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1 de julho de 2018

Marcos Jurado vence mas Barbio segura liderança na Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel continua a sua senda vencedora em 2018. Desta feita foi Marcos Jurado a conquistar uma vitória que o coloca também na disputa pela Taça de Portugal. O início de temporada ficou marcado por uma lesão no joelho e uma gripe, mas desde Abril que um dos reforços da equipa tem demonstrado o porquê da aposta de Américo Silva. O espanhol foi o mais forte na Volta a Albergaria (155,7 quilómetros), batendo ao sprint o compatriota Ángel Sánchez (W52-FC Porto) e deixando a dois segundos David de la Fuente (Aviludo-Louletano-Uli).

Numa Taça de Portugal renovada e que só será concluída no último dia da temporada, a 6 de Outubro, em Tavira, António Barbio segurou a liderança com o 15º lugar em Albergaria. Depois da vitória no Memorial Bruno Neves, a 10 de Junho, o ciclista do Miranda-Mortágua soma 85 pontos, contra os 80 de Jurado e os 73 de Pedro Paulinho, também da Efapel.

"É a minha primeira vitória da época. O meu trabalho era tentar estar no corte final, o que consegui. Nem sempre ganha sempre o que tem mais força, por vezes é o que tem mais cabeça. Sabia que o final era em subida, o que me favorecia", afirmou Jurado, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. No périplo da Efapel por Espanha, o ciclista tinha ganho as classificações das metas volantes da Volta a Castela e Leão e à Comunidade de Madrid.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no escalão de sub-23 houve uma mudança na frente da prova. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) foi quinto e soma agora 130 pontos, mais cinco que o anterior líder, Hugo Nunes e também Francisco Campos, ambos do Miranda-Mortágua. André Ramalho terminou na sétima posição, o que coloca o ciclista da Jorbi-Team José Maria Nicolau a apenas 20 pontos de Carvalho.

A Taça de Portugal regressa pouco depois da Volta a Portugal. A terceira etapa será no Grande Prémio de Mortágua, a 18 de Agosto.

A Volta a Albergaria foi também uma etapa, a quarta, da Taça de Portugal de Paraciclismo. João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets) ganhou em C4, enquanto Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) foi o mais forte em C5. Telmo Pinão (Casa do Benfica MMV/APCA/Paracycling) venceu em C2. Nas restantes categorias houve apenas um participante: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins) na classe D, Bernardo Vieira em C1, Francisco Martins em C3, João Pinto em H3, Flávio Pacheco (Sporting/Tavira-Paracycling) em H4 e Luís Costa (Sporting/Tavira – Paracycling) em H5.

Em Castelo de Vide disputaram-se os Nacionais de Juniores e Cadetes. Pedro Andrade (Vito-Feirense-BlackJack) e Rúben Silva (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) foram os campeões na prova de fundo. No sábado foi dia de contra-relógios. Guilherme Mota (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) foi o mais forte em juniores e João Ferreira (Cruz de Cristo) em cadetes.

No sector feminino, depois das provas de fundo se terem realizado há uma semana em Belmonte, assim como o contra-relógio de elite (ganhou Daniela Reis), ficou-se a conhecer as campeãs no esforço individual, que são: Joana Pereira e Daniela Campos, ambas das 5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ venceram em juniores e cadetes, respectivamente, a master 30 Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), a master 40 Filomena Paulo (ACD Milharado-EC Manuel Martins) e a master 50 Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), categoria em que não é atribuído o título, por só terem participado duas ciclistas, sendo necessário um mínimo de três.



10 de junho de 2018

Miranda-Mortágua com início de sonho na Taça de Portugal

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Melhor era impossível. A vitória finalmente chegou para uma equipa Miranda-Mortágua do escalão Continental. No ano de estreia a este nível, a contratação de António Barbio e Nuno Meireles pretendia dar uma experiência de elite à estrutura que até 2017 era uma das melhores de formação. Era e é, mesmo com a mudança, mas a primeira vitória veio mesmo de quem foi uma das figuras da Volta a Portugal. Curiosamente foi um triunfo muito ao estilo do que fez em Santo Tirso há quase um ano. Barbio tem de novo razões para sorrir, numa vitória que estava difícil, contudo, chegou num momento importante. Ganhar o Memorial Bruno Neves não só dá um alento bem-vindo nesta fase da época - vem aí a Volta e esse factor é incontornável -, como coloca o ciclista e a equipa na luta por um troféu: a Taça de Portugal.

E como se referiu no início, melhor era impossível. O Miranda-Mortágua ganhou a corrida, foi a melhor equipa e Hugo Nunes é o líder de sub-23 na Taça. Além de ser o melhor do seu escalão, venceu a classificação da montanha e as metas volantes. Só Luís Gomes  (Rádio Popular-Boavista) tirou o pleno ao triunfar nos sprints especiais.

Barbio passou na sua formação por esta equipa, antes da Efapel lhe abrir de vez as portas do profissionalismo. Excelente rolador, tornou-se num homem de confiança no trabalho para os líderes. Na Volta a Portugal, no ano passado, entrou numa fuga e acabou por arrancar em solitário até à meta na Nossa Senhora da Assunção. Foi a única vitória da equipa na corrida. Foi a confirmação que, tendo a oportunidade, Barbio pode dar mais do que apoio ao seu chefe-de-fila. Com a subida de escalão do Miranda-Mortágua, Barbio foi aliciado com a possibilidade de ser um líder, ainda que com a função de dar um forte apoio ao restantes ciclistas jovens que estão no primeiro ano a este nível. E há que não esquecer que Barbio não é nenhum veterano. Tem apenas 24 anos e toda uma carreira pela frente.

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A época tem tido muitos baixos e poucos altos. No entanto, vencer no Memorial Bruno Neves pode ser o tal alto que o ciclista procurava para o empurrar para uma segunda fase de temporada mais forte. É que não foi só a vitória. Foi como a alcançou. As parecenças com a da Volta a Portugal são muitas, mas só para lhe dar uns contornos mais memoráveis, nada como um dia desta Primavera invernal que estamos a ter. Nada parou Barbio. Ganhou o Miranda-Mortágua e talvez as próximas corridas, pois espera-se que o ciclista apareça agora mais e melhor na procura por vitórias. Costuma-se dizer que a primeira é a mais difícil...

Hugo Nunes também merece destaque. Este jovem trepador tem estado muito bem esta época, tanto na equipa, como pela selecção, tendo recentemente terminado na 25ª posição na Ronde de l'Isard, uma das principais competições para o seu escalão. Foi sexto no Memorial Bruno Neves e aos 21 anos vai-se afirmando como um dos bons ciclistas da nova geração e que deixa a impressão que tem uma margem de progressão muito interessante...

Quanto à corrida, esta foi a décima edição de uma prova que homenageia um ciclista que morreu em plena Clássica de Amarante, em 2008. Se o Miranda-Mortágua acabou por levar os prémios quase todos, o Sporting-Tavira foi novamente das equipas mais activas, como já tinha acontecido no Grande Prémio Jornal de Notícias. Frederico Figueiredo está em crescendo de forma e o russo Alexander Grigoryev é a confirmação de um corredor de qualidade contratado por Vidal Fitas. Foi segundo, não tendo conseguido recuperar a desvantagem com que ficou após o ataque de Barbio, a cerca de 20 quilómetros do final (foram 146 quilómetros que começaram em Oliveira de Azeméis e terminaram em Nogueira do Cravo). A fechar o pódio ficou um homem que também tem razões para sorrir. Pedro Paulinho (Efapel) não desperdiçou o dia em que teve liberdade para discutir o resultado (pode ver aqui as classificações).

Esta foi a primeira de cinco etapas da Taça de Portugal, que este ano prolonga-se para lá da Volta a Portugal, terminando em Tavira, a 6 de Outubro. António Barbio lidera com 75 pontos, os mesmo que soma Hugo Nunes na classificação de sub-23. Alexander Grigoryev e Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon) somam 65 nos devidos escalões. Depois, até ao 12º lugar, os ciclistas são separados por cinco pontos. Veja aqui a classificação de elite e neste link a de sub-23. 

A Volta a Albergaria-a-Velha será o palco da segunda ronda, no dia 1 de Julho.

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16 de dezembro de 2017

"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ali andam eles, às voltas, numa pista com 250 metros, normalmente a grande velocidade, com uns toques quando são corridas em grupo, potência total nas provas de contra-relógio. O tradicional ciclismo de estrada chama muitas pessoas à estrada, mas o ambiente do velódromo ainda está a conquistar adeptos em Portugal. No entanto, o ciclismo de pista português está a crescer, pelo que o interesse também aumenta. Mas afinal, o que atrai tanto nesta vertente da modalidade? Alguns ciclistas portugueses, que estão a competir no Troféu Internacional Município de Anadia, explicam e todos concordam: quem for pela primeira vez assistir, irá certamente regressar.

"Se o público viesse pela primeira vez, tenho a certeza que ficaria com aquele bichinho e continuaria a vir." Rafael Silva deu o mote. O ciclista da Efapel é um dos portugueses que está a competir no Velódromo Nacional, em Sangalhos, que durante três dias foi novamente escolhido para uma prova internacional, depois do Campeonato Europeu de sub-23 e juniores. "Muitas pessoas nem têm ideia do espectáculo que é a pista. Pensam que uma pessoa anda aqui e que não há espectáculo, mas é uma competição que tenha 30, 40 ou 50 minutos, vê-se a corrida toda, não é como na estrada", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O ainda companheiro de equipa António Barbio - em 2018 irá representar o Miranda-Mortágua - acrescentou: "Quando vierem vão ver que é emocionante!" A júnior Maria Martins reforçou: "Não tenho as mínimas dúvidas que quando vieram cá uma vez, ficam fãs." E reforçou: "Temos uma equipa muito boa [a selecção nacional], que tem estado a desenvolver projectos e resultados fantásticos. Agora acho que precisamos de ter mais confiança do nosso povo. Apostem em nós, venham cá apoiar-nos que é bastante importante."

Já João Matias conhece bem alguns dos grandes fãs. "Podem falar com o meu pai e com o pai dos gémeos Oliveira. Acho que são dos principais fanáticos do ciclismo de pista! Este Troféu Internacional tem alguns dos melhores ciclistas a nível mundial e a entrada é gratuita. Aqui dentro está quentinho em Dezembro! Lá fora está um frio desgraçado! Podem-nos ver, falar connosco... Isto é muito bom", referiu, bem disposto. Tal como Maria Martins, Matias está a representar a Selecção Nacional na competição que termina este domingo.

Ivo Oliveira, é juntamente com o irmão Rui, a principal referência desta vertente em Portugal. Soma medalhas desde o escalão de juniores e já viveu todo o tipo de ambientes na pista. O ciclista português, que também está a representar a selecção, adoptou um tom mais crítico. "Não sei se é por causa da divulgação que é mal feita... Penso que poder-se-ia fazer um melhor trabalho nesse aspecto. Se calhar a maioria das pessoas nem sabe que esta prova existe. Se soubessem, eu acho que apareceriam. Acho que elas gostam", afirmou. "Há muitos anos que o público não aparece. Este ano nem me posso queixar. Tivemos muita gente no Campeonato da Europa e o público gosta de aparecer nessas [competições]", acrescentou Ivo Oliveira, realçando como é muito diferente competir num velódromo cheio. "Tem de se chamar mais público", apelou.

Maria Martins é a mais nova e ainda está a tentar encontrar o caminho do profissionalismo no difícil mundo do ciclismo feminino. Já os restantes já conseguiram arrancar com a carreira na estrada. No entanto, todos gostam de incluir a pista no seu programa, até porque também tiram benefícios quando regressam à estrada.

"É uma grande vertente para preparar a estrada. Principalmente no Inverno podemos treinar aqui muito bem. Às vezes quando está a chover, podemos fazer um trabalho muito melhor aqui do que na estrada", explicou Ivo Oliveira. Todos partilham essa opinião, tal como o ambiente mais próximo que existe entre os ciclistas.

Desde muito novos que a atracção pela pista existe nestes ciclistas. Falam mesmo no "bichinho" que não mais se foi embora. "É uma modalidade que eu comecei a fazer em júnior e desde cedo que me adaptei bem. Esse é o primeiro ponto para eu gostar de ciclismo de pista. A partir daí acho que é o ambiente familiar. Acabamos por estar todos juntos nas boxes, por nos conhecer muito bem e viver o ciclismo de maneira diferente. Desfrutamos dentro e fora das corridas", contou João Matias.

"É o ambiente que se vive dentro da pista, a adrenalina que nos dá... Uma pessoa não tem a noção de fora", desabafou Maria Martins, que não esconde a sua paixão por esta vertente do ciclismo.

Para Rafael Silva "é o ambiente aqui na selecção" que começa logo por cativar e querer estar nestas provas. Mas há mais: "Em termos físicos e para a nossa preparação é muito importante, visto que rodamos aqui pouco tempo, mas a grande intensidade, tudo aquilo que nós não fazemos a treinar. Para nós, neste defeso que não temos competição, é uma mais valia. E está a chover lá fora e está frio e aqui está quentinho! A pista é uma mais valia para as futuras competições e desfrutamos aqui muito. Aprendemos tacticamente e tecnicamente."

António Barbio acrescentou: "Quatro meses a trabalhar, com o objectivo lá longe, é mais fácil psicologicamente termos algumas falhas. Tendo estes pequenos objectivos [na pré-época], não só para estar bem, mas também por estar com os colegas, acho que a preparação para a estrada se torna mais fácil e mais agradável."

Ou seja, para estes ciclistas tanto eles como o público têm a ganhar com o ciclismo de pista. Enquanto uns praticam e melhoram como atletas, outros têm a oportunidade de assistir a um espectáculo diferente da modalidade. E este domingo, o último dia do Troféu Internacional Município de Anadia, as provas arrancam às 10:00 com o keirin. Serão corridas sem interrupção até cerca das 15:30, com scratch, perseguição individual e madison a também fazerem parte do programa.

E como João Matias frisou, a entrada é gratuita.

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

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22 de novembro de 2017

Atenções centradas em Sérgio Paulinho com a equipa a corresponder como um todo

Conseguirá Sérgio Paulinho passar de gregário a líder? Foi a pergunta que se fez durante todo ano. A Efapel recebeu um dos ciclistas mais importantes que Portugal teve no World Tour. Medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Sérgio Paulinho esteve mais de uma década ao lado de algumas das grandes referências da modalidade e tornou-se num dos homens de trabalho mais apreciados no pelotão internacional. E alcançou uns triunfos pessoais memoráveis, como as etapas no Tour (2010) e na Vuelta (2006). De regresso a casa, o ciclista, agora com 37 anos, nunca escondeu que seria um desafio ter um papel diferente.

Agarrou a oportunidade ao lado do director desportivo e amigo Américo Silva e quando chegou o momento de dar a resposta, disse que sim, que pode ser um líder. Porém, não conseguiu o resultado que procurava na Volta a Portugal, mas comprovou que, independentemente da idade, está-se sempre a aprender e a evoluir. Sérgio Paulinho espera que este tenha sido um ano de transição, para em 2018 alcançar o que ambiciona com a Efapel.

A equipa tem sido uma das mais fortes do pelotão nacional, mas ciente que, tal como todas as outras, está na perseguição à W52-FC Porto. Perder Joni Brandão para o Sporting-Tavira foi um rude golpe, contudo, a Efapel respondeu com uma contratação de peso. A responsabilidade era grande, mas tanto o director desportivo, como o ciclista sempre afastaram um aumento de pressão devido ao mediatismo de Sérgio Paulinho e também por a Efapel não ganhar a Volta a Portugal desde 2012, então com o espanhol David Blanco.

Ranking nacional: 3º (1703 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (3)

Com as atenções centradas em Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro quase passou despercebido. Pode ter sido mais discreto, é certo, mas alcançou sempre resultados interessantes e que claramente davam outra opção a Américo Silva. O melhor aconteceu em Espanha, na Volta a Castela e Leão, onde fechou o pódio. Na Volta a Portugal acabou por ser um co-líder. Terminou na oitava posição, uma acima de Paulinho. Para uma Efapel que na Senhora da Graça perdeu a possibilidade de discutir a corrida, foram resultados importantes, ainda que aquém do desejado.

Não foi uma temporada fácil. Só em Maio surgiu a primeira vitória e logo a dobrar, no Grande Prémio Jornal de Notícias. Daniel Mestre tirou um peso dos ombros da equipa. Parecia que o difícil tinha sido conseguir o primeiro triunfo. Jesús de Pino venceu o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela e mais tarde a Volta a Albergaria. Daniel Mestre celebrou no Troféu Joaquim Agostinho, mas a grande vitória do ano chegaria por um ciclista mais improvável. António Barbio já havia demonstrado como é um corredor de confiança no trabalho que faz em prol da equipa. De vez em quando chega aquele momento em que um gregário por excelência tem a sua oportunidade e há que agarrá-la.

Na chegada a Santo Tirso, Del Pino estava na fuga com Barbio, mas o português teve liberdade para tentar a sua sorte. Num daqueles dias que marcam uma carreira, Barbio (23 anos) pedalou como nunca e aguentou o ritmo numa subida à Nossa Senhora da Assunção que poderia traí-lo. Ganhou isolado e deu uma importante vitória a uma Efapel que já tinha visto Daniel Mestre ficar perto. Não houve pódio e muito menos a conquista da corrida, mas Barbio e o top dez de Paulinho e Casimiro fizeram com que o balanço pudesse ser considerado positivo.

Uma palavra para Rafael Silva. Ninguém apontaria nada a um ciclista que leva 14 pontos nas costas e mais três no braço e decidisse abandonar. Rafael Silva continuou, com o apoio de colegas que recusaram deixá-lo para trás. Não foi fácil, mas ainda conseguiu dar uma ajuda mais perto do final da Volta. Em Viseu, na última etapa, só havia sorrisos por ter cortado a meta.

A época da Efapel pode ter-se centrado muito em Sérgio Paulinho, mas acabou por demonstrar que o todo o conjunto tinha valor. Ainda assim, em 2018 será de esperar que na Volta a Portugal do próximo ano possa estar na discussão. Barbio e Álvaro Trueba optaram por outros caminhos - Miranda-Mortágua e Sporting-Tavira -, mas já está garantido mais um ciclista muito experiente, o espanhol David Arroyo (37). De Espanha chega ainda Marcos Jurado (26) que estava na Burgos-BH.



24 de agosto de 2017

"Nunca pensei que pudesse vencer uma etapa na Volta a Portugal"

Os dias vão passando e apesar de estar a assimilar melhor o que lhe aconteceu na Volta a Portugal, Antonio Barbio ainda se emociona quando recorda aquela que foi a sua primeira vitória como profissional. Nunca pensou em ganhar, estava concentrado em cumprir a sua função de ajudar os companheiros. Venceu em Santo Tirso, mas não pensa em exigir outro estatuto na equipa. Apenas quer continuar a sua evolução, esperar por novas oportunidades e então tentar somar mais vitórias. Não lhe falta ambição, contudo, mostra estar ciente que o ciclismo não é uma garantia para o futuro, pelo que podemos estar perante um eventual presidente da Junta.

Barbio prepara-se para ser estudante universitário. Quer tirar o curso de Gestão Pública e Autárquica e não nega que Rui Sousa teve a sua influência. O ciclista da Rádio Popular-Boavista é o presidente da Junta de Freguesia de Barroselas e vai de novo a votos em Outubro. "O Rui é uma grande inspiração e tem estado a dar-me alguns conselhos", confessou ao Volta ao Ciclismo. A conversa surge quando se fala da renovação de contrato. Com a temporada em Portugal a aproximar-se do fim, começam as negociações dos ciclistas que competem no país. "Quem faz aqui carreira, quando sai do ciclismo tem de ir trabalhar. Não dá para poupar dinheiro", salientou.

Aos 23 anos, o ciclista da Efapel gostaria de continuar na equipa. Já teve uma experiência pouco feliz no estrangeiro, mas não fecha a portas a nova tentativa. Porém, ficar por cá, não é assim tão mau: "É óptimo ser ciclista em Portugal. Temos um calendário que nos permite estar com a família, mas se os ordenados fossem maiores... Merecemos um mínimo mais alto." Para António Barbio, um ciclista corre riscos todos os dias quando vai treinar na estrada e fá-lo "faça chuva ou faça sol". Diz que não vale a pena tentar comparar a realidade do ciclismo com a do futebol e até considera que nos últimos anos os ordenados e as condições da modalidade estão a melhorar no país. Ainda assim, quer apostar no curso, apesar de saber que será difícil estar a 100% na universidade. Quer licenciar-se e utilizar o ciclismo para pelo menos pagar os estudos.

"Ainda não tinha cruzado a meta e comecei logo a emocionar-me. Já estava a pensar em todas aquelas pessoas que me ajudaram, nas pessoas que não estão cá e que sempre quiseram que eu tivesse sucesso"

Barbio e Joaquim Agostinho são duas gerações completamente diferentes, mas os laços familiares fazem com que as suas histórias se cruzem. "O meu avô era seccionista do Sporting na época do Agostinho. As famílias ficaram sempre ligadas", recordou. Quando o avô saiu, a tia e mãe de Barbio continuaram a acompanhar a modalidade com a mulher do ciclista, ainda hoje considerado o melhor corredor português de sempre. "Quando eu quis ir para o ciclismo as famílias voltaram a estar em contacto", contou. Esta aproximação permitiu-lhe (e permite) que conheça muitas histórias, ainda que tenha salientado que são duas eras distintas. "Gosto de as ouvir. Claro que ouço que 'as bicicletas pesavam 15 quilos, comiam tudo e agora não comes nada!'", referiu, sorrindo. Porém, considera que "há sempre coisas que se podem retirar" do que lhe vão contando do tempo em que Joaquim Agostinho levou Portugal ao mais alto nível nas grandes corridas internacionais e entusiasmou multidões por cá.

Regressando ao motivo que motivou esta conversa, António Barbio suspira quando recorda aqueles quilómetros finais na sétima etapa da Volta a Portugal, em que só pensou: "Ou vou à morte e mais à frente sou apanhado, ou meto o meu passo, tento gerir da melhor forma a subida e veremos o que acontece." Barbio refere-se à ascensão ao Santuário Nossa Senhora da Assunção, a que fechava a tirada. "A subida vai passando e a cerca de três quilómetros para a meta vejo o carro da Efapel atrás de mim, o que é um sinal que tenho pelo menos um minutinho de vantagem. As esperanças aumentaram e parece que vieram forças não sei de onde."

Ainda sofre um susto numa curva que acabaria até por ser local de queda de outros ciclistas. Mas o dia era mesmo o de Barbio: "Ainda não tinha cruzado a meta e comecei logo a emocionar-me. Já estava a pensar em todas aquelas pessoas que me ajudaram, nas pessoas que não estão cá e que sempre quiseram que eu tivesse sucesso... Foi uma enorme alegria."

"Nós fomos para a Volta para a discutir, mas depois de vermos que na etapa da Senhora da Graça isso ficou um bocadinho longe, tivemos de alterar os objectivos"

Havia uma pessoa em que pensava muito. O amigo Rafael Silva viveu momentos dramáticos, pois fez uma Volta a Portugal com 14 pontos nas costas, três no braço e hematomas num joelho. Barbio esteve muitas vezes ao lado de Rafael para o motivar a continuar. Naquele dia esperou pelo amigo antes de subir ao pódio, mas Rafael estava ainda um pouco atrasado. "Nem consigo imaginar a dor que deve ter sentido... Este triunfo também foi por ele", frisou.

A vitória de etapa de Barbio acabou por ser o ponto alto da Volta para a Efapel. Daniel Mestre andou perto, mas a equipa de Américo Silva ficou-se por um triunfo e o top dez de Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho. "Nós fomos para a Volta para a discutir, mas depois de vermos que na etapa da Senhora da Graça isso ficou um bocadinho longe, tivemos de alterar os objectivos. Tive a felicidade de ter sido comigo e ficámos um pouco mais tranquilos. Mesmo com objectivos cumpridos, tentámos sempre fazer mais e melhor", realçou, referindo-se precisamente à forma como a equipa trabalhou para Daniel Mestre.

"Nunca pensei que pudesse vencer uma etapa na Volta a Portugal", confessou, pois a sua função era de ajudar os companheiros. Mas foi, naturalmente, um momento marcante e espera ter a oportunidade para juntar pelo menos mais um: ganhar o Troféu Joaquim Agostinho. A proximidade para com a família do ciclista, o facto de ter crescido naquela zona do país, faz com que seja um grande sonho. Já tem lutado por etapas, que lhe têm escapado, mas vai continuar a tentar.

Para já, quer aproveitar este final de temporada nos tradicionais circuitos, num ambiente de maior descontracção. Na Malveira, este domingo, garantiu que vai tentar estar ao ataque. Entretanto, vai pensando também no contrato para 2018. Se aparecer um bom projecto no estrangeiro, pode agarrar o convite, ainda que considere que "há muita gente para um lugar". Por isso e por se sentir tão bem na Efapel, gostaria de continuar. "À partida sei que esta equipa poderá querer-me", disse. No entanto, há algo que alimenta mais este desejo: "Aqui não são meus colegas, são família."

»»Rafael Silva: "Os meus colegas foram uma fonte de inspiração. Se não meti o pé no chão foi por causa deles"««

»»Leonel Coutinho: "Estou mesmo a gostar de andar por lá [Espanha]"««

12 de agosto de 2017

Tu és o líder... Não tu é que és...

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Sim, fala-se muito da W52-FC Porto, mas o cenário da Volta a Portugal torna impossível que não se o faça. Mas até é mais do que justo começar o texto com a referência a António Barbio, da Efapel, que conquistou a sua primeira vitória e logo na corrida mais importante para as equipas nacionais! E que vitória! Até o ciclista ficou admirado por ter ganho numa chegada em alto. Mas voltaremos a este momento. Aproximam-se as decisões de uma Volta dominada pela W52-FC Porto, sem que tal signifique que tenha a vitória garantida. Mesmo dentro da equipa, continua tudo muito em aberto, Raúl Alarcón mantém a amarela desde a primeira etapa, mas aquele que é o líder assumido da equipa vai segundo a segundo (fruto das bonificações) aproximando-se.

Se já não é fácil tentar bater a equipa azul e branca, só se pode imaginar o que os directores desportivos andarão a pensar para tentar antever a jogada de Nuno Ribeiro. Parece que estão todos à espera da etapa na Torre, segunda-feira. Será que vão esperar pela cartada da W52-FC Porto, ou vão atacar primeiro?

A etapa deste sábado tinha a chegada ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Os candidatos mantiveram-se tranquilos e só nos últimos metros se mexeram para procurar as bonificações. Veloso levou mais seis e Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) recuperou quatro. Com Amaro Antunes a ficar cortado, ambos subiram um lugar, para quarto e terceiro, respectivamente, com 33 e 30 segundos de diferença para Alarcón.

Nuno Ribeiro, director desportivo da W52-FC Porto, nunca abandonou o discurso que Veloso é o líder da equipa. Alarcón, venceu duas etapas e depois da Senhora da Graça já se foi assumindo como candidato, mas rapidamente regressou às palavras que está a desfrutar da camisola amarela... e que Veloso é o líder. Veloso tem dificuldades em tentar manter-se como segunda figura (compreensível, afinal já ganhou duas Voltas a Portugal), mas sabe que tem de garantir a harmonia na equipa e vai apoiando Alarcón. O discurso não convence e cada vez mais torna-se claro que Veloso pode muito bem deixar-se ficar atrás do colega para depois fazer-se valer das suas qualidades de contra-relogista.

Recorde-se que Veloso já esteve nesta posição em 2016, só que a diferença era bem maior. 2:25 minutos separavam o galego de Rui Vinhas antes do esforço individual, que mesmo não sendo tão forte nesta especialidade, defendeu-se muito bem e conquistou a Volta com 1:25 de vantagem.

Para todos os efeitos, os adversários têm de ver Alarcón como um adversário temível. É que o espanhol pode muito bem ganhar a Volta, pois consegue defender-se no contra-relógio. Perante este factor, Alarcón deverá ser a cartada a ser jogada primeiro pela W52-FC Porto. O desgaste maior será dele, Veloso poderá ser mais protegido. O principal objectivo passará sempre por fazer descolar Rinaldo Nocentini e Vicente García de Mateos. O espanhol terá dificuldades em bater Veloso e mesmo Alarcón no contra-relógio. Já o italiano deverá a estar a provocar alguma (se calhar até bastante) apreensão. Ele bateu os dois atletas da W52-FC Porto no prólogo. Certo que apenas um segundo o separou de Veloso, mas Nocentini está em grande forma.

Nove segundos separam Veloso de Nocentini, com vantagem para o ciclista do Sporting-Tavira. Se as diferenças se mantiverem assim depois da Torre, então será um contra-relógio de emoções muito fortes. Mas ainda há duas etapas em linha antes. Nocentini afirmou que quer fazer algo na Torre, mas não seria de surpreender que se sentir que será difícil bater o poderio da formação azul e branca, então poderá tentar manter-se na luta e jogar tudo na última etapa. Ao contrário de Mateos, Nocentini pode dar-se a esse luxo.


Mas claro, nesta história do "tu és líder... não tu é que és", a vantagem táctica está toda do lado da W52-FC Porto, que conta ainda com dois exemplares homens de trabalho: Amaro Antunes e António Carvalho. O primeiro só tem 34 segundos de diferença para Alarcón, sendo sempre um plano de contingência muito viável. Porém, em circunstâncias normais, irá trabalhar para os colegas. Mateos tem aparecido algo só nas decisões, enquanto Nocentini perdeu Frederico Figueiredo que não conseguiu recuperar no dia de descanso das duas quedas que o deixaram muito mal tratado. No entanto, conta com Alejandro Marque, que também tem o interesse pessoal de pelo menos ficar no top dez.

Barbio e o dia da Efapel

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Voltando então a António Barbio. No dia em que se soube que a Efapel vai continuar a patrocinar a equipa por mais três anos, nada melhor do que finalmente ter algo a correr bem para a formação de Américo Silva. Daniel Mestre esteve perto de ganhar, mas não conseguiu, Sérgio Paulinho e Henrique Casimiro estão a dois minutos de Alarcón, o que faz com que a geral seja um objectivo muito complicado. A Efapel precisava de salvar algo e já estava a tentar apostar na classificação por equipas. Porém, a vitória de etapa deverá tranquilizar todos.

Barbio tem 23 anos, mas já teve uma experiência numa equipa italiana. Em 2016 assinou pela Efapel e a evolução tem sido notória. Faltava algo que o levasse a destacar-se e que talvez lhe desse a confiança que poderia fazer mais e melhor. O próprio admitiu que os colegas sempre o motivaram e por isso mesmo dedicou o triunfo a eles.

Paulinho e Casimiro ainda deverão tentar subir um pouco na classificação e porque não atacarem eles e lançar alguma confusão na corrida?...

É verdade que parece ser difícil não ver a W52-FC Porto ganhar, mas também é verdade que apesar de tanto dominar, não está a salvo de assistir a um autêntico golpe de teatro. Pelo menos, há indefinição nesta Volta a Portugal!

Veja aqui a classificação.