai estrear-se na Liège-Bastogne-Liège

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Era um dos principais pontos de interesse desta época de clássicas. Pela primeira vez, Peter Sagan colocou a Liège-Bastogne-Liège no seu calendário, ficando assim em aberto juntar um terceiro monumento à Volta a Flandres e Paris-Roubaix, já que a Milano-Sanremo teima em "escapar". Mesmo numa forma muito longe do que o eslovaco habituou na sua carreira, o interesse mantinha-se alto, mas ter-se-á de esperar por outra oportunidade. Depois de abandonar a Amstel Gold Race e a Flèche Wallonne, Sagan e a Bora-Hansgrohe optaram por uma fase de repouso e tentar recuperar energias para a Volta a Califórnia.

Peter Sagan alterou um pouco o seu calendário e a sua preparação nesta primeira parte da temporada, um pouco a pensar na Liège-Bastogne-Liège. A mudança no percurso do monumento belga, principalmente nos quilómetros finais, aguçaram a vontade do tricampeão do mundo em estrear-se numa corrida que, até agora, nunca tinha sido opção para este ciclista. No entanto, 2019 está a ser um ano para esquecer para Sagan.

Um quarto lugar na Milano-Sanremo, um quinto no Paris-Roubaix e até o 11º na Volta a Flandres, poderiam ser classificações boas para vários ciclistas. Mas não para Sagan. O ciclista até pode ter o discurso que não foram más prestações. Contudo, o que os números não mostram é que Sagan acabou por nem discutir as vitórias. Principalmente na Milano-Sanremo e no Paris-Roubaix, o eslovaco até fez boas corridas, mas nos momentos cruciais faltaram-lhe as forças. O mesmo aconteceu noutra clássicas e também no Tirreno-Adriatico.

Na semana das Ardenas, Sagan nem era suposto ir à Flèche Wallonne, mas a equipa quis contar com a experiência do ciclista, numa corrida que iria ter o vento como potencial factor de fazer diferenças. Foi Sagan numa versão gregário, mas não foi uma versão muito diferente da de Sagan líder.

O que se passa com Peter Sagan? É a pergunta do momento, com a própria equipa à procura de explicações. Ainda chegou a dizer que Sagan estava a melhorar, mas nas corridas, não se tem visto essa melhoria. A sua capacidade de "explosão" apagou-se em 2019.

Sagan sofreu de problemas de estômago no estágio de altitude que a Bora-Hansgrohe realizou antes do Tirreno-Adriatico. Além de ficar longe dos treinos, o ciclista contou que passou a maioria do tempo no seu quarto. Na prova italiana. Sagan surgiu claramente mais magro, ainda que ficaram dúvidas se a perda de peso poderia também estar relacionada com a preparação para a Liège-Bastogne-Liège.

Para já, não há respostas para o que se passa com um dos melhores ciclistas. Um dos que mais espectáculo dá. Um que se tornou uma referência e imagem da modalidade. Mesmo com Mathieu van der Poel a "roubar" muitas das atenções nestas últimas semanas, a verdade é que o melhor Sagan faz falta.

Agora é esperar pela corrida onde é conhecido pelo "rei da Califórnia", pois tem 16 vitórias de etapa e uma classificação geral. Será de 12 a 18 de Maio, no arranque de uma preparação para o segundo objectivo do ano: a Volta a França e a conquista da sétima camisola verde (dos pontos), que, se conseguir, o tornará no recordista solitário, já que partilha a actual marca com Erik Zabel. Mais tarde, em Setembro, Sagan quer nos Mundiais de Yorkshire recuperar a camisola do arco-íris que está com Alejandro Valverde.

Sagan continuará a ser sempre candidato a vitórias, mas, de momento, predomina a desconfiança da estrela da Bora-Hangrohe. Curiosamente, a equipa até tem mostrado que já não depende tanto do seu número um, estando cada vez mais forte no seu bloco em corridas por etapas, na procura de classificações gerais e claro, tem um Sam Bennett (sprinter) num excelente momento.

Contudo, certamente que são os responsáveis da Bora-Hansgrohe quem mais anseiam por ter Sagan de regresso ao normal, pois é um pouco estranho que em 19 vitórias em 2019, Sagan só tenha contribuído com a conquista da terceira etapa do Tour Down Under, logo em Janeiro.

»»Flèche Wallonne segue guião à risca na confirmação do novo rei do Muro de Huy««

»»Simplesmente fenomenal!"««

20 de abril de 2019

Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito

(Fotografia: © Deceuninck-QuickStep)
É altura de deixar o pavé e atacar os muros das Ardenas. A famosa semana de clássicas começa com a Amstel Gold Race que, objectivamente, não fica nas Ardenas! Mas faz parte do trio de corridas que este ano tem Julian Alaphilippe como a grande figura. Em 2018 como que houve uma espécie de passagem de testemunho entre Alejandro Valverde e o francês. Perante a temporada que o ciclista da Deceuninck-QuickStep está a realizar, a questão é se vai conseguir fazer a tripla. O favoritismo é dele, mas a concorrência é grande, tanto em qualidade, como em número de adversários, neste último caso principalmente na Amstel Gold Race.

Apesar de esta ser uma semana que muito tem tido Valverde como figura, o espanhol nunca ganhou a Amstel. É rei na Flèche Wallonne: cinco vitórias, quatro consecutivas, com Alaphilippe a quebrar a senda no ano passado, mostrando que o Muro de Huy afinal não era o Muro Valverde. Ficou a sensação de uma passagem de testemunho... Na Liège-Bastogne-Liège, Valverde vai em quatro conquistas e no ano em que está de arco-íris vestido, o campeão do mundo não se importaria nada de juntar mais umas vitórias ao seu vasto currículo, a começar pela Amstel Gold Race. A época não tem sido pródiga em triunfos como no passado recente, mas ninguém coloca Valverde como carta fora do baralho.

Porém, é inevitável que Alaphilippe chegue às Ardenas como o grande favorito. É o ciclista mais em forma, com oito vitórias, tendo conquistado o seu primeiro monumento na Milano-Sanremo. Pensou-se que seria na Liège-Bastogne-Liége que abriria a contagem pessoal, mas o francês está feito num todo o terreno. No entanto, é este terreno, das próximas três corridas, que lhe assenta tão bem. Desde 2011 que ninguém faz a tripla e Alaphilippe pode pedir uns conselhos ao último autor da proeza: o companheiro de equipa, Philippe Gilbert. Claro que será de contar que o belga terá também alguns planos próprios, ainda mais com a motivação que traz ao ter ganho o Paris-Roubaix. E já se sabe, nesta Deceuninck-QuickStep há sempre mais do que uma opção, o que se tem revelado um formato de sucesso.

É já na Amstel Gold Race deste domingo que Alaphilippe poderá encontrar o maior entrave a fazer a tripla. É a corrida com um maior lote de candidatos, porque tendo alguns "berg" (os famosos muros), não são os que esperam ao pelotão nas duas corridas seguintes. Por isso, a prova holandesa seduz tanto ciclistas que apostam na fase do pavé, como os que têm as Ardenas como objectivo.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Wout van Aert (Jumbo-Visma), Oliver Naesen (AG2R) e Greg van Avermaet (CCC) são exemplo disso mesmo. Sagan - que em 2018 estreou-se na Amstel com um quarto lugar - vai fugir à regra e este ano irá estrear-se na Liège, enquanto os restantes terminarão esta fase da época na Amstel. E não, não nos estamos a esquecer de Mathieu van der Poel. O ciclista da Corendon-Circus é o único a conseguir ofuscar um pouco o estrelato de Alaphilippe e até bateu o francês no sprint da Brabantse Pijl, naquela que foi a primeira prova de 2019 que Alaphilippe não venceu. Até então tinha conquistado as duas clássicas em que tinha participado (Strade Bianche e Milano-Sanremo) e pelo menos uma tirada nas corridas por etapas.

Van der Poel tem, em cada corrida que se tem estreado este ano, deixado o seu impacto. Soma cinco vitórias e é um dos principais favoritos numa corrida que o pai, Adrie, ganhou em 1990. Para Mathieu a maior preocupação prende-se na distância, pois está pouco habituado a fazer provas acima dos 200 quilómetros. Mas o quarto lugar na Volta a Flandres mostrou que não é um problema de maior!

Todos os nomes até agora mencionados estão entre os candidatos, mas podemos juntar mais alguns há lista. A começar pelo vencedor de 2018: Michael Valgren. Não está a ser uma mudança nada feliz do dinamarquês para a Dimension Data, depois de um ano tão forte na Astana. Contudo, regressar a um palco de uma grande vitória poderá ser o tónico que precisa. A seu lado estará outro vencedor da Amstel: Enrico Gasparotto. Venceu em 2012 e 2016, sendo terceiro há um ano, ao serviço da Bahrain-Merida. Já tem 37 anos, mas as Ardenas traz sempre ao de cima o melhor deste italiano.

E é curioso como a Dimension Data contratou o pódio da Amstel de 2018, pois o segundo classificado foi Roman Kreuziger, que trocou a Mitchelton-Scott pela formação sul-americana. Boa equipa para a Amstel, a ver vamos se a equipa encontra o caminho de uma bem vitória bem necessária.

Precisamente na Mitchelton-Scott temos outro nome do pavé, Matteo Trentin, mas atenção a Michael Albasini e Daryl Impey. Alexey Lutsenko é uma das figuras de 2019 da Astana, que terá ainda Jakob Fulgsang e não será de esperar um Luis León Sánchez à espera de pedir licença para atacar. Depois de vencer a Volta a Flandres, Alberto Bettiol (EF Education-First) ganhou outro destaque, com Tim Wellens (Lotto Soudal) e Michael Matthews (Sunweb) a serem dos mais fortes candidatos. Michal Kwiatkowski (Sky) é outro homem a ter em conta e atenção a Dylan Teuns (Bahrain-Merida).

Entre os portugueses temos Rui Costa (UAE Team Emirates) que sempre gostou muito desta semana das Ardenas. A Katusha-Alpecin chamou Ruben Guerreiro para a Amstel, com José Gonçalves a ficar guardado para a Flèche Wallonne (quarta-feira) e Liège-Bastogne-Liège (domingo, dia 28).

O pelotão para as corridas belgas já terá algumas alterações, mas antes temos então a Amstel Gold Race, a corrida que tem à espera dos três primeiros umas cervejas para o brinde no pódio, não fosse o nome da prova o de uma cerveja!

É uma corrida que se tornou bem mais interessante desde que o seu percurso foi alterado, principalmente com a retirada do Cauberg como ponto de decisão. A tentação do pelotão era esperar por esta subida, o que retirava aos mais de 200 quilómetros anteriores um ponto de interesse. Depois do Cauberg há então ainda mais duas subidas: Geulhemmerberg e Bemeleberg. Antes de aqui se chegar, acaba por se verificar uma maior eliminação de ciclistas e o percurso pode proporcionar mais ataques. Serão 265,7 quilómetros, com partida em Maastricht e o final em Berg en Terblijt. O Eurosport 1 tem previsto o início da transmissão para as 14:15, depois da última etapa da Volta à Turquia.

Lista completa de inscritos, via ProCyclingStats.

(Gráfico: La Flamme Rouge)


16 de abril de 2019

Sobreviver ao Paris-Roubaix incólume não é fácil. Que o diga Benoot, Keisse, Vanmarcke, Kristoff...

(Fotografia: © Gruber Images/Paris-Roubaix)
No rescaldo do Paris-Roubaix, entre quedas, choques, furos e falhas mecânicas, a corrida ficou estragada para vários ciclistas por incidentes que acontecem em qualquer prova de ciclismo, é certo, mas nesta, é quase mais provável que aconteça alguma coisa, do que um corredor sair completamente incólume dos mais de 250 quilómetros deste Inferno do Norte. Não é à toa que é assim conhecido este monumento. Que o diga Tiesj Benoot. No seu caso, foi algo mais inesperado que aconteceu, terminando não só com a sua corrida, mas com a época de clássicas. O acidentado Wout van Aert (saída de estrada, troca de bicicleta, queda e depois ficar sem forças para seguir com o grupo da frente) foi acompanhado quase todo o tempo na transmissão televisiva, mas houve pormenores com outros ciclistas - falta de energia e de atenção incluídos - que só mais tarde se percebeu o que aconteceu.

Tiesj Benoot (Lotto Soudal) foi visto a tentar recuperar terreno, numa altura em que a câmara acompanhava um Wout van Aert (Jumbo-Visma) a mostrar toda a sua mestria na bicicleta, a passar entre carros para tentar retomar o grupo da frente, depois de ter descolado após uma saída de "estrada" (leia-se pavé) na Trouée d'Arenberg (Floresta de Arenberg). Pensou-se que Benoot até poderia ser um bom aliado para o compatriota apesar de serem de equipa rivais. Porém, Benoot desapareceu das imagens. Mais tarde viu-se que um carro da Jumbo-Visma tinha o vidro traseiro completamente quebrado (imagem em baixo). Foi Benoot que chocou com muita violência contra o veículo.

(Imagem: print screen)
"Numa certa altura, o carro da Jumbo-Visma que estava à minha frente, de repente, fechou tudo [espaço]. Não consegui responder e fui direito a ele. O vidro partiu-se completamente. Um motociclista que vinha atrás de mim, tentou desviar-se de mim e acabou por cair por cima de mim. Quando estava no chão, estava com muitas dores em todo o lado", explicou Benoot ao Het Nieuwsblad.

Resultado: clavícula partida e falhará a Amstel Gold Race, que deveria ser a sua última clássica antes de uma paragem para recuperar forças e pensar na segunda metade da temporada, que terá a Volta a França como ponto alto.

Quem também não ficou nada bem tratado foi Iljo Keisse. O belga da Deceuninck-QuickStep foi contra um poste de sinalização numa ilha de tráfego. Keisse explicou que não viu aquela divisão, pois estava tapado pelo ciclista que ia à sua frente e que se desviou no último instante. Keisse já não conseguiu fazer o mesmo. As dores eram muitas e com razão. Keisse fracturou o cotovelo e teve de ser operado. Nos próximos dez dias terá um gesso no braço.

Entre os problemas mecânicos e furos, Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) é capaz de ter ganho o prémio do mais azarado. Com três furos é impossível fazer algo de bom no Paris-Roubaix e ficou novamente bem claro como a escolha errada de equipamento pode fazer toda a diferença. Com os 29 sectores de pavé, alguns extremamente agressivos, todos os pormenores contam e Kristoff admitiu que escolheu mal as rodas e os pneus: tubeless (sem câmara de ar).

"Eu sabia que era um risco, mas estas rodas eram mesmo boas. Tive sucesso com elas nas últimas semanas [ganhou a Gent-Wevelgem e foi terceiro na Volta a Flandres] e sentia-me bem hoje [domingo] até furar. Não vou tentar de novo no próximo ano [com este equipamento]", disse Kristoff ao Cycling News, referindo-se à escolha de rodas que levam pneus tubeless. Ao fim de três furos, regressou ao sistema normal e terminou a corrida, mas a mais de 14 minutos do vencedor Philippe Gilbert.

Talvez ainda mais desiludido tenha ficado Sep Vanmarcke. O ciclista da EF Education First nem surgia como grande favorito dada a lesão no joelho que o afectou nas semanas anteriores, após uma queda. Porém, o belga apareceu em grande forma, mas com este ciclista não há nada a fazer, acontece sempre alguma coisa que o afasta de potenciais vitórias.

Quando Nils Politt (Katusha-Alpecin) atacou, levando com ele Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), Vanmarcke desesperava apontando para a sua bicicleta. No momento crucial da corrida não conseguiu mexer as mudanças, ficando preso numa que o obrigou a um enorme esforço. "Nunca me teriam deixado para trás", garantiu o ciclista, que afirmou que se estava a sentir muito bem fisicamente. A passar um dos sectores de pavé mais importantes, o Carrefour de l'Arbre, Vanmarcke ou parava ou tentava continuar até que finalmente pudesse contar com o apoio do carro da equipa que estava mais atrás.

O apoio no Paris-Roubaix é um autêntico inferno e Vanmarcke admitiu que o tempo em que teve de pedalar naquelas condições acabou por esgotar as suas forças. "Teria sido melhor ter ficado em casa no sofá. Assim não estaria tão desiludido como estou agora", afirmou, depois de cortar a meta no quarto lugar.

Para terminar temos Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e vencedor do Paris-Roubaix em 2018 e Greg van Avermaet (CCC), vencedor em 2017. O primeiro repetiu a história da Volta a Flandres e Milano-Sanremo. Está tudo a correr relativamente bem, até parecia estar no seu melhor esta época, mas quando se deu o ataque final: "Faltou-me alguma energia no final."

Se ao eslovaco faltou energia a Avermaet faltou atenção. O belga ficou fora da discussão no ataque feito a cerca de 50 quilómetros da meta e que permitiu formar o grupo de seis ciclistas que seguiu até perto do fim. "Não estava bem acordado quando aqueles seis homens escaparam e a minha corrida ficou praticamente terminada", admitiu Cycling News, acrescentando que não estava bem colocado, estando demasiado atrás no grupo, o que lhe tirou qualquer possibilidade de acompanhar os ciclistas que ficaram na frente.

Para o ano, há mais. Mas  aqui ficam estas imagens espectaculares da perspectiva de quem vai nesta fantástica corrida e que ajudam a perceber como é difícil fazer um Paris-Roubaix sem sofrer qualquer contratempo.