Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Campos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Campos. Mostrar todas as mensagens

16 de agosto de 2020

Rui Costa regressou para ser campeão nacional

© João Fonseca Photographer
Desde 2015 que Rui Costa não aparecia nuns Campeonatos Nacionais. Resurgiu exactamente com o mesmo resultado da última vez: a vencer. Tal como há cinco anos teve de sprintar com um dos portugueses que correm por cá. Então foi com Joni Brandão, desta feita foi com Daniel Mestre, que não conseguiu bater um ciclista que, nunca é de mais lembrar, é um campeão do mundo (2013).

Naquele 2015, Rui Costa representava a Lampre-Merida e teve em Braga ao seu lado os companheiros Nelson Oliveira e Mário Costa, o seu irmão. Em 2020, na UAE Team Emirates (a herdeira da estrutura italiana) teve ao seu lado dois jovens valores do ciclismo português e que muito trabalharam para ver o seu líder sagrar-se mais uma vez campeão nacional. Os gémeos Oliveira foram incansáveis no trabalho e Ivo teve mesmo de se aplicar, pois não entrou inicialmente no grupo que fugiu, mas acabou por lá chegar.

Num ano tão atípico, os adeptos lusos podem pelo menos recordar que o ciclista que marca a história recente da modalidade em Portugal recolocou o país no seu calendário competitivo, depois de tanto tempo de ausência. Em Fevereiro veio lutar pela Volta ao Algarve e na retoma pós-confinamento, aproveitou a Prova de Reabertura para testar a sua forma no contra-relógio. E até venceu.

Nos Nacionais, o título do esforço individual ficou para Ivo Oliveira, mas Rui Costa (33 anos) partiu decidido a conquistar uma vitória que lhe permitirá vestir novamente a camisola de campeão nacional. As duas de elite vão ser vistas no World Tour.

Para a W52-FC Porto fica um sabor agridoce de ver escapar o título nacional... mais uma vez. Tal como em 2019, a equipa que tem dominado a Volta a Portugal (e não só) nas corridas por cá, colocou dois homens no pódio, mas não no lugar mais alto.

Em Melgaço foram Ricardo Mestre e António Carvalho que viram José Mendes ficar com o título de campeão. A camisola haveria de ir parar à equipa, com a mudança do ciclista para a formação do Sobrado, depois de um ano no Sporting-Tavira. Mas, é caso para dizer, não é a mesma coisa que ganhá-la.

© João Fonseca Photographer
Desta feita foi o outro Mestre, o Daniel, sempre forte no sprint e que demonstrou boa forma em Paredes. Em terceiro ficou mais um sprinter da equipa azul e branca. Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 em 2017, apareceu também ele a bom nível, ainda que não tenha conseguido manter-se com o duo da frente para o sprint final. Cortou a meta 28 segundos depois.

A exibição dos ciclistas da equipa da W52-FC Porto tem de ser ainda mais valorizada pelo facto de terem pouca competição (Daniel Mestre não competia numa prova de fundo desde a Volta ao Algarve). Ao contrário de Rui Costa e dos gémeos. O poveiro esteve na retoma do calendário World Tour na Strade Bianche e seguiu para a Volta à Polónia. Ivo e Rui estiveram em Espanha, no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, e depois acompanharam Rui Costa à Polónia.

"Correr em Portugal não é fácil, apesar de virmos com muito mais ritmo competitivo. Foi uma prova muito bem disputada, sempre num ritmo alto. Vi que o Daniel Mestre estava forte logo no momento em que nos unimos ao grupo da frente. Quando ataquei, o Daniel veio comigo e ficámos juntos até ao fim. Voltar a correr além fronteiras com a camisola de campeão nacional é muito importante e um grande orgulho", afirmou Rui Costa na conferência de imprensa.

© João Fonseca Photographer
E recordou ainda aqueles emocionantes metros finais: "Quis sprintar desde a frente. A 300 metros eu vinha atrás do Daniel, mas passeio-o porque quis lançar o sprint da dianteira. O Daniel, muito valente, deu guerra até à meta, acabei por ganhar por um palmo."

Quanto a Daniel Mestre, o ciclista não esconde a frustração típica de um segundo lugar, mas também retira aspectos positivos da corrida: "Se o Rui Costa viu que eu estava forte eu também percebi que ele estava muito bem, como sempre está. Vim com ambição de lutar pela vitória. A nossa equipa tinha superioridade numérica, o Rui tem a vantagem de chegar com mais dias de competição. As condições eram ela por ela. Foi uma luta até ao fim e há que dar os parabéns ao vencedor. Nos campeonatos nacionais os piores lugares são o segundo e o quarto, o que fica atrás do vencedor e o que não ganha qualquer medalha. Coube-me o segundo, mas sendo atrás do Rui Costa dá-me motivação para as próximas competições"

Como decorreu a prova

Foi a 80 quilómetros da meta - dos 165,6 - que a corrida começou a ficar lançada. Alguns dos candidatos começaram a ganhar vantagem e o grupo acabou por ficar com 14 elementos. A W52-FC Porto viu quatro dos seus homens estarem na frente, com a UAE Team Emirates a eventualmente ter os seus três representantes. Um dos ciclistas que chegou a isolar-se na frente, foi precisamente Francisco Campos, que acabaria em terceiro.

© João Fonseca Photographer
A formação portuguesa foi atacando à vez, na tentativa de ir desgastando a concorrência. Porém, a cerca de cinco quilómetros do fim, foi Rui Costa que atacou, levando com ele apenas Daniel Mestre. O público vibrou com um final emotivo.

Se a vitória fica como individual, a verdade é que foi o colectivo que ajudou a fazer a diferença e Rui Costa não esqueceu como os gémeos foram uma preciosa ajuda para que pudesse estar em condições de conquistar o título nacional. "O Rui esteve praticamente em todos os ‘cortes’. Já na fase mais decisiva, o Ivo fez um esforço enorme, vindo de trás para a frente, com uma volta brilhante. Os dois foram excepcionais", elogiou.

De recordar que Rui Costa também tem dois títulos nacionais de contra-relógio, conquistados em 2010 e no ano de ouro da sua carreira, 2013.

Classificação completa, via FirstCycling.

O que se segue

Para Rui Costa não haverá tempo para descansar. O poveiro vai para a França onde já esta terça-feira começa o Tour du Limousin-Nouvelle Aquitaine. Terá a seu lado Rui Oliveira. Depois o campeão nacional fará a Bretagne Classic-Ouest-France (dia 25), antes de começar a pensar nas clássicas das Ardenas, no final de Setembro, princípio de Outubro. A época termina na Vuelta.

Por cá, temos de esperar duas semanas por alguma competição, mas entretanto espera-se conhecer mais sobre a Volta a Portugal. Este domingo foi anunciada a segunda etapa, que arrancará precisamente de Paredes, com final na mítica Senhora da Graça.

Calendário:

5 e 6 de Setembro: Qualificações Inter-Regionais para o Campeonato Nacional de Rampa
13 de Setembro: Campeonato Nacional de Rampa: todas as categorias de Cadetes a Masters
19 e 20 de Setembro: GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho
19 e 20 de Setembro: Campeonato Nacional de Contrarrelógio para camadas jovens, femininas e masters
27 de Setembro a 5 de Outubro: Volta a Portugal
10 e 11 de Outubro: Grande Prémio O Jogo
13 a 18 de Outubro: Grande Prémio Jornal de Notícias


14 de setembro de 2019

Temporada nacional fecha com mais uma vitória da W52-FC Porto

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Fim de época para o pelotão nacional. Ficará a faltar o habitual Festival de Pista de Tavira (5 de Outubro), mas na estrada, a nova clássica da Rota da Filigrana recebeu a última corrida de 2019. A W52-FC Porto terminou com mais uma vitória, a 18ª da temporada, por intermédio de um dos jovens que este ano se estreou na equipa: Francisco Campos. O ciclista bateu ao sprint Daniel Freitas (Miranda-Mortágua) e Rafael Silva (Efapel).

132 quilómetros ligaram Gondomar a Póvoa de Lanhoso, na primeira edição da clássica, que integra um fim-de-semana de muito ciclismo. Depois da prova profissional, este domingo é dia de granfondo. Mas na corrida do calendário nacional, Joaquim Silva (W52-FC Porto), Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano), Marcos Jurado (Efapel), Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) e Alejandro Marque (Sporting-Tavira) protagonizaram a fuga do dia. Acabaram por não se entender, mas Mendonça - que juntamente com Barbosa e Marque foi dos mais resistentes - ainda alcançou algo de positivo ao garantir a classificação da montanha.

A corrida resolveu-se ao sprint e nesse aspecto Francisco Campos vai-se afirmando como um dos melhores portugueses na especialidade. Aos 21 anos, deixou o Miranda-Mortágua pela equipa azul e branca e a 2 de Junho alcançou o seu primeiro triunfo pela W52-FC Porto, no Grande Prémio Anicolor. Porém, logo no início da temporada, Campos venceu a segunda etapa do Tour de l'Espoir (5 de Fevereiro), mas ao serviço da selecção nacional de sub-23.

De referir, que tanto Daniel Freitas, como Rafael Silva foram dos ciclistas em melhor forma nesta recta final de temporada, no pós-Volta a Portugal. O ciclista do Miranda-Mortágua conquistou o Circuito da Póvoa da Galega, enquanto o corredor da Efapel venceu há duas semanas a Volta a Albergaria.

Quanto às restantes classificações da Rota da Filigrana, Luís Pereira, da JV-Perfis-Gondomar Cultural, foi o melhor entre as equipas de clube, com a sua formação a ser a mais forte entre essas estruturas. Já o Sporting-Tavira venceu em elite, podendo ter sido a despedida do clube de Alvalade do ciclismo.

Neste link pode confirmar todas as vitórias das equipas Continentais portuguesas em 2019.

Classificação via FirstCycling.


2 de junho de 2019

Francisco Campos estreia-se a vencer pela W52-FC Porto

Não é qualquer um que pode dizer que teve um bicampeão da Volta a Portugal e vencedor de dez etapas a trabalhar para ele. Francisco Campos não desperdiçou o esforço de Gustavo Veloso e conquistou a sua primeira vitória na W52-FC Porto. O sprinter foi até ao Grande Prémio Anicolor abrir a sua contagem, naquela que foi a quinta vitória da equipa em 2019, divididas por quatro ciclistas, três dos quais, reforços para esta temporada.

Aos 21 anos, Francisco Campos deu o salto do Miranda-Mortágua para a equipa que tem dominado o panorama nacional e que este ano subiu ao segundo escalão mundial, Profissional Continental. O sprinter até começou a época a ganhar, na segunda etapa do Tour de l'Espoir, nos Camarões. Mas foi com as cores da selecção nacional de sub-23. Também já tinha sido o melhor neste escalão na Clássica da Primavera e agora conseguiu impor a qualidade que lhe é reconhecida como sprinter numa corrida em Portugal.

Francisco Campos tem melhorado a sua capacidade para subir, abrindo assim mais o leque de opções nas corridas portuguesas, pouco dadas a oportunidades para os chamados sprinters puros. Nos 168,2 quilómetros entre Oliveira do Bairro e Águeda, um fuga de 14 ciclistas acabou por ser a que definiu as várias classificações. A fase mais montanhosa nos 40 quilómetros finais, ajudou a "escolher" o quinteto que iria discutir a vitória, com o veterano Gustavo Veloso (39 anos) a trabalhar para preparar o sprint do jovem companheiro, que não desiludiu.

Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista) foi segundo, com Henrique Casimiro (Efapel) a fechar o pódio e a ficar com a classificação da montanha. Francisco Campos foi, naturalmente, o melhor sub-23, com a W52-FC Porto a somar mais um triunfo colectivo. João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) ganhou as metas volantes e Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) os pontos quentes.

Daniel Mestre (segunda etapa do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela) e Edgar Pinto (terceira etapa da Volta às Astúrias) também já venceram este ano, eles que são outros dos novos rostos da W52-FC Porto, mas com mais experiência comparativamente com Francisco Campos. João Rodrigues, um homem da casa e a ganhar cada vez mais importância na hierarquia, conquistou uma etapa e a geral na Volta ao Alentejo.

O pelotão nacional segue agora para Grande Prémio Jornal de Notícias, de 4 a 10 de Junho.

Classificações completas, via Federação Portuguesa de Ciclismo (ficheiro pdf).

»»Guilherme Mota regressa a Portugal para poder garantir um futuro além do ciclismo««

»»Efapel soma e segue««

5 de fevereiro de 2019

Francisco Campos começa o ano a ganhar com a selecção

(Fotografia: Tour de l'Espoir/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Há dois anos, um jovem de 19 anos surpreendia o pelotão nacional e a ele próprio ao vencer a Prova de Abertura Região de Aveiro. Então o Miranda-Mortágua era uma equipa de clube, mas uma das melhores na formação de ciclistas. Francisco Campoa tinha demonstrado qualidade na equipa do Moreira Congelados e prosseguiu a sua evolução com as novas cores e logo a ganhar. O jovem sprinter não perdeu tempo em marcar posição como sub-23. A sua progressão não passou despercebida à W52-FC Porto, que não perde a oportunidade de agarrar um ciclista português que possa contribuir para a senda de vitórias da equipa. Francisco Campos ainda nem se estreou de azul e branco, mas 2019 traz já um triunfo importante no Tour de l'Espoir.

A vitória foi ao serviço da selecção nacional de sub-23, numa competição importante para o grande objectivo da temporada: o apuramento para a Volta a França do Futuro. O ciclista português demonstrou toda a sua qualidade como sprinter, depois da equipa ter preparado bem o lançamento para a disputa da etapa. Em Douala, onde começaram e acabaram os 101,2 quilómetros da segunda tirada da corrida que decorre nos Camarões, o jovem corredor bateu o eritreu Natanael Tesfatsion e o japonês Shoi Matsuda.

Está a ser um excelente início da Equipa Portugal no Tour de l'Espoir, depois do terceiro lugar no contra-relógio colectivo inaugural, que acaba por marcar a classificação geral. O líder é o eritreu Natanael Mebrahtom, seguido por três compatriotas. Surgem depois cinco argelinos, com o melhor português a ser Miguel Salgueiro. O ciclista da Sicasal-Constantinos está a 28 segundos da liderança, tal como Gonçalo Carvalho. Jorge Magalhães (outro reforço da W52-FC Porto que estava no Miranda-Mortágua), Pedro Miguel Lopes e Gonçalo Leaça estão a 38 segundos. Esta diferença deve-se aos cortes no pelotão na meta. Mesmo Miguel Salgueiro perdeu dois segundos para Campos. Porém, surgem todos seguidos na classificação.

Salgueiro subiu também ao pódio para vestir a camisola de líder da montanha, ele que é um todo-o-terreno do ciclismo. Não há vertente que não goste e em que não ganhe. Começou 2019 a conquistar a Taça de Portugal de ciclocrosse.

Esta quarta-feira é dia da classificação geral começar a ficar mais definida na etapa rainha. Serão apenas 68,3 quilómetros, entre Nkongsamba e Dschang, sendo que a 6800 metros da meta estará colocado um prémio de montanha, numa subida de 9,3 quilómetros a 7,6% de pendente média. Será dia para os trepadores da selecção mostrarem-se, com as etapas de sexta e sábado a não ter tanta montanha tão difícil, mas a serem marcadas por muito sobe e desce.

Quanto a Francisco Campos, o resultado só pode ser muito animador para quem vai à procura de conquistar um lugar de destaque na equipa que tem dominado o panorama nacional nos últimos anos. Campos não quer ser apenas um sprinter, estando a trabalhar a sua capacidade para subir, podendo assim seguir o exemplo de outro reforço da W52-FC Porto: Daniel Mestre. O ex-corredor da Efapel poderá ser uma influência importante, não esquecendo que a equipa conta ainda com Samuel Caldeira.

De salientar que a equipa subiu este ano ao escalão Profissional Continental. Campos - que em 2018 venceu duas etapas na Volta a Portugal do Futuro - irá ter oportunidade para se adaptar à nova realidade e de continuar a sua evolução. Contudo, sabe que está no caminho certo para mostrar-se a outro nível. Para já está a aproveitar a chamada à selecção e esta vitória ninguém lhe tira. Quando arrancar a época na W52-FC Porto terá um factor extra de motivação.

»»Depois do Sporting-Tavira é a vez da W52-FC Porto entrar em acção««

»»Calendário nacional para 2019. Época arranca a 10 de Fevereiro««

19 de novembro de 2018

Miranda-Mortágua confirma talentos em ano de mudança

A vida de equipas de formação é assim. Desenvolve-se jovens talentos e quando são bons, é inevitável que partam para outros desafios, para equipas com outras ambições. O Miranda-Mortágua é uma das melhores estruturas para os ciclistas evoluírem e ao subir ao escalão Continental como sub-25, não mudou nada, apenas confirmou que tinha um grupo de jovens corredores forte e que seria difícil não vê-los seguir em frente na carreira.

Numa época de mudança, Pedro Silva manteve o núcleo duro que em 2017 tinha realizado uma época bem positiva. A realidade pode ter sido um pouco diferente nesta temporada com o acesso a grandes corridas, mas de quem se esperava ter tudo para demonstrar que é no profissionalismo que tem lugar, mostrou-o. Francisco Campos, Hugo Nunes, Gonçalo Carvalho e Jorge Magalhães estiveram em destaque e não surpreende que para o ano estejam em equipas como a W52-FC Porto ou a Rádio Popular-Boavista.

Uma palavra para Francisco Campos. Tão longe que está aquele rapaz que nem queria acreditar que tinha acabado de bater os profissionais na Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017. Está a tornar-se num senhor ciclista, num sprinter de qualidade. Em Portugal já se sabe, um sprinter tem de saber subir e Francisco Campos é um dos sub-23 (campeão no ano passado) de quem se espera ver-se mais e melhor agora que vai para a equipa que tem dominado o ciclismo nacional. 

Este ano somou três vitórias, duas na Volta a Portugal do Futuro e conquistou a Taça de Portugal do seu escalão, além de também ser o melhor sub-23 no ranking. Bem tentou uma vitória de maior gabarito, mas por mais qualidade que o Miranda-Mortágua pudesse ter, nas grandes corridas não se podia esperar mais do que foi feito. E foi muito positivo.

Não só por parte de Campos, que juntamente com Jorge Magalhães, vai a caminho da W52-FC Porto. Nuno Ribeiro não deixa escapar jovens talentos! Magalhães também venceu uma etapa na Volta a Portugal do Futuro e é um trepador com muita margem de progressão. Tal como Hugo Nunes (vai para a Rádio Popular-Boavista) e Gonçalo Carvalho, este último está a caminho da equipa francesa U.C. Mónaco.


Ranking: 8º (369 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo Memorial Bruno Neves e três etapas da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Francisco Campos (3) 

Foi uma temporada regular para este quarteto que sabe o que é representar a selecção em grandes competições internacionais de sub-23. Carvalho esteve muito bem na sua estreia em Mundiais, em Innsbruck (38º, o melhor português). O director desportivo, Pedro Silva, tem razões para ficar orgulhoso do trabalho realizado com estes ciclistas, que muito contribuíram para a estreia positiva no escalão Continental, dentro do que era expectável, já que medir forças de igual para igual com as equipas profissionais seria sempre uma missão complicada.

Nuno Meireles e António Barbio foram os ciclistas mais experientes contratados para esta nova fase do Miranda-Mortágua. Apesar de ter ganho o Memorial Bruno Neves, Barbio esteve longe do ciclista que representou a Efapel. Foi um regresso a casa que não correu como esperado. A Nuno Meireles parece ser difícil tirar-lhe o sorriso. Depois de uma temporada complicada na Equipo Bolivia - que fechou portas a meio da época -, Meireles reencontrou a alegria do ciclismo. Homem de trabalho por excelência, cumpriu com a missão de ajudar na evolução dos jovens companheiros. Por ser um daqueles corredores com quem se pode sempre contar, Jorge Piedade foi buscá-lo para o Aviludo-Louletano-Uli. Barbio irá mudar-se para a LA Alumínios.

Num ano de mudança e que serviu para confirmar o bom trabalho realizado na formação do Miranda-Mortágua, o grande teste poderá chegar em 2019, já que são muitas as caras novas, cortando com a continuidade que se verificou esta época. Apenas três ciclistas se manterão na estrutura: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. As contratações são um misto de experiência e de juventude.

Pedro Silva aposta no regresso de Hugo Sancho (36 anos, Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Freitas (27, W52-FC Porto), que passaram pelos escalões de formação, tal como Gaspar Gonçalves (23, Liberty Seguros-Carglass), que esteve na categoria de cadetes e juniores na estrutura. Este ciclista poderá ser uma das figuras em 2019 do Miranda-Mortágua. Ivo Pinheiro (20, ACDC Trofa) terá uma oportunidade para se mostrar noutro nível, com o júnior Pedro Pinto (18, Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) a dar um salto importante agora que sobe de escalão. De Espanha chegarão dois ciclistas de 22 anos: Cristian Mota (Aldro Team), Sergio Vega (Froiz). Este último fará 23 em Dezembro.

Uma profunda renovação, numa altura em que a estrutura quererá consolidar-se como Continental sub-25 e poderá procurar resultados de destaque em corridas além das sub-23. Essas serão atacadas com a prata da casa, com o trio que permanece a assumir maior responsabilidade, além de Pinheiro e Pedro Pinto.

Veja aqui todos os resultados do Miranda-Mortágua em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»O ano zero numa nova era de um patrocinador histórico««

17 de setembro de 2018

Final de época na estrada com a Taça de Portugal a estar entregue

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Fim de época para o pelotão nacional, pelo menos a nível de estrada. O cancelamento daquela que seria a última corrida, em Outubro, antecipou as decisões da Taça de Portugal. Resta o Festival de Pista em Tavira, mas todos os principais troféus já estão entregues, com David Rodrigues a terminar em alta um ano muito positivo da Rádio Popular-Boavista, com a W52-FC Porto a despedir-se também com mais uma vitória. De destacar ainda Francisco Campos. O jovem do Miranda-Mortágua conquistou o troféu na categoria de sub-23 e não ficou muito longe de ficar também com o de elite.

Foi o regresso do pelotão nacional à região de Aveiro, onde começou a temporada, então com Tiago Machado a passar por Portugal para conquistar uma grande vitória. Numa reorganização do calendário, a Taça de Portugal ficou para ser decidida até ao final da época. Era suposto ser em Tavira, a 6 de Outubro, mas a prova foi cancelada. Foram então os 151,6 quilómetros entre Anadia e Murtosa os decisivos. David Rodrigues partiu como líder, mas longe de ter a conquista garantida. Foi um ano muito positivo para o ciclista de 27 anos, que venceu uma etapa no Grande Prémio Abimota, mas foi a exibição na tirada da Senhora da Graça na Volta a Portugal que, até este domingo, tinha marcado a sua época.

Rodrigues esteve 70 quilómetros em fuga solitária até que Raúl Alarcón (W52-FC Porto) o apanhou a apenas 250 metros da meta. Como reagiu? A pensar que poderia tentar de novo numa próxima vez. Não houve discurso derrotista, apenas um olhar para o futuro. Na sua quarta temporada na equipa de José Santos, Rodrigues tem demonstrou, uma evolução muito interessante. Há um ano conquistou a sua primeira vitória como profissional, no Grande Prémio de Mortágua e em 2018 confirmou que está preparado para ter maiores responsabilidades.

A Taça de Portugal é um prémio para uma temporada positiva de Rodrigues, mas também de toda a Rádio Popular-Boavista, que venceu colectivamente a competição. Foram 11 vitórias em 2018, seis por parte de Domingos Gonçalves. Só a W52-FC Porto ganhou mais, com César Fonte a ser o responsável pela 15ª vitória do ano, a sua terceira. Isto só para falar de triunfos em etapas, corridas de um dia ou classificações gerais.

César Fonte disputou o sprint em Murtosa com Jacobo Ucha (Fortunna-Maia), enquanto David Rodrigues estava no pelotão, onde se assistiu à luta pela Taça de Portugal. Foi oitavo e chegou para ganhar, com 16 pontos sobre Francisco Campos. A pensar na conquista da Taça em sub-23, este sprinter que cada vez mais está a afirmar-se no pelotão nacional, quase ficou também com o troféu de elite. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) era o líder em sub-23, apesar da igualdade pontual. Foi quarto na corrida, atrás de Campos, e o ciclista do Miranda-Mortágua foi quem celebrou, depois de na Volta a Portugal do Futuro ter sido uma das figuras, ao vencer duas etapas e a classificação dos pontos.

Fim de uma época de estrada ficando apenas por fechar o ranking nacional, que tem Joni Brandão (Sporting-Tavira) como líder, com mais 222 pontos do que Raúl Alarcón.

Pode ver aqui os resultados de 2018 das equipas de elite portuguesas.

»»"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"««

»»Estou calmo. O que tiver de ser, será««

20 de junho de 2018

Três dias de muito ciclismo em Belmonte para conhecer os campeões nacionais

Com as corridas femininas a serem incluídas no programa que contava com a elite e sub-23 masculinas, os Nacionais de 2018 ganham um novo impulso, com Belmonte a receber três dias de muito ciclismo. Quando se fala em dinamizar locais através desta modalidade, eis um bom exemplo. Com o percurso a ser um "rompe pernas", esperam-se provas muito abertas e intensas pela procura de uma camisola que será utilizada durante um ano.

Sexta-feira será dedicada ao contra-relógio. Às 11:00 começam as ciclistas de elite feminina, num percurso com 24,1 quilómetros, o mesmo escolhido para os sub-23. Esta prova iniciará logo a seguir e depois arranca a elite masculina, mas com 33,7 quilómetros pela frente.

Contra-relógio feminino


Contra-relógio masculino



Sábado é dia de corrida de fundo. Mais uma vez, as senhoras abrem as hostilidades às 11:00. Sendo em formato de circuito (21,4 quilómetros), que tem nos 1500 metros finais, em subida, o ponto nevrálgico, vai favorecer quem assistir ao vivo, pois assim poderá ver várias vezes as e os ciclistas. A elite fará cinco voltas, ou seja, 107 quilómetros, as juniores farão menos uma (85,6) e as cadetes ficarão pelas três (64,2).




Às 15:00 será dado o tiro de partida para a corrida dos sub-23 masculinos. Inicialmente o pelotão sairá de Belmonte e fará 76 quilómetros até entrar no circuito. Serão quatro passagens na meta, numa distância total de 160,4 quilómetros.

A elite masculina, inevitavelmente a corrida mais esperada, irá para a estada no domingo às 11:00. O esquema é o mesmo dos sub-23, mas o campeão só será definido na quinta passagem na meta, após 181,8 quilómetros.



Dos portugueses que estão em equipas estrangeiras, a maioria estará presente, incluindo o campeão em título, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Joaquim Silva, José Gonçalves, José Mendes (campeão em 2017), Ricardo Vilela e Tiago Machado também confirmaram a presença.

O campeão da contra-relógio é Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), que está a realizar uma temporada de grande nível, pelo que será de novo candidato, no esforço individual e na prova de fundo. Em 2017, uma queda tirou-lhe a oportunidade de fazer uma dobradinha, que a certa altura parecia estar muito bem encaminhada. Nos sub-23, José Neves foi o campeão de contra-relógio (vai competir este ano em elite) e Francisco Campos de estrada. Soraia Silva foi a melhor no esforço individual e Celina Carpinteiro foi a campeã na prova de fundo.

»»Festejos a dobrar para a Rádio Popular-Boavista no final do Grande Prémio Abimota/Altice««

»»Miranda-Mortágua com início de sonho na Taça de Portugal««

31 de janeiro de 2018

"Há dias em que me pergunto como foi possível ganhar aos profissionais logo a abrir a época"

Momento em que Francisco Campos venceu a primeira corrida de 2017
Francisco Campos não poderia ter começado 2017 de forma mais perfeita. Este jovem de 19 anos, bateu os profissionais na primeira corrida do ano. Aproxima-se a Prova de Abertura Região de Aveiro (no domingo) e inevitavelmente as memórias daquele 5 de Fevereiro estão novamente muito vivas, mas há uma que surge mais intensamente: "É sempre aquele sprint final, em que consegui bater toda a concorrência e acho que com alguma qualidade!" O jovem ciclista do Miranda-Mortágua partiu para uma época que sempre o marcará, pois os bons resultados continuaram, como o título nacional de sub-23, e também teve as primeiras internacionalizações, que incluíram presenças no Tour de l'Avenir e nos Mundiais, por exemplo.

"De certo modo, acho que aquela vitória fez com que tivesse uma excelente temporada. Acho que tirou logo toda a pressão para conseguir trabalhar de outra forma. Aquela corrida deu-me outro incentivo", salientou ao Volta ao Ciclismo. Mas Francisco Campos admite: "Há dias em que me pergunto como foi possível ganhar aos profissionais logo a abrir a época."

Francisco Campos é o campeão nacional de sub-23
Agora é tempo de pensar em 2018, com novas responsabilidades, tanto pelos resultados que alcançou no ano passado, como pela subida da equipa ao escalão Continental. Contudo, perante a aproximação da corrida que ganhou em 2017, o ciclista realçou: "Coloco uma pressão em mim próprio e acho que a equipa está a confiar em mim para fazer um bom resultado na Prova de Abertura Região de Aveiro."

O Miranda-Mortágua conta agora com dois ciclistas com experiência de elite. António Barbio e Nuno Meireles regressaram a uma casa que bem conhecem, para tentar levar longe esta nova ambição da estrutura liderada pelo director desportivo Pedro Silva. "Eles são ciclistas mais experientes e vão ajudar-nos em tudo o que puderem, mas com a noção que nós, os mais novos, temos muita qualidade e podemos também fazer grandes resultados", salientou. "Para eles é um bocado difícil este trabalho numa equipa mais jovem. Mas acho que eles tomaram a decisão certa e vai dar frutos por eles terem ingressado no Miranda-Mortágua", acrescentou.

Para Francisco Campos, a subida de escalão "irá aumentar um pouco a pressão, mas nada de mais". Afirmou que "os objectivos irão manter-se mais ou menos os mesmos", tal como a logística, ainda que neste aspecto tenha destacado haver "mais qualidade". Claro que a Volta a Portugal ganha agora outra relevância, já que o Miranda-Mortágua poderá participar. "É sempre o objectivo principal das equipas portuguesas. Para mim também é um objectivo, claro, mas estarei igualmente a pensar nas provas de selecção que se seguem, como o Tour de l'Avenir", referiu.

"Estou ciente que vou à Volta ao Algarve mais para a aprendizagem, mas estou ansioso!"

Continuar a representar a selecção nacional é algo que Francisco Campos deseja muito e depois de toda a experiência que viveu em 2017, espera que este ano se possa ver os resultados do que terá evoluído: "Acho que daqui para a frente as coisas vão melhorar e penso vir a fazer melhores resultados pela selecção."

Quanto ao Miranda-Mortágua, depois da Prova de Abertura seguir-se-á a Volta ao Algarve, onde Francisco Campos poderá ter a oportunidade de pedalar ao lado de grandes sprinters, estando para já confirmado o campeão francês Arnaud Démare. "Estou ciente que vou à Volta ao Algarve mais para a aprendizagem, mas estou ansioso! Nós, os mais novos, temos muita ambição e pensamos nessas pequenas coisas [de estar ao lado de grandes nomes], contudo, temos de ter os pés bem assentes na terra", disse. Já na Volta ao Alentejo, fica desde já o aviso que "se as sensações forem boas", Francisco Campos quer surpreender.

Oliveira do Bairro recebe início de temporada

A Prova de Abertura Região de Aveiro começa este ano em Oliveira do Bairro, com a partida agendada para as 12:15 de domingo (4 de Fevereiro), junto à Câmara Municipal. Serão 155,5 quilómetros que terminarão na Torreira, na Avenida Hintze Ribeiro, por volta das 16:00.

Além das nove equipas Continentais portuguesas e as de clube, também estará presente a selecção nacional que irá apresentar o novo equipamento. Os gémeos Oliveira (Ivo e Rui) e João Almeida, da Hagens Berman Axeon, Joaquim Silva (Caja Rural), José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) estarão às ordens de José Poeira. Porém, haverá ainda duas presenças do BTT. Tiago Ferreira e José Dias vão ter uma experiência de estrada.

A primeira corrida do calendário nacional marca também o arranque Troféu Liberty Seguros, que inclui ainda a Clássica da Arrábida (11 de Março) e a Clássica Aldeias do Xisto (25 de Março).


22 de setembro de 2017

Faltou ritmo (e alguma sorte) aos nossos sub-23

Francisco Campos foi o melhor português nos sub-23
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)

Era um grupo de qualidade. Disso não há dúvida. No entanto, os sub-23 portugueses sentiram a falta de competição ao mais alto nível, pois ou estão nas equipas portuguesas de clube, ou então no escalão Continental, casos de Ivo Oliveira (Axeon Hagens Berman) e André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime). Em corridas como a dos Mundiais, mesmo nos sub-23, sente-se muito a diferença de ritmo e foi o que aconteceu em Bergen, na Noruega. Mas como a qualidade está lá, José Neves (Liberty Seguros-Carglass) foi à luta e entrou na fuga do dia e Francisco Campos fez tudo para se aguentar no grupo, mas descolou na última volta.

(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ainda assim, há que destacar a fantástica época deste jovem do Miranda-Mortágua, com destaque para a vitória na prova de Abertura Região de Aveiro e o título nacional da categoria. Saiu dos Mundiais com o 67º lugar, ficando a 4:44 minutos do vencedor, o francês Benoit Cosnefroy, naquela que foi a primeira corrida que fez com 191 quilómetros de distância. André Carvalho terminou na 96ª posição, com Ivo Oliveira a cortar a meta logo atrás, no 101º posto, ambos a 9:16. Para o ciclista da Axeon Hagens Berman acabou por ser uma corrida estragada muito devido a um problema que obrigou-o a trocar de roda traseira. Por essa altura José Neves (na fotografia à direita) já tinha sido absorvido pelo pelotão - o grupo onde estava foi apanhado a cerca de 70 quilómetros do fim -  e foi ele quem cedeu a roda ao colega de selecção. O campeão nacional de contra-relógio de sub-23 não resistiu ao ritmo elevado e ao ficar para trás, acabou por abandonar. Mas foi uma corrida corajosa de um ciclista que começa a ser cada vez mais interessante de seguir. Quanto a Ivo Oliveira, o ciclista teve de fazer um grande esforço para recolar depois da troca de roda. Poderá ter pago precisamente esse desgaste físico quando o ritmo aumentou e Ivo não conseguiu manter-se na frente.

Perante a qualidade  destes ciclistas já aqui referida e que deve ser bem salientada, é uma pena que não tenha sido possível estar na luta por um melhor resultado. Porém, há que referir que a experiência que adquiriram em Bergen poderá ser importante já no futuro próximo, principalmente Francisco Campos e José Neves que competem em Portugal e só na selecção têm este tipo de contacto com uma realidade tão diferente.

Maria Martins foi a única participante feminina
portuguesa nos Mundiais de Bergen
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
E não nos vamos esquecer da "nossa" Maria Martins. Esta jovem é a prova que o ciclismo feminino no país vai aos poucos caminhando pelo rumo certo. Muito lentamente, é certo, mas vai. Não teve a sorte dos compatriotas e correu de manhã sob chuva, sendo a única representante feminina portuguesa nos Mundiais. A júnior foi 44ª classificada (percurso de 76,4 quilómetros), a 8:52 minutos da campeã Elena Pirrone. "As sensações não foram más, mas também não foram as melhores. A prova foi disputada com uma intensidade muito grande e senti que preciso ainda de perder algum peso para estar bem num terreno como este", explicou a ciclista, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mais um passo na aprendizagem de Maria Martins, que se destacou este ano na pista em provas internacionais, mas também com resultados interessantes na estrada. Daniela Reis está no World Tour e merece toda a atenção por este feito, mas em Portugal Maria Martins lidera uma geração que quer de uma vez por todas colocar o ciclismo feminino no mapa.

Os campeões

Quando se diz que faltou ritmo aos portugueses, temos de olhar para os dois primeiros classificados, dois ciclistas que já competem ao nível do World Tour. Lá está, uma realidade bem diferente da dos jovens portugueses. Benoit Cosnefroy é da AG2R (desde 1 de Agosto, mas estagiou na formação gaulesa em 2016) e Lennard Kämna está na Sunweb, tendo ganho a medalha de ouro no contra-relógio colectivo no domingo. Do alemão pode-se mesmo dizer que já é uma aposta segura da Sunweb, pois esteve na Volta a Espanha (não terminou, mas esteve em 16 etapas), Volta à Polónia, Ster ZLM, Volta à Romandia, Volta à Catalunha, entre outras corridas em que competiu com os melhores. 

Tal como Cosnefroy tem 21 anos e foi entre os dois que se disputou o sprint final nos Mundiais. O francês levou a melhor, confirmando assim a sua apetência para corridas de um dia. Ao contrário de Kämna não participou em provas tão mediáticas, contudo, esteve em muitas clássicas e algumas corridas por etapas. Somou resultados interessantes, tendo vencido mesmo antes de viajar para Bergen a corrida francesa Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais. A AG2R está a preparar um jovem de talento para as grandes clássicas e com este título mundial, quem sabe o vejamos em algumas já no próximo ano.

A medalha de bronze ficou para o dinamarquês Michael Carbel Svendgaard, 22 anos e ciclista da Virtu Cycling. Veja aqui a classificação dos sub-23.

Nas juniores, Elena Pirrone teve uns Mundiais de sonho. Aos 18 anos fez a dobradinha, juntando o título de estrada ao de contra-relógio. A italiana fez valer um ataque, deixando a dinamarquesa Emma Cecilie Norsgaard a lutar pela prata, com o bronze a ficar para a também italiana Letizia Paternoster (resultados completos).

Mais duas corridas este sábado antes da prova mais aguardada

Este sábado, a primeira corrida arranca logo às 8:30 (hora de Portugal Continental). A prova de juniores masculinos que contará com três representantes portugueses: Afonso Silva, Pedro José Lopes e Pedro Miguel Lopes. Será um percurso com 133,8 quilómetros. Da parte da tarde (12:30) teremos a corrida de elite feminina, na qual se espera uma luta acesa.

Só a Holanda tem três potenciais candidatas: Anna van der Breggen (campeã da Europa em 2016), Annemiek van Vleuten (campeã do Mundo de contra-relógio) e a eterna Marianne Vos (campeã em 2006, 2012 e 2013 e actual campeã da Europa). Megan Guarnier (EUA), Lizzie Deignan (britânica campeã mundial em 2015 e que recentemente foi operada ao apêndice) e a italiana Elisa Longo Borghini aparecem entre as favoritas. A dinamarquesa Amalie Dideriksen não vai ter vida fácil para defender a camisola do arco-íris que vestiu nos últimos 12 meses.

Domingo é o dia mais esperado. Será que Peter Sagan vai entrar na história como o primeiro a conquistar três títulos mundiais consecutivos? Adversários desejosos de vestir aquela camisola do arco-íris não faltam...



11 de setembro de 2017

Rui Costa regressa para liderar selecção nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já são conhecidos os seis ciclistas que vão representar Portugal nos Mundiais de Bergen. Depois de há um ano ter ficado de fora devido ao percurso plano do Qatar, Rui Costa está de regresso à convocatória, não sendo segredo que a corrida na Noruega é um dos objectivos do ano para o campeão do mundo de 2013. Numa selecção com direito a seis atletas, o poveiro será acompanhado por Nelson Oliveira (Movistar), José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Ricardo Vilela (Manzana Postobón) e o campeão nacional Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Rui Costa estará também na prova de contra-relógio juntamente com o quatro vezes campeão nacional desta vertente, Nelson Oliveira.

De fora ficaram os dois ciclistas que actuam em Portugal, Amaro Antunes (W52-FC Porto) e Daniel Mestre (Efapel) e também José Mendes (Bora-Hansgrohe). Os três estavam na pré-convocatória. A escolha do seleccionador José Poeira não causa grande surpresa. Talvez a presença de Vilela possa ser uma pequena, pois fez a Volta a Espanha limitado fisicamente, mas com a prova de estrada a estar marcada para dia 24, deverá ter tempo para recuperar. "O ritmo competitivo, a capacidade de adaptação a provas extensas e a experiência no pelotão internacional foram os principais critérios para a escolha dos seis corredores", segundo o comunicado da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC).

"Vai ser uma eterna luta entre as selecções que pretendem endurecer a corrida para descartar os sprinters e aqueleas às quais interessa um ritmo moderado para que os homens mais rápidos possam estar na discussão da corrida. Pela nossa parte, estaremos concentrados em manter todas as opções em aberto", explicou José Poeira, citado pela FPC. "Quando os percursos não são declaradamente para velocistas temos sempre a ambição de bater-nos por um lugar nos dez primeiros e, desta vez, não será excepção", acrescentou.


Serão 12 voltas a um circuito em Bergen - antes cumprem-se 40 quilómetros na partida em Rong -, para completar 276,5 quilómetros. É um circuito interessante, pois não descarta alguns sprinters - e lá aparece Peter Sagan como um dos grandes favoritos -, mas permite a ciclistas como Rui Costa e mesmo os restantes portugueses, de procurar um bom resultado. Há uma subida de 1,5 quilómetros a meio do percurso, com pendente média 6,4%, que ao ter se ser ultrapassada 12 vezes poderá beneficiar ou alguma fuga, ou se o ritmo for elevado, deixar ficar para trás algum sprinter que passe menos bem estas inclinações.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto ao contra-relógio, tem apenas 31 quilómetros e termina numa verdadeira rampa. Se o campeão em título, Tony Martin, não gostou muito, já Nelson Oliveira terá ficado mais satisfeito do que com o percurso plano de há um ano, no Qatar. "É um contra-relógio que, em teoria, favorece mais os nossos corredores do que um longo exercício totalmente plano. No entanto, por ser diferente de tudo aquilo a que estamos habituados, será uma incógnita, obrigando a analisar bem o terreno para uma correcta escolha de andamentos e para decidirmos uma eventual troca de bicicletas no início da subida final", explicou o seleccionador. O campeão nacional, Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) não integrou sequer a lista de pré-convocados.


Nos sub-23 Portugal estará representado por André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), Francisco Campos (Miranda-Mortágua) - campeão nacional de estrada na categoria -, Ivo Oliveira (Axeo Hagens Berman) e José Neves (Liberty Seguros-Carglass), o campeão nacional no contra-relógio. No entanto, Ivo Oliveira será o representante no esforço individual.

Os juniores competem apenas na prova de estrada: Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Eng. Birto de Mana), Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Miguel Lopes (Seissa-KTM Bikeseven-Matias & Araújo-Frulact). A única representante feminina será precisamente neste escalão: Maria Martins (Bairrada).

Corridas com participação dos ciclistas portugueses: 
18 de setembro-Contrarrelógio Individual Sub-23, 37,2 km 
20 de setembro-Contrarrelógio Individual Elite, 31 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Juniores Femininas, 76,4 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Sub-23, 191 km 
23 de setembro-Prova de Fundo Juniores, 135,5 km
24 de setembro-9:05: Prova de Fundo Elite, 276,5 km