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23 de agosto de 2020

Van der Poel em destaque num fim-de-semana de Nacionais

Fim-de-semana de campeonatos nacionais, ainda que em moldes diferentes do habitual em certos países e mais tarde no calendário devido à pandemia. Isto é, em alguns só se realizaram as provas de fundo, ou só os contra-relógios, mas ainda assim, foram atribuídos vários títulos, com destaque para Mathieu van der Poel. O holandês parece finalmente estar a ganhar forma e teve um daqueles desempenhos para mais tarde recordar.

O ciclista da Alpecin-Fenix atacou a 44 quilómetros da meta (dos 182,5 quilómetros percorridos em Wijster) e pedalou sozinho até ao seu segundo título nacional de estrada. Nils Eekhoff, da Sunweb, e Timo Roosen, da Jumbo-Visma completaram o pódio. O companheiro de equipa de Van der Poel, Marcel Meisen, levou outra camisola de campeão nacional para a Alpecin-Fenix, ao surpreender Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) na corrida alemã.

De realçar também o segundo título de Wout van Aert (Jumbo-Visma) no contra-relógio da Bélgica, com Arnaud Démare (Groupama-FDJ) a somar o terceiro na prova de fundo francesa. No Luxemburgo, Bob Jungels, foi destronado por Kevin Geniets (Groupama-FDJ), mas o ciclista da Deceuninck-QuickStep foi o melhor no contra-relógio.

De referir ainda como Giacomo Nizzolo está a conseguir dar um novo fôlego à carreira ao mudar-se para a NTT. Tem alcançado bons resultados, incluindo três vitórias em 2020, com a terceira a ser um sempre especial título nacional. Ainda em Itália, o jovem Filippo Ganna impôs-se sem surpresa no contra-relógio, mas ficou de fora da prova de fundo devido ao coronavírus.

O colega de equipa da Ineos Leonardo Basso testou positivo por covid-19 e como Ganna havia treinado no início da semana com este ciclista, foi de imediato colocado em isolamento, tal como Gianni Moscon e Salvatore Puccio. A Ineos também colocou membros do staff em quarentena durante duas semanas, como medida de prevenção.

Em baixo fica a lista de alguns dos títulos atribuídos este fim-de-semana (certas provas decorreram na quinta e sexta-feira), recordando também competições que se realizaram noutras semanas, casos de Portugal - com títulos para Rui Costa e Ivo Oliveira -, Eslovénia e Rússia. Aqui foi um ciclista da equipa lusa Aviludo-Louletano a vencer: Sergey Shilov.

E como às vezes parece já ter sido noutro ano, recorda-se ainda quem venceu na Colômbia, Austrália e África do Sul, competições realizadas quando 2020 estava ainda a desenrolar-se normalmente.

Os títulos de contra-relógio estão identificados como CRI, os restantes são de fundo.

Bélgica
Wout van Aert (Jumbo-Visma) - CRI

Países Baixos
Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix)

Espanha
Luis León Sánchez (Astana)
Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) - CRI

Itália
Giacomo Nizzolo (NTT)
Filippo Ganna (Ineos) - CRI

França
Arnaud Démare (Groupama-FDJ)
Rémi Cavagna (Deceuninck-QuickStep) - CRI

Alemanha
Marcel Meisen (Alpecin-Fenix)

Noruega
Sven Erik Bystrom (UAE Team Emirates)
Andreas Leknessund (Uno-X Pro Cycling Team) - CRI

Dinamarca
Kasper Asgreen (Deceuninck-QuickStep)

Luxemburgo
Kevin Geniets (Groupama-FDJ)
Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep) - CRI

Eslováquia
Juraj Sagan (Bora-Hansgrohe)
Ján Andrej Cully (Dukla Banska Bystrica) - CRI

Hungria
Barnabás Peák (Mitchelton-Scott) - CRI

Lituânia
Gediminas Bagdonas (AG2R)
Evaldas Siskevicius (Nippo Delko One Provence) - CRI

Polónia
Stanislaw Aniolkowski (CCC Development Team)
Kamil Gradek (CCC) - CRI

Áustria
Valentin Götzinger (WSA KTM Graz)
Matthias Brändle (Israel Start-Up Nation) - CRI

República Chega
Adam Toupalík (Elkov-Kasper)
Josef Cerny (CCC) - CRI

Portugal
Rui Costa (UAE Team Emirates)
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates) - CRI

Suíça
Stefan Küng (Groupama-FDJ) - CRI

Eslovénia
Primoz Roglic (Jumbo-Visma)
Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) - CRI

Rússia
Sergey Shilov (Aviludo-Louletano)
Artem Ovechkin (Terengganu Inc. TSG Cycling Team) - CRI

Colômbia
Sergio Higuita (EF Pro Cycling)
Daniel Martínez (EF Pro Cycling) - CRI

Austrália
Cameron Meyer (Mitchelton-Scott)
Luke Durbridge (Mitchelton-Scott) - CRI

África do Sul
Ryan Gibbons (NTT)

16 de agosto de 2020

Rui Costa regressou para ser campeão nacional

© João Fonseca Photographer
Desde 2015 que Rui Costa não aparecia nuns Campeonatos Nacionais. Resurgiu exactamente com o mesmo resultado da última vez: a vencer. Tal como há cinco anos teve de sprintar com um dos portugueses que correm por cá. Então foi com Joni Brandão, desta feita foi com Daniel Mestre, que não conseguiu bater um ciclista que, nunca é de mais lembrar, é um campeão do mundo (2013).

Naquele 2015, Rui Costa representava a Lampre-Merida e teve em Braga ao seu lado os companheiros Nelson Oliveira e Mário Costa, o seu irmão. Em 2020, na UAE Team Emirates (a herdeira da estrutura italiana) teve ao seu lado dois jovens valores do ciclismo português e que muito trabalharam para ver o seu líder sagrar-se mais uma vez campeão nacional. Os gémeos Oliveira foram incansáveis no trabalho e Ivo teve mesmo de se aplicar, pois não entrou inicialmente no grupo que fugiu, mas acabou por lá chegar.

Num ano tão atípico, os adeptos lusos podem pelo menos recordar que o ciclista que marca a história recente da modalidade em Portugal recolocou o país no seu calendário competitivo, depois de tanto tempo de ausência. Em Fevereiro veio lutar pela Volta ao Algarve e na retoma pós-confinamento, aproveitou a Prova de Reabertura para testar a sua forma no contra-relógio. E até venceu.

Nos Nacionais, o título do esforço individual ficou para Ivo Oliveira, mas Rui Costa (33 anos) partiu decidido a conquistar uma vitória que lhe permitirá vestir novamente a camisola de campeão nacional. As duas de elite vão ser vistas no World Tour.

Para a W52-FC Porto fica um sabor agridoce de ver escapar o título nacional... mais uma vez. Tal como em 2019, a equipa que tem dominado a Volta a Portugal (e não só) nas corridas por cá, colocou dois homens no pódio, mas não no lugar mais alto.

Em Melgaço foram Ricardo Mestre e António Carvalho que viram José Mendes ficar com o título de campeão. A camisola haveria de ir parar à equipa, com a mudança do ciclista para a formação do Sobrado, depois de um ano no Sporting-Tavira. Mas, é caso para dizer, não é a mesma coisa que ganhá-la.

© João Fonseca Photographer
Desta feita foi o outro Mestre, o Daniel, sempre forte no sprint e que demonstrou boa forma em Paredes. Em terceiro ficou mais um sprinter da equipa azul e branca. Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 em 2017, apareceu também ele a bom nível, ainda que não tenha conseguido manter-se com o duo da frente para o sprint final. Cortou a meta 28 segundos depois.

A exibição dos ciclistas da equipa da W52-FC Porto tem de ser ainda mais valorizada pelo facto de terem pouca competição (Daniel Mestre não competia numa prova de fundo desde a Volta ao Algarve). Ao contrário de Rui Costa e dos gémeos. O poveiro esteve na retoma do calendário World Tour na Strade Bianche e seguiu para a Volta à Polónia. Ivo e Rui estiveram em Espanha, no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, e depois acompanharam Rui Costa à Polónia.

"Correr em Portugal não é fácil, apesar de virmos com muito mais ritmo competitivo. Foi uma prova muito bem disputada, sempre num ritmo alto. Vi que o Daniel Mestre estava forte logo no momento em que nos unimos ao grupo da frente. Quando ataquei, o Daniel veio comigo e ficámos juntos até ao fim. Voltar a correr além fronteiras com a camisola de campeão nacional é muito importante e um grande orgulho", afirmou Rui Costa na conferência de imprensa.

© João Fonseca Photographer
E recordou ainda aqueles emocionantes metros finais: "Quis sprintar desde a frente. A 300 metros eu vinha atrás do Daniel, mas passeio-o porque quis lançar o sprint da dianteira. O Daniel, muito valente, deu guerra até à meta, acabei por ganhar por um palmo."

Quanto a Daniel Mestre, o ciclista não esconde a frustração típica de um segundo lugar, mas também retira aspectos positivos da corrida: "Se o Rui Costa viu que eu estava forte eu também percebi que ele estava muito bem, como sempre está. Vim com ambição de lutar pela vitória. A nossa equipa tinha superioridade numérica, o Rui tem a vantagem de chegar com mais dias de competição. As condições eram ela por ela. Foi uma luta até ao fim e há que dar os parabéns ao vencedor. Nos campeonatos nacionais os piores lugares são o segundo e o quarto, o que fica atrás do vencedor e o que não ganha qualquer medalha. Coube-me o segundo, mas sendo atrás do Rui Costa dá-me motivação para as próximas competições"

Como decorreu a prova

Foi a 80 quilómetros da meta - dos 165,6 - que a corrida começou a ficar lançada. Alguns dos candidatos começaram a ganhar vantagem e o grupo acabou por ficar com 14 elementos. A W52-FC Porto viu quatro dos seus homens estarem na frente, com a UAE Team Emirates a eventualmente ter os seus três representantes. Um dos ciclistas que chegou a isolar-se na frente, foi precisamente Francisco Campos, que acabaria em terceiro.

© João Fonseca Photographer
A formação portuguesa foi atacando à vez, na tentativa de ir desgastando a concorrência. Porém, a cerca de cinco quilómetros do fim, foi Rui Costa que atacou, levando com ele apenas Daniel Mestre. O público vibrou com um final emotivo.

Se a vitória fica como individual, a verdade é que foi o colectivo que ajudou a fazer a diferença e Rui Costa não esqueceu como os gémeos foram uma preciosa ajuda para que pudesse estar em condições de conquistar o título nacional. "O Rui esteve praticamente em todos os ‘cortes’. Já na fase mais decisiva, o Ivo fez um esforço enorme, vindo de trás para a frente, com uma volta brilhante. Os dois foram excepcionais", elogiou.

De recordar que Rui Costa também tem dois títulos nacionais de contra-relógio, conquistados em 2010 e no ano de ouro da sua carreira, 2013.

Classificação completa, via FirstCycling.

O que se segue

Para Rui Costa não haverá tempo para descansar. O poveiro vai para a França onde já esta terça-feira começa o Tour du Limousin-Nouvelle Aquitaine. Terá a seu lado Rui Oliveira. Depois o campeão nacional fará a Bretagne Classic-Ouest-France (dia 25), antes de começar a pensar nas clássicas das Ardenas, no final de Setembro, princípio de Outubro. A época termina na Vuelta.

Por cá, temos de esperar duas semanas por alguma competição, mas entretanto espera-se conhecer mais sobre a Volta a Portugal. Este domingo foi anunciada a segunda etapa, que arrancará precisamente de Paredes, com final na mítica Senhora da Graça.

Calendário:

5 e 6 de Setembro: Qualificações Inter-Regionais para o Campeonato Nacional de Rampa
13 de Setembro: Campeonato Nacional de Rampa: todas as categorias de Cadetes a Masters
19 e 20 de Setembro: GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho
19 e 20 de Setembro: Campeonato Nacional de Contrarrelógio para camadas jovens, femininas e masters
27 de Setembro a 5 de Outubro: Volta a Portugal
10 e 11 de Outubro: Grande Prémio O Jogo
13 a 18 de Outubro: Grande Prémio Jornal de Notícias


15 de agosto de 2020

Táctica perfeita da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense dá título nacional de sub-23 a Fábio Costa

© João Fonseca Photographer
Um dia depois de Guilherme Mota ter garantindo o título no contra-relógio de sub-23, na prova de fundo do mesmo escalão, a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense tomou conta das operações e conquistou não só mais um título, como colocou no pódio os seus três ciclistas. Uma táctica perfeita, no que foi um contra-relógio colectivo até Fábio Costa sagrar-se campeão nacional.

Há um ano, o jovem ciclista não conseguiu esconder alguma desilusão quando viu João Almeida, então da Hagens Berman Axeon, vencer a corrida, com um ataque final que deixou o corredor da Oliveirense a 11 segundos. Em 2020, Costa tentou de novo, determinado a conquistar aquela camisola. Contou com Pedro Miguel Lopes e José Sousa, que "escoltaram" o companheiro até à meta.

Paredes assistiu a um assumir do risco da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense para tentar vencer. A equipa de Manuel Correia atacou aos 45 quilómetros, dos 138,2. Ou seja, o trio foi para a frente pouco depois de entrar no circuito. O pelotão demorou a organizar-se na perseguição e chegou a deixar os ciclistas da fuga ganhar cerca de três minutos.

© João Fonseca Photographer
Feirense e LA Alumínios-LA Sport ainda tentaram trabalhar para tanular a diferença, mas o trio funcionou na perfeição na frente da corrida.

"O nosso plano era manter o pelotão compacto até à entrada no circuito, não permitindo a formação de fugas muito numerosas. Logo no início do circuito saímos num grupo de sete. No final da subida pressionámos e ficámos apenas os três da equipa na frente. A partir daí demos o máximo para chegarmos os três. Concretizei o sonho de ser campeão nacional, mas o mais importante foi a exibição colectiva. Foi das corridas mais bonitas que já vi", salientou o novo campeão de sub-23, Fábio Costa, de 21 anos.

© João Fonseca Photographer
Na classificação, José Sousa terminou a 10 segundos, mas o primeiro do pelotão só chegou 1:33 minutos depois de Fábio Costa. O quarto classificado foi então Pedro Silva, da Rádio Popular-Boavista, com Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) a cortar a meta dois segundos depois, ele que na sexta-feira foi terceiro no contra-relógio. 

A corrida que somou um acumulado de 2860 metros tornou-se bastante dura, o que explica em parte o facto de terem terminado apenas 25 ciclistas dos 79 que partiram.

Esta foi a terceira vitória do ano para a equipa de Manuel Correia. Antes dos Nacionais, o director desportivo já tinha visto o reforço para esta época, Luís Gomes, vencer a Clássica da Primavera, em Março, mesmo antes do calendário ter sido suspenso devido à pandemia.

Classificação completa, via FirstCycling.

Domingo de elite

Falta apenas decidir em Paredes o campeão nacional de fundo, título que pertence a José Mendes, actualmente na W52-FC Porto, mas que o conquistou com as cores do Sporting-Tavira. Foi a segunda vez que vestiu a camisola, depois de ter vencido em 2016, nos Nacionais de Braga.

Serão 165,6 quilómetros, num percurso igual ao dos sub-23, mas com mais uma volta. Ou seja, depois de 42,3 quilómetros, os ciclistas entram no circuito final e o campeão será conhecido à nona passagem pela meta. O pelotão arranca às 11:00 e a chegada está prevista para cerca das 15:30.




14 de agosto de 2020

Ivo Oliveira conquista primeiro título de elite. Guilherme Mota afirma-se no contra-relógio

© João Fonseca Photographer
Os muito aguardados Campeonatos Nacionais de estrada arrancaram esta sexta-feira em Paredes. O desejo de competir é enorme depois de mais uma longa paragem para a maioria dos ciclistas e o contra-relógio abriu as hostilidades. Guilherme Mota confirmou em sub-23 a sua aptidão para esta disciplina, enquanto Ivo Oliveira conquistou em elite um título que também ganhou no escalão mais jovem.

Para o gémeo, a vitória em Paredes é especial. É a sua primeira vitória como ciclista de elite, aos 23 anos, depois de um muito difícil 2019, marcado por uma queda grave que o afastou das competições grande parte da temporada. E neste 2020 atípico, Ivo sofreu um problema físico na recente Volta à Polónia, mas regressou a Portugal em boa forma e garantiu que vestirá a camisola de campeão nacional no esforço individual.

"O contra-relógio é algo que me fascina. Como não nos qualificámos para os Jogos Olímpicos, na vertente de pista, o meu foco para este ano é 100% a estrada. Tenho vindo a trabalhar o contra-relógio, desde o confinamento. Na Volta à Polónia tive um problema num tendão. Fiquei desmotivado, pensando que não iria render o que queria", afirmou o ciclista da UAE Team Emirates.

E admitiu ainda: "A verdade é que hoje rendi ainda mais do que esperava. Tive um daqueles dias que acontecem poucas vezes no ano, quando se vai em cima da bicicleta e sente-se que está tudo a correr bem. Percebi que se não ganhasse seria por muito pouco. Estou muito feliz por poder usar as cores nacionais."

© João Fonseca Photographer
Ivo Oliveira completou os difíceis 18,1 quilómetros em 23:45 minutos, deixando o seu colega de equipa, Rui Costa, na segunda posição. O poveiro havia ganho o contra-relógio da Prova de Reabertura em Anadia, no início de Julho, mas desta feita ficou a nove segundos da vitória. Tiago Machado (Efapel) fechou o pódio, a 13 segundos.

O campeão de 2019, José Gonçalves (Nippo Delko Provence), ficou desta feita longe da luta, precisando de mais 41 segundos do que Ivo Oliveira para fazer os 18,1 quilómetros.


A afirmação de Mota

© João Fonseca Photographer
Em 2019, Guilherme Mota já havia subido ao pódio no contra-relógio, naquela que foi a sua primeira temporada como sub-23. Foi terceiro, mas desta feita conquistou um título que não surpreende. Já como júnior havia sagrado-se campeão no contra-relógio e sempre foi uma especialidade que demonstrou ser forte.

Mota, de 20 anos, é um dos muitos ciclistas portugueses que pouco tem competido esta temporada devido à pandemia e a sua última corrida havia sido precisamente no contra-relógio de Anadia. "Após um confinamento muito duro, por causa da faculdade, não estive ao nível que queria, na Prova de Reabertura. A partir daí tentei centrar-me ao máximo nos Campeonatos Nacionais. Todo esse trabalho deu resultado. Estou muito orgulhoso com esta conquista, ainda mais por ter acontecido num percurso tão duro, perante tantos adversários que poderiam discutir a corrida", salientou.

© João Fonseca Photographer
Para a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense é a segunda vitória do ano, algo importante tendo em conta que quase não houve corridas. De recordar que Luís Gomes venceu a Clássica da Primavera, em Março, mesmo antes do confinamento começar e o calendário ser cancelado.

O novo campeão - sucede a João Almeida (Deceuninck-QuickStep) - precisou de 24:58 minutos para completar os 18,1 quilómetros, com Daniel Dias (Sicasal-CM Torres Vedras) a ficar a 15 segundos, depois de ter sido o vencedor da Prova de Reabertura. Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) ficou a 23 segundos, subindo ao terceiro lugar do pódio.




Campeões de paraciclismo

© João Fonseca Photographer
Os Nacionais de Paredes contaram também com os atletas de paraciclismo, que tiveram pela frente 12,1 quilómetros. Foram consagrados dez campeões nacionais.

Telmo Pinão, um ciclista com muita experiência, tendo marcado presença em Jogos Paralímpicos, conquistou o título em C2 e foi o representante na conferência de imprensa que agora se realiza no final das corridas.

"Já cá ando há alguns anos, nesta família que é o paraciclismo. A vitória de hoje tem outro sabor, não apenas o sabor da vitória em si, mas pelo ano atípico por que temos passado. Tem sido muito duro treinar sem competir. Agora temos de ver se há mais provas em 2020 e começar já a pensar em 2021, um ano de Jogos Paralímpicos, para os quais o apuramento ainda está em aberto, mas também o ano em que teremos o Campeonato do Mundo em Portugal e em que, pela primeira vez, haverá Campeonato da Europa de Paraciclismo", afirmou.

Os campeões foram:
  • C1: Bernardo Vieira
  • C2: Telmo Pinão (Casa do Sport Lisboa e Benfica de Montemor-o-Velho)
  • C3: Paulo Teixeira (Associação Ciclismo Rodabike Gondomar)
  • C4: João Monteiro (Associação Mozinho Aventura)
  • C5: Manuel Ferreira (ADRAP)
  • D: João Marques (ACD Milharado)
  • H3: João Pinto (CC Portimão)
  • H4: Flávio Pacheco (Associação SCAV - Sport Ciclismo Almodôvar)
  • H4 Feminina: Filomena Oliveira
  • H5: Luís Costa (CC Portimão)
Sábado é dia dos sub-23

Este sábado realiza-se a prova de fundo dos sub-23, com o pelotão a partir às 14h30. Os jovens ciclistas portugueses terão pela frente 138,2 quilómetros, os primeiros 42,3 num percurso mais largo, antes da entrada no circuito final. O campeão será decidido na oitava passagem pela meta, com cada volta a ter 12,9 quilómetros. O acumulado será de 2860 metros.




26 de julho de 2020

Já há percursos para os Nacionais de Paredes

© João Fonseca Photographer/Federação Portuguesa de Ciclismo
Os ciclistas portugueses podem começar a preparar a próxima corrida já conhecendo o que lhes espera. Depois da desilusão com o adiamento da Volta a Portugal e do Troféu Joaquim Agostinho, os olhos ficaram postos nos Nacionais. A data até foi alterada. Uma antecipação de uma semana devido a um outro evento que Paredes irá receber. A esperança é grande que os títulos nacionais sejam disputados.

As provas vão realizar-se entre 14 e 16 de Agosto. Este ano as senhoras não estarão presentes, mas o contra-relógio contará com os paraciclistas. Para os campeões de 2019, acabou por ser um ano que soube a pouco. Com tão poucas corridas realizadas, poucas oportunidades tiveram de vestir a camisola de campeão.

José Mendes (na W52-FC Porto) certamente que tudo fará para conquistar um terceiro título nacional. Já quanto José Gonçalves (Nippo Delko One Provence), o campeão no contra-relógio em Melgaço, faltará saber se o calendário da sua equipa lhe irá permitir estar presente em Paredes.

A alteração da data os Nacionais em Portugal, faz com que não coincida com outros em muitos países europeus. Isto poderá levar a que os ciclistas portugueses que competem em formações estrangeiras não estejam presentes. Será o caso de João Almeida. O campeão de sub-23 em contra-relógio e fundo tem na sua agenda a possível estreia no monumento da Lombardia, a 15 de Agosto, ao serviço da Deceuninck-QuickStep.

Mas vamos então aos percursos divulgados pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O contra-relógio irá realizar-se no primeiro dia, sexta-feira 14. Os paraciclistas terão pela frente 12,5 quilómetros. Já os sub-23 e os atletas de elite terão de cumprir 18,1, num percurso com início em Gandra e meta em Baltar. A segunda metade será num falso plano e alguns topos vão exigir bastante dos ciclistas, para que não percam tempo.



Sábado será dia da prova de fundo dos sub-23. Serão 137,4 quilómetros e depois de 41,5, o pelotão jovem entrará no circuito final, de 13,7 quilómetros. O campeão será conhecido aquando da oitava passagem pela meta. Os ciclistas vão enfrentar um acumulado de 2860 metros.


No domingo a elite fará o mesmo percurso, mas com mais duas voltas. Ou seja, 164,8 quilómetros e um acumulado de 3480 metros. A partida será em Vilela e a chegada em Gandra. Pode ver o mapa do percurso em baixo.



21 de junho de 2020

Demorou, mas Roglic finalmente competiu e é campeão nacional

© Jumbo-Visma
Primoz Roglic era um dos cerca de 20 ciclistas do World Tour que ainda não tinham competido em 2020. O esloveno, este ano com o Tour como objectivo, ia começar a sua temporada quando a pandemia mandou todos para casa. Demorou, mas Roglic está finalmente na estrada e a fazer o que mais sabe: ganhar.

Primeira corrida e já vai partir para o que resta da época, num calendário nunca antes visto, como campeão nacional de estrada. A máquina continua oleada!

A situação epidemiológica na Eslovénia permitiu que os Nacionais pudessem realizar-se já em Junho, como é habitual na Europa. Sendo este um país que aos poucos vê cada vez mais ciclistas chegar ao mais alto nível e com sucesso, a corrida gerou um natural interesse, reforçado com a vontade de todos de querer ver ciclismo! Afinal está tudo praticamente parado desde Março, salvo algumas excepções fora do Velho Continente.

Olhando para o top dez, há nomes bem interessantes que lutaram pelo título, na prova de 145,8 quilómetros. A 10 segundos de Roglic (Jumbo-Visma) ficou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), um atleta que muito está a entusiasmar o mundo velocipédico, principalmente depois de partilhar o protagonismo na Vuelta com Roglic: foi terceiro na geral, primeiro na juventude e ainda conquistou três etapas. E é impossível não recordar que tanto Roglic, como Pogacar são vencedores da Volta ao Algarve.

Em terceiro, a 39 segundos ficou Matej Mohoric, da Bahrain-McLaren - vencedor de uma etapa no Giro e Vuelta, campeão do mundo de sub-23 em 2013 e campeão nacional em 2018. Em quinto, a 1:13 minutos, ficou o companheiro de equipa Domen Novak (campeão nacional em 2019), seguindo-se Jan Polanc (UAE Team Emirates), a 1:34, vencedor de duas etapas no Giro e que no ano passado chegou a vestir a camisola rosa.

Jan Tratnik e Grega Bole, ambos também da Bahrain-McLaren ficaram no top dez, onde ainda se destaca o veterano de 36 anos, Janez Brajkovic. Agora pelo escalão Continental e após cumprir uma suspensão por doping, este esloveno já representou equipas de topo como a então Bahrain-Merida, Astana, RadioShack e a Discovey Channel. Actualmente está na Adria Mobil.

Satisfeito por estar de volta à acção

"É realmente maravilhoso que a situação permitisse que pudéssemos correr outra vez e fazer o que fazemos melhor, correr nas nossas bicicletas. Estou, por isso, muito feliz por ter conseguido ficar com o título nacional na minha primeira corrida da época”, afirmou Roglic, num comunicado divulgado pela sua equipa, a Jumbo-Visma.

"Foi uma corrida difícil, com uma subida muito dura no final. Com os resultados na primavera, o Tadej era favorito e não foi certamente fácil batê-lo", acrescentou Roglic, admitindo que fez o reconhecimento da subida final nos últimos dias. “Sabia onde tinha de atacar”, disse.

Motivado por ter começado a ganhar, Roglic está entusiasmado com as próximas e no seu calendário estão de momento três corridas: o Tour de l’Ain, Critérium du Dauphiné e a Volta a França. Ou seja, a partir de Agosto.

O ritmo ganhador de Roglic mantém-se

Ganhar a primeira corrida em que participa em 2020 é "apenas" a continuação de um 2019 memorável para Primoz Roglic. O esloveno participou em 12 provas, entre corridas por etapas e de um dia. Ganhou metade! E há que não esquecer que ainda venceu etapas, incluindo no Giro, onde foi terceiro na geral, mesma posição conquistada no Chrono des Nations.

Aos 30 anos, ganhou estatuto de herói no seu país ao ser o primeiro esloveno a conquistar uma grande volta e este ano ganhou o direito de ir ao Tour com estatuto de líder. O único senão é que o terá de o partilhar com Steven Kruijswijk e o recém-chegado à Jumbo-Visma, Tom Dumoulin.

Curiosamente, nenhum dos ciclistas do novo tridente do ciclismo mundial tinha competido ainda em 2020. Para Roglic não faz mal nenhum começar desde já a marcar o seu terreno, ganhando.

Em 2018, Roglic até foi quarto no Tour, mas o líder era Steven Kruijswijk, que ficou em quinto. Foi o ponto de viragem na carreira do esloveno, pois com as exibições naquela Volta a França, mostrou à equipa que não só era um voltista, mas poderia ser um voltista vencedor. No ano seguinte, aprendeu no Giro uma lição dura de como gerir a forma física e foi à Vuelta confirmar a expectativa de puder ganhar uma grande volta.

Ainda teremos de esperar pouco mais de um mês para ver os melhores do mundo começarem a competir nas grandes corridas, mas até lá, algumas provas já estão a ir para a estrada, algumas no leste da Europa.

Porém, nunca é de mais recordar. Estamos a poucos dias de em Portugal termos o pelotão de regresso à estrada. A 5 de Julho a Prova de Reabertura está marcada para Anadia e será um contra-relógio individual, para aquecer as pernas para um calendário que se espera vá ganhando mais forma.

Confira no link em baixo as corridas já marcadas no nosso país e no de baixo as provas World Tour.


30 de junho de 2019

Já podes sorrir Zé Mendes!

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Algo cabisbaixo, de poucos sorrisos, longe dos holofotes, José Mendes foi um importante reforço para o Sporting-Tavira tendo em conta a sua experiência internacional, mas faltava algo ao ciclista, que não deixava transparecer a alegria de outrora. A saída da Bora-Hansgrohe não foi fácil de aceitar. A passagem pela Burgos-BH foi discreta e sem história. A época na equipa portuguesa estava a ser abaixo do esperado. Mas às vezes basta um momento para dar uma volta de 180 graus. José Mendes espera que esse o momento seja quando ultrapassou Ricardo Mestre e sagrou-se campeão nacional.

O grito que lançou ao cortar a meta era mais do que de alegria. Era de desabafo. De alívio. Finalmente o melhor José Mendes conseguiu voltar a mostrar-se. "Tem sido um ano em que as coisas, por muito que tentasse, não têm corrido bem, não sei... Tentei procurar explicações, mas simplesmente as coisas não correm como se quer. Com o aproximar dos Campeonatos Nacionais, os problemas que ia tendo foram desaparecendo", explicou. "A melhor recompensa", como descreveu, chegou em Melgaço, três anos depois da primeira conquista, em Braga. Um minhoto a ganhar em casa!

Quando vestiu a camisola de campeão nacional pela primeira vez, com no ano seguinte a Bora-Hansgrohe a subir a World Tour, José Mendes era um homem de muitos sorrisos sempre que se falava daquela conquista e de onde tinha chegado na sua carreira. "Todos os dias que a visto tenho um sentimento muito especial", disse então numa entrevista ao Volta ao Ciclismo. Era um ciclista orgulhoso pela vitória que nunca hesitou em considerar a melhor da carreira. Agora passa a ter uma para rivalizar.


(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Numa disputa com o seu lado clubístico, não tivesse acabado por ser um frente-a-frente entre Sporting-Tavira e W52-FC Porto, Ricardo Mestre parecia estar bem encaminhado para chegar ao título. José Mendes não deixou e António Carvalho, que realizou uma forte recuperação, não teve metros suficientes para alcançar um dos objectivos que tanto sonha na carreira. Família, amigos, sorrisos e lágrimas do lado de José Mendes e Sporting-Tavira. Desolação do lado azul e branco depois de muito trabalhar por parte da equipa mais representada nos Nacionais: dez ciclistas. Mestre e Carvalho ficaram a dois segundos de Mendes. As camisolas verde e brancas foram seis, mas duas rapidamente começaram a ver-se mais na parte de trás da corrida.

O triunfo seguiu-se a uma corrida bem animada, atacada e incerta até final. José Gonçalves (campeão de contra-relógio e ciclista da Katusha-Alpecin) e Nelson Oliveira (Movistar) eram as grande referências internacionais, com Domingos Gonçalves (Caja Rural) à procura do segundo título consecutivo e José Neves (Burgos-BH) a tentar mostrar uma boa forma que pouco se tem visto em 2019 e ainda não foi desta. Joni Brandão, Henrique Casimiro e Bruno Silva da Efapel, João Benta e Daniel Silva da Rádio Popular Boavista, houve muita qualidade num pelotão ainda assim curto.

"Temos apenas 50 e poucos corredores a participar no campeonato nacional, mas não deixam de ser de grande nível e foi uma corrida bem disputada.  Foi dura e a grande velocidade", disse um José Mendes que tinha ao seu redor muitas pessoas a quererem celebrar a conquista, a começar pelos dois filhos. A emoção acabou por tomar conta do momento. Mais palavras ficarão para depois quando, como o próprio afirmou, digerir a vitória.


(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Foram 197 quilómetros que deixaram marca na carreira de um ciclista que chegou a ser uma peça importante na então NetApp-Endura, depois Bora-Argon18 e por fim, já no World Tour, Bora-Hansgrohe. A época menos boa de 2017 não teve perdão - ainda que tenha concretizado o objectivo de estar no Giro e feito o pleno nas grandes voltas -, pois com a equipa em fase de mudança para se tornar cada vez mais uma de topo mundial, fecharam-se as portas para o corredor português. Porém, aos 34 anos, José Mendes ganhou em Melgaço um novo ânimo para tirar o melhor partido deste seu regresso a Portugal, onde no passado representou a LA Alumínios, Liberty Seguros e também o Benfica, antes de partir para o estrangeiro, com uma passagem pela CCC.

E ânimo também se precisa no Sporting-Tavira. É que a Volta a Portugal está aí. Falta apenas um mês para o arranque. Tiago Machado apresenta-se como líder, mas José Mendes acaba por mostrar que ser apenas gregário poderá ser pouco para quem conquistou o segundo título nacional.

Para o Sporting-Tavira esta é uma vitória de extrema importância. Acaba mesmo por ser uma das mais relevantes desde o regresso do clube leonino ao ciclismo. Tinha um triunfo numa etapa na Volta a Portugal, há três anos. Soma outras vitórias, mas ganhar o título nacional de elite dá alento a uma equipa que em 2019 tinha visto apenas César Martingil levantar os braços na Clássica da Primavera, em Março. E esta é a última temporada em do contrato inicialmente acordado entre o Clube de Ciclismo de Tavira e o Sporting Clube de Portugal.

Quanto ao ciclista de Guimarães, depois da exibição em Melgaço, é mesmo caso para dizer: já podes sorrir Zé Mendes!

Classificação completa da prova de elite, via ProCyclingStats.

Aqui fica uma ronda por outros Campeonatos Nacionais:

➤ Espanha: Alejandro Valverde (Movistar)
➤ França: Warren Barguil (Arkéa-Samsic)
➤ Itália: Davide Formolo (Bora-Hangrohe)
➤ Grã-Bretanha: Ben Swift (Ineos)
➤ Alemanha: Max Schachmann (Bora-Hansgrohe)
➤ Bélgica: Tim Merlier (Corendon-Circus)
➤ Holanda: Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep)
➤ Eslováquia: Juraj Sagan (Bora-Hansgrohe)
➤ Irlanda: Sam Bennett (Bora-Hansgrohe)
➤ Áustria: Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe)
➤ Luxemburgo: Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep)
➤ Suíça: Sébastian Reichenbach (Groupama-FDJ)
➤ Cazaquistão: Alexey Lutsenko (Astana)
➤ Letónia: Toms Skujins (Trek-Segafredo)
➤ Polónia: Michal Paluta (CCC Development Team)
➤ Rússia: Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo)
➤ Eritrea: Natnael Berhane (Cofidis)

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