Mostrar mensagens com a etiqueta Corendon-Circus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Corendon-Circus. Mostrar todas as mensagens

7 de outubro de 2019

Sagan dá um conselho a Van der Poel

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Se há alguém que sabe bem o que é chegar ao mais alto nível e ter quase de imediato um forte impacto é Peter Sagan. Quando em 2010 se estreou pela Liquigas-Doimo, o eslovaco rapidamente começou a ganhar nos grandes palcos, não demorando a ser visto como um fenómeno e a tornar-se numa estrela. Sagan também sabe o quanto é difícil continuar a ganhar ao mesmo ritmo e cumprir as elevadas expectativas. Por isso, é a pessoa indicada para aconselhar o mais recente fenómeno do ciclismo mundial, Mathieu van der Poel, que nos Mundiais de Yorkshire mostrou que é humano depois de umas exibições de outro mundo!

O holandês de 24 anos só esta época é que se dedicou mais à vertente de estrada - apesar de ter sido campeão nacional em 2018 - e não demorou a exibir-se a grande nível e a obter vitórias incríveis e inesquecíveis. A da Amstel Gold Race ficará para a história e recentemente na Volta à Grã-Bretanha também deixou o pelotão, nas palavras de Matteo Trentin, a parecer uns ciclistas juniores. Porém, depois de parecer que ia a caminho de mais uma performance para recordar nos Mundiais, conseguindo chegar à frente da corrida e confirmando que tinha mesmo tudo para ganhar, quebrou. E que quebra! Acabou a mais de 10 minutos do vencedor, Mads Pedersen.

Sagan conhece a sensação, tanto a de ser o super favorito, como a de ter uma quebra física depois de muito trabalhar. Tantas vezes foi o eslovaco criticado por gastar demasiada energia, que depois lhe faria falta na luta pela vitória, enquanto os seus rivais aproveitavam o seu trabalho. Para Sagan, talvez Van der Poel estivesse "demasiado motivado" em Yorkshire: "Fez a sua aposta e pagou o preço."

Outra parecença entre ambos é o passado de BTT, com o holandês a ser ainda um dos melhores no ciclocrosse. Sagan avisou como tudo é diferente na estrada e deixou então um conselho a Van der Poel: "Há que aprender a usar a cabeça." Sagan até demorou na sua carreira a seguir esta recomendação! Ao Algemeen Dagblab acrescentou: "Há uma grande diferença entre a estrada e o ciclocrosse e BTT. Nos circuitos vamos a fundo durante uma hora. Na estrada falta experiência [a Van der Poel]."

Peter Sagan disse ainda como "no princípio é tudo mais fácil". Ou seja, ninguém sabe do que um ciclista é capaz. "Ganhar uma vez está bem. Depois tens de conseguir a segunda, terceira, quarta... Então é quando começa a ficar complicado", afirmou.

Mais uma vez, Sagan sabe bem do que fala. Aos 29 anos teve uma temporada abaixo das expectativas, com apenas quatro vitórias, mas juntou a sétima camisola verde (pontos) na Volta a França, assim como a classificação dos pontos na Volta à Suíça. Nos Mundiais chegou a admitir que perdeu uma oportunidade para conquistar o seu quarto título. Sagan falhou o momento que o colocaria na frente da corrida: acompanhar Van der Poel quando o holandês atacou no grupo perseguidor.

Aos 24 anos, Van der Poel (Corendon-Circus) tem muitos triunfos por conquistar, mesmo que continue, por agora, a dividir a sua carreira entre as três vertentes. Aliás, o BTT poderá ser o seu objectivo para Tóquio 2020, enquanto Sagan não deverá repetir a presença na modalidade, depois da experiência nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O eslovaco anunciou que não irá participar no evento teste e considera que o percurso não lhe assenta muito bem, devido às muitas subidas. O ciclista da Bora-Hansgrohe afirmou ainda que não terá tempo para se preparar de forma adequada, pelo que fica aberta a porta para ir à prova de estrada.

Enquanto Sagan decide os objectivos para 2020, certo é que na perspectiva de quem gosta de ciclismo, um dos duelos que mais se espera ver no próximo ano é precisamente o de o eslovaco com Mathieu van der Poel. Os dois em forma poderão tornar as clássicas da Primavera ainda mais interessantes.

»»Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido««

»»Um campeão mundial improvável que comprovou 2019 como o ano da nova geração««

8 de junho de 2019

Van der Poel abdica do BTT para ir aos Mundiais de Yorkshire

(Fotografia: Facebook Corendon-Circus)
O chamamento foi demasiado forte. O percurso dos Mundiais de Yorkshire é simplesmente demasiado perfeito para Mathieu Van der Poel resistir e o holandês decidiu abdicar de lutar pelo título no BTT para ir tentar o de estrada. O seleccionador não escondeu como queria contar com a mais recente super estrela do ciclismo, mas o talento de Van der Poel é tal, em todas as vertentes, que lhe é dado todo o poder de decisão. A estrada vai mesmo regressar ao seu calendário em 2019 com o objectivo de juntar mais um título de campeão do mundo ao seu impressionante currículo, para já com destaque no ciclocrosse, mas a ganhar forma em terrenos mais alcatroados. Vai, sem dúvida, partir como um dos favoritos a conquistar o que poderá ser a sua primeira camisola arco-íris de elite na estrada.

"Não posso negar que o percurso de Yorkshire assenta-me bem e é por isso que estou a optar pelos Mundiais de estrada este ano", salientou Van der Poel, ao ser anunciada a sua presença pela federação de ciclismo da Holanda. Porém, o ciclista lamentou ter de falhar os Mundiais de BTT, mas salientou que tinha de fazer uma escolha. "Eu quero absolutamente estar presente no evento teste para Tóquio. Os Jogos Olímpicos de 2020 continuam a ser  o meu grande objectivo", disse. O holandês quer competir na vertente de BTT nos Jogos, pelo que participará no evento teste no início de Outubro, antes de se dedicar à temporada de ciclocrosse.

Tentar conjugar as três vertentes não é fácil, mas Van der Poel, da Corendon-Circus, quer tentar. Vai falhar o início da época de ciclocrosse, mas já em 2018 não esteve presente nas primeiras corridas, o que não o impediu de estar em forma para ganhar praticamente todas as provas em que participou.

Para preparar os Mundiais de Yorkshire - a corrida de fundo de elite será a 29 de Setembro - Van der Poel vai para já conciliar o BTT com a estrada e Agosto poderá marcar o seu regresso a esta última vertente, na Artic Race, na Noruega, de 15 a 18 daquele mês. Há um ano ganhou duas etapas na corrida norueguesa. De 8 a 15 de Setembro deverá estar na Volta à Grã-Bretanha.

Há cerca de um mês, o seleccionador Koos Moerenhout tinha iniciado uma tentativa pública de convencer Van der Poel, considerando que o percurso de Yorkshire é perfeito para o ciclista de 24 anos e que esta temporada tomou de assalto a fase das clássicas. Realizou exibições espectaculares e conquistou vitórias memoráveis, como a na Amstel Gold Race. "Estou feliz por podermos incluir o Mathieu na selecção holandesa para Yorkshire. Estou convencido que teremos uma equipa forte e com o Van der Poel a força da equipa só aumentará", afirmou Moerenhout.

A confirmação de Van der Poel surge dias depois do seu rival no ciclocrosse, o belga Wout van Aert, ter renunciado aos Mundiais de Yorkshire. O ciclista da Jumbo-Visma prefere dedicar-se ao ciclocrosse, pois considera que ir aos Mundiais de estrada e tendo em conta o que considera ser um período necessário de descanso e preparação, levaria a que só estivesse de regresso ao ciclocrosse em plena forma em Dezembro.

O percurso de Yorkshire, de 284,5 quilómetros, é "acidentado" a pedir uma corrida com ataques e contra-ataques, mesmo ao jeito de Van der Poel.




6 de maio de 2019

Seleccionador gostaria de ver Van der Poel nuns Mundiais perfeitos para o ciclista

(Fotografia: Facebook Corendon-Circus)
Que tal incluir os Mundiais de estrada no calendário de Mathieu van der Poel? A sugestão foi dada pelo seleccionador holandês que lançou o desafio ao ciclista que deixou todos "loucos" por ele na curta fase em que apostou na estrada este ano. Agora concentrado quase exclusivamente no BTT - ainda deverá regressar para uma última corrida em alcatrão -, Koos Moerenhout dificilmente poderia ter sido mais explícito quanto à vontade de contar com a jovem sensação das clássicas: "O percurso é perfeito para Van der Poel."

Apesar de ter comprovado, sem margem para dúvidas, que tem um lugar de destaque na estrada, Van der Poel não abandona as suas outras paixões. Vai começar pelo BTT, antes de se concentrar na temporada de ciclocrosse, lá mais para Setembro. Estrada, só para o ano. A mentalidade do holandês, de 24 anos, é que o mais importante é gostar do que se faz e divertir-se a fazê-lo. Por isso, não sente qualquer pressão para ter de escolher uma só vertente. Pelo menos para já.

A sua equipa, a Corendon-Circus, apoia Van der Poel nestas decisões, percebendo-se porque o ciclista avisou que as equipas do World Tour que já o abordaram vão ter de esperar. Nem tudo é uma questão de dinheiro para este ciclista, que até pode tentar fazer algo bem interessante: ser campeão do mundo nas três especialidades no mesmo ano. A camisola arco-íris do ciclocrosse já tem. "Só" faltam duas. Segue-se o BTT, cuja a aposta tão forte em 2019 deve-se ao objectivo de estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta vertente.

Porém, encaixar os Mundiais de estrada no calendário de Van der Poel não será fácil, pois estão precisamente "a tocar" no início da época de ciclocrosse. Mas também não é impossível, até porque as corridas que Van der Poel teria de faltar para estar em Yorkshire, foram as duas que já abdicou em 2018, arrancando a época de ciclocrosse apenas em Outubro.

"Se ele for aos Mundiais e se estiver tão bem preparado como esteve esta Primavera, então ele pertence lá", salientou ao jornal AD o seleccionador holandês. Durante a Volta a Yorshire, que decorreu na semana passada, já foi possível ver um pouco de como será o percurso que, por exemplo, Mark Cavendish já avisou que não tem nada a ver com ele, enquanto Peter Sagan espreita a oportunidade para recuperar a camisola perdida para Alejandro Valverde. Para Van der Poel parece então ser perfeito, pelo menos para Koos Moerenhout.


Depois do que fez nas clássicas, com quatro vitórias - aquela da Amstel Gold Race há-de ficar para a história como um dos finais mais incríveis e espectaculares - e um excelente quarto lugar na Volta a Flandres, ficou-se a conhecer todo o potencial de um ciclista que ainda tem margem de evolução. Onde irá parar Van der Poel é uma grande questão. A outra é se resiste à tentação de não ir a Yorskhire, quando o percurso chama por ele.

Não é ciclista de pensar que está perante oportunidades únicas. Quando tanto se falou por não estar no Paris-Roubaix, Van der Poel limitou-se a dizer que era preferível assim para estar bem nas outras corridas. O Inferno do Norte fica para o ano. Claro que os Mundiais são diferentes, pois todos os anos o percurso muda, agradando mais a uns ciclistas uma vez e mais a outros noutra vez. Sendo ainda tão jovem, Van der Poel poderá não sentir qualquer tipo de pressão em tentar aproveitar o percurso de Yorkshire.

De Van der Poel nem uma palavra sobre a sugestão do seleccionador. Uma certeza o holandês já tem: consegue ser muito competitivo em corridas com mais de 200 quilómetros. Era a sua dúvida neste ano em que, com a subida da Corendon-Circus a Profissional Continental, abriram-se a porta de grandes provas.

O percurso de Yorkshire, de 284,5 quilómetros, é "acidentado" a pedir uma corrida com ataques e contra-ataques, mesmo ao jeito de Van der Poel. Porém, para se preparar para ser candidato - e só se estiver nesta condição se verá o holandês na Grã-Bretanha a 29 de Setembro - terá mesmo de abdicar de algo principalmente no ciclocrosse.

Agora é esperar pela decisão do ciclista. O próprio Moerenhout afirmou que a decisão está totalmente do lado de Van der Poel. O lugar na selecção ficará guardado.

Para quem gosta deste ciclista, poderá vê-lo na estrada na Puivelde Koerse, na Bélgica (15 de Maio), já que deverá ser acrescentada à última da hora ao calendário de Van der Poel que, quatro dias depois, dará as primeiras pedaladas na temporada de BTT, na Alemanha.

»»O primeiro "super" Mundial de ciclismo já tem cidade anfitriã««

»»Simplesmente fenomenal!««

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««

»»Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala««

21 de abril de 2019

Simplesmente fenomenal!

(Fotografia: Facebook Amstel Gold Race)
"Eles já não vos apanham", ouviu do rádio Jakob Fuglsang. E dificilmente alguém acreditaria que, a menos de cinco quilómetros da meta, o dinamarquês e Julian Alaphilippe não iriam discutir a vitória na Amstel Gold Race. Porém, num daqueles volte-face que simplesmente nos faz adorar ainda mais o ciclismo (se tal é possível), num daqueles momentos que se há-de falar durante muito, muito tempo, Mathieu van der Poel alcançou o impossível. Ou melhor, mostrou que nada é impossível quando se tem talento, vontade, atitude e uma qualidade como ciclista que promete colocar este holandês a um nível apenas ao alcance daqueles verdadeiramente especiais.

Só este ano, Van der Poel já tinha demonstrado o que poderia fazer. Em anos anteriores foi deixando indicações que faziam com que se desejasse vê-lo finalmente dedicado à estrada, ele que no ciclocrosse só tem Wout van Aert como rival. A subida da Corendon-Circus a Profissional Continental apresentou finalmente todo o talento deste ciclista ao mundo. Van der Poel não só não está desiludir nem um bocadinho, como está a ultrapassar quaisquer expectativas. Que poder, que força naquela pedalada final, depois de mais de 260 quilómetros! Para quem tinha receio de fazer distâncias longas, o saldo ficou num quarto lugar na Volta a Flandres e nesta inesquecível vitória na Amstel Gold Race. 

Em menos de cinco quilómetros, Van der Poel recuperou qualquer coisa como um minuto de desvantagem, rebocando um pequeno grupo que nem se consegue perceber se não quis ajudar ou se era difícil fazer melhor do que o holandês. Matteo Trentin foi ultrapassado como se estivesse a fazer cicloturismo, Michal Kwiatkowski, que já tinha feito algo improvável de encostar ao duo da frente, pareceu ficar parado na estrada. Alaphilippe e Fuglsang mal conseguiam acreditar naquele homem que passava por eles, com um Simon Clarke (EF Education First) "agarrado" àquela roda como se a vida dependesse disso. Ficou em segundo lugar, num esforço que noutra ocasião lhe poderia ter dado uma vitória.

Mas com este Van der Poel a pedalar daquela forma, um segundo lugar tem de saber um pouco a vitória. O holandês, de mão na cabeça ao cortar a meta, estava incrédulo com o que tinha acabado de alcançar. A incredulidade era partilhada por quase todos. Aquele sprint, aquela recuperação fez qualquer um abrir bem os olhos perante um momento que, de repente, se percebeu que ia ser histórico.

Van der Poel disse que não acreditava ser possível chegar à vitória depois de não ter ido com Alaphilippe e Fuglsang. O holandês já tinha testado antes a concorrência, como já se percebeu que gosta de fazer, e ainda faltavam 50 quilómetros. O melhor ficou para o fim. E que final! Não se deixou contentar com um top dez. Procurou algo mais. Conseguiu o prémio maior. Um exemplo de atitude e de quem não fica à espera que façam por ele, o que ele pode fazer.

Ganhar a Através da Flandres tinha sido um marco importante na sua carreira, por ser a sua primeira conquista numa corrida World Tour. Na Amstel a história continuou a ser escrita e tantos vão ser os capítulos... Van der Poel só tem 24 anos.

A semana das Ardenas abriu com estrondo. A Amstel é na Holanda, mas pertence a esta semana e desde 2001 que um homem da casa não vencia. O último foi Erik Dekker. Como se pode imaginar a festa foi grande na corrida da cerveja. Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) parecia estar a caminho de conquistar a primeira vitória rumo à tripla. Bem se tinha dito que Van der Poel seria aquele que provavelmente poderia estragar o objectivo do francês, que acabou num quarto lugar, com sabor a frustração. Fuglsang salvou um pódio, mas foi o primeiro a assumir o erro de baixar o ritmo, acreditando nas palavras que já não seriam apanhados.

Agora é esperar para ver o próximo espectáculo de Van der Poel e até onde irá este atleta com genes de ciclista (o pai é Adrie van der Poel, que venceu a Amstel Gold Race em 1990 e o avô é Raymond Poulidor, um dos grandes nomes do ciclismo francês). As Ardenas não contarão mais com Van der Poel e ainda não se sabe qual será a próxima prova. Que chegue rápido.

Neste link pode ver a classificação completa, via ProCyclingStats, com Rui Costa (UAE Team Emirates) a ser 13º, a 46 segundos. Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) abandonou. Na corrida feminina, a vencedora foi a polaca Katarzyna Niewiadoma (Canyon SRAM Racing).

Aqui fica a parte final do sprint, mas que não faz jus a todo aquele esforço de outro mundo de Van der Poel.
»»Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito««

»»Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância««

19 de abril de 2019

Várias equipas já sondam Van der Poel e há uma que não surpreende

(Fotografia: print screen)
Mathieu van der Poel despertou de vez o interesse de várias equipas do World Tour. O próprio o admite. Se era um ciclista que estava a criar algumas expectativas, principalmente depois de ter sido campeão nacional em 2018, este ano confirmou-as e, se calhar, até as ultrapassou. Mas não vai ser fácil convencer o holandês a sair da Corendon-Circus e parece que nem ter a melhor equipa de clássicas interessada o faz pensar quebrar contrato.

Já são cinco vitórias esta época, mas foram as na Através da Flandres (corrida World Tour) e na De Brabantse Pijl que o tornaram num dos ciclistas mais apetecíveis do momento. Isto sem esquecer o fantástico quarto lugar na Volta a Flandres, numa estreia que mais auspiciosa, só se tivesse terminado no pódio ou mesmo ganho. A super-estrela do ciclocrosse já está a ser também uma na estrada, pelo que o contrato até 2022 com a sua actual equipa parece ser algo difícil de manter.

Ou talvez não. "Há de facto grandes equipas que me contactaram, mas não quero mencionar nomes. Disse a todas que, para já, terão de esperar. Estou sob contrato", salientou ao Sporza. Não quis dizer nomes, contudo, ao ser questionado pelo possível interesse de Patrick Lefevere, Van der Poel não o negou, recordando a relação que o director da Deceuninck-QuickStep tem com o seu pai, Adrie van der Poel. "Faz sentido que tenha havido um contacto", disse.

Deceuninck-QuickStep querer um dos ciclistas que maior potencial apresenta neste momento para as clássicas, não é certamente nenhuma surpresa, ainda mais quando é necessário pensar em contratar sangue novo. E claro, porque a formação belga sempre procura ter os melhores homens de clássicas no seu plantel.

Apesar de ser um ciclista de nível World Tour, Van der Poel sente-se bem na sua equipa e há outro pormenor a ter em conta. O seu pai, Adrie, afirmou que a Corendon-Circus já pensa em tentar subir ao principal escalão, ainda que não tenha sido uma das equipas a pedir a licença para as próximas três temporadas. Afinal, acabou de chegar ao escalão Profissional Continental e com Van der Poel nas fileiras, não terá problemas em receber convites para as grandes corridas e em cimentar a sua estrutura, provavelmente começando a reforçar mais o plantel. Com a exposição mediática que tem, mais patrocinadores poderão chegar.

Adrie van der Poel referiu que Lefevere é "suficientemente inteligente para não estar sempre a perguntar". Porém, a primeira abordagem está feita. O pai do ciclista de 24 anos, realçou que não vê razões para Mathieu mudar de equipa, vendo o actual contrato como algo para honrar.

A questão financeira interfere muitas vezes neste tipo de decisões e, no caso de Van der Poel, há uma Canyon muito interessada em ter este ciclista a competir com as suas bicicletas. Apesar de patrocinar a Movistar e a Katusha-Alpecin, por exemplo, a imagem de Van der Poel está a tornar-se extremamente valiosa, talvez só sendo comparável ao que Peter Sagan representa para a Specialized. Esta marca foi decisiva quando o eslovaco assinou pela Bora-Hansgrohe e, a título de curiosidade, é esta marca que fornece as bicicletas à Deceuninck-QuickStep. A Canyon poderá ter uma palavra a dizer no futuro do holandês, mas não será fácil, nem barato manter Van der Poel como a sua imagem.

Recentemente a Canyon lançou uma nova publicidade com o holandês.



Mathieu vai fechar a época de clássicas na Amstel Gold Race, uma corrida que o pai ganhou em 1990. Arie referiu que o filho não lhe faz muitas perguntas sobre a prova, até porque o percurso é diferente. Salientou ainda que não está surpreendido com o que Mathieu está a alcançar tão rapidamente.

O ciclista também falou da corrida de domingo, considerando que é um dos favoritos, mas não um dos principais favoritos. "Há ainda corredores que já provaram mais do que eu neste tipo de corridas", afirmou, deixando um elogio a Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), ciclista que bateu ao sprint da De Brabantse Pijl: "Acho que é actualmente o melhor ciclista no pelotão. É bom ter a oportunidade de competir contra alguém como ele." Considerou ainda que Greg van Avermaet é outro atleta a ter em atenção na Amstel Gold Race.

»»Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala««

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««

12 de abril de 2019

Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala

(Fotografia: © Photo News/Corendon-Circus)
Aproxima-se o Paris-Roubaix (domingo) e um dos ciclistas mais falados é o que não estará presente. Com apenas 24 anos, no seu primeiro ano numa equipa Profissional Continental (ainda nem está no World Tour, mas mais cedo ou mais tarde lá chegará), o impacto que está a ter é tal, que é já considerado uma das principais ausências do monumento francês. E ainda nem o fez uma única fez em elite. A culpa não é sua. A equipa não recebeu convite para o Inferno do Norte, situação que, perante os resultados de Mathieu van der Poel, deixa muitos, a começar pelo se avô, desiludidos pela sua ausência. Muitos, menos o ciclista. Na sua perspectiva, assim tem algo por que ambicionar para 2020.

A fama do holandês já é tal, que consegue ser notícia por quase tudo. Até pelos calções brancos! Sim, a sua opção de cor de equipamento gerou muita conversa. Primeiro porque aquela cor nos calções é uma que está como que "proibida", oficiosamente, claro. Basicamente considera-se que mostra de mais. Fica à consideração de cada um! Porém, a escolha não foi estética, foi táctica.

Na Através da Flandres, que Van der Poel ganhou, o ciclista usou os calções pretos com a camisola de campeão nacional e é este o ponto fulcral. "Eles [directores da equipa] viram que nas imagens [transmitidas] do helicóptero era difícil distinguir o Mathieu do campeão luxemburguês, Bob Jungels", explicou o pai do ciclista, Adrie van der Poel, um vencedor da Volta a Flandres, ao De Telegraaf.

O pai assumiu que ficou surpreendido com a decisão até ter percebido a razão. Aliás, da discussão que a escolha dos calções brancos gerou, parece que só Jetse Bol, holandês da Burgos-BH chegou mais rapidamente à conclusão, levantando de imediato a questão se seria para diferenciar dois ciclistas com duas camisolas de campeão nacional idênticas. Ambas as bandeiras são vermelhas, brancas e azuis, com riscas horizontais, mudando um pouco os tons do vermelho e azul. Ao longe, com os ciclistas a grande velocidade, não era fácil perceber logo quem era quem.

Com os calções brancos, os directores conseguiram facilmente identificar o seu ciclista e dar-lhe instruções tácticas de como proceder no pelotão. "Os calções brancos foram uma opção brilhante", acabou por admitir o pai de Van der Poel. O ciclista alcançou um excelente quarto lugar no monumento, na sua estreia, com uma queda pelo meio.

Do pai para o avô. Raymond Poulidor, uma das lendas do ciclismo francês, dá voz à desilusão de não poder ver Van der Poel nos pavés do Inferno do Norte. Primeiro começou por dizer ao Het Nieuwsblad que se não fosse a queda na Volta a Flandres, o neto poderia ter alcançado uma vitória. Perante os resultados deste ano tanto na estrada - quatro vitórias, a última na primeira etapa do Circuito de Sarthe, em França -, como no ciclocrosse - basicamente ganhou tudo o que havia para ganhar na recente época -, Van der Poel iria ser uma das figuras do Paris-Roubaix, disso Poulidor não tem dúvidas.

"É uma grande pena que ele não faça o Roubaix. Na sua forma, com as suas excepcionais qualidades, ele poderia mesmo fazer algo", assegurou Poulidor. Mas o jovem Van der Poel não está nada preocupado por não ir ao monumento francês. Aliás, afirmou mesmo estar satisfeito com o calendário que tem para 2019, francamente melhor do que em épocas anteriores, dada a subida da equipa ao segundo escalão mundial. Para o ciclista, o mais importante não é falhar Roubaix, é estar na Amstel Gold Race, que se realiza na semana seguinte.

"Acabar em quarto na Flandres não quer dizer automaticamente que se vá fazer o mesmo em Roubaix. É óptimo partir na Amstel como campeão holandês. Se tivéssemos acrescentado Roubaix [ao calendário], nunca teríamos preparado completamente [a corrida]. Também não queria fazer isso a mim próprio", salientou. "Será algo [o Paris-Roubaix] que eu posso ambicionar para o próximo ano", acrescentou.

E isso parece quase certo, com a organização do Paris-Roubaix, a ASO, a já deixar algumas dicas que a Corendon-Circus receberá o desejado convite em 2020. Mathieu van der Poel tornou-se rapidamente numa estrela na estrada, depois de, a par de Wout van Aert (Jumbo-Visma), ser uma das grandes figuras do ciclocrosse. A equipa não deverá encontrar muitos problemas para começar a receber mais convites, principalmente para as clássicas, mas não só.

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««

»»A ambição de vencer bateu vontade de não perder para um rival««

6 de abril de 2019

A Volta a Flandres de dois estreantes de quem tudo se espera

(Fotografia: Facebook Volta a Flandres)
Um tem 24 anos, outro 38. Um acabou de conquistar a sua primeira vitória numa corrida World Tour, outro tem mais de meia centena, só deste nível e veste a camisola de campeão do mundo, algo que o primeiro por acaso também tem, mas de ciclocrosse. Mathieu van der Poel e Alejandro Valverde tornaram-se nos dois grandes destaques de uma Volta a Flandres que, por si só, é um enorme destaque na temporada. É uma corrida vista muitas vezes como o monumento dos monumentos e o certo que nos muros da Flandres, em 102 edições, construíram-se lendas, destruíram-se sonhos e muita da história do ciclismo passa por esta corrida.

Até é algo estranho não começar um texto por Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) quando se fala de Volta a Flandres. Afinal, nos últimos anos, as atenções centraram-se inevitavelmente nele. Ganhasse ou não. Fê-lo em 2016, quando se pensou "finalmente". Não, Sagan não surge o topo das preferências, o que não significa que não seja favorito. Os problemas de saúde (de estômago) que o afectaram antes do Tirreno-Adriatico e que o obrigaram a ficar algum tempo sem treinar, deixaram Sagan aquém da forma que normalmente apresenta nesta altura. Ainda assim, anda a discutir corridas, mas falta-lhe aquela força final. Ainda assim, numa corrida feita por eliminação, Sagan não pode ser menosprezado.

Mas o eslovaco até estará algo satisfeito, pois terá mais ciclistas que os rivais serão obrigados a estar atentos. Claro que todos se perguntam o que poderá Alejandro Valverde (Movistar) fazer. Esperou pela fase final da carreira para se estrear neste monumento. No entanto, tem dado conta de si no pavé e já se sabe que rampas é com ele. Como Sagan, tem andado afastado das vitórias, mas como Sagan, pode aparecer a qualquer momento. É Valverde um favorito? Sim. A sua leitura de corrida, a ponta final e a muita experiência, mesmo que menor neste tipo de corridas, poderão levar o "Bala" a fazer um pouco de história: nunca nenhum espanhol ganhou a Volta a Flandres.

Contudo, mais favorito é o outro estreante. Mathieu van der Poel é o nome do momento. Venceu na quarta-feira a Através da Flandres numa tremenda exibição e tanto ele como a sua equipa, a Corendon-Circus, sabem que passou a ser um homem marcado. Ou ainda mais marcado. Este holandês já não estava a passar despercebido e o rei do ciclocrosse limitou-se a confirmar o que se esperava dele. Tem do seu lado o facto da pressão não ser dele. É apenas o primeiro ano a este nível e tem mais do que tempo para cumprir o seu destino na Volta a Flandres. Mas lá que na Holanda se alimenta o sonho de o ver ganhar, lá isso se alimenta. Isto um ano depois de Niki Terpstra ter quebrado o longo jejum para os holandeses. A última vitória havia sido em 1986 por Adrie van der Poel. O nome não é coincidência, é mesmo o pai de Mathieu!

Outro homem do ciclocrosse, que foi afastado do trono mundial este ano por Van der Poel, Wout van Aert está bastante contente por ser um dos favoritos, naquela que será apenas a sua segunda participação na Volta a Flandres. Porém, a pressão é bem maior, comparativamente com o seu rival holandês. O belga está agora na Jumbo-Visma e tem alcançado resultados positivos. Mas foi contratado para ganhar. Tem apenas 24 anos e também com tempo para confirmar todas as expectativas. Só que o seu salto para o World Tour dá-lhe uma maior responsabilidade. Mas para quem diz que a Volta a Flandres é menos stressante do que o ciclocrosse, só se pode esperar que vá andar ao ataque, ao seu estilo. A dar espectáculo, portanto.

E quem escolher da Deceuninck-QuickStep? Os adversários adorariam saber, mas qualquer um pode ganhar, mesmo um Tim Declercq, Iljo Keisse ou Kasper Asgreen, que estarão mais preocupados em trabalhar, mas se surgir a oportunidade... Contudo, é normal que as apostas estejam mais entre Philippe Gilbert (vencedor há dois anos), Yves Lampaert, Zdenek Stybar e Bob Jungels.

Greg van Avermaet e a sua CCC pouco têm convencido, mas o belga ainda não desistiu de conquistar a corrida da sua vida. O mesmo acontece para Sep Vanmarcke (EF Education First), mas falta perceber como estará a sua forma após lesão. Oliver Naesen (AG2R) diz que ficou doente depois de levar com champanhe no rosto no pódio da Gent-Wevelgem, mas estará à partida em Antuérpia. Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) recuperou estatuto após a vitória nessa corrida, Tiesj Benoot (Lotto Soudal) é sempre um forte candidato, assim como um Matteo Trentin (Mitchelton-Scott) que está bem melhor do que há um ano. John Degenkolb também tem mostrado melhorias, mas será desta que o colega da Trek-Segafredo, Jasper Stuyven, ganha o seu monumento?

Candidatos não faltam e aqui fica a lista de inscritos, via ProCyclingStats.

Algumas curiosidades

  • Desde Fabian Cancellara que ninguém ganha mais do que uma vez a Volta a Flandres. O suíço até tem três vitórias, a última em 2014. Kristoff, Sagan, Gilbert e Terpstra são os únicos que poderão conquistar um segundo triunfo. Mas há um que pode repetir pela terceira vez...
  • Stijn Devolder continua a competir aos 39 anos. Está na Corendon-Circus, ao lado de Van der Poel, mas numa corrida como esta, tudo pode acontecer. É improvável, mas este belga tem duas Voltas a Flandres, tendo ganho em 2008 e 2009.
  • Além de Cancellara, Johan Museeuw, Tom Boonen, Eric Leman, Fiorenzo Magni e Achiel Buysse venceram a Volta a Flandres por três ocasiões. Ninguém tem quatro vitórias.
  • Nenhum português esteve no pódio da Volta a Flandres e este ponto serve para lançar Nelson Oliveira. O ciclista da Movistar será o único luso na corrida, sendo a quinta participação numa corrida que muito gosta. Ao contrário do Paris-Roubaix, a Flandres tem sido mais simpática para Oliveira, somando dois tops 20. Um furo estragou-lhe a Através da Flandres, onde andou na frente da prova, mas mostrou como está num bom momento de forma. De destacar também a presença de Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) na corrida feminina, que partirá antes da masculina.
  • Quanto ao percurso de 270,1 quilómetros entre Antuérpia e Oudenaarde, a principal diferença é a saída de Pottelberg, o que faz com que haja menos uma subida. Serão 17 para o espectáculo. Os primeiros 80 quilómetros serão um bom aquecimento, até ao aparecimento das primeiras dificuldades. Contudo, será já perto dos 120 que as decisões vão começar a ser tomadas, quando os ciclistas cumprirem a primeira das três passagens pelo Oude Kwaremont. São 2,2 quilómetros e a pendente média é de apenas 4%, mas chega a rondar os 11% de máxima. O Kapelmuur surge antes dos 170 quilómetros e nos 750 metros chega-se a subir a 20%! Já dentro dos 60 quilómetros finais haverá uma sequência final assombrosa, a começar no Oude Kwaremont, que volta a ser passado já perto da meta, antes do Paterberg. 360 metros infernais de pavé, com rampas de 20% e basicamente sempre acima dos 10%!
  • A chuva poderá marcar presença durante a corrida, ainda que o vento não deverá causar problemas de maior. Há alguma previsão para precipitação até para o final da corrida, mas mesmo que não aconteça, tem chovido naquela zona, pelo que atenção aos sectores de pavé.

3 de abril de 2019

Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel

(Fotografia: Facebook Corendon-Circus)
O poderio e superioridade de Mathieu van der Poel na recente época de ciclocrosse chegou a gerar comentários de como estava a tornar a modalidade aborrecida. A culpa não é só do holandês. Afinal, não pode ser só sua a responsabilidade da concorrência mal lhe chegar aos calcanhares. Porém, este mesmo Van der Poel, que poderá ou não ter tornado o ciclocrosse no mínimo previsível (fica ao critério opinativo de cada um), vem oferecer à vertente de estrada mais um elemento de imprevisibilidade. Que seja bem-vindo! Na Através da Flandres não nasceu uma estrela, "apenas" ficou mais do que confirmado que há mais uma e daquelas que gosta de dar espectáculo.

Ciclista de ataque, rápido a ler a corrida, rápido a reagir e sem medo de arriscar. Van der Poel não negou como competiu por instinto, pois considera que nem sempre se deve ficar preso a um plano. Cair-se-ia na tentação de, ao ver o holandês correr, a desgastar-se em fugas, ou em tentar recuperar terreno, sem se poupar a esforços na frente da corrida, que no final poderia pagar o preço. Mas não. Van der Poel, 24 anos, soube gerir todo o seu esforço, sobre ler os seus adversários e depois foi avassalador no sprint. Era de facto o mais forte nesta área entre o grupo que discutiu a vitória na Através da Flandres, contudo, quantas vezes se assistiu os favoritos falharem no momento decisivo.

Van der Poel não deixou escapar de, naquela que foi apenas a sua segunda corrida World Tour, ganhar, depois de no domingo já ter alcançado um impressionante quarto lugar na Gent-Wevelgem (soma alguns triunfos em corridas de escalão inferior). Que sprint! Deixou todos os rivais sem hipótese e até teve tempo para desacelerar e celebrar. O holandês conquistou assim um maior favoritismo para o monumento do próximo domingo, naquela que será a sua estreia na Volta a Flandres. Sem surpresa sacudiu qualquer pressão. O que acontecer, acontecerá, mas o que já cativou neste ciclista é que gosta de fazer acontecer e não de ficar à espera.

Dada a sua dedicação ao ciclocrosse - com passagens no BTT -, Van der Poel ainda tem uma longa margem de progressão na estrada. É, por exemplo, um ciclista pouco habituado a distâncias longas. Os quase 250 quilómetros da Gent-Wevelgem foram algo inédito para o holandês. Na Volta a Flandres serão 267,7 e para Van der Poel o favorito é Peter Sagan (Bora-Hansgrohe). Que duelo será se o eslovaco estiver bem e se se juntar Wout van Aert (Jumbo-Visma).


A referência a Van Aert não é por acaso. É a outra estrela do ciclocrosse, que esteve apagada esta temporada. Mas também ele tem estado bem na estrada. Porém, na particular rivalidade entre os campeões do mundo do ciclocrosse, agora ambos na estrada, Van der Poel já está na frente. Ganhou uma corrida World Tour. Fê-lo numa equipa que este ano subiu a Profissional Continental, a Corendon-Circus, e que está a tirar os frutos do seu investimento. Percebe-se porque tem o ciclista seguro até 2022. Mesmo que acabe por sair mais cedo, a equipa garante o encaixe de algum dinheiro se alguém o quiser levar antes. Se continuar a somar bons resultados, Van der Poel vai garantir muitos mais convites para corridas importantes para a Corendon-Circus. É uma pena que não vá ao Paris-Roubaix. Faltou o tal convite.

Quando se fala de genes, então Van der Poel está destinado a ser um grande ciclista. É filho de Adrie van der Poel, um vencedor da Volta a Flandres, Liège-Bastogne-Liège, Amstel Gold Race, duas etapas no Tour... Foi também campeão do mundo de ciclocrosse. Mathieu segue-lhe os passos e até já veste a camisola de campeão nacional de estrada, mesmo que a aposta neste vertente seja recente. E já agora, tem como avô materno um tal de Raymond Poulidor, uma das principais referências do ciclismo francês nas décadas de 60 e 70, vencedor de uma Vuelta, escapou-lhe o Tour (oito pódios, mas nenhum vitória), onde conquistou sete etapas. Dois Critérium du Dauphiné, uma Milano-Sanremo...

Van der Poel está a começar a construir o seu currículo, mas parece que a família tem mais um campeão também na estrada, já que no ciclocrosse o irmão, David (três anos mais velho) tem igualmente algumas vitórias, ainda que o seu mano mais novo o ofusque. David também está na Corendon-Circus juntamente com Mathieu.

Maldito furo

Anthony Turgis (Direct Energie) e Bob Jungels - a picar o ponto para a Deceuninck-QuickStep - completaram o pódio (pode ver neste link a classificação completa), com Lukas Pöstlberger (Bora-Hansgrohe) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) a fecharem o quinteto que discutiu a corrida e que deveria ter sido um sexteto. Maldito furo que tirou a Nelson Oliveira (Movistar) a oportunidade de continuar na frente da corrida, ele que andou na fuga e até em solitário na frente.

A corrida ficou ainda marcada pela insólita interrupção que se deveu porque foi necessário transportar de ambulância ciclistas da corrida feminina. Marcada por quedas, esta prova atrasou-se um pouco, o que levou à decisão de parar a competição masculina. No recomeço, Lukas Pöstlberger (Bora-Hansgrohe) não estava na frente e foi com a ajuda de uma moto da televisão que recuperou a sua posição devida.

Elle van Dijk (Trek-Segafredo), compatriota de Van de Poel, venceu a prova das senhoras isolada. Daniela Reis (
Doltcini-Van Eyck Sport) foi 80ª, a 2:06 minutos.

»»O que se passa com Moscon?««

»»Um Kristoff de raiva que não se deixa abater««