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11 de janeiro de 2021

Novo nome e reforços interessantes em Mortágua

© Facebook Tavfer-Measindot-Mortágua
Novos patrocinadores que significa novo nome, reforços de qualidade e a continuação na aposta em ciclistas de valor e à procura ou de relançar a carreira ou de prosseguir a sua afirmação. É o caso de Joaquim Silva (na fotografia) e de Leangel Linarez, respectivamente, este último um sprinter venezuelano que esteve a muito bom nível na Volta a Portugal (ficou tão perto de uma vitória em etapa). A agora Tavfer-Measindot-Mortágua, contratou um Iúri Leitão que apesar de jovem, há muito que está dedicado em tornar-se num sprinter ganhador, ele que regressa a Portugal como o campeão europeu de scratch, em pista.

Pedro Silva vai contar com um conjunto de ciclistas bem interessante, pois os reforços podem contribuir para fortalecer a equipa tanto na luta pelos sprints, como na disputa por corridas que incluam mais montanha. Continuando entre os sprinters, além de Leitão (22 anos) - ciclista que em 2020 foi até Espanha (Super Froiz) à procura de mais provas para o seu estilo, mas com a pandemia a estragar-lhe os planos de afirmação -, chega Pedro Paulinho.

Depois de ter estado ao lado do irmão, Sérgio, na Efapel, separa-se novamente, para ter uma responsabilidade de ajudar Linarez (23) e Leitão. Aos 30 anos, já não se espera ver Paulinho confirmar o potencial que demonstrou nas camadas jovens. Não se tornou num sprinter de referência, mas a sua experiência no pelotão pode ser uma mais-valia.

A equipa perdeu um dos seus melhores ciclistas das duas últimas temporadas, Daniel Freitas (vai para a Rádio Popular-Boavista), mas continua a apostar forte nos sprints.

Já de Tiago Antunes - e a pensar noutro tipo de terreno - ainda se espera que possa confirmar o seu potencial. Tem apenas 23 anos e foi mais um ciclista a ver a pandemia estragar-lhe os planos para 2020. Queria relançar a carreira, mas nem à Volta a Portugal conseguiu ir. Esteve no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, passou por Espanha na Aldro, foi depois até à SEG Racing Academy, uma das melhores equipas na formação de jovens ciclistas. Porém, a afirmação demora em acontecer.

Poderá formar uma dupla interessante com Joaquim Silva, tanto na ajuda, como para ele próprio se assumir como figura principal em algumas corridas. A ver se é desta que Tiago Antunes atinge um nível mais alto e que lhe permita concretizar o sonho que alimentava no início de 2020: regressar a uma equipa estrangeira para tentar chegar o mais longe possível no ciclismo.

Da Sicasal Miticar Torres Vedras - equipa por onde também passou Iúri Leitão - chega o jovem Francisco Morais (22 anos), que se vai estrear como profissional e será um dos ciclista a seguir na sua evolução, agora que tem a oportunidade para se juntar definitivamente à elite.

A surpresa chama-se Rui Carvalho. Quase caiu no esquecimento depois de uma longa suspensão por doping. Testou positivo por uso de esteróides anabolizantes na Volta a Portugal do Futuro e esteve suspenso entre 2015 e 2019. A Tavfer-Measindot-Mortágua estende a mão a um ciclista agora com 25 anos e que chegou a ser um promissor atleta - um trepador - nas camadas jovens. Tem agora uma segunda oportunidade para construir uma carreira.

Entre as permanências, além de Joaquim Silva (28 anos) e o Linarez, continuam também na equipa Ángel Sánchez Rebollido (27), um bom rolador, tal como Gaspar Gonçalves, sendo que o português de 25 anos é um ciclista que gosta de tentar a sua sorte em fugas, por exemplo.

Pedro Pinto (20) vai prosseguir a sua evolução na equipa que representa há três temporadas, enquanto Ash Coning (20), o britânico adoptado por Cascais, está desejoso de mostrar o que vale, depois de um 2020 que, já se sabe, não houve oportunidades para o fazer.

Com a saída da Miranda Bike Parts como patrocinador, a formação de Mortágua vai ganhar um novo look e Pedro Silva tem razões para estar confiante num bom 2021, tendo uma equipa equilibrada, que poderá procurar bons resultados, que até possam passar por alguma vitória.

Os novos patrocinadores

Como curiosidade, aqui fica a apresentação dos dois novos patrocinadores, segundo a explicação dada na página oficial de Facebook da equipa.

"O Grupo Tavfer é actualmente uma referência em áreas tão distintas como a inspecção de veículos, onde é líder nacional no sector através das entidades CIMA e Inspecentro, no comércio e serviços, através da Egicos, nos seus Vinhos premiados mundialmente, e ainda nos sectores do Turismo, Imobiliário, Saúde, Agroflorestal, na Indústria e Energia, na Segurança no Trabalho e Higiene Alimentar", lê-se na página.

A Measindot-Enginneering Lda foi criada em 2015 e "é uma empresa especializada na área da construção metálica e mista, prestando serviços de engenharia e consultoria no fabrico e montagem de produtos metálicos, construção civil e obras pública".

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»»A vez de António Carvalho numa Efapel renovada««

7 de novembro de 2019

Regresso de Joaquim Silva fecha plantel mais experiente

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Já não era segredo, mas a Miranda-Mortágua deixou para o fim o anúncio do regresso de Joaquim Silva, que irá assumir o maior protagonismo de uma equipa que para 2020 aposta em mais experiência, mas sem deixar de ter jovens que procura valorizar. Para a sua terceira temporada na categoria Continental (agora sem ser sub-25), Pedro Silva escolheu um ciclista que dá mais opções para as gerais e garantiu ainda um outro reforço de peso, Angel Sanchez, para se juntar a Daniel Freitas, que foi dos corredores com melhores prestações em 2019, mostrando-se forte em vários sprints, vencendo o Circuito da Póvoa da Galega.

Foi a única vitória da Miranda-Mortágua este temporada, num ano também marcado pela prestação de Hugo Sancho na Volta a Portugal. Aquela etapa da Serra do Larouco escapou por tão pouco... A equipa mostrou-se lutadora, procurou fugas, tentou ajudar Daniel Freitas nos sprints, mas faltaram melhores resultados. A chegada de Joaquim Silva e de Ángel Sanchez, ambos da W52-FC Porto, dará mais opções entre ciclistas com uma experiência mais ampla, podendo assim contrabalançar melhor com a juventude de Artur Chaves e Pedro Pinto, por exemplo.

E por falar em ciclistas ainda muito jovens, o director desportivo contratou um dos estreantes no pelotão nacional de elite com melhores prestações. João Barbosa está a pouco mais de um mês de completar 22 anos e demonstrou na Vito-Feirense-PNB grande potencial e muito ainda por evoluir. Ao lado de Hugo Sancho e Joaquim Silva poderá desenvolver ainda mais as suas qualidades como trepador.

O venezuelano que estagiou na parte final da temporada, Leangel Linarez, e o britânico da Crédtio Agrícola-Jorbi-Almodôvar, Ash Coning, foram as restantes contratações, mais dois jovens para trabalhar e ver como irão evoluir.

Depois de em 2019 Hugo Sancho, Daniel Freitas e Gaspar Gonçalves - outro dos ciclistas que se destacou esta temporada - terem regressado à equipa de Mortágua, é agora a vez de Joaquim Silva. Enquanto sub-23, entre 2011 e 2014, o ciclista de Penafiel, não demorou muito a mostrar o seu talento. Foi campeão nacional do escalão, estreou-se na Volta a Portugal (ao serviço da selecção) com um 25º lugar e foi oitavo no prestigiado Tour de l'Avenir ou Volta a França do Futuro. Nesse 2014 para recordar, foi 16º nos Mundiais de Ponferrada.

A W52-FC Porto não esperou e contratou o ciclista. Nas três temporadas seguintes a evolução foi notória, mesmo muito preso a um papel de gregário. Sem grande surpresa chegou a oportunidade de ir para o estrangeiro, com Joaquim Silva a assinar pela Caja Rural por duas temporadas. Porém, só cumpriria uma. Alternou entre prestações ao seu nível, com outras menos conseguidas. Veio à Volta a Portugal como líder, mas abandonou ao segundo dia, sendo a primeira das vítimas do calor que marcou a edição de 2018 da corrida. Foi uma enorme desilusão para o ciclista e para a equipa, que apostava forte no português.

A expectativa de se estrear numa grande volta em Espanha não se confirmou e a Caja Rural acabaria por dispensar o ciclista, que regressou à W52-FC Porto. Joaquim Silva acabou por fazer uma calendário mais pelo estrangeiro, mas só na recta final da temporada, na China mostrou um pouco do seu melhor. Ainda assim vai mudar novamente de ares, tentando aos 27 anos relançar a carreira onde despontou para o ciclismo.

Depois de se ter tornado uma equipa sub-23 de referência, que formou vários corredores que chegaram ao profissionalismo, não deixa de ser curioso que a Miranda-Mortágua na versão Continental continue a recuperar alguns dos seus melhores pupilos e que seja com eles que vá à procura de mais e melhor em 2020.

Equipa: Hugo Sancho (37 anos), Artur Chaves (20), Daniel Freitas (28), Gaspar Gonçalves (24), Pedro Pinto (19), Joaquim Silva (27, W52-FC Porto), Ángel Sanchez (26, W52-FC Porto), João Barbosa (21, Vito-Feirense-PNB), Leangel Linarez (22, Kuota-Construcciones Paulino, estagiou a partir de Agosto de 2018 na Miranda-Mortágua), Ash Coning (19, Crédito Agrícola-Jorbi-Almodôvar).


2 de agosto de 2018

Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Calor! Muito calor! Durante os últimos dias ouviram-se vezes sem conta as recomendações para as temperaturas altas que estão a afectar o país, depois de um Verão que estava a ser tão tímido, mas tão bom para o ciclismo. Uma dessas recomendações é de não fazer actividade física na rua. Ora, a Volta a Portugal não pára. Não pelo calor. Não é uma situação inédita em 80 edições e ao falar-se com vários dos ciclistas que se preparavam para partir para a primeira etapa, era quase desconcertante ver como todos falavam com naturalidade no que os esperavam. Desconcertante para quem vê de fora e que procura todas as sombras para atenuar os efeitos de um sol a ferver, pois para estes ciclistas de barba rija, foi apenas mais um dia de trabalho.

Foi preciso atravessar todo o Alentejo, desde Alcácer do Sal, até à meta em Albufeira, naquele que foi o regresso do Algarve à Volta, dez anos depois. O que vale é que a praia não estava longe no final da etapa! Com um dia assim, era quase difícil pensar apenas no ciclismo, pois a maior preocupação foi sempre com o estado de saúde dos 131 atletas. Um não resistiu e logo um candidato: Joaquim Silva, da Caja Rural.

Mesmo com o termómetro a variar apenas entre 40 graus e 40 e qualquer coisa, ainda assim, a etapa cumpriu os habituais requisitos. Houve uma fuga, o pelotão tentou andar um pouco mais descansado enquanto foi possível, até que foi necessário acelerar, apanhar um trio atrevido e confirmar as previsões de chegada ao sprint. Mas tem de se voltar ao calor. Joaquim Silva foi vítima disso mesmo. A equipa falou em desidratação, o colega, Rafael Reis, explicou que terá sofrido ainda uma paragem de digestão. Sofreu de problemas gástricos, não conseguia alimentar-se e de nada valeu a ajuda daquele que até vestia (e vai continuar a vestir) a camisola amarela, mas que não deixou o companheiro até este meter o pé no chão.

Joaquim Silva não resistiu. Abandonou. Perde a Caja Rural que ficou sem o seu líder para a geral, mas perde também a Volta a Portugal. Joaquim Silva tinha tudo para ser um dos animadores nas etapas de montanha. Agora há que recuperar e pensar na Vuelta. Os restantes ciclistas resistiram como puderam. O alemão Mario Vogt assumiu o protagonismo quando ficou sozinho na fuga. Até teve mais de cinco minutos de vantagem. O ciclista da Sapura Cycling lá foi ficando na frente à espera que o pelotão chegasse, aproveitando o protagonismo televisivo e para ser o líder da classificação da montanha.

Foi, sem surpresa, apanhado. Foi então que Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), Pierpaolo Ficara (Amore & Vita-Prodir) e Jesse Ewart (Sapura Cycling) conseguiram isolar-se na frente, depois de várias tentativas de ciclistas para ganhar vantagem ao pelotão. O trio preocupou o suficiente para fazer a W52-FC Porto tirar a Caja Rural da perseguição, com a Efapel a ficar atenta.

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Nos últimos dez quilómetros dos 191,8, uma queda que afectou vários ciclistas, incluindo o regressado Joni Brandão (Sporting-Tavira). O sprint teve um João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) a arrancar cedo de mais. Que susto apanhou quando quase caiu a grande velocidade! Outros portugueses tentaram a vitória. Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) não escondeu a frustração de ter ficado tão perto, com César Martingil (Liberty Seguros-Carglass) a ser desta feita terceiro, depois do segundo lugar no prólogo. O vencedor foi o italiano Riccardo Stacchiotti, da equipa romena MSTina Focus. Foi claramente o mais forte e vestiu a camisola verde dos pontos. É a segunda vitória de Stacchiotti em Portugal, pois tinha ganho uma etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Martingil manteve a liderança na juventude e Rafael Reis chegou no pelotão, mantendo assim amarela, uma vez que nesta edição da Volta a Portugal não há bonificações.

Pode ver aqui as classificações completas.

Segunda etapa: Beja-Portalegre, 203,6 quilómetros

Espera-se que seja uma etapa um pouco à imagem da desta quinta-feira. Será a mais longa da Volta e sim, o calor promete roubar novamente parte das atenções.



10 de abril de 2018

Convites para a Vuelta sem surpresas e a abrir a porta a três ciclistas portugueses

A Euskadi-Murias recebeu um muito desejado convite para a Vuelta
A subida da Burgos BH e da Euskadi-Murias ao escalão Profissional Continental, onde só estava a Caja Rural, representa uma melhoria nas condições das equipas espanholas, pelo que era expectável que fossem premiadas com a presença na Vuelta. Afinal um, senão o, principal objectivo para os patrocinadores que investiram nestes projectos. O director da corrida, Javier Guillén, já tinha deixado indicações que os convites para a próxima edição da Volta a Espanha seriam entregues às equipas do país, sobrando um, que ficou para a francesa Cofidis. Mas também aqui não há surpresa, pois esta é uma marca que tem investido muito no ciclismo de Espanha, inclusivamente no apoio às selecções.

A alegria de uns é a grande desilusão de outros, principalmente da Aqua Blue Sport e da Manzana Postobón. A irlandesa recebeu um dos convites em 2017 e logo no seu ano de estreia no ciclismo. Depois das peripécias de ter visto o seu autocarro arder e de ter a portuguesa LA Alumínios-Metalusa-BlackJack a ceder o seu, a Aqua Blue Sport conseguiu vencer uma etapa, por intermédio do austríaco Stefan Denifl. O director, Rick Delaney, escreveu nas redes sociais estar "furioso" com a situação, questionando os critérios de escolha.

"No ano passado não tínhamos história e conseguimos alguns convites fantásticos, este ano temos alguma história positiva e temos poucos ou nenhuns convites. Investi milhões neste desporto [...]. Sem corridas significa que não há tráfego no site, que significa que não há vendas e, logo, não há financiamento para a nossa equipa", lê-se. Delaney critica ainda nem ter havido a cortesia de um telefonema a dizer que a Aqua Blue Sport tinha sido preterida.

Já a colombiana Manzana Postobón, de Ricardo Vilela, foi principalmente uma animadora nas fugas, com o holandês Jetse Bol a ser uma das figuras da primeira semana, quando chegou a figurar no top dez.

Desta feita ficarão de fora, assim como a CCC Sprandi Polkowice. A equipa polaca de Amaro Antunes sabia que as possibilidades eram quase nulas, mas depois de ficar de fora da Volta a Itália, restava sonhar com a Vuelta, mas nada feito. Porém, as escolhas feitas podem permitir ter três portugueses na corrida. Na Caja Rural, Rafael Reis poderá repetir a presença de 2017 (foi 132º), com Joaquim Silva a ter em perspectiva uma estreia em grandes voltas.

Já para José Mendes poderá ser o regresso, ele que conta com duas participações na Vuelta, em 2013 (22º) e 2016 (54º), num total de cinco grandes voltas: dois Tours e um Giro. O ciclista português foi um dos reforços da Burgos BH, depois de cinco temporadas na estrutura da actual Bora-Hansgrohe.

Na Euskadi-Murias a notícia foi recebida efusivamente. "É um momento importante para o ciclismo basco e para o desporto basco em geral", salientou Jon Odriozola, director da equipa. Desde que a popular Euskaltel-Euskadi terminou, que no País Basco há muito se aguarda pelo aparecimento de uma estrutura que dê de novo àquela região uma referência no ciclismo. Nas provas em que tem participado, a Euskadi-Murias tem assumido sempre uma postura atacante, procurando estar nas fugas. E poderemos comprovar isso já a partir de sexta-feira, pois a formação basca, juntamente com a Burgos BH, será uma das equipas estrangeiras a marcar presença no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Estas duas formações espanholas têm sido presença regular em Portugal nos últimos anos, tal como a Caja Rural.

A Cofidis irá gerar um interesse maior do que em anos anteriores, pois a equipa contratou os irmãos Herrada, José e Jesús, que durante grande parte das suas carreiras foram duas figuras da Movistar, a única equipa espanhola no World Tour. Os Herrada juntaram-se a Luis Ángel Maté e Daniel Navarro.

A Volta a Espanha começa a 25 de Agosto com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga. Madrid consagrará o campeão a 16 de Setembro.

14 de fevereiro de 2018

"Está a ser uma experiência incrível!"

Em 2014 Joaquim Silva ainda não era profissional, mas foi quando percebeu que poderia ter capacidade de chegar a uma equipa de grande nível internacional. É o próprio quem o admite. No entanto, passaria por momentos difíceis que acabaram por o ajudar a evoluir como ciclista e depois de dois anos como um dos homens mais importantes da W52-FC Porto, considerou que tinha chegado a altura certa para dar um passo em frente na carreira, agarrando a oportunidade de representar a Caja Rural. Na Volta ao Algarve aparece com liberdade para lutar por um bom resultado e aponta já ao segundo dia, na subida ao Alto da Fóia e também a domingo, quando a corrida terminar no Malhão.

"Neste último ano consegui muitos bons resultados a nível internacional e também alguns a nível nacional. Acho que foram essas boas referências que me levaram a dar esse passo. É um sonho tornado realidade", confessou ao Volta ao Ciclismo. No périplo por Espanha em 2017, Joaquim Silva conseguiu quatro top 30 em clássicas, foi nono na Volta às Astúrias e oitavo na Volta a Castela e Leão. Na Volta a Portugal teve um papel importante na conquista de Raúl Alarcón, mas nas clássicas de início de temporada, Arrábida e Aldeias do Xisto, foi 11º e 23º, respectivamente. E estes são resultados de um ano, pois a consistência vem desde que era ainda sub-23. E foi essa mesma consistência ainda muito jovem que o fez perceber que poderia ter uma grande carreira. "Já tinha algumas referências, principalmente em 2014 quando fiz um ano muito bom tanto a nível internacional como nacional. Vi que se calhar poderia ter uma possibilidade de subir para uma equipa assim. Depois foi continuar a trabalhar e conseguir dar esse passo", recordou.

Respira fundo quando recorda 2015, ano em que assinou pela então W52-Quinta da Lixa. "Foi complicado quando passei a profissional. Vinha de um ano muito bom e depois, em 2015, passei ao lado. As coisas não me saíam. Andava sempre com uns valores muito baixos em termos de condição física. Treinava, mas as coisas simplesmente não saíam", desabafou. 2016 começou com uma gastroenterite na Volta ao Algarve e consequente abandono. Na semana seguinte caiu, também no sul do país, e partiu a clavícula. "Quando voltei, a partir daí, foi sempre no meu melhor. No ano passado tive uma época espectacular, sempre em muito boa condição física e acho que isso [os problemas físicos] já está ultrapassado", referiu, acrescentando de imediato: "Também nos faz crescer. Costumo dizer que 70% dos momentos no ciclismo são maus e 30% são bons e são esses que temos de aproveitar. Por agora, estou a viver nesses 30%."


"Sou novo e quero mostrar serviço e às vezes posso cometer algum erro a treinar, forçar mais, ou algo assim. E ele [Rafael Reis] vai-me dando conselhos"
Na Caja Rural, equipa Profissional Continental, Joaquim Silva não notou diferença nos métodos do treino, assegurando que em Portugal, mesmo sendo as equipas do escalão inferior, já se trabalha muito bem. Porém, há um pormenor que lhe custou um pouco: "Estamos habituados a estar poucos dias fora de casa. Estamos uma ou duas semanas no máximo. Agora estive quase um mês fora e essa parte acho que é o único inconveniente. Mas é uma questão de adaptação e isso acontecerá facilmente." E para que não restem dúvidas de como o ciclista de 25 anos está feliz com a sua escolha: "Está a ser uma experiência incrível! Espero continuar a desfrutar como tenho desfrutado até agora. É um sonho."

Subindo de escalão, abrem-se as portas de outras corridas - esteve recentemente na Argentina, na Volta a San Juan (39º) - e claro que Joaquim Silva ambiciona estar numa grande volta, sendo a Caja Rural presença habitual na Vuelta. "Este ano não sei se a farei. Sou novo na equipa e se calhar tenho de ganhar um pouco de estatuto, o meu lugar, mas trabalharei para isso, sem dúvida. E só assinei por um ano, portanto trabalharei para assinar por mais um", realçou.

A equipa espanhola tem apostado muito em ciclistas portugueses. Por lá passaram mais recentemente os gémeos Gonçalves e Ricardo Vilela, por exemplo. Há um ano foi Rafael Reis que deixou a W52-FC Porto pela Caja Rural, caminho que seguiu agora Joaquim Silva. Será que houve alguma influência? "Penso que sim. Certamente que lhe perguntaram como eu era tanto como ciclista, como a nível pessoal. Com certeza que ele falou bem de mim e isso ajudou bastante."

Estiveram juntos em 2016 na formação do Sobrado e agora Rafael Reis tem sido importante na adaptação a um nível diferente. "Sou novo e quero mostrar serviço e às vezes posso cometer algum erro a treinar, forçar mais, ou algo assim. E ele vai-me dando conselhos, para ter calma, até porque a época é muito mais longa, mais dias de corrida e um nível muito superior. Isso pode fazer mossa na parte final da temporada", contou. E Rafael Reis até é um exemplo de como apenas no primeiro ano na Caja Rural é possível ganhar a confiança dos responsáveis e ser chamado para a Volta a Espanha.

Os dois portugueses lideram uma equipa muito jovem, Rafael e Joaquim até são os mais velhos, mas o ciclista garante que toda a equipa está na Volta ao Algarve para se mostrar. "Temos uma equipa bastante jovem, mas que traz muita garra e muita ambição para esta corrida", frisou. A nível individual o desejo é: "Gostava de estar na frente, principalmente no dia de amanhã [quinta-feira] e no Malhão, pois são etapas que se adequam às minhas características. Se na geral puder fazer melhor do que no ano passado, será muito bom." Ou seja entrar no top 25. Neste primeiro dia de corrida, Joaquim Silva foi 100º, integrando o pelotão que viu Dylan Groenewegen ganhar a primeira etapa. Já Rafael Reis, perdeu 57 segundos (120º). E como referido por Joaquim Silva, o companheiro espanhol Josu Zabala, integrou a fuga do dia.

28 de dezembro de 2017

Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve

Martin já não vestirá a camisola do arco-íris na próxima Volta ao Algarve,
mas procurará a terceira vitória na corrida
O arranque da época aproxima-se e os calendários dos ciclistas vão sendo definidos. Com a Volta ao Algarve preparada para arrancar em Albufeira a 14 de Fevereiro, os primeiros nomes começam a ser inscritos para a 44ª edição. Tony Martin é já uma figura habitual na Algarvia e Arnaud Démare também estará de regresso. Entre os portugueses que estão em equipas estrangeiras, quatro já estão nas listas enviadas à organização: José Gonçalves, Tiago Machado, Rafael Reis e Joaquim Silva.

Tony Martin pode não estar a atravessar o melhor momento da sua carreira, mas procura em 2018 compensar um ano de estreia na Katusha-Alpecin que ficou muito aquém do esperado. O quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio quer estar bem neste início de temporada, pois está de olho nas clássicas da primavera. O alemão de 32 anos tem boas memórias da Volta ao Algarve, tendo vencido a corrida em 2011 e 2013. Martin tem condições para aspirar a outro triunfo, tendo em conta que o contra-relógio até tem potencial para o beneficiar. No entanto, a equipa levará outro forte candidato: Simon Spilak

José Azevedo tem como objectivo de temporada para o esloveno precisamente as corridas de uma semana, aproveitando assim as características deste ciclista que este ano ganhou a Volta a Suíça pela segunda vez na carreira. Jhonatan Restrepo é mais uma das promessas colombianas no pelotão internacional. O jovem de 23 anos quer fazer de 2018 a época da sua afirmação. As clássicas são o seu forte, mas aos poucos vai também mostrando que corridas como a Algarvia podem assentar-lhe bem, numa altura em que vai melhorando nas subidas. Robert Kiserlovski e Maurits Lammertink tanto podem ser uma boa ajuda, como podem tentar surpreender numa fuga. Os portugueses José Gonçalves e Tiago Machado completam a Katusha-Alpecin, ficando-se à espera de ver se terão liberdade, ainda mais estando a competir no seu país. Marcel Kittel, a grande contratação para 2018 e que já venceu na Algarvia, não está entre os nomes inscritos.

A FDJ traz um conjunto muito a pensar em Arnaud Démare. O sprinter campeão nacional francês é mais um ciclista que irá estar a preparar a fase das clássicas. Ignatas Konovalovas (campeão de estrada e de contra-relógio da Lituânia), David Cimolai, Jacopo Guarnieri e o reforço Antoine Duchesne (canadiano da Direct Energie) deverão estar mais no apoio a Démare, com o jovem Olivier le Gac (24 anos) a ter uma oportunidade para mostrar as suas qualidades, ainda que para a geral a aposta deverá ser o holandês - e mais um campeão nacional - Ramon Sinkeldam. O ciclista deixou a Sunweb para ter um papel de mais destaque e na Algarvia terá a possibilidade de começar a afirmar-se desde o início da temporada na FDJ.

Quanto à Caja Rural, os destaques vão inevitavelmente para os dois portugueses. Rafael Reis prepara-se para cumprir o segundo ano na estrutura espanhola do escalão Profissional Continental e irá ter ao seu lado em 2018 Joaquim Silva que, tal como Rafael, representou a W52-FC Porto. Ambos poderão ter um papel de destaque numa equipa que irá trazer ao Algarve ciclistas muito jovens. Rafael e Joaquim são mesmo os mais velhos (25 anos). Josu Zabala, Gonzalo Serrano, Mauricio Moreira, Miguel Ángel Benito e Julen Amezqueta são os eleitos.

De recordar que estas são listas de pré-inscritos e que podem sofrer alterações. A Dimension Data ainda não confirmou os seus ciclistas, mas Louis Meintjes foi o primeiro a anunciar que pretendia estar na Volta ao Algarve, de forma a preparar a estreia na Giro. Geraint Thomas (Sky) - vencedor em 2015 e 2016 - e Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe) também estarão presentes.

A Volta ao Algarve decorre entre 14 e 18 de Fevereiro e contará com um recorde de equipas do World Tour: 13. Veja aqui o percurso.


17 de outubro de 2017

Joaquim Silva assina pela Caja Rural

(Fotografia: W52-FC Porto)
Pode não ser dos nomes que mais se fala na W52-FC Porto, mas Joaquim Silva teve três anos de consolidação como um ciclista de talento e importante na estrutura da equipa que tem dominado o ciclismo nacional nas últimas temporadas. Há três anos que é aposta, apesar de ter apenas 25. Agora abriu-se a porta de uma oportunidade desejada. A Caja Rural tem constantemente olhado para o ciclismo português e mais uma vez contratou um corredor luso. Joaquim Silva assinou por dois anos pela formação espanhola do escalão Profissional Continental.

Era um "salto" desejado por um atleta que em 2014, ainda como sub-23, teve um ano prometedor. Foi segundo na Volta a Portugal do Futuro e foi depois à Volta "principal" fazer 25º, ao serviço da selecção. Dias depois estava no Tour de l'Avenir (ou Volta à França do Futuro) e terminou na oitava posição. Fez tudo isto como campeão nacional do seu escalão. A então W52-Quinta da Lixa não deixou escapar um ciclista que demonstrava enorme talento como trepador. E comprovou-o todas as expectativas. Claro que numa formação com vários corredores de elevada qualidade, Joaquim Silva foi procurando o seu espaço que, para já, era mais de homem de trabalho.

Nas corridas em Espanha, este ano, Joaquim Silva foi extremamente regular, terminando sempre no top 30 e é de destacar o nono lugar na Volta às Astúrias - prova ganha por Raúl Alarcón - e o oitavo na Volta a Castela e Leão. Apesar de ser talhado para competições por etapas, corridas de um dia com bastante montanha também lhe assentam muito bem. Perante os resultados, a qualidade, talento e margem de progressão, Joaquim Silva é um tipo de ciclista muito procurado pela Caja Rural, que tem sempre como grande objectivo da temporada a Volta a Espanha.

"Correr na Caja Rural é um sonho tornado realidade, um passo muito importante na minha vida e na minha carreira. Sempre foi um sonho competir numa equipa de topo e agora vejo todo o meu trabalho ser recompensado", afirmou Joaquim Silva, em declarações divulgadas pela formação espanhola. Acrescentou que os seus objectivos "são claros": "Tentar cumprir como tudo o que a equipa me peça. Há muitos ciclistas de grande valor neste plantel e para mim é um orgulho correr com eles. Se surgirem oportunidades, tentarei lutar para ganhar."

Joaquim Silva vai reencontrar-se com o antigo companheiro de equipa em Portugal, Rafael Reis, que recentemente renovou o seu contrato. E pela Caja Rural já passaram ciclistas como José Gonçalves (agora na Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Ricardo Vilela (Manzana Postobón), André Cardoso (Trek-Segafredo), Manuel Cardoso, Hernâni Brôco e Vítor Rodrigues.

Nuno Ribeiro, director desportivo da W52-FC Porto, vê mais uma peça na forte estrutura da formação do Sobrado sair, depois de Amaro Antunes escolher representar a CCC Sprandi Polkowice em 2018 e 2019.

Confira aqui as principais transferências e alguns dos ciclistas ainda à procura de definir o futuro.