Mostrar mensagens com a etiqueta Mathieu van der Poel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mathieu van der Poel. Mostrar todas as mensagens

11 de janeiro de 2020

Evenepoel na Volta ao Algarve. E Van der Poel?

(© Sigfrid Eggers/Deceuninck-QuickStep)
Um dos ciclistas que está a conquistar o World Tour e um dos novos fenómenos da modalidade, confirmou a presença na Volta ao Algarve. Depois de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) ter conquistado a edição de 2019, partindo para uma primeira temporada de luxo, este ano teremos Remco Evenepoel. A jovem estrela belga confirmou que a corrida portuguesa faz parte do seu calendário e fica desde já como um dos candidatos à geral, pois este Evenepoel estará a preparar a sua estreia numa grande volta, o Giro.

A afirmação foi feita ao site wielerflits.be e Evenepoel será inevitavelmente um cabeça-de-cartaz, juntamente com Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), numa perspectiva de ciclistas que nunca estiveram nesta corrida. Mas há mais três grandes nomes que ainda se aguarda com expectativa a confirmação. Mathieu van der Poel estará por decidir se vem a Portugal ou à Ruta del Sol, prova espanhola que se realiza exactamente nas mesmas datas, de 19 a 23 de Fevereiro. Já foi dado como certo na Algarvia por alguma imprensa, mas, a nível oficial, a única garantia é a presença da Alpecin-Fenix, a antiga Corendon-Circus. Com o aproximar do arranque de temporada de estrada - o holandês tem andando dedicado à sua paixão do ciclocrosse - não deverá demorar muito a ser anunciado o seu calendário. Escusado será dizer, que será muito bem-vindo em Portugal!

Outro corredor que poderá estar a caminho, ainda que já com muita experiência na Algarvia, é Geraint Thomas. O vencedor das edições de 2015 e 2016 confessou há um ano o quanto gosta do Algarve, pois ao não estar presente, escreveu nas redes sociais o desejo de regressar. Se o galês escolher a Algarvia, poderá tornar-se no primeiro estrangeiro a ganhar a corrida por três ocasiões, algo que o seu companheiro da Ineos também o poderá fazer: Michal Kwiakowski. A equipa ainda não foi confirmada na Volta ao Algarve, mas a presença é praticamente certa. A título de curiosidade, Belmiro Silva é um único com o tri: 1977, 1981 e 1984.

E Miguel Ángel López, da Astana, também poderá escolher a Volta ao Algarve como prova de início de temporada.

Quanto a Remco Evenepoel, é o campeão europeu de contra-relógio e com apenas 19 anos é visto como um dos maiores talentos da nova geração. Como júnior praticamente só soube ganhar, saltando directamente para a Deceuninck-QuickStep em 2019. De início precisou de uma fase de adaptação, apesar da sua vontade de rapidamente mostrar serviço. Chegou a ouvir algumas críticas do director Patrick Lefevere, que procurou principalmente espicaçar o jovem atleta. Em Junho conquistou a Volta à Bélgica, foi brilhante na Clássica San Sebastián e ninguém tem dúvidas do fenómeno que é, sendo apenas incerto tudo o que poderá alcançar, pois o seu potencial é enorme.

2020 vai começar para Evenepoel na Volta a San Juan, na Argentina, sendo que depois do Algarve viajará para Itália, para o Tirreno-Adriatico, tendo como objectivos nas clássicas a Flèche Wallonne e o monumento Liège-Bastogne-Liège, antes de atacar o Giro, que será uma corrida encarada mais para ganhar experiência. Mas Evenepoel não é um ciclista que goste de "passear" quando está a competir.

Entre os jovens talentos no Algarve, igualmente com 21 anos, Mikkel Bjerg é o contra-relogista que quer conquistar o mundo nesta vertente e tornar-se recordista da hora. É tricampeão mundial de sub-23 de contra-relógio, um feito inédito neste escalão. É mais uma jovem aposta da UAE Team Emirates, que contará com o experiente Rui Costa como líder e os gémeos Oliveira também poderão estar presentes na Algarvia. Pogacar será "desviado" para a Volta aos Emirados Árabes Unidos, que começa no último dia da Volta ao Algarve.

Na luta pela geral, e entre as confirmações mais recentes para a corrida portuguesa, estará o alemão da Bora-Hansgrohe, Max Schachmann. Já no sprint haverá André Greipel (Israel Start-Up Nation), que sabe o que é ganhar no Algarve, e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates).


25 de dezembro de 2019

Dez momentos de 2019

É tempo de olhar para trás, antes de nos concentramos definitivamente em 2020. Ou seja, é tempo de recordar alguns dos momentos marcantes da última temporada. Começando lá por fora, foi um 2019 dominado pela afirmação de uma nova geração, que está a tomar de assalto o pelotão internacional e, por isso, não surpreende que parte das escolhas para os 10 momentos do ano pertençam a exibições de ciclistas que são as novas figuras da modalidade. Mas também há espaço para um veterano e, infelizmente, nem todos os momentos foram de felicidade.

O objectivo inicial era escolher cinco momentos, acabou-se com dez e mesmo assim ficaram alguns de fora. Mas aqui ficam as escolhas do Volta ao Ciclismo. A ordem é cronológica.

Philippe Gilbert venceu Roubaix e só falta Sanremo (14 de Abril)
(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Em 2017, Gilbert reacendeu o antigo sonho de conquistar os cinco monumentos ao vencer de forma brilhante, numa fuga solitária, a Volta a Flandres. Este ano, Nils Politt (Katusha-Alpecin) tentou dar luta, mas estava destinado que o fantástico ciclista belga vencesse o Paris-Roubaix e ficasse apenas com a Milano-Sanremo por conquistar para fazer o pleno. Um emotivo Gilbert celebrou muito a vitória de Roubaix, dando mais um triunfo a uma Deceuninck-QuickStep que é uma equipa especialistas em ganhar clássicas. Trocar a BMC por esta formação em 2017 foi uma escolha muito acertada de Gilbert. Porém, aos 37 anos e perante uma oferta de três anos de contrato da Lotto Soudal contra um da actual equipa, Gilbert optou por regressar a uma casa onde alcançou as primeiras grandes vitórias na carreira. Até parece certo que tente fechar o ciclo de monumentos onde o começou.

Van der Poel e uma Amstel Gold Race para a eternidade (21 de Abril)
Vão ser imagens que hão-de ser vistas e revistas durante muito tempo. Hão-de fazer parte dos grandes momentos do ciclismo e com razão. O que Mathieu van der Poel fez na Amstel Gold Race só está ao alcance dos melhores dos melhores. Quando chegou à primeira corrida das Ardenas, já trazia vitórias espectaculares alcançadas em poucas semanas e estava a marcar a época das clássicas. Mas queria mais. Parecia que estava tudo preparado para Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) - um dos homens que mais estava a ganhar - e Jakob Fuglsang (Astana) discutirem o triunfo. Tinham 40 segundos de vantagem e três quilómetros para a meta. Van der Poel fez o impensável. Arrancou com tamanha convicção, não se interessando quem se colava na sua roda, apenas olhando para quem tinha de apanhar na frente. Alaphilippe e Fuglsang podem ter exagerado no controlo um ao outro, mas o mérito esteve muito na força e crença de um Van der Poel que deixou todos de mãos na cabeça perante tal demonstração de ciclismo de ataque. Espectacular! Veja ou reveja este grande momento de 2019 no vídeo em baixo.


Queda de Chris Froome (12 de Junho)
O britânico jogava toda uma época na Volta a França e em conquistar a quinta vitória. Porém, no reconhecimento do contra-relógio do Critérium du Dauphiné, Froome sofreu uma aparatosa queda. Sofreu uma fractura no fémur, cotovelo e em algumas costelas, no esterno, osso situado na parte anterior e média do tórax, e na vértebra C7. Foi grave e as consequências assustaram. A época terminou ali e, passado meio ano, a dúvida mantém-se na própria Ineos: irá Froome conseguir recuperar o nível competitivo necessário para ganhar o Tour? O ciclista conseguiu regressar aos treinos mais cedo do que o esperado e já foi ao Japão mostrar-se, em ritmo de exibição, em cerca de três quilómetros, no habitual Critérium de Saitama de final de temporada. Mas a forma de Froome será uma das incógnitas para 2020.

Vitória de Bernal na Volta a França (28 de Julho)
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Após um ano de estreia no World Tour de elevadíssimo nível, deveria ser raro quem não pensasse que, mais cedo ou mais tarde, Egan Bernal ia vencer a Volta a França. Foi mais cedo. A queda de Chris Froome abriu caminho à liderança do colombiano, mesmo com Geraint Thomas, o vencedor de 2018, a seu lado. A aposta da Ineos era em Bernal. O plano inicial era o colombiano atacar o Giro, mas uma queda afastou da corrida italiana. No Tour ficou a pequena frustração de ver a mãe natureza obrigar ao final antecipado da etapa que Bernal estava a demonstrar toda a sua qualidade (a 19ª). Foi o dia das impressionantes imagens do deslizamento de terra. Mas Bernal fez o suficiente para comprovar que era o mais forte e subiu merecidamente ao pódio nos Campos Elísios com a camisola amarela. Fica na história como o primeiro colombiano a fazê-lo.

Evenepoel mostrou um pouco do que se vai ver muito mais (3 de Agosto)
Talvez alguma ânsia ou mesmo alguma pressão para estar à altura do mediatismo que rodeou a sua passagem de júnior directamente para o World Tour e para a Deceuninck-QuickStep, tenha prejudicado um pouco as primeiras exibições de Evenepoel no arranque da temporada. Tom Boonen bem avisou que o jovem ciclista ia precisar de perceber que não ia ganhar tanto como aconteceu no escalão de juniores. O abandono por opção do ciclista na Volta aos Emirados Árabes Unidos não foi muito bem visto pelos responsáveis. Mais tarde, Patrick Lefevere chegou a dizer que Evenepoel estava gordo... Mas o jovem ciclista lá conseguiu fazer a transição, que se sabia ser difícil fazer em poucos dias. Demorou umas semanas, mas as exibições tornaram-se mais consistentes, venceu pela primeira vez na Volta à Bélgica, em Junho, e depois na Clássica de San Sebastián foi o Evenepoel dos ataques de longo, como tantas vezes fez em júnior. Faltavam 20 quilómetros quando se isolou e ninguém mais o apanhou. Só tem 19 anos, mas é mais um ciclista de quem se espera o que mostrou em Espanha e muito mais.

Marcel Kittel retira-se aos 31 anos (23 de Agosto)
Já se sabia que não era um ciclista feliz na Katusha-Alpecin. A chegada do antigo corredor Erik Zabel para trabalhar com alemão pareceu, numa primeira fase, algo de positivo no ânimo do sprinter alemão, mas não. Fez uma pausa em Maio e em Agosto anunciou que colocava o ponto final na carreira. Entretanto tinha sido pai e afirmou que não queria ver o filho crescer por Skype. A carreira acabou por ser curta, mas foi o tempo mais do que suficiente para ser recordado como um dos melhores sprinters. E foi mesmo!

Tadej Pogacar estrela na Vuelta (24 de Agosto a 19 de Setembro)
(Fotografia: © La Vuelta)
Até foi um compatriota que venceu, justamente, a corrida. Mas Primoz Roglic teve mesmo de partilhar a ribalta na Vuelta com mais um dos jovens com um potencial ainda por definir até onde pode ir. Tadej Pogacar começou por vencer categoricamente a Volta ao Algarve. Como esperado, foi apenas o início da sua afirmação, no primeiro ano no World Tour. A UAE Team Emirates sabe que tem uma aposta que pode ser mais do que ganha. Não era suposto fazer nenhuma grande volta esta temporada, mas depois de vencer a Volta à Califórnia e de mais umas exibições de enorme nível, a equipa levou-o a Espanha. Foi um senhor ciclista aos 21 anos. Três vitórias de etapas, terceiro na geral, vencedor da juventude, os números dizem quase tudo. Aquele penúltimo dia, na chegada à Plataforma de Gredos, Pogacar deixou a concorrência a mais de minuto e meio, sendo um dos grandes momentos de 2019.

Dilúvio em Yorkshire (22 a 29 de Setembro)
Eram uns Mundiais aguardados com alguma expectativa. Bons percursos, garantia de bom ambiente devido ao entusiástico público e muito provavelmente alguma chuva para tornar as corridas mais desafiantes. E lá isso foram. Foi uma semana quase toda de autêntico dilúvio. Quase que era difícil acreditar que se estava a assistir ciclistas caírem no que mais pareciam ser piscinas na estrada. Algumas provas, incluindo a de elite masculina, tiveram de ser encurtadas, com a chuva a marcar por completo os Mundiais de Yorkshire. Carregue no play no vídeo em baixo e veja (ou recorde) uma das imagens fortes de 2019.



Fuga de 100 quilómetros (28 de Setembro)
"Todo o dia pensei que era super estúpido." Annemiek van Vleuten teve muito tempo para pensar no que estava a fazer, pois resolveu atacar a 100 quilómetros da meta, nos Mundiais. O ciclismo feminino vai tentando ganhar o seu espaço no mediatismo e Van Vleuten bem merece tê-lo, num dos poucos dias em que não houve dilúvio a marcar as corridas de Yorkshire. Não terá sido a única a pensar como um ataque daqueles está condenado ao insucesso, mas esta é uma ciclista que, apesar dos 36 anos, continua a estar no topo. Foi uma aventura solitária que começou com menos de 50 quilómetros feitos na corrida. Dificilmente alguém acreditou ser possível chegar ao fim como vencedora, talvez mesmo as adversárias. Mas foi possível e no fim, não foi nada estúpido a forma como Van Vleuten conquistou o título mundial, deixando as adversárias a mais de dois minutos de distância.

Época de Julian Alaphilippe
(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Para o fim fica o ciclista que não é justo escolher só um momento ou só uma corrida. Foi uma temporada simplesmente fenomenal de Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep). É um homem para todo o tipo de terreno. Ganhou o seu primeiro monumento e logo o dos sprinters (Milano-Sanremo), algo que ele nem é! Mas é quase tudo o resto. Homem de ataque, novo senhor da Flèche Wallonne (segunda vitória consecutiva), ataca a subir, ataca em plano, ataca quando sente que chegou o momento para tentar vencer. Só a Amstel lhe terá provocado alguma frustração, já mais do que esquecida depois de 14 dias de amarelo na Volta a França e duas vitórias de etapa. Ao todo foram 12 triunfos em 2019. Faltou fôlego nos Mundiais, o que nem surpreendeu dada a primeira fase de temporada a todo o gás. Alaphilippe é um fora de série e em França cresce a expectativa de quando (e se) este ciclista irá pensar em tornar-se num voltista para tentar ficar com aquela camisola amarela até aos Campos Elísios. Talvez um dia, mas não para já. Ainda só tem 27 anos.

»»A imparável Deceuninck-QuickStep««

»»Uma Bora-Hansgrohe cada vez mais para todo o terreno««

7 de outubro de 2019

Sagan dá um conselho a Van der Poel

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Se há alguém que sabe bem o que é chegar ao mais alto nível e ter quase de imediato um forte impacto é Peter Sagan. Quando em 2010 se estreou pela Liquigas-Doimo, o eslovaco rapidamente começou a ganhar nos grandes palcos, não demorando a ser visto como um fenómeno e a tornar-se numa estrela. Sagan também sabe o quanto é difícil continuar a ganhar ao mesmo ritmo e cumprir as elevadas expectativas. Por isso, é a pessoa indicada para aconselhar o mais recente fenómeno do ciclismo mundial, Mathieu van der Poel, que nos Mundiais de Yorkshire mostrou que é humano depois de umas exibições de outro mundo!

O holandês de 24 anos só esta época é que se dedicou mais à vertente de estrada - apesar de ter sido campeão nacional em 2018 - e não demorou a exibir-se a grande nível e a obter vitórias incríveis e inesquecíveis. A da Amstel Gold Race ficará para a história e recentemente na Volta à Grã-Bretanha também deixou o pelotão, nas palavras de Matteo Trentin, a parecer uns ciclistas juniores. Porém, depois de parecer que ia a caminho de mais uma performance para recordar nos Mundiais, conseguindo chegar à frente da corrida e confirmando que tinha mesmo tudo para ganhar, quebrou. E que quebra! Acabou a mais de 10 minutos do vencedor, Mads Pedersen.

Sagan conhece a sensação, tanto a de ser o super favorito, como a de ter uma quebra física depois de muito trabalhar. Tantas vezes foi o eslovaco criticado por gastar demasiada energia, que depois lhe faria falta na luta pela vitória, enquanto os seus rivais aproveitavam o seu trabalho. Para Sagan, talvez Van der Poel estivesse "demasiado motivado" em Yorkshire: "Fez a sua aposta e pagou o preço."

Outra parecença entre ambos é o passado de BTT, com o holandês a ser ainda um dos melhores no ciclocrosse. Sagan avisou como tudo é diferente na estrada e deixou então um conselho a Van der Poel: "Há que aprender a usar a cabeça." Sagan até demorou na sua carreira a seguir esta recomendação! Ao Algemeen Dagblab acrescentou: "Há uma grande diferença entre a estrada e o ciclocrosse e BTT. Nos circuitos vamos a fundo durante uma hora. Na estrada falta experiência [a Van der Poel]."

Peter Sagan disse ainda como "no princípio é tudo mais fácil". Ou seja, ninguém sabe do que um ciclista é capaz. "Ganhar uma vez está bem. Depois tens de conseguir a segunda, terceira, quarta... Então é quando começa a ficar complicado", afirmou.

Mais uma vez, Sagan sabe bem do que fala. Aos 29 anos teve uma temporada abaixo das expectativas, com apenas quatro vitórias, mas juntou a sétima camisola verde (pontos) na Volta a França, assim como a classificação dos pontos na Volta à Suíça. Nos Mundiais chegou a admitir que perdeu uma oportunidade para conquistar o seu quarto título. Sagan falhou o momento que o colocaria na frente da corrida: acompanhar Van der Poel quando o holandês atacou no grupo perseguidor.

Aos 24 anos, Van der Poel (Corendon-Circus) tem muitos triunfos por conquistar, mesmo que continue, por agora, a dividir a sua carreira entre as três vertentes. Aliás, o BTT poderá ser o seu objectivo para Tóquio 2020, enquanto Sagan não deverá repetir a presença na modalidade, depois da experiência nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O eslovaco anunciou que não irá participar no evento teste e considera que o percurso não lhe assenta muito bem, devido às muitas subidas. O ciclista da Bora-Hansgrohe afirmou ainda que não terá tempo para se preparar de forma adequada, pelo que fica aberta a porta para ir à prova de estrada.

Enquanto Sagan decide os objectivos para 2020, certo é que na perspectiva de quem gosta de ciclismo, um dos duelos que mais se espera ver no próximo ano é precisamente o de o eslovaco com Mathieu van der Poel. Os dois em forma poderão tornar as clássicas da Primavera ainda mais interessantes.

»»Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido««

»»Um campeão mundial improvável que comprovou 2019 como o ano da nova geração««

22 de setembro de 2019

Holanda campeã num circuito perigoso... mas bom para Van der Poel

(Fotografia: © Mundiais Yorkshire 2019)
Primeiro dia dos Mundiais de Yorkshire e não houve grandes surpresas. A chuva marcou presença - afinal está-se na Grã-Bretanha - e a Holanda conquistou o primeiro título em discussão, na nova prova do evento: o contra-relógio por equipas misto em estafeta. A selecção laranja juntou assim o título mundial ao europeu, numa competição que substituiu o contra-relógio que contava com equipas do World Tour, Profissionais Continentais e Continentais. O percurso de Yorkshire é muito técnico e promete umas corridas em linha bem interessantes. Porém, o mau tempo sempre provável na Grã-Bretanha aumenta o risco, algo que poderá ser bom para Mathieu Van der Poel. Pelo menos é isso que acredita um ciclista belga.

"[O percurso] não é uma volta para contra-relógio e, para ser sincero, não penso que seja também uma volta para a corrida de estrada. Penso que é muito perigoso. Muito técnico. Isso é, obviamente, muito bom para Mathieu van der Poel, porque ele vai adorar. Tenho a certeza. Mas será no limite se estiver molhado", salientou ao Cyclingnews Jan Bakelants, que competiu por uma selecção da Bélgica, nona classificada entre as 11 equipas. Bakelants refere uma das características que faz de Mathieu van der Poel um dos grandes candidatos ao título mundial de elite, na corrida do próximo domingo. É um ciclista com escola do ciclocrosse (e também não se dá nada mal com o BTT), com capacidade para se adaptar com facilidade a terrenos difíceis, além de gostar desse tipo de dificuldades. Na sua recente presença na Volta à Grã-Bretanha, Van de Poel ganhou.

Bakelants não estará entre a super equipa belga que quer contrariar o favoritismo de um Van der Poel, que já tanto se fala e ainda falta uma semana para o ver em acção, mas o belga é mais um que sabe bem que o favoritismo que é atribuído ao jovem holandês não é à toa. Van der Poel terá a responsabilidade de tentar fechar os Mundiais da mesma forma que os seus compatriotas abriram este domingo. Lucinda Brand, Riejanne Markus, Amy Pieters, Bauke Mollema, Koen Bouwman e Jos van Emden vestiram as camisolas do arco-íris numa prova que a UCI gostaria de ver tornar-se olímpica.

A Holanda completou os 27,6 quilómetros em 38:27 minutos, com a Alemanha de Tony Martin a ficar a 22 segundos. A Grã-Bretanha fechou o pódio, com mais 51 segundos. Este contra-relógio disputa-se com os homens a arrancarem primeiro e quando dois corta a meta saem as senhoras. O tempo total é tirado quando a segunda passa a linha de meta.

(O texto continua por baixo das classificações, via FirstCycling.)



(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Daniela Campos será a primeira portuguesa em acção nos Mundiais

A ciclista júnior vai abrir a participação da Equipa Portugal nos Mundiais de Yorkshire esta segunda-feira, com partida prevista para o contra-relógio de 13,7 quilómetros às 10:37. "É um percurso muito duro, com descidas perigosas e subidas duras, porque são inclinadas e um pouco longas. Gosto deste percurso, porque acho que me favorece mais do que se fosse totalmente plano. Vou dar o meu melhor. Estou preparada e confiante, porque as minhas sensações são boas", afirmou Daniela Campos, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A prova será transmitida a partir das 10:00 no Eurosport 1.

No link em baixo pode confirmar todas as competições em que estarão envolvidos os ciclistas portugueses.

8 de julho de 2019

Van der Poel é um íman de patrocinadores e deixa Katusha com futuro incerto

(Fotografia: © Kathrin Schafbauer/Katusha-Alpecin)
Aí está a equipa com futuro incerto além de 2019. Nos últimos anos algumas equipas têm chegado a esta fase da temporada com a corda da garganta quanto à sua continuidade e agora é a vez da Katusha-Alpecin. O director da estrutura, José Azevedo, assumiu a incerteza, sendo que talvez no primeiro dia de folga da corrida seja possível perceber se a equipa vai ou não prosseguir na próxima temporada. O grande problema estão nas possíveis iminentes saídas da Canyon, marca das bicicletas, e da Alpecin, cujos contratos terminam no final do ano, com as atenções a centrarem-se na aposta da nova estrela do ciclismo: Mathieu van der Poel.

Desde que tomou de assalto a época de clássicas, que o holandês tem sido assunto quanto à pretensão de equipas World Tour em contratá-lo. O próprio tem referido que quer permanecer na Corendon-Circus, equipa que este ano subiu a Profissional Continental, com a qual tem contrato até 2022. Mas houve sempre outra influência que se tinha de ter em conta: a Canyon. Ficou bem claro como a marca estava a apostar neste ciclista, com as campanhas publicitárias a serem reforçadas. Há uma semana não restaram mais dúvidas que a Canyon passaria a ter uma palavra a dizer no futuro de Van der Poel, ao torná-lo embaixador da marca para os próximos quatro anos.

A Deceuninck-QuickStep era uma pretendente, com a Specialized certamente a adorar poder juntar Van der Poel a outra grande estrela, ainda que da Bora-Hansgrohe, Peter Sagan. Mas a Canyon não vai deixar escapar uma autêntica mina de ouro. O Tuttobici escreveu que a marca irá abandonar a Katusha-Alpecin para assim ganhar maior fulgor financeiro para investir na Corendon-Circus e ajudar a equipa a aumentar a sua qualidade e com o World Tour eventualmente em perspectiva. A Canyon está representada no principal escalão também com a Movistar.

Segundo publicações como o Cycling News e o Cycling Weekly, a Alpecin poderá reforçar o projecto da Corendon-Circus, o que deixa a Katusha dependente do seu magnata russo, Igor Makarov, ainda que não esteja confirmado oficialmente o interesse da Alpecin na equipa de Van der Poel.

José Azevedo admitiu ao Cycling News que a situação é incerta, mas garantiu que não está preocupado e que apenas está a pensar na Volta a França: "De momento não posso dizer nada sobre o futuro. Por agora temos 10 ciclistas com contrato [para 2020]. Ainda não começámos a preparar 2020." As renovações estarão por agora suspensas, como é o caso de Ilnur Zakarin, que terá a CCC interessada em contratá-lo. Os portugueses José Gonçalves e Ruben Guerreiro também estão em final de contrato.

O nome Katusha chegou ao ciclismo em 2009 e inicialmente o projecto quis abrir portas aos ciclistas russos, mas não as fechando a estrangeiros, de forma a garantir resultados. Joaquim Rodríguez tornou-se na grande figura quando assinou em 2010 e a sua saída, em 2016, acabou por coincidir com a queda de resultados e exibições da equipa. Numa altura em que quis cortar, não totalmente, mas quase, com as raízes russas, passando inclusive a ter uma licença suíça, a estrutura não se consegue apresentar competitiva praticamente em nenhum terreno.

Ilnur Zakarin está longe de confirmar expectativas na luta pela geral nas três grandes voltas - ainda esta segunda-feira deu um trambolhão na classificação do Tour, estando a 4:11 minutos de Julian Alaphilippe -, com o pódio na Vuelta de 2017 a saber a muito pouco. A vitória de etapa no Giro foi espectacular, mas exige-se mais do russo, cujo o 10º lugar na geral ficou aquém do esperado. Depois houve a aposta falhada a nível desportivo e principalmente financeiro em Marcel Kittel. O sprinter somou três vitórias pela equipa em ano e meio, tendo rescindido em Maio para gozar uma sabática e recuperar a motivação e vontade de competir ao mais alto nível.

A campanha de clássicas de Nils Pollit animou um pouco a formação de Azevedo, que rapidamente começou a falar em construir um conjunto em redor do alemão. Mas a verdade, é que apesar de algum poderio financeiro, a Katusha-Alpecin não conseguiu construir uma equipa forte, nem ao conseguir atrair um Kittel - que se revelou ter sido uma escolha completamente errada, apesar de ter realizado antes uma temporada sensacional na então QuickStep-Floors - e antes um Tony Martin, que saiu da mesma equipa e que eclipsou-se por completo na Katusha-Alpecin. Está agora na Jumbo-Visma e a muito melhor nível.

Em 2019, são apenas cinco vitórias: Marcel Kittel no Trofeo Palma (Espanha), Rick Zabel na segunda etapa da Tour de Yorkshire (Grã-Bretanha), Ilnur Zakarin na 13ª etapa da Volta a Itália, tendo sido 10º na geral e os títulos nacionais de contra-relógio para Alex Dowsett - outra contratação que tem rendido muito abaixo do esperado - e José Gonçalves - este sim, um ciclista que nos dois anos em que está na equipa tem estado em destaque.

Makarov poderá manter o patrocínio, mas também poderá significar um investimento bem menor e uma inevitável mudança quanto ao nível dos ciclistas. Por agora fica o ponto de interrogação, esperando-se para ver se a Katusha-Alpecin conseguirá sobreviver tal como aconteceu recentemente com estruturas como a actual EF Education First ou a BMC que agora é CCC. Mesmo a Deceuninck-QuickStep atravessou algumas dúvidas por falta de um patrocinador principal, ainda que não tenha estado em causa a continuidade da equipa belga, como poderá ser o caso da Katusha-Alpecin.

8 de junho de 2019

Van der Poel abdica do BTT para ir aos Mundiais de Yorkshire

(Fotografia: Facebook Corendon-Circus)
O chamamento foi demasiado forte. O percurso dos Mundiais de Yorkshire é simplesmente demasiado perfeito para Mathieu Van der Poel resistir e o holandês decidiu abdicar de lutar pelo título no BTT para ir tentar o de estrada. O seleccionador não escondeu como queria contar com a mais recente super estrela do ciclismo, mas o talento de Van der Poel é tal, em todas as vertentes, que lhe é dado todo o poder de decisão. A estrada vai mesmo regressar ao seu calendário em 2019 com o objectivo de juntar mais um título de campeão do mundo ao seu impressionante currículo, para já com destaque no ciclocrosse, mas a ganhar forma em terrenos mais alcatroados. Vai, sem dúvida, partir como um dos favoritos a conquistar o que poderá ser a sua primeira camisola arco-íris de elite na estrada.

"Não posso negar que o percurso de Yorkshire assenta-me bem e é por isso que estou a optar pelos Mundiais de estrada este ano", salientou Van der Poel, ao ser anunciada a sua presença pela federação de ciclismo da Holanda. Porém, o ciclista lamentou ter de falhar os Mundiais de BTT, mas salientou que tinha de fazer uma escolha. "Eu quero absolutamente estar presente no evento teste para Tóquio. Os Jogos Olímpicos de 2020 continuam a ser  o meu grande objectivo", disse. O holandês quer competir na vertente de BTT nos Jogos, pelo que participará no evento teste no início de Outubro, antes de se dedicar à temporada de ciclocrosse.

Tentar conjugar as três vertentes não é fácil, mas Van der Poel, da Corendon-Circus, quer tentar. Vai falhar o início da época de ciclocrosse, mas já em 2018 não esteve presente nas primeiras corridas, o que não o impediu de estar em forma para ganhar praticamente todas as provas em que participou.

Para preparar os Mundiais de Yorkshire - a corrida de fundo de elite será a 29 de Setembro - Van der Poel vai para já conciliar o BTT com a estrada e Agosto poderá marcar o seu regresso a esta última vertente, na Artic Race, na Noruega, de 15 a 18 daquele mês. Há um ano ganhou duas etapas na corrida norueguesa. De 8 a 15 de Setembro deverá estar na Volta à Grã-Bretanha.

Há cerca de um mês, o seleccionador Koos Moerenhout tinha iniciado uma tentativa pública de convencer Van der Poel, considerando que o percurso de Yorkshire é perfeito para o ciclista de 24 anos e que esta temporada tomou de assalto a fase das clássicas. Realizou exibições espectaculares e conquistou vitórias memoráveis, como a na Amstel Gold Race. "Estou feliz por podermos incluir o Mathieu na selecção holandesa para Yorkshire. Estou convencido que teremos uma equipa forte e com o Van der Poel a força da equipa só aumentará", afirmou Moerenhout.

A confirmação de Van der Poel surge dias depois do seu rival no ciclocrosse, o belga Wout van Aert, ter renunciado aos Mundiais de Yorkshire. O ciclista da Jumbo-Visma prefere dedicar-se ao ciclocrosse, pois considera que ir aos Mundiais de estrada e tendo em conta o que considera ser um período necessário de descanso e preparação, levaria a que só estivesse de regresso ao ciclocrosse em plena forma em Dezembro.

O percurso de Yorkshire, de 284,5 quilómetros, é "acidentado" a pedir uma corrida com ataques e contra-ataques, mesmo ao jeito de Van der Poel.




6 de maio de 2019

Seleccionador gostaria de ver Van der Poel nuns Mundiais perfeitos para o ciclista

(Fotografia: Facebook Corendon-Circus)
Que tal incluir os Mundiais de estrada no calendário de Mathieu van der Poel? A sugestão foi dada pelo seleccionador holandês que lançou o desafio ao ciclista que deixou todos "loucos" por ele na curta fase em que apostou na estrada este ano. Agora concentrado quase exclusivamente no BTT - ainda deverá regressar para uma última corrida em alcatrão -, Koos Moerenhout dificilmente poderia ter sido mais explícito quanto à vontade de contar com a jovem sensação das clássicas: "O percurso é perfeito para Van der Poel."

Apesar de ter comprovado, sem margem para dúvidas, que tem um lugar de destaque na estrada, Van der Poel não abandona as suas outras paixões. Vai começar pelo BTT, antes de se concentrar na temporada de ciclocrosse, lá mais para Setembro. Estrada, só para o ano. A mentalidade do holandês, de 24 anos, é que o mais importante é gostar do que se faz e divertir-se a fazê-lo. Por isso, não sente qualquer pressão para ter de escolher uma só vertente. Pelo menos para já.

A sua equipa, a Corendon-Circus, apoia Van der Poel nestas decisões, percebendo-se porque o ciclista avisou que as equipas do World Tour que já o abordaram vão ter de esperar. Nem tudo é uma questão de dinheiro para este ciclista, que até pode tentar fazer algo bem interessante: ser campeão do mundo nas três especialidades no mesmo ano. A camisola arco-íris do ciclocrosse já tem. "Só" faltam duas. Segue-se o BTT, cuja a aposta tão forte em 2019 deve-se ao objectivo de estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta vertente.

Porém, encaixar os Mundiais de estrada no calendário de Van der Poel não será fácil, pois estão precisamente "a tocar" no início da época de ciclocrosse. Mas também não é impossível, até porque as corridas que Van der Poel teria de faltar para estar em Yorkshire, foram as duas que já abdicou em 2018, arrancando a época de ciclocrosse apenas em Outubro.

"Se ele for aos Mundiais e se estiver tão bem preparado como esteve esta Primavera, então ele pertence lá", salientou ao jornal AD o seleccionador holandês. Durante a Volta a Yorshire, que decorreu na semana passada, já foi possível ver um pouco de como será o percurso que, por exemplo, Mark Cavendish já avisou que não tem nada a ver com ele, enquanto Peter Sagan espreita a oportunidade para recuperar a camisola perdida para Alejandro Valverde. Para Van der Poel parece então ser perfeito, pelo menos para Koos Moerenhout.


Depois do que fez nas clássicas, com quatro vitórias - aquela da Amstel Gold Race há-de ficar para a história como um dos finais mais incríveis e espectaculares - e um excelente quarto lugar na Volta a Flandres, ficou-se a conhecer todo o potencial de um ciclista que ainda tem margem de evolução. Onde irá parar Van der Poel é uma grande questão. A outra é se resiste à tentação de não ir a Yorskhire, quando o percurso chama por ele.

Não é ciclista de pensar que está perante oportunidades únicas. Quando tanto se falou por não estar no Paris-Roubaix, Van der Poel limitou-se a dizer que era preferível assim para estar bem nas outras corridas. O Inferno do Norte fica para o ano. Claro que os Mundiais são diferentes, pois todos os anos o percurso muda, agradando mais a uns ciclistas uma vez e mais a outros noutra vez. Sendo ainda tão jovem, Van der Poel poderá não sentir qualquer tipo de pressão em tentar aproveitar o percurso de Yorkshire.

De Van der Poel nem uma palavra sobre a sugestão do seleccionador. Uma certeza o holandês já tem: consegue ser muito competitivo em corridas com mais de 200 quilómetros. Era a sua dúvida neste ano em que, com a subida da Corendon-Circus a Profissional Continental, abriram-se a porta de grandes provas.

O percurso de Yorkshire, de 284,5 quilómetros, é "acidentado" a pedir uma corrida com ataques e contra-ataques, mesmo ao jeito de Van der Poel. Porém, para se preparar para ser candidato - e só se estiver nesta condição se verá o holandês na Grã-Bretanha a 29 de Setembro - terá mesmo de abdicar de algo principalmente no ciclocrosse.

Agora é esperar pela decisão do ciclista. O próprio Moerenhout afirmou que a decisão está totalmente do lado de Van der Poel. O lugar na selecção ficará guardado.

Para quem gosta deste ciclista, poderá vê-lo na estrada na Puivelde Koerse, na Bélgica (15 de Maio), já que deverá ser acrescentada à última da hora ao calendário de Van der Poel que, quatro dias depois, dará as primeiras pedaladas na temporada de BTT, na Alemanha.

»»O primeiro "super" Mundial de ciclismo já tem cidade anfitriã««

»»Simplesmente fenomenal!««

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««

»»Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala««

21 de abril de 2019

Simplesmente fenomenal!

(Fotografia: Facebook Amstel Gold Race)
"Eles já não vos apanham", ouviu do rádio Jakob Fuglsang. E dificilmente alguém acreditaria que, a menos de cinco quilómetros da meta, o dinamarquês e Julian Alaphilippe não iriam discutir a vitória na Amstel Gold Race. Porém, num daqueles volte-face que simplesmente nos faz adorar ainda mais o ciclismo (se tal é possível), num daqueles momentos que se há-de falar durante muito, muito tempo, Mathieu van der Poel alcançou o impossível. Ou melhor, mostrou que nada é impossível quando se tem talento, vontade, atitude e uma qualidade como ciclista que promete colocar este holandês a um nível apenas ao alcance daqueles verdadeiramente especiais.

Só este ano, Van der Poel já tinha demonstrado o que poderia fazer. Em anos anteriores foi deixando indicações que faziam com que se desejasse vê-lo finalmente dedicado à estrada, ele que no ciclocrosse só tem Wout van Aert como rival. A subida da Corendon-Circus a Profissional Continental apresentou finalmente todo o talento deste ciclista ao mundo. Van der Poel não só não está desiludir nem um bocadinho, como está a ultrapassar quaisquer expectativas. Que poder, que força naquela pedalada final, depois de mais de 260 quilómetros! Para quem tinha receio de fazer distâncias longas, o saldo ficou num quarto lugar na Volta a Flandres e nesta inesquecível vitória na Amstel Gold Race. 

Em menos de cinco quilómetros, Van der Poel recuperou qualquer coisa como um minuto de desvantagem, rebocando um pequeno grupo que nem se consegue perceber se não quis ajudar ou se era difícil fazer melhor do que o holandês. Matteo Trentin foi ultrapassado como se estivesse a fazer cicloturismo, Michal Kwiatkowski, que já tinha feito algo improvável de encostar ao duo da frente, pareceu ficar parado na estrada. Alaphilippe e Fuglsang mal conseguiam acreditar naquele homem que passava por eles, com um Simon Clarke (EF Education First) "agarrado" àquela roda como se a vida dependesse disso. Ficou em segundo lugar, num esforço que noutra ocasião lhe poderia ter dado uma vitória.

Mas com este Van der Poel a pedalar daquela forma, um segundo lugar tem de saber um pouco a vitória. O holandês, de mão na cabeça ao cortar a meta, estava incrédulo com o que tinha acabado de alcançar. A incredulidade era partilhada por quase todos. Aquele sprint, aquela recuperação fez qualquer um abrir bem os olhos perante um momento que, de repente, se percebeu que ia ser histórico.

Van der Poel disse que não acreditava ser possível chegar à vitória depois de não ter ido com Alaphilippe e Fuglsang. O holandês já tinha testado antes a concorrência, como já se percebeu que gosta de fazer, e ainda faltavam 50 quilómetros. O melhor ficou para o fim. E que final! Não se deixou contentar com um top dez. Procurou algo mais. Conseguiu o prémio maior. Um exemplo de atitude e de quem não fica à espera que façam por ele, o que ele pode fazer.

Ganhar a Através da Flandres tinha sido um marco importante na sua carreira, por ser a sua primeira conquista numa corrida World Tour. Na Amstel a história continuou a ser escrita e tantos vão ser os capítulos... Van der Poel só tem 24 anos.

A semana das Ardenas abriu com estrondo. A Amstel é na Holanda, mas pertence a esta semana e desde 2001 que um homem da casa não vencia. O último foi Erik Dekker. Como se pode imaginar a festa foi grande na corrida da cerveja. Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) parecia estar a caminho de conquistar a primeira vitória rumo à tripla. Bem se tinha dito que Van der Poel seria aquele que provavelmente poderia estragar o objectivo do francês, que acabou num quarto lugar, com sabor a frustração. Fuglsang salvou um pódio, mas foi o primeiro a assumir o erro de baixar o ritmo, acreditando nas palavras que já não seriam apanhados.

Agora é esperar para ver o próximo espectáculo de Van der Poel e até onde irá este atleta com genes de ciclista (o pai é Adrie van der Poel, que venceu a Amstel Gold Race em 1990 e o avô é Raymond Poulidor, um dos grandes nomes do ciclismo francês). As Ardenas não contarão mais com Van der Poel e ainda não se sabe qual será a próxima prova. Que chegue rápido.

Neste link pode ver a classificação completa, via ProCyclingStats, com Rui Costa (UAE Team Emirates) a ser 13º, a 46 segundos. Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) abandonou. Na corrida feminina, a vencedora foi a polaca Katarzyna Niewiadoma (Canyon SRAM Racing).

Aqui fica a parte final do sprint, mas que não faz jus a todo aquele esforço de outro mundo de Van der Poel.
»»Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito««

»»Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância««

20 de abril de 2019

Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito

(Fotografia: © Deceuninck-QuickStep)
É altura de deixar o pavé e atacar os muros das Ardenas. A famosa semana de clássicas começa com a Amstel Gold Race que, objectivamente, não fica nas Ardenas! Mas faz parte do trio de corridas que este ano tem Julian Alaphilippe como a grande figura. Em 2018 como que houve uma espécie de passagem de testemunho entre Alejandro Valverde e o francês. Perante a temporada que o ciclista da Deceuninck-QuickStep está a realizar, a questão é se vai conseguir fazer a tripla. O favoritismo é dele, mas a concorrência é grande, tanto em qualidade, como em número de adversários, neste último caso principalmente na Amstel Gold Race.

Apesar de esta ser uma semana que muito tem tido Valverde como figura, o espanhol nunca ganhou a Amstel. É rei na Flèche Wallonne: cinco vitórias, quatro consecutivas, com Alaphilippe a quebrar a senda no ano passado, mostrando que o Muro de Huy afinal não era o Muro Valverde. Ficou a sensação de uma passagem de testemunho... Na Liège-Bastogne-Liège, Valverde vai em quatro conquistas e no ano em que está de arco-íris vestido, o campeão do mundo não se importaria nada de juntar mais umas vitórias ao seu vasto currículo, a começar pela Amstel Gold Race. A época não tem sido pródiga em triunfos como no passado recente, mas ninguém coloca Valverde como carta fora do baralho.

Porém, é inevitável que Alaphilippe chegue às Ardenas como o grande favorito. É o ciclista mais em forma, com oito vitórias, tendo conquistado o seu primeiro monumento na Milano-Sanremo. Pensou-se que seria na Liège-Bastogne-Liége que abriria a contagem pessoal, mas o francês está feito num todo o terreno. No entanto, é este terreno, das próximas três corridas, que lhe assenta tão bem. Desde 2011 que ninguém faz a tripla e Alaphilippe pode pedir uns conselhos ao último autor da proeza: o companheiro de equipa, Philippe Gilbert. Claro que será de contar que o belga terá também alguns planos próprios, ainda mais com a motivação que traz ao ter ganho o Paris-Roubaix. E já se sabe, nesta Deceuninck-QuickStep há sempre mais do que uma opção, o que se tem revelado um formato de sucesso.

É já na Amstel Gold Race deste domingo que Alaphilippe poderá encontrar o maior entrave a fazer a tripla. É a corrida com um maior lote de candidatos, porque tendo alguns "berg" (os famosos muros), não são os que esperam ao pelotão nas duas corridas seguintes. Por isso, a prova holandesa seduz tanto ciclistas que apostam na fase do pavé, como os que têm as Ardenas como objectivo.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Wout van Aert (Jumbo-Visma), Oliver Naesen (AG2R) e Greg van Avermaet (CCC) são exemplo disso mesmo. Sagan - que em 2018 estreou-se na Amstel com um quarto lugar - vai fugir à regra e este ano irá estrear-se na Liège, enquanto os restantes terminarão esta fase da época na Amstel. E não, não nos estamos a esquecer de Mathieu van der Poel. O ciclista da Corendon-Circus é o único a conseguir ofuscar um pouco o estrelato de Alaphilippe e até bateu o francês no sprint da Brabantse Pijl, naquela que foi a primeira prova de 2019 que Alaphilippe não venceu. Até então tinha conquistado as duas clássicas em que tinha participado (Strade Bianche e Milano-Sanremo) e pelo menos uma tirada nas corridas por etapas.

Van der Poel tem, em cada corrida que se tem estreado este ano, deixado o seu impacto. Soma cinco vitórias e é um dos principais favoritos numa corrida que o pai, Adrie, ganhou em 1990. Para Mathieu a maior preocupação prende-se na distância, pois está pouco habituado a fazer provas acima dos 200 quilómetros. Mas o quarto lugar na Volta a Flandres mostrou que não é um problema de maior!

Todos os nomes até agora mencionados estão entre os candidatos, mas podemos juntar mais alguns há lista. A começar pelo vencedor de 2018: Michael Valgren. Não está a ser uma mudança nada feliz do dinamarquês para a Dimension Data, depois de um ano tão forte na Astana. Contudo, regressar a um palco de uma grande vitória poderá ser o tónico que precisa. A seu lado estará outro vencedor da Amstel: Enrico Gasparotto. Venceu em 2012 e 2016, sendo terceiro há um ano, ao serviço da Bahrain-Merida. Já tem 37 anos, mas as Ardenas traz sempre ao de cima o melhor deste italiano.

E é curioso como a Dimension Data contratou o pódio da Amstel de 2018, pois o segundo classificado foi Roman Kreuziger, que trocou a Mitchelton-Scott pela formação sul-americana. Boa equipa para a Amstel, a ver vamos se a equipa encontra o caminho de uma bem vitória bem necessária.

Precisamente na Mitchelton-Scott temos outro nome do pavé, Matteo Trentin, mas atenção a Michael Albasini e Daryl Impey. Alexey Lutsenko é uma das figuras de 2019 da Astana, que terá ainda Jakob Fulgsang e não será de esperar um Luis León Sánchez à espera de pedir licença para atacar. Depois de vencer a Volta a Flandres, Alberto Bettiol (EF Education-First) ganhou outro destaque, com Tim Wellens (Lotto Soudal) e Michael Matthews (Sunweb) a serem dos mais fortes candidatos. Michal Kwiatkowski (Sky) é outro homem a ter em conta e atenção a Dylan Teuns (Bahrain-Merida).

Entre os portugueses temos Rui Costa (UAE Team Emirates) que sempre gostou muito desta semana das Ardenas. A Katusha-Alpecin chamou Ruben Guerreiro para a Amstel, com José Gonçalves a ficar guardado para a Flèche Wallonne (quarta-feira) e Liège-Bastogne-Liège (domingo, dia 28).

O pelotão para as corridas belgas já terá algumas alterações, mas antes temos então a Amstel Gold Race, a corrida que tem à espera dos três primeiros umas cervejas para o brinde no pódio, não fosse o nome da prova o de uma cerveja!

É uma corrida que se tornou bem mais interessante desde que o seu percurso foi alterado, principalmente com a retirada do Cauberg como ponto de decisão. A tentação do pelotão era esperar por esta subida, o que retirava aos mais de 200 quilómetros anteriores um ponto de interesse. Depois do Cauberg há então ainda mais duas subidas: Geulhemmerberg e Bemeleberg. Antes de aqui se chegar, acaba por se verificar uma maior eliminação de ciclistas e o percurso pode proporcionar mais ataques. Serão 265,7 quilómetros, com partida em Maastricht e o final em Berg en Terblijt. O Eurosport 1 tem previsto o início da transmissão para as 14:15, depois da última etapa da Volta à Turquia.

Lista completa de inscritos, via ProCyclingStats.

(Gráfico: La Flamme Rouge)


19 de abril de 2019

Várias equipas já sondam Van der Poel e há uma que não surpreende

(Fotografia: print screen)
Mathieu van der Poel despertou de vez o interesse de várias equipas do World Tour. O próprio o admite. Se era um ciclista que estava a criar algumas expectativas, principalmente depois de ter sido campeão nacional em 2018, este ano confirmou-as e, se calhar, até as ultrapassou. Mas não vai ser fácil convencer o holandês a sair da Corendon-Circus e parece que nem ter a melhor equipa de clássicas interessada o faz pensar quebrar contrato.

Já são cinco vitórias esta época, mas foram as na Através da Flandres (corrida World Tour) e na De Brabantse Pijl que o tornaram num dos ciclistas mais apetecíveis do momento. Isto sem esquecer o fantástico quarto lugar na Volta a Flandres, numa estreia que mais auspiciosa, só se tivesse terminado no pódio ou mesmo ganho. A super-estrela do ciclocrosse já está a ser também uma na estrada, pelo que o contrato até 2022 com a sua actual equipa parece ser algo difícil de manter.

Ou talvez não. "Há de facto grandes equipas que me contactaram, mas não quero mencionar nomes. Disse a todas que, para já, terão de esperar. Estou sob contrato", salientou ao Sporza. Não quis dizer nomes, contudo, ao ser questionado pelo possível interesse de Patrick Lefevere, Van der Poel não o negou, recordando a relação que o director da Deceuninck-QuickStep tem com o seu pai, Adrie van der Poel. "Faz sentido que tenha havido um contacto", disse.

Deceuninck-QuickStep querer um dos ciclistas que maior potencial apresenta neste momento para as clássicas, não é certamente nenhuma surpresa, ainda mais quando é necessário pensar em contratar sangue novo. E claro, porque a formação belga sempre procura ter os melhores homens de clássicas no seu plantel.

Apesar de ser um ciclista de nível World Tour, Van der Poel sente-se bem na sua equipa e há outro pormenor a ter em conta. O seu pai, Adrie, afirmou que a Corendon-Circus já pensa em tentar subir ao principal escalão, ainda que não tenha sido uma das equipas a pedir a licença para as próximas três temporadas. Afinal, acabou de chegar ao escalão Profissional Continental e com Van der Poel nas fileiras, não terá problemas em receber convites para as grandes corridas e em cimentar a sua estrutura, provavelmente começando a reforçar mais o plantel. Com a exposição mediática que tem, mais patrocinadores poderão chegar.

Adrie van der Poel referiu que Lefevere é "suficientemente inteligente para não estar sempre a perguntar". Porém, a primeira abordagem está feita. O pai do ciclista de 24 anos, realçou que não vê razões para Mathieu mudar de equipa, vendo o actual contrato como algo para honrar.

A questão financeira interfere muitas vezes neste tipo de decisões e, no caso de Van der Poel, há uma Canyon muito interessada em ter este ciclista a competir com as suas bicicletas. Apesar de patrocinar a Movistar e a Katusha-Alpecin, por exemplo, a imagem de Van der Poel está a tornar-se extremamente valiosa, talvez só sendo comparável ao que Peter Sagan representa para a Specialized. Esta marca foi decisiva quando o eslovaco assinou pela Bora-Hansgrohe e, a título de curiosidade, é esta marca que fornece as bicicletas à Deceuninck-QuickStep. A Canyon poderá ter uma palavra a dizer no futuro do holandês, mas não será fácil, nem barato manter Van der Poel como a sua imagem.

Recentemente a Canyon lançou uma nova publicidade com o holandês.



Mathieu vai fechar a época de clássicas na Amstel Gold Race, uma corrida que o pai ganhou em 1990. Arie referiu que o filho não lhe faz muitas perguntas sobre a prova, até porque o percurso é diferente. Salientou ainda que não está surpreendido com o que Mathieu está a alcançar tão rapidamente.

O ciclista também falou da corrida de domingo, considerando que é um dos favoritos, mas não um dos principais favoritos. "Há ainda corredores que já provaram mais do que eu neste tipo de corridas", afirmou, deixando um elogio a Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), ciclista que bateu ao sprint da De Brabantse Pijl: "Acho que é actualmente o melhor ciclista no pelotão. É bom ter a oportunidade de competir contra alguém como ele." Considerou ainda que Greg van Avermaet é outro atleta a ter em atenção na Amstel Gold Race.

»»Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala««

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««